Dias 661 | GSI e ABIN a serviço da famiglia presidencial, toca o hino! | 23/10/20

Hoje excepcionalmente não terá podcast, tamos de volta na terça, os episódios você ouve lá na Central3.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Malditos milicos

Ninguém desmoraliza mais o Exército que o general heleno:

“Passava das 18 horas do dia 25 de agosto quando um sorridente Jair Bolsonaro abriu seu gabinete, no terceiro andar do Palácio do Planalto, para receber Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, as advogadas de Flávio Bolsonaro no caso Queiroz. Na mesa retangular, esperavam Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).” [Época]

Os três estavam ávidos para ouvir delas o que Flávio, naquele dia recolhido devido à Covid-19, havia relatado ao presidente: as duas afirmavam ter descoberto a chave para derrubar o caso Queiroz. Se provada na Justiça, essa tese livraria Flávio e todos os demais deputados investigados por rachadinhas no Legislativo fluminense.”

Como não há provas da inocência do filho mais pilantra da prole presidencial restam provas que possam anular a operação e livrar a cara do senador que compra imóveis em dinheiro vivo e é o úncio dono de lojas de chocolate que vende mais fora da Páscoa. Honestíssimo.

Numa explanação que durou cerca de uma hora, as duas apresentaram documentos que, na visão delas, provariam a existência de uma organização criminosa instalada na Receita Federal, responsável por levantar informações que embasariam os relatórios de inteligência financeira pelo Conselho de Controle de Atividades Econômicas (Coaf). Um desses relatórios teria sido difundido nos primeiros dias de 2018 e dinamitado o esquema que, segundo o Ministério Público Federal, era comandado pelo filho do presidente. Segundo registros feitos posteriormente pelo GSI, as duas apresentaram na reunião uma série de indícios no relatório do Coaf, que, na avaliação da defesa, o distinguiria dos demais tradicionalmente feitos pelo órgão por trazer informações das quais este não dispõe em seus bancos de dados. E apresentaram documentos que mostram que um grupo de funcionários da Receita, lotados na Corregedoria do Rio de Janeiro, estaria alimentando os órgãos de controle, entre eles o Coaf, com dados sigilosos sobre políticos, empresários, funcionários públicos, entre outros. Um dos documentos seria um processo do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), encaminhado em 2017 para a Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda, relatando que servidores da Corregedoria da Receita no Rio estariam sendo alvo de práticas ilegais de investigação por parte de colegas. As advogadas sustentaram que esses servidores seriam perseguidos por se recusarem a participar de ações irregulares praticadas por colegas, a exemplo da fabricação de denúncias apócrifas, o que representaria um desvio de finalidade da inteligência tributária.

Meses depois da notificação pelo Sindifisco, o corregedor-geral da Receita, José Pereira de Barros Neto, o mesmo até hoje no cargo, respondeu questionando a competência do sindicato para tratar do assunto e afirmando que teria orientado os citados a não responder. O corregedor insistiu, ainda em 2019, que o sindicato deveria arquivar a apuração. Em janeiro de 2020, após a conclusão da apuração, o Sindifisco arquivou a acusação contra esses filiados supostamente perseguidos contra os servidores da Corregedoria, afirmando não ver conexão nos fatos alegados por eles com alguma violação do estatuto do sindicato. Não houve nenhuma comprovação, portanto, de que eles de fato eram perseguidos — nem de que não eram. O sindicato não se aprofundou no assunto. Procurada, a Corregedoria da Receita afirmou que não responderia se foi ou não aberta uma investigação sobre o caso. A tese da defesa era que o relatório que trata dos supostos esquemas no gabinete de Flávio e de outros 21 deputados da Alerj tem características idênticas às práticas irregulares de que a Corregedoria da Receita no Rio foi acusada. Quando Pires e Bierrenbach concluíram o raciocínio, Bolsonaro estava estupefato. O presidente dirigiu-se a Ramagem e perguntou: “Você sabia disso?”. Um constrangido chefe da Abin deu uma resposta evasiva. Não sabia.”

Vai vem demais a Abion, viado! Por que diabos a Abin deveria ter investigado as pessoas que investigaram Flavinho Desmaio?!

“Eis que se chega à razão do envolvimento do chefe da Segurança Institucional e o diretor de Inteligência naquela reunião. Heleno e Ramagem saíram dali com a missão de, “em nome da segurança da família presidencial”, checar se o roteiro narrado pela defesa do zero um se sustentava.”

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“E o mais importante: conseguir um documento que comprovasse que Flávio foi vítima de uma devassa ilegal por integrantes da Inteligência da Receita. O GSI não conseguiu, mas de lá para cá passou a acompanhar cada etapa da investida da defesa do filho do presidente para conseguir uma prova que possa anular o caso.”

Não conseguiu mas tentoi, imagine o tanto de esporro que Bolsonaro deve ter dado no Heleno.

“A estratégia de Flávio Bolsonaro, a partir daí, passou a ser outra. O próprio e sua defesa se reuniram com o secretário da Receita, José Barroso Tostes Neto, a quem foi entregue um documento narrando todas essas suspeitas.”

Sim, as advogadas de Flavinho Desmaio tiveram encontro com o secretário da Receita, atenção, Paulo Guedes!

“Agentes da Abin registraram esse encontro num relatório de inteligência. O conteúdo da petição entregue ao chefe da Receita foi compartilhado por ele com um círculo de pessoas de sua extrema confiança. Nela, a defesa de Flávio Bolsonaro requisitava que fosse pesquisado o histórico de acessos aos dados do filho do presidente, inclusive — e aqui o roteiro ganha ainda mais ares de teoria da conspiração — as consultas feitas por meio de uma suposta senha invisível, que seria usada na Corregedoria para investigar funcionários sem deixar rastros. O secretário da Receita nada entregou, o que causou estranheza ao Planalto.”

Até porque se entregasse era crime! Alguém lembra do caseiro que o Palocci fodeu?!

“Bolsonaro chamou Tostes Neto para uma conversa há algumas semanas, quando o questionou. Na conversa, o secretário da Receita afirmou que havia feito uma busca e nada aparecera que corroborasse as suspeitas da defesa. A explicação não convenceu. Procurado, ele também se recusou a responder o que fez diante das denúncias que recebeu. Flávio partiu para uma nova tentativa, desta vez junto a Gileno Gurjão Barreto, diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados do governo (Serpro). No dia 29 de setembro, o zero um reuniu-se com Gurjão Barreto em Brasília, num discreto endereço, distante da sede do Serpro. O zero um pediu que a empresa federal de dados levantasse diretamente os dados que, para estranheza do Planalto, a Receita havia se recusado a fornecer. O tiro também foi na água: o Serpro alegou ter um contrato de confidencialidade com a Receita, que seria descumprido se qualquer dado fosse fornecido.”

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“No GSI, o assunto vem sendo tratado com extrema cautela.”

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Coma mesma cautela que levou Heleno a publicar o próprio RG e CPF no twitter, com a mesma cautela com que a Abin espionou convenção da ONU.

“Heleno considera que o tema envolve de fato a segurança da família presidencial, mas, indagado, evitou fazer qualquer comentário oficial sobre o tema. A Abin segue no caso, auxiliando a defesa de Flávio Bolsonaro.”

Caralho, poucas palavras aí em cima e uma sucessão de absaurdos. Como assim a Abin continua no caso?! Muda logo o nome pra ABIFP, porra, Agência Brasileira de Inteligência da Famiglia Presidencial, tocada pelo guarda-costas da época da campanha.

“Já na Receita, o tema caiu como uma bomba. Há um temor na cúpula com dois possíveis desfechos para o caso, nenhum deles positivo para a atual gestão. Se a defesa de Flávio Bolsonaro judicializar o caso, a Receita pode se ver no meio de um tiroteio jurídico.”

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Mas isso pode nem esperar tanto: o medo é que Jair Bolsonaro troque o chefe da Receita antes mesmo que o caso vá para a Justiça.”

Já se foi a Abin, o MPF, a PF e agora a Receita.

Flávio Bolsonaro e sua defesa recusaram-se a falar sobre o tema.”

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Para o zero um, cujo pó da ampulheta segue caindo, comprovar a tese de suas advogadas seria quase como uma nova eleição para o Senado. Encontrado um vício de origem no relatório de inteligência financeira, o caso Queiroz estaria morto. O governo Bolsonaro mataria seu maior fantasma e, de quebra, ainda fortaleceria o papo de que, sob o Mito, não há corrupção.”

Mas a defesa se manifestou depois que a matéria circulou e não apontou nenhuma inverdade:

“Os advogados de Flávio Bolsonaro — Luciana Pires, Juliana Bierrenbach e Rodrigo Roca — admitiram à coluna na manhã desta sexta-feira que apresentaram ao Gabinete de Segurança Institucional as suspeitas de que o senador teria sido alvo de uma investigação atípica por parte da Receita Federal, conforme revelou a coluna na edição desta sexta-feira de ÉPOCA. Diz a nota, assinada pelos três: “A defesa do Senador Bolsonaro esclarece que levou ao conhecimento do GSI as suspeitas de irregularidades das informações constantes dos Relatórios de Investigação Fiscal lavradas em seu nome, já que diferiam, em muito, das características, do conteúdo e da forma dos mesmos Relatórios elaborados em outros casos, ressaltando-se, ainda, que o Relatórios anteriores do mesmo órgão não apontavam qualquer indício de atividade atípica por parte do Senador. Registre-se, finalmente, que o fato foi levado diretamente ao GSI por ter sido praticado contra membro da família do Senhor Presidente da República”.” [Época]

Bem, se Bolsonaro é a Constituição tá valendo tudo isso aí em cima, tá ok?

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2. Malditos milicos, parte 2

Um manda e o outro obdece, se humilha, se rebaixa e por aí vai:

“No auge de sua irritação com o episódio que envolveu Eduardo Pazuello, João Doria e a vacina chinesa, Jair Bolsonaro determinou uma condição básica para manter o ministro da Saúde no cargo: ele teria que se retratar publicamente. Poucas horas depois, uma coletiva de imprensa foi dada pelo secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, voltando atrás no anúncio feito no dia anterior sobre o plano de compra de 46 milhões de doses da vacina que tem o governador paulista – principal inimigo de Bolsonaro – como seu maior entusiasta. Na tarde de ontem, Pazuello teve que pagar mais um pedágio de desculpas e gravou um vídeo com o presidente para resumir a confusão: “um manda e o outro obedece. Mas a gente tem carinho, dá pra desenrolar”. O presidente, que passou a quarta-feira sendo acalmado pelos bombeiros da Esplanada, amenizou: “Falaram até que a gente estava brigado. No meio militar, é comum acontecer isso aqui, não teve problema nenhum”. A ideia da gravação partiu do próprio Bolsonaro, segundo um auxiliar do presidente.” [O Globo]

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O que o Boslonaro fez com Pazuelo tinha que passar num Xvideos da vida,

E pelo visto o presidente/milico da Anivsa trocou uma idéia com um advogado:

O que você está falando é um tipo penal e está previsto no Código Penal em algum lugar. Se temos pessoas morrendo, protocolos de vacina em andamento e se estamos concebendo a possibilidade de alguém daqui de dentro, intencionalmente, procrastinar, ou realizar qualquer impedimento a que um medicamento salve vidas… Primeiro que jamais vou poder cogitar isso. E, se eu tomar conhecimento, tomarei todas as medidas administrativas cabíveis, e tenho várias…[Folha]

Comece pelo presidente então. Esse é o cara que esteve ao lado do Bolsonaro numa manifestação anti-democrática, os dois sem máscaras, claro. A jornalista insiste e…

“A impressão que me dá às vezes é que muitas pessoas da imprensa acham que a agência vive em função do que o presidente pensa ou deixa de pensar.”

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“Não emito nenhuma opinião nessa questão de comentários políticos porque isso acaba somando a nós uma cor que a gente não tem. A agência reguladora não deve se envolver nisso sob pena de ter sua própria credibilidade maculada e questionada.”

DSisse o militar que não entende NADA de vigilância sanitária.

!Nesse ponto, quero dizer que a reunião de ontem [quarta, com o governador de São Paulo, João Doria, e representantes do Butantan] foi rotineira. Do mesmo modo, é meu dever dizer também que o presidente Bolsonaro, desde o momento em que estou aqui, nunca fez nenhum tipo de pressão ou influência, nenhum pedido ou orientação.”

O presidente o fez publicamente, porra!

Encerro com Reinaldo Azevedo:

“A entropia do sistema político elegeu Jair Bolsonaro. Ainda que um reacionarismo nada subterrâneo se manifestasse transversalmente na sociedade brasileira, este se mantinha mais ou menos à margem como força (des)organizadora do sistema. Os agentes da desordem eram neutralizados pelos da ordem. No dia em que se estudar o sistema político a sério, o Brasil descobrirá razões para, por exemplo, lamentar o esfacelamento do núcleo duro do MDB. O partido atraía e digeria o monstro, hoje autônomo.” [Folha]

VOLTA TEMER! VOLTA ELIZEU QUADRILHA! VOLTA, MOREIRA! VOLTA, GEDDEL!

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“Bolsonaro virou o beneficiário e o monopolista desse caos. Pode não agir em nome de uma teoria do poder, mas se expande na ausência de uma força organizada que lhe faça oposição. Seria incapaz de redigir uma redação do Enem explicando o seu pensamento, mas intui que sua primeira tarefa é esmagar os adversários que estão em seu próprio campo ideológico. A personalidade tirânica, e é o caso, não admite contestação em seu próprio terreno —e nisso ele não inova. Todos os beneficiários de movimentos disruptivos, ainda que pela via eleitoral, como ocorre, procuram eliminar primeiro os parceiros de trajetória. Construída a lenda pessoal, então pode se ocupar de alvejar os verdadeiros inimigos ideológicos, se é que Bolsonaro sabe quais são. Suas formulações são tão primitivas e desinformadas que até seu extremismo de direita não passa de um vomitório para indignar adversários e manter unida a tropa. Observem que ele chega a inventar um passado de combatente contra a inexistente guerrilha do Vale do Ribeira. Quando aconteceram por lá não mais do que duas escaramuças, tinha 15 anos. O “Mito” é um mitômano. É preciso que se pensem as circunstâncias que permitiram a um marginal chegar ao centro do poder. Não foi sem melancolia que li e ouvi, por exemplo, as reações à sabatina de Kassio Marques na CCJ, ministro aprovado do Supremo. Muitos sábios entortaram o nariz para o que fez de melhor: a defesa do garantismo.”

Beleza, então pra ser juiz do supremo pode ser um garantista sem reputação ilibada?! Entendo que qualquer outra indicação do Bolsonaro seria pior, mas reputação ilibaa o Kassio n~çao tem nem fodendo.

“Quando o establishment político, intelectual e jornalístico admite que possa haver em direito outra corrente que não a garantista —entendida esta como o cumprimento da letra da lei, com suas… garantia!—, então é preciso admitir que estamos vivendo, sim, uma nova era. Que força relevante fazia a defesa da democracia naquele ancestral 1964, que resultou em golpe? A resposta, como é sabido, é esta: nenhuma. Não vivemos as vésperas de um rompimento institucional, mas há o risco de esgarçamento do Estado democrático e de Direito. Sem estrondo. Quem se atreve a falar em defesa das forças da ordem? É evidente que Bolsonaro sabia das negociações empreendidas pelo seu soldado raso, o general Eduardo Pazuello, com o Instituto Butantan — e isso significa que também as Forças Armadas foram tragadas pelo movimento entrópico, viciadas que estão numa boquinha. Nem tanto por cálculo, mas em razão da pressão da expedição interventora dos EUA que veio ao Brasil para buscar um aliado na guerra comercial contra a China, o presidente desautorizou o seu ministro da Saúde; atacou um adversário do seu campo ideológico; pôs em dúvida a qualidade de uma vacina sem ter elementos para isso; ameaçou, de forma velada, negar o registro à Coronavac e correu para colher os louros junto a seus lunáticos. O que resta do antigo establishment político e intelectual, inclusive a imprensa, se queda paralisado, estatelado, mal acreditando no que ouve e vê. E o homem pode muito mais porque ele e o vácuo se contemplam. Bem-aventurados os que tentam resgatar o país dos escombros da legalidade. É nossa única saída. “Kassio foi indicado por Bolsonaro, Reinaldo!” E daí? Edson Fachin foi indicado por Dilma.”

Ora, Reinaldo, que eu saiba Fachin não plagiou ninguem nem apresentou currículo fictício. Há uma difernça brutal aí.

“Lembrando são Mateus, pelo fruto saberemos se é videira ou espinheiro. A ordem legal —com todas as mobilizações sociais cabíveis, claro!— é nossa única vacina contra as forças do caos.”

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3. Malditos milicos, parte 3

O general da ativa amicíssimo do Bolsonaro costurou o acordo com o Centrão e foi para a reserva só pra ser derrubado pelo mesmo Centrão, eu acho é muita, muita graça:

“É crítica a situação de Luiz Eduardo Ramos no Planalto. Os ataques abertos do ministro Ricardo Salles ao general da Secretaria de Governo são apenas uma parte da crise que ronda o gabinete de Ramos. Nos últimos dias, Ramos entrou em atrito com outros ministros graúdos do governo por fazer pressão para empregar indicados políticos de parlamentares em cargos na Esplanada. A situação, além de provocar reclamações diretas dos ministros contra Ramos, mexeu com a base política de Bolsonaro no Congresso. A operação de Ramos para manter o toma lá dá cá de cargos não teria sido combinada com o líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros. No palácio, o que se diz é que Ramos teme perder espaço para Barros e por isso atua pelas contas dos líderes do Parlamento. A relação anda tão complicada que os aliados de Bolsonaro já levaram ao Planalto um nome para substituir Ramos. O presidente do TCU, José Múcio Monteiro, que tem a amizade e admiração de Bolsonaro é o escolhido. Ramos só não rodou até agora por sorte. É que Múcio, numa conversa recente com Bolsonaro, disse ao presidente que não poderia aceitar a oferta de emprego, já que decidiu sair da vida pública ao se aposentar no fim do ano. A operação para demitir Ramos, no entanto, continua.” [Veja]

Alô, general!

Todo castigo pra general é pouco. Mas esse aí deve sair quietinho e feliz da vida em troca duma embaixada na Europa.

E Salles hoje chamou Ramos de “#mariafofoca“, viado!

“O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escreveu uma mensagem no Twitter pedindo que o ministro-chefe da secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, deixe de lado a postura de “Maria Fofoca”. A manifestação ocorre depois de uma reportagem do jornal O Globo dizer que “Salles estava “esticando a corda com ala militar do governo” e testando a blindagem” com o presidente Jair Bolsonaro ao dizer que suspenderia ações de combate a incêndios por falta de recursos. Marcando o perfil de Luiz Eduardo Ramos no Twitter, Salles escreveu: “não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca.”.[UOL]

“Ao longo da manhã, Salles ainda retuitou mensagens de seguidores que manifestaram apoio a ele e criticam Ramos. Uma das mensagens retuitadas pelo ministro dizia que “Ramos está fazendo vazamentos para a Globo para derrubar o Salles, e não é a primeira vez que isso ocorre” e que não é preciso que Ramos “crie mais narrativas”.”

Ser esculachado pelo capitão que é o patrão deles é uma coisa, mas tomar sacode do Salles?!

“O apelido #maria fofoca é também já foi usada no Palácio do Planalto pelo chefe da Secom, Fábio Wajngarten, para referir-se a Ramos — a relação entre os dois é também ruim. Wajngarten já foi subordinado de Ramos e tem boa relação com Ricardo Salles. Jair Bolsonaro vai arbitrar a briga entre seus dois subordinados hoje.” [O Globo]

Tá com moral o generalato.

“Com o ataque direto de Ricardo Salles a Luiz Eduardo Ramos, boa parte da Esplanada acreditava que a corda estouraria para o lado do ministro do Meio Ambiente. O efeito foi contrário e a corda ganhou tração. Desde que chamou o colega de “maria fofoca ”, na noite de ontem, Salles passou a receber o apoio de diversos ministros civis do governo Bolsonaro que estão incomodados com a “bolha militar”. Nas redes, o chefe da pasta do Meio Ambiente também recebeu apoio de bolsonaristas, incluindo manifestações do filho 03 do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), do secretário da Pesca, Jorge Seif, e das deputadas Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Carolina de Toni (PSL-PR), entre outros. A página de Ramos passou a ser alvo de ataques e, até agora, não há manifestações em sua defesa.” [O Globo]

Pasou a boiada, genealato!

Ontem eu apontei que o Salles tava indo pra cima do Guedes, que havia restringido o orçamento do MMA, mas para Salles a culpa é do Ramos:

“O ataque que o ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, desferiu nas redes sociais contra o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo da Presidência, passa diretamente por uma mobilização interna no Palácio do Planalto, para substituição de seu nome à frente do MMA. O que seria um gesto mal calculado de Salles, que disse a Ramos que pare com sua “postura de Maria Fofoca”, ao comentar uma reportagem do jornal O Globo, foi, mais concretamente, um rompimento, uma resposta a gestos silenciosos que, há meses, ocorrem dentro da cúpula do governo. Salles tem informações de que Ramos atua para minar sua atuação no MMA, e resolveu partir para cima. Um dos episódios que mais incomodaram o titular da pasta do Meio Ambiente, conforme apurou o Estadão, foi o fato de Ramos ter atuado junto ao Ministério da Economia, para definir como deveriam ser feitas as imposições de limites de gastos para cada ministério que ocupa a Esplanada. Ao debater a divisão do bolo financeiro do governo, Ramos atuou para que se priorizasse liberações para os ministérios da Infraestrutura e do Desenvolvimento Regional. Para o MMA, no entanto, a orientação dada foi no sentido de impor limites. A atribuição legal de definir como o governo federal gasta e arrecada seus recursos financeiros é do Ministério da Economia. É dentro do Palácio do Planalto, porém, que tudo isso é filtrado, obviamente, com mãos de ferro pela articulação política do governo, liderada pela Segov de Ramos. Procurado pela reportagem, Ramos não comenta este ou qualquer assunto sobre o embate, ao menos, por enquanto. Ramos estava presente na reunião que definiu cada repasse e corte. Ao atender o Estadão, Ricardo Salles limitou-se a dar uma única declaração sobre o episódio: “Esse assunto com Ramos está encerrado. Bola para frente.”” [Estadão]

Cuspiu no general e… bola pra frente! É a segunda vez que Mourão fala em arrependimento do Salles e Salles não se mostra nem um pouco arrependido.

“Apesar das movimentações ministeriais previstas para janeiro do ano que vem, Salles tem afirmado a interlocutores que não tem planos de deixar o MMA e que seguirá tocando a pauta de Bolsonaro à frente da pasta. Sua interpretação sobre o embate com Ramos não é a de que partiu para um “tudo ou nada”, ao desancar Ramos em praça pública, mas que deu um recado claro ao general que muitos outros já gostariam de ter dado, tendo, inclusive, o aval do presidente para se manifestar, além do apoio do clã Bolsonaro. Na manhã desta sexta-feira, 23, ao comentar as declarações do ministro do Meio Ambiente, o vice-presidente Hamilton Mourão não escondeu o total incômodo com a situação. Mourão, que comanda o Conselho Nacional da Amazônia e passou a liderar a maior parte das ações de combate ao desmatamento na região, classificou como “péssimo” o que foi dito por Salles. Afirmou ainda acreditar no “arrependimento” de Salles. Falta combinar com o titular do MMA. Não há nenhum movimento neste sentido.”

“O estilo beligerante de Salles pode até ter desagradado Mourão, mas acabou por amealhar diversas insatisfações sobre a atuação de Ramos, que há meses passou a nutrir fama de “vazador” de informações contra seus pares, daí o apelido de “Maria Fofoca” escrito por Salles. A ala ideológica do governo Bolsonaro pesa contra o general, por ver nele um dos principais responsáveis pela aproximação do presidente com o chamado “Centrão” do Congresso Nacional.”

A ala ideológica liderada pelo Boslonaro, que abraçou o Centrão pra salvar osa filhos?!

O histórico de desagrados inclui ainda pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ex-líder do governo na Câmara, o major Vitor Hugo (PSL-GO). No Ministério da Agricultura, nomeações para cargos indicadas por Ramos também têm incomodado a ministra Tereza Cristina. Nesta sexta-feira, Salles passou toda a manhã colado ao presidente Jair Bolsonaro, durante a cerimônia em homenagem ao Dia do Aviador e da FAB, realizada em Brasília, para apresentação oficial do caça F-39 Gripen, desenvolvido em parceria pelo Brasil e Suécia. Em alguns momentos, Salles esteve, inclusive, ao lado do próprio general Ramos. Na noite de ontem, Salles e Ramos chegaram a trocar 30 segundos de palavras ríspidas por telefone, e desligaram. Nesta sexta-feira, após o evento do Gripen, almoçaram com o presidente Bolsonaro, entre outros ministros e membros do governo. Durante o almoço, trocaram apenas uma frase, para dizer que conversarão pessoalmente, em outra ocasião. Não há data para isso.”

NIONGUÉM respeita os generais do governo, folgo em saber.

Passemos ao capitão:

“O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi ao STF contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quinta-feira (22). Segundo o governador, o presidente cometeu calúnia ao dizer à rádio Jovem Pan que tinha viagem prevista para participar de evento evangélico na cidade de Balsas, mas como Dino lhe negara o efetivo da PM para fazer esquema de segurança teve de desistir. Na peça enviada ao Supremo, Dino diz que não recebeu solicitação para a segurança presidencial. Na petição, ele exige que Bolsonaro apresente provas da suposta recusa de colocar a polícia à disposição de sua segurança.[Folha]

Encerremos com o vice:

“Hamilton Mourão participa neste momento de um webinar promovido pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior. Questionado pelo vice-governador do Paraná, Darci Piana, sobre a possibilidade da aprovação da Reforma Tributária neste ano, disse: — O Congresso tem pela frente em torno de meia dúzia de semanas de trabalhos. A campanha eleitoral começa a se acirrar e os parlamentares têm o interesse em suas bases (…) portanto, julgo que não vamos conseguir aprovar essa reforma neste ano. É necessário que a Comissão Mista faça a integração das propostas e leve isso para o plenário para ser votado. Julgo que (…) a gente conseguiria até o final do primeiro semestre do ano que vem chegar a uma reforma, que pode não ser a ideal, mas seria aquela possível.” [O Globo]

Essa reforma aí o governo promete desde o ano pasasdo, porra!

E atenção, Paulo Guedes!

“Paulo Guedes deve ter ficado de cabelos em pé ao ouvir a declaração de Hamilton Mourão sobre o Sistema S dada ontem durante o webinar da Federação das Câmaras de Comércio Exterior. Enquanto Guedes já defendeu que “tem que meter a faca no Sistema S”, o vice-presidente afirmou que o governo conta com o “Sistema S” para a transformação da força de trabalho. Mourão divagou sobre a diferença da formação da força de trabalho do século XX para o do XXI, que passou a ser focada em produção de conhecimento. E afirmou: — É hora do Sistema S se apresentar e ser o auxiliar da transformação que o país vai passar, saindo do modo de produção do século XX e ingressando no modo de produção do século XXI. E o nosso governo, obviamente, olha com bons olhos que o Sistema S assuma este papel.”

E os milcios do palácio são um bando de senhores um mais infantil que o outro:

“Hamilton Mourão foi direto com o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Paulo Fernando Marcondes Ferraz, durante o webinar promovido pela entidade. Disse a Marcondes Ferraz, em tom brincalhão: — A Covid lhe fez bem. O amigo está com porte de garoto, emagreceu alguns quilos.” [O Globo]

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4. Salles

E enquanto oi eterno quadro do Novo cospe nos generais…

“O 4º inventário de emissões de gases-estufa do Brasil está pronto e o país tem a obrigação de apresentá-lo à ONU até dezembro. No entanto, em reunião do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), nessa quarta-feira (21), o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) omitiu a apresentação do documento e propôs adiar seu envio à ONU. A Folha apurou que o tempo ganho deve ser usado para alterar dados do setor agropecuário. O atraso proposto por Salles implica em descumprimento do compromisso assumido pelo país na Convenção de Mudanças Climáticas da ONU – criada no Brasil em 1992. Os países-membro da Convenção devem reportar a atualização das emissões de gases-estufa geradas ou removidas da atmosfera a cada quatro anos, o que permite à comunidade internacional calcular as projeções sobre o aquecimento global. Os nove ministérios que compõem o comitê devem validar o inventário antes do reporte à ONU, mas Salles sinalizou que deve privá-los do documento, dizendo que “a data de divulgação será informada pela secretaria-executiva do comitê” – cargo ocupado por ele. Apoiada por Braga Netto (Casa Civil), a fala de Salles teria incomodado Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura), segundo fontes do governo.

A reunião foi iniciada apenas com ministros na sala. Salles teria barrado a entrada de assessores técnicos e até mesmo de Julio Semeghini, secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), que deixou o cargo no mesmo dia. Segundo o decreto de criação do comitê, os secretário-executivos podem representar os ministros nas reuniões. O MCTI é responsável pela elaboração do inventário, que contou com financiamento de US$ 7,5 milhões (R$ 41,2 milhões) do Green Environmental Facility (GEF) e implementação do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). O 4º inventário revisa os cálculos das emissões de gases-estufa desde 1990 e inclui novos dados de 2011 a 2016 – o período acrescentado é de estabilização das emissões brasileiras. O que incomoda Salles, no entanto, é a atribuição de emissões ao setor agropecuário. Segundo fontes de três ministérios, Salles propõe passar emissões da agropecuária para outra categoria, chamada de mudança do uso do solo e florestas, onde já se contabiliza as emissões por desmatamento. Ainda na proposta do ministro, atividades que contribuem para retirar carbono da atmosfera – como a recuperação de pastagens degradadas – deixariam de ser contabilizadas como mudança do uso do solo, passando a contar como pontos positivos para o setor agropecuário.ç A manobra não altera a conta final sobre a contribuição do país para as emissões globais, buscando apenas melhorar os resultados do setor agropecuário.

A trama foi descrita por especialistas como “infantil” e “tempestade em copo d’água”, já que os dois setores são vistos pela comunidade internacional como uma mesma fonte de emissões. Os números do setor também foram alterados por um outro artifício, usado em outro relatório: a atualização bienal das emissões (2018-2019), cujo reporte à ONU também é obrigatório desde 2014. Sob responsabilidade do Itamaraty, o relatório de atualização bienal (BUR, na sigla em inglês), foi elaborado com base em diretrizes de 1996. Mas desde 2006 o IPCC (painel científico da ONU sobre mudanças climáticas) usa um padrão mais rigoroso. O novo padrão considera fontes de emissões da agropecuária que antes não era contabilizadas – como resíduos de pastagens reformadas e do processamento de cana-de-açúcar – e também aperfeiçoa a contabilidade das emissões geradas por diferentes tipos de rebanhos – cujas emissões são maiores do que se imaginava pelo padrão anterior. A mudança de método gera um salto de 20% nas emissões do setor agropecuário, segundo Ciniro Costa Junior, engenheiro da equipe de clima e cadeias agropecuárias do Imaflora e um dos autores do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases-Estufa). O Seeg acompanha e evolução de método do inventário, atualizando seus dados para anos mais recentes. O setor agropecuário, que respondia pela emissão anual de cerca de 500 milhões de toneladas de carbono em 2018, segundo o padrão antigo, deve figurar com cerca de 600 milhões de toneladas em 2019, por conta do novo método. A reunião do comitê conduzido por Salles aprovou o relatório bienal, que usa o padrão ultrapassado, e omitiu o 4º inventário, que foi elaborado segundo o padrão atual. Segundo especialistas, o uso de padrões diferentes em cada relatório gera incoerências que não devem passar despercebidas. Para eles, além do descumprimento dos compromissos internacionais, a preocupação é também sobre a perda de credibilidade dos documentos brasileiros na comunidade internacional. Procurado, o ministro Ricardo Salles não retornou ao contato da reportagem.” [Folha]

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5. Coitado do João Cabral de Mello Neto

Deve ser o capítulo mais absurdo do Ernesto como chanceler:

Em discurso para formandos do Instituto Rio Branco, Ernesto Araújo deu uma aula de antidiplomacia. A turma foi batizada de João Cabral de Melo Neto. “Modestamente, me considero também as duas coisas, diplomata e poeta”, arriscou o chanceler, sem modéstia alguma. Ao microfone, o chanceler se atreveu a atacar o homenageado. Disse que ele “dirigiu-se para o lado errado: para o lado do marxismo e da esquerda”. Por causa de outros Ernestos, o autor de “Morte e vida severina” foi perseguido e afastado do Itamaraty em 1953..” [O Globo]

O cara criticou o patrono da turma. Deve ter ficado puto com a escolha, tentado mudar, falhado miseravelmente e aí achou de bom tom incluir essas palavras no discurso. Os diplomatas mais experientes no recinto tinham que ter rebocado o Ernesto na base do soco essa hora, era só alegar legítima defesa, “violenta emoção” que chama, né, Moro?!

“A diplomacia pode ser lírica, pode ser dramática, mas também pode ser épica”, prosseguiu o ministro, repetindo palavras do discurso nazista de Roberto Alvim.”

Mais um dia normal nessa bad trip escrota.

“Na sequência, ele passou a elogiar Bolsonaro. “Nosso presidente conhece e ama esse povo e nos ensina a conhecer e a amar esse povo”, derramou-se.”

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“Sem disfarçar o ressentimento, o chanceler reclamou da atenção dada a cientistas e intelectuais “prudentes e sofisticados”.”

É você, Tonho da Lua?! É onacreditável que o chanceler use essas palavras, numa cerimônia em pleno Itamaraty.

“Ele disse liderar uma “política externa do povo brasileiro”, inspirada nas ideias do capitão e inimiga de um imaginário “complexo marxista-isentista”. Num breve surto de lucidez, Ernesto admitiu que o Brasil de Bolsonaro se tornou um pária na comunidade internacional. Mas não deu o braço a torcer. “Talvez seja melhor ser esse pária, deixado ao relento, do lado de fora, do que ser um conviva no banquete do cinismo interesseiro dos globalistas”, disse, orgulhoso do próprio sabujismo.”

Veja com seus próprios olhos:

E faço minhas as palavras da Míriam Leitão:

“Aos jovens do Itamaraty que escolheram o grande João Cabral de Melo Neto como patrono, parabéns pela escolha. Eu vi a foto de vocês, estão todos lindos na formatura. Há muita diversidade. Pretos, brancos, mulheres (poucas ainda, achei) mas vocês estão de parabéns. Tiveram o desgosto de ouvir Ernesto Araújo criticar o patrono, por isso quero iniciar este comentário falando uma poesia dele.

“Quem é alguém que caminha
Toda a manhã com tristeza
Dentro de minhas roupas, perdido
Além do sonho e da rua?

Das roupas que vão crescendo
Como se levassem nos bolsos
Doces geografias, pensamentos
De além do sonho e da rua?

Alguém me diz toda a noite
Coisas em voz que não ouço
Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem”

João Cabral se estivesse vivo completaria 100 anos em 2020, e não poderia haver um nome melhor para ser o homenageado pelos jovens diplomatas na formatura. Um poeta tão grande com uma obra intensa e que não pertence a nenhuma escola, criou a sua própria, a escola de João Cabral de Melo Neto. Um poema épico dele é sobre o rio Capibaribe. Outro, mais conhecido, é Morte e Vida Severina. Araújo, além de falar mal do patrono da turma, se disse, “modestamente”, também poeta e diplomata. Nem uma coisa nem outra. Um diplomata tem que ter noção do país em que vive e da necessidade de inclusão desse país no mundo. O Brasil tem 210 milhões de habitantes e uma diversidade impressionante de povos. Esse país não pode ser pária, tem que pertencer ao mundo, tem que ser muito maior do que está sendo neste momento da história. Que os jovens que se formaram ontem não aprendam essa visão de mundo pequena, tacanha, medíocre do ministro Ernesto Araújo. Procurei poemas bons dele e me perdi, há tantos. Eu gosto desse sobre a insônia.

“Uma lucidez que tudo via
Como se à luz ou se de dia;
E que, quando de noite, acende
Detrás das pálpebras o dente
De uma luz ardida, sem pele,
extrema, e que de nada serve:
Porém luz de uma tal lucidez
Que mente que tudo podeis”

Ernesto Araújo diz de si mesmo que está inaugurando uma nova política externa, mas ele está apequenando o Brasil. O país tem ficado ao lado de países fundamentalistas contra os direitos da mulher, está destruindo a marca da inteligência do Itamaraty. O Brasil sempre teve grandes diplomatas, um deles João Cabral. Outro Guimarães Rosa. Aliás eu conheci João Cabral, numa reunião dos países amazônicos. O Itamaraty de sempre é o Itamaraty de João Cabral, que sempre olhou o mundo, que sempre quis estar inserido e ser influente no mundo. Nós temos o soft power, não o poder militar. Queremos liderar pelo exemplo, pela força do nosso patrimônio natural, pela capacidade de moderação. Araújo será apenas um risco na história, ele não tem a menor importância, é apenas um desvio. Por isso queria dizer aos meninos e às meninas que se formaram ontem: pensem no Brasil grande, no Brasil que sempre foi, no Itamaraty que sempre foi. Essa pessoa que agora comanda a chancelaria não representa o Brasil nem a diplomacia brasileira.

Uma poesia bem conhecida do patrono da turma de 2020 é a que fala sobre tecer a manhã.

“Um galo sozinho não tece uma manhã
ele precisará sempre de outros galos
De um que apanhe esse grito que ele
E o lance a outro, de um outro galo
Que apanhe o grito que um galo antes
E o lance a outro, e de outros galos
Que com muitos outros galos se cruzem
Os fios de sol de seus gritos de galo
Para que a manhã, desde uma teia tênue
Se vá tecendo, entre todos os galos”

E assim teceremos uma nova manhã no Itamaraty. Ela vai chegar.” [O Globo]

Beijos, Míriam!

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6. Datena garantista

E o Datena FLERTANDO com o Boulos?!

“O apresentador José Luiz Datena já vem sendo chamado por apoiadores de Jair Bolsonaro de “comunista” por conta das críticas que faz ao presidente. Nesta sexta-feira (23), o jornalista deu mais um motivo para ser taxado de “esquerdista” por parte da militância bolsonarista: criticou Celso Russomanno (Republicanos), candidato do Planalto à prefeitura de São Paulo, e teceu elogios à chapa formada por Guilherme Boulos e Luiza Erundina (PSOL). Boulos foi entrevistado por Datena, pela manhã, na Rádio Bandeirantes. Logo no início da entrevista, o apresentador criticou Russomanno ao comentar a pesquisa Datafolha de quinta-feira (22), que mostra uma desidratação do candidato de Bolsonaro e crescimento do psolista. “Quando eu vi o Russomanno no debate, falei: ‘vai levar um cacete violento’. Porque de comunicação eu entendo. Ou ele não tem conteúdo para ser político ou não sabe falar. Disse em entrevista aquela besteira que morador de rua não pega Covid porque não toma banho. Então, eu já esperava que o Covas superasse o Russomanno”, disse. “Não tenho nada contra o Russomanno, acho um ótimo profissional. Eu liguei pra ele pessoalmente, como liguei pro Boulos hoje, e ele não me atendeu e nem me respondeu. Então ele que vá te catar. Ele que se vire”, completou Datena.

Logo na sequência, sem que Boulos tivesse feito sequer sua primeira intervenção na entrevista, o apresentador começou a elogiar a campanha do psolista e também sua vice, a ex-prefeita Luiza Erundina. “O senhor tá fazendo uma campanha que me parece muito consistente, achei legal botar a Erundina ali do lado, a Erundina foi uma prefeita muito boa, sempre pautou pela honestidade, boas ideias. Lembrei bem da minha avó. Parece que você tá fazendo a campanha do lado da sua vó. E não tem coisa mais legal que a imagem da avó. E a Erundina inspira, realmente, honestidade. É legal”, declarou o jornalista. Ainda antes de introduzir a primeira pergunta, que seria sobre o crescimento de Boulos na pesquisa, Datena prosseguiu com os elogios: “A sua história é muito legal, já contamos aqui”, disse, falando ainda sobre sua amizade com o pai do psolista, o infectologista Marcos Boulos. O apresentador ainda deu “parabéns” pelos 14% de Boulos no Datafolha e disse que alcançar tal número em uma corrida pela prefeitura de São Paulo “não é brincadeira” e que isso deve estar “assustando os da frente”. Ao longo da conversa, Datena procurou dar abertura para que Boulos desmistificasse a visão pejorativa que parte da direita tem sobre a luta dos sem-teto. “Uma coisa é invadir a casa como um bandido faz, outra coisa é criar espaços habitáveis para que as pessoas morem”, afirmou o apresentador antes mesmo de Boulos responder. Como se não bastasse, ao final da entrevista, quando o psolista disse que sua campanha “está fazendo o bolo crescer”, Datena ainda sugeriu um slogan: “Boulos tem a receita para São Paulo. Já usou essa?”, disse, aos risos.” [Fórum]

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7. STF

Eu ironizei aqui o começo espantoso do Fux na presdência, exigindo cerimônia de pposse presencial e com módicos 50 convidados e várias autoridades contioaminadas, fora as ofensas pra cima dos colegas, Fux chegou de voadora. E um tanto atrasado percebeu que não pegou bem:

“Luiz Fux decidiu submergir por um tempo. Considera que teve um começo de mandato no STF muito tumultuado, com o atrito criado com os ministros do STF, notadamente Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, e com o próprio Jair Bolsonaro.” [Época]

E olha o Fux submergindo:

“O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, afirmou nesta sexta-feira (23) que vê com bons olhos a Justiça entrar na discussão sobre a vacina do novo coronavírus e tomar uma decisão a respeito. “Podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, que é essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual, como também os pré-requisitos para se adotar uma vacina”, ressaltou o ministro.” [Folha]

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Imagine, um presidente doi STf lançando um “pode escrever, hvaverá judicialização“, puta que pariu. Como assim, o presuidente do STF tá fazendo algum tipo d aposta?! Que haverá resta óbvio, mas isso não deve ser dito pelo presidente da Suprema Corte, porra.

“O ministro deu a declaração após afirmar que é comum os mais variados temas pararem no STF e exigirem uma resposta da corte. “O Supremo teve que decidir Código Florestal. Quem entende de Código Florestal no Supremo? Ninguém foi formado nisso. Idade escolar, quem entende de pedagogia ali? Questões médicas”, disse o ministro.”

“Na última quinta-feira (22), o partido Rede Sustentabilidade acionou o Supremo para que a corte obrigue o governo federal a comprar 46 milhões de doses da Coronavac, vacina produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em convênio com o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista. O assunto virou motivo de embate entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Nesta sexta, Fux afirmou que a discussão deve ser judicializada, mas não deu maiores detalhes sobre como o Supremo pode encarar a questão. O ministro deu a declaração no evento online sobre o papel do Judiciário no atual cenário de crise, realizado pela Aliança de Advocacia Empresarial. Ao discursar, Fux ressaltou que tem o desejo de recuperar o “respeito” do Supremo: “Meu sonho é fazer com que o Supremo volte ao respeito da época de Victor Nunes Leal, dos grandes juristas, Sepúlveda Pertence. Quero o STF respeitado e, para isso, nós criamos várias frentes de atuação no STF e no CNJ”.”

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“As propostas de Gilmar Mendes para alterar o regimento interno do STF foram recebidas com entusiasmo por advogados e boa dose de desconfiança por procuradores. Como mostrou a Coluna, uma delas pode evitar que processos da Lava Jato sejam “baixados” automaticamente para forças-tarefa da operação nos Estados. “Se isso significar limitação de todas as decisões monocráticas, será até bom. Se for só sobre a competência, significará mais atraso, com muito prejuízo”, diz Alessandro Oliveira, coordenador da Lava Jato em Curitiba. Em requerimento enviado a Luiz Fux, Gilmar defende que as decisões relativas à remessa de processos para instâncias inferiores, após os novos entendimentos do STF sobre o foro especial, devem ser analisadas pelo colegiado, e não só pelo relator.[Estadão]

Se fizessem isso no comço da Lava-jato metade do país teria um AVC.

“Na prática, a proposta diminui o poder de Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, de enviar para as forças-tarefa processos envolvendo políticos que perderam o foro privilegiado, por exemplo. Não foram poucos os casos em que Fachin mandou os inquéritos para um lugar e a turma do STF virou a direção para outro. Ocorreram várias alterações de entendimento sobre a competência (para julgar) nos últimos anos, que afetaram a Lava Jato. Isso não é bom, principalmente de uma corte que deveria primar pela estabilidade”, diz o procurador federal Alessandro Oliveira.”

Estabilidade? Esse STF?!

“Outros membros do Ministério Público avaliaram, reservadamente, que, se a proposta for aceita, anexos das delações demorarão muito a serem enviados para os procuradores na primeira instância. Os advogados, porém, entendem a proposta como positiva. “É a melhor solução para os desafios levantados pela reforma do regimento interno do STF”, diz Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo de Prerrogativas. Segundo ele, a proposta de Gilmar “oferece previsibilidade, dinamismo, segurança jurídica e diminui a possibilidade de condução política e seletiva de determinados feitos”. Sobre a outra proposta de Gilmar inclui, que regra de transição de 180 dias para a apreciação das medidas cautelares (liminares) já proferidas, Oliveira diz que há um “vício de origem”, “o exagero de liminares de uma Corte onde a regra deveria ser de decisão colegiada”.”

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8. Clac clac bum

Do Fábio Zanini:

““E aí? Vai perder a oportunidade? As entregas já começaram”, diz o anúncio postado no dia 9 de outubro pela Isa, tradicional loja que existe há 30 anos em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O que torna a propaganda peculiar são os produtos em oferta: fuzis do Exército, cuja venda acaba de ser facilitada pelo governo de Jair Bolsonaro.” [Folha]

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A loja é a revendedora no estado de São Paulo da Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil), empresa de produção de armas vinculada ao Exército. A estatal, criada em 1975 pelo regime militar, vende pistolas, fuzis, carabinas, munição e outros produtos. É uma rara concorrente da gaúcha Taurus, que praticamente monopoliza o mercado brasileiro de armas. Mas a Imbel corre num nicho próprio. Seu grande diferencial é ser a fornecedora de armamento para as Forças Armadas e agentes de segurança. Ao longo do ano passado, uma série de decretos de Bolsonaro mudou a classificação de alguns calibres e tipos de armas, o que facilitou que sejam adquiridos. A Isa, desde o início de outubro, é a primeira loja autorizada pela Imbel a vender dois modelos muito cobiçados por quem atira: fuzis e carabinas, nos calibres 5.56 e 7.62. O grande chamariz é o ParaFal, que agora pode ser comprado por cerca de R$ 12.900. “Quem serviu o Exército usou essa arma, então muitos são apaixonados por ela, têm um grande saudosismo”, diz Charles Blagitz, 52, instrutor de tiro da loja. A outra novidade é a carabina IA2, que sai um pouco mais em conta, ao redor de R$ 10.000. A procura tem sido grande, afirma Blagitz.

Antes dos decretos do governo federal, o carro-chefe da loja era a pistola 380, que ainda tem grande demanda. Segundo Blagitz, os diferenciais dos produtos da Imbel são a robustez e a confiabilidade. “É ama arma nacional, com garantia nacional, assistência técnica. Atiradores esportivos gostam bastante, porque sabem que não vão ficar na mão no meio de uma competição”. A clientela da loja é formada sobretudo por membros de forças de segurança, que têm autorização para comprar armas. São soldados, policiais e agente penitenciários que compram os produtos como pessoa física. A facilitação do comércio de armas mais pesadas, como fuzis de uso do Exército, não significa que estarão disponíveis para todos os interessados. Ainda há a necessidade de se seguir uma série de autorizações especiais para a compra. Mas, após essa reclassificação, a proibição total de acesso para consumidores ficou restrita às armas automáticas. A mudança nos critérios para compra de armas faz parte de uma política do governo Bolsonaro para atender a uma de suas principais bases sociais. Defensor histórico do armamento, o presidente já tentou facilitar o acesso às armas diversas vezes por meio de decretos, mas que acabaram barrados pelo STF e pelo Congresso. Ele então tem recorrido a mudanças pontuais. Outras medida já anunciada atende aos chamados CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), dando a eles o direito de portar armas carregadas.

Também houve acenos aos ruralistas, que agora podem considerar toda a propriedade como se fosse sua residência, onde a posse de armas é permitida. Mesmo com todas as limitações, o sentimento geral dos defensores de armas é de gratidão a Bolsonaro. A própria loja Isa é um exemplo disso. Num vídeo anunciado o início das vendas dos fuzis, um dos proprietários agradece ao presidente pela possibilidade. No início de outubro, a loja mostra com orgulho a visita do secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, antigo opositor dos sem-terra, ao lado de outros funcionários do governo. “Pensa em um time de peso”, diz o post. Com o clima favorável ao armamento, os registros de armas de fogo no Brasil têm crescido expressivamente no Brasil. Para Blagitz, ainda há muito o que fazer: liberar a entrada de fabricantes estrangeiras, por exemplo, ajudaria a trazer novas tecnologias para o país, além de dar um choque modernizador para a indústria nacional. Mais importante, acredita, é preciso atualizar a legislação. “Nossas restrições são da era Getulio Vargas, tem que renovar”, diz. Para ele, as pessoas querem ter armas em casa, para sua proteção. “Tem que ter equilíbrio, o brasileiro precisa ter direito à escolha. Todo mundo é adulto. Você não pode ser tutelado, o Estado não pode decidir o que você quer fazer, o que vai comer. As pessoas querem exercer seus direitos”, afirma.

E por falar em morte – pois é disso que se tram as armas:

“Um mês antes de o Supremo Tribunal Federal decidir limitar as operações policiais em favelas no Rio de Janeiro durante a pandemia do coronavírus, a bibliotecária Catarina da Silveira, 48, buscava informações sobre seu filho Rogério da Silveira Júnior, 21. Naquele 6 de maio, o estudante que pertencia ao grupo de risco para a Covid-19 decidira romper o isolamento para ir a um churrasco na casa de um primo, na comunidade da Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Estava na rua quando a polícia chegou. Os agentes dizem que receberam denúncia sobre uma briga de facções por ali e, quando chegaram, foram atacados. Quando os disparos começaram, só Rogério não conseguiu correr, impedido pela artrite reumatóide, doença crônica que afeta as articulações. Levou um tiro na perna e outro no pulmão. Levado pela polícia ao hospital, chegou morto. “Ele saiu de casa e não voltou. Achei meu filho como desconhecido no hospital porque tiraram os documentos dele, a habilitação e a carteirinha da faculdade. A polícia disse que achou um marginal caído ao solo com rádio e revólver. Bandido nenhum faz gastronomia. Ele sempre estudou, trabalhou, mas era negro”, conta Catarina. A família, de classe média, vive em Niterói, na região metropolitana do Rio. Desde 5 de junho, uma liminar do Supremo Tribunal Federal determinou que a polícia só pode fazer operações nas favelas fluminenses em casos “absolutamente excepcionais” e com envio de justificativa ao Ministério Público estadual. O número de ações e mortes pela polícia despencou no estado desde então.

“Quero limpar o nome do meu filho e culpabilizar o Estado. Agora foi com ele, mas não é o primeiro e não vai ser o último. Quanto mais a gente se cala, pior é”, diz a bibliotecária. “Estou deixando de ser a Catarina para ser a mãe do Rogério, morto pela polícia.” A mãe de Rogério ecoa com muitas outras vozes femininas no Rio. Todas tiveram filhos assassinados pelo Estado e buscam forças em uma espécie de terapia de mãe para mãe, na qual se consolam, dividem conselhos sobre trâmites jurídicos, organizam atos e cobram a cobertura dos casos pela imprensa. Ao gritar contra os abusos, por vezes, conseguem forçar o andamento dos processos para que os agentes sejam sentenciados. Em 2017, um grupo de mães levou para a frente do Tribunal de Justiça 1.500 cartas escritas por crianças com relatos de violência na Maré, conjunto de favelas da zona norte carioca. Conseguiram uma decisão que obriga a polícia a evitar incursões em horários de entrada e saída escolar, manter ambulâncias acompanhando as ações e viaturas com GPS e câmeras. Já as Mães de Manguinhos são amicus curiae (“amigas da corte”) da ação no STF que restringiu operações, apelidada de “ADPF das Favelas”.

Mães também conseguiram que o Brasil fosse condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2017, por não prever protocolos para o uso da força e pela injustificada demora em investigar e punir os responsáveis por 26 assassinatos de jovens em duas chacinas na favela Nova Brasília, em 1994 e 1995. Foi a primeira vez que o país foi condenado pela corte da OEA (Organização dos Estados Americanos) por violência policial. Na ocasião, o órgão determinou que o Brasil criasse metas e políticas de redução da letalidade e violência policial. Mas desde então os números só cresceram. Essas mulheres ecoam outros movimentos políticos no mundo envolvendo a busca por respostas a mortes violentas, como as Mães da Praça de Maio (Argentina), as Mães dos Estudantes Desaparecidos de Ayotzinapa (México), as Black Mothers do movimento ‪#‎BlackLivesMatter‬ (EUA), as Mães das Vítimas do Estado Colombiano e as Mães da Faixa de Gaza (Palestina). No Brasil, há uma rede nacional e grupos atuantes no Rio e em São Paulo que acolhem mulheres de estados onde não há coletivos organizados. Mas também há as Mães de Maio do Cerrado, de Goiás, as Mães do Ceará, do Xingu, a Associação das Mães e Familiares de Vítimas de Violência do Espírito Santo e as Mães de Belo Horizonte, por exemplo.

Em 2016, foi feito o 1º Encontro Internacional das Mães de Vítimas da Violência do Estado, no marco dos dez anos dos Crimes de Maio de 2006 —quando São Paulo viu uma onda de chacinas que culminou na morte de 564 pessoas, a maioria jovens negros e pobres. As mães cariocas também conseguiram uma lei que instituiu a Semana Estadual das Pessoas Vítimas de Violências, celebrada entre 12 e 19 de maio. A inspiração veio da lei paulista, que havia criado em 2014 a semana que homenageia as mães de vítimas do mês de maio. Agora, elas cobram a nacionalização da lei e a aprovação de projetos de lei com um fundo de reparação econômica, psíquica e social aos familiares e outro que determina afastamento imediato de policiais que respondem a processos do tipo na Justiça. Essa briga em nome das vítimas já produziu suas próprias vítimas. Edmea da Silva Euzébio, uma das Mães de Acari, bairro da zona norte do Rio, foi assassinada em 1993. Pioneira, ela investigava o desaparecimento do corpo do seu filho, morto três anos antes. Outras mães desistem, por medo, descrença na Justiça ou falta de tempo ante a necessidade de trabalhar. Doenças associadas à tristeza pela perda do filho, como a depressão e o infarto, também deixam seu saldo de mortas. “No início parecia que era só comigo”, diz Catarina. “Todas contam suas histórias. Falam da saudade dos filhos. Me ajudou muito. Mas quinta-feira segue sendo o pior dia”, diz ela sobre as sessões de terapia para tratar o quadro depressivo. “Não saio mais de casa, só fico chorando o dia inteiro. Além de perder, ainda tenho que lutar pela memória, provar que ele não era bandido.”” [Folha]

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9. Sobre porteiros e patrões

“No recém-lançado “O Brasil Dobrou à Direita”, livro em que analisa a vitória de Jair Bolsonaro na eleição de 2018, o cientista político Jairo Nicolau lembra frase que ouviu de um porteiro que trabalha há décadas em um edifício de um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro. “Essa é a primeira eleição em que praticamente todos os moradores e os porteiros votaram no mesmo candidato”, disse o funcionário do prédio.” [Folha]

Essa frase aí me desmontou, confesso.

“De fato, o candidato do PSL (agora sem partido) teve uma grande votação na capital fluminense, vencendo, inclusive, em regiões em que os candidatos do PT à Presidência eram majoritários no segundo turno desde 2002. Ele só perdeu em uma zona eleitoral, a de Laranjeiras. O livro de Nicolau retrata bem o fenômeno bolsonarista no Rio, mas as reflexões vão muito além do reduto eleitoral do líder conservador. Ao se propor a apresentar uma radiografia da conquista de Bolsonaro, o autor aponta como esse resultado representou a quebra de uma série de premissas da tradição política do país —não é à toa que Nicolau considera esse “o feito mais impressionante da história das eleições brasileiras”. O cientista político lembra uma avaliação dominante até então, segundo a qual um candidato à Presidência da República precisaria de três requisitos para sair vitorioso —ou ao menos, avançar para o segundo turno. O primeiro, nas palavras do autor, é “obter uma grande soma de dinheiro para financiar a sua campanha”. Bolsonaro, no entanto, gastou nos dois turnos pouco mais do que gastaram muitos candidatos a deputado federal no mesmo pleito. O segundo requisito é “dispor de um tempo razoável no horário de propaganda eleitoral”. Outra quebra: ao longo da campanha do 1º turno, o candidato do PSL tinha 8 segundos por bloco. Geraldo Alckmin (PSDB), que recebeu 5% dos votos, contava com 5 minutos e 32 segundos, um tempo 42 vezes maior. O terceiro ponto é “construir uma rede sólida de apoio de lideranças estaduais”. Bolsonaro estava filiado a um partido de pouca expressão e, no primeiro turno, não recebeu apoio formal de siglas grandes ou médias.

Talvez o leitor esteja perguntando: e a facada em Juiz de Fora? Segundo o autor, não existem dados disponíveis para indicar com exatidão o quanto o atentado contribuiu para o crescimento de Bolsonaro, que já vinha num movimento de ascensão. Mas “a facada foi decisiva para torná-lo conhecido em âmbito nacional”. Sob a influência ou não do atentado, mais de 57 milhões de brasileiros votaram em Bolsonaro no 2º turno. Para responder quem foram aqueles que optaram pelo número 17, Nicolau se baseia em gráficos e dados comparativos e divide os capítulos em escolaridade, gênero, religião, idade, municípios, entre outros recortes. Ao fazer essa segmentação, surgem outras constatações que escapam do senso comum. Na eleição de dois anos atrás, o mito da juventude associada aos partidos de esquerda não resistiu à onda conservadora. No segundo turno, Bolsonaro venceu Fernando Haddad com folga na faixa dos 16 aos 29 anos, como indicaram as pesquisas. Ao cruzar os dados de idade e gênero, Nicolau mostra que o candidato do PT derrotou o do PSL entre as mulheres jovens, mas a margem é pequena. Por outro lado, Bolsonaro obteve larga vantagem entre os homens jovens, o que explica o pêndulo claramente à direita como resultado geral nessa faixa etária. Também chama a atenção a força dele nas grandes cidades e religiões metropolitanas. Entre os 38 municípios com mais de 500 mil habitantes, Bolsonaro venceu em 30, que incluem cidades historicamente ligadas ao PT, como São Bernardo do Campo (SP). Foi, em suma, uma campanha muito marcada pela excepcionalidade. O ano de 2022 vai começar a responder se o quadro tão atípico de 2018 se tornará regra ou se os antigos padrões voltarão a prevalecer.”

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10. Covid-17

Tem gente do governo falando em vacina só lá pra 2022:

“Na reunião entre governadores e Eduardo Pazuello (Saúde), na terça-feira (20), o deputado Ricardo Barros (PP-PR) fez um apelo pela necessidade da retomada urgente da economia. Apesar das falas otimistas do ministro em relação à chegada de vacinas para o início do ano que vem, o líder do governo não demonstrou confiança. Segundo presentes, Barros disse que imunizantes poderiam ficar prontos apenas em 2022.” [Folha]

Eu Não GIF - Eu Não Nao GIFs

E se prepare que lá vem absurdo:

“Apesar de reduzir a carga viral em pacientes com covid-19, o vermífugo nitazoxanida não tem eficácia na resolução dos sintomas da doença ao final dos cinco dias de tratamento nem é capaz de evitar hospitalizações de doentes com coronavírus, mas demonstrou benefício na resolução dos sintomas após sete dias de seguimento. As conclusões estão em artigo que traz os dados completos do estudo financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações (MCTI), cujos resultados parciais foram apresentados em uma cerimônia no Palácio do Planalto que gerou polêmica na segunda-feira, 19. Na ocasião, o governo federal usou um gráfico de barras tirado de um banco de imagens, sem base nos dados reais da pesquisa, para ilustrar a eficácia do medicamento. No vídeo de apresentação da conclusão do estudo, um narrador afirma, ao mesmo tempo em que o gráfico é mostrado, que “o resultado comprovou de forma científica a eficácia do medicamento na redução da carga viral na fase precoce da doença”. Na data do evento, o ministro Marcos Pontes justificou que o estudo completo não havia sido apresentado pois os dados precisavam ser inéditos para a publicação em periódico científico. Os dados completos foram publicados nesta sexta-feira, 23, na plataforma medRxiv, que reúne artigos na versão pré-print, ou seja, que ainda não foram publicados em revistas científicas nem passaram por revisão de outros pesquisadores.” [Estadão]

Caralho, é muito difícil dar conta desse governo, na moral.

De acordo com informações do artigo, 392 pacientes participaram do estudo, dos quais 194 tomaram nitazoxanida por cinco dias e 198 receberam placebo. Foram incluídos na pesquisa somente doentes com quadros leves da doença, ainda nos cinco primeiros dias de sintomas. O estudo foi randomizado e duplo-cego, ou seja, os participantes foram divididos nos dois grupos de forma aleatória e nem os pacientes nem os pesquisadores sabiam quem tomou a droga e quem recebeu o placebo. No quinto dia de acompanhamento após o início do tratamento, não houve diferença do quadro clínico entre os grupos medicado e placebo. Esse era o chamado “desfecho primário” monitorado pelo estudo, ou seja, o principal indicador de monitoramento. Já no seguimento de uma semana, considerado “desfecho secundário”, o porcentual de pacientes que relataram completa resolução dos sintomas foi de 78% no grupo que tomou o nitazoxanida e 57% no grupo placebo, o que, de acordo com os autores, representa diferença estatisticamente significativa. O índice de pacientes que apresentaram exame PCR negativo após sete dias também foi maior entre o grupo medicado: 29,9% contra 18,2%. Não foram observados eventos adversos graves no grupo que tomou a droga. O remédio, no entanto, não foi capaz de reduzir complicações pela doença. De acordo com o artigo, dez pessoas foram internadas por agravamento do quadro, cinco de cada grupo do estudo – ou seja, a administração do medicamento não fez diferença nesse aspecto. No grupo da nitazoxanida, inclusive, dois pacientes tiveram de ser transferidos para a UTI.

“Nitazoxanida se mostrou segura, reduziu significativamente a carga viral e aumentou a proporção de pacientes com teste negativo para SARS-CoV-2 após cinco dias de terapia em comparação com placebo. Nitazoxanida não preveniu a hospitalização”, afirmam os autores em uma das conclusões do estudo. De acordo com os pesquisadores, embora o remédio não tenha alcançado o desfecho primário esperado, que era a resolução dos sintomas em cinco dias, o efeito do medicamento na redução da carga viral e na melhora da doença após sete dias pode ter impacto epidemiológico ao reduzir a dispersão do vírus na comunidade. Os pesquisadores ressaltam que alguns fatores da amostra de pacientes podem ter “enviesado” o estudo a favor da nitazoxanida, como o fato de a maioria dos pacientes ser jovem e sem comorbidades. Eles defendem que novas pesquisas sejam feitas para avaliar o efeito do medicamento em casos mais graves da doença. Os autores também ressaltam uma série de limitações que devem ser consideradas ao interpretar os resultados da pesquisa. Uma delas é que os pesquisadores mediram somente três sintomas da doença para chegar aos resultados de acompanhamento de cinco e sete dias: febre, tosse seca e fadiga. Eles ressaltam que agora já se sabe que a covid pode se manifestar por outros sintomas. Os cientistas também destacam que não foi feito acompanhamento mais longo dos participantes do estudo, por exemplo por 28 dias. Dizem ainda que nem todos os pacientes foram monitorados durante os sete dias: somente foram contatados aqueles que, no quinto dia de tratamento, ainda apresentavam algum dos três sintomas monitorados.”

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11. Eleições

Imagine o desespero do Bolsoanro, que abraçou publicamente o Russomano:

“A primeira pesquisa Datafolha para prefeito de São Paulo publicada após o início do horário eleitoral mostra queda das intenções de voto em Celso Russomanno (Republicanos), que pela primeira vez aparece numericamente atrás de Bruno Covas (PSDB). ​Russomanno perdeu sete pontos percentuais desde a última pesquisa, que foi publicada em 8 de outubro, véspera do início da propaganda de rádio e TV. Ele tinha 27%, e agora marca 20%. Covas foi de 21% para 23%, o que significa uma situação de empate técnico entre os dois candidatos, uma vez que a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Além disso, Covas ultrapassou Russomanno em uma simulação de segundo turno entre os dois candidatos, liderando por 48% a 36%. No levantamento anterior, o candidato do Republicanos tinha 46%, contra 40% do atual prefeito. O deputado federal foi criticado nos últimos dias por ter dito que moradores de rua, por não tomarem banho, têm maior resistência a contrair a Covid-19, o que não conta com comprovação científica. O Datafolha mostra que a disputa pelo terceiro lugar permanece acirrada, com dois candidatos em situação de empate técnico, e ambos tendo oscilado positivamente dois pontos percentuais: o líder sem-teto Guilherme Boulos (PSOL) foi de 12% para 14%, enquanto o ex-governador Márcio França (PSB) agora tem 10%, contra 8% no levantamento anterior. A diferença entre Russomanno (20%) e Boulos (14%) fica no limite da margem de erro da pesquisa, mas um empate nesses casos extremos é considerado improvável pelo instituto. Num patamar inferior, e com alguma distância com relação ao pelotão de cima, surgem diversos candidatos em situação de empate técnico. Destaca-se nesse grupo o ex-deputado federal Jilmar Tatto (PT), que saiu de 1% para 4%. Com os mesmos 4% aparece o deputado estadual Arthur do Val (Patriota), que passou a usar o título de seu canal do YouTube, Mamãe Falei, ao nome. A deputada Joice Hasselmann (PSL) obteve 3%, e o ex-vereador Andrea Matarazzo (PSD) ficou com 2%. Ainda nesse pelotão inferior, mas tecnicamente empatados, surgem Levy Fidelix (PRTB), Orlando Silva (PC do B), Marina Helou (Rede) e Vera Lucia (PSTU), com 1% cada. Antonio Carlos (PCO) e Filipe Sabará (Novo) —cuja candidatura é posta em dúvida, uma vez que ele foi expulso de seu próprio partido— não chegaram a 1%. Declararam a intenção de votar em branco ou anular 13% dos pesquisados, enquanto 3% se disseram indecisos.[Folha]

E o Russomano fingindo que nem é tão Bolsonaro assim?!

“Em queda nas pesquisas de intenção de voto, o candidato Celso Russomanno, do Republicanos, afirmou na manhã desta sexta-feira que, caso seja eleito, faria convênio com o Instituto Butantan para a compra da vacina produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech, a Coronavac, contra Covid-19. A posição de Russomanno diverge do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que não compraria a vacina produzida pelo Butantan nem no caso de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, dar a autorização. – Se for aprovada pela Anvisa, sem problema nenhum – disse Russomanno, em entrevista à rádio Eldorado. – Sou totalmente favorável à vacina. Quero que ela fique pronta e quero tomar a vacina também. Na quarta-feira, afinou seu discurso com Bolsonaro e passou a defender que a vacina contra a Covid-19 não seja obrigatória. Nesta manhã, porém, adotou posicionamento mais conciliador sobre o tema. -Não sou contra vacina. Disse que se aprovada pela Anvisa, faria uma campanha imensa de conscientização, mas não obrigaria as pessoas. Sou favorável ao que a ciência determina – complementou o candidato. No final da manhã em entrevista à Veja, Russomanno voltou a demarcar as diferenças de posição entre a sua candidatura e o presidente Bolsonaro. – Eu concordo com Bolsonaro em algumas coisas; em outras tenho opinião própria. Quem vai governar São Paulo é o Celso Russomanno – adisse o candidato. – Eu preciso do governo federal e fico feliz que ele está me apoiando.” [O Globo]

“O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) se mantém na liderança das intenções de voto para a Prefeitura do Rio de Janeiro duas semanas após o início da propaganda eleitoral na TV e no rádio, aponta pesquisa Datafolha. Enquanto isso, a disputa pela outra vaga em um eventual segundo turno se acirrou. Paes tem 28% da preferência dos eleitores da cidade que governou de 2009 a 2016, tendo oscilado dentro da margem de erro em relação à última pesquisa, quando registrou 30%. A disputa pelo segundo lugar nas intenções de voto dá sinais de maior acirramento, embora os três nesta posição também tenham oscilado dentro da margem de erro, de três pontos percentuais. O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta a reeleição, aparece numericamente empatado com a deputada estadual Martha Rocha (PDT), ambos com 13% das intenções de voto. Crivella, que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus filhos, oscilou negativamente um ponto percentual comparado ao último levantamento, enquanto a pedetista variou positivamente no limite da margem de erro —tinha registrado 10%. Em empate técnico com os dois está a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 10% —ela aparecia com 8% há duas semanas. Num terceiro grupo estão Renata Souza (PSOL), com 5%, Luiz Lima (PSL), com 4%, e Bandeira de Mello (Rede), com 3%. Aparecem com 1% das intenções de voto Cyro Garcia (PSTU), Clarissa Garotinho (PROS), Fred Luz (Novo), e Glória Heloíza (PSC). Não pontuaram os candidatos Paulo Messina (MDB), Suêd Haidar (PMB) e Henrique Simonard (PCO). O número de pessoas que declararam pretender votar em branco ou nulo caiu de 22% para 17% dos entrevistados. Os indecisos somam 3%. Crivella segue sendo o candidato mais rejeitado. A maioria dos entrevistados (58%) afirma que não votaria no prefeito de jeito nenhum —percentual semelhante aos 59% registrados há duas semanas.” [Folha]

Porra, Folha, custava colocar R$ 579 no tpitulo da matéria? eles atualizaram depois mas acagada foi feita:

“Candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) omitiu de sua declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral uma conta bancária em que recebe remuneração por aulas e textos que produz. Boulos afirmou à Folha, após ser questionado sobre a ausência da informação em seu registro de candidatura, que corrigiu na Justiça os dados sobre seu patrimônio nesta quarta-feira (21). O candidato do PSOL agora declara ter uma conta no banco, com saldo de R$ 579,53. Boulos declarou à Justiça possuir apenas um automóvel Celta, avaliado em R$ 15.416 —é o mesmo patrimônio declarado há dois anos, quando ele se candidatou à Presidência. O candidato do PSOL em São Paulo tem divulgado seu “Celtinha prata 2010” nas redes sociais, com direito a música, a fim de mostrar ter um patrimônio inferior ao dos principais adversários. Boulos também publicou vídeos explicando suas fontes de renda ao comentar mensagens em redes sociais questionando como se mantém financeiramente. Ele afirmou que é remunerado por sua atuação como professor e pelos textos que publica. “É a partir desse trabalho, como professor e como escritor, que eu tiro dinheiro para pagar minhas contas. Nunca vivi de dinheiro público nem de esquema, ao contrário de muitos que me criticam”, disse ele no vídeo. A Folha questionou Boulos sobre como era remunerado pelas aulas e textos, considerando que não havia declarado conta bancária. Ele afirmou que “houve um erro da campanha”. “Em relação à ausência de saldo em conta, houve um erro da campanha, que fez uma petição na quarta-feira (21), tão logo fomos alertados pela reportagem, para que o valor do saldo fosse informado o quanto antes no pedido de registro de minha candidatura”, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa. Após a publicação da reportagem, Boulos postou em suas redes sociais: “Inacreditável a desonestidade dessa matéria da Folha! Insinuam que eu omiti patrimônio por não ter mencionado ao TRE o saldo de R$579 na minha conta bancária. Sim, R$579! Acredite se quiser…”.” [Folha]

E quiem acredita que o Mendoncinha não tem dinheiro no banco?!

“Cinco candidatos das capitais, por sua vez, informaram, ao mesmo tempo, não manter conta bancária mas guardar dinheiro em espécie em casa. Um deles é o ex-ministro Mendonça Filho (DEM), que tenta ser eleito prefeito de Recife. Ele não declarou ter conta ou investimento bancário, mas informou ter R$ 35 mil em dinheiro em espécie. Seu patrimônio de R$ 2,2 milhões é constituído de um apartamento, cotas em empresas, e um crédito decorrente de empréstimo.”

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12. Chico

A história só melhora:

“Além do dinheiro apreendido pela Polícia Federal na cueca e no cofre do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), os agentes que comandaram a operação Desvid-19, na última quinta-feira, 15, relataram ter encontrado o que parece ser uma pepita de ouro. A informação está contida no registro do termo de busca e apreensão, que aponta para “1 pedra, supostamente caracterizada como pepita de ouro, encontrada no cofre do quarto do senador”. Durante a operação, o ex-vice-líder do governo no Senado não soube explicar ou comprovar a origem, tanto da pedra, quanto dos valores encontrados. Por isso, tudo foi apreendido. Havia R$ 10 mil e US$ 6 mil no cofre, além dos R$ 33 mil escondidos nas vestes íntimas do senador. A soma resulta em R$ 70 mil, se convertidos os dólares à moeda brasileira na cotação do dia. “Quanto aos valores, o senador não soube explicar ou comprovar sua origem; e, da mesma forma, a origem da pedra, supostamente uma pepita de ouro, razão pela qual todos os objetos foram apreendidos”, disse a PF, de acordo com o Blog do Fausto.” [Estadão]

É esse o pilantra que defende mineração em terras indígenas:

“Em vídeo disponível nas redes sociais do senador, que pediu afastamento do cargo por 121 dias, ele aparece defendendo e acompanhando o “garimpo artesanal” feito por indígenas na comunidade indígena Napoleão, em Normandia, no Norte de Roraima. Contudo, a atividade de ineração é proibida em terras demarcadas, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM). “A extração mineral sem danos ambientais é um trabalho fabuloso. Dezenas, centenas de famílias estão aqui no entorno dessa montanha, tirando da terra aquilo que na verdade, Deus nos deu como herança”, defendeu o senador em vídeo publicado em 28 de janeiro, no Instagram. Na gravação, o senador aparece ao lado da presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiurr), Irisnaide Silva, e do tuxaua da comunidade, Carpegiani, e pede que o projeto para regulamentação da mineração em áreas indígenas avance no Congresso. “Nós precisamos que o governo, que o Congresso Nacional, principalmente, regulamente essa questão de exploração mineral em áreas indígenas e aqui eles estão fazendo e dando exemplo com um trabalho absolutamente artesanal”, complementou Rodrigues.”

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13. Taiwan e o tabuleiro geopolítico

“O governo dos Estados Unidos anunciou a aprovação da venda a Taiwan de 135 mísseis de defesa Slam-ER, que têm capacidade de alcançar a China continental, por US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões). Em meio a uma espécie de Guerra Fria 2.0 com a China, Washington também decidiu vender à ilha que Pequim considera rebelde lança-foguetes táticos por US$ 436 milhões (R$ 2,4 bilhões) e equipamentos de imagem para reconhecimento aéreo por US$ 367 milhões (R$ 2,05 bilhões), o que eleva o total dos contratos a US$ 1,8 bilhão (R$ 10 bilhões). A venda dos 135 mísseis “serve aos interesses econômicos e de segurança nacional dos Estados Unidos, ajudando Taiwan a modernizar suas Forças Amadas e a conservar uma capacidade de defesa confiável”, afirmou o Departamento de Estado ao anunciar a decisão. A China, que reivindica Taiwan como parte de seu território, pediu a Washington que anule a venda “para evitar maiores prejuízos às relações bilaterais, assim como à paz e à estabilidade no Estreito de Taiwan”. “A China dará uma legítima e necessária resposta a depender da evolução da situação”, alertou o porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian. O míssil ar-terra Slam-ER tem alcance máximo de 270 km, superior à largura do Estreito de Taiwan que separa a ilha da China. Pequim ameaça regularmente recorrer à força em caso de proclamação formal de independência da ilha ou de intervenção estrangeira, especialmente americana. Washington rompeu relações diplomáticas com Taipé em 1979 para reconhecer o governo da China continental, mas continua sendo o aliado mais importante da ilha e seu principal fornecedor de armas. A China aumentou a pressão militar e diplomática sobre Taiwan desde a eleição em 2016 da presidente Tsai Ing-wen, que rejeita a visão de Pequim de que a ilha é parte de “uma só China”. Já os EUA buscam turbinar uma aliança anti-China no Oriente, com Japão, Austrália e Índia, no chamado grupo Quad. Mesmo que Donald Trump perca as eleições em novembro, a expectativa é a de que o democrata Joe Biden mantenha uma política dura com Pequim. Assim, Taiwan é um ponto especialmente nevrálgico, por sua história e pelo que significa para o Partido Comunista chinês. Desde agosto, Washington enviou duas altas autoridades para a ilha, levando os chineses a ameaçarem militarmente Taipé, enviando aviões e navios em atitudes de confronto no estreito. Taiwan vive de sua indústria de alta tecnologia e tem feito muitas compras militares dos americanos. De 2017 para cá, foram US$ 15 bilhões (R$ 84 bilhões) gastos, pouco mais do total despendido na década anterior a esse período.” [Folha]

E a Santa Sé tá no meio também:

“A China e o Vaticano decidiram prorrogar o acordo para nomeação de bispos da Igreja Católica no país asiático por mais dois anos. O trato expirava nesta quinta-feira (22) —quando o ministro das relações internacionais chinês, Zhao Lijian, anunciou sua extensão. Pelo acordo, o governo chinês reconhece a autoridade do papa, que fica com a palavra final na indicação de bispos da China. Assinado há dois anos, o termo foi uma resolução provisória para resolver a questão da indicação de bispos, que atrapalhava as relações diplomáticas havia décadas e que causou uma divisão entre os católicos chineses. Com o acordo, em 2018, o Vaticano aceitou sete bispos que haviam sido nomeados pelos chineses sem consentimento do papa, e a China reconheceu então pela primeira vez a autoridade do pontífice como líder da Igreja Católica. Até então, bispos e padres contavam apenas com o endosso da Associação Patriótica. Estima-se que a China tenha cerca de 10 a 12 milhões de católicos, num total muito maior de cristãos, especialmente protestantes. Parte dos católicos segue a Associação Patriótica, com sua “igreja católica chinesa”, e outra parcela, tradicionalmente leal ao Vaticano, reúne-se de maneira informal ou clandestina desde a Revolução Comunista em 1949 e a expulsão dos missionários estrangeiros do país. ​ Católicos mais conservadores acusam o Vaticano de ter se vendido para Pequim. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, havia pedido para a Igreja não renovar o acordo. “Precisa ser reconhecido que ainda existem diversas situações de sofrimento. A Santa Fé sabe disso, reconhece, e não falhará em trazer os fatos à atenção do governo chinês no intuito de favorecer o mais frutífero exercício da liberdade religiosa”, afirmou o documento oficial do Vaticano. A Igreja em Hong Kong tem dito que católicos e cristãos na China enfrentam restrições —como a de não terem permissão para que crianças participem das cerimônias religiosas.” [Folha]

Imagina que louco se o Pompeo falasse grosso com o Bin Salman, lá na terra do Zeique não pode professar a fé católica não, a religião é PORIBIDA por lá.

“Muitos acreditam que a prorrogação do acordo deve levar a laços diplomáticos com Pequim, o que significa que o Vaticano teria que romper ligações com Taiwan, a ilha que a China considera sua. O Vaticano e a China romperam relações em 1951, dois anos depois da chegada dos comunistas ao poder e após o reconhecimento de Taiwan por parte da Santa Sé. O ministro do exterior de Taiwan afirmou que o acordo é apenas “uma extensão do original por mais dois anos e que mantém sua natureza experimental”. O Vaticano disse diversas vezes que o acordo com a China trata exclusivamente de questões da Igreja.”

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14. Medo e Delírio em Washington

“Donald Trump e Joe Biden se enfrentaram na noite desta quinta-feira (22) no segundo e último debate antes da eleição, num duelo menos agressivo e mais controlado do que o primeiro encontro, no fim de setembro, mas que não deixou de ser marcado por ataques pessoais e críticas duras entre os dois candidatos. Após um primeiro debate caótico, lembrado pela agressividade e interrupções contínuas, houve mudanças nas regras para esta quinta, incluindo a possibilidade de o microfone dos candidatos ser desligado durante a resposta inicial de dois minutos do adversário em cada um dos temas.” [Folha]

“A moderadora Kristen Welker conseguiu controlar o debate ao mesmo tempo em que fez perguntas duras. Como mulher negra, levantou a discussão sobre racismo nos EUA, elencando diversas vezes em que Trump criticou o movimento Black Lives Matter ou se envolveu com supremacistas brancos.”

E aí aconteceu isso ó:

“”Ninguém fez mais pela comunidade negra do que Donald Trump. Se você olhar, com exceção de Abraham Lincoln, possível exceção, ninguém fez mais do que eu. Eu sou a pessoa menos racista deste recinto” [Folha]

Tom Cruise Comments GIF

Se o cara que acabou com a escravidão pelas bandas de lá, um tal de Abaraham Lincoln, é uma “POSSÍVEL EXCEÇÃO” não seria Lyndon Jhonson, que assinou a lei dos direitos civis em 64 dando fim à segregação racial que estaria na frente do presidente apoiado pela KKK, né?!

E a resposta do Biden foi ótima:

“”O Abraham Lincoln aqui é um dos presidentes mais racistas que tivemos na história moderna”, disse. “Ele joga gasolina em qualquer fogo racista.”

chicago fire GIF by NBC

“Em um dos ataques mais agudos sobre a condução errática e ineficaz do presidente diante da pandemia que já matou mais de 222 mil pessoas nos EUA, Biden afirmou que o povo americano não está aprendendo a lidar com o vírus, como diz o republicano, mas a morrer com ele, e pediu a responsabilização do presidente. “Ele [Trump] diz que estamos aprendendo a viver com isso, mas as pessoas estão aprendendo a morrer com isso”, afirmou o democrata. Trump respondeu que acatava a responsabilidade, para em seguida repetir a ideia de que o vírus veio da China, e que não tem culpa sobre a tragédia de saúde pública. “Assumo total responsabilidade. Não é minha culpa que esse vírus chegou, é culpa da China”, disse o presidente. A 12 dias do pleito, não deve haver outro momento em que os poucos eleitores ainda indecisos —menos de 5%— se voltarão com tanta atenção às mensagens do presidente e de seu adversário, em uma disputa polarizada, na qual cerca de 47 milhões de pessoas já votaram de forma antecipada. Segundo o site FiveThirtyEight, que compila as principais pesquisas dos EUA, Biden tem 52,1% ante 42,2% de Trump. O democrata também lidera em vários estados considerados chave para a vitória no Colégio Eleitoral, sistema indireto que escolhe o presidente americano. Em contrapartida aos ataques mais severos de Biden no âmbito da pandemia, Trump acusou o rival de enriquecer de forma ilícita e se esconder no porão durante os picos da crise, enquanto o democrata disse que nunca pegou dinheiro de países estrangeiros e atacou o presidente por não divulgar suas declarações de imposto de renda ou esclarecer seus negócios com a China. “Acabei de pagar bilhões de dólares aos nossos produtores”, disse Trump, falando sobre regulações de comércio exterior e alegando que o dinheiro estava sendo pago pela China. “Dinheiro do contribuinte”, retrucou Biden, sem perder tempo. “Nunca peguei dinheiro de nenhum país”, disse Biden, defendendo-se. “Você não mostrou nenhum ano da sua declaração de impostos de renda. O que está escondendo? Os países estão te pagando muito, a China está te pagando, a Rússia está te pagando, a China está te pagando. O presidente disse ainda que a família do democrata “era como um aspirador de pó, pegando dinheiro de todo lado”, e Biden respondeu: “Isso não é sobre a família dele ou minha família. É sobre a sua família”, tentando retomar a pauta da pandemia, uma seara em que Trump leva desvantagem. “Divulgue suas declarações de impostos de renda ou pare de falar sobre corrupção”, completou o ex-vice-presidente.”

E Trump continuara jurando que mostrará suas declarações assim que a receita acabar a auditoria, algo que ele diz desde 2015. E não há qualquer restrição da receita para a divulgação da taxa, é que ia ficar demais Trump abrir suas contas.

Da Patrícia Campos Mello:

“Todo mundo ficou tão aliviado ao constatar que o último debate presidencial americano foi realmente um debate, no qual a moderadora conseguiu moderar e os espectadores puderam ouvir as respostas dos candidatos, que pode ter passado despercebida a gigantesca diferença entre as visões do presidente Donald Trump e do ex-vice-presidente Joe Biden para os Estados Unidos. O momento em que essa discrepância ficou mais clara foi quando a moderadora Kristen Welker fez sua pergunta final aos candidatos: “Imagine que você venceu a eleição e fará seu discurso de posse, o que você vai dizer para os americanos que não votaram em você?”. O republicano afirmou que, com o sucesso que ele trouxe para a economia americana “antes de a praga vir da China”, o “outro lado” já queria se juntar a ele e que os EUA estão no caminho para o sucesso, o que irá unir o país. Trump concluiu seu discurso de união atacando Biden, dizendo que o democrata vai aumentar o imposto de todo mundo se for eleito e que o país terá uma depressão econômica sem precedentes. Já Biden afirmou que diria aos eleitores de Trump: “Eu sou um presidente americano, eu vou representar todos vocês, aqueles que votaram e aqueles que não votaram em mim”. O democrata continuou dizendo que haverá enormes oportunidades para fazer a economia crescer, para abordar o problema do racismo sistêmico e estimular energia limpa. “O que está na cédula eleitoral é o caráter deste país. Decência, honra, respeito, tratar as pessoas com dignidade, garantir que todos tenham as mesmas chances.” Biden tentou cristalizar a mensagem de que representa a união de um país polarizado e a volta da dignidade e decência à Presidência, além de um combate mais efetivo à pandemia do coronavírus.” [Folha]

E isso aqui diz muito sobre a moderadora:

“O espectador pode agradecer à moderadora Welker pela redução no nível de estresse. Ela fez um trabalho excelente ao questionar imprecisões das respostas e conseguiu manter os candidatos razoavelmente disciplinados. “Estou com inveja”, disse Chris Wallace, o moderador do caótico primeiro debate.”

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>>>> Mais um dia normal no Brasil “Em documento enviado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o Instituto de Segurança Pública do estado informou que, mesmo um ano após decisão histórica do STF, não há dados específicos sobre crimes motivados por LGBTIfobia. Em 2019, o Supremo entendeu que homofobia e transfobia são crimes de racismo. O ISP se manifestou em um requerimento feito pelo deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ). O órgão afirmou que não é possível separar as ocorrências, uma vez que a fonte dos dados apenas se refere ao crime conforme estabelece a lei. Levantamento do Jornal Nacional em setembro mostrou a dificuldade de se obter dados do tema. Apenas 15 estados e o DF informaram números. Minc diz que vai acionar o Ministério Público Federal.” [Folha]

>>>> Vai vendo… “A valorização atípica das ações de duas empresas do empresário Eike Batista levou a Abradin (Associação Brasileira de Investidores) a protocolar na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) um pedido de investigação sobre as negociações com os papéis durante o mês de outubro. As ações da mineradora MMX encerraram o pregão desta quinta (22) cotadas a R$ 16,11, um ganho de 805% em relação ao último pregão de setembro, quando estavam R$ 1,78. Em 13 de outubro, os papéis chegaram a R$ 36, maior valor desde 2014. Já os papéis da companhia de construção naval OSX estão cotados a R$ 15, uma valorização de 240% em relação a setembro. Na máxima deste mês, chegaram a R$ 21. “Essas bolhas, frutos de manipulação, somente ocorrem pela omissão dos reguladores, que não aplicam a legislação vigente. As negociações com essas ações deveriam ter sido suspensas ainda no dia 13”, afirmou Aurélio Valporto, presidente da Abradin. Na reclamação à CVM, a associação ressalta que o movimento indica “efeito manada” e que a grande volatilidade dos papéis, que chegaram a cair 52% após o pico do dia 13, “certamente provocou ganhos ilegítimos e prejuízos a inúmeros investidores menos informados acerca de história de fraudes no mercado de capitais nacional”. “A CVM deveria estudar a anulação de todas as operações ocorridas com ações da MMX e OSX desde o dia 13 de outubro. Assim, seriam evitados ganhos e perdas ilegítimos e seria preservada a higidez do mercado”, acrescenta Valporto. Enquanto a OSX afirmou não ver razões para a valorização dos papéis, a MMX disse à CVM acreditar que as oscilações atípicas estejam relacionadas à divulgação de um pedido à Justiça para recuperar a operação de um projeto de minério de ferro em Corumbá (MS).[Folha]

>>>> Pagando os impagáveis pecados: “O ex-médico Roger Abdelmassih, 77, condenado por uma série de crimes sexuais contra pacientes, foi agredido por outro detento no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, localizado no Carandiru, zona norte de São Paulo. Ele cumpre pena em regime fechado desde agosto. A informação foi divulgada pela TV Globo e confirmada pelo UOL. A agressão aconteceu na quarta-feira (21), no quarto ocupado pelo ex-médico na ala de segurança pessoal do hospital. O agressor invadiu o local e atacou Abdelmassih. Segundo nota da Secretaria da Administração Penitenciária, o detento teria uma parente que foi vítima de violência sexual e isso teria motivado a agressão. “A situação foi rapidamenta contida e Abdelmassih não ficou ferido”, diz a nota. O ex-médico foi submetido a exame de corpo de delito e, de acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária, está em bom estado de saúde. Um boletim de ocorrência foi registrado sobre o fato. O preso agressor foi transferido para outra ala do hospital após a agressão e nesta quinta-feira (22) teve alta. No final de agosto, Abdelmassih voltou para a prisão por determinação da Justiça de São Paulo, após recurso do Ministério Público. Ele estava em prisão domiciliar desde abril. O relator da decisão, o desembargador José Raul Gavião de Almeida, argumentou que o cumprimento de uma pena em regime domiciliar não é possível a condenados ao regime fechado, caso do ex-médico. O relator também avaliou que não há recomendação médica ou provas de que o condenado corra risco de saúde na prisão e que não há justificativas para uma progressão de regime, mesmo diante da pandemia do novo coronavírus.” [Folha]

>>>> Uma das histórias mais esquisitas da Laba-jato é a ascenção desse desconhecido advogado: “A Polícia Federal está neste momento em endereços ligados ao advogado , que atua na Lava-jato fluminense. Ele é suspeito de utilizar o nome do juiz Marcelo Bretas e de procuradores para oferecer facilidades a alvos da operação. No inquérito, que corre em sigilo, os investigadores anexaram informações que mostram as vezes que Nythalmar foi a presídios do Rio para visitar presos que já possuem advogados com o objetivo de tê-los como clientes. A investigação começou após advogados o representarem na OAB/RJ justamente por causa desta prática. Inclusive, diversos deles prestarem depoimento na PF na semana passada. Também é alvo da investigação a relação dele com um de seus clientes, Fernando Cavendish. Nythalmar mora em um apartamento do ex-dono da Delta, em Ipanema, e utiliza algumas de suas salas comerciais no Centro do Rio, como escritório.” [O Globo]

>>>> Esse texto do Mansur sobre o Pelé tá ótimo:: “É tremendamente difícil escrever sobre Pelé. Mal começamos, e o leitor, com toda razão, deve ter concluído que se trata de uma confissão de absoluta incompetência do colunista. Afinal, se um cronista pretensamente especializado em futebol acha difícil preencher algumas linhas sobre o maior jogador da história, será capaz de escrever sobre quem? Só resta transferir responsabilidade: a culpa é de Armando Nogueira. Em certa altura de sua monumental carreira, Armando disse que “Edson Arantes do Nascimento, se não tivesse nascido gente, teria nascido bola”. É tão definitivo que não há saída além da rendição: nada mais parecerá minimamente inteligente ou original. Mas há outros “culpados”. Pelé é daqueles seres especiais que, desde cedo, dispensaram perspectiva histórica ou estatísticas de carreira consolidada para fazer todo o público perceber que ali estava um gênio. Mas como traduzir em palavras a dimensão de sua obra depois que Nelson Rodrigues, ainda em 1959, escreveu que “Pelé poderia virar-se para Miguel Ângelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los com íntima efusão: — Como vai, colega?”. Pouco resta a ser dito. Gênios inspiram gênios. Aliás, conta-se que houve até ocasiões, por certo raras, em que Pelé jogou mal. Ou jogos em que parecia interferir, influenciar menos do que de costume. Jornadas que inspiraram Nelson a advertir que a atuação apagada do Rei era apenas uma impressão equivocada, afinal “Pelé, mesmo em casa lendo um gibi, infunde um pânico religioso”. O que dizer, então, da multidão que, indomável como só ela, certa vez cometeu o pecado de vaiar uma santidade do futebol? Somente o dom inigualável de Nelson poderia colocar as coisas em seus lugares: “Se Pelé pode ser crucificado em vaias, cessam todos os valores morais. Podemos invadir berçários para esganar criancinhas”. O que talvez defina os gênios é a capacidade de deixar cada espectador convicto de que está diante de um deles. Transmitir em cada exibição a sensação de que se está vivendo um momento eterno, ter a capacidade de reformar crenças. Ou, como escreveu Eduardo Galeano, “os que tivemos a sorte de vê-lo jogar, recebemos dele oferendas de rara beleza: momentos desses tão dignos de imortalidade que a gente pode acreditar que a imortalidade existe.” Em 1970, talvez na mais sublime reunião de talentos que o futebol já produziu, Pelé era um gênio cercado de mentes privilegiadas. Uma delas, Tostão. Mais tarde convertido em cronista, escreveu: “A perfeição não é humana; o craque Pelé é exceção”. É brilhante. Gênios têm a capacidade de não apenas elevar a sua arte, o seu ofício. A existência de Pelé não tornou apenas o futebol melhor. Gênios tornam melhor o mundo que os rodeia. Pelé, 80 anos hoje, deu nova graça, cor e vida à arte de escrever sobre futebol. Porque só um dom especial, uma inspiração sobrenatural ou uma genialidade de exceção permitia traduzir em palavras o futebol de um Rei. Artista que compôs obras de arte com os pés, foi também a razão de algumas das mais belas páginas da crônica esportiva brasileira. E que certa vez fizeram um aspirante a cronista, hoje impotente diante da genialidade dos mestres e da obra de Pelé, se apaixonar pelo ofício.” [O Globo]

>>>> E a Palestina só se fode: “Sudan and Israel announced today that they will “end the state of belligerence” between them and start the process of normalizing ties. The announcement came after a phone call hosted by President Trump with Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu, Sudanese Prime Minister Abdalla Hamdok, and the head of Sudan’s governing council, Gen. Abdel Fattah al-Burhan. Unlike with Israel’s recent deals with the UAE and Bahrain, there was a state of belligerency between Israel and Sudan for years. Sudan is not designated in Israeli law as an enemy state, but for decades there has been deep animosity and a history of military incidents between the countries, which don’t have diplomatic relations. Under Sudanese law, Sudanese nationals are not allowed to travel to Israel and could face heavy penalties for doing so. Sudan hosted a Hamas headquarters in Khartoum for years and maintained a military and political alliance with Israel’s enemies Iran and Hezbollah. The Iranians used Sudan as a base for arms smuggling to the Gaza Strip, and established a massive factory for long-range rockets there. Between 2008 and 2014, a series of airstrikes took place against Gaza-bound weapons convoys in Sudan, an Iranian weapons ship docked in Port Sudan and the Iranian missile factory in Khartoum. The Sudanese government blamed Israel, which never took responsibility for the strikes. Since 2014, Sudan’s relations with Iran cooled dramatically as it started getting closer to Saudi Arabia and the UAE. It also engaged in quiet talks with Israel, which led Israel to lobby the U.S. and European countries to provide Sudan with economic aid. After Sudanese dictator Omar al-Bashir was toppled in a revolution last year, the talks with Israel became more substantive as part of an effort by the country’s transitional government to warm relations with the Trump administration. Last February, al-Burhan even met with Netanyahu in Uganda. Trump today signed an order to remove Sudan from the State Department’s state sponsors of terrorism list as part of a broader deal that also includes U.S. aid to Sudan and steps from Sudan towards normalization with Israel. That came after a joint U.S.-Israeli delegation traveled secretly on Wednesday to Sudan. The breakthrough follows normalization deals between Israel and the UAE and Bahrain. Several other Arab countries are also weighing normalization, but will likely wait for the results of the U.S. election.” [Axios]

Dias 660 | Um grande festival de agressões gratuitas ao maior parceiro comercial | 22/10/20

Texto de Pedro Daltro, edição de Cristiano Botafogo e os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. ¡Viva Pepe!

Hoje essa distopia escrota nossa de cada dia fica em segundo plano, hoje nada é mais importante e mais belo que o adeus em vida do gigantesco Pepe Mujica, o maior líder da esquerda lation-americana. O El País fez um vídeo lindo com os bastidores da despedida de Pepe da política, seu último dia no senado uruguaio:

Veja o discurso na íntegra e chore nos aplausos:

Beijos, Pepe! Obrigado por tudo.

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2. Um grande festival de agressões gratuitas ao maior parceiro comercial

Eu sei que é puxadíssimo dar conta dessa distopia escrota depois do Pepe mas fazer o quê? Bolsonaro deu entrevista a sua amada Jovem Pan e conseguiu soar ainda mais absurdo e criminoso:

““No meu entender, houve certa precipitação em assinar esse protocolo. Eu devia ser informado de uma decisão tão importante”, disse Bolsonaro, que afirmou não ter “problema nenhum” com Pazuello. Mesmo considerando a assinatura da carta de intenção precipitada, Bolsonaro afirmou que Pazuello continuará no cargo. “É um dos melhores ministros da Saúde que o Brasil teve nos últimos anos”.” [Estadão]

Mas não é um governo técnico? Não são decisões técnicas, sem influência da (velha) política?!

Bolsonaro foi de voadora pra cima dos chineses, tá cuspindo nos caras e chamando pra porrada. Tudo de forma absolutamente gratuita, em nenhum momento os chineses atacaram o governo brasileiro, o ensandecido presidente mira no Doria e acerta na cabeça dos chineses. Ontem o problema era autorização da Anvisa, como gastar $ em algo sem comprovação, lembra? O indeciso presidente mudou de idéia:

“Questionado durante a entrevista à Jovem Pan sobre a decisão de “cancelar” a intenção de aquisição das doses, Bolsonaro disse não acreditar que o imunizante transmita segurança e credibilidade suficiente à população pela sua origem e reforçou que o governo não irá adquirir a vacina mesmo se for aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Da China nós não compraríamos, é decisão minha.”

Sei que tá batido mas é CRIME DE RESPONSABILIDADE, porra, e ele próprio tá construindo o caso, as provas se bastam em suas declarações, tudo feito por livre e espontânea vontade. O que mais Bolsonaro precisa fazer pra demonstrar de prova cabal que é um atentado à saúde pública ambulante? Incapaz de presidir um país?! O país economicamente de 4, choque econômico global e ele tá clamando por retaliação comercial do maior comprador de commoditiers do mundo!

Ele disse ainda que “já existe um descrédito muito grande por parte da população (sobre a Coronavac), até porque como muitos dizem esse vírus teria nascido lá (na China).”

Não, já se sabe que o vírus passeou em outros países da Ásia antes, o que explicaria o pouco número de mortes, já que havia anticorpos na população. E mesmo que o vírus fosse chinês, com pasasporte e os caralhos, um país extrativista como o nosso não se pode dar ao luxo de apontar dedo pra quem assina os cheques, porra!

“Eu sou militar, o Pazuello também o é, e nós sabemos que quando um chefe decide, o subordinado cumpre.” [O Globo]

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Ele, no meu entender, houve uma certa precipitação em assinar esse protocolo. É uma decisão tão importante, e eu deveria ser informado — disse, acrescentando: — Conversei há pouco no zap com o Pazuello, sem problema nenhum, meu amigo de muito tempo, ele continuará ministro. E eu digo mais: ele é um dos melhores ministros da Saúde que o Brasil já teve nos últimos anos.

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Sim, presidnete e ministro de estado conversando por “zap”

Bemm Pazuello vai pedir pra sair, né?

“O ministro da Saúde Eduardo Pazuello não pretende bater de frente com o presidente Jair Bolsonaro em relação à compra da vacina chinesa produzida em parceria com o Instituto Butantan. A interlocutores, Pazuello se mostrou abatido após as declarações do presidente desautorizando a compra da vacina e revelou que pretende “colocar panos quentes” na questão para conseguir efetuar a aquisição do imunizante no futuro, quando o assunto sair dos holofotes. Em conversas reservadas sobre a postura do presidente, o ministro Pazuello afirmou que “o problema é o (João) Doria”.” [O Globo]

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Sim, a culpa é de todo mundo, menos do capitão.

“O ministro afirmou que a medida foi barrada por Bolsonaro por ser um acordo que envolve o governador tucano, adversário político do presidente.”

Impesssoalidade do csargo de presidente da república mandou lembranças.

Mas não basta se ajoelhar ao Bolsonaro, é preciso fazer isso na frente das câmeras

É o supra-sumo do constrangimento, o cúmulo da humilhação, as últimas palavras do Boslonbaro são “TOME O COQUETEL PAZUELLO”.

Um coquetel com duas drogas cuja eficácia é desconhecida para Covid. Ele deu o nome do coquetel a um GENERAL DA ATIVA, que inclusive achou muita graça.

“Na transmissão desta quinta-feira, Bolsonaro disse a Pazuello, diagnosticado com a Covid-19: “Semana que vem, talvez, com toda certeza, tu volta para o batente aí.” Pazuello, então, respondeu: “Pois é, estão dizendo que não, né? Tamo junto”. Bolsonaro, por sua vez, acrescentou: “Falaram até que a gente tava brigado aqui. Pô, no meio militar é comum acontecer isso aqui, tá certo? É choque das coisas, não teve problema nenhum.” Pazuello, na sequência, declarou: “Senhores, é simples assim: um manda e o outro obedece. Mas a gente tem um carinho, entendeu? Dá para desenrolar, dá para desenrolar”. Enquanto Pazuello falava, Bolsonaro ria, colocando a mão sobre o ombro do ministro da Saúde. O presidente, em seguida, disse: “Opa. Tá pintando um clima aqui”.” [G1]

O Brasil precisa discutir a auto-estima do Pazuello, tem que ver isso aí, nenhum vídeo dessa bad trip escrota me deixou mais desconfortável que esse.

Mas voltemos à entrevista em sua rádio predileta:

“Ainda na entrevista, o presidente classificou a posição do governador João Doria como “ditatorial” e disse que não tomará a Coronavac: “Não interessa se tem uma ordem seja de quem for aqui no Brasil para tomar, eu não vou tomar.”

Sim, a autoridade máxima da república assinou um decreto em fevereiro determinando vacinação compulsória e em outubro ele diz que não vai se vacinar nem fodendo e cahamando os outros de ditadores. O Doria é sim um projeto de ditador, mas asnda assim fica complicado o ditatorial Boslonaro acusando os outros.

“Ao falar sobre a expectativa para distribuição de outras vacinas no País, Bolsonaro afirmou que acredita que “teremos vacina de outro país, até mesmo a nossa, que vai transmitir confiança à população.” Ele mencionou o aporte de quase R$ 2 bilhões de reais para a vacina de Oxford/AstraZeneca, que já tem acordo com o governo federal, e a “nossa, que estamos estudando no Butantã”.”

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Ué, a do Butantané é a chinesa!

E Bolsonaro tá emulando seu ídolo Trump, inventando conversas:

“Eu acho que tudo tem um limite e tenho certeza que o poder Judiciário não vai se manifestar nessa situação. Até porque tenho conversado com muita gente em Brasília, não vou citar nomes, mas pertencem a poderes, obviamente, e dizem que não tomariam a vacina chinesa por não ter a devida confiança”

Você realmente acha que alguém minimamente sério do Judiciário ou do Legislativo confessou para Bolsonaro ter medo da vacina russa?!

““Temos eleições agora, daqui a poucos dias, há uma tentativa de explorar politicamente isso”. Segundo Bolsonaro, qualquer programação de vacinação no momento “é inoportuna e não age com a boa técnica.” Ele disse ainda que a vacinação “não vai ser a toque de caixa como alguns querem”, sem citar nomes. O presidente reforçou que não há indícios de quando os estudos das possíveis vacinas serão finalizados e que, por isso, não se pode “precipitar e partir para propostas e anúncios, e cada um querer achar que ele que está preocupado com a vida do próximo, e não o outro que está do outro lado da linha”.”

Eu odeio o Doria, mas ele irrita Bolsonaro duma forma…

“De acordo com um ministro próximo a Jair Bolsonaro, o que teria tirado o presidente do sério ontem no episódio da vacina chinesa foi o seguinte: desde o fim de semana Bolsonaro deu uma ordem para que João Doria não fosse recebido ou sequer ouvido se pretendesse falar sobre este tema. A propósito, Bolsonaro começou o dia de ontem irritadíssimo com Eduardo Pazuello, chegou até a falar em demissão ainda de manhã. Ao longo do dia foi mudando o humor e no início da noite dizia a interlocutores que o ministro foi “ingênuo” no caso da vacina chinesa.” [O Globo]

Isso é, os generais tiveram que pedir clemência ao capitão, ia ficar feio demais, repare:

“Desceu quadrado nos círculos militares a exposição pública de Eduardo Pazuello no episódio da vacina chinesa. Não é sempre que um general da ativa (o ministro) é desautorizado publicamente por um ex-capitão (Jair Bolsonaro).” [Estadão]

“Os fardados contrários à presença de um dos seus na Saúde ganharam mais argumentos. Mesmo entre os que apoiam silenciosamente a aventura do Exército à frente do ministério em meio à pandemia da covid-19, o rebaixamento de Pazuello diante de Bolsonaro foi visto como excessivo para um general.”

Se fosse duas patentes mais pra baixo estaria tranquilo esse completo atropelo da impessoalidade exigida pelo cargo?

“Ex-ministro de Bolsonaro, o general Santos Cruz também passou pela frigideira do presidente. “Problema é muito mais profundo do que desautorizar um ministro e a sociedade tem de ser alertada. Além disso, demonstra falta de capacidade de organização interna”, afirmou. “É um nível de mediocridade extrema o jeito como isso está sendo tratado. Se vai comprar a vacina A, B ou C, não sei, mas é uma questão de saúde pública que deve ser discutido tecnicamente, não politicamente assim”, disse.”

Vai ver na campanha e na transição tudo era tratado de forma sóbria, sensata e equilibrada, por isso o general aceitou ser ministro do capitão. Até então ninguém podia imaginar que esse governo seria esse show de horrores, tá ok?!

Mourão resolveu abrir a boca e mostrar o quão bondoso é esse governo:

“ Todo mundo pode comprar. O estado pode comprar, os estados né, eles tem recurso também. Desde que a Anvisa certifique. A Anvisa só vai certificar aquilo que está comprovadamente testado” [O Globo]

Só faltava o governo proibir os estados de comprarem vacina…

“Hoje, Mourão declarou que a politização da vacina é “um problema”, sem mencionar Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que trocaram críticas na última quarta-feira. Enquanto o presidente acusou o dirigente paulista de usar a população como “cobaia” pelas redes sociais, Doria afirmou que Bolsonaro apresenta um comportamento “obsessivo” de olho na reeleição em 2022. O vice-presidente pediu ainda “calma” na abordagem do tema quando indagado sobre os riscos de judicialização do tema. Na última quarta-feira, o partido Rede Sustentabilidade entrou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o governo federal seja obrigado a assinar o protocolo de intenções sustado por Bolsonaro após pressão de apoiadores. — Acho que há muita especulação em cima disso. Ontem, a posição correta o Ministério da Saúde já colocou. O diretor da Anvisa também já colocou. Qualquer vacina que esteja comprovadamente testada e certificada pela Anvisa estará a disposição para ser adquirido — disse o vice-presidente.”

Faltou combinar com o presidente, errou feio, errou rude.

“O cancelamento da compra da vacina chinesa por parte de Jair Bolsonaro irritou governadores e secretários estaduais de Saúde e uniu boa parte deles em um mesmo norte: na defesa pela permanência do ministro Eduardo Pazuello. Todos culpam o presidente da República pelo episódio, considerado inacreditável. Alguns também veem responsabilidade de João Doria (PSDB-SP) na confusão. Segundo palavras deles, o tucano se aproveita politicamente da situação e já está em campanha.” [Folha]

Sim, mil vezes sim, é inegável que Doria quer mais é provocar o presidente e virar o anti-Bolsonaro.

E preciso abrir um parênteses para o Marcelo Pimentel Jorge de Souza, militar da reserva que aponta todos os absurdos do generalato do palácio:

“Confirmando… o roteiro da PEÇA (“ASSIM É SE LHE PARECE”) em seu 1° ATO (“ALA MILITAR SENSATA x ALA IDEOLÓGICA RADICAL”). Em breve, todos estarão pedindo, implorando, orando pela “volta dos militares ao poder”! “Só os generais podem controlar bolsonaro”. Dirão uns! “Os generais são a única ALA sensata, não-ideológica, racional, pragmática, desapegada a cargos, técnica…..desse governo cheio de radicais, olavistas, ex-rachadinhas, ignorantes”. “Refletirão” outros! “Os generais vão salvar o Brasil do comunis….. ops…. do fascismo de bolsonaro”. Manifestarão todos nas avenidas paulistas, N.S. de copacabana, e Boa Viagem… Tolos! Já estão no poder… Mas os “experientes” jornalistas não perceberam. (Será tão difícil enxergar que Bolsonaro faz o tipo fascista, anti-ciência, troglodita, burro, desumano… pra quê alguém, na PEÇA, assuma o papel de “mocinho, injustiçado, digno de pena, perseguido, sensato, técnico, competente”….mesmo não sendo nada – ou nem tanto – disso?). (Será tão difícil entender que Bolsonaro eh soldado do partido militar e que suas relações com seus colegas generais é de amizade visceral-dependente?). A FSP “apoia a democracia” mandando usar “amarelo” e fazendo manchetes como essa! É canalhice jornalística usar a frase “Secretários de Saúde …DEFENDEM permanência de Pazuello…” quando, segundo o próprio texto da (quinta) coluna Painel: não entrevistou todos os secretários de saúde; menciona que “uma parte” manifestou apoio; não diz quais são os secretários que defenderiam; havia sido retirado de uma carta trechos de apoio ao general porque temeriam nomeação de Osmar Terra…. A colunista do “Painel” (de controle) não tem o menor discernimento para ao menos levantarb a possibilidade de que o espantalho “Osmar Terra” esteja justamente ali para iludir tolos?” [Facebook]

Recomendo seguir o Marcelo no Facebook, ele é a prova que há militares capazes de unir lé com cré. E era a essa carta que o Marcelo se referia:

“Ao Painel, secretários mantiveram nesta quarta (21) os mesmos elogios que vinham fazendo a Pazuello. Vários usam como argumento o receio de quem poderia vir a substituí-lo. A primeira versão de uma carta publicada por eles em defesa da ciência tinha trechos em apoio ao ministro. Tiraram, com medo de ter efeito contrário.”

Não tem nada mais Bolsonaro que isso.

“Posicionados pragmaticamente do mesmo lado de Doria, pró-vacina do Butantan, alguns dos secretários se queixam nos bastidores da postura do governador. Eles dizem que a forma com que o tucano lida com o tema ajuda na politização. Na reunião entre governadores e Pazuello, causou surpresa uma atitude de Doria: fez chamada de presença dos participantes, convocando-os pelos nomes. Pazuello prontamente assumiu o comando da conversa.”

Que babaca é o Doria, puta que pariu…

|Mas voltemos ao constrangimento entre o generalato,a Andréia Sadi também escreveu sobre::

“Desde o início da manhã da quarta-feira (21), houve a tentativa de atribuir a um erro de Pazuello o acordo da vacina com o governo de São Paulo. Mas não houve erro: o Planalto sabia do acordo com São Paulo, só não gostou da reação negativa do anúncio nas redes sociais — com críticas de apoiadores do presidente —, além do que chamaram de “palanque” para o governador paulista, João Doria. Mesmo assim, Bolsonaro desautorizou publicamente Pazuello, o que causou mal-estar entre integrantes da cúpula militar. Para fontes do próprio governo ouvidas pelo blog, o episódio de ontem “desmoralizou” Pazuello como general, e, por integrar o governo, servindo ao presidente, ex-capitão, deveria ir para a reserva para evitar confusão com a imagem das Forças Armadas.” [G1]

Mas…

“No entanto, o ministro, segundo relatos, resiste a pedir a reserva e também não demonstra desconforto com o acúmulo de títulos. E mais: é muito querido por Bolsonaro, que está satisfeito com a atuação do ministro à frente da pasta seguindo seus comandos — e não pensa em demiti-lo.”

Não só Pazuello é muito queirod por Bolsonaro como Bolsonaro é MUIYO querido pelo Pazuello, o vídeo aí em cima não deixa dúvidas.

Passo à Míriam Leitão:

O pior, contudo, é que Bolsonaro atentou contra a saúde dos brasileiros. Ele espalha o vírus da desconfiança em relação a uma vacina que pode vir a salvar milhares de vidas. Desde o começo da pandemia ele já brigou com governadores, agrediu o STF, demitiu dois ministros da Saúde, defendeu remédios não comprovados, ajudou a disseminar o coronavírus com suas aglomerações e seu exemplo de desprezo à proteção. Bolsonaro é um atentado à saúde pública no meio de uma pandemia. E já são 155.459 os nossos mortos.[O Globo]

E olha o naipe do presidente da Anvisa, ele vai receber o pédido de registro da vacina chinesa e acomodar em uma espaçosa gaveta:

O Instituto Butantan é o maior fornecedor de vacina para o programa nacional de imunização e tem a confiança do país. É óbvio que será um dos fornecedores, caso a vacina desenvolvida na cooperação com a China passe bem por todo o processo da Anvisa. Como disse ontem a agência, existem quatro “protocolos de desenvolvimento vacinal” correndo na Anvisa e nenhum pedido ainda de registro. Quando houver, será avaliado tecnicamente. O presidente da Anvisa, Antonio Barra, procurava palavras para não sair do roteiro da agência. Barra é o mesmo que em março foi para uma manifestação contra o Congresso junto com o presidente, participando de aglomeração. Recebeu esta semana a aprovação do Senado e agora tem mandato.

E as sabotagens do milico da Anvisa já começaram:

“O diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirma que a Anvisa está retardando a autorização para a importação da matéria-prima da farmacêutica Sinovac que possibilitará a fabricação da vacina chinesa no Brasil. O plano original do instituto é receber em outubro 6 milhões de doses do imunizante Coronavac já prontos. E fabricar no Brasil, até dezembro, as outras 40 milhões de doses a partir da matéria-prima que chegaria da China. Com isso, a vacina poderia começar a ser aplicada em milhares de pessoas tão logo a sua eficácia em testes clínicos fosse comprovada, o que pode acontecer antes do fim do ano. Dimas Covas afirma que enviou um pedido formal de liberação excepcional da importação do produto no dia 23 de setembro. E diz que, nesta quinta (22), recebeu a informação de que o assunto só será tratado em uma reunião marcada para o dia 11 de novembro. “Estou inconformado e ansioso”, afirma ele. “Uma liberação que ocorre em dois meses deixa de ser excepcional”, segue. “A fábrica do Butantan já está pronta para produzir a vacina”, diz . “Estamos esperando apenas a autorização para importar a matéria-prima e começar o processo.” Ele explica que, entre a chegada da matéria-prima, a fabricação, os testes de qualidade e a liberação da vacina são necessários cerca de 45 dias. Caso a liberação só saia em novembro, a produção das primeiras doses do imunizante só será finalizada em janeiro. Ou seja, mesmo que testes mostrem que ela é segura e eficaz, não haverá quantidade disponível de vacina para uma imunização em larga escala da população.” [Folha]

Take Time GIF by RNSM

Não consigo imaginar um crime com provas mais fartas do que esse, só falta declaração de culpa autenticada em 3 vias no cartório. Com firma presencial.

Não à toa:

E olha só:

“A possibilidade de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) retardar o registro da Coronavac, a vacina chinesa que será produzida no Brasil pelo Instituto Butatan, já mobiliza governadores, que estudam alternativas caso isso ocorra. Uma delas seria aprovar, no Congresso Nacional, uma lei que permitisse a compra do imunizante mesmo sem o registro nacional —mas desde que ele fosse aprovado pela agência equivalente de algum outro país ou região com tradição científica, como EUA, União Europeia, Japão ou a própria China. A Coronavac ainda está em testes. A iniciativa seria inspirada em artigo da Lei 13.979, aprovada em fevereiro para que o país enfrentasse a Covid-19. Ele prevê a aquisição excepcional e temporária de medicamentos, equipamentos, materiais e insumos na área de saúde sem registro da Anvisa. Pela regra, o produto a ser adquirido em caráter emergencial tem que ser aprovado por uma das seguintes agências: FDA, dos EUA, European Medicine Agency, da União Europeia, Pharmaceuticals and Medical Devices Angency, do Japão, ou National Medical Products Administration, da China. “Compramos respiradores dessa forma”, relembra o governador do Maranhão, Flávio Dino. “Se Jair Bolsonaro mantiver sua xenofobia sanitária, influindo na Anvisa, podemos resolver isso com base na Lei 13.979”, afirma o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que já foi ministro da Saúde.” [Folha]

E haja cretinismo:

“Bolsonaro também elogiou uma declaração da vice-diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mariângela Simão, que afirmou que a entidade não recomenda a obrigatoriedade de aplicação de vacinas contra a covid-19. “Dessa vez eu acho que estão se informando corretamente, talvez me ouvindo até”, disse Bolsonaro. “Parabéns, OMS, começaram a acertar.” Mariângela Simão disse ontem que cabe a cada país decidir, mas pontuou que a organização não recomenda “medidas autoritárias”. “A OMS defende que isso é para cada país decidir. Mas em uma situação que você está falando com adultos, que têm capacidade de discernimento para fazer escolhas informadas, não se recomenda medidas autoritárias. Até porque é difícil fiscalizar. Vai depender da situação interna de cada país, mas é de difícil implementação”, explicou em entrevista à CNN Brasil.”

Bem, digamos que a OMS não se referias a países ditos democráticos. Enquanto isso, na nossa democracia de fachada:

“A militância bolsonarista abriu guerra contra a vacina contra a Covid-19 —e o apoio a imunizantes nas redes sociais caiu de 70% para 26% entre os dias 12 e 19 de outubro. A militância bolsonarista conseguiu elevar o número de postagens e representou 62% das manifestações publicadas na última semana. Influenciadores como Allan dos Santos, alinhados a Bolsonaro, contribuíram com 31% dos posts, enquanto políticos aliados representaram 16%, a militância anônima, 14%, e os filhos do presidente, 1%. Os dados são da consultoria .MAP, que registrou, de abril a setembro, um apoio médio mensal às vacinas de 89% nas redes socia​is.” [Folha]

Passo ao Vinícius Torres Freire:

“Da longa lista de produtos que importa da China, plataforma de petróleo é aquele em que o Brasil gasta mais. Depois, vêm telefones celulares. Em 2019 gastamos também US$ 70 milhões em “edredons, almofadas, pufes e travesseiros” chineses. Qual o maior fornecedor estrangeiro de antibióticos para o Brasil? A China, que aliás aparece em terceiro lugar nas vendas de produtos de beleza, por exemplo. Não dá problema, por ora, porque basicamente quase ninguém sabe alguma coisa de comércio internacional, porque um governador desafeto de Jair Bolsonaro não disse que vai importar antibióticos ou pufes e porque a milícia digital bolsonarista não se ocupou do assunto. Até o ano passado, o Brasil comprava pouca vacina e produtos imunológicos prontos da China. As importações maiores tradicionalmente vinham de Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Bélgica, com Irlanda, Itália, Reino Unido e França logo atrás. Neste ano, a China começou a aparecer entre os quatro maiores. Mas nada disso importa no nosso ambiente de selvageria lunática. Já vimos esse show ruim antes, essa “stand up tragedy”. Os problemas maiores e também já muito sabidos são outros: um desastre diplomático, perigoso para a segurança e economia nacionais, e alguma demagogia destrutiva em geral, como uma decisão econômica tresloucada. Bolsonaro tem mostrado bom instinto de autopreservação. Tem conseguido jogar para sua plateia desvairada e, pelo menos, não tem tomado decisões que afastem de modo terminal os donos do dinheiro grosso ou a média do eleitorado, até agora. Na prática, a destruição das instituições é homeopática, por enquanto, para o que a maioria não dá a mínima. Quanto tentou um veneno em dose cavalar, com os comícios golpistas, foi travado pelo risco de que sua capivara tivesse consequências imediatas. A ficha corrida de parentes e amigos por enquanto contém o projeto de golpe. Mas não temos como saber se assim será e se, depois de um envenenamento contínuo, o país, sua democracia e as instituições chegarão a uma desgraça irreversível. Não sabemos até onde pode ir o conflito com a China, por enquanto mais voçoroca de redes insociáveis e propaganda do que embate concreto. Não sabemos o que Bolsonaro pode aprontar com os vizinhos. Que tal um tiroteio na fronteira, perto de uma eleição? A China é paciente e pragmática. Quatro ou oito anos de um governo adversário de país fornecedor de matérias primas podem ser suportáveis. Por ora, de resto, Brasil e China dependem um do outro, embora um dia os chineses possam dar um basta e começar a, sei lá, a financiar plantações de soja em alguma savana da África. O alerta, que já deveria estar ligado faz muito tempo, desde 2018, é que Bolsonaro não tem limite algum. Os bobalhões que louvaram sua adesão às reformas mal começaram a prestar atenção. Daqui a pouco, o capitão pode dar um tiro no teto de gastos que abriga essa gente mercadista.” [Folha]

A primeira reação chinesa, e os caras foram elegantérrimos. Por enquanto.

“No dia seguinte ao recuo do presidente Jair Bolsonaro em relação à produção da vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butatan, estive hoje na entrevista coletiva do Ministério das Relações Exteriores em Pequim para saber a reação do governo chinês. Em minha pergunta, citei as frases ditas por Bolsonaro ao justificar sua decisão, entre elas a de que o povo brasileiro “não será cobaia de ninguém”, referência ao fato de a vacina chinesa ainda não ter concluído todas as etapas de testes necessárias antes da aprovação final. Ao ouvir a pergunta, o porta-voz Zhao Lijian exibiu um sorriso discreto, o único em toda a coletiva de mais de 40 minutos, e não fez referência direta a Bolsonaro. Mapa-múndi com a China no centro ao fundo, leu calmamente um texto em seu pódio e limitou-se a dizer que “China e Brasil têm colaborado nos testes de vacinas, e nós acreditamos que essa colaboração irá ajudar na vitória final sobre o vírus na China, no Brasil e ao redor do mundo.”” [O Globo]

O contra-golpe virá. Resta saber quando.

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2. A desmoralização das sabatinas

Não dá pra levar o Brasil a sério:

“Em uma sabatina marcada por elogios de petistas e críticas de lavajatistas, o juiz federal Kassio Nunes Marques evitou responder inúmeras perguntas sob o argumento de que pode se deparar com os temas caso seja aprovado para o STF (Supremo Tribunal Federal). O primeiro indicado do presidente Jair Bolsonaro para uma vaga na corte se alinhou ao chefe do Executivo na questão do aborto e se definiu como um juiz garantista que não julga de acordo com o clamor popular.” [Folha]

Moro jurou que a vaga era dele e agora trem que ver o indicado dizendo por aí que é garantista, eu acho é graça.

“Kassio também procurou esclarecer inconsistências no seu currículo e tentou justificar a presença da sua esposa como empregada do gabinete do senador Elmano Férrer (PP-PI), mas disse não saber qual é a função dela na Casa. “O trabalho que ela desempenha, eu sabia, mas não sei lhe dizer, porque há mudanças de gabinete, mas o que eu sabia que ela fazia são essas respostas vindas de lideranças e questionamentos de gabinetes”, afirmou. O juiz repetiu em diversos momentos que não há antagonismo entre a Lava Jato e a corrente garantista do direito. Ele ponderou que correções devem ser feitas quando há exageros, mas não citou exemplos. Na sabatina, que durou mais de nove horas, ele também disse que não atuará para “estancar” a operação, mas ressaltou que como qualquer outro processo a tendência é que as investigações tenham um fim. “Normalmente vai até exaurir o objeto.”

A discrição, viado:

“Kassio afirmou ter ficado emocionado com o discurso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é investigado no STF e considerado um dos padrinhos da primeira indicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Supremo. Kassio afirmou ter ficado emocionado com o discurso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é investigado no STF e considerado um dos padrinhos da primeira indicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Supremo.”

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Primeira indicação do STF na Nova Era é do Centrão, por demais diático.

“Kassio afirmou ser um “defensor do direito à vida” e disse ser contra o aborto. Para ele, só devem ser admitidas novas situações de descriminalização se houver uma grande mudança na sociedade e uma necessidade eventual. Como exemplo, citou a microcefalia decorrente do vírus da zika. O magistrado disse que tem uma arma de fogo em casa, mas que não costuma andar com o revólver. Por ser magistrado, ele tem porte de arma. Kassio disse ser do “perfil” que defende que a arma serve “a depender da circunstância”, como local em que as pessoas moram e o nível de violência da região. “Mas não é posição jurídica”, ponderou. Em relação a bandeiras da comunidade LGBT, disse haver “uma certa pacificação social” sobre a criminalização da homofobia, a união estável homossexual, o nome social de transgêneros e o direito de homossexuais doar sangue. “Nós temos uma cultura jurídica que essa conformação jurisprudencial segue até determinado limite, e minha opinião como operador do direito é que esses limites foram atingidos. Há uma certa pacificação social no que diz respeito a isso.”

Kassio também elogiou o presidente do STF, ministro Luiz Fux, que, segundo ele, está conduzindo a corte “de forma democrática” e prezando pelas decisões colegiadas. A sinalização é importante porque Fux não participou das negociações para a escolha do juiz federal. Quem influenciou neste caso foi o ministro Gilmar Mendes, que recebeu Bolsonaro e Kassio em sua casa antes da indicação. Gilmar também foi elogiado. Segundo Kassio, o ministro teve participação importante na formação da jurisprudência do país e para dar “força normativa à Constituição”. Em dois temas, Kassio se opôs ao ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro. Bolsonaro chegou a prometer uma vaga no STF a ele, mas desistiu depois de o ex-juiz pedir demissão. Kassio frisou que cabe ao Poder Legislativo decidir se quer mudar a norma vigente sobre a prisão após condenação em segunda instância e disse ser a favor da fixação de uma quarentena para juízes concorrerem a cargos públicos após deixarem a magistratura. “Esta matéria está devolvida ao Congresso Nacional, entendo que é o foro mais que competente para traçar essas discussões, para convocar a sociedade, ouvir os clamores populares. Não entendo que o Judiciário seja o foro adequado”, afirmou. O magistrado foi questionado por ao menos dois senadores sobre o tema. Kassio ainda defendeu a decisão que deu, quando estava no exercício da presidência do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), de suspender a decisão de primeira instância que anulou licitação do Supremo para compra de lagostas, vinhos importados e outros itens.”

Passo ao bom Thiago Amparo:

“De herméticos jantares privativos na casa de senadores e uma sabatina longa, mas morna, emerge um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Em parte, sabatinas são provas de resistência. Nisto, Kassio Nunes se saiu bem, escorregadiamente bem, após cerca de nove horas. Apesar da tradição de ser protocolar no país, a sabatina pode ser tão exaustiva quanto for o clima político do momento, vide as longas 11 horas daquela de Edson Fachin, indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) no turbilhão de 2015. A Constituição exige reputação ilibada e notável saber jurídico por parte do indicado. Apesar de genéricos, esses critérios hão de significar algo, pressupondo que a Constituição não contenha palavras inúteis. Não foi o caso: na sabatina pouco se debateu sobre as inconsistências no currículo do candidato justificadas por Kassio, em sua fala inicial, pelo que chamou de “incompreensão das regras educacionais europeias”. Aqui, ele pouco explicou, em desrespeito ao preceito constitucional. Quem assistiu a sabatina de Kassio Nunes viu um Senado cortês, estranhamente cortês. Não pareceu que o STF está em pleno fogo cruzado de egos, recém-saído de ataques de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e perdido em mudanças internas de regimento. Tampouco pareceu que o castelo da democracia, o qual a Constituição deveria proteger, esteja em ruínas.

Está tudo normal sob o sol de Brasília. Quem assistiu a sabatina teve a impressão de que os ventos da estranha amabilidade da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) diante do candidato anunciam que o trânsito do futuro ministro entre os parlamentares não é desprezível. Fica a dúvida sobre quais tensões futuras este fácil trânsito gerará diante da cruzada anticorrupção em que o STF, sob a presidência do ministro Luiz Fux, se aventura, de novo, e por vezes de forma atabalhoada. Como é de praxe em sabatinas para cargos judiciais, Kassio declinou de responder questões jurídicas que versassem sobre temas referentes a casos pendentes no STF ou que possam vir a chegar até a corte. Quem procurou entender mais sobre o candidato pouco conhecido no cenário nacional, decepcionou-se. Uma exceção foi o aborto, cuja descriminalização Kassio se opôs. É sintomático de um Judiciário masculino que, mesmo com um caso pendente sobre o tema no STF, o indicado não tenha se contido em proferir sua opinião. Num país onde o céu e o inferno são os limites da jurisdição do STF, poucos temas escaparam. Maioridade penal, criminalização da LGBTfobia, demarcação de terras indígenas, crimes ambientais, aborto, liberação de armamento: em todos esses temas Kassio saiu pela tangente. Aqui, surpreende que em geral senadores da CCJ estivessem pouco preparados ou dispostos a pressionar o candidato por uma resposta quando o tema demandasse. O centrão saiu em defesa do candidato, numa sequência de afagos. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) rasgou elogios, ressaltando ser uma indicação técnica, criteriosa e que prestigia o Nordeste. Senadores da região ressaltaram, repetidamente, a origem piauiense do indicado. Em sabatina sonolenta, Kassio nos fez dormir no berço esplêndido de um centrão e de uma oposição recém-convertidos a um garantismo de ocasião. Não que o garantismo do juiz seja de ocasião, não parece ser.

Defendeu-o com unhas e dentes, uma das poucas vezes em que disse o que pensava de fato. “O garantismo deve ser exaltado, porque todos os brasileiros merecem o direito de defesa. Todos os brasileiros, para chegar a uma condenação, devem passar por um devido processo legal. E isso é o perfil do garantismo.” Em afago a Deus e ao diabo, afirmou que garantismo “não é sinônimo de leniência com combate à corrupção”, em uma alusão à Lava Jato. Foi questionado diversas vezes sobre o combate à corrupção. Em relação à prisão em segunda instância, afirmou ser favorável a decisões bem fundamentadas, e que caberia ao Congresso analisar a questão. O tom de respeito à separação de Poderes foi uma constante —somente o tempo dirá se foi uma defesa retórica ou não. Outro momento em que o futuro ministro do STF disse o que pensava ocorreu quando foi provocado a falar sobre direitos de migrantes, no contexto de venezuelanos. Aqui, Kassio deu uma bola dentro: defendeu que a Lei de Migração de 2017 é “destaque em todo o mundo”, e elogiou o fato de que a lei equipara direitos de migrantes e nacionais. Uma boa surpresa para um candidato indicado por um presidente ufanista. Kassio se mostrou como um indicado terrivelmente escorregadio, quando alguns setores conservadores preferiam um terrivelmente conservador. Defendeu que há “pacificação social” quanto a direitos LGBTs já reconhecidos judicialmente, e explicou que referências acadêmicas a aborto não expressavam endosso à interrupção da gravidez (ou sua rejeição). Quiçá para aliviar essas platitudes em temas específicos na agenda de costumes, Kassio Nunes abriu sua fala com diversas referências religiosas. Citou a Bíblia: “A liturgia de hoje traz: ‘Eis o Deus meu salvador. Eu confio e nada temo.’” Mencionou que, no colégio, passou por “aulas de educação moral e cívica e de organização política e social do Brasil” nas quais começou a “moldar minha fé em Deus e no Brasil.” Na sabatina, Kassio acendeu uma vela para Deus e outra para o diabo diante de um Senado morno. A quem o futuro ministro do STF servirá quando assumir o posto, eis a questão.” [Folha]

Logo depois da sabatina seu nome foi aprovado no plenário do Senado:

“O Senado aprovou nesta quarta-feira (21), com ampla folga, o nome do juiz federal do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) Kassio Nunes Marques, 48, para ocupar uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal). Kassio Nunes é o primeiro ministro indicado à corte pelo presidente Jair Bolsonaro. Com a aprovação dos senadores, o magistrado está apto a ser nomeado pelo presidente e tomar posse no STF. O nome do magistrado foi aprovado com 57 votos favoráveis e 10 contrários (houve uma abstenção), depois de ter sido sabatinado por mais de nove horas pelos integrantes da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), em sessão marcada por elogios de petistas e críticas de lavajatistas.” [Folha]

pPara 57 senadores mentiras no currículo e plágios ornam com REPUTAÇÃO ILIBADA”

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“”Esse era o quórum esperado na semana de esforço concentrado”, disse o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). “Foi uma votação expressiva pela biografia e pela história do desembargador Kassio e pela honrosa missão que terá. As visitas que o desembargador Kassio fez a todos os gabinetes, as conversas apresentando seu currículo o credenciaram para essa votação expressiva”, afirmou.”

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E era uma verz a Lava-jato:

“O ministro Gilmar Mendes protocolou duas propostas de alteração do regimento interno do Supremo que vão ao encontro dos apelos de Luiz Fux para reforçar a coletividade na Corte e evitar a “monocratização” de decisões. Uma das delas busca evitar que processos da Lava Jato, por exemplo, sejam submetidos automaticamente para Curitiba, “sede” da operação, por decisão monocrática. Pela proposta, o processo só pode ser baixado para instância inferior após a apreciação em colegiado e respeitado o amplo direito de manifestação das defesas. Na prática, a medida acaba com o envio automático de casos para outras instâncias, como fez o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato. A outra proposta inclui regra de transição de 180 dias para a apreciação das medidas cautelares (liminares) já proferidas. Atualmente, 69 delas ainda permanecem pendentes no colegiado maior (apenas o plenário): 16, veja só, são do próprio Fux, o ministro com o maior número de cautelares que ainda aguardam análise pela Corte. Em seu requerimento, Gilmar observa que já existe um proposta de alteração de regimento interno do STF para evitar a “monocratização” das decisões, de autoria de Dias Toffoli e Luis Roberto Barroso. Ela está parada com pedido de vista de Luiz Fux.” [Estadão]

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3. Em que século estamos?!

Do Contardo Caligaris:

“Leio a excelente reportagem de Camila Brandalise no Universa, no dia 15 de outubro deste ano. O casal estava separado havia uma semana, mas “na noite de 25 de maio de 2016, [ele] foi atrás dela dentro da Igreja Evangélica Missão e Avivamento, na cidade de Nova Era (MG). [Acrescentou: aparentemente, ninguém, nessa história, está em nova era alguma]. Puxou-a pelo braço e, no meio da conversa, viu uma mensagem no celular da ex com a frase ‘te aguardo no mesmo lugar’. Segundo ele, nesse momento, ‘bateu um trem doido’ e, com uma faca de serra, ele deu três golpes na mulher, na cabeça e nas costas”. Ele comentou: “Sou trabalhador e não posso aceitar de forma alguma uma situação humilhante dessas”. Em 2017, ele foi absolvido pelos jurados, seus pares, por unanimidade. A “legítima defesa da honra” foi e continua sendo o argumento que embasa esse tipo de decisão.” [Folha]

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Caralho, que porra é essa?! Nem se não tivesse havido separação isso se justificaria, porra, que bad trip escrota do caralho!

“No STF, o ministro Alexandre de Moraes lembrou que esse argumento fazia do país campeão do feminicídio. “O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países que mais matam mulheres no mundo.” Mas tanto Alexandre de Moraes quanto Luis Roberto Barroso foram votos vencidos. O agressor continua solto, esperando uma eventual votação no plenário do Supremo.”

wt

Isso passou pelo Supremo, porra!! Século 21, Suprema Corte do Brasil, alô, Xi Jinoping, joga um,a bomba aqui, porra, a gente merece!

De qualquer forma, parece que não estamos muito longe daquele ano de 1976, quando Doca Street também foi solto após assassinar Ângela Diniz. Quem duvidasse deveria meditar sobre os jurados de 2017, que libertaram nosso “trabalhador” que não tolera “humilhação” (qual?). O casal dessa história estava separado havia apenas uma semana. Mas parece que os homens, muitos homens, têm uma certa dificuldade em entender a palavra “separado”. Depois das separações, as mulheres podem ser vingativas, mas raramente o são fisicamente. Em geral, preferem não agredir ou mesmo assassinar os homens com os quais estão vivendo ou de quem elas não conseguem se separar. Os homens, ao contrário, são estranhamente vingativos após as separações. A cada semana, mundo afora (não é uma especialidade nacional), há homens que agridem e matam suas ex-companheiras. E isso pode acontecer dias, mas também (fato surpreendente) anos depois da separação. Talvez a vingança seja um prato gostoso de se comer frio. Mas o ciúmes? Será que ele permanece vivo mesmo em homens que, depois da separação, criaram outro casal e outra família? Que desculpa fajuta é essa, da “honra”, na qual os jurados de 2017 pareceram todos acreditar? Aparentemente, algo incomoda muito os homens na própria ideia da liberdade amorosa de uma mulher —a ponto de um júri autorizar alguém a esfaquear sua ex.

O feminicídio (assassinato de mulheres por elas serem mulheres) não vai sumir tão cedo de nossa crônica, porque ele é uma espécie de vingança da estupidez masculina, inevitável desde que a mulher reapareceu no palco da história. Reaparecer no palco, aliás, não é metáfora; afinal Maria Louca proibiu os papéis femininos nos teatros dos colégios… Enfim, o ódio pelas mulheres e pela própria existência de seu desejo sexual é enraizado em cada monoteísmo inspirado na Bíblia. Mas esse ódio aumenta significativamente a cada vez que a mulher, justamente, volta ao palco. Os anos piores sempre foram os da reação contra qualquer movimento de emancipação feminina. Na segunda metade do século 14, por exemplo, num mundo que começava a se tornar urbano e em que as mulheres começavam a se cultivar, quem sabe a aprender a ler e escrever, ou, “pior ainda”, a exercer alguma influência social e política nas cortes, a “razão” europeia inventou de chamar as mulheres autônomas e minimamente livres de bruxas e de exterminá-las. Faz um século, nos melhores dos casos, que a mulher conquistou o direito de votar. E faz 50 anos, também nos melhores dos casos, que ela conquistou o reconhecimento de uma sexualidade feminina. É uma visão que ainda, para muitos homens, é intolerável e ameaçadora. A ponto de transformá-los, por exemplo, em assassinos. E de tornar júris inteiros seus cúmplices. Acabou a caça às bruxas. Muito bem, mas parece que, em compensação, abriu a caça às mulheres, que nem sequer precisam ser bruxas. Nota. Minha conta de Twitter foi hackeada e, ao que consta, apagada. Espero que o Twitter resolva o “mistério”. Sem isso, logo anunciarei eventual nova conta.”

Enquanto isso, o Brasil segue firme como pária internacional:

“Na tarde desta quinta-feira (22), Washington será palco de um encontro que celebrará o que há de mais retrógrado no que se refere aos direitos das mulheres e de meninas. A Declaração do Consenso de Genebra, anunciada em agosto por Todd Chapman, embaixador dos EUA no Brasil, pretende formar uma aliança mundial contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. A declaração propõe, supostamente, a defesa da família —considerando apenas o modelo homem-mulher; a proteção da vida em todas as suas fases; o direito à saúde das mulheres—, descartando o acesso ao aborto legal e seguro; a soberania nacional; e a garantia de que esses valores sejam compartilhados dentro do sistema das Nações Unidas.” [Folha]

Famílias com filhos criados pela avó? Pore uma tia? Não é família, tá ok?

“O acordo não é vinculante e não possui força de tratado internacional, ou seja, legalmente não obriga os países a seguirem o texto. No entanto, é um indicativo da condução da política externa brasileira em matéria de gênero e pode intensificar a atuação do país na quebra de consensos internacionais já existentes sobre o tema. O aborto seguro, que no Brasil é previsto em casos de estupro, risco de vida ou anencefalia, tem sido atacado pelo governo de Jair Bolsonaro também por meio de sua política externa. O texto, que reafirma a visão conservadora do papel das mulheres na família e advoga pela proteção do direito à vida desde sua concepção, teve baixa adesão. A lista conta com coautoria do Brasil e de países conhecidos pelo desrespeito aos direitos humanos de maneira mais ampla e aos direitos das mulheres em especial, como é o caso de Hungria, Indonésia, Egito e Uganda. Essa aliança passa, sobretudo, ao largo da realidade desses mesmos países. Vejamos o caso do Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019, o país registrou um estupro a cada oito minutos no último ano —57,9% das vítimas tinham no máximo 13 anos.

Em agosto, instituições públicas e movimentos antiaborto tentaram impedir a interrupção da gravidez de uma menina de dez anos vítima de um estupro. Após o episódio, uma portaria editada pelo Ministério da Saúde passou a exigir que profissionais de saúde notifiquem os casos à polícia, como condicionante de acesso ao aborto legal —numa primeira versão, o documento tentou, ainda, impor a essas vitímas a visualização dos embriões antes do procedimento. A medida foi questionada por três decretos legislativos, a serem votados, e é objeto de uma arguição de constitucionalidade, que aguarda ser pautada. O caso também foi denunciado ao sistema internacional de direitos humanos. Nos EUA, uma tentativa de revogar a permissão para o aborto legal virou alvo central do presidente Trump. A indicação de uma juíza ultraconservadora para a Suprema Corte americana poderá reverter a decisão no caso Roe vs. Wade, que em 1973 garantiu esse direito em todo o país. Em Uganda, há mais de uma década registra-se a mais alta taxa de gravidez na adolescência da África subsaariana: 24% das mulheres são mães antes dos 19 anos de idade. A adesão do Brasil a essa iniciativa apenas reafirma que a cruzada antigênero e de repúdio aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres é prioritária na atual política externa brasileira. Também informa que essa política não tem pudor de se alinhar com países conhecidos por suas posições retrógradas em relação a essa matérias. O Itamaraty empurra o Brasil, cada dia mais, em direção a empreitadas que têm sido objeto de chacota internacional, como por exemplo, qualificar como “consenso” uma aliança que não espelha a anuência multilateral. A Declaração de Genebra é mais uma tentativa de erodir a estrutura global de direitos humanos. O minoritário “consenso” que a impulsiona não é uma plataforma legítima de negociação de acordos no Sistema ONU —que conta com 193 Estados membros—, em especial no que diz respeito aos direitos das meninas e mulheres.”

E o que dizer disso aqui, Brasil?! Rolou uma cerimônia de formatura de novos diplomatas, no Palácio do Itamaraty e olha a fala do 4chanceler:

“Bolsonaro fez um apelo em seu discurso para que o corpo diplomático defenda junto a governos estrangeiros ações tomadas pela atual administração, num esforço que o mandatário disse ser contrário à “falsa narrativa”. Ele citou ainda o tema ambiental, em que o Brasil enfrenta forte desgaste no exterior em razão do avanço de queimadas e do desmatamento na Amazônia. Os dados negativos referentes ao desmatamento são considerados um fato que pode levar à perda de investimentos estrangeiros no país. Ele disse que o governo está organizando uma viagem à região amazônica com embaixadores estrangeiros que servem em Brasília. Segundo ele, a comitiva fará um trajeto entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR), “para mostrar naquela curta viagem [eles] não verão em nossa floresta nada queimando ou sequer um hectare de selva devastada”.” [Folha]

calaboca

Então que sejamos um pária?!?!

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4. Atenção, Paulo Guedes

Bolsonaro continua em completo estado de negação, vai ver dinheiro nasce do chão:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (22) que o governo federal não vai aumentar impostos depois da pandemia da Covid-19. “Estamos simplificando impostos. O nosso país, Paulo Guedes [ministro da Economia], o governo federal não aumentou impostos durante a pandemia e não aumentará quando ela também nos deixar”, declarou o presidente, durante cerimônia de formatura de novos diplomatas, no Palácio do Itamaraty. “Precisamos que os senhores [novos diplomatas] mostrem ao mundo que o Brasil está fazendo o que é certo. Que estamos reformando nossa economia, cortando gastos, fazendo reformas e combatendo a corrupção pelo exemplo”, acrescentou.” [Folha]

Enquanto Boslonaro diz que não vai criar mais impsotos dá-lhe mais dinheiro pra polícia:

“Depois de diversos questionamentos e vetos, o Ministério da Economia autorizou nesta quarta (21) a realização do concurso da Polícia Federal para o total de 2.000 cargos. A abertura da seleção contou com forte pressão de Bolsonaro, que anunciou o processo antes mesmo de ser aprovado. A expectativa no órgão é de que o edital seja publicado ainda neste ano. A permissão à PF deve abrir caminho para outros órgãos e pastas preencherem vagas.[Folha]

Guedes se fodeu. E é tudo por demais absurdo:

“A mais recente rodada de negociações entre o Ministério da Economia e a Polícia Federal, na semana passada, não eliminou problemas legais que técnicos estão vendo na abertura do concurso para 2.000 policiais, propagandeado pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais. A equipe econômica alega que o pedido inicial da PF foi por 1.000 vagas, e que a segunda leva, motivada pelas declarações do presidente, chegou fora do prazo legal, que era até 31 de maio, e acima do que é considerado contratação apenas para reposição. Lei aprovada por iniciativa de Paulo Guedes (Economia) proíbe a abertura de novas vagas até o fim de 2021. Pelas contas da Economia, a PF teria 760 vagas a preencher de agentes. Requisitou inicialmente 550 e agora quer chamar 1.016. Há também pedidos para delegados, escrivães e peritos.” [Folha]

Fora do prazo legal, mas e daí?! Aquele ilegalidade virtuosa.

E o orçamento do ano que vem vai ficar para o ano que vem:

“Além de travar votações de medidas provisórias e projetos no Congresso, a disputa pela sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência na Câmara ameaça adiar pelo menos para fevereiro a aprovação do Orçamento de 2021. Seria a quarta vez, desde 2006, em que a votação da LOA (Lei Orçamentária Anual) ocorreria no mesmo ano de vigência do Orçamento. O embate atual gira em torno da CMO (Comissão Mista de Orçamento). O colegiado de deputados e senadores é o responsável por analisar o projeto de Orçamento do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Um grupo ligado ao deputado Arthur Lira (AL), líder do PP na Câmara e candidato informal ao posto de Maia, tenta emplacar a deputada Flávia Arruda (PL-DF) no comando do colegiado. A decisão desafia acordo informal segundo o qual o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) seria eleito pelos colegas presidente da CMO. Aliados de Lira argumentam que o pacto deixou de valer quando DEM e MDB deixaram o bloco partidário comandado pelo PP. Sem consenso, a disputa tem bloqueado a instalação da CMO —algo que, na avaliação de líderes do governo no Congresso, pode não ocorrer antes das eleições municipais de novembro.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tenta alcançar um acordo entre os grupos antes de marcar uma data para instalação do colegiado. Esse acordo passa diretamente por um trato envolvendo a presidência da Câmara para evitar uma disputa entre esses grupos no comando da Casa. Alcolumbre quer evitar que haja uma votação no colegiado. Hoje, o grupo ligado a Elmar afirma ter votos para que o nome do congressista seja aprovado pelos membros da CMO. Segundo aliados do deputado do DEM, Lira só conseguiria aprovar Flávia Arruda com o apoio dos senadores, em um trato que contaria com a costura do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. No ano passado, apenas senadores votaram para escolher o presidente, já que a vaga pertenceria a um integrante do Senado. Para aliados de Elmar e de Maia, a regra deveria ser cumprida neste ano e apenas deputados deveriam votar para eleger quem vai comandar a comissão. A incerteza envolvendo a instalação da CMO deixa a discussão sobre o Orçamento de 2021 cada vez mais distante —alguns levantam a possibilidade de o texto ser votado diretamente no plenário do Congresso, o que desagrada a oposição e dificulta conciliar posições divergentes. A disputa pelo colegiado respinga em outras matérias, segundo integrantes do Executivo, que afirmam que o embate atrapalha, por exemplo, a realização de sessões do Congresso que reúnem todos os parlamentares.” [Folha]

E quem tá embarreirando é o Ciro Nogueiro, o queiridinho do palácio:

“Na Câmara, o resultado prático são votações travadas, com a obstrução de aliados de Lira se somando à tentativa da oposição de pressionar uma votação que poderia alterar o valor das últimas parcelas do auxílio emergencial (R$ 300). Nesse contexto, o debate sobre o Orçamento ainda é prejudicado pelas prioridades declaradas do Congresso. Para Maia, por exemplo, “é impossível” aprovar o projeto orçamentário sem antes votar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que traz medidas de ajuste fiscal e está em tramitação no Senado. Nas contas de Maia, o texto poderia ser aprovado em janeiro, o que significaria que os congressistas abririam mão do recesso previsto para esse mês. Líderes partidários rechaçam a ideia de suspender o recesso. Sem isso, a votação da PEC e do Orçamento só ocorreriam passada a eleição para a Presidência da Câmara. O mandato de Maia termina em 31 de janeiro. O presidente da Câmara insiste em não apoiar explicitamente um nome até o fim das eleições municipais. Nos bastidores, no entanto, interlocutores indicam que os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da Maioria na Câmara, e Baleia Rossi (MDB-SP), presidente da legenda, seriam seus favoritos para sucedê-lo. Diante das incertezas, o próprio governo já traça um cenário com a possibilidade de entrar 2021 sem o Orçamento aprovado. O secretário do Tesouro, Bruno Funchal, afirmou que pelo menos a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) precisa ser votada até dezembro. “[Se não aprovar], não gasta, o incentivo é esse. Tem de votar, não tem jeito”, disse em evento virtual promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo. É a LDO que dá os rumos do Orçamento e, inclusive, prevê um mecanismo caso a LOA não seja aprovada até dezembro do ano anterior. Assim, se o ano começar sem Orçamento, a LDO autoriza que o governo execute gastos obrigatórios, como despesas de pessoal, e 1/12 do que está previsto em despesas discricionárias —de custeio da máquina pública. A não aprovação das peças orçamentárias aumenta a incerteza sobre a execução de despesas e dos rumos fiscais do país após a pandemia.”

O programa social prometido pelo governo depende disso, imagine ai quando ele ficará pronto se o orçamento só sair em Fevereiro de 2021:

“O programa social Renda Cidadã, por exemplo, depende de eliminação de despesas para caber dentro do teto de gastos, que limita as despesas à inflação do ano anterior. Porém, até agora nem governo nem Congresso anunciaram uma solução definitiva sobre onde cortar recursos. O atraso na aprovação do Orçamento já ocorreu, na história recente, em 2006, 2008 e duas vezes no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT (2013 e 2015). Como a LDO desses anos já havia sido aprovada, a máquina pública não parou, apesar de o governo ter ficado com as contas apertadas no começo de cada um desses anos.”

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5. Atenção, Paulo Guedes, parte 2

Lembra do Salles anunciando que o dinheiro acabou e voltando atrás horas depois?

“O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou, em nota divulgada nesta quinta-feira, que a suspensão das atividades de combate a incêndios florestais em todo o Brasil, determinada ontem, é resultado da “exaustão de recursos” e que o órgão vem enfrentando dificuldades desde setembro por conta da falta de liberação de verbas pela Secretaria do Tesouro Nacional, vinculada ao Ministério da Economia. “O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) informa que a determinação para o retorno dos brigadistas que atuam no Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) acontece em virtude da exaustão de recursos. Desde setembro, a autarquia passa por dificuldades quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional”, diz um trecho da nota. Em outro trecho, o Ibama alega que, em razão dos atrasos na liberação de recursos pela Secretaria do Tesouro Nacional, o órgão já tem R$ 19 milhões em pagamentos atrasados. “Para a manutenção de suas atividades, o Ibama tem recorrido a créditos especiais, fundos e emendas. Mesmo assim, já contabiliza 19 milhões de pagamentos atrasados, o que afeta todas as diretorias e ações do instituto, inclusive, as do Prevfogo”, disse. Questionado, o Ministério do Meio Ambiente não respondeu se outras atividades como as ações de combate a desmatamento também serão suspensas. A ordem para a suspensão dos trabalhos e retorno dos brigadistas às suas bases foi dada nesta quarta-feira em ofício distribuído a todas as divisões do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). Em documento ao qual O GLOBO teve acesso, o Ibama alega que determinação foi motivada pela falta de recursos financeiros para o pagamento de despesas do órgão. A falta de verbas foi detalhada em outro documento interno assinado pelo Diretor de Planejamento, Administração e Logística do órgão, Luis Carlos Hiromi Nagao. “Considerando que as tratativas com os órgãos superiores para solução do problema ainda não surtiram efeito, comunico a indisponibilidade de recursos financeiros para fechamento do mês corrente, não sendo possível prosseguir com os pagamentos das despesas desta Autarquia”, diz o ofício.

Esta não foi a primeira vez que as ações de combate a incêndio do Ibama são ameaçadas por suposta falta de verbas. Na tarde do dia 28 de agosto, o ministro do Meio Ambiente foi ao Twitter anunciar a suspensão de todas as atividades de combate a incêndios e desmatamento. O motivo, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), seria um bloqueio de R$ 60 milhões feito pelo Ministério da Economia no orçamento do Ibame e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No mesmo dia, porém, o ministério anunciou que o governo teria liberado os recursos e que as atividades seriam retomadas. A ordem para o retorno dos brigadistas às bases do Ibama desta quarta-feira acontece em meio a uma das maiores crises ambientais da história do país. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram um aumento no número de queimadas na Amazônia de 25% entre 1º de janeiro e 20 de setembro deste ano em relação ao mesmo período no ano passado. E o ritmo dos focos de incêndio segue acelerado. Apenas nos primeiros 20 dias de outubro foram mais de 12 mil, um aumento de 211% em relação ao mesmo período em 2019. Outro bioma ameaçado é o Pantanal, que registrou, neste ano, o maior número de focos de incêndio desde 1998, quando os dados começaram a ser contabilizados. Ainda de acordo com o Inpe, sua área queimou 408% a mais nos primeiros 20 dias de outubro do que no mesmo intervalo no último ano. Ao todo, o órgão tem aproximadamente 1400 brigadistas contratados para atuar neste ano.” [O Globo]

É Salles batendo de frente com Guedes de novo. E olha como tava a situação:

“A decisão tomada na noite desta quarta-feira, 21, pelo ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, e pelo presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, de suspender todas as operações de combate a incêndios no País, passa pelo completo estrangulamento de recursos dos órgãos ligados à pasta, devido a restrições de orçamento impostas pelo Ministério da Economia. O Estadão apurou que o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) estão com contas de serviços básicos com atrasos que chegam a mais de 90 dias. Há faturas em aberto de contratos de manutenção predial, contas de luz, abastecimento de veículos e alugueis de aeronaves. Na superintendência do Ibama no Rio Grande do Sul, a energia chegou a ser cortada nesta semana. No Ibama, o rombo acumulado já chega a mais de R$ 16 milhões. No ICMBio, as contas em aberto somam mais de R$ 8 milhões. São aproximadamente R$ 25 milhões em dívidas.” [Estadão]

Nos quartéis chove dinheiro enquanto isso, teve dinheiro pra combater incêndio reformando quartel!

“O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) ofereceu um repasse de R$ 30 milhões de recursos de emergência da Defesa Civil, para que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) cubra as dívidas de mais de R$ 25 milhões acumuladas pelo Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). O Estadão apurou que a oferta foi feita diretamente pelo ministro do MDR, Rogério Marinho, ao ministro do MMA, Ricardo Salles. Com os recursos travados por causa do limite de gastos imposto pelo Ministério da Economia, Salles aceitou a oferta de Rogério Marinho. O repasse de emergência sairá da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que é vinculada ao MDR. A previsão é de que o recurso possa estar disponível em 48 horas.” [Estadão]

Guedes deve tá muito, muito puto. Saiu como vilão e Marinho como herói.

“A dificuldade de pagamento se deve, basicamente, a uma restrição de teto orçamentário que o MMA, Ibama e ICMBio sofreram, por imposição do Ministério da Economia. Neste ano, o orçamento total previsto para a pasta foi de R$ 563 milhões. O Ministério da Economia, porém, cortou uma cifra de R$ 230 milhões desses recursos, para fazer caixa para o governo. Em agosto, após Salles ameaçar de paralisar as operações de combate a incêndios e desmatamentos por causa da falta de verba, o governo liberou uma parte desses recursos, colocando R$ 96 milhões na conta do MMA. Os demais R$ 134 milhões faltantes não foram autorizados. Em ofício do dia 28 de setembro, ao qual o Estadão teve acesso, o Secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, responde a um pedido de recomposição financeira do Ibama, informando que o “pleito foi apreciado no âmbito da Reunião Ordinária da Junta de Execução Orçamentária de setembro, realizada em 21/09/2020, não tendo sido aprovado na ocasião”. Na prática, isso significa que os recursos existem, mas estão bloqueados pelo próprio governo, sob o argumento de que é preciso poupar o caixa.”

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6. America First

Texto da Elisa Ferreira e da Laís Thomaz sobre o acordo assinado por Brasil e EUA recentemente, bem didático:

“No dia 19 de outubro, Brasil e Estados Unidos assinaram um chamado Protocolo que atualiza Acordo de Comércio e Cooperação Econômica bilateral de 2011 conhecido como ATEC. A iniciativa versa sobre três assuntos: regras comerciais de facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e medidas anticorrupção. Em outras palavras, o protocolo não trata de tarifas, então qual a vantagem? O gesto aparententemente pode representar um aprimoramento da relação entre os dois países. Entretanto, é preciso compreender que desde 2017 está em vigor um acordo de Facilitação de Comércio (TFA em inglês), dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC) que trata justamente desses temas. O TFA foi assinado na Conferência de Bali em 2013. Ou seja, esses temas há pelo menos sete anos já são objeto deste acordo multilateral. O Brasil ratificou o TFA em março de 2016, ainda no governo Rousseff e desde então medidas como single window, conhecida na versão brasileira como Portal Único, têm sido implementadas para justamente por em efetividade os compromissos assumidos. Inclusive, a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 1.598, de 2015, portanto no governo Rousseff, estabelece as medidas para a implantação do Programa Operador Econômico Autorizado (OEA) no Brasil, que atende ao TFA. Em estudo de 2018, a CNI prevê que esse Programa multilateral pode adicionar “US$ 50,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2030”. Desde 2015, representantes do Programa Brasileiro de OEA e do U.S. Customs and Border Protection’s (CBP) and Customs Trade Partnership Against Terrorism (CTPAT) dos Estados Unidos têm buscado avançar nos trabalhos para o reconhecimento mútuo de seus programas, tendo realizado a primeira reunião presencial em 2016. Percebe-se, desta forma, na intervenção do lado norte-americano a capacidade de somar interesse econômico com os outros de sua agenda estratégica.

Do ponto de vista dos governos brasileiros, como os de qualquer Estado no mundo, vale indicar que o interesse pela expansão do comércio e dos investimentos existiu inclusive nos governos Rousseff, Temer e outros. O Anexo I do Protocolo recém-assinado inclui justamente previsões sobre a single window e Operadores Econômicos Autorizados. Afirmam eles próprios que expandem as regras do acordo assinado na OMC. Já o Anexo II do protocolo versa sobre boas práticas, buscando fazer referência ao que foi imposto no USMCA, acordo entre Estados Unidos, México e Canadá que substituiu o NAFTA. Existem alguns pontos que chamam atenção da análise de risco regulatório que prevê cálculo dos custos e benefícios, de questões ambientais e sociais (trabalhistas) – temas que são sensíveis ao partido Democrata nos Estados Unidos e alvo de críticas em vários acordos de livre comércio que foram negociados previamente naquele país. Nesse quesito também abre uma brecha ao mencionar que dados qualitativos podem ser utilizados quando há dificuldade de quantificar os dados pelo seu custo ou de informações inadequadas. No que tange ao Anexo III, há uma sobreposição da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção (2003), da Convenção Interamericana contra a Corrupção (1996) e da Convenção da OCDE sobre Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais (1997), ou seja, acordos que já deveriam também ser cumpridos por ambos os países em âmbito multilateral. O que ajudava mesmo os exportadores brasileiros eram os benefícios do Sistema Geral de Preferências, mas em fevereiro de 2020, os Estados Unidos retiraram o Brasil dos benefícios do seu programa. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou também que fará uso de medida antidumping sobre Folhas de Alumínio de liga comum para 18 países, incluindo o Brasil que terá seus produtos taxados de 49.48% para uma taxa de 136.78%. Isso depois que o governo Bolsonaro atendeu, contrariamente aos interesses nacionais da bancada ruralista, à renovação da cota de importação do etanol americano, para favorecer os interesses eleitoreiros de Trump.

Ainda essa semana, o Export-Import Bank (EXIM) dos EUA, por meio de um Memorando de Entendimento anunciou um financiamento de até US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões). Esta agência de crédito à exportação atua para atender aos interesses dos exportadores dos Estados Unidos. Nesse último anúncio, foram identificados que a utilização do recurso será a empresas das áreas de telecomunicações (incluindo 5G), energia (nuclear, petróleo e gás e renováveis), infraestrutura, logística, mineração e manufatura (incluindo aeronaves). Setores extremamente estratégicos. Em 1994, vale lembrar, o mesmo EXIM concedeu um financiamento de US$ 1,3 bilhões para a empresa americana Raytheon Corp fornecer um Sistema de Vigilância da Amazônia. Em 2010, US$ 2 bilhões foram financiados destinados a atender exportadores de equipamentos americanos para a Petrobrás. Apesar dos discursos de afinidade entre o Planalto e a Casa Branca, as relações bilaterais fecharam o acumulado de janeiro a setembro em US$ 33.4 bilhões – o menor volume de comércio bilateral nos últimos 11 anos. Isso representa uma queda de 25% em relação ao mesmo período 2019. Se por um lado podem ser considerados os problemas da pandemia, do outro lado, no comércio com a China não é observado essa tendência, tendo um aumento de 14,1% quando comparado com janeiro a setembro de 2019, segundo dados do ComexVis (Ministério da Economia). Dessa forma, pelos dados é factível que a vantagem desse protocolo pesa para o lado dos Estados Unidos. O candidato democrata Joe Biden tem sinalizado o quanto se importa com a questão da preservação da Amazônia em sua campanha, o que coloca esse tipo de protocolo suscetível a risco de não ter nenhum efeito se ele conquistar o pleito.” [Folha]

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7. “Buttocks”

Do Veríssimo:

“O jornal “Guardian”, da Inglaterra, deu a notícia com precisão anatômica: o senador Chico Rodrigues estava com dinheiro entre seus “buttocks”, nádegas. A imprensa brasileira preferiu localizar o inusitado cofre do senador numa vaga “cueca”, que abrange as nádegas mas, desculpe, não vai tão fundo. Ou o “Guardian” tem informantes que ninguém mais tem sobre os hábitos do senador, ou está querendo nos anarquizar — ou precisa explicar seu noticiário exclusivo. Ou então o que deve ser estudado é a opção da imprensa nacional pela cueca em vez dos mais desmoralizantes “buttocks”. Por que escolheram a menos desmoralizante? Minha interpretação é que com o dinheiro escondido nos fundilhos do senador chegamos a uma espécie de limite de tolerância com nós mesmos. Não nos aguentamos mais. De vexame em vexame, culminando, desculpe, com a história do dinheiro entre os “buttocks” ou na cueca, nos convencemos de que o Brasil não tem mais graça.

Não somos mais nem folclóricos, o folclore que nos redimia amargou. Ficamos grotescos, reduzidos às peculiaridades que nos caracterizavam quando éramos simpáticos e hoje só divertem o mundo. Chargistas e humoristas não receberam ordens para maneirar quando afundam, desculpe, no assunto, claro. Estão apenas fazendo o que fazem muito bem, e dinheiro entre “buttocks” ou na cueca do vice-líder no Senado de um governo que iria acabar com a corrupção é um assunto irresistível demais, e as piadas não acabam. Mas imagino que o sentimento que predomina até entre os mais acerbos críticos desse governo é o de tristeza. Uma tristeza imensa, continental, amazônica. O que fizeram do Brasil! Aquele país tão promissor, que fim levou? Para onde o levaram? Eu acho que os vexames começaram junto com o governo Bolsonaro, quando o presidente recém-eleito comentou que um dos seus filhos poderia ser o embaixador brasileiro em Washington — e ninguém reagiu. Tínhamos ali uma medida do homem e uma oportunidade de chamá-lo para a realidade, mas ninguém reagiu. Depois ficou tarde e multiplicaram-se os vexames.” [O Globo]

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8. Cristofobia é o caralho!

Baita texto do Bernardo Mello Franco:

“Jair Bolsonaro diz condenar a cristofobia. Dias atrás, acusou grupos de esquerda de queimarem igrejas no Chile. Ao mesmo tempo, de forma hipócrita, o presidente brasileiro trata como aliada a Arábia Saudita, regime mais cristofóbico do mundo. Inclusive, já publicou fotos nas redes ao lado do ditador Mohammad bin Salman, apesar de os sauditas proibirem igrejas e a prática do cristianismo em seu território, além de apoiarem jihadistas pelo mundo. Se quisesse mesmo condenar a cristofobia, Bolsonaro teria em algum momento advertido a Arábia Saudita sobre a situação dos cristãos quando visitou Riad. Perguntou a Bin Salman sobre a ausência de igrejas no território saudita? Perguntou a Bin Salman se poderia se encontrar com cristãos no país? Nada. O presidente do Brasil permaneceu calado. Não é apenas a proibição ao cristianismo pelo regime supremacista wahabbita da Arábia Saudita que deveria ter alertado Bolsonaro, um fictício defensor da “civilização cristã ocidental”. Há décadas, a ditadura saudita tem sido responsável pela disseminação da ideologia salafista, adotada por organizações terroristas como a al-Qaeda e o Estado Islâmico. Sempre é bom lembrar que 15 dos 19 terroristas do 11 de Setembro, assim como Osama bin Laden, eram sauditas. O dinheiro do regime saudita serviu para financiar grupos armados jihadistas na Síria que realizaram ações especificamente contra cristãos, como os ataques em Maaloula, uma milenar vila cristã onde ainda se fala o aramaico — a língua de Jesus. A ditadura da Arábia Saudita também se posicionou a favor de jihadistas ligados à al-Qaedaque lutavam contra milícias cristãs ortodoxas e armênias pró-Assad na batalha por Aleppo.

Quando esteve na Terra Santa, Bolsonaro se recusou a visitar a Igreja da Natividade em Belém (nos territórios palestinos), onde, segundo a tradição, nasceu Jesus. Viajou para a cristofóbica Arábia Saudita, mas não esteve no Líbano, nação presidida por um cristão, com milhares de igrejas, além de ser o país de origem de milhões de brasileiros, incluindo muitos de seus eleitores. Mas é só a Arábia Saudita que persegue cristãos? Não. Muitos países perseguem, como a Coreia do Norte e a China. Perseguem seguidores de diferentes religiões e não apenas os cristãos. Basta ver a as atrocidades cometidas contra os uigures, que são uma minoria étnica muçulmana colocada pelo regime de Pequim em espécies de campos de concentração na região de Xinjiang. E o Irã, onde também há um regime supremacista de uma corrente radical do islamismo xiita? Há 35 igrejas em Teerã, incluindo lindas catedrais como a de São Sarkis (armênia apostólica), Nossa Senhora (greco-ortodoxa) e São José (caldeia católica), além de 32 sinagogas. Judeus e cristãos têm cadeiras cativas no Majilis, como é conhecido o Parlamento iraniano — dois para os armênios, um para os assírios e um para os judeus. Não que a situação do cristianismo e do judaísmo seja boa em Teerã. É ruim. Inclusive, o regime iraniano adota muitas vezes um discurso antissemita. Nada, porém, comparado à cristofóbica Arábia Saudita. Bolsonaro, se quiser mesmo combater a cristofobia, deveria ligar para seu amigo e ditador saudita, Mohammad bin Salman.[O Globo]

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9. Eleições

O governo tá jogando pesado na eleição de São Paulo:

“Em esforço para se alinhar ao padrinho Jair Bolsonaro (sem partido), o candidato Celso Russomanno (Republicanos) reforçou nos últimos dias a adesão a bandeiras do bolsonarismo e fez adaptações na campanha à Prefeitura de São Paulo para tentar manter a dianteira nas pesquisas. O deputado federal e apresentador de TV, que recebeu o apoio do titular do Planalto há pouco mais de um mês, passou a defender que a vacinação contra o coronavírus não seja obrigatória, minimizou a pandemia e a ditadura militar e, ao estilo do padrinho, adotou tom mais briguento nas redes sociais. Na parte prática da campanha, Russomanno —que alcança 27% das intenções de voto, segundo o Datafolha— abriu as portas para emissários do governo como o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fabio Wajngarten, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Os dois se reuniram com o candidato na segunda-feira (19). Oficialmente, discutiram propostas como a despoluição do rio Pinheiros. Nos bastidores, contudo, a informação é a de que Wajngarten e Salles têm ajudado o aliado nas estratégias contra o candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB). O pano de fundo é a guerra travada entre Bolsonaro e o governador João Doria (PSDB), que apoia Covas e foi declarado inimigo do presidente por causa de suas pretensões de disputar o governo federal em 2022. A busca de aproximação com o bolsonarismo na capital coincide com o momento em que se tornou pública a insatisfação do Planalto com aspectos da candidatura, como mostrou a Folha. Auxiliares do governo se queixaram da desorganização da campanha e da relação do Republicanos com Doria —o partido possui cargos na máquina tucana, compõe a base do governador na Assembleia Legislativa e deu 5 dos seus 6 votos a favor do polêmico projeto de reforma do governo. Russomanno, por sua vez, tem frisado o máximo possível que é “amigo particular do presidente desde 1995” e que isso favorecerá a capital, caso ele seja eleito. Vem daí, por exemplo, a promessa de que a União renegociará a dívida da cidade para dar fôlego ao caixa e permitir o pagamento do “auxílio paulistano”, um complemento do futuro programa Renda Cidadã. Para alguns dos aliados do deputado, a coincidência retórica com Bolsonaro não é oportunista, apenas reflete a afinidade de pensamento entre dois amigos de longa data.” [Folha]

Dois escrotos, nunca tive dúvida.

“Nesta quarta-feira (21), Russomanno voltou a mostrar afinação com o padrinho e criticou a obrigatoriedade da vacina para controle da Covid-19, defendida por Doria. “Doria não pode obrigar as pessoas a tomar vacina. Mandaram fechar o comércio, quebraram a cidade, quebraram o estado. Agora querem obrigar a vacinação”, afirmou, acrescentando que cogitar uso de força policial é algo descabido. Ainda a respeito da pandemia, Russomanno colocou em xeque o nível de contágio da doença entre a população de rua e os moradores da periferia, ao dizer que era esperado um número maior de mortes. O deputado afirma que não é negacionista e que respeita a ciência, mas emulou o presidente ao pedir explicações a cientistas sobre por que, segundo ele, o vírus não matou tanto quanto se alardeava no início. Ele chegou a sugerir que a falta de banho de moradores de rua poderia ser uma explicação para a imunidade, tese contestada por especialistas, que reforçam a importância da higiene. A frase foi comparada a outra dita por Bolsonaro em março: “O brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele sai, mergulha e não acontece nada com ele”. Em outro aceno a eleitores do presidente, Russomanno atendeu ao pedido do youtuber bolsonarista Fernando Lisboa e agendou para esta quarta participação em live no canal do influenciador, o Vlog do Lisboa. O youtuber foi alvo de operação da Polícia Federal em junho deste ano na investigação sobre atos antidemocráticos conduzida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em seus vídeos, Lisboa já defendeu o fechamento da corte e do Congresso Nacional. “Sou legalista. Enquanto não existe condenação, não tem problema nenhum”, disse o candidato horas antes da live. “Se ele está sendo investigado, as investigações devem continuar. Não estou endossando [atos antidemocráticos], estou fazendo live com uma quantidade imensa de pessoas, não é só ele.” Na live, que durou cerca de uma hora, Russomanno seguiu a cartilha do bolsonarismo —fez críticas a Doria, falou contra a indústria de multas, se disse cristão e vítima de fake news, além de minimizar a pandemia, que já matou mais de 155 mil. “A tal da Covid-19 dizimou todo mundo? Não dizimou ninguém.” Sobre o risco de rompimento com Bolsonaro, ele afirmou que “amizade verdadeira não tem traição”, mas falsa tem. “Podem ficar tranquilos, não tem acordo: amigo que é amigo morre junto, mas não trai”, disse. ​Na convenção que o lançou candidato, em 16 de setembro, Russomanno já havia indicado consonância com Bolsonaro, ao defender o mote “Deus, pátria e família” como norte da campanha e ao discursar a favor das escolas militares, caras ao presidente. Ele fala em instalar uma em São Paulo. A postura tem se assemelhado cada vez mais à do presidente também nos embates com jornalistas. Na entrevista concedida à Folha na semana passada, o deputado se recusou a responder a perguntas sobre temas delicados e manteve a decisão mesmo após insistências. Russomanno repete Bolsonaro também ao descartar a presença em debates no primeiro turno —ele diz que irá a todos os confrontos do segundo turno. Com o presidente, na campanha de 2018, a ausência foi justificada pela facada que ele sofreu durante ato em Juiz de Fora (MG).

Grupos conservadores que dão sustentação ao presidente em São Paulo têm se organizado para fazer chegar a Russomanno dicas e reclamações sobre seu comportamento. Uma queixa era sobre a ausência de respostas mais incisivas, como as de Bolsonaro. Militantes também fizeram pressão para que o candidato abraçasse pautas como a defesa da não obrigatoriedade da vacina e subisse o tom nas críticas a Doria. Um próximo passo é tentar marcar reuniões entre o parlamentar e movimentos de direita. A avaliação geral dos apoiadores mais fiéis do presidente é a de que o postulante não tem o passado conservador desejado, mas receberá o voto deles porque foi o nome escolhido por Bolsonaro e porque não simpatizam com nenhum dos outros candidatos a prefeito. “Russomanno não está se bolsonarizando, é o contrário: está havendo a identificação desses bolsonaristas com a linguagem natural do Celso, que é pró-Bolsonaro”, diz o marqueteiro da campanha, Elsinho Mouco. “É natural que ele venha ao encontro do manual bolsonarista. É um processo natural, até pela maior convivência que eles têm agora”, completa o publicitário. Mouco diz ainda que a estratégia em curso tem o objetivo de aumentar a popularidade do candidato em uma fatia do eleitorado considerada mais propensa a apoiá-lo. “Em 2012 e 2016, Celso fez campanha falando para todos. Em 2020, optamos por trabalhar com o eleitor que já é dele no primeiro turno, que coincide com o público de Bolsonaro, das classes C, D e E.” A pouco mais de três semanas do primeiro turno, aliados de Russomanno também sentiram necessidade de reforçar a articulação política. Para tentar engajar deputados estaduais do Republicanos, do PTB e do PSL, houve uma reunião dos parlamentares com o candidato na noite desta quarta. O encontro foi organizado pelo deputado estadual Campos Machado (PTB). O vice de Russomanno, Marcos da Costa, é do PTB, partido de Roberto Jefferson, aliado de Bolsonaro. Segundo membros da campanha, a reclamação do Planalto a respeito de paralisia e falta de engajamento está, agora, equalizada. Na reunião, os deputados estaduais se comprometeram a entrar de cabeça na campanha, mobilizando seus eleitores e fazendo agendas eleitorais em seus redutos.”

Sobre o papel da abstennção nessa eleição:

“Uma baixa no entusiasmo com as eleições, causada pela falta de campanhas de rua mais fervorosas, e o medo de ir votar em razão da pandemia de Covid-19 podem aumentar a abstenção no próximo pleito municipal, de acordo com cientistas políticos ouvidos pela reportagem. Lorena Barberia, professora da USP, afirma que, em outros países onde houve eleições durante a pandemia, pessoas que são consideradas de grupos de risco, como os que têm mais de 60 anos, compareceram menos às urnas. Existe também a preocupação de que eleitores que se sentem mais afetados pela pandemia se sintam ameaçados com uma possível mobilização de grupos que não respeitam protocolos para evitar contágio, como o uso de máscara e distanciamento social. “Imagine um município pequeno, em que parte da população não acredita em usar máscaras, em distanciamento social, faz aglomeração, e eu, que estou no grupo de risco, gostaria de ir votar. Será que eu vou sair, arriscar a minha vida em frente a esse grupo que está mobilizado e me ameaçando?”, questiona a professora Lorena. “Essa é uma questão que nos Estados Unidos está se discutindo muito. Usar máscara é uma questão ideológica, que tem sido correlacionada muito ao governo do presidente Donald Trump [também candidato à reeleição]”, completa.

Um possível aumento da abstenção nesta eleição não se relaciona apenas a um eventual medo do contágio no dia da votação. Segundo o cientista político Antonio Lavareda, a pandemia alterou também a própria gramática das campanhas. Isso porque, para evitar a disseminação do vírus, as grandes passeatas e tradicionais caminhadas pelo comércio da cidade não têm mais a dimensão que costumavam ter. “Isso afeta o entusiasmo dos eleitores, e o baixo entusiasmo pode vir a produzir uma elevação importante de abstenções”, diz Lavareda. Um segundo reflexo da pandemia que caracteriza esta eleição como atípica, segundo o especialista, é elas aconteceram em um período de crise econômica, em que “setores produtivos foram impactados duramente no país durante a pandemia”. Segundo pesquisa Datafolha realizada em 5 e 6 de outubro, 21% dos paulistanos consideram não ir votar por medo de se infectar com o coronavírus, mesmo índice da primeira pesquisa realizada em setembro. Já em relação ao interesse do paulistano na eleição para a prefeitura foi registrado um aumento de 30% para 37% dos que indicam ter grande interesse —o instituto ouviu 1.092 maiores de 16 anos e a margem de erro é de três pontos para mais ou menos. Já o índice dos que não se interessam pela eleição continuou estável, de 33% para 29%. “Se em 2016 a taxa de abstenção foi grande sem pandemia”, diz Érica Anitta Baptista, doutora em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais, “possivelmente este ano terá um número mais expressivo de pessoas que já não se sentem motivadas a comparecer por vários motivos, como descrença no sistema político e nos políticos, e com o agravante da pandemia, que é um segundo motivo para reforçar a abstenção.” “É interessante pensar nas eleições americanas porque, lá, o primeiro passo da campanha é incentivar o voto, que as pessoas compareçam. E estamos, de certa forma, vivendo isso aqui: além das estratégias de campanha, de mostrar as propostas, você tem um incentivo ao comparecimento, ao voto”, afirma Érica Baptista.” [Folha]

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10. Economia

E tinha gente otimista com transformações pós-pandemia:

“A desigualdade de renda aumentou nas metrópoles brasileiras durante a pandemia. Todos os segmentos, dos mais pobres aos mais ricos, viram seus rendimentos caírem. Os pobres, porém, sentiram mais a queda nos ganhos. Os dados integram o primeiro boletim “Desigualdade nas Metrópoles”, que compara dados do segundo trimestre de 2020 com o mesmo período do ano passado, antes da pandemia. O fechamento das atividades econômicas para evitar a proliferação da Covid-19 ocorreu especialmente no período estudado. O boletim considera a renda individual por média domiciliar e não inclui no cálculo as rendas vindas do auxílio emergencial e outras fontes, como Bolsa Família. Por isso, dá a dimensão do impacto da pandemia na renda cuja fonte é exclusivamente o trabalho. “Vemos o efeito da renda do trabalho”, diz Marcelo Gomes Ribeiro, pesquisador do Observatório das Metrópoles e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ. Ribeiro explica que, quando uma única pessoa perde o emprego, é preciso considerar que toda a família é afetada, pois há redução na renda per capita de todo o domicílio. Como o estudo se estende pelo período da pandemia, os pesquisadores também captaram os efeitos do programa que permitiu cortes de jornadas e salários. Nesse contexto, mesmo quem manteve o emprego pode ter perdido renda, afetando os ganhos da família. “Com a perspectiva de manter trabalhadores na ativa sem fechar os postos de trabalho, tivemos políticas de redução de renda. Assim, além daqueles que perderam o emprego, tivemos aqueles que mantiveram suas vagas, mas tiveram a renda diminuída”, afirma Ribeiro.

O boletim tem como base os dados sobre renda da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, referentes aos segundos trimestres de 2020 e 2019. Os números mostram que, na média das 22 regiões metropolitanas, os 40% mais pobres perderam 32,1% da renda, os 50% intermediários perderam 5,6% e os 10% mais ricos perderam 3,2%. Apesar da renda do topo da pirâmide ter caído na média geral, os ricos ficaram mais ricos em nove regiões, como Manaus, Belém, Rio de Janeiro e Florianópolis, segundo o estudo. Já os mais pobres perderam renda em todas as regiões analisadas. “Quem está na base está menos protegido, normalmente tem trabalho informal, sem vínculo, por conta própria. Por isso, quando bate a crise, essa camada sente imediatamente o efeito. Quem está mais lá em cima tem mais condição de se defender neste contexto”, afirma André Salata, professor do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da PUCRS. Na região metropolitana de Florianópolis, por exemplo, os 10% mais ricos ficaram ainda mais ricos, com 24,2% de aumento na renda. O fenômeno também ocorreu na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde os mais ricos tiveram 8,7% de incremento na renda. A metrópole onde os mais pobres perderam mais renda foi Salvador, com uma queda de 57,4%. “Na região de Salvador especificamente, e no Nordeste, em geral, há muita informalidade. Isso explica uma queda tão brusca”, diz o professor.

Além de observar as variações da renda, o levantamento estima a desigualdade. A medida usada para calcular a desigualdade é o Coeficiente de Gini. Na escala desse indicador, zero significa igualdade total de renda. Quanto mais próximo de um, por sua vez, maior será a desigualdade. Assim, uma alta no Gini assinala uma piora nas condições socioeconômicas. Segundo as projeções, a média das 22 regiões metropolitanas estudadas mostra que o coeficiente de Gini chegou a 0,640 no segundo trimestre de 2020. No mesmo período de 2019, ele estava em 0,610. Em comparação ao primeiro trimestre deste ano, a distância entre topo e base também aumentou, de 0,610 para 0,640. “São necessárias muitas mudanças para se observar alteração no Gini, e a mudança identificada é bastante robusta”, diz o professor Salata. “E são mudanças acentuadas em um espaço curto de tempo, o que revela o efeito extremo e brusco da pandemia e da crise econômica resultante. Vemos uma diferença muito clara [antes e pós pandemia], em geral com crescimento muito acentuado.” Na região metropolitana de São Paulo, a diferença entre o topo e a base aumentou de 0,631 no segundo trimestre de 2019 para 0,653 no mesmo período em 2020, durante a pandemia. Na região metropolitana do Rio, a desigualdade subiu de 0,635 para 0,685.

O estudo considerou três estratos sociais: os 40% mais pobres e os 10% mais ricos, que são as pontas, e os 50% mais próximos da média de renda dentro de cada região metropolitana, ou seja, o meio. Das 22 regiões metropolitanas estudadas, apenas Maceió não registrou aumento da desigualdade. O fenômeno pode ser explicado por uma aproximação do topo com o meio. “Os ricos tiveram uma queda que fez com que se aproximassem aos do meio”, explica Ribeiro. Os pesquisadores esclarecem que o Coeficiente de Gini “tende a ser mais sensível para as mudanças mais próximas do meio do que nas pontas”. O boletim também mostra aumento na parcela da população em vulnerabilidade relativa de renda, ou seja, que recebem até metade do valor mediano de cada região metropolitana. Na média das 22 regiões estudadas, o número saiu de 28% para 31,3% , na comparação do segundo trimestre de 2019 com o de 2020. Quanto à desigualdade racial, negros receberam 57,4% da renda dos brancos no segundo trimestre de 2020. As regiões com menos diferença de renda entre brancos e negros são as de Macapá (73,1%), Florianópolis (70,6%) e Goiânia (70, 4%). O boletim ressalta que nestas regiões a desigualdade geral é menor. Para os pesquisadores, diante da piora da desigualdade identificada no estudo, é possível projetar que 2021 será um ano crucial para a economia brasileira. “O Estado terá de pensar uma retomada para todos”, diz Ribeiro.” [Folha]

Com Guedes no comando…

“Salata lembra que o que chama de ciclo de redução de desigualdade, entre 2001 e 2014. “Especialmente no segundo governo de Lula e no primeiro de Dilma, todos os estratos estavam aumentando seus rendimentos gerais. A ponta de baixo tendia a crescer mais. É o melhor dos mundos, porque o bolo cresce e quem está embaixo começa a ganhar uma fatia maior. Agora, o que se vê é o oposto, é o pior dos mundos. Todos estão perdendo e os pobres perdem mais, aumentando a desigualdade”. Além disso, os pesquisadores citam a diminuição do desemprego, a manutenção do auxílio emergencial e uma rede de proteção social mais robusta. Para os pesquisadores, não é possível prever com exatidão quando haverá uma retomada dos patamares de renda. Esta retomada, porém, está relacionada com a criação de vagas de trabalho. O próximo boletim abordará o impacto do auxílio emergencial na desigualdade geral, não somente de renda do trabalho. Neste sentido, Salata adianta que o auxílio emergencial de R$ 600 pago pelo governo durante a pandemia conseguiu diminuir as desigualdades nas regiões metropolitanas. O benefício foi prorrogado até o final do ano, mas a R$ 300 nos três últimos meses, e o governo não prevê mantê-lo em 2021. Como dificilmente o valor será mantido, a desigualdade geral deve aumentar”, avalia Salata.”

E pra desgraça ficar completa:

“A pandemia de Covid-19 acelerou a chegada do futuro do mercado de trabalho e ele, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, deverá resultar na eliminação de 85 milhões de empregos nos próximos cinco anos devido à automação, ao mesmo tempo em que 97 milhões de vagas serão criadas. Esses novos empregos, segundo o fórum, serão necessários para atender uma divisão de trabalho mais adaptada à nova divisão do mundo do trabalho, que será entre humanos, máquinas e algoritmos. Em 2025, a participação de trabalhadores e máquinas estará quase igual: aos humanos caberá 53% das atividades. As previsões estão no relatório “O Futuro dos Empregos”, divulgado na terça-feira (20). “Estamos começando a ver um cenário de dupla disrupção virando realidade para a maioria dos trabalhadores hoje”, disse Saadia Zahidi, diretora do Fórum Econômico Mundial em entrevista coletiva transmitida nesta quarta (21). Para ela, a tendência de longo prazo de automação e digitalização já vinha deslocando algumas funções, mas esse processo foi acelerado ao ser combinado com a recessão causada pela pandemia. “A contração de certas partes da economia está tornando mais difícil para os trabalhadores assumirem suas novas funções”, afirmou. O relatório aponta que, apesar da previsão de um saldo positivos na relação entre empregos novos e eliminados, a taxa de criação de vagas deverá desacelerar, ao mesmo tempo em que a eliminação de funções consideradas obsoletas deverá crescer. Ainda assim, segundo Saadia, a avaliação das perspectivas para o futuro são “cautelosamente otimistas”, uma vez que ainda será possível criar mais empregos.” [Folha]

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11. FIESP Vs Doria

Torço pela briga:

“A Fiesp decidiu entrar na Justiça contra o pacote de ajuste fiscal do governador de São Paulo, João Doria, que sobrecarrega o ICMS de diversos setores porque considera as alíquotas inferiores a 18% como benefícios fiscais que devem ser reduzidos. A medida vem sofrendo críticas generalizadas na indústria porque atinge tanto os insumos quanto os produtos acabados e chega justamente em um momento de fragilidade econômica por causa dos impactos da pandemia.” [Folha]

Quero sangue.

“Segundo a argumentação da Fiesp, a medida lançada por Doria é inconstitucional porque permite ao Legislativo delegar ao Executivo no estado um poder para renovar ou reduzir benefícios fiscais por decreto. Procurado pela coluna, o governo de São Paulo afirma que o ajuste fiscal passou pela PGE (Procuradoria-Geral do Estado) antes de ser levado para a Alesp, onde foi analisado por uma comissão e discutido durante 60 dias. “Ao invés de colaborar com o amadurecimento da iniciativa e benefício dos integrantes, a entidade prefere polemizar, pois tem uma atuação política”, diz em nota. O governo paulista também afirma ter segurança que a Justiça reconhecerá a importância da medida para combater o déficit fiscal em 2021 causado pela pandemia.”

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12. Um Trump Muito Louco

Algum dia vai dar merda. Das grandes.

“Os Estados Unidos anunciaram nessa quarta-feira, 21, a aprovação da venda de 135 mísseis de defesa Slam-ER para Taiwan pelo valor de US$ 1 bilhão. Os mísseis ar-terra têm capacidade de alcançar a China continental. Concentrado em contra-atacar a influência da China na região, os EUA também decidiram vender a Taiwan lança-foguetes táticos por 436 milhões de dólares e equipamentos de reconhecimento aéreo por imagem, no valor de US$ 367 milhões, o que eleva o total dos contratos a 1,8 bilhão de dólares. A venda do equipamentos militares “serve aos interesses econômicos e de segurança nacional dos Estados Unidos, ajudando Taiwan a modernizar suas Forças Amadas e a conservar uma capacidade de defesa confiável”, afirmou o Departamento de Estado americano ao anunciar a decisão. A China, que reivindica Taiwan como parte de seu território, pediu nesta quinta-feira, 22, que Washington anule a venda para evitar maiores prejuízos às relações bilaterais entre eles, assim como à paz e à estabilidade no Estreito de Taiwan. “A China dará uma legítima e necessária resposta dependendo da evolução da situação”, alertou o porta-voz da diplomacia chinesa Zhao Lijian. Já o ministro da Defesa taiwanês, Yen De-fa, destacou que o armamento ajudará Taiwan a construir uma capacidade confiável de combate. O míssil ar-terra Standoff Land Attack Missile Expanded Response (Slam-ER) tem alcance máximo de 270 km, superior à largura do Estreito de Taiwan que separa a ilha da China. Pequim considera Taiwan parte da China e ameaça regularmente recorrer à força em caso de proclamação formal de independência de Taipei ou de intervenção estrangeira, especialmente americana. Washington rompeu relações diplomáticas com a ilha em 1979 para reconhecer Pequim, mas continua sendo o aliado mais importante e seu principal fornecedor de armas. A China aumentou a pressão militar e diplomática sobre Taiwan desde a eleição em 2016, com a eleição da presidente Tsai Ing-wen, que rejeita a visão de Pequim de que a ilha é parte de “uma só China”.[Estadão]

Passemos à eleição:

“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda tem um caminho para os 270 votos do Colégio Eleitoral de que precisa para ser reeleito. Mas é preciso que tudo saia em sua direção uma segunda vez. Eleitores persuadíveis em Estados do disputa acirrada precisarão mudar de lado de forma esmagadora a seu favor. Ele terá que reconquistar blocos eleitorais cruciais. E a operação de participação terá que superar dramaticamente o democrata Joe Biden em um ano extraordinariamente turbulento. “Em 2016, suas chances de ganhar a eleição eram as de conseguir um inside straight (9% de chance) no pôquer. A questão este ano é se ele pode tirar uma sequência de dois inside straights seguidos (0,81% de chance)”, disse Whit Ayres, um veterano pesquisador republicano. “É teoricamente possível, mas praticamente difícil.” Enquanto Trump tem vários caminhos para a vitória, seu caminho mais provável depende de vencer dois Estados cruciais: Flórida e Pensilvânia. Se ele puder reivindicar ambos e se agarrar a outros Estados do Cinturão do Sol (área entre o sul e sudoeste dos EUA) que ele conseguiu por pouco em 2016 – Carolina do Norte e Arizona – enquanto jogava na defesa na Geórgia e em Ohio, que ele venceu com folga em 2016, mas onde Biden agora é competitivo, ele vencerá. A campanha de Trump também continua a despejar tempo e dinheiro em Wisconsin e Michigan, fortalezas democratas de longa data que ele conquistou pela margem mais estreita quatro anos atrás, enquanto tentava defender o segundo distrito congressional de Iowa e Maine e agarrar Nevada e Minnesota, dois Estados seus A rival Hillary Clinton em 2016 venceu por pouco.

A campanha de Trump aponta para outros fatores que apontam a seu favor: a campanha e o Partido Republicano passaram anos investindo em uma poderosa operação de sensibilização do eleitor e tem 2,5 milhões de voluntários batendo em milhões de portas a cada semana. Eles viram picos no registro eleitoral do Partido Republicano em vários Estados importantes. E os eleitores de Trump estão mais entusiasmados com seu candidato do que os democratas com Biden. Os democratas são movidos mais por seu ódio por Trump. “Nós nos sentimos melhor sobre nosso caminho para a vitória agora do que em qualquer momento da campanha este ano”, disse o gerente de campanha de Trump, Bill Stepien, à equipe em uma teleconferência esta semana. “E esse otimismo é baseado em números e dados, não em sentimentos.” Mas as pesquisas mostram que Trump está atrás ou quase igualado em quase todos os Estados que precisa vencer para chegar a 270 votos no Colégio Eleitoral. Salvo algum tipo de zebra importante, Trump precisa se agarrar a pelo menos um dos três Estados que ganhou em 2016: Pensilvânia, Wisconsin ou Michigan, disse Paul Maslin, um antigo pesquisador democrata baseado em Wisconsin. “Não vejo outra maneira de Trump fazer isso”, disse ele. As pesquisas da Fox News divulgadas na quarta-feira mostram Biden com uma vantagem clara em Michigan e uma pequena em Wisconsin. Na Pensilvânia, pesquisas recentes mostram Biden à frente, mas variam no tamanho de sua liderança. Por tudo isso, porém, a equipe de Trump pode se consolar com esta nota de rodapé histórica: em todos os três Estados, Clinton liderou as pesquisas nas semanas finais de 2016.

Mas o “problema fundamental” de Trump, disse Ayres “é que um grande número de Estados que ele venceu confortavelmente da última vez” estão atualmente próximos. Ainda que a vitória frustrada de Trump em 2016 ainda assombre os democratas e tenha deixado muitos eleitores profundamente desconfiados das pesquisas públicas, observadores atentos da corrida enfatizam que 2020 não é 2016. Biden é mais preferido do que Clinton e as pesquisas sugerem que agora há menos eleitores indecisos, que faliram por Trump nas últimas semanas da disputa, quatro anos atrás. E Clinton foi prejudicada nas últimas semanas por uma série de contratempos, incluindo a reabertura tardia de uma investigação do FBI sobre seus e-mails. O impacto de qualquer “surpresa de outubro” adicional desta vez seria limitado pelo número recorde de eleitores que já votaram. A equipe de Trump, por sua vez, tem trabalhado para consertar sua posição com mulheres suburbanas e eleitores mais velhos amargurados por sua forma de lidar com a pandemia, enquanto tenta aumentar o entusiasmo entre grupos-alvo como católicos e eleitores da Segunda Emenda, bem como buscar obter apoio entre Eleitores negros e latinos. “Ele está novamente no buraco da agulha”, disse Lee M. Miringoff, diretor do Marist College Institute for Public Opinion. Ele observou que, como Trump ganhou em Estados-chave com tão poucos votos da última vez, ele tem muito pouca margem de erro. Ainda assim, Miringoff enfatizou que embora muitas pesquisas possam favorecer Biden, elas não levam em consideração “eventos cataclísmicos”, como supressão potencial de eleitores, interferência eleitoral ou contestações judiciais que poderiam impedir a contagem dos votos. Espera-se que os democratas votem muito mais pelo correio, que são rejeitados em taxas mais altas do que as cédulas pessoais, mesmo em anos normais. “As pesquisas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo”, disse ele, “porque eles podem votar aqueles que pensam que votaram”, mas cujos votos acabam não sendo contados.

Com 29 votos eleitorais, a Flórida é indiscutivelmente o Estado mais importante para Trump. Uma perda ali tornaria quase impossível para ele manter a Casa Branca. Mas o Estado, que ficou do lado do vencedor de quase todas as disputas presidenciais por décadas, também é conhecido por eleições rígidas – principalmente em 2000, quando o republicano George W. Bush derrotou Al Gore por 537 votos após uma recontagem. Ambos os lados apontam para sinais de promessa no Estado, com os republicanos dizendo que vêem um apoio crescente entre os hispânicos, enquanto os democratas se concentram nos idosos. Embora as pesquisas no início de outubro tenham mostrado Biden com uma ligeira vantagem, duas pesquisas recentes colocaram os dois candidatos ombro a ombro. “Por tudo que posso ver, é um empate estatístico”, disse Jennifer Krantz, uma nativa de Tampa e estrategista republicana que trabalhou em várias disputas estaduais. Se for esse o caso, disse ela, pequenos fatores podem fazer a diferença. Em 2016, Clinton conquistou mais votos no Estado do que Barack Obama em ambas as disputas, com lideranças em redutos democratas. Mas Trump subiu a pontuação com comparecimento impressionante em condados menores. A campanha de Trump espera fazer ainda melhor desta vez, graças a uma operação robusta de participação. De fato, os republicanos afirmam ter registrado 146.000 eleitores a mais do que os democratas desde a pandemia de março, deixando os democratas com a menor vantagem desde que o Estado começou a contar.

Enquanto isso, os democratas esperam controlar a mesa quando se trata de votação antecipada e votação pelo correio – embora alguns continuem cautelosos após 2016. “Acho que estamos todos nesse pânico coletivo de estresse pós-traumático”, disse o estrategista democrata Steve Schale, que dirige o super comitê pró-Biden Unite The Country. É uma história semelhante na Pensilvânia, onde duas pesquisas recentes mostram Biden mantendo uma liderança clara e outra sugere uma liderança estreita. Trump ganhou o estado por pouco mais de 44.000 votos da última vez, impulsionado por uma exibição esmagadora em áreas rurais e pequenas cidades e vilas. A equipe de Trump está contando com essas tendências para se manter neste momento. “É um déjà vu tudo de novo”, disse Robert Gleason, o ex-presidente do Partido Republicano da Pensilvânia que mora na cidade e tem ajudado na campanha de Trump. “Há uma quantidade enorme de entusiasmo”. Assim como na Flórida, enquanto os democratas detêm uma vantagem substancial de registro de eleitores, os republicanos reduziram a lacuna em cerca de 200.000 em relação a quatro anos atrás, em parte graças aos democratas que mudaram de partido. Os assessores de campanha de Trump enfatizam que o número é cinco vezes a margem de votos de Trump em 2016. Mas a campanha de Trump também está enfrentando perspectivas mais sombrias em áreas como os subúrbios da Filadélfia, ricos em votos. E Biden não é Clinton, uma candidata historicamente impopular que particularmente afastou os homens brancos da classe trabalhadora. Biden não apenas vem do bastião da classe trabalhadora de Scranton, mas construiu sua persona política como um campeão desses eleitores e seus ideais.” [Estadão]

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>>>> Vamos alongar os músculos da face: “A comissão de ética do Novo enviou email aos filiados do partido informando que o empresário Filipe Sabará, candidato à Prefeitura de São Paulo, foi expulso da sigla por decisão unânime. Ele pode recorrer da decisão, mas o Novo já considera que ele não pertence mais ao quadro de filiados do partido. Em nota, Sabará afirma que João Amoêdo, fundador do partido, comporta-se como se fosse “dono” dele e o persegue por elogiar o presidente Jair Bolsonaro (veja abaixo). A comissão investigava supostas inconsistências no currículo de Sabará (leia abaixo a íntegra do email enviado aos filiados do Novo). Sabará estava suspenso do Novo desde 23 de setembro, quando o partido determinou que sua campanha para prefeito de São Paulo fosse suspensa durante as investigações. Em 1º de outubro, ele conseguiu liminar no Tribunal Superior Eleitoral e, com isso, manteve as atividades de campanha. A comissão de ética analisava um dossiê sobre Sabará enviado por um militante do partido em Santa Catarina e também uma denúncia protocolada pelo deputado estadual Daniel José, líder da bancada do Novo na Assembleia Legislativa de São Paulo, ambas sobre a formação acadêmica do candidato. Nos últimos meses, filiados do partido apontaram supostas incongruências no currículo do candidato registrado no LinkedIn, o que fez com que Sabará gravasse um vídeo mostrando seu diploma de ensino superior. Ao jornal O Estado de S. Paulo, a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) disse que Sabará nunca fez o curso de pós-graduação em Gerente de Cidades que constava em seu currículo. Ele também foi criticado por suposta falta de transparência em sua declaração de bens. No documento que enviou em 19 de setembro, Sabará declarou R$ 15.686 em bens. Filiados do Novo passaram a apontar o que viram como falta de transparência do candidato, que é herdeiro do Grupo Sabará, gigante da indústria química voltada à fabricação de cosméticos, com faturamento acima de R$ 200 milhões em cada um dos últimos anos. Em retificação enviada em 21 de setembro, declarou ter, na verdade, R$ 5,1 milhões, divididos entre ações de uma empresa de cosméticos (R$ 5 milhões), aplicações e valores em conta. Em nota, Sabará afirma que Amoêdo “continua mandando no diretório nacional do partido e na suposta “Comissão de Ética” e não respeita opiniões diversas e nem mesmo a lei.” “Por ter elogiado algumas medidas do presidente Bolsonaro e boas ações do governo federal, a tal da CEP, totalmente ligada ao Amoêdo, inventou situações para me retirar do Partido. Uma pena, pois existem pessoas muito boas no Partido Novo”. Sabará conclui ao dizer que a liminar obtida no TSE permite que continue com a candidatura, “querendo Amoêdo ou não, gostando ele ou não”.” [Folha]

>>>> Tá passando mal, não vai dar pra continuar… “O Ministério Público Federal peticionou nesta quinta-feira parecer contrário ao recurso pedido pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao Superior Tribunal de Justiça para anular as decisões proferidas pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Itabaiana autorizou medidas cautelares do caso da “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio. O juiz concedeu a pedido do Ministério Público do Rio quebra de sigilo bancária e fiscal em mais de 100 pessoas, busca e apreensão, além da prisão de Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, e sua mulher Márcia Aguiar. No fim de setembro, o ministro Felix Fischer, relator do caso no STJ, já tinha emitido decisão monocrática contrária ao pedido dos advogados Luciana Pires e Rodrigo Roca, que representam o senador. A defesa então apresentou um agravo no dia 15 de outubro para que o recurso seja reconsiderado pelo ministro ou então examinado pela 5ª Turma do STJ. Com isso, o subprocurador-geral da República Roberto Luís Oppermann Thomé se manifestou para que o STJ “sequer conheça do agravo e no mérito negue provimento” ao pedido da defesa do senador. O recurso dos defensores de Flávio foi apresentado à Corte no fim de setembro e pretende recorrer de parte da decisão da 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ, em junho, que decidiu conceder foro especial ao senador. Com isso, o responsável pelo julgamento do caso passou a ser o Órgão Especial do TJ e não mais a 27ª Vara Criminal. Os advogados, porém, também querem que os atos de Itabaiana, da primeira instância, sejam considerados nulos. No julgamento da 3ª Câmara Criminal, por 2 votos a 1 as decisões de Itabaiana foram mantidas. Além desse recurso, outras decisões ainda podem afetar o caso. O ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal, possui sob sua relatoria uma reclamação do MP do Rio sobre a decisão da 3ª Câmara. Os procuradores apontam que a concessão de foro junto ao Órgão Especial está em desacordo com a jurisprudência do STF. Os embates jurídicos ocorrem ao mesmo tempo em que o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, ainda não formalizou a denúncia sobre Flávio e Queiroz junto ao Órgão Especial. Segundo a colunista Bela Megale, integrantes do MP acreditam que a questão do foro especial de Flávio Bolsonaro voltará a ser discutido após a apresentação da denúncia contra o senador, mas antes do debate sobre a abertura da ação penal. Para que o processo seja aberto, é necessária a análise da denúncia junto ao colegiado do Órgão Especial. O relator do caso, desembargador Milton Fernandes, está de férias. Procurada, a defesa do senador Flávio Bolsonaro disse que não podia se manifestar porque o caso tramita sob segredo de justiça.” [O Globo]

>>>> Que 171 do caralho, jurou que não tinha nada a ver com a história mas… “Para discutir um reajuste no valor pago pela prefeitura no aluguel de creches, o vereador Ricardo Nunes (MDB) promoveu uma reunião com representantes de entidades ligadas a ele, o secretário municipal de Educação e um perito que avalia o valor de imóveis. Nunes é o vice na chapa de Bruno Covas (PSDB). Como a Folha mostrou em reportagens, Nunes mantém uma teia de conexões entre empresas, parentes e indicados políticos com cargos na gestão que envolvem creches contratadas pelo município e pessoas que têm contratos de aluguéis onde funcionam esses espaços. O dinheiro para alugar as creches é repassado pela prefeitura às gestoras que, por sua vez, pagam aos locadores. Por terem valores considerados altos em regiões pouco valorizadas da cidade, o aluguel de creche passou a ser visto como um bom negócio. A prefeitura vem sofrendo resistências ao tentar reduzir os valores dos aluguéis após uma portaria de 2017 que estabeleceu 0,8% do valor venal de referência do imóvel como limite da mensalidade. Questionado sobre a reunião, Nunes afirmou que os participantes “foram definidos pela direção da entidade, essa sim convidada por mim”. Também disse que se trata de uma grande entidade, que tem participação de vários políticos, incluindo a ele. O vereador afirmou que a reunião em questão tratava de um assunto que devia ser levado à secretaria. “A Sobei teve parte do valor de sua conta corrente bloqueado por conta de uma ação judicial de um proprietário de imóvel, que ingressou cobrando as correções por alguns anos, que não foram realizados. Como a entidade repassa ao proprietário o valor recebido da Secretaria de Educação e estava com esse problema, era necessário apresentar a questão à secretaria”. Outro participante, o perito Antonio Souza faz avaliações imobiliárias, incluindo pareceres com o valor que a prefeitura deveria pagar de aluguel de imóveis. Além de ter participado da reunião com a Sobei, ele já prestou serviço para locador de imóvel relacionado à entidade Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente), ligada a Nunes.[Folha]

>>>> Vejamos: “Representantes da Defensoria Pública de SP e quatro entidades de defesa dos direitos humanos enviaram uma petição a ministros do Supremo Tribunal Federal defendendo a inconstitucionalidade da revista íntima em presídios brasileiros. O documento diz que a “revista vexatória, além de ineficaz” na apreensão de objetos ilícitos com visitantes nas penitenciárias, “tornou-se verdadeiro mecanismo de tortura e humilhação aos familiares de pessoas presas”. A petição é assinada tem como foco um agravo em recurso protocolado pelo Ministério Público do RS contra decisão da Justiça daquele estado que absolveu uma mulher que portava maconha ao considerar ilícita uma prova obtida por meio de revista íntima. A ação deve ser julgada nesta quinta (22). O documento é assinado pela Conectas, ITTC, IBCCRIM, Pastoral Carcerária e o Gaets (grupo de ação de defensorias públicas estaduais em tribunais superiores).” [Folha]

>>>> É um mais vil que o outro: “A Fundação Palmares saiu em defesa de Victor Barboza, coordenador de articulação e apoio às comunidades remanescentes dos quilombos que citou Gilberto Freyre e disse que “o escravo brasileiro levava, nos meados do século 19, vida quase de anjo, se compararmos a sua sorte com a dos operários ingleses”. Segundo a Palmares, em resposta ao advogado Marivaldo Pereira, Barboza não banalizou o sofrimento dos negros, pois o tratamento do operário europeu “também foi muito cruel, visto aos olhos do século 21″. A instituição diz que o trabalho de Barboza tem sido organizar a distribuição de cestas básicas às comunidades quilombolas durante a pandemia.” [Folha]

Dias 659 | Procura-se uma vacina para a psicopatia presidencial | 21/10/20

Logo menos atualizo o podcast por aqui, os episódios você ouve lá na Central3.

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1. Procura-se uma vacina para a psicopatia presidencial

(Um parênteses: esse tópico deu metade do post de hoje, então perdoem algum soluço narrativo, foi complicado dar conta de costurar as notícias hoje. E a culpa é do Bolsonaro.)

Só assim para o capitão se curar. E de preferência uma vacina americana, que não tenha nada a ver com o Doria. Capitão esculachando general é mais um dia normal no Palácio, cheios de medalhas no peito mas sem nenhum brio, sem qualquer dignidade.

Depois de muita pressão de parlamentares e governadores enfim o general da Saúde se comprometeu a comprar a vacina chinesa, afinal, é a que vem melhor se saindo nos estudos, e não pegou nem um pouco bem o governo federal fingir que a vacina não existe.

“Isolado com sintomas de Covid-19, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello vem sentindo na pele, nas últimas horas, o que Luiz Henrique Mandetta viveu na pasta quando entrou em rota de colisão com o Planalto por se aproximar de João Doria nas ações da pandemia. Nesta terça, depois de uma reunião com governadores, o chefe da Saúde afirmou que a vacina da China, produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, seria o imunizante brasileiro na luta contra o vírus. um protocolo de intenções teria sido desenhado para garantir a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac no fim do ano e outro lote de 100 milhões de doses no meio de 2021. “A vacina do Butantan será a vacina brasileira. Com isso, o registro vem pela Anvisa e não pela Anvisa chinesa. E isso nos dá mais segurança e margem de manobra”, afirmou o ministro.” [Veja]

Doria, malandro, sambou em cima do Bolsonaro:

É impressionante como o Doria tá em eterna campanha eleitoral. E o candidato á reeleição Bolsonaro ficou puto, ele odeia mais o Dortia que os comunistas, falo com tranquilidade:

“A adesão da Saúde, que anunciou ainda a edição de uma medida provisória de 1,9 bilhão de reais para a compra do produto, pegou o Planalto de surpresa.”

É mentira mas sigamos.

Pazuello foi fortemente cobrado por Jair Bolsonaro diante da leitura de que o ministro, ingenuo politicamente, acabou oferecendo a Doria “o grande palanque nacional da vacina”, um erro político semelhante ao de Mandetta, na avaliação do Planalto, quando fez tabelinha com Doria numa das primeiras grandes coletivas de combate ao coronavírus no início do ano.”

Ué, não era um governo técnico – sejamos bondosos e digamos que Pazuello é um técnico em logística – técnicos não deveriam ser politicamente ingênuos?! Ele tá dizendo que um ministro da saúde deveria tomar decisões políticas?! Estou confuso. Ah, e sabe quem é o ministro politicamente mais ingênuo desse governo?!

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Bolsonaro chamou uma reunião com Pazuello logo cedo para cobrar explicações. A leitura, segundo auxiliares palacianos, é de que o ministro se deixou envolver por Doria, franqueando os holofotes políticos ao governador, que capturou o noticiário de grande organizador da vacina, enquanto o governo Bolsonaro, que bancará toda a logística, saiu como coadjuvante. A chamada “ala civil” da Esplanada, há tempos incomodada com alguns movimentos dos militares, entrou com tudo nessa discussão. Bolsonaro deseja desfazer a “trapalhada” de Pazuello porque considera que o anúncio de compra da vacina chinesa foi prematuro, pois ainda não há sequer comprovação de eficácia do produto. A coisa anda feia para o general. Há pouco, nas redes, Bolsonaro desautorizou o auxiliar ao escrever numa rede social, em letras garrafais, que a vacina chinesa, ao contrário do que prometeu Pazuello, “NÃO SERÁ COMPRADA”.”

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“Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como MEU GOVERNO NÃO MANTÉM DIÁLOGO COM JOÃO DORIA SOBRE COVID-19.” [O Globo]

O presidente da república, que deveria agir de forma republicana e por isso impessoal, tá proibindo qualquer diálogo do governo federal com o governador do maior estado do país em plena pandemia! É CRIME DE RESPONSABILIDADE, PORRA!! Mais um. A postura presidencial é criminosa. E é só a cereja no bolo duma sucessão de sabotagens do presidente contra qualquer forma de lidar com a pandemia.

“Para Bolsonaro, Pazuello está “querendo aparecer demais, está gostando dos holofotes, como o Mandetta”. Bolsonaro está irritado também porque avalia que Pazuello acabou por entrar num “o jogo político que só interessa ao Doria”.” [O Globo]

Todo esse governo é um jogo político que interessa ao Bolsonaro, e o governo é dele, o ministério é dele, ele mesmo já disse ser a Constituição. Mas ai se houver jogo político que não seja do agrado do instável presidente….

No Ministério da Saúde, a perplexidade é geral: ninguém tinha conhecimento de veto tão explícito — até porque, se tivessem, nenhum anúncio teria sido feito.”

Hummmm, é claro que Pazuello não assinaria sem a concordância do capitão, então o que fez Nolsonaro mudar de idéia?!

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“Carlos Bolsonaro advertiu o pai ontem sobre o massacre que estava acontecendo ontem nas redes de seguidores bolsonaristas, de críticas contra o anúncio da compra da vacina chinesa, feito por Eduardo Pazuello. Influenciadores de extrema direita gravaram vídeos e fizeram até lives atacando a decisão do governo. Não foi a primeira crise recente vivida pelos Bolsonaro entre seus seguidores mais fanáticos. A escolha de Kassio Nunes Marques para o STF também foi muito mal recebida, e até hoje gera críticas ao presidente, que tem sido cobrado por vir se afastando da ala mais radical de seus apoiadores.” [Época]

Sim, Bolsonaro desesperou e atropelou o general.

“”Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor. Eu só tenho 17 anos e quero ter um futuro, mas sem interferência da Ditadura chinesa”, comentou um usuário. O presidente respondeu: “NÃO SERÁ COMPRADA”, em letras maiúsculas.” [Estadão]

Olha o naipe do comentário que o presidente respondeu. E imagine que vida miserável tem um presidente que tem tempo pra ficar respondendo comentário no facebook!

A outra usuária que disse para o presidente exonerar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, “urgente” porque ele estaria sendo cabo eleitoral do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro respondeu que “tudo será esclarecido hoje”. “NÃO COMPRAREMOS A VACINA DA CHINA”, voltou a dizer, também em maiúsculas. A um outro seguidor que disse que Pazuello os traiu ao comprar a vacina chinesa e que o presidente “se enganou mais uma vez”, Bolsonaro afirmou que “qualquer coisa publicada, sem qualquer comprovação, vira TRAIÇÃO”. Depois em post publicado no Facebook oficial, com o título “A vacina chinesa de João Dória”, Bolsonaro afirmou que “qualquer vacina, antes de ser disponibilizada, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa” e que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”

Disse o sujeito que enfiou cloroquina goela abaixo do povo brasileiro e agora cobra comprovação ceintífica quando não é do seu agrado.

“Bolsonaro também escreveu que “não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou fase de testagem”. Segundo o Ministério da Saúde, o valor desembolsado deve ser de R$ 1,9 bilhão. “Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a referida vacina”, afirmou o presidente. O argumento de Bolsonaro, porém, contradiz ato anterior da sua própria gestão. O ministério já firmou outro acordo bilionário para adquirir uma vacina que ainda está em teste. Em agosto, o próprio presidente assinou medida provisória liberando R$ 1,9 bilhão em recursos para a compra de 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.”

risos

Também teve ministro do governo metendo o mesmo caô:

“Na atual situação econômica, Brasil não pode gastar quase US$ 2 bilhões na compra de uma vacina que não está comprovada cientificamente, nem certificada  pela Anvisa. Não há ainda nenhum país interessado nesta vacina.”

Uruguai e Chile não devem fazer parte do globo terrestre plano do presidente. No fundo no fundo quem governa é o comentarista de rede social da direita, são eles a vela que leva nau governista.

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O veto de Bolsonaro à vacina chinesa deixou sem ação também ministros próximos ao presidente. Um deles, depois de perguntado se essa é uma posição sem volta do presidente ou um arroubo, acaba de comentar: — Vamos aguardar. Ainda ontem, esse mesmo ministro comemorava: — O Doria deu de presente pra gente essa coisa da obrigatoriedade de dar a vacina. Agora, podemos oferecer a vacina e manter o discurso da liberdade.

Nada mais estúpido que isso. Se alguém deu alguma coisa de presente pra alguém foi Boslonaro presenteando o Doria.

Doria é o governador que é desaprovado na capital em que foi prefeito, claramente seus planos eleitorais não iam lá muito bem, inclusive o PSDB tem mais simpatia pelo candidatura do Edaurdo leite que a dele, sabe como é, se sendo prefito Doria já fodeu o PSDB, imagine sendo presidente…

Pazuello tá com Covid, foi diagnosticado hoje, e coube ao número 2 do ministério, aquele maldito do broche de caveira, cumprir as ordens do capitão e ler um textoo constrangedor:

“Contrariando nota enviada pelo próprio Ministério da Saúde na terça-feira, o secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, afirmou nesta quarta, 21, que “houve interpretação equivocada da fala do ministro da Saúde (Eduardo Pazuello)” sobre a compra de doses da Coronavac e ressaltou que a pasta não firmou “qualquer compromisso com o governo do Estado de São Paulo ou com o seu governador no sentido de aquisições de vacinas contra a covid”. A vacina é desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, vinculado ao governo paulista. Em rápido pronunciamento feito na TV Brasil, sem a presença de Pazuello, que está em isolamento por suspeita de covid-19, Franco destacou ainda que “não há intenção da compra de vacinas chinesas”, conforme o presidente Jair Bolsonaro já havia declarado em suas redes sociais nesta manhã. A decisão foi comunicada oficialmente por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa do órgão e publicada no site do ministério. No texto, a pasta deixou claro que a compra estava condicionada à aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo assim, Franco usou o fato de a vacina ainda estar em testes para justificar o recuo da pasta na decisão de compra. “Em momento algum a vacina foi aprovada pela pasta, pois qualquer vacina depende de análise técnica e aprovação pela Anvisa, pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)”, declarou

Apesar de ter negado acordo para compra de Coronavac, o secretário-executivo afirmou que houve, sim, a celebração de um protocolo de intenções com o Butantã, que é o maior produtor de vacinas usadas no Sistema Único de Saúde (SUS). “Tratou-se de um protocolo de intenção entre o ministério e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante, por se tratar de um grande parceiro do ministério na produção de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações. Mais uma iniciativa para tentar propor uma vacina segura e eficaz para a população, neste caso uma vacina brasileira caso fique disponível antes”, disse Franco. Não ficou claro, portanto, se o ministério, apesar de negar que comprará a vacina chinesa, poderá adquiri-la do Butantã quando a tecnologia da Sinovac for repassada ao instituto brasileiro e a produção for local. Segundo o secretário-executivo, “a premissa para aquisição de qualquer vacina prima pela segurança, eficácia, ambos conforme aprovação da Anvisa, produção em escala e preço justo. Qualquer vacina, quando disponível, certificada pela Anvisa e adquirida pelo ministério poderá ser oferecida aos brasileiros e, no que depender desta pasta, não será obrigatória”, completou o secretário-executivo..” [Estadão]

Ora,. toda e qualquer vacina teria que ser aprovada pela Anvisa, que espantalho escroto do caralho. Mas isso aqui talvez explique o espantalho:

“Ontem, o Senado aprovou a indicação de Bolsonaro para quatro novos diretores da Anvisa. Além de de confirmar o nome do contra-almirante Antonio Barra como presidente da agência. Portanto, Bolsonaro tem desde ontem o controle absoluto da Anvisa.” [O Globo]

Sim, anvisa é toda do Boslonaro, comandanda por um milico, claro.

E o maldito do broche da caveira leu texto adivinha de quem:

“O pronunciamento feito agora há pouco pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, afirmando que “houve uma interpretação equivocada da fala do Ministro da Saúde”, que “em nenhum momento a vacina foi aprovada pela pasta” e “não há intenção de compra de vacinas chinesas” foi escrito pela Secom. Isso significa o seguinte: a crise, criada pelo próprio Jair Bolsonaro, está sendo pilotada pelo Palácio do Planalto. E os discursos oficiais a partir de agora sobre o assunto não exatamente serão baseados em fatos, mas tortuosas notas oficiais. Em resumo, a nota oficial tenta dizer que o ministro Eduardo Pazuello não disse o que disse.” [O Globo]

SECOM tutelando Ministério da Saúde em plena pandemia. A SECOM do Wajngarten!

E Bolsonaro voltou a falar no começo da tarde:

“”Houve uma distorção por parte do João Doria no tocante ao que ele falou. Ele tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar se ele [Pazuello] assinou. Já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade. Até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela, a não ser nós“.” [G1]

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Troquemos vacina por droga,

Até porque estaria comprando uma droga que ninguém está interessado por ela, a não ser nós”.

Sabe qual o únicoo país a se interessar por cloroquina e autorizar seu uso de forma massiva?!

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“A Reuters despachou a inclusão da Sinovac no programa brasileiro, sublinhando que seria, a partir de janeiro, “um dos primeiros esforços de imunização no mundo”. A manchete do Caixin mostrou que o esforço chinês já está em andamento e, aliás, acaba de incluir a vacina. “Em Jiaxing, com população de quatro milhões, grupos de risco já começaram a receber doses da Sinovac.” Com vacinas como CNBG e CanSino, o programa começou “já em junho”, diz o Caixin. “Desde então, centenas de milhares tomaram, incluindo funcionários essenciais e pessoas que trabalham no exterior.” E o South China Morning Post, com relato da Reuters e a imagem acima, de unidade do laboratório em Pequim, levou à submanchete que “Testes mostram que Sinovac é segura, diz centro de pesquisa do Brasil”, o Instituto Butantã. “Foi a primeira farmacêutica a divulgar resultados dos testes em estágio final, colocando a China à frente na corrida.” A concorrente AstraZeneca, também no programa brasileiro, “se aproxima de uma análise de seu teste britânico”.” [Folha]

E Bolsonaro jura que cloroquina não precisa de comprovação científica. A vacina precisa, mas cloroquina não – e isso porque ele fez DOIS eletrocardiogramas por dia, não passava agulha no cu da equipe médica, que temia uma complicação cardíaca.

“É irônico, pois foi o próprio Bolsonaro quem defendeu publicamente o uso da hidroxicloroquina, remédio sem comprovação científica no tratamento à Covid-19. “Ainda não existe comprovação científica, mas [a droga está] sendo monitorada e usada no Brasil e no mundo. Contudo, estamos em guerra: ‘Pior do que ser derrotado é a vergonha de não ter lutado.’”, escreveu Bolsonaro no Twitter, em maio..” [Veja]

Repare o quão nervoso está Bolsonaro, a dificuldade para encontrar e pronunciar as palavras:

O Pazuello já pediu pra sair?!

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Vamos ao general sem nenhum brio:

“Eduardo Pazuello não escondeu a aliados próximos que ficou “bastante chateado” com a atitude de Jair Bolsonaro de desautorizá-lo sobre a aquisição da coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac contra Covid-19, em São Paulo. ” [O Globo]

Segundo interlocutores do ministro, ele avaliou que a reação do presidente foi exagerada e defendeu que a vacina não é chinesa, mas sim, brasileira, pois está sendo desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan. Pazuello também teria dito que, em nenhum momento, foi cogitado adquirir vacinas sem certificação da Anvisa. Aqueles que atuam como “bombeiros” na cúpula do governo garantem, porém, que, apesar do mal-estar, Pazuello “segue firme” como ministro da Saúde e que já está com o discurso alinhado com o presidente.

É como se os fardados não tivessem qualquer brio.. Porra, pede pra cagar e sai, fala que vai ali comprar cigarro na esquina e nunca mais coloca os pés em Brasília, vai chorar no quartel, qualquer coisa menos fingir que nada aconteceu, caralho!

“De acordo com os bombeiros, Bolsonaro e Pazuello (que está em casa, com suspeita de Covid) alinharam um discurso sobre o tema. Em que pese a descompostura pública feita por Bolsonaro, o governo quer vender a ideia de que a vacina chinesa não está vetada para sempre. Mas que o Ministério da Saúde não dará um passo em termos de compra ou convênios enquanto ela não tiver todas as aprovações da Anvisa. Este teria sido o tom da fala de Bolsonaro. Não foi, mas este deve ser o dis discurso oficial a partir de agora. Resta saber também com que celeridade a Anvisa dará a palavra final sobre a eficácia da CoronaVac. Este é outro ponto fundamental dessa guerra em torno das vacinas.” [O Globo]

E dada a sabotagem presidencial contra as vacinas naquela cerimônia esquista do mais novo remédio milagroso caberá ao STF decidir. E aí o governo federal vai acusar o STF de interferir onde não deveria. Eles abrem a porta para o STF, convidam para entrar e depois denunciam a invasão dos togados.

“O STF (Supremo Tribunal Federal) deve decidir sobre a obrigatoriedade da vacina do novo coronavírus ainda neste ano. A questão será debatida em uma ação em que os pais de uma criança de São Paulo contestam a obrigatoriedade de regularizar a imunização de seu filho. O casal argumenta que é adepto da filosofia vegana e contrário a intervenções medicinais invasivas.” [Folha]

Beleza, mas como seu filho é uma ameaça à saúde pública é melhor ele ficar em casa, sabe como é….

“O Ministério Público de SP ajuizou ação civil pública contra os pais, que foi julgada procedente pelo Tribunal de Justiça de SP. Eles recorreram então ao STF. O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, reconheceu a repercussão geral do tema, que deve ser julgado também pelos outros magistrados. Apesar de objetivamente tratar do calendário já regular de vacinação, o debate deve considerar os aspectos políticos da questão, tendo em conta a visibilidade do movimento antivacina no Brasil —e os debates públicos já travados entre Jair Bolsonaro, que diz que a vacina contra a Covid-19 não será obrigatória, e governadores como João Doria, de SP, que têm posição oposta à do presidente.”

Imagine o desespero dos pais ao ver que Bolsonaro tá fodendo com o processo deles…

“Ministros ouvidos pela coluna consideram líquido e certo que o STF tornará a vacinação obrigatória, já que um cidadão que não for imunizado poderá contaminar outras pessoas, que de fato não podem tomar vacinas por questões médicas —como os imunodeprimidos, por exemplo. Um dos magistrados afirma que debates sobre a vacina estão relacionados “à República Velha” e devem ser definitivamente superados. Há ministros, no entanto, que ponderam que o fato de as vacinas contra a Covid-19 serem novas levanta a questão da legitimidade de as pessoas terem receio sobre sua segurança.”

Enmtão vamos esperar os 5, 10 anos protoclartes para o desenvolvimento de uma vacina, tá tranquilo, ninguém tá com pressa não…

E como eu venho frisando Bolsonaro odeia mais o Doria que os comunistas:

“O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA) diz que o presidente Jair Bolsonaro “está possuído por uma espécie de ódio a João Doria”, o que justificaria o fato de ele se negar a comprar a vacina chinesa, produzida em parceria com o Instituto Butantan, do governo de São Paulo. Segundo Dino, o presidente está criando “uma guerra da vacina”, como ocorreu com os respiradores, em que cada estado teve que se virar sozinho, chegando a disputar com outros a aquisição dos equipamentos. “Os governadores com certeza vão ao Congresso Nacional e à justiça para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras”, diz Dino. Ele diz que, depois do anúncio de Pazuello, chegou a acreditar “que Bolsonaro tinha achado um rumo. Mas logo veio esse desvario”. Dino afirma que, se insistir na tática de desmerecer algumas vacinas, o presidente vai partir “para o isolamento total”.” [Folha]

Passo à maravilhosa Rosângela Bittar:

“A vacina contra o coronavírus não será obrigatória e ponto final, decretou o presidente Jair Bolsonaro. Resta-nos a esperança de que este ponto final de agora, como o foram tantos outros, seja um mero arrebatamento da ignorância. Não voltaremos à idade da pedra, mesmo que seja necessário recorrer ao papa, ao pajé ou ao Tribunal de Haia. Ponto final quer dizer fim. Não permite réplica. A não ser que se subverta o sinal gráfico convencionado. O ponto final, no discurso de Bolsonaro, pode significar vírgula; talvez, ponto e vírgula; com certeza reticências; muitas vezes exclamação ou até parênteses. Quem sabe, pausa para um gole d’água; também uma intervenção abusiva, subentendida a determinação para que se mude de assunto. Correndo o risco de glamourizar um evidente vício verbal, o histrionismo de Bolsonaro, ao banalizar a conclusão do seu pensamento com a expressão superlativa, virou marca. Todo mundo aceita, ninguém discute. Bolsonaro é espectador do seu próprio governo. Não demonstra convicção, compromisso ou segurança nas decisões. Fala uma coisa agora e seu contrário minutos depois. Subversão total do ponto final. Exemplo: não se fala em Renda Brasil até o fim do meu governo e ponto final. Foi o que disse antes de receber o relator e autorizar o prosseguimento do projeto relativo ao programa renegado. Talvez, no caso, coubesse só uma vírgula, abrindo caminho a um advérbio de tempo. Não se fala mais nisso, agora. Quando o assunto foi retomado com renovado vigor, a condenada Renda Brasil tornou-se Renda Cidadã, e todos já tinham esquecido a peremptória ordem anterior. O presidente admitiu, gerando abalos ao mercado de ações, que o governo estuda mesmo, apesar dos desmentidos, a hipótese de furar o teto de gastos e ponto final.

Esta não esperou o dia amanhecer e o próprio Bolsonaro tratou de buscar outros recursos da ortografia, detendo-se na exclamação e no travessão. O caminho está livre a qualquer estudo, quis dizer Bolsonaro, antes de exclamar: meu governo jamais transgredirá com o rigor da política fiscal! O tema do aumento da carga tributária e criação do novo imposto sumiu numa gaveta temporária de hipóteses lesa-voto, a serem examinadas depois das eleições de 2020. Não se sabe como reaparecerá no discurso de Bolsonaro que, inúmeras vezes, garantiu que no seu governo não tem volta da CPMF e ponto final. Como esta é uma obsessão do ministro da Economia, o presidente teve de mudar a pontuação ou demiti-lo. Agora, com reticências, o novo imposto transformou-se em uma condicionante para desoneração da folha, depois para financiar a renda mínima, em seguida voltou a instrumento de combate ao desemprego, até ser recolhido a um dos escaninhos que abrigam os estelionatos eleitorais premeditados. Em abril, registrou-se o que se imaginou ser o ponto final dos pontos finais. Na reunião ministerial em que reclamou da ineficiência do serviço de informação da Presidência, fez revelações bombásticas. Disse que possuía informantes particulares e se queixou da falta de ascendência sobre a Polícia Federal. Bolsonaro foi taxativo: “Vou interferir e ponto final”. Quando a interferência virou inquérito no Supremo Tribunal Federal, por denúncia do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, o sinal gráfico passou a ser um parênteses de negação do fato em todas as suas versões.” [Estadão]

O final é ótimo:

“O ponto final da vacina é especial, trágico. Com uma carga pesada de dramaticidade e letalidade. Assusta os escalões inferiores, insufla decisões pessoais precipitadas, causa pânico nacional e horror internacional. É grave, desafia a Ciência, que não é um partido ou paixão acidental. O governo assume riscos de crime contra a humanidade. Ponto final coisa nenhuma.”

Beijo, Rosângela!

Encerro esse tópico surreal com essa cara de cu do Lacombe – e repare no quão complexa é a vacina de Oxford e compare com os perigos que Bolsonaro vê na Chinesa, cuja técnica é muito mais simples e fartamente usada, até aqui nenhuma vacina humana usou a metodologia de RNA usad na vacina de Oxford:

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2. STF

Aconteceu uma coisa chata lá em Brasília…

“O ministro Alexandre de Moraes é o novo relator do inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar se o presidente Jair Bolsonaro interferiu no trabalho da Polícia Federal (PF).” [O Globo]

Bolsonaro certamente não gostou. Em espceial porque isso foi um pedido do Moro:

“Foi feito um sorteio eletrônico por determinação do presidente da Corte, ministro Luiz Fux. Ele atendeu um pedido da defesa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que é investigado no mesmo processo. Com isso, o caso, que era relatado pelo ministro Celso de Mello, que se aposentou na semana passada, não ficará com o Kassio Marques, indicado por Bolsonaro para substituí-lo.”

costinha

“Alexandre de Moraes já é o relator de alguns processos em que tomou decisões que desagradaram Bolsonaro. Ele é o responsável, por exemplo, pelos inquéritos que apuram ataques ao STF e atos antidemocráticos. Em ambos os casos, determinou ações que tiveram aliados e apoiadores do presidente como alvos. Fora dos processos criminais, o ministro também já desagradou o governo em outras questões. Foi ele quem suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para comandar a Polícia Federal, e mandou o Ministério da Saúde retomar a divulgação de vários dados e indicadores da covid-19.”

Passo ao Conrado Hubner Mendes com uma coluna intitulada “Ministros do STF são insuspeitos, dizem ministros do STF“:

“O comportamento de ministros do STF tem lugar especial em manuais de ética judicial e etiqueta pública —o lugar do contraexemplo. Ensinar o que não fazer é vocação praticada com persistência por essa geração de ministros. Tirem as crianças da sala, tirem os bacharéis da sala de aula de direito, os ministros do STF vieram falar de honorabilidade institucional e imparcialidade. E de segurança jurídica. O STF está acima de qualquer suspeita. Assim entendem os ministros do STF. Desde 1988, dos 111 casos de questionamento da suspeição de ministros, arquivaram-se todos. Em parte deles, o regimento foi desobedecido e a decisão monocrática do presidente sequer passou por plenário (“Fora dos Holofotes: estudo empírico sobre o controle da imparcialidade dos ministros do STF”, de autoria de Glezer, Guimarães, Ferraro e Barbosa). Se números sozinhos são insuficientes, vale citar condutas que seguem liberadas, a começar pela mais grotesca do tribunal. Gilmar Mendes acusou Luiz Fux, dias atrás, de criar “eine grosse Konfusion”. Não sei você, mas aos meus ouvidos soa mais potente que “uma grande confusão”. Eu diria o mesmo sobre a ideia de imparcialidade praticada por Gilmar. No seu modelo canastrão cosmopolita, “la garantía soy yo”: sou imparcial porque estou dizendo que sou imparcial, porque sou Gilmar. Espera-se que juízes sejam imparciais, mas não há como assegurar imparcialidade subjetiva. Pode-se apenas zelar pela imagem de imparcialidade, a imparcialidade objetiva. Regras reguladoras de conflitos de interesse e suspeição buscam cumprir essa tarefa, não reformar o caráter de ninguém. Rituais de imparcialidade são tributos obrigatórios que se pagam à instituição, não importam honestidade ou estado de espírito do juiz. Gilmar Mendes induz sua “grosse Konfusion” sobre essa distinção elementar e ignora regras que protegem a imagem de imparcialidade. Mesmo quando mata na origem, por decisão monocrática, em desrespeito a precedente do colegiado do STF, investigações criminais contra os amigos José Serra e Aécio Neves, ou quando julga interesses do escritório da esposa, jura que é imparcial. Finge que a pergunta foi sobre qualidade de caráter, não sobre respeito a regras.

O STF ainda nos deve opinião sobre a imparcialidade de Sergio Moro. Tudo que Moro fez foi cooperar com o trabalho acusatório e midiático do Ministério Público e festejar a Lava Jato em eventos com Aécio, Alckmin, Doria, Serra e Temer. Aceitou virar ministro do governo que se elegeu na esteira de sua obra. Nada demais, pois Moro sempre nos garantiu ser homem honrado. Por que um tribunal de insuspeitos demora tanto em julgar a insuspeição de Moro? Luiz Fux assumiu a presidência sob promessa de reformas. Disse que o STF será “desmonocratizado” para que “decisões sejam sempre colegiadas em voz uníssona”. Já mudou regimento para prevenir a chicana da distribuição de processos a ministros específicos e assim neutralizar táticas dos amigos de ministro. Por alguma razão, optou por não votar emenda que atacaria a patologia das liminares monocráticas por meio da exigência de referendo do colegiado. Seria um pequeno passo para o STF, mas um grande salto para sua dignidade. Em nome dessa dignidade, Fux impediu que Kassio Nunes herde relatoria da investigação sobre Jair Bolsonaro e mandou redistribuir o processo. Kassio desafiou o requisito de “notório saber jurídico” pelo plágio, e respondeu à exigência de “reputação ilibada” pela negação do plágio. Mas nem precisamos duvidar de suas capacidades intelectuais e morais para concluir que não deveria ser relator do caso que afeta interesses pessoais do presidente que o nomeou. Hoje o Senado fará perguntas a Kassio. Estou menos curioso com o que pensa sobre questões constitucionais e mais interessado em escutar sua visão sobre suspeição e conflito de interesse, decoro e imparcialidade, pedido de vista e obstrução. Sobre as primeiras, não dirá mais que platitudes ensaiadas. Sobre ética judicial, senadores poderiam ao menos pedir compromissos concretos. Não é muito, mas ajuda a colocar ética judicial na ordem das preocupações públicas.” [Folha]

E tem quem trorça pelo Kassio pois uma outra indicação seria pior, e isso ninguém pode negar. Mas se o bom nome não dá conta nem dos pré-requisitos mais básicos fica puxado:

“O processo de escolha de um ministro do Supremo Tribunal Federal exige pouca ou quase nenhuma transparência, seja para as razões da indicação pelo presidente da República ou para os méritos da aprovação pelo Senado Federal. O resultado da ausência de um escrutínio público, participativo e transparente de indicação e arguição de ministros ao Supremo é a realização de um processo seletivo entre quatro paredes. A Constituição de fato traz poucos critérios. Diz que a indicação a ministro do Supremo pelo presidente da República será controlada pelo Senado Federal: a Comissão de Constituição e Justiça fará a sabatina, e o plenário votará o nome, por maioria absoluta. Como exigências, a reputação ilibada e o notável saber jurídico do indicado. O regimento interno do Senado, por sua vez, exige declarações de próprio punho sobre a veracidade das informações prestadas em currículo e uma série de certidões sobre antecedentes, tentativa de trazer alguma objetividade aos critérios de notável saber jurídico e reputação ilibada. Mesmo sendo critérios mínimos, o atual indicado a ministro do Supremo parece ter dificuldade em preenchê-los.[Folha]

É inacreditável que Kassio não tenha nem tentado ratificar seu currículo, culpar algum estagiário, sei lá.

“Mesmo assim, o processo de indicação seguiu seu curso formal na Comissão de Constituição e Justiça. O senador Eduardo Braga, relator da indicação, minorou as críticas. Chamou-as de apego “às notas de rodapé e às entrelinhas de sua produção bibliográfica” e de “confusão semântica”, interpretando as exigências constitucionais de notável saber jurídico e reputação ilibada por baixo. Pelos parâmetros do senador, qualquer operador do direito poderia assumir uma cadeira no STF. No processo, além do parecer do relator, consta apenas um voto em separado, do senador Alessandro Vieira, onde diz que “a presente indicação é a mais perfeita materialização do sistema de cruzamento de interesses que impera no Brasil há décadas”. E continua: “não surpreende o fato de a indicação angariar apoios entusiasmados de políticos que vão do petismo ao bolsonarismo”. Não houve a realização de audiências públicas, de consultas formais à sociedade civil, entrevistas ou mesmo entrevistas à imprensa. O apoio à indicação de Kassio Nunes Marques foi angariado entre quatro paredes, em jantares privativos na casa de senadores, com a presença de sabe-se lá mais quem —já que as agendas, os participantes e os assuntos não foram divulgados. Algumas informações foram dadas à imprensa após os jantares de sabatina informal. Ora Kassio é descrito como alguém “100% alinhado à Bolsonaro” ora como alguém que estaria distante de sua pauta de costumes. O discurso pode ser adaptado ao gosto do freguês. Hamilton, nos escritos federalistas nº 78, ao descrever o modelo de freios e contrapesos na indicação de juízes pelo presidente e o controle político do Senado, apostava que o presidente evitaria indicar maus nomes temendo uma derrota e que senadores não usurpariam poder do presidente rejeitando uma boa indicação. Seria muito pouco provável uma má nomeação com participação de ambas instâncias, Presidência e Senado, “uma indigitando e outro aprovando, no opróbrio e na vergonha”. Ou seja, mesmo na falha das instituições, restaria o controle da vergonha. Por aqui, parece estarmos diante de problema institucional maximizado pela cultura política do compadrio, tudo agravado pela falta de transparência e, outros dirão, falta de vergonha. Muitas perguntas precisam de respostas. O indicado se reuniu com senadores réus ou investigados pelo Supremo? Se não houve tratativas privadas, por qual razão as conversas entre senadores e indicado não foram públicas?”

E só melhora:

“O senador Elmano Férrer (Progressistas -PI) emprega em seu gabinete a mulher do desembargador Kassio Nunes Marques, mas diz não saber quais as funções que ela exerce, com salário de R$ 11,4 mil por mês. “Eu tenho mais de 30 (funcionários) lá. Não sei o que… Ela é economista, trabalha lá”, afirmou Férrer ao Estadão. “Vocês estão querendo especular umas coisas. Eu não trato dessas questões administrativas de servidores, de o que fazem.” Quando perguntado quais têm sido as atividades de Maria do Socorro durante a pandemia, Férrer preferiu não responder. “Isso é uma questão minha. Sou um senador, isso é uma questão nossa. É uma questão minha, de senador da República. Todos nós estamos trabalhando muito, inclusive eu”, reagiu. Férrer também não quis contar como a servidora lhe foi apresentada e despachou o assunto para o chefe de gabinete, Solon Braga. Ele, por sua vez, disse que Maria do Socorro é economista e tem a tarefa de “acompanhar projetos” de interesse do mandato. Braga observou ainda que, mesmo no período em que estava formalmente lotada na estrutura administrativa do Senado, ela dava expediente no gabinete. “A gente é que tem a responsabilidade pelo funcionário”, atestou. A mulher de Marques tem cargos no Senado desde 2012. De lá para cá, ela já trabalhou com quatro senadores do Piauí. A reportagem telefonou para Maria do Socorro, mas não obteve retorno da ligação. O desembargador não respondeu se a indicação para o gabinete de Férrer partiu dele.  Aliado do presidente Jair Bolsonaro, o senador trocou o Podemos pelo Progressistas, em setembro. Na mudança, perdeu o direito de manter cargos na 2ª vice-presidência da Casa, mas ganhou espaço na 4ª Secretaria. Maria do Socorro Mendonça de Carvalho Marques, casada com o desembargador, que nesta quarta-feira, 21, é submetido a uma sabatina no Senado, passou por essa dança das cadeiras. Acabou, porém, levada de volta ao gabinete de Férrer, onde começou a trabalhar, no ano passado, como assistente parlamentar júnior. “Foi o ajuste feito com Ciro Nogueira (senador e presidente do Progressistas e um dos líderes do Centrão). As pessoas que foram liberadas pelo Podemos foram para o partido que estou agora, o Progressistas. E ela foi uma delas”, disse Férrer em entrevista (leia abaixo).” [Estadão]

Sim, o mesmo Ciro que o Kassio jura não ter nada a ver com sua indicação.

E a sabatina para a Suprema Corte de um certo país laico começou bem demais:

“Kassio Marques iniciou sua participação na sabatina agradecendo a Deus e dizendo que via sua indicação como uma espécie de “chamado”. — Pela manhã, quando acordei lembrei-me do momento que mais tarde me aguardava. A sessão de sabatina no Senado federal. Por alguma razão, associei minha participação em todo esse contexto a um verdadeiro chamado — afirmou o desembargador. Em seguida, Kassio Marques chegou a recitar um salmo: Isaías, versículo 12. — Eis o Deus meu salvador, eu confio e nada temo. O senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação — recitou o desembargador. Ele também usou o Versículo Lucas 12:48 ao dizer “A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá”. Mais adiante, o desembargador contou ter aprendido a rezar com a mãe, “de joelho, ao pé da cama e com as mãos juntas em posição de súplica”. Ele também disse que começou a moldar sua fé em Deus e no Brasil durante as missas semanais do colégio onde estudou e durante as aulas de Educação Moral e Cívica e Organização Política e Social do Brasil (OSPB), disciplinas ministradas no país, principalmente, durante a Ditadura Militar. — Foi no Colégio Diocesano, usando uniforme padrão, nas missas semanais, nas aulas de educação moral e cívica de organização política e social do Brasil, que comecei a moldar minha fé em Deus e no Brasil — afirmou o desembargador. As menções a Deus feitas por Kassio em seu discurso inicial acontecem após diversas críticas de setores que apoiam o presidente Jair Bolsonaro à indicação feita ao desembargador. Pastores como Silas Malafaia criticaram abertamente a escolha de Kassio Marques. Antes de revelar o nome do seu indicado, Bolsonaro chegou a dizer que indicaria um nome “terrivelmente evangélico”. O desembargador, porém, é católico.” [O Globo]

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3. “America First“, tá ok?

Além de serem os maiores compradorees de commoddities desse país extrativista os chineses têm um belíssimo argumento:

“A embaixada da China no Brasil acusou nesta terça-feira (20) os Estados Unidos de mentirem sobre a tecnologia 5G e de criarem problemas que ameaçam regras internacionais. Os representantes do país asiático afirmaram que os americanos têm um passado sujo em cibersegurança e lembraram do episódio de espionagem de autoridades brasileiras durante o governo Dilma Rousseff (PT).” [Folha]

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Mas esse governo é tão imbecil que periga fazer piada do episódio e agradecer aos americanos pela espionagem.

O argumento do governo americano, que enviou uma comitiva ao Brasil nesta semana para debater o assunto, é que a chinesa Huawei repassa informações sigilosas ao governo do país asiático, o que ameaçaria a segurança de dados do Brasil e a cooperação com os EUA. De acordo com a embaixada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o conselheiro do presidente americano para Assuntos de Segurança Nacional, Robert O’Brien, espalharam com má fé mentiras políticas contra a China. Segundo comunicado dos representantes chineses, os políticos americanos se vangloriam de mentir, enganar e roubar e se tornaram criadores de problemas que ferem a ordem internacional. “Ao ignorar os fatos básicos e produzir comentários baseados na mentalidade de guerra fria e jogo de soma zero, eles têm como objetivo real servir a certos interesses políticos, tirar proveito político dos ataques que difamam a China, atrapalham a cooperação internacional e instam a confrontação”, afirma comunicado divulgado pela embaixada. A China diz ainda que as práticas dos EUA sobre o tema revelam hipocrisia do país sobre o assunto, já que o país costuma defender equidade e liberdade, mas com ações sobre o assunto que violariam tanto os princípios de economia de mercado quanto as regras de abertura, transparência e não discriminação que regem a OMC (Organização Mundial do Comércio).

O texto prossegue dizendo ainda que a comunidade internacional não vai se esquecer do “histórico sujo” dos EUA na segurança cibernética, que conduziram operações de “espionagem massiva, organizada e indiscriminatória contra os governos, empresas e indivíduos, entre eles os líderes dos países como o Brasil e das organizações internacionais”. Em 2013, a presidente Dilma Rousseff chegou a cancelar a visita de Estado que faria a Washington em outubro daquele ano após virem à tona revelações de que a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) estava monitorando a presidente. As relações com o então presidente Barack Obama ficaram estremecidas por dois anos após os fatos serem revelados. “Tais ações dos EUA, que prejudicam a privacidade e segurança de outrem, são as verdadeiras ameaças à segurança cibernética do mundo”, afirma a embaixada no comunicado desta terça. A embaixada diz ainda que a comunidade internacional deve ficar alerta com a tentativa dos EUA de “sacrificar o desenvolvimento dos outros países para buscar a superioridade dos seus próprios interesses, conter o crescimento dos países de mercados emergentes como a China e provocar intencionalmente fissuras entre a China e seus amigos”. A representação chinesa ainda acusa os EUA de reterem respiradores oriundos da China com destino ao Brasil. “Os EUA vêm agindo contra o espírito humanitário básico e até retiveram materiais médicos urgentes, inclusive respiradores, que foram enviados da China ao Brasil, numa tentativa maléfica de atrapalhar a cooperação”, diz o texto. “O lado chinês está disposto a trabalhar junto com os diversos setores do Brasil para aumentar a confiança mútua, superar as diversas ingerências, expandir a nossa parceria tanto nas áreas tradicionais como nas emergentes, incluindo o 5G”, afirmam os representantes chineses.

E volta o Nelson de Sá:

“O SCMP noticiou que, após o veto sueco à Huawei, “o regulador chinês determinou supervisão mais rigorosa, sinal de que pode retaliar” contra a sueca Ericsson, que responde por 11% das estações 5G na China. Dias antes, jornais espanhóis e portugueses noticiaram —e a própria Huawei compartilhou— que o primeiro-ministro Pedro Sánchez, ao lado do colega de Portugal, afirmou que a Península Ibérica “aposta na tecnologia 5G”, usando não só tecnologia europeia, como a Ericsson, “mas também chinesa”. Nas últimas semanas, WSJ e o chinês Global Times comemoram sinais da Alemanha, respectivamente, contra e a favor da Huawei. Segundo a Bloomberg, é a chanceler Angela Merkel que “mantém a linha de resistência em Berlim”.” [Folha]

E daquele acordo de faz-de-conta com os americanos o que repercutiu mesmo foi o apoio do Boslonaro, mais um, à reeleição do Trump:

“Os protocolos assinados com os EUA repercutiram pouco no exterior, mas a declaração de apoio de Jair Bolsonaro a Donald Trump correu do argentino Clarín ao francês Le Figaro —e aos principais sites de Washington, como Politico, Axios e The Hill.” [Folha]

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Bolsonaro saiu no Axios ombreando Orbán e Duterte, apenas isso.

“Brazilian President Jair Bolsonaro endorsed President Trump’s re-election on Tuesday, saying, “God willing I will be able to attend” Trump’s second inauguration, according to Politico. Bolsonaro joins other far-right heads of state in supporting a second term for Trump, including Hungarian Prime Minister Viktor Orbán and Philippine President Rodrigo Duterte. The Brazilian president’s backing comes just hours after the U.S. and Brazil updated a trade and economic agreement. Trump and Bolsonaro have been compared to one other for their similar populist ideologies and conservative leanings. During his 2018 campaign, Bolsonaro was referred to as the “Trump of the Tropics.” Bolsonaro has faced criticism throughout the COVID-19 outbreak for downplaying the pandemic, though he tested positive for the virus in July..” [Axios]

Encerro com esse ótimo texto do Hussein Kalout

“A busca da supremacia no campo cibernético e de novas tecnologias de transmissão de dados se converteu no alicerce da disputa entre chineses e americanos. A banda 5G tem o potencial de revolucionar as comunicações em função da velocidade e da quantidade de dados de transmissão, com impacto em diversas áreas, do entretenimento à telemedicina, da automação de processos produtivos à Internet das coisas. Como mecanismo de contenção, os EUA empregam a estratégica de formação de coalizões anti-chinesas com o objetivo de preservarem a sua superioridade no sistema internacional. A junção das variáveis “pressão e contenção” preside a lógica de como Washington busca estancar o expansionismo geoestratégico de Pequim. Para o establishment Washingtoniano, quem detiver a supremacia sobre a matriz tecnológica do 5G irá, provavelmente, ditar o ritmo econômico e político do futuro da ordem global. A estratégia americana de “pressão e contenção” foi bem-sucedida junto ao Reino Unido e à Alemanha. E acaba de dar resultado também na Suécia. Os EUA lograram preservar e proteger a sua esfera de influência junto aos seus tradicionais aliados transatlânticos. O Brasil é agora o principal campo de batalha entre Washington e Pequim. Perder o mercado brasileiro será um golpe duro para a China, tendo em conta que o país asiático é o maior parceiro comercial do Brasil. A eventual exclusão da Huawei do processo licitatório da rede 5G será recebida como uma humilhação geoestratégica em Pequim. Se forem capazes de convencer o governo Bolsonaro de seus argumentos, os EUA estariam prestes a avançar diversas peças simultaneamente no tabuleiro e que culminariam em ganhos significativos para os seus interesses como: 1) fraturar a relação comercial Brasil-China; 2) implodir a coesão dos BRICS; 3) imobilizar os interesses chineses no Brasil como, por exemplo, os investimentos nos setores energético e infraestrutura.” [Estadão]

Nenhum desses 3 pontos traz alguma vantagem ao Brasil, e justamente por isso o governo deve atender aos desejos americanos.

Passo ao Mauro Zafalon:

“As mais recentes liberações de importações brasileiras de produtos agrícolas pelo governo colocaram os Estados Unidos em destaque. Os americanos têm à disposição dos brasileiros etanol, trigo, arroz, milho e soja. Quanto a esses produtos, à exceção do combustível, o Brasil não dependia dos Estados Unidos. Neste ano, porém, devido à escalada das exportações brasileiras, o país está recorrendo ao mercado americano para repor estoques. Os EUA são importantes também em alguns produtos básicos para a produção de proteína no Brasil. Ovos fertilizados e sêmen bovino estão no topo da lista das compras brasileiras no mercado americano. A relação comercial entre os dois, porém, é pequena, uma vez que são extremamente concorrentes no mercado mundial nos mesmos produtos.[Folha]

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E tem trouxa por aí jurando que sos EUA compensariam uma retaliação dos chineses…

“Os americanos são muito importantes para o café brasileiro. Até setembro, os Estados Unidos despenderam US$ 635 milhões (R$ 3,56 bilhões) no país com esse produto em grão. As importações de café solúvel somaram US$ 82 milhões. Os brasileiros se aproveitam também do mercado dos Estados Unidos no etanol, nas carnes processadas, nos sucos e na açúcar. Neste último caso, devido à reserva de mercados dos americanos, a participação brasileira é bem menor do que deveria ser.”

E não será Bolsonaro a chatear Trumpo com isso, né? Como próprio Bolsonaro diz, ele tá em campanha, tem que agradar os fazenderios de lá.

“Já o mercado chinês toma outra dimensão, quando se trata de produtos agrícolas. As importações brasileiras são pequenas e praticamente se restringem a alho, produtos para alimentação animal, tripas de porco e de cordeiro, produtos hortícolas e peixes. Do lado das exportações brasileiras, no entanto, a dimensão é outra. As vendas de alimentos do Brasil para a China somam US$ 25,6 bilhões neste ano, enquanto as para os Estados Unidos se restringem a US$ 2,4 bilhões. Atualmente, os setores brasileiros de soja e de carnes não teriam a importância que têm sem a China. Avançam também no mercado chinês, as vendas brasileiras de suco e de açúcar. Esta última já soma US$ 700 milhões neste ano. Enquanto a China é importante nas compras de alimentos do Brasil, os Estados Unidos têm contribuição a dar na parte de tecnologia.”

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4. Segura na mão do Maia e vai

Bolsonaro quer esperar as eleições, pra desespero do mercado.

“Com poucas semanas até o final do ano, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defende que governo e lideranças dos partidos fechem com a máxima urgência um cronograma para votação de medidas de corte de gastos para garantir a adoção do Renda Cidadã e dar tranquilidade fiscal ao País nos próximos dois anos. Em entrevista ao Estadão, Maia afirma que não há mais tempo a perder porque, segundo ele, a crise “está muito mais perto, o prazo é curto e não se tomou a decisão até agora do que fazer”. Segundo apurou a reportagem, no Ministério da Economia a expectativa é que esse entendimento com o Congresso saia o mais rápido possível por causa do tempo curto até o fim do ano. Guedes tem dito que, quem dá o ritmo, é a classe política. O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, tem defendido que discussões sobre contenção de gastos fique para depois das eleições municipais. Para Maia, o importante agora é definir o cronograma e o alcance das medidas, até como sinalização para os investidores – que passaram a cobrar cada vez mais para financiar o governo na rolagem da dívida pública.” [Estadão]

O que seria do mercado se não fosse o Maia?! E o pior é que isso também vale pra oposição ao Bolsonaro, e daí dá pra ver o quão escrota é essa quadra da história.

“O leque de medidas, segundo Maia, não é muito diferente do que as alternativas que têm sido faladas nas últimas semanas no Congresso e pela equipe econômica. O Estadão mapeou as propostas, que incluem extinção do abono salarial (espécie de 14.º pago a quem ganha até dois salários mínimos), corte nos salários e jornada de servidores públicos e congelamento de aposentadorias e pensões para quem ganha acima de três salários mínimos (mais informações nesta página). Pelos seus cálculos, a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) emergencial, que vai prever as medidas de cortes de gastos, estará com votação concluída em dois turnos na Câmara e Senado até 15 de janeiro. Esse calendário proposto por ele leva em conta o início das discussões para votação depois de 15 de novembro, quando termina o primeiro turno das eleições municipais. Se esse processo começar somente após o segundo turno, em 29 de novembro, a conclusão da votação ficará para o final de janeiro. “Temos de sentar sob o comando dos ministros Luiz Ramos (Secretaria de Governo) e Paulo Guedes (Economia) com os líderes que defendem a agenda de centro-direita na economia para organizar o calendário e o que vai votar”, propõe Maia. O presidente da Câmara diz que não há outro caminho a não ser votar a PEC emergencial antes do Orçamento de 2021. Com essa sinalização de calendário, na prática, a votação do Orçamento deve acabar ficando para o ano que vem. Para ele, não haverá saída com “furinho” do teto de gastos, com soluções “criativas e heterodoxas”. “Essa bomba estoura muito mais rápido do que a gente imagina.”

Além de abrir espaço nas despesas para financiar o Renda Cidadã, a PEC emergencial vai regulamentar o teto de gastos, com o acionamento automático dos chamados “gatilhos”, medidas de corte de despesas, como a suspensão de concursos e aumentos salariais que já estavam previstos. “O grande drama é que a regulamentação do teto de gastos com os gatilhos não pode ser só para a renda mínima. Ela tem de servir para dar uma sinalização de curto prazo, de 24 meses, de alguma economia para que possamos olhar a questão da dívida e redução do déficit”, afirma. O que mais preocupa, diz ele, é a tentativa de tornar permanente medidas que foram adotadas em caráter emergencial, por conta da covid-19. Maia é contrário, por exemplo, à prorrogação do auxílio emergencial e do orçamento de guerra (que tirou as amarras fiscais e permitiu, na prática, que o governo ampliasse os gastos com a justificativa de combate à pandemia) em 2021. “Outro dia, vi na imprensa que o governo vai tirar dos ricos e dar para o pobre. O problema é que os temas que interessam aos ricos não estão no Orçamento público, como tributação do Imposto de Renda e renúncias”, afirma. Maia reconhece que todas as propostas em discussão são de difícil aprovação, mas argumenta que é preciso construir um consenso em torno de delas. Sobre propostas de senadores para deixar o Renda Cidadã fora do teto ganhar força e ser incluída na PEC emergencial que tramita primeiro no Senado, Maia é taxativo: “Não vou ficar discutindo com o Senado. O Senado está entendendo qual é a posição da presidência da Câmara e o que vai pautar”.”

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5. Renan está de volta

Demorou mas reapareceu:

“Após a dura disputa pelo comando do Senado, Davi Alcolumbre e Renan Calheiros estão se entendo superbem. Durante o “intensivão” de análises de indicações no Senado, Alcolumbre disse ter uma “lista de oração”, para depois se corrigir: “de oradores”. “A fé é a esperança nas coisas não vistas”, afirmou, todo simpatia da tribuna. Renan completou: “Queria só cumprimentar vossa excelência pelo bom senso, pelo encaminhamento da apreciação de modo a descomprimir a pauta para que amanhã nós tenhamos deliberação qualificada com relação à indicação do ministro do STF”.” [Estadão]

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Força, bolsonaristas! E isso vem desde 2019, repare, a matréria é de agosto do ano passado:

“Aliados de primeira hora de Davi Alcolumbre estão decepcionados com a postura pouco “combativa” do presidente do Senado. O grande motivo da discórdia: ele engavetou pedidos de impeachment de ministros do STF e a CPI da Lava Toga. Esses senadores acham que o “novo Davi” se acostumou ao status quo. Ele tem, inclusive, se aproximado de Renan Calheiros (MDB-AL), seu adversário na disputa pelo comando da Casa. O grupo que bancou Davi na ocasião era formado, majoritariamente, por senadores estreantes, lavajatistas e do PSL. Desde a volta do recesso, Renan reuniu-se com Alcolumbre ao menos três vezes. Trataram de Previdência e PECs que restringem a atuação do STF – a estas últimas, o senador do MDB é contrário. A interlocutores, o ex-presidente do Senado tem afirmado que seu sucessor faz o melhor pela harmonia entre os Poderes.[Estadão]

Tão harmônico que é adorado pelo presidente.

“O Estado mostrou que Alcolumbre briga na Justiça para não dar publicidade a gastos do Senado. Se inspirou num ato assinado pelo então presidente Renan Calheiros para negar acesso retroativo às notas fiscais. Apesar de desagradar a turma da Lava Toga no Senado, Alcolumbre está bem na fita com o Planalto. Um interlocutor disse que Bolsonaro está “apaixonado” pelo senador.”

Sim, Bolsonaro está apixonado pelo Alcolumbre desde lá de trás.

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6. Bolívia

Certo tá o Arce:

“Virtual ganhador das eleições na Bolívia, Luis Arce, 57, diz que quer renegociar os contratos de gás entre seu país e o Brasil, pois o governo brasileiro não deveria ter firmado acordos com uma gestão que não foi eleita de modo democrático —referindo-se à atual presidente, Jeanine Añez.” [Folha]

Qual legitimidade a golpista tinha pra negociar? E sempre lembrando que o Brasil apoiou o golpe e foi o primeiro a reconhecer a Jeanine como presidente, digamos que isso não foi de graça.

“Os mecanismos de relacionamento econômico entre os países ocorrem apesar dos governos —portanto, nesse ponto, as diferenças não me preocupam. A questão que temos de resolver com o Brasil é o gás. Não estamos contentes com a forma como o governo de Jeanine Añez negociou a questão do gás com o Brasil. Principalmente porque não era uma atribuição de Añez. O governo brasileiro deve entender, uma vez que apoiou este governo “de facto”, que falta legitimidade a esse acordo. Queremos revisar os atuais contratos e fazer isso do ponto de vista de uma relação de dois governos que foram eleitos de modo democrático.”

Sobre o papel do Evo em seu governo.

“Não terá cargo. Não sei quando vai vir ou se quer vir agora, porque tem muitos problemas judiciais aqui aos quais terá de responder. Só o que digo é que a nenhum boliviano haverá impedimento de voltar à Bolívia.”

Arce foi perguntado se o estúpido (o adjetivo é meu) quarto mandato do Evo foi um erro

“Sim, e ele mesmo está de acordo com isso.”

E já tem opositores, que de burro não têm nada, rumo ao aeroporto:

“Não tenho a menor dúvida de que vão sair do país assim que possam porque sabem o que fizeram, conhecem os abusos e as mortes que causaram. E que serão cobrados pela Justiça. Agora, os processos por violar a Constituição, por cometer abusos de direitos humanos e repressão já estão abertos. É a Justiça que deve resolver o que acontecerá com eles. Estávamos numa ditadura e agora estamos voltando a uma democracia. Creio que vamos saber de muito mais coisas erradas que fizeram, porque vai acabar a censura. Por isso, estão dando essas declarações e indicando que vão embora.”

Que venha a derrubada da constituição do Pinochet no Chile e a derrota do Trump, Bolsonaro vai dialogar apenas e tão somente com seu espelho. E vai dar esporro no reflexo.

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7. Covid-17

Matéria da Folha diz em seu título: “Países com maiores taxas de mortalidade por Covid-19 vão mal na economia, mostra estudo“. Bem, como Bolsonaro previu menos de 800 mortes o país deve tá voando!

“Países com maiores taxas de mortalidade relacionada à Covid-19, em geral, também apresentaram piores desempenhos econômicos, segundo estudo dos pesquisadores Aloisio Campelo, Marcel Balassiano e Rodolpho Tobler, do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV). O trabalho considera uma amostra de 12 países que representam cerca de 60% da economia mundial: Brasil, EUA, Alemanha, França, Espanha, Itália, Japão, Reino Unido, Canadá, China, Rússia e México. O levantamento relaciona a diferença entre as projeções mais recentes do FMI (Fundo Monetário Internacional), de outubro, que já incorporam os dados efetivos de atividade divulgados por essas economias, e as previsões anteriores à crise com a taxa de mortalidade por milhão de habitantes coletada até a última segunda-feira (19) pelo site Worldometers. A Espanha é o país com a maior taxa de mortalidade da amostra e a maior diferença entre as projeções da taxa de crescimento do PIB. México, Reino Unido e Itália também são países com altas taxas de mortalidade e diferenças de mais de 10 pontos percentuais para o crescimento do PIB, segundo o estudo. China e Japão apresentaram as menores taxas de mortalidade e de mudanças nas projeções econômicas. Brasil e EUA também possuem altas taxas de mortalidade, apresentaram mudanças relevantes entre o projetado em janeiro e outubro, mas em magnitude menor que os demais países da amostra.” [Folha]

Compare a mortalidade…

… e os respecitovs PIBs:

“Segundo os pesquisadores, no caso brasileiro, o efeito do auxílio emergencial ajudou a diminuir as perdas da atividade econômica. Nos EUA, também houve expressivas medidas de estímulo que ajudaram a minimizar as perdas. “São dois países muito ruins na condução da crise de saúde e vão ter quedas fortes [do PIB], mas que poderiam ser piores”, afirma Marcel Balassiano “Brasil e EUA foram países que estimularam bastante as economias, principalmente o próprio consumidor, dando bastante dinheiro para a população, e isso pode ter amenizado essa revisão da taxa, mas ainda há uma correlação positiva entre mortalidade e revisão”, afirma Rodolpho Tobler”

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E taí algo que vai demorar algumas décadas pra gente entender seu impacto brutal:

“O fechamento das escolas e a omissão de alguns estados e municípios durante a pandemia da Covid-19 aprofundaram as desigualdades regionais no Brasil e devem ter impactos profundos sobre a renda futura dos atuais estudantes. Não só a classe A/B estudou mais em 2020 como os estados mais pobres ofereceram muito menos atividades escolares na rede pública a seus alunos. Em média, cada ano de ensino a mais no Brasil representa ganho de 15% no salário futuro e 8% mais chance de conseguir um emprego. Mas, em 2020, uma massa enorme de crianças no ensino fundamental, e jovens no ensino médio, majoritariamente na rede pública, nem sequer teve a alternativa de estudar em casa. No Pará, 62,6% dos jovens entre 16 e 17 anos não receberam atividades escolares das redes de ensino. Na Bahia, 45,3%. No outro extremo, apenas 2,5% do jovens em Santa Catarina, e 3,2% no Paraná, ficaram sem tarefas enviadas pelas escolas.” [Folha]

É pra sentar e chorar…

“No ensino fundamental, a tendência foi a mesma, embora com percentuais menores de estudantes sem tarefas (45,3% no Pará e 26,8% na Bahia, por exemplo). Em São Paulo, 5% dos alunos do ensino fundamental ficaram sem atividades; e 7,5%, no médio. Segundo dados organizados pela FGV Social com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19 de agosto, quanto mais baixa a classe social do aluno, menor foi a oferta de atividade escolar —e, consequentemente, menos horas empenhadas nos estudos. Entre alunos de 6 a 15 anos da classe A/B, por exemplo, apenas 2,9% não tiveram oferta de tarefas escolares em agosto. Na classe E, a média no país foi de 21,1%. Julho, mês de férias escolares, teve números parecidos, o que permite inferir que os resultados de agosto podem ter se repetido, com algumas variações, nos demais meses da pandemia. O Brasil tem cerca de 30 milhões de estudantes entre 6 e 15 anos, e 81,7% receberam atividades das escolas. Entre os alunos de 16 e 17 anos, o percentual médio cai a 76,3%. Do ponto de vista do aumento da desigualdade regional, o problema é que os administradores de estados e municípios que não disponibilizaram tarefas concentram-se justamente nas áreas mais pobres. A falta de conectividade dos alunos não justifica a indisponibilidade de tarefas em muitos locais, já que pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que somente 10% dos alunos brasileiros no ensino médio, por exemplo, não tinham acesso à internet em 2018.

Os alunos de locais menos atendidos por governadores e prefeitos pela educação a distância também estão estudando bem menos horas diárias que seus conterrâneos da classe A/B. Em Alagoas, por exemplo, o segundo estado com mais pessoas na extrema pobreza no país (Maranhão é o primeiro), foram os alunos da classe A/B os que estudaram mais horas no mês de agosto. “Se existia alguma coisa que ainda melhorava no Brasil em termos de desigualdade era a educação. Agora, isso também está sendo quebrado pela pandemia”, diz Marcelo Neri, diretor da FGV Social. “Como preditor da desigualdade futura, o nível educacional é o melhor de todos. A Covid deixará uma cicatriz importante também para o mercado de trabalho.” Neri ressalta que, até 2017, foram os jovens com idades entre 14 e 19 anos os que mais perderam renda do trabalho como consequência da última recessão (2014-2016). Agora, são eles novamente os mais afetados pela perda do ano escolar. A FGV Social destaca que o governo federal também teve responsabilidade em não coordenar uma resposta em nível nacional na área da educação. Até a segunda semana de outubro, segundo o portal Monitoramento dos Gastos da União com Combate à Covid-19, enquanto as despesas totais no enfrentamento à epidemia somavam R$ 448 bilhões, o Ministério da Educação acumula gastos de apenas R$ 479 milhões. Para o economista Naercio Menezes, pesquisador do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper, a “geração coronavírus” provavelmente será menos produtiva e mais desigual em relação às anteriores e posteriores. “Muitos alunos provavelmente abandonarão a escola, especialmente os mais velhos, assim que o mercado de trabalho ou o crime organizado oferecerem mais oportunidades”, afirma. Menezes defende que, para evitar mais evasão escolar, os estados e municípios decidam por não reprovar nenhum de seus alunos diante das condições a que eles foram submetidos em 2020.

Passo ao Nelson de Sá:

“Na submanchete digital do Wall Street Journal, “A divisão global da Covid-19: Enquanto Ocidente titubeia, Ásia mantém vírus afastado”. Bares fechados e outras restrições estão de volta nos EUA e Europa, enquanto se tornam “memória distante” para China, Coreia do Sul e outros. Manchete do New York Times no dia anterior, “Com Covid-19 sob controle, economia da China salta à frente”. Na home page do financeiro alemão Handelsblatt, “China é única grande economia crescendo na crise do coronavírus”. Logo abaixo, “Enquanto temor de lockdown volta a circular na Alemanha, a China colocou vírus sob controle e parece estar vencendo a corrida global pela recuperação econômica”.” [Folha]

E pobre Fiocruz…

“A campanha para eleger o próximo presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) já movimenta grupos bolsonaristas em torno do nome de Florio Polonini Junior. Ele se inscreveu de última hora para concorrer —e lançou sua plataforma oficialmente na terça (20). Polonini é contador e ligado à área administrativa da fundação —e não à de pesquisa.”

“É a chance de tirar a esquerda do topo”, festejou um perfil bolsonarista no Twitter. “Precisamos trazer a Fiocruz pra direita”, disse outro, indicando o nome do contador para voto. Cerca de 5 mil pessoas devem votar para uma lista tríplice. Ela será encaminhada ao Ministério da Saúde, que escolhe, entre os três nomes, o daquele que conduzirá a instituição pelos próximos quatro anos. Além de Polonini, concorrem para o cargo os cientistas Mario Santos Moreira, Rivaldo Venâncio da Cunha e a atual presidente, Nisia Veronica Trindade Lima, que têm uma plataforma comum para a instituição.” [Folha]

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8. Sindemia

Da Mônica de Bole:

“Talvez alguns leitores já estejam familiarizados com o termo sindemia. Ele vem sendo utilizado crescentemente pela imprensa após a Organização Mundial de Saúde, além do renomado periódico científico The Lancet, terem se referido à covid-19 e suas consequências como uma sindemia. Para quem não sabe o que significa, sindemia foi o termo cunhado pelo médico-antropólogo Merrill Singer nos anos 90 com o propósito de formular novas abordagens para o tratamento de doenças e o enfrentamento de problemas de saúde pública. Sindemias consistem em situações onde duas ou mais doenças interagem biologicamente de modo adverso, onde essas doenças coexistem em níveis que caracterizam epidemias nas populações afetadas, e em contextos nos quais fatores socioeconômicos diversos contribuem para o agravamento do problema constatado. Portanto, as sindemias não tratam as doenças isoladamente, tampouco fora do contexto socioeconômico em que despontam, ao contrário do entendimento usual sobre epidemias e pandemias. Há várias razões para que especialistas em saúde e saúde pública, além de cientistas sociais, estejam abraçando o termo sindemia para caracterizar os efeitos da covid-19. A mais visível delas é como a nova doença afeta desproporcionalmente segmentos da população desavantajados seja por motivos raciais, seja por questões relativas à desigualdade e à pobreza. Muitas vezes, tanto raça quanto desigualdade e pobreza interagem, revelando os problemas estruturais subjacentes. Está amplamente documentado que aqui nos EUA negros e hispânicos são os que mais sofrem com a covid-19. No Brasil, são os mais pobres, de maioria negra, os mais afetados. Essa divergência observada no impacto do vírus sobre a sociedade tem características sindêmicas.

Se pensarmos dessa forma sobre a covid-19, há muito com o que se preocupar mesmo que exista uma vacina ou tratamentos para a doença seja quando for. Tomemos a obesidade. A obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de quadros graves ou severos de covid-19. A obesidade é também um fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como a diabetes, a hipertensão, doenças coronarianas, e por aí vai. De acordo com vários estudos recentes sobre a obesidade no Brasil, ela está não apenas em trajetória crescente, como cada vez mais aflige a população de baixa renda e, em particular, as mulheres mais pobres. A inter-relação entre obesidade, diabetes, e covid-19 configura uma sindemia nos moldes descritos acima: as três doenças se exacerbam mutuamente em termos biológicos e estão inseridas no contexto específico de pessoas de renda mais baixa com reduzida segurança alimentar. Do mesmo modo, a inter-relação entre obesidade, hipertensão, e covid-19 também configura uma sindemia, lembrando que a hipertensão eleva outros riscos, como o de AVCs, de doenças renais crônicas, e de vários outros problemas.

O resumo disso tudo é que mesmo depois de passadas as ondas agudas da epidemia no Brasil, haverá um contingente grande de pessoas com doenças crônicas, muitas delas exacerbadas pela covid-19. Essas pessoas provavelmente pertencerão ao mesmo segmento socioeconômico que hoje se associa tanto à covid-19, quanto à existência de doenças como a obesidade. Todas essas pessoas, de variadas faixas etárias, permanecerão dependentes do SUS. Quando o assunto é risco econômico no Brasil, fala-se muito em problemas de natureza fiscal, risco de calote de dívida, descontrole inflacionário, e outros problemas macroeconômicos que evidentemente devem ser pensados e considerados. Contudo, o risco mais importante, na verdade já uma realidade mesmo quando não levamos em conta a covid-19, é o impacto das sindemias existentes sobre a saúde pública e a economia, agravando problemas estruturais subjacentes, sobrecarregando o SUS, e, claramente onerando também as contas públicas. Há uma urgente necessidade de planejamento desde agora para enfrentar o que sobrevirá da crise atual. Dizer que o governo atual não está preparado para dar cabo desses imensos desafios é eufemismo.” [Estadão]

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9. Eleições

O tanto que esse ministro do Turismo é pilantra é espantoso, e Bolsonaro jurando que só tem santo em seu ministério…

“A revolta de mais de um terço dos candidatos a vereador do PSL em BH não se restringe à capital mineira. Além da ex-mulher de Marcelo Álvaro Antônio, que disputa uma vaga de vereadora e recebeu R$ 690 mil da verba do partido, outra campeã de recursos é Delegada Sheila, candidata à prefeitura de Juiz de Fora, com R$ 1,17 milhão. Ela faz dobradinha com o deputado Charlles Evangelista (PSL-MG), presidente formal do PSL-MG e integrante do grupo político comandado por Álvaro Antônio. Entre os 50 candidatos aptos ao pleito, o partido fez repasses, além da mulher do ministro, de R$ 100 mil para o vereador Léo Burguês, que tenta reeleição, e de R$ 60 mil para Maurício Vidal. Este último é secretário parlamentar do deputado federal Delegado Marcelo Freitas, também do partido de Minas. O presidente do PSL da cidade de Belo Horizonte, Jandir Siqueira, minimiza o risco de implosão no partido e não esconde a participação do ministro. “Falo para eles, ‘gente vamos fazer campanha sem se preocupar com quem recebeu mais ou menos’. A lei não diz que tem que ser igualmente para A, B e C”, afirma. “Foi o Marcelo Álvaro quem indicou transferir da sua cota pessoal para Janaína, assim como o delegado Marcelo para o Maurício. O Léo é o único do partido eleito”, justifica. “Mas todos esses vão receber, é só questão de tempo.” Sem receber nada, as candidatas Ana Granata e Fernanda Fiuza ameaçam ir à Justiça contra o partido para questionar ao menos o repasse obrigatório de 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para candidaturas de mulheres. “O que o partido faz pode ser legal, mas imoral”, diz Ana. O PSL nacional tem direito à segunda maior fatia do fundo eleitoral, R$ 199 milhões. Nanico até 2018, a sigla subiu ao topo do recebimento das verbas eleitorais em decorrência da onda de votos recebida na esteira da eleição de Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro abandonou a sigla em 2019 após dizer que o seu fundador e principal cacique, Luciano Bivar, estava “queimado pra caramba”. Nesse mesmo ano, a Folha revelou que a sigla usou candidaturas laranjas para desviar verbas eleitorais da cota feminina em Minas e em Pernambuco.” [Folha]

Esse presidente do PSL é impagável:

“A disputa entre candidatos e a cúpula do PSL em Minas extrapolou a questão financeira, que envolve a divisão de recursos públicos. A direção do partido vetou a participação de Liminha, diretor de palco de Silvio Santos no SBT, em programas de TV. Fernanda Fiuza, candidata a vereadora pela legenda, é mulher de Ailton Lima, mas foi impedida de colocar o marido na televisão. “Justificaram que é pelo fato de o Liminha ser famoso, que seria desigual. Mas é igual competir com R$ 500, enquanto uma só candidata recebe R$ 690 mil”, diz Fernanda, em referência ao dinheiro destinado pelo PSL para a ex-mulher do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo). “O Liminha é o meu companheiro e meu principal cabo eleitoral”. O presidente do PSL rebate. “Liminha, na TV, fica desigual, sim, ele é artista. Seria o mesmo que a Janaína fazer sua propaganda com Marcelo.” Liminha é considerado tão importante na campanha que quando ele viaja a trabalho Fernanda usa um sósia para ir às ruas de BH.” [Folha]

Filho Da Puta Fiadaputa GIF - FilhoDaPuta Fiadaputa GIFs

E olha a malandragem do Covas, pra rebater a promessa de auxílio do Russomano foi logo elogiando Suplicy e…

“Com acusações de que a iniciativa é eleitoreira e bate-boca entre vereadores, o projeto de renda básica emergencial avalizado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) começou a ser discutido nesta terça-feira (20) na Câmara Municipal de São Paulo com o apoio do PT, mas sem contemplar o texto original do vereador petista Eduardo Suplicy . Na semana passada, o tucano candidato à reeleição prometeu uma dobradinha com o petista, defensor histórico da bandeira, ao sinalizar via redes sociais que apoiaria a aprovação de um texto, protocolado por Suplicy no Legislativo em abril, que liberaria o pagamento por causa da pandemia do coronavírus. Nesta terça, a prefeitura surpreendeu o PT ao apresentar um substitutivo (novo texto) de um projeto de lei sobre o tema enviado pelo Executivo em 2016, na gestão Fernando Haddad (PT). A versão encaminhada para votação desidratava a proposta original e restringia o benefício a um período de três meses. O projeto foi aprovado em primeira votação com 39 votos favoráveis e 2 contrários. Pelo acordado até o momento, até três pessoas da mesma família poderão receber R$ 100 por três meses, que posteriormente poderiam ser prolongados.” [Folha]

Porra, Mário, puxa o pé do teu neto, nunca te pedi nada!

“Durante a sessão, Suplicy usou as redes sociais para cobrar Covas e o presidente da Câmara e aliado do prefeito, Eduardo Tuma (PSDB), sobre o descumprimento da promessa. “Infelizmente não é isso [o projeto do petista, endossado por outros vereadores] que está sendo votado”, reclamou. Na troca de mensagens públicas, Tuma afirmou na última quarta-feira (14) que o texto seria incluído na pauta desta semana. A movimentação de Covas também criou uma saia justa no PSOL e no PSB: enquanto os candidatos Guilherme Boulos e Márcio França faziam críticas a Covas por apoiar a ideia só às vésperas da eleição, já era consenso entre vereadores das duas legendas que o voto favorável seria inevitável. “Obviamente votaremos favoravelmente, mas deixando claro que é um estelionato eleitoral, oportunismo e incoerente com os ataques que o PSDB promove contra os trabalhadores”, disse nesta terça Celso Giannazi, líder da bancada do PSOL.”

E olha o tanto de urubu:

“Depois de ser apresentado por Suplicy, outros vereadores solicitaram coautoria no projeto. Hoje são 29 coautores, de 12 partidos. O texto chegou a ser colocado para votação três vezes, em julho e em setembro, mas sofreu boicote de vereadores da base de Covas, que deram voto contrário ou não se registraram para votar, dificultando o quórum. No último fim de semana, a avaliação era a de que, com o novo cenário, o projeto poderia ser aprovado até por unanimidade na Câmara. A discussão teve uma guinada nesta terça, com a decisão do governo Covas de ressuscitar o texto formulado pela gestão Haddad. O argumento oficial para descartar a proposta liderada por Suplicy foi o de que, por se tratar de iniciativa que cria despesa para a prefeitura, o assunto só poderia ser legislado por meio de um projeto de autoria do próprio Executivo. O vereador petista também participou da elaboração desse projeto, na época em que era secretário de Direitos Humanos de Haddad. Só que, diferentemente da versão original, que previa um programa permanente e universal de renda básica, a nova se restringia a um pagamento emergencial em decorrência da pandemia. Suplicy afirmou que o projeto havia sido descaracterizado e apresentou uma emenda, que não foi aprovada.”

E vai bem demais a política brasileira:

“Nas últimas eleições municipais, um candidato da Grande São Paulo que andava de Ferrari, declarava patrimônio milionário em dinheiro vivo e tinha financiamento de campanha suspeito fez acender o alerta em autoridades sobre um problema que pode se disseminar nas disputas pelo país neste ano. Atual prefeito de Embu das Artes, Claudinei Santos (Republicanos) chegou a ser cassado em 2018 por ter recebido em sua campanha dinheiro do crime organizado, mais especificamente do PCC, a quem o Ministério Público Eleitoral diz ele ser ligado. Mesmo tendo sua gestão marcada por confusões judiciais, incluindo a cerimônia de posse enquanto esteva foragido, Ney Santos, como é conhecido, é candidato à reeleição e formou a maior coligação da cidade da Grande São Paulo, com apoio de sete partidos.” [Folha]

Como é que vai dizer não pra candidato do PCC?!

“Para a polícia e o Ministério Público, Ney Santos mantém relação com o PCC desde que passou dois anos preso, de 2003 a 2005, suspeito de roubo a uma transportadora de valores, crime do qual acabou absolvido por falta de provas. Ney Santos teve o patrimônio multiplicado após deixar a cadeia naquele ano, e tanto na eleição de 2016 quanto na deste ano, declarou possuir mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo. A posse de recursos em espécie não é ilegal, mas costuma gerar suspeitas por ser uma maneira de encobrir a arrecadação com fontes ilícitas. Oficialmente, sua atividade profissional era posse e administração de postos de combustíveis. Seus percalços na vida pública começaram em 2010 e passaram até por um habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal). Dez anos atrás, Ney Santos lançou sua primeira candidatura ao concorrer a deputado federal pelo PSC, impulsionado pela atividade comunitária por meio de uma ONG chamada Vida Feliz. Mas também naquele ano foi alvo, em meio à campanha, de uma operação da Polícia Civil que apreendeu uma Ferrari que estava em nome de uma empresa sua. O automóvel foi avaliado em R$ 1,4 milhão na época. Também foi alvo uma casa em Alphaville, na Grande São Paulo. Um dos argumentos contrários a Ney Santos, sempre repetidos na Justiça, é a evolução patrimonial dele e de pessoas próximas. Em 2005, aos 25 anos, época em que saiu da cadeia, declarou ter R$ 105 mil em espécie. Quatro anos mais tarde, informou ter R$ 790 mil em dinheiro vivo, segundo a Promotoria.​ Em 2012, ano em que se elegeu vereador em Embu das Artes, declarou participação em seis postos de combustíveis. Ascendeu à presidência da Câmara Municipal durante gestão do PT, mas se lançou à prefeitura em 2016 com o apoio de partidos como PSDB e MDB. ​Foi a sua vitória com 79% dos votos válidos, há quatro anos, que levou os investigadores a acelerar a apuração a respeito do político. À cerimônia de posse, em 1º de janeiro de 2017, Ney Santos enviou apenas uma carta listando os motivos de não ter comparecido. Mesmo foragido, conseguiu ser diplomado na Justiça Eleitoral e pediu habeas corpus ao Tribunal de Justiça, por meio do advogado Alberto Toron, um dos principais criminalistas do país. Conseguiu suspender o mandado de prisão com um habeas corpus expedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF. Assumiu o cargo 38 dias depois da data marcada.”

Sim, ele mesmo, Marco Aurélio!

E essa aqui?

“Delegada Patrícia, a candidata a prefeita de Recife que se referiu à cidade, há nove anos, como “Recífilis”, propôs que se discuta o “futuro” e não o “passado”. “Estamos sendo atacados por algumas publicações realizadas em uma rede social há nove anos. Isso é um expediente de quem está desesperado porque estamos crescendo nas pesquisas, rumo ao segundo turno, rumo à vitória”, afirmou a candidata, em quarto lugar. E emendou: “Em vez de comentar publicações que fiz há quase 10 anos, prefiro discutir sobre a falta de saneamento, a falta de segurança e as acusações de corrupção e desvio de dinheiro público que levou a polícia a fazer sete visitas à prefeitura somente este ano. Vamos falar sobre o futuro do Recife, e não o passado”. A candidata à Prefeitura de Recife pelo Podemos, além se de referir à capital pernambucana como “Recífilis” em 2011, no Facebook, também fez piada sobre atirar em pessoas. Escreveu Patrícia em seu Facebook na época: “A maioria das pessoas só está viva pq é ilegal atirar nelas kkkkkkk”.” [Época]

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10. Milícia

Do Gaspari

“A má notícia vem de um consórcio de pesquisadores: metade dos bairros do Rio de Janeiro estão ocupados por milícias. Um em cada três moradores da cidade vive em áreas controladas por essas organizações criminosas. A boa notícia está nas livrarias. É “A República das Milícias”, do repórter Bruno Paes Manso, com um retrato da construção dessa ruína social. Paes Manso mostrou como os justiceiros surgiram até de forma simpática: “Milícias de PMs expulsam tráfico”. Isso em 2005, passaram-se 15 anos e a simpatia é atraída para a notícia de que na semana passada a polícia do Rio matou 12 milicianos. Policiais expulsando traficantes de drogas em nome da benemerência era uma lenda urbana. Logo veio o controle das vans que faziam transporte ilegal de passageiros. (A Fetranspor, guilda dos empresários que faziam transportes legal, corrompia parlamentares e governadores.) É difícil acreditar que Jair Bolsonaro não conhecesse a cidade em que vivia quando disse, em 2018, que “as milícias tinham plena aceitação popular, mas depois acabaram se desvirtuando. Passaram a cobrar gatonet e gás”. Bolsonaro tinha no seu entorno o ex-sargento Fabrício Queiroz e o ex-capitão Adriano da Nóbrega. Um está preso. O outro, foragido, foi queimado no interior da Bahia.

Pela lenda urbana 1.0 a milícia vendia segurança, cobrando de R$ 15 a R$ 60 por família no bairro que protegia. A milícia “desvirtuada”cobraria pelo gás ou pelo gatonet (cerca de R$ 50). É a lenda urbana 2.0. Mesmo deixando-se pra lá que cobram entre R$ 30 e R$ 300 dos comerciantes, em pouco mais de uma década, elas avançaram nos mercados de regularização de terrenos e de construções ilegais. Privatizam espaços públicos achacando camelôs e motoristas que estacionam seus carros. Outra lenda urbana esteve na ideia segundo a qual as milícias combatiam o tráfico de drogas. Pode ser que isso já tenha acontecido, mas hoje elas toleram os traficantes ou se aliam a eles. Não é preciso ser um gênio para perceber que essa fusão é inevitável. Quando Bolsonaro defendia os milicianos era apenas um parlamentar federalmente inexpressivo e municipalmente astuto. Hoje é o presidente da República. No seu estado ajudou a eleger um juiz que prometia “mirar na cabecinha” e foi afastado por mau uso do dinheiro da Viúva. O prefeito da cidade que persegue o apoio do capitão foi apanhado usando o dinheiro da Viúva para custear uma milícia que constrangia cidadãos insatisfeitos com a saúde pública. Bolsonaro, como Wilson Witzel, elegeu-se com um discurso político de defesa da lei e da ordem. O governador do Rio perderá a cadeira e deverá batalhar para ficar solto. Bolsonaro e os generais da reserva que levou para o Planalto estão reciclando suas agendas moralistas. Para quem falava em segurança e combate à corrupção, a pesquisa das milícias e o livro de Bruno Paes Manso estão aí para mostrar que não adianta olhar para o lado. A menos que se pretenda colocar mais uma lenda urbana na ciranda, a dos confrontos nos quais morrem os milicianos que expulsavam os traficantes. Como o tráfico vai bem, obrigado, o que se fez foi colocar na praça um novo tipo de bandido, o miliciano. Como as milícias são quase sempre recrutadas na polícia, com a proteção de governantes, seria melhor olhar para dentro.” [Folha]

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11. Um Trump Muito Louco

Quem mais além do Bolsonaro se foderia com a vitória do Biden?

“Embora muitos governos provavelmente celebrem o fim da presidência menos convencional — e às vezes mais caótica — dos tempos modernos nos EUA, outros terão motivos para lamentar. Para os líderes da Turquia, Coreia do Norte e Israel, as contas têm sido bem mais positivas do que negativas. A remoção de Trump da Casa Branca deixaria-os reféns de desafios imediatos. Os cálculos de países como a China são mais matizados. Ainda assim, o que os beneficiários, a maioria deles autoritários, dos quatro anos de Trump no cargo têm em comum é o medo de que sua saída signifique o retorno de uma política externa americana mais convencional. Isso poderia levar os Estados Unidos a consertar alianças e promover a universalidade de valores como democracia e direitos humanos, ou a luta contra as mudanças climáticas. — Esse presidente acolhe todos os valentões do mundo — disse Joe Biden, o adversário de Trump, em um evento recente, enquanto procurava ressaltar a divisão política.

Nenhum relacionamento com os EUA mudou mais do que o da Coreia do Norte sob o governo Trump. O que começou com ameaças e insultos mútuos se transformou em um caso de amor às vezes estranho quando Kim e Trump se encontraram três vezes e trocaram mais de duas dúzias de cartas, mostrando sua química “misteriosamente maravilhosa”. No entanto, a abordagem radicalmente diferente dos EUA também falhou em garantir a desnuclearização da Coreia do Norte. Em 10 de outubro, Kim revelou um novo míssil balístico intercontinental (ICBM) gigante que parece ter a capacidade de lançar várias ogivas nucleares. Biden disse que não se reunirá com o líder norte-coreano se as pré-condições não forem atendidas, tornando menos provável qualquer suspensão rápida das sanções que levaram a economia da Coreia do Norte à sua pior recessão em duas décadas.

Trump deu o tom de sua abordagem para as relações internacionais na Arábia Saudita e escolheu Riad para sua primeira visita ao exterior em 2017. Ele foi saudado por uma enorme imagem de seu próprio rosto projetada na fachada do hotel palaciano onde sua delegação se hospedou. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita conquistou passos importantes, notadamente a retirada de Trump do acordo nuclear de 2015 com o Irã, maior rival de seu país. Trump também ofereceu apoio pessoal e vetou sanções do Congresso quando MBS, como é conhecido, foi cercado por acusações em 2018 de que havia ordenado o assassinato de um importante crítico do regime, o jornalista Jamal Khashoggi. Houve, porém, decepções para a Arábia Saudita, em particular o fato de Trump não ter dado uma resposta militar a um ataque de 2019 a instalações de petróleo no Leste da Arábia Saudita, que os EUA atribuíram ao Irã. Os líderes sauditas dizem estar confiantes de que conseguirão avançar com um governo Biden. Ainda assim, sem Trump, uma abordagem mais tradicional dos EUA aos direitos humanos provavelmente retornará, e uma porta poderia ser aberta para reviver o acordo com o Irã.

Se alguém confia mais em Trump que MBS para sua proteção política, é o Presidente da Turquia. Trump ficou praticamente sozinho entre a Turquia e a imposição de sanções do Congresso sobre a decisão de Erdogan de comprar o sistema de mísseis de defesa aérea S-400 da Rússia, apesar de ser um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte, NATO. Sua ligação pessoal permitiu a Erdogan persuadir Trump a retirar as tropas americanas das áreas curdas no Norte da Síria para que a Turquia pudesse enviar suas próprias forças para assumir o controle da área. Trump tomou essa decisão sem consultar o Pentágono ou os aliados dos EUA na luta contra o Estado Islâmico na Síria, incluindo o Reino Unido, a França e os combatentes curdos que a Turquia considera terroristas. Com as sanções prontas para serem aplicadas e Biden pedindo previamente aos Estados Unidos que apoiem os partidos de oposição turcos, Erdogan pode ser o líder internacional que mais tem a perder com a saída de Trump.

Trump tem sido mais agressivo com a China do que qualquer presidente americano na história recente, impondo tarifas sobre produtos chineses e agindo para restringir seu acesso a tecnologias essenciais. No entanto, as autoridades chinesas disseram que, de modo geral, os líderes preferem que Trump fique. Trump sacudiu o sistema de alianças pós-Segunda Guerra Mundial que a China vê como uma restrição a suas ambições geopolíticas, beneficiando consideravelmente o gigante asiático. Ele também minou a estatura internacional americana ao encerrar acordos para priorizar políticas do tipo “EUA em primeiro lugar”, o que criou oportunidades para o presidente chinês preencher o vazio de liderança internacional resultante em diversos campos, desde comércio até mudança climática. A preocupação de Pequim com Biden é que ele tente criar uma frente internacional mais coordenada para lidar com a China, ao mesmo tempo em que mantém pressão sobre o comércio e a tecnologia. Ainda assim, a China pode se beneficiar de um relacionamento menos emocional com Washington se Trump perder, de acordo com Zhu Feng, professor de relações internacionais da Universidade de Nanjing. — As pessoas realmente querem que a China e os Estados Unidos entrem em uma guerra fria? — questionou.

A suposta intromissão da Rússia nas eleições de 2016 deu origem a uma investigação formal dos EUA e a um relatório de 448 páginas. Mas de alguma forma Putin levou a melhor. No cargo, Trump questionou o valor da OTAN e até mesmo o status de países como a Alemanha como aliados, enfraquecendo uma aliança transatlântica que os líderes russos e soviéticos desde Joseph Stalin tentaram romper. Há muitas razões para pensar que essa tendência continuaria durante um segundo governo de Trump. Apesar de o presidente da Rússia ter obtido poucos dos benefícios que desejava — desde a suspensão das sanções até o progresso no controle de armas — autoridades russas veem perspectivas de progresso um pouco melhores sob um governo Biden. Em vez de lamentar o sentimento antirrusso, o Kremlin poderia tentar mudá-lo, segundo Fiona Hill, diretora sênior de assuntos europeus e russos do Conselho de Segurança Nacional até 2019.

Trump quebrou repetidamente o precedente americano para impulsionar a agenda nacionalista do líder israelense, reconhecendo a soberania de Israel sobre as disputadas Colinas de Golan e mudando a embaixada americana para Jerusalém. Planos para anexar partes da Cisjordânia palestina foram arquivados, mas podem ser reativados em um segundo mandato de Trump. A verdadeira recompensa veio em setembro, quando o presidente americano negociou acordos de normalização entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e Bahrein, mas houve um custo: o apoio bipartidário a Israel no Congresso diminuiu. Muitos israelenses temem que seu país enfrente um maior escrutínio sob o governo Biden, enquanto as cúpulas de segurança estão preocupadas com o retorno dos EUA ao acordo nuclear com o Irã.” [O Globo]

Tamos bem acompanhados pra caralho, hein…

E deve existir um círculo novinho em fiolha no inferno só esperando Trump e Stephen Miller, o arquiteto de sua política de imigração.

“Lawyers appointed by a federal judge to identify migrant families who were separated by the Trump administration say that they have yet to track down the parents of 545 children and that about two-thirds of those parents were deported to Central America without their children, according to a filing Tuesday from the American Civil Liberties Union. The Trump administration instituted a “zero tolerance” policy in 2018 that separated migrant children and parents at the southern U.S. border. The administration later confirmed that it had actually begun separating families in 2017 along some parts of the border under a pilot program. The ACLU and other pro-bono law firms were tasked with finding the members of families separated during the pilot program. Unlike the 2,800 families separated under zero tolerance in 2018, most of whom remained in custody when the policy was ended by executive order, many of the more than 1,000 parents separated from their children under the pilot program had already been deported before a federal judge in California ordered that they be found.

“It is critical to find out as much as possible about who was responsible for this horrific practice while not losing sight of the fact that hundreds of families have still not been found and remain separated,” said Lee Gelernt, deputy director of the ACLU Immigrants’ Rights Project. “There is so much more work to be done to find these families. “People ask when we will find all of these families, and sadly, I can’t give an answer. I just don’t know,” Gelernt said. “But we will not stop looking until we have found every one of the families, no matter how long it takes. The tragic reality is that hundreds of parents were deported to Central America without their children, who remain here with foster families or distant relatives.” The ACLU and other organizations that are part of a court-appointed “steering committee” learned that more than 1,000 families were separated in 2017 based on data provided by the Department of Homeland Security. Of those, the committee has been able to contact the parents of more than 550 children and believes about 25 of them may have a chance to come back to the U.S. for reunification.” [CBS]

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>>>> Força, Tonho da Lua! “Carlos Bolsonaro usou nesta quarta-feira o perfil do pai por engano para atacar a coluna. Carlos, que foi eleito e recebe para ser vereador no Rio de Janeiro, mas mostra afinco ao operar as redes sociais e cuidar, à sua maneira, da popularidade do presidente, cometeu uma gafe no Facebook: “Ocupo o cargo de vereador”, escreveu, na conta de Jair Bolsonaro. “Estou impossibilitado de ser o “Controlador Geral da União” nomeado pel(x) Guilherme Amado, pois momentaneamente ocupo o cargo de vereador da cidade do Rio de Janeiro! Há impedimento legal!”, bradou Jair. Quer dizer… Carlos. Não é a primeira vez que Carlos deixa rastros do controle que tem sobre as redes do presidente da República. No ano passado, ele chegou a vetar o acesso do pai ao Twitter, durante desentendimento familiar. Em outro episódio, o perfil de Jair Bolsonaro publicou um post sobre Carlos Bolsonaro, abordando um projeto da Câmara de Vereadores carioca. Pouco depois o post foi apagado e republicado na conta de Carlos.[Época]

>>>> Notícias do cagão: “Um acordão no Senado levou o ex-vice-líder do governo Jair Bolsonaro Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro na cueca e entre as nádegas, a pedir nesta terça-feira (20) afastamento por 121 dias. O parlamentar ganha, com isso, sobrevida na Casa, que vinha sendo pressionada a dar uma resposta após a apreensão de R$ 33,1 mil na casa dele em Boa Vista. Após a decisão, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, retirou da pauta desta quarta-feira (21) o julgamento que discutiria a permanência do senador no cargo. Uma liminar de Luís Roberto Barroso ordenava o afastamento por 90 dias. Rodrigues é investigado sob suspeita de envolvimento em desvios de dinheiro no combate à Covid-19 em Roraima.A costura para que Rodrigues se licenciasse do cargo começou no dia em que Barroso determinou o afastamento do senador, na quinta-feira (15). O senador só deixaria o cargo após o plenário da Casa analisar a decisão do STF. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e aliados do congressista ficaram contrariados com a decisão monocrática do ministro do Supremo. Eles queriam evitar que o Senado avaliasse uma ordem de Barroso e eventualmente a derrubasse. Isso traria desgaste ao Congresso. No começo desta semana, o afastamento Rodrigues foi defendido pelo senador Jayme Campos (DEM-MT), presidente do conselho de ética do Senado. Campos, aliado de Rodrigues, defendeu que o senador pedisse licença de 120 dias. Dessa forma, Rodrigues teria 30 dias a mais para se defender do que o tempo do afastamento que havia sido determinado por Barroso. Assim, o processo em que o ex-vice-líder é alvo no conselho de ética poderá seguir seu trâmite, sem a presença de Rodrigues. Com o afastamento solicitado pelo próprio senador, pelo período de 121 dias, Rodrigues poupou o plenário do Senado de enfrentar o desgaste de decidir pelo seu afastamento. A decisão do senador agora licenciado abre margem para que o cargo seja ocupado pelo seu suplente. O primeiro na lista é seu filho, Pedro Rodrigues (DEM-RR). Desde a semana passada, a Folha mostrou que um grupo de senadores vinha articulando um movimento para analisar no colegiado o caso de Rodrigues, retardando, com isso, a decisão do Supremo. ​Com o afastamento de iniciativa própria agora do congressista, os senadores contornaram a decisão, por ora ainda monocrática de Barroso, e deram mais tempo a Rodrigues para se defender, antes de o caso ir ao plenário da Casa.” [Folha]

>>>> A última do Doria: “A gestão João Doria (PSDB) pretende reduzir em 21% as despesas com o programa Vivaleite em 2021, de acordo com a proposta orçamentária enviada à Assembleia Legislativa. Em 2020, a projeção foi a de investir R$ 182 milhões na distribuição de leite para crianças e idosos da população mais pobre. Para 2021, o valor caiu para R$ 143 milhões. Até a semana passada, mais de R$ 155 milhões já haviam sido empenhados no programa em 2020. Criado em 1999, o Vivaleite é o maior programa de distribuição gratuita de leite pasteurizado do Brasil, segundo o governo do estado, e é responsável por entregar atualmente mais de 70 milhões de litros de leite para mais de 370 mil pessoas em estado de vulnerabilidade. O programa prioriza o atendimento às famílias com renda mensal de até 1/4 do salário mínimo per capita. Seu público alvo são crianças, de seis meses a cinco anos e 11 meses, e idosos acima de 60 anos. Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social afirma que o Vivaleite irá atender o mesmo número de beneficiados no próximo ano, mas com economia de recursos por meio de renegociação de contratos e redução de custos operacionais. O Painel mostrou que a gestão Doria também incluiu na proposta de lei orçamentária para 2021 o aumento em 74% nas despesas com publicidade institucional. Na lei orçamentária do ano anterior, eram R$ 88 milhões, que deverão se tornar, segundo a proposta, R$ 153,2 milhões. O tucano pretende ser candidato à Presidência em 2022.” [Folha] E Doria vai dar um jeito de passar propaganda de SP em outros estados, e não será a primeira vez que ele faz isso.

>>>> Imagine a cara de merda do ministro terrivelmente fascista: “Gestores de segurança pública do Nordeste pediram apoio ao Ministério da Justiça para a recriação de um conselho regional para tratar do tema. O pleito foi apresentado nesta terça (20) em Natal (RN) durante encontro promovido pela Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública). O órgão tem feito reuniões pelo país para ouvir demandas. Em 2019, decreto de Jair Bolsonaro extinguiu dezenas de conselhos. O governo manteve apenas 32 órgãos colegiados em funcionamento.” [Folha]

>>>> Um grande fracasso sob qualquer ângulo que se veja: “O ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann diz que a piora nos índices da violência no País “atestam o fracasso” até aqui do governo de Jair Bolsonaro na área. Ele explica: apesar de ter sido eleito empunhando a bandeira da redução da criminalidade, o presidente até agora não apresentou uma política nacional consistente para minorar a epidemia de assassinatos e feminicídios que encurrala o País. “Bolsonaro se elegeu com dois pilares importantes: a segurança pública e o discurso de combate à corrupção. Os números atestam o fracasso do seu governo na segurança”, disse. Jungmann reconhece que, na ponta, a segurança é de responsabilidade dos governadores. Mas lembra que, durante a campanha, “Bolsonaro chamou para si essa responsabilidade e, agora, não tem como a piora nos índices (conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública) não cair no colo dele”. Qual é a política de Segurança Pública? É distribuir armas para a população? Isso é multiplicar assassinatos, como vemos”, afirma ele. A avaliação é de que neste ano se colhe o trabalho do ano anterior. E, em 2020, ficou claro que a prioridade da pasta, então sob Sérgio Moro, tinha outras prioridades, como a aprovação do pacote anticrime.” [Estadão]

Dias 658 | “Eu não apostei e nem joguei na hidroxicloroquina” | 20/10/20

Logo menos sai o podcast, os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. “Eu não apostei e nem joguei na hidroxicloroquina

Esse governo é inacreditável. Depois de dar all-in de cloroquina e manter a aposta insana mesmo com estudos globais desmentindo sua eficácia para Covid o governo deu um 360 e fez uma cerimônia patrótica para apresentar uma droga revolucionária, que no caso é aquele vermífugo que de novo não tem nada.

EU NÃO APOSTEI E NEM JOGUEI NA HIDROXICLOROQUINA”, viado, ele falou isso! E a cientista responsável ainda protagonizou essa cena maravilhosa, em pleno palácio ela deixou claro que cloroquina não funciona.

O governo conseguiu a proeza de anunciar um estudo que ainda não foi publicado. E não só isso, não foi dado nenhum número, nenhum estatística, nada. Só um falatório qualquer, palmas ao grande líder e ao astronauta e um estupendo gráfica genérico de banco de vídeos, e achei bonita essa homenagem ao Deltan do Powerpoint, sem dúvida nenhuma esse governo não deixou a dever em nada ao powerpoint do Lula.

“O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, afirmou no Twitter, na segunda-feira (19), que um gráfico apresentado pela pasta que mostrava, supostamente, a eficácia de um remédio contra a Covid-19 era “meramente ilustrativo”. O ministro disse que a substância havia reduzido a quantidade (carga viral) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no corpo de pacientes infectados, mas não apresentou a íntegra da pesquisa – que, segundo ele, ainda não foi publicada em revista científica. Além disso, a imagem que ele apresentou ao fazer o anúncio não continha nenhum dado, e era semelhante às disponíveis em um serviço de banco de imagens” [G1]

Entendeu? O estudo não foi publicado mas o governo já foi logo divulgando essa conquista do patriótico governo Boslonaro,

“Pontes disse, também, que os “gráficos e números da pesquisa serão apresentados depois do artigo publicado”.”

E olha a loucura:

“A nitazoxanida é um medicamento utilizado no país pelos nomes comerciais Azox e Annita, e faz parte do grupo dos antiparasitários e vermífugos. O remédio também tem ação antiviral e é receitado em casos de rotavírus. Para evitar automedicação, a droga passou a ser vendida apenas com prescrição médica em abril deste ano. Entretanto, uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 1º de setembro retirou a exigência de retenção da receita.”

Pra ficar claro: Mandetta impôs venda só com receita e Pazuello cumpriu as ordens do chefe em setembro. Ah, e olha a malandragem do general:

“O anúncio desta segunda-feira teve ainda a ausência do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Em seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro disse que o general tinha tido um pequeno problema de saúde. Em nota, após a revelação do presidente, a assessoria do Ministério da Saúde limitou-se a dizer que Pazuello “teve um pequeno mal-estar nesta tarde e já está bem”.” [UOL]

Da cientista responsável pela pesquisa>

“”Como cientistas, sempre pensamos que o artigo deve ser publicado e revisado por pares. Entretanto, mesmo na pandemia, há um tempo entre a submissão e a publicação. Seria correto omitir esse dado e aguardar que em um mês 14 mil pessoas morressem?”, afirmou a coordenadora do estudo, Patrícia Rocco, da UFRJ.” [Folha]

Ninguém tá dizendo isso, mas fazer um anúncio desse naipe e não revelar nada, nenhum número, nenhuma estatística?!

“Segundo ela, o estudo, randomizado e duplo-cego, envolveu sete centros de pesquisa, distribuídos no estado de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. De acordo com o ministério, os dados correspondem ao resultado de testes em 500 voluntários. Rocco diz que os voluntários foram divididos em dois grupos: um recebeu placebo e outro o medicamento, conhecido pelo nome comercial Annita. “Constatamos que a nitazoxanida, em comparação ao placebo, acarretou ao fim da terapia uma redução da carga viral e maior número de pacientes com resultados negativos para o Sars-CoV-2”, informou. O estudo completo, porém, teria envolvido 1.575 participantes. O ministério atribui a diferença de dados ao fato de que uma parte do estudo ocorreu com pacientes com quadro grave e, em uma segunda etapa, em pacientes com sintomas iniciais da doença. O resultado da primeira etapa ainda não está disponível. “Espero que nas próximas semanas tenhamos resultados”, disse Rocco.”

Steve Harvey Reaction GIF

E era sim possível divulgar o estudo, veja só:

“Entretanto, para a bióloga Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência, haveria sim alternativas para que os resultados do ensaio fossem publicados sem que isto impedisse sua divulgação internacional. Em agosto, o instituto chegou a abrir uma solicitação via Lei de Acesso à Informação para obter mais informações sobre o projeto de pesquisa com a nitazoxanida. Diante da justificativa dada pelo governo nesta segunda-feira de que os resultados não poderiam ser apresentados pois interromperiam o processo de publicação em um periódico internacional, Pasternak indica que a alternativa de divulgação em plataformas de pré-print (ainda sem a chamada revisão pelos pares, etapa fundamental em periódicos) existe para isso. “Principalmente durante a pandemia, tem-se publicado muito mais pré-prints do que de costume justamente porque a gente sabe que a revisão pelos pares demora. E mesmo as revistas de maior prestígio, como a Lancet, a Nature, a Science, não têm problema se houver a publicação do pré-print antes.”” [BBC]

O estudo propalado pelo governo não foi publicado ainda mas já tem artigo brasileiro publicado indo na contramão:

“O que comprovaria este sucesso seria, segundo o governo, um ensaio clínico (envolvendo humanos) com o medicamento — normalmente uma etapa mais importante e criteriosa em experimentos com remédios, um passo além de testes in vitro. Entretanto, o governo ainda não divulgou, nem para a imprensa e nem para a comunidade científica, qualquer documento com resultados do estudo. Mas não carece de publicação apenas este estudo coordenado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia. Segundo dados do sistema COVID-NMA, em que são registrados projetos de pesquisa de todo o mundo, não foi publicado ainda qualquer estudo com a nitazoxanida envolvendo pacientes. Dos mais de 1,9 mil ensaios com vários remédios registrados ali, 24 projetos envolvem o antiparasitário — a maioria deles no Brasil (7 ensaios), Egito (7) e Estados Unidos (3). Alguns destes já estão recrutando pacientes, mas nenhum deles foi concluído e publicado. Um artigo publicado por cientistas egípcios no periódico Journal of Genetic Engineering & Biotechnology indicou que a nitazoxanida seria uma boa candidata para ensaios clínicos por ter mostrado, em algumas pesquisas in vitro, ação contra o coronavírus. Também favoreceria sua ação antiviral já documentada contra outros coronavírus, vírus da influenza, hepatite C e B. Entretanto, mesmo in vitro o sucesso da nitazoxanida não pareceu unânime: um estudo divulgado em plataforma de pré-print (ainda sem a chamada revisão de pares e publicação em revista científica) por pesquisadores brasileiros afastou sua eficácia contra o coronavírus

Vamos ao astronauta:

“Ele ressaltou, porém, que o medicamento não pode ser usado para prevenção. “O que posso dizer é que temos agora um medicamento comprovado cientificamente que é capaz de reduzir a carga viral. Significa que reduz o contágio das pessoas que tomam o medicamento”, afirmou.”

PO astronauta e a cinetista esqueceram de combinar o discuyrso, se não foi revisado por pares como foi comprovado cientificamente?!

E Bolsonaro tava como?!

“Em discurso nesta segunda, Bolsonaro voltou a usar o evento para defender o remédio e fez ataques diretos ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a quem chamou de “ministro marqueteiro”. No cargo, o ex-ministro se posicionou contra a ampliação da oferta da cloroquina. Bolsonaro disse ainda que seu governo acertou no combate à doença, apesar de ser o segundo país com mais mortes registradas pela Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. “A história vai mostrar quem estava com a razão. A história vai mostrar quem se preocupou com a sua própria biografia”, disse, em referência ao ex-ministro. “E, no nosso ministério, chegamos à conclusão de que fizemos a coisa certa”, acrescentou.​”

Sim, previu menos de 800 mortes e a pilha d corpos já ultrapassa 150 mil, imagina se eles tivessem feito a coisa errada…

E não basta fazer uuma apresentação absurda de mais um remédio milagroso, tem que sabotar as vacinas de forma acintosa, isso aí é uma cioleção de crimes de responsabilidade:

“”O meu ministro da Saúde já disse claramente que não será obrigatória esta vacina e ponto final. Da nossa parte, a vacinação, quando estiver em condições de, depois de aprovada pelo Ministério da Saúde e com comprovação científica e, assim mesmo, ela tem que ser validada pela Anvisa, daí nós ofereceremos ao Brasil, de forma gratuita, obviamente. Mas repito: não será obrigatória[Folha]

Atenção, Brasil!

“Tem que ter comprovação científica. O país que está oferecendo essa vacina tem que primeiro vacinar em massa os seus, depois oferecer para outros países”

filho da puta kkk

Olha essa dele pouco depois da cerimônia:

Sim, um apoiador classificou a vacina chinesa como “DESGRAÇA FEITA NAS COXAS” e riu, tô curioso pra saber como o tradutor do governo chinês há de traduzir essa ofensa.

“Não quero acusar ninguém de nada aqui, mas essa pessoa está se arvorando e levando terror perante a opinião pública. Hoje em dia, pelo menos metade da população diz que não quer tomar essa vacina. Isso é direito das pessoas. Ninguém pode, em hipótese alguma, obrigá-las a tomar essa vacina. A vacina contra o Covid, como cabe ao Ministério da Saúde definir esta questão, não será obrigatória. Então, quem está propagando isso aí, com toda certeza, é uma pessoa que pode estar pensando em tudo, menos na saúde ou na vida do próximo”

Da Thaís Oyama:

“Líderes populistas têm um fraco por remédios milagrosos. Nicolás Maduro já prescreveu no Twitter sua receita de antídoto para o coronavírus — uma garrafada misturando capim-santo, gengibre, sabugueiro, pimenta-do-reino, mel e limão. Alexander Lukashenko, o ditador de Belarus, recomendou vodca e banhos de sauna à população. No Brasil, Jair Bolsonaro continua a liderar a seita dos adoradores da cloroquina, o remédio sem comprovação científica que até Donald Trump, ex- entusiasta da panaceia, desprezou na hora do aperto. Agora, um vermífugo de eficácia tão comprovada quanto a cloroquina está prestes a ganhar o coração do presidente. O remédio defendido por Marcos Pontes – chamado internamente no Palácio de Planalto de “o astronauta”, e neste caso menos por distinção do que por uma alegada familiaridade do ministro com o mundo da lua — foi apresentado em cerimônia no Palácio do Planalto com cuidados à altura de seus até agora desconhecidos méritos. A atestar a eficácia do vermífugo no combate à Covid-19, o ministro apresentou em power point um gráfico decorativo, destes disponíveis em bancos de imagens, e que mostrava que alguma coisa – QUALQUER coisa—encontrava-se em queda.

O que faz alguém crer tão piamente na eficácia de medicamentos sem comprovação científica e condenar de antemão outros submetidos ao escrutínio de cientistas do mundo todo é a mesma coisa: o impulso de negar a realidade por conveniências de origens diversas. No caso de Jair Bolsonaro, diga-se em sua defesa que o comportamento não de hoje faz parte das características fundamentais do presidente, cuja fixação pela cloroquina apenas repete fases anteriores como a do nióbio e da “pílula do câncer”. Mas a conveniência de fabular e confundir a realidade pode ter outras origens, como é bom lembrar que aconteceu no caso da notícia mentirosa que em 1998 associou as vacinas à ocorrência do autismo. Seis anos depois de o pesquisador britânico Andrew Wakefield publicar na respeitável Lancet um estudo que relacionava a vacina contra o sarampo ao autismo infantil, descobriu-se que não apenas o estudo era falso como o cientista trapaceiro tinha interesses bastante objetivos em falseá-lo, já que pouco antes havia entrado com um pedido de patente para uma vacina concorrente daquela que havia atacado. A Lancet se desculpou publicamente, Wakefield perdeu o direito de exercer a medicina, mas a reputação das vacinas nunca mais foi a mesma. No Brasil, a pesquisa “Global Attitudes on a COVID-19 Vaccine”, realizada pela Ipsos em 27 países, mostrou que nove em cada dez brasileiros se vacinariam contra a COVID-19 caso a vacina já estivesse disponível. Isso foi em setembro. Será de se lamentar se, por culpa de interesses sórdidos ou imprecações antecipadas e gratuitas contra esta ou aquela marca, a próxima pesquisa identificar um aumento da resistência dos brasileiros aos imunizantes. Mesmo porque saunas e garrafadas até agora não se mostraram boas alternativas.” [UOL]

Do Pablo Ortellado

“Como esperado, a politização da Covid ampliou as resistências à vacinação. Pesquisa da CNN Brasil, publicada na última sexta (16), mostrou que 46% dos brasileiros não tomariam a “vacina da China” (Coronavac) e 38% não tomariam a “vacina da Rússia” (Sputnik V). Os números são altos e podem inviabilizar a imunidade comunitária, já que a Coronovac pode ser aprovada em breve.” [Folha]

O Brasil não tem a menor chance de dar certo.

“A resistência à vacina chinesa, testada pelo Instituto Butantã, é resultado da campanha anti-China do governo Bolsonaro e da disputa política do presidente com o governador João Doria. Esse antagonismo se agravou com a declaração do governador de que a vacinação será compulsória e com a réplica de Bolsonaro de que não será. O grau de imposição da vacinação é um problema delicado de política pública. Por um lado, uma democracia liberal deve permitir a expressão do sentimento antivacina, respeitando as liberdades de pensamento, de expressão e de objeção de consciência. Por outro, a liberdade individual não pode se sobrepor ao interesse coletivo de atingir a imunidade comunitária. Como as vacinas não têm 100% de eficácia, quando alguém não se vacina, não põe em risco apenas a própria vida, mas também a de parte dos seus concidadãos vacinados que ainda podem ser contaminados.”

Sapúde pública em primeiro lugar, do contrário é anarquia, porra. Não quer se vacinar? Beleza, fica confinado em casa pra não colocar as pessoas que não podem se vacinar em risco, simples assim.

“A experiência internacional apresenta um leque de instrumentos de imposição, que vão das multas a quem não se vacinar à exigência de comprovantes de vacinação para matricular as crianças na escola ou para acessar programas sociais. Como o governo federal promove a hesitação em relação à vacinação, e como há limitações jurídicas às ações dos estados, cabe a Alcolumbre e a Rodrigo Maia, de um lado, e ao STF, de outro, garantirem que, uma vez aprovada uma vacina, possamos atingir a imunidade. Alguns estados e cidades já solicitam cadernetas de vacinação para a matrícula nas escolas públicas. Essa proposta pode ser nacionalizada por meio do PL 5.542/19, em tramitação no Senado. Ela pode ser expandida ainda para incluir, no caso da Covid, os estudantes do ensino superior. Outra medida a ser tomada é exigir a vacinação contra a Covid de todos os membros da família para acessar o Bolsa Família. Além disso, pode-se exigir que trabalhadores que atuam diretamente com o público se vacinem. A cobrança da vacinação a estudantes, famílias beneficiárias do Bolsa Família e trabalhadores que lidam com o público deve ser suficiente para atingir a imunidade comunitária. Embora a saída para vencer o sentimento antivacina seja o convencimento do público, no curto prazo vamos precisar de instrumentos de coerção.”

Passo ao Carlos Lula, Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)

“A gente não pode regredir no debate em um século e passar a ter uma noção de liberdade equivocada e rasteira. O pior, porém, é o presidente ter sancionado uma lei no início deste ano prevendo que, mais do que obrigatória, a vacina poderia ser até compulsória. Ele não leu a sua própria lei?” [Estadão]

E a que ponto chegamos…

“Os deputados federais Carla Zambelli e Luiz Philippe de Orleans e Bragança apresentaram um PL para ALTERAR NORMA EDITADA PELO OGOVERNO BOLSONARO, EM FEVEREIRO DESTE ANO, QUE INSTITUIU A VACINAÇÃO COMPULSÓRIA.” [Folha]

Sim, Bolsonaro diz que é invenção do Doria mas a norma é toda dele.

“Os parlamentares afirmam que deve prevalecer a livre escolha do cidadão e que a imposição de uma campanha de vacinação contra a Covid-19, sem comprovação de eficácia, “representa retrocesso aos direitos fundamentais dos cidadãos”. “Ao contrário do que pretende implementar o governador João Doria Jr. no estado de São Paulo em relação à vacina contra o novo coronavírus, nenhuma autoridade pública, de qualquer nível do Poder Executivo, seja em âmbito federal, estadual ou municipal, deve deter o poder de obrigar os cidadãos a se submeterem a tratamentos médicos que coloquem em risco suas vidas e/ou não tenham eficácia comprovada”, diz o texto.

Mas em Fevereiro Zambelli e o dito príncipe não reclamaram de nada…

“O governo Bolsonaro tem dado sinais de relutância em relação ao imunizante, que é considerado um trunfo eleitoral do governador de São Paulo, João Doria —foi ele quem bancou o acordo do Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac.”

Cada um fez suas apostas e a do Bolsonaro já era, resta ver a do Doria.

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2. I Love You

A discrição dos americanos é encantadora, resolveram fechar um acordo bilateral de faz-de-conta bem na hora que o governo brasileiro tem que decidir se bane a Huawei ou não, que coisa…

“Chefe de uma delegação americana no Brasil, o embaixador Robert O’Brien chegou ao país para participar do anúncio de um pacote comercial entre os dois governos às vésperas das eleições americanas. Mas O’Brien, conselheiro de segurança de Donald Trump, deve usar audiências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), nesta terça-feira (20), para defender ainda um dos principais pontos de Washington na agenda internacional.” [Folha]

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“VIROU PASSEIO”, viado, há de ser a missão de trabalho mais fácil do O’brien, é só gritar uns “chineses comunistas” e pronto.

“Os americanos estão empenhados em reduzir a influência global da China e ainda barrar a empresa Huawei do mercado de 5G por ela não oferecer garantias de segurança e privacidade, na visão dos EUA. O conselheiro de Trump lidera uma comitiva também formada pelo vice-representante de Comércio dos EUA, Michael Nemelka, a presidente do Eximbank (Banco de Exportação e Importação), Kimberly Reed, e a diretora do banco estatal de fomento DFC (U.S. International Development Finance Corporation), Sabrina Teichman. O principal objetivo público dos dois dias de agenda é a assinatura de três protocolos comerciais entre os países, voltados para as áreas de facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e combate à corrupção.”

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Como diria Sílvio Santos, “quem quer dinheiro?!

“No entanto, os integrantes da comitiva, as reuniões agendadas e a própria liderança de O’Brien indicam uma nova ofensiva americana para tentar barrar ou ao menos limitar a participação da Huawei na rede de 5G do Brasil. Defensor de uma abordagem linha-dura contra a China, foi O’Brien, por exemplo, quem elogiou a recente decisão do Reino Unido de retirar a empresa chinesa do seu mercado do 5G. O principal objetivo de Washington é que o Brasil e outros países coloquem travas para que a Huawei não forneça equipamentos para a nova geração de tecnologia de telecomunicações, cujo leilão de frequência no Brasil deve ocorrer no ano que vem. Segundo disseram à Folha interlocutores, o tema deve estar na agenda tanto do encontro de O’Brien com Bolsonaro quanto com Heleno, chefe do GSI, ambos previstos para esta terça. O GSI tem participado das conversas para o estabelecimento de regras para a atuação de fornecedores no mercado de 5G e é considerado pelos americanos peça-chave para vencer a resistência em outros órgãos do governo. O Ministério da Agricultura, comandado por Tereza Cristina, e o vice-presidente Hamilton Mourão temem que o eventual banimento da Huawei crie um problema diplomático para o Brasil com a China, hoje o principal parceiro comercial do Brasil. A delegação encabeçada por O’Brien foi montada para transmitir a mensagem que o governo dos Estados Unidos está realizando aportes no Brasil e que a estratégia de Bolsonaro de se alinhar a Trump trará resultados econômicos para o país que poderiam compensar um mal-estar com Pequim.”

Hoje é 20 de novembro, a eleição é em 3 de novembro, é o cúmulo do cretinismo. Sem falar que os EUA nunca conseguirão ocupar o lugar da china na balçança comercial brasileira, quem acha isso é maluco e reza a etiqueta que é melhor não contrariar.

“Nesta segunda-feira (19), o DFC, banco público criado para apoiar objetivos geopolíticos dos EUA, anunciou financiamentos na ordem de US$ 984 milhões (cerca de R$ 5,4 bilhões) no Brasil. As medidas incluem empréstimos ao Itaú e ao BTG Pactual para o apoio a pequenas e médias empresas. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, participou virtualmente do evento Brazil Connect Summit, convocado para marcar a assinatura dos protocolos comerciais. Ele deixou claro a visão da administração Trump. Pompeo alertou que os Estados Unidos e o Brasil precisam diminuir sua dependência de importações da China. “Na medida em que podemos encontrar maneiras de aumentar o comércio entre nossos dois países, podemos diminuir a dependência de cada uma de nossas duas nações de itens essenciais saídos da China”, disse. “Cada um de nossos dois povos ficará mais seguro, e cada uma de nossas duas nações será muito mais próspera, seja daqui a 2, 5 ou 10 anos”, afirmou. Propagandeado pelas autoridades brasileiras como um dos principais resultados econômicos dessa aproximação estratégica entre Trump e Bolsonaro, o pacote comercial foi assinado na noite de segunda. “A razão que estamos aqui, mesmo numa campanha eleitoral avançada, é porque acreditamos que esta é uma relação estratégica global entre Brasil e os EUA”, disse O’ Brien, após uma reunião na Fiesp, seu primeiro compromisso oficial no Brasil.”

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“Mais ou meeeeenos”, America First, né?

“Segundo ele, Brasil e EUA são países democráticos e que acreditam na livre iniciativa, além de trabalhar juntos na crise da Covid-19 e na proteção do modo de vida no hemisfério e no mundo.”

São não, eram.

“”O povo americano ama o povo brasileiro e o contrário também é verdade, e acho que a relação entre o presidente Trump e o presidente Bolsonaro demonstra muito bem isso, então é um prazer estar aqui e anunciar mais coisas em breve”, disse O’ Brien.”

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“Os protocolos visam agilizar processos envolvidos nas trocas comerciais, em ações de desburocratização. Em um acordo não tarifário, Brasil e EUA se comprometeram com prazos mais curtos para trâmites de liberação de mercadorias, além de regras para garantir que estados e governos nacionais não criem regulamentações excessivas. Também constam dos protocolos um dispositivo pelo qual ambos países se comprometem a consultar o setor privado antes de editar normas que impactam o comércio bilateral. Ainda fazem parte dos protocolos instruções para a publicação facilitada na internet das regras de importação-exportação dos dois governos. Um dos itens mais aguardados pelo setor privado, no entanto, ficou de fora dos protocolos, embora autoridades brasileiras digam que está em fase avançada e deve ser anunciada em breve. Trata-se do reconhecimento dos operadores econômicos autorizados, programa pelo qual a Receita Federal e sua correspondente nos EUA certificam determinados exportadores que são considerados confiáveis e de baixo risco, que passam a ter tratamento agilizado nas aduanas dos dois países. O texto faz referência ao compromisso das duas administrações em concluir esse entendimento. No entanto, o pacote comercial chega em um momento em que o comércio bilateral Brasil-EUA foi fortemente golpeado pela pandemia da Covid-19 e por fatores como restrições aplicadas por Trump contra a entrada de aço brasileiro nos EUA. Segundo a Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), o comércio entre os dois países registrou até setembro o pior resultado dos últimos 11 anos, com trocas que somaram US$ 33,4 bilhões (25,1% a menos do que o mesmo período do ano passado).” A previsão da entidade é que o Brasil acumule o maior déficit com os EUA dos últimos cinco ou seis anos.

Bem, como terá sido a reunião?!

“Próximo da reta final das eleições norte-americanas, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 20, que espera comparecer à posse de Donald Trump como mandatário reeleito. Em evento no Palácio do Itamaraty com a presença de representantes americanos, o chefe do Executivo disse que seu apoio “é de coração” e que não o esconde. Ele ressaltou ainda a boa relação com os Estados Unidos. “Espero, se essa for a vontade de Deus, comparecer a posse do presidente brevemente reeleito nos Estados Unidos. Não preciso esconder isso. É do coração”, afirmou. Bolsonaro disse que sua manifestação de apoio a Trump segue a linha de “respeito ao povo americano” e ocorre também em retribuição à consideração do presidente norte-americano com o Brasil. Ao finalizar a fala, Bolsonaro se despediu dos representantes norte-americanos presentes no local dizendo “até dezembro, se Deus quiser”.” [Estadão]

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As pesquisas mostram o quão fodido o Trump tá e ele mete essa, é suicídio diplomático, se é de coração pega o telefone fala I Love You para o Trump, porra, resolvam isso entre quatro paredes.

“Eu quero agradecer ao Trump por estar na vanguarda da nossa entrada na OCDE”

Não, o Brasil não entrou na OCDE, inclusive o governo do Trump destruir os sonhos do governo Bolsonaro de uma entrada rápida, vai a Argentina fdo Fernandéz na frente!

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“Bolsonaro destacou em sua fala que desde o primeiro contato que teve com Trump nasceu entre as duas autoridades um “sentimento de cooperação de buscar o bem para os países”. Cada vez mais Brasil e Estados Unidos retomam aquela amizade que nasceu em 1822, com toda certeza”, comentou o presidente.”

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Segundo o embaixador braisleiro a decisão só sai no começo do ano que vem, vamos esperar mais, né, não tem tanta pressa assim…

“O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, disse nesta terça-feira que uma decisão final sobre como será o leilão da tecnologia 5G no Brasil deve sair somente no ano que vem. Em viagem ao Brasil nesta semana, a delegação dos Estados Unidos sinalizou que o país está disposto a investir para que operadoras de telecomunicações brasileiras não comprem equipamentos de empresas chinesas como a Huawei. É razoável que isso seja olhado com a seriedade que requer o assunto e essa decisão eu entendo que vai ser tomada aí mais para frente, no início do ano que vem – disse o embaixador em conversa com correspondentes em Washington – Não se trata de banir essa ou aquela empresa, trata-se de procurar atender o interesse nacional brasileiro. Isso que está em jogo.” [O Globo]

Encerro com um ótimo texto do Oliver Stuenkel sobre a política externa do capitão e dos generais:

“A política externa de Bolsonaro tem gerado ganhos políticos concretos para o governo. Seu alinhamento quase completo aos EUA de Trump, a postura crítica em relação à China e à Argentina e a reação nacionalista frente à crescente preocupação europeia com a Amazônia fazem sucesso com a base do presidente, gerando a mobilização permanente de que ele necessita. Presidentes brasileiros costumam enfrentar mais restrições no âmbito doméstico do que na política externa, e Bolsonaro soube utilizar sua liberdade de maneira estratégica e disciplinada. Diante das insatisfações que parte de sua base guarda em relação à aproximação com o centrão e à ideia de que o presidente teria aderido à velha política, a postura anti-globalista tem sido crucial para satisfazer seus eleitores. Se na política interna Bolsonaro pode até fazer concessões, é no âmbito externo que ele mantém sua estratégia de ruptura, afastando qualquer hipótese de normalização. O preço desse aceno para a torcida por vezes é a própria economia brasileira. Se no começo do governo investidores internacionais e parceiros estrangeiros ainda confiavam que os “adultos na sala” controlariam o afã do presidente, hoje já está claro que o poder de figuras como Hamilton Mourão e Tereza Cristina é bastante limitado. A política externa encontra-se controlada por um presidente que parece ativamente buscar oportunidades para criar tensões internacionais, produzindo crises sem precedentes nas últimas décadas com parceiros como China, União Europeia e Argentina.

Nos três casos, a expectativa de que uma hora as coisas se normalizariam foram frustradas. Após uma campanha presidencial que incluía fortes ataques à China, Bolsonaro até adotou uma retórica mais pragmática. Mesmo assim, permitiu que seu filho Eduardo e integrantes do governo, como Abraham Weintraub, continuassem a provocar Pequim nas redes sociais, gerando uma resposta de agressividade inédita por parte da diplomacia chinesa. Hoje, a relação é marcada por desconfiança. Uma decisão de banir a Huawei do fornecimento de equipamentos para as redes de 5G no Brasil teria um péssimo impacto para a relação política e comercial, afetando em cheio a economia brasileira. O mesmo padrão se repete com a União Europeia. A postura ambiental brasileira gerou frustração entre representantes da indústria a favor da ratificação do acordo comercial com o Mercosul. Sobretudo na Alemanha –país mais interessado na parceria–, cresce a impressão de que Bolsonaro pouco se importa com a implementação do que seria o maior acordo comercial na história tanto do Mercosul quanto da União Europeia. Pressionada por grupos ambientalistas, a chanceler alemã Angela Merkel viu-se obrigada a se opor à ratificação, mesmo sendo uma grande defensora do acordo. Com movimentos ambientais cada vez mais influentes, cresce ainda o risco de boicotes a produtos brasileiros.

Expectativas de normalização da relação entre Bolsonaro e o presidente argentino Alberto Fernández tampouco se concretizaram, gerando consternação entre empresários dos países integrantes do Mercosul. Mesmo as relações com os Estados Unidos, que até agora foram a prioridade do governo, correm sérios riscos. Diante de um cenário eleitoral no qual Biden lidera com folga, Bolsonaro escolheu responder de maneira agressiva a um comentário do candidato democrata sobre desmatamento na Amazônia. Já seu filho Eduardo compartilhou nas mídias sociais um vídeo pró-Trump, levando a Comissão de Relações Exteriores do Congresso Americano a soltar uma nota de protesto. Até agora, nada indica que a relação com Washington não tomará o mesmo rumo daquelas com Pequim, Buenos Aires e com os principais países europeus –sobretudo considerando que Biden já prometeu que a questão ambiental estará no centro de sua diplomacia. Está cada vez mais arriscado o cálculo de Bolsonaro de que o dano econômico causado pelas tensões diplomáticas representa um mal menor comparado à perda de apoio dos seus seguidores mais radicais.” [Folha]

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3. Llora en el mio!

Força, Bolsonaro, força, Ernesto, seus trouxas do caralho!

“Dois dias antes das eleições presidenciais na Bolívia, o candidato derrotado, Carlos Mesa, já garantia a observadores internacionais que respeitaria o resultado do pleito. Mesa recebeu os observadores do Parlasul —dois argentinos, um uruguaio e a deputada federal brasileira Sâmia Bomfim (PSOL-SP)— em seu comitê eleitoral. Já o candidato Luis Fernando Camacho, apelidado de “Bolsonaro boliviano” e terceiro colocado nas urnas, se recusou a receber os observadores.” [Folha]

Sim, o úncio que recusou a se receber os observadores foi o Boslonaro bolviaino.

E se alguém tem alguma dúvida que o governo braisleiro acusou o golpe:

“O Brasil ainda não felicitou o boliviano Luis Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS), pela vitória na eleição do domingo. Embora os adversários de Arce já tenham reconhecido sua vitória em primeiro turno e a maioria dos chefes de Estado sul-americanos o tenha parabenizado, a expectativa da área diplomática é que o presidente Jair Bolsonaro só cumprimente Arce pela vitória após o resultado oficial da contagem de votos, que pode demorar mais dois dias. Essa posição reticente mostra que existem incertezas sobre como será o relacionamento de Bolsonaro com Arce. Uma fonte do governo disse que as atitudes do presidente eleito e sua equipe vão dar o tom de como serão as relações entre os dois países.  Segundo ela, “se forem pragmáticos, acho que dá para conviver. Se forem ideológicos, vai complicar. Depende deles”.” [O Globo]

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Sim, quem vai dar o tom é o lado de lá, não o país que ajudou a promover um golpe de estado. Ontem aqui saiu uma notícia dando conta das movimentações brasileiras nos bastidores do golpe. E ai se outros países forem ideológicos, na cabeça dessa galera isso é exclusividade tupiniquim.

“O governo Bolsonaro foi o primeiro a reconhecer a presidente interina Jeanine Áñez, logo depois da renúncia de Evo Morales sob pressão militar, em novembro do ano passado. Não há nenhuma dúvida sobre a vitória de Arce: com 60% dos votos apurados, ele tem mais de 50%, contra 32% do principal rival, o ex-presidente Carlos Mesa. O presidente argentino, Alberto Fernández, foi um dos primeiros líderes regionais a cumprimentar o ex-ministro da Economia de Morales, que se encontra asilado na Argentina. Em uma rede social, Fernández disse que a vitória do MAS é um ato de justiça “diante da agressão que sofreu o povo boliviano”. O chileno Sebastián Piñera e o peruano Martín Vizcarra, ambos de direita, felicitaram Arce, assim como o governo de Donald Trump. O governo Trump disse que os Estados Unidos esperam trabalhar com o governo eleito boliviano.”

Vai ver Piñera não é de direita, né…

“A fonte do governo disse que, tal como Evo Morales, a expectativa é que Arce escolha o pragmatismo ao se relacionar com o Brasil. “Não somos nós que dependemos da Bolívia, e sim o contrário”, disse ela. Dados do Ministério da Economia mostram o nível de dependência: de janeiro a setembro deste ano, o Brasil importou mais de US$ 700 milhões em gás natural da Bolívia, o equivalente a 94% do total comprado daquele país. Entre os principais produtos brasileiros, os bolivianos compraram siderúrgicos, alimentos, celulose e calçados e registraram um superávit na balança comercial de US$ 96 milhões.”

Olha que coisa, pela lógica deles, pro sermos os maiores compradores, nós que temos o controle da negociação. Mas no caso dos chineses, nossos maiores compradores de commodities, sabe-se lá porque diabos esse argumento não vale, dizem que os chineses não têm pra onde correr.

Passo ao Bernardo Mello Franco:

“A vitória de Luis Arce na Bolívia sela mais uma derrota da diplomacia de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo. A dupla envolveu o Brasil na quartelada que derrubou o então presidente Evo Morales. Menos de um ano depois, os golpeados deram o troco nos golpistas e voltaram ao poder pelo voto. Bolsonaro e Araújo festejaram a derrubada de Evo, que teve a casa invadida e foi obrigado a fugir do país. O chanceler trapalhão tuitou que não houve “nenhum golpe” na Bolívia. Horas antes, uma junta militar havia ocupado a TV para exigir a renúncia do presidente. Evo ignorou um referendo na tentativa de se perpetuar no poder. No entanto, a alegação de que ele teria fraudado a última eleição nunca foi provada. O relatório da OEA que apontava “graves irregularidades” na apuração caiu em descrédito. Foi desmontado por especialistas de três universidades americanas. Além de apoiar a virada de mesa, o Itamaraty ajudou a entronar Jeanine Áñez como presidente interina. Ela descumpriu a promessa de convocar eleições em janeiro e usou o cargo para perseguir opositores, segundo relatório da Human Rights Watch. Ao tomar partido dos golpistas, o Brasil perdeu condições de mediar a crise no país vizinho. Foi uma estratégia desastrada. Ontem o chanceler Araújo passou o dia em silêncio, enquanto a oposição boliviana parabenizava Arce pela vitória em primeiro turno.” [O Globo]

“Esta não foi a primeira operação tabajara da política externa de Bolsonaro. O Itamaraty se associou a Juan Guaidó na tentativa de derrubar Nicolás Maduro na Venezuela. O presidente autoproclamado sumiu do mapa e o chavista continuou no poder. O Planalto também fracassou ao tentar interferir nas eleições da Argentina. O capitão se empenhou na campanha de Mauricio Macri, mas não conseguiu evitar o triunfo de Alberto Fernández. O peronista se fortalece com a escolha dos bolivianos. Em 2019, ele condenou a quartelada e ofereceu asilo diplomático a Evo. Ontem celebrou a vitória de Arce como uma “boa notícia para quem defende a democracia na América Latina”.”

Farnadéz sambando e Bolsonaro desnorteado.

Elecciones Frente De Todos GIF by Alberto Fernandez

Encerro com a Janaína Figueiredo:

“O resultado da eleição presidencial na Bolívia não era importante apenas para os bolivianos. Houve apostas nos mais altos níveis de governos da região, a favor e contra a vitória do Movimento ao Socialismo (MAS). Se para o Brasil foi mais um duro revés para a política externa do governo Bolsonaro, para a Argentina de Alberto Fernández foi um triunfo carregado de simbolismo. O venezuelano Nicolás Maduro recuperou um país aliado, e seu rival, Juan Guaidó, enfraqueceu a sua base de sustentação externa. Analistas ouvidos pelo GLOBO afirmaram que a eleição de Luis Arce é uma sinalização política para a região, mas também alertaram para o risco de prometer uma volta a um passado de bonança em um momento em que os países latino-americanos atravessam algumas das maiores crises econômicas de suas Histórias. Em termos de governança regional, a Organização de Estados Americanos (OEA) foi a grande derrotada. Dias antes da eleição, o secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, recebeu em Washington o agora ex-ministro de Governo, Arturo Murillo, e ambos falaram sobre risco de fraude. Depois de ter realizado uma auditoria sobre a eleição presidencial de 2019, utilizada pela direita boliviana para justificar as pressões que levaram à renúncia do ex-presidente Evo Morales (2006-2019) e posteriormente questionada por especialistas, a imagem da OEA ficou questionada. O relatório final não falava em fraude, mas sim em irregularidades. A tensão elevou-se com uma rebelião policial e, finalmente, o pedido das Forças Armadas para que Morales deixasse o poder. Ontem, um dia depois da eleição de Arce, o ex-ministro de Governo começou a ser acusado publicamente de corrupção e compra ilegal de armas, entre outras coisas. O MAS apresentou no Congresso um pedido para que Murillo seja impedido de deixar o país. A volta do MAS ao poder foi um “tapa na cara” do governo Bolsonaro, que tende a ficar mais isolado na região, disse Daniella Campello, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EBAPE). — Se Joe Biden vencer nos Estados Unidos, não sei com quem o presidente Bolsonaro vai falar. Mas não vejo uma guinada à esquerda, até por que hoje as mudanças de governo ocorrem mais porque os que saem não entregam os resultados esperados — afirmou Campello.

Em recente palestra virtual realizada junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chefe de Estado argentino disse sentir-se sozinho na região e sentir saudades das épocas em que governavam presidentes como Hugo Chávez e Néstor Kirchner. O peronista Alberto Fernández estará agora menos sozinho e, de alguma maneira, será recompensado pela decisão de ter dado asilo político a Morales e lhe permitido fazer campanha eleitoral em território argentino. Fernández sempre sustentou que o ex-presidente boliviano foi derrubado por um golpe de Estado, se diferenciando do Brasil de Bolsonaro, que deu aval à auditoria da OEA e pleno respaldo ao governo interino, demonstrando temor pela volta do MAS ao poder. — Ficou demonstrado que os latino-americanos não toleram mais neogolpismos. Almagro ficou deslegitimado e a Argentina deixou de sentir-se rodeada de países pouco amigos ou até mesmo hostis — afirmou Juan Tokatlian, vice-reitor da Universidade Torcuato Di Tella. Ele considera a eleição de Arce uma “derrota geopolítica nada irrelevante para o Brasil”: — Foi um fracasso da diplomacia hiperideologizada de Bolsonaro — acrescentou. No próximo domingo, os chilenos irão às urnas para participar de um plebiscito sobre a proposta de aprovar uma nova Constituição e finalmente enterrar a deixada pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Tudo indica que vencerá o “Sim”, já que a maioria da sociedade chilena deseja, segundo pesquisas, uma mudança expressiva no país. Os novos ventos que sopram na América Latina poderiam influenciar as eleições presidenciais no Peru e Equador, no começo de 2021. Analistas não esperam guinadas radicais, mas sim prêmios e castigos aos atuais governos da região. Na Bolívia, muitos acreditam que a vitória do MAS é tanto mérito do partido de Morales, como consequência dos graves erros cometidos por seus opositores. — Hoje, a situação regional não é favorável aos governos de centro-direita, podemos ter mais mudanças. No ano que vem teremos eleições presidencias no Chile e a tendência claramente leva a pensar numa volta da centro-esquerda ao poder — concluiu o ex-chanceler e ex-embaixador chileno nos EUA, Juan Gabriel Valdés.” [O Globo]

Na política externa o Brasil tá tomando um soco do Mike Tyson atrás do outro. Primeiro a derrota do Macri, agora a vitória dos golpeados na Bolívia e ainda está por vir, nos próximos dias, a iminente derrota do Trump e ainda tem isso aqui ó:

“No próximo domingo, os chilenos irão às urnas para participar de um plebiscito sobre a proposta de aprovar uma nova Constituição e finalmente enterrar a deixada pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Tudo indica que vencerá o “Sim”, já que a maioria da sociedade chilena deseja, segundo pesquisas, uma mudança expressiva no país. Os novos ventos que sopram na América Latina poderiam influenciar as eleições presidenciais no Peru e Equador, no começo de 2021. Analistas não esperam guinadas radicais, mas sim prêmios e castigos aos atuais governos da região. Na Bolívia, muitos acreditam que a vitória do MAS é tanto mérito do partido de Morales, como consequência dos graves erros cometidos por seus opositores. “

Não à toa ontem os bolsonaristas estavam ensandecidos com vídeos de igreja sendo queimada por perigosos manifestantes, a poucos dias do plebiscito pelas bandas de lá, e ficaram gritando em caixa alta CRISTOFOBIA pra tudo que é lado:

“La tarde de este domingo, un miembro de la Armada fue detenido por personal de Carabineros tras participar en desórdenes públicos, durante las manifestaciones que se desarrollaron el día de hoy en la capital, los que terminaron con la Iglesia institucional de Carabineros quemada. La institución, a través de un comunicado, rechazó categóricamente la participación del servidor naval actos violentos “que se alejan absolutamente de la reglamentación vigente y de los principios y valores que nos guían”. De ser comprobados los hechos que se le imputan, agregan desde la Armada, “se aplicarán las normativas y medidas disciplinarias institucionales”.” [El Mostrador]

Alguém pensou no atentado do RioCentro?!

“En relación al miembro de la Institución detenido , la Armada confirmó “que corresponde a un Cabo de dotación de la Base Aeronaval de Concón, que se encontraba en su día libre de franco”. “Actualmente el miembro de la Institución, se encuentra detenido en la 19 Comisaria de Carabineros de Providencia, a disposición de los Tribunales competentes para la investigación correspondiente”, añade. “La Armada de Chile, condena en la forma más enérgica estos hechos y de ser comprobada la participación de este miembro de la Institución, tomará las medidas disciplinarias que correspondan”, finalizan.”

Fala comigo, Alcyisio!

E trata-se de um evento dramático – no bom sentido – da história chilena:

“Em 25 de outubro, o Chile realizará sua eleição mais importante desde 1988, quando mediante um plebiscito foi iniciada a transição para a democracia. Em 2020, novamente mediante um plebiscito, os cidadãos poderão decidir se querem iniciar um processo para substituir a constituição herdada do governo Pinochet (as escolhas são “aceito” e “rejeito”), e o tipo de convenção que deveria redigir o novo texto (“convenção mista”, formada em 50% por legisladores em exercício e em 50% por pessoas eleitas especialmente para a constituinte, ou “convenção constituinte”, com 100% dos integrantes eleitos para esse fim). O processo, resultado de um acordo político transversal, busca canalizar institucionalmente a crise que explodiu em outubro de 2018, quando as bases do modelo de desenvolvimento do país foram colocadas em questão no contexto de extensos e prolongados protestos, fortemente reprimidos pelas autoridades. No Chile, apenas 46% dos eleitores possíveis participaram da última eleição presidencial. As pesquisas preveem que entre 60% e 70% da população habilitada participará do plebiscito, o que mostra o nível de politização que surgiu nos últimos 12 meses. Mas de toda maneira ainda restam muitas incertezas.[Folha]

E isso aqui é lindo:

“As mulheres chilenas terão pela primeira vez a possibilidade de redigir uma nova Constituição com igualdade numérica, caso uma “Convenção Constituinte” seja aprovada com a vitória da opção “Aprovo” no referendo do próximo domingo no Chile. Os chilenos também podem escolher, caso vença a opção de redigir a nova Constituição, uma Convenção Mista, composta em partes iguais por parlamentares em atividade e constituintes eleitos para a ocasião. Esse órgão, no entanto, não garante a paridade. Em uma das maiores conquistas do poderoso movimento feminista chileno, o Congresso aprovou em março uma lei inédita que garante a paridade de gênero nas candidaturas à Convenção Constituinte que será formada se esta opção se impor no plebiscito: se se reformará ou não a Carta Magna e através de que tipo de convenção. “É uma reivindicação feminista há anos e gostaríamos que a paridade não só existisse no sistema político, mas também em todos os setores, tanto privados quanto públicos”, ressaltou Rosa Moreno, presidente do partido político em formação Alternativa Feminista, à AFP.[Estado de Minas]

Se sugerem isso por aqui Bolsonaro tem um AVC na frente das câmeras.

“Em um país com baixa participação feminina na atividade laboral (36%) e na representação política (menos de 20% no Congresso atual), há expectativa sobre as questões que as mulheres podem contribuir no debate se participarem da elaboração de uma nova Constituição. “As mulheres agem, refletem e apresentam projetos a partir de uma perspectiva diferente da masculina. Temos, por exemplo, a questão do aborto, que é uma demanda há muitíssimos anos e são os homens que decidem por nós. Não pode ser assim”, explica Moreno.”

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4. STF

Se prepare para um desfile embaraçoso de absurdos:

“O primeiro indicado por Jair Bolsonaro para o STF (Supremo Tribunal Federal), o juiz federal Kassio Nunes Marques tirou os últimos dias antes da sabatina no Senado, marcada para esta quarta-feira (21), para uma última rodada de conversas a fim de garantir apoios —dentro e fora da Casa. Além de se reunir com a maioria dos senadores, o juiz federal também procurou os principais representantes dos setores de indústria e transporte para afirmar que garantirá “segurança jurídica” à economia e reforçar a campanha a favor de seu nome.” [Folha]

Aham, não à toa ele foi indicado pelo baluarte da segurança jurídiica, Jair Messias Bolsonaro, não à toa tá chovendo investidor no Brasil.

“Embora a tendência seja de que a Casa confirme a indicação por larga vantagem, Kassio quer ter a presença de ao menos 61 senadores na sessão em que haverá a votação da indicação em plenário. O número representa 50% a mais que os 41 votos necessários para a confirmação do seu nome —é preciso maioria absoluta, o que representa a metade mais um dos 81 senadores. Aliados do magistrado temem que não haja um quórum robusto o suficiente para abrir a sessão e que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tenha de suspender e adiar a votação. Já há precedentes nesse sentido. A preocupação não é só de Kassio. Alcolumbre também mobilizou senadores para que emprestassem aeronaves aos colegas viajarem a Brasília.”

Tem algo de MUITO errado no Senado Federal quando o presidente da Casa tem que pedir aos humildes senadores que emprestem seus jatinhos para os colegas.

“Segundo informações da Mesa do Senado, havia ao menos 68 senadores na capital nesta segunda (19). A expectativa é a de que o quórum fique por volta deste número. Nesta segunda, Kassio tinha marcado um jantar com a bancada do PT. Os seis senadores do partido não devem partir para o embate na sabatina e declararam apoio ao indicado. Segundo aliados e pessoas próximas do magistrado, ele teria apenas cerca de dez votos contrários ao seu nome —a maioria dos parlamentares do grupo Muda, Senado, favoráveis à Lava Jato.”

Sim, a oposição ao indicado do Bolsonaro vem só dos lava-jatistas!

“O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou nesta segunda à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) um voto em separado pela rejeição à indicação de Kassio. O juiz tem perfil garantista e por isso esses senadores acreditam que, uma vez no STF, ele será um voto contra a Lava Jato.”

E desde quando isso é argumento, caralho?! O sujeito mentiu no currículo, plagiou colega e o problema é ele ser garantista?! Por que diabos todo lava-jatista é burro?!

“Segundo levantamento feito pelo Painel com os 81 senadores, ao menos 44 dizem pretender votar a favor do indicado de Bolsonaro. Oito senadores disseram que votarão contra Kassio, e os demais preferiram não comentar ou afirmaram que vão esperar a sabatina da CCJ.”

E nada faz sentido, repare:

“Kassio conversou com a maioria dos senadores. Além deles, o magistrado buscou apoio de setores da economia. No início da semana passada, ele fechou uma rodada de reuniões com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNT (Confederação Nacional do Transporte) e Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Ele saiu dos encontros com o apoio dessas entidades. Aos empresários, Kassio frisou que quer garantir segurança jurídica à economia e que se pautará pela Constituição. Nos encontros, ele mencionou, por exemplo, o respeito ao teto de gastos.”

O que diabos o STF tem a ver com o teto de gastos, porra?! Como se a amaeaça ao teto de hastos viesse da Suprema Corte, e não do gabinete presidencial.

E acredite, o maior absurdo ainda está por vir:

“Além de uma derradeira rodada de conversas com parlamentares, Kassio se debruçou sobre sugestões de perguntas e temas que devem ser abordados. Senadores enviaram ao magistrado perguntas que deverão fazer.”

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E adivinhe:

“Kassio espera ser questionado sobre as incoerências em seu currículo, seu mestrado e doutorado.

E atenção, Brasil! Até aqui Kassio jurava que sua indicação não tinha nada a ver com Flavinho Desmaio e o anfitrião do Queiroz, Wassef. Mas também não dizia quem era o padrinho, claro. Pois bem, Kassio enfim falou sobre as duas figuras:

“A respeito da participação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos- RJ) e de seu ex-advogado Frederick Wassef em sua indicação, Kassio pretende dizer que conhece os dois, se reuniu com eles para discutir eventual indicação ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas que desconhece o quanto participaram na escolha do seu nome para o STF.”

Eis a pergunta a ser feita na sabatina: SEU ENCONTRO COM WASSEF FOI DEPOIS DO QUEIROZ SER DESCOBERTO?! QUAL A RAZÃO DO ENCONTRO COM O ADVOGADO PESSOAL DO PRESIDNTE?

“Kassio foi apresentado a Flávio Bolsonaro há menos de três meses. Após a primeira conversa, segundo relatos de aliados, o magistrado teve ao menos mais dois encontros com ele. Na época, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), conterrâneo de Kassio e fiador da indicação do juiz para o STJ, conversou com o filho de Bolsonaro e deu referências sobre o magistrado. Wassef também teve papel importante para chancelar o nome do magistrado e exaltou o perfil garantista de atuação. Além deles, a juíza federal Maria do Carmo Cardoso, do TRF-1, amiga de Flávio, é considerada a madrinha da escolha de Kassio.​”

Mas certamente não haverá perguntas sobre essa história esquisita contada pelo bom Frederico Vasconcellos e a tal Carminha:

“A juíza federal Maria do Carmo Cardoso, tida como nova conselheira jurídica da família Bolsonaro e madrinha da indicação do juiz Kassio Nunes para a vaga de Celso de Mello, no Supremo Tribunal Federal, é muito conhecida no Judiciário. Citada como amiga do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), ela faz parte de um grupo de magistrados que circula em torno do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e do também alagoano ministro Humberto Martins, atual presidente do Superior Tribunal de Justiça. Martins é considerado um afilhado de Calheiros. A figura central desse grupo é o advogado Cesar Asfor Rocha, ex-presidente do STJ, que deixou o cargo em 2012 mas ainda é influente no Judiciário.” [Folha]

Renan está de volta e os bolsonaristas como?!

flavio

“Os nomes desses magistrados figuram em eventos, se revezam em listas de candidatos a vagas no Tribunal da Cidadania e estão presentes em manifestações de lobby. “Tia Carminha”, como é chamada, segundo reportagem de Julia Chaib e Gustavo Uribe, da Folha, disputou, sem sucesso, as vagas dos ministros Arnaldo Esteves Lima e Eliana Calmon no STJ, em 2014. (*) Em 2011, ela participou de evento em Alagoas, em homenagem a Humberto Martins. O encontro foi promovido pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal –até então dirigido pelo próprio Martins. Trata-se do mesmo órgão que mantém um conselho editorial para o qual Asfor Rocha recentemente foi nomeado membro do conselho editorial, um mês depois de ter sido alvo de operação de busca e apreensão pela Polícia Federal. Entre os oradores, discursou o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB) –filho do ex-presidente do Senado Federal. A última mesa do evento em Maceió foi presidida por Asfor Rocha. A presença de Maria do Carmo Cardoso, então presidente do TRF-1, foi registrada como uma tentativa de pavimentar o terreno para sua indicação ao STJ, ao lado do então presidente do TRF-3, Fábio Prieto. Ambos não chegaram ao STJ. Na ocasião, a OAB alagoana criou uma medalha, cujos primeiros homenageados foram Humberto Martins e o advogado Marcus Vinicius Coêlho, ex-presidente da OAB nacional. Em 2014, Marcus Vinicius apoiou a frustrada candidatura de Kassio Nunes à vaga do ex-corregedor nacional Gilson Dipp, no STJ.

Havia resistência no Judiciário a candidaturas de magistrados oriundos da advocacia, concorrendo com juízes de carreira. Como este Blog registrou, Kassio Nunes, quando atuou como advogado, e Marcus Vinicius Coêlho ajuizaram, cada um, no Tribunal de Justiça do Piauí, ações contra a Toyota do Brasil que resultaram em indenizações milionárias, em valores exorbitantes, a partir de alegados defeitos de fabricação de veículos. Numa das duas ações patrocinadas por Kassio Nunes, a Toyota foi condenada a pagar uma indenização de R$ 18 milhões, dos quais R$ 4 milhões foram executados. A autora da ação de indenização –uma concessionária– alegou danos materiais, lucros cessantes e danos morais. A Toyota alegou, durante a tramitação do processo, que “em razão da apreensão de um veículo, há cinco anos, a autora pretende receber o valor de R$ 7,3 milhões, quantia com a qual poderia comprar facilmente nada menos do que 49.618 automóveis zero quilômetro semelhantes”. Na ação em que Marcus Vinícius Coêlho foi um dos advogados, a Toyota foi condenada a pagar uma indenização de R$ 7,7 milhões a um empresário e a sua mulher por causa de um acidente –sem vítimas– com um veículo Hilux SW4, sendo que a mulher do empresário não estava no veículo no momento do acidente. Ouvidos pelo Blog na ocasião, Kassio Nunes e Marcus Vinicius comentaram os processos. Em 2014, no cargo de corregedor-geral da Justiça Federal, o ministro Humberto Martins incluiu Kassio Nunes e Maria do Carmo Cardoso entre os eventuais auxiliares em correições e inspeções nos TRFs.

Em maio deste ano, a juíza Maria do Carmo Cardoso estava entre os magistrados homenageados pela Justiça Federal de Minas Gerais com a distribuição virtual de medalhas e comendas “a personalidades que auxiliaram a Justiça Federal em Minas”. O evento foi visto como parte do lobby mineiro para reforçar a proposta de criação do TRF-6, novo tribunal regional com sede em Belo Horizonte, projeto do ministro João Otávio de Noronha, ex-presidente do STJ. Em junho de 2019, “Tia Carminha” assinou moção de apoio ao então ministro da Justiça Sergio Moro, hoje hostilizado pelos bolsonaristas. Voluntariamente, 271 juízes foram contrários à exclusão de Moro dos quadros da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), por entenderem que não havia elementos concretos para justificar o processo administrativo requerido por um grupo de 30 magistrados. Para os signatários, “Moro jamais se desviou dos deveres exigidos de um magistrado sério, alinhado com os princípios éticos, comprometido com a busca da verdade e aplicação da Justiça, com o império da lei, com imparcialidade, atuando no maior caso de corrupção conhecido no mundo, com imensa dedicação, sacrifício e se sujeitando a riscos pessoais e familiares de toda ordem”. Um entendimento que, nos dias atuais, possivelmente não tem a aprovação dos seguidores dos conselhos de “Tia Carminha”.”

Depois disso tudo me departo com um editorial do Estadão que lista as esquisitices da indicação mas encerra com esse parágrafo inacreditável:

“Além disso, vieram a público inconsistências no currículo de Kassio Nunes Marques. A sabatina não é uma prova de títulos, mas é uma avaliação sobre a reputação da pessoa indicada. Como dispõe a Constituição, não cabem inconsistências na vida de um ministro do Supremo. No relatório apresentado à CCJ, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) minimizou as questões curriculares. Teria sido tão somente “uma confusão semântica”, bem como “uma suposta sobreposição cronológica nos cursos que frequentou”. Que o Senado não minimize sua responsabilidade constitucional na sabatina. Poucos atos da vida pública têm tantos e tão duradouros efeitos sobre a vida dos brasileiros e o funcionamento do Estado como a nomeação de um novo ministro do STF. Não cabe aprovação automática. Séria, a sabatina deve ser capaz de confirmar, longe das margens da dúvida, que o interessado preenche os requisitos constitucionais.[Estadão]

O conceito de “reputação ilibada” anda deveras elástico lá na sala de editores do Estadão…

Endcero com a Míriam leitão:

“A senadora Simone Tebet (MDB-MS) presidirá amanhã na CCJ a sessão de sabatina do indicado para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela nega que vá ser apenas um rito pró-forma, mas admite que no Brasil o interrogatório do candidato é curto. Contudo, acha que não é esse o problema e defende uma mudança na Constituição para alterar a maneira como é escolhido o ministro do Supremo e seu tempo de permanência. — O maior problema é constitucional, é preciso mudar a forma de indicar os ministros. É muito poder na mão de um presidente. E mudar a vitaliciedade. Melhor seria um período fixo, de 10 anos, com quarentena de cinco anos para se candidatar a qualquer cargo público — disse a senadora. Essa é uma discussão que vem de algum tempo no Senado, mas a senadora reforça o ponto de que não é por ser o atual presidente. Ela explicou que, se for aprovada, a PEC só valerá no ano seguinte à aprovação. Como não seria votada este ano, mas apenas em 2021, valerá em 2022, quando Bolsonaro já terá feito as duas escolhas do seu mandato. O debate vem do fato de que há muitas formas de se organizar em países democráticos o poder de escolha e o tempo de permanência de ministros da suprema corte. Há países em que os ministros têm mandatos fixos. Na Alemanha, são 12 anos, mas com limite de 68 anos. Na França, são nove anos. Nos EUA é vitalício mesmo. No Brasil, até 75 anos, o que é um tempo que permitirá, por exemplo, o desembargador Kássio Nunes ficar até 2047. Ele sairá no sétimo mandato após o presidente atual. É poder demais de quem escolhe, é excessivo o tempo de quem é escolhido, e o Senado para piorar aprova tudo que chega lá. Uma PEC de 2015 de autoria do senador Lasier Martins (Podemos-RS) tentando alterar esse sistema tramitou no Congresso por algum tempo e foi retomada no ano passado. A PEC estabelecia o período de dez anos e foi votada na CCJ. — Inclusive eu votei favorável, foi relatada pelo senador Antonio Anastasia (PSD-MG). A primeira mudança era dar ao presidente uma lista tríplice, com um indicado pelo próprio Supremo, outro pela PGR e outro pela OAB. Haveria um juiz, um procurador e um advogado, e o presidente escolheria e enviaria para o Senado.” [O Globo]

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4. Voa, Telexfree

O gênio bronzeado e grisalho é um tremendo 171:

“O Ministério da Economia estima que o tributo proposto pela pasta para substituir PIS e Cofins arrecade mais em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto) do que o montante recolhido pelas duas taxações em 2019 e também na média dos cinco anos anteriores.” [Folha]

“PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), pela ideia do governo, darão lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A estimativa de receita está em documento, obtido pela Folha, enviado pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) ao Congresso. O texto afirma que a arrecadação deve ficar em 4,38% do PIB de 2021 a 2023. O dado mais recente do governo indica que PIS/Pasep e Cofins, que seriam fundidos na CBS, arrecadaram, somados, 4,15% do PIB em 2019. O cálculo é do Tesouro Nacional.”

Repare, tudo retirado de documentos do governo, não é disse-me-disse não.

“O percentual médio dos cinco anos anteriores, de acordo com os números da Receita Federal, é de 4,24%. A elevação compromete o discurso do governo de que a proposta não aumenta a carga tributária. “O presidente ganhou uma eleição, e a equipe chegou também, com uma promessa: nós não vamos aumentar os impostos. O povo brasileiro já paga impostos demais”, afirmou Guedes em comissão recente no Congresso. “Então, nós não vamos aumentar a carga tributária”, disse.”

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“O Observatório Fiscal da FGV (Fundação Getulio Vargas) já contestou esse discurso ao analisar a CBS. Os economistas Manoel Pires e Fábio Goto concluíram em artigo que, para ser neutra do ponto de vista arrecadatório, a alíquota deveria ser menor que 12%. Para ficar em um patamar neutro, o percentual teria de ser mais próximo a 10%, segundo as contas deles. O projeto arrecada R$ 50,3 bilhões a mais do que no cenário de neutralidade, de acordo com os autores. Diante das contestações de empresas, especialistas e congressistas, o próprio Guedes já admitiu que pode rever as contas e o percentual aplicado. “Eu queria aqui perguntar qual foi a metodologia adotada para se chegar a uma alíquota de 12% para a CBS, já que há uma confusão –e é importante que se explique–, porque muitos empresários levantam a questão de haver um aumento”, indagou em comissão o relator da reforma tributária, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). “Com relação a essa metodologia, estamos totalmente abertos, vamos tornar transparente para quem quiser olhar. E, se for possível, por algum erro nosso, baixar para 10%, para 9%, para 8%, é o que nós queremos”, disse Guedes.”

Sim, viado, “por algum erro nosso“, imagine, os caras prometessem baixar imposto e erraram na alíquota aumentando a porra do imposto, só isso!

“Todos os anos, para mostrar o peso dos impostos e contribuições na economia, o governo divulga um relatório sobre a carga tributária e a comparação é feita em percentual do PIB. Desde 2015, o peso de PIS e Cofins na arrecadação tem ficado abaixo do esperado para a CBS, exceto no ano de 2018, quando o resultado foi impulsionado pelo aumento da tributação sobre combustíveis. O Ministério da Economia afirma que o modelo usado para desenhar a CBS “mantém a equivalência da carga tributária agregada do PIS/Cofins” em relação aos recolhimentos gerais, ainda que o efeito da medida possa alterar a incidência para setores específicos por causa da nova sistemática de tributação.”

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“De acordo com a Receita, a projeção de arrecadação de tributos, como CBS ou PIS/Cofins, em 2021, é resultado da aplicação de diversos parâmetros macroeconômicos, “sendo que o PIB é apenas um deles”.”

Mas que filhos da puta, olha aí, veja você”, diria o Pareto.

“Na apresentação do projeto de lei de Orçamento de 2021, o governo apresentou uma tabela prevendo redução, em percentual do PIB, na arrecadação total e nos recolhimentos do PIS/Pasep e Cofins, em relação a 2019, último dado já consolidado.”

O PIB é apenas a referência usada pela própria porra do governo!

“Considerada uma das principais prioridades da equipe econômica, a reforma vem tendo suas discussões atrasadas pela falta de consenso entre governo, Congresso, estados e municípios. O secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, disse em julho que “a perspectiva é que nos próximos 20 a 30 dias possamos apresentar a segunda ou até mesmo a terceira parte”. Mas, até hoje, o Ministério da Economia só entregou ao Congresso o projeto da CBS, uma proposta já discutida há anos. Técnicos chegaram a falar que o governo apresentaria em agosto, inclusive, a proposta do novo imposto sobre pagamentos (que bancaria a desoneração de empresas ao contratarem empregados). Agora, já nem se fala em quando as novas etapas podem ser apresentadas aos congressistas.”

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Passo ao Helio Schwartsman:

“Minha aposta é que o teto de gastos cairá, não necessariamente porque seja o melhor para o país, mas porque nos acostumamos a resolver dificuldades políticas aumentando a despesa pública. A carga tributária, que era de 22,4% do PIB em 1988, ano em que entrou em vigor a nova Constituição, bateu nos 33,2% em 2019. E é difícil quebrar velhos hábitos, como bem sabem os viciados. Não é obviamente uma fórmula sustentável, mesmo porque a quantidade de demandas sociais justas que seria possível incluir no Orçamento é infinita. E, apesar do aumento de quase 11 pontos nos tributos nas últimas três décadas, não avançamos tanto na criação de uma sociedade justa. Acho que precisaremos de traumas fiscais mais fortes do que os que já tivemos para convencer as pessoas de que o equivalente econômico do moto-perpétuo não foi descoberto. Não quero com isso afirmar que o teto seja perfeito. Limites lineares quase nunca são a solução ótima para nenhum problema, mas tampouco podemos ignorar que esse mecanismo já nos proporcionou dividendos. Ele está entre os fatores que contribuíram para a queda na taxa básica de juros. Nossa situação hoje seria substancialmente pior se a Selic estivesse acima dos 10%, como permaneceu ao longo de muitos anos. O ponto que me parece necessário enfatizar é que o teto poderia ser uma ferramenta muito boa para aprimorarmos a qualidade do gasto público, já que ele em tese nos obriga a cancelar despesas antigas para abrigar novas. Exceto para quem acha que cada real empenhado pelo governo está sendo muito bem utilizado, essa seria uma boa oportunidade para trocar gastos de pior qualidade por programas mais eficientes —e observem que essa é uma prática que deveríamos seguir mesmo que não houvesse o teto. No mundo desenvolvido, a avaliação de gastos pelo impacto social que ocasionam se tornou uma ciência. É uma ciência que não chegou ao Brasil.” [Folha]

Mas tenho dúvidas se mesmo com uma eficiência brutal no gasto público isso não significaria o achatamento do investimento em educação e saúde., por mais virtuoso que seja a avaliação de gasto pelo impacto social.

E Guedes não ganha uma…

“O presidente Jair Bolsonaro editou decreto que torna permanente o benefício fiscal de 8% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedido a concentrados de refrigerante produzidos na Zona Franca de Manaus. O benefício consiste numa devolução feita pelo governo às empresas do setor em crédito pelo pagamento de IPI. O tamanho dessa devolução já estava com a alíquota de 8% desde junho deste ano e seguiria assim até novembro. Antes disso, a alíquota estava em 10%. Com o novo decreto, a taxa de 8% se tornará definitiva, passando a vigorar daqui a quatro meses. O decreto de Bolsonaro está publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira, 20. A decisão é uma vitória parcial do setor de concentrados, que inicialmente poderia ter o benefício reduzido para 4%, conforme havia sinalizado o presidente no início do ano. “A gente vai passar de 10% para 8% agora, até chegar a 4% daqui uns dois ou três anos”, disse o presidente na ocasião.” [Estadão]

E o Guedes, Costinha?!

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“Em maio de 2018, o ex-presidente Michel Temer praticamente retirou o incentivo ao setor, alterando de 20% para 4% o volume da devolução de IPI. A redução foi uma das ações adotadas por Temer dentro do pacote caminhoneiro como forma de compensar perdas de arrecadação decorrentes de outras medidas voltadas para a categoria. Depois de muitas críticas e reivindicações do setor, Temer editou novo decreto que restabeleceu de 4% para 12% a alíquota do IPI no primeiro semestre de 2019. No segundo semestre, a alíquota cairia para 8% e voltaria a ser de 4% em 2020. Um decreto de Bolsonaro de julho do ano passado, no entanto, reverteu em parte a decisão de Temer. O ato fixou em 8% o valor do incentivo até 30 de setembro de 2019 e, depois, de 10% no período de 31 de outubro até 31 de dezembro de 2019, mas o texto não fixava o incentivo para os anos seguintes. A redução do benefício, que lá atrás foi de 20%, agrada a empresas brasileiras, que alegam favorecimento a multinacionais da Zona Franca de Manaus, como Coca-Cola e Ambev. A indústria regional queria que o governo federal zerasse esse incentivo.”

E olha a inflação voltando, o terror de qualquer presidente, Bolsonaro!

Os supermercados do estado de São Paulo registraram em setembro a maior inflação para o mês desde pelo menos 1994, puxada por avanço de 30,62% do óleo de soja e de 16,98% do arroz. Com impostos de importação zerados para soja em grão e arroz, e também para o milho, a Apas (Associação Paulista de Supermercados) avalia que não há mais o que o governo possa fazer para conter a alta de preços. E que, agora, é esperar que o aumento da área plantada na próxima safra consiga reequilibrar a relação entre oferta e demanda, reduzindo preços em 2021. O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Apas e pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), registrou alta de 2,24% no mês passado, aceleração significativa em relação ao avanço de 0,90% registrado em agosto e recorde para meses de setembro desde o início da série histórica do indicador.” [Folha]

“Com a aceleração, o índice acumula alta de 8,30% entre janeiro em setembro e de 12,01% em 12 meses. Assim, a inflação nos supermercados paulistas supera em muito o IPCA, índice oficial de inflação do país, medido pelo IBGE, que registrou alta de 0,64% em setembro, acumulando avanço de 1,34% no ano e de 3,14% em 12 meses. “Dois itens essenciais têm se destacado nessa alta: o arroz e o óleo”, diz Ronaldo dos Santos, presidente da Apas. “Os dois produtos estão impactados pela alta do dólar, pois arroz e soja são commodities internacionais, e tivemos aumento de 30% a 40% da moeda americana nos últimos seis meses. Também há uma demanda internacional muito aquecida, principalmente da China pela soja.” No ano, o óleo de soja acumula alta de 61,75% nos supermercados paulistas e de 72,31% em 12 meses. Já o arroz, subiu respectivamente 47,04% e 51,26% nas mesmas bases. Em setembro, também ficaram mais caros o leite (7,26%) e derivados como a muçarela (7,73%), queijo prato (5,8%) e leite condensado (3,19%). Além das carnes bovina (4,77%), suína (6,96%) e de frango (1,67%), com avanço em cortes populares como contrafilé (7,81%), acém (6,68%) e coxão duro (9,7%). “O principal motivo também vem da China. Diante da dificuldade de não conseguir repor o rebanho suíno afetado pela peste africana, o país tem comprado direto dos frigoríficos brasileiros, que permanecem com o aumento de preços motivado pela venda em dólares”, observa a Apas, em comunicado. “E a exportação da soja afeta também o mercado de proteína animal no formato da ração, representando de 70% a 80% do custo de produção dos animais.” Na outra ponta, as maiores quedas de preço foram observadas no chuchu (-20,25%), mamão (-18,3%) e batata (-11,89%). O feijão também registrou queda de 1,78%. ​”

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5. Tereza

Tereza é o nome de Bolsonaro pra comandar a câmara mas faltrou combinar com os russos:

“Com um cenário embolado e diversos candidatos à Presidência da Câmara dos Deputados no ano que vem, o nome da ministra Tereza Cristina (Agricultura) começa a surgir em alas do governo e tem o respaldo de membros da frente da agropecuária como uma opção para comandar a Casa. A hipótese de ela entrar na disputa, porém, enfrenta uma série de obstáculos. De um lado, integrantes do centrão, que hoje representa a maior parte da base do governo, resistem à possibilidade, pois integrantes do próprio grupo desejam o comando da Câmara.” [Folha]

“De outro, o próprio DEM precisa decidir se estaria disposto a lançá-la. Na cúpula do partido, para isso acontecer seria necessária a benção de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que preside os deputados. Em um terceiro empecilho, se Maia ou algum candidato apoiado por ele disputasse a eleição, os votos da oposição seriam cruciais para garantir a vitória. Nesse contexto, congressistas contrários ao governo já dizem que jamais apoiariam a ministra por causa do vínculo dela com Jair Bolsonaro e com o agronegócio.”

Mas apóiam o Alcolumbre de boa, esse progressista do mesmo DEM da ministra…

“Ciente de que seu nome está em teste, Tereza indicou a aliados que hoje não abriria mão do ministério para voltar à Câmara.”

Tereza tem que ser muito burra pra topar uma porra dessa, imagine, ter que atender os caprichos presidenciais, Bolsonaro quer um office-boy, ou girl, no comando da Câmara, o Senado tá resolvido com Alcolumbre, que tá fazendo o diabo pra se reeleger.

“Escolhida para chefiar a pasta da Agricultura após indicação da FPA (Frente Parlamentar Agropecuária), Tereza é deputada licenciada pelo DEM. Uma das integrantes do governo mais elogiadas por Bolsonaro, a ministra tem o respaldo de congressistas da base do presidente que não fazem parte do centrão. “Ela é uma excelente opção, é apoiada pela direita, pela FPA. Só tem de ver se ela quer”, afirmou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Embora seja do DEM, o nome de Tereza é mais palatável a apoiadores de Bolsonaro, especialmente da ala mais ideológica, do que outras opções colocadas à mesa.”

O que diz muito sobre a Tereza.

“Hoje, a preferência do presidente, segundo auxiliares, é pelo nome de Arthur Lira (AL), líder do PP.”

Aposto que isso fazia parte do acordo com o Centrão.

“Embora Bolsonaro e lideranças aliadas sustentem que o governo não vai se meter na briga pela Câmara para evitar atritos na disputa, o próprio presidente já indicou a aliados sua preferência e hoje está muito próximo de Lira. O deputado, porém, é um dos principais representantes do chamado centrão, que desagrada uma parcela de eleitores de Bolsonaro. O presidente foi eleito com um discurso crítico a esse grupo de congressistas, que, segundo a avaliação dele, seria adepto de uma política mais fisiológica, baseada no “toma lá dá cá”. Em abril deste ano, sofrendo derrotas no Congresso e com receio de ser alvo de um processo de impeachment, o mandatário cedeu, deu diversos cargos na máquina federal a integrantes do centrão e formou uma base no Congresso.”

Ora, os bolsonaristas vão se foder mais uma vez, claro.

“A FPA tem 245 integrantes, mas, apesar de ter apoios dentro do agro, o nome de Tereza não é unanimidade. “Respeito a Tereza Cristina, mas não é só oxigenar a rotatividade da Câmara, precisamos também dar uma oxigenada na questão do partido”, afirmou o deputado Fausto Pinato (PP-SP). Ele lembra que ser presidente da Câmara é “muito mais que o agronegócio”. O cargo, disse, precisa unir bancada evangélica, bancada da bala, esquerda, direita, centro. “Dentro da bancada evangélica já existe apoio para o Arthur Lira. E eu sou presidente da comissão de agricultura, apoio o Arthur Lira também”, afirmou Pinato, que qualifica o colega de partido como um “deputado muito coerente” e “preparado”. “Eu vejo hoje, com o respeito que tenho com os demais nomes, mas o cara mais preparado tecnicamente, regimentalmente falando, se chama Arthur Lira”, afirmou. “O Lira tem palavra e tem coerência de cumprir os acordos.”

E espera que Bolsonaro tenha palavra para cumprir o acordo entre os dois. Ora, a aproximação com Centrão foi justamente pra foder o Maia, e o Lira é seu maior rival.

E Maia ontem disse que não concorreria à reeleição caso o STF autorizasse mas…

“Outros nomes que estão colocados na disputa são considerados de outro campo e são mais ligados a Maia. O próprio presidente da Câmara, embora já tenha rechaçado publicamente várias vezes a possibilidade de tentar a reeleição, pode entrar na briga. Correligionários e pessoas muito próximas do democrata ainda apostam que ele pode decidir se candidatar se o STF (Supremo Tribunal Federal) liberar essa possibilidade. Se o Supremo decidir que esse é um assunto interna corporis, isto é, que cabe ao Congresso decidir sobre a questão, há chance de Maia conseguir abrir caminho para ser reconduzido. Caso contrário, hoje dois deputados aparecem com mais chances de serem apoiados por Maia: Baleia Rossi (MDB-SP) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). É neste contexto que surge o nome de Tereza Cristina, como uma opção para agradar uma ala de Bolsonaro e que também atenda aos interesses de outros grupos na Câmara, como da FPA. Para líderes da oposição que preferiram ser ouvidos sob reserva, governistas lançaram o nome da ministra para testar Maia e eventualmente tentar criar uma candidatura que envolva o DEM e traga o parlamentar para perto do governo. O problema é que hoje para o candidato de Maia ser eleito, ele necessariamente precisa da oposição, que hoje soma cerca de 130 votos. Reservadamente, um dos líderes da oposição lembra que, se quiser derrotar a candidatura de Lira, Maia vai precisar dos votos da oposição. Isso seria inviável caso o presidente escolhesse Tereza Cristina. Um deputado desse campo comenta que, se Maia escolher Tereza, fará uma mudança de 180 graus no rumo dele.”

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6. Covid-17

Hoje no fim do dia, no exato momento em que edito esse post, o Minsitério da Saúde anunciou que compraria a VACHINA DO DORIA mas isso fica pra amanhã, fiquemos com a pressão dos governadores:

“O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, será pressionado nesta terça (20) por governadores a adotar a vacina chinesa, produzida em parceria com o Instituto Butantan, no programa de imunização do SUS. Pelo menos 14 governantes já tinham confirmado presença em reunião virtual com o titular da pasta, que ocorre às 15 horas. O governo de Jair Bolsonaro tem dado sinais de relutância em relação ao imunizante, que é considerado um trunfo eleitoral do governador de São Paulo, João Doria —foi ele quem bancou o acordo do Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac.” [Folha]

Bolsonaro odeia mais o Doria que os chineses, falo com tranquilidade.

“Eduardo Pazuello (Saúde) não aceitou sugestão de João Doria (PSDB-SP) para mudar a data da reunião com governadores de terça (20) para quinta (22). O tucano queria que o encontro de estados fosse após sua conversa com o ministro sobre a vacina chinesa, na quarta (21). Ainda assim, a expectativa é de que a briga sobre o tema chegue ao fim.” [Folha]

Imagine as ligações que o general recebeu do capitão nas últimas horas, deve ter sido uma sucessão de ordens aos berros e cingamentos ao Doria. E o general sempre muito obediente, como de hábito.

E olhe como o ano que vem demandará soluções elegantérrimas para um problema bem complexo, e desse governo é que não sairá nada razoável, vai ser maior barata-voa do caralho:

“Penso que por mais que nós sanitaristas nos esforcemos para dizer que vacina não é a bala de prata, mas faz parte do conjunto de ações que produzem uma solução, o Brasil espera muito por uma vacina. Temos pelo menos duas candidatas potenciais e com muita chance – a chinesa da Sinovac/Butantã e a inglesa da Oxford/AstraZeneca/Fiocruz. A primeira negociada sem a participação do Ministério da Saúde pelo governo de São Paulo e a segunda negociada pela Fiocruz e Ministério da Saúde. Neste momento não se pode escantear nenhuma das duas e se as duas forem aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), teremos que conseguir construir um modelo de vacinação nacional coerente com a oferta das doses pelas duas empresas. Até meados do ano que vem nenhuma das duas terá oferta de doses suficientes para cobrir a população brasileira e por isso o Ministério da Saúde tem que finalmente cumprir com a sua obrigação e aprovar um plano nacional de imunizações junto à Comissão Tripartite (órgão de coordenação do SUS onde sentam membros do ministério, secretários estaduais e municipais de saúde). Esse plano levará em conta o volume de doses que já está negociado com as duas produtoras e as necessidades da população brasileira que são bem conhecidas, se não pelos atuais ocupantes do ministério, pelos secretários estaduais e municipais de saúde. Este plano deve começar a ser discutido agora, quando também se começa a discutir a peça orçamentária das três esferas de poder para o ano que vem. Merece em particular atenção a esfera federal, que trabalha com a tese de que o mundo do ano que vem será um mundo sem covid-19. E a proposta orçamentária parte de uma redução de 35 bilhões de reais em relação ao orçamento que será executado este ano.” [Estadão]

Tamos fodidos!

E repare como alguém pode defender a redução das restrições sem soar como um completo retardado. A Folha entrevisttou “John Ioannidis, professor de epidemiologia na Universidade Stanford (EUA) e um dos dez cientistas mais citados no mundo.”

“Sem informação para avaliar a melhor opção, é preciso prever o cenário mais pessimista. Os dados que tínhamos sobre a China, e alguns da Itália, pareciam muito desanimadores. Víamos um vírus muito agressivo, se espalhando muito rapidamente e com uma taxa de fatalidade por infecção muito alta, porque víamos poucos assintomáticos. Como o risco de morrer parecia na média muito alto, era justo tomar decisões draconianas, como lockdowns agressivos. Mas era também essencial levantar informações confiáveis rapidamente, porque confinamentos têm consequências tremendas para a saúde, a economia e a sociedade.” [Folha]

Sim, no começo, até ter os dados, ninguém pode se permitir ser otimista.

“Temos uma boa noção de que esse é um vírus que se espalha rapidamente e infecta um segmento muito grande da população. E agora temos melhores dados sobre a fatalidade.”

Sim, agora, 6 meses depois. Isso quer dizer que as medidas até aqui estavam erradas? Nem fodendo!

“Para as pessoas na média, a taxa de fatalidade por infecção é bem baixa comparada com o que se acreditava antes, 0,23%, com tremenda variabilidade. A diferença de letalidade entre uma criança e alguém de 90 anos é da ordem de mil vezes. Sabemos que é um completo desastre se alguém fica infectado em um asilo. A letalidade pode chegar a 25%, um em cada quatro infectados morrem.”

Na mora, essa estatística não bate com os números brasileiros nem fodendo.

O que ainda falta saber:

“Ainda não sabemos qual a proporção de pessoas que precisam ser infectadas para que a pandemia ceda. Vimos que a taxa de infecção pode chegar a 55% em favelas de Mumbai (Índia) e da Argentina e provavelmente em áreas densamente povoadas do Brasil. Isso chega bastante perto do cálculo teórico de 60% para a chamada imunidade de rebanho. Em alguns lugares não densamente povoados, porém, a epidemia parece ceder em porcentagens muito menores. Na Suécia a prevalência não está nem perto de 60%, mas não houve recrudescimento forte nos casos, e modelos sugerem que a imunidade pode acontecer em porcentagens muito menores porque as pessoas não estão encontrando ninguém, não se misturam umas com as outras. Uma questão em que já há dados, mas seria preciso aprofundar, é a de condições pré-existentes que afetem a imunidade, como a exposição a outros coronavírus. Há porcentagens diferentes de imunidade pré-existente em diversos países, e isso deve também contribuir para que não seja necessário um número tão alto para a imunidade coletiva. Mas ainda não temos certeza. Outra fronteira é a das medidas de restrição: fechar locais de trabalho, fechar escolas, trabalhar de casa. Algumas são mais disruptivas que outras, e estão sendo usadas em diferentes combinações, sendo adotadas a partir de indicadores diferentes— número de casos, internações hospitalares, outros aspectos. É uma prioridade avaliar as medidas-chave que estamos oferecendo como soluções. Temos que ser honestos e dizer que não sabemos se elas podem fazer diferença numa direção positiva, pois essa pandemia provavelmente não terá sumido na próxima semana. Não tenho motivo para testar medidas de higiene, lavar as mãos, evitar lugares congestionados, manter distância, usar máscaras se não puder ficar longe. Já sabemos que tudo isso funciona.

Os bolsonaristas vão deitar e rolar com essa entrevista mas omitirão a eficiência do uso de máscara e distanciamento social.

“Mas confinamentos, fechamento de escolas e de empresas, isso é algo que precisa ser muito mais bem estudado, comparado com o que sabemos hoje.”

O cientista é perguntado como tomar decisões sem todos os dados:

“A incerteza. Sabemos bastante, muito mais do que sabíamos quando a pandemia começou. E muito do que conhecemos hoje é mais otimista, comparado com o que achávamos que seria antes. Mas ainda é um problema sério. Precisamos admitir que não sabemos se é necessário fechar tudo, ou por quanto tempo, e fazer estudos para compreender se o saldo disso é positivo. Há alguns estudos. Na Noruega, não se notou diferença significativa, em termos de número de infectados entre reabrir academias de ginástica ou mantê-las fechadas. Escolas felizmente já abriram em muitos lugares, mas há pesquisas para entender como mantê-las abertas e evitar novos fechamentos. Isso requer uma mentalidade diferente das pessoas. Em vez de ficar esperando que o governo ou os cientistas tenham resposta para tudo, deveríamos estar prontos para aceitar que isso é o que sabemos e isso é o que não sabemos e queremos saber. Para isso, é preciso testar.”

Como fã do método científico é difícil refutar isso aí de cima

O que essa pandemia ensinou:

“A principal lição é que temos que estar preparados. Precisamos de mais investimento nos sistemas de saúde, principalmente na atenção básica, porque esta é uma doença que realmente pode ser tratada na atenção básica. Testes também são importantes. Países que foram agressivos em testes logo cedo, como Taiwan, Singapura e Islândia, sufocaram a epidemia antes que ela se transformasse numa grande onda. Não é possível fazer planos específicos, pois não sabemos quando ou se virá uma nova pandemia, que tipo de patógeno será, qual a letalidade, a capacidade de infecção, o risco. Mas, se tivermos o sistema de saúde preparado e também um plano para coletar logo no começo as informações que sabemos ser as mais importantes, essas sobre as quais falamos, podemos evitar erros.”

E essa parte aqui é bem estranha:

“Os cálculos foram feitos com base em estudos de soroprevalência, que medem a proporção de pessoas que desenvolveram anticorpos para o Sars-Cov-2. Esses números indicam com mais precisão quantos foram infectados, pois incluem também os que não tiveram sintomas ou não perceberam que haviam sido contaminados. Ioannidis partiu de 61 estudos e 8 pesquisas nacionais, num total de 82 estimativas em 51 locais diferentes. Com base nelas, projetou que havia mais de meio bilhão de pessoas infectadas até 12 de setembro de 2020, 17 vezes os 29 milhões de casos confirmados na ocasião. O trabalho do pesquisador (no original) encontrou uma taxa mediana de letalidade por infecções de 0,23%, ou seja, houve 23 mortes para cada 10 mil pessoas contaminadas pelo Sars-Cov-2. Como já há muitas evidências de que a doença mata idosos em proporção muito maior, ele calculou também a taxa de letalidade considerando apenas menores de 70 anos. Nessa faixa etária, o índice é de 0,05% (ou 5 mortos a cada 10 mil infectados), na mediana. Os números, porém, variaram bastante de local para local. Entre os menores de 70 anos, a variação foi de 0,00% a 0,31% nos 51 locais estudados. Na população como um todo, o resultado foi menor (0,09%, ou 9 a cada 10 mil infectados) em locais com taxas de mortes por população menores do que a média global (menos de 118 mortes por 1 milhão de habitantes). Já nos que registravam mortes por Covid-19 acima da média (mais de 500 mortos/milhão de habitantes), a taxa de letalidade foi bem maior: 0,57%, ou 57 mortos a cada 10 mil infectados. Segundo Ioannidis, a disparidade pode refletir diferenças na estrutura de idade da população e na idade dos infectados e mortos, entre outros fatores. Ainda assim, diz ele, todas as taxas inferidas ficaram muito abaixo das estimadas no início da pandemia, de mais de 4%, embora pesquisadores, entre eles o próprio Ioannidis, apontassem para a baixa qualidade dos dados disponíveis. Modelos matemáticos sugeriram que, com o avanço da pandemia, o número seria reduzido para algo mais próximo de 1,0% ou 0,9%.” [Folha]

Isso é, conforme o que era previsto.

Outra parte estranhíssima:

“O pesquisador observa também que a maioria dos estudos usados em seu trabalho é de locais com taxas de mortalidade por Covid-19 superiores à média global, e não são totalmente representativos de todos os países e locais no mundo. “Se uma amostra pudesse ser igual em todos os locais do mundo, a taxa média de mortalidade por infecção pode ser substancialmente inferior aos 0,23% observados em minha análise, e pode ser ainda mais reduzida com medidas que protejam seletivamente populações vulneráveis e ambientes ​​de alto risco”, diz ele. São números comparáveis às taxas de letalidade da gripe sazonal e da pneumonia: 0,13% e 0,2%, respectivamente, em países de alta renda.”

Letalidade menor que a pneumonia?! E a pneumopnia, Leo Stronda?!

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7. Eleições

É bonito ver o PSl definhar:

“Em sua primeira eleição na condição de partido grande, o PSL enfrenta defecções em algumas capitais importantes típicas dos nanicos e que podem ampliar o tumulto interno da legenda. No Rio, parlamentares bolsonaristas já estão na campanha de Marcelo Crivella (Republicanos), em detrimento de Luiz Lima. Luciano Bivar, presidente do PSL, minimiza as “traições”, mas admite tratar-se de “um desconforto para o partido”. Ainda assim, disse acreditar que, no balanço final, as cizânias serão inferiores aos bons resultados das urnas para o PSL. Destinatário de R$ 199 milhões do fundo eleitoral, o PSL não tem nome despontando nas capitais. Em São Paulo, o fraco desempenho de Joice Hasselmann nas pesquisas desmotiva o PSL e provoca defecções. Mesmo com as dissidências, Bivar contemporiza. “Quem está fazendo isso não está sendo um bom companheiro partidário, mas o voto é secreto, podem mudar de opinião lá na frente”, afirmou ele.” [Estadão]

E o Russomano é um candidato à altura do presidente, isso ninguém pode negar, onde dá ele economiza do seu próprio dinheiro e paga com dinheiro público. Como todo candidato zeloso Russomano foi logo resolvendo suas pendências trabalhistas pra não atrapalhar a campanha, mas o gênio usou como advogada uma funcionário de seu gabinete. E digamos que a advogada não é lá das mais safas.

“Em 22 de setembro, cinco dias antes de a campanha começar formalmente, o acordo foi assinado pela empresa Museu do Pão e os ex-funcionários João Chaves Magalhães e Cosmo Cordeiro de Araújo. A empresa é razão social da padaria O Forno do Padeiro, localizada em Moema, bairro nobre de São Paulo. Ela tinha Russomanno como proprietário até fechar, em novembro de 2019. O deputado segue responsável por pendências legais. Quem assina pela empresa e aparece como representante de Russomanno é a advogada Fernanda Teixeira Popov. Ela foi nomeada como secretária parlamentar do deputado em 29 de abril de 2019, com salário bruto de R$ 6.296,34 —cargo que ainda exerce. Popov dá expediente no escritório de representação do mandato de Russomanno no bairro de Vila Gumercindo, na zona sul de São Paulo. A Folha telefonou para o escritório às 9h15 desta segunda-feira (19) e conversou com ela, que estava no local. Por telefone, a advogada disse que trabalhou no processo trabalhista da empresa do deputado fora do horário de expediente. “Eu advogo fora do meu horário. Isso está previsto no estatuto do servidor público. Eu saio daqui às 18h, tenho final de semana. Trabalho aqui o dia inteiro e, nas minhas horas vagas, para outras pessoas.” Questionada se recebeu de Russomanno por esse trabalho à parte, fora de seu salário como comissionada, ela não quis responder. Popov diz que trabalha em causas para Russomanno desde 2015 e, em 2019, juntou-se ao gabinete para dar atendimento na área de defesa do consumidor, bandeira do deputado. “É um trabalho muito bonito. A gente dá voz para quem não tem.” Os dois acertos foram chancelados em 25 de setembro pela Justiça do Trabalho de SP, antevéspera do início da campanha. Russomanno, assim, eliminou uma possível fonte de questionamentos durante o período eleitoral. Ambos foram assinados eletronicamente por Popov em 25 de setembro antes das 18h, que ela diz ser o fim de seu horário de expediente: o acordo de Magalhães às 11h33, e o de Araújo, às 11h48. Magalhães ganhou o direito a receber R$ 82.891 líquidos, que foram transferidos pelo próprio Russomanno de sua conta como pessoa física em 23 de setembro. No mesmo dia, Araújo, o outro ex-funcionário, recebeu R$ 87.632,45 da NDC Comunicações, outra empresa do candidato. O processo de Magalhães foi iniciado em 19 de janeiro de 2016, e o de Araújo, em 8 de março daquele ano. O valor inicial da causa foi estabelecido em R$ 36 mil, que equivalem hoje a R$ 43 mil.” [Folha]

Os ex-funcionários, malandros, cobraram um ágio pra ajudar o candidato.

O trouxa podia ter pago menos antes, se livrado dum problema pra campanha mas não, esperou os 45 do segundo tempo e pagou o dobro!

“Russomanno tem um histórico de problemas trabalhistas, que foram explorados por adversários no passado. Na campanha de 2016, ex-funcionários do Bar do Alemão, que ele tinha em Brasília, deram depoimentos usados pela campanha de Marta Suplicy (então no MDB) em que relatavam dívidas. Na época, a Folha listou ao menos 33 processos —15 de problemas trabalhistas. Russomanno argumentou que fez todos os pagamentos de direitos trabalhistas. Da mesma forma, já houve casos de participação de servidores da Câmara em atividades privadas do deputado. A Folha mostrou em 2017 que o assessor de Russomanno Fabio Bonchristiano, pago pela Câmara, dava expediente na clínica Estética Hollywood, em Moema, uma franquia do cirurgião plástico Dr. Rey. A mulher de Russomanno era dona da franquia. Ele afirmou na época que iria descontar as ausências de seu assessor.”

E o vice do Covas, terrivelmente católico, também é todo enrolado, repare:

“O grupo político do vereador Ricardo Nunes (MDB), vice na chapa de Bruno Covas (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, mantém uma teia de conexões entre empresas, parentes e indicados políticos com cargos na gestão que envolvem creches contratadas pelo município. Essas conexões têm como pivôs o próprio vice de Covas e a entidade Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente). A reportagem da Folha encontrou empresas ligadas a assessores e servidores indicados por Nunes que fazem negócios entre si e também com as creches. Além disso, há parentesco entre funcionários da prefeitura indicados pelo vereador e donos de empresas e entidades que faturam com o serviço e o aluguel dessas creches. Nunes afirma que esses vínculos são com pessoas da mesma região em que vive, na zona sul de São Paulo, feitos antes de ter sido eleito vereador da cidade, a partir de 2012. Segundo ele, isso não afeta sua atuação como fiscalizador, uma das funções dos vereadores. O emedebista foi escolhido por influência do governador João Doria (PSDB), após uma acirrada disputa pelo cargo em que a falta de rejeição ao seu nome pesou favoravelmente. Durante as eleições, a Folha revelou que, em 2011, a esposa dele, Regina Carnovale Nunes, fez boletim de violência doméstica contra ele —ele nega agressões. Além disso, revelou que o grupo ligado a ele tem faturamento milionário alugando imóveis para creches da gestão Covas. A prefeitura utiliza entidades parceiras para administrar e expandir as creches, por meio dessas unidades conveniadas mantidas com repasses de verba. O modelo, porém, é alvo de investigações por fraudes, e centenas delas foram descredenciadas. Segundo dados da prefeitura, a Acria recebe mais de R$ 14 milhões por ano em repasses da prefeitura. Desse total, R$ 2,3 milhões vão para o pagamento de aluguéis. Das nove creches da Acria, segundo documentos da prefeitura, seis têm empresas de pessoas ligadas a Nunes como locadores —73% de tudo o que é pago em aluguéis por esta entidade vão para os aliados do vereador. Além disso, há intermediação de empresas das mesmas pessoas em parte dos demais imóveis.” [Folha]

Chance The Rapper Snl GIF by Saturday Night Live

Que coincidência danada…

“A presidente da entidade, Elaine Targino, é ex-funcionária de Nunes e se refere a ele nas redes sociais como “meu chefe” —uma referência, segundo ela, feita em um lapso, uma vez que já trabalhou com ele. Segundo Elaine, a escolha das entidades para convênios de creches se dá pela oferta do proprietário e, depois, uma série de análises feitas pela prefeitura. Apesar de qualquer pessoa em tese poder oferecer os imóveis para essas creches, os contratos foram fechados pela prefeitura em sua maioria com empresas de pessoas do grupo político de Nunes. Entre os locadores das unidades está a empresa Sevenmax Administração de Bens, que tem como sócia Luciane Ribeiro, mostram contratos com a prefeitura. Luciane é esposa de Edivan Bezerra da Silva, ex-assessor do gabinete de Nunes e atualmente lotado na liderança do MDB na Câmara Municipal, núcleo do Legislativo também controlado pelo vereador. Ela nega que o contrato tenha qualquer ligação com a atuação de seu marido e diz que fica feliz em poder investir em algo que beneficie a região onde nasceu, na zona sul de São Paulo. “O prédio mencionado é um dos imóveis que alugo, neste caso, em específico, fiz as adaptações e levei mais de um ano para finalizar —e levarei mais de seis anos para ver o retorno deste investimento.” “Depois disso, coloquei à disposição o local para locação para creche em razão da grande demanda de vagas na região [extremo do Grajaú] que por sinal ainda não estão supridas totalmente”, diz. Ricardo Nunes, como aliado da gestão Covas e representante do MDB, indica pessoas a diversos cargos. A influência dele se dá principalmente da Subprefeitura da Capela do Socorro e na SPObras. As empresas que alugam para a Acria também pertencem a servidores ou ex-servidores desses setores, como o subprefeito da Capela do Socorro, Valderci Malagosini Machado, o diretor da SPObras Ronaldo do Prado Farias, e o ex-chefe de gabinete de Machado e hoje candidato a vereador, Marcelo Messias. Prado Farias, por meio de uma imobiliária, ainda fez a intermediação de contratos entre a entidade e empresas. “Sou corretor de imóveis e fui procurado pela Acria com a necessidade da mesma de locação de imóveis para a instalação de creches na região”, afirmou à Folha.”

Se gritar pega ladrão não fica um, meu irmão…

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8. O paraíso da lavagem de dinheiro

O Amaury Ribeiro Jr. entrevistou um dos doleiros do Dario Messer:

“Ex-sócio do doleiro Dario Messer, Vinícius Claret, que assinou a colaboração premiada com o MPF (Ministério Público Federal) que originou a operação “Câmbio, Desligo”, da Lava Jato, está convicto de que a falta da fiscalização do Banco Central e da Receita Federal transformou o Brasil na “maior lavanderia de dinheiro do mundo”. “Enquanto não sair uma lei proibindo o pagamento de boletos por terceiros, a lavanderia vai continuar solta”, afirma. Segundo Claret, que concedeu entrevista exclusiva ao UOL no Rio de Janeiro, doleiros e todos os tipos de “lavadores” estão mandando mais do que nunca recursos para o exterior por meio de importações falsas. O suposto empresário manda o dinheiro para fora por meio dos canais legais do sistema financeiro, sob o argumento de que está importando bens, mas os bens nunca chegam ao Brasil. “Como não há um ‘compliance’ [checagem sobre conformidade das regras] nessas empresas, o dinheiro vai e a mercadoria nunca chega”, disse o ex-doleiro. Claret residiu no Uruguai, considerado um país que protege bastante as contas bancárias no anonimato, ligadas a empresas chamadas “Safi” (Sociedades Anônimas Financeiras de Investimento). Ele disse que a situação no Brasil não se compara com a do país vizinho. “No Uruguai, apesar de o país permitir a abertura de contas offshores [protegidas pelo sigilo] a fiscalização é muito mais rígida.” O ex-doleiro falou ao UOL em um restaurante na Barra da Tijuca na última sexta-feira (16). A duas semanas de se livrar da tornozeleira eletrônica, Claret quer esquecer o passado. Assim que terminar uma série de palestras que vem dando para procuradores da República e delegados de polícia em todo país e finalizar seu trabalho social num hospital do Rio, Claret pretende voltar ao Uruguai. Mas voltar a operar com dólar, nem pensar, diz ele.

O ex-doleiro, que aos 60 anos ainda se arrisca a pegar umas ondas no surfe, quer voltar a trabalhar em sua loja de vendas de pranchas. Claret, que ficou mais de um ano preso no Uruguai, disse que foi traído por Messer, que fugiu para o Paraguai deixando-o sem dinheiro sequer para contratar advogado. Ele disse ainda que se arrepende de ter assinado o acordo de colaboração premiada. O Messer mandou assinar o acordo e sumiu para o Paraguai. Me arrependo por ter entregue pessoas amigas. Mas não estou nem aí por ter ajudado a colocar o Cabral na cadeia. Claret argumentou que, ao ser subcontratado pelos doleiros Marcelo Chebat e Renato Chebat para transferir dólares para a Suíça, não poderia imaginar que o destino final do dinheiro tinha como objetivo lavar recursos da corrupção do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. “Só soubemos quando o pessoal da Odebrecht começou a falar, aí já era tarde.” Claret acredita que Cabral e os aliados do governador afastado do Rio, Wilson Witzel, podem ter usado esquemas semelhantes para lavar dinheiro. No caso de Cabral, a Transexpert e depois a Fênixx, empresa de transporte de valores, se encarregavam de levar para o escritório de Messer o dinheiro e boletos de terceiros, comprados no mercado, a fim de ocultar a origem ilícita dos valores. “Nós pagávamos esses boletos e, diante de uma comissão, fazíamos a transferência para as contas dos Chebat na Suíça. Mas o dinheiro já estava em nossas contas [no mesmo paraíso fiscal].” Claret disse que o dinheiro obtido com o pagamento dos boletos era usado para comprar mais dólares e reais. Usada de forma pioneira por Dario Messer, a Fênixx, de acordo com as investigações do MPF, se encarregava de lavar também o dinheiro de aliados de Witzel. Só que, em vez de usar o escritório de Messer, a própria Fênixx pagava os boletos e enviava o dinheiro por meio de offshore no Uruguai. Enquanto não sair uma lei proibindo o pagamento de boletos por terceiros, a lavanderia vai continuar solta.

O ex-doleiro defendeu uma fiscalização mais rígida sobre os sócios das empresas de importação sediadas no Brasil. Ele lembrou que o principal doleiro delator da Operação Lava Jato, Alberto Youssef, se “apropriou” de uma empresa de importação em São Paulo só para mandar dinheiro ao exterior. Essas supostas empresas de importação são usadas, conforme apurado pela Lava Jato, apenas para remeter o dinheiro para empresas supostamente sediadas no exterior. Ao chegar lá, o dinheiro transita por outras contas controladas por doleiros. Ao Ministério Público Federal, a Receita argumentou que todas as cargas das empresas novas ou que envolvem grandes valores, supostamente com o material da importação, são fiscalizadas na chegada ao Brasil. O argumento não convence Claret. “Essas pequenas empresas, mediante o pagamento de uma taxa, na verdade importam por meio de empresas que têm uma cota maior de importação”, disse o ex-doleiro. Ao se lembrar da época em que trabalhava com o maior doleiro do país, primeiro como funcionário e depois como sócio, Claret disse sempre dava risada por ter emprestado ao empresário Reinaldo Pitta o dinheiro para comprar o passe do jogador Ronaldo Fenômeno do clube de futebol São Cristóvão. “O Messer queria ele mesmo ter comprado o passe, mas foi proibido pela família”, disse Claret. Ele contou que, a fim de não pagar comissões para terceiros, Messer abriu um banco em nome do sócio Enrico Machado, o Evergreen Bank, nas Bermudas, um paraíso fiscal no Caribe. De acordo com ex-doleiro, Enrico teria vendido o banco e “sumido” com US$ 30 milhões que Messer lá escondia. “Foi aí que o império de Messer começou a desmoronar.”” [UOL]

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9. O poder é uma merda

Do Fábio Gambiagi sobre a falta de renovação política – e o problema não é só aqui, a linha sucessória americana é incrivelmente velha:

“A transição de lideranças é sempre complicada nos partidos. Alfonsín conseguiu se eleger presidente da Argentina em 1983 porque mais de 10 anos antes tinha tido a coragem de desafiar a liderança histórica de Ricardo Balbín, numa atitude que constituiu quase uma heresia. Na ocasião, perdeu as primárias, mas firmou-se como liderança para quando o velho líder afastou-se do partido, ao envelhecer, nos anos de governo dos militares (1976-1983). Aqui, Brizola é sempre lembrado como exemplo de líder que não deixou sucessores em vida no PDT no século XX, com seu carisma que era seu ponto forte e, simultaneamente, a causa que nunca permitiu uma liderança alternativa no partido, nas décadas de 1980 e 1990. Partidos relevantes tendem a ser conduzidos de duas formas. Uma é através de sistemas colegiados, quando não há um condutor claro do processo, pela multiplicidade de “caciques” de força média — essa foi a base, por exemplo, em que Michel Temer foi construindo o seu espaço no PMDB, ao longo de mais de 20 anos de um paciente trabalho, transitando entre os diversos grupos. A outra é pela liderança de uma figura, em geral caudilhesca, ainda que na versão brasileira, com nosso cartorialismo nacional, em alguns casos isso esteja associado não ao carisma e sim ao conhecimento da burocracia que rege o funcionamento das instâncias partidárias. É isso que fez com que Roberto Jefferson ou Carlos Lupi se tornassem os “donos” do PTB e do PDT durante anos, já no atual século — no caso do último, após a morte de Brizola. A passagem da liderança — antes do desfecho por ato divino — se dá, assim, de duas formas. Uma é quando quem lidera reconhece ser necessário dar um “passo ao lado” e prepara o terreno para sua própria sucessão. Essa é uma descrição mais teórica do que prática, uma vez que a vaidade humana faz com que, na vida real, sejam raros os casos em que isso ocorre. Políticos costumam ter uma enorme dificuldade em reconhecer a necessidade de sair do palco. Em geral, prolongam a sua permanência por um tempo maior do que o recomendável e, muitas vezes, acabam tendo um fim melancólico das suas carreiras, sendo o caso do Brizola um exemplo típico. A outra é quando, como no exemplo antes citado dos radicais argentinos, uma figura mais jovem tem a audácia de desafiar um ícone do seu próprio partido, algo que, quando ocorre, pode produzir feridas que nem sempre depois se fecham. A grande questão nesses casos é: quem coloca o “guizo no gato”?

Esta longa introdução ao tema é para colocar em discussão algo que não me diz respeito, mas é fundamental para o Brasil: o futuro do PT. O partido já ocupou a Presidência da República quando venceu quatro eleições consecutivas; esteve no segundo turno em todas as eleições em que houve segundo turno desde a redemocratização; foi o segundo colocado nas duas eleições de FHC, em que este venceu no primeiro turno em 1994 e 1998; elegeu a maior bancada na Câmara nas três últimas eleições; e poderá perfeitamente estar no segundo turno em 2022. Critiquei sua gestão de governo em “n” artigos de jornal e em vários dos meus livros, mas não é bom para o país que o partido seja considerado como uma espécie de pária por quem não vota nele. E isso passa pela discussão do PT pós-Lula. Personagem este que, por sua vez, não desistiu de voltar à Presidência da República. Lula tem uma relação curiosa com o partido. Sem ele, o partido não existiria: é seu fundador e sua essência. Ao mesmo tempo, porém, nas circunstâncias atuais, com ele, na prática, no comando, é difícil que o partido consiga sair do “gueto” em que ficou em função dos acontecimentos dos últimos anos — e será muito difícil o Brasil escapar da polarização que está nos destruindo a alma. O partido precisaria dar esse passo rumo ao “pós-Lula”. Faria muito bem ao PT e ao país que alguém tivesse a ousadia de se apresentar em 2021 como seu candidato para a disputa presidencial de 2022 — mesmo que Lula volte a ser elegível.” [O Globo]

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10. Roraima

Do blog Saída à Direita:

“Capital de Roraima, Boa Vista tem 11 candidatos a prefeito, dos quais 3 têm tratado na campanha de uma suposta ameaça representada pelos imigrantes venezuelanos. Todos de direita. Nicoletti, do PSL, promete acabar com o que chama de “privilégios” de que a comunidade desfrutaria. Eles incluiriam a prioridade no uso de serviços públicos e o trabalho desimpedido no comércio informal em plena pandemia. Gerlane, do PP, vai além. Anuncia que pressionará o governo federal pelo fechamento de 9 dos 11 abrigos que existem hoje na cidade para abrigar uma comunidade, que, segundo algumas estimativas, passa de 30 mil pessoas. Luciano Castro, do PL, relaciona, em seu programa de governo, os venezuelanos à criminalidade. Uma de suas promessas é “reforçar a ação da Guarda Municipal na prevenção e repressão a ações delituosas e criminosas cometidas por imigrantes contra o patrimônio público”. Parece que a retórica anti-imigrantes, tão comum na Europa e nos EUA, chegou de vez à direita brasileira. Ainda é um fenômeno um tanto restrito a áreas em que esse assunto é quente, como Roraima. Não se imagina que a questão da imigração venezuelana ocupe lugar de destaque, por exemplo, na campanha presidencial em 2022. Mas em disputas regionais, como a de agora, ela já tem peso considerável. Esse tipo de demonização dos imigrantes vem sempre acompanhada de uma palavra pesada: xenofobia. Mas candidatos xenófobos fazem de tudo para se distanciar do rótulo. Em conversas com Nicoletti e Gerlane na semana passada, ambos me disseram que têm respeito pelos imigrantes. Garantem que se trata apenas de proteger os cidadãos de Boa Vista, que competem com os venezuelanos por empregos e acesso a escolas e hospitais. Gerlane chega a prometer designar unidades de saúde exclusivamente para atender os imigrantes, o que traz ecos desconfortáveis de medidas de segregação que existiram em países como EUA e África do Sul no passado.” [Folha]

Não, imagina…

A onda migratória venezuelana começou por volta de 2016 e intensificou-se em 2018, conforme o desastre econômico do governo de Nicolás Maduro se intensificava. Estima-se que mais de 100 mil venezuelanos tenham cruzado a fronteira brasileira. Grande parte foi “interiorizada”, ou seja, enviada, muitas vezes com auxílio federal, para outros estados. Há atualmente núcleos consideráveis de venezuelanos no Amazonas e em estados do Nordeste e do Sul/Sudeste. Muitos permaneceram, contudo, em cidades de Roraima, sobretudo Boa Vista. Parte considerável vive em abrigos, mas há centenas também nas ruas, aumentando a sensação de insegurança da população e dando margem à exploração por candidatos populistas. Se o assunto é tema de campanha, é porque os candidatos entendem que existe público para isso. Nicoletti e Gerlane afirmam que a maioria da população de Boa Vista concorda que é preciso colocar limites na presença dos venezuelanos. O candidato do PSL defende claramente estabelecer limites na fronteira, dizendo que não há mais condição para receber imigrantes. Em todo o planeta, o tema da imigração virou uma bandeira da direita, sobretudo na última década. Na Europa e nos EUA, a xenofobia tem ainda um componente religioso, uma vez que grande parte dos imigrantes vêm de países islâmicos. Felizmente, esse ingrediente ainda é marginal por aqui. A situação não deixa de ter seus paradoxos. Quem deixa a Venezuela é porque está fugindo da fome, da falta de segurança e da perseguição política de um regime de esquerda. Mas parte da direita, longe de receber esses refugiados com heróis, repete a atitude hostil contra eles.”

chicago fire GIF by NBC

“Na campanha de 2018, já houve muxoxos em Roraima pedindo restrições aos venezuelanos. Curiosamente, num raro lampejo de bom senso, o então candidato Jair Bolsonaro absteve-se de estimular esse tipo de discurso. Como presidente, Bolsonaro colocou de pé uma estrutura eficiente de recepção aos imigrantes, a Operação Acolhida, coordenada pelas Forças Armadas. Não deixa de ser irônico que o principal líder da direita brasileira esteja lidando com a questão com mais racionalidade do que seus seguidores em Boa Vista.”

Por enquanto, por enquanto.

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11. Giro pelo mundo

“As autoridades francesas lançaram uma grande operação policial contra movimentos jihadistas islâmicos presentes no país e prometeram uma “guerra contra os inimigos da República”, três dias após a decapitação do professor Samuel Paty. Paty, 47, ensinava história e geografia. Foi morto na rua após mostrar, em uma sala de aula do ensino fundamental, charges do profeta Maomé. Ele foi atacado na sexta (16), na periferia de Paris. O caso foi classificado como terrorismo. Foram abertos mais de 80 processos de investigação, tanto de pessoas envolvidas no caso quanto de militantes acusados de espalhar discursos de ódio em redes sociais ou que já haviam sido fichados pelos serviços de inteligência. Até esta segunda (19), ao menos 15 pessoas haviam sido presas por suspeita de ligação com o assassinato, incluindo quatro estudantes. Segundo uma pessoa que acompanha as investigações, pelo menos um aluno do colégio onde Paty trabalhava ajudou o assassino a identificar o professor, em troca de uma recompensa. O autor do crime é apontado como Abdullakh Anzarov, 18, nascido em Moscou, de origem tchetchena e refugiado na França. Ele foi morto pela polícia pouco depois do ataque. As investigações buscam esclarecer se ele agiu por conta própria ou se cometeu o crime a mando de alguém. Gérald Darmanin, ministro do Interior, acusou o pai de uma aluna e o militante islâmico Abdelhakim Sefrioui de terem lançado uma sentença de morte contra o professor. Os dois homens organizaram uma campanha de mobilização contra Paty, que incluiu postagens em redes sociais. Ambos foram presos. O governo francês também disse que irá fazer operações contra mais de 50 associações que incluem militantes, e que várias delas serão fechadas.” [Folha]

E aqui começa a doideira:

Entre os alvos, estão o CCIF (Coletivo Contra a Islamofobia na França) e a associação humanitária Baraka City. Ambas foram citadas como inimigas da República pelo ministro do Interior. A líder de extrema direita Marine Le Pen pediu ao governo que deporte todos os estrangeiros presos por terrorismo ou que sejam considerados pessoas radicalizadas.

A Le Pen vai fazer a festa…

“O assassinato de Paty comoveu o país. Dezenas de milhares de pessoas fizeram um protesto pela liberdade de expressão no domingo (18). Nesta segunda, o Parlamento Europeu prestou um minuto de silêncio em homenagem ao professor. Um grupo de líderes muçulmanos levou flores até a frente do colégio onde Paty trabalhava. O imã Hassen Chalghoumi disse aos repórteres que é hora de a comunidade muçulmana acordar para os perigos do extremismo. “[O professor] é um mártir da liberdade de expressão e foi um homem sábio que ensinou tolerância, civilidade e respeito aos outros”, disse Chalghoumi, presidente da Conferência dos Imãs da França. “Temos de acabar com o discurso de vitimização. Nós todos temos direitos na França, como todo mundo. Os pais devem ensinar aos filhos as coisas boas que existem nessa República”, prosseguiu. Na segunda-feira (19), autoridades francesas também fecharam uma mesquita em Pantin (noroeste de Paris). De acordo com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, a página no Facebook da mesquita divulgou um vídeo de denúncia da aula sobre as caricaturas de Maomé do professor assassinado na sexta-feira e o diretor do templo escreveu na rede social que “este professor deveria ser intimidado”, fornecendo “o endereço da escola”. Quinze pessoas estavam presas na segunda-feira em meio à investigação antiterrorista sobre o assassinato ocorrido em Conflans-Sainte-Honorine, incluindo quatro estudantes do ensino médio, informou uma fonte judicial à agência de notícias AFP.”

E esse blog Mar Sem Fim, do Estadão, é bem bom, esse texto sobre os nvaios em tempos de pandemia me deixou estupefato:

“São variados os setores da economia mundial que colapsaram devido à pandemia. O turismo, a aviação, bares e restaurantes, os shoppings, a indústria, e muitos outros. Mas um deles tem passado o ‘pão que o diabo amassou’. Trata-se da indústria naval em suas variadas modalidades. 200 a 400 mil marítimos ainda presos a bordo. Ainda no final de julho publicamos o post Navios de cruzeiro, a pandemia e a tempestade perfeita onde comentávamos os problemas do setor. Os 338 navios de cruzeiro que levam passageiros pelos mares do planeta foram obrigados a parar. Mas os ‘monstros do mar’ não foram feitos para parar. E não há ‘garagens’ para guardá-los. Os navios de cruzeiro foram obrigados a esperar em pleno mar, próximos a alguns portos, e não podem ser totalmente desligados. Quando ficam fundeados, eles têm que ficar funcionando. Segundo o Financial Times, de junho de 2020: “A Carnival, a maior empresa de cruzeiros do mundo, está com hemorragia de US$ 1 bilhão por mês para manter sua frota.” Passados outros dois meses, em setembro a revista Forbes abordou o setor de transporte marítimo de cargas, onde o problema também é de proporções catastróficas. Segundo a publicação, “Entre 200.000 e 400.000 marítimos (os trabalhadores navais) estão presos em navios ao redor do mundo. Eles não puderam deixar seus navios devido às restrições do COVID-19. “

De acordo com a Forbes, “O estresse e a fadiga estão aumentando entre a tripulação. A indústria já tinha 2.815 incidentes de navegação em julho de 2020, com certas categorias de navios vendo problemas de segurança dispararem 20% este ano.” Ainda mais acidentes virão? Parece que sim. A Forbes diz que “a gigante dos seguros de transporte, Allianz, destacou esse risco. “A seguradora prevê cortes de custos em todas as companhias que, juntas, transportam cerca de 90% do comércio mundial. Para a Allianz, a longo prazo isso significa um aumento nas perdas com medidas de corte de custos, tripulação cansada, navios ociosos e resposta de emergência enfraquecida.” Deste total, ‘mais de 200 mil estão presos em navios há meses desde a última troca de tripulação. Empresas de saúde que tratam este pessoal informaram que ‘a ajuda aumentou em 700% em 2020, comparado ao mesmo período do ano anterior’. A Forbes cita o editor da publicação marítima líder, a gCaptain, John Konrad que fez um apelo em nome da indústria. O editor citou quatro aspectos que não foram observados por muito tempo: ‘a segurança dos navios, a sustentabilidade, paridade de gênero, e diversidade racial’. O apelo do editor foi feito em vídeo, onde ele enumera 26 acidentes que o site da publicação está cobrindo. “Uma série de exemplos de navios explodindo, afundando e batendo.” Para John Konrad “estes incidentes foram uma combinação de anos de enfraquecimento dos padrões de segurança em navios que agora foram acentuados com COVID-19.” Entre os acidentes citados está o desastre ecológico nas Ilhas Maurício, que já comentamos, quando um enorme cargueiro subiu em recifes a poucos metros das praias. E pergunta “o quanto disso teria sido provocado pelo subinvestimento em processos de sistemas de segurança, treinamento e tecnologia?

Perda de um a dois grandes navios por semana, esta é a média de perdas de grandes navios oceanos afora. Como são imensos, em geral estes acidentes provocam sérios desastres ecológicos, salvo quando afundam em alto-mar. Ainda assim, longe dos litorais, não deixam de ser desastres ecológicos apesar de, pela distância da costa, não provocarem o alvoroço que o desastre de Maurício causou. Ainda em junho o Secretário-Geral da ONU, Antonio Gutteres, disse que estava “preocupado com a crescente crise humanitária e de segurança que os marítimos enfrentam em todo o mundo”. Gutteres se preocupava com os milhares de marítimos presos por meses, incapazes de desembarcar (em razão da pandemia), e classificou o assunto como “crise humanitária insustentável.” E, lembra a Forbes, “as famílias de 40 tripulantes desaparecidos do Gulf Livestock 1 continuam a apelar ao Japão para não encerrar sua missão de busca e resgate, depois que o navio navegou direto para o centro de um poderoso tufão no início deste mês.” A Forbes diz que estes acidentes são típicos de navios panamenhos, ou os de bandeiras de Conveniência, mas ‘isto está se estendendo para navios de países mais rígidos, como os Estados Unidos’. E lembrou que “em agosto, quatro tripulantes morreram e muitos outros ficaram feridos quando um navio de dragagem americano, o Waymon L. Boyd, explodiu no porto de Corpus Christi, no Texas.”

Como já levantamos neste site, a indústria marítima mundial é altamente poluente. “Se fosse um país, o transporte marítimo seria o 6º maior em termos de emissões de carbono.” Atualmente a frota mundial de grandes navios é calculada em 60 mil pela Forbes, que diz que “desde 1950 o tamanho do transporte marítimo global cresceu 1.500%, embora a quantidade de navios permaneça mais ou menos igual. É que muitos saíram de linha e outros, maiores, entraram como substitutos. A Forbes estima em 500 bilhões de dólares anuais, vindos da indústria mundial de petróleo pelo fato dos navios usarem um combustível pesado “que, de outra forma, exigiria que a indústria do petróleo pagasse por um descarte caro e seguro.” Enquanto isso, estudos mostram que o primeiro grande navio de carga só sairá dos estaleiros em 2030. Há muitas novidades no setor naval como este site já demonstrou. Mas, por enquanto, se limitam a navios menores. A Forbes lembra que os problemas acima não são os únicos. Trata-se de uma indústria quase 100% masculina, seja entre tripulantes, inspetores de acidentes, ou mesmo nos quadros da IMO – Organização Marítima Mundial (agência controlada pelo Japão na ONU). Ao que parece, a indústria naval não dá muita pelota para a paridade de gêneros, o que provoca incômodo e eleva as críticas ao setor. Quanto à diversidade racial, que avança em todas as partes do mundo, seja em empresas ou o setor de serviços, parece igualmente ‘encalhada’ na indústria naval. A conclusão da Forbes é que a indústria marítima mundial ‘envia-nos um SOS’. E diz que ‘apesar da ONU, do Papa, e de líderes empresariais como Sir Richard Branson pedirem uma urgente mudança nos padrões, nada acontece. Segundo a Forbes, nem mesmo a a IMO, mostrou-se capaz de se sensibilizar. Prepare-se, acidentes como o do cargueiro da Vale na saída do porto no Maranhão provavelmente vão acontecer com mais frequência também em nosso litoral. Para a Forbes, o transporte marítimo global é de longe o maior retardatário de todas as indústrias de transporte. E conclui: “O mundo está ficando sem tempo para evitar uma mudança climática descontrolada. O mesmo acontece com a indústria naval.”” [Folha]

E beijos, Pepe!

“O ex-presidente uruguaio José Mujica renunciou a sua cadeira no Senado na terça-feira, 20, e se aposentou definitivamente da política, cumprindo um anúncio que fez no mês passado. A pandemia de coronavírus precipitou a decisão do ex-presidente de 85 anos, que sofre de uma doença imunológica. “Esta situação obriga-me, com grande pesar pela minha profunda vocação política, a pedir a renúncia à bancada que me foi concedida pela cidadania”, escreveu Mujica em carta lida esta terça-feira em sessão extraordinária do Senado. “A pandemia me expulsou”, acrescentou.” [Estadão]

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12. Um Trump Muito Louco

E o Trump pedindo em uma entrevista à Fox que seu procurador-geral indicie o filho do Biden?!

“Em entrevista à Fox News, Trump citou a reportagem do New York Post sobre supostas irregularidades nos negócios de Hunter com a companhia de gás ucraniana Burisma. O presidente pediu que Barr nomeie alguém para “lidar com o assunto”. “Temos que fazer com que o procurador-geral aja. Ele tem que agir e ele tem que agir rápido”, disse Trump. E completou: “Esta é uma grande corrupção e isso deve ser conhecido antes da eleição.”[Estadão]

}Entendeu? Não só ele quer que um inquérito seja aberto como a conclusão se dê antes de 3 de novembro!

“Há menos de 15 dias da eleição, a campanha do republicano vem utilizando uma matéria veiculada pelo tabloide New York Post como trunfo eleitoral. A publicação apresentou o que seriam provas de como o filho de Joe Biden, Hunter, usou a influência do pai para mediar o encontro dele com um empresário ucraniano. O Post ainda alega que foi alertado sobre a existência do material por Steve Bannon, ex-estrategista da campanha de Trump e que foi preso em agosto, acusado de fraude em um projeto de financiamento para parte de um muro na fronteira com o México. De acordo com o New York Times, o material apontado como sendo de Hunter foi entregue pelo advogado e aliado de Trump, Rudolph Giuliani, ao jornal no dia 11 de outubro.”

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E Trump faz isso depois dessa proeza aqui:

“Há um ano, os esforços de Trump para colocar os holofotes em Hunter Biden voltaram-se contra ele, após uma fonte divulgar um telefonema no qual o presidente americano é flagrado pedindo ao homólogo ucraniano que abrisse uma investigação sobre o filho de Joe Biden. Em troca, os Estados Unidos prometeram uma ajuda militar importante à Ucrânia. Os democratas acusaram Trump de abuso de poder e o submeteram a um processo de impeachment em uma votação histórica no Congresso. Os senadores republicanos absolveram rapidamente o presidente, enterrando o “caso Hunter Biden” por vários meses. Em setembro, senadores republicanos atacaram novamente. Segundo um relatório, Joe Biden nada fez para impedir que seu filho se aproveitasse de seu nome, mas não há indícios de que tenha influenciado a política externa dos Estados Unidos para ajudar Hunter.”

Paso ao Vicente Toledo, que fez um bom apanhado do atual momento da eleição americana:

“Faltando duas semanas para as eleições nos Estados Unidos, a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump é cada vez mais provável. A média das pesquisas nacionais calculada pelo jornal “The Washington Post” mostra o ex-vice presidente com 11 pontos de vantagem sobre o atual presidente: 54% a 43%. O candidato do Partido Democrata também lidera as pesquisas em estados decisivos para a disputa no Colégio Eleitoral, com caminho aberto para alcançar os 270 votos que garantem a Presidência. Mais que isso, a preferência por Biden tem sido consistente ao longo da campanha. Trump tem que mudar a dinâmica da corrida em menos de 15 dias, mas é incapaz de fazer algo diferente do que o levou a vitória em 2016. E a decisão de continuar fazendo comícios para milhares de pessoas em meio à pandemia do coronavírus, pouco depois do próprio Trump e sua família contraírem a doença, não o ajuda em nada com os eleitores indecisos e independentes de que precisa para evitar a derrota. Mas depois do que aconteceu em 2016, quando Hillary Clinton também aparecia como favorita às vésperas da eleição contra Donald Trump, o cenário atual não traz boas lembranças para os democratas. Dessa vez, porém, a chance de uma virada na reta final é mais remota.

A principal e mais óbvia diferença entre as duas eleições é que Joe Biden não é Hillary Clinton. O ex-vice presidente é uma figura popular e carismática, enquanto a ex-primeira-dama tinha alto índice de rejeição. Segundo o site “Real Clear Politics”, a parcela média do eleitorado que apoia Biden no mês de outubro é de 51.3%, enquanto Hillary Clinton tinha 48% nesta mesma época em 2016. O efeito prático disso é que os ataques de Donald Trump e seus aliados contra Joe Biden não têm o mesmo efeito que tiveram contra Hillary Clinton. A campanha do presidente não conseguiu encontrar um escândalo que colasse em Biden como os e-mails de Hillary em 2016. Alguns ataques até saíram pela culatra, como a pressão sobre o governo da Ucrânia para investigar negócios de Hunter Biden, filho do ex-vice presidente, com uma empresa de gás do país. Trump sofreu impeachment por isso e só não foi afastado do cargo graças aos colegas republicanos no Senado. Também não pegaram bem as críticas ao caráter de Hunter Biden, por seu histórico de problemas com drogas, e à capacidade mental de Joe Biden por sua idade avançada, afastando parte do eleitorado mais velho que votou em peso a favor do presidente em 2016. Quatro anos depois, Donald Trump continua fazendo basicamente a mesma campanha, apesar de agora ser o presidente. Nem mesmo a infecção pelo coronavírus, que atingiu sua família e dezenas de aliados próximos, foi capaz de mudar sua estratégia eleitoral. Ao continuar desafiando cientistas como o dr. Anthony Fauci, principal especialista em doenças infecciosas do governo americano a quem chamou de “desastre”, e fazendo comícios para milhares de pessoas, potencialmente espalhando coronavírus por onde passa, Trump faz exatamente o contrário do que a maioria dos eleitores indecisos e independentes apoiam. Dobrando a aposta, o presidente leva seus fãs ao delírio e agrada a quem sempre esteve ao seu lado, mas não apela para outras fatias do eleitorado que poderiam recolocá-lo na disputa. É uma estratégia que desafia a lógica. “Hoje é o dia de minhas duas campanhas em que mais confio na vitória. Nós vamos vencer. Eu não teria dito isso há duas, três semanas”, afirmou nesta segunda-feira. Ao mesmo tempo em que tenta mostrar otimismo, Trump já prepara o terreno para a derrota ou para contestar o resultado da eleição na Justiça. “O único jeito que vamos perder esta eleição é se ela for fraudada”, disse sem nunca ter apresentado qualquer evidência de fraude eleitoral.

Enquanto isso, mais de 25 milhões de pessoas já votaram, pessoalmente ou pelo correio, com uma ampla maioria de eleitores do Partido Democrata. O alto volume de votação antecipada é uma boa notícia para a campanha de Joe Biden, que incentiva a participação em massa do eleitorado como forma de conquistar novos votos e ampliar sua base de apoio (o voto nos Estados Unidos não é obrigatório). Na Pensilvânia, um dos estados mais importantes da eleição, mais de 500 mil eleitores democratas já enviaram seus votos pelo correio, contra apenas 116 mil republicanos. E as longas filas para votar em estados como a Carolina do Sul, Carolina do Norte e Geórgia, com grande população negra, indicam que regiões vistas como redutos republicanos podem estar ao alcance de Biden. Mantida essa alta tendência de participação nas próximas duas semanas, Joe Biden certamente vencerá a eleição no voto popular por uma margem superior aos 3 milhões de vantagem obtidos por Hillary Clinton em 2016. O que não garante que ele será o próximo presidente. Quem elege o presidente dos Estados Unidos é o Colégio Eleitoral, composto de 538 eleitores distribuídos pelos estados do país de acordo com sua população. O candidato que vence a eleição em um determinado estado conquista o apoio do número de eleitores correspondentes (com algumas exceções). Ganha a presidência quem alcançar 270 votos. Como em muitos estados o eleitorado é predominantemente Democrata ou Republicano, alguns poucos estados em que não há clara preferência partidária ganham importância maior na decisão sobre quem será o presidente. Foi assim que Trump se elegeu em 2016, por 306 a 232, mesmo tendo 3 milhões de votos a menos. O problema para Trump desta vez é que Biden vem se mantendo com folga na frente das pesquisas em muitos desses estados indefinidos. Segundo médias das pesquisas calculadas pelo site “Real Clear Politics”, Biden tem sete pontos de frente em Michigan, seis em Wisconsin e quatro na Pensilvânia. A disputa está apertando na Flórida, mas Biden ainda aparece na frente. Trump também encostou na média no Arizona, mas a última pesquisa em ele apareceu liderando foi há dez dias. Trump venceu todos esses estados em 2016. Só que Biden não precisa de todos eles para se eleger presidente em 2020. Uma combinação de vitórias em três deles provavelmente será suficiente para garantir o democrata na Casa Branca. Se perder na Flórida, com seus 29 votos no Colégio Eleitoral, Trump dificilmente será reeleito.” [UOL]

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>>>> Está tudo normal, normalíssimo, e ai de você se não achar que está normal… “O Ministério da Justiça negou resposta a 17 de 20 perguntas enviadas pela bancada do PSOL na Câmara sobre a investigação da Polícia Federal contra o Sleeping Giants Brasil alegando que o processo corre em sigilo. O partido questionou qual é o embasamento legal para a investigação, se há precedente de ações similares e quais órgãos públicos tiveram acesso às informações do inquérito. Mas foi orientado a fazer um pedido via Judiciário para ter as respostas.” [Folha]

>>>> Do Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo: “O País vive um impasse: a economia sem tração, o desemprego aumentando e os líderes políticos esperando o fim das eleições, ou alguma solução mágica.”” [Estadão]

>>>> Mas que filho da puta, olha aí, veja você… “A repatriação de R$ 48 bilhões por uma família brasileira dentro de um processo de sucessão patrimonial está na mira da PGE (Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo), que tenta cobrar imposto sobre a transferência dos recursos, que foi feita no exterior. A causa, que está em segredo de Justiça, pode render ao governo de São Paulo cerca de R$ 2 bilhões, o equivalente a um ano de arrecadação de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos). O caso envolvendo a sucessão patrimonial foi noticiado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Nesta segunda-feira (19), a coluna Painel S.A, da Folha, informou que não foi feito o recolhimento do imposto e que a PGE atua no caso. A Procuradoria confirmou que houve a repatriação, que não foi feito recolhimento do tributo porque a família possui uma decisão judicial favorável nesse sentido e que está atuando no caso. Não informou, no entanto, quando teria ocorrido a entrada do dinheiro no país. Uma solução sobre a controvérsia pode surgir a partir do julgamento de um caso pelo STF (Supremo Tribunal Federal), com repercussão geral, previsto para a próxima sexta-feira (23), também relacionado à cobrança do ITCMD em cima de uma sucessão patrimonial no exterior, com posicionamento da PGR (Procuradoria-Geral da República) favorável ao contribuinte. A movimentação ocorre em um momento em que São Paulo ainda cobra uma alíquota de 4%, uma das mais baixas do país, e há na Assembleia Legislativa um projeto para criar uma tributação progressiva de até 8%, como em vários outros estados.” [Folha]

>>>> E essa do FHC? É senilidade….“Questionado por Esteves sobre quais são as prioridades do Brasil na sua visão, FHC citou o investimento em ciência e tecnologia como fundamental para o crescimento e a necessidade de inclusão social para reduzir a gigantesca desigualdade do país. “Estou aqui na minha fundação, que é no centro de São Paulo, aqui tem o Viaduto do Chá, estão fazendo uma obra grande, com chafariz. Precisa tomar cuidado, precisa ver se pobre não vai tomar banho no chafariz aqui, por que antes era assim. Você vai matar o pobre? Não vai matar o pobre. Tem que acabar com a pobreza, não é com o pobre”, afirmou.” [Folha]

calaboca

>>>> Que chato… “A 14ª Vara de Fazenda Pública da capital determinou nesta segunda-feira (19) o bloqueio de R$ 29,4 milhões em bens do governador João Doria (PSDB) em processo no qual o tucano é réu sob a suspeita de improbidade administrativa na época em que era prefeito de São Paulo. A ação, iniciada em novembro de 2018 pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo), acusa Doria de ter feito autopromoção com propaganda do programa Asfalto Novo e causado prejuízo de R$ 29,4 milhões aos cofres públicos. Na época em que o processo foi aberto, ele tinha acabado de ser eleito governador. O valor bloqueado tem o objetivo de ressarcir o município caso Doria seja, ao fim, condenado. A decisão do juiz Randolfo Ferraz de Campos, que é liminar (provisória), alcança imóveis, veículos e valores em banco registrados no nome do tucano. O governador chamou a decisão de descabida. A defesa dele disse que recorrerá e afirmou considerar curioso que a decisão tenha sido proferida às vésperas da eleição municipal —Doria apoia o candidato à reeleição na capital, Bruno Covas (PSDB), que foi seu vice. A ação civil pública, apresentada pelo promotor Nelson Sampaio de Andrade, da área do Patrimônio Público, sustenta que Doria utilizou indevidamente verbas públicas para se promover. O governador sempre rejeitou essa tese e disse que a iniciativa cumpriu todas as obediências legais. Andrade requereu ainda que a agência Lua Propaganda Ltda., contratada para fazer a série de anúncios, fosse também responsabilizada, mas o juiz rejeitou o pedido. Ele argumentou que não pesam sobre a empresa indícios de que tenha se beneficiado e que ela apenas executou a campanha. Segundo levantamento da Promotoria, o então prefeito gastou com propaganda o equivalente a 21% do total empregado nas obras de pavimentação, iniciadas em novembro de 2017. Na época do lançamento, o governo municipal anunciou que seriam investidos R$ 461 milhões. Como a Folha mostrou, a troca de asfalto virou na época uma das principais bandeiras de Doria, que se preparava para renunciar ao cargo e concorrer ao Governo do Estado. No ano passado, um relatório do TCM (Tribunal de Contas do Município) apontou que obras do programa Asfalto Novo geraram prejuízo de R$ 2 milhões à prefeitura, por causa de erros e má execução de serviços.” [Folha]

>>>> A cultura do estupro, da Cristina Serra: “”O que fazer com um camarada que estuprou uma moça e matou? Tá bom, tá com vontade sexual, estupra, mas não mata”. O ano é 1989, e o autor da frase torpe é Paulo Maluf, então candidato do PDS à Presidência. Tal barbaridade nem de longe atrapalhou sua longeva carreira política, encerrada por outros motivos. Isso é cultura do estupro. Em 2003, o então deputado Jair Bolsonaro disse à sua colega na Câmara, Maria do Rosário: “Jamais iria estuprar você porque você não merece”. Em 2014, repetiu a agressão no plenário. Dezesseis anos após o primeiro ataque, já presidente, foi condenado a pedir desculpas e a indenizar a deputada. Em nota fajuta, claramente a contragosto, pediu desculpas, mas tentou justificar as agressões devido ao “calor do momento” e ao “embate ideológico”. Isso é cultura do estupro. Não à toa, o jogador Robson de Souza, o Robinho, vê no presidente alguém a quem se comparar, ambos, coitados, perseguidos pela mídia. Robinho foi condenado em primeira instância pela Justiça italiana a nove anos de prisão por violência sexual em grupo contra uma mulher de 23 anos, em 2013. Segundo a sentença, os acusados sabiam que a vítima estava em condição psíquica debilitada durante os atos sexuais. É exatamente o que o próprio Robinho admite, em deboche explícito, numa das conversas grampeadas durante a investigação: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”. Isso é cultura do estupro e configura crime, segundo a lei italiana. O que ainda espanta nisso tudo é que o Santos não viu nenhum problema em contratar o jogador. Só desistiu após a reação de mulheres e a pressão dos patrocinadores, preocupados com prejuízos às suas marcas. A cultura do estupro se insere num quadro muito mais amplo de violência contra as mulheres e também vai muito além do futebol. Felizmente, como descobriu contrariado o próprio Robinho, existe o “movimento feminista”.” [Folha]

>>>> O Crivella faz o carioca torcer pela Linha Amarela, viado! “Marcelo Crivella está procurando os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para despachar pessoalmente sobre a votação de amanhã que decidirá se mantém ou não a encampação da Linha Amarela pela prefeitura do Rio. Se a decisão for desfavorável à Lamsa, concessionária responsável pela administração da via expressa, criará precedente perigoso para concessões de todo o Brasil: segurança jurídica e respeito aos contratos são fatores primordiais para o setor privado.” [Estadão]

>>>> Tem nada a ver com o blog mas que texto maravilhoso do HHumberto Werneck: “José Carlos pode ser apresentado como o perfeito cavalheiro, atencioso ao ponto de mandar cartão de Natal para alguém que conheceu num cruzeiro marítimo 17 anos atrás e nunca mais voltou a ver. Finíssimo, de sua boca jamais se ouviu um palavrão, nem mesmo um desses termos chãos de que todos nos servimos para nomear eventos e produtos do organismo humano. Com ele, é excreção, flatulência, micção. O gorgolejante nhon-nhon-nhon de vísceras em convulsão tem nome, e mais, sublinha ele, nome com raiz francesa: borborigmo. Já se tornara conhecido pelos rapapés, mesuras e salamaleques quando, aos 20 e poucos anos, foi viver um tempo em Paris, num esquema quase estudantil, dividindo teto com dois jovens jornalistas brasileiros. Moravam os três num pardieiro destituído do mais remoto charme parisiense, no qual alugavam uma peça grande e sombria, de pé-direito avantajado, com mezanino ao fundo e WC no corredor. Na hora de dormir, o mezanino cabia, claro, ao José Carlos, por ser ele cheio de manias – “sistemático”, carimbaram em mineirês seus parceiros de cafofo, naturais, ambos, de Belo Horizonte. A coabitação teve seu momento inesquecível na noite em que por ali passou, amigo de um dos moços, ninguém menos que um embaixador, lotado, à época, num pequeno país africano. Se se tratasse de uísque, em termos de carreira ele seria um Red, longe ainda de um Black Label. Na iminência de presença tão ilustre, José Carlos entrou em excitado pânico. Passou o dia em furiosa arrumação, barata tonta em meio a umas tantas de verdade, na tentativa quixotesca de disfarçar a precariedade da moradia. No final da tarde, resfolegante, precipitou-se ao comércio das imediações, em busca de bebida e acepipes. De forma que estava exausto, o impecável José Carlos, quando chegaram embaixador e respectiva embaixatriz. Aboletado num banquinho ao pé dos visitantes, o diligente anfitrião adotou o que lhe pareceu ser um sorriso embaixadoral, e, em rigoroso sentido horário, se pôs a municiar a roda com vinho, torradinhas e patê. Lá pelas tantas, bateu-lhe o cansaço da arrumação, da torradinha, do patê, da diplomacia em geral – e eis que José Carlos, sem sair do lugar, saiu do ar. Por detrás do sorriso congelado, adormeceu no banquinho. Os demais se entreolharam, baixaram o tom de voz – e a noitada prosseguiu, pontuada agora pelo ronco intermitente e o estalar de boca seca do rapaz. Bom tempo havia se passado quando, a sono solto, José Carlos se levantou, boquiabriu-se num bocejo odontológico, esgalhou os braços e, com passo trôpego, tomou o rumo do mezanino. Ali, como no proscênio de um show pornô, sob o olhar esbugalhado da plateia, começou a se despir. Não com a brutalidade de um sonâmbulo que arrancasse a roupa – ao contrário, tirou peça por peça, no capricho, com o requinte de apanhar as calças pelo friso e pendurá-las num encosto de cadeira. E então, com os berloques ao vento, avançou qual bicho tonto até a cama, em cujo velho estrado desabou estrepitosamente. Quando, no dia seguinte, os amigos lhe contaram do ocorrido, José Carlos quis morrer. Só não se atirou no Sena porque não podia faltar a um compromisso importante naquela tarde, um café com alguém que conhecera num aeroporto e que nunca mais voltara a ver. * Quem disse que o tempo daria jeito na sua bizarria? Dez anos mais tarde, casado de fresco, por pouco o enredo parisiense não teve reprise paulistana. Na volta da lua de mel, os sogros quiseram conhecer o ninho dos pombinhos. Para infortúnio do genro, sucedeu que o dia de trabalho tinha sido duro, e ele, exausto, a partir de certo ponto já não deu conta de administrar o papo. O sono apossou-se dele, e entrou a ressonar – o que, para os visitantes, criou embaraço: acordá-lo seria grosseria, mas não menor do que se escafeder sem despedida. O impasse fez baixar na sala um silêncio espesso, quase de pegar com a mão. Não durou muito. Dali a pouco o anfitrião, como em Paris, ergueu-se do pufe, e foi sorte que dessa vez não tenha promovido strip-tease. Caminhou para a cozinha e voltou com o copo d’água que jamais faltava em seu criado-mudo. Marchava com ele rumo ao quarto, quando a esposa não conteve um grito, que o acordou. A sogra tentou aparentar naturalidade: – Já vai, José Carlos? Mal pôde balbuciar: – Aguar as plantas… E despejou na goela o conteúdo do copo.” [Estadão]

>>>> Mais do que justo, mas tem Trump por trás nisso aí: “O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou nesta terça-feira, 20 um processo contra o Google por concorrência desleal. O caso representa o maior desafio legal dos EUA contra uma companhia dominante do setor de tecnologia em duas décadas e tem potencial de abalar o Vale do Silício, abrindo uma sequência de casos judiciais contra as gigantes do setor. A notícia foi revelada inicialmente pelo Wall Street Journal. O processo questiona a dominância do buscador do Google no mercado. O Departamento de Justiça alega que o Google mantém condutas anticompetitivas para preservar o monopólio de seus sistemas de busca e anúncios em pesquisas, que constituem a base dos serviços da companhia. Aderiram à ação 11 estados americanos — todos têm procuradores-gerais republicanos. O governo americano argumenta também que o Google está mantendo sua posição de domínio do mercado por meio de uma rede ilegal de acordos comerciais exclusivos que excluem os concorrentes. O Departamento de Justiça afirma que a companhia usa bilhões de dólares coletados de anúncios em sua plataforma para pagar fabricantes de celulares, operadoras e navegadores, com o objetivo de manter o Google como seu mecanismo de busca padrão predefinido. Dentro disso, há a acusação de que o Google proíbe que sistemas de busca concorrentes sejam pré-instalados nos aparelhos com sistema operacional Android. Segundo o processo, a companhia controla atualmente cerca de 80% das buscas nos Estados Unidos. Algumas das acusações apresentadas pelo governo americano refletem casos que o Google está enfrentando na União Europeia. Em 2018, a companhia foi multada em € 4,3 bilhões na região por práticas anticompetitivas relacionadas ao sistema Android. O Google foi acusado de alavancar seu poder de mercado para encorajar as fabricantes de smartphones a já instalarem previamente aplicativos e serviços da empresa em seus dispositivos, como o serviço de e-mail Gmail e a loja de aplicativos Play Store. Em 2019, a União Europeia multou o Google em € 1,5 bilhão, desta vez por monopólio em publicidade. A autoridade concluiu que a companhia abusou de sua posição dominante no mercado para forçar sites de terceiros a usarem seu serviço de publicidade Google AdSense, que coloca e administra anúncios em páginas na web” [Estadão]

Dias 655, 656 e 657 | “Maus brasileiros”, uni-vos! | 17, 18 e 19/10/20

Texto de Pedro Daltro, edição de Cristiano Botafogo e os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Malditos Milicos

Texto da excelente Cristina Serra:

“Passou quase em branco informação importante publicada nesta Folha para a reconstituição dos bastidores do golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff (ou alguém aqui ainda acredita em pedaladas fiscais?).” [Folha]

Aqui não passou não, foi destaque inclusive no podcast, jamais perderemos a oportunidade de sublinhar a escrotidão dos generais, em especial o mais vil deles, a quem Bolsonaro agradeceu por sua eleição e mencionou um segredo entre eles que seria levado ao túmulo.

“A colunista Camila Mattoso, no Painel, informou que, um ano antes do impeachment, o vice, Michel Temer, teve um encontro sigiloso com o então comandante do Exército, Eduardo Villas-Bôas, e o chefe do Estado Maior, Sérgio Etchegoyen. A revelação foi feita pelo filósofo e amigo de Temer, Denis Rosenfield, que intermediou o encontro. Segundo ele, o comandante o procurou porque os militares estavam “preocupados com o país”. Etchegoyen foi nomeado ministro da Segurança Institucional de Temer. Villas-Bôas é o general tuiteiro que se tornou uma espécie de tutor-geral da República, com desenvoltura suficiente para postar ameaças ao STF quando bem entende. No exercício de tutela danosa para a democracia, o general não destoa da atuação histórica das Forças Armadas no Brasil: da origem da República (com um golpe militar), ao longo de todo o século 20, culminando com os 21 anos de ditadura. Os militares, ora no poder em trajes civis, têm como herói o bestial Brilhante Ustra, que, entre outras atrocidades, levou crianças para ver os pais sendo torturados. “Um homem de honra”, disse Mourão, em vexaminosa entrevista. O governo de extrema direita reúne um arranjo de interesses que degrada e perverte o país. Além dos generais embalsamados na Guerra Fria, fundamentalistas religiosos, defensores do ultraliberalismo econômico, o agronegócio do “correntão”, milícias e a família do chefe, de braços dados sob a regência do centrão. Todos fazem de conta que Bolsonaro aprendeu as virtudes da moderação, que a corrupção acabou e a vida segue. Aí, aparece um senador, vice-líder do governo, com dinheiro enfiado no bumbum para nos lembrar que estamos trancafiados num labirinto e que alguém jogou a chave fora.”

Alô, Cristina!

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E olha o tuíte de 2019 do Villas-Bôas que brotou na minha tela de forma completamente aleatória:

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Esses aí são os bons brasileiros, com Ricardo Salles de abre-alas, vai ver é aquele desfile do Joãozinho Trinta sobre a miséria. os famosos ‘brasileiros de bem’.

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Mas há os “maus brasileiros” e o mais senil não tem qualquer pudor de deixar claro que está de olho neles…

“O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, admitiu hoje, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou participantes da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP 25), realizada em Madri, em dezembro passado.” [UOL]

É crime, simples assim.

“Em sua conta no Twitter, ele escreveu que o órgão deve acompanhar campanhas internacionais apoiadas por “maus brasileiros”, que o governo Jair Bolsonaro entende como prejudiciais ao Brasil. Ele afirmou que a Abin tem competência legal para atuar na COP e continuará a agir em “eventos no Brasil e no exterior”. “Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil”, escreveu o ministro. “A Abin é instituição de Estado e continuará cumprindo seu dever em eventos, no Brasil e no exterior.”

“A admissão de Heleno ocorreu quatro dias depois de o Estadão revelar detalhes da operação realizada por quatro agentes da Abin, três deles recém-concursados, no mais importante evento sobre o clima do mundo. A reportagem confirmou com um dos oficiais de inteligência enviados à Espanha que o objetivo era monitorar e relatar menções negativas a políticas ambientais do governo Bolsonaro, especialmente na Amazônia. Eles focaram nas organizações não-governamentais (ONGs), com as quais o governo mantém relação conflituosa, mas também observaram atividades e integrantes da própria comitiva brasileira e de delegações estrangeiras. Heleno está sob pressão. A manifestação do ministro no Twitter ocorre também depois de deputados oposicionistas, da bancada do PSOL, acionarem a Procuradoria-Geral da República e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão cobrando investigação por crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa.”

Sim, mais que uma admissão é apenas uma estratégia de defesa. No caso a mais cretina delas.

Os parlamentares pedem que Heleno e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sejam responsabilizados pela operação da Abin e pela omissão de informações ao Congresso. A Constituição prevê punição por envio formal de informações falsas requisitadas por congressistas. Ao responder a requerimento por escrito, o Itamaraty deixou de informar no ofício à Câmara dos Deputados sobre a presença de nomes da Abin e do GSI na delegação brasileira. O documento omite o vínculo funcional dos quatro oficiais de inteligência concursados da agência e de um assessor de confiança que representou Heleno no na ONU, o coronel da reserva do Exército Adriano de Souza Azevedo, da Assessoria de Planejamento e Assuntos Estratégicos. Todos foram identificados apenas como “assessores” da Presidência da República. Apesar disso, Heleno alega que o governo foi “transparente” porque a Abin publicou na versão antiga de seu site uma nota dizendo que “integrou a COP 25”, dias depois de a missão em Madri ter sido concluída.

Momento Pareto e seu eterno “Mas que filho da puta, olha aí, veja você”:

“Questionados há 10 dias, nem o GSI nem a Abin haviam se manifestado ou respondido a perguntas da reportagem sobre a operação na ONU. Sem precedentes, ela foi contestada também por ambientalistas, diplomatas, ex-chefes de delegação internacional e dirigentes de ONGs. Tendo o elo com Abin oculto, eles foram credenciados na ONU pelo Itamaraty como “analistas” do GSI para supostamente participar das rodadas de “negociações” da COP 25. Com isso, receberam um crachá com tarja rosa que dava o mais amplo acesso a salas de negociação e a espaços sob responsabilidade e segurança das Nações Unidas. A suspeita da presença deles e o comportamento no pavilhão de debates e exposições organizado por ONGs, o Brazil Climate Action Hub, provocou um clima de desconfiança generalizada na delegação. Até delegados de outros países entraram em alerta. Intimidados, servidores técnicos deixaram de falar em público com ambientalistas, que por sua vez notaram comportamentos suspeitos e deixaram de promover reuniões de coordenação numa sala de debates envidraçada, após abordagem de um “representante do GSI”. O Estadão consultou as listas oficiais das delegações nas edições da COP de 2013 a 2018, em posse das Nações Unidas. Em nenhuma delas aparece o nome de representantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ou da Abin. Fontes acostumadas a participar do evento disseram ser a primeira vez que a Abin monitorou o encontro.”

A Míriam Leitão explicou o tamanho do absurdo?

O envio de agentes secretos para a conferência do clima em Madri, como revelou reportagem de Felipe Frazão, do jornal o “Estado de S. Paulo”, foi uma quebra completa das regras do jogo. Primeiro, o governo mentiu para a ONU, mas o mais grave é que esse caso revelou o uso da estrutura do Estado para espionar brasileiros e ameaçar a liberdade de expressão. A ONU não foi informada que eles eram agentes secretos, ela foi enganada pelo governo brasileiro. Essa é a primeira parte da história. Quem já cobriu uma conferência internacional sabe que há diferentes crachás, e dependendo da cor há possibilidades maiores de se entrar nas conversas. As barreiras vão se abrindo dependendo das cores de identificação. A imprensa tem um nível de acesso, depois há os observadores, as ONGs, e há quem participe de tudo, com proximidade inclusive dos chefes de Estado. Se você é considerado “parte”, você é um negociador de um país. O governo brasileiro colocou um crachá falso nos agentes secretos como seu representante. Então eles puderem entrar e observar o que faziam diplomatas e outros negociadores. O governo disse que eles foram enviados para fiscalizar as ONGs, o que não faz sentido, porque as organizações não governamentais fazem eventos abertos. Convidam todos que estão lá. Quem de fato acabou sendo constrangido foram os negociadores brasileiros. Há diversas manobras e estratégias que são feitas quando os diplomatas estão na mesa de negociação. Eles podem ser taxados de “maus brasileiros”, na visão do general Heleno, apenas porque fizeram movimentos para ter algum outro tipo de apoio mais à frente. A diplomacia é a arte da sutileza, enquanto o serviço secreto é a arte da paranoia. Vê perigo em tudo.” [O Globo]

O mais diminuto dos generais tentou se explicar com o cretinismo que lhe é peculiar:

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Passo ao Marcelo Godoy:

“Essa concepção de inteligência faz lembrar os anos 1970, quando os adidos militares nas embaixadas brasileiras produziam relatórios com resumos de notícias publicadas na imprensa sobre o Brasil sob o título “campanha de difamação ao País”. Confundia-se então o governo com a Nação e a Pátria. Mas as críticas eram dirigidas à ditadura e não ao País. Elas ameaçavam o poder dos generais e não a soberania brasileira. Quando um partido se acha o Estado e pensa que pode sequestrar seus símbolos e confundir seus interesses com os do povo, normalmente, é porque se preocupa mais em fazer guerra contra seus compatriotas do que contra as reais ameaças externas. Esse tipo de pensamento prepara desastres nacionais, como a rendição argentina em Port Stanley, nas Malvinas, em 1982. Heleno deve responder ainda por que enviou do Brasil agentes para vigiar a COP-25 se a embaixada da Espanha dispõe de adido militar e de adido de inteligência? Essa questão foi suscitada por um coronel que serviu no Centro de Informações do Exército (CIE). “Eles fazem parte do sistema brasileiro de informação.” Para quê, afinal, vigiar reuniões abertas? Enquanto americanos monitoram segredos industriais chineses e estes os avanços espaciais americanos, Heleno continua atrás de “ponto e aparelho”. Assim, as opiniões públicas de ecologistas barbudinhos recebem mais atenção do que as questões que importam à segurança do País.” [Estadão]

Passemos ao capitão, o presidente de um país que muito provavelmente não tem em sua constituição nada que proíba o chefe de estado de se meter na política externa dos outros países, em uma cerimônia militar:

“Faltam ainda três anos e meio pela frente (para a turma de cadetes concluir o curso). Peço a Deus para estar aqui em 2023 – disse Bolsonaro, projetando uma vitória na eleição de 2022.” [O Globo]

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Caralho, semana passada ele dizia que nem pensava em reeleição…

“É moleque fedelho, cheirando ainda a fralda. Eu conheço essa turma de esquerda desde o tempo que o pai de vocês não era nascido ainda. E o pessoal agora se dá o direito de criticar com baixaria. Uma crítica bem feita, parabéns. Não tem Moro no Supremo, se vai ter voto em 2022, problema teu. EU NÃO SEI SE VOU SER CANDIDATO. Tem muita coisa para acontecer. Se eu tiver bem, a chance de ser candidato a reeleição existe, se eu tiver mal, estou fora. Se o pessoal continuar batendo como bate aí…

Conhecereis a verdade e… tudo, tudo menos a verdade.

E ele ofendeu DE NOIVO a Argentina, o número de ofensas nos últimos dias já precisa de mais de uma mão pra contar nos dedos.

“Hoje assistimos um país mais ao norte (Venezuela), onde as Forças Armadas resolveu (sic) enveredar por outro caminho. A liberdade, aquele povo, nosso irmão, perdeu. Mais ao sul, outro país (Argentina) parece querer enveredar pelo mesmo caminho. Peço a Deus que eu esteja errado, peço a Deus que salve nossos irmãos mais ao Sul”

Os argentinos como?

Ops, errei.

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Tudo isso testemunhado por um punhado de generais:

“O presidente estava acompanhado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, do vice-presidente, Hamilton Mourão, do ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.”

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Imagine um general brasileiro tentando explicar isso pra um general argentino… E enquanto os milicos obedecem cegamente o capitão

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não pretende disputar a reeleição em 2022 com o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) como candidato a vice-presidente..” [Folha]

Mourão terá sido o vice mais constrangedor da história do Brasil, incapaz de criticar o presidente mais estúpido a pisar no palácio e mesmo assim será inapelavelmente humilhado. Até o general que não pode ser demitido terá a bunda chutada pelo capitão.

“A intenção foi verbalizada pelo presidente a três aliados, que relataram o conteúdo das conversas reservadas com Bolsonaro à Folha. Segundo eles, o presidente disse que quer escolher outro nome para a sua chapa eleitoral e ressaltou que não conseguiu estabelecer uma relação de completa confiança com o militar.”

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Imagine, Mourão não demonstra qualquer ambição pelo cargo, é incapaz de peitar o presidente, o máximo que ele se permite é criticar vez ou outra a prole presidencial, e só.

“Nas palavras de um dos aliados, Bolsonaro afirmou que é preciso encontrar uma solução para o posto de vice-presidente e acrescentou que Mourão de novo “não dá”, segundo os relatos. Nas três conversas, Bolsonaro lembrou que o general da reserva foi escolhido em 2018 devido a uma dificuldade, na época, em encontrar um nome para sua chapa eleitoral. Na época, aliados do hoje presidente reconheciam que Mourão era uma boa saída a Bolsonaro, já que, na opinião deles, por não ser um político de carreira, seu nome desestimularia a abertura de um processo de impeachment pelo Poder Legislativo. A intenção do presidente de escolher outro nome para a chapa eleitoral já foi informada a integrantes das Forças Armadas, que passaram a avaliar uma espécie de saída honrosa para o general. Eles defendem que o militar, que acumulou capital político no cargo, siga na vida pública e dispute, em 2022, um mandato de senador ou de governador no Rio Grande do Sul, onde o general chefiou o Comando Militar do Sul. Para militares do governo, uma candidatura de Mourão no Rio Grande do Sul poderia até mesmo, se bem articulada, ter o apoio de Bolsonaro, que contaria com um palanque forte em um importante colégio eleitoral. Além do problema pessoal com Mourão, deputados governistas avaliam que uma mudança do candidato a vice-presidente é estratégica para que o presidente consiga arregimentar apoios importantes à sua reeleição. O diagnóstico é o de que, em quase dois anos de mandato, Bolsonaro conseguiu consolidar uma aliança permanente com setores estratégicos das Forças Armadas, sobretudo ao ter nomeado 10 ministros com formação militar de um total de 23 auxiliares da Esplanada dos Ministérios. Procurado pela Folha, Mourão não se manifestou até a publicação deste texto. Caso consiga viabilizar o partido Aliança pelo Brasil, Bolsonaro avalia um candidato a vice-presidente de uma sigla do centrão, de preferência evangélico. A legenda mais cobiçada pelo presidente, de acordo com deputados bolsonaristas, é o Republicanos, partido a que estão filiados dois filhos de Bolsonaro: o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (RJ). O nome mais lembrado na sigla para o posto é o do deputado federal Marco Feliciano (SP), mas a chance de o pastor evangélico ser escolhido é considerada remota por aliados do presidente.”

Feliciano há de ser o novo Magno Malta.

“Bolsonaro tem demonstrado simpatia em formar uma chapa com uma das ministras de seu próprio governo. Uma das mais populares da Esplanada dos Ministérios, como mostrou pesquisa Datafolha, a ministra das Mulheres, Damares Alves, é evangélica e se desfilou recentemente do Progressistas. Ela ainda não definiu se irá se filiar a uma nova sigla. Já a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é considerada um nome estratégico por aliados do presidente. Além de ajudar a fidelizar o apoio do setor do agronegócio, a sua indicação atrairia o apoio do DEM, partido a que ela é filiada. Por ora no partido, no entanto, há uma forte resistência a um eventual apoio à reeleição de Bolsonaro, sobretudo na cúpula da sigla. Além de a ideia não contar com o respaldo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta é considerado pré-candidato à sucessão presidencial de 2022.”

Passso à Thaís Oyama, que deixa claro que Mourão queria sim ser vice:

E pra encerrar esse tópico verde-oliva, o vídeo aí de cima é na AMAN, dessa quadra da história escorta que testemunhaos, e esse aqui é na mesma Anam em 2014:

O que ele fala de 2014 é o tal segredo entre ele e Villas-Bôas, que seria levado ao túmulo. Villas-Bôas assumiu o comando do Exército em janeiro de 2015 mas Bolsonaro já era celebridades nas cerimônias militares desde 2014:

““Líder!, Líder!, Líder! …”. Com esta exaltação ao estilo “Führer!, Führer!, Führer! …” da Alemanha dos anos 1930, os aspirantes-a-oficial da Academia Militar das Agulhas Negras recepcionaram o então deputado Jair Bolsonaro, recém reeleito para o 7º mandato na Câmara Federal. Acompanhado dos filhos Eduardo e Carlos, Bolsonaro comparecia pela enésima vez a uma solenidade de formatura dos aspirantes da AMAN. Na ocasião, ele retribuiu a recepção efusiva dos cadetes com um discurso que é o marco do lançamento formal da candidatura dele à presidência, que só ocorreria 4 anos depois, em 2018: “Parabéns pra vocês. Nós temos que mudar este Brasil, tá ok? Alguns vão morrer pelo caminho, tá; mas eu estou disposto em 2018, seja o que deus quiser, tentar jogar pra direita este país! [aplausos e gritos de “líder!, líder!”] O nosso compromisso é dar a vida pela Pátria, tá ok?, e vai ser assim até morrer. Nós amamos o brasil, temos valores e vamos preservá-los. Agora, o risco que eu vou correr, posso ficar sem nada, mas eu terei a satisfação do dever cumprido, tá ok? Esse é o nosso juramento esse e o nosso lema: Brasil acima de tudo! Esse Brasil é maravilhoso, tem tudo aqui, tá faltando é político! Há 24 anos que eu apanho igual a um desgraçado em Brasília, mas apanho de bandidos. E apanhar de bandidos é motivo de orgulho e glória, tá ok? Vamos continuar assim. Boa sorte para todos. Um abraço a todos”. Este comício político-partidário, realizado numa unidade de alta significação das Forças Armadas, aconteceu no longínquo 29 de novembro de 2014.

Instantes depois dos cadetes da AMAN confraternizarem com seu Führer naquele fim de primavera de 2014, o então ministro da Defesa Celso Amorim, acompanhado dos comandantes das três armas das Forças Armadas, conduziu a cerimônia de formatura. O quê dizer disso: negação, ou alienação da realidade pelos integrantes do governo Dilma? A genealogia do “plano Bolsonaro” como dispositivo para a construção do poder militar tem raízes antigas. Hoje já é possível comprovar que a candidatura presidencial de Bolsonaro em 2018 foi metodicamente construída e preparada nos anos precedentes. O discurso do Bolsonaro em novembro de 2014 na AMAN foi a rampa de lançamento deste projeto que estava sendo amadurecido bem antes. Ele foi o personagem que coube sob medida no figurino para contracenar, na eleição, o plano militar meticulosamente planejado. Os tuítes do general Villas Bôas, nesta perspectiva, nem de longe são peças improvisadas. Daí o segredo sepulcral firmado entre ele e Bolsonaro.

Em reportagem de 7 de outubro de 2018, a partir de informações e relatos de um alto oficial das Forças Armadas [FFAA] brasileiras, o jornalista argentino Marcelo Falak escreveu que Bolsonaro era o projeto secreto da cúpula militar; “o homem que a cúpula das FFAA elegeram, há 4 anos, para que ele se fosse convertido no presidente do Brasil”. Segundo a influente fonte militar, Bolsonaro seria “convertido no aríete de uma doutrina para uma ‘nova democracia’ em que os militares terão voz e atuação política, superando o papel subalterno a que são confinados pelo poder civil” […], sendo que o “programa do futuro governo cívico-militar será conservador no político e absolutamente liberal no econômico, e buscará erradicar de uma vez para sempre a ‘extrema-esquerda’”.” [Tribuna da Imprensa]

Que extrema-esquerda?! Onde há extrema-esquerda no Brasil?! Lula?! Dilma?! Cês tão de sacanagem, diria o Neto!

O governo verde-oliva para sempre ficará marcado como o governo cujo vice-líder no Senado cagou em notas de dinheiro

“Ontem, enquanto cumprimentava apoiadores, Bolsonaro foi indagado pelo GLOBO sobre a situação do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que foi flagrado com dinheiro na cueca. Perguntado sobre se a decisão de afastamento do senador deve caber ao Senado ou ao Supremo Tribunal Federal, o presidente afirmou:

– Não quero dar opinião política sobre isso daí, não.”

Na quinta ele tava falando em dar voadora em corrupto, hoje prefere um ensurdecedor silêncio.

Pressionado a se licenciar do mandato, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) começou a montar uma estratégia de defesa para tentar conquistar o apoio dos colegas e evitar o afastamento dele. Em mensagem enviada a senadores, ele disse que “nunca tinha sido acordado pela polícia” e que, “num ato de impulso, protegi o dinheiro do pagamento das pessoas que trabalham comigo.” Na mensagem encaminhada a seus colegas nos últimos dias, ele afirmou que reagiu de impulso porque foi acordado “em meio a pessoas estranhas em meu quarto”. Ele acrescenta, nas mensagens, que reagiu daquela forma porque “se levassem aquele dinheiro ninguém iria receber naquela semana”. Segundo afirmou o senador a colegas, “não era dinheiro de corrupção.”” [G1]

Um governo de merda. Um presidente de merda. Uns generais de merda. Chico orna com esse governo.

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2. Make Brazil Great Again

Saiu dia desses na Bloomberg gringa que Bolsonaro baniria a Huawei, e o presidente da empresa deu entrevista à Folha:

As pessoas conhecem a Huawei por causa do 5G, mas estamos no Brasil há 22 anos. Começou com o 2G, depois veio o 3G, o 4G, agora o 5G. Temos também transmissão em IP [protocolo de internet] e redes de acesso. Também prestamos serviços para outras indústrias, como energia, instituições financeiras e o setor público. No setor de telecomunicações, tem algo entre 40% e 50% de participação. Para outras indústrias, também é o prestador principal. Para os pequenos provedores de internet [ISP], temos mais de 40% de mercado. Nessa área a Huawei fez um investimento de mais de US$ 4 bilhões há mais de dez anos. Estamos como líder, além do 5G e de soluções como transmissão em IP. Temos um melhor conhecimento de nossos clientes para oferecer a melhor tecnologia. Por isso, estamos crescendo mais rápido que nossos concorrentes.” [Folha]

Sobre o possível banimento:

“Primeiro, só gostaria de lembrar que será um leilão que a Anatel vai fazer e os operadores vão participar. A Huawei não participa diretamente. Além disso, hoje uma operadora já pode usar as redes existentes para fazer upgrade de 4G para 5G com [atualização] de software. No ano que vem, vai fazer leilão para frequências novas e os operadores vão participar. O banimento da Huawei terá pontos negativos. Há três principais. O primeiro é que vai demorar a transformação digital do Brasil. O segundo é que vai aumentar os custos dos operadores e o terceiro é que os custos dos operadores vão ser transferidos para os consumidores. Os brasileiros vão pagar um preço mais alto pelos serviços [de 5G]. Acho que qualquer tipo de banimento contra a Huawei só vai trazer impactos negativos e nenhum ponto positivo. A transformação digital vai demorar porque agora tem muito equipamento da Huawei nas redes do Brasil. Todos estão prontos para a evolução de 4G para 5G. Se vai trocar esses equipamentos, vai demorar muito tempo. Se for assim, vai demorar mais anos para a transformação digital.”

Fora o baile, quer dizer, fora a retaliação comercial do nosso maior parceiro comercial. E o governo jurando que os chineses dependem da gente…

“Entramos no Brasil no momento da privatização, em 1998. Sempre respeitamos a lei e os regulamentos no país, incluindo aqueles sobre proteção de dados e da privacidade. Estamos sempre mantendo contato e conversas com as agências vinculadas ao governo. Desde a privatização, o mercado sempre foi livre, justo, sem discriminação. Acredito que o governo vai fazer a opção correta. Acho que um mercado livre sem discriminação não é só importante para a Huawei, mas também para outras empresas estrangeiras. Por isso há tantas empresas com vontade de investir no Brasil. O Brasil é um mercado livre e justo, algo muito importante para a economia, não só para o mercado, para todas as multinacionais. O Brasil não deve escolher os EUA, nem escolher a China, tem de escolher o caminho de um mercado sem discriminação, livre e justo, porque isso vai beneficiar o país e o povo.”

E passemos para a Bolívia Bolívia, onde os golpistas se foderam lindamente!

“O mais confiável instituto de pesquisa da Bolívia, o Ciesmori, depois de horas de atraso, finalmente publicou, às 0h desta segunda-feira (19) no horário local (1h em Brasília), o resultado de sua pesquisa de boca-de-urna. Ela indica uma vitória em primeiro turno do candidato do MAS, o esquerdista Luis Arce, já num primeiro turno, com 52,4% dos votos, contra 31,5%, de Carlos Mesa. O resultado, se confirmado depois pelos números oficiais, indica que Arce vencerá as eleições presidenciais já no primeiro turno.” [Folha]

“Na Bolívia, para ser eleito no primeiro turno, é preciso ter 50% mais um voto, ou alcançar 40%, com 10 pontos percentuais de diferença. O instituto explicou que o atraso se deu pelo fato de que a amostragem que tinham no horário combinado, às 20h, não estava completa e não apresentava um 95% de votos válidos, com muitos entrevistados que preferiram não revelar seu voto. Com as horas a mais, foi possível concluir a contagem. A sondagem não é oficial e os resultados finais da eleição precisam esperar a contagem oficial do tribunal, prevista para os próximos dias. Resta ver, nesta segunda, como reagem os integrantes do partido do MAS e o principal opositor, Carlos Mesa.Logo após o anúncio, ouviu-se bombas de comemoração e buzinaços na cidade.”

Bem, os caras ainda podem tentar golpe, mas se essa diferença aí for real deu ruim para nos policiais e milicos de lá. E até a Janenine parabenizou o Arce!

“Nas redes sociais, Arce, um aliado do ex-presidente Evo Morales, também comemorou o resultado não oficial. “Muito grato pelo apoio e confiança do povo boliviano. Recuperamos a democracia e recuperaremos a estabilidade e a paz social. Unidos, com dignidade e soberania”, escreveu. Para Evo, “a vontade do povo foi imposta” em uma vitória contundente do MAS. “Nosso movimento político terá maioria nas duas casas. Agora vamos devolver dignidade e liberdade ao povo”, disse o ex-presidente, para quem o atraso na divulgação da pesquisa de boca de urna era uma tentativa de “esconder o grande triunfo do povo” representado por seu partido. Jeanine Añez, presidente interina da Bolívia, também usou as redes para anunciar o que se acredita ser a vitória de Arce ainda no primeiro turno da eleição. “Parabenizo os vencedores e peço que governem pensando na Bolívia e na democracia. A Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou comunicado reconhecendo o esforço dos bolivianos em exercer o direito ao voto de maneira responsável apesar dos desafios impostos pela pandemia de coronavírus e pedindo que os cidadãos e todos os atores políticas “esperem com paciência os resultados oficiais”. “Os próximos dias serão cruciais para o futuro da Bolívia e todos devem estar à altura deste momento histórico. O povo mostrou seu compromisso com a democracia e é importante que as forças políticas sigam seu exemplo”, diz o texto. O comunicado diz ainda que a OEA “sempre defendeu a vontade popular na Bolívia, expressa por meio de eleições livres”.”

A OEA do Almagro?!

Se não inventarem um outro golpe em La Paz o Brasil terá uma péssima relação com Venezuela, Argentina e Bolívia na AL. Some aí a vitória do Biden cada vez mais provável, o iminente banimento da Huawei do 5G brasileiro e o fogo cerrado da UE. Parabéns aos generais e ao capitão.

E um ouvinte do podcats me mandou essa entrevista do Evo Morales de 9 de junho e vem bem a calhar:

Yo hice mi renuncia justamente para evitar el derramamiento de sangre y los enfrentamientos. Eso fue el día 10 de noviembre como a las 5 o 5.30 de la tarde. Fue allá, en el Trópico de Cochabamba. Y mi informacion oficial, confirmada y reconfirmada, es que a las 6.30 se reunieron Waldo Albarracín, activista de la derecha, con la gente de Carlos Mesa, Fernando Camacho, Tuto Quiroga, la Iglesia Católica, el embajador de Brasil y también el de la Unión Europea. Eso fue un domingo y allí dijeron que la Áñez iba a ser la presidenta. Mesa es el responsable de designar a Añez. El dia 11, cuando yo intentaba salir del trópico hacia el exterior, no había presidenta todavía, aunque dijeron que ella iba a ser, pero no había presidenta ni presidente. Entonces, usted me pregunta por qué ese viaje del 01 cuando no había presidente. Entonces, cómo fue que la embajada de Brasil participó en la reunión del día domingo, a una hora de mi renuncia, donde dijeron que Áñez iba a ser la presidenta. Pues yo me pregunto para qué, hablando del embajador de Brasil, pide los vuelos a dos ciudades de ese país. ¿Cómo los militares simplemente van a disponer del 001? Entonces, yo me imagino y puede ser que me imagine mal, que seguramente alguien iba a traer plata, mucha plata para las Fuerzas Armadas o para la policía. Necesitaban tener plata disponible y meter bala, como hicieron los subsiguiente días. Y de acuerdo a la información que ustedes dieron, los días de la masacre luego del golpe, hubo muchos viajes a Brasil. Y no solamente ese día, al día siguiente igual, hubo participación de la embajada de Brasil en una reunión con Mesa, con Quiroga, con Camacho no sé, pero esos personajes junto con algunos jerarcas de la iglesia católica, han sido actores del golpe de estado.” [Pagina12]

Sopobre os vôos do avião presidencial bolviano ao Brasil:

“Hay que investigarlo pero conozco muy bien el avión presidencial y no creo que traigan ahí ese tipo de material. Sin embargo, le cuento que algunos oficiales de las FFAA me dijeron que en esos vuelos llevaron plata. Entiendo que durante la resistencia al golpe fue que traían plata. Ahora, uno de los viajes, que se hizo entre el 30 de abril y el 7 de mayo donde viajaron familiares de la Áñez, se quedaron varios días, pero ahí se llevaron plata, no se cuánto, pero gracias al oficial, a los militares patriotas, confirmamos que llevaron plata. No saben cuánta es.”

E sonhar não custa nada:

Os acordos que serão assinados nesta segunda-feira pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos abrirão caminho para uma negociação mais ambiciosa, que vai permitir um tratado de livre comércio com os americanos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Embora os atos não tratem de acesso a mercados, será possível reduzir custos nas operações de comércio exterior entre os dois países. — Há grande expectativa no setor privado para iniciarmos as negociações dos acordos de livre comércio e para evitar a dupla tributação — disse o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Abijaodi.” [O Globo]

A eleição por lá é 3 de novembro, estamos em 19 de outubro…

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Ah, e ainda depende do Mercosul!

“De acordo com ele, a redução da burocracia, dos custos de transação e dos atrasos desnecessários relacionados ao fluxo comercial de bens, a partir de medidas de facilitação de comércio, permitirá maior competitividade e eficiência às operações comerciais. A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê uma economia de cerca de 14% dos custos no comércio exterior com a eliminação dessas barreiras. Está prevista a assinatura de três acordos: facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e normas para evitar a corrupção no comércio bilateral. Um acordo de livre comércio com os EUA só seria possível se fosse negociado com todos os países do Mercosul. Isto porque, hoje, os sócios do bloco cobram alíquotas de importação no intercâmbio com terceiros mercados, através da Tarifa Externa Comum (TEC). Pelas regras atuais, não se pode negociar separadamente um acordo que prevê a queda das tarifas. Daí a razão de os acordos que serão assinados nesta segunda-feira não significarem o maior acesso de produtos brasileiros ao mercado americano.”

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3. O Brasil em 4 atos

Quatro matérias ilustram bem a desgraça brasileira:

O Brasil vive o maior processo de transição religiosa do mundo, com sua população migrando de forma acelerada do catolicismo para o cristianismo evangélico. Se em 1970 os evangélicos representavam 5% dos brasileiros, hoje são cerca de um terço e, nesse ritmo, em 2032 serão a maioria.” [Folha]

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Isso aí versa sobre a falência do Estado, essa revolução sísmoca só é possível porque onde não há Estado há a igreja para amparar. E minha crítica aqui não é aos evangélicos como um todo, mas esse evangelismo de Edir, Malafaia, Valdomiro e quetais, que ennriquecem com a falência social.

“Essa transformação tem impacto nas instituições e na vida das pessoas, especialmente dos mais pobres, mas é ainda pouco compreendida pela elite do país, afirma o antropólogo Juliano Spyer, autor do livro “Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam”, que chega às livrarias nesta semana pela Geração Editorial, com apresentação de Caetano Veloso. A ideia da obra surgiu quando Spyer morava numa vila de trabalhadores na periferia de Salvador para a pesquisa de campo de seu doutorado, sobre uso das mídias sociais pelas classes baixas. Lá, fez amizade com famílias evangélicas, passou a frequentar cultos e percebeu o impacto prático que as relações construídas na igreja tinham na vida de pessoas vulneráveis e sem acesso a direitos e serviços públicos. “Essas igrejas produzem um serviço que o Estado não dá conta ou para os quais a sociedade brasileira não se mobiliza. Há uma rede de ajuda mútua: quando o marido fica desempregado e se arruma emprego, o filho se envolve com drogas e encontra um lugar para ser tratado, o marido que batia na mulher encontra caminhos para negociar uma harmonia em casa. É um estado de bem-estar social informal”, diz. Spyer afirma que a elite brasileira tem uma visão “estereotipada, pouco esclarecida e muito arrogante” sobre os evangélicos, que se reflete também em parte da classe política, inclusive na centro-esquerda. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro, que teve entre os evangélicos sua maior vantagem eleitoral em 2018, adota uma estratégia “oportunista” de aproximação desse grupo, sinalizando que “se as outras pessoas não se interessam por eles, ele se interessa”, diz o antropólogo.”

Vamos à entrevista:

“A antropologia do cristianismo é um dos principais temas da antropologia contemporânea. O Brasil pobre, principalmente na área urbana, é predominantemente evangélico. Não existe no mundo uma transição religiosa acontecendo como a do nosso país, que é o maior país católico do mundo e está se tornando um dos maiores países protestantes do mundo. Em 1970 havia 5% de evangélicos, incluindo protestantes. Em 2000 eram 22%, e no ano passado era um terço da população acima de 16 anos. Os estatísticos preveem que em 2032 o cristianismo evangélico se tornará a religião predominante no país. Isso afeta todo mundo. Por um lado, muitas igrejas evangélicas se deram conta de que, para influenciar nas pautas de comportamento, elas precisam se envolver com o governo. Mas existe um lado B, que é o efeito da igreja na vida das pessoas. [Na vila em Salvador] a gente convivia com a violência doméstica, ouvia gritos, e não adiantava chamar a polícia. Uma das primeiras consequências da conversão [ao cristianismo evangélico] era acabar com isso. A conversão também é um ato inteligente, e não apenas de fé, que traz benefícios à vida do brasileiro mais pobre. No final dos 18 meses, descobri que várias das pessoas da igreja evangélica com quem me relacionava haviam participado de organizações criminosas e sido presas. E eram ótimos pais, esforçados, generosos. É a principal maneira para reinserir na sociedade pessoas que estiveram envolvidas com violência. Sem desprezar os muitos problemas de ordem moral, temos que considerar o quanto essas igrejas produzem um serviço que o Estado não dá conta ou para os quais a sociedade brasileira não se mobiliza. A motivação desse livro é falar, para as pessoas do meu círculo, que existe muito mais complexidade e valores a serem levados em conta em relação a esse fenômeno. Evangélico é um termo disputado. Precisamos usá-lo porque eles se reconhecem dessa forma entre si e em relação aos outros. Agora, se você vai ao Nordeste, evangélico é todo mundo que é protestante, inclusive do protestantismo histórico, como os luteranos e os calvinistas. No Sul, esses grupos se diferenciam. Mas há um grau de convergência, são todos protestantes e vieram do mesmo movimento contestador do Lutero. São predominantemente conservadores no âmbito moral, mas há igrejas que relativizam isso, como a Bola de Neve. O [ginasta] Diego Hypólito, por exemplo, atleta brasileiro nas Olimpíadas, se assumiu homossexual e é dessa igreja. O que diferencia o pentecostalismo é ser uma religiosidade feita pelo povo, comunicada de uma maneira simples e que trata das questões deles do dia a dia. Isso se espalhou como fogo dentro do Brasil popular.

Segundo o antropólogo Gilberto Velho, o principal fenômeno social brasileiro do século 20 é a migração de nordestinos em massa para as capitais ao sul. Ao chegar nessas cidades do sul, eles ocuparam regiões periféricas, desprovidas de tudo, inclusive de Igreja Católica. São originalmente católicos, mas não têm garantias de trabalho, transporte, vivem em condições ruins de moradia, se desprendem das raízes familiares. E nessa igreja você dá voz à sua religiosidade profunda, é ouvido como pessoa, não como número ou funcionário, põe para fora suas inquietações, frustrações e dores. Além disso, há uma rede de ajuda mútua: quando o marido fica desempregado e se arruma emprego, o filho se envolve com drogas e encontra um lugar para ser tratado, o marido que batia na mulher encontra caminhos para negociar uma harmonia em casa. É um estado de bem-estar social informal. Esse cristianismo tem consequência direta na estabilização da vida de pessoas em situação de vulnerabilidade. Mas hoje você encontra também igrejas evangélicas em bairros mais luxuosos das capitais… Há uma disputa pelo acesso a camadas populares entre os grupos que controlam a comunicação no Brasil, de grupos de um mundo mais aristocrático, católico, em relação a grupos pentecostais, sendo a TV Record o principal deles. Parte do desinteresse ou falta de generosidade para tratar desse assunto se dá por uma disputa no âmbito da indústria da comunicação. No livro, cito como a data dos 500 anos da Reforma Protestante foi anunciada no Jornal Nacional [em 2017]. Ele falam de Lutero, do Calvino, da fundação da primeira igreja protestante no Brasil, mostram uma celebração numa igreja protestante histórica, predominantemente branca no Rio de Janeiro, e os luteranos no Sul do país. Não entra um evangélico, como se o assunto não existisse. Sendo que a Assembleia de Deus, maior igreja evangélica do Brasil, foi fundada por missionários suecos batistas e eles se consideram protestantes.”

A jornalista pergunta se evangélicos seriam mais conservadores que católicos e a resposta é bem foda:

“Sim e não. Se você pensar nos bolsões de prosperidade de pessoas que têm estudo superior, os evangélicos são realmente mais conservadores. Mas se você considerar o Brasil popular, há um senso de conservadorismo em relação a valores. Nos primeiros 400 anos do Brasil não dá para separá-lo do catolicismo, e de um catolicismo conservador. Esse conjunto de valores em relação às pautas de gênero, sexual, LGBT não é estritamente pentecostal, mas se desdobra no catolicismo e no espiritismo.”

Sempre fomos brutalmente conservadores, isso não é algo recente.

“Concordo com um argumento levantado pelo cientista político Mark Lilla, de Columbia, em que ele fala que o sucesso da eleição do [Donald] Trump se deu pela incapacidade da adversária naquele momento, a senadora Hillary Clinton, de conversar com diferentes. No Brasil, de um lado você tem um governo que demonstra respeito pelos valores dessa população [evangélica]. E do outro lado tinha o outro candidato, Fernando Haddad. Não sou antipetista e não falo isso como crítica pessoal, mas ele cometeu um erro ao chamar o bispo Edir Macedo de charlatão. Havia mulheres da Igreja Universal batalhando dentro dos seus espaços de culto para defender um candidato que era alternativa ao Bolsonaro que, com essa declaração, perderam essa possibilidade, pelo argumento de “como votar em alguém que nos desrespeita”. A alternativa é entender mais sobre o assunto e fazer uma negociação na qual não vai se concordar em todos os pontos, mas não irá demonizar a pessoa. O fato de eu escrever um livro que é empático [aos evangélicos] não significa que eu concordo com a maior parte das questões que eles defendem em relação a questões morais, mas quero dizer que não é só isso que deve ser considerado. Há pessoas no meio evangélico simpáticas à ministra Damares, mas também há pessoas no meio evangélico simpáticas a pessoas como a [deputada federal pelo PT-RJ] Benedita da Silva e a Marina Silva, que são da Assembleia de Deus. Assim como a Damares, há outros evangélicos no governo que são repudiados ou motivo de vergonha para alguns grupos evangélicos. Além disso, o ambiente na igreja evangélica é politizado, no sentido de questionar qual é o interesse do pastor quando ele traz tal pessoa, ou por que o pastor propõe algo ou está conversando com tal político. Foi aplicado um questionário em 2018 durante a Marcha para Jesus e um dos achados foi que a maior parte dos evangélicos ali não votava no candidato indicado pelos líderes da igreja.”

Passemos ao segundo ato, o ótimo texto da Thaís Carrança que algum editor pegou e metei o infeliz título: “Faltam costureiras em polo têxtil do Agreste apesar de desemprego recorde“. Olha como a Thaís começou a matéria:

““Era trabalhar de domingo a domingo, dia e noite, sem parar um segundo para dar conta das peças. Eu pegava 4h30, 5h da manhã e ia até meia-noite, 1h da manhã. Cheguei a fazer peça por R$ 1, um bermudão feminino por R$ 1,20, uma calça por R$ 2,20. Conseguia tirar R$ 600, R$ 700 por mês, não cobria toda a despesa, sempre ficava devendo um pedaço do aluguel.” O relato é de Francismeire Silva Melo, 42, mãe de três filhos e moradora de Caruaru, um dos dez municípios que fazem parte do polo de confecções do Agreste de Pernambuco. Costureira há mais de 20 anos, Francismeire é uma das profissionais da região que deixaram a função como atividade principal para abrir um negócio por conta própria. Desde 2017, ela produz e vende sabonetes artesanais e aromatizadores de ambiente. A renda ainda é pouca. Com o auxílio emergencial reduzido a R$ 300, ela está ganhando R$ 700 por mês. “Mas para mim, a vida agora é melhor, não me mato tanto como na máquina, tenho meu horário de sono e de almoçar com a minha família, que antes eu não tinha”, afirma. “Quem trabalha com costura em casa não tem hora de lazer, hora de parar, é uma exploração e não valorizam o trabalho da gente. Por mais que a gente trabalhe dia e noite para entregar no prazo, o valor que pagam é muito baixo.”” [Folha]

Faltam costureiras ou faltam condições dignas de trabalho, editor da Folha?! Que título infeliz.

“Casos como o da empreendedora se multiplicam na região. E a situação é tal que o polo têxtil do Agreste enfrenta falta sem precedentes de mão de obra, segundo empresários locais, em meio à retomada da produção após o afrouxamento da quarentena e diante de uma demanda aquecida –efeito do auxílio emergencial sobre a renda das classes C e D, público-alvo da produção local. Empresários com vagas abertas não conseguem preenchê-las, apesar de a taxa de desemprego ter chegado a 13,8% no país em julho, recorde na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em Pernambuco, a taxa de desocupação estava em 15% em junho, acima da média nacional –os dados de desemprego por estado são divulgados apenas trimestralmente, portanto o número de junho é o mais recente disponível. A pesquisa Pnad Covid mostrou na última sexta-feira (16) que a taxa de desemprego chegou a 17,5% no Nordeste na última semana de setembro, com 3,9 milhões de desempregados. Os números, porém, não são comparáveis com a Pnad Contínua, que mede a taxa oficial de desemprego no país. “Parte delas está recebendo o auxílio emergencial e diz que não quer trabalhar, parte ainda está com receio do vírus e muitas, com a pandemia, começaram a trabalhar nas residências e não querem mais voltar. Pedem demissão da empresa de maior porte, pegam os recursos do acerto e passam a trabalhar por conta própria”, diz Arnaldo Xavier, presidente da Rota do Mar, confecção de moda casual e moda praia com cinco fábricas e sede em Santa Cruz do Capibaribe. O empresário diz precisar de 45 a 60 costureiras, que não encontra no mercado.”

Aumenta o salário, repara como ele se gaba dos lucros:

“Segundo Xavier, a falta de mão de obra no polo do Agreste é um fenômeno sazonal, mas neste ano o quadro está muito pior. Os empresários locais costumam enfrentar dificuldade para contratar nos meses de maio e junho, quando parte dos trabalhadores se ocupa com tarefas ligadas às festas juninas, que têm grande peso na economia do Nordeste. Também em novembro e dezembro, com as festas de fim de ano, costuma haver escassez de profissionais. “A demanda é tanta que abrimos uma escola dentro da fábrica para ensinar o trabalhador sem qualificação nenhuma. Normalmente, ativamos essa escola nesses períodos de escassez, mas agora está com uma intensidade fora da normalidade. Começamos com a escola em agosto, o que nunca tinha acontecido antes.” Com a demanda aquecida pelo auxílio emergencial, o empresário diz que o mês de agosto foi o melhor em faturamento na história de 24 anos da empresa. “Hoje tudo que estamos fazendo, estamos vendendo, num período em que isso não é costumeiro. Em geral, nessa época, começamos a estocar para novembro e dezembro, mas esse ano não estamos conseguindo.”

Vamos à terceira matéria, ótima para lembrar que projeto do fracasso brasileiro é um grande sucesso.

“O governo Jair Bolsonaro quer vincular o reajuste do piso salarial dos professores da educação básica à inflação, o que elimina o ganho real garantido pela lei atual.” [Folha]

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O Brasil não deu errado, deu foi certo pra caralho. E quem diz isso com muito mais propriedade é o professor Luiz Antônio Simas. E se os professores vestissem farda e batessem continência tinham descolado um aumento, certeza. E olha que filhos da puta…

“A proposta do governo é alterar a lei do piso na regulamentação do Fundeb. A Lei do Piso, de 2008, vincula reajuste anual à variação do valor por aluno do Fundeb, o que reflete em aumentos acima da inflação, mas pressiona as contas de estados e municípios. O governo quer que a atualização seja só pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Caso a regra já valesse, o reajuste em 2019 seria de 4,6%. O último aumento pela Lei foi de 12,84%, quando o piso chegou a R$ 2.886,24. No Dia do Professor (15), o governo fez propaganda nas redes sociais com este índice como se fosse realização da gestão, apesar de ser lei. “Maior reajuste salarial para professores da educação básica desde 2012″, diz mensagem da Secretaria de Comunicação.”

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“A proposta de Bolsonaro consta em posicionamento do governo, obtido pela Folha, sobre o projeto de regulamentação do Fundeb da Câmara. O fundo direciona à educação básica recursos de uma cesta de impostos acrescidos de complementação da União. Principal mecanismo de financiamento da educação básica, o Fundeb foi ampliado neste ano pelo Congresso. A complementação da União vai saltar dos atuais 10% para 23% até 2026, de modo escalonado —em 2021, passa a 12,5%. O governo sugere a inclusão de artigo no projeto de regulamentação. “Maior complementação da União e a nova distribuição de recursos elevarão significativamente o valor anual por aluno mínimo recebido, o que impactará o piso em cerca de 15,4% ao ano nos próximos seis anos”, diz justificativa. O mesmo documento prevê que escolas privadas sem fins lucrativos recebam verbas do Fundeb em toda educação básica (hoje isso é limitado onde há falta de vagas, como na educação infantil e no campo). O governo propõe limite de 15% das matrículas para “vencer a resistência”. “Como se tratam de etapas com demanda praticamente 100% atendida, e visando vencer a resistência a essa ampliação da destinação para a rede privada, sugere-se restringir a autorização a margens, o que evitaria uma migração das vagas da rede pública para a privada”, diz a justificativa do governo. A proposta vai ao encontro da pressão de entidades religiosas e filantrópicas e conta com apoio de Bolsonaro e do ministro da Educação, Milton Ribeiro. Também tem forte aderência entre parlamentares.”

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E como de hábito…

“Questionados, os ministérios da Educação, Casa Civil e Economia, que colaboram com o documento, não responderam. A média de ganhos dos docentes da educação básica com nível superior correspondia, em 2012, a 65% da média dos demais profissionais do mesmo perfil. Chegou a 78% em 2019, mas o próprio MEC, responsável pelo cálculo, diz que a alta se explica, em grande parte, pelo decréscimo de 13% do rendimento dos demais profissionais. “Precisamos de um formato que assegure a continuidade da valorização dos professores de forma sustentável”, diz Lucas Hoogerbrugge, do Todos Pela Educação. A lei do piso foi sancionada pelo governo Lula (PT) em 2008. A própria gestão petista encaminhou, no mesmo ano, projeto que previa exatamente o que defende Bolsonaro, com atualização pelo INPC. Um recurso trava o trâmite desde 2011. A Confederação Nacional dos Municípios é contra por conta do impacto nos cofres. A entidade calculou custo de R$ 8,7 bilhões com o último reajuste. “O piso nacional deve ser reajustado pela inflação e o ganho real, absolutamente necessário, tem de ser negociado com prefeitos e governadores, que pagam o salários”, diz a consultora Mariza Abreu, que colabora com a CNM.”

Quarta ato:

“Uma família de São Paulo acaba de enviar ao exterior a módica quantia de R$ 50 bilhões (são bilhões mesmo). Tudo legal e regular. Tanto que apenas de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) pagou R$ 2 bilhões (sim, são bilhões mesmo).” [O Globo]

O capital como?!

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4. Economia

Guedes, como de hábito, mais perdido que o David Luiz no 7 a 1:

“O ministro Paulo Guedes (Economia) confirmou nesta sexta-feira (16) que não abandonou a ideia de criar um imposto sobre transações. Ele disse que, enquanto não houver solução para desonerar a folha, prefere “esse imposto de merda”. “Temos que desonerar o custo do trabalho. Enquanto as pessoas não vierem com uma solução melhor, eu prefiro esse imposto de merda”, afirmou em evento virtual promovido pela XP. Segundo ele, só está sendo planejado esse imposto para substituir aqueles aplicados sobre os salários que as empresas pagam a empregados. “Você acha que sou um homem de desistir fácil das coisas? De forma alguma”, disse. “Por que você acha que estamos pensando nessa coisa de merda? Você acha que liberais gostam de criar impostos? De maneira alguma. Só tem uma maneira razoável de pensar, é porque existe um pior funcionando hoje”, afirmou..” [Folha]

Psiiii, silêncio, Guedes tá descobrindo que as equipes econômicas anteriores só criavam imposto porque não tinha opção melhor e/ou viável a disposição…

“A declaração é dada um dia depois de o ministro dizer que poderia desistir da ideia. Mas, conforme mostrou a Folha, a ideia continuava viva nos planos do ministro e da equipe econômica. “Não tem aumento de imposto, não existe aumento de imposto. A mídia, por exemplo, quer desonerar a folha [de salários]. Esse imposto só entraria para desonerar. Talvez nem precise, talvez eu desista”, afirmou na quinta-feira (15) em entrevista à CNN Brasil ao sair do Ministério da Economia, sem detalhar a fala. Na pasta, a declaração havia recebida com surpresa entre interlocutores. Isso porque o plano de um imposto sobre pagamentos nunca saiu dos planos do Ministério e é parte fundamental da reforma tributária imaginada por Guedes.”

E Guedes é o cúmulo do cretinismo, ele agora deu pra dizer que nunca propôs nova CPMF porque o novo imposto seria PIOR que a CPMF!

“A fala desta quinta destoou da defesa que o próprio ministro fez na véspera. Na quarta-feira (14), ele afirmou que há um consenso entre as principais economias do mundo de que o crescimento da base tributária deverá ocorrer na base digital. Ele disse que o novo imposto não representa “só” uma CPMF, depois de negar taxativamente desde a entrada do governo que não se tratava de uma recriação do imposto. “Por isso que eu dizia que não era só um retorno da CPMF. Porque não passa nem pelos bancos. Ele transcende”, afirmou o ministro na quarta.”

E o gênio bronzeado e grisalho é respeitado ainda, deveria estar internado num hospício…

A única opção de furar o teto respeitando o teto e a lei é estendendo o período de calamidade:

“O decreto que reconhece o estado de calamidade autorizou a União a não cumprir a meta fiscal prevista para este ano e a elevar gastos públicos para financiar as ações de enfrentamento à crise gerada pela pandemia. Esse estado de calamidade tem dada para acabar: 31 de dezembro de 2020. Mas uma parte do Congresso vem defendendo a extensão do decreto até o início de 2021como saída para permitir um aumento de despesas no ano que vem. Isso viabilizaria uma nova prorrogação do auxílio emergencial pago pelo governo a trabalhadores informais e a criação do Renda Cidadã, programa que substituiria o Bolsa Família.” [G1]

Mas Maia já deu o papo que soou como música aos ouvidos do gênio bronzeado e grisalho:

“Prorrogar a calamidade, em tese, vai gerar a prorrogação da PEC da Guerra e, automaticamente, prorrogando a PEC da Guerra vai passar uma sinalização muito ruim para aqueles que confiam e precisam da credibilidade da âncora fiscal para continuar investindo ou voltar a investir nesse país. A gente já viu que ideias criativas geram desastres econômicos e impactam a vida das famílias brasileiras. A pandemia e a estrutura que foi construída para seu enfrentamento tem data para acabar, que é 31 de dezembro de 2020. Qualquer coisa que mude essa regra vai gerar um impacto muito grande em indicadores econômicos que vão afetar muito mais a vida dos brasileiros do que um, dois ou três meses de renda mínima.”

Bolsonaro agradece, vai dizer que a culpa é dos parlamentares…

“O curto prazo pode ser bonito, mas o médio e longo prazo…Temos metade desse governo ainda e, se isso acontecer, o governo vai pagar a conta com a sua popularidade.”

Maia sabe quais argumentos capturam a parca atenção presidencial.

“Questionado sobre a possibilidade de o Senado acolher a ideia de não cumprimento do teto de gastos, Maia afirmou que sua preocupação é “zero”. “Os senadores têm experiência e têm cumprido seu papel”, afirmou. “Sei que os parlamentares não vão aceitar mudanças no teto de gastos”, acrescentou. Maia afirmou ainda que, “em tese, o teto vai explodir em 2021”. No entanto, segundo ele, “existem despesas que podem ser alocadas”.” [Folha]

Quais despesas?

“Vamos ter de fazer alguns sacrifícios. Todos os brasileiros terão de fazer algum sacrifício. A Câmara foi o poder que menos aumentou as despesas. Alguns auxílios podem ser suspensos por um tempo, as Forças Armadas têm despesas de R$ 200 milhões (que poderiam ser alteradas), não sei se ajudaria muito… Há 17, 18 itens no Orçamento que podem ser mexidos para encontrarmos os R$ 30 bilhões necessários para a construção de um novo programa.Outro dia teve um ministro importante que me procurou, falou que vão tirar dos ricos para dar aos pobres. Eu disse a ele que os ricos não estão no Orçamento.” [O Globo]

E onde tão os ricos, Maia?! Que diabos Maia entende por orçamento?!

E Maia tá é puto com Alcolumbre:

O presidente da Câmara criticou o movimento, capitaneado por parte dos congressistas (principalmente senadores), e falou que o “jeitinho criativo” não terá seu respaldo. “A política precisa entender que os mandatários estão eleitos para construir soluções, e que, se as soluções fossem simples, não precisava de representantes. Eles existem justamente para enfrentar problemas difíceis como esse”, afirmou. O ministro Paulo Guedes (Economia) foi questionado na véspera sobre a prorrogação do estado de calamidade e também criticou a proposta. Mas defendeu que haja uma brecha para suspender regras fiscais caso o coronavírus tenha novas ondas no país em 2021. A Folha ouviu de envolvidos nas discussões que o ministro quer incluir na PEC Emergencial ou na PEC do Pacto Federativo, que estão em trâmite no Senado, um dispositivo para acionar a suspensão de regras fiscais de maneira mais ágil caso a pandemia afete novamente o país de maneira mais agressiva. Em tese, caso a brecha para suspender regras fiscais seja incluída na PEC Emergencial, e a PEC seja aprovada, seria possível acionar o mecanismo depois de uma eventual saída de Maia da presidência da Câmara. Seu mandato acaba em 31 de janeiro de 2021. Guedes reiterou na sexta que refuta usar o coronavírus como desculpa para gerar estímulo fiscal, mas defendeu a brecha em caso de emergência. “Se a Covid voltar em 2021, é diferente”, disse o ministro.”

A pandemia comprou passagem só de ida pro reveillon, foi?!

“Mas é totalmente indesculpável usar uma doença para pedir estímulo artificial. Isso é uma fraude, é falso, é indesculpável, é má politica. É comprometer a futura geração por um ato covarde”, afirmou Guedes. A prorrogação do auxílio em 2021 não é uma vontade do governo, segundo o ministro. “Não é nossa intenção, não é o que o presidente disse, não é o que o ministro quer de maneira alguma. Temos de ter responsabilidade pelo nosso Orçamento e mostrar que temos responsabilidade e força para pagar pela nossa própria guerra, e não deixar [a conta] para nossos filhos”, disse. Enquanto respondia sobre o tema, no entanto, Guedes disse que o Brasil é uma democracia e que, por isso, as decisões políticas são descentralizadas, indicando que uma decisão do tipo ainda pode vir do Congresso. Aos investidores, Guedes disse que, se não houver Renda Cidadã —programa que tem objetivo de preencher a lacuna do auxílio emergencial—, é melhor deixar tudo como está. “Se não conseguirmos encontrar espaço para fazer um programa melhor, vamos voltar ao Bolsa Família. É melhor voltar ao Bolsa Família do que tentar fazer um movimento louco e insustentável”, afirmou.” [Folha]

Não tava proibido falar em Bolsa-família?!

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Vamos ao governo mui liberal chateado com a mão incisível do mercado:

“O governo decidiu zerar o imposto de importação de soja e milho para tentar conter os preços dos alimentos, que vêm registrando em alguns casos aumento superior a 50% no acumulado do ano. No caso da soja, a redução valerá até 15 de janeiro de 2021 e incluirá grão, farelo e óleo. Para o milho, o corte ficará em vigor por mais tempo, até 31 de março. “Ambas as medidas têm como motivação conter a alta de preços no setor de alimentos”, afirmou o Ministério da Economia, em nota. A decisão foi tomada pelo comitê-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), colegiado do governo que tem entre suas atribuições definir alíquotas de importação e exportação e fixar medidas de defesa comercial. O comitê é integrado pela Presidência da República e pelos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Agricultura. A reunião foi concluída no fim de sexta-feira (16) e o resultado foi divulgado neste sábado (17). De acordo com o governo, a proposta da soja foi apresentada pelo Ministério da Agricultura. Já a do milho, pela pasta da Economia. As tarifas tradicionais aplicadas aos produtos são de 6% para farelo de soja, 8% para soja e milho, e 10% para óleo de soja. O corte do imposto é realizado após medida similar ter sido tomada pelo governo há menos de um mês no caso do arroz. Conforme mostrou a Folha na época, o governo já analisava iniciativas similares para milho e soja.” [Folha]

Se fosse o Haddad fazendo isso os ruralistas dariam um chilique…

“Os dados mais recentes continuam mostrando aumento de preços para a alimentação do brasileiro. O IPCA, índice oficial de inflação no país, fechou setembro com alta de 0,64%, acima dos 0,24% de agosto. Foi o maior índice para o mês desde 2003, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O aumento foi impulsionado justamente pelo grupo alimentação e bebidas, com alta de 2,28% em setembro. Na categoria, a alta foi puxada pelo segmento de alimentos para consumo no domicílio (2,89%), com destaque para altas no óleo de soja (27,54%) e arroz (17,98%). No ano, esses dois itens acumulam alta de 51,3% e 40,69%, respectivamente. As carnes variaram 4,53% em setembro. A aceleração do preço dos alimentos prejudica sobretudo as famílias de baixa renda, que gastam uma parte maior de seu orçamento com essas despesas. O gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, afirmou neste mês que a alta nos preços do arroz e do óleo está relacionada à valorização do dólar e à maior demanda interna durante a pandemia, influenciada principalmente pelo pagamento do auxílio emergencial. “O câmbio num patamar mais elevado estimula as exportações. Quando se exporta mais, reduz os produtos para o mercado doméstico e, com isso, temos uma alta nos preços. Outro fator é a demanda interna elevada, que, por conta dos programas de auxílio do governo, tem ajudado a manter os preços num patamar elevado”, diz. No caso do grão de soja, o gerente da pesquisa relacionou a alta à forte demanda da indústria de biodiesel. ​Análise do Banco Inter sobre a inflação vai na mesma linha ao apontar que, embora a produção agrícola brasileira tenha apresentado bom desempenho nos últimos meses, parte desse excedente tem sido destinado à exportação, mais vantajosa para produtores com o real depreciado e maior demanda da China. “Somado à forte demanda no varejo alimentício durante a pandemia, isso contribui para que os alimentos figurem entre os itens com maiores altas nos índices de preços”, analisou o banco neste mês. Outros alimentos tiveram aumento em setembro, como o tomate (11,72%) e o leite longa vida (6,01%). ​”

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5. STF

Do Hélio Schwartsman:

“Devo sofrer de alguma perversão, pois adoro assistir a julgamentos do STF e a sessões legislativas. Juntando as duas taras, vi bons pedaços da sabatina senatorial da juíza Amy Coney Barrett, indicada por Trump para ocupar uma vaga na Suprema Corte dos EUA. Uma discussão interessante que surgiu ali é sobre como uma constituição deve ser interpretada. Barrett se declara originalista. Para ela, constituições são documentos estáticos que devem ser lidos textualmente e de acordo com o significado que os conceitos tinham na época em que foram escritos. Contrapõem-se a essa corrente aqueles que acham que cartas são organismos vivos, cujo sentido é atualizado a cada nova geração de intérpretes.” [Estadão]

Kassio tem o mesmo papo e caminhemos pra trás: nossa 1º constituição é de 1824: escravidão era norma jurídica, mulher nem sonhava em votar votar e por aí vai. Segundo o “originalismo”, cada constituição mundo afora foi contemporânea dum iluminismo jurídico e dado tamanho virtuosismo jamais deveria ser interpretada, só tem maluco nessa porra…

“Minha simpatia está com o segundo grupo, mas daí não decorre que a preocupação que move os originalistas seja infundada. Eles escolhem esse caminho para evitar que juízes introduzam preferências pessoais e políticas na interpretação das constituições, o que anularia eu caráter de contrato fundador. Receio que a cautela dos originalistas não baste para funcionar como um escudo contra as idiossincrasias de juízes singulares, mas seja forte o suficiente para tolher a inovação social. Um bom exemplo, da própria Constituição dos EUA, é o dispositivo que proíbe “punições cruéis e incomuns”. Se tomarmos a expressão com o significado que tinha no final do século 18, aí não há o que objetar na pena de morte. Mas, se atualizarmos a significação de “cruel e incomum”, fica mais difícil justificar que os EUA ainda adotem a pena capital, já banida em quase todas as democracias. O problema com o originalismo é que, embora pretenda nos livrar de vieses políticos de juízes, ao amarrar a inteligência do texto constitucional ao passado (remoto no caso dos EUA), ele acaba consagrando o conservadorismo. Gostemos ou não, sociedades evoluem e constituições precisam estar em sintonia com isso.”

E esse texto do Thiago Amaparo veio a calhar:

“Se estiver em busca de um exemplo de raciocínio jurídico reacionário, os embargos de declaração da Advocacia-Geral da União (AGU) contra a criminalização da LGBTfobia apresentados na última quarta (14) não hão de decepcionar. Por reacionário, uso aqui a definição de Albert Hirschman em “A Retórica da Intransigência” (1991), para quem uma das teses reacionárias é a da ameaça: “O custo da reforma ou mudança proposta é alto demais, pois coloca em perigo outra preciosa realização anterior”, define Hirschman. O recurso da AGU quer que creiamos que a criminalização da LGBTfobia ameaça gravemente outras liberdades constitucionais. Não ameaça. Trocando o juridiquês do recurso da AGU nos miúdos reacionários que floreia, o que o Advogado-Geral da União quer é que o STF reconheça que a criminalização da LGBTfobia impõe tamanha ameaça existencial para liberdades como as de expressão, profissional, comercial. Não impõe. Nem a maioria a peça da AGU representa: apesar de sermos um país violento contra LGBTs, 74% dos brasileiros dizem que homossexualidade deveria ser aceita por toda a sociedade, segundo Datafolha de 2018.lguns exemplos da peça da AGU. Quer que o STF reconheça liberdade de empresas negarem atendimento a pessoas LGBTs em razão de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Nesta questão, a AGU cita o caso Masterpiece Cakeshop (2018) da Suprema Corte dos EUA onde se debatia a rejeição de venda de um bolo a um casal homoafetivo. AGU não leu o caso: a decisão da Suprema Corte dos EUA era, especificamente, sobre hostilidade contra a religião por parte do órgão que investigou o caso, não sobre a liberdade de discriminar.

AGU quer, ademais, que seja reconhecida a liberdade de “controle de acesso a espaços de convivência pública”, e cita como exemplos “restrição de ingresso em banheiros, vestiários, vagões de transporte público e até estabelecimentos de cumprimento de pena.” Ou seja, para a AGU, é liberdade constitucional colocar uma placa “não é permitida a entrada de pessoas trans” em banheiros abertos ao público como em shoppings ou impedir, com base na sexualidade ou identidade de gênero, o acesso ao transporte público. Quer, portanto, legalizar a segregação. Não é porque o recurso da AGU tenha poucas chances de prosperar no STF que ele seja menos perigoso. É exemplo de desvio institucional: com o recurso, a AGU se torna porta-voz jurídica não da União, regida pela constituição, mas do bolsonarismo que ocupa a cadeira de presidente. AGU finge fazer uso da Constituição para esvaziá-la de seu sentido.  É o que os professores de Yale, Reva Siegel e Douglas NeJaime, chamam de “preservação pela transformação”: mudar profundamente o sentido da Constituição, ao mesmo tempo em que dizem que estão fazendo nada além de interpretá-la. AGU quer que creiamos que a ordem constitucional – que determina que a lei puna a discriminação – cairá por terra se as pessoas não puderem discriminar LGBTs. Não é uma peça em defesa de uma maioria cristã silenciosa e oprimida contra o ativismo judicial progressista: o recurso da AGU é o exemplo de uma retórica hiperbólica que, por argumentos frágeis, quer que o STF reconheça liberdade constitucional de discriminar LGBTs. Cabe ao STF dizer que, por baixo dos pomposos argumentos jurídicos da AGU, jaz um ataque à República. Hoje, o assalto é contra LGBTs, amanhã há de ser contra quem ouse expor que o rei está nu de argumentos.” [Folha]

Porra, elogiei o Levi por se recusar a assinar aquele Habeas Corpus coletivo em nome duns bolsonaristas e desde então é só degraça…

Mas voltemos ao Kassio, ao que parece o Senado não se leva lá mutio a sério:

“O desembargador Kassio Nunes tem hoje os votos de que precisa no Senado para se tornar ministro do STF. Levantamento feito pelo Painel com os 81 senadores mostrou que ao menos 44 dizem pretender votar a favor do indicado de Jair Bolsonaro —ele necessita de 41. Oito senadores disseram que votarão contra Nunes, e os demais preferiram não comentar ou afirmaram que vão esperar a sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para quarta-feira (21).” [Folha]

Cancela a sabatina então, porra! Pra quê chatear oi indicado com perguntas chatas, né…

“No PT, Nunes é praticamente unanimidade: dos seis senadores, cinco disseram-se favoráveis. “É equilibrado, não é do time do ódio. Para a harmonia dos poderes, não terá dificuldades”, disse Paulo Paim (PT-RS). Jean Paul Prates (PT-RN) não respondeu. A mulher de Nunes, Maria do Socorro, foi por oito anos funcionária comissionada de senadores do PT (nenhum dos atuais).”

boulos

Já era absurdo o PT apoiar o nome dum sujeito abençoado por Flavinho Desmario e Wassef, o anfitrião do Queiroz, indicado por um presidente ávido por controlar as instituições. De quebra ainda tem o currículo mentiroso e o plágio escandaloso, mas ainda assim “feijioada, nada acontece”. E muita gente aponta que para os padrões bolsonaristas esse é um bom nome, mas realizar os desejos presidenciais não me parece uma boa idéia.

“”O fato de ser um nome distante do perfil ‘bozo’, negacionista e ultraconservador, surpreendeu positivamente”, afirmou Cid Gomes (PDT-CE). “É experimentado, um nordestino, e o Supremo precisa de melhor distribuição geográfica”, acrescentou Fernando Collor (Pros-AL). Jaques Wagner (PT-BA) também mencionou a questão regional.”

É muito difícil levar o Brasil a sério:

“A libertação do traficante André do Rap pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não serviu apenas para expor a falta de entendimento dos ministros sobre a manutenção da prisão preventiva de criminosos já condenados. O caso jogou luz em outra prática que vinha sendo adotada por advogados de defesa de alguns condenados: a apresentação de diversos habeas corpus, até conseguir que a ação caísse nas mãos do ministro que mais lhes agradasse. A manobra já era de conhecimento dos ministros, mas somente agora foi questionada publicamente.” [Estadão]

tenor (2)

E é tudo tão louco que a tentativa de mudar isso vem do Fux, viado!

“No fim da sessão de quinta-feira, 15, que definiu, por nove votos a um, que a prisão do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) deveria ser mantida, o presidente da Corte, Luiz Fux, publicou uma resolução sobre o assunto, com o objetivo de evitar tentativas de transformar o processo de escolha em uma “ciranda” de relatores do STF. Coube ao ministro Gilmar Mendes dar o tom do problema e a necessidade de mudança nas regras. “Há uma norma no regimento que permite que se faça a desistência que houve neste habeas corpus (de André do Rap), sem que haja a prevenção (termo usado quando o relator de um caso passa a receber todos os demais processos associados ao primeiro). Precisa ser reformado, porque isso, com certeza, leva à possibilidade de fraude”, disse Gilmar. A escolha do relator para casos levados ao STF ocorre por meio de um sorteio informatizado. Pela regra que estava em vigor até quinta, o ministro sorteado recebia, automaticamente, todos os demais processos vinculados ao primeiro. É a chamada “prevenção”. O problema é que essa regra tinha diversas exceções. Deixava de existir, por exemplo, quando o autor do processo desistia da ação. Perdia seu efeito também se o relator ainda não tivesse tomado uma decisão sobre o pedido de liminar ou mérito da causa. A resolução de Fux acabou com todas essas exceções. Agora, quando um relator é definido, ele passa a ser designado para todos os demais processos que tenham conexão com o inicial. A relatoria fica registrada e assim prossegue, mesmo que a defesa apresente um pedido de desistência da ação. O ministro sorteado pode até não ter apresentado qualquer decisão sobre o processo, mas suas digitais já estarão no caso. 

Gilmar chegou a afirmar que os advogados do traficante André do Rap protocolaram sucessivos habeas corpus no tribunal, até que um deles caísse com o ministro Marco Aurélio Mello. É corrente a tese de que o magistrado teria um perfil “garantista”, isto é, um histórico de decisões focadas em preservar a liberdade de investigados. Marco Aurélio mandou soltar André do Rap. “Quando a casa é arrombada, é que a gente coloca a porta. Estamos lidando com organizações criminosas com muito dinheiro para pagar bons advogados”, resumiu Gilmar. Segundo o ministro, a “clareira” não é ilegal, mas eticamente condenável e os ministros não têm como saber que essa prática está sendo usada. Em seu voto sobre André do Rap, Gilmar disse que o habeas corpus deveria ter sido distribuído para a ministra Rosa Weber, a relatora dos processos da Operação Oversea. Foi no âmbito dessa investigação, sobre tráfico internacional de drogas no Porto de Santos, que André do Rap foi condenado. Em junho, a ministra Rosa Weber chegou a questionar o então presidente do STF, Dias Toffoli, se deveria ser a relatora de um habeas corpus apresentado por um outro réu – Marcio Henrique Garcia Santos – dentro do mesmo processo em que André do Rap foi condenado. Santos havia alegado que o relator do caso deveria ser o ministro Marco Aurélio, com base em outro habeas corpus sobre a operação que o ministro havia analisado. Em resposta, porém, Toffoli manteve a relatoria com Rosa Weber. Um mês depois, a defesa de André do Rap apresentou habeas corpus ao Supremo pedindo a revogação da prisão preventiva. O pedido foi distribuído mais uma vez para a ministra Rosa Weber, no dia 1 de julho de 2020. No mesmo dia, porém, a defesa apresentou pedido de desistência e, em setembro, reapresentou um novo habeas corpus, argumentando que Marco Aurélio, por ter relator outros habeas corpus, deveria ser o relator por “prevenção”. Foi o que ocorreu. Com o caso nas mãos, o ministro decidiu pela libertação.”

Marco Aurélio era estratégico:

“Reportagem do Estadão publicada nesta semana analisou cada uma das 225 decisões liminares (provisórias) concedidas em habeas corpus e sorteadas para Marco Aurélio em 2020, disponíveis no portal do STF. A informação foi cruzada com nome dos réus com o Banco Nacional de Mandados de Prisão, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao menos 92 pessoas conseguiram liminares de Marco Aurélio que levaram em conta o vencimento do prazo de revisão das prisões. Atualmente, a polícia tenta prender, novamente, 21 criminosos que se beneficiaram de decisões de soltura dadas por Marco Aurélio, todas nos mesmos moldes que o caso do líder do PCC.”

E olha esse Gilmar:

“O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, está defendendo a reestruturação da Procuradoria-Geral da República com mecanismos para, segundo ele, evitar o enfraquecimento do procurador-geral perante as poderosas forças-tarefa. “Criou-se um ente que não existe em lugar nenhum”, disse Gilmar à Coluna sobre a força-tarefa da Lava Jato, que “assina até nota à imprensa”.” [Estadão]

Até aí nada demais, mas…

Uma das propostas é a liberdade para o presidente escolher um PGR de fora do Ministério Público. Gilmar elogiou a opção de Bolsonaro por Augusto Aras justamente pelo presidente ter ignorado a lista tríplice do MPF.

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É cada merda que eu tenho que ler, Gilmar deixou a Lava-jato correr solta e agora mete essa? Pra cima de mim?! Ah, não fode!

Encerro com a Míriam Leitão:

“Foi uma semana marcante. O ministro Celso de Mello encerrou seu tempo no Supremo Tribunal Federal (STF) deixando a sensação de que 31 anos podem ser poucos, que sai quando é ainda necessário ao país. O STF foi tragado por uma voragem conflituosa envolvendo o novo decano, Marco Aurélio Mello, e o presidente Luiz Fux. Os dois Mellos não têm qualquer parentesco em nenhum sentido da palavra, mas os eventos ajudam a refletir sobre o Supremo e o país. Não poderiam ser mais distantes os estilos dos dois decanos, o que sai e o que entra. Celso de Mello era construtor de maiorias, era a pessoa para a qual os pares olhavam, Marco Aurélio é um lobo solitário e passa a impressão de que o debate no colegiado importa menos do que marcar sua singularidade. Sempre preferiu votos indiossincráticos, amparados em teorias por vezes incompreensíveis aos mortais. Com grande frequência terminava sozinho, como nesta semana com o placar de nove a um. Recebeu o conforto das reprimendas dos colegas ao ato de Fux de cassar sua liminar, mas o desagrado de ver que ninguém daria liberdade ao traficante André do Rap. Marco Aurélio Mello concedeu um habeas corpus tão controverso que não seguiu nem a si mesmo. Apesar de ter brigado a semana inteira de inauguração do seu decanato em defesa de sua decisão, o ministro não concedeu o mesmo benefício a outro preso, companheiro de facção e criminalidade de André do Rap. No conflito com o presidente do Supremo, não quis conciliação. Nada o aplacou nem mesmo o fato de os colegas concordarem que Fux não tem o poder de cassar liminares dos outros ministros. Acusou Fux de “autoritarismo”, fez uma estranha pergunta para o ambiente: “vai querer me peitar?” Quando o presidente do STF disse que o traficante enganara até a ele, Marco Aurélio, por não ter cumprido a ordem de recolher-se em seu domicílio, o decano disse que não fora enganado, já que reconhecia o direito de André do Rap “fugir de uma prisão ilegal”. A discussão subjacente em todo esse conflito é se teremos ministros do Supremo que olham a literalidade da lei e a aplique automaticamente como se não houvessem circunstâncias agravantes e atenuantes. A dúvida é se o artigo 316 do Código Penal, que exige a renovação da prisão preventiva, determina a liberdade automática ou se caminharão para um acórdão que proteja a sociedade da libertação de criminosos condenados como André do Rap e leve à libertação de quem está de fato preso de forma abusiva.

Celso de Mello no seu último ato votou contra a concessão de um privilégio ao presidente da República. O risco é de que não seja seguido, apesar de serem cristalinas as suas razões. Está lá o artigo 221 do Código de Processo Penal, no capítulo que trata “Das Testemunhas”. Se derrubar a decisão de Celso de Mello concedendo a Bolsonaro o direito indevido de depor por escrito, o plenário do STF estará consagrando um erro cometido na avaliação da investigação de Michel Temer. Naquele caso, a decisão foi monocrática. Se for agora confirmado no pleno, fica eternizado. Assim, todos os presidentes, Bolsonaro e os que vierem depois, terão o conforto de entregarem seus interrogatórios para os advogados preencherem. Estarão livres do constrangimento de responderem pelos seus atos duvidosos. O indicado para substituir Celso de Mello, Kássio Nunes, está entrando pela porta lateral, em conchavos explícitos, dúvidas curriculares e lealdades outras que não as que um ministro deve obedecer. Que a cadeira que poderá vir a ocupar até 2047 o ajude a corrigir a rota. O grande legado de Celso de Mello é a defesa da Constituição. Ele foi uma feliz indicação do ex-presidente Sarney, bem no alvorecer da nova ordem constitucional. Mostrou nas décadas seguintes ser a pessoa certa no lugar certo. Sua intransigência na defesa de princípios da liberdade, do respeito às minorias e de um governo de iguais o tornaram fundamental numa República que acabara de viver um longo período autoritário. Ele sai quando de novo o país é ameaçado por um governante que nunca valorizou o patrimônio cívico da democracia. Celso de Mello balizou o caminho a seguir. Seus votos permanecerão iluminando o plenário que deixou, os outros tribunais do país e as nossas consciências.” [O Globo]

Na sexta eu postei um baita texto do Marcelo Godoy sobre a história do André do Rap – o cara deu a volta no PCC, tentou o mesmo pra cima da máfia itlaiana e buscava uma rota pra Ásia, onde o pé é ridiculamente caro – tá no post de sexta-feira. E essa matéria do WSJ repercutida pelo Nelson de Sá bate muito com os planos do sujeito.

“Em extensa reportagem enviada da Espanha, o Wall Street Journal conta a história do “primeiro narcossubmarino transatlântico” apreendido em novembro do ano passado. Para autoridades europeias, com custo de US$ 1 milhão, 20 metros de comprimento, espaço para três tripulantes e carregando três toneladas de cocaína, ele “muda o jogo”. “A embarcação de fibra de vidro cinza foi construída num complexo fortemente vigiado, obscurecido por densa floresta, perto da cidade brasileira de Macapá”, publica o jornal. “Na costa brasileira, lanchas transferiram a cocaína, acondicionada em 152 fardos marcados com os logotipos dos produtores –de um touro, um cavalo e um demônio. Tinham descido o rio Amazonas desde a Colômbia, onde a produção disparou nos últimos anos.” A viagem do Brasil à Espanha se estendeu por mais de seis mil quilômetros (mapa abaixo). Após duas tentativas fracassadas de descarregar, devido a tempestades, os tripulantes afundaram o submarino. Dois deles, que mal sabiam nadar, foram presos na praia. O terceiro, cinco dias depois.” [Folha]

Mas tem quem diga que isso é coisa dos cartéis colombianos junto com a Família do Norte.

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6. China

Esse é daqueles momentos-chave da geopolítica – o texto é do bom Celso Ming:

“Os Estados Unidos já não são mais o número 1 do mundo em pelo menos um critério importante. A China já os ultrapassou em tamanho do PIB. E se o maior tende a ser o mais influente e mais poderoso, já se pode imaginar o impacto geopolítico desse fato novo.” [Estadão]

E é por demais simbólico que isso aconteça no último ano do mandato do Trump. Do único mandato do Trump, eu espero, apesar de alguém dia desses ter comparado o presidente americano ao Berlusconi, que perdeu uma reeleição e depois voltou pra duas décadas de domínio completo. Com os democratas a China também passaria os americanos em algum momento, mas a política externa do Trump é tão suicida que só acelerou esse processo. Se tem alçgo que Trump fodeu com afinco desde o primeiro dia na Casa Branca foi foder com o impacto geopolítico americano, pra delírio dele:

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“Há duas maneiras de medir o PIB de um país. A primeira delas define em moeda local estável (deflacionada) o valor de bens e serviços (renda) e, depois, para efeito de comparação com outras economias, a converte em dólar, a moeda líder, pelo câmbio médio do período, tal como praticado no mercado. Esse pode ser chamado de PIB pelo câmbio de mercado. A segunda maneira de cálculo busca quanto um país pode comprar em bens e serviços com sua moeda. Trata-se do critério do PIB pela Paridade do Poder de Compra (PPC), que parece mais apropriado para medir a renda de um país, porque o câmbio de mercado sempre está sujeito a variáveis subjetivas. Há alguns anos, quando se deu conta das limitações dos cálculos tradicionais das contas nacionais, a revista britânica The Economist procurou um produto universal cujos preços poderiam definir o poder de compra de cada economia. E escolheu o Big Mac, o sanduichão da rede de fast-food McDonald’s produzido em toda a parte com padrão uniforme de qualidade. Assim nasceu o Índice Big Mac. O critério da PPC – e não propriamente o Big Mac – vem sendo usado não só pela revista The Economist, mas também pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial e pela própria agência de inteligência americana, a CIA, para medir grandezas relacionadas à renda. Ora, pela medida convencional, o PIB da China ainda será de US$ 15,2 trilhões ou quase 27% menor do que os US$ 20,8 trilhões do PIB dos Estados Unidos, calcula o FMI. Mas, medido pelo PPC, o PIB da China já alcança US$ 24,7 trilhões, ou seja, é quase 20% mais alto do que o PIB dos Estados Unidos, de US$ 20,8 trilhões.”

“Neste ano açoitado pela pandemia, a China deverá ser a única grande economia que registrará crescimento positivo, de 1,9%, de acordo com as projeções do FMI. E, como pontua a revista The National Interest, o crescimento de dois dígitos por ano em despesas com Defesa já tornou favorável à China o balanço de forças nos conflitos regionais. Em 2020, a China ultrapassará os Estados Unidos em despesas com Pesquisas & Desenvolvimento. Ou seja, prepara-se para ser potência ainda maior em tecnologias de ponta. O governo Trump não esconde sua contrariedade com o avanço do dragão oriental e decidiu enfrentar o desafio com o jogo duro que já se convencionou chamar de Nova Guerra Fria. Se Joe Biden vier a ser eleito presidente dos Estados Unidos em novembro, como parece mais provável, o enfrentamento com a China deverá continuar. Mas de Biden se espera um conjunto de políticas mais inteligentes. Uma dessas políticas deverá ser deixar de atirar até mesmo nos aliados históricos, como são os países da União Europeia, e voltar a valorizar mecanismos multilaterais de integração, especialmente a Organização Mundial do Comércio (OMC). Biden não poderá coordenar as demais potências se continuar com o mote principal “America first”. Se os Estados Unidos mantiverem a pretensão de defender seus próprios interesses acima dos dos demais, não poderá mesmo ter condições de liderar. E deixará caminho aberto para a China.”

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7. Meio Ambiente

“A queimada no Pantanal é a mesma, o objetivo de evitar novas devastações parecido, mas as comissões no Congresso que monitoram os incêndios no bioma parecem tratar de realidades distintas. De um lado, desempenhando o papel do “policial bonzinho”, está a comissão temporária externa do Senado criada para acompanhar as ações de enfrentamento aos incêndios no Pantanal. Formada basicamente por ruralistas, o objetivo parece ser menos identificar os culpados pelas queimadas no bioma e mais isentar o agronegócio de responsabilidade pelo fogo. Foi nessa comissão que os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura) defenderam a polêmica ideia do “boi bombeiro” —em resumo, quanto mais gado em um local, maior o consumo de capim e menor a quantidade de massa orgânica para propagar o fogo. Em setembro, houve aumento de 180% no número de queimadas na região do Pantanal, em comparação com o mesmo período do ano passado. É o mês com o maior número de ocorrências da história: 8.106. A área atingida no ano chega a quase 40 mil km², o que corresponde a 26,5% de todo o bioma. Durante a hora e meia em que esteve na reunião do colegiado do Senado na última terça-feira (13), Salles ouviu que deveria premiar fazendeiros que “procuram não fazer o desmatamento criminoso” —senador Nelsinho Trad (PSD-MS), relator da comissão— e que o Ibama “multa muito” —senadora Simone Tebet (MDB-MS). “Ele multa muitas vezes o agronegócio, aquele que produz, aquele que põe comida barata na mesa do brasileiro, e muitas vezes deixa passar a manada de elefante”, disse a senadora, citando como exemplo o crime organizado, madeireiros ilegais, grileiros e mineradores que invadem áreas indígenas. “Eu não quero mais viver num tempo como vivi há 30 anos, em que nós do agronegócio éramos vistos como vilões, porque não somos.” Também recebeu apoio do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), suplente do colegiado, que afirmou que, “em nenhum momento, nem o ministro Ricardo Salles, muito menos o presidente Bolsonaro, tomou uma iniciativa de incentivar qualquer tipo de crime ambiental”.

O acorde dissonante veio do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que acusou Salles de operar “um verdadeiro desmonte na área ambiental”. O relator da comissão, senador Nelsinho Trad, busca desvincular os trabalhos das questões ideológicas e da influência da bancada ruralista nos trabalhos. “A comissão, com os oitos senadores que fazem parte, tem um viés muito técnico, ela está deixando de lado essa questão da politização porque a situação lá [no Pantanal] é muito grave”, disse à Folha. “Não quero misturar aí essa questão ruralista com meio ambiente. O Pantanal é de todos, é de quem lá produz, de quem lá preserva, é uma dádiva da natureza que Deus colocou lá no nosso estado [Mato Grosso do Sul] e que a gente tem de saber aproveitar”, afirmou. Na Casa vizinha, a comissão externa sobre queimadas em biomas brasileiros tem uma visão bem distinta sobre as responsabilidades pelas queimadas. A composição do colegiado ajuda a explicar a diferença de opinião: saem de cena ruralistas, entra a oposição. Dos 22 membros, só dois formalmente não são de partidos contrários ao governo de Jair Bolsonaro: Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) e Dr. Leonardo (Solidariedade-MT). Os demais pertencem a PV, PSOL, PDT, PSB e PT —incluindo a presidente do colegiado, professora Rosa Neide (PT-MT). Segundo ela, o vice-presidente, Hamilton Mourão, que comanda o Conselho da Amazônia, foi convidado a participar de reunião do grupo e estaria tentando conciliar sua agenda. Salles também foi convidado a prestar esclarecimentos. “Se até a próxima semana ele [ministro] não responder, vamos pedir a convocação. Já há assinaturas para convocá-lo a se explicar no plenário da Câmara”, afirmou Rosa Neide. “O ministro teme cobranças de responsabilidade. Nossa comissão vai cobrar. Ele deverá vir e será cobrado por isso. Ele tem responsabilidade pública e alguém tem de responder pelos incêndios que estão ocorrendo no Pantanal”, disse.

Ao contrário do convite, que pode ser ignorado, faltar sem justificativa a uma convocação da Câmara ou do Senado é crime de responsabilidade de ministros. Procurado, por meio da assessoria de imprensa do ministério, Salles afirmou que “com certeza” pretende participar de audiência na Câmara, sem fornecer mais detalhes. Na ausência de Salles, outros técnicos e dirigentes do ministério acabam escalados para dar explicações, como o secretário-executivo Eduardo Lunardelli Novaes, que se tornou alvo dos parlamentares da oposição. “Eduardo Lunardelli Novaes é de uma tradicional família de zebuzeiros, é um produtor rural no MMA. O delegado da Polícia Federal falou a esta comissão que os incêndios são de natureza criminosa, de fazendeiros que, eventualmente, desmataram parte de suas reservas, e o senhor fala aqui apenas de aspectos climáticos [como causadores das queimadas]?”, questionou Paulo Teixeira (PT-SP). Na comissão da Câmara, como deveria se esperar, também não faltam falas acusatórias ou irônicas em referência à fala de Salles, de que iria “passar a boiada” nas normas ambientais. O líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), defende uma atuação mais incisiva do colegiado. “Nós temos procurado fazer uma comissão que cumpra seu dever de fiscalização e controle, e isso impede que ela seja uma comissão chapa-branca”, afirmou. “É uma comissão que tem de ser firme, rigorosa. Não dá para fazer uma comissão e ficar passando pano para incompetências do governo. Não é uma comissão para ficar batendo palma para o governo com o Pantanal ardendo em chamas.”” [Folha]

E Guedes resolveu falar absurdos para investidores gringos:

“O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira, 19, que as críticas feitas ao governo brasileiro em relação à má gestão ambiental e ao aumento das queimadas são um exagero e uma narrativa dos “perdedores da eleição.” “Essa história de matar índios e queimar florestas é um exagero”, afirmou durante participação do evento online US-Brazil Connect Summit, organizado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos.A Amazônia não queimou em um ano e meio, se algo está errado foi pelos últimos 30 anos”, disse o ministro. [Estadão]

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Para o governo tudo começou a degringolar há 3 décadas, de 88 pra cá. Bolsonaro fala isso, os generais falam isso e agora o Guedes. Sabe como é, da redemocratização rpa cá deu tudo errado, bom era naquele período que o cretino do Toffoli classifica como MOVIMENTO. Malditos milicos!

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8. Mandetta e o três-oitão

Não é só o Mandetta que escreve livros…

“Um ex-auxiliar de Luiz Herique Mandetta relata em livro que, na véspera de sua demissão, o ex-ministro fez um desabafo e deixou escapar que gostaria de atirar nos filhos do presidente Jair Bolsonaro. Ugo Braga, diretor de Comunicação do Ministério da Saúde na gestão de Mandetta, descreve com detalhes reuniões, ligações telefônicas e incêndios apagados pela comunicação da pasta durante a fritura do ex-ministro por Bolsonaro. “O presidente é bom, é bem-intencionado. O problema é aqueles filhos dele, que ficam o dia inteiro xingando nas redes sociais. Sorte que eu não mexo com essas coisas…”, teria dito Mandetta em 15 de abril deste ano, um dia antes de ser exonerado. “Minha vontade é pegar um trezoitão e cravar neles. Pelo menos passava a minha raiva”.” [Folha]

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Muito bem intecionado, né, Mandetta?!

“Braga ainda relata o apoio da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. “Eu estou ligando para dizer que meu coração está triste pela sua saída, viu?”, teria dito a Mandetta. O ex-ministro diz não se lembrar dos fatos narrados. E afirma que, em meio à epidemia, os filhos do presidente não faziam parte de suas principais preocupações. O livro “Guerra à Saúde” (LeYa) está em pré-venda e será lançado em 10 de novembro.”

Para seu livro a memória tava uma beleza…

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9. Covid-17

Presidente sabotando vacina em plena pandemia, não dá pra bad trip ficar pior:

“O governador João Doria (PSDBm) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) articulam uma espécie de “vaquinha” entre entes da Federação para garantir a aquisição em massa da vacina chinesa (coronavac) contra a covid-19, caso não haja ajuda federal. A ideia é passar o chapéu via consórcios de governadores da região amazônica, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste e também entidades de municípios, sem ajuda de Jair Bolsonaro. Doria, Randolfe e o secretário da Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, terão audiências em Brasília na próxima semana. O temor é de que Eduardo Pazuello insista em um calendário de vacinação considerando apenas o imunizante de Oxford (governo federal). O conselho de secretários reagiu, como a Coluna antecipou, e pediu inclusão da Sinovac (governo de São Paulo). Elcio Franco, secretário executivo do ministério, recuou: não descarta a compra da chinesa. Mas, mesmo assim, para os envolvidos nas negociações, nada ainda é certo.[Folha]

E nós éramos ridiculamente felizes e não sabíamos:

Saudades, a mais desmedida das saudades.

A Secom publicou algo sobre a necessidade de uso de CPF para tomar a vacina da pandemia e logo apagou depois dos bolsonaristas surtarem, claro:

“O presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar nesta segunda-feira que o governo não vai obrigar os brasileiros a tomarem a vacina contra o novo coronavírus. Bolsonaro disse que essa decisão é do Executivo federal e o ministro da Saúde, Edurado Pazuello, “já disse que não será obrigatória essa vacina e ponto final”. — O Programa Nacional de Vacinação, incluindo as vacinas obrigatórias, é de 1975. A lei atual incluiu a questão de pandemia lá, mas a lei é bem clara: quem define isso é o ministério da Saúde, e o meu ministro da Saúde já disse que não será obrigatória essa vacina e ponto final — afirmou. Em seguida, sem mencionar nomes, o presidente criticou um governador que, segundo ele, “está se intitulando o médico do Brasil”. — Tem um governador ai que está se intitulando o médico do Brasil, dizendo que ela será obrigatória — repito que não será —. Da nossa parte, a vacinação, quando estiver em condições de, depois de aprovada pelo Ministério da Saúde e com comprovação científica, e assim mesmo tem que ser validada pela Anvisa, dai nós ofereceremos ao Brasil, de forma gratuita, obviamente, mas repito: não será obrigatória — afirmou.” [O Globo]

O Doria irrita tanto Bolsonaro que eu até começo a simpatizar com o Doria. Mentira.

“Na sexta-feira, Doria anunciou que, quando estiver disponível, a vacina contra a Covid-19 será obrigatória em todo o estado e apenas pessoas com atestado médico poderão ser liberadas de receber o imunizante. — Em São Paulo a vacinação será obrigatória, exceto para quem tenha orientação médica e atestado médico de que não pode tomar a vacina. E adotaremos medidas legais se houver contrariedade nesse sentido — disse Doria. A um apoiador que falou que a vacina estava sendo “feita nas coxas” e questionou “quem é que vai tomar uma desgraça dessas?”. Bolsonaro afirmou que é necessário ter comprovação científica para poder usá-la. — É, tem que ter comprovação científica, o país que tá oferecendo essa vacina tem que primeiro vacinar em massa aos seus, depois oferecer para os outros países. Assim muita coisa é até na área militar: você só consegue vender um produto bélico para outro país depois que você usar em seu território e, de forma comprovada, mostrar sua eficácia — disse.”

Ué, cloroquina não tem coimprovação científica?!

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O problema é a China e o Doria, claro

“O Instituto Butantã informou nesta segunda-feira, 19, que os testes brasileiros da vacina coronavac, desenvolvido em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, mostram que o imunizante é o mais seguro entre todos os testados no Brasil por apresentar o menor índice de efeitos colaterais. Os dados levam em conta o acompanhamento de 9 mil voluntários brasileiros já vacinados no País. No monitoramento feito após sete dias da aplicação, os pesquisadores observaram apenas efeitos colaterais leves, como dor no local e na cabeça. Não houve registro de efeitos colaterais graves nem febre alta. “Fizemos o comparativo desses dados com o que está disponível na literatura científica das vacinas que estão sendo testadas. A vacina Butantã é a mais segura. Todas tiveram efeitos colaterais grau três, que são os mais importantes. A vacina Butantã não teve. Febre é outro indicativo importante, e na Butantã foi 0,1%. Em febre acima de 38, foi zero. É a vacina mais segura neste momento, não no Brasil, mas no mundo”, disse Dimas Covas, diretor do Butantã. “O sintoma mais frequente foi dor no local, num patamar de 18% entre todos os que receberam placebo ou vacinado. E outras reações insignificantes do ponto de vista estatístico. O outro foi dor de cabeça, que pode estar relacionada com a vacina ou não. E os demais efeitos são menores que 5%, mialgia, fadiga, calafrios e assim por dia”, completou o cientista. Conforme antecipado pelo Estadão em reportagem publicada no domingo, 18, embora os testes no Brasil comprovem a segurança da coronavac, os dados de eficácia do imunizante só devem sair no fim do ano. Depois da conclusão dos testes, o Butantã terá que enviar os resultados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para solicitar o registro do produto. O órgão tem até dois meses para emitir um parecer, o que torna improvável que a vacinação tenha início ainda em 2020, como já prometido por Doria.” [Estadão]

E as chances duma vacina comunista são grandes, viado!

“O diretor do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês) Kirill Dmitriev espera que o registro da vacina russa Sputnik V no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya e em fase 3 de ensaios clínicos, seja apresentado em dezembro. A vacina russa deve ser produzida no país em parceria com a farmacêutica União Química. O governo da Bahia já realizou a compra de 50 milhões de doses, a serem entregues diretamente do instituto russo. O governo do Paraná também firmou acordo para produção da vacina, que inclui transferência de tecnologia. Ainda não há informações se o governo federal irá firmar um acordo com a Rússia para disponibilizar a vacina no SUS. A informação foi anunciada durante uma entrevista à imprensa nesta segunda-feira (19). Além do Brasil, a Rússia pretende firmar acordos com outros países na América Latina para produzir doses da Sputnik V, dentre eles a Argentina, o Uruguai, Peru e México.” [Folha]

Fiesta De Comunistas GIF - Comunismo Comunista Rojo GIFs

E temos mais um especialista americano dizendo que a vacina no país mais rico do mundo só vai rolar no final de 2021:

“A leading US infectious-disease expert warned Sunday that the next three months might be the “darkest of the entire pandemic,” citing what he described as a “major problem in messaging” related to COVID-19. “We do have vaccines and therapeutics coming down the pike,” Dr. Michael Osterholm, the director of the Center for Infectious Disease Research and Policy at the University of Minnesota, said on NBC’s “Meet the Press” on Sunday. “But when you actually look at the time period for that, the next six to 12 weeks are going to be the darkest of the entire pandemic.” Osterholm told the “Meet the Press” host Chuck Todd that despite some progress, “vaccines will not become available in any meaningful way until early to third quarter of next year.” “And even then, half of the US population, at this point, is skeptical of even taking the vaccine,” Osterholm said. “So what we have right now is a major problem in messaging.” “Friday, we had 70,000 cases, matching the largest number we had seen back during the really serious peak in July,” he said Sunday. “That number, we’re going to blow right through that. And between now and the holidays, we will see numbers much, much larger than even the 67,000 to 75,000 cases.” Osterholm emphasized the need for leadership in the form of a “good story” that “is more than just science. According to a tally from Johns Hopkins University, the US had recorded more than 8.1 million cases of COVID-19 and at least 219,000 deaths as of Sunday. According to the data, more than 57,000 new cases of the virus were reported in the US on Saturday.” [Business Insider]

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10. Eleições

Vai dar merda, vai dar merda, vai dar merda vai, vai dar merda vaaaaaaaaaaaiiii!

“Na coluna passada, argumentei que o fortalecimento do centrão pode estar se dando em um momento decisivo para a democracia brasileira: a provável redução do número de partidos causada pela proibição de coligações em eleições proporcionais. Os partidos fisiológicos podem estar mais fortes justamente no momento em que a sobrevivência de cada legenda deve depender mais de seu tamanho atual. Matéria de João Pedro Pitombo e Guilherme Garcia publicada na Folha de sexta-feira mostrou que o risco disso acontecer é real. Segundo a análise de Pitombo e Garcia, as migrações de vereadores eleitos em 2016 para outros partidos em 2020 mostram que os candidatos já estão fazendo escolhas na nova estrutura de incentivos. Isto é, escolheram candidatar-se por partidos maiores, com perspectivas melhores de sobreviverem à cláusula de barreira e conquistar fatias maiores do financiamento eleitoral. Era exatamente isso que os cientistas políticos esperavam que acontecesse. As coligações partidárias em eleições proporcionais sempre foram vistas como uma das causas do grande número de partidos existente no Brasil. Partidos pequenos podiam se aproveitar da votação dos partidos maiores para eleger deputados. As consequências disso podem ter sido importantes: imaginem o que teriam sido os governos do PSDB e do PT se suas bancadas fossem maiores e a necessidade de cooptar aliados fisiológicos fosse menor. A reforma da legislação aprovada pelo Congresso foi portanto, inequivocamente, uma boa ideia.

Mas ela pode ter menos efeitos positivos, ou pode demorar mais do que se esperava para gerar efeitos positivos, porque as outras ideias que venceram na política brasileira nos últimos cinco anos foram todas muito ruins. Nos últimos anos, a onda antipolítica causou grandes perdas para os partidos mais consistentes —que aceitam passar longos períodos na oposição, sem acesso à máquina pública— como o PT e o PSDB. Eles chegam nesse início de processo de consolidação fracos. Nos dados da matéria da Folha, vê-se que o PT se manteve estável desde 2016, mas 2016 foi sua pior eleição em muitos anos. O PSDB perdeu 11% de seus vereadores desde as últimas eleições. A única exceção entre os grandes partidos é o DEM, que cresceu 52%, um número muito expressivo. Mas alguns dos partidos que mais receberam novos candidatos a vereador foram, segundo a reportagem, os partidos de centro-direita que sempre venderam seu apoio a qualquer governo. O PP cresceu 30%, o PSD de Kassab também cresceu, o MDB permaneceu estável mesmo depois do desempenho ridículo de 2018. É impossível, inclusive, descartar a hipótese de que o DEM tenha crescido, em parte, porque voltou a se aproximar do perfil centrão. No geral, isso não era o que torcíamos que acontecesse quando o número de partidos caísse. Queríamos que PT e PSDB não precisassem mais comprar o PP, ou que PT e PSDB fossem substituídos por partidos melhores. Não queríamos que o PP substituísse o PT ou o PSDB como grande legenda. Será bom se o número de partidos cair. Mas não é irrelevante saber quais deles sobreviverão. Se a tendência atual persistir, restarão de pé justamente os que tiveram mais disposição para se vender. A antipolítica pode ter matado a renovação que a política tradicional poderia ter trazido.” [Folha]

Um bom retrato das eleições:

“Esta é uma eleição de continuidade. Pelo menos é o que aponta a primeira rodada de pesquisa Ibope para a prefeitura das 26 capitais do país, completada na sexta-feira. Das 13 cidades onde os atuais prefeitos tentam um novo mandato, em 11 são eles que lideram no ranking de intenção de voto.” [Folha]

E o Crivella com espantosos 12% dos votos…

“Já no campo partidário, as legendas de centro estão se saindo melhor, enquanto no campo de esquerda o PSB emerge como principal força política até agora.”

E não está fácil para o PT.

“O panorama da liderança nas 26 capitais segundo o Ibope mostra que somente Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, e Nelson Marchesan (PSDB), em Porto Alegre, estão distantes de figurar no topo, mas podem alcançar um eventual segundo turno, pois figuram tecnicamente empatados na segunda posição. Em suma, os candidatos à reeleição conjugam uma boa aprovação da gestão entre ótimo/bom e estão na cabeça do eleitor, uma vez que pontuam bem na pergunta espontânea, aquela em que o eleitor diz, sem ser apresentado aos nomes do candidatos pelo entrevistador. Especialistas têm dito que a pandemia ajudou os prefeitos a aumentaram a visibilidade. Já mandatários que saíram mal avaliados do período mais crítico da crise sanitária terão maior dificuldade na campanha. Além disso, foram eles que formaram as maiores coligações, numa eleição com recorde de candidaturas. Ou seja, em grande maioria, contam com maior tempo de rádio e TV, além de maior acesso ao fundo partidário. Alguns, porém, enfrentam o desafio de ter uma rejeição alta, o que pode pesar no segundo turno. A ausência de debates na televisão na maioria das cidades e o curto espaço de campanha joga a favor dos candidatos à reeleição.Sem espaços para que os novos possam desconstruir os candidatos da situação e construir uma oposição, fazer-se conhecido fica cada vez mais restrito aos neófitos. Fora com as limitações causadas pela pandemia de Covid-19 nas campanhas de rua. Há ainda um medo de arriscar com o “novo”, diferentemente das eleições de 2016 e 2018. O cenário mais confortável é registrado em Belo Horizonte (MG), onde o prefeito Alexandre Kalil (PSD) seria eleito no primeiro turno se a votação fosse hoje. Segundo o Ibope, ele figura com 59% das intenções de voto dos eleitores. Além disso, sua gestão é rejeitada por apenas 13%.

Outro que encaminha uma eleição em primeiro turno é Gean Loureiro, em Florianópolis (SC). Além de ter 44% das intenções de voto, tem saldo de popularidade de 49 pontos — com 59% de ótimo ou bom e apenas 9% de ruim ou péssimo. Loureiro é um dos cinco políticos do DEM na liderança nas capitais, partido que sai como protagonista na primeira rodada da pesquisa. Em que pese a liderança do MDB, com seis candidatos no topo, o DEM figura na liderança isolada em quatro capitais e em mais uma está em empate técnico. Seu parceiro histórico de alianças, o PSDB está na ponta com quatro candidatos. Se o centro tem o MDB, DEM e o PSDB como principais forças na fotografia de momento, a esquerda vê o PSB ocupando o espaço no campo progressista. Em nove capitais, candidatos de legendas como o PSB, PT, PDT , PSOL e PC do B figuram na liderança das pesquisas. Destes, em quatro há um pessebista na liderança. É o dobro do PT, que optou por lançar candidaturas isoladas em metade das cidades do país para “recuperar o prestígio”, segundo o ex-presidente Lula. Apenas em duas capitais — Vitória, com o ex-prefeito José Coser, e Fortaleza, com a deputada federal Luziane Lins — o partido figura numa liderança, mas empatado tecnicamente com outros candidatos. E nas principais capitais do país, o PT está patinando. Em entrevista à Revista Época na última semana, Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, afirmou que identifica nas pesquisas a mágoa do eleitorado contra o PT. Márcia afirma que ainda não será nesta eleição que o PT vai conseguir se recuperar em termos de imagem, após a devassa nas urnas em 2016. No caso petista, cientistas políticos afirmam que o fator “Lula” pode fazer diferença, mesmo com essa não sendo uma eleição dos “padrinhos”. Em alguns casos, pode ser ele a única chance de congregar eleitores para chegar num eventual segundo turno. Mesmo que isso signifique afastar parcela do eleitorado. No caso da capital paulista, dois em cada cinco eleitores. Em São Paulo, o petista Jilmar Tatto oscilou positivamente na pesquisa divulgada na quinta, passando para 4% nas intenções de voto. No primeiro levantamento, divulgado no dia 8 de outubro, ele figurava com apenas 1% na pesquisa. No entanto, o apoio do ex-presidente pode não ser garantia de sucesso. No Rio, a petista Benedita da Silva manteve os 7% de intenção de voto entre as duas pesquisas do instituto. O mesmo ocorreu no Recife, com Marília Arraes mantendo 14% entre os dois levantamentos, e em Belo Horizonte, onde o ex-deputado federal Nilmário Miranda oscilou negativamente de 2% para 1%. Dinheiro não falta no bolso do partido para gastar em campanhas, um dos que mais irá receber recursos do bilionário fundo especial de campanha, ao lado do PSL, este último ausente de qualquer topo na corrida pela prefeitura das 26 capitais do país. Por isso, se a aposta é na polarização, tudo indica que ela está distante de se repetir.”

E o PT precisa desesperadamente pensar pra daqui a 2, 3 eleições, olha o tamanho do buraco:

“No início da última semana, Jilmar Tatto (PT) foi a uma igreja na zona sul de São Paulo, seu reduto eleitoral. Era um ato de campanha, mas não apareceram eleitores nem militantes na saída da missa. Horas depois, os dirigentes da sigla reclamaram da falta de apoio da base petista ao candidato, segundo relato da repórter Catia Seabra. A vida não anda fácil para o PT a menos de um mês das eleições municipais. Em 16 das 21 capitais em que tem candidato, a legenda não chegou a 10% das intenções de voto nas últimas pesquisas. Só dois nomes disputam a liderança —Luizianne Lins (Fortaleza) e João Coser (Vitória). Os dados do Ibope sugerem que o partido enfrenta uma barreira inicial naquela que havia se tornado uma das principais bases políticas da sigla: o eleitorado de baixa renda. Nesse grupo, a corrida começou marcada pelo desinteresse e pela ascensão de outras candidaturas. Na disputa paulistana, Tatto subiu na última pesquisa, mas só marca 6% entre os eleitores mais pobres. Seu rival ali não está na esquerda, com Guilherme Boulos (PSOL). Quem lidera é Celso Russomanno (Republicanos), que anota 33% naquela faixa. Nessas eleições, não são raros os petistas que largaram com desempenho melhor entre os mais ricos. No Recife, Marília Arraes marca 18% no topo da pirâmide e 12% na base. O mesmo acontece em Manaus, onde Zé Ricardo aparece com 17% no primeiro grupo e 8% no segundo. Em Salvador, Major Denice tem o triplo de intenções de voto na alta renda. A situação é diferente em Fortaleza. Luizianne Lins aparece com 30% entre eleitores com renda de até um salário mínimo. Mas na faixa seguinte, de um a dois salários, a petista cai para 17% e é superada pelo bolsonarista Capitão Wagner (Pros). O desgaste do PT e a memória distante dos governos do partido explicam parte dos números. A apatia é outro fator relevante. No Rio, Benedita da Silva tem 9% entre os mais pobres, empatada com Marcelo Crivella (Republicanos). Outros 28% declaram voto em branco ou nulo.” [Folha]

E olha o naipe da matéria em que Tonho da Lua me aparece…

“Quando Nirdo Artur Luz, o Pitanta, 66, disputou sua primeira eleição para a Câmara Municipal de Palhoça (22 km de Florianópolis), Lula era um um líder sindical em ascensão, Jair Bolsonaro estava na Academia Militar das Agulhas Negras e o presidente da República era Ernesto Geisel. O ano era 1976, Pitanta tinha 19 anos e acabara de se filiar à Arena, partido de sustentação ao governo durante a ditadura militar. “Quem me elegeu pela primeira vez foi a minha mãe. Ela tinha amizade com políticos e me fez o vereador mais votado de Palhoça”, lembra. Desde então, Pitanta disputou e venceu todas as eleições para vereador na cidade, cumpriu 11 mandatos consecutivos e neste ano disputa a reeleição. Ele, assim como outros políticos espalhados pelo país, faz parte do time dos “eternos vereadores”, que se reelegem consecutivamente. A Folha fez um levantamento dos vereadores que mais se reelegeram nas Câmaras Municipais do país entre 2000 e 2020, período do qual o Tribunal Superior Eleitoral possui dados digitalizados e confiáveis. Desde então, o país elegeu 178.085 vereadores, dos quais 2.129, ou 1,2% do total, venceram as últimas cinco eleições para as Câmaras Municipais. Nas capitais, 32 vereadores permanecem em mandato há pelo menos 20 anos e são considerados os decanos das Casas Legislativas. O mais famoso deles é Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu vereador no Rio de Janeiro pela primeira vez em 2000, quando tinha 17 anos. Naquela eleição, ele enfrentou a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, que havia se separado do já deputado federal Bolsonaro e havia cumprido mandatos na Câmara por duas legislaturas. Nesta eleição, Carlos e a mãe serão candidatos à vereança mais uma vez. Na cidade de São Paulo, são sete vereadores com pelo menos cinco mandatos. Entre eles estão Milton Leite (DEM) e Arselino Tatto (PT), que renovam mandatos desde 1996 e já foram presidentes da Câmara Municipal.

Em Salvador e São Luís, os decanos das Câmaras têm em comum o fato de serem fiéis governistas, independentemente do prefeito eleito. Vereador desde 1992 na capital baiana, Alfredo Mangueira (MDB), 71, apoiou todos os prefeitos nos últimos 28 anos, incluindo grupos políticos antagônicos como o de Lídice da Mata (1993-1996) e o de ACM Neto (2013-2020). “Coincidentemente, os partidos aos quais eu estava filiado sempre estavam na base aliada do prefeito. Sempre votei a favor dos projetos da prefeitura”, afirma o vereador. Com uma base eleitoral forte na Liberdade, um dos bairros com maior concentração de negros da capital baiana, Mangueira chegou a ser presidente da Câmara em 2011, mas abdicou do cargo depois de menos de uma semana. Na época, reportagens do jornal A Tarde revelaram as ligações do vereador com o jogo do bicho. Em sua defesa, ele afirmou ao mesmo jornal que estava afastado da contravenção havia mais de dez anos. Mangueira diz que deixou a presidência da Câmara porque não se adaptou: “Quando sentei na cadeira, achei que não era meu ritmo”. Este ano, ele disputa sua oitava eleição consecutiva para vereador. E não pensa em parar: “Enquanto tiver saúde, sigo na política”. Em São Luís, o decano é o vereador Astro de Ogum, que cumpre mandatos consecutivos desde 2000. Ele tem trajetória partidária peculiar: começou no PDS, partido de sustentação à ditadura militar, passou por outras seis legendas até se filiar ao PC do B, partido do governador do Maranhão, Flávio Dino. Nas cidades menores, há Câmaras Municipais com pouca renovação nas últimas duas décadas. É o caso das cidades de Maravilha (MG) e Jataúba (PE), que reelegeram quatro vereadores em todas as eleições desde 2000. Na cidade mineira são nove vagas na Câmara, na pernambucana são 11. A Câmara que teve menor renovação, contudo, foi a de Wall Ferraz (PI): nada menos que cinco dos nove vereadores estão no cargo desde 2000, renovando os mandatos em quatro eleições seguidas.” [Folha]

E a famiglia faz tudo em dinheiro vivo, é impressionante:

O presidente Jair Bolsonaro fez uma doação irregular em dinheiro vivo para a campanha deste ano de reeleição de seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. De acordo com dados disponibilizados pelo candidato ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o presidente fez um depósito de R$ 10 mil em espécie na conta da campanha do vereador. A prática, da forma como descrita, contraria resolução do ano passado do TSE sobre regras para as doações eleitorais. Segundo o tribunal, contribuições em dinheiro acima de R$ 1.064,10 só podem ser feitas mediante transferência bancária ou cheque cruzado e nominal.” [Folha]

Tonho da Lua pediu desculpas e devolveu o dinheiro. Provavelmente em dinheiro vivo.

E pra fechar o tópico, a Michelle Bolsonaro apóia a candidatura a vereador do Diego Hipolyto, ex-ginasta, tá lá em destaque no instagram dela.

Não é só o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que deixou para trás a própria ordem de não se envolver nas eleições municipais de 2020. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e filhos do mandatário também entraram na campanha fazendo propaganda para candidatos em suas redes sociais. Em sua conta verificada no Instagram, Michelle apresenta três candidatos a vereador: Diego Hipolyto (PSB), em São Paulo, Patrick Dorneles (PSD), em Campina Grande (PB), e Anderson Bourner (Republicanos), no Rio de Janeiro, onde o enteado Carlos Bolsonaro (Republicanos) disputa uma cadeira de reeleição na Câmara Municipal.” [Folha]

E pra tornar tudo mais absurdo Diego concorre pelo PSB, de esquerda. Pelo visto a Michelle peita mais Bolsonaro que os generais do palácio…

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11. Bolsonaro Vs Globo

Ótimo texto do Juca Kfouri, os números são espantosos:

“Durante anos a Globo pagou pelo futebol mais do que o futebol valia. Eram tempos de fartura nos negócios e de Marcelo Campos Pinto no comando das operações, mais interessado em agradar os vendedores dos direitos do que seu empregador. Com isso ganhou fama de adorável e competente negociador, com todos os benefícios daí provenientes. Hoje trabalha para a Federação Estadual do Rio de Janeiro, embora em recente entrevista tenha previsto a morte de campeonatos como o carioca. Para que a rara leitora e o raro leitor tenham uma ideia, a Globo pagava 60 milhões de dólares por três anos de contrato para ter os direitos da Libertadores, quantia que pagava à Fox, herdeira da PSN depois que o Fifagate varreu também a Conmebol. A confederação sul-americana, alijados seus cartolas pelo escândalo, tratou de renovar sua imagem e suas negociações. Em busca de face ética contratou uma empresa, que abriga em sua sede, e apresentou pacote em que pedia estratosféricos 1,35 bilhão de dólares, evidentemente fora de propósito, ainda mais sob as condições econômicas que assolam o planeta. Negocia pra lá, negocia pra cá, a Globo aceitou pagar 60 milhões de dólares por ano num pacote pior do que tinha, mas com cláusula de renegociação caso o torneio fosse interrompido, como aconteceu devido à pandemia do novo coronavírus. E pediu 25% de desconto, proposta não aceita pela Conmebol. A entidade foi à luta, ofereceu por 20 milhões os mesmos direitos pelos quais a Globo estava disposta a desembolsar 45 milhões, e acabou fechando por 12, com o SBT. Difícil entender sem que haja gato na tuba, não?” [Folha]

Caralho, fiquei zonzo. 60 milhões de dólares, mais de trezentos milhões de reais, por UM ano e os caras recusaram!

“Aí, chegamos aos jogos da seleção brasileira no Brasil nas Eliminatórias, adquiridos pela Globo, assim como os da Argentina, os primeiros junto à CBF e os segundos com a AFA. Em regra, os demais jogos fora do país com as oito seleções restantes custavam 300 mil dólares. Eis que a pedida foi de simplesmente 20 milhões de dólares, 2,5 milhões por partida. A Globo, é óbvio, disse não e contrapropôs a metade, o que também foi recusado. Então, diante da crise econômica, da queda de interesse pela seleção, o que a raquítica audiência da TV Brasil demonstrou cabalmente, viveu-se o suspense, até poucas horas antes de peruanos e brasileiros entrarem em campo no Estádio Nacional de Lima, sobre onde se poderia ver o jogo na TV aberta. A solução está na Lei Pelé, e o dito canal público do governo federal pôs a partida no ar, com direito a vergonhoso culto à personalidade do autoritário de plantão. Depois da malsucedida Medida Provisória do Flamengo, ou do Mandante, foi dada nova estocada bolsonarista em sua guerra particular com a Globo. O torcedor está confuso e já prevenido que terá de pagar caro para ver futebol, os patrocinadores da CBF provavelmente não ficaram satisfeitos com a exposição pífia de suas marcas e a própria confederação, por mais interessada que esteja em bajular o poder, há de estar preocupada com a desvalorização de sua grife. E a Globo, em São Paulo, principal mercado do país, teve audiência quase dez vezes maior que a TV Bolsonaro, com a reapresentação da novela “A Força do Querer”. Como se sabe, esperteza demais engole os espertos. Estamos vendo uma guerra em que todos perdem, embora de acordo com a política do governo de a tudo destruir, algo que a própria Globo demorou a perceber.​”

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12. Economia em tempos de pandemia

“Ainda em meio à pandemia da Covid-19, os dados mais recentes da economia brasileira mostram uma retomada heterogênea não só em termos setoriais, mas também regionais —com destaque para os efeitos do auxílio emergencial na recuperação do Norte e do Nordeste. Na avaliação de economistas ouvidos pela Folha, são claros os sinais de que o auxílio inflou a economia dessas regiões na pandemia, principalmente o comércio, à medida em que ocorria a flexibilização das medidas de isolamento social. O IBGE mostra, por exemplo, que em 15 dos 16 estados do Norte e Nordeste o comércio explodiu e já ultrapassou com sobras o nível pré-pandemia. O economista Thiago Moraes Moreira, consultor em planejamento e professor da pós-graduação do Ibmec, destaca que, desagregando o país em dois subgrupos, é possível ver que a expansão do comércio varejista, de abril a agosto, foi de 51% no consolidado Norte e Nordeste, mas no Centro-Sul-Sudeste foi de 27%. À exceção da Bahia, os estados nordestinos com indústria pesquisada pela IBGE também registraram crescimento em meio à pandemia. O Amazonas já recuperou, com sobras, as perdas do período. O mesmo ocorreu com Pará, Ceará e Pernambuco. Nos demais estados do país, retomada semelhante só foi vista em Minas Gerais e Goiás. O setor de serviços, por outro lado, segue penando para retomar o nível pré-crise, assolado pela dificuldade dos serviços prestados às famílias. A ausência de uma vacina para Covid-19 ainda limita o deslocamento das pessoas para bares, restaurantes, hotéis e viagens de turismo.

Em todo o país, apenas o Amazonas recuperou o patamar visto antes da pandemia. O estado havia sido um dos primeiros a sofrer com o coronavírus, com recorde de mortes e chegando a ser um dos epicentros no país, com maior taxa de incidência da doença. O professor de economia Luiz Roberto Coelho, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), afirma que o auxílio emergencial foi essencial nas regiões Norte e Nordeste para garantir o básico para as famílias que não tinham trabalho certo e ficaram sem opção de ganhos no pico do isolamento social. “Com o dinheiro na mão, as pessoas pagam as contas e recuperam o consumo, principalmente de alimentos”, diz. Mas R$ 600 pode ser um valor alto para o baixo padrão de vida visto em muitas dessas regiões. Moreira, do Ibmec, lembra que a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, de 2018, mostrava que 41% da população da região Norte vivia com menos de R$ 420 por mês. No Nordeste, essa fatia representava 44% da população. No restante do país, não passavam de 16% os que estavam nessa faixa de renda. A Tendências Consultoria aponta que o auxílio teve um grande impacto nessas camadas mais pobres. Fez a massa de rendimentos dos nortistas e nordestinos crescer em ritmo bem mais acelerado do que em outras regiões. A estimativa é que a alta seja de 16,7% no Norte e 13,6% no Nordeste, caindo para 2,1% no Sul, 2% no Centro-Oeste e 1,8% no Sudeste. “A massa de renda total [considerando renda do trabalho, Previdência, transferências e outras rendas] dessas regiões Norte e Nordeste deve crescer dois dígitos este ano com a injeção dos recursos do auxílio, mais que compensando a perda da massa de renda do trabalho”, observa Camila Saito, economista da Tendências. De acordo com o IBGE, essa renda extra provida pelo auxílio de R$ 600 pode ter contribuído para o crescimento das vendas no comércio. Nesse caso, parte do benefício teria ajudado as famílias a bancar a compra de utensílios domésticos e a renovação da infraestrutura da casa com pequenas obras, por exemplo.” [Folha]

Imagine aí quando o auxílio se for, Bolsonaro deve desesperar só de pensar nisso.

“A percepção é reforçada quando se cruzam dados de liberação do benefício e desempenho da economia local. No Amapá, estado que percentualmente foi o mais beneficiado pelo auxílio emergencial, 71,4% dos domicílios receberam o benefício em agosto. Neste mesmo mês, o varejo local teve um desempenho recorde. As vendas ficaram 44% acima do demonstrado em fevereiro, último mês antes da pandemia levar o país ao distanciamento social. No Maranhão, segundo estado com maior adesão percentual ao auxílio, com 65,5% dos domicílios cadastrados, o comércio cresceu 26,7% entre fevereiro e agosto, mesmo diante da queda inicial de março e abril, com o fechamento de lojas, bares e restaurantes. O Pará, terceiro mais beneficiado —64,5% das residências contaram com o benefício—, viu o setor de varejo superar as perdas na pandemia em 18%. O professor de economia Écio Costa, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), estudou o efeito do auxílio emergencial e identificou resultados impressionantes. Algumas famílias que tinham renda muito baixa passaram a receber até R$ 1,8 mil com o benefício, já que a mulher se declarava chefe da casa e ainda tinha algum parceiro, que também recebia os R$ 600. De uma hora para outra, isso possibilitou a compra de alimentos, itens de higiene pessoal e material de construção civil, antes inacessíveis, com impactos importantes na economia de várias cidades. Costa cita como exemplo Santarém Novo, no Pará. “O dono de um açougue da cidade abriu uma farmácia, pois ganhou muito dinheiro vendendo carne às famílias que não consumiam carne bovina antes. Muitas das habitações mais humildes do município passaram por reformas. Tudo isso fruto do auxílio”, afirma.Apesar de reconhecer os benefícios sociais do programa, Otto Nogami, economista do Insper, pergunta se não houve problemas no desenho do auxílio, uma vez ele que gerou artificialismos na economia. “Existe uma questão discutível: o auxílio foi criado para auxiliar pessoas sem renda”, afirma. “Mas acabamos percebendo que um grande número de beneficiados usou o recurso para reformar casa, trocar eletrônicos, e assim por diante —e esse movimento fez com que o comércio se recuperasse mais forte em alguns lugares onde esse movimento pode não persistir”, afirma. Os líderes em desemprego do Brasil, por exemplo, são Bahia e Sergipe, com 19,9% e 19,8% de desocupados. Em ambos os estados, o varejo já recuperou o nível pré-crise.

E vai entender uma porra dessa – quer dizer, dada a equipe econômica e seu chefe estranho seria se o real se valorizasse:

“O Brasil vive hoje uma anomalia, afirma o economista Alexandre Mendonça de Barros. Há uma forte demanda chinesa por matérias-primas —ou commodities, para usar o termo em inglês comum no mercado. Assim os exportadores brasileiros, especialmente os de produtos agrícolas, têm sido beneficiados por um verdadeiro mini boom na demanda. Ao mesmo tempo, porém, o real sofre uma violenta desvalorização —mas deveria ocorrer o contrário. “Quando a commoditie sobe de valor, e você tem um ganho de termos de troca, em um regime de câmbio flexível o real se valoriza. Só que o real não está se valorizando”, diz ele. Essa situação exótica, afirma o economista, indica que boa parte do ganho com as exportações não está sendo trazida para o Brasil. Uma parcela foi usada para pagar dívidas, afirma. Outra, porém, simplesmente fica lá fora.” [Folha]

Vamos à entrevista:

“A gente diz que o Brasil está vivendo um choque de termos de troca, porque os produtos que nós exportamos estão se valorizando. Na era Lula, naquele boom de commodities, muitos economistas calcularam que até um quarto do crescimento se devia a esse ganho nos termos de troca. Neste momento, porém, há uma anomalia no Brasil. Quando a commoditie sobe de valor, e você tem um ganho de termos de troca, em um regime de câmbio flexível o real se valoriza. Só que o real não está se valorizando. É como se o choque de commodities se ampliasse para dentro do país. Essa é uma coisa estranha.”

As razões:

“Primeiro, porque estamos com uma Selic de 2% e uma inflação que vai ser de 2,5%, 3% —portanto a taxa real de juro é negativa. Qual a implicação disso? Não há entrada de dólar para arbitrar diferencial de juros entre Brasil e EUA e Europa. A gente também está vendo que muitas empresas estão matando suas dívidas em dólar lá fora e tomando dívidas em reais. Ou seja, eu realizo a exportação, mas não internalizo o mesmo volume de dólares. A outra razão é que estamos indo para uma situação fiscal extremamente complicada. Isso eleva a percepção de risco e, com isso, o real se mantém depreciado.”

E o problemna não é s´po quebrar o teto não, mam a completa loucura que Bolsonaro e Guedes protagonizam.

“É uma das coisas mais impressionantes que eu já vi. Se você faz uma conta da renda bruta dos principais produtos agrícolas brasileiros, que representam quase 90% da renda agrícola, por quatro anos, de 2016 e 2019, ficou em R$ 500 bilhões. Neste ano, estou estimando R$ 660 bilhões. Se a safra do ano que vem for boa, pode ser R$ 750 bilhões. Estamos tendo um aporte de renda em dois anos, não só porque o preço em dólar subiu e o câmbio está depreciado, mas o fato é que é a primeira vez na história do país que você tem um choque de termos de troca relevante —porque o preço em dólar das commodities está subindo— e o real continua depreciado, o que mantém os preços em reais dessas commodities extremamente elevados, nos patamares mais altos já registrados…O que nos leva à política. A popularidade do governo aumentou muito, mas às custas de uma deterioração fiscal muito grande. E estamos à beira de uma decisão de prorrogar ou não os R$ 300 [do auxílio emergencial] para 2021. Acho que isso vai acontecer, o que vai complicar ainda mais o quadro fiscal, que não vai melhorar tão cedo. Ao contrário, pode sair de controle. Eu consigo ver esse ciclo durar um, dois anos. O ciclo de alta em dólar pode até ser um pouco mais. Mas é possível que, na hora em que a gente começar a subir a taxa de juros, o real comece a apreciar um pouco. Para 2021, não será assim, vamos continuar com real depreciado, porque a taxa de juros não deve subir tão rápido assim. São preços de commodities bem mais baixos em dólar que na época do Lula, mas com um efeito em reais muito significativo.”

E taí uma belíssima explicação sobre a alta dos preços:

“Antes da pandemia, o mundo vivia um choque agrícola sem precedentes, que foi o problema de peste suína africana que apareceu na China, a maior produtora de suínos do mundo. Veio a peste e dizimou 45% do rebanho suíno chinês. Por essa razão o preço do porco explodiu para o patamar mais alto da história. É a principal carne consumida pelos chineses, e isso fez com que eles tivessem de importar um volume absurdo de carne, o que bateu no boi e no porco brasileiro. Hoje, 40% a 45% do comércio mundial de suínos e 35% de bovinos vai para a China. Tem claramente uma demanda chinesa por falta de oferta de carne lá dentro. Ao mesmo tempo, um bom pedaço do que foi destruído do rebanho era porco de fundo de quintal, minifúndios, que não consumia ração. Essa recomposição é feita em cima de uma tecnologia de ração. Não é por outra razão que a demanda por soja explodiu. Os chineses já compraram a safra 2021, já alongaram as compras para a safra 2022, porque sabem que vão demandar muita ração. Se pensarmos em inflação, e já estamos nos níveis de preços mais altos da história em muitos produtos, eu não consigo ver repetir uma inflação de alimentos da magnitude de 12%, que é o que estamos projetando para este ano. Por outro lado, também não consigo ver devolver isso significativamente. Se as commodities subiram de preços, o mesmo vai acontecer para fertilizantes, químicos. Com o real depreciado, o custo de produção sobe. Para 2021, estou projetando uma inflação de alimentos de 4%, muito abaixo da atual, mas não é uma variação negativa.”

Sobre as consequência do auxílio:

“Não foi adequadamente avaliado o impacto que isso teve na inflação. Tem impacto duplo, porque ele estoura as contas públicas —o que bate no câmbio, e puxa o preço dos alimentos— e, ao mesmo tempo, você teve uma transmissão de preços no mercado interno extremamente elevada por um consumo mais forte. Não foi dado o devido peso ao coronavoucher na transmissão dos preços agrícolas. Como eu tenho renda, consigo transmitir internamente um nível de preço absurdamente alto. Consolido um quadro fiscal que gera excesso de demanda, que por sua vez gera escassez. No fundo, você estimulou o consumo acima do normal. Não houve alta de preços de alimentos durante as paralisações na maioria dos países. No nosso caso, no meio da recessão, os preços não pararam de subir, porque uma exportação muito agressiva se complementa com o voucher, e agora a terceira onda é subir preço em dólar com câmbio depreciado. É um choque de renda na economia brasileira muito grande.”

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13. Milícias

Hora de afetar surpresa:

“Um estudo inédito produzido por uma rede de pesquisadores de diversas instituições brasileiras traduziu em números a expansão do poderio das milícias no Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, estruturado a partir de denúncias recebidas pelo Disque-Denúncia, em 2019 os grupos paramilitares já controlavam 57,5% da superfície territorial da cidade, o que corresponde a 41 de 161 bairros. Mais de dois milhões de moradores estão sob o domínio dos milicianos. Isso significa que as milícias, que em sua configuração atual começaram a se desenvolver nos anos 2000, já ultrapassam em controle territorial facções do tráfico de drogas estabelecidas a partir da década de 1980, como o CV (Comando Vermelho), o ADA (Amigos dos Amigos) e o TCP (Terceiro Comando Puro). Nos últimos anos, alguns grupos paramilitares inclusive se associaram ao TCP.” [Folha]

Sim, mais do que superação há uma aliança entre milícias e quadrilhas, e isso depende muito da correlação de forçlas em cada região.

“Segundo a pesquisa, o CV, maior facção do Rio, tem 39 bairros sob o seu controle, uma extensão territorial de 136 km², ou 11% da cidade, e 1,2 milhão de moradores sob o seu domínio. A área em disputa também é significativa e corresponde a 25% do território, 52 bairros e 2,6 milhões de pessoas. Na Região Metropolitana, as milícias dominam um território com 3,6 milhões de habitantes, enquanto o CV controla áreas com 2,9 milhões de moradores. Os paramilitares têm 199 bairros, enquanto o Comando conta com 216. Os pesquisadores ainda não fizeram a análise percentual do território conquistado por cada grupo nessa região. As milícias são geralmente formadas por quadros das polícias Militar e Civil e dos Bombeiros. Na capital, se concentram principalmente na zona oeste. No estado do Rio, estão em especial na Baixada Fluminense. São fruto dos grupos de extermínio que tiveram seu auge na década de 1970. Em seu início, nos anos 2000, os grupos paramilitares obtinham lucros em cima da extorsão dos moradores de comunidades, por meio da venda de segurança, de gás e do acesso à TV por assinatura. Nos últimos anos, no entanto, as milícias estenderam seus tentáculos e hoje atuam também na construção e na venda de imóveis irregulares e até na cobrança de consultas em hospitais públicos.”

E publicamente o presidente da república SEMPRE apoiou milícias. Ele foi até mais longe, ele já elogiou grupo de extermínio!

O mapa dos grupos armados, divulgado nesta segunda-feira (19), é o primeiro a estabelecer e publicizar uma metodologia para essa pesquisa. Ele foi produzido pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF (Universidade Federal Fluminense), o datalab Fogo Cruzado, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, a plataforma digital Pista News e o Disque-Denúncia. Para chegar aos resultados, os pesquisadores filtraram cerca de 10 mil denúncias em um universo de quase 38 mil. Em seguida, criaram uma espécie de dicionário com termos que remetiam aos grupos criminosos. Definiram, também, três critérios para esses termos: controle territorial, controle social e atividades de mercado. A partir daí, foi estabelecido um sistema de pesos para caracterizar qual facção domina qual área. “É a primeira vez que está se construindo uma metodologia para tentar, ainda que com imperfeições, ter uma dimensão do controle territorial armado no Rio de Janeiro. Consideramos que é fundamental para pensar decisões, avaliações e análises sobre políticas públicas na área de segurança pública”, afirma o pesquisador Daniel Hirata, da UFF. O objetivo, segundo Hirata, é fazer do mapa uma plataforma aberta, estabelecendo diálogo com outros pesquisadores, promotores, delegados, e com a opinião pública em geral, para obter melhorias na metodologia. Essa é ainda a primeira etapa de um projeto maior. O próximo passo será analisar as denúncias recebidas nos anos anteriores, para entender a evolução da tomada dos territórios pelas milícias. O grupo também quer atualizar o mapa anualmente, para identificar mudanças na configuração. Hirata afirma que os pesquisadores imaginavam que as milícias teriam um grande controle territorial, mas diz que se surpreenderam com a extensão identificada. Para o sociólogo José Cláudio Alves, que estuda as milícias há mais de 20 anos, houve um “boom” desses grupos nos últimos quatro anos, a partir do desenvolvimento no país de um discurso de extrema-direita, voltado para políticas de proteção à população e mais duro no campo da segurança pública.

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“Até 2008, existia uma maior tolerância da opinião pública e dos políticos em relação aos grupos paramilitares. O cenário mudou quando dois jornalistas foram torturados por milicianos em uma favela na zona oeste do Rio e, em seguida, foi instalada a CPI das Milícias na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). José Cláudio avalia que, de 2008 a 2016, as milícias recuaram, se reestruturaram, mas nunca interromperam os crimes. Nos últimos anos, segundo o professor, os criminosos perceberam que existiam condições políticas favoráveis para trabalhar sua expansão. “As operações [das forças de segurança] sempre visando o tráfico, e nunca voltadas para a estrutura miliciana. [Os milicianos pensam] ‘aqui é o lugar para a gente crescer, vamos ganhar dinheiro e ter poder político’. São condições favoráveis politicamente, discursivamente, economicamente”, diz. Na semana passada, a um mês das eleições municipais, a Polícia Civil decidiu criar uma força-tarefa e realizou pelo menos sete ações contra as milícias. Em um intervalo de 24h, 17 suspeitos foram mortos. Em uma única operação, na noite da última quinta-feira (15), 12 homens apontados como milicianos foram assassinados. Nenhum era policial da ativa. A polícia afirma que os criminosos reagiram e que houve confronto, e informou que apenas um agente ficou ferido. Após a operação, integrantes da Polícia Civil passaram a se referir ao grupo como “narcomilícia” e ressaltar a suposta ligação desses milicianos com o tráfico. Para José Cláudio Alves, essa é uma forma de sugerir que os grupos paramilitares são integrados por civis, e não por agentes de segurança do próprio estado. “Estão empurrando para cima do tráfico a responsabilidade pelas milícias. Enquanto isso, a estrutura miliciana, calcada no estado, fica intocada. Ainda usam o discurso do ‘bandido bom é bandido morto’, da extrema-direita, faturando politicamente. Por que agora, em plena eleição, uma operação dessa envergadura, com esse número de mortes?”

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15. Giro pelo mundo

E alô, Magnoli, chupa que é de uva!

“A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, foi reeleita neste sábado (17), dando ao seu Partido Trabalhista a maior vitória eleitoral em meio século. Com 95% da apuração concluída, a sigla de centro-esquerda contava com 49% dos votos, muito à frente do Partido Nacional, com 27%, segundo a Comissão Eleitoral. A legenda da primeira-ministra pode sair das eleições com 64 das 120 cadeiras no Parlamento, o recorde de qualquer partido desde que o país adotou o sistema de votação proporcional, em 1996. Será também o primeiro governo de partido único sob o sistema. “Estamos vivendo em um mundo cada vez mais polarizado”, disse Jacinda, ao reconhecer sua vitória. “Um lugar onde mais e mais pessoas perderam a capacidade de ver o ponto de vista uns dos outros. Espero que, com esta eleição, a Nova Zelândia tenha mostrado que não somos assim.” Jacinda, 40, virou celebridade global após ganhar destaque neste ano pelo trabalho de combate à pandemia de Covid-19. Ela era a favorita na disputa contra Judith Collins, do Partido Nacional. Em discurso pela TV local, a adversária admitiu a derrota e parabenizou Jacinda, por telefone, por considerar o resultado excepcional para o Partido Trabalhista. Após o reconhecimento da vitória, a primeira-ministra disse que seu Partido Trabalhista ganhou um mandato para liderar o país e acelerar sua resposta à pandemia. “A Nova Zelândia mostrou ao Partido Trabalhista seu maior apoio em quase 50 anos”, disse. “Não consideraremos seu apoio garantido. E posso prometer que seremos um partido que governa para todos os neozelandeses”.

Em sua campanha, Jacinda prometeu aos apoiadores que construiria uma economia que funcionasse para todos, criaria empregos, treinaria pessoas, protegeria o meio ambiente e enfrentaria os desafios climáticos e as desigualdades sociais. No cargo há três anos, ela viveu diversos episódios que consolidaram sua imagem como uma política com empatia e sensibilidade. No segundo ano de seu mandato, engravidou e não abriu mão de tirar seis semanas de licença maternidade. Deixou o país na mão de seu vice. Em 2019, foi elogiada ao transmitir sentimentos de conciliação e união nacional a uma população traumatizada com o massacre de 51 pessoas por um extremista em duas mesquitas na cidade de Christchurch. Após a matança, armas semiautomáticas foram banidas no país. Nada que se comparasse, no entanto, a como ela lidou com a pandemia, o que projetou seu nome internacionalmente. A Nova Zelândia virou exemplo mundial de combate à doença, com quarentena rígida, ampla testagem e uma estratégia de comunicação eficiente. Em uma pesquisa de opinião da Universidade Massey em julho, a primeira-ministra recebeu nota 8,45 numa escala de 0 a 10 por seu desempenho contra a Covid-19. A eleição deveria ter sido realizada em 19 de setembro, mas foi adiada após uma nova onda de infecções de coronavírus em Auckland, que levaram a um segundo bloqueio na maior cidade do país.” [Folha]

Vamos para a China:

“O PIB (Produto Interno Bruto) da China cresceu 4,9% no terceiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Em comparação ao segundo trimestre, a expansão foi de 2,7%. Os dados divulgados neste domingo (18) —manhã de segunda (19) na China— vieram abaixo das expectativas do mercado de crescimento anualizado de 5,5% e, trimestral de 3,3%, segundo estimativas de economistas consultados pela Bloomberg. Já pesquisa da agência de notícias Reuters levantou expectativa de crescimento ano a ano de 5,2% e trimestral de 3,2%. Apesar de ficar abaixo do esperado, este é o melhor resultado do país desde o último trimestre de 2019, quando cresceu 6%. Em todo o ano passado, a economia saltou 6,1% em relação a 2018, o crescimento mais lento em 29 anos. O dado do terceiro trimestre representa uma aceleração na retomada da atividade econômica da China, que conseguiu conter a pandemia de coronavírus. Neste domingo, a China contabilizou apenas 13 novos casos de Covid-19, mesmo número de sábado (17). Segundo a pasta de saúde do país, todos os novos casos de pessoas que vieram do exterior. O país soma 85.685 casos confirmados e 4.634 mortes. Com o resultado do terceiro trimestre, o país acumula um crescimento de 0,7% neste ano. No segundo trimestre, o PIB chinês cresceu 3,2% e no primeiro, caiu 6,8%, na primeira contração da série histórica que teve início em 1992. A China deve ser a única grande economia a crescer em 2020 segundo previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional), que prevê alta de 1,9% no PIB do país.[Folha]

Vamos ao imbecil do Boris e a matéria intitulada “Em meio a Covid-19, brexit e recessão, Boris luta contra rótulo de incompetência”:

“Uma palavra ameaça o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e não é brexit, nem Covid-19, nem recessão. É incompetência. Pela primeira vez desde que se tornou premiê do Reino Unido, em 24 de julho de 2019, mais da metade (54%) dos britânicos classificam o líder conservador como incompetente em pesquisa de um dos principais institutos do país, o YouGov, divulgada no dia 5″ [Folha]

Ah vá…

Na semana seguinte, a palavra foi usada três vezes em um comunicado de 15 linhas do líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer. “Exatamente quando o país precisa de liderança, obtemos incompetência em série”, escreveu. Não é apenas intriga da oposição. Na pesquisa mensal do site ConservativeHome, só 28% dos membros do Partido Conservador responderam que o governo de Boris Johnson está lidando bem com a pandemia; em março, eram 92%. A dois meses e meio do fim do ano, a situação do primeiro-ministro é muito diferente da do começo de 2020. Boris saíra triunfante de eleições que lhe garantiram maioria folgada, 365 de 650 assentos do Parlamento, em dezembro. Além disso, ele avançara sobre regiões que votavam havia décadas na oposição, prometendo revitaminar a combalida economia do centro-norte da Inglaterra. Então apareceu o Sars-Cov-2. Em 31 de janeiro, dia em que o Reino Unido saiu oficialmente da União Europeia, confirmava-se no país a primeira infecção pelo novo coronavírus. No começo de março, eram 50 casos por dia. Uma semana depois, 150, 400, e no dia 20 de março já eram 1.000 casos diários no país, submergindo de vez qualquer plano de investimentos. Àquela altura, a pandemia britânica era menos letal que em outros grandes países europeus: o país registrava 18 mortes por 1 milhão de habitantes, contra 39 na Espanha, 35 na Itália e 24 na França. Mas, enquanto no continente os governos “fizeram o mal de uma vez só”, com confinamentos amplos e gerais, Boris iniciou uma sucessão de recomendações erráticas tanto na entrada quanto na saída do confinamento. Nem a imprensa conservadora perdoou. “Onde está Boris?”, perguntava em letras garrafais o título da Spectator, publicação da qual o premiê já foi diretor antes de se tornar político. A capa do final de setembro mostrava um barquinho minúsculo à deriva na tempestade, e um remo perdido boiando em primeiro plano.”

Um primeiro-ministro à altura do shit show do Brexit.

“Atropelado pela pandemia, Boris se vê agora assombrado por um de seus trunfos do passado,, a conclusão do brexit. As negociações, que avançaram aos trancos, chegaram na semana passada a um barranco. Temendo uma política industrial de subsídios estatais, a União Europeia diz que não há acordo se Boris não concordar com as regras de concorrência do bloco. O premiê, ao menos na retórica, sugeriu que os britânicos afivelassem os cintos e se preparassem para o choque. Mas o impacto seria devastador, dizem analistas. A economia britânica deve encolher 10% neste ano, segundo a média das previsões mais recentes, de setembro, e um divórcio sem acordo de seu maior comprador de produtos e serviços afetaria todos os britânicos. “O governo desperdiçou substancialmente a confiança que as pessoas estavam dispostas a conceder sobre a gestão da Covid-19 e corre o risco de perdê-la ainda mais se não conseguir entregar um brexit com um acordo eficaz”, afirma o centro de estudos Reino Unido em uma Europa em Transformação, que ouviu diferentes grupos de cidadãos em pesquisas qualitativas. (relatório no original) Boris conseguiu enfurecer até os membros tradicionais, que apoiam livre comércio, querem pouca intervenção do Estado na economia e valorizam liberdades individuais. Na conferência do Partido Conservador, ele tentou pôr panos quentes. Disse que só aceitou expandir o Estado, impor quarentenas e dar subsídios “porque simplesmente não há alternativa razoável”: “Este governo foi forçado pela pandemia a uma erosão da liberdade da qual lamentamos profundamente”. Também desmentiu insinuações de falta de concentração e energia para governar, supostas sequelas do caso grave de Covid-19 que o fez passar três noites na UTI. “Eu poderia refutar esses críticos de minhas habilidades atléticas da maneira que eles quiserem: queda de braço, luta de perna, luta de Cumberland, corrida de velocidade, o que quiser”, declarou o primeiro-ministro. A bravata combina com a personalidade descrita por um de seus principais biógrafos, Andrew Gimson, quando o site jornalístico Politico lhe perguntou se Boris estava gostando de ser primeiro-ministro, em julho. “Ele adora estar no centro das atenções. É um homem intensamente competitivo que deseja ser lembrado, como Hércules, por fazer coisas que as pessoas pensavam que nenhum mortal poderia fazer”, disse Gimson. “Johnson se inspira nos heróis da antiguidade grega e romana.” No discurso em que tentou virar a maré dos que o acusam de incompetência, Boris até recorreu a essa imagem, mas o adversário não era nem o brexit, nem a Covid-19, nem a recessão. Era o excesso de peso. “Você tem que procurar o herói dentro de você, na esperança de que esse indivíduo seja consideravelmente mais magro”, afirmou, ao anunciar que vai manter a dieta e os exercícios que já o fizeram perder 26 quilos desde que deixou o hospital.”

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15. Medo e Delírio em Washington

Que baita imagem do 538:

“A melhor imagem que vi por aí para você entender a situação do pleito de 2020 nos EUA é essa corrente do Five Thirty-Eight. Ele não traz um mapa, mas a lista dos estados em tamanho proporcional a seu peso no Colégio Eleitoral e intensidade da cor refletindo o estado atual das pesquisas: mais azul, garantido democrata; mais vermelho, garantido republicano. Nos vermelhos ou azuis mais claros, reflete-se a diferença menor na média das pesquisas: em Ohio, Trump lidera por 0,2%. Na Geórgia, Biden lidera por 0,2%. Seguindo a corrente para cada lado, você vê os estados que cada um lidera mais confortavelmente. No ponto da corrente em que se chega a 270 votos no Colégio Eleitoral, que é o necessário para a vitória, há uma linha. Como se vê pela localização atual dessa linha em relação aos estados, Trump tem que virar vários para vencer. Em pelo menos três dos estados que venceu em 2016 (Michigan, Wisconsin, Pensilvânia), Trump dependeu de diferenças mínimas: 20 mil, 40 mil, 100 mil votos. Esses estados hoje estão todos azuis nas pesquisas, com curvas bem diferentes das curvas de 2016. Em qualquer eleição presidencial nos EUA, observe os números entre três eleitorados: 1. homens, brancos, classe trabalhadora, sem diploma; 2. mulheres, brancas, classe média/ média alta, com diploma; 3. católicos. Essas três demografias costumam ser termômetros, são chave, e nelas está feia a coisa para Trump. Ele sabe disso, e outro dia gritou desesperado para que as “suburban women” (também conhecidas como “soccer moms”) passassem a gostar dele, descaradamente apelando para o racismo subliminar e dizendo que ele “livrou seus bairros do crime”.

Coisas que podem acontecer nos EUA: 1. Trump conseguir algum fato que lhe permita virar o jogo, não no voto popular, o que já é impossível, mas no Colégio Eleitoral. Ele teria que virar atuais dianteiras de Biden na Flórida, na Carolina do Norte, na Geórgia e na Pensilvânia, pelo menos. Se não virar Pensilvânia, tem que virar Michigan E Wisconsin. E manter sua dianteira em Ohio. Ele precisa, em especial e desesperadamente, da Flórida. Pode acontecer de ele vencer todos esses estados atualmente azuis? Acho difícil, quase impossível, mas pode. Ele precisaria de um fato novo. 2. Uma goleada Biden consistente com os números das pesquisas, clara no voto popular e no Colégio Eleitoral. Essa vitória não dependeria dos votos do correio, que são contados depois e são esmagadoramente democratas. Assim, a própria pressão do establishment, dos seus próprios Senadores e Deputados, obrigaria Trump a conceder e encaminhar uma transição pacífica de poder. É a melhor hipótese, claro, inclusive para evitar gente morta na rua. 3. Uma vitória Biden mais apertada, que permita a Trump tentar melar a eleição, lhe dê alguma desculpa para alegar fraude nos votos pelo correio, e que gere um quadro perigoso de confrontos, inclusive armados. É uma possibilidade. O clima está tenso, Trump vive ouriçando extremistas, e se houver qualquer espaço para chutar o tabuleiro com a possibilidade de ganhos maiores que custos para ele, ele vai chutar. E aí só os orixás sabem o que pode acontecer. Mortes, com certeza. A torcida nos EUA deve ser, então, por uma situação em que o custo de melar a eleição fique insustentável para o supremacista branco. Ganhar na bola, para ele, está ficando bem difícil.” [Facebook]

Do Nelson de Sá:

“Antes mesmo das entrevistas de quinta (15), com Donald Trump colocado na parede e Joe Biden se estendendo sobre sua maior bandeira, o combate à pandemia, o democrata já era descrito como o candidato menos questionado em muito tempo. É o favorito “menos examinado” sobre seja lá o que for. Quando aparece alguma coisa, pequena que seja, como a reportagem do New York Post sobre seu filho, Twitter e Facebook impedem ou dificultam o compartilhamento. A explicação está em 2016, com cobertura muito diversa, que é cobrada desde então. Um documentário da Vice, “Enemies of the People”, inimigos do povo, referência ao ataque célebre de Trump, ouve jornalistas que participaram daquela campanha para tentar tirar lições para a reta final de 2020. Jeff Zucker, presidente da CNN, para começar. “Trump dizia coisas ultrajantes ou que não eram verdadeiras, e isso se tornou aceito, ‘tudo, bem, é o que ele faz’”, recorda o executivo, que comandou a cobertura extensa que o canal dedicou então ao candidato. “Não chamar as coisas pelo que eram e, depois, cobrar mais o outro lado, isso foi um erro.” Outro, possivelmente, foi seu próprio fascínio pelo personagem. Zucker, então presidindo a NBC, foi quem contratou Trump para o bem-sucedido reality show “O Aprendiz”, considerado o ponto de partida para a posterior eleição. A Fox News divulgou há um mês um áudio em que, já presidente da CNN, na campanha de 2016, Zucker dá conselhos sobre como Trump deveria agir num debate, a um assessor do candidato. Chega a propor um programa para Trump na CNN, no caso de perder. No documentário da Vice, outros profissionais abordam arrependimentos semelhantes. Chuck Todd, da NBC, sobre a atração que Trump causa: “Ele ganhou uma cobertura que era como de batida de carro. Você ficava, ‘Espere até ver o que ele vai dizer a seguir’”. Megyn Kelly, então na Fox News: “Trump, antes e agora, acredita que pode controlar a mídia dependendo do quanto se comportar mal”. David Remnick, editor da New Yorker, lembra as reações: “Deus, todo mundo está interessado, porque ele é engraçado”. Maggie Haberman, do New York Times, repórter que o acompanha desde os tempos dos tabloides nova-iorquinos nos anos 1990, avisa que não tem graça: “Seus seguidores não entendem o quanto isso é um jogo para ele, e é aí que está o perigo”. Trump jogou com o público e com o noticiário, usando declarações racistas, teorias conspiratórias e o que veio à cabeça. Mas o que mais marcou a cobertura de 2016 —daí o terror de que venha a se repetir, agora— não foi obra sua. Sobre “cobrar mais o outro lado”, Zucker cita os emails da candidata democrata, na reta final. “A história dos emails de Hillary Clinton foi importante, não tem dúvida”, diz ele. “Se eu acho que receberam atenção desproporcional? Sim.” A dez dias da eleição, o FBI anunciou ao Congresso que iria investigar novos emails. Segundo o site de análise de pesquisas 538, com a “atenção desproporcional da mídia”, o anúncio provocou queda forte de Hillary, “o bastante para mudar o resultado da eleição”. É tudo o que mídia e plataformas não querem, agora. Daí a censura do Twitter ao NY Post, com o apoio mais ou menos aberto do NYT.” [Folha]

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>>>> De bobeira com o tanto de presidente maçon: “Joe Biden é católico (ainda que católico só de IBGE, se existisse IBGE nos Estados Unidos). Se eleito, será o segundo presidente católico na história do país (o único até agora foi o Kennedy). Já no Brasil, quase todos os presidentes foram católicos. Tivemos dois protestantes (Café Filho e Geisel) e dois ateus ou no mínimo agnósticos (Getúlio Vargas e FHC). Entre os presidentes declarados católicos, contam-se um simpatizante do espiritismo (Juscelino), uma que chegou a expressar publicamente dúvidas sobre a existência de Deus (Dilma), um arroz de festa de cultos evangélicos (Bolsonaro), um acusado de magia negra (Collor) e um acusado de satanismo (Temer). 13 presidentes brasileiros foram maçons (contra 14 presidentes americanos), a maioria na República Velha; de 1930 pra cá, apenas Café Filho, Nereu Ramos, Jânio Quadros e Michel Temer (os 2 últimos, de graus pouco importantes).” [Facebook]

>>>> Está tudo normal, NORMALÍSSIMO, normal pra caralho!: “O candidato de Augusto Aras para a vaga que será aberta em novembro no CNJ é o procurador Sidney Madruga. Aras já até comunicou a Luiz Fux, novo presidente do orgão, sobre essa preferência. E quem é Madruga? em 2019, quando era procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro, Madruga, tentou encerrar uma investigação de falsidade ideológica eleitoral contra Flávio Bolsonaro sem ao menos promover qualquer diligência. O arquivamento acabou barrado pela 2ª Câmara Criminal de Revisão do MPF. É também um eleitor declarado de Jair Bolsonaro e um conhecido defensor de Aras na rede de emails do MPF.” [O Globo]

>>>> A tragédia nossa de cada dia: “O número de assassinatos no país, em queda desde 2018, voltou a crescer no primeiro semestre deste ano, quando 25.712 pessoas foram mortas no Brasil, o equivalente uma pessoa a cada 10 minutos. Esse total é 7% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 24.012 pessoas foram assassinadas no país. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que compila estatísticas de criminalidade no país. O 14º anuário da instituição mostra também que o número de mortos em 2019 foi o menor em nove anos e o menor da década quando se analisa proporcionalmente à população. Em todo o ano passado, 47.773 pessoas foram assassinadas no Brasil, número ainda menor do que no ano anterior, que interrompeu uma escalada de crescimento que havia tido recorde em 2017 com 64.078 assassinatos. O índice por 100 mil habitantes do ano passado, usado para comparar a violência em diferentes regiões, foi de 22,7 assassinatos a cada 100 mil moradores em 2019, abaixo dos 30,9 registrados em 2017. O Fórum coloca esses assassinatos sob o guarda-chuva de mortes violentas intencionais (MVI), que somam registros de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes em ações policiais em todo o país. As informações são repassadas pelos governos estaduais. Apesar da queda no ano passado, o Brasil se manteve entre os países mais violentos do mundo, com taxas bem acima das de países como Estados Unidos (5) ou Argentina (5). A média nacional, porém, esconde desigualdades regionais. Os estados mais violentos estão no Norte e Nordeste —com exceção do Rio—, onde organizações criminosas disputam mercados e rotas de tráfico de drogas. A taxa de homicídios mais alta é a do Amapá, com 49,7 casos por 100 mil habitantes (contra 58,3 no ano anterior). Roraima, estado recordista de homicídios proporcionalmente à sua população em 2018, conseguiu baixar a taxa de 66,6 casos por 100 mil naquele ano para 35 em 2019. Redução maior que essa teve apenas o Ceará, que baixou as mortes pela metade, de 52,8 casos por 100 mil em 2018 para 26,2 em 2019. Mas essa queda deve ser revertida neste ano porque, na comparação do primeiro semestre de 2020 com o mesmo período de 2019, já houve um aumento de 97% dos assassinatos. Foi o aumento no Ceará que ajudou a puxar o número no Brasil. Foram 1.050 mortes a mais no estado, 68% das 1.700 mortes a mais que houve em todo o país. O estado vive uma crise de segurança e enfrentou greve da Polícia Militar em fevereiro, quando o número de assassinatos bateu recordes. Foi durante essa greve que o senador Cid Gomes foi baleado, em Sobral, ao tentar furar um bloqueio de policiais amotinados usando uma retroescavadeira.” [Folha]

>>>> O regimento interno não permite mas Maia esperou, esperou, esperou um pouco mais e aos 40 do segundo tempo… “O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou neste sábado, 17, mais uma vez, que vá disputar novamente o comando da Casa. “Não sou candidato à reeleição. Este assunto está resolvido”, afirmou Maia. Tanto o mandato de Maia quanto o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vão se encerrar no início de 2021. Em tese, os dois não podem disputar um novo mandato. Alcolumbre, no entanto, tem se movimentado para tentar um novo período à frente da Casa, sob o argumento de que há brechas na legislação que permitiriam um novo mandato. “Não me cabe discutir a reeleição do Senado. O presidente do Senado tem cumprido um papel fundamental”, desconversou Maia. “A eleição do Senado cabe ao Senado. A eleição da Câmara cabe à Câmara.”[Estadão]

>>>> Dia desses um comentarista da Globonews narrou uma cena desesperadora, o secretário estadual de Saúde do Rio foi à Globo e na saída, papo vai papo vem, o comentarista falou sobre a importância da Medicina da Família no combate à pandemia e ouviu do secretário que “isso é coisa da esquerda”. Pois bem:“Sinto dores na cabeça e nos olhos, vou a um neurologista ou um oftalmologista?”, “Como sei se o remédio para o joelho interfere com o do estômago?”, “Essas palpitações são ansiedade ou um problema cardíaco?”. Com a idade, aumenta a chance de fazermos perguntas desse tipo. Além de angustiantes, elas também apontam para os riscos de diagnósticos tardios, de interações medicamentosas e outros. Não seria bom dispor de uma maneira para resolver tudo isso? Pois trago boas novas: há. Chama-se medicina de família e comunidade —ou MFC, para os íntimos. Os especialistas nessa área podem ser entendidos como uma versão atualizada do “médico de antigamente”. Todos temos uma ideia daquele tipo que atendia toda a família, no consultório ou em casa, sem restrição de idade, gênero ou problema de saúde. Mas será que isso ainda é possível, com tantas descobertas científicas acontecendo todos os dias? Mais uma vez, a resposta é encorajadora. Em vez de focarem em um órgão ou faixa etária, estes médicos estudam bem as doenças mais comuns da população. Por acompanharem as pessoas ao longo de anos, em momentos felizes, como no nascimento de um filho, ou tristes, como no diagnóstico de um câncer, conhecem não só o histórico, mas a personalidade e as características únicas daqueles indivíduos, seus valores e preferências. Colocam as inovações da medicina a serviço das pessoas que atendem, e não o contrário. Também consideram, como o nome da especialidade indica, as relações familiares e sociais, que tanto impactam os adoecimentos como são são impactadas por elas. Como atendem “de tudo”, não precisam se preocupar com as falsas separações entre corpo, mente, sociedade, ambiente: conseguem olhar o quadro, complexo, de uma só vez. Com o tempo, estabelecem fortes relações de confiança e compromisso.Aos que permanecem céticos, vale dizer que tudo isso já foi confirmado na prática e em estudos científicos. Afinal, boa parte da Europa, Japão e Canadá baseiam seus sistemas públicos de saúde na chamada atenção primária, em que médicos de família, muitas vezes em equipe com outros profissionais, resolvem cerca de 85% das questões que lhes são trazidas e compartilham com médicos de outras especialidades o manejo das 15% restantes. Voltemos às dúvidas e aos riscos lá do início. É claro que ambos podem comprometer muito a nossa longevidade, mas também já está óbvio que existe uma saída. Ainda há tempo para agirmos, como indivíduos e como sociedade. Para chegar bem aos cem, providencie desde logo seu médico de família. Melhor ainda, defenda um sistema público de saúde com médicos de família e comunidade.” [Folha]

>>>> Não sei se me espanto mais pela ótima idéia da Joyce ou pelo PT ter defendido os cartórios: “Joice Hasselmann (PSL-SP) apresentou projeto na Câmara dos Deputados para reduzir a distorção dos custos de cartórios para transações de imóveis. A proposta diz que os valores cobrados não podem variar mais que 50% entre unidades da Federação. …dar… O texto cita estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção que aponta distorção de até 21.000% no registro de um memorial de incorporação e a convenção de condomínio no RS e em SP. …o que… Há reclamação sobre os altos valores cobrados pelos registradores de imóveis, o que pode colocar a construção civil ao lado do Centrão e até da oposição no apoio ao projeto: a falta de padronização aumenta o preço dos imóveis. …falar. Os cartórios registradores perderam a interlocução que tinham no Parlamento, especialmente entre as bancadas paulistas durante os governos do PT.” [Estadão]

>>>> Justamente quando as ONGs são tratadas como inimigos pelo governo… “O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julga na terça (20) um recurso que discute se dirigentes de entidades do terceiro setor que recebem recursos públicos federais por meio de convênios podem ser enquadrados em atos de improbidade administrativa em caso de conduta ilícita, como ocorrem com agentes públicos. A União e o Ministério Público Federal recorrem de decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que afirmou que o ato de improbidade pode apenas ser cometido por quem ostente qualidade de agente público. A ação inicial foi ajuizada pela União, que procurava enquadrar o Instituto Projeto Viver e sua presidente no ato de improbidade administrativa. Em 2010, o Ministério do Turismo liberou R$ 300 mil para a ONG.” [Folha]

>>>> Do Ascânio Seleme: “Aqui e ali sempre se descobrem exageros em manifestações públicas. No início desta semana, grupos de apoio a comunidades indígenas nos EUA derrubaram uma estátua de Abraham Lincoln, o presidente americano que fez uma guerra civil para acabar com a escravidão. Acusaram-no de ter mandado à forca 38 índios que participaram de um levante no estado de Dakota, em 1862. A história conta uma versão diferente. Logo após o confronto, que deixou entre 450 e 800 civis mortos, 303 sioux foram condenados à forca por um tribunal militar. Exercendo seu poder presidencial, Lincoln suspendeu a execução e salvou a vida de 265 deles por entender que os casos estavam mal instruídos.” [O Globo]

>>>> Dessa eu não sabia: “A emboscada policial que matou 12 de uma “narcomilícia” apreendeu, entre as armas que carregavam, três metralhadoras. É uma novidade. Um passo a mais. Metralhadoras eram consideradas menos convenientes pela dificuldade de dirigir tiros mais precisos, nos confrontos. Sua utilidade estaria em ataques do tipo militar, os chamados assaltos. Se é isso que sua chegada prenuncia, não se sabe. Mas que trazem novidade, e para pior, é certo.” [Folha]

>>>> Era uma vez a Petrobras – e pensar que a gestão do Michel Miguel era CONSERVADORA! “Entre janeiro de 2019 e julho de 2020, a Petrobras abriu 48 processos de vendas de ativos, uma média de 2,5 por mês. O número é bem maior do que os 1,4 por mês abertos durante o governo Michel Temer e oito vezes os 0,4 por mês verificados na segunda gestão Dilma Rousseff. A estatística, elaborada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) retrata a principal mudança estratégica na companhia sob o comando do economista Roberto Castello Branco, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir a estatal. Elogiada pelo mercado e criticada por sindicatos e pela oposição, a gestão Castello Branco acelerou um processo de reposicionamento da empresa, que abandona negócios considerados não prioritários, incluindo energias renováveis, e foca cada vez mais no pré-sal. A mudança ganhou respaldo legal no início do mês, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a empresa a criar subsidiárias para vender, em processo que tinha como alvo principal o processo de venda de 8 de suas 13 refinarias. Sob o argumento de que não gera caixa suficiente para reduzir dívida e investir no pré-sal, a empresa diz que deve abrir mão de operações menos rentáveis. “O pré-sal é um ativo que a gente sabe gerir melhor do que qualquer outro”, defende o gerente executivo de Estratégia da companhia, Rafael Chaves. Defensor da privatização da Petrobras, Castello Branco esteve no conselho de administração da companhia durante o governo Temer, mas deixou o cargo por discordar do ritmo das mudanças — o plano de venda de refinarias de Pedro Parente, por exemplo, incluía apenas quatro unidades. Egresso da Vale, trouxe para a sua gestão executivos da mineradora, como a diretora financeira Andrea Marques de Almeida e o diretor de Logística, André Chiarini, montando a diretoria com menor proporção de executivos de carreira na estatal da história recente. E, assim como a Vale, o mercado espera que a Petrobras se torne uma boa pagadora de dividendos assim que equacionar a sua dívida. No fim de 2019, a estatal aprovou política que amplia os valores distribuídos aos acionistas quando a dívida bruta estiver abaixo de US$ 60 bilhões — no segundo trimestre eram US$ 71,2 bilhões.” [Folha] O final é por demais didático.

>>>> A novela continua… “Apesar dos apelos pela retomada dos trabalhos da comissão da PEC da prisão após a condenação em segunda instância, a expectativa no Congresso (até entre defensores da proposta) é de que Rodrigo Maia (DEM-RJ) mantenha tudo parado até o fim das eleições municipais (29 de novembro). O tema voltou à agenda nacional após o habeas corpus concedido pelo STF ao traficante André do Rap, condenado em segunda instância. Só a boa vontade de Maia também não bastará depois das eleições: os líderes também precisam encampar a ideia. A justificativa de Maia é regimental, mas já está caindo de madura: resolução foi aprovada no início da pandemia suspendendo as comissões com o início do sistema remoto. Como pano de fundo, há impasse em torno do comando de comissões permanentes da Casa, em especial da CCJ. Até o momento, assinaram o requerimento de urgência para a retomada da comissão: Cidadania, Republicanos, PSDB, PV, Novo e Podemos, representando menos de cem deputados. São necessários 257.” [Estadão]

>>> Das desgraças do fim do jornalismo local: “As instruções eram claras: escrever uma reportagem chamando Sara Gideon, uma democrata que concorre a uma vaga no Senado dos Estados Unidos pelo Maine, de hipócrita. A repórter freelancer Angela Underwood, do interior do estado de Nova York, aceitou a tarefa por e-mail e receberia US$ 22 (R$ 110). Ela procurou a assessoria da senadora republicana Susan Collins, adversária de Gideon, e escreveu sobre as acusações de que Gideon criticava grupos políticos obscuros ao mesmo tempo que aceitava sua ajuda. A matéria foi publicada no jornal Maine Bussiness Daily e dava apenas a versão da equipe da parlamentar, sem nenhum comentário da campanha de Gideon. Em seguida, Underwood recebeu outro e-mail: o “cliente” que havia encomendado a matéria, segundo seu editor, queria adicionar mais detalhes. De acordo com os e-mails e o histórico de edição, aos quais o New York Times teve acesso, esse cliente era um funcionário de campanha republicano. O Maine Business Daily faz parte de uma rede de quase 1.300 sites que buscam preencher um vazio deixado pelos jornais locais que desapareceram em todo o país. No entanto, essa rede, presente nos 50 estados americanos, passa longe dos pilares do jornalismo tradicional e se baseia em propagandas encomendadas por dezenas de think tanks (centros de estudo) conservadores, agentes políticos, executivos corporativos e profissionais de relações públicas, segundo aponta a reportagem do New York Times. Os sites se aparecem com veículos de notícias locais comuns, com nomes como Des Moines Sun, Ann Arbor Times e Empire State Today. Mas, nos bastidores, muitas das reportagens são dirigidas por grupos políticos e empresas de relações públicas corporativas para promover um candidato republicano, uma empresa ou para difamar seus rivais. A rede é supervisionada por Brian Timpone, um ex-repórter de TV que se tornou empresário da internet. Ele construiu a rede com a ajuda de várias outras pessoas, incluindo um consultor de gerenciamento de marca do Texas e um conhecido conservador da rádio de Chicago. O New York Times descobriu detalhes sobre a rede por meio de entrevistas com mais de 30 funcionários desses sites e clientes, atuais e antigos, e tendo acesso a milhares de e-mails internos entre repórteres e editores. E-mails e o histórico de edição dos sites também foram enviados ao jornal americano e mostraram quem pedia as matérias e como. Procurado Timpone não respondeu à reportagem. A rede de Timpone tem mais do que o dobro de sites do maior conglomerado de jornais do país, a Gannett. Embora os sites do empresário geralmente não publiquem informações totalmente falsas, costumam fazer matérias enganosas, sem transparência nem procurar o outro lado citados em suas reportagens. Além disso, violam a determinação da Comissão Federal de Comércio dos EUA, que ordena que publicidades que se pareçam com matérias jornalísticas sejam rotuladas como anúncios. A maioria dos sites declaram que têm como objetivo “fornecer informações objetivas e baseadas em fatos, sem ter inclinação política”. Mas, segundo um e-mail a qual o New York Times teve acesso, em abril, um editor da rede lembrou aos freelancers que “os clientes querem um foco politicamente conservador em suas histórias” e pediu para que evitassem se focar em pautas que viessem do lado do Partido Democrata. Segundo os registros fiscais e relatórios de finanças de campanha, as empresas que administram esses sites receberam pelo menos US$ 1,7 milhão (R$ 8,5 milhões) de políticos republicanos e grupos conservadores.” [O Globo]