Dia 518 | “Uma distância intransponível o separa do gênero humano” | 02/06/20

Taí o podcast de ontem, escrito por Pedro Daltro e com a luxuosa e habitual produção de Cristiano Botafogo:

E você ouve os episódios lá na Central3: [Central3]

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1. Sobre Mussolini

Esse texto do Fábio Gambiagi vem a calhar um dia depois de Boslonaro se valer de uma frase de Mussolini.

“Gostaria de compartilhar com os leitores o efeito que produziu em mim a leitura de “M —o filho do século”, de A. Scurati, que apresenta com meticulosidade de historiador o quadro político e social italiano em 1919/1920, quando estava despontando a figura de Mussolini. O que impressiona no relato é a percepção de que este representava a expressão de uma série de desejos latentes em parte da sociedade, fruto da situação do imediato pós-guerra e que indicavam sintomas de uma patologia social. O resto foi consequência. O final da história é conhecido, mas entre o cenário inicial retratado por Scurati e o fim, a Itália viveu os seus dias mais negros, durante 25 anos. O que vou reproduzir nos próximos parágrafos deveria provocar uma reflexão. Há vários traços distintivos daquela situação, entre os quais destaco os seguintes, sempre com a citação de trechos-chave, copiados do livro:

1) O combate à neutralidade (os “isentões!”): critica-se “os moderados e seu bom senso, a quem desde sempre devemos nossa desgraça” (página 11). E explicita-se: “A luta não admite uma terceira opção, nenhuma neutralidade. Nada de espectadores!” (p.37).” [O Globo]

Isso vale pra direita e pra certa parte da esquerda que criticava quem ousava apontar, à esquerda, os erros do governo petista, era acusação de “isentão” pra tudo que é lado. Hoje os bolsonaristas falam a mesma coisa dos direitistas que ousam desafinar a loucura bolsonarista – e não, não tem comparação possível do governo de hoje com qualquer governo passado.

“2) O ódio: a descrição que o livro aplica a vários dos personagens que compõem as figuras de proa do fascismo é inequívoca: como o líder, cada um deles é um “odiador profissional” (p.23). A descrição é complementada páginas mais tarde: “Entre eles e o passado, ergue-se um muro de ódio, desprezo e sangue” (p.62).”

Vamos gabaritar, viado.

“3) O culto à morte. Na descrição das lutas políticas entre grupos polarizados, chamando a atenção para o fato de que no núcleo do fascismo estava parte dos combatentes da Primeira Guerra — então desempregados. Scurati diagnostica: “É a relação diferente que os dois grupos têm com a morte o que cava um abismo entre eles” (p. 37). É nesse contexto que ele descreve a cena de um dos personagens, almoçando e insistindo, “entre uma bocada e outra, em verificar o funcionamento do seu revólver com o tambor carregado” (p.41).”

Lembra do Bosloanro ensinando uma criança a fazer arminha com a mão? O “E daí” à pergunta sobre os mortos da pandemia? Lembra da “ponta da praia“?

“4) o isolamento do líder. Há uma passagem especial, em que o autor descreve num capítulo a relação (ou falta dela) entre Mussolini e o resto das pessoas, cuja última frase é: “Uma distância intransponível o separa do gênero humano” (p.42).”

Mito! Mito! Mito!

“5) O recurso às ameaças. Estas aparecem em diversas passagens, das quais destaco a seguinte proclamação afixada num muro de Milão na época, dirigida aos “combatentes vitoriosos que devem, e vão, dirigir sozinhos, custe o que custar, a nova Itália. Não provocaremos, mas, se formos provocados, acrescentaremos alguns meses aos nossos quatro anos de guerra” (p.43).”

Lembra do Heleno falando em “contra-provocação“. Não é que eles queiram dar o golpe, se aocntecer será resposta à provocação.

“6) A rejeição da concórdia. Scurati cita a carta de um dos líderes intelectuais do movimento, na qual ele escreve, explicitamente, que “para mim e para os nossos pares, a paz é hoje uma desgraça” (p.50).”

Qual seria o discurso do Bolsonaro se reinasse a paz? Pois é.

“7) A confusão mental. Este é um dos traços mais marcantes da construção dos personagens. Diz o autor, acerca de um dos tipos: “é um fanático que não sabe viver sem elaborar planos de vingança”. E logo depois, sobre outro, registra: “não tem uma única ideia na cabeça e, por isso, é um ótimo orador” (p.62);”

Caralho, é como se o livro fosse escrito para o Bolsonaro.

“8) A crítica aos partidos: “Quem são os fascistas? O que eles são? São algo novo, inédito, um antipartido. Fazem antipolítica” (p.64).”

No nosso caso é uma famiglia que mama na teta pública há 3 décadas.

“9) O ressentimento: “Trata-se apenas de fomentar as facções, exasperar os ressentimentos” (p.64).”

Esse governo é todo trabalhado no ressentimento. Bolsdonaro se ressente de sua insignificãncia política e de ter sido expulso do Exército. Guedes se ressente de não ser reocnhecido como gênio. Abraham tem ressentimento de sua carreira medíocre e por aí vai.

“10) A falta de rumos: a massa de manobra do fascismo é composta por aqueles que “não têm noção de futuro, não sabem onde desaguar… Seu verdadeiro programa está contido na palavra ‘combate’” (p.64/65).”

Mais arminha com a mão.

“É um decálogo da catástrofe. “M” é, provavelmente, um dos livros que mais me impressionaram em quase cinco décadas como leitor. Recomendo a leitura.”

Estamos deveras fodidos.

Ah, estava precisando de uma imagem para capa para o post e encontrei essa maravilha, achei que ornava com o tópico:

cavalo

Imagem afanada do twitter [Twitter]

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2. Malditos milicos

Da Míriam Leitão:

“A democracia corre riscos no Brasil? Essa foi a pergunta que fiz para o historiador e escritor José Murilo de Carvalho. Ele respondeu: “Corre.” Era difícil imaginar uma resposta assim tão direta, tempos atrás. “Até o início do ano, o risco era pequeno, mas está crescendo, embora, por enquanto, em ritmo menor do que o coronavírus.” Autor do clássico “Forças Armadas e Política no Brasil”, que acaba de ser relançado, José Murilo acha que dificilmente Marinha e Aeronáutica apoiariam qualquer ruptura da ordem.” [O Globo]

A posição do general Heleno é sem dúvida a que mais preocupa, por deixar a entender uma ameaça de intervenção.”

E o Heleno jura de pé junto que era um ‘texto genérico”, sem qualquer ameaça.

“Pode, em parte, ser atribuída a seu temperamento, mas a nota que distribuiu no dia 22 de maio é ameaçadora. Pode ser interpretada como referência ao que a Constituição diz sobre o papel das Forças Armadas como garantidoras dos poderes constitucionais, isto é, como superpoder, como corte supremíssima. Há aí uma enorme dificuldade: como estar sujeitas a um poder e, ao mesmo tempo, garantir os três? É caminho aberto para interpretações conflitantes e dá margem a declarações ameaçadoras como a do general Heleno. Ele faria a mesma ameaça se fosse para defender o Congresso e o STF contra os ataques do chefe do Executivo?”

Se prepare para a melhor das ironias:

“É irônico. O general Villas Boas fez ameaça na véspera do julgamento de Lula no Supremo. Agora, o general Heleno ameaça o mesmo Supremo por, supostamente, perseguir o presidente.”

O generalato tentando se explicar:

“Certamente nada como em 1964. Não temos um dos principais condicionantes de então, a Guerra Fria. O comunismo era na época uma realidade no mundo, com adesões no Brasil, inclusive nas Forças Armadas. Hoje é conto de carochinha. A esquerda, se podemos chamar o PT de esquerda, está desarvorada. Grupos civis armados, como os de Brizola em 1964, hoje despontam entre os apoiadores radicais do presidente. Seria curioso se, para garantir a lei e a ordem, e de acordo com a Constituição, o Supremo convocasse as Forças Armadas para combatê-los.”

Imagine, só imagine, se fosse o MST armado, até o imbecil do Benê Barbosa bradaria loucamente pelo desarmamentismo e os Bolsonaros fariam a pomba da paz com as mãos.

Sobre os milicos apoiando um golpe:

‘Minha aposta é que não. Marinha e Aeronáutica dificilmente apoiariam tal decisão. São forças mais profissionalizadas. Mesmo o Exército hesitaria. O artigo do general Santos Cruz deve representar a posição da maioria do oficialato. O mais crucial é a posição dos generais que permanecem no governo.”

Bem, se isso é o mais crucial eu apelo ao Costinha:

Sobre o artigo do Cantos Cruz eu retomo daqui a pouco.

“Mas a constante alegação do presidente de ter apoio militar está deixando esses generais em posição delicada. Eles são corresponsáveis pelas trapalhadas do governo e agora não haverá mais como evitar que a imagem das Forças seja afetada. Os erros terão cor verde-oliva.”

Corresponsáveis porra nenhuma, PROTAGONISTAS, esse brilho ninguém rouba desses filhos da puta. Os gênios verde-oliva ainda conseguiram a proeza de aceitar o ministério da Saúde em plena pandemia.

“Com a quarentena não há rua, sem a rua não há impedimento.”

Bem, vejamos no próximo domingo. Eu estarei lá, de máscara, tomando banho de álccol gel de minuto em minuto e pronto pra correr dos puliças.

Vamos ao artigo do general Santos Cruz, que fez parte desse governo e foi saído pelo Tonho da Lua – a gota d’água foi quando Bolsonaro soube que o general o havia criticado em conversa com outros milicos:

“Na cultura militar, não existe propaganda nem discussão política sobre preferência de candidatos e partidos dentro dos quartéis.” [Estadão]

Ué, Mourão criticando a Dilna enquanto estava na ativa foi o quê? Alucinação coeltiva?

“As Forças Armadas são instituições permanentes do Estado Brasileiro e não participam nem se confundem com governos…”

Então me explica por que diabos um general da ativa é o porta-voz desse governo demencial?!

“O militar da reserva, seja qual for a função que ocupa, não representa a instituição militar. O desempenho de qualquer função, quando o militar está na reserva, é de responsabilidade pessoal.”

Ouviu, Heleno? Ouviram, Braga Netto e Ramos?! Adianta alegar surdez não…

“As instituições militares são representadas pelos seus comandantes, que são pessoas de longa vida militar e passaram por inúmeras avaliações durante a vida profissional, seguramente escolhidos entre os melhores do seu universo de escolha”

É um general mais retardado que o outro, e aqui não incluo o Ssantos cruz não, mas se figuras como Heleno e Braga netto foram longe, que desgraça é a meritocracia verde-oliva.

“As Forças Armadas, por serem instituições de Estado, não devem fazer parte da dinâmica de assuntos de rotina política. A dinâmica de governo não é compatível com as características da vida militar. Os militares são unidos, os comandantes são preparados, esclarecidos e mantêm o foco na sua missão constitucional. As FA são instituições que não participam de disputas partidárias, de assuntos de rotina de governo, de assuntos do “varejo”.”

Alô, Ramos, essa aí foi pra você, chupa, general, chupa que é de uva. Eu acho graça que o Ramos toma esporro até de general. É por isso que semana passada ele teve que se sair com essa:

“Em carta enviada aos colegas de turma e a jornalistas, na semana passada, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos,diz que “a imprensa ideológica parcial é nociva e buscará a todo custo denegrir a imagem das Forças Armadas, como tem feito ao longo de nossa história”. “Não acreditem nas falácias diárias que tentam nos abater o moral. Não existe corrupção nesse governo!”, diz o ministro.”

Depois do Bernardo Kuster o Ramos agora apanhou do Allan dos Santos, viado!

“Blogueiro de estimação da família Bolsonaro e um dos alvos da operação da PF da semana passada no inquérito que investiga a propagação de fake news, Allan dos Santos resolveu partir para cima de um dos ministros mais próximos do presidente da República — o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo. Em dois tuítes disparados nesta madrugada, escreveu: — Se o @MinLuizRamos não repudiar isso veementemente, saibam que temos um traidor comunista dentro do Palácio do Planalto. (junto ao post, exibiu o link de uma live com uma conversa entre Ciro Gomes e Aldo Rebelo sobre “Defesa, Forças Armadas e proteção da democracia”) — Ramos não tem malícia (na melhor das hipóteses) para lidar com inimigos. Pensa que existe ‘boa intenção’ em quem quer destruir o país: Maia, Alcolumbre, TSE e STF. É uma espécie de samba do governo doido: um blogueiro aliado do governo classificando um dos ministros mais fiéis a Bolsonaro de “traidor comunista”.” [O Globo]

A thread de onde saiu isso aí é fascinante:

Pelo que eu entendi o policial matou covardemente o George Floyd porque Trump rompeu com a OMS. Assim como a questão racial americana começou semana passada.

E sim, os bolsonaristas malucos não estão satisfeitos com a insana retórica dos generais do governo e acham que as forças armadas não irão agir, é preciso algum otimismo, né?

O Maia vai pelo mesmo cainho:

“Um ministro que é general da reserva, ou ainda está na ativa e vira ministro de um governo, ele não representa as Forças Armadas. Elas representam o Estado brasileiro. Esses ministros representam a política do governo Bolsonaro, legítima. Eles não podem misturar o histórico, a carreira deles, uma posição política, com o que representam as Forças Armadas. Não podemos criticar as Forças Armadas pelo movimento de um ministro político que foi das Forças Armadas” [Folha]

Sim, podemos.

“Não vejo nas Forças Armadas nenhum movimento de politização ou apoio político ao governo. Elas têm papel de garantir o Estado, a nossa soberania, e assim deve ser de forma permanente”

E o Heleno é inacreditável:

“Depois de ir a público afastar a possibilidade de golpe, o chefe do GSI, Augusto Heleno, tem se ocupado em dizer o mesmo na arena favorita do bolsonarismo, o WhatsApp. Um áudio do ministro, ao qual a Coluna teve acesso, diz: “Algumas medidas graves foram tomadas em discordância com a Constituição, mas precisamos enfrentar isso com muita, muita prudência”. Falou ainda sobre a necessidade de recuperação da economia e que “precisamos ter juízo (…) e não adotar posturas radicais que possam nos afundar mais ainda”.” [Estadão]

Com “prudência“, viado. Ontem mesmo a nota foi classificada pelo Moruão, outro general, como “RETÓRICA INFLAMADA, COISA DE TORCIDA ORGANIZADA

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3. Meu mais novo ídolo

O novo AGU tem mais culhão que TODOS os generais do governo juntos.

“O habeas corpus para que Abraham Weintraub não tivesse que depor ao STF foi feito pelo ministro da Justiça, André Mendonça, e não pelo advogado-geral da União, José Levi, porque Levi entendeu que não caberia à Advocacia-Geral da União fazer a defesa do ministro e de outros alvos do inquérito das fake news, que nem do governo são.” [Época]

Sim, o AGU peitou o presidente, e aí sobrou para o frouxo do ministro da justiça, o ex-AGU, lançar habeas corpus pra todo mundo. Nunca vi mais gorodo mas só por isso desde já o tenho como ídolo.

“Houve ainda outra questão: Levi tem excelente relação com Alexandre de Moraes, de quem é amigo.”

E tá explicado porque a PGR conseguiu a proeza de defender mais o presidente que a AGU. O culhão que sobra na nova AGU inexiste no Aras. E por falar nele…

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4. Aras no Bial

Que sujeito triste…

“Quando o artigo 142 estabelece que a s Forças Armadas devem garantir o funcionamento dos Poderes constituídos, essa garantia é no limite da garantia de cada Poder. Um poder que invade a competência de outro Poder, em tese, não há de merecer a proteção desse garante da Constituição. Se os Poderes constituídos se manifestarem dentro das suas competências, sem invadir as competências dos demais Poderes, nós não precisamos enfrentar uma crise que exija dos garantes uma ação efetiva de qualquer natureza”.” [Época]

Que quadra escrota da história, puta que pariu. Na melhor das hipóteses o artigo é dúbio (não à toa foi escrito pelo general Leônida Pires em 88) e o PGR cravando aquilo que soa como música aos ouvidos do Bolsonaro.

“No STF, a declaração de Aras causou estranheza. “Quem disse que as Forças Armadas são garantes da Constituição? Quem vai definir se houve invasão? Isso não faz o menor sentido”, criticou um ministro, pedindo anonimato. Outro, crítico do alinhamento de Augusto Aras com Jair Bolsonaro, disse “não se surpreender” com a resposta.”

Essa entrevista do Aras ao Bial é o supra-sumo da cretinice:

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, da TV Globo, que não é amigo do presidente Jair Bolsonaro e que a relação entre os dois é apenas respeitosa.” [Folha]

Palavras do Bolsonaro em outubro de 2019, na posse do Aras na PGR:

“Eu confesso, Aras, que foi, respeitosamente, um amor à primeira vista. Depois dessa gravata verde e amarela dele, só faltou ressaltar ‘Selva”

“Aras definiu como “declaração unilateral” a posição do presidente sobre a possibilidade de arquivamento do inquérito em que Bolsonaro é suspeito de violar a autonomia da Polícia Federal, logo após visita feita ao procurador. “O presidente esqueceu de combinar comigo”, disse sobre a declaração, na entrevista exibida na madrugada desta terça (2).”

Super natural um presidente fazer uma declaração unilateral dessa direcionada ao PGR escolhido a dedo fora da lista tríplice.

“Se eu não tenho condições de controlar os meus colegas da primeira instância, que ousam contra as minhas posições e gritam todo dia que têm independência funcional, imagine se eu ou qualquer outra autoridade possa controlar o que diz o senhor presidente.”

O “snehor presidente” precisa ser controlado, é? Que coisa…

“Aras disse ter sido surpreendido pela visita e relatou ter recebido Bolsonaro de forma cordial, como faz com todas as autoridades. Afirmou ainda que faz parte de sua personalidade a postura amável, mas firme e dura quando é necessário.”

“Durante a entrevista, a declaração sobre a declaração unilateral do presidente foi a mais crítica a Bolsonaro. Diante de outros questionamentos, o PGR optou por uma posição mais compreensiva com o presidente, definido por ele como um homem “muito espontâneo” e que tem convicções próprias.”

Muito espontâneo“, viado! Agora “muito espontãneo” virou sinônimo de “maluco“.

“O procurador-geral afirmou, por exemplo, que não vê ilegalidade no fato de Bolsonaro não usar máscara de proteção contra o coronavírus em áreas públicas de Brasília nos últimos dias, apesar de o item ser obrigatório no Distrito Federal desde o dia 18 de maio. “Quando atua nos limites do Palácio do Planalto, não comete ilícito ao não usar a máscara. O regramento vale para o Distrito Federal. Ele age de acordo com a legalidade”, afirmou.”

Caralho, quantas vezes Bolsonaro passeou por Brasília sem máscara?! Cansei de fazer gif do Bolsonaro nessas situações.

“Diante da insistência do jornalista, que citou a presença de Bolsonaro em área do Distrito Federal, sem máscara, o procurador-geral disse não haver provas de que Bolsonaro tem Covid-19 e que a questão está mais ligada às responsabilidades políticas do que jurídicas.”

“Virou passeio, amigo”, diria o Galvão. Vai ser cretino assim lá na casa do caralho, depois dessa era pra tirar o roteador da tomada na hora e nunca mais atender um telefonema da produção do Bial.

“Bial brincou dizendo parecer “assédio hetero…”

Peraê…

Como canta a arquibancada rubro-negra no Maracanã, “deixa de bobeira, deixa de bobagem, já virou sacanagem“. Voltando ao brincalhão do Aras:

“Bial brincou dizendo parecer “assédio hetero a concessão da Ordem do Mérito Naval ao procurador-geral, mas Aras alegou não ter sido comunicado sobre essa homenagem. No entanto, revelou que a receberia com grande honra por ter apreço à Marinha do Brasil.”

E se tivesse sido comunicado teria recebido a medalha da mesma forma.

A parte mais espantosa:

“Aras voltou a demonstrar incômodo com a vinculação do seu nome a uma possível futura vaga no STF e atribuiu especulações nesse sentido a candidatos que estão na carreira jurídica e desejam fritá-lo.

“Essa coisa de me colocar como candidato pode vir de outros candidatos dentro do Palácio, da Procuradoria-Geral da República, da advocacia ou de ministros de outros tribunais”.”

Quem falou isso foi o presidentye da república que lhe escolheu a dedo pois…”amor à primeira vista”.

“Se essas pessoas me veem como adversário, é natural que me atacassem antecipando uma candidatura para me fritar. Na política, a fritura faz parte de um jogo cruel.”

“Ao responder pergunta encaminhada por Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, sobre a inconveniência de um procurador-geral almejar uma vaga no tribunal superior, Aras concordou com a avaliação.”

Hummm, será que ele vai dizer que não aceitaria a indicação?

“Na opinião dele, quem quer ser procurador-geral não pode desejar ser ministro do STF e, se isso ocorrer, será devido às circunstâncias.”

As circunstâncias, viado!

E só falta Aras livrar a cara do presidente e foder com o Moro:

“O que não faltam são dúvidas se o PGR Augusto Aras vai ou não denunciar Jair Bolsonaro por tentativa de interferência indevida na PF. Por enquanto, elas permanecem. O que está ficando mais explícito no entorno de Aras é que o Procurador-Geral da República quer partir para cima de Sergio Moro, cujas denúncias originaram o inquérito em curso no STF. Há um mês, aliás, o próprio Aras divulgou uma nota oficial com críticas a Moro, dizendo que não aceitava “ser pautado ou manipulado ou intimidado por pessoas ou organizações de nenhuma espécie”.” [O Globo]

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5. Celsão

“O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitou o pedido feito por partidos de oposição para a apreensão do celular de Jair Bolsonaro.” [Folha]

Isso é, o show do Heleno foi pra nada, já que o Celso havia apenas encaminhado para análise do engavetador-geral da república, que obviamente foi contra.

“Celso de Mello aproveitou a decisão para mandar um recado ao presidente, que disse que não entregaria o celular. “Contestar decisões judiciais por meio de recursos ou de instrumentos processuais idôneos, sim; desrespeitá-las por ato de puro arbítrio ou de expedientes marginais, jamais, sob pena de frontal vulneração ao princípio fundamental que consagra, no plano constitucional, o dogma da separação de Poderes”, diz trecho da decisão. O decado do STF disse ainda que “na realidade, o ato de insubordinação ao cumprimento de uma decisão judicial, monocrática ou colegiada, por envolver o descumprimento de uma ordem emanada do Poder Judiciário, traduz gesto de frontal transgressão à autoridade da própria Constituição da República”.

Para Celso de Mello, Bolsonaro estaria sujeito a crime de responsabilidade em caso de recusa. “É tão grave a inexecução de decisão judicial por qualquer dos Poderes da República (ou por qualquer cidadão) que, tratando-se do Chefe de Estado, essa conduta presidencial configura crime de responsabilidade, segundo prescreve o art. 85, inciso VII, de nossa Carta Política, que define, como tal, o ato do Chefe do Poder Executivo da União que atentar contra “o cumprimento das leis e das decisões judiciais” (grifei)”.”

“Apesar de enxergar excessos nas falas do ministro Celso de Mello, do STF, neste e em outros episódios, auxiliares de Bolsonaro dizem que não haveria nenhum resultado uma tentativa de pedido de suspeição dele nos inquéritos que investiga o presidente ou ministros. Ainda assim, a ideia é explorar as declarações para levar a apoiadores a imagem de que o magistrado é parcial. Em mensagens a colegas, o ministro comparou o Brasil atual à Alemanha nazista. Antes, já disse que pessoas que abarrotam caixas de mensagens de juízes com recados anônimos e ameaças são “bolsonaristas fascistóides”.” [Folha]

Isso, compartilhem mesmo o decano da suprema corte comparando o governo que emula Goebbels ao som de Wagner e usa slogand e campo de concetração nazista ao Hitler, vai dar super certo sim, vai ser sucesso lá fora.

E eu adorei isso aqui:

“Um ministro do STF pregou, diante da escalada de tensão promovida por Jair Bolsonaro, que o tribunal diminua a quantidade de estocadas públicas trocadas com Bolsonaro, mas frisou que a tendência dos 11 ministros é não recuar do que consideram ser o dever de preservar a constitucionalidade. Disse este ministro, sob sigilo: “Vamos mantê-los ocupados com ações. É a melhor maneira de responder. Assim terão menos tempo de criar polêmicas publicamente”.” [Época]

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6. Gabinete do ódio

É impressionante como Tonho manda e desmanda

“O inquérito do Supremo sobre a difusão de informações falsas chegou à antessala de Jair Bolsonaro. Na investigação constam três integrantes da Assessoria Especial da Presidência: Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. O trio opera com um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, vereador carioca.” [Folha]

Tooooonhoooooo. É por demais imbólico que o pessoal do gabinete do ódio tenha vindo do gabinete na do Tonho da Lua:

“Tomaz e Gomes foram pagos pela Câmara do Rio na campanha de 2018. No Planalto, suas agendas oscilam entre o lacônico “Despacho interno” e o sucinto “Sem compromisso”.  Diniz ganhou um cargo de 27 palavras: “Assessor no Departamento de Relações com a Imprensa Internacional da Secretaria de Imprensa da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria de Governo da Presidência da República”.”

Esse partágrafo aí debaixo é assustador:

“Preocupado, Jair Bolsonaro amplia sua malha de coleta de informações, à margem dos 42 serviços regulares de Inteligência militar, policial e financeira. Decidiu “aprimorar” a cooperação dos núcleos (P-2) da Polícia Militar, fragmentados com a politização dessas forças. Na quinta-feira, em edição extra do Diário Oficial, expandiu a seção de Inteligência do Ministério da Justiça. Fez isso 48 horas após a ação do Supremo contra 25 suspeitos — entre eles, empresários, parlamentares e o ex-deputado Roberto Jefferson. O processo de agregação da espionagem das PMs foi formatado por André Mendonça, que se qualifica como “servo” de Bolsonaro na Justiça. Ele explora brechas da lei numa área sem fiscalização do Congresso.”

Como isso não é a manchete principal de toda capa de jornal é algo que foge a minha compreensão.

“Até existe uma comissão de controle. Ela é comandada pelo senador Nelson Trad (PSD-MS) e por outro filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Houve uma única reunião em 480 dias. Durou 9 minutos e 54 segundos.”

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7. Porra, Lula!

Que entrevista inacreditável, puta que pariu!

“Li os manifestos e acho que tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora. Não se fala em classe trabalhadora, nos direitos perdidos” [Folha]

Disse o sujeito que não fez uma reforma tributária focada em renda, e não em consumo. Isso é ajudar a classe trabalhadora, isso é diminuir a desigualdade. O resto é perfumaria, e tão aí os gráficos sobre desigualdade pra não me deixar mentir. Sob o governo eptista o bolo aumentou, mas as fatias continuaram desiguais.

“Sinceramente, eu não tenho mais idade para ser maria vai com as outras. O PT já tem história neste país, já tem administração exemplar neste país. Eu, sinceramente, não tenho condições de assinar determinados documentos com determinadas pessoas”

Porra, “Maria vai com as outras”?! Imagina que louco se em 2018 o Lula fosse “maria vai com as outras” e tivesse permtido que o PT criticasse Bolsonaro antes do último dia do primeiro turno?! E sim, ele tá falando do Ciro. Bolsonaro no poder, pandemia e Lula tá preocupado com Ciro, porra!

“Na fala, transmitida em redes sociais, o ex-presidente disse ter lido os manifestos do Estamos Juntos (inicialmente assinado por artistas e intelectuais) e do Basta! (organizado por advogados e outros representantes do universo jurídico). Alguns dos manifestos, segundo Lula, são “feitos com boas intenções” e contam com “gente muito boa assinando”, mas também há “aqueles que estão fugindo do barco” —que apoiaram Bolsonaro e agora querem se desvencilhar dele.”

Mais ou menos umas 50 milhões de pessoas, e boa parte desses 50 milhões ajudou a eleger Lula e Dilma. Lula não entendeu PORRA NENHUMA, é desesperador!

“Nós precisamos apoiar qualquer manifesto que for para resolver o problema do Brasil, [mas] não podemos ser levados pela euforia”

Euforia, ele usou a palavra EUFORIA. Que porra de EUFORIA é essa?!

“[Tem] muita gente de bem que assinou. E tem muita gente que é responsável pelo Bolsonaro. O PT tem que discutir com muita profundidade, para a gente não entrar numa coisa em que outra vez a elite sai por cima da carne seca, e o povo trabalhador não sai na fotografia.”

Disse o sujeito que viva tirando onda porque os ricos nuinca ganharam tanto dinheiro como no seu governo.

“O petista disse não ter certeza se o objetivo das mobilizações é tirar Bolsonaro, “porque o que interessa para a elite brasileira é a política de desmonte do Guedes. Eles estão tentando reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes”.”

Quando era o Joaquim Levu enfinado sem KY um ajuste fiscal bizarro, dias depois da reeleição cujo slogan de campanha era “Pátria Educadora“, eu sou sequelado mas dessas porras eu lembro bem demais.

“Para a gente não pegar o primeiro ônibus que está passando. É preciso que a gente analise todos esses manifestos e que conversemos com os organizadores para saber o que eles querem… “há um interesse muito grande da elite brasileira em voltar a governar o país sem o PT”.”

Entendeu o que ele quer? A elite governo com o PT.

“As pessoas acabaram de cometer um ato ilícito, tirando uma presidente democraticamente eleita pelo povo, e aí perceberam que o troglodita que eles elegeram não deu certo. Eles agora querem tentar tirar o troglodita para quê?”

Disse o sujeito que não mexeu uma palha pra salvar a Dilma, aos 45 dos sgeundo tempo foi pra Brasília fazer figuração. Ora, quem mais ganhou com a queda da Dilma foi o PT, porra! Amo a história da Dilma mas sua participação de 2003 pra cá foi uma desgraça – ou ressuscitar o plano Brasil Grande dos milicos como se estivéssemos na década de 70 foi uma grande idéia?!

“Até o Fernando Henrique Cardoso, que é um dos que ajudaram a derrubar a Dilma, porque se acovardou, [assinou]”, continuou o petista, citando o tucano, que aderiu ao Estamos Juntos. “Eu não posso aceitar com muita facilidade aquilo que as pessoas que ajudaram a destruir o país estão querendo fazer. Eu acho que todos esses manifestos têm uma importância para a sociedade e para a democracia, mas é preciso que o PT defina qual é o manifesto que interessa para o PT, qual é a linguagem que interessa para o PT”

Nem o FHC, porra! Caralho, Lula não qur falar com FHC, com Ciro, com a Marina, só serv o espelho.

“O PT não é uma coisa qualquer que pode ser menosprezada. Eu vejo uma tentativa muito grande de isolar o PT, de fazer com que o PT desapareça do cenário político. Eu só quero dizer para o PT o seguinte: o PT não tem idade para outra vez entrar enganado numa disputa. Nós sabemos por que queremos o impeachment do Bolsonaro: porque nós queremos que este país seja governado para os interesses dos trabalhadores brasileiros

Lula jura que está em dezembro de 2010, saindo nos braços do povo.

Encerro com o Lauro jardim:

“Talvez Lula possa tirar suas dúvidas em relação ao manifesto “Estamos Juntos” (o principal dentre os que surgiram) diretamente com um dos mais importantes signatários do documento — Fernando Haddad.” [O Globo]

E sobre as minhas críticas ao PT: há governo sou contra, simples assim. Poder é uma merda, poder corrompe (e aí vai além de corrupção), o poder fode com a cabeça das pessoas e o nosso papel é criticar – em especial se o presidente de turno mereceu seu voto. O resto é perfumaria.

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8. Enquanto isso, no mundo real…

Do Hélio Shwartzman:

“As coisas pioraram para o presidente Jair Bolsonaro. O ingrediente que faltava para o impeachment, a população nas ruas, pode estar começando a surgir. Os outros dois, a saber, crimes de responsabilidade e uma megacrise econômica, já estavam presentes e seguem com tendência de alta. Bolsonaro conseguiu o que parecia impossível, que é unir as torcidas organizadas de clubes com rivalidades ancestrais e histórico de confrontos pela defesa da democracia.” [Folha]

Sim, uma baita proeza.

“Louvo-lhes o gesto cívico, mas, diante de curvas pandêmicas ainda ascendentes, não me parece uma boa ideia que as pessoas vão literalmente para as ruas, quando podem fazê-lo virtualmente, através dos vários manifestos pró-democracia que estão aparecendo e ganhando signatários. Espero que o R0 desses abaixo-assinados seja maior que o da Covid-19.”

Melhor ir pra rua agora que depois do leite derramado. E eis a importância de ir às ruas:

“É importante que a sociedade civil deixe claro que está mobilizada para defender as instituições. O alvo primário do recado é o centrão. Ninguém imagina que os políticos desse grupo pegarão em armas por Bolsonaro. Eles sempre se movem por oportunismo e sabem muito bem que, na hipótese de um autogolpe promovido pelo presidente, se dariam mal. Mas precisam de sinais mais ou menos inequívocos de como andam os humores do eleitorado para deflagrar um eventual processo de debandada. Outros destinatários incluem chefes de Poderes, que devem sentir-se respaldados para traçar linhas que não podem ser ultrapassadas, e generais do Exército, que talvez precisem de um sacolejo para entender que não vale a pena sacrificar décadas de esforço para melhorar a imagem da instituição a fim de defender um ex-tenente fracassado e insubordinado que só pensa em livrar a cara da família cheia de rolos policiais.”

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9. Covid-17

Repare na proeza:

“Os anúncios de flexibilização das medidas de isolamento contra a Covid-19, feitos em vários estados, estão ocorrendo na época em que há maior circulação de vírus respiratórios no país, segundo séries históricas do InfoGripe, sistema de monitoramento da Fiocruz. Avaliando os dados dos últimos anos considerados “regulares” (período de 2010 a 2015 e o ano de 2017), a incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que está associada à circulação dos vírus respiratórios, costuma ser maior exatamente nesta época na maior parte do país. A incidência representa o número de casos de uma doença para cada 100 mil habitantes de uma determinada região.

Conforme esse padrão, na regional leste, a incidência de SRAG começa a aumentar de meados para final de abril (semana epidemiológica 17) e só começa a cair de meados para final de junho (semana 25), para ter uma queda maior em meados de julho (semana 29). A semana epidemiológica é uma convenção usada internacionalmente que vai de domingo ao sábado de uma determinada semana. Nesta segunda-feira (1º), o Brasil está no segundo dia da semana epidemiológica 23. Isso significa dizer que, na prática, os estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará ainda estão no meio da época de maior incidência de SRAG (veja gráfico).” [G1]

Isos é, não chegamos na fase de pico, a quarentena é solenemente ignorada, não temos um médico no ministério da Saúde e vai tudo reabrir, a chance de dar certo é nenhuma.

“Já na regional sul, que engloba os estados do Sul, São Paulo e Minas Gerais, o momento de maior incidência de SRAG ainda está no início: ela começa a ter mais casos entre meados e final de maio (semana 21) até os dias entre o final de julho e início de agosto (semana 31). “Em termos de vírus respiratórios, quanto mais a gente interage, do ponto de vista populacional, com outras pessoas, quanto mais circula na cidade, frequenta ambientes com maior número de pessoas, mais fácil é a transmissão. Então a gente está facilitando [ao abrir]”, avalia Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

O crescimento contínuo de casos de Covid-19 parece não ter gerado preocupação em Ribeirão Preto, que teve as ruas lotadas nesta segunda (1). O calçadão no centro ficou cheio, com muita gente sem máscara, e houve fila diante de shoppings. A cidade tem 1.217 casos confirmados e 27 mortes. O cenário de Ribeirão se repetiu em outras regiões, como as de Bauru, Presidente Prudente e Vale do Paraíba, que também reabriram parte de seu comércio nesta segunda. “Se continuar como estava hoje, todo mundo na rua, vamos ter de regredir se tiver um aumento muito grande dos casos por desrespeito”, disse o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB).” [Folha]

E agora vai, hein!

“O empresário Carlos Wizard, fundador da rede Wizard de escolas de inglês, foi convidado pelo ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, para assumir o comando da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE). A equipe da pasta já foi avisada sobre a nomeação do novo chefe. A assessoria de Wizard confirmou o convite à reportagem e disse que ele aceitará. Wizard atua como conselheiro de Assuntos Estratégicos no ministério. O bilionário e o ministro interino da Saúde trabalharam juntos na “Operação Acolhida”, que ajuda venezuelanos que cruzam a fronteira com o Brasil. Em agosto de 2018, Wizard mudou-se de São Paulo para Boa Vista, capital de Roraima, na fronteira com a Venezuela, para atuar na operação. Ao Estadão, no ano passado, ele relatou que cumpria uma “missão” da igreja mórmon Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que frequenta desde a adolescência em Curitiba, onde nasceu. Nas redes sociais, Wizard escreveu recentemente que algumas regiões do Brasil “vão exigir isolamento total” contra a covid-19. “Outras não têm nenhum caso.”” [Folha]

NENHUM caso, viado! Como que a gente não vai saber se não tem testagem, porra?!

“Em vídeo de 16 de março, publicado nas redes sociais, o empresário afirmou que o “brasileiro está sendo enganado” sobre a gravidade da doença. “Alguns dizem que não passa de uma gripe, que logo vai ser curado. Gente, não é uma gripe como outra qualquer”. No mesmo vídeo, o empresário disse que igrejas “responsáveis” já fecharam as portas. “Sabe o que é pior? Se você não se cuidar, não se precaver, se não tomar medidas necessárias, preventivas, somente as portas do céu estarão abertas para te receber”, completou ele.”

Algo me diz que ele não vai durar muito tempo…

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10. Make Brazil Great Again

Ontem eu postei matéria da Folha dando conta que Trump faria um G-10 ou G-11 e o Brasil estaria de fora. Na mesma hora Bolsonaro ligou para o Trump e…

“O presidente Jair Bolsonaro, em publicação no Twitter, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o Brasil para participar da cúpula do G7 deste ano, no que seria uma vitória para o Planalto.” [Folha]

Ora, sempre que o G7 era expandido para mais países o Brasil participou, SEMPRE. Bata vitória, hein…

“”Conversei, na tarde de hoje, com o presidente Donald Trump, a quem agradeci o envio de 1.000 respiradores, sendo que 50 serão cedidos ao Paraguai. Também conversamos sobre o G7 expandido, o qual o Brasil deverá integrar, bem como questões do aço brasileiro”

Deverá“?! É blefe…

“Trump disse há poucos dias que gostaria de ver o G7 ampliado, um fórum que ele classificou como desatualizado. Na ocasião, sem citar o Brasil, ele afirmou que a Rússia deveria ser readmitida no grupo e que também convidaria Austrália, Índia e Coreia do Sul para comparecerem à cúpula deste ano. “Eu não acho que o G7 representa de forma adequada o que está acontecendo no mundo”, disse Trump no sábado (30) a um grupo de repórteres, segundo o jornal The New York Times. Não está claro se Trump defende uma expansão de fato da aliança —o que precisaria do apoio dos demais membros— ou se ele quer que Rússia, Austrália, Índia, Coreia do Sul e, agora, segundo Bolsonaro, Brasil participem apenas como convidados da reunião de 2020, uma prerrogativa do anfitrião. Devido ao alinhamento de Bolsonaro a Trump, a ausência do Brasil nas recentes declarações de Trump foram interpretadas como uma derrota do governo e desencadearam críticas contra a estratégia pró-EUA conduzida pelo ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores).”

E ainda tem isso ó:

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11. Nada acontece, feijoada

Tem muita gente que aponta o fato do Boslonaro não ter saído preso do plenário após louvar Ulstra, “o pavor de Dilma Roussef“, como o ponto sem volta dessa demência nossa de cada dia. Nada foi feito e aí o deputado que quebrou a placa da Marielle se acha no direito de fazer ameaças a torto e a direito.

“Recentemente, Silveira reativou seu canal no Youtube, onde publicava vídeos defendendo a atuação da Polícia Militar – o deputado é policial da reserva – antes de se eleger para a Câmara. Ele mesmo gravou e publicou ao menos três vídeos, no último domingo, em que chama de “vagabundos” manifestantes que organizaram um protesto antifascista na praia de Copacabana, no Rio, em oposição à militância bolsonarista, que têm saído às ruas todos os domingos, apesar das recomendações de isolamento social por conta da pandemia da Covid-19. Em um dos vídeos, o deputado ameaça se dirigir ao grupo antifascista, e avisa a um policial do cordão de isolamento que estava armado.

— Eu vou lá. Vamos ver se eles são de verdade. O primeiro que vier eu “cato”. Aí fica de lição. Eu queria ir lá pegar um, po. Deixa eu pegar um, caralho – afirma Silveira no vídeo.” [O Globo]

Sim, ele não tá dizendo em revidar se for agredido não, ele tá dizendo em “caçar”. E calma que piora:

“Mais tarde, o deputado gravou outro vídeo em seu escritório para, em suas palavras, “registrar que não estou ameaçando ninguém”. Na gravação, COM UM REVÓLVER EM CIMA DA MESA, o deputado diz que considera uma “hipótese plausível, factível” a de que poderia usar uma arma de fogo para se defender de manifestantes. Silveira – que concluiu a faculdade de Direito no ano passado – afirma em seu vídeo que “o Código Penal de 1940, não fui eu que escrevi aquela porra, está lá e me garante” a legítima defesa, e alerta grupos antifascistas de que “em todas as manifestações há pessoas armadas para se defender, e vão se defender a qualquer custo”. “

E nada acontece, feijoada.

“Em seus vídeos publicados na última semana, Silveira também declarou ser “inviolável”, numa referência à imunidade parlamentar, e declarou ter mais “autoridade” do que ministros do STF, por ter sido eleito por voto popular.”

Ora, se isso vale pra deputado também vale pra vereador, né? E se vale pra sub-prefeito vale pra síndico de prédio, que tem mais voto que qualquer ministro do Supremo. Belíssimo raciocínio.

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12. Antes muito tarde do que nunca

“O governo federal editou a Medida Provisória 975/2020, que institui o Programa Emergencial de Acesso a Crédito e faz alterações em duas leis na tentativa de destravar o crédito para as pequenas e médias empresas do País durante a pandemia do novo coronavírus. Dentre os vários pontos, o texto autoriza a União a aumentar em até R$ 20 bilhões a sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), exclusivamente para a cobertura das operações contratadas no âmbito do programa instituído pela MP. A medida está publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 2, e trata-se de mais uma iniciativa do governo voltada para o segmento, que enfrenta dificuldades para se financiar e cumprir obrigações como o pagamento da folha de salários. O programa será vinculado ao Ministério da Economia e o aporte ao fundo será feito por ato do ministro Paulo Guedes.” [Estadão]

Isso era pra ter sido feito há uns dois meses.

“Antes dessa MP, o governo já havia lançado outros programas para os pequenos negócios. No entanto, os resultados ficaram aquém do esperado. Como o Estadão/Broadcast mostrou, desde o início da turbulência econômica deflagrada pela pandemia, os bancos já emprestaram mais de R$ 900 bilhões em recursos novos, renovações e suspensão de parcelas de empréstimos, conforme balanço da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) publicado ontem. Apesar de o volume beirar R$ 1 trilhão, o recurso às pequenas e médias empresas ainda enfrenta dificuldades para chegar na ponta, seja por problemas na oferta seja até mesmo pelo baixo apetite por endividamento frente às restrições impostas para cessão aos empréstimos.”

O govenro jurou que bastaria diminuir o compulsório que os bancos emprestariam dinheiro loucamente, com uma ingenuidade que muitas crianças já deixaram pra trás.

“O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu na segunda-feira, 1º, que as políticas para pequenas e médias empresas têm de ser intensificadas e que o governo discutiu no fim de semana medidas para que a ajuda chegue de forma mais rápida à ponta. “Esse é nosso principal problema hoje. O Banco Central deve anunciar medidas em breve com esse direcionamento”, disse durante audiência pública virtual na comissão mista que acompanha medidas de combate à pandemia no País. A linha criada pela MP vai atender empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões. Após a publicação da MP, a modalidade ainda deve levar algumas semanas até estar pronta, apurou o Estadão/Broadcast. Isso porque há todo um trâmite de aprovação necessário e questões operacionais.”

Ora, se a implementação demora ‘algumas semanas” e o governo já quer reabrir a porra toda, pra que serviria o crédito, porra?!

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13. Sobre “dog whistle”

Do Fábio Zanini:

“O dono da polêmica bandeira ucraniana associada à extrema direita, que vem sendo exibida em manifestações pró-Bolsonaro em São Paulo, é o instrutor de segurança Alex Silva, 46, que mora no país europeu desde 2014. Ele veio ao Brasil em março, para abrir uma filial da academia de tiro e táticas militares em que trabalha em Kiev, capital do país, e acabou ficando retido aqui em razão da pandemia. Simpatizante de Bolsonaro, Silva tem participado de manifestações, sempre portando a bandeira nas cores vermelha e preta, que é usada pelo Pravyi Sektor (Setor Direito), organização paramilitar criada em 2013 que virou partido político na Ucrânia. Ele diz, no entanto, que não é formalmente ligado ao grupo.

Embora o Pravyi Sektor seja amplamente considerado um grupo extremista e ultranacionalista ucraniano, a bandeira do grupo não é proibida no país, segundo disse o embaixador Rotyslav Tronenko, em entrevista à CNN Brasil. “Não vejo nada de errado no seu uso”, disse. Silva diz que seu grupo estava pacificamente se manifestando na Paulista e foi atacado. “A gente sempre vai de uma maneira ordeira, pacífica, sem quebra-quebra, sem vandalismo. O máximo que a gente faz é vaiar os caras que nos chamam de gado”, afirma. Segundo ele, houve um ataque covarde de representantes das torcidas organizadas, ignorando a presença de idosos e crianças no local. “Eles são terroristas, não são pró-democracia coisa nenhuma”, declara Silva, que diz ter sido agredido fisicamente. A policia, afirma, atuou apenas para isolar os dois grupos.” [Folha]

Terrosistas“, viado! Por eles a esquerda toda seria considerada terroritsta de boa.

“Na Ucrânia, Silva é ligado a uma empresa chamada Center-A, que oferece cursos de treinamento e estratégias militares para firmas de segurança privadas e forças do governo. É uma filial dessa empresa que ele quer abrir por aqui. Paulistano, saiu do Brasil há cerca de 20 anos. Morou nos EUA, Inglaterra, País de Gales e Polônia, sempre trabalhando como instrutor de segurança e fazendo cursos. “Tenho diversos certificados internacionais”, diz. Mais recentemente, esteve no Afeganistão, como mostram imagens em sua conta do Instagram. “Temos vários clientes. Se o cara trabalha na área marítima, por exemplo, damos treinamento contra pirataria. Trabalhamos com iniciantes e veteranos de guerra. Desde o prezinho até o master”. Grande parte de sua clientela, diz, são “contratados privados” que participam de conflitos, os populares mercenários de guerra. Casado com uma ucraniana, Silva diz que não tem planos de voltar ao Brasil definitivamente. Seu grupo funciona como uma espécie de linha auxiliar do governo da Ucrânia, e atua contra rebeldes localizados no leste do país, comandados pela Rússia. O país vive situação tensa desde a derrubada do presidente pró-Moscou Viktor Yanukovych, em 2014, um movimento que teve a participação dos ativistas do Pravyi Sektor, muitos dos quais armados.”

Dandeira neonazista, neonazista pra caralho!

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14. O Deus Mercado

“Com o dólar valorizado em relação ao real, o Brasil se tornou barato aos olhos do estrangeiro, o que pode se traduzir em aumento do investimento e retomada surpreendente do crescimento no período pós-pandemia do coronavírus, se o País mantiver o compromisso fiscal e a agenda de reformas, avalia o economista-chefe do Bradesco” [Estadão]

“Se a discussão (sobre contas públicas) for melhor do que o cenário base, o PIB pode surpreender. Pode começar já no segundo trimestre uma discussão mais forte sobre a reforma tributária e administrativa, sobre as privatizações. Barato o País já ficou pela depreciação do câmbio. Agora, para a percepção de ficar barato se transformar em uma oportunidade de investimento, depende de olhar para frente e ver que a perspectiva é boa.O Bradesco alterou a perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil depois do resultado do primeiro trimestre, de queda de 4,0% para recessão de 5,9%. Para 2021, a projeção foi mantida em alta de 3,5%”

3,5% em 2021, viado!

“A técnica é que a projeção de 3,5% do ano que vem já tem embutida uma recuperação forte na margem (alta de 5,5% do PIB no 3º trimestre e de 2,0% no 4º trimestre). “

Haja otimismo, plmdds…

“A gente tem separado essa crise em três pilares: de saúde pública, de impactos econômicos e de respostas de políticas públicas, de estratégias de saída. Para pensar a atividade, quanto o PIB vai cair este ano quanto vai subir no ano que vem, ainda dependemos muito do primeiro pilar, ou seja, de saúde pública. É o que vai determinar a profundidade e extensão do segundo, que são os impactos econômicos. E até mesmo o terceiro, sobre quais vão ser as respostas de políticas públicas necessárias para mitigar os efeitos (da crise). Então, o que estamos olhando com lupa é ainda o primeiro pilar. Quando os casos do Brasil vão se estabilizar. Aqui, eu diria que há boas e más notícias: as boas notícias são que o Brasil conseguiu ter uma curva menos inclinada do que a maior parte dos países em que houve colapso do sistema de saúde. Isso ajudou bastante a proteger algumas vidas. A má notícia é que a nossa curva ainda não se estabilizou, ainda está crescendo.”

É por isso que os sistemas de saúde ainda não colapsaram, ora pois. E isso se deve ao trabalho dos governadores, é bom lembrar.

Esses números sobre a retomada chinesa são interessantes:

“O que temos visto é o exemplo da China, que voltou com a produção industrial relativamente rápido, rodando hoje entre 80% a 90%, o comércio está rodando de 50% a 60% do que era o pré-crise e o setor de serviços em 30% a 40%.”

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15. Fukuyama, Levitsky e Mounk

Baita texto do Guilherme Amado:

“Jair Bolsonaro costuma dizer que jornalistas e analistas brasileiros são demasiadamente críticos com seu governo, por considerar injusto que se apontem os erros de sua gestão e os excessos e irregularidades cometidos por alguns de seus familiares. Bolsonaro foi detectado por Francis Fukuyama como uma ameaça democrática séria muito antes do que aqui no Brasil. O americano, um dos mais estrelados nomes da Universidade Stanford, na Califórnia, colocou em 2017 o então deputado federal na aula sobre democracia que dá há anos aos alunos da graduação. Bolsonaro era citado como integrante do que ele chama de Internacional Populista, ao lado do húngaro Viktor Orbán, do americano Donald Trump e da francesa Marine Le Pen. Por causa disso, Fukuyama me deu uma entrevista, publicada no jornal O GLOBO exatamente um ano antes de Bolsonaro ser eleito, em que ele afirmava, sem rodeios, que o então candidato era um “populista perigoso”. Foi chamado de comunista pelos seguidores do presidente, o que chega a ser ao mesmo tempo revelador da ignorância do séquito bolsonarista e engraçado: a carreira de Fukuyama foi marcada pelo ensaio O fim da história?, publicado em 1989, onde defendia que o desenvolvimento levara a um fim da história não marxista — ou seja, uma utopia comunista —, mas sim hegeliano, de um Estado liberal com uma economia de mercado.” [Época]

Que proeza do caralho, é preciso admirar tamanha imbecilidade. Se perguntar pro quase embaixador em Washington quem é Fukuyama o 02 responde “aquele ploto de F1”

E o Fukuyama sabia muito mais que a imprensa brasileira, viado!

“Fukuyama, portanto, acompanha Bolsonaro há tempos. Não se informa somente pelo que lê na imprensa americana. Tem fontes no Brasil, com quem conversa regularmente para tomar pé da situação, e é provavelmente por isso que impressiona o nível de conhecimento que tem da política brasileira. “Tenho acompanhado os acontecimentos no Brasil com grande preocupação. Meu maior temor é que Bolsonaro vá chamar o Exército para se manter no poder, à medida que sua popularidade afunda”, alertou, fazendo uma ressalva: “A pergunta, para mim, entretanto, é se o Exército vai querer tomar o poder nessas circunstâncias, tendo de lidar com a epidemia e com uma economia colapsada”.”

Isso bate com a thread do Allan do Terça Livre.

“Do outro lado da costa americana, o professor de Harvard Steven Levitsky é alguns decibéis mais duro com Bolsonaro. Levitsky escreveu, com Daniel Ziblatt, um dos livros de cabeceira para entender a crise atual das democracias, Como as democracias morrem, em que analisam a eleição de Donald Trump em 2016 e diversos regimes autocratas no mundo.Levitsky avalia que a pandemia está ensinando o preço de eleger populistas. “Populistas como Jair Bolsonaro chegaram ao poder criando sua própria versão da realidade: uma narrativa em que eles são os heróis de que os países desesperadamente precisam e quem deles discorda é um vilão sinistro. Mas, nos últimos meses, muitos países aprenderam como é caro o preço que pessoas comuns acabam pagando por esse voo rumo à fantasia”, analisou, avaliando a resposta brasileira à Covid-19 como entre “as piores do mundo”. “Comparando ao redor do mundo, a resposta do governo brasileiro está, tragicamente, entre as piores. Bolsonaro é um de um punhado de presidentes populistas — Trump é outro — que negaram a seriedade da pandemia e teimosamente recusaram-se a tomar providências para proteger dezenas de milhares de vidas.” “Populistas chegaram ao poder rejeitando elites e especialistas. Mas, em momentos de crise, quando o conhecimento de especialistas é questão de vida ou morte, esse tipo de atitude pode ter consequências devastadoras.”

Pleno século 21, pandemia rolando e o presidente sai na mão com o método científico, que bad trip escrota do caralho!

“O terceiro com quem conversei foi Yascha Mounk, também professor de Harvard e da Johns Hopkins, em Washington. Seu O povo contra a democracia mostra como governos antissistema querem restituir o poder ao “povo” — com essa nomenclatura, mas referindo-se apenas à parcela da população que mais os apoia —, e ir contra qualquer obstáculo institucional (alô, STF, alô, Congresso!). É a turma verde-amarela que vai para a porta do Planalto aos domingos pedir o fechamento dos dois outros Poderes, ignorando ou fingindo ignorar que é porque existem os outros Poderes e por haver democracia que eles estão ali protestando. Mounk também é duro ao analisar a resposta brasileira à pandemia. “O Brasil é agora um dos países com o mais alto número de casos de coronavírus no mundo. O vírus ainda está se espalhando pelo país e num ritmo rápido. E a taxa de mortalidade está crescendo todos os dias. O Brasil teria de ter se esforçado em conter o vírus”, criticou.”

O gran finale:

“Mas nada disso há de importar a Bolsonaro. Certamente Fukuyama, Levitsky e Mounk devem ser petistas empedernidos que querem fazer do Brasil uma nova Venezuela.”

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16. Todo e qualquer otimismo é em vão.

Fiquei desconcertado com essa coluna do Moiséis Naim, a única saída é abraçar o caos.

“A covid-19 é a coisa mais importante que está acontecendo para todo o planeta. Mas há outras coisas também ocorrendo, que embora sem o alcance e as consequências da pandemia, revelam tendências mundiais que afetarão toda a sociedade.

Muitos gafanhotos. Eles são uma das piores pragas de que fala a Bíblia. Felizmente não são frequentes. No século 20, houve cinco surtos que devastaram as colheitas e deixaram a carestia no seu rastro. No fim do ano passado, o surto mais feroz dos últimos 25 anos se deu no deserto de Rub’ al-Khali, na Arábia Saudita, um dos lugares mais remotos e isolados do mundo. Os insetos deste surto são mais jovens do que os de costume, voam em uma velocidade maior e podem percorrer até 200 quilômetros em um só dia. Sua população se multiplica por 20 a cada três meses. No Quênia, um enxame estimado em 192 bilhões de gafanhotos alcançou uma dimensão três vezes maior do que a da cidade de Nova York. Em um único dia, um enxame de tamanho regular chega a devorar uma colheita que poderia alimentar 35 mil pessoas. A crise atual dos gafanhotos é também mais internacional. Saída da Península Arábica, atacou a África. Agora está devastando a agricultura da Índia, Paquistão e Afeganistão. A causa? Os ciclones que geram as condições de umidade propícia à reprodução dos gafanhotos. Antes, nas zonas de onde os enxames se originam, ocorria apenas um ciclone por ano e nenhum durante longos períodos.” [Estadão]

Ca – ra -lhooo! Já tinha lido sobre mas continuo me espantando…

“Nestes tempos, no mundo, não se registra apenas uma presença excessiva de gafanhotos, como também há petróleo em demasia. Com as economias fechadas, a metade dos trabalhadores formais do mundo em suas casas e o transporte severamente restrito, o consumo de petróleo caiu enormemente. Amy Jaffe, especialista em política energética, calcula que o excesso de petróleo acumulado em 2020 pode superar os bilhões de barris. Este petróleo bruto precisa ser armazenado, e a capacidade existente no mundo está chegando ao limite. Desse modo, hoje a cotação do petróleo é a mais baixa dos últimos 18 anos. As consequências deste fato para o futuro da energia no mundo são enormes. Investir em energia agora é menos atraente, por exemplo. A Agência Internacional de Energia acaba de informar que este ano ocorreu a maior queda da história dos investimentos no setor. Não só baixaram os investimentos em carvão, petróleo e gás, mas também em fontes renováveis, como energias solar e eólica. A falta de investimentos acabará reduzindo os volumes produzidos, provocando a subida dos preços.”

Isso vai dar uma merda! Cadeias energética são frutos de investimentos contínuos, um choque desse não sai impune.

“Mas, enquanto isto acontece, os preços baixos levaram à falência as empresas de energia que operam com altos custos de produção ou têm uma situação financeira precária. Além disso, países como Arábia Saudita, Rússia, Irã, Nigéria ou Venezuela, cujas economias dependem quase exclusivamente da exportação de gás e petróleo, sofrerão uma crise econômica debilitante que poderá causar turbulências políticas internas ou alimentar conflitos internacionais.

Hong Kong morreu. Não por causa do vírus, mas por causa dos líderes chineses. A Assembleia Nacional Popular da China acaba de aprovar uma lei de segurança nacional que proíbe atividades como “traição, secessão, sedição, e subversão” em Hong Kong. Agora, o governo de Pequim pode intervir quando quiser no território, reprimindo toda atividade que considerar uma ameaça e ignorando as autoridades eleitas. Inevitavelmente, o papel crucial que até agora Hong Kong desempenhou como um dos pilares da economia da China declinará.”

Pela lógica sim, mas eu não teria tanta certeza.

“A China tem um território de 9,3 milhões de quilômetros quadrados e 1,4 bilhão de habitantes. Hong Kong tem 110 quilômetros quadrados e 7,5 milhões de habitantes. Como é possível que uma cidade tão pequena seja tão ameaçadora para um país tão gigantesco? É que de repente a China experimenta um imenso apetite pela hegemonia mundial. Durante muito tempo, as autoridades chinesas insistiram que o restante do mundo não tem o que temer com o auge econômico ou com a crescente influência do seu país. A prioridade nacional, afirmavam, era tirar da pobreza tantos dos seus compatriotas quantos fosse possível e no menor tempo possível. Mas, ultimamente, começaram a aparecer sintomas de que o sucesso econômico abriu o apetite geopolítico dos líderes de Pequim.”

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17. This is America

Na falta de tempo vai uns tweets mesmo e FUCK THE POLICE!

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>>>> Hoje no Casos de Brasília, com Cristina Rocha… “Na agenda de Jair Bolsonaro hoje consta o comparecimento (virtual) à posse de Alexandre de Moraes no TSE, às 18h.” [O Globo]

>>>> E lá vou eu criticar uma medida desse governo – e olha que o presidente do BC se mostrou um demente de mão cheia na fatídica reunião ministerial: “O Banco Central decidiu ontem que as instituições financeiras não podem dar qualquer tipo de aumento de remuneração aos seus executivos durante o período de pandemia — estão incluídos na decisão diretores, administradores e membros do conselho de administração e do conselho fiscal. Essa proibição inclui inclusive promessa de reembolso futuro por desempenho obtido durante o período de calamidade pública.” [O Globo]

>>>> A esperança da ODebrecht – e de todas as outras construtoras e não vai aqui nenhuma crítica: “Internamente, a cúpula da Odebrecht trata o programa Pró-Brasil, plano coordenado por Braga Netto para tentar acelerar a recuperação econômica pós-pandemia, como a salvação para a construtora.” [O Globo]

>>>> Vai dar merda: “O governo Jair Bolsonaro turbinou a contratação do Exército para tocar grandes obras. Os militares mantêm hoje uma carteira com R$ 1 bilhão de projetos em execução. A maioria dos empreendimentos pertence ao Ministério da Infraestrutura. O Ministério do Desenvolvimento Regional também é um cliente dos militares. Com o porte bilionário, o Departamento de Engenharia do Exército se consolida como uma das maiores empreiteiras na lista de fornecedores da União. Essa injeção de recursos leva a críticas de empresas privadas. Nos bastidores, construtoras privadas que já atendem o governo reclamam que o Exército está sendo beneficiado com os melhores projetos. Elas não quiseram falar por temer represálias. O Exército nega. Segundo a corporação, a participação dos militares em obras de cooperação é muito pequena. “Não há, portanto, nenhum tipo de prejuízo ou concorrência com a iniciativa privada.”” [Folha]

>>>> Ao invés de interferência, maturidade!“O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro —seu pai— pretende influenciar na escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, em fevereiro de 2021, e previu que nomes de partidos do centrão terão grandes possibilidades de vitória. “O presidente Jair Bolsonaro sempre respeitou muito a independência dos Poderes e não participou ativamente dessa primeira eleição, desse biênio em que foi eleito o Rodrigo Maia. Atualmente, já ocorreu a maturidade para que seja necessária não a interferência, mas a participação do governo”, afirmou nesta segunda-feira (1º), durante participação no congresso online do Movimento Brasil Conservador. Segundo ele, seria justo o Poder Executivo participar da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. “Há uma relação direta [do governo] com os parlamentares, os deputados vão aos ministérios”.” [Folha]

>>>> Que chato… “O grupo de hackers Anonymous Brasil expôs na noite desta segunda-feira dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A publicação das informações ocorreu no Twitter por meio de links para páginas com os documentos. Foram compartilhados os CPFs de Bolsonaro e de seus filhos, além de telefones, endereços e dados sobre imóveis da família do presidente. Parte dos dados, como as declarações de bens imobiliários, já era pública e estava disponível na plataforma de divulgação da Justiça Eleitoral destinada a informações sobre patrimônios de candidatos. Os números de telefone, no entanto, eram dados privados. Outros alvos foram os ministros da Educação, Abraham Weintraub, e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Também foram divulgadas informações pessoais do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP). O deputado confirmou pelo Twitter a veracidade dos dados compartilhados pelo grupo hacker e informou que fará um boletim de ocorrência. Procurado para comentar a divulgação de dados, o Palácio do Planalto ainda não se manifestou.” [O Globo]

>>>> Whitney em maus lençóis: “Com um processo de impeachment cada vez mais iminente na Assembleia Legislativa do Rio, o governador Wilson Witzel tenta recompor, em vão, sua base de apoio, que vem se desfacelando no Parlamento diante das investigações de supostas fraudes em contratos emergenciais em sua administração. No fim de semana, o cargo de secretário de Polícia Civil foi para a mesa de negociação. O deputado Carlos Augusto Nogueira, do PSD, partido cuja bancada tem cinco nomes, chegou a ser convidado para ocupar a vaga deixada pelo delegado Marcus Vinícius Braga, mas recusou a proposta. Ele teria indicado uma colega, Patrícia Alemany, que comanda hoje o Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro. O acordo garantiria, além dos cinco votos do PSD, mais dois de outros parlamentares. Mas a repercussão dessa costura não foi como o governo esperava. Alguns delegados denunciaram intervenção política na instituição, e um grupo cogitou até entrar na Justiça com um mandado de segurança por desvio de finalidade. A delegada Martha Rocha, deputada pelo PDT, também criticou a barganha com a Polícia Civil. Pressionado, à noite, o governo anunciou que vai nomear para o cargo o delegado Flávio Marcos Amaral de Brito, subsecretário de Gestão da Polícia Civil, que estava interinamente no comando da secretaria. — Fui convidado pelo governador, mas não aceitei, pois isso contaminaria meu votos futuros na Alerj — disse Carlos Augusto, referindo-se ao fato de ter que se alinhar ao governo. — Eu jamais deixaria de ser imparcial. O governador me perguntou sobre a possibilidade de indicar a Patrícia, assim como outros nomes — completou. Witzel precisa de pelo menos 36 dos 70 votos da Alerj para impedir seu impeachment, caso o processo vá adiante. Parlamentares dizem que ele não chega hoje a um um terço desse número. — A situação do governo é dramática. A curto prazo, ele não consegue nem uma dúzia de votos. A corrupção é inaceitável. E, na área da saúde, durante uma pandemia, é crime hediondo — disse Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB).” [O Globo]

>>>> Hora de afetar surpresa: “Aliados do ex-ministro Sérgio Moro já veem seu caminho na política como certo. Mesmo com uma postura mais discreta, sem mostrar explicitamente suas intenções, Moro tem deixado claro, segundo esses interlocutores, que o percurso mais provável no médio prazo será mesmo o político-eleitoral. A intenção de seguir carreira como advogado ou palestrante enfrentará obstáculos e será observada pela opinião pública com lupa, afirmou um aliado. Até Rodrigo Maia disse: “Não sei se ele é candidato, mas tem agido como político”. Desde que deixou a pasta, num rompimento traumático com o governo Bolsonaro, tem constantemente sido aconselhado a submergir. O que fez, de certa forma: no seu último mês no ministério, fez 106 publicações no Twitter; no mês seguinte após sair, o volume caiu para 31. Para o entorno de Moro, o problema é o teor muito mais político dos tuítes e sempre reativo a provocações. Interlocutores disseram que, quando é provocado pelo ex-chefe, “ele não se aguenta”.” [Folha]

>>>> Eleições na Bolívia: “Os partidos políticos da Bolívia, mediados pelo Tribunal Supremo Eleitoral do país, chegaram na noite desta segunda-feira (1º) a um acordo: as eleições presidenciais ocorrerão no próximo dia 6 de setembro. Assim, terá passado quase um ano da polêmica votação original, em 20 de outubro de 2019, que concedeu uma controversa vitória em primeiro turno ao então presidente, Evo Morales. Com o resultado contestado, começaram tensões e enfrentamentos em várias cidades da Bolívia, que resultaram na pressão das Forças Armadas para que Evo renunciasse. Desde então, quem governa de modo interino é a direitista Jeanine Añez, cuja legitimidade no cargo também é contestada, pelo fato de ter usado brechas constitucionais para se apresentar como a seguinte na linha de sucessão, uma vez que o então vice-presidente, Álvaro García Linera, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram.” [Folha]

Dias 5145, 516 e 517 | Celsão e a mais linda das voadoras| 30 e 31/05/20 e 01/06/20

O podcast tá de volta amanhã, tenham suas respecitvas calmas.

Eu já erro digitação a torto e a direito, segunda então, quando tenho que ediar três dias em poucas horas, é um show de horrores, acostume-se : )

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1. Celsão em Dia de Fúria

Pra chegar ao Celsão dando a mais linda das voadores é preciso passar pelos 300 de Sparta, que eram fodas mas tiveram sua imagem de séculos fodida de forma inapelável pelas bandas de cá por Sara Winter e sua trupe:

“Um grupo de pessoas mascaradas carregando tochas protestou no início da madrugada deste domingo (31) em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal).” [Folha]

Com tochas, belíssima idéia, a cara desse governo.

“Em sua conta no Twitter, Winter rebateu comparações entre o protesto e o grupo supremacista. “A ideia foi de um apoiador que é judeu e quem comprou as tochas e máscaras foi um organizador dos 300 que é negro”, escreveu. Ela também diz que irá processar quem a “imputa a alcunha de nazista, fascista e outros insultos” no Twitter.”

A idéia é dum judeu e o negro foi encarregado das compras, entendeu?

“O acampamento chamado Os 300 do Brasil, do qual Sara Winter é líder, tem participantes armados, como a própria coordenadora afirmou em entrevista à Folha. Ela disse, contudo, que as armas são apenas para autodefesa. O porte de armas em manifestações é proibido pela Constituição.”

Que constituição?!

“Um dos objetivos do grupo é treinar militantes dispostos a defender o governo Bolsonaro. A ativista também teve breve passagem pelo Ministério dos Direitos Humanos, cuja titular é Damares Alves.”

Nem a Damares aguentou a Sara, viado!

Entra em cena Celsão, na noite do domingo, caprichando na caixa alta no whatsapp dos ministros do STF:

“GUARDADAS as devidas proporções, O “OVO DA SERPENTE”, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) , PARECE estar prestes a eclodir NO BRASIL ! É PRECISO RESISTIR À DESTRUIÇÃO DA ORDEM DEMOCRÁTICA, PARA EVITAR O QUE OCORREU NA REPÚBLICA DE WEIMAR QUANDO HITLER, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo Presidente Paul von Hindenburg , em 30/01/1933 , COMO CHANCELER (Primeiro Ministro) DA ALEMANHA (“REICHSKANZLER”), NÃO HESITOU EM ROMPER E EM NULIFICAR A PROGRESSISTA , DEMOCRÁTICA E INOVADORA CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR, de 11/08/1919 , impondo ao País um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição , em março de 1933 , da LEI (nazista) DE CONCESSÃO DE PLENOS PODERES (ou LEI HABILITANTE) que lhe permitiu legislar SEM a intervenção do Parlamento germânico!!!! “INTERVENÇÃO MILITAR”, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, NADA MAIS SIGNIFICA, na NOVILÍNGUA bolsonarista, SENÃO A INSTAURAÇÃO , no Brasil, DE UMA DESPREZÍVEL E ABJETA DITADURA MILITAR !!!!”

Até que enfim alguém chamou as coisas pelo nome, né? Ou é algum absurdo alertar para um governo que usa slogan de campo de concentração nazista, emula Goebbels ao som de Wagner e semana sim semana não toma esporro de asosciações judaicas por comparaçãoes esúpidas com o nazismo?!

E tem gente por aí dizendo que Celsão se equivocou pois sua suspeição poderia ser pedida. Bem, isso parte da premissão que Celso é ingênuo, e isso o decano do Supremo não é nem fodendo. Quem decide suspeição são os ministros do Supremo, incapazes de apontar as inúmeras suspeiçãoes do Gilmar, não farão isso agora com Celsão nem fodendo, e o decano sabe disso melhor que ninguém. Ele quis mandar um recado em alto e bom som, com bastante caixa alta,

“O tom usado pelo decano surpreendeu colegas do STF, que apontam que a fala deu munição ao Palácio do Planalto e abriu brecha para o presidente da República apontar até mesmo a suspeição do ministro na condução do caso. Integrantes da Corte chegaram a suspeitar que o comentário fosse “fake news”. Uma fonte do governo, no entanto, avalia que seria difícil o STF declarar a suspeição de Celso de Mello – caberia aos próprios colegas de Celso analisarem a postura do decano, um dos ministros mais respeitados e admirados no tribunal. A suspeição, nesse sentido, serviria mais para marcar uma posição política do Palácio do Planalto. Após a divulgação do comentário de Celso, o ministro Gilmar Mendes, do STF, pediu “ponderação e cuidado” em meio a um domingo marcado por protestos contra e a favor do governo. “A gente não deve acender fósforo para saber se existe gasolina no tanque”, disse Gilmar. “O momento recomenda ponderação e cuidado para todos.”” [Estadão]

Como que pra corroborar Celsão, Bolsonaro resolveu se valer de uma frase do Mussolini, viado!

“Jair Bolsonaro compartilhou neste domingo um vídeo com uma frase do ditador italiano Benito Mussolini, “É melhor viver um dia como um leão, que cem como um cordeiro”. No vídeo, um senhor fala em italiano enquanto caminha nas ruas. Na legenda da publicação, Bolsonaro afirma que homem resume “o que passamos nos dias de hoje”. Em 2016, Donald Trump também citou a frase em suas redes sociais. Na época, o presidente americano chegou a ser questionado pela publicação, mas afirmou que se sentia atraído pelas palavras e que não fazia diferença se havia sido proferida por Mussolini.” [Época]

Numa semana usam slogan de campo de concentração nazista, na outra citam Mussolini. Pra usar uma palavra que eles adoram, isso não é “histeria” do Celsão nem fodendo.

Ramos falou pelos generais, os generais poderiam imaginar muita coisa, menos que o governo em que eles deram um all-in alucinado seria comparado dessa forma pelo mas expeirente juiz da Suprema Corte – cê tem noção do estrago que uma mensagem dessa tem lá fora?

“Em suas redes sociais, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, rebateu o ministro do STF, Celso de Mello, que comparou o Brasil atual à Alemanha nazista em mensagem enviada aos ministros da corte nos últimos dias. “Comparar o nosso amado Brasil à ‘Alemanha de Hitler’ nazista é algo, no mínimo, inoportuno e infeliz . A Democracia Brasileira não merece isso. Por favor, respeite o Presidente Bolsonaro e tenha mais amor à nossa Pátria!”, escreveu Ramos nas redes sociais.” [Cidade de Brasília]

Sim, o problema do Celsão é que ele não tem amor à pátria, sabe quem também usou e abusou do patriotismo?! Hitler e Mussolini, porra, vai ser burro assim lá na casa do caralho.

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2. Malditos milicos

Mourão foi entrevistado pelo Valor.

A jornalista começa abordando a tensão institucional e Mourão já adianta os trabalhos e diz, sem nem ter sido perguntado, que o golpe é algo “fora de propósito“. A jornalista é daquelas que não deixa o entrevistado conduzir a dança e logo o interrompe, mencionando a ameaça do Heleno ao STF em papel timbrado do GSI:

“Não me preocupo com isso. Acho que muita coisa é só retórica inflamada. Acho não, é retórica inflamada de ambos os lados. Existe um clima de torcida organizada para tudo, desde o remédio [a cloroquina] até decisão…” [Valor]

Então ficamos combinado assim: o general que comanda o GSI – aquele que foi intimado a depor no STF, deu escândalo pela menção a depor debaixo de vara se faltasse na data marcada e quando depôs mentiu loucamente – escreveu uma ameação ao STF, ameaça essa corroborada pelo ministro da Defesa, outro general, e o vice-presidente, mais um general, classificou a nota como “RETÓRICA INFLAMADA”, “COISA DE TORCIDA ORGANIZADA“. General humilhando general, é assim que eu gosto de ver, porra!

A jornalista insiste e cita trecho da nota do GSi “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”

“Esse caso do Heleno já passou. Na sexta-feira [dia 22] ele fez um desabafo com aquele encaminhamento do [ministro do STF] Celso de Mello.”

Agora virou “desabafo“. Onde já se viu ministro de GSI desabafar em nota oficial?! E onde já se viu classficar ameaça de golpe como  “desabafo“?!

E o Mourão deixa claro que a nota foi feita sob berros do Bolsonaro, o general Heleno nada mais é que um diminuto office-boy da ira do capitão.

“E o presidente se irrita. Essa é uma característica pessoal dele. A gente procura conversar com ele para ele não se irritar porque quem te irrita te domina. Ele compreende, mas tem hora que ele faz os desabafos dele.”

Quem diz isso é o vice. E é fascinante como ele diz “tem hora” como se fosse uma vez ou outra, algo que não é corriqueiro.

“Deixa o cara governar! Deixa o cara governar! “

“Se ele cometer erros, dentro do limite da responsabilidade dele, como “n” governantes já cometeram, vai chegar em 2022 e ele será julgado pelo eleitorado.”

Valeu pra Dilma, meu abençoado?!

“É assim que se processa no sistema democrático. Mas nós entramos em uma espiral tão grande no nosso país que se você olha dos cinco presidentes do período democrático, pós 64, dois sofreram impeachment, um está condenado duas vezes e os outros tiveram processos. É uma coisa de louco isso aí.”

E enquanto a imprensa se recusa a chamar Bolsonaro de extrema-direita, o general Mourão deu aula aos jornalistas brasileiros, que quadra escrota da história:

“Fomos governados pela esquerda e pela centro esquerda e agora é a centro direita e alguns da direita mais extremada.”

Pera lá, PSDB não é centro esquerda nem fodendo, e nem vou falar nada do Michel Miguel, puta que pariu. E periga Mourão incluir aí no bolo os perigosos comunistas Itamar Franco e Collor. Se bobear até Sarney é chegado num Marx.

Mas voltando ao absurdo maior: sim, até o general vice-presidente reconhece que esse governo é, em parte, de extrema-direita.

“Isso é a alternância democrática. Deixa esse pacote passar. Se provar que funciona ele será eleito em 2022 e, se não funcionar, ele irá para o lixo da história.”

Chupa que é de uva, imprensa brasileira! Bolsonaro deve ter ficado MUITO PUTO com essa entrevista, folgo em saber.

“Deixa a turma cumprir sua tarefa. Se tem algo com o qual não se concorda, então entra com uma ação ou o Congresso bloqueia.”

Mas aí esse mesmo governo reclama de interferência dos demais poderes, “deixa o cara governar“, né, general? A jornalista maravilhosa então pergunta se quem mais criou tensão não foi o próprio presidente:

“Eu não vejo só dessa forma.”

Não, imagina, e daí que o presidente é capaz de proezas como publicar um vídeo de hienas, como se fossem os demais poderes, atacando um corajoso leão – no caso, o Boslonaro.

“O que vem acontecendo no Brasil é que nos últimos 30 anos os Poderes Legislativo e Executivo só sofreram desgastes. No Legislativo foram os anões do Orçamento, o mensalão, o petrolão, a máfia das ambulâncias, a máfia dos sanguessugas. O Legislativo foi totalmente contaminado por escândalos de corrupção e o Executivo, atrelado ao Legislativo pelo presidencialismo de coalizão – detesto essa expressão por que para mim todo presidencialismo tem que ser de coalizão porque senão não governa – e o Executivo também. O Judiciário ficou meio que de fora disso aí e passou a ter um protagonismo além dos limites dele, começou a legislar, a interferir em decisões que eram do Executivo, sem ser contestado. Dizem que o STF diz a última palavra, mas ele está dizendo a primeira, muitas vezes.”

“Agora o presidente mudou a forma de se relacionar com o Congresso e está buscando formar uma base. Aí sentam o dedo em cima nele: ‘Ah! Você está se unindo com o Centrão’. Com quem ele vai se unir? Aí todos criticam. Você fica entre a cruz e a espada. Se não faz está errado e se faz está errado também.”
 
Sofrem muito, né? “E se gritar pega centrão, não fica um meu irmão…“. O que é bacana é que os generais entenderam que os demais presidentes não se aliaram ao centrão por sadomasoquismo, não é que eles acordaram num dia e pensaram “porra, que vontade de ser extorquido pelo Centão, vou ligar praqueles filhos da puta, tá tudo muito monótono…“.

“O que acontece, eu vejo, é que a relação entre Executivo e Legislativo vai se harmonizar. ‘Ah, mas vai ter cargos!’ Isso faz parte, sempre fez. Compete aos organismos de fiscalização cumprir seu papel e o ministro da área ficar em cima disso aí.”

Sim, com o Aras, que defende o Bolsonaro mais que a AGU, com uma PF indepedente e por aí vai. E não esqueça de mandar sua cartinha para o Papai Noel.

“Para que está aí a CGU [Controladoria-Geral da União]? Quando começou a distribuição de recursos do combate à covid-19 eu chamei o Wagner [Rosário, ministro da CGU] e disse para ele montar uma força-tarefa e ficar em cima porque nós não podemos contemporizar com a bandidagem.”

Bandidagem“? Aquele pessoal que alinha discurso, general?!

A jornalista pergunta sobre recursos públicos vs privados e a resposta é dum cretinismo capaz de orgulhar o Guedes:

“Você sabe, nós não podemos caminhar para o desastre. Nós herdamos um governo sem capacidade de interferir. Temos zero de capacidade de interferir e não podemos contribuir com o desequilíbrio fiscal. Então vamos ter que buscar uma forma de voltar a induzir o funcionamento da economia com um mínimo de recursos públicos porque não temos espaço fiscal. Tenho conversado sobre isso e o governo pode botar uns R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões de mais endividamento para obras de infraestrutura. Também não se pode chegar e dizer que temos R$ 60 bilhões para investir, porque o governo não conseguiria gastar.”

Caralho, viado, ele falou “TRÊS, QUATRO BILHÕES“, um país de dimensões continenatais, é um completo retardado.

“Temos que retomar a agenda de reformas que crie um ambiente de negócios mais virtuoso para que os investidores privados venham participar. Talvez tenhamos, também, que continuar o auxílio emergencial, não de R$ 600 mas de uns R$ 200. O dinheiro nas mãos dos mais necessitados volta imediatamente [para a economia] porque ele vai comprar comida, pagar uma conta de luz.”

Sim, o valor inicial do governo, espantosos R$ 200. Na cabeça desses dementes os três meses do auxílio expiram e milagrosamente todos os problemas da pandemia acabam.

“Acho que essa questão das “fake news” é choro de perdedor e isso virou moda no Brasil.”

“Querer levar para as “fake news” e dizer que isso foi abuso do poder econômico na campanha como foi a do presidente Bolsonaro – e na minha eu gastei R$ 20 mil – é despropositado. Mas faz parte da pressão política. Querer desqualificar a eleição do presidente Bolsonaro por fatos dessa natureza é totalmente inadequado. Quanto ao impeachment, não vejo clima no Congresso para isso e, a partir do momento em que estiver azeitado o relacionamento com os partidos políticos do chamado Centrão, dificilmente evolui.”

Azeitado, viado!

Eu vou é dançar com a bunda colada na parede.

“Temos que voltar a estender as pontes. Temos que reconstruir essa relação e dialogar com o Supremo. Julgo que o STF tem que entender as suas responsabilidades. Essa questão das decisões monocráticas de ministros, em temas que são extremamente controversos, é problemática. Vamos lembrar que em 2016 o Senado deu um “ippon” na decisão do [ministro do STF] Marco Aurélio de Mello de afastar o Renan [Calheiros, que era presidente da Casa]. O Senado não deu nem pelota.”

Isso certamente vai ajudar muito a reconstruir pontes com o STF, né, seu gênio do caralho?!

“Isso acho que dependeria do tema e seria de foro intimo do ministro. Se for um tema de muita repercussão e alta sensibilidade, o próprio ministro encarregado deveria recorrer ao plenário. Tem que haver uma conversa e estabelecer um clima de bom senso para isso.”

Sempre que alguém desse governo fala em bom senso eu dou uma risada.

“Havia um crescendo de decisões que o prejudicam. Ele nomear um diretor da Polícia Federal que está dentro dos parâmetros legais não é motivo para ninguém interferir na decisão dele. Teve a questão dos diplomatas venezuelanos e do inquérito do Alexandre de Moraes (ministro do STF). Na minha visão, os ministros ofendidos deveriam procurar a Procuradoria-Geral da República, o procurador-geral abriria investigação e, feito aquilo, entregaria para um juiz de primeira instância.”

O PGR escolhido a dedo pelo Bolsonaro e que teve seu nome ventilado, pelo próprio presidente, ao STF?! Ah tá…

“As Forças Armadas são um bloco monolítico pelas características delas. Nós somos um grupo social e somos formados, fazemos mestrado e doutorado juntos. Isso gera um espírito de corpo e um conhecimento mútuo muito profundo. As nossas divergências de pensamento estão centradas na atividade militar, em termos de doutrina, adestramento e coisas dessa natureza. Em segundo lugar, a grande coisa do movimento de 64 e foi obra do presidente Castelo Branco, foi afastar os militares da política, ao colocar na legislação que o militar que concorre a cargo eletivo automaticamente passa para a reserva e sai fora. A gente tem uma visão muito clara: a política entrou pela porta da frente, a disciplina e a hierarquia saem pela porta dos fundos. Não pode haver discussão política dentro do quartel, onde você tem que ter uma visão monolítica clara para cumprimento de tarefas e missão.”

O que mais tem nesse governo é general da ativa, viado! O que mais tem é discussão política de quartel, o que mais tem é milicos limpando o código militar com a bunda e postando opinões políticas loucamente. Não fode, Mourão!

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3. Malditos milicos, parte 2

O genral ministro da Defesa é tão pancada das idéias quanto o Heleno.

“O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, sobrevoou na manhã deste domingo, 31, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, uma manifestação de aliados do chefe do Executivo marcada por faixas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor de intervenção militar.” [Estadão]

“Geralmente, Bolsonaro costuma usar o helicóptero branco, mas hoje optou pela aeronave camuflada, que tem as cores do Exército. Procurado, o Ministério da Defesa não se pronunciou sobre a agenda do ministro.”

No sábado Bolsonaro pegou um helicóptero e foi lanchar numa cidade perto de Brasília. No dia seguinte gastou dinheiro público para sobrevoar a manifestação.  E sua escolha por um helicópero camuflado é por demais didática.

“Com a escalada da crise institucional, manifestações antidemocráticas têm ocorrido praticamente todos os finais de semana em Brasília, estimuladas pelo presidente e seus filhos parlamentares. Foi numa dessas ocasiões que Bolsonaro disse que o governo contava com o apoio das Forças Armadas, o que levou Azevedo a divulgar uma nota para afirmar o compromisso dos oficiais com a democracia.”

Lembrando que o escroto do Azevedo corroborou a ameaça em papel timbrado do GSI pra cima do STF.

“Não é a primeira vez que militares acompanham Bolsonaro nesse tipo de atos com agenda pela intervenção no STF e o fechamento do Congresso. O ministro-chefe da Secretaria de governo, general da ativa Luiz Eduardo Ramos, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, já caminharam ao lado de Bolsonaro em protestos dessa natureza.”

Ninguém desmoralizou mais a Lava-jato que Moro, Deltan e cia., ninguém desmoralizou mais o impeachment da Dilma que a jurista do impeachment e ninguém desmoralizou mais as forças armadas que esses generais senis, o Brasil não é para amadores.

E é cada merda que eu tenho que ler…

“Em entrevista à versão brasileira do jornal El País, publicada neste domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que “quem vai ser responsabilizado pelos erros do governo, queiram ou não, serão os militares”. A declaração foi rebatida pelo vice-presidente Hamilton Mourão. “Convido o ex-presidente FHC a refletir sobre a História do Brasil e verificar se não são eles que, mais uma vez, servindo ao Estado, mantêm a estabilidade institucional do País”, escreveu Mourão no Twitter.”

Sim, FHC já fez livros sobre a história do país masa Mourão é quem entende do riscado, tá ok?

Mas há fardados capazes de unir lé com cré…

“As Forças Armadas já preveem que terão uma “enorme” conta para pagar ao fim do mandato do presidente Jair Bolsonaro pela presença de militares na cúpula e na base do governo. Em conversas nos quartéis e gabinetes de Brasília, oficiais admitem que a nova incursão na política, após 35 anos do fim da ditadura militar, trará desgaste à imagem da instituição e temem perder a credibilidade duramente reconquistada por causa do envolvimento com o governo e a perspectiva de seu naufrágio.” [Estadão]

Os generais quando virem o tamanho da conta:

“O Exército é quem deve ficar com o maior ônus por ter um maior contingente no quadro da máquina pública bolsonarista. Levantamento do Ministério da Defesa, feito a pedido do Estadão, mostra que militares da ativa já ocupam quase 2,9 mil cargos no Executivo. São 1.595 integrantes do Exército, 680 da Marinha e 622 da Força Aérea Brasileira (FAB).”

É aparelhamento que chama, né?

“Destes, 42% estão empregados na estrutura da Presidência, especialmente no Gabinete de Segurança Militar, um órgão que foi reforçado no atual governo. Três oficiais ocupam o primeiro escalão: Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). O incômodo com uma possível cobrança ocorre diante da constatação de que o pessoal da ativa nas Forças Armadas está não apenas em cargos estratégicos, mas em postos comissionados. São vagas de Direção e Assessoramento Superior, os DAS, com vencimentos que vão de R$ 2.701 a R$16.944 por mês.”

“Na última semana, o ministro Luiz Eduardo Ramos, que é general da ativa, se viu obrigado a dar explicações a seus colegas de turma da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) após o Estadão revelar que ele tem oferecido cargos ao Centrão, bloco fisiológico de partidos, em troca de apoio ao governo no Congresso. “É pelo respeito que tenho ao meu Exército que estou divulgando essa mensagem”, disse, ressaltando não ser “político” e estar cumprindo uma “missão”. O ministro já havia causado desconforto ao usar farda numa solenidade, ao lado do presidente, em 30 de abril, no Comando Militar do Sul, em Porto Alegre.”

O trouxa do general toma porrada dos fardados  até do demente do Bernardo Kuster, eu acho é pouco!

“Até mesmo a fama de bons gestores dos militares é colocada em xeque.”

“Chocou ministros do Supremo o fato de nenhum dos generais presentes já na famosa reunião de Bolsonaro com sua equipe ter pedido moderação aos seus colegas que atacaram outros poderes com palavras de baixo calão. Um ministro ouvido pelo Estadão observou que os generais, no mínimo, não deveriam ter permitido a gravação do encontro.”

Volta e meia eu falo que a Marinha e Aeronátucia mantém uma distância sanitária do governo, mas quem entende do riscado já me deu o papo que não é bem por aí, eles não tão no governo mais pela vontade do Bolsonaro do que por alguma relutância deles.

“Mesmo com menos pessoal no governo, a Marinha já espera uma cobrança por sua atuação na gestão Bolsonaro. A presença do almirante Flávio Rocha, recém-promovido a quatro estrelas, no Palácio do Planalto preocupa a instituição. Rochinha, como é chamado no meio, tem recebido diferentes missões do presidente, como contornar a crise na Secretaria da Cultura.”

Deu MUITO certo, hein,, parabéns aí, campeão!

“De todas as forças, a Aeronáutica é, até agora, a mais preservada de eventuais desgastes. Apesar de ser tenente-coronel da reserva no comando do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes não foi escolhido por ser da FAB.”

Foi escolhido por… deixa pra lá.

“Integrantes do Supremo e do Congresso viram uma inflexão no comportamento do núcleo militar do governo. Embora alguns representantes dessa ala tenham negado hipóteses de intervenção das Forças Armadas como resultado da tensão entre os Poderes, parlamentares e ministros do tribunal demonstraram preocupação com episódios em que militares demonstraram afinação com o enfrentamento liderado pelo chefe do Executivo. Causou apreensão a nota do general da reserva Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) —depois endossada pelo ministro Fernando de Azevedo e Silva (Defesa)— que falava em “consequências imprevisíveis” após um despacho rotineiro do STF sobre um pedido de apreensão do celular do presidente. Os primeiros sinais de tensão entre Bolsonaro e os demais Poderes haviam sido mapeados por congressistas, advogados e ministros e ex-ministros do Supremo ainda no início de maio. Parlamentares identificaram mudanças na interlocução com representantes das três Forças. Os militares, que antes se apresentavam como moderadores e tentavam minimizar os ataques do presidente às instituições, passaram a endossar Bolsonaro.” [Folha]

“De acordo com deputados e senadores, a mudança da postura passou a ser caracterizada pelas posições adotadas pelos ministros Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), que reduziram a intensidade de seus contatos com os demais Poderes.”

Lembra que Bolsonaro tinha proibido os generais de se reunirem com o Maia? Pois é. E algo me diz que os generais morrem de medo de tentar contato e o Coronel Câmara descobrir a “pulada de cerca” e avisar ao sensibilíssimo presidente.

“Nos últimos meses, disseminou-se com rapidez entre integrantes da ativa e da reserva —mesmo alguns considerados comedidos— a percepção de que movimentos do Supremo e do Congresso avançavam sobre as prerrogativas do presidente, reduziam sua autoridade e impediam Bolsonaro de tocar o governo.”

Como se Bolsonaro precisasse de ajuda pra implodir o prórpio governo…

“Esse entendimento foi ampliado após três decisões do STF: a que confirmou o poder de estados e municípios para decretar medidas de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus; a que suspendeu a expulsão de diplomatas venezuelanos do país; e a que barrou a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal.”

Vamos lá, os generais queriam que o presidente  seguisse as orientação do capitão cloroquina que demitiu dois minstros em plena pandemia! Hoje a política de saúde de todas as cidades do país estariam a cargo dum general especialista em logístrica, viado! Não tiveram nem a dignidade de encontrar um médico milico para o posto – ou vai ver todos recusaram.

“Militares passaram a argumentar, de maneira reservada, que o prosseguimento das investigações contra o presidente a partir das acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro poderia levar a uma desestabilização do país.”

Quem tem cu tem medo! Quando era Moro desestabilizando o governo da Dilma tava tudo lindo! O que fariam os generais se alguém vazasse uma conversa entre Mourão e Bolsonaro horas depois da ligação ser feita?!

“Apesar da postura de alguns generais, a insatisfação amplia a afinação entre oficiais e Bolsonaro. Durante a pandemia, multiplicaram-se reuniões informais entre oficiais para discutir a conjuntura interna. Alguns deles discutem por videochamada essa conjuntura, citando os riscos de crise institucional”

“Um oficial naval ouvido pela reportagem, contudo, afirma que a discussão se deu sobre a possibilidade de impeachment do presidente. Os militares têm, no entanto, reservas em relação a certos posicionamentos adotados por Bolsonaro e, principalmente, por seus filhos Carlos (vereador pelo Republicanos no Rio) e Eduardo.”

Curioso e conveniente esquecerem de citar o mais pilantra dos filhos…

Talvez o que evite um golpe boliviano pro aqui é isso ó:

“Outro grupo, de soldados e praças, apesar do apoio ao presidente, anda descontente com o governo. Eles usam as redes sociais e fóruns exclusivos para militares para reclamar da falta de aumento no soldo. Eles ficaram fora do reajuste dado a oficiais após a reforma da Previdência e tinham a promessa de receber o aumento ainda este ano. Contudo Bolsonaro congelou reajustes no funcionalismo por conta da pandemia.”

Ah, e repare que parágrafo inacreditável:

“Os temores sobre os efeitos dessa tensão se alastraram para outros setores. A Polícia Federal, por exemplo, tirou o pé da investigação contra Bolsonaro por suspeita de interferência na instituição. De acordo com delegados e advogados ouvidos pela reportagem, a avaliação era que seria “preciso respirar”. Durante a semana, nenhuma ação significativa foi tomada no inquérito.”

Cês tão sem ar porque o Boslonaro tá enforcando voês…

“A corporação sinalizou ainda que não dará prazo para que Heleno, do GSI, envie informações sobre a segurança do presidente —razão alegada pelo governo para a interferência admitida por Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril. A avaliação é que o pedido poderia ser usado pelo governo para aumentar a temperatura do conflito com o STF.”

Até porque a temperatura tá tranquila, né, Abraham e Boslonaro, duas vezes, sugeriram prisão de ministro do STF.

Encerro a demência verde-oliva com Allan dos Santos:

“Allan dos Santos, blogueiro de estimação da família Bolsonaro e um dos alvos da PF na operação da semana passada contra as fake news, mais do que nunca anda vendo fantasmas. Ontem, disse que o ministro Luiz Eduardo Ramos era um “traidor comunista”. Há pouco, postou em seu Twitter uma nova diatribe. Agora, contra o Exército. Escreveu: — O perfil oficial do @exercitooficial não segue o Presidente @jairbolsonaro e nem @gen_heleno, mas segue ONU e STF. Preciso dizer alguma coisa? #OGolpeJaFoiDado” [O Globo]

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4. Vitimismo e mimimi

Bolsonaro publicou uma thread espantosa:

“- TUDO APONTA PARA UMA CRISE: 1. Primeiras páginas dos jornais abordaram com diferentes destaques, as decisões envolvendo a atuação do STF, da PF, do TCH e do TSE em relação ao governo Bolsonaro e seus aliados.

2. O ministro do STF, Celso de Mello, fez um pedido de investigação contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, à Procuradoria Geral da República, por crime de incitação à subversão da ordem política ou social. A prática viola a Lei de Segurança Nacional.

3. A notícia-crime foi protocolada na Corte depois do parlamentar dizer, em um vídeo publicado nas redes sociais, que não se trata de uma questão de “se”, e sim “quando” haverá uma ruptura político-institucional. [O Globo]

E tá errado, porra!?

“4. Nas primeiras páginas dos jornais, o pedido da PF para a prorrogação das investigações do inquérito, no âmbito do STF, que apura se o PR interferiu politicamente, ou não, na PF, segundo a acusação do ex-ministro Sérgio Moro. PF que ouvir oficialmente o PR sobre a denúncia.”

Não é esse pessoal que vivia falando “quem não deve não teme“?!

“5. Estadão e O Globo publicam, o pedido do ministro Og Fernandes, do TSE, para que a chapa Bolsonaro/Mourão se manifeste, em três dias, sobre a inclusão de informações do inquérito das fakenews em dois processos da Justiça Eleitoral, que questionam a diplomação dos dois.

6. A acusação é a de que a chapa usou empresas para efetuar disparos em massa de mensagens com notícias falsas contra opositores. ? *- Estadão realça que esse seria o caminho mais próximo para retirá-los do Poder.*

7. Estadão: a investigação do STF para apurar “fakenews” contra ministros da Corte pode chegar ao chamado “gabinete do ódio”, que trabalharia próximo ao PR e seria comandado por Carlos Bolsonaro. Faltando 45 dias p/ conclusão, o jornal já fala da intenção de prorrogar o inquérito

8. Estadão noticia que o subprocurador, Lucas Furtado, ingressou com uma representação para que o plenário do analise se a ação do grupo de servidores é financiada, ou não, por recursos públicos. O grupo teria 23 servidores na assessoria especial do gabinete presidencial.

9. Rede desistiu da ação, que solicitava o fim do inquérito aberto para apurar ataques e ofensas ao STF. Agora, o partido não quer o final do inquérito, que serviu para o ministro-relator, Alexandre de Moraes, acusar um rol de pessoas ligadas ao PR. E que a PGR quer suspender.”

A mesma PGR que foi a favor do inquérito e de repente mudou de idéia.

“10. O inquérito, diz o partido, apresentava “inquietantes indícios antidemocráticos”, mas, um ano depois, “se converteu em um dos principais instrumentos de defesa da democracia”. Oportunismo jurídico. O ministro Edson Fachin decidirá se aceita ou não o pedido da Rede.

11. Jornais também destacaram na suas capas o manifesto dos procuradores da República, com a assinatura de 590 de 1.150 integrantes do MPF, para a adoção da lista tríplice para a nomeação do chefe da instituição.

12. Segundo a leitura política da mídia, o manifesto é uma reação à postura do atual PGR, Augusto Aras, que estaria favorecendo o PR, e foi escolhido fora da lista tríplice encaminhada ao Presidente da República.”

Imagina, os procuradores se rebelaram contra o Aras mas não tem nada a ver com… o Arasm, entendeu?!

“13. Na capa da Folha de S. Paulo e do O Globo o fato do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ter ficado calado no depoimento à Polícia Federal, no prédio do MEC, sobre suas declarações contra os ministros do STF na reunião ministerial do dia 22 de abril.

14. PR lhe concedeu a medalha do mérito naval, que a mídia entendeu como uma “provocação.” Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, voltou a atacar Weintraub, lamentando o país ter um “ministro tão desqualificado.”

Né provocação não, é tiro no pé mesmo. E cuiroso como ele menciona a medalha mas deixa de lado o papo de STF para o Aras, que, constrangido, teve que soltar essa nota que já nasce clássica:

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, manifesta seu desconforto com a veiculação reiterada de seu nome para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Conquanto seja uma honra ser membro dessa excelsa Corte, o PGR sente-se realizado em ter atingido o ápice de sua instituição, que também exerce importante posição na estrutura do Estado” [O Dia]

“Ao aceitar a nomeação para a chefia da Procuradoria-Geral da República, não teve o atual PGR outro propósito senão o de melhor servir à Pátria, inovar e ampliar a proteção do Ministério Público Federal e oferecer combate intransigente ao crime organizado e a atos de improbidade que causam desumana e injusta miséria ao nosso povo. O PGR considerar-se-á realizado se chegar ao final do seu mandato tão somente cônscio de haver cumprido o seu dever.”

Que texto piegas e prepotente do caralho…

Da série notícias que folgamos em saber:

“A operação em 29 endereços de bolsonaristas determinada por Alexandre de Moraes na quarta-feira passada é apenas um aperitivo do que vem pela frente. Daí, o destempero de Jair Bolsonaro.” [O Globo]

Imagine aí a PF batendo na porta do Eduardo, do Tonho da Lua – por via das dúvidas levem um escudo a prova de balas – e lá no gabinete do ódio, em pleno palácio presidencial.

E olha esse Moraes em 2018:

“Tenho certeza que qualquer um dos dois [Bolsonaro ou Fernando Haddad, do PT] deverá ter essa grande finalidade de unir o país para um futuro melhor. Não há nenhum risco à democracia” [Folha]

Passemos parsa 2019:

“Na corte, Moraes já deu ao menos um motivo para a família presidencial sorrir. Em 2018, às vésperas das eleições, o ministro foi o autor do voto que desempatou, em favor de Bolsonaro, o julgamento sobre uma denúncia da PGR contra ele, acusado do crime de racismo por falas sobre quilombolas e refugiados. “Apesar do erro das declarações, não me parece que a conduta teria extrapolado os limites para um discurso de ódio, de incitação ao racismo, de xenofobismo”, escreveu o magistrado, ao votar pela rejeição.”

Passemos ao engavetador-geral da República:

“Apesar da disposição demonstrada pelo STF de tentar impor limites a Jair Bolsonaro, integrantes da classe política e do Judiciário avaliam que as principais investigações em andamento ainda dependem de provas inquestionáveis e pressão social para prosperarem. Isso porque o único com prerrogativa para oferecer denúncia é o procurador-geral, Augusto Aras, que vem manifestando discordância com o Supremo e afinidade com as pautas do presidente.” [Folha]

O mais foda é que a declaração do Bolsonaro sugerindo STF ao Aras complica o arquivamento tão desejado pelo Aras e por seu chefe, fascinante:

“Segundo políticos e magistrados ouvidos pelo Painel, por enquanto os inquéritos têm como efeito prático aumentar tensões e, no máximo, desgastar a imagem de Jair Bolsonaro. Se nada mudar, as apurações estarão fadadas ao fracasso. O procurador-geral foi contra todas as medidas de busca e apreensão na investigação de fake news. Nos bastidores, ele também tem dito não ver indícios de que Bolsonaro tenha praticado qualquer tipo de crime no caso que apura interferência na PF. Na nota oficial que divulgou às 23h25 da sexta-feira (29) para dizer que estava incomodado com as especulações de seu nome para uma vaga no Supremo, Aras não citou uma só vez Bolsonaro, que um dia antes fez referência à situação, dizendo que considerava seu nome para uma terceira vaga, hoje inexistente.”

Por falar em Aras, ficaria feio demais arquivar depois de ter seu nome ventilado pelo presidente ao STF, né? A nossa sorte é que Boslonaro é incrivelmente burro.

“A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai concordar com o pedido da Polícia Federal para prorrogar por 30 dias as investigações do inquérito sobre a suposta tentativa do presidente Jair Bolsonaro de interferir politicamente na corporação. Segundo o Estadão apurou, o procurador-geral da República, Augusto Aras, também vai pedir que Bolsonaro preste depoimento aos investigadores, mas por escrito.” [Estadão]

E lembra que Bosonaro disse que por ele nao faria diferentça, poderia ser oral ou escrito. Óbvio que vai ser por escrito.

E a rebelião no MPF contra o Aras segue de vento em popa:

“O abaixo-assinado feito por procuradores a favor do processo tradicional de escolha do PGR, ou seja, contra Aras, já chegou a 641 adesões no fim de semana. As coletas continuam.”

E eu não entendi foi nada dessa notícia:

Apesar de não ter tido nenhum resultado prático, o HC assinado por André Mendonça (Justiça) para proteger Abraham Weintraub (Educação) foi bem recebido no Supremo”

“A interpretação é que foi uma demonstração de respeito ao STF e que ajudou a lembrar o presidente quais são os caminhos quando há discordância de uma ordem judicial.”

Alguém avise aos ministros do Supremo que o respeito foi tamanho que Bolsonaro queria qque TODOS os ministros de seu governo assinassem o HC.

Maia deu mais um recado ao Boslonaro – esse post deve tá mó freestyle do caralho, é complicado saber em qual tópico a notícia entra, abrace aí o caos e vamos nessa bad trip escrota.

“Quando você chega à Presidência da República, o seu papel é considerar. Você não é o presidente apenas dos que o elegeram. Você é o presidente de todos os brasileiros. Como o presidente foi eleito com muita força, foram muito ideológicos, o pessoal de extrema-direita nas redes sociais, ele tende a ser mais comprometido com eles. E quando tem um conflito, ele acaba atacando mais na linha do que ele fazia antes. Só que, como presidente do Brasil, cada vez que ele vai para o enfrentamento, ele desorganiza e gera insegurança” [O Globo]

Maia diz qu pessoalmete Bolsonaro afina, “diálogo é muito positivo”, mas quando tem câmeras e microfones…

“Mas, quando ele vai para uma entrevista, acaba gerando essa insegurança. O ideal, neste momento de pandemia, é que a gente conseguisse ter mais harmonia e menos conflito.O diálogo é o que resolve. O presidente tem que entender que ele é o chefe do Poder que comanda, que executa. Então, a gente precisa que ele comande de forma mais harmoniosa, respeitando os outros Poderes. Porque um Poder não deve servir apenas para dizer sim ao governo. O Parlamento serve para representar toda a sociedade, não apenas a parte que governa, e o Judiciário serve para garantir os limites dos outros dois Poderes. A gente não pode aplaudir uma decisão do Supremo com que concordamos e radicalizar contra uma decisão com que nós discordamos. Nós temos os instrumentos legais para recorrer.”

Encerro com Mário Sérgio COnti:

“A hora é perfeita para a “Ilíada”, cujas primeiras palavras são: “A fúria, deusa, canta”. É a “fúria funesta responsável por inúmeras dores”. A fúria que tantos inocentes amontoa em covas rasas. Inocentes que são pasto para cães com raiva e aves de rapina. Também no Brasil a hora é de fúria. A “Ilíada” relata a fúria de Aquiles no décimo ano da Guerra de Troia. Como ele, o presidente diz palavras coléricas como preâmbulo para o emprego da força. O ódio encenado na frente do Alvorada é a aurora de sangue que, como no hino canhestro, brilha no céu da pátria nesse instante. Pelas contas do helenista Richard Janko, a “Ilíada” descreve 148 feridas que vertem sangue. Doze são produto de flechas; 13 de pedras; 17 de espadas; e 106 de lanças. Já na escolha das armas a violência é viril: “A lança persegue sua vítima como o homem à sua amante”. Bolsonaro também associa sexo e agressão. Contudo, como a virulência verbal não se traduz em atos, demonstra insegurança em empunhar a lança fálica e —pfff— nada acontecer: sua impotência seria desnudada. Ele fraqueja porque não sabe com com quais forças de fato contará para perpetrar o crime… O ensaio de Simone Weil no final da tradução de Trajano Vieira tem o título de “A Ilíada ou o Poema da Força”. Para a militante e mística francesa, o grande poema épico mostra que “a força é o que transforma em coisa qualquer um a ela submetido”. Os que se submeterem à força do presidente continuarão vivos, mas não terão alma, serão coisas. O heroísmo homérico consiste em não se submeter à força, mesmo ante a iminência da derrota. É uma cólera justa que pode ser adotada por um juiz, um político, por qualquer um de nós.” [Folha]

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5. Bolsonaro Vs Moro

Palavras presidenciais:

“— Vocês estão entendendo um pouquinho sobre quem estava no meu lado. Essa IN 131 é da Polícia Federal, mas por determinação do Moro. Ignorou decretos meu e ignorou lei, para dificultar a posse e o porte de arma de fogo para cidadão de bem — disse Bolsonaro a apoiadores, no Palácio da Alvorada. [O Globo]

Que satisfação, aspíra!

“O comentou foi feito após um dos apoiadores criticar uma instrução normativa (IN) da Polícia Federal. A medida, no entanto, foi publicada pela PF em novembro de 2018, ou seja, antes de Sergio Moro assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2019.”

“Bolsonaro, então, fez referência a uma portaria, assinada por Moro pelo também ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que autorizava o uso de força policial para forçar indivíduos suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus a ficar em isolamento ou quarentena e que foi revogada na semana passada. De acordo com o presidente, Moro queria editar outro texto, que multasse quem descumprisse as medidas de isolamento.

— Tem uma portaria também, que o ministro novo revogou, apesar de não ter força de lei, ela orientava a prisão de civis. Por isso que naquela reunião secreta o Moro, de forma covarde, ficou calado. E ele queria uma portaria ainda, depois, que multasse quem estivesse na rua. Esse era o cara que estava lá perfeitamente alinhado com outra ideologia que não era nossa. Graças a Deus ficamos livres dele.”

Folgo em saber que Bolsonaro ficou putíssimo com a postura do Moro na reunião, Boslonaro provocou, provocou e Moro, malandro, deu de ombros, falou uma groselha ou outra e cedeu a palavra.

Moro respondeu, claro:

“O ex-ministro Sergio Moro rebateu as críticas feitas a ele pelo presidente Jair Bolsonaro nesta manhã sobre sua gestão à frente da pasta da Justiça. Em nota, Moro afirmou que a flexibilização de posse e porte de armas não podem ser “utilizadas para promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por governadores e prefeitos”. Segundo Moro, é isso o que desejava o presidente Jair Bolsonaro. O ex-ministro também afirmou que acredita na construção de políticas públicas “mediante diálogo e cooperação” e que “de nada adianta ofensas ou bravatas”. [O Globo]

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6. Sigilo

“O rigoroso esquema de sigilo imposto ao inquérito que apura a propagação em massa de notícias falsas e ameaças a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) tem deixado integrantes da Procuradoria-Geral da República, advogados e até magistrados do próprio STF, alvos das fake news, no escuro. O relator, ministro Alexandre de Moraes, deu acesso à íntegra do caso apenas aos policiais federais envolvidos nas apurações e a mais ninguém.” [Folha]

Sabe quando os advogados também não tinham acesso aos autos? Com os presos políticos da Dilma, eu lembro disso e não esqueço nem fodendo.

“Das mais de 6.000 páginas de provas, interrogatórios e elementos levantados, Moraes tem enviado apenas partes à PGR para que o órgão remeta os casos à primeira instância quando não há envolvimento de autoridades com foro privilegiado. De 10 a 15 situações suspeitas já foram encaminhadas à procuradoria-geral, mas todas tratavam de episódios específicos e não davam detalhes de uma possível rede mais ampla de financiamento por trás da disseminação das mensagens.

Nem duração nem a extensão das investigações são divulgadas. Moraes já prorrogou o inquérito por duas vezes, mas em decisões sigilosas. A última delas foi em dezembro último, quando calculou mais seis meses de trabalho no caso. O prazo acaba em meados de junho, e a expectativa no STF é de que haja um novo adiamento da conclusão das apurações.”

E de tanto os bolsonaristas baterem no STF…

“O inquérito é alvo de críticas desde sua origem por ter sido instaurado de ofício, sem provocação da PGR, pelo presidente da corte, ministro Dias Toffoli. O questionamento ocorre porque, pelas regras jurídicas do Brasil, cabe à procuradoria pedir a abertura e coordenar uma investigação, e o Judiciário apenas deve julgá-la, sem participar das apurações. A decisão de Toffoli gerou desgaste até dentro do tribunal, e uma ala da corte considerou a instauração do inquérito inconstitucional. O aumento dos ataques ao Supremo após a operação de quarta, porém, uniu os integrantes. Parte dos ministros entende que, apesar de discordar da forma com que as investigações tiveram início, o momento é de demonstrar força na disputa com o Executivo e seus aliados, principais atingidos pela operação. “

Bem, eu escrevi aqui que o processo começou esquisitíssimo, ams há quem diga que isso tá na lei, que seja, esse sigilo todo aí é esquisito sim. Mas como falei aqui, já abracei o caos e não vou ficar com dó de quem vomita retórica fascista.

“A escolha de Moraes para relator, aliás, também gerou desgaste. Toffoli o indicou para tocar o caso sem que houvesse sorteio entre os integrantes, como ocorre geralmente.”

Qual o problema de fazer a porra dum sorteio?!

“O argumento de Toffoli foi que um artigo do regimento interno do STF prevê abertura de investigação pelo próprio Supremo em caso de “infração à lei penal na sede ou dependência do tribunal”, além de estabelecer que o presidente da corte “delegará esta atribuição a outro ministro”. Ano passado, acuado com as críticas ao inquérito, com pedidos da PGR e de partidos para arquivamento logo no começo, Toffoli buscou respaldo na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). E conseguiu. A entidade reagiu e elogiou a iniciativa da corte. Por meio de nota emitida pouco depois da instauração do inquérito, afirmou que “a apuração é fundamental para o esclarecimento dos ataques e para a possível punição dos responsáveis por essas verdadeiras milícias digitais, que minam os pilares de nossa sociedade”. Agora, porém, até a OAB se voltou contra o tamanho do sigilo imposto ao caso. Na sexta-feira (29), a ordem entrou com habeas corpus no STF para permitir que os advogados dos investigados tenham acesso aos autos.”

Fogo nos fascistas, mas de olho nessas esquisitices.

E por falar em fake news, que coisa linda ver Nando Moura e Gentilli se juntando pra bater no Filipe Martins:

“Assessor internacional do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins foi acusado no fim de semana de operar robôs nas redes sociais em meio a um bate-boca com dois ex-apoiadores do presidente: o apresentador do SBT, Danilo Gentili, e o YouTuber Nando Moura. Nando Moura rompeu com o bolsonarismo em outubro do ano passado (“o presidente traiu todos os seus eleitores”, disse no vídeo em que declarava a ruptura). Já Gentili brigou com os Bolsonaro três meses antes ao criticar a postura parlamentar de Eduardo na Câmara dos Deputados. No sábado, após uma série de trocas de farpas no Twitter, Moura subiu o tom contra Martins em questões envolvendo a política externa brasileira, onde o assessor tem influência no governo. “Hoje somos um estado pária, todos os acordos que demoraram anos para serem costurados correm o risco de virar pó. Nossa moeda é a que mais se desvalorizou no mundo”. Gentili também ironizou a atuação de Martins no governo. Minutos depois, Moura e Gentili conseguiram flagrar uma série de tuítes compartilhados por Martins que continham exatamente o mesmo texto atacando os dois. As mensagens foram apagadas logo depois, mas Moura e Gentili conseguiram fazer cópias das telas antes de serem deletadas.” [O Globo]

No link tem a imagem.

“As imagens foram exibidas para os internautas nas suas contas pessoais. “Um pequeno lapso”, ironizou Moura. “Dando RT em fake no Twitter”, provocou Gentili. Procurado pelo Sonar durante todo o domingo, o Palácio do Planalto não se manifestou.”

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7. “O Brasil estava voando”

Guedes insiste nesse caô, só faltou combinar com os números oificiais do governo:

“​O que acontecia com a economia brasileira pouco antes de a epidemia chegar? Nada além do que acontecia desde 2017, crescimento de 1% ao ano. A taxa de investimento até 2019 era de 15% do PIB, ainda menor que o nível mais baixo deste século, antes da recessão. Taxa de investimento: quanto do produto ou da renda nacional (do PIB) é destinado a aumentar a capacidade produtiva: novas fábricas, imóveis, máquinas etc. A economia não decolava antes da epidemia. A indústria de transformação (“fábricas”) estagnara. O setor de serviços crescia a ninharia de 0,7% ao ano. O comércio, ao ritmo medíocre de 1,9%. A soma dos rendimentos do trabalho (“massa de rendimentos”) aumentava pouco e desacelerava desde novembro de 2019.” [Folha]

Tava voando igual ao saudoso padre do balão…

“O que o governo pensa em fazer para tirar o país da depressão da epidemia? Nada além do que fantasiava, tentava, pretendia ou prometia fazer antes da epidemia. O que é o programa do governo? O gasto extra para no fim deste 2020; cumpre-se o teto. Reformas: tributária, abertura comercial, mais trabalhista, novas leis de falências, saneamento e gás para incentivar investimento privado; concessões, que virariam obras em 2023, se tanto. De onde vai sair capital e/ou crédito para a reconstrução? Havendo recursos, e pensemos aqui também nos grandes, quem vai investir com a demanda deprimida e capacidade ociosa ainda maior do que já havia até 2019?”

Da Míriam leitão:

“Uma queda do PIB trimestral de 1,5% é forte, mas foi só um tropeço perto do que vem por aí. No segundo trimestre, neste que estamos vivendo, de abril a junho, o país está em queda livre que pode superar 10%. A recessão de 2020 será a maior da nossa história. Em agosto, o país pode ter 20 milhões de desempregados, me diz uma fonte do próprio governo. O que parou a economia foi o coronavírus, mas o presidente Jair Bolsonaro piorou tudo ao não exercer o papel de liderar a resposta e ainda criar uma crise por dia. Suas atitudes afetam a economia. Bolsonaro é também um problema econômico porque investidor detesta crise institucional. Eles querem segurança jurídica. Que investidor virá para um país em que o presidente ameaça a suprema corte e seu filho diz que uma “ruptura” é questão de tempo? ” [O Globo]

Ora, os investidores imaginários sempre prestes a desepjar centenas de bilhões de dólares assim que uma reforma escrota for aprovada. Não deram as caras após a reforma trabalhista, não foram vistos depois da previdenciária mas vão brotar logo mais, tá ok?

“Nunca é demais repetir, não é o isolamento que cria a crise econômica. É o vírus. Em Brasília, o comércio abriu e os shoppings estão vazios. Como os bons economistas já mostraram, um isolamento mais radical permitiria a volta mais segura e mais cedo.”

É o cúmulo do constrangimento que o que vai acima seja um “debate”.

“A economia brasileira já estava fraca quando o vírus nos atingiu. Depois da recessão de 2015-2016, a atividade voltou ao terreno positivo mas numa recuperação excessivamente lenta. Ontem, até o ministro Paulo Guedes que vendia a ilusão de que o país estava decolando no primeiro bimestre do ano admitiu que pode não ter sido assim. A verdade é que o país estava frágil quando esta grande crise começou.”

Onde que Guedes fez um mea culpa? Vi isso não…

“Paulo Guedes surpreendeu empresários que assistiram à live sobre “Gás e desenvolvimento”, coordenada por Gustavo Montezano, presidente do BNDES, ao usar quase todos os 40 minutos de sua fala (eram 20 minutos na programação do evento) para defender de forma apaixonada Jair Bolsonaro. Sobre o gás e o desenvolvimento, Guedes falou menos de cinco minutos.” [O Globo]

Imagine aí o que diabos se passa na cabeça dos investidores de óleo e gás vendo, constrangidos, Guedes lamber as bolas presidenciais ao invés de falar sobre… óleo e gás! E ainda tem que leve a sério esse imbecil.

Deu duas estocadas indiretas no PT, ao se referir à horrorosa declaração de Lula sobre o coronavírus (“Ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus, porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”) e aos investimentos no porto de Cuba e em obras na Venezuela.”

“E defendeu a abertura da atividade econômica, ao afirmar que sem o retorno ao trabalho o país vai mergulhar em uma depressão”

Isso, reabre mesmo e aprofunda a porra da depressão, seu retardado do caralho!

E vem mais demência por a[i:

“​O secretário de produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, tem dito internamente que pretende dar largada a uma desregulamentação radical em setores econômicos. Internamente, fala-se que Carlos da Costa pretende acionar uma desregulamentação selvagem da economia. Já Costa diz buscar responder à ordem do presidente Jair Bolsonaro, de “retirar o Estado do cangote do empreendedor”” [Folha]

Radical e selvagem, “que Deus perdoe essas pessoas ruins“, como diria Didico.

“O ponto de virada ocorre com a saída do economista César Mattos, que já foi do Cade (Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência), e chefiava a secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade até a última semana. No seu lugar, entra o advogado Geanluca Lorenzon, consultor de empresas e egresso do Instituto Mises, de linhagem liberal.”

“No governo, ele ajudou a formular a Lei da Liberdade Econômica, cuja principal iniciativa foi derrubar uma série de normas ao setor privado em uma única tacada.

Poucas coisas nesse governo me irritam mais que o nome cretino dessa MP.

Encerro com o Gaspari, esculhambando Guedes com garbo e elegância:

“O ministro da Educassão, Abraham Weintraub, comparou a operação contra os financiadores da máquina de mentiras do bolsonarismo à “Noite dos Cristais” de 1938, quando os nazistas queimaram centenas de sinagogas, destruíram milhares de lojas e mataram pelo menos 90 judeus. Weintraub tomou contravapores da embaixada de Israel, do Comitê Judaico Emeriano e da Confederação Israelita por banalizar o antissemitismo que desembocou no Holocausto. Comparar as duas situações é confundir hemorroida com hemograma. Nos seus delírios, o ministro pratica uma ignorância seletiva. Na tétrica reunião do ministério de 22 de abril ele ouviu seu colega Paulo Guedes dizer que conhece “profundamente, no detalhe, não é de ouvir falar” diversos programas de reconstrução econômica, entre eles os da “Alemanha na Segunda Guerra e na Primeira, com o Schacht”.

Para uma mente sensível como a de Weintraub, a lembrança de Guedes tinha um aspecto politicamente tóxico. A Primeira Guerra terminou em 1918 e Hjalmar Schacht assumiu a presidência do Reichsbank em 1923. Nesse cargo ele estabilizou a moeda alemã. Em 1930, quando a dívida do país estrangulava sua economia, ele avisou que “se o povo alemão tiver que passar fome, teremos muitos Adolf Hitler”. Não deu outra e em 1933 Hitler assumiu o governo. Quindim da banca, Schacht era um coletor do Caixa Dois dos nazistas e um ano depois, quando o ministro das Finanças reclamou da perseguição aos judeus, ele o substituiu. Soltou dinheiro para obras públicas e para o rearmamento do Reich. Ele deixou o comando da economia antes da Noite dos Cristais, mas continuou como ministro sem pasta até 1943 (a Solução Final do extermínio dos judeus foi decidida em 1942). Schacht foi um alemão emblemático de sua geração, que não sabia o que estava acontecendo. Ele começou a vida no Dresdner Bank, da família Gutmann, e não moveu um dedo quando ela começou a ser perseguida. A baronesa Louise morreu em Auschwitz e seu marido, Fritz, foi assassinado no campo de Theresienstadt. Schacht foi absolvido pelo tribunal de Nuremberg, que enforcou uma parte da cúpula civil e militar do nazismo, e morreu em 1970, aos 83 anos. Sua mulher usava um broche um uma suástica de rubis e brilhantes.” [Folha]

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8. Popularidade e o povo

Bolsonaro vive jurando lealdade absoluta ao povo. Eis o povo:

“​A população brasileira rejeita de forma inquestionável o argumento do presidente Jair Bolsonaro de que é preciso armar as pessoas para que não sejam escravizadas por governantes. Segundo pesquisa Datafolha, 72% dos entrevistados discordam do que disse Bolsonaro em reunião ministerial do dia 22 de abril, cuja gravação em vídeo foi divulgada por ordem do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. “Eu quero todo mundo armado. Que povo armado jamais será escravizado. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme. Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui”, afirmou o presidente na ocasião. Apenas 24% dos pesquisados estão de acordo com a declaração, enquanto 2% não concordam nem discordam e outros 2% não souberam responder.” [Folha]

Já falei e repito: que satisfação, aspira!

“O Datafolha mostra que o argumento de Bolsonaro encontra respaldo ainda menor entre as mulheres. Neste grupo, a rejeição à frase chega a 80%, enquanto apenas 16% fazem coro ao presidente. Entre os homens, a discordância cai para 62%, e a concordância chega a 34%. A reprovação também é mais acentuada nos estratos econômicos mais baixos da população.”

Os mais ricos, como de hábito, são os mais cretinos e estúpidos.

“Entre os que declaram ter renda familiar mensal de até dois salários mínimos, 77% rejeitam armar a população contra hipotéticos regimes escravizantes e 19% aceitam o argumento. A rejeição cai progressivamente conforme aumenta a renda. Na parcela mais abastada, que ganha mais de dez salários mínimos mensais, 60% discordam de Bolsonaro e 38% concordam com ele.”

Uge um Sulito, viado.

“Também é possível identificar maior apoio à frase em segmentos nos quais o presidente historicamente tem imagem mais positiva. No Sul, que foi um bastião de bolsonarismo na eleição de 2018, 66% discordam da frase, enquanto 27% a apoiam. É a região em que o argumento do presidente tem mais ressonância. Na pesquisa, 64% disseram que o presidente não está cumprindo o que prometeu na eleição de 2018 sobre a relação com o Legislativo. Acham que ele está cumprindo a promessa 29%, e 8% não souberam responder. Nas duas perguntas sobre o assunto, a reprovação ao comportamento do presidente tende a ser maior entre jovens de 16 a 24 anos e entrevistados com ensino superior.”

E tem mais povo discordando do Boslonaro:

“A maioria da população reprova a iniciativa do governo Jair Bolsonaro de negociar cargos e verbas com congressistas, de acordo com pesquisa Datafolha. A maior parte dos entrevistados também entende que o presidente não está cumprindo a promessa da campanha eleitoral de não oferecer vagas no governo e a liberação de recursos para obter apoio no Congresso. Disseram que o presidente age mal ao negociar cargos e verbas 67% dos entrevistados, ante 20% que entendem que ele age bem. Entre aqueles que dizem ter votado em Bolsonaro em 2018, as taxas se invertem, e 49% consideram que o presidente está cumprindo a promessa, ante 42% que veem descumprimento do anunciado na época.” [Folha]

A aprovação do govrno vai ladeira abaixo:

“Entre aqueles que dizem ter votado em Bolsonaro em 2018, as taxas se invertem, e 49% consideram que o presidente está cumprindo a promessa, ante 42% que veem descumprimento do anunciado na época.”

Se Bolsoanro deve lealdade absoluta ao povo como ele sempre diz…

forabolsonaro

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9. Covid-17

Pandemia, mais de 30 mil mortes no total, mais de mil mortes por dia e Bolsonaro tá preocupado com corrupção.

“O coronavírus tem dado mil e um motivos por dia para Jair Bolsonaro ter pressa na busca por um ministro da Saúde especialista na área. Na contramão da urgência, porém, ele tem dito que sua tendência é manter o general Eduardo Pazuello no posto. Segundo Bolsonaro, o militar tem como missão desbaratar esquemas de corrupção na pasta.” [O Globo]

O nome disso é PISCOPATIA.

E eu deveria escrever muito mais sobre a pandemia em terras brasilis, mas falta tempo, tá foda. Por hoje é só isso mesmo.

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10. Make Brazil Great again

Mais Trump sambando em cima do cadáver do Bolsonaro:

“O anúncio do presidente Donald Trump de que quer reunir uma espécie de “G10 ou G11” em setembro, sem mencionar o Brasil, representa um retrocesso constrangedor à posição brasileira na governança global, uma espécie de rebaixamento para a segunda divisão da ordem internacional. No sábado, Trump disse a jornalistas que adiou de junho para setembro o encontro de cúpula do G-7, no qual ele pretendia reunir nos EUA os líderes das principais economias desenvolvidas (EUA, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Canadá e Itália). O adiamento ocorreu depois que a premiê alemã, Angela Merkel, anunciou que não compareceria, por cauda da epidemia de covid-19. A novidade é que Trump agora quer convidar também Rússia, Coreia do Sul, Austrália e Índia para o evento. O presidente americano descreveu o encontro como um “G10 ou G11” para discutir o futuro das relações com a China.” [Valor]

Austrália, Coréia do Sul e nada do Braisl, viado! E olha que o maior aliado gringo do Bolsonaro é o… Trump!

“Para o Brasil, se a reunião ocorrer realmente nesse formato, estará em contradição com a própria hierarquia internacional. O Brasil seria a única grande economia do mundo excluída. Representará um rebaixamento brutal no lugar que ocupa na governança mundial.”

A matéria do Valor lembra muitíssimo bem do delírio do Ernesto na fatídica reunião:

“O anúncio de Trump vai também na contramão do que disse o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, na famosa reunião ministerial no Palácio do Planalto, cujo vídeo foi divulgado por ordem do STF. Na ocasião, Araujo declarou-se “cada vez mais convencido de que o Brasil tem hoje as condições, tem a oportunidade, de se sentar na mesa de quatro, cinco, seis países que vão definir a nova ordem mundial. […] Assim como houve um Conselho de Segurança que definiu a ordem mundial depois da Segunda Guerra, vai haver uma espécie de novo Conselho de Segurança e nós temos, dessa vez, a oportunidade de estar nele e acreditar na possibilidade de o Brasil influenciar de forma a ajudar a formatar um novo cenário”. Como organizador da cúpula do G7 neste ano, Trump pode convidar quem quiser. É o que pretende fazer, por exemplo, com o convite para a Rússia, que foi suspensa do G8 em 2014, após a anexação da Crimeia, que era da Ucrânia. Moscou não volta como sócio do clube, mas como convidado.

Normalmente, o país sede do G7 ou mesmo no G20 convida alguns países de fora (outreach) para uma participação. A escolha normalmente tem um caráter predominantemente regional ou de relacionamento mais próximo. Apesar da relação quase carnal que Bolsonaro quer ter com Trump, o presidente americano parece mais focado em outros países nesse caso. Em termos de participação global, antes da grande crise financeira global de 2008-09, o Brasil foi convidado por alguns anos pelos países do G7 para participar de uma parte dos encontros de cúpula das maiores economias desenvolvidas. Quando explodiu a crise de 2008-09, os principais países cogitaram vários formatos para incluir grandes emergentes na resposta à grande recessão global. Foi nesse período também que surgiu o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Na época, os países discutiram a criação de um G-13, e o então presidente francês Nicolas Sarkozy mencionou um formato de G14, que incluiria o Egito. Mas em todos os formatos imaginados, o Brasil estava dentro.”

Dia desses eu falei aqui que um pária global não dá um golpe impunemente, se derem o golpe haverá um cordão sanitário diplomático que vai asfixiar os golpistas.

“O ex-ministro Rubens Ricupero descreve a imagem do Brasil no exterior, hoje, como “o lugar de que as pessoas têm medo”. Ou ainda, em sua primeira resposta ao ser questionado sobre o tema: “Seria o caso de perguntar ‘que imagem?’. Como coisa positiva, acabou”. Seu colega de governo Itamar Franco, o ex-chanceler Celso Amorim, vai pela mesma linha. “Não há mais imagem. É a caricatura do Brasil no exterior. Só que a caricatura foi desenhada aqui dentro. E tem um certo rosto.” É o rosto do presidente Jair Bolsonaro. Para Ricupero, “já era ruim com o início do governo, mas com a pandemia isso se multiplicou, é o tempo todo, em todo lugar”. Ele conta ter sido procurado na quinta-feira (28) por uma publicação de análise política de Bruxelas e na sexta (29) para falar a uma rádio de Buenos Aires, com temas como os ataques ao meio ambiente e as ameaças à democracia. “Em resumo, não sobrou nada do que o Brasil tinha antes, se nós compararmos com aquela famosa capa do Cristo Redentor decolando no Economist, em 2009.” Só ficou “o grau de atenção internacional ao Brasil, que se elevou muito”, mas hoje com sinal contrário.

Além das seguidas capas com fotos de valas comuns, no último mês e meio saíram editoriais alarmados sobre o país, com a opinião institucional dos jornais, no Washington Post, Le Monde, Financial Times, El País e The Guardian. Em todos, o foco é o presidente. No título do Washington Post, “Bolsonaro é o pior” no enfrentamento da pandemia. O espanhol El País destacou os “graves riscos” à democracia, por seu apoio a “discursos golpistas” e por dar “mais poder aos militares”. O britânico The Guardian contrastou sua “imagem macho” com a realidade da “reação mais fraca” à Covid-19. Para o jornalista americano Brian Winter, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, organização voltada à política externa dos EUA, porém, a crise na imagem do Brasil começou antes. “Eu acredito que o Brasil é admirado internacionalmente quando é próspero”, diz ele, editor da revista da AS/COA. “Não é o caso desde pelo menos 2013. Portanto, o declínio de sua imagem antecede Bolsonaro por vários anos.” Winter afirma, por outro lado, que “não há dúvida de que a reputação sofreu impacto adicional em 2019 com os incêndios na Amazônia”. “E agora os holofotes estão novamente no país devido ao manejo da pandemia por Bolsonaro.” [Folha]

Imagine aí qual seria a postura do nosso maior parceiro comercial. Alguém acha que os chineses vão reconhecer o golpe? Argentina não vai reconhecer, Uruguai não vai reconhecer, CHile não vai reconhecer. Na AL sobrará Bolívia e Guaidó, que ainda finge ser o auto-proclamado presidente.

“O jornalista brasileiro Daniel Buarque, autor de “Brazil, um País do Presente: A Imagem Internacional do ‘País do Futuro'” (Alameda, 2013), avalia que hoje “a imagem do Brasil é negativa, mas é especialmente negativa a imagem do governo Bolsonaro”. No caso da pandemia, “tudo é colocado na conta dele, e o Brasil é apontado até como vítima”. Buarque, que prepara doutorado sobre o tema no King’s College London, diz que em seus contatos com acadêmicos voltados ao país é comum diferenciar o Brasil de seu presidente. “Se não acontecer nada radical até 2022, outro pode ganhar e começar tudo de novo”, diz. “É uma imagem que pode ser limpa, zerada.

Diplomaticamente sim, mas vai recuperar o estrago no MEC, na Saúde e no Meio Ambiente, é trabalho de décadas. Só a reorganização ministerial que esses dementes fizeram e depois foram mudando de qualquer jeito já é “uma pica do tamamnho dum cometa“:

“Celso Amorim e Brian Winter concordam quanto à provável reação chinesa ao noticiário intermitente de ataques de Jair Bolsonaro, seus ministros e filhos ao país. “Eles são pragmáticos, não vão jogar fora o mercado”, diz o ex-chanceler. “Minha impressão é que a China entende que este é um governo que fala grosso, mas é um parceiro disposto no comércio”, afirma o jornalista americano. Amorim alerta porém que, a partir de agora, “eles não vão fazer aquele extra quando você precisa”. Cita como exemplo de vantagem desperdiçada pelo Brasil a forma como o país acabou “na vala comum” durante a concorrência global por equipamentos chineses contra a Covid-19. “Era o país com parceria estratégica, era do Brics, então estava no topo da lista”, diz. “Mas perdemos respirador para os EUA, que chegavam na beira do avião e pagavam mais.”

Encerro com Hussein Kalout e a desgraça que se abate sob o Itamaraty:

“Instituições de Estado hierárquicas, como o Itamaraty, devem responder ao comando político. Se muda o governo, muda a orientação. Cabe à máquina do Estado e a seus funcionários implementar as novas diretrizes. No regime democrático, o governo eleito tem o direito de executar o programa endossado nas urnas. Possui a potestade de mobilizar a estrutura estatal para perseguir seus objetivos, desde que observada a Constituição e demais normas vigentes, inclusive as derivadas do direito internacional. Essa configuração é o que garante unidade na ação do Estado e de suas burocracias segundo a regra democrática. Seria equivocado, contudo, crer que essas burocracias hierarquizadas e profissionais – em particular os diplomatas, mas também os militares, os policiais federais ou os auditores da Receita, entre outros – constituem meras engrenagens da máquina estatal. Esses corpos de funcionários são também guardiães de visão estratégica de Estado.

É por isso que algumas políticas públicas, como a política externa, são síntese entre as ênfases e orientações do governo do dia (a dimensão de política pública) e objetivos nacionais que não variam ao sabor das conjunturas, mantendo certa perenidade (a dimensão de política de Estado). No Itamaraty atual, a dimensão de política de Estado foi vilipendiada. Sinal disso é a exigência aos funcionários de uma fidelidade canina à ideologia extremista imposta à nossa diplomacia. Quando se exige que embaixadores defendam o governo não com compostura e sobriedade, mas passem a atuar como militantes, como se viu em cartas de alguns deles a jornais e parlamentares na Europa. Quando alguns deles resolvem envolver-se em altercações públicas desqualificando o interlocutor, rompe-se o delicado equilíbrio entre política partidária, política pública e política de Estado. A diretriz hoje vigente cobra fervor à causa. Os que se lambuzam na trincheira da luta ideológica, abandonam a diplomacia e adentram o campo minado da militância, transformam-se em integrantes de uma falange atuante no exterior. Nesse contexto, alguns personagens mais afoitos, no afã de mostrar serviço, exageram no oportunismo para se consolidarem no cargo, adulando de maneira rastejante os atuais donos do poder. Alguns, de um ridículo atroz, eram até ontem figurões do governo de esquerda que hoje denunciam. Outros eram medíocres funcionários de governo de centro que se notabilizavam pela sabujice aos mais poderosos.

A atual diplomacia da ruptura reacionária tem transformado o Brasil num pária internacional, isolado em sua própria região e relegado a um ator de terceira linha, cuja única aposta é numa abjeta vassalagem ao governo Trump. Essa aposta pode render algumas doses de cloroquina, mas não garante a defesa dos interesses nacionais ou nossa participação na reunião do G-7 a ser organizada pelos EUA. Ou talvez até renda essa participação, desde que novas concessões unilaterais do Brasil sejam oferecidas de bandeja, a um custo novamente desproporcional. O arrivismo desmedido, o oportunismo e o carreirismo foram meros detalhes no passado, uma vez que eram fenômenos que se apresentavam dentro de um quadro de racionalidade da política externa. Hoje, no entanto, possuem um sentido distinto. Tornam-se sinônimo de cumplicidade com a destruição empreendida pela diplomacia extremista vigente. Quando este momento de irracionalidade for superado, um acerto de contas será natural e necessário. O Brasil terá de enfrentar o custo exorbitante da política externa irracional e tresloucada para tentar reconstruir o que foi destroçado. Quando esses custos forem contabilizados, não há dúvida de que os oportunistas de ocasião, vistos como sócios dessa empreitada nefanda, também terão que arcar com sua parcela de responsabilidade. E então desvirar a casaca não será opção. Esses oportunistas terão cruzado o Rubicão.” [Estadão]

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11. Abraham

Abraham deu uma palestra…

… no Movimento Brasil Conservador (MBC)

“Criou-se uma estrutura para levar o Brasil para um paraíso esquerdista. E como a gente resolve isso? Indo atrás dos oligopólios e monopólios, tendo coragem para enfrentar a discussão ideológica e mudando as regras da Nova República, porque elas foram montadas por um sistema que sempre vai gerar a mesma coisa” [O Globo]

Bom era antes da Nova República, sob os milicos, né?

“Weintraub afirmou que a esquerda é “inimiga dos valores e da razão”…”

“… e que “tem nojo do lucro”, que definiu como “sagrado, fruto do trabalho”.”

Abraham tirou esse versículo da bunda.

“Assim como seu irmão Arthur Weintraub, assessor especial da Presidência, que palestrou na sexta-feira, o ministro questionou a separação dos Três Poderes, sistema sob o qual funcionam as repúblicas democráticas em todo o mundo. Para ele, Judiciário, Legislativo e “burocratas do Executivo” não conseguem impedir a captura do Estado pela esquerda corrupta.  Tem todo o sistema de freios e contrapesos, tudo que deveria impedir que esse mecanismo se construísse. Você tem o Judiciário, o Legislativo, você tem burocratas no Executivo que deveriam impedir isso.”

Entra em cena o irmão tão demente quanto:

“Arthur Weintraub, por sua vez, discorreu em sua palestra sobre a Revolução Francesa, criticou o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau e afirmou que a separação entre os Três Poderes numa república democrática, o Executivo, o Judiciário e o Legislativo, “não funcionam na prática”. Apesar da afirmação, não deu maiores explicações.

— Esses iluministas começam a criar essa ideia de separação de poderes, sistema de freios e contrapesos, que na teoria é muito bonito, mas na prática muitas vezes não tem funcionado. Então, “ah, os Três Poderes são harmônicos, equilibrados”… A gente tem exemplos de que isso não acontece tanto. E esse sistema de poderes harmônicos, essa teoria do Estado, de pacto social, vai fortalecendo demais o Estado. E o Estado vai criando tecnologias de controle das pessoas, e de imposto, e de paternalismo. Se você reparar, o Estado começa a te controlar e te exigir imposto”

Na cabeça desses dementes dinheiro deve nascer em árvore…

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12. Hemorródia

Do José Eduardo Agualusa:

“Como milhões de pessoas ao redor do globo, o discurso do senhor Jair Bolsonaro perante os seus ministros provocou em mim violenta comoção. Considero-o uma das mais extraordinárias peças de retórica jamais produzidas por um chefe de estado — sóbrio ou totalmente embriagado. A bem dizer aquilo nem foi um discurso: foi um atentado. Jair Bolsonaro fez-se explodir, em meio a todas as excelências do seu governo, detonando com ele as convenções burguesas, a moral cristã e, de caminho, o sólido prestígio da instituição militar. Bolsonaro é, afinal, um revolucionário anarquista infiltrado na ultradireita cristã. Não acredito que os partidos representantes da direita brasileira, as igrejas neopentecostais e o exército se recomponham alguma vez dos estragos causados pela explosão sacrificial do camarada Bolsonaro.” [O GLobo]

Algum otimismo é preciso.

“Ao institucionalizar a obscenidade, Bolsonaro corrompe a instituição, num genial gesto anarquista, que Proudhon, onde quer que esteja, deve estar aplaudindo de pé. A eficácia desta subversão revolucionária pode avaliar-se pela condescendência com que pastores e generais aceitaram o discurso de Bolsonaro, e pela tímida tentativa de alguns ministros ao tentarem acompanhá-lo na produção de palavrões, semeando o cupim da desordem nos instáveis alicerces da democracia burguesa. Bolsonaro, portanto, é o messias que os anarquistas radicais há tanto tempo aguardavam. Contudo, o que mais me surpreendeu e vem inquietando é aquela misteriosa referência às hemorroidas: “O que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade”, afirmou Bolsonaro, firme e enfático.

Até hoje, ninguém havia ainda conseguido juntar numa mesma frase, com um mínimo de coerência, os conceitos de liberdade, verdade e hemorroidas. Os céticos dirão que também na frase de Bolsonaro falta coerência. Houve até quem sugerisse, maldosamente, que o grande estadista teria trocado hemorragia por hemorroida, por desconhecer o exato significado de ambos os termos. Pura calúnia! Só um profundo pensador, um imenso escritor, seria capaz de uma ousadia assim, misturando o sagrado e o profano, o sublime e o infame, criando uma imagem de tremendo impacto, que se prende ao cérebro como um carrapato — perdoem-me a rima incauta. Confesso-me, contudo, incompetente para decifrar a hermenêutica da hemorroida. O que simboliza? E quem serão os obscuros sujeitos que atentam contra “a nossa hemorroida, a nossa liberdade”?

Esperei que o filósofo Olavo viesse a público esclarecer-nos, tanto mais que ao longo dos anos se revelou um especialista em tudo que diga respeito à extremidade do intestino. Deve ser, aliás, o filósofo que mais atenção dedicou a essa parte da anatomia humana. Esperei em vão. Olavo, no seu remoto exílio americano, permaneceu em silêncio. Assisto, entretanto, ao triunfo do projeto bolsonarista de demolir a moral e os bons costumes através da generalização da grosseria. Vejo, nas redes sociais, os seus seguidores insultando tudo e todos, com feroz ódio e uma imparável torrente de palavrões. Infelizmente, até nos palavrões demonstram fraca criatividade e conhecimento da língua. Sugiro que leiam o “Dicionário de insultos”, de Sérgio Luís de Carvalho. Também na boçalidade se exige um mínimo de conhecimento e elegância.”

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13. Whitney

Whitney, Moro, Bretas, ao que parece ser imbecil é pré-requisito pra virar juiz.

“Wilson Witzel se desestabilizou ao virar, junto com sua mulher, Helena, alvo principal de uma operação da PF. Por pouco, não fez uma besteira. Witzel estava disposto a procurar pessoas próximas a outros investigados para tentar descobrir — fora dos autos — o que eles contaram em seus depoimentos. Ao fim, foi convencido a desistir do plano, que configuraria obstrução de Justiça, algo que, aliás, um ex-juiz deveria saber.” [O Globo]

Temos imagens exclusivas do interlocutor da Whitney:

“Aliás, Witzel está convicto de que a PF voltará a incomodá-lo com novas fases da operação deflagrada na semana passada.”

Quem tem cu tem medo. Quem tem cu e é burro que nem uma porta então…

E deu ruim no Palácio Guanabara…

“O secretário de Estado de Polícia Civil (Sepol), o delegado Marcus Vinicius de Almeida Braga, pediu exoneração do cargo neste sábado após um ano e cinco meses na pasta. Braga enviou uma carta ao governado Wilson Witzel, em que, sem justificar o motivo da saída, pede para ser exonerado. A saída acontece dias após a Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Federal, que apura desvios de recursos na construção de hospitais de campanha no estado. A saída do delegado se dá em meio a uma dança das cadeiras no Executivo fluminense. Na noite desta quinta-feira, Witzel exonerou os secretários de Casa Civil, André Moura, e de Fazenda, Luiz Cláudio Rodrigues de Carvalho. A escolha marcou um aceno do governador ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, considerado adversário dos dispensados. Tristão, assim como a primeira-dama, Helena Witzel, é peça-chave na investigação do Ministério Público sobre esquemas de corrupção na Saúde.” [O Dia]

Esse Lucas Tristão tá comando a WEhitney, só pode…

“Ao demitir esses dois secretários, Witzel provocou também a entrega de cargos na Assembleia Legislativa. O líder e o vice-líder do governo na Casa anunciaram que não vão mais cumprir as funções. O atrito com a Alerj se dá em meio a três pedidos de impeachment apresentados após a operação – o primeiro por tucanos, o segundo por bolsonaristas e o terceiro por deputados do Novo, que também pedem o afastamento de Tristão.”

A delicadez da Whitney:

“Wilson Witzel não comunicou ao ex-secretário de Fazenda de seu governo Luiz Cláudio Rodrigues de que ele seria exonerado. Rodrigues soube da sua demissão ao ser avisado por servidores que ela estava publicada em uma edição extra do Diário Oficial. E horas antes eles haviam estado juntos no Palácio Guanabara. A demissão de Rodrigues foi mais uma vitória de Lucas Tristão, também secretário de Witzel, e enrolado nos esquemas de Mário Peixoto, preso há duas semanas pela Lava-Jato fluminense. Tristão buscava ingerência na Fazenda, mas encontrou resistência de Rodrigues. O atual secretário é braço-direito de Tristão.” [O Globo]

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14 Recordar é viver

Baita texto do Frederico Vasconcelos

“O criminalista Alberto Zacharias Toron diz que o autoritarismo de Jair Bolsonaro é uma herança da Lava Jato. Em entrevista ao jornalista Walter Nunes, na Folha deste domingo (31), o advogado que travou embates com o ex-ministro Sergio Moro diz que a operação de Curitiba foi o nascedouro do momento político atual. “Esse autoritarismo é um legado da Lava Jato, porque ela representou uma desconstrução do devido processo legal e forçou a legitimação de atos de repressão a pretexto de se coibir a corrupção”, diz. Toron critica a pirotecnia da Polícia Federal, mas essa distorção gerou protestos de criminalistas bem antes da Lava Jato.

A corporação esteve na berlinda no mensalão, em 2005, e nas operações Sucuri e Anaconda, ambas deflagradas em 2003. Ele comentou a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. “Um fato que me assusta é a maneira pela qual foi desencadeada a operação contra o governador Wilson Witzel. (…) O caráter pirotécnico dela é exagerado e me parece que pode configurar algum tipo de abuso e, mais do que isso, a utilização da PF para perseguição de seus inimigos políticos”, completou. Em maio de 2007, Toron foi um dos 12 criminalistas que assinaram documento com críticas à ação da Polícia Federal na época do mensalão. Ele condenou “a decretação de prisões temporárias a granel, sem qualquer parcimônia”. “Pior é ver a polícia dar informações à imprensa, que as divulga em horário nobre, e os advogados não têm acesso aos autos”, disse. Segundo o advogado Antonio Carlos Mariz de Oliveira, um dos organizadores da manifestação, “com o mensalão, o governo passou a aproveitar-se da situação policialesca como tentativa de encobrir os suspeitos próximos”. Ou seja, distorções que se repetiriam na Lava Jato.

A Polícia Federal realizou milhares de operações de busca e apreensão em vários Estados e não há registro de violência semelhante à ocorrida recentemente no Rio de Janeiro. Numa operação da qual a PF participou com a Polícia Civil de Witzel, em São Gonçalo (RJ), um dos 72 tiros disparados matou o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. Exonerado por Bolsonaro, Maurício Valeixo não foi o primeiro diretor da PF a perder o cargo sob a alegação de perseguição a inimigos políticos. Foi também o caso de Paulo Lacerda, que chefiou a Polícia Federal durante todo o primeiro mandato de Lula, antes de assumir o comando da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Lacerda trabalhava no gabinete do senador Romeu Tuma (DEM), que morreu em outubro de 2010. Ele foi escolhido pelo então ministro da Justiça Thomaz Bastos, que definira a reestruturação da PF como prioridade de sua gestão.

Segundo o jornalista Vasconcelo Quadros registrou em agosto de 2018, em reportagem na Agência Pública, Lacerda desvendara esquemas de corrupção, entre os quais figuravam como alvos os principais clientes do escritório do ministro. Lacerda assumiu a PF anunciando que abriria a “caixa-preta” do órgão. Newton Ishii, o carcereiro “japonês da Federal”, por exemplo, que ficou famoso na Lava Jato, foi preso na Operação Sucuri e retornou à corporação. Ishii se aposentou e dá palestras motivacionais. Na gestão de Lacerda, a Operação Anaconda desarticulou quadrilha que negociava sentenças na Justiça Federal em São Paulo e afastou membros da Polícia Federal. Toron foi advogado do ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, considerado o principal mentor do esquema. Antes de vestir a toga, Rocha Mattos foi delegado da PF.

Na Abin, Lacerda apoiou o então delegado federal Protógenes Queiroz nas controvertidas investigações que levaram à prisão do banqueiro Daniel Dantas, na Operação Satiagraha. Segundo Quadros, “a pá de cal foi a suspeita de que [Lacerda] teria autorizado um grampo nos telefones do ex-senador Demóstenes Torres e do ministro Gilmar Mendes”, então presidente do STF. “As investigações minuciosas da própria PF comprovariam que o grampo não existiu, mas a saída de Lacerda abriria um vácuo de comando no setor de inteligência e de segurança do governo”, registra o jornalista. Protógenes Queiroz foi demitido do cargo de delegado da PF, acusado de utilizar-se “abusivamente da condição de funcionário policial”.

O caso Opportunity foi anulado pelo Superior Tribunal de Justiça. Lacerda elogiou Lula quando o ex-presidente foi preso na Lava Jato, por determinação de Sergio Moro . Já Moro elogiou publicamente Lacerda, que estava na plateia em um evento em Curitiba –no período da instabilidade do diretor-geral Maurício Valeixo–, conforme revelou em setembro de 2019 o jornalista Guilherme Amado na revista Época. “É uma lenda dentro da Polícia Federal. Durante a gestão dele, a Polícia Federal deu um grande salto, de qualidade, de independência, de atuação destacada”, disse Moro.” [Folha]

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15. Manifestação

Bolsonaro foi a mais uma manifestaçção e não tem uma viva alma no palácio que consiga enquadrar o presidente – como disse o Villa-Bôas em meio a gargalhadas durante a transição, “ele é incontrolável“:

“Apesar de aconselhado por assessores a não comparecer, o presidente Jair Bolsonaro foi ao ato deste domingo (31) e contrariou até aliados, que avaliam negativamente para o próprio governo a manutenção do clima de confronto no país neste momento. Segundo interlocutores do presidente, ele recebeu de assessores o pedido para que não estivesse presente nos protestos, liderados por grupos bolsonaristas, na busca de contribuir para baixar a temperatura da crise política, principalmente no relacionamento com o STF. Nos últimos dias, auxiliares diretos do presidente procuraram, nos bastidores, ministros do STF para tentar estabelecer um clima de paz entre Executivo e Judiciário, diante da piora da tensão entre os dois poderes depois da operação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes contra grupos bolsonaristas que disseminam informações falsas.

Contrariando seus assessores e aliados no Congresso Nacional e no Judiciário, Bolsonaro não só sobrevoou o local das manifestações como depois circulou entre os manifestantes. Com isso, na avaliações desses interlocutores que o apoiam, o presidente criou mais dificuldades para se chegar a um entendimento entre o Palácio do Planalto e o STF. Segundo um desses interlocutores, o presidente está jogando contra seu próprio governo. Em sua avaliação, Bolsonaro pode até se fortalecer junto a seu eleitorado fiel, só que ele é minoria hoje no país e vai acabar afundando ainda mais a economia. O reflexo desse movimento será, no médio prazo, um enfraquecimento ainda maior da sua administração.” [G1]

Relato de um fotógrafo da Folha:

“Cheguei à avenida Paulista por volta das 13h15. A quadra onde fica o Masp estava tomada por manifestantes em defesa da democracia e contra o governo Jair Bolsonaro (sem partido), convocados por diversas torcidas organizadas de clubes da capital. Duas quadras distante dali, reunia-se um pequeno grupo de apoiadores do presidente. Entre eles, policiais. Um cordão de PMs de coletes fluorescentes isolava cada um dos grupos. Mas voltados para o lado em que estavam os torcedores havia também um batalhão da Tropa de Choque. Esses policiais estavam organizados em duas fileiras, ostentavam escudos negros, capacetes e alguns tinham armas em punho. Atrás deles, uma dúzia de SUVs paradas com alerta luminoso acionado.

O clima dos manifestantes desse lado, no entanto, parecia tranquilo. No máximo ouvia-se brados contra o presidente e o fascismo. Via-se grande diversidade etária e racial. Os bolsonaristas eram poucos mas faziam o seu barulho. Nos cerca de 20 minutos que fiquei lá, ouvi palavras de ordem, impropérios e vi os tradicionais cartazes contra o Supremo Tribunal Federal, o “sistema” e a favor do presidente. Ali, quase todos eram brancos e mais velhos, a partir da meia-idade. Num determinado momento, alguns bolsonaristas mais exaltados tentaram furar o cordão policial em direção ao MASP. Foram contidos pelos PMs e por outros manifestantes. Tudo isso ocorreu por meio da conversa, sem que houvesse qualquer violência, como imagino que deveria ser.

Quando voltei para o lado dos torcedores, por volta das 14h15, vi que começava um bate-boca entre os manifestantes e uma mulher de máscara da bandeira americana e com um taco de beisebol na mão no qual se lia “rivotril”. Os ânimos se inflamaram. Policiais cercaram a mulher e começaram a conduzi-la para o outro lado. Embora mantendo certa distância, um grupo de torcedores começou a ir na mesma direção. A resposta veio imediatamente. Bombas de gás lacrimogêneo estrondearam. Confusão, correria. Depois, o estampido seco de balas de borracha. Era a hora de sair.” [Folha]

E os neonazistas deixaram a discrição de lado:

“O uso da bandeira de um movimento de extrema direita da Ucrânia em ato bolsonarista no Brasil gerou desconforto em Moscou. Integrantes do corpo diplomático na capital russa ouvidos pela Folha ficaram surpresos ao ver fotos que circularam em redes sociais de uma manifestação em favor do presidente Jair Bolsonaro no domingo passado (24). Em um protesto na avenida Paulista, foi desfraldado sobre um carro de som um estandarte preto e vermelho com o tradicional tridente do brasão nacional ucraniano. O símbolo foi visto, ao lado da bandeira nacional ucraniana, nas manifestações pró-Bolsonaro neste domingo (31). Trata-se do símbolo do Pravyi Sektor (Setor Direito), organização paramilitar criada em 2013 que virou partido político na Ucrânia. O grupo é banido na Rússia por ser considerado neonazista e terrorista. Isso remonta ao golpe que derrubou o governo pró-Kremlin de Kiev no começo de 2014. O Pravyi Sektor era uma das organizações envolvidas em combates de rua. A mais importante delas, o Batalhão Azov, foi incorporada à Guarda Nacional ucraniana após a vitória dos revoltosos anti-Moscou. Essa unidade tem um brasão inspirado em runas da SS nazista, e busca paralelo histórico nas unidades de resistência à União Soviética que lutaram ao lado da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

Não são raras as fotos de integrantes desses grupos com bandeiras nazistas em seu combate contra os separatistas pró-Moscou do leste ucraniano. É uma trama nuançada, que se repete em diversos países, como os Estados Bálticos ou a Croácia, em que a luta contra o comunismo teve intersecção com a presença dos invasores fascistas —muitas vezes com puro colaboracionismo. Seja como for, a briga caiu no Brasil de Bolsonaro. Postagens de redes sociais correram para apresentar o “apoio neonazista” ao presidente. Em 28 de abril, o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) havia engrossado o caldo da discussão com uma postagem defendendo a “ucranização do Brasil”. “Trata-se [a ucranização] de combater partidos e políticos corruptos. A bandeira da organização Pravyi Sektor é levantada por um indivíduo e outro”, disse Silveira. Questionado por mensagem se ele ou algum organizador de protestos pró-Bolsonaro teve algum contato com o Pravyi Sektor, Silveira não deu continuidade à conversa.” [Folha]

E estranhamente Bolsonaro demonstrou um rasgo de lucidez:

“Bolsonaro recomendou nesta segunda-feira a seus apoiadores que não façam uma manifestação no próximo domingo, para evitar um conflito com opositores, que também marcaram um protesto na mesma data. Bolsonaro conversava com apoiadores no Palácio da Alvorada, quando um deles disse que era preciso acabar com “esses caras de preto batendo na gente”, em referência a manifestantes que entraram em confronto com apoiadores do presidente no domingo em São Paulo e no Rio de Janeiro. — Estão marcando domingo um movimento, né? Deixa sozinho o domingo — disse Bolsonaro. Um apoiador, então, perguntou se ninguém deveria ir, e o presidente afirmou que não coordena os protestos, mas voltou a recomendar uma mudança na data. — Eu não coordeno nada, não sou dono de grupo. Não participo de nada. Só vou prestigiar vocês que estão me apoiando. Vocês fazem um movimento limpo, decente, pela democracia, pela lei e pela ordem. Eu apenas compareço. Não conheço praticamente ninguém desses grupos. Eu acho que, já que eles marcaram para domingo, deixa domingo lá.” [O Globo]

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16. Salles tóxico

“A guerra de anúncios deflagrada após a fala de Ricardo Salles, no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, deu dor de cabeça às associações empresariais que assinaram o manifesto em apoio ao ministro do Meio Ambiente. Algumas das entidades, que vivem de contribuições de empresas associadas, receberam reclamações e até pedidos de desfiliação de membros que não quiseram ter suas marcas associadas à declaração de que a pandemia é o momento de passar a boiada. Ao menos duas empresas da ADIT (associação para desenvolvimento imobiliário e turístico) decidiram deixar a entidade. Na quarta-feira (27), o resort Beach Park comunicou a entidade sobre sua saída e foi seguido pela rede de hotéis Bourbon na quinta (28). Em nota, a ADIT afirma que o manifesto endossado por ela não defende da destruição da Amazônia. A entidade diz que “condena a burocratização que se utiliza de uma falsa bandeira ecológica para o travamento das atividades econômicas no país”. Na Abrafrigo (que reúne frigoríficos), a Marfrig anunciou na quarta-feira (27) que não foi consultada sobre o manifesto em apoio ao ministro. A empresa diz que há mais dez anos está comprometida com o combate ao desmatamento. A Abihpec (indústria de cosméticos) desembarcou do manifesto na quarta (27), depois de ter sido cobrada por companhias como Grupo Boticário, Natura e L’Occitane. A entidade afirma que seu conselho aprovou a retirada de forma unânime. Após a divulgação do anúncio, as ONGs Greenpeace Brasil, ClimaInfo e Observatório do Clima perguntaram às empresas, nas redes sociais, se elas tinham sido informadas sobre o manifesto. Délcio Rodrigues, diretor-executivo da ClimaInfo, disse que o número de assinaturas chamou a atenção das ONGs.” [Folha]

E “toxic” também:

“A deputada americana Deb Haaland, primeira indígena americana a se eleger para o Congresso dos Estados Unidos, enviou nesta segunda-feira uma carta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pedindo que o parlamentar barre a aprovação do projeto de lei da regularização fundiária (PL 2633/2020). O texto foi assinado por outros 18 deputados ligados à ala mais progressista do partido democrata, incluindo a estrela jovem da sigla, Alexandria Ocasio-Cortez. No texto, os parlamentares americanos afirmam que, como “importante parceiro comercial e diplomático”, há preocupação “com o fato de o governo brasileiro ter mudado leis estabelecidas há muito tempo e desconsiderado direitos humanos, a fim de se alinhar com os interesses da indústria quando se trata de mineração, agricultura e projetos de infraestrutura, que levaram a violentos ataques contra os povos indígenas em grande parte impune”. O movimento é endossado por instituições como Amazon Watch, Greenpeace, Latin America Working Group, Rainforest Foundation US, U.S. Network for Democracy in Brazil, Washington Office on Latin America, International Rivers e Center for Economic and Policy Research. Os parlamentares alegam ainda que o projeto de lei pode “legalizar o roubo de milhares de hectares de terras públicas” e “promove um verdadeiro ‘velho oeste’ de invasores que agem com impunidade em nome de lucros”.” [Estadão]

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17. Sobre a China

Do Nelson de Sá:

“O próprio encontro do G7 nos EUA foi “adiado após Angela Merkel dizer que não atenderia”, noticiou o NYT na home. O site Politico havia antecipado a informação, detalhando que a chanceler alemã e Trump, em conversa, “discordaram acaloradamente” sobre temas como a China. O serviço de notícias da Alemanha, Deutsche Welle, reportou que, antes mesmo da violência, “Coronavírus torna alemães mais críticos dos EUA”. Segundo pesquisa Kantar, “73% dizem que sua opinião dos EUA deteriorou” e “só 37% querem laços mais próximos”, contra 50% em setembro.

O Wall Street Journal cobre de perto, nas últimas duas semanas, o afastamento entre Alemanha e EUA —e a aproximação da primeira com a China. Destacou que Pequim “mantém montadoras alemãs em alta velocidade”, com recuperação nas vendas, que VW e outras vão investir bilhões no país e até que dois aviões cheios de executivos alemães partiram para a China. Por outro lado, “Embaixador dos EUA na Alemanha vai sair” após dois anos de confrontos com Merkel.

Com chamada na home, coluna no Financial Times alerta que “Nós podemos estar entrando num mundo pós-dólar”. Em suma, “China e outros emergentes, assim como alguns países ricos como a Alemanha, adorariam se afastar do domínio do dólar, desejo acentuado pelo uso cada vez maior das finanças como armamento”, referência às sanções. Destaca movimentos não só da China, mas da União Europeia.” [Folha]

E a China respondeu ao anúncio do Trump de sexta-feira:

“Nesta segunda-feira (1º), a China prometeu responder com firmeza aos anúncios do presidente norte-americano, Donald Trump, que quer limitar a entrada de cidadãos chineses nos EUA e impor sanções comerciais a Hong Kong. “Toda declaração ou ação que prejudique os interesses da China encontrarão um firme contra-ataque”, declarou à imprensa Zhao Lijian, porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês. Trata-se da primeira reação de Pequim às medidas anunciadas na última sexta-feira pelo presidente americano. Na ocasião, Trump anunciou que suspenderia a entrada dos cidadãos chineses que representassem risco potencial para a segurança dos Estados Unidos ao país. O republicano também pediu que sua administração ponha fim às medidas comerciais preferenciais para Hong Kong, ao se manifestar contra a lei de segurança nacional imposta por Pequim ao território autônomo. Zhao também classificou como “doença crônica” o racismo nos Estados Unidos, ao comentar a morte de um cidadão negro pela polícia, o que tem provocado diversos protestos pelo país. O porta-voz fez uma comparação entre esses atos e as manifestações que Hong Kong vem enfrentando desde o ano passado. “Por que os EUA tratam como heróis os partidários da violência e a suposta independência de Hong Kong, qualificando ao mesmo tempo de ‘agitadores’ àqueles que denunciam o racismo?”, questionou.” [Folha]

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18. This is America, clac bum

Única forma de começar esse tópico:

Trump e esse governo de supremacistas-brancos estão com o cu na mão, “that’s the way I like”

“As luzes da Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos, foram apagadas neste domingo (31), como medida de segurança durante a sexta noite de uma série protestos contra violência policial e racismo no país. O presidente Donald Trump e sua família foram levados na sexta-feira (29) a um abrigo subterrâneo geralmente usado durante ataques terroristas, de acordo com o jornal americano The New York Times.” [Folha]

Isso explica a insana retórica presidencial dos últimos dias

“Donald Trump criminalizou manifestantes, colocou militares à disposição do governador de Minnesota e, no sábado (30), quando os atos se espalharam por mais de 70 cidades americanas, ameaçou usar o “poder ilimitado” das Forças Armadas para conter os protestos contra a morte de George Floyd, homem negro cujo pescoço foi prensado no chão pelo joelho de um policial branco. No domingo, o presidente retuitou a mensagem de um radialista conservador que afirmava: “Isso não vai parar até que as pessoas boas estejam dispostas a usar força esmagadora contra os bandidos.” [Folha]

Olha como Trump se referia a cidades majoritariamente negras:

“No ano passado, já havia usado do expediente quando insultou o então deputado democrata Elijah Cummings, que é negro, e as quatro congressistas de oposição conhecidas como “o esquadrão”. O presidente disse que as deputadas deveriam “voltar e ajudar a consertar os lugares quebrados e infestados de crime de onde vieram” —todas têm cidadania americana— e se referiu à cidade de Baltimore, representada por Cummings, como uma “área nojenta, infestada de ratos e roedores”. Em 2017, Trump criticou atletas negros que, inspirados no exemplo do ex-quarterback do San Francisco 49ers Colin Kaepernick, protestavam contra a injustiça racial e a brutalidade policial se ajoelhando durante o hino nacional antes dos jogos. O presidente dizia que os atletas desrespeitavam a bandeira americana e, durante um comício no Alabama, chegou a xingá-los e a pedir a demissão deles. Em 2017, Trump criticou atletas negros que, inspirados no exemplo do ex-quarterback do San Francisco 49ers Colin Kaepernick, protestavam contra a injustiça racial e a brutalidade policial se ajoelhando durante o hino nacional antes dos jogos. O presidente dizia que os atletas desrespeitavam a bandeira americana e, durante um comício no Alabama, chegou a xingá-los e a pedir a demissão deles. Neste domingo, o assessor de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, disse em entrevista à CNN que “não existe racismo sistêmico” no país. Ele elogiou as forças de segurança e disse que há policiais racistas que devem ser excluídos das corporações. Ao entrar em embate com o Twitter, no início da semana, Trump dizia, sem provas, que o voto por correio —uma das opções para novembro em meio à crise de coronavírus— pode gerar uma eleição fraudada. Esse sistema deve ampliar a participação de eleitores, como negros e pobres, por exemplo, o que desagrada o republicano, visto que eles não são grupos que costumam apoiá-lo.”

E Trump não é pouco racista não, ele é racista pra caralhoO!

Que foto!

Se foi um por vez batendo tá justo.

E policial é escroto em tudo que é ligar do mundo, impressionante:

“Em um vídeo de Minneapolis, um veículo militar da Guarda Nacional trafega em uma rua, seguido de policiais usando equipamento de combate. Um dos policiais manda residentes ficarem dentro de suas residências e depois grita “põe fogo neles” antes de atirar com balas de borracha contra um grupo de pessoas na frente de uma casa. O toque de recolher na cidade permite que os moradores fiquem na frente de suas casas.”

Mas tem bons policiais, como essa mulher maravilhosa:

Do Nelson de Sá:

“Sob o título “Mundo alarmado pela violência nos EUA”, Drudge Report, New York Times e outros, com Associated Press, reportaram como diferentes jornais, do chinês Global Times ao italiano Corriere della Sera, vêm reagindo às cenas dos últimos dias. “Nações ao redor do mundo assistem em horror”, começa o texto, que destaca o alemão Bild. Abrindo foto na capa de domingo, com a manchete “Este é o policial assassino que incendiou a América”, o tabloide de Berlim vê “cenas de guerra civil”. A conflagração já ecoa na disputa geopolítica, a começar da África, como mostra a Foreign Policy. O South China Morning Post, ao manchetar o plano de Trump de criar “um bloco anti-China” a partir do G7, destacou que “o soft power e a liderança dos EUA foram danificados”. [Folha]

Gostaria de escrever muito mais sobre isso, organizar melhor o tópico mas falta tempo e sobra demência pelas bandas de cá.

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>>>> O mentiroso do Abraham disse que sairia se o FNDE fosse para o Centrão: “O governo nomeou o chefe do gabinete do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), Marcelo Lopes da Ponte, para a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem um orçamento de R$ 29,4 bilhões neste ano. A nomeação foi publicada na edição desta segunda-feira, 1, do Diário Oficial da União. Ele vai substituir Karine Silva dos Santos, que ocupava o cargo desde dezembro e é alinhada ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. Vinculado ao Ministério da Educação, o FNDE é um dos espaços mais cobiçados por políticos. É responsável desde a contratação de livros escolares, transporte de alunos ao programa federal de financiamento estudantil. Foi por meio do órgão que a pasta contratou uma empresa para fornecer kits escolares a estudantes que, segundo o Ministério Público, está envolvida em um esquema, revelado em março pelo Estadão, que desviou R$ 134,2 milhões de dinheiro público da saúde e da educação na Paraíba. O governo já havia nomeado na Diretoria de Ações Educacionais do fundo um indicado ao PL, sigla do ex-deputado Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão. Garigham Amarante Pinto, assessor do partido na Câmara, assumiu o cargo no 18 de abril. Inicialmente, Weintraub chegou a reclamar com o presidente por retomar a prática do “toma lá, dá cá”, no qual o governo distribui cargos em troca de votos no Congresso. Mas teve que “engolir seco”. O presidente se irritou com o subordinado, inclusive o acusando de ter vazado informações sobre a negociação.” [Estadão]

>>>> Gaspari e a explicação que falta: “Falta explicar por que o senador demitiu o “cara correto, trabalhador” que dá o “sangue por aquilo que acredita” pouco antes da realização do segundo turno da eleição presidencial. No mesmo dia, Jair Bolsonaro demitiu a filha de Queiroz, lotada no seu gabinete da Câmara dos Deputados. Outro dia, respondendo ao governador Wilson Witzel, o senador Flávio Bolsonaro lembrou, a troco de nada, que “você ficava ligando para o Queiroz para correr atrás de mim na campanha. Sabia que o Queiroz estava do meu lado. Um cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que acredita.”” [O Globo]

>>>> Foda-se o mercado: “A crise política escalou alguns degraus ontem, com os primeiros confrontos na rua, e o Brasil virou definitivamente o centro mundial da pandemia. Nem isso foi capaz de abalar o mercado: o Ibovespa sobe neste momento 0,77%, superou os 88 mil pontos, seu índice mais elevado desde 10 de março. Um dos mais experientes banqueiros de investimentos do Brasil, explica o motivo: — O mercado sempre vai minimizar a tensão política até que ela vire um evento político. Mas julgar a seriedade da situação pelo comportamento do mercado não é um bom guia. O mercado é um ignorante político.” [O Globo]

>>>> Os planos de Moro: “Sergio Moro vai passar para o outro lado do balcão. Ele informou à Comissão de Ética da Presidência da República que vai trabalhar como consultor e advogado de um escritório — provavelmente o de sua mulher, Rosangela. ‘Comunicou também que pretende dar aulas e aceitar um convite para ser colunista de uma revista. Cabe ao colegiado avaliar se Moro pode mergulhar nos novos desafios desde já ou, em caso de potencial conflito de interesses, lhe impor uma quarentena de seis meses. Sobre projetos políticos, claro, não precisou abrir nada à comissão.” [O Globo] Que ele pegue um Sérgio Moro pela frente dele, karma is a bitch!

>>>> Sobre o tal Victor Alves Granado, citado pelo Paulo Marinho em sua denúncia – o texto é do excelente Lúcio de Castro: “Sociedade em loja de chocolate, exercício da advocacia e nomeações para cargos públicos ocupados simultaneamente, tais como guarda municipal em Areal (interior do Rio de Janeiro) e assistente parlamentar na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). É tudo ao mesmo tempo agora. Assim podem ser definidas as atividades daquele que certamente irá ocupar boas páginas do noticiário nos próximos meses. Um nome recorrente e conhecido nas conversas de bastidores da política e desconhecido do grande público: assim era Victor Granado Alves até aqui. Discreto, misterioso e agindo longe dos holofotes. Até o furacão “Paulo Marinho” soprar tal nome em entrevista para a jornalista Mônica Bergamo na Folha de São Paulo do último dia 17. Já considerado por quem tem intimidade com o caso como uma espécie de “Queiroz’ mais sofisticado e com área de operação mais ampla, O nome “Victor Granado Alves” pode ser encontrado em registro de cargos que não poderiam ser sido exercidos paralelamente.” [Agência Spotlight]

>>>> A espera de Frias: “Geralda Gonçalves, a Geigê, apoiadora próxima do presidente Bolsonaro que influenciou as nomeações na Secretaria Especial da Cultura na gestão de Roberto Alvim​, apoia o nome do ator Mário Frias para assumir a pasta. Ela interagiu com o ator em live comandada por ele na sexta (29). “New York com você”, “tamos juntos Mário”, “manda alô para New York, Mário”, escreveu ela. “Geigê, meu amor. Obrigado. Estamos aqui, minha amiga, na fé, aguardando em Cristo. É isso aí que a gente pode fazer na vida. Colocar no altar e agradecer e é isso que eu tô fazendo. Obrigado por tudo, Geigê”, disse Mário.” [Folha] Um apelido mais apropriado pra mulher responsável pela indicação do sujeito que emulou Goebbels ao som de Wagner seria ‘AgáiAgá’

>>>> Vai, Dino! “O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), protocolou nesta sexta-feira (29) um mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, e a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, por causa de inquérito que investiga compra de combustível para helicóptero realizada pelo governo maranhense. Segundo noticiado pelo jornal O Globo no dia 27 de abril, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou um pedido de abertura de inquérito contra Dino para apurar suspeitas de irregularidade em contrato que determina a compra de 175 mil litros de combustível por ano para abastecer um helicóptero de modelo EC-145, usado pela Secretaria de Segurança Pública. A defesa do governador afirma que a PGR baseou-se em denúncia feita por um cidadão da cidade de Varginha (MG) que, sem apresentar provas, alegou que a quantidade de combustível era superestimada e solicitou investigação por corrupção. Varginha está a cerca de 2.800 km de distância da capital São Luís. A ação impetrada no STF afirma que Dino, até o momento, não foi notificado pelos órgãos e que só tomou conhecimento da movimentação através de notícias publicadas. “Há um mês esse assunto está vazando para veículos de comunicação. Peticionei no STJ (Superior Tribunal de Justiça) três vezes, não tive resposta. Peticionei no Ministério Público Federal do Maranhão e responderam que arquivaram. Peticionei na PGR (Procuradoria-Geral da República), e o procurador [Augusto Aras] ficou quieto”, afirma Dino. “Vou então ao STF para saber se a denúncia desse ET de Varginha é coisa séria”, segue ele. O mandado de segurança requer cópia eletrônica do procedimento investigatório, acesso integral aos elementos de prova já documentados e notificação das autoridades envolvidas para que elas possam prestar informações no prazo de dez dias. A defesa de Dino classifica a atuação da PGR como “ato ilegal e abusivo”.” [Folha]

>>>> Nunca tinha ouvido falar nesse tal gráfico do elefante mas fui muito bem apresentado pelo Celso Rocha de Barros: “Para entender o gráfico, imagine que todos os seres humanos estão enfileirados, com os mais pobres à esquerda e os mais ricos à direita. Agora imagine uma linha passando por cima deles, tendo essa linha a altura da porcentagem em que a renda de cada um melhorou entre 1988 e 2008. Olhando da esquerda para a direita, a linha vai subindo por sobre as cabeças de boa parte dos pobres do mundo e dos que escaparam da pobreza em países como China, Índia e Brasil. Mais ou menos quando chega na faixa de renda em que estão os operários do Primeiro Mundo (que são muito, muito mais ricos que os pobres de outros lugares), ela desaba. Esse pessoal ganhou muito menos com a globalização. Continuando da esquerda para a direita, a linha volta a disparar para o alto: chegamos nos ricos do mundo (em especial, mas não só, os dos países desenvolvidos), que se deram muito bem com a globalização. A linha parece desenhar um elefante: um monte alto, como o corpo do elefante, que desce abruptamente para formar a base de uma tromba que, logo depois, se projeta para o alto.” [Folha]

elefante

>>>>A discrição do Bivar – e tá epxlicado proque Blsonaro quer mudar o comando da PF, é em Pernambuco que corre o processo dos laranjas do PSL, é lá que mora o Bivar e boa parte da cúpula do partido: “A suspeita de vazamentos de inquéritos sigilosos da PF para o entorno do presidente não se restringe ao caso de Flávio Bolsonaro. Relatório da investigação de candidaturas laranjas em Pernambuco aponta forte indicativo nesse sentido envolvendo Luciano Bivar, presidente do PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro se elegeu. Em 2019, durante buscas, a PF encontrou com o político um celular zerado, comprado um dia antes. Outro alvo, uma assessora disse ter esquecido o aparelho na academia. A operação foi realizada em 15 de outubro de 2019, quando o presidente do PSL e Bolsonaro ainda não haviam rompido e estavam no mesmo partido. Uma semana antes o presidente da República chegou a dizer a um apoiador, na porta do Palácio da Alvorada, que Bivar estava “queimado pra caramba”.” [Folha]

>>>> Na Argentina: “Os três se sentam lado a lado toda vez que o governo argentino faz anúncios sobre o combate à pandemia. De partidos opostos, viram a emergência os unir no que, a princípio, parecia uma imensa demonstração de civilidade para os padrões argentinos. Setenta dias de quarentena depois e com o atual aumento no número de casos de coronavírus, no entanto, as diferenças políticas começam a surgir, assim como as fricções pré-eleitorais. Os três são: ao centro, sempre, o presidente Alberto Fernández, um peronista moderado. À sua esquerda, Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires e o discípulo mais ferrenho da vice-presidente Cristina Kirchner. Por fim, à direita do mandatário argentino, Horacio Rodríguez Larreta, chefe de governo da cidade de Buenos Aires, sobrevivente da gestão Mauricio Macri e principal figura do PRO (Proposta Republicana) hoje. Tanto Kicillof quanto Larreta têm pretensões nas eleições presidenciais de 2023. Para isso, já trabalham suas imagens, que serão testadas no próximo pleito legislativo, em 2021. Fernández diz não pensar em reeleição, mas precisa emplacar candidatos no ano que vem para ter um Congresso que o ajude no restante do mandato, período que promete ser ainda mais duro para o país. “Eles cooperam entre si porque precisam um do outro neste momento. Mas já não dá para esconder que pensam como vão sair disso em termos de imagem”, diz o cientista político Marcos Novaro. “Alberto fez a escolha pela saúde e espera a compreensão dos argentinos quanto à crise econômica. Larreta se mostra conciliador, porque pretende ser visto como um Macri que pode funcionar, que não polarize, mas tenha personalidade, enquanto Kicillof se mostra mais radical à esquerda. Ele soa mais autoritário, como Cristina, tentando atrair seus eleitores.” Na prática, as diferenças entre eles ficaram mais explícitas porque a cidade e a província de Buenos Aires (que inclui distritos pobres ao redor da capital) passaram a registrar 87% dos casos de todo o país. Para Larreta, já não é possível manter todo o comércio fechado. Por isso, iniciou uma reabertura parcial há duas semanas, mas, devido ao aumento de casos, foi convencido pelo presidente a fechá-los novamente. O recuou levou apoiadores e comerciantes a realizarem panelaços e manifestações na Praça de Maio e no Obelisco. Já Kicillof, alinhado a Fernández, encampa o discurso de priorização da saúde, mas o leva a extrA espera de Friasos. Após a confirmação de 92 casos na favela de Villa Azul, no departamento de Quilmes, ele mandou cercar a comunidade e colocou a polícia para vigiar se os moradores permanecem em suas casas. O governador da província de Buenos Aires justifica a medida dizendo que “todos têm de estar protegidos pelo Estado”. Como muitos dos habitantes de Villa Azul são trabalhadores informais, recebem comida e remédios levados pelos agentes, enquanto médicos realizam testes em grande parte dos moradores. A oposição reclama, chama a medida de inconstitucional, e pessoas contrárias às regras fazem fogueiras e panelaços em protesto.” [Folha]

>>>> Brasil, 2020: “Alvo do inquérito sobre fake news no STF, o deputado estadual paulista Gil Diniz (PSL-SP) diz fazer “chacota dessa alcunha de ‘gabinete do ódio’”. “Esse é o novo rótulo. Antes chamavam de fascista”, compara. “A gente leva na brincadeira. Fica tirando sarro, falando que eu tenho o gabinete do ódio. O que a gente tem aqui é opinião.” Em outubro de 2019, a Folha mostrou que Diniz montou uma central de fabricação e distribuição de dossiês e memes contra adversários. Na sexta (29), o diretório do PSL em SP pediu a suspensão de Diniz e do também deputado estadual Douglas Garcia, ambos bolsonaristas.” [Folha]

>>>> Só quadro técnico: “Nomeado para ocupar o cargo de Diretor de Pesquisa da Fundação Casa de Rui Barbosa na segunda (25), o professor e historiador Edgard Leite foi prestigiado, em 2013, pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), então deputado estadual. “Na posse do acadêmico Edgard Leite na Academia Brasileira de Filosofia”, publicou Flávio, junto com uma foto registrando o momento, em seu perfil no Twitter, em agosto de 2013.” [Folha]

>>>> Doideira – do Moiséis Naim: “A covid-19 é a coisa mais importante que está acontecendo para todo o planeta. Mas há outras coisas também ocorrendo, que embora sem o alcance e as consequências da pandemia, revelam tendências mundiais que afetarão toda a sociedade. Muitos gafanhotos. Eles são uma das piores pragas de que fala a Bíblia. Felizmente não são frequentes. No século 20, houve cinco surtos que devastaram as colheitas e deixaram a carestia no seu rastro. No fim do ano passado, o surto mais feroz dos últimos 25 anos se deu no deserto de Rub’ al-Khali, na Arábia Saudita, um dos lugares mais remotos e isolados do mundo. Os insetos deste surto são mais jovens do que os de costume, voam em uma velocidade maior e podem percorrer até 200 quilômetros em um só dia. Sua população se multiplica por 20 a cada três meses. No Quênia, um enxame estimado em 192 bilhões de gafanhotos alcançou uma dimensão três vezes maior do que a da cidade de Nova York. Em um único dia, um enxame de tamanho regular chega a devorar uma colheita que poderia alimentar 35 mil pessoas. A crise atual dos gafanhotos é também mais internacional. Saída da Península Arábica, atacou a África. Agora está devastando a agricultura da Índia, Paquistão e Afeganistão. A causa? Os ciclones que geram as condições de umidade propícia à reprodução dos gafanhotos. Antes, nas zonas de onde os enxames se originam, ocorria apenas um ciclone por ano e nenhum durante longos períodos.” [Estadão]

Dia 514 | “Na intimidade, até pai fala que vai matar o filho. Namorado fala que vai matar a namorada” | 29/05/20

Hoje não vai rolar podcast mas os episódios você ouve lá na Central3: [Central3]

Bora passar raiva?!

borapassarraiva

A ilustra é da Lady Lih ; )

Foi na correria, perdoem os erros de digitação.

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1. Coronel Câmara, você. Você, Coronel Câmara

Que dia miserável, vou abrir os trabalhos com o cretino do Allan dos Santos confessando sem o menor pudor que anda espionando ligações entre ministros do Supremo:

“Quero que Alexandre de Moraes prove que é emntira que ele conversou no telefone com Barroso… o Moraes falou pro Barroso que ele precisava contar com a Joyce Hasselman, e aí o Barroso diz que nao, que ela n]ao era confiavel, e depois o senhor Alexandre de Moraes disse que era pra ele procurar Maia, e ele disse que não ia procurar, e ai o Alexandre de Mraes disse que faria isso pessoalmente”

Caralho, viado, o sujeito tá narrando uma ligação entre dois ministros do STF, e pelo papo me parece verídico. Muita gente acha que é blefe mas eu acharia estranho se esses imbecis não estivessem espionando seus ditos inimigos. Até aqui nenhum dos ministros envolvidos se pronunciou.

Agora é a hora das apresentações – Coronel Câmara, você, você, Coronel Câmara – nessas ótima matéria da Veja, que começa com um diálogo sensacional:

“- Coronel, qual é exatamente a sua função? 
– Sou assessor especial do presidente da República, do gabinete pessoal. A gente trata de assuntos de referência ao presidente.
– Que tipo de assunto?
– A gente faz trabalhos pessoais.
 [Veja]

“- Assuntos de inteligência? 
– Não. Trabalho como assessor do presidente, mas não com o tema de que você está falando.”

Ele se entregou antes do tema vir à baila, viado!

“- O senhor apura informações para o presidente? 
– Não tem nada disso.
– O senhor pode citar um exemplo do seu trabalho?
– O gabinete pessoal trabalha com as coisas do presidente. Se tiver uma demanda, a gente faz um assessoramento, a parte de compliance. É só isso.
– Compliance?
– Pesquise o que é compliance.”

Opa, “assuntos pessoais” viraram “compliance” em menos de 1 minuto de conversa…

“Primeiro a pesquisa: compliance, segundo o dicionário Aurélio, é um neologismo que significa a “ação de cumprir uma regra, procedimento, regulamento, geralmente estabelecidos por uma instituição e para ser cumpridos por quem dela faça parte”. O profissional de compliance é o encarregado de observar se as normas estão sendo seguidas. O trabalho do coronel do Exército Marcelo Costa Câmara é bem diferente disso. Ocupando uma sala no 3º andar do Palácio do Planalto, a poucos metros do gabinete do presidente, ele é um assessor mais do que especial. Por determinação de Jair Bolsonaro, conduz investigações, reúne informações e produz dossiês que já provocaram a demissão de ministros e diretores de estatais, debelaram esquemas de corrupção que operavam em órgãos do governo e fulminaram adversários políticos. Tudo de maneira muito discreta, sem alarde, praticamente às escondidas. Pessoas próximas ao presidente costumam se referir ao coronel Câmara como “o cara da inteligência”. “Ele só cuida disso. Todas as denúncias que chegam, de dossiês a relatórios de informação, vêm dele”, conta um auxiliar de Bolsonaro. O trabalho de “compliance” do militar surgiu no início do governo, a partir de uma reclamação antiga do presidente que se tornou pública em meio às acusações de que ele tenta impor maior ingerência em órgãos como a Polícia Federal. Bolsonaro jamais confiou nos canais oficiais de informação, com destaque para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), por acreditar que é composta de servidores ainda fiéis à gestão petista.”

Não à toa o Tonho da Lua propôs uma Abin paralela e depois derrubou o comando da Abin para colocar o Ramagem lá.

“Estaria, portanto, cercada de inimigos, e o presidente precisaria de alguém de sua estrita confiança para lhe passar informações verdadeiras, encaminhar demandas sobre assuntos delicados e orientar inclusive assuntos de sua segurança pessoal. Marcelo Câmara foi escolhido para a missão. Ex-assessor parlamentar do comando do Exército, o coronel foi nomeado para o cargo em fevereiro do ano passado. Dois meses depois, já mostrava a que veio. Havia uma disputa de poder entre o então ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, e Carlos Bolsonaro, o filho do presidente, que suspeitava que o militar conspirava contra o pai. Na época, circularam mensagens de WhatsApp, atribuídas ao ministro, com críticas pesadas a membros do governo. Incentivado pelo filho, Bolsonaro quis demitir o general, mas decidiu antes acionar o coronel Câmara, que investigou o caso e descobriu tratar-se de uma armação contra o ministro, que ganhou uma sobrevida. Mais tarde, porém, a mesma mão que salvou o general fez chegar ao presidente a informação de que Santos Cruz o havia criticado numa conversa com colegas das Forças Armadas durante um evento em São Paulo. O ministro foi demitido.”

Caralho, Santos Cruz caiu porque criticou o presidente numa conversa com outros militares, que  sujeito carente é o Bolsonaro.

“O governo gosta de propagar que há mais de um ano não se registra um escândalo de corrupção, o que, de fato, é algo louvável. Uma das ações bem-sucedidas do coronel evitou que um caso embrionário pudesse estourar. Foi de sua pequena sala que saiu o alerta, em meados do ano passado, de que havia desmandos nos Correios. Em setembro, a suspeita foi materializada em uma operação da Polícia Federal que investigou a atuação de um grupo de funcionários do órgão pela prática de corrupção e concussão. Segundo a PF, os servidores instavam clientes a romper contratos com os Correios e a contratar o serviço postal de uma empresa ligada ao grupo criminoso. Antes de a operação estourar, porém, uma limpeza já havia sido feita no órgão. Bolsonaro demitiu o presidente da estatal, general Juarez Cunha, e três diretores. A ação que impediu o primeiro grande escândalo de corrupção no governo foi creditada ao aviso prévio de seu hoje braço direito e assessor especial.”

Louvável, mas como o Coronel descobriu esses indícios? Se algum servidor soubesse de algo irregular a queixa deveria ser feita em outro canal, não sou funcionário público mas tenho certeza que o caminho não é esse. Será que o coronel investigou o Salles? Ao que parece foram descobertos milhões em suas contas, repare na evolução patrimonial do rapaz:

“O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) quebrou o sigilo bancário do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e descobriu transferências milionárias em suas contas. Segundo informações da Revista Crusoé, agora o MP-SP tenta avançar nas investigações de sonegação e lavagem de dinheiro. O ministro repassou R$ 2,75 milhões da conta de seu escritório de advocacia para sua conta pessoal em 54 transferências, entre 2014 e 2017. No período, Salles foi secretário particular do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do Meio Ambiente de São Paulo. Em 2012, quando foi candidato a vereador de São Paulo pelo PSDB, o atual ministro declarou à Justiça Eleitoral um montante de R$ 1,4 milhões, divididos em aplicações financeiras, um automóvel, uma motocicleta e 10% de um apartamento. Já em 2018, quando foi candidato a deputado federal pelo Partido Novo, declarou R$ 8,8 milhões em bens, com dois apartamentos de R$ 3 milhões cada um, um barco no valor de R$ 500 mil e R$ 2,3 milhões em aplicações, totalizando alta de 335% em cinco anos, com valor corrigido pela inflação.” [UOL]

Que prodígio!

Voltando á matéria da Veja:

“O presidente Jair Bolsonaro tem certo fascínio por serviços de inteligência. Quando ainda estava no Exército, na década de 80, o ex-capitão foi transferido para Nioaque, Mato Grosso do Sul, onde ganhou a função de “oficial de informações”. A sua missão era produzir relatórios sobre a fronteira.”

Até imagino os relatórios “Hoje à noite passou um burro aqui… o burro do seu pai… hahahaha… tá ok?”

“Na famosa reunião realizada no último dia 22 de abril com seus ministros, Bolsonaro queixou-se de que não estava recebendo informações como gostaria. Disse que o único serviço que funcionava era “o meu particular”.”

O mais fascinante é que ele repetiu, horas depois do vídeo vir à tona, por livre e espontânea vontade a mesma afirmação, inclusive incluindo “amigos policiais militares e civis de RJ e SP” no meio.

“Após essa declaração, o presidente foi cobrado a se explicar sobre o que seria esse sistema de informações privado. Indagado sobre o assunto na última terça-feira, 26, ele desconversou: “O meu serviço de informação reservado, particular, são as mídias sociais, é o meu WhatsApp, são amigos que tenho pelo Brasil”, afirmou — o que também não deixa de ser verdade. Marcelo Câmara, de 50 anos, não trabalha sozinho. Dois assessores ajudam a cumprir as demandas do presidente — um capitão das Forças Especiais do Exército e um ex-policial do Bope do Rio de Janeiro. No Planalto, o coronel não usa farda e apenas um grupo restrito sabe, ainda assim muito por alto, o que ele realmente faz. “É um agente de inteligência do presidente”, conta um ministro. Outro lembra que várias vezes já ouviu Bolsonaro, diante de um problema, apontar para a sala ao lado e dizer que ia “acionar o meu pessoal”.”

“E o pessoal dele esteve em ação para averiguar com lupa cada passo de Luiz Henrique Mandetta no comando da Saúde. Desde o início do ano, o presidente tem sido municiado com informações sobre suspeitas de desvio de dinheiro público tanto no ministério como no Estado do Rio de Janeiro. Antes da pandemia, o então ministro já estava na mira. A Covid-19, revelou a VEJA um assessor do presidente, ao contrário do que se sabe, deu sobrevida a Mandetta no cargo.”

Não cabe à assessor presidencial investigar ministro, ainda mais o ministro da saúde em plena pandemia!

“Em abril, Bolsonaro recebeu em seu WhatsApp um vídeo de um apoiador que denunciava contratos atípicos de aquisição de respiradores assinados pela Secretaria de Saúde do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, adversário do presidente. A mensagem, como de praxe, foi encaminhada para o coronel Câmara, que constatou que ela tinha procedência e havia indícios de crime. Pouco tempo depois, o Ministério Público do Rio deflagrou uma operação para prender os empresários e funcionários do governo estadual supostamente envolvidos. Ao puxarem esse fio, os investigadores trouxeram junto um novelo envolvendo um monumental esquema de corrupção. Na terça-feira 26, a Polícia Federal realizou buscas na casa do governador. A suspeita é que uma empresa contratada para construir hospitais de campanha durante a pandemia pagou propina para ganhar os contratos emergenciais. Witzel e sua esposa, Helena Witzel, são investigados como parte do esquema.”

Caralhooooo, que tem roubo tem, mas quem colocou a engrenagem pra rodar foi um locatário de uma sala na palácio do planalto, viado! Contra o rival do presidente! E como que essas informações foram passadas ao MP, hein? Ah, e já sabemos de onde veio a denúncia que deu na operação da Whitney, né? Bolsonaro repassando whatsapp…

“Além de farejar potenciais focos de corrupção, a pequena Abin do presidente vasculha o histórico de pessoas com quem Bolsonaro tem contato ou que são nomeadas pelo governo. No ano passado, essa checagem salvou o presidente do que poderia se tornar no mínimo um grande constrangimento. Em uma viagem a Manaus, o cerimonial agendou um almoço de Bolsonaro em um restaurante cujos donos eram empresários ligados ao narcotráfico. Depois da intervenção do coronel Câmara, o evento foi cancelado. Mais recentemente, o militar recebeu a missão de verificar se os integrantes da equipe da então secretária de Cultura, Regina Duarte, mantinham relações pretéritas com partidos de esquerda.”

Num dia restaurante ligado ao narcoráfico, no outro ligação com perigosíssimos partidos de esquerda, puta que pariu…

“Esta, aliás, é mais uma obsessão do presidente: a desconfiança de que é sabotado por adversários. O coronel costuma fazer uma varredura nas redes sociais de ocupantes de cargos de confiança para tentar descobrir “petistas infiltrados”. Já identificou vários — todos imediatamente afastados.”

Que constrangimento…

“Com a mesma discrição, o coronel ainda cumpre uma missão fora do Planalto. Pelas mãos de Bolsonaro, Câmara foi nomeado como segundo tesoureiro do Aliança pelo Brasil, o partido do presidente.”

Super normal, o cara que faz a inteligência paralela do governo é responsável pelos cofres do partido presidencial, coitado dos potenciais doadores, vai dizer não pro cara…

“O que ele faz lá também é um mistério. “Não sei qual é a função dele aqui”, confessa Karina Kufa, que, além de dirigente da sigla, é advogada pessoal de Jair Bolsonaro.”

Virou passeio, amigo! Bolsonaro vai demitir essa advogada logo menos.

“Antes de encerrar a entrevista em que tentou minimizar suas atividades secretas como um simples trabalho de compliance, ele sugeriu que um resumo de suas atribuições estava disponível na agenda publicada no site da Presidência da República. De fato, está tudo lá. Do início da manhã ao final do dia, durante toda a semana, durante todo o mês, a agenda é quase totalmente dedicada a “despachos internos”. Despachos internos? “Se não ficou claro é porque são coisas pessoais sobre as quais não vou falar”, disse o espião do presidente antes de educadamente agradecer e desligar o telefone.”

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2. “Na intimidade, até pai fala que vai matar o filho. Namorado fala que vai matar a namorada”

Que famiglia inacreditável…

“E vou me valer de novo das palavras de Ives Gandra Martins: o poder moderador para restabelecer a harmonia entre os Poderes não é o STF, são as Forças Armadas (…) Eles [Forças Armadas] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso” [Folha]

Deram o golpe – ou “Movimento“, como prefere o presidente da Suprema corte do país, não o daquela época, mas o de agorta mesmo, beijo, Lula! – em 64 jurando que teria eleição em 65. Isso que deu o pai louvar Brilhante Ulstra na Câmara e não ter saído preso de lá.

Por falar em Ives Gandra, recorro à melhor pena sobre o judiciário brasileiro:

O 02 conseguiu a proeza de enfileirar as seguintes palavras:

“Na intimidade, até pai fala que vai matar o filho. Namorado fala que vai matar a namorada, e nada disso se verifica”

Esse aí é o pessoal que diz defender a… FAMÍLIA! Que tipo de namorado diz que vai matar a namorada?! Que iso tem aos montes eu sei, mas quando que esse tipo de ameaça de morte foi normalizada, caralho?!

Em março, o jurista Ives Gandra da Silva Martins afirmou em um vídeo que a atuação de ministros do STF poderia, segundo ele, resultar em intervenção das Forças Armadas para solucionar um impasse entre os Poderes. É uma interpretação dele sobre o artigo 142 da Constituição.” [G1]

O que eles chamam de impase entre poderes é o “caos” a que se refriu Villas-Bôas, e nem a palavra caos e nem a palavra intervenção estão na porra do 142, E olha que esse artigo é de autoria do general Leônida Pires, que tutelou o Ulysses na feição da Constituinte em 1988. E ainjda assim esses generais têm que se valer duma interpretação, digamos, bastante criativa do 142.

“Esse artigo da Constituição diz que as Forças Armadas são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. O uso das Forças Armadas nessas circunstâncias não tem nenhum fundamento jurídico. Na realidade, demandas do tipo são baseadas em interpretações equivocadas da Constituição, segundo juristas. Juristas afirmam que a Constituição não dá respaldo a qualquer ação como a defendida pelos que citam o artigo 142 da Constituição e que a tomada de poder pelos militares – ainda que temporária – equivaleria a um golpe. E caso os militares exerçam o poder de forma autoritária e suspendam liberdades individuais para cumprir seus objetivos, como fizeram após o golpe de 1964, o novo regime seria uma ditadura.”

“É simplesmente isso“, como diria o 02.

“A possibilidade de as Forças Armadas atuarem, afirmou Eduardo, depende de “clamor popular”. Eduardo citou o golpe militar de 1964 como exemplo: “Os militares [em 1964] só entraram em ação depois do clamor popular. Ninguém quer isso. No entanto, as pessoas que não conseguem enxergar dentro do STF e no Congresso instrumentos para reverter esse tipo de desarmonia entre os Poderes, eles se abraçam no artigo 142″.”

Isso no momento em que a aprovação do governo desce a ladeira e a desaprovação sobe no sentido contrário. Clamor popular, tá ok, vide as fotos aéreas dos últimos domingos. Clamor popular do hospício, só se for.

Mourão jura que não tem nada disso – como se ele fosse confessar alguma coisa, né?

“Quem é que vai dar golpe? As Forças Armadas? Que que é isso, estamos no século 19? A turma não entendeu. O que existe hoje é um estresse permanente entre os poderes. Eu não falo pelas Forças Armadas, mas sou general da reserva, conheço as Forças Armadas: não vejo motivo algum para golpe [G1]

Reparou no século 19? Os caras deram golpe no século 20, ficam intimidando o STF com notas mal-criadas em pleno século 21 e ele mete essa, Perguntado sobre o 02…

“Me poupe. Ele é deputado, ele fala o que quiser. Assim como um deputado do P T fala o que quiser e ninguém diz que é golpe. Ele não serviu Exército. Quem vai fechar Congresso? Fora de cogitação, não existe situação para isso”

Não existe não, general do GSI ameaçando STF, governo querendo desobeder intimação do STF, manfestações anti-democráico com presidente e ministros e por aí vai a tragédia. E o general HJeleno falou em “situações imprevisíveis” mas Mourão jura que é loucura.

Pra quem quiser uma visão otimista das coisas, recomendo demais essa thread:

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3. Os Trapalhões

Depois das ameaças de ontem do Bolsonaro e do Eduardo se deu a seguinte esquete:

“Com a ausência do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que se recupera de uma cirurgia, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, virou o principal intermediário da tentativa de apaziguar os ânimos entre o Palácio do Planalto e a corte. Logo pela manhã, ministros do núcleo duro governista, como o general Braga Netto (Casa Civil), Jorge de Oliveira (Secretaria Geral da Presidência), e seu correligionários Onyx Lorenzoni (Cidadania), procuraram-no para uma avaliação de cenário. Nas conversas, os três deferiram críticas ao STF e ao que consideram abusos da corte contra o Palácio do Planalto.” [CNN]

Sim, o pessoal que tentou sondar o clima continou com críticas ao STF.

“No final da manhã, chegou ao governo, e foi retransmitido a Alcolumbre, a informação de que caso o ministro da Educação, Abraham Weintraub, se recusasse a depor sobre seus ataques ao STF, ele poderia ser preso. Alcolumbre então procurou o presidente em exercício do STF, Luiz Fux, que deixou bem claro que as falas do presidente Jair Bolsonaro contra o ministro decano do STF, Celso de Mello, são consideradas um ataque a todo o Supremo Tribunal Federal. E que poderia haver uma resposta da corte mais incisiva. O recado de Fux foi transmitido por Alcolumbre ao Planalto. Foi nesse momento que o governo planejou um encontro com todos os chefes de poderes.”

Entra em cena o planejamento digno do Sargento Pincel:

“A tentativa fracassou. Bolsonaro não procurou ninguém de fato e o responsável por esse tipo de operação, o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, cumpria uma série de visitas a órgãos de imprensa em São Paulo a pedido do secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten. “

“Bolsonaro, então, acabou falando apenas com Alcolumbre. O presidente do Congresso se prontificou a ir até o Planalto para encontrá-lo. Chegou a consultar no caminho o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e questioná-lo se ele queria ir, mas Maia, sem o convite presidencial, recusou-se a ir.”

Bolsonaro não tem nem a dignidade de convidar o Maia, impressionante. E olha que o Maia nem bateu forte nele publicamente.

“Lá chegando, entrou na sala de reuniões onde já estavam os ministros Paulo Guedes (Economia), José Levi (Advocacia-Geral da União), André Mendonça (Justiça) e Fernando Azevedo (Defesa). Conversaram um pouco e depois Alcolumbre ficou a sós com Bolsonaro. A conversa de ambos foi tensa. Bolsonaro repetia: “Eu sou o presidente” e “os excessos vêm do lado de lá”, em referência ao STF. Também declarou que “não tem ninguém mais democrata do que eu” e que “se quisesse teria destruído o vídeo” da reunião ministerial do dia 22 de abril, que embasou o pedido de oitiva de Weintraub.”

“Não tem ninguém mais democrata que eu” e o Alcolumbre como?!

E ele de novo falou em destruir a prova do crime, fascinante

“Alcolumbre pediu calma, disse que o Congresso quer ajudar, mas que o ambiente de tensão constante entre o Planalto e o STF não ajuda. E deixou o Planalto rumo ao Congresso, onde transmitiu sua conversa a senadores.”

Repare na ironia:

“As queixas do Planalto se voltam principalmente a Moraes e a Celso de Mello, que está cuidando do inquérito que trata das acusações de Sergio Moro de interferência política na PF.” [Folha]

Curiosamente nenhum deles foi indicado pelo PT e o ministro do STF mais alinhado com Bolsonaro foi indicação do PT. Se o Hélio Lopes for esperto ele vai ficar rico lançando um livro sobre os bastidores do governo, ele tá em todas, impressionante.

“Além de manifestar indignação com a operação policial ordenada pelo STF, Bolsonaro está irritado com a possibilidade de prisão de seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, caso ele se recuse a cumprir determinação do Supremo de prestar depoimento.”

Caralho, não é prisão ao fim do processo não, é prisão por limpar com a bunda uma intimação do STF!

“Em vez da Advocacia-Geral da União, como seria natural, foi o ministro da Justiça, André Mendonça, quem ingressou com um pedido de habeas corpus para Weintraub a fim de “garantir liberdade de expressão dos cidadãos”. A ideia foi passar um recado político ao STF da importância que o governo dá ao tema. Bolsonaro chegou a cogitar ordenar que todos os seus ministros assinassem o pedido de habeas corpus em favor do ministro da Educação.”

O habeas corpus autografado pelo ministro da Justiça – e que Bolsonaro queria que fosse assinado por todos os minisros, incluindo o sujeito intimado a depor – nada adiantou e Abraham ficou em silêncio no depoimento sobre a ameaça ao STF.

“O ministro Abraham Weintraub prestou depoimento na manhã desta sexta-feira à Polícia Federal no Ministério da Educação, como parte das investigações do chamado “inquérito das fake news”, aberto pelo Supremo Tribunal Federal. Durante o interrogatório, ele se manteve em silêncio, sem responder às perguntas.” [G1]

Fodão na reunião, pianinho no pega pra capá.

“André Mendonça também estendeu o pedido a todos os alvos de mandados de busca e apreensão no inquérito. Nesta quarta (27), a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão contra 17 pessoas. Aliados do presidente Jair Bolsonaro foram alvos da operação, entre os quais o presidente do PTB, Roberto Jefferson, e o empresário Luciano Hang. Eles negam irregularidades.”

Não sei como lidar com a informação acima, eu juro. E fica a curiosidade sobre os honorários do ministro, vai entrar uma graninha boa…

“Líderes partidários no Senado criticaram o que consideram como uma posição extremamente leniente de Alcolumbre. “O presidente tem feito declarações extremamente preocupantes, e não apenas ele, mas os seus familiares, mais precisamente seus filhos. O que nós temos hoje é uma escalada clara de que há um desejo por parte deste governo de ameaçar a democracia e até estabelecer um golpe no nosso país”, disse a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). Para o líder da Rede, Randolfe Rodrigues (AP), Alcolumbre precisa ter uma posição que vá além de pedir pacificação. “Em algum momento, tem que ser dito para o senhor presidente da República que ele não pode avançar mais.” Mais cedo, Alcolumbre chegou a narrar para os colegas senadores a conversa como presidente da República, onde o senador afirmou que levou uma mensagem de “calma e serenidade”. “Foi uma conversa boa, muito franca, diante de tudo que viemos nos últimos dias desde a publicação do vídeo, e a gente vai tratar com serenidade, e vamos pedir calma, e quando chegar outro momento, lá na frente que superarmos a maior dificuldade do brasil cada um pega a bandeira do seu partido e a gente vai para o embate depois que a gente salvar os brasileiros e as empresas”, disse ele aos senadores, na reunião acompanhada pela Folha.”

Enquanto isso, no STF:

“O ministro Alexandre Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), já acumulou informações suficientes para operações policiais de potencial político mais explosivo do que as determinadas por ele na quarta (27). Segundo interlocutores do magistrado, ele preferiu esperar pelo resultado das buscas feitas nesta semana para encorpar o material que já tem —e partir para ações mais contundentes no inquérito que investiga fake news.” [Folha]

Como eu apontei ontem, ele quer bater na porta dos Bolsonaros com um arsenal de provas.

“Como revelado pela Folha em abril, a PF identificou Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente, como um dos articuladores de um esquema criminoso de fake news. A possibilidade de ele ser alvo de alguma ação no inquérito preocupa o pai.”

Periga Tonho da Lua trocar tiros com a PF…

Ah, eu apontei aqui que o inquérito nasceu esquisito lá atrás mas essa argumentação aqui é por demais maravilhosa:

“Tanto Tofic Simantob quanto Toron citam o artigo 242 do Código de Processo Penal, que determina que a busca pode ser determinada “de ofício” pelo juiz – ou seja, independentemente de qualquer pedido – ou atendendo a solicitação de uma das partes. Tofic ainda destaca que os membros da família Bolsonaro sempre foram muito favoráveis ao processo do tipo inquisitório, em que o juiz pode ter iniciativa.

“Quer um exemplo? Nas audiências da Operação Lava Jato, quem aparecia mais fazendo perguntas? O membro do Ministério Público ou o juiz Sérgio Moro, que fazia perguntas com o claro intuito de produzir provas?”, exemplificou. “A pessoa que o presidente Jair Bolsonaro escolheu para ser ministro da Justiça, era o típico juiz de ataque, que a gente sempre criticou. Mas a lei permite”, concluiu.” [Estadão]

O Reinaldo aAzevedo também defendeu a legalidade da operação:

“Quando no exercício das competências penais originárias, previstas no artigo 102, inciso I, alínea “b”, da Constituição, o STF preside o inquérito e exerce a supervisão judicial. Qual a novidade? Também o artigo 2º da lei 8.038 e os artigos 230 a 234 do regimento interno do STF, que tem força de lei, disciplinam a questão. Essa conversa de ilegalidade do inquérito é papo furado. De resto, está, claro: Alexandre de Moraes não vai oferecer a denúncia. O conteúdo do inquérito será remetido ao Ministério Público, que continua titular da ação penal. “Ah, não poderia ter sido aberto de ofício, e o relator não poderia ter sido escolhido pelo presidente do STF”. Poderia, como dispõe o artigo 43 do regimento interno do tribunal. “Mas se fala ali em ‘infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal'”. É o mais ridículo de todos os óbices. Como bem lembrou André Mendonça, atual ministro da Justiça quando advogado-geral da União, “os fatos que atingem essa Corte Suprema e seus Ministros são preponderantemente praticados pela internet (espacialidade delitiva não prevista na literalidade da norma, dada a data de sua edição: 27/10/1980). Ou seja, a abrangência da previsão regimental ora sob análise equivale à jurisdição da Corte, que, nos termos do artigo 92, § 2º, da Constituição Federal, alcança todo o território nacional.”” [Reinaldo Azevedo]

André Mendonça era o AGU que deu aval ao inquéirto e agora virou minstro da Justia, ele é o tal “ministro terrivelmente evangélico“, apenas isso. Ah, e o Aras também tinha dado aval, contrariando o pedido de arquivamento de sua antecessora. Nada faz sentido.

E naão consigo encontrar furo no que vai abaixo:

“A verdade é que as origens da pregação golpista, parte investigada no inquérito, estão sendo exumadas. E, como quer o apóstolo Paulo, muitos estão se vendo face a face. Não é por acaso que Augusto Aras, procurador-geral da República Bolsonarista, recorre a uma ADPF que saiu da pena do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para, diz ele, delimitar o alcance do inquérito. Randolfe é ou era da turma “Muda Senado”, que saía por aí a se esgoelar, junto com a tropa golpista, em favor da “CPI da Lava Toga”. A serviço da Lava Jato e do sergio-morismo, os valentes elegeram o Supremo como inimigo. Cadê os Dallagnois e Pozzobons que, a exemplo de blogueirinhas buliçosas, faziam tutoriais de como difamar a corte em nome do combate à corrupção? Sim, é uma vergonha sem par que o STF tenha de ter aberto um inquérito de ofício. O Ministério Público Federal deveria tê-lo solicitado. Mas como o faria se era parte ativa da cultura da difamação? Como agir se muitos de seus próceres estavam na origem da campanha contra o tribunal, na qual, agora, Bolsonaro pega carona na sua aventura golpista? E, ora vejam, o MPF, que não apenas se omitiu diante da escalada autoritária como a alimentou, continua a exercer a sua força destrutiva. Reaparece explorando a fissura dos viciados na cloroquina do combate à corrupção. Ressurge a maximização de uma obrigação moral e administrativa como norte da democracia e como ponto de chegada, não como meio, da virtude.”

Mas confeso não lembrar desse Reinaldo abaixo em governos anteriores:

“E, desta feita, os valorosos moralistas contribuirão para esconder a montanha de mortos com uma montanha de acusações. A campanha eleitoral de 2022 já começou. Por ora, o único adversário de Bolsonaro são as instituições. As investigações da PGR tendem a ser o crematório de milhares de pretos de tão pobres e pobres de tão pretos anônimos.”

Quem dera ele tivesse atentado pra isso antes de 2019.

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4. Um constrangimento chamado Aras

Palavras presidenciais:

“Eu costumo dizer que tenho três nomes e não vou revelar quem eu namoro para indicar para o STF.” [Folha]

Segundos depois…

“Se aparecer uma terceira vaga —espero que ninguém desapareça—, mas o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga”

E o Aras como?!

“Espero que ninguém desapareça” é porque nesse mandato ele só teria duas nomeações, não basta sugrir STF ao sujeito cujo trabalho é investigar o governo, tem que fazer isso na hipótese da mrte de um ministro, não espanta vindo dum governo cuja pulsão é a morte.

“Os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio terão aposentadoria compulsória na corte no atual mandato de Bolsonaro e devem ser substituídos por nomes indicados pelo atual presidente —em novembro deste ano e em 2021, respectivamente. Uma terceira vaga para indicação de Bolsonaro surgiria no caso de reeleição dele, de saída não programada de algum integrante da corte ou de morte, por exemplo.”

E hoje Aras foi agraciado com a Ordem do mérito naval, discrição é tudo. No começo da semana Bolsonaro apareceu na PGR de sopetão e em menos de 24 horas Aras conseguiu a proeza de ganhar medalha do governo e teve seu nome citado pelo presidente como possível indicação ao STF.

E Bolsonaro falou sobre as duas primeiras vagas:

“É um compromisso que tenho com a bancada evangélica. Alguns criticam dizendo que está confundindo aí com religião. Não tem nada a ver”

Disse o presidente cujo slogan de campanha era um verso bíblico.

“Agora, uma pitada de religiosidade é muito bem-vinda. Tem pauta lá que faltou, no meu entender, um ministro defender à luz da sua crença. Por que não?”

Sim, ele se contradisse em pouquíssimo segundos.

Já inicio os trabalhos de novo com ele, Conrado Hubner:

A grande notícia daí de cima é que pelo visto o AGU novo resolveu peitar o presidente, e aí sobrou para o Aras. E sabe quem achou uma boa idéia indicar o AGU para o STF? O Lula, que indicou o atual presidente da corte, aquele sujeito que classifica 64 como um… “MOVIMENTO

O Gustavo Gindre também tem um ponto interessante:

“Eu não sou formado em direito, mas há anos eu tenho a impressão que virou uma zona. TCU, MPF e STF extrapolaram seus papéis completamente. E agora o executivo resolveu entrar no time. Ou seja, cada um faz o que quer. É nesse ambiente de zona que um auto-golpe se torna possível.” [Facebook]

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5. Um constrangimento chamado Aras, parte 2

Com tanta indiscrição presidencial e do Aras, que defende mais o Boslonaro que a AGU, o MPF está em rebelião, folgo em saber.

“Não é só a Praça dos Três Poderes que está conflagrada em razão da crise entre Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal. Os ânimos estão exaltados também na sede do Ministério Público Federal, a 2 km dali, onde uma rebelião contra o comandante da instituição, o procurador-geral da República Augusto Aras, está prestes a acontecer. [Piauí]

Some isso aí com o AGU novo desafiando Bolsonaro e há motvos para otimismo, me dá um abraço aqui!

“Um grupo de procuradores trabalha para convencer o Congresso a aprovar o mais rápido possível uma proposta de emenda constitucional que torne obrigatório ao presidente da República o respeito à lista tríplice para a escolha do chefe da instituição;  outra ala do MPF busca construir com parlamentares uma alternativa baseada no artigo 52  da Constituição, que diz que o Senado pode interromper o mandato do procurador-geral e exonerá-lo por maioria absoluta dos votos, caso seja constatado crime de responsabilidade. O lobby pela primeira alternativa é público. Um abaixo-assinado está circulando entre membros do MP. Já a exoneração de Aras ainda está sendo perseguida de forma discreta.”

Mais de metade dos procuradores já autografou o abaixo-assinado, viado! 579, para ser mais preciso.

“O estopim da revolta foi o posicionamento do procurador-geral da República contra o inquérito do Supremo que investiga a existência de uma rede de disseminação de fake news e ameaças a ministros da Corte Superior. No bojo desse inquérito, a Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (27), 29 ordens de busca e apreensão em endereços de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Inconformado, Aras pediu no mesmo dia a suspensão do inquérito ao STF, alegando que o MP não havia concordado com as buscas. A questão é que, no final de outubro de 2019, pouco depois de assumir o cargo, Aras havia sido favorável ao prosseguimento da investigação. Com isso, contrariou um parecer da antecessora, Raquel Dodge, que considerava inconstitucional o STF abrir um inquérito, investigar e ainda julgar o crime de que a própria Corte teria sido vítima.  Nesse movimento, Aras não só legitimou a ação do STF,  como passou a participar dela.

Com a ofensiva do Supremo aos sites bolsonaristas, o procurador-geral mudou de postura. Parte significativa dos membros do MP não engoliu a atitude. Considera que ele está desmoralizando a instituição para atender aos interesses particulares do presidente. E não só: nos bastidores, já começam a resistir às ordens do chefe. Na quarta-feira, por exemplo, nenhum dos procuradores que normalmente auxiliam Aras na redação de suas peças aceitou escrever a manifestação enviada ao Supremo pela suspensão das investigações. A tarefa coube a uma assessora jurídica do gabinete.  “Ele teve a oportunidade de fazer o certo e não fez. E agora está fazendo o certo pelos motivos errados”, me disse um dos membros da categoria, ecoando a indignação reinante.”

Que satisfação, aspira!

“O inquérito das fake news vem apenas jogar água na fervura de uma gestão tumultuada internamente por desconfiança e tensão. A relação entre Aras e sua equipe, principalmente os procuradores que trabalham na investigação sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, vem se deteriorando progressivamente. Desde que a investigação começou, Aras rejeitou vários pedidos de diligências apresentados pelos subordinados. Um desses pedidos era para que a Justiça do Rio compartilhasse com a  PGR os autos da operação Furna da Onça, que investigou o braço do esquema de corrupção de Sergio Cabral na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foi nessa investigação que surgiu o relatório de inteligência financeira do Coaf apontando desvios praticados por Fabrício Queiroz, assessor de Flavio Bolsonaro. Uma das questões que o inquérito da PGR sobre Bolsonaro visa responder é justamente se houve ou não vazamento de informações da Furna da Onça, conforme afirma Paulo Marinho, um ex-aliado de Bolsonaro. O vazamento teria sido a causa da demissão de Queiroz, entre o primeiro e o segundo turnos. Os procuradores queriam checar o conteúdo e os movimentos da ação, mas Aras não deixou. 

E Aras tá uma sinuca de bico maravilhosa; Se ganhar a indicação presidencial é porque incendiou a própria biografia e sua indicação provavelmente será barrada pelo Senado (Senado que seria pressionado tanto pelo STF quanto pelo MPF rebelado), mas se ele age com um mínimo de dignidade nem fodendo ele ganha a indicação presidencial à Suprema Corte.

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6. Quem tem cu tem medo

“As provas colhidas pela Polícia Federal na operação de quarta-feira (27) podem trazer novos elementos às ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e fortalecer os processos que analisam os pedidos de cassação da chapa de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão por eventuais crimes eleitorais..” [Folha]

E o Mourão, Costinha

“Na operação contra apoiadores do presidente, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes quebrou os sigilos fiscal e bancário do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan e suspeito de financiar a disseminação de notícias falsas durante as eleições de 2018. Assim, evidências encontradas pela PF em endereços de aliados do governo podem ajudar a desvendar se o suposto esquema de propagação de fake news usado na campanha eleitoral foi mantido após a vitória de Bolsonaro e trazer novos elementos às ações do TSE.”

O mais hilário é que tudo começou com a Folha, tão odiada pelo Bolsonaro:

“Durante o segundo turno das eleições de 2018, a Folha revelou que correligionários de Bolsonaro dispararam, em massa, centenas de milhões de mensagens, prática vedada pelo TSE. O esquema foi financiado por empresários sem a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral, o que pode configurar crime de caixa dois. As informações se transformaram em duas ações em tramitação no TSE, apresentada por PT e PDT e ainda em tramitação. Elas apuram um esquema específico do período eleitoral de disseminação de fake news. A decisão de Moraes pode trazer novos elementos a essas ações, que não tinham quebrado o sigilo de empresários investigados na corte eleitoral. Nas representações, os partidos de oposição apontam como principal financiador da prática Luciano Hang, um dos alvos da operação autorizada por Moraes.”

#VéiodaHavanpresoamanhã. viado!

“Para a doutora em direito e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, Vânia Aieta, o compartilhamento de provas entre as investigações conduzidas por Moraes e pelo TSE é permitido desde que seja respeitado o direito de defesa dos envolvidos. De acordo com ela, já há jurisprudência consolidada nas duas cortes que permite a troca de informações. “É possível transmutar provas de um processo para outro, é o que chamamos de prova emprestada. A partir do momento que foi decretada a quebra dos sigilos e uma série de informações vierem à tona, elas certamente podem ser juntadas na ação do TSE, desde que respeitado o devido processo legal”, afirma. A Folha ouviu, reservadamente, advogados de alvos da operação. Eles reclamaram da condução de Moraes à frente do caso e afirmaram que não conseguem acesso aos autos. De acordo com um advogado contratado por um dos empresários investigados, a informação “extraoficial” é que Moraes já reuniu mais de 6.000 páginas no inquérito como elementos contra os alvos da PF.”

Ah, e olha que terrível coincidência:

“A ação de busca e apreensão da Polícia Federal sobre investigados por disseminar fake news e ameaças contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) fez a atuação de robôs e perfis alugados ligados ao bolsonarismo despencar nas redes sociais. De acordo com levantamento da consultoria AP Exata, as publicações dos chamados perfis de interferência caíram de uma média de 14% para 10% no Twitter. Elas já chegaram a ter pico de 17%. A ação do STF, na análise da consultoria, parece ter atingido o sistema de disseminação de informações feita artificialmente por meio desses perfis.” [Folha]

Tem mais:

“No período de 21 a 27 de maio, 17 perfis alvos de investigação pela Polícia Federal na operação desta quarta-feira (27), autorizada pelo STF, foram responsáveis por 5% das interações da base alinhada à direita no Twitter, segundo levantamento foi feito pela Diretoria de Análises de Políticas Públicas (DAPP), da FGV, a pedido do Painel. Fazem parte desta lista os empresários Luciano Hang (Havan) e Edgar Corona (Smart Fit), além do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). O percentual vai a 12% quando são somadas as interações de perfis de parlamentares citados no inquérito, como Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), e os três novos sob monitoramento a pedido do ministro Alexandre de Moraes: @bolsoneas, @patriotas e @taoquei1.” [Folha]

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7. Centrão e a confissão presidencial

Até então era mentira da imprensa, fake news e bla bla bla.

“Na transmissão, o presidente também falou pela primeira vez da negociação de cargos que passou a fazer com o centrão, contrariando o “toma lá, dá cá” que condenou na campanha de 2018. Bolsonaro disse que “a imprensa sempre reclamou de mim que eu não tinha diálogo, eu não conseguia atingir a governabilidade” e que, por isso, procurou o centrão, grupo conhecido por dar apoio ao presidente de ocasião em troca de cargos. “Sim, alguns querem cargos. Não vou negar isso daí. Alguns, não são todos. Agora, em nenhum momento nós oferecemos ou eles pediram ministérios, estatais ou bancos oficiais”, afirmou o presidente. Bolsonaro admitiu ainda que as negociações envolvem as eleições de 2022.

“Nós trocamos algum cargo neste sentido, atendemos, sim, alguns partidos neste sentido, conversamos sobre eleições de 2022. Se eu estiver bem em 2022, há interesse de alguns parlamentares desses estados em ter o seu respectivo candidato a governo, se eu poderia entrar neste acordo em alguns estados do Brasil”. Há estados que, nós sabemos aqui, eu não vou ter poder para eleger uma pessoa indicada por nós lá e conversamos: ‘olha, eu apoio, neste estado aqui, qual o perfil do seu governador? É este’. Tudo bem. Se eu estiver bem, se eu vier candidato à reeleição, tudo bem” [Folha]

Isso porque nos últimos dias ele disse não pensar em reeleição algumas vezes.

“Tem estado do Nordeste, em especial, que o PT está forte. Você pega quase todos os estados, o PT é muito forte e para derrotá-los você tem que somar todas as forças do outro lado. E, para mim, com todo respeito que eu tenho ao Parlamento brasileiro, eu prefiro deputados destes outros partidos do que do PT”

A culpa é do PT, oras.

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8. Estados vs Guedes

Adivinhe para quem eu estou torcendo…

“Sem consenso com o governo sobre as regras para suspensão das dívidas com instituições internacionais, governadores planejam tentar no Congresso a derrubada de um veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no pacote de socorro financeiro aos estados e municípios por causa da crise do novo coronavírus. Os secretários de Fazenda estaduais querem parar de pagar essas parcelas a organismos multilaterais, como Banco Mundial e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), durante a pandemia. A fatura, pela lógica dos chefes regionais, ficaria com a União, que não poderia reduzir os repasses aos governadores e prefeitos como compensação. O Ministério da Economia diz que a estratégia poderá colocar o Brasil num impasse internacional. Sem o veto, a situação do Brasil, na avaliação de técnicos, poderia ser considerada calote, inviabilizando empréstimos com organizações multilaterais.” [Folha]

Bem, se a gente tivvesse a porra dum governo minimamente lúcido e altivo talvez isso pudesse ser negociado, né?

“Técnicos da Economia, secretários de Fazenda estaduais e o Banco Mundial travaram um embate sobre as consequências de adiar esses pagamentos. O time de Guedes pediu o veto para não dar margem a um embate internacional. O Banco Mundial alertou para, em caso de calote, o país poder perder acesso a fontes de assistência multilateral, como recursos do FMI (Fundo Monetário Internacional). Para integrantes do governo, o veto ainda permite que governadores e prefeitos renegociem as parcelas com essas instituições e, em caso de suspensão da dívida, o Tesouro vai cobrir a fatura, mas também vai poder reduzir repasses aos governadores e prefeitos. Os governos regionais, contudo, não querem perder recursos.”

Não é que eles não querem, eles não podem, estados e municípios estavam quebrados antes da pandemia, imagine agora…

“Os efeitos de eventual derrubada do veto gera um debate mesmo dentro do Ministério da Economia. Alguns dizem acreditar que, se os estados foram vitoriosos na votação no Congresso, a União pagaria as parcelas para os bancos, mas não poderia compensar o custo, reduzindo transferências via FPE (fundo que destina dinheiro para os estados).

“Outros técnicos concordam com a interpretação do Banco Mundial: se o veto for derrubado, as instituições internacionais não vão receber os pagamentos (nem da União) e o Brasil seria considerado caloteiro. O presidente do Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda), Rafael Fonteles, disse, para os bancos multilaterais, não haverá nenhum impacto, pois as parcelas seriam honradas pelo Tesouro —a União foi avalista desses contratos.”

Ah, eles são os avalistas dos contratos, é? Que coisa…

“A nova disputa em torno do plano de socorro, portanto, coloca do Palácio do Planalto entre um possível impasse internacional e a insatisfação de governadores. O pacote de socorro financeiro estava à espera da sanção presidencial há quase 20 dias. O auxílio financeiro aos governo regionais começou a ser discutido no Congresso em abril. Bolsonaro adiou o ato até o último dia do prazo, quarta-feira (27). Ele quis aproveitar esse período para agradar parte de sua base eleitoral: policiais. O governo garantiu reajuste salarial a policiais civis, militares e bombeiros do Distrito Federal e conseguiu aprovar no Congresso uma MP que reestrutura a PF (Polícia Federal). O plano de ajuda aos governadores e prefeitos impede o aumento de despesas com pessoal.”

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9. Sobre o Enem

Não querer adiar ENEM em um país butalmente desigual é criminoso, apenas isso.

“Alunos de escola pública, estudantes mais pobres e negros enfrentam condições desfavoráveis de acesso à internet. Análise no perfil de participantes do Enem de 2018, os mais atuais disponíveis, revela que 3 em cada 10 participantes que concluíam o ensino médio na rede pública naquele ano não tinham acesso à internet. Na escola privada, 3,7% disseram não ter internet em casa. Os estudantes do 3º ano do ensino médio, chamados de concluintes, compõem o público cuja preparação para o Enem foi mais afetada pelo fechamento de escolas por causa do coronavírus, em março. Entre pobres e ricos, o abismo é ainda maior. Ao dividir os concluintes no Enem em quatro faixas de renda, 51% do quartil mais pobre não tem internet. Na outra ponta, o acesso atinge 96%. Somente 1/4 dos concluintes mais pobres têm computador, e, entre os mais ricos, o índice é mais de três vezes maior.” [Folha]

51% dos mais pobres e o governo só adiou o Enem porque o Maia botou o pau na mesa e avisou que o congresso adiaria se preciso fosse.

“O acesso a celular é disseminado e atinge mais de 90% dos estudantes em todos os recortes.”

E aqui me valho do Gustavo Gindre, o post dele versava sobre o acesso à internet entre estudantes da UFRJ mas cai como uma luva aqui:

“Vice-reitor da UFRJ, Frederico Leão Rocha, no Conselho Universitário, comemora que “apenas” 4 mil estudantes da UFRJ não possuem acesso algum à Internet. O vice-reitor talvez não saiba que a realidade é ainda pior. Segundo o Comitê Gestor da Internet (CGI.br), 58% das pessoas têm acesso à Internet apenas através do celular. E a maioria entre esses 58% dispõe de planos pré-pagos ou controle, com pacotes de dados reduzidos e muitas vezes acessam apenas as redes sociais, estimulados pelas políticas de zero rating das operadoras.” [Facebook]

Voltando à matéria da Folha:

“Quando as aulas a distância da rede começaram, Iris de Almeida Perruti Cruz, 17, sentiu que teria dificuldades sem ter computador. No início, ela diz, estudava pelo celular ou por um tablet. Em sua casa, em Guarulhos, a conexão wi-fi foi instalada neste ano. Apesar de dispor do mínimo, ela considera o processo falho. “Tenho uma irmã pequena, às vezes ela chora, pede atenção. Não é fácil estudar assim”, afirma ela. “Tem gente que não tem o básico na escola, como vão ter acesso à internet e estudar?”, diz a aspirante ao curso de tecnólogo em produção cultural. Na casa de Gabriela da Silva Tavares, 17, aluna da Etec (escola técnica) na Vila Leopoldina, em São Paulo, o pacote de dados é dividido entre ela, a irmã e os pais. “Já aconteceu de não conseguir entregar trabalhos e perder as aulas”, diz. “Ou a internet acaba ou fica lenta”.

Há ainda diferenças de acesso por região. Enquanto 26% dos estudantes do Norte não usaram a internet nos 90 dias anteriores à pesquisa, o percentual é de 10% no Sul, indica a pesquisa TIC Educação 2018. As desigualdades também aparecem no recorte por raça. Enquanto 35% dos concluintes negros não tinham acesso à internet, esse percentual era de 14% para os brancos. Entre os indígenas, a exclusão atinge 44%, segundo os dados. Tais abismos levaram os estados a pedirem para adiar o Enem deste ano. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, insistia na manutenção das datas e só adiou a prova em 60 dias, sem dia definido, ante iminente derrota no Congresso sobre o tema.”

E Abraham tira estatísticas da bunda:

“Em transmissão online na semana passada, Weintraub disse que entre 80% e 90% dos participantes do Enem estavam conectados. Questionado sobre a afirmação, o MEC não respondeu qual a fonte usada.”

Por mim só uma irresponsabilidade desse naipe já deveria dar em prisão.

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10. Mourão & Salles & Montezano

Agora vai, hein!

“Numa tentativa de reativar as doações da Noruega e Alemanha para ações ambientais no Brasil, o vice-presidente, Hamilton Mourão, enquadrou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o retirou da presidência do comitê orientador do Fundo Amazônia.” [Folha]

O mais absurdo do parágrafo acima é que Salles tenha conseguido arrancar dos generais a presidência desse comitê quando o Fundo foi criado, cambada de frouxo do caralho!

“O colegiado havia sido extinto pelo governo Bolsonaro em abril do ano passado. Isso desencadeou uma disputa com os dois principais doadores e culminou com a paralisação do fundo. A Noruega já transferiu R$ 3,1 bilhões para o mecanismo e a Alemanha, R$ 192 milhões. Os recursos são aplicados em projetos de combate ao desmatamento e de promoção da conservação da floresta. Para vencer a resistência dos europeus, Mourão, designado por Bolsonaro para presidir o Conselho da Amazônia, se reuniu nesta quinta-feira (28) com os embaixadores de ambos países. Ele apresentou a nova modelagem do comitê. Segundo o vice, o órgão será recriado por decreto. Entre as mudanças, a presidência do comitê sairá das mãos de Salles e passará para Mourão. “Convocamos os dois embaixadores, mais o presidente do BNDES [Gustavo Montezano], que é a parte técnica, para apresentar a nossa nova visão da governança do fundo. E a constituição do comitê do Fundo Amazônia, que passa a ser presidido por mim também”, disse Mourão, após o encontro com Nils Gunneng (Noruega) e Georg Witschel (Alemanha).”

Como o Mourão sincero faria a apresentação do Montezano:

“Olá, embaixadores, esse é o imbecil que louvou lá naquela maldita reunião o Salles e seu “passar a boiada”, ele aplaudiu lá e tá aqui agora fingindo sensibilidade ambiental, eu também tô, né? Eu não queria chamá-lo mas é o BNDES que cuida dos empréstimos, desde já eu peço desculpas por esse constrangimento.”

E de nada adiantou:

“No entanto, os chefes das missões diplomáticas disseram a Mourão que o maior obstáculo hoje para que seus governos deem luz verde para a retomada das doações é a imagem amplamente negativa do governo Bolsonaro na Europa em temas de conservação e sustentabilidade. A percepção de que a atual administração brasileira não está comprometida com a preservação ambiental, que já era disseminada no continente diante do aumento do desmatamento e a crise das queimadas do ano passado, ficou ainda pior com a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. Nela, Salles defende aproveitar o “momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”. Neste momento, fica difícil, senão praticamente impossível, conseguir a aprovação de Oslo e Berlim para a volta das contribuições ao Brasil, disseram os diplomatas a Mourão.”

O Mourão sincerro começaria a arremessar objetos no Montezano nessa hora. Imagina a cara do presidente do BNDES nessa hora, viado.

“Apesar das barreiras apontadas pelos europeus, só o afastamento de Salles como interlocutor do governo é visto com bons olhos pelos governos estrangeiros. Os termos propostos por Salles nas fracassadas rodadas de negociação no ano passado foram considerados inaceitáveis pelos dois países doadores. Nas diversas embaixadas em Brasília, por outro lado, Mourão é visto como uma voz pragmática e aberta ao diálogo.”

Qualquer retardado que não seja o Salles pareceria aberto ao diálogo, porra.

“Depois do encontro, o vice-presidente reconheceu que cabe ao Brasil apresentar números que mostrem aos europeus que as transferências podem voltar a ser feitas. “É aquela história, estou falando francamente aqui com vocês: temos de mostrar que estamos fazendo a nossa parte. Estamos com essa operação para impedir o desmatamento”, disse Mourão. “A nossa grande visão é no segundo semestre a gente derrubar aquela questão de queimada. A gente terá, então, um trabalho para mostrar. A partir daí, não tenho dúvida que retorna o financiamento”, afirmou.”

Isso é, fodeu!

“Uma coisa tem de ficar clara: se nós vivêssemos num país com tranquilidade fiscal, com recursos sobrando, eu não preciso de recursos de ninguém de fora. Concordam comigo? Mas nós não estamos nessa situação. Então, vamos usar o recurso que eles vão oferecer para gente”, disse.”

Porra, vai ver isso não tava claro, general, a impressão é que tava chovendo dinheiro…

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11. “O Brasil estava decolando

O 171 do Guedes vive dizendo isso, mesmo com os números do fim do ano passado mostrando o contrário. A queda de 1,5% no primeiro trimestre, que só pegou uma parte do impacto da pandemia, pinta bem a nossa desgraça:

“Dados do Produto interno Bruto (PIB), divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE, indicam que a economia brasileira teve uma retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com último trimestre do ano passado.” [O Globo]

E o trimestre passado já tinha sido merda, apesar do Guedes apontar recuperação.

“O resultado do primeiro trimestre é a ponta do iceberg do que os economistas estimam ser a pior recessão econômica em 120 anos, quando começa a série histórica do IBGE. Isso porque as medidas de isolamento social foram adotadas apenas em meados de março. O que pesou para a retração nos três primeiros meses deste ano foi o setor de serviços, que registrou queda de 1,6% contra o trimestre anterior. Este setor representa 74% do PIB, pela ótica da oferta. É a maior queda do setor de serviços desde a crise global de 2008. Os efeitos da pandemia também influenciaram a queda de 2% no consumo das famílias, que representa 65% do PIB, pela ótica da demanda. Esta é a maior queda desde o terceiro trimestre de 2001, quando o Brasil passava por uma crise do setor elétrico. Naquela data, o recuo tinha sido de 3,1%. Após a divulgação, o ministério da Economia, disse que o resultado ‘coloca fim a recuperação econômica’ do Brasil. Já o ministro Paulo Guedes preferiu exaltar o desempenho das exportações. Assim como o setor de serviços, também a indústria registrou queda na produção, de 1,4%. Com isso, o setor viu sua participação no PIB cair ainda mais. A indústria no primeiro trimestre de 2020 respondeu por 20,9% de tudo o que foi gerado de riquezas no país – é o menor patamar da série histórica. Em 2005, o peso da indústria chegou ao auge de 28,5%.”

E como fala merda o Guedes:

“O Brasil é a única economia do mundo que está aumentando as exportações. O que é uma maldição acabou virando uma benção. A maldição é que ficamos 20 a 30 anos sem nos integrarmos às cadeias globais de produção e continuamos vendendo matéria-prima, como soja e minério. Itens de baixo valor adicionado, mas numa crise como essa, que está rompendo cadeias globais de produção, exportamos comida. Está aumentando a demanda por exportação brasileira. A estimativa inicial era de que o PIB poderia cair 6%. Desse total, 2% vindo do choque externo e 4% pelo próprio efeito econômico interno do distanciamento social. Os 2% externos aparentemente não estão vindo porque as exportações aumentaram e estão em nível recorde.” [O Globo]

Sim, ele resolveu celebrar o fato de sermos um país extrativista, puta que pariu… E repare que a culpa é do coronavírus e de mais ninguém, mesmo o isolamento começando apenas no último mês do trimestre.

“Os investimentos estavam 6% acima no primeiro trimestre em relação ao ano passado. A arrecadação nos primeiros dois meses estava 20% acima do previsto. Tudo indicava que estávamos começando a andar”

“Precisamos de cooperação, colaboração, compreensão, solidariedade” [G1]

O governo do Gudes não coopera, não colabora, não compreende e não é solidário nem fodendo!

“É natural que nessa ansiedade, cada um ao seu estilo, um pisa no pé do outro. E quem foi pisado vai empurrar de volta. Agora, acabou. Um deu o empurrão, tomou o empurrão de volta. Todo mundo remando para chegar na margem. Quando chegar na margem, começa a briga de novo. Pode brigar à vontade na margem. Se brigar a bordo do barco, o barco naufraga”

O presidente dá uns tiros no casco do barco mas “cada um no seu estilo“…

Sobre a longínqua recuperação:

“Só depende de nós. Só depende de nós. Pela terceira vez, só depende de nós”, disse o ministro. “Prefiro ainda trabalhar com o ‘V’, pode ser um ‘V’ meio torto, caiu rápido e vai subir um pouco mais devagar, mas ainda é um ‘V’”

Ele não comparou o gráfico com a marca da Nike, estou emocionado!

Os números sobre o mercado de trabalho são assustadores, e tudo ficará pior por conta desses imbecis:

“A pandemia do novo coronavírus fez com que o pilar que vinha sustentando o mercado de trabalho entrasse em colapso. O trabalho informal, que vinha batendo recorde atrás de recorde e garantindo a redução da taxa de desemprego, sofreu um forte desgaste no trimestre encerrado em abril, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta-feira (28). Das 4,9 milhões de vagas fechadas no período, 3,7 milhões eram informais. A taxa de informalidade caiu para 38,8% da população ocupada –um contingente de 34,6 milhões de brasileiros, o menor número da série iniciada em 2016. No trimestre anterior, até janeiro, o percentual havia sido de 40,7%. Para especialistas ouvidos pela Folha, a queda indica tanto o caráter regressivo desta crise, como a falta de perspectiva para quem perde uma vaga com carteira assinada. “Antes, a informalidade era um colchão de quem perdia emprego formal. Agora não tem mais isso, a situação dos informais está muito pior”, disse Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria. “Se compararmos o trimestre encerrado em abril deste ano com o mesmo período do ano passado, percebemos que a redução das vagas sem carteira assinada e por conta própria sem CNPJ é muito maior que dos empregos formais”, afirmou Xavier.

Os dados do IBGE mostram também que, além do pilar ter ficado fraco, o restante da força de trabalho também não se manteve firme. “O Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados] mostrou que em um mês o Brasil perdeu 1,1 milhão de postos. Durante a última crise, perdemos três milhões de vagas formais. Quanto tempo demorou? 2 ou 3 anos? Agora em um mês vimos um terço disso acontecer”, disse. Considerando o mercado como um todo e fazendo a comparação com a crise de 2015-16, o estrago dos últimos três meses foi forte. A perda de vagas foi 68% superior a todo o período da crise anterior. Naquela época foram cortados 2,9 milhões de postos, enquanto agora foram 4,9 milhões. Em meio aos 4,9 milhões de empregos perdidos, sete ramos registraram recuos recordes na população ocupada: indústria (-5,6%), comércio (-6,8%), construção (13,1%), transporte, armazenagem e correio (4,9%), alojamento e alimentação (12,4%), serviços domésticos (-11,6%) e outros serviços (-7,2%). O comércio foi o que registrou a maior queda em números absolutos, com 1,2 milhão de postos de emprego perdidos, reflexo do fechamento de bares, restaurantes, shoppings e comércio como forma de conter o avanço do novo coronavírus.” [Folha]

E ainda tem um detalhe esconcertante:

“Apesar da perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, a taxa de desemprego não refletiu os impactos da pandemia na economia. Isso porque a contabilização engloba apenas quem está procurando trabalho no período da pesquisa. Uma vez que as pessoas não saem de casa, o processo de busca por trabalho trava, sem reflexo nas estatísticas. A taxa de desocupação fechou em 12,6%, com um aumento de 898 mil desempregados em relação ao trimestre encerrado em janeiro. São 12,8 milhões de pessoas na fila do emprego. “O melhor indicador é a queda na população ocupada. A taxa de desemprego deve subir com mais vigor quando tiver a flexibilização das medidas de restrição”, analisou Donato, da LCA. A população fora da força de trabalho –aqueles que não estavam trabalhando nem procurando emprego–, chegou a 70,9 milhões de pessoas, um aumento recorde de 7,9%. Já os brasileiros que desistiram de procurar emprego, os chamados desalentados, cresceram 7%, ou 328 mil pessoas, atingindo 5 milhões. “Não esperava uma alta tão grande dos desalentados, mas essa saída da força de trabalho pela pandemia eu consideraria que é um movimento pontual, não associado ao desalento. A própria crise provocada pela pandemia, no entanto, fez com que muita gente decidisse sair da força de trabalho. Talvez tenha sido a bala de prata”, disse Donato.”

A renda média aumentou e a explicação é perversa:

“Com menos pessoas na informalidade para terem seus salários contabilizados na média nacional, o patamar de ganho do país subiu. O movimento, que é um sinal de que os salários mais baixos foram os primeiros a perderem espaço na paralisação causada pela pandemia, levou a média ao maior nível da série histórica, R$ 2.425. Isso, no entanto, não pode ser confundido como um aumento de renda dos brasileiros, porque, na verdade, é reflexo apenas da perda excessiva de postos com salários menores, típico do setor informal, que deixam de ser contabilizados na média. “Quem está sendo expulso do mercado de trabalho é quem tinha menores rendimentos, o que joga a média para cima e mostra que a pandemia vai aumentar a desigualdade no mercado de trabalho”, analisou Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV-Ibre.” [Folha]

Encerro com o Vinícius Torres Freire:

“Além da desinformação inevitável, por ora, não há medidas novas do impacto da epidemia nem ideias novas para evitar ruína maior. O país está catatônico, apavorado, como quase o mundo inteiro, e ainda desgraçado pelo desgoverno e pela discussão agora aberta de golpe, impeachment ou alguma destruição institucional extra. Nem é preciso mencionar, a sabotagem das medidas de isolamento, a falta de política federal de controle da doença e a descoordenação nacional já prolongaram a duração da pior fase da epidemia aqui no Brasil. Sem perspectiva de melhora, não há hipótese de retomada organizada. O país preferiu se atolar em um cemitério sem fim… O medo da doença e o medo do futuro (para quem ainda tem o que gastar) colocam o consumidor na retranca. O crédito bancário entrou na retranca. O investimento entrou em colapso. A epidemia será comprida por causa do isolamento à moda brasileira, entre selvagem e negligente. A crise econômica correrá em paralelo.” [Folha]

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12. Mais uma confissão de prevaricação

Eu até ia dizer que Moro é burro como uma porta, mas pelo menos ele tá fodendo o Bolsonaro:

“Me chamou a atenção um fato quando o projeto anticrime foi aprovado pelo Congresso. Infelizmente, houve algumas alterações no texto que acho que não favorecem a atuação da Justiça criminal. Propusemos vetos, e me chamou a atenção o presidente não ter acolhido essas propostas de veto, especialmente se levarmos em conta o discurso dele tão incisivo contra a corrupção e a impunidade. Limitar acordos e prisão preventiva bate de frente com esse discurso. Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente” [Correio Braziliense]

Moro não tem advogado não, é?

“No que se refere às alianças políticas, o discurso do presidente era muito claro no sentido de que ele não faria alianças políticas com o Centrão e agora ele está fazendo. E a culpa por isso não pode ser posta em mim, dizendo: “Olha, foi preciso fazer aliança com o Centrão por causa da saída do Moro”. Não, isso precedeu a minha saída. Começou antes, pelo receio do presidente de sofrer um impeachment. A motivação principal da aliança é essa”

Sobre os ataques ao STF:

“Não tem nenhum motivo para o Planalto se insurgir e o Planalto sabe disso. O problema é que o Planalto não consegue entender esses limites, que ele não é um Poder soberano. É claro que, eventualmente, pode-se criticar algumas decisões judiciais, mas tem que respeitar a atuação das Cortes de Justiça”

Moro voltou a se enrolar:

“Me perguntam se valia tanto a pena manter o (ex-diretor-geral da PF Maurício) Valeixo, mas não era uma questão de quem está lá. A questão era o porquê a troca e por que o presidente precisava de uma pessoa de confiança, de relacionamento direto com ele. As razões que foram externadas pelo presidente são perturbadoras. Não dá pra submeter a PF a esse tipo de vontade”

Então por que diabos você não fez a denúncia no canal apropriado?!

“Não posso mentir. Eu me sentia desconfortável em vários aspectos do governo: pela agressividade contra a imprensa, pelo estímulo à violência, ao ódio e, mais recentemente, pela descoordenação completa em relação ao combate ao coronavírus. Eu sempre defendi o isolamento”

Quem poderia imaginar que o seu chefe estimularia a violência, né, Moro?! Vai ser ingênuo assim lá na casa do caralho!

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13. Covid-17

Mais de mil mortes por dia, de novo. Morreu mais gente no Rio que na China e a fase de pico nem chegou. Nessas horas eu me forço a pensar que Bolsonaro terá um fim tipo Gadhaffi ou Mussolini

“A Secretaria de Estado de Saúde publicou nesta quinta-feira (28) uma atualização dos casos e mortes de coronavírus no Rio. É o terceiro dia consecutivo com mais de 200 mortes no estado – primeira sequência do tipo desde que o primeiro óbito foi registrado. O Rio de Janeiro também passou a China (4.638) e a Índia (4.711) em número de mortes. Os dados dos países são do painel da Universidade Johns Hopkins.” [G1]

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A Índia tem mais e 1 bilhão de pessoas, porra!

“Se fosse comparado a países, o RJ estaria em 13º lugar no ranking de mortes por Covid-19, de acordo com dados da Johns Hopkins Univestity & Medicine. O Rio de Janeiro tem, segundo o IBGE, cerca de 17,2 milhões de habitantes. O número de mortes no estado é maior que o da China, país onde a Covid-19 começou a se espalhar que tem quase 1,4 bilhão de habitantes e registra 4.638 mortes pelo vírus. Ficaria à frente ainda de Índia (4.711), com seus 1,35 bilhão de habitantes, e Rússia (4.142), que tem população de cerca de 145 milhões.”

A primeira onda nem entrou na fase de pico e essa matéria sobre a segunda onda nos EUA mostra o quao fodido estamos:

“Para John Swartzberg, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia em Berkeley, é possível tentar administrar a extensão dessa segunda onda, mas é quase impossível evitá-la. “Se reabrirmos de maneira consciente, com rastreamento de novas infecções e isolamento de doentes, podemos controlar a situação e não ter tantos casos novos.”” [Folha]

Alguém acha que esse será o caso de alguma cidade brasileira? Pois é.

“Com as falhas nesses mecanismos observadas até aqui, ele afirma, a segunda onda deve acontecer a partir de setembro. “Durante o verão [julho e agosto] vamos ver o crescimento de casos, mas não de forma dramática, porque as pessoas vão estar fora de casa, com menos chances de serem infectadas ao ar livre.” A previsão é que, com o retorno das aulas em setembro, as pessoas relaxem seus comportamentos. “Vão pensar que, como o verão não foi uma catástrofe, podem agir com menos cuidado e, então, vai chegar a segunda onda”, explica Swartzberg.”

E depois ainda dizem que nós somos racionais.

Encerro com esse bom texto do Átila Iamarino

“A Europa reabre. Espanhóis e italianos voltam a circular. Ingleses voltam a dirigir. Em comum, os países têm algumas coisas: o sol e o interesse no movimento econômico do verão, mas também a diminuição do número de casos. Adotaram isolamento social efetivo e seus líderes comunicaram claramente a importância da população seguir essas medidas. Reduziram o número de pessoas que alguém com o coronavírus infecta para menos de 1 na média (o famoso R0). Com menos de uma pessoa infectada por outra, o número de casos entra em declínio e o surto local entra em controle. Um controle bem tênue. Coreia do Sul, Singapura e China que o digam, enquanto afinam o balanço entre retomar a economia e conter o aumento de casos acompanhados na base de muito, muito teste.

Já o Brasil ensaia a reabertura como europeus fazem. Alguns certamente já se preparam para vestir calça social pela primeira vez em meses. Só estamos ignorando uma etapa, um detalhe, que calha de ser o principal: o controle da pandemia. Claro, algumas cidades –alguns estados até– gozam de leitos de UTI vazios e poucos casos de Covid-19. Mas, ao contrário de países como Portugal, que na falta de leitos e de estrutura como seus vizinhos, faz uma das maiores quantidades de testes por habitantes da Europa, nós não fizemos a lição de casa. Mesmo testando miseravelmente pouco, não reduzimos o número de novos casos. O oposto. Nos tornamos o segundo país em casos e o primeiro em mortes por dia, em um regime ascendente.

Parecemos competir por um escândalo que chame mais atenção do que esses números. Enquanto isso, vamos escolhendo índices menos piores. Se considerarmos mortes por milhão de habitantes, ainda estamos bem abaixo dos países europeus. Como se só a perda de muito mais vidas justificasse ação. A cidade do Rio resolveu parar de contar mortos com diagnóstico positivo para coronavírus após o óbito. O equivalente a colar uma fita preta cobrindo o alerta de avião caindo para ele não incomodar. Já no Amazonas, o índice de controle da situação foi a queda do número de enterros. Sem testes para saber quem tem o coronavírus ou simplesmente quem morreu de Covid-19, usam o sinal de perda de controle como medida. O equivalente a usar a luz de alerta para iluminar a cabine e tentar enxergar um caminho.

Reabrimos como lá, enquanto cá os números só aumentam. Richard Feynman, físico nobelista marcante, conta em sua autobiografia sobre a ciência culto à carga, quando se segue um ritual sem mudar causas. O termo vem da simplificação de um fenômeno real. Quando nativos de ilhas ocupadas no Pacífico viram aviões pousando e desembarcando comida e manufaturados, começaram a construir pistas de pouso e até torres de controle de madeira e bambu, na esperança de atrair a carga vinda dos céus. Como nós fizemos por aqui, ao tratar de abertura sem queda consistente de casos diários. Repetimos gráficos, projetamos possíveis picos que só se manifestariam se estivéssemos restringindo mais as pessoas e não fazendo o oposto. Tomamos curas milagrosas que o mundo abandona, enquanto somos o novo polo mundial de Covid-19, antes de relaxar medidas. Que dirá depois.

Sem resolver o contágio, essa retomada é um voo de galinha até precisarmos fechar de vez pois hospitais colapsaram, funcionários ficaram doentes e perderam parentes, sem pensar que um fechamento nesse tipo de condição precisa ser mais sério e durar mais tempo. Até agora, a medida mais efetiva para reduzir o número de casos que o país tomou vem sendo fazer poucos testes. Que a próxima medida não seja sumir com os números de vez, para tentar trazer o avião do PIB.” [Folha]

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14. Bolsonaro e a PRF

Depois do diretor-geral ser degolado porque ousou homenagear um policial morto por Covid…

“A Polícia Rodoviária Federal (PFR) exonerou nesta segunda-feira (25/05) um dos chefes da área de comunicação depois que a TV Globo levou ao ar uma reportagem mostrando que aumentaram as mortes em acidentes nas rodovias federais em abril, por causa do afrouxamento do isolamento social adotado em março no país para conter a expansão do coronavírus. Formado em jornalismo e policial concursado da PRF há sete anos, Fernando Oliveira chefiava o setor de comunicação da Superintendência do Paraná desde 2017. Ele disse à BBC News Brasil que foi exonerado da função porque seus superiores em Brasília consideraram a reportagem da TV Globo “desalinhada”, devido a abordagem de temas “sensíveis aos olhos do presidente” Jair Bolsonaro, como o uso de radares de velocidade e o isolamento social durante a pandemia.” [BBC]

Sensíveis“, viado! O sujeito era capitão do Exército, vivia posando de machão e denunciando vitimismo e mimimi, inacreditável.

“A reportagem foi realizada após a própria PRF avisar veículos de comunicação sobre a Operação Nacional de Segurança Viária, que seria realizada em todo o país a partir de 14 de maio. O material, transmitido no dia seguinte no jornal Bom dia Brasil, usou estatísticas de acidentes da PRF, exibiu falas de policiais rodoviários durante uma operação de fiscalização em Curitiba, assim como uma infração de excesso de velocidade captada por um radar.”

Se isso não é crime eu não sei mais de nada.

“O setor de comunicação da PRF no Paraná atendeu às demandas da equipe da TV Globo para produzir a reportagem. Segundo Oliveira, minutos após a veiculação da reportagem houve uma ligação da direção da PRF em Brasília para a Superintendência do Paraná reclamando do “desalinhamento”. Depois, às 12h27 do mesmo dia, ele recebeu pelo WhatsApp uma mensagem do chefe da Coordenação-Geral de Comunicação Social da PRF (CGCOM), Anderson Poddis, disparada para todo o efetivo que trabalha na área determinando a centralização do atendimento à imprensa. “Em reforço à mensagem enviada aos Diretores, Superintendentes e Superintendentes executivos, diante das matérias totalmente desalinhadas que surgiram na imprensa hoje em diversas localidades do país, informo que está PROIBIDO pautar imprensa sem expressa autorização da CGCOM do conteúdo do release e da entrevista”, diz a mensagem, segundo imagem disponibilizada por Oliveira à BBC News Brasil.”

Onde já se viu apresentar os números reais e provocar o sensibilíssimo presidente, né?

“No dia 18, Oliveira foi comunicado que seria exonerado. Ele diz que sua atuação no caso da reportagem da TV Globo apenas seguiu a orientação inicial para pautar os veículos de imprensa sobre a operação da PRF. “Por conta de o Paraná liderar o ranking de unidades da Federação com mais trechos de rodovias considerados críticos — com 23 pontos dos 150 espalhados pelo país — a afiliada local da Globo destacou uma equipe de reportagem para cobrir uma das ações de fiscalização da PRF”, contou ainda. Horas após a exibição da reportagem da TV Globo, Oliveira também recebeu a ordem de apagar imediatamente todas as fotos de radares armazenadas no perfil da PRF do Paraná na plataforma Flickr, que tem quase 9 mil imagens. Oliveira contou que não obedeceu à ordem por considerá-la “ilegal”, já que não havia “justa motivação” para deletar os registros. As imagens usadas nessa reportagem vêm desse banco de fotos.”

Isso é crime, porra!

“Segundo ele, o assunto radar é “tabu” na PRF desde agosto de 2019, quando o governo Bolsonaro suspendeu o uso de radares portáteis pela instituição, decisão que só foi revertida pela Justiça no fim do ano passado. “Não houve, por exemplo, a divulgação de nenhum dado relativo a infrações de controle de velocidade registradas pela PRF durante as operações de Natal e Ano Novo, o que contrariou a prática dos anos anteriores”, disse Oliveira.”

É por isso que ele é o mais verme dos vermes!

“A BBC News Brasil conversou com mais dois policiais da área de comunicação da PRF que estão na instituição há mais de dez anos, lotados em outros Estados. Ambos disseram ser inédito o atual nível de censura e controle no setor. Eles pediram para não ter o nome divulgado, com medo de represálias. “Se não rezar a cartilha (da direção da PRF), você pode ser retaliado. Eu sou (apoiador do) Bolsonaro, mas acho que temos que ser um órgão técnico ao passar informação e não ficar sujeito a tanta censura”, disse um deles.”

Sim, ele usou o verbo no presente, ele continua apoiando Bolsonaro mas tem que falar em anonimato temendo retaliações, fascinante.

“Para Fernando Oliveira, sua exoneração e as ordens da direção da PRF contrariam o manual de comunicação do órgão e a Constituição. Ele ainda não foi designado para uma nova função. “A postura da área de comunicação de qualquer órgão público deve estar alinhada sempre com os princípios constitucionais, como o da transparência e o da impessoalidade. Se estiver alinhada a uma interferência sem amparo técnico, ainda que ela tenha partido do presidente da República, não se trata de algo legítimo”, critica o policial exonerado. “Assim como a Polícia Federal, na condição de órgão policial da União, a PRF também deve funcionar como uma polícia de Estado, livre de interferências políticas ou meramente pessoais”, reforçou.”

O gran finale:

“Procurado por telefone pela BBC News Brasil, o Coordenação-Geral de Comunicação Social da PRF, Anderson Poddis, não quis comentar a exoneração de Oliveira nem as reclamações sobre a censura dentro da instituição.”

Não poderia esperar resposta mais didática que essa.

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15. China

Da Tatiana Prazeres:

“É duro reconhecer, mas o incômodo de muitos em relação à China tem a ver, em parte, com ideias ultrapassadas sobre o país ou ilusões alimentadas a respeito da trajetória que viria a seguir. Pense por exemplo na relação entre regime político e capacidade de inovação na China. Muitos gostavam de acreditar que o país asiático, sem liberdade de expressão e fluxo livre de ideias, nunca poderia ser um celeiro de inovação. Vários encontravam conforto na ideia de que, na ausência do ambiente aberto e estimulante das democracias liberais, a China seguiria apenas copiando ou, no máximo, adaptando e fazendo inovações incrementais. Não poderia, nessas bases, superar tecnologicamente EUA e Europa. A Harvard Business Review publicou artigo intitulado “Por que a China não consegue inovar” em 2014, quando já era evidente que a China inovava. Kaiser Kuo, do podcast Sinica, resumiu bem a questão há uns anos, ao dizer que existe (ainda existirá?) esta estranha crença de que um sujeito não consegue desenvolver um aplicativo se não souber o que realmente aconteceu na praça da Paz Celestial.

Em 2019, a China passou os EUA e se tornou o país que mais apresentou pedidos de patente no mundo. Uma empresa chinesa —a Huawei— foi, de longe, a que protocolou o maior número de pedidos. Evidentemente, esse é apenas um indicador de inovação. As empresas mais inovadoras seguem sendo americanas (segundo o ranking da Forbes), e a China está tecnologicamente atrás em muitíssimas áreas. O mito da inviabilidade da inovação, no entanto, levou à complacência de competidores e impediu muitos de entender a natureza da concorrência gerada pela China. Outra dessas ilusões refere-se ao impacto da abertura econômica para a mudança de regime político. O argumento é (ou era) de que, ao expor sua economia ao restante do mundo, seria impossível para a China preservar seu modelo político.

Segundo essa visão, outros valores das democracias liberais ganhariam força no país à medida que a economia chinesa fosse mais exposta à realidade internacional. No momento em que a China foi aceita na OMC (Organização Mundial do Comércio), em 2001, essa crença era muito presente nos EUA. Num discurso na Universidade Johns Hopkins, em 2000, o então presidente Bill Clinton disse que a entrada do país asiático na OMC aceleraria seu processo de reforma política. Afirmou que as mudanças econômicas forçariam a China a se confrontar mais cedo com certas escolhas políticas (democracia?) e ajudariam a promover direitos humanos no país. Naturalmente, ao entrar na OMC, a China comprometeu-se com regras comerciais —e pode-se discutir quão bem ou mal as cumpre. Mas os chineses não prometeram realizar os sonhos dos outros.

É possível que a crença na inevitabilidade da transformação política em função da economia tenha sido alimentada pela experiência do fim do comunismo na União Soviética, de fato acelerado pela abertura econômica. Mas se provou um engano acreditar que o mesmo ocorreria na China. A lógica das expectativas frustradas também se aplica a Hong Kong. O território foi devolvido pelos britânicos à China em 1997, sob o compromisso de que a autonomia da região seria respeitada até 2047. Na época da devolução, imaginava-se que, ao longo desses 50 anos, o regime político chinês viria a se aproximar de modelos mais palatáveis para o Ocidente. Muitos seguirão alimentando ilusões se continuarem tratando com a China errada —a China do passado ou a China dos seus sonhos. Estereótipos, ideias vencidas e expectativas geradas a partir de valores das democracias liberais contribuem para a sensação de desconforto em relação ao país.” [Folha]

Que texto!

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16. Um Trump Muito Louco

“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu em sua conta no Twitter nesta sexta-feira (29) atirar em manifestantes para impedir saques em meio à onda de protestos contra violência policial em Minneapolis. “Estes BANDIDOS estão desonrando a memória de George Floyd, e eu não deixarei que isso aconteça. Acabei de conversar com o governador Tim Waltz e disse que o Exército está com ele até o fim. Qualquer dificuldade e nós assumiremos o controle, mas quando começam os saques, começam os tiros”, tuitou Trump.” [Folha]

Bem, até então Trump achava de boa sair no soco com quem ousasse lhe vaiar em um comício, agora ele inovou.

“Em resposta, o Twitter incluiu um aviso de que a mensagem promove a “glorificação da violência”, em uma escalada do embate entre o líder americano e a rede social. “No entanto, o Twitter decidiu que pode ser do interesse do público que este post continue acessível”. Esse é o episódio mais recente da rusga entre a rede social e Trump. Na terça-feira (26), a empresa incluiu pela primeira vez um aviso de desinformação em posts do líder americano. A decisão irritou o presidente, que chegou a fazer ameaças de fechar companhias como Twitter e Facebook. Na quinta (28), assinou um decreto para reduzir proteções legais de empresas de tecnologia. A cidade de Minneapolis, no estado americano de Minnesota, tornou-se palco de protestos após o assassinato de George Floyd, homem negro que teve o pescoço prensado contra o chão pelo joelho de um policial branco. Foram registrados saques e atos de vandalismo nas manifestações.”

E só hoje o policial assassino foi preso, inacreditável.

“Manifestantes atearam fogo a uma delegacia em Minneapolis, no estado americano de Minnesota, durante o terceiro dia de protestos após o assassinato de George Floyd, um homem negro que teve o pescoço prensado contra o chão pelo joelho de um policial branco. Os policiais abandonaram o edifício antes do início do incêndio. Não se sabe se pessoas ficaram feridas no episódio.” [Folha]

Se alguém viu o vídeo e a primeira versão da polícia tem que achar é uma medida compreensível.

“Mais cedo, em Louisville, no estado de Kentucky, sete pessoas foram alvejadas por balas durante um protesto contra o assassinato de Breonna Taylor, uma mulher negra morta dentro de casa em março. Ao menos uma pessoa segue em estado grave.”

Negros nas ruas protestando e vagabundo sai atirando, assim como a mulher no parque achou que um negro obersavdor de pássaros era um perigoso bandido.

“Na manhã desta sexta (29), Omar Jimenez, repórter da emissora americana CNN, foi detido enquanto transmitia, ao vivo, atualizações sobre os protestos em Minneapolis. Ele é negro. Um produtor e um cinegrafista da equipe também foram algemados pela polícia estadual, sem qualquer explicação. A câmera continuou gravando e tudo foi transmitido ao vivo durante um telejornal matinal.”

O vídeo é absolutamente surreal:

Que quadra escrota da história.

“A profunda divisão racial de Minneapolis é um aspecto tão constante para seus residentes negros quanto o bom desempenho econômico e os parques pelos quais a cidade é conhecida. Os afro-americanos ganham, em média, um terço do que os residentes brancos. Eles se formam no ensino médio a taxas muito mais baixas, são mais propensos a estarem desempregados e tendem a integrar famílias com rendas significativamente menores do que as dos moradores brancos.​ Essas disparidades, resultado de gerações de políticas públicas discriminatórias, são um dos elementos que alimentam a revolta após a morte de Floyd. “Muitas pessoas brancas dizem que não são racistas porque têm amigos negros”, disse Cynthia Montana, “mas eles voltam para seus bairros brancos com seus amigos brancos. É por isso que eles não entendem e ficam surpresos quando isso acontece.” Montana, 57, andava de bicicleta nesta quinta (28) perto de uma loja de departamentos vandalizada e saqueada durante os tumultos da noite anterior. Sobre os desafios de crescer como negra em Minneapolis, ela afirmou que a discriminação começa na escola. Segundo Montana, quando crianças brancas causam problemas, a justificativa é que elas podem estar em um dia ruim, enquanto estudantes negros são automaticamente vistos como indisciplinados. “É como se houvesse camadas e camadas e camadas de pólvora se acumulando há muito tempo”, disse. “E quando você se torna adulto, isso tudo se transforma em dinamite.”

Ah, e Trump rompeu com a OMS, o Xi e o cara aí debaixo agradecem imensamente:

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>>>> Jornalismo independete que eles falam, né? “O presidente Jair Bolsonaro recebeu no Palácio da Alvorada, no último sábado, um grupo de youtubers aliados, que tem entre seus membros uma investigada por propagar fake news. Na conversa com Bolsonaro feita quando o Brasil já tinha passado de 20 mil mortos pela Covid-19, a youtuber começou com a seguinte indagação: “qual o dia mais feliz da sua vida?”. Bolsonaro respondeu que foi o dia que ele nasceu. A youtuber seguiu então com perguntas como “qual foi o dia mais triste”, “o que te faz acordar todos os dias para mais um dia” e “qual a situação mais difícil que enfrentou antes de se tornar presidente”. Uma das participantes do encontro com o presidente, a mineira Bárbara Zambaldi Destefani, de 33 anos, entrou na mira do inquérito do ministro Alexandre de Moraes que apura a existência de uma suposta rede bolsonarista de fake news. Na conversa com Bolsonaro feita quando o Brasil já tinha passado de 20 mil mortos pela Covid-19, a youtuber começou com a seguinte indagação: “qual o dia mais feliz da sua vida?”. Bolsonaro respondeu que foi o dia que ele nasceu. A youtuber seguiu então com perguntas como “qual foi o dia mais triste”, “o que te faz acordar todos os dias para mais um dia” e “qual a situação mais difícil que enfrentou antes de se tornar presidente”.” [O Globo] Bolsonaro deve ter ficado putíssimo…

>>>> Old man yells at clouds: “O general Augusto Heleno deu ontem sua solução particular para que a imprensa volte a “ter tranquilidade de trabalhar” nas saídas de Jair Bolsonaro do Palácio da Alvorada. Sugeriu Heleno: — Se alguém gritar, vocês têm que fingir que não ouviram. Quem disse isso foi o chefe do GSI, alguém que grita em compromissos públicos, se exalta costumeiramente no Twitter para responder às críticas ao governo e assina cartas à Nação em tom ameaçador. Augusto Heleno deu ontem essa conselho aos poucos jornalistas (basicamente, do SBT, CNN Brasil e Record) que ainda se aventuram a ir ao cercadinho do Alvorada. Mas preferiu não se comprometer de fato com a segurança da imprensa para trabalhar. Não justificou, por exemplo, por que as duas grades que separavam jornalistas e bolsonaristas foram retiradas na semana passada — restou somente e apenas uma grade e uma fita de contenção para a segurança.” [O Globo]

>>>> Se merecem: “Contrariando as recomendações da Saúde, Abraham Weintraub abraçou o blogueiro Allan dos Santos em gesto de solidariedade por ele ter sido alvo da PF.” [Estadão]

>>>> Que desgraça… “Basta começar a se interessar pelo mundo dos investimentos que passa a ser uma missão quase impossível abrir a caixa de email ou assistir um vídeo no YouTube sem aparecer alguém te oferecendo a oportunidade do século. Pode ser uma carteira de ações que rendeu um percentual astronômico, uma estratégia infalível para proteger os seus investimentos na crise ou um curso que vai deixar você com a mente dos milionários. A oferta mais perigosa é a de investimentos com um alto retorno garantido. Normalmente, apela-se para o que a turma do marketing chama de FOMO, sigla para Fear of Missing Out, que é o medo de perder uma oportunidade. E quem vai perder a chance de ganhar uma bolada? As propostas que parecem boas demais para ser verdade vêm de quem quer tirar uma casquinha do crescente mercado de investidores. Chegamos, agora, ao patamar de 2 milhões de “pessoas físicas” na bolsa, que têm, juntas, R$ 257 bilhões investidos. Ao fim de 2018, eram apenas 700 mil pessoas. Os novos investidores compram, em média, fatias pequenas. Em março, por exemplo, chegaram 223 mil novos investidores na B3, 30% fizeram seu primeiro investimento com menos de R$ 500. Todos esses novos nadadores no oceano dos investimentos atraem os tubarões.” [Folha]

>>>> Sara & Zambi: “A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e a militante Sara Winter, hoje unidas na tropa de choque bolsonarista, já chegaram a se desentender a ponto de ir aos tribunais: Zambelli processou Sara por calúnia, injúria e difamação porque, em 2019, a militante insinuou em um vídeo que a parlamentar fez um aborto intencional em 2012. DE Em janeiro deste ano, Sara se retratou e Zambelli desistiu da ação.” [Folha]

>>>> Desculpa, mundo! “Está dura a vida dos embaixadores brasileiros no exterior. Têm trabalhado muito… redigindo cartas aos grandes jornais mundo afora cumprindo a árdua missão de defender o governo Bolsonaro. Na semana passada, o embaixador em Paris, Luís Fernando Serra, publicou uma extensa carta o “Le Monde” contestando um editorial crítico ao modo como Jair Bolsonaro conduz o combate ao coronavírus. Ontem, Pompeu Andreucci Neto, embaixador em Madri, fez o mesmo: mandou uma carta ao “El País”, reagindo ao editorial “Brasil em perigo”. Andreucci acusa o jornal de “tratamento injusto e desequilibrado” em relação ao país e vai além — afirma que “a fixação do jornal pelo Brasil beira as raias da tara”. E pergunta, botando a população brasileira e o presidente da República no mesmo saco: — Até quando durará essa perseguição, essa guerra contra o meu país, sua gente e o seu presidente?” [O Globo]

>>>> Onze dias depois… “Damares Alves falou hoje ao telefone com os pais de João Pedro, Neilton e Rafaela Matos. O filho deles foi assassinado por um tiro de fuzil nas costas, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, no último dia 18. A ministra enviou o secretário Nacional da Criança e do Adolescente do Ministério de Direitos Humanos, Maurício Cunha, e a adjunta da Secretaria Nacional de Proteção Global, Maíra Miranda, para se encontrarem com os pais do menino. João Pedro tinha 14 anos. No imóvel em que ele foi morto, a perícia identificou 70 marcas de tiro.” [O Globo]

 

Dia 513 | “Acabooou, porraaa”, berrou o presidente com uma gravata repleta de fuzis | 28/05/20

Logo menos atualizo o podcast por aqui. E você ouve os episódios lá na Central3 [Central3] e nas demais plataformas.

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1. Não foi bom enquanto durou

Lá na Venezuela uns mercenários toscos foram dar um golpe e tuitaram fotos do treinamento e da saída para a operação. Se foderam, estão presos. Já no Brasil os toscos estão no poder e estão anunciando loucamente que vão dar um golpe e nada acontece.

Comecemos pelo mais verme dos vermes, que mais uma vez sugeriu a prisão do Celso de Mello:

“O criminoso não é o Weintraub, não é o Salles, nao é nenhum de nós. A reponsabildiade de tornar público aquilo é quem suspendeu o sigilo de uma sessão cujo video foi chancelado como secreto. Levantou o sigilo secreto de uma sessão. A responsabilidade do que tornou-se público não é de nenhum ministro [do governo], é do ministro Celso de Mello. Ele é o responsável. Eu peço, pelo amor de Deus, não prossigam esse tipo de inquérito, a não ser que seja pela Lei do Abuso de Autoridade, que tá bem claro, que quem divulga vídeos e imagens ou áudios do que não interessa ao inquérito. Tá lá 1 a 4 anos de detenção” [G1]

Ele transferir a responsabilidade das espantosas declarações dos seus ministros não faz qualquer sentido, já que a privacidade de ninguém ali foi violada, ainda bem que não vazou nude de nenhum desses crápulas. E é por demais simbólico que o Abraham tenha falado em prender os “vagabundos do STF” e seu chefe sugira, pela segunda vez, a prisão do decano do STF

E Bolsonaro acusou o golpe, ele falou pra caralho sobre a operação. Mais de 20 mil pessoas mortas, mais de mil mortes por dia e ele se indigna mesmo é quando uns dementes bolsonaristas são visitados pela PF. Quando foi com Whitney a PF estava de parabéns, quando é com seus aliados “ordens absurdas não se cumprem

“Nunca tive a intenção de controlar a Polícia Federal, pelo menos isso serviu para mostrar ontem. Mas obviamente, ordens absurdas não se cumprem. E nós temos que botar um limite nessas questões. Não foi justo o que aconteceu no dia de ontem”

Disse o presidente que vive de dar ordens absurdas. Rastreamento de armas e munição, por exemplo, uma ordem absurda, contrariando o próprio exército brasileiro, e que ainda assim os generais baixaram a cabeça e fizeram as vontades do soberano.

“Trabalhamos ontem quase que o dia todo voltando para uma causa. Com dor no coração, ouvindo reclamos daqueles que tiveram sua propriedade privada violada, que não são bandidos, não são marginais, não são traficantes. Muito pelo contrário. Mais um dia triste na nossa história. Mas o povo tenha certeza, foi o último dia triste. Repito, não teremos outro dia igual ontem. Chega. Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro o juramento que fiz quando assumi a presidência da República. Acabou, porra. Me desculpe o desabafo. Acabou.”

Ele gritou “Acabou, porra” enquanto ostentava uma gravata repleta de fuzis! Está tudo normal.

“Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas, tomando de forma quase que pessoal certas ações.  Inventaram o nome gabinete do ódio, alguns acreditaram e outros foram além, abrir processo no tocante a isso. Não pode um processo começar em cima de um factoide.”

Disse o presidente-factóide.

“Ver cidadãos de bem terem seus lares invadidos, por exercerem seu direito à liberdade de expressão, é um sinal que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia Estamos trabalhando para que se faça valer o direito à livre expressão em nosso país. Nenhuma violação desse princípio deve ser aceita passivamente” [Folha]

Quando é a polícia metendo pé na porta de barraco em favela Bolsonaro enm estava aí

“Estou à disposição para conversar hoje com o senhor Fux, que responde interinamente pelo Supremo, Davi Alcolumbre no Senado, Rodrigo Maia na Câmara. O que eu mais quero é paz. Tenho certeza que essas autoridades também querem isso daí.”

Isso daí, viado! Bolsonaro quer paz para “passar a boiada” e armar a população, tá ok?!

“Segundo o presidente, “a historinha de querer criminalizar o ódio” é uma forma de censurar as mídias sociais, que o elegeram. Ele citou ainda é que “não existe pessoa mais humilhada” que ele nas redes sociais e nem por isso “levantou uma só palavra no sentido de controlar quem quer que seja”. “Respeitamos os demais Poderes, mas não abrimos mão de que nos respeitem também.” [Estadão]

Respeita demais, até participa de manifestação pelo fechamento do STF e Congresso e posta vídeo de hienas como se essas fossem os demais poderes. Puro respeito.

Bem, esse foi o show do pai, vamos ao show do Eduardo Boslonaro:

“Essa postura, eu até entendo quem tem uma postura mais moderada, vamos dizer, para não tentar chegar ao momento de ruptura, um momento de cisão ainda maior, um conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos. Mas falando bem abertamente, opinião do Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de ‘se’, mas de ‘quando’ isso vai ocorrer” [G1]

O sujeito que disse bastar “um cabo e um soldado” para fechar o STF tá fazendo contagem regressiva para a ruptura. E eu acho fantástico como um sujeito que é senador e filho do presidente sublinha ser uma opinião pessoal. ufa, tudo bem!

“Quem que é o ditador nessa história? Vale lembrar que, antes do Bolsonaro assumir, falavam que ocorreriam tempos sombrios, perseguição a negros, a pobres, a gays, às mulheres, etc. Pergunta que eu faço: quantas imprensas fecharam no Brasil devido a ordem do presidente? Zero. Quantos presos políticos existem no Brasil? Zero. E a gente está vendo aqui uma iniciativa atrás da outra para esgarçar essa relação. E, depois, não se enganem: quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessária uma medida enérgica, ele é que será taxado como ditador”

É o mesmo papo do Heleno. Se algo acontecer, não será por vontade do pessoal do palácio, mas apenas e tão somente uma reação. No fundo, o golpe será culpa do outro lado, entendeu?

“Os ministros Alexandre de Moraes e o Celso de Mello conseguiram a proeza de fazer com que a manifestação, que até então ocorreu em seis fins de semana consecutivos em Brasília, e o pessoal vai lá na frente do Palácio do Planalto saudar o presidente da República, agora o pessoal vai se voltar para o outro lado da praça [dos Três Poderes] para voltar as suas críticas ao STF”

Caralho, o 02 deu o salve:

“Essa Patrícia Campos Mello, vale lembrar, tentou seduzir o Hans River. Não venha me dizer que é só homem que assedia mulher não. Mulher assedia homem, tá? Tentando fazer insinuação sexual para obter uma vantagem de entrar na casa de Hans River e obter o laptop dele. E tentar ali achar alguma coisa contra Jair Bolsonaro que não achou.”

Não adianta as mensagens desmentirem essa acusação, pra eles o que importa é ruído, quanto mais ruído mas difícil das pessoas entenderem o que está se passando e quem ganha com isso são os escrotos, o que eu admiro demais são os bolsonaristas deitando e rolando em uma tática de desinformação usada há décadas pela Rússia!

Olha essee diálogo entre Eduardo e Bia Kicis, começando pelo 02:

– Falaram que conduziriam os generais ministros debaixo de vara. Qual foi a agressão que os generais fizeram ao STF? Bem, até agora não está adiantando nada uma postura, vamos dizer assim, democrática, vamos ser eufemista
– colaborativa”
– Colaborativa, obrigado, Bia.

Bia Kicis não gostou do uso da palavra “democrática“, viado!

Reação do Eduardo e dos generais quando Lula foi levado a depor debaixo de vara, sem nunca ter sido convocado a depor:

No cu dos outros é refresco.

“Não se engane, as pessoas discutem isso. Essas reuniões que o Allan está falando, entre altas autoridades, até a própria reunião dentro de setores políticos, eu, Bia, etc. A gente discute esse tipo de coisa, porque a gente estuda história, a gente sabe que a história vai apenas se repetindo. Não foi de uma hora para outra que chegou a ditadura na Venezuela”

A gente estuda história“, disse o sujeito que não sabia quem era Kissinger até dia desses, mesmo tendo estudado pra ser embaixador em Washington. E onde já se viu políticos se reunirem, né?

“A gente não pode permitir que isso aconteça. A gente tem que diagnosticar o problema, deixar a sociedade ciente do problemas e depois tomar algumas atitudes, porque é inadimissível isso que o ministro Alexandre de Moraes e Celso de Mello tão fazendo com a democracia brasileira”

Disse o sujeito que falou em fechar o STF com “um cabo e um soldado“, o mais democrata das democratas. É tipo os Nardoni lutando pelos direitos das crianças.

Vamos ao mais senil e diminuto dos generais, e os leitores mais atentos estão se perguntando “ué, Heleno é da famiglia Bolsonaro?“. Sim, ele é mais Bolsonaro que o Tonho da Lua, que vive esculhambando os generais. Esse é o tanto que ele é lamentável. E hoje o general foi à portaria do Palácio e tentou explicar sua mais recente ameaça de golpe em papel timbrado do GSI:

Eu não citei o nome do ministro Celso de Mello, não citei o nome do procurador-geral. Fiz uma nota simplesmente genérica e houve uma distorção.”

Talvez pela nota ter sido genérica, seu escroto do caralho?!

“Teve gente que colocou o nome do ministro Celso de Mello, como se eu tivesse dirigindo a nota a ele. Não dirigi a nota a ninguém. Uma nota completamente neutra, colocando o problema em si, sem citar nomes. Não falei em Forças Armadas, não falei em intervenção militar.”

Falou em situações imprevisíveis, que em latim significa GOLPE, porra! E talvez não tenha sido uma boa idéia chamar aquele freakshow do impeachment liderado pelo Cunha de golpe. Golpe, golpe mesmo é o que estamos testemunhando agora, o imepachment foi realpolitik, que o PT esfregou na cara da esquerda que ousava lhe criticar. Lula no começo do impeachment disse algo como “se a gente não tiver 172 votos melhor ir pra casa mesmo“, realpolitik que chama – não acho essas aspas nem fodendo mas que ele falou ele falou. Sabe a máxima do cara que toda hora finge afogamento e uma hora morre afogado? Até o Aécio era chamado de fascista, vai explicar agora que Bolsonaro de fato é fascista…

Mas voltando ao senil e diminuto general:

“Teve gente que disse que aquilo ali era um preâmbulo da intervenção militar. Virou moda. Isso é um absurdo, ninguém está pensando nisso, ninguém conversa sobre isso…Manifestações absolutamente irresponsáveis. Podem falar o que quiser, podem prever um regime soviético no Brasil. Não tem nada a ver. A manifestação é livre, espontânea, permitida.”

Disse o subordinado do presidente que deixou Datena estupefato ao falar “Quem quer dar um golpe jamais vai falar que vai dar

A reação do datena nessa hora:

E se você não ouviu o episódio do podcast desse dia eu recomendo fortemente, dia 453. Taí o link [Central3]. E se você não leu o post, taí um dos grandes dias dessa bad trip escrota [Medo e Delírio]

Voltando ao maldito general:

“Tem que ver os dois lados. Vamos manter o equilíbrio entre os Poderes, limitar as atribuições dos respectivos Poderes, é isso que está se pleiteando. No momento que há uma manifestação, não sei de quem, de uma possibilidade de ser apreendido o celular do presidente da República, se nós ficarmos calados, eu principalmente, que sou o responsável pela segurança institucional, parece que eu estou concordando, e sou absolutamente contra isso. Não pode nem ser ventilado.”

Onde tá escrito que isso nem pode ser ventilado?!

“”Ah, mas o presidente é um cidadão comum”. Sim, o presidente é um cidadão comum, tanto é que vários já tomaram impeachment. Mas qual a razão de apreender o celular do presidente Bolsonaro? Dê uma razão plausível disso aí?

Duas palavrinhas, Sérgio Moro, o herói dos bolsonaristas até uns dias atrás, o sujeito que colocou o Lula na cadeia, general! Aquele mesmo Moro que pegou o depoiemnto do Lula debaixo de vara, certamente você estava festejando com sue pijama lamentável em casa.

“É preciso que as coisas sejam, para os dois lados, seja buscado o equilíbrio, o bom senso, a harmonia, o respeito.”

Sim, esse governo busca o “equilíbrio, o bom senso, a harmonia e o respeito“. Tomar no meio do seu cu, general!

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2. Não foi bom enquanto durou, parte 2

“O Palácio do Planalto não esconde de ninguém que quer o arquivamento, o mais rápido possível, do inquérito das fake news. Desde o início da investigação, o clã Bolsonaro e seus ministros mais próximos se preocupam com o possível desdobramento no Congresso das apurações comandadas pelo ministro Alexandre de Moraes.” [G1]

Onde fica o Gabinete do ódio? No palácio do planalto, e nem me refiro ao gabinete presidencial. É uma trinca que trabalha, veja você a coincidência, no gabinete do Tonho da Lua na Alerj. E sabe o Douglas Garcia, que recebeu visita da PF ontem? Trabalhava no gabinete do Eduardo e se elegeu, sabe como é, mais estrutura pra desinformar mais.

“Nesta quarta, Bolsonaro reuniu sua equipe de ministros para definir uma estratégia de reação ao STF. No encontro, segundo auxiliares presentes, ele avaliou como absurda e desnecessária a investigação contra aliados do seu governo, considerou que se trata de uma retaliação e reforçou que o Poder Executivo não pode aceitar calado.”

Aí ele foi lá e mandou um “cala a boca, porra!

“A primeira medida que ficou definida é que a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressará com pedido de habeas corpus para que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não preste depoimento ao STF. Ele foi intimado no mesmo inquérito que apura o disparo de fake news por aliados do presidente. A ideia seria ingressar com o habeas corpus para impedir a prisão ou outra medida cautelar contra o ministro no caso de ele se recusar a cumprir a determinação do STF de prestar depoimento.” [Folha]

O mais louco é que a AGU não entrou com o HC, quem fez isso foi… o ministro da Justiça, viado!

“O ministro da Justiça, André Mendonça, informou na noite desta quarta-feira que entrou com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) em nome do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e dos demais envolvidos no Inquérito 4781, que apura fake news.” [O Globo]

Caralho, não há precedentes, viado, nem no governo militar tinha uma porra dessa, até porque o STF prestava continência – beijo, Toffoli!

Veja com seus próprios olhos

“Mendonça fez críticas à operação contra aliados do presidente Jair Bolsonaro e, em defesa da ação da Polícia Federal, disse que a instituição apenas cumpriu ordem judicial. Em um recado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal que investiga ataques à Corte e uma rede de disseminação de fake news, Mendonça afirmou que “intimidar ou tentar cercear” direitos “é um atentado à própria democracia”.”

Algumas respostas à altura para o STF: limpar a bunda com a decisão, acender um baseado com a decisão em chamas ou enfiar o HC na bunda do ministro da Justiça. É tão inacreditável que é difícil dar conta, e o mais louco é que na fatídica reunião alguns ministros pediram ao Moro coisas que não eram de sua alçada, aí o “minstro terrivelmente evangélico” lançou a braba: HC pra ministro do governo, puta que pariu, isso aí deve ser das decisões mais absurdas desse governo, ams eu to muito desconcertado pra decidir se é primeiro lugar ou não.

Ah, e eu fico imaginando o Abraham depondo e só consigo lembrar duma matéria listando os absurdos ditos pelo Trump em depoimentos, é fascinante. Trump , do jeito dele, praticamente gritava pelas algemas. O título é “I’ve Watched Trump Testify Under Oath. It Isn’t Pretty“, pra quem lê em inglês taí o link, pra quem não tiver também, só pedir pra traduzir a página [Bloomberg]

Mas voltemos aos bastidores do governo:

“Na reunião, também foram discutidas outras iniciativas de resistência, mas ainda nao se chegou a uma definição. Entre elas, a sugestão para que o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, não acate nenhum pedido de diligências no âmbito de um pedido de impeachment contra o ministro que foi apresentado ao tribunal e é relatado por Celso de Mello.”

É surreal como justamente um general, todo trabalhado na ordem, afronta dessa maneira o STF.

“O núcleo ideologico defendeu ainda que o presidente insista mais uma vez na nomeação do delegado Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal.”

“O ministro do STF Alexandre de Moraes suspendeu a posse do amigo do presidente no mês passado. Com exceção do pedido de habeas corpus​, as demais propostas não foram unânimes na reunião, o que levou o presidente a rediscuti-las com o núcleo jurídico do governo.abeas corpus andré abraham

E quem tem cu tem medo, muito medo:

“Nesta quarta-feira (27), um detalhe crucial da decisão de Alexandre de Moraes alarmou ainda mais governistas: o pedido de quebra de sigilo de empresários apoiadores de Bolsonaro abrange o segundo semestre de 2018, período em que ocorreram as eleições que levaram o presidente ao Planalto. O motivo da preocupação: que eventuais apurações que remetam às eleições 2018 sejam usadas em ações que pedem a cassação do mandato de Bolsonaro e de Mourão e que estão pendentes no Tribunal Superior Eleitoral. Fontes do TSE ouvidas nesta quarta-feira pelo blog admitem que as provas das AIJE (ações de investigações judicial eleitoral) são, até aqui, fracas. Duas das oito ações que pedem a cassação da chapa presidencial devem entrar na pauta do TSE no dia 9 de junho e podem seguir arquivadas ou pode haver pedido para reabrir coleta de provas.”

Bem, tem duas provas fraquíssimas, repare:

“É Bolsonaro no primeiro turno, pra nós não ter que gastar mais dinheiro, pra não ficar todo mundo gastando pro segundo turno”

E nenhuma dessas duas mulas consta como doadora da campanha presidencial.

Entra em cena o Edgar Corona, o gênio que é dono da Smartfit:

“O empresário Edgard Corona, dono da rede de academias Bio Ritmo e SmartFit e investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito das fake news, entrou na mira de autoridades de Brasília em fevereiro. Naquele mês, ele enviou vídeos com ataques ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em um grupo de WhatsApp que reunia empresários. E sugeriu que eles impulsionassem as mensagens.” [Folha]

“O material chegou à cúpula do Congresso e também ao STF. Corona disse na ocasião que se referia à necessidade de o grupo reforçar o marketing para divulgar a posição empresarial em relação à reforma tributária.”

“Sabe esta operação que investiga o esquema de fake news em endereços, entre os quais, os notórios Luciano Hang e Roberto Jefferson? Uma das pontas da investigação aponta uma caixinha de R$ 2 milhões mensais para distribuir entre estes blogs subversivos de extrema direita.” [O Globo]

Só isso aí já dá mais que todo o dinheiro gasto oficialmente pela campanha, Bolsonaro fala que gastou menos de 2 milhões.

Maia falou sobre as ameaças da famiglia:

“A decisão do próprio ministro Alexandre (de Moraes) de ouvir Weintraub precisa ser respeitada. A gente não pode ir contra uma decisão do Judiciário porque foi contra um aliado nosso. Precisam ser respeitadas. O governo tem o direito de criticar, (mas) o tom é ruim, o tom é excessivo. (A fala) é muito ruim, é muito grave. Se algum partido entender que há um crime na frase dele, pode representar no Conselho de Ética O Supremo vai continuar tendo o apoio do Legislativo para tomar suas decisões de forma independente. Frases como essa apenas criam um ambiente de maior radicalismo entre as instituições, e isso é ruim.” [O Globo]

Não versa sobre o inquérito do STF mas achei que fecharia bem esse tópico:

“O empresário Paulo Marinho apareceu na Polícia Federal para depor com a frase bíblica favorita do presidente estampada num envelope: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Quem conhece Marinho explica o gesto: trata-se de um jogo de sinais na linha “eu sei o que você fez no verão passado”. Bolsonaro, na semana passada, deu uma coletiva usando um casaco que o empresário deu de presente a ele.” [Estadão]

VAI, MARINHOOO!

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3. Aras, o leal

“A operação deflagrada pelo Supremo nesta quarta (27) teria sido mais dura se tivesse seguido o plano original. O pedido do gabinete de Alexandre de Moraes, do STF, incluía busca e apreensão contra parlamentares bolsonaristas. O procurador-geral, Augusto Aras, foi contrário às diligências e o ministro recuou, substituindo-as por intimações dos deputados estaduais e federais para prestarem depoimento. ” [Folha]

E olha o naipe da atuação do Aras:

“O PGR também se opôs aos 29 mandados cumpridos, mas foi ignorado por Moraes.”

“Uma das únicas medidas defendidas por Aras em sua manifestação foi de intimar investigados, entre eles o ex-deputado Roberto Jefferson, como mostrou a Folha. Comedido Entre colegas, Moraes usou o recuo das buscas contra parlamentares para defender que tem sido equilibrado em suas ações. Nas horas seguintes à operação, auxiliares do presidente já pensavam em medidas para reagir. O governo vê abuso na condução do inquérito. Uma das ideias pensadas desde cedo era a de ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) para contestar a legalidade da investigação. Aras pediu suspensão da apuração no STF.”

Fachin já encaminho pra análise do plenário, gostei dessa agilidade:

“O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (28) encaminhar para análise do plenário da Corte o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para suspender investigações do inquérito das fake news. O ministro também reiterou a indicação de preferência de julgamento da ação à Presidência do STF, a quem caberá pautar a análise” [G1]

Sobre o recuo do Aras:

“O pedido extemporâneo do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para que seja suspenso o inquérito sobre fake news aberto há um ano no Supremo Tribunal Federal (STF) só tem explicação no clima de tensão que dominou o Palácio do Planalto com a operação de ontem da Polícia Federal contra apoiadores do presidente Bolsonaro. Sendo assim, o Procurador-Geral coloca o Ministério Público à mercê da disputa política que ora se desenvolve no país, prejudicando sua credibilidade. Suas idas e vindas sobre o tema, apontadas pelo partido político Rede, demonstram que ele se deixou levar pelas incertezas da política, sem emitir pareceres técnicos. De olho grande na vaga do STF que abrirá em novembro, dizem seus críticos. A cronologia dos fatos é impressionante. Quando assumiu o cargo, Aras discordou de sua antecessora, Raquel Dodge, que, em abril do ano passado, declarou-se contrária à abertura do inquérito sem a presença do Ministério Público, e deferiu a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impetrada pelo Rede no sentido de suspendê-lo. O novo Procurador-Geral, em outubro, manifestou-se pela validade do inquérito, e classificou de imprestável a ADPF. Ontem, seis meses depois, o mesmo Aras mudou de ideia e pediu a suspensão do inquérito baseado na mesma ação do Rede.” [O Globo]

E tá rolando rebelião na PGR, procuradores se recusaram a escrever essa peça enviada so Supremo, tá na matéria da Piauí mas vou deixar pra amanhã, chegou aos 45 do segundo tempo.

Aras tentou explicar o recuo:

“Não houve mudança do posicionamento anteriormente adotado no inquérito, mas, sim, medida processual para a preservação da licitude da prova a ser produzida, a fim de, posteriormente, vir ou não a ser utilizada em caso de denúncia. A simples leitura das manifestações do PGR, que são públicas na ADPF 572, demonstra coerência e confirma que jamais houve mudança de posicionamento” [G1]

Ah, e Aras também se colocou contra a apreensão do telefone do presidente:

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou contra a apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro, do seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, do ex-diretor da Polícia Federal (PF) Maurício Valeixo e da deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Aras disse que as “diligências necessárias” serão avaliadas por ele no curso da investigação aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar as acusações de Moro de que Bolsonaro quis interferir no trabalho da PF. O pedido de apreensão foi feito por três partidos de oposição: PDF, PSB e PV. O relator, ministro Celso de Mello, pediu a opinião da PGR, que é a responsável por conduzir processos criminais, antes de tomar uma decisão. Aras argumentou que não cabe a terceiros pedir “medidas apuratórias” reservadas à PGR.” [O Globo]

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4. O senil e diminuto general agradece

“A ameaça feita pelo general Augusto Heleno (GSI) às instituições na última sexta (22) gerou atrito entre políticos de centro e do centrão. Os líderes das legendas não conseguiram chegar a um acordo sobre o formato de resposta ao ministro, apesar de concordarem que havia necessidade de uma ação por parte do Congresso. Os deputados Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e Marcos Pereira (Republicanos-SP) prepararam uma nota em apoio ao discurso de Rodrigo Maia (DEM-RJ), a ser assinada por todos os partidos. Mas o conteúdo desagradou parte do grupo, e a empreitada foi cancelada.” [Folha]

Parabéns aos envolvidos.

“A ênfase da nota estava na necessidade de garantir a “harmonia entre poderes”, o que foi interpretado por alguns como uma defesa da governabilidade. Já MDB, PSDB e DEM queriam uma defesa da democracia. O PL ficou contra qualquer tipo de nota em apoio ao discurso do presidente da Câmara e foi seguido pelo PP.”

Bem, sobre o apoio do PP e do PL o Bolsonaro pode ficar tranquilo.

“Na avaliação da oposição, o discurso de Rodrigo Maia saiu tímido diante dos ataques do governo de Jair Bolsonaro. Em uma referência direta a Heleno, Maia afirmou que o Legislativo “respeita e cumpre as decisões judiciais, mesmo quando delas discorda”. Mas outro trecho, em que disse ver como natural o esforço do governo em formar uma base, foi criticado na esquerda por parecer um sinal de concessão ao centrão, que negocia cargos e emendas em troca de apoio a Bolsonaro. “Ao invés de ser criticado, esse esforço deve ser respeitado. O sistema democrático exige a convivência republicana entre Executivo e Legislativo”, disse Maia. Foi a primeira manifestação do presidente da Câmara após a nota de Heleno e a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.”

A nota do Maia é como se alguém tivesse tomado uma cabeçada no nariz e retrucasse com um singelo “boboca“.

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5. O pária global

Vou fazer uma aposta arriscadíssima aqui: se esses imbecis derem o golpe nem o EUA do Trump estenderá o tapete aos milicos como eles imaginam. Um PÁRIA GLOBAL não dá um golpe impunemente, nem fodendo (é preciso algum otimismo)

E iso me leva ao texto do Guga Chacra:

“Cerca de 15 anos atrás, um amigo iraniano radicado nos Estados Unidos que estudou comigo na Universidade Columbia me disse sentir inveja, no bom sentido, de eu ser brasileiro. Afirmou algo como “quando você fala que é do Brasil, os olhos das pessoas brilham. Todos adoram o Brasil no mundo. Quando digo que sou iraniano, a imagem na cabeça da maioria das pessoas é ruim”.” [O Globo]

O Guga conta como a imagem negativa dos iranianos se construiu nos EUA e…

 “Ser brasileiro no exterior parecia ser o inverso de ser iraniano, como notou meu amigo. Apesar de todos os enormes problemas do país, o Brasil era enxergado positivamente, desfrutando de uma espécie de soft power sem se esforçar. Esta imagem um pouco estereotipada se devia ao futebol e à música, que sempre encantaram o planeta — Pelé, Tom Jobim, Ipanema e mesmo o piloto Ayrton Senna. O Brasil foi por décadas sinônimo de alegria. Nossa política externa seguia uma visão multilateralista em órgãos internacionais. Éramos vistos como um dos líderes na defesa do meio ambiente. Sem dúvida, houve críticas à postura brasileira na aproximação com alguns regimes. Mas nada muito diferente dos EUA ou da França, que também sempre tiveram boas relações com algumas ditaduras.”

Alguém falou em Arábia Saudita?! Vai procurar aí um bolsonarista condenando o príncipe esquartejador de jornalista, é a aspiração desses dementes.

“A imprensa internacional publicava matérias positivas e negativas do país. Casos de corrupção receberam destaque, assim como o impeachment de Dilma Rousseff. O mesmo vale para a recessão econômica — lembrando que corrupção e crises na economia não eram algo único ao Brasil, embora mais intenso do que em muitas outras nações. Ainda assim, a imagem brasileira seguia normal e relativamente positiva. Não éramos uma nação pária.”

Opa, fiz essa imagem em Agosto e cai bem demais aqui:

paria

“A chegada de Jair Bolsonaro ao poder foi uma transformação. Houve, sim, inicialmente e mesmo ao longo de parte do ano passado, reportagens positivas sobre o desempenho econômico. Alguns líderes internacionais, como Benjamin Netanyahu e Narendra Modi, até desenvolveram uma boa relação com o líder brasileiro. A imagem do presidente, porém, começava a se desgastar devido ao desmatamento e às queimadas na Amazônia. Seu comportamento agressivo e suas falas recheadas de insultos agravaram ainda mais o cenário. Sua postura negacionista e anticiência no combate à Covid-19 foi o golpe final para os brasileiros passarem a ser associados a algo negativo. Infelizmente, ninguém nos inveja mais. Os olhos deixam de brilhar quando dizemos que somos do Brasil. Triste.”

E aqui eu volto ao racícnio arriscado lá de cima. Uma coisa é os americanos apoiarem um golpe contra terríveis esquerdistas, perigosos comunistas e bla bla bla. Outra coisa é apoiar um auto-golpe ldiderado pelo presidente que é motivo de cahcota e espanto em todos os cantos do globo.

E sim, o raciocínio não faz o menor sentido, em especial com o Trump lá, fosse o Obama nem fodendo que os americanos apoiariam,mas não sei porque resolvi de forma imprudente cravar isso.

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6. Tá pra nascer alguém mais burro que a Whitney 

Todos os seus antecessores viram o sol nascer quadrado e…

“Na operação que mirou Wilson Witzel (PSC), na terça (26), a Polícia Federal não encontrou nenhum documento físico que pudesse comprovar os supostos trabalhos que teriam sido realizados pela primeira-dama do Rio, Helena Witzel, para uma empresa investigada na Lava Jato, com quem tem um contrato de R$ 540 mil. No dia da busca e apreensão, Helena disse em nota que “a diligência nada encontrou que pudesse comprovar alegações”. Para investigadores, o objetivo da busca era justamente mostrar que nenhum serviço havia sido prestado.” [Folha]

Porra, pelo menos o filho do Lula foi na Wikipedia, deu uns ctrl C e ctrl V e criou um documento ridículo pra justificar os milhões que ele recebeu duma pra promover futebol americano. Porra, Whitney, sérião que você nem pensou em forjar umas provas que o trabalho foi feito?! O sujeito era juiz, todos os ex-governadores foram em cana, é duma ingenuidade sem precedentes, tá de parabéns.

E eu tô admirado desde ontem com, digamos assim, o excesso de zêlo da Whitney

“Como mostrou o Painel, o contrato e uma mudança de regime de casamento do casal são considerados os pontos de ligação entre o governador Wilson Witzel e o esquema criminoso.”

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7. Covid-17

O quão criminosa é a retórica presidencial

“A decisão de Prefeitura e governo do Estado de incluir a capital paulista na lista de municípios que poderiam começar a retomada comercial a partir de segunda-feira se deu por pressão da gestão Bruno Covas (PSDB), uma vez que as subprefeituras da capital vinham relatando dificuldade de manter as restrições vigentes até aqui. O diagnóstico da equipe foi de que a restrição ao comércio não se sustentaria por mais uma semana, e que algo precisaria ser feito: ou um endurecimento das medidas, com apoio do Estado (lockdown), ou um processo de abertura controlado. A palavra “desobediência civil” passou a circular no WhatsApp dos gestores, ao falarem da manutenção da quarentena atual.” [Estadão]

“O Estado anunciou nesta quarta-feira, 27, um plano de reabertura para cada região, com cinco fases e diferentes regras para cada setor econômico. A Grande São Paulo vai manter as restrições atuais – de manter só serviços essenciais, indústria e construção civil -, mas a capital ficou em um nível menos rígido, que permite reabrir shoppings e lojas de rua.”

Shopping, viado! Os caras querem reabrir shopping, e o pior é que vai ter demente indo ao shopping e não me refiro aos trabalhadores do local.

“Os técnicos da Prefeitura notaram dificuldade em adotar as medidas que haviam determinado anteriormente para tentar aumentar o isolamento social: o bloqueio de vias durou dois dias, gerando muitas críticas, e o mega rodízio de carros vingou por uma semana, também sob onda de desaprovação popular. Além disso, ambas as propostas não trouxeram o resultado esperado, em termos de isolamento.”

Pelo menos o Covas tentou, isso ninguém pode negar.

“As medidas haviam sido elaboradas porque a gestão Covas não chegou a um entendimento com o governo João Doria (PSDB) para a adotar o lockdown. O corpo médico que aconselha Doria vê essa medida como uma ação de último caso, a ser adotada na iminência do colapso, o que não era o caso. Portanto, o governo não cedeu aos apelos da Prefeitura — que precisaria da Polícia Militar para implementar a medida. Os caso de contaminação pela covid-19 ainda estão em alta na cidade, em uma média diária superior a 3%. Nos últimos sete dias, o registro de mortes teve aumento de 18,2% na cidade. Mas os técnicos já avaliam ser possível evitar o colapso do sistema de saúde. A taxa de ocupação das UTIs é de 92%, mas a Prefeitura conta com a possibilidade de recorrer a leitos privados se for necessário. Por isso, os médicos da Prefeitura passaram a assegurar a Covas de que ele poderia bater o pé por uma inclusão da cidade em um processo de abertura controlado. A aposta da equipe municipal é que, com a adesão dos comerciantes ao plano, a abertura continua a ser gradual e a redução dos índices de isolamento social não irá comprometer o sistema de saúde. Desta vez, entretanto, o governo do Estado concordou. Pela proposta original feita pelo grupo de Doria, a capital permaneceria no grupo de municípios da área vermelha. Covas, agora, irá recolher assinaturas de representantes do comércio para conseguir apoio a sua proposta sem que seja preciso, mais para frente, ter de recuar e voltar a impor restrições.”

Lembrando que a taxa de retransmissão do vídeo está em 1,1 fora a brutal sub-notificação. A chance de dar certo é nenhuma.

E que desgraça a matéria abaixo, puta que pariu…

“O relatório de auditoria do Programa de Visita às Escolas, feito pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo, mostra que as condições de higiene das escolas municipais são preocupantes, ainda mais tendo em vista o retorno às aulas em 2020, durante a pandemia do novo coronavírus. As visitas feitas pelos auditores do TCM entre março e dezembro de 2019 mostraram que somente 25,6% das unidades escolares possuíam, nos banheiros dos alunos, sabonete líquido junto às pias, e apenas 30,2% delas tinham papel toalha. Além disso, em 25,6% das escolas os auditores não encontraram papel higiênico, e em 58,1% delas não havia assentos nos vasos sanitários. O ato de lavar as mãos é reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um dos principais instrumentos no combate a epidemias, e sua importância tem sido reforçada na crise do novo coronavírus. O estudo do TCM foi realizado por meio de visitas técnicas em 46 escolas de todas as 13 Diretorias Regionais de Educação do município.” [Folha]

Caralho, isso já seria absurdo sem pandemia, imagine nesse 2020 desgraçado.

As coisas por aqui vão tão bem que nem o Abdo, cujo pai era ligado ao Stroessner, vai abrir as fronteiras com o Brasil:

“​O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, disse a Jair Bolsonaro que o país não está pronto para reabrir as fronteiras com o Brasil. Os dois mandatários conversaram no final da semana passada, e Bolsonaro defendeu a Abdo, segundo interlocutores ouvidos pela Folha, a importância da normalização dos postos fronteiriços para a economia daquelas regiões. Diante do pleito do brasileiro, Abdo afirmou que o Paraguai não avalia no momento liberar a entrada de brasileiros em seu país pelas travessias terrestres. O Paraguai implementou uma das mais duras regras de quarentena e isolamento social no continente para enfrentar a Covid-19. Até o momento foram registrados no país vizinho apenas 877 casos e 11 mortes. Por outro lado, o Brasil soma mais de 411 mil casos e 25 mil óbitos. Os paraguaios temem que a retomada dos fluxos fronteiriços com o Brasil —que se converteu no epicentro da pandemia na América do Sul— gere uma sobrecarga dos hospitais do país.

O Paraguai possui um sistema hospitalar menos equipado do que o brasileiro e tem uma escassez de respiradores. Esses fatores pesaram na decisão de Abdo de descartar a reabertura da fronteira. Nesta terça-feira (26), ao chegar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro comentou a conversa com o colega. “Conversei com o Marito [Mario Abdo] do Paraguai. Estamos prontos também, da nossa parte, a abrir a fronteira. Ele acha que não é o caso ainda. Com o Marito temos um grande projeto, estamos fazendo duas pontes com eles”, disse o presidente, referindo-se a obras em Foz do Iguaçu (PR) e Porto Murtinho (MS). “Estamos dispostos a abrir [a fronteira], até porque é filosofia nossa. É uma realidade, estamos perdendo vidas, sim. Mas não tem de ter pânico, lamentar. [Vamos] fazer o possível para diminuir o número de óbitos.”” [Folha]

“Mas não tem deter pânico, lamentar”, que frase…

“Na segunda (25), Bolsonaro tratou das fronteiras do Brasil com o Uruguai em conversa telefônica com o presidente Luis Lacalle Pou. De acordo com auxiliares, o mandatário apresentou argumentos parecidos aos oferecidos a Abdo: de que o comércio e a livre circulação de residentes são importantes para a sobrevivência da população das cidades de fronteira. “Foi a questão de abertura da parte de fronteiras em especial. Da minha parte, eu estou pronto para abri-la”, disse Bolsonaro, na terça. O caso uruguaio, no entanto, é visto como menos problemático por Bolsonaro e seus assessores. A fronteira com o Uruguai é terrestre, e os dois países acertaram regras para permitir a circulação de pessoas que habitam as cidades conurbadas, como é o caso da uruguaia Rivera e da gaúcha Santana do Livramento. No entanto, Lacalle Pou não sinalizou a Bolsonaro nenhuma intenção de afrouxar as limitações de acesso. Pelo contrário, suspendeu o início de aulas e determinou um controle rígido de entrada e saída de Rivera, para evitar que casos do coronavírus importados do Brasil atinjam outras regiões do país.”

Belíssimo choque de realidade que Bolsonaro tá tomando, foda que não vai adiantar de porra nenhuma.

E vai muito bem a relação com a Argentina:

“O governo Bolsonaro também tem mantido contatos com outros países que compartilham divisas importantes com o Brasil. Segundo relataram interlocutores, o diálogo menos avançado no momento é com a Argentina, governada pelo peronista Alberto Fernández, desafeto de Bolsonaro. Recentemente, quando questionado sobre a diferença do número de mortes pelo coronavírus entre os dois países, Bolsonaro acusou a Argentina de ir “no caminho do socialismo”, o que contribuiu para esfriar ainda mais uma relação que já era conturbada. Nesse tema, as autoridades das duas maiores economias da América do Sul conversam apenas quando há necessidade de solucionar algum problema pontual das cidades fronteiriças, disseram à Folha integrantes da equipe de Bolsonaro.”

Enquanto isso, nos EUA do Trump:

“Os Estados Unidos superaram nesta quarta-feira (27) a marca dos 100.000 mortos por Covid-19, um número muito superior ao restante do mundo, segundo levantamentos feitos pela Universidade Johns Hopkins e pelo The New York Times. O país registrou sua primeira morte pela Covid-19 há cerca de três meses e tem no momento 100.276 mortos, segundo a Johns Hopkins. Desde então, 1.695.776 infecções foram registradas nos Estados Unidos, de acordo com a instituição, com sede em Baltimore. O estado de Nova York tem quase um terço das mortes no país (29.370), onde bandeiras foram hasteadas a meio mastro no fim de semana passado em homenagem às vítimas. Segundo as autoridades, a doença já tinha provocado mortes em meados de fevereiro, mas a causa real dos óbitos era desconhecida na época. O número de 50 mil vítimas foi superado há pouco mais de um mês, em 24 de abril. Na terça-feira, os Estados Unidos registraram pelo terceiro dia consecutivo menos de 700 mortes em 24 horas. Após boletins diários com mais de 2.000 falecidos entre o início de abril e maio, o país não excedeu esse limite por 20 dias, embora tenha continuado a registrar mais de 1.000 mortes por dia nas últimas três semanas. Apesar do grande número de vítimas, o país começou a levantar medidas de confinamento em todo o território sob o impulso do presidente Donald Trump, que está determinado a reativar a economia.” [Folha]

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8. Abraham

Como é burro, limitado, vil e cretino…

“No dia em que a Polícia Federal cumpre 29 mandados de busca e apreensão no inquérito das fake news, que apura ataques a integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, associou a operação ao nazismo.” [Folha]

É uma esquisita espécie de anti-semitismo a favor, não faz o menor sentido. E ele cospe nos judeus tanto quanto ele cospe nos chineses.

“Em publicações nas redes sociais, Weintraub escreveu que “hoje foi o dia da infâmia, VERGONHA NACIONAL, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira”, acima de uma foto da Alemanha nazista. “Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? SIEG HEIL!”, escreveu. A expressão em alemão significa “Salve vitória” e era muito usada durante o período nazista na Alemanha. Já a Noite dos Cristais foi um dos primeiros grandes episódios coordenados de violência nazista direcionada aos judeus, em 1938, considerado um precursor do Holocausto. Em outra publicação, também nesta quarta, Weintraub relata que cresceu escutando que familiares seus foram perseguidos pelo nazismo e que a polícia do regime entrava nas casas de inimigos do nazismo. “Nesse momento sombrio, digo apenas uma palavra aos irmãos que tiveram seus lares violados: LIBERDADE”.”

O Museu de Holocausto de Curitiba explicou o absurdo:

“Num contexto atual, em que o triste episódio da “Noite dos Cristais” tem sido utilizado como analogia inoportuna a operações realizadas por instituições democráticas autônomas, o Museu do Holocausto de Curitiba opta não apenas por repudiar, mas contribuir com o crescimento da nossa sociedade por meio do conhecimento histórico. Na total impossibilidade de dialogar com figuras e entidades que diariamente se recusam a compreender a essência do nazismo e insistem em utilizá-lo como recurso retórico para atacar seu espectro político “rival”, apresentamos conteúdos básicos em língua portuguesa, de fácil leitura e adequados para pessoas com qualquer grau de erudição ou de escolaridade” [Estadão]

A coleção de crimes do Abraham é espantosa:

“Na terça-feira (26), Moraes mandou Weintraub prestar depoimento em cinco dias à Polícia Federal por causa da afirmação. O ministro afirma que há “indícios de prática” de seis delitos. Segundo o Código Penal, Weintraub pode ser enquadrado por difamação e injúria. Os outros estão tipificados em quatro artigos da lei que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social. Um deles prevê pena de um a quatro anos a quem caluniar ou difamar os presidentes dos três Poderes e o da Câmara dos Deputados. Outro pode dar de dois a seis anos de reclusão a quem tentar impedir o livre exercício dos Poderes da União e dos estados. O terceiro estabelece uma pena de um a quatro anos de prisão para quem fizer propaganda que leve à discriminação racial ou perseguição religiosa. Nesses casos, a pena é aumentada em um ano quando a propaganda for feita em local de trabalho. O último é o que se refere a quem incitar a subversão da ordem política e prevê reclusão de um a quatro anos.”

“Procurado, o MEC (Ministério da Educação) informou que não comenta declarações feitas pelo ministro no Twitter. Em nota, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) condenou a comparação feita pelo ministro entre o inquérito e a Noite dos Cristais. “A comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias”, afirmou a confederação.​ O American Jewish Committee, principal entidade judaica dos EUA, também reprovou a associação feita por Weintraub, e as constantes menções ao nazismo pelo governo brasileiro em geral. “O repetido uso de menções ao Holocausto como arma política por autoridades do governo brasileiro é profundamente ofensivo para judeus de todo o mundo e um insulto para as vítimas e sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente”, declarou.”

E muita calma, né, Alcolumbre?

“O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), está retardando o depoimento do ministro da Educação, Abraham Weintraub —ele foi convocado pelos parlamentares para explicar os ataques que fez a ministros do STF na reunião ministerial de Jair Bolsonaro, divulgada na semana passada. Interlocutores de Alcolumbre afirmam que ele ainda não marcou a data de depoimento de Weintraub porque espera que o ministro seja logo demitido. A oposição vai questionar o presidente do Senado sobre a demora.” [Folha]

O que o cu tem a ver com as calças?!

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9. Veto presidencial

Depois de segurar o veto até que militares e policiais ganhassem seus aumentos…

“O presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a lei de socorro aos estados e municípios. O prazo final era até esta quarta-feira (27). A decisão foi publicada no Diário Oficial desta quinta (28). Após dar aval a deputados e senadores para manter reajuste mais amplo para servidores, o presidente atendeu a apelo do ministro Paulo Guedes (Economia) e congelou os salários até o fim de 2021. A suspensão do aumento de vencimentos do funcionalismo de municípios, estados e União era contrapartida exigida por Guedes para ajudar os entes da Federação a enfrentar os efeitos do coronavírus. O Congresso agora pode manter ou derrubar os vetos de Bolsonaro. Porém, na tramitação do texto, deputados e senadores haviam poupado do congelamento de salários uma gama ampla de servidores.

Entre as categorias beneficiadas estavam civis e militares, como professores, médicos, enfermeiros, profissionais de limpeza urbana, agentes funerários, policiais e as Forças Armadas. A decisão, segundo projeção da equipe de Guedes, reduziria para R$ 43 bilhões a economia com o congelamento. Inicialmente, eram previstos R$ 130 bilhões. De acordo com Bolsonaro, na mensagem do veto, o dispositivo aprovado “viola o interesse público por acarretar em alteração da economia potencial estimada”. “A título de exemplo, a manutenção do referido dispositivo retiraria quase dois terços do impacto esperado para a restrição de crescimento da despesa com pessoal”, escreveu. De acordo com ele, o veto foi imposto por orientação de Guedes e do ministro Fernando Azevedo e Silva (Defesa).” [Folha]

Sim, o ministro da Defesa conseguiu o aumento para os militares e sabe-se lá porque diabo pediu o veto ao presidente.

“Antes de sancionar a lei, o governo acelerou, porém, medidas para beneficiar policiais —base bolsonarista—, a fim de livrá-los das travas ao aumento salarial. Na terça-feira (26), Bolsonaro publicou uma MP (medida provisória) autorizando reajuste para policiais civis, militares e bombeiros do Distrito Federal. O custo para a União é estimado em R$ 500 milhões. Ele ainda conseguiu aprovar outra MP que reestruturou a carreira da Polícia Federal. Passada essa articulação para atender a base bolsonarista, municípios e estados terão acesso ao dinheiro.”

Sem pressa, né?

“A versão final do texto foi aprovada pelo Senado em 6 de maio. O pacote de ajuda chega a R$ 125 bilhões durante a crise da Covid-19. O socorro vale por quatro meses. Municípios e estados receberão R$ 60 bilhões em repasses diretos ao longo do programa. Os recursos impactarão o Orçamento da União. O pacote prevê que R$ 10 bilhões serão destinados diretamente para o enfrentamento ao coronavírus —R$ 7 bilhões a estados e Distrito Federal e R$ 3 bilhões a municípios. O restante do valor a ser transferido (R$ 50 bilhões) será repartido de duas formas. Serão R$ 30 bilhões distribuídos diretamente a estados e DF e os outros R$ 20 bilhões a municípios. O rateio será feito segundo a regra de proporção, levando em consideração critérios mistos, como perdas de ICMS (imposto estadual) e de ISS (municipal) e o número de habitantes. Além disso, o plano prevê suspensão de dívidas com a União e bancos públicos. Esse montante chega a quase R$ 50 bilhões.”

E Bolsonaro vetou a parte que permitia aos estados e muniípios não pagarem bancos internacionais:

“Um outro veto de Bolsonaro contraria os estados e atende a pedido de Guedes. O projeto aprovado previa que a União não suspenderia repasses do FPE (Fundo de Participação dos Estados) caso pagasse dívidas com bancos internacionais. A equipe econômica defendeu a manutenção da regra, mesmo na pandemia: se um estado deixar de pagar um banco multilateral, como o Banco Mundial, o Tesouro cobre as parcelas, mas, como contrapartida, retém uma parte dos repasses via FPE.”

Nome disso é sadismo.

“Na quinta-feira (21), quando Bolsonaro se reuniu com chefes dos Executivos estaduais, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), pediu que o trecho não fosse vetado. Para os governadores, isso inviabilizaria a suspensão do pagamento das dívidas com organismos multilaterais, que traria um alívio de R$ 10,7 bilhões.”

O total de 125 milhões foi o meio termo entre Guedes e Maia:

O time de Guedes chegou a apresentar, em meados de abril, um pacote de socorro de R$ 77,4 bilhões, com R$ 40 bilhões de transferência direta. O plano de auxílio da Câmara, segundo o Tesouro, poderia custar mais de R$ 200 bilhões. Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), travaram um embate sobre o tamanho do pacote. No fim, Maia disse que o texto final do Senado era “ótimo”. Para Maia, o socorro aos estados foi uma “grande vitória do Parlamento”. “O que nós queríamos e aconteceu era garantir recursos emergenciais para estados e municípios.”

E o congresso continua ocupando o vácuo do governo:

“Enquanto o ministro Paulo Guedes (Economia) acena com o refinanciamento de impostos por causa da crise do coronavírus, a Câmara já se movimenta para definir regras do programa a ser criado. Conforme mostrou a Folha no domingo (24), Guedes diz acreditar que o parcelamento é o mínimo a ser feito após o adiamento de impostos. Em sua visão, seria difícil haver um retorno súbito e elevado de cobranças enquanto muitas empresas ainda estariam em dificuldades. “Agora é diferimento [adiamento], depois vamos pensar no que fazer. Evidentemente o mínimo a fazer é o parcelamento”, disse Guedes em reunião com empresários na semana passada. “O sujeito quase quebrado e você vai pedir tudo de uma vez? É difícil”, afirmou. No Ministério da Economia, também é vista a possibilidade de a medida ser atrelada à reforma tributária. As propostas de alterações no sistema de impostos têm sido analisadas pela equipe de Guedes desde o ano passado. Porém, elas ainda não foram lançadas” [Folha]

O que a reforma tributária tem a ver com isso?

“Na Câmara, há pelo menos duas propostas de refinanciamento de impostos por causa da pandemia. O deputado Alexis Fonteyne (Novo-SP) apresentou um projeto há pouco mais de um mês criando o que chama de Plano de Recuperação Fiscal para pessoas jurídicas. A proposta contemplaria os recolhimentos vencidos até o último dia em que vigorar o estado de calamidade pública (que se encerra em 31 de dezembro). O texto prevê quatro modalidades de quitação para pendências com a Receita Federal e outras duas para dívidas administradas pela PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional). Uma delas, por exemplo, prevê o pagamento à vista de ao menos 10% do valor da dívida consolidada e a liquidação do restante com créditos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). A Receita permite que prejuízos fiscais sejam compensados no cálculo de impostos. Fonteyne diz que o objetivo é flexibilizar as regras atuais para não haver limites percentuais do crédito a ser usado. O texto de Fonteyne não chega a diferenciar empresas que entraram em dificuldades durante a pandemia de outras que podem ter passado ilesas pela crise ou até ganhado receitas. “Vários setores não tiveram problemas”, disse. Apesar da magnitude que o programa pode alcançar, Fonteyne disse não ter cálculos dos montantes envolvidos no programa.

Ah, ele esqueceu desse pequenino detalhe…

“Outro projeto de refinanciamento de impostos por causa da Covid-19 é do deputado Ricardo Guidi (PSD-SC). Apresentado há pouco mais de uma semana, o texto concede, por exemplo, 90% de desconto de multas e juros a pessoas físicas e jurídicas, inclusive para companhias em recuperação judicial. A proposta prevê o pagamento em parcelas mensais, sendo o valor de cada pagamento o percentual do faturamento do mês anterior. Os percentuais variam de 0,3% nos dois primeiros anos a até 1% de 2023 em diante.”

Bem, nem a mais bondosa das avós pensaria num troço desse. Pra pequenas e micro-empresas ok, mas pro resto?!

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10. Todo e qualquer otimismo é em vão

Do Celso Ming:

“Os números divulgados na quarta-feira pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), tidos pelos técnicos do IBGE como “os piores da história”, parecem malucos. E de fato são. Foram apenas 600 mil contratações formais (com carteira de trabalho assinada) contra 1,5 milhão de dispensas, apenas em abril. O dado mais importante não está disponível e não é nem o do desemprego. Trata-se de saber quantos empregos poderiam ter sido criados e não o foram, por insegurança do empregador em relação ao futuro da economia. Com a população confinada e com grande número de empresas praticamente fechadas, a procura de emprego deve ter caído verticalmente. Como está tudo meio parado, muito provavelmente o trabalhador tenha deixado a procura de emprego para “quando as condições melhorarem”. A distribuição de dinheiro a título de ajuda do governo pode ter contribuído para isso.

As perspectivas não são nem um pouco encorajadoras. Mesmo se vier a recuperação da atividade econômica, é improvável que venha com maciça recuperação do emprego. Um grande número de empresas aproveitou a flexibilização das condições trabalhistas produzida pela Medida Provisória 936 para reduzir salário e jornada de trabalho. Terminado o prazo, nova rodada de demissões parece provável, porque a destruição de faturamento foi geral e foi uma calamidade. A inflação negativa que está pintando neste mês dá uma boa ideia de quanto vem caindo o consumo até mesmo de alimentos. Não há indícios de volta rápida à normalidade. O número de contaminações e de mortes pela pandemia continua aumentando. Com algumas exceções, até mesmo a flexibilização do isolamento social onde está acontecendo vem sendo feita meio no escuro, sem levantamentos confiáveis a respeito do comportamento do coronavírus e do grau de contaminação. A população não foi submetida a testes, como pediu a Organização Mundial da Saúde.” [Estadão]

Sim, mil vezes sim, de tão preocupado com a economia a porra do Boslonaro tá cavando ainda mais fundo o buraco econômico.

“A forte queda do investimento estrangeiro no Brasil mostra que há pouca tolerância lá fora com a desorganização da economia, com o caos da política e com a falta de coordenação do contra-ataque ao vírus que se veem por aqui. E essa percepção é sério obstáculo para contratação de pessoal. Afora isso, as empresas foram surpreendidas com a derrubada dos custos fixos proporcionada pelo home office ou pelo trabalho fora da empresa. O comércio parece impressionado com a força demonstrada pelas vendas digitais (pela internet), sistema que reduz o emprego de mão de obra. Parece inevitável que aumente o desemprego nos próximos meses e, mais importante, que contratações deixem de ser feitas. O impacto sobre a renda é enorme. As projeções sobre o comportamento do PIB (que é a renda) são cada vez mais negativas – e desencontradas, porque ninguém tem clareza sobre o futuro. Menos renda é menos consumo, menos faturamento das empresas e mais desemprego. É assim que seguimos, sabe-se lá para onde.”

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11. Toda a escrotidão do Sílvio

Do Maurício Stycer:

“Na crônica futura sobre os idos de maio de 2020, um parágrafo deverá ser dedicado ao dono do canal de televisão que ligou para o departamento de jornalismo num sábado à tarde e mandou cancelar a edição do principal telejornal da casa naquela noite. Há muitas versões sobre o que aconteceu no último dia 23, mas é absolutamente certo que Silvio Santos determinou pessoalmente a substituição do SBT Brasil por uma reprise do “Triturando”, um programa de fofocas muito mal feito. Também é incontestável que a decisão está relacionada a uma divergência sobre a exibição do conteúdo da reunião ministerial do governo Bolsonaro, autorizada pelo STF na véspera. Ouvi muitos relatos que a reportagem do SBT Brasil exibida na noite de 22 de maio, resumindo o conteúdo da reunião, não teve a forma que o governo esperava de um aliado. Em cinco minutos, respeitando critérios jornalísticos elementares, o telejornal destacou os pontos mais chocantes.

No domingo, sem qualquer explicação, o SBT exibiu duas vezes um vídeo de sete minutos com um compilado que incluía outras frases ditas pelo presidente durante a reunião. Sem edição jornalística, contexto ou mesmo legendas, o clipe coincidentemente trazia muitos trechos também vistos num vídeo exibido pelo próprio Bolsonaro em suas redes sociais. Isolado em casa desde março, para se proteger da pandemia de coronavírus, Silvio Santos vinha tomado medidas pontuais sobre aspectos pouco relevantes da programação do SBT. Mandou trocar apresentadores deste mesmo “Triturando” e fez mudanças no horário de um programa de luta livre, entre outras medidas. Há quem acredite que o dono do SBT, aos 89 anos, não se deu conta da gravidade da decisão de cancelar, pela primeira vez na história, a exibição de um telejornal. Tenho dificuldades em aceitar esta versão da história

O descaso de Silvio Santos pelo jornalismo não é de hoje. Não se interessa pela área, acha que tem custos altos e é fonte de problemas. A lista de anedotas e aberrações é longa; uma das mais recentes foi a contratação de um garoto de 18 anos para apresentar um telejornal matinal. O dono do SBT gosta de argumentar que, por ser uma concessão pública, o seu canal não deve questionar o governo, qualquer governo. Sem esquecer que Silvio bajulou todos os presidentes do país, desde o general Médici. Em abril, ao negar que tenha sugerido ao presidente Bolsonaro o nome de um médico para o lugar de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde, Silvio disse: “A minha concessão de televisão pertence ao governo federal e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu ‘patrão’, que é o dono da minha concessão. Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego”.

Há uma clara confusão nesse raciocínio de Silvio Santos. Os deveres e obrigações constitucionais de um concessionário de televisão são para com o Estado e não com o governo da vez. O “patrão” de qualquer dono de canal televisão aberta é o que está escrito na lei, não o ocupante do Palácio do Planalto. A propósito, no sábado em que cancelou o seu telejornal, o SBT não cumpriu a exigência legal de dedicar 5% do tempo no ar a serviços noticiosos —a menos que o “Triturando” seja enquadrado como tal. Num momento tão delicado quanto este, com ameaças e ofensas quase diárias ao trabalho jornalístico, Silvio Santos deu uma triste contribuição com o seu gesto.

Segundo o jornal The New York Times, durante os protestos na terça-feira, a imprensa local noticiou que duas pessoas foram baleadas em Minneapolis, mas um porta-voz da polícia da cidade afirmou que o incidente aconteceu longe do local das manifestações, sem ferimentos fatais. Após a repercussão negativa do caso, a polícia de Minneapolis atualizou o comunicado oficial sobre a morte de Floyd, sem citar o vídeo, porém. Intitulada “Homem morre após incidente médico durante interação policial”, a nota agora diz que informações adicionais haviam sido disponibilizadas e que o FBI estava se juntando à investigação. Na primeira versão, o texto dizia que Floyd havia “resistido fisicamente aos policiais” e que “parecia estar intoxicado”. Depois de algemá-lo, segue o comunicado, os agentes “notaram que ele parecia estar sofrendo de problemas médicos” e que nenhuma arma havia sido utilizada na ação.” [Folha]

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12. Racismo americano em dois atos

Comecemos com o mais absurdo:

“”Eu não consigo respirar.” Mais uma vez o apelo desesperado ecoou nos EUA. Mais uma vez um homem negro implorou para que um policial branco o soltasse de um sufocamento. Mais uma vez a cena foi filmada antes de terminar em morte. Na noite de segunda-feira (25), foi a vez de George Floyd. Aos 46 anos, ele morreu depois de ter sido algemado e ter o pescoço prensado contra o chão pelo joelho de um policial em Minnesota.” [Folha]

As imagens e a voz estremecida de Floyd foram registradas por uma pessoa que passava pelo local em um vídeo que viralizou na internet. A cena gerou protestos no início desta semana, além de uma investigação do FBI, a polícia federal dos EUA, e resultou na demissão dos agentes que participaram da ação. O episódio lembra o que aconteceu em 2014 com Eric Garner, morto após ser preso em Nova York. Com o pescoço envolvido pelos braços de um policial branco, o homem, que era negro, repetiu “eu não consigo respirar” 11 vezes antes de morrer. Floyd seguiu o mesmo roteiro de Garner e de tantos outros homens negros nos EUA. Segundo o Departamento de Polícia de Minneapolis, Floyd foi preso no início da noite de segunda e morreu após “um incidente médico durante uma interação policial.

Os agentes afirmam que responderam a um chamado segundo o qual um homem tentava usar cartões ou notas falsificadas em uma loja de conveniência na cidade. Ao chegarem ao local, segundo a polícia, Floyd estava sentado em cima de um carro e resistiu à prisão. O vídeo que correu as redes sociais nesta semana não mostra o que aconteceu antes dos quase cinco minutos nos quais Floyd ficou sob o joelho do policial. Na filmagem, porém, é possível ouvir diversas pessoas que se aglomeravam em volta da cena pedindo que o agente parasse e alertando que o nariz de Floyd sangrava. Após alguns minutos, o homem imobilizado para de se mexer e fica em silêncio, antes de ser colocado em uma maca e levado em uma ambulância. Perto das 22h, ele foi declarado morto pelo hospital da região.

A batalha popular e judicial começou no dia seguinte, quando a família de Floyd pediu que o policial seja condenado por assassinato. Indignadas, centenas de pessoas foram às ruas para se manifestar contra o abuso de força cometido pelo policial. “Eles o trataram pior do que eles tratam animais”, disse Philonise Floyd, irmão de Floyd, em entrevista à CNN. O prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, por sua vez, foi a público dizer que pediu ao FBI investigações sobre possível violação dos direitos humanos. Acrescentou que demitiu o agente que estava com o joelho sobre o pescoço de Floyd e outros três policiais que acompanharam a ação.​ “Ser negro nos EUA não deve ser uma sentença de morte. Por cinco minutos, vimos um policial branco pressionar o joelho no pescoço de um negro. Cinco minutos”, escreveu o prefeito em sua conta no Twitter.”

Nem vou postar o vídeo aqui.

Vamos ao outro caso,texto da Lúcia Guimarães:

“Um vídeo já assistido mais de 40 milhões de vezes, gravado na segunda-feira (25), no coração liberal do país, o Central Park de Manhattan, é apenas o exemplo mais recente. Uma mulher branca foi flagrada passeando com seu cachorro sem coleira, o que é ilegal, como deixam claras as placas de alerta no local, um trecho bastante frequentado por observadores de pássaros. Um observador de pássaros negro, portando seu binóculo, pediu cordialmente à mulher que colocasse a coleira no cocker spaniel. Ela se recusou, e ele começou a gravar a cena com o celular. Encolerizada, a mulher ligou para o número de emergência da polícia e, num tom que simulava pânico, disse que ela e seu cachorro estavam sendo ameaçados por “um afroamericano.” Como sabemos por diversos casos em que policiais brancos matam negros em abordagens com excesso de força, o incidente podia ter terminado em tragédia. Terminou com a mulher, identificada como Amy Cooper, sendo sumariamente demitida da empresa de investimentos Franklin Templeton. E o homem, Christian Cooper, editor de uma revista biomédica e formado por Harvard, dizendo que aceitaria desculpas se fossem sinceras.” [Folha]

Calma que tem mais demência:

“No domingo passado, um grupo de ultradireita encenou o linchamento de um boneco do governador democrata de Kentucky, Andy Beshear, para protestar contra a quarentena, na frente da residência oficial. O linchamento simboliza as caçadas e os assassinatos de negros no sul americano, na primeira metade do século 20. O líder do grupo Cowboys por Trump já posou ao lado do presidente na Casa Branca. Couy Griffin ocupa um cargo municipal eletivo no Novo México. No último dia 17, Griffin disse a um grupo reunido numa igreja que tinha chegado à conclusão de que o único democrata bom é um democrata morto.”

E aqui vai o mais importante:

“Não se encontra no Partido Democrata ou nos grupos à esquerda, como os Socialistas Democráticos da América, ativismo radical ou incitação à violência que se compare à ultradireita americana. O crescente apoio ao autoritarismo na era Trump não pode ser dissociado de identidade racial, num grau que vai do chamado privilégio branco à escancarada supremacia branca, hoje rebatizada de “nacionalismo branco” em faxina de branding. Num estudo feito em 2018, dois acadêmicos alertavam para a tendência que ajuda a explicar o incidente desta semana no Central Park. Steven Miller e Nicholas Davis se debruçaram sobre pesquisas de opinião sobre convicções políticas e valores morais e revelaram, por exemplo, que, quanto maior o sentimento anti-imigrante, menor a defesa da democracia. Quanto maior a desconfiança de que minorias vão ser beneficiadas pela democracia, maior o apoio ao autoritarismo.”

Sempre que alguém disser “ah, no Braisl tem extrema-esquerda” de aquela gostosa risada e mande o interlocutor à merda.

Que ódio desse tópico, puta que pariu.

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13. Um Trump Muito Louco

Trump é completamente descolado da realidade, só porque seus tweets foram marcados como informação falsa ele resolveu foder com as empresas de tecnologia americanas.

“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está se preparando para assinar uma ordem executiva que pode reverter a imunidade que os gigantes da tecnologia têm pelo conteúdo de seus sites, segundo o jornal The Washington Post. Na prática, a medida de Trump, que deve ser divulgada hoje, permitirá a agências federais americanas regularem o conteúdo publicado em redes sociais como Twitter e Facebook, e de gigantes da tecnologia como o Google. A diretiva de Trump visa principalmente incentivar os reguladores federais a repensar uma parte da lei conhecida como Seção 230, segundo duas fontes ouvidas pelo The Washington Post. Essa lei poupa as empresas de tecnologia de serem responsabilizadas pelos comentários, vídeos e outros conteúdos publicados pelos usuários em suas plataformas.” [Folha]

Um dos tweets, olha o naipe da acusação que ele faz – lembrando que Trump é o sujeito que diz que ganharia a eleição por uma vantagem muito maior porque TODOS os votos fraudados forma pra Hillary:

Imagine a paulada disso na bolsa americana…

“A lei é controversa. Permite às empresas de tecnologia a liberdade de policiar suas plataformas por abuso sem medo de ações judiciais. Mas os críticos dizem que essas exceções também permitiram que algumas das empresas mais lucrativas do Vale do Silício reduzissem a responsabilidade pelo conteúdo nocivo que floresce em suas plataformas online, incluindo discurso de ódio, propaganda terrorista e falsidades relacionadas a eleições.”

E sim, o motivo por trás é nobre, mas não as intenções do Trump. E o assunto é complexo pra caralho, porque pode ser usado pra calar opostores.

“A ordem levaria as autoridades federais a abrir um processo para reconsiderar o alcance da lei, disseram ao Post as pessoas familiarizadas com o documento. Uma mudança pode significar implicações potencialmente dramáticas da liberdade de expressão e conseqüências abrangentes para uma ampla faixa de empresas na Internet. O pedido também procuraria canalizar reclamações sobre o “viés político” de publicações para a Federal Trade Commission, que seria incentivada a investigar se as políticas de moderação de conteúdo das empresas de tecnologia estão de acordo com suas promessas de neutralidade. Também exigiria que as agências federais revisassem seus gastos com publicidade nas mídias sociais.

A ordem seria a mais abrangente ação da Casa Branca contra o Vale do Silício, depois de anos de críticas verbais e ameaças regulatórias de Trump e seus principais conselheiros. Também pode levantar questões novas e espinhosas sobre a Primeira Emenda, o futuro da liberdade expressão on-line e até que ponto a Casa Branca pode adequadamente – e legalmente – influenciar as decisões que empresas privadas tomam sobre seus aplicativos, sites e serviços. A Casa Branca se recusou a comentar oficialmente. Apenas um porta-voz disse a repórteres na quarta-feira que o presidente assinaria uma ordem executiva “referente às mídias sociais” na quinta-feira, mas não forneceu mais detalhes. Mais tarde, Trump acusou novamente a indústria de tecnologia de “censurar” os conservadores na abordagem às eleições de 2020.

Até esta semana, Trump havia emitido apenas ameaças para regular ou penalizar o Facebook, o YouTube e o Twitter, de propriedade do Google, sobre uma série de reivindicações, sugerindo até que a indústria tentava minar sua reeleição. Anteriormente, no entanto, a Casa Branca recuou, até arquivando versões anteriores de sua ordem executiva visando empresas de mídia social. Em julho, o presidente convocou uma “cúpula de mídia social” na Casa Branca, com legisladores e estrategistas republicanos, um evento visto na época como precursor de ações futuras. O evento recebeu fortes críticas de especialistas digitais e democratas do congresso, que disseram que Trump usou o cenário da Casa Branca para autorizar algumas das táticas online mais provocativas e controvertidas de seus apoiadores.”

Enquanto isso, no Brasil:

“Com os trabalhos da CPI mista de Fake News suspensos por causa da pandemia, parlamentares apostam em um projeto de lei que, entre outros pontos, também responsabiliza as plataformas digitais pela disseminação de informações falsas, para avançar com o tema no Congresso. Líderes acertaram votá-lo na próxima terça, mas alguns temem que o governo pressione Davi Alcolumbre (DEM-AP) a segurar a análise. Na cúpula da Câmara, a avaliação é de que há votos suficientes para aprovar o projeto, porém, a atuação do Centrão será determinante. Assim como o procurador-geral da República, Augusto Aras, mudou de opinião sobre o inquérito do STF que investiga fake news contra a Corte, senadores temem que o mesmo aconteça com Davi. Autor do projeto, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) está confiante de que será analisado na próxima semana. Ele, aliás, foi alvo de ataques de Olavo de Carvalho por causa do texto.” [Estadão]

Dia desses coloquei por aqui a análise do Doria sobre o projeto, o motivo é nobre mas a execução é bem problemática. E já que o assunto voltou às fake news, força, Allan!

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>>>> Editorial do Estadão com o título “O Supremo reage ao arreganho” – sim, aquele jornal que publicou um editorial em 2018 intitulado “Uma Escolha Muito Difícil” e que dia desses, em outro editorial, comparou Bolsonaro ao Lula, que seria, acredite você, “TOTALITÁRIO“, viado!: “Contando com a conivência (quando não com o estímulo) do presidente Jair Bolsonaro, seus camisas pardas travestidos de patriotas têm proferido sistemáticos ataques aos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) porque aquela Corte ousa impedir o arbítrio bolsonarista. Sem serem advertidos por seu líder de que tal comportamento não condiz com a vida numa sociedade democrática, esses celerados defendem o fechamento do Supremo em manifestações das quais participa o próprio presidente. Não bastasse isso, ministros de Estado ansiosos por se provarem mais bolsonaristas que Bolsonaro expressam sua hostilidade ao Supremo, seja desejando ver seus ministros presos, seja advertindo do risco de ruptura institucional caso a Corte continue a fazer seu trabalho de impor limites ao presidente conforme a Constituição.” [Estadão]

>>>> Eleições em tempos de pandemia: “Luís Roberto Barroso estuda, como possibilidade para a ainda incerta eleição municipal no País, a ideia de ampliar o atual horário de votação para 12 horas – isto é, das 8h às 20h. Hoje, é das 8h às 17h. Busca saídas para evitar aglomeração. Mas já estaria praticamente descartada uma eleição em dois dias devido ao custo extra, de R$ 180 milhões. O novo presidente do TSE fará videoconferência com os presidentes dos 27 TREs do País, segunda-feira, para tratar do formato – ao que se prevê, inédito. Ante a indefinição, os tribunais estão sendo bastante requisitados. Barroso explicará, contudo, que todo caminho vai dar no… Congresso. Se a decisão for adiar as eleições, é de lá que sairá a PEC para mudar o calendário eleitoral.” [Estadão]

>>>> Caça ao Salles: “Os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jaques Wagner (PT-BA) fizeram uma representação ao Ministério Público Federal e também apresentaram uma notícia crime à Procuradoria-Geral da República contra o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) pelas declarações na reunião do dia 22 de abril. Os parlamentares comandam a Comissão de Meio Ambiente do Senado e querem que a Justiça determine, de forma cautelar, o afastamento de Salles. Nas representações, os parlamentares demandam ainda que seja apurada eventual conduta criminosa do ministro, quando ele afirma que o governo deve aproveitar que o foco da imprensa está na cobertura do coronavírus para “passar a boiada” em flexibilizações na legislação ambiental.” [Folha]

>>>> Se fode aí, trouxa! “Em relatório em que determinou que o Banco do Brasil suspenda sua publicidade na internet para evitar que sites de notícias falsas continuem a ser remunerados, o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, também decidiu enviar todo o conteúdo relacionado ao banco para o inquérito das fake news no STF, de relatoria de Alexandre de Moraes. Em sua decisão, nesta quarta-feira (27), Dantas ainda lembrou da prisão de Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil que foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato sob acusação de receber propina para permitir desvio de recurso do banco para esquema. “Inevitável que volte à tona o escândalo de triste memória que levou ao banco dos réus e, posteriormente, à penitenciária um ex-diretor de marketing daquela bicentenária instituição, condenado a doze anos e sete meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal”, escreveu Dantas. Na semana passada, após pressão nas redes sociais, o Banco do Brasil disse que não anunciaria mais em sites que publicam notícias falsas, especialmente no chamado O Jornal da Cidade Online, citado no relário do TCU. Na sequência, após pressão do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), recuou e restabeleceu a publicidade em página acusada de disseminar conteúdo falso.” [Folha]

>>>> Casdo Marielle: “O STJ (Superior Tribunal de Justiça) rejeitou, nesta quarta-feira (27), o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para que a investigação do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes seja federalizado. Os ministros da 3ª Seção da corte entenderam que a apuração do caso deve permanecer no Rio de Janeiro. Ao solicitar a mudança de jurisdição do caso, a PGR afirmou que a manutenção das apurações pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público daquele estado poderia gerar “desvios e simulações”. Os magistrados do colegiado, no entanto, discordaram da tese. Votaram nesse sentido a relatora, ministra Laurita Vaz, e os ministros Sebastião Reis Jr, Rogério Schietti, Reynaldo Fonseca, Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, Jorge Mussi, Felix Fisher, Antônio Saldanha, Joel Parciornik.” [Folha]

>>>> Parabéns ao Sensacionalista: “O grupo Caça Fake, criado na segunda (25) pelo site de humor Sensacionalista, conseguiu a retirada de 184 posts do Facebook e do Twitter contendo informações falsas, discurso de ódio e infrações aos direitos humanos.​” [Folha]

>>>> Como se o congresso chinês pudesse vetar alguma coisa… “O Congresso chinês aprovou nesta quinta-feira o projeto que vai impor uma lei de segurança nacional a Hong Kong, como resposta às grandes manifestações contra a China ocorridas no ano passado na cidade e apesar das ameaças de sanções do governo dos Estados Unidos. Como era esperado, os quase 3 mil deputados do Congresso Nacional do Povo, o Parlamento chinês, aprovaram a medida, que concede mandato ao seu Comitê Permanente para redigir um projeto de lei que será incorporado à Lei Básica de de Hong Kong, a mini-Constituição vigente na cidade desde que ela foi devolvida à China pelo Reino Unido, em 1997. Com isso, a legislação não passaria pelo crivo do Conselho Legislativo local. Segundo o texto aprovado, a lei deverá “impedir, deter e reprimir qualquer ação que ameace de maneira grave a segurança nacional, como o separatismo, a subversão, a preparação, ou a execução de atividades terroristas, assim como as atividades de forças estrangeiras que constituam uma interferência nos assuntos de Hong Kong”. O texto também prevê autorização para que os organismos vinculados ao governo central chinês estabeleçam em Hong Kong escritórios com autoridade em termos de segurança nacional. Acredita-se que os detalhes da lei serão delineados nas próximas semanas e que ela será sancionada antes de setembro. Segundo o site NPC Observer, especializado em questões legislativas chinesas, o Comitê Permanente deverá examinar o texto a partir de junho, e o projeto de lei seria adotado no fim de agosto.  A iniciativa foi aprovada com 2.878 votos favoráveis — apenas um deputado votou contra e seis optaram pela abstenção. O resultado foi celebrado com aplausos, que duraram vários minutos, no Salão do Povo em Pequim e na presença do presidente Xi Jinping. As autoridades de Pequim há muito cobravam do governo de Hong Kong a aprovação da sua própria lei de segurança. O artigo 23 da Lei Básica já previa que o território promulgasse por si só “leis para proibir qualquer ato de traição, secessão, sedição e subversão” contra o governo chinês, mas o Legislativo local, em grande parte eleito pelo voto popular, nunca conseguiu maioria para fazê-lo. Após a aprovação, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, disse que as novas medidas protegeriam “a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong em longo prazo” e que a fórmula “um país, dois sistemas” será mantida.” [O Globo]

>>>> 171s do caralho… “A rede de churrascarias Fogo de Chão recuou da decisão de utilizar artigo da CLT (Consolidação de Leis do Trabalho) para evitar o pagamento de verbas rescisórias a 436 funcionários demitidos desde o agravamento da crise do coronavírus. Nesta quarta (27), a rede informou que reconsiderou a decisão e que vai pagar integralmente a rescisão de todos os funcionários demitidos, incluindo os valores da multa do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o aviso prévio indenizado. A empresa lançou mão de artigo da CLT conhecido no meio jurídico como a teoria do fato do príncipe na tentativa de transferir aos entes públicos a responsabilidade por indenizações. A medida é controversa e já chegou à Justiça do Trabalho. “Nos amparamos no artigo 486 da CLT para realizar a demissão dos 436 funcionários pois havíamos avaliado que era aplicável às situações resultantes da pandemia”, afirmou a rede, em nota. No comunicado enviado nesta quarta, a empresa diz ter reconsiderado a decisão “dadas as questões jurídicas levantadas e o impacto financeiro desta solução para os membros das equipes e suas famílias”. Esse artigo da legislação trabalhista diz que “no caso de paralisação temporária ou definitiva do trabalho, motivada por ato de autoridade municipal, estadual ou federal, ou pela promulgação de lei ou resolução que impossibilite a continuação da atividade, prevalecerá o pagamento da indenização, que ficará a cargo do governo responsável”. Para advogados, porém, é equivocada a interpretação de que as empresas poderiam deixar de pagar as verbas da rescisão de contrato. O correto seria fazer o pagamento dos direitos do funcionário e depois cobrar o entre público, seja o estado ou a prefeitura. No fim de março, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em guerra com prefeitos e governadores que determinaram medidas de distanciamento social, afirmou que a legislação trabalhista previa a possibilidade de se cobrar a indenização das autoridades. “Tem um artigo na CLT que diz que todo empresário, comerciante, etc, que for obrigado a fechar seu estabelecimento por decisão do respectivo chefe do Executivo, os encargos trabalhistas, quem paga é o governador e o prefeito, tá ok?”, afirmou Bolsonaro, na época.” [Folha]

Dia 512 | #VéiodaHavanpresoamanhã | 27/05/20

Bem, depois da trilogia de 1h45 sobre a fatídica reunião ministerial o Cristiano Botafogo morreu mas passa bem, só quem subiu no telhado mesmo foi o episódio de hoje do podcast. Amanhã estamos de volta.

Os episódios você ouve lá na Central3 e nas demais plataformas.

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1. “Que satisfação, aspira!

Porra, que tópico difícil de editar, é muita coisa pra dar conta.

Em qualque outro governo eu me arrepiaria lendo o que vai abaixo, esse processo começou errado lá atrás, mas nessa bad trip escrota em que a gente se meteu eu já abracei o caos e tô como?

Eu é que não vou ter dó dessa galera que vomita uma retórica fascista. O processo é bizarro, mas é um crime atrás do outro, porra:

“A Polícia Federal (PF) cumpre, na manhã desta quarta-feira, 29 mandados de busca e apreensão no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura fake news e ataques contra ministros da Corte. Entre os alvos estão o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), o blogueiro Alllan dos Santos, o empresário Luciano Hang, a ativista Sara Winter e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.” [O Globo]

A lista das pessoas que receberam a visitinha da PF em suas casas é o crème-de-la-crème da demência bolsonarista: Zambi, Bia Kicis, Bernardo Kuster, Allan do Terça Livre, Daniel Silveira, Filipe Barros, Sara Winter, Douglas Garcia (segunda vez que Alexandre de Moraes vai pra cima do ex-funcionário do gabinete do Eduardo), Gil Diniz, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (risos, muitos risos), Bob Jeff (esse por um post em que ameaça ministros do STF enquanto segura um fuzil) uma galera que eu liguei o foda-se e um punhado de empresários bolsonaristas – Winston Ling, Hang, Edgar Corona e um outro aí que eu desconheço. Ah, e o Brasil 200 obviamente tá no meio. E malandro foi o Cabeça de Pica que deixou Eduardo e Tonho da Lua pro final, quando não faltarem evidências.

Ah, e pelo visto a “resiliente” Sara Winter tá fazendo questão de ser algemada antes que todo mundo:

“A Polícia Federal acaba de sair da minha casa. Bateram aqui às 6 horas a mando de Alexandre de Moraes. Levaram meu celular e notebook. Estou praticamente incomunicável. Moraes, seu covarde, você não vai me calar… eu sou uma pessoa extremamente resiliente, pena que ele mora em SP, se não tava na porta da casa dele convidando ele pra trocar soco commigo, eu queria trocar soco com esse filho da puta arrombado. Infelizmente eu não posso, ele mora em SP, né? Pois você me aguarde, o senhor nunca mais vai ter paz na vida do senhor, a gente vai infernizar a sua vida, a gente vai descobrir os lugares que você frenquenta, a gente vai descobrir quem sao as empregadas domésticas que trabaham pro senhor, a gente vai descubrir tudo da sua ida ate você pedir pra siar. Hoje você tomou a piro cedi~são da vida do senhor.’

Juntou os pulsos e tá clamando pro algemas, vou me surpreender enormemente se ela não for presa até o fim de semana.

E sabe a mensagem do Antagonista que Bolsonaro enviou ao Moro como se fosse a coisa mais normal do mundo? O texto é da Vera Magalhães:

“O inquérito das fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal, que motivou as diligências da Polícia Federal nesta quarta-feira, 27, era uma das preocupações de Jair Bolsonaro para justificar sua obsessão por interferir no comando da Polícia Federal. Em mensagem para Sérgio Moro em 23 de abril, dia seguinte da reunião ministerial em que advertiu para a necessidade de trocas na PF para evitar operações em cima de familiares e amigos seus, Bolsonaro mandou para Moro, por WhatsApp, uma nota do site O Antagonista segundo a qual 10 de 12 deputados bolsonaristas seriam alvo do inquérito conduzido por Alexandre de Moraes. “Mais um motivo para troca”, escreveu Bolsonaro. Moro lembrou que o inquérito corria em sigilo no STF e que a equipe da PF designada para atuar nele respondia diretamente ao ministro. Diante da insistência de Bolsonaro em mexer no comando da PF, consumada com a demissão de Maurício Valeixo e sua substituição por Rolando Alexandre de Souza, o relator Alexandre de Moraes tomou precauções para “blindar” a equipe que atua no inquérito e impedir sua substituição.” [Estadão]

Bolsonaro é tão burro que não cabia ao Moro fazer porra nenhuma, não é esse o trabalho do ministro da Justiça. Mas o idiota foi lá e mandou a mensagem que se tornou prova de crime.

”A operação gerou um clima de apreensão entre auxiliares do Palácio do Planalto. Nas palavras de um interlocutor, a operação “significa um cerco” no entorno mais próximo de Jair Bolsonaro, já que focou nos aliados mais próximos do presidente. Aliados reconhecem que o maior temor é que o avanço das investigações chegue ao chamado núcleo familiar.” [G1]

Eu me permito o otimismo de um ou dois Bolsonaros irem em cana. Não por agora, mas daqui a um tempo.

Mas o 02 convenientemente esqueceu dum detalhe delicioso, a AGU do Boslonaro deu aval ao inquérito:

“Aliados do governo criticaram a operação desta quarta-feira, 27, que tem como alvo apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, parlamentares questionam a legalidade do inquérito das fake news, aberto no ano passado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e chegou a ser contestado pela então procuradora-geral da República Raquel Dodge. A investigação, porém, teve o aval da Advocacia-Geral da União (AGU), órgão do governo que atua na Corte. Em manifestação encaminhada ao Supremo no ano passado, a AGU defendeu a legalidade do inquérito que apura ameaças, ofensas e a disseminação de notícias falsas contra magistrados da Corte, se posicionando contrária a um pedido da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) para suspender imediatamente as investigações. O parecer é assinado por André Mendonça, então chefe do órgão e atual ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro.” [Estadão]

Esse aí vai tomar um esporro homérico do presidente, folgo em saber. Até o Aras foi pelo mesmo caminho:

“Apesar de a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge se posicionar pelo arquivamento do inquérito, o seu sucessor no cargo, Augusto Aras, também defendeu a continuidade das investigações. Segundo ele, ao determinar a abertura da apuração, o STF “exerceu regularmente as atribuições que lhe foram concedidas” pelo Regimento Interno da Corte. Aras defendeu, no entanto, a participação do MPF em todas as fases da investigação, o que vem sendo negado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.”

E o Aras mudou de idéia, claro, ele não seria descortês com o presidente que o escolheu a dedo e o visitou de sopetão no começo da semana, impessoalidade mandou lembranças.

”O procurador-geral da República Augusto Aras pediu hoje a suspensão do inquérito das fake news, que motivou os 29 mandados de busca e apreensão em cinco estados e o Distrito Federal cumpridos hoje pela polícia federal, contra pessoas como Roberto Jefferson, Luciano Hang e Sara Winter.” [UOL]

“O pedido cautelar de Aras cita ausência do Ministério Público nesta fase da investigação. “Neste dia 27 de maio, a Procuradoria-Geral da República viu-se surpreendida com notícias na grande mídia de terem sido determinadas dezenas de buscas e apreensões e outras diligências, contra ao menos 29 pessoas, sem a participação, supervisão ou anuência prévia do órgão de persecução penal.”

O que interessa no inquérito é saber quem financia as fake news – trecho da decisão:

“As provas colhidas e os laudos técnicos apresentados no inquérito apontaram para a existência de uma associação criminosa dedicada à disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”

E não há nenhum mistério aí, tá no perfil presidencial:

“Primeiro turno, Bolsonaro. Pra não ter escolha, pra nós não termos que gastar mais dinheiro, pra não ficar todo mundo gastando para o segundo turno. Então, é no primeiro. Quem está indeciso é lá. É lá que tem que ser, porque acabou, nós ‘gasta’ menos dinheiro”

Nenhum desses empresários – nem o Hang nem o tal de Gazin, o autor da confissão espantosa – doou para a campanha, de acordo com a prestação de contas entregue ao TSE. Não teve um escroto minimamente lúcido na campanha pra ver o vídeo e dizer “puta que pariu, agora cês têm que dar um jeito dele doar algo oficialmente pra aparecer na prestação de contas, isso vai dar merda“. Nem disso eles são capazes. É óbvio que o dinheiro gasto aí era em mensagens no whatsapp. De graça é que não choveu mensagem.

“Luciano Hang, o dono da Havan e um dos alvos da operação da Polícia Federal de hoje, deixa em seu Twitter um indicativo da razão pela qual ele é investigado no inquérito que apura a disseminação de “fake news” um favor de Jair Bolsonaro. Num post publicado há cerca de uma hora, possivelmente programado antes de ele saber que receberia a visita da PF, Hang escreveu: – As notícias podem mexer com o nosso humor. As ruins nos deixam tristes. As boas, nos mostram o lado bom das coisas. O brasileiro é um povo animado, alegre e contagiante. Não se deixe levar pel desânimo. Seja confiante e aproveite a vida. Vamos juntos deixar nossos dias felizes? Viva feliz. E não veja notícias ruins.” [O Globo]

Do Bernardo Mello Franco:

“Vive dias difíceis o empresário bolsonarista Luciano Hang, alvo da operação da Polícia Federal contra financiadores de fake news. Há duas semanas, o dono da Havan foi condenado por publicar mentiras contra o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel. Terá que se retratar e pagar indenização de R$ 20,9 mil. Depois disso, a divulgação da reunião ministerial de 22 de abril escancarou a influência de Hang no governo. Na gravação, o presidente Jair Bolsonaro acusa o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de ter paralisado uma obra do empresário após encontrar “cocô petrificado de índio”. Na verdade, quem recomendou a paralisação da obra foi uma consultoria privada contratada pela Havan. Mesmo assim, Bolsonaro mandou demitir a então presidente do Iphan, Kátia Bogéa. Hang também tem sofrido derrotas na Justiça de São Paulo, onde tenta reabrir suas lojas antes do fim da quarentena.” [O Globo]

Sim, quem mandou embarreirar a obra foi uma… consultoria privada!

E o Centrão agora vai ter que bancar o acordo:

“Nas palavras de um integrante da cúpula do Congresso, as investigações sobre fake news forçarão o Centrão a se posicionar e mostrar se os cargos entregues pelo governo ao bloco – e os que estão por vir – são suficientes para “pagar a fatura” do apoio a Bolsonaro apenas em caso de um eventual impeachment ou se já conta para uma “tropa de choque” e matérias incômodas ao governo, como das fake news. Um dos principais presidentes de partido do Centrão disse ao blog nesta quarta-feira que o Centrão não vai blindar o governo Bolsonaro se a investigação “for específica contra ministros do Supremo Tribunal Federal”. “Não vamos comprar essa briga contra o STF.”” [G1]

Burro aí só o governo mesmo.

“No entanto, afirmam que essa avaliação vale, até aqui, para deputados bolsonaristas e apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. Ou seja, garantem apoio se a investigação chegar a familiares do presidente ou ao próprio Planalto . “O Centrão está fechado com Bolsonaro. A tendência é defender Bolsonaro e família, se for o caso. O nosso compromisso é com eles, mas não com apoiadores do presidente, muito menos com os deputados que atacam ministros do STF”. O problema, avaliam líderes que não participam do Centrão, é que o bloco que recebeu cargos do governo pode viver um impasse, se as investigações chegarem ao chamado “gabinete do ódio”, que funcionaria com o aval do Palácio do Planalto. Por isso, acreditam que o inquérito das fake news será uma espécie de termômetro do apoio do Centrão a Bolsonaro: se ficam com o bolsonarismo, ou se apoiam o eventual aprofundamento de investigações que atacam as instituições, como a própria Câmara e ministros do STF.”

Enquanto os boslonaristas acusam o STF de tramar a derrubada do Bolsonaro…

“O ministro Celso de Mello arquivou uma notícia-crime protocolada no STF pelo PSOL pedindo o afastamento de Jair Bolsonaro por improbidade administrativa. O partido se baseou nas informações dadas por Sergio Moro quando anunciou sua demissão, de que o presidente queria interferir na Polícia Federal. Após receber a denúncia, Celso de Mello pediu a opinião da PGR e decidiu pelo arquivamento.” [O Globo]

Ah, e repare na coincidência:

“O presidente Jair Bolsonaro visitou nesta quarta-feira o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que está internado em um hospital em Brasília. A visita ocorre no mesmo dia em que uma operação, determinada pelo STF, atinge diversos aliados de Bolsonaro. O encontro não constava da agenda dos presidentes.” [O Globo]

Alguma dúvida que Bosloanro de novo se convidou?! Quer dizer, vindo do Toffoli não dá pra cravar nada…

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2. Aras Avalia

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, avalia com sua equipe pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deponha no inquérito que apura se ele tentou interferir politicamente na Polícia Federal.” [Folha]

AVALIA, viado, Aras avalia! Dava pra pedir depoimento só pela confissão horas depois do vídeo sair, na portaria do Palácio, o presidente confessou que recebe informações sigilosas de amigos policiais militares e civis. Imagine aí o desespero desses amigos com o pedido pela apreensão do celular presidencial, eu cravo que tem áudio do Bolsonaro falando sobre os furos de sua “inteligência pessoal“.

“A oitiva de Bolsonaro é considerada fundamental para elucidar os fatos em apuração, tendo em vista que algumas das principais suspeitas sobre o mandatário decorrem de falas dele próprio em aparições públicas e no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado na última sexta-feira.”

Mas o engavetador-geral da república está avaliando. E por falar em cretinismo…

A Folha listou as cotradições:

“O conjunto de indícios colhidos no inquérito, no entanto, contradiz o presidente. Embora atribua ao GSI sua insatisfação, manifestada na reunião de 22 de abril, o chefe do grupo designado para a segurança da família presidencial foi promovido semanas antes da agenda com os ministros, gravada em vídeo. Dois dias depois do encontro, foi o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, quem ele demitiu. O primeiro ato da nova cúpula da corporação foi mudar o superintendente no Rio, estado em que correm investigações com potencial de atingir parentes e aliados do presidente. Outra evidência a ser explicada por Bolsonaro é a mensagem enviada a Moro no mês passado, na qual ele diz ser motivo para a troca de Valeixo notícia de que a PF estava investigando, no chamado inquérito das fake news, um grupo de deputados bolsonaristas. A equipe que auxilia Aras vê indícios de que o presidente cometeu algum dos seguintes delitos: prevaricação, advocacia administrativa ou afronta a um dispositivo da lei de abuso de autoridade. A avaliação é preliminar.”

Ah vá…

“A decisão sobre se cabe acusar o presidente e sobre qual tipo penal será eventualmente aplicado é exclusiva do procurador-geral. Essa análise só ocorre mais adiante, depois de a PF concluir seu trabalho de investigação e apresentar relatório-final à PGR. À Folha o advogado de Moro, Rodrigo Sánchez Rios, afirmou que o depoimento de Bolsonaro é necessário e pediu para formular questionamentos.​”

Alguma dúvida que a AGU oficial e aAU paralela (vulgo PGR) farão de tudo pra que Moro não possa formular perguntas?

Ah, e essa notinha plantada pra tentar aparentar alguma normalidadena à visita do Bolsonaro ao Aras?

“Antes de comer cachorro-quente de rua no domingo, sob panelaços e pedidos de selfie, Bolsonaro resolveu passar na casa de Luiz Eduardo Ramos, sem avisá-lo. Às pressas, o ministro fez um lanche para receber o chefe. Ofereceu até leite condensado para acompanhar o pão, como Bolsonaro demonstrou gostar na campanha.” [Estadão]

Até imagino o general metendo esse caô no telefone, “olha, ele veio aqui sem me avisar e eu ofereci pão com leite condensado.” Não fode, general!

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3. Como é burro a Whitney

È espantoso que um governador do Rio faça o que Whitney fez sabendo que todos os seus antecessores já foram em cana – e um deles usava a mulher como laranja. beijo, Cabral.

“Alvo da PF, a primeira-dama do Rio, Helena Witzel, tem parca experiência como advogada. Um contrato de R$ 540 mil do escritório dela com empresa investigada na Lava Jato é visto como um dos principais elos entre o governador e o esquema de desvio de recursos. Sua inscrição na OAB foi deferida em março de 2015. Desde então, atuou em poucos processos, quase todos relacionados a Wilson Witzel (PSC), em causas particulares ou envolvendo o partido ao qual o marido é filiado. No Tribunal de Justiça do Rio constam apenas sete processos dos quais ela participou como advogada, seis deles na defesa da família Witzel. No Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ela aparece como advogada em apenas um caso, também como representante do marido. Por fim, no Tribunal Superior Eleitoral, ela aparece também como uma das advogadas do PSC, partido do governador.” [Folha]

Whtney é tão malandra que meteu a mulher de testa de ferro e já foi logo mundando o regime de casamento de separação de bens pra comunhão universal.

“A rasa carreira de Helena chamou a atenção dos investigadores. Outro fato também gerou estranheza. Ela e o marido mudaram o regime de bens do casamento para comunhão universal exatamente no período em que os primeiros depósitos do contrato foram feitos. Witzel e Helena negam irregularidades. “

E Whitney voltou suas baterias para o Aras:

“Estão jogando meu nome na lama de forma absolutamente inadequada. Isso é uma farsa, é uma perseguição política, vou desmontar essa farsa. Eu vou tomar providências junto ao Senado. Se essa investigação partiu de coluio do procurador-geral da República para induzir ao erro o ministro, que nada, nada vai ser encontrado, responsabilidades terão que ser assumidas pelo procurador-geral da República e pelo presidente.” [O Globo]

E como é burro o Bolsonaro, hoje ele voltou a falar sobre a operação e…

“Vai ter mais. Enquanto eu for presidente, vai ter mais (operação). No Brasil todo. Não é informação privilegiada, não. Vão falar que é informação privilegiada.A Polícia Federal está agindo.” [O Globo]

Ele continua produzindo provas contra si mesmo, ele tá confessando que interfere sim na PF, fascinante. Presidente não manda ter mais ou menos investigação, porra!

E como é burra a Zambelli:

“A Procuradoria-Geral da República recebeu, nesta terça-feira, 26, um pedido do PSOL para investigar a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e outros membros do governo de Jair Bolsonaro pelo suposto vazamento ilegal de informações de operações sigilosas da Polícia Federal.” [Estadão]

“O pedido de investigação foi protocolado pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP) e direcionado ao gabinete do procurador-geral Augusto Aras, que agora vai avaliar se a representação terá prosseguimento.”

Falta fazer o esmo para o Filipe Martins. E a linha de defesa da Zambi é maravilhosa:

“Foi uma coincidência? Não só isso. Se eu soubesse e tivesse informação privilegiada… eu não pareço ser uma pessoa burra…” [CNN]

.. poderia até ser, mas não sou. Eu falaria isso publicamente se tivesse informação privilegiada? Principalmente eu, uma pessoa que tenta proteger as informações e o governo”

“Eu não faria isso. Só se quisesse prejudicar. E eu estava defendendo o governo ontem a respeito das infames coisas que o ex-ministro [Sergio Moro] afirmou do meu governo, do governo do presidente Bolsonaro”

Bem, se ela tivesse vazado isso prejudicaria o governo que ela defende, e como seu papel é proteger ela não confessaria o crime, eu acho é graça.

E que tweet maravilhoso:

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4. Adeus, capital!

Na reunião Guedes jurou que o Brasil tava bem, admirado pelos gringos e bla bla bla. Eis a realidade:

“Não liguem para o que diz o ministro da Economia ou mesmo os jornalistas. O mercado já sabe o que vai acontecer.

Investimentos Diretos no País (IDP) em março: US$ 7,621 bilhões.

Investimentos Diretos no País (IDP) em abril: US$ 234 milhões.

Até o dia 16 de abril, R$ 65,5 bilhões de reais de investimentos estrangeiros deixaram a Bolsa de Valores de São Paulo.

Em menos de 4 meses, esse valor já supera o recorde histórico de saída de recursos estrangeiros da Bovespa que ocorreu em… 2019 (R$ 44 bilhões)” [Facebook]

E a cara de pau do Constantan?!

De quebra ainda tem isso aqi ó:

“Os organismos internacionais que são credores dos estados deram o aviso oficial à equipe econômica. Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco de Desenvolvimento Latino-Americano contaram em uma reunião, na terça-feira, que vão cortar o crédito ao Brasil se o governo não vetar a parte do socorro a estados que permite a suspensão do pagamento da dívida bancária. Pelo texto, o Tesouro Nacional também não conseguiria cobrir esses compromissos. Esse é um ponto conflituoso do socorro aos estados. Os governadores pediram para o presidente não vetar, e a equipe econômica sugere o contrário. Os credores agora deram oficialmente o aviso sobre as consequências dessa decisão.” [O Globo]

Porra, farinha pouca meu pirão primeiro, né? Nessa aí fico do lado dos governadores, prioridade agora não é pagar banco gringo. Foda é negociar com essa política externa demncial.

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5. Covid-17

O troço mais absurdo da fatídica reunião ministerial em plena pandemia é que quase não se falou sobre a… pandemia! E isso me lembra dessa obra de arte do Gustavo Berocan, irmão do delegado federal mais sexy de Goiás:

gustavoberocan

Voltamos a ter mais de 1.000 mortes por dia, não demora muito e serão duas mil mortes por dia, fora o baile – quer dizer, a sub-notficação.

“Os brasileiros são majoritariamente favoráveis ao “lockdown”, o confinamento radical para combater a transmissão do coronavírus, mas têm saído mais de casa em cidades que estão em quarentena devido à pandemia. É o que mostra pesquisa feita pelo Datafolha na segunda (25) e na terça (26), quando foram ouvidos 2.069 adultos por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Para 60% dos ouvidos, a medida é recomendável. Já 36% são contrários, 2% não souberam responder e 1%, se dizem indiferentes.” [Folha]

E como a nossa elite é pavorosa…

“Os mais ricos, que ganham acima de 10 salários mínimos, são também os mais refratários à ideia: 50% são contra, empatados com 47% a favor.”

E adivinhe onde o apoio é maior:

“O apoio à ideia é maior no Nordeste, região que tem demonstrado maior oposição ao longo da crise às políticas encarnadas pelo presidente Jair Bolsonaro, de maior preocupação com a economia e rejeição ao isolamento social. Lá, 69% são a favor do “lockdown”. Com 54% de apoio, a região Sul, reduto bolsonarista, é a menos favorável.”

URGE:

– Guilhotina (serve taxação de fortuna e aumentar impostos dos mais ricos)
– Dino presidente
– Sulito

“O Datafolha mostra que, apesar de apoiar o “lockdown” e manter o apoio à prioridade de permanecer em casa ante a necessidade de ir trabalhar em prol da economia, o brasileiro vem cada vez menos aderindo ao isolamento social. Dizem que se cuidam, mas estão saindo de casa, 35%. Nas três pesquisas anteriores, em 1º a 3 de abril, 17 de abril e 27 de abril, os índices eram respectivamente de 24%, 26% e 27%. Já aqueles que dizem sair só quando é inevitável seguem sendo o maior grupo, 50%, com estabilidade ante o aferido anteriormente. Apesar desses números, os benefícios do isolamento social são assim percebidos de forma majoritária. Para 65%, é mais importante que as pessoas fiquem em casa do que retomar a economia com a volta às ruas e reabertura do comércio não essencial. O número é estável em relação aos dois últimos levantamentos, mas inferior aos 76% registrados na aferição de 1º a 3 de abril. Já aqueles que acreditam que seja hora de flexibilizar mais o isolamento vêm crescendo de 18% naquela pesquisa para 28% nesta.

Aqui, a ocupação do entrevistado fala alto. Empresários são os mais contrários a manter as pessoas em casas, mesmo que isso cause mais desemprego: 51%, enquanto 39% deles acham que a prioridade é o isolamento. O “lockdown” é rejeitado por 55% dos empresários, ante 38% que o aprovam. Estudantes estão no outro polo, com 83% de apoio a ficar em casa, enquanto 16% deles querem o relaxamento das regras de quarentena. Por fim, o brasileiro está pessimista com a duração da crise, que afeta o cotidiano de grandes cidades brasileiras desde o fim de março. A maior fatia entre os ouvidos, 40%, crê que o país só voltará à normalidade num prazo de quatro meses a um ano. Para 9%, isso ocorrerá de um a dois meses, 10% veem a retomada de dois a três meses e 8%, de três a quatro meses. São mais pessimistas os jovens de 16 a 24 anos, aqueles com curso superior e os mais ricos.”

E tá mó bateção de cabeça em SP:

“Os detalhes da renovação da quarentena no estado de São Paulo elevaram a tensão entre as equipes do governador do estado, João Doria, e do prefeito da capital, Bruno Covas (ambos do PSDB). Doria já afirmou que renovará a quarentena a partir de junho, mas de maneira heterogênea, com detalhes que serão anunciados nesta quarta-feira (27). Na noite desta terça, o governo soltou aviso de pauta afirmando que será anunciada a “nova fase do Plano São Paulo, que prevê a retomada das atividades econômicas a partir de critérios técnicos”. A inclusão da capital paulista num eventual endurecimento, nesta quarta ou mais adiante, preocupa a equipe de Covas. Um dos planos colocados à mesa é criar zonas no estado que, de acordo com seus índices, seriam classificadas como áreas verdes, amarelas ou vermelhas. Por essa lógica, cidades do interior, hoje com baixo número de casos por grupo de habitantes, teriam maior liberdade, enquanto a região metropolitana, epicentro da crise, teria um endurecimento da quarentena.

Entre as mudanças nessas zonas vermelhas, na qual seria incluída a capital, estariam a limitação do trabalho inclusive da indústria e da construção civil. Além do impacto nas contas da cidade, uma medida neste sentido poderia afetar até grandes obras realizadas pela prefeitura em ano eleitoral. O entorno do prefeito se opõe a esse endurecimento ainda maior, alegando que a cidade têm conseguido achatar a curva de transmissão.Conforme mostrou a coluna Mônica Bergamo, o índice de reprodução do vírus (Rt) da cidade, que indica para quantas pessoas cada infectado transmite a doença, está em 1.1, enquanto o do estado, incluindo o interior, chega a 1.7. O secretário de Saúde de Covas, Edson Aparecido, afirmou na ocasião que a situação está sob controle.” [Folha]

Dia desses postei aqui a fórmula alemã, e nem fodendo um Rt de 1,1 é aceitável, porra! Que dirá 1,7. E isso não enquadra a brutal sub-notificação. E abro um parênteses para esse gráfico didático sobre a sub-notficação:

Voltando ao texto

“Outro dado que a gestão apresenta como exemplo de que fez a lição de casa é a criação de mais 1.007 leitos de UTI na cidade, triplicando os cerca de 500 existentes. Além disso, dois hospitais de campanha foram abertos, e as vagas de enfermaria foram ampliadas em outras unidades. Com isso, os índices de ocupação de UTI têm permanecido próximos de 90%. Os índices de isolamento cresceram ligeiramente após caírem.”

90% de ocupação dos leitos e aumento de circulação de pessoas, ligue aí os pontos.

“Inicialmente, o posicionamento da gestão Doria foi o de que o “lockdown” seria usado se necessário. Mas a medida por ora parece afastada. O coordenador do comitê contra o coronavírus , Dimas Covas, chegou a compará-la a um “atestado de falência do sistema público de saúde”, após ter indicado anteriormente que o estado estaria próximo de reunir as condições para “lockdown”.”

Ora, a idéia é justamente não colapsar o sistema de saúde, porra!

E mais uma cabeça vai rolar no ministério da Saúde:

“O secretário substituto de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, disse nesta terça-feira (26) que a defesa de que o país deve chegar naturalmente a uma “imunidade de rebanho”, com alto número de pessoas infectadas, como uma forma de frear a Covid-19, “não é a melhor estratégia”.” [Folha]

Além de não ser a melhor é a mais macabra e mórbida.

“Nos últimos meses, o discurso de que 70% dos brasileiros devem pegar a Covid tem sido repetido pelo presidente Jair Bolsonaro como forma de contrapor medidas como o isolamento. “Se você tem uma vacina disponível, isso sim é o ideal, ter 70%, 80%, para que com isso essa população vacinada consiga de fato proteger a população não vacinada”, disse. Ele ressaltou que, embora ainda não haja uma vacina disponível contra o novo coronavírus, pesquisas atuais apontam que essa possibilidade poderá ocorrer em médio prazo. Segundo o secretário, o SUS está preparado para organizar uma estratégia quando a vacina estiver disponível. Ele defendeu medidas de prevenção e distanciamento.

Resultado do estudos têm mostrado que o país ainda estaria longe de uma imunidade coletiva. Dados de etapa inicial do estudo Epicovid-19, primeira pesquisa nacional sobre a doença, apontam que o número de infectados pelo novo coronavírus deve ser cerca de sete vezes aquele registrado nas estatísticas oficiais. Por outro lado, o mesmo estudo mostra que a taxa de infecção ainda é baixa. Em 90 cidades, 760 mil pessoas foram contaminadas, ou seja, têm anticorpos para a doença –número equivalente a cerca de 1,4% da população somada desses municípios. Nessas cidades mora mais de 25% da população brasileira. Na cidade de São Paulo, aproximadamente 3,1% da população já teria sido infectada e teria anticorpos na data da pesquisa —trata-se de um retrato da quantidade de infecções ocorrido no início do mês, portanto. No Rio de Janeiro, a taxa é de 2,2%. Questionado sobre a pesquisa, Macário disse que a pasta ainda aguarda para receber os resultados.”

O Esper Kallás traz alguns números interessantes sobre a imunização de rebanho, e o ele diz que essa é auma péssima traduçao para herd immunity e sugere algo como “Imunidade comunitária, imunidade populacional ou imunidade social”:

“É possível calcular a porcentagem necessária para atingir a imunidade de rebanho. Em vírus de transmissão respiratória, por exemplo, precisam estar protegidas 92% a 95% da população no caso do sarampo, 83% a 86% para a rubéola e 33% a 44% para a gripe, causada pelo vírus influenza. Uma das maneiras para que se consiga atingir a imunidade de rebanho é o uso de vacinas. Sem que seja preciso pagar o alto preço das doenças causadas pelos vírus, as vacinas poderiam induzir a proteção necessária com a inoculação de vírus enfraquecidos ou mortos, incapazes de causar doença mas aptos a estimular a defesa do indivíduo. Assim, cumulativamente, é construída artificialmente a imunidade de rebanho. Qual porcentagem de pessoas protegidas será necessária para que seja interrompida a transmissão do novo coronavírus? Ainda não sabemos e são várias as dificuldades para responder a essa pergunta.” [Folha]

Mas Bolsonaro está cheio das certezas cantadas em seu ouvido por Osmar Terra, que rasgou a malha espaço-tempo e viajou do século 18 para o 21.

“Ainda não temos o teste ideal para dizer se uma pessoa está protegida. Embora muito se fale sobre os anticorpos protetores, é mais difícil detectá-los em pessoas que tiveram formas brandas da Covid-19 ou que tiveram infecção sem sintomas. Os testes atuais ainda têm problemas, com índices consideráveis de resultados falso-negativos – em outras palavras, os testes que dispomos agora ainda podem falhar em detectar anticorpos presentes em algumas o novo coronavírus. Os números são assustadoramente baixos: algumas regiões com 5%, outras com 10%, mas habitualmente não ultrapassam 20%. São porcentagens baixas, se comparadas àquelas descritas na imunidade de rebanho relacionada a outras viroses de transmissão respiratória. Mas por que isso ocorre com o novo coronavírus? Uma das possíveis explicações está na acurácia dos testes, que precisa melhorar. Outro ponto é que, talvez, não seja apenas a presença de anticorpos que assegure se uma pessoa está protegida ou não: é possível que haja algum outro aspecto da resposta imune que confira proteção, mas que ainda não sabemos qual é. Somente respondendo a estas questões chegaremos à compreensão do ciclo completo da onda pandêmica. Serão respostas fundamentais para o uso de uma vacina eficaz e, finalmente, para o possível controle da pandemia.”

E estamos deveras fodidos…

“Procuradorias em ao menos três estados se movimentaram para ampliar o uso de medicamentos para tratamento de sintomas iniciais de Covid-19, incluindo cloroquina e hidroxicloroquina. Em Minas Gerais e Goiás, procuradores fizeram recomendações a determinados municípios, enquanto no Piauí foi aberta ação civil pública em caráter liminar. Os procuradores de MG e GO citam a nota publicada pelo Ministério da Saúde no dia 20 de maio, com indicações de aplicação de hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves da Covid-19.” [Folha]

Parabéns, general, parabéns, Exército brasileiro!

“Para pedir uso precoce de hidroxicloroquina, os documentos das Procuradorias em MG e GO misturam relatos anedóticos, informações falsas, links de sites que apoiam o governo Bolsonaro, estudos contestados e in vitro (só em células) e ignoram estudos publicados em revistas científicas respeitadas mundialmente e entidades científicas brasileiras… As duas recomendações citam Didier Raoult, infectologista francês cuja pesquisa deu início à questão da cloroquina na pandemia, mas acabou contestada pela revista que a publicou. No estudo citado pelo MPF, pesquisadores analisaram dados de pessoas com Covid-19 tratadas com hidroxicloroquina e azitromicina, mas não tinham um grupo de controle para comparação, o que impede conclusões. Na defesa do uso precoce da hidroxicloroquina, o MPF de Minas cita o Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, no Piauí, como suposto exemplo de resultado satisfatório. O coordenador do hospital, contudo, desmentiu a informação de que a droga seria responsável por êxito no tratamento dos pacientes no local. O documento do MPF nos dois estados também menciona suposto estudo conduzido pela rede de planos de saúde Prevent Senior para dizer que operadoras têm feito uso precoce da hidroxicloroquina. Até o momento, porém, a exceção de entrevistas de executivos da Prevent, nenhum dado referente aos resultados do protocolo adotado pela empresa foi disponibilizado.”


A minha impressão é que tem centenas de Aílton Beneditos – o mais surreal e retrógrado dos procuradores – espalhados pelo país. E falando nele…

“Em Goiás, a recomendação assinada por Ailton Benedito, procurador que chegou a ser cogitado para Procurador Geral da República e voz conservadora no MPF, pede a disponibilização dos medicamentos indicados pelo Ministério da Saúde para 119 municípios —ao todo, o estado tem 246.”

A voz conservadora do MPF, isos só mostra o quão débil mental é o conservadorismo em um páís brutalmente desigual.

E agora vai, hein, porra!

“Poucos dias depois de ser nomeado pelo ministro Eduardo Pazuello como um de seus assessores especiais, o coronel Luiz Otavio Duarte ganhou uma promoção no Ministério da Saúde. Virou Secretário de Atenção Especializada à Saúde. Em seu Linkedin, o coronel se apresenta como “gestor de licitações, contratos e convênos”. A missão da secretaria que assume é fazer “o controle da qualidade e avaliação dos serviços especializados disponibilizados pelo SUS à população, além de identificar os serviços de referência para o estabelecimento de padrões técnicos no atendimento de urgência e emergência; atenção hospitalar; domiciliar e segurança do paciente.” [O Globo]

E o Centrão se fodeu:

“Na mira de partidos Centrão, o cargo de secretário de Atenção Especializada (Saes) do Ministério da Saúde ficará nas mãos da ala militar do governo. O coronel Luiz Otávio Franco Duarte, nome levado pelo ministro interino Eduardo Pazuello, foi nomeado nesta quarta-feira, 27, para comandar a secretaria. A vaga estava prometida desde a gestão de Nelson Teich ao médico Marcelo Campos Oliveira, que atualmente ocupa uma diretoria na estrutura da Saes. Ainda que indicado pelo ex-ministro, o nome de Oliveira passou pelo aval de líderes do Progressista (antigo PP) e do PL, que participam de discussões recentes sobre ocupação de cargos do governo Jair Bolsonaro. Como mostrou o Estadão, a ala militar do Palácio do Planalto, até então crítica à chamada “velha política”, tem negociado a entrada de partidos do bloco no governo. Os acordos, com aval do presidente Jair Bolsonaro, têm sido capitaneados pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo e general da ativa, Luiz Eduardo Ramos. O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, também general, eventualmente participa das conversas que ocorrem dentro do Palácio do Planalto. O encontro dos dois extremos foi apelidado em Brasília de “Centrão Verde-Oliva” e acumula discórdia e desconfiança em todos os lados. A secretaria que será comandada pelo coronel Luiz Duarte é cobiçada por liberar recursos para custeio de leitos em hospitais de todo o País. Durante a pandemia, a Saes já autorizou bancar R$ 911,4 milhões para o funcionamento, por 90 dias, de 6.344 quartos de UTI específicos para a covid-19.” [Estadão]

Imagine o quão puto o Centrão deve estar.

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6. Sobre a reabertura

A chance da nossa reabertura dar certo é nenhuma:

“A cidade de Córdoba, a segunda mais importante da Argentina, havia começado a flexibilizar as restrições de isolamento há duas semanas, reabrindo comércios e mercados de comida e artigos por atacado. Com 87% dos casos de coronavírus concentrados na Grande Buenos Aires, as outras províncias do país passaram a relaxar medidas em alguns setores. O resultado, porém, não foi positivo. Em apenas três dias, o Mercado Norte, o mais antigo e mais frequentado da cidade, a poucas quadras do centro histórico de Córdoba, registrou 61 casos de infecção e duas mortes entre empregados, frequentadores e pessoas ligadas ao local. O governo da província resolveu, então, retroceder no relaxamento, e a cidade voltou a adotar o “lockdown”. Apenas os mercados menores de comida puderam seguir funcionando, com uso obrigatório de luvas e máscaras, além de limitação no número de consumidores dentro dos comércios.

Identificados como uma das principais causas de disseminação do vírus, os mercados populares preocupam a Argentina, onde os controles são mais rigorosos, e outros países da América Latina. “O mercado popular é uma tradição latino-americana e tem presença muito marcada onde há grande população mestiça ou indígena”, descreve Carmen Yon, especialista em antropologia da saúde e em questões sanitárias nas regiões amazônica e andina do Peru. “É importante não só pela atividade comercial, mas porque representam um local de convivência que remonta ao passado da região. Por isso a quarentena tem sido difícil no Peru. Apesar do anúncio de medidas duras, esses focos de contaminação continuam espalhando o vírus.” Em Lima, num mercado de frutas, 80% dos vendedores receberam diagnóstico de Covid-19. Teve de fechar. Depois, o governo realizou testes em dois mercados grandes de comida, os de Caquetá e Surquillo, e os resultados apresentaram infecções em 65% dos empregados. Também tiveram de fechar.

Em muitos mercados, como o de La Merced, na Cidade do México, cuja entrada é vigiada pela polícia, além das aglomerações dentro dos locais, há ainda a preocupação com o entorno, uma vez que essas áreas concentram vendedores ambulantes, que montam barracas improvisadas. O mesmo ocorre em La Salada, na Grande Buenos Aires, um dos maiores da América Latina, cujos vendedores já não aguentam mais as restrições. Eles convivem com as medidas há quase 70 dias. “Não tem como, vivemos disso, a alternativa é montar a barraca nas quadras ao redor do mercado e, quando a polícia chegar, correr”, diz Diego Trujillo, 36, que comercializa roupas de inverno. A Bolívia é outro país em que os mercados populares ocupam papel fundamental na economia regional. Na região andina, esse tipo de comércio faz parte da tradição indígena e, claro, gera grandes aglomerações, principalmente aos finais de semana, quando frequentadores viajam da áreas rurais até pequenos centros urbanos para vender e comprar produtos.” [Folha]

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7. Old man yells at clouds

Esse aí não dá uma dentro!

“Em mensagem publicada nas redes sociais, o general da reserva Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do governo federal, contradisse narrativa repetida por Jair Bolsonaro (sem partido) de que a facada que recebeu de Adélio Bispo em 2018 teve um mandante. Na tentativa de ofender Ciro Gomes (PDT-CE), Heleno disse que ele é um “caso igual ao Adélio, inimputável por ser débil mental”. “Ciro Gomes, que eu mal conheço e considero um canastrão, publicou um vídeo com uma série de ofensas a mim. Não vou responder, porque o considero um lixo humano, nem vou processá-lo, por ser um caso igual ao Adélio, inimputável por ser débil mental”, escreveu. Em maio de 2019, a Justiça declarou que Adélio Bispo é inimputável, ou seja, não pode ser responsabilizado criminalmente por seus atos. De acordo com perícia, Adélio é portador de transtorno delirante persistente.” [Folha]

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8. Sobre as companhias áereas

Quem acha que tem que deixar as empresas aéreas quebrarem não entendeu porra nenhuma:

“O setor de transporte aéreo de passageiros, um dos mais castigados pela pandemia, é a expressão do que de mais moderno e insubstituível a economia globalizada produziu. Segmento estratégico, gigantesco e vital, pois não só permite a qualquer cidadão do mundo circular pelos continentes como é essencial para viabilizar o comércio e a logística mundiais. No ano passado, as dez maiores companhias aéreas transportaram mais de 1,5 bilhão de passageiros, empregaram mais de 850 mil pessoas e faturaram US$ 357 bilhões. Ante a pandemia, o governo alemão não teve dúvidas em tomar a frente para salvar a Lufthansa, pois já tinha separado € 100 bilhões para socorrer empresas do país.” [Folha]

E isso não quer dizer cheque sem fundo, tem que é que injetar dinheiro em troca dum naco acionário das empresas, algo que inacreditavelmente o Paulo Guedes apoiou publicamente – se bem que na reunião ministerial o papo dele foi outro:

“Sétima maior companhia no mundo em passageiros transportados —145 milhões em 2019 —, a Lufthansa faturou US$ 43 bilhões no ano passado, dando lucro e empregando 135 mil funcionários. Mas, com a pandemia assolando a Europa, deixou no chão 95% de seus 760 aviões e começou a perder € 1 milhão por dia, ameaçando demitir milhares de funcionários. O WSF, fundo de apoio à economia, fez um pacote de € 9 bilhões para evitar que a companhia pedisse concordata. A ajuda prevê emissão de € 300 milhões em novas ações, a serem compradas pelo governo, que assume participação de 20% na empresa e passa a ter dois assentos no conselho de administração, vetando a distribuição de dividendos e colocando limites aos salários e bônus da diretoria. Some-se ainda uma injeção de € 5,7 bilhões, sem direito a voto, para ajudar a empresa a reposicionar o caixa. O banco público alemão KfW ainda encabeçou a estruturação de empréstimo sindicalizado, com o prazo de três anos, para suprir capital de giro no valor de € 3 bilhões. Com essa atitude, o governo alemão deixou claro que não vai deixar a Lufthansa, antes da pandemia saudável e lucrativa, perecer ou ser comprada a “preço de banana”.”

Que inveja fodida. Dia desses eu apontei o quão ridículo era o governo federal sinalizar uma ajuda de 1 mísero bilhão às companhias aéreas:

“Com um volume de menos de US$ 1 bilhão a ser dividido entre as três maiores companhias aéreas brasileiras, o pacote louvável do BNDES é insuficiente, porque ainda não dá para prever o tamanho do buraco em suas contas. Tampouco parece razoável pensar que o mercado possa colocar 40% desse valor. A que taxa? Quanto tempo vai levar para levantar esse dinheiro? Sem dor e sem ideologia, a alternativa é fornecer o caixa de que precisam. Adicionalmente, o governo poderia dar dinheiro para capital de giro até a situação se estabilizar e se tornar sócio, saindo quando o mercado se estabilizar e as ações voltarem a crescer. A salvação dessa parte importante da logística brasileira não pode depender do mercado.”

Sim, mil vezes sim!

“Enquanto o Brasil patina no socorro às companhias, em abril os EUA disponibilizaram US$ 25 bilhões para dez empresas aéreas. Grande parte será injetada nas companhias desde que não demitam e outra virá na forma de empréstimo de longo prazo, a taxas baixíssimas, dando ao governo americano bônus de subscrição de ações para lucrar com a alta das ações quando o mercado se recuperar. Os casos europeu e americano ilustram bem como governos centrais decidem atuar para proteger interesses estratégicos, postos de trabalhos e a estabilidade da economia de seus países. O que acontecerá com um país de extensões continentais como o Brasil, por exemplo, se as maiores companhias aéreas brasileiras quebrarem? Como dimensionar o impacto na economia? A população acabaria isolada do mundo até que as linhas de conexão (slots) fossem reestabelecidas, quem sabe até por concorrentes estrangeiras? Salvar as empresas aéreas brasileiras não é uma questão de protecionismo ou ideologia. Existe tecnologia financeira comprovada e segura para agir, e rapidamente, nesses casos extremos. Não há mais tempo a perder!”

E o ridículo 1 bilhão foi multiplicado por 6:

“O socorro do BNDES, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil à Latam, Gol e Azul está acertado. Mas, pelas estimativas das empresas, o dinheiro no caixa só vai ser depositado entre fim de junho e início de julho. A ajuda total será de R$ 6 bilhões. Até lá, e por muito tempo ainda, as empresas irão operar com cinto apertado.” [O Globo]

A Latam já tá no bico do corvo:

“A Latam, segunda maior companhia aérea em voos domésticos no Brasil, oficializou na terça-feira pedido de recuperação judicial nos EUA, Chile, Peru, Colômbia e Equador para reestruturar seus negócios, afetados pela crise do novo coronavírus. Apesar de não ter apresentado à Justiça brasileira solicitação semelhante, o movimento acendeu o sinal de alerta no governo federal e acirrou as divergências entre os ministérios da Infraestrutura e da Economia em relação ao que pode ser feito para ajudar as aéreas no país. O pedido de recuperação foi apresentado no exterior porque 95% das dívidas da matriz da companhia estão em contratos regidos pela legislação americana. Se o pedido fosse feito no Brasil, a empresa teria que desistir de receber ajuda do BNDES.

O BNDES acertou um socorro de R$ 2 bilhões para cada uma, o que foi considerado baixo tanto pelas empresas quanto por integrantes do próprio governo. A ampliação desse valor, porém, esbarra na recusa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de adotar medidas de socorro específicas para determinado conjunto de empresas. Mas cresce dentro do governo a avaliação que as aéreas precisarão de um suporte mais forte, diante da queda de mais de 90% na demanda por causa da pandemia e pelo caráter estratégico do setor. — A nossa preocupação com o setor aéreo sempre é de preservar as empresas operando para preservar os empregos e, na retomada, a gente não ter um problema de choque de oferta, o que vai causar uma elevação de tarifas, e termos localidades desassistidas — afirmou ontem o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ao comentar a decisão tomada pela Latam.” [O Globo]

Ah vá…

“Atualmente, a Latam opera com uma frota de 333 aviões, sendo 162 no território brasileiro. Globalmente, a empresa emprega 41 mil pessoas — 21 mil no Brasil. A empresa enfrenta dificuldades para atender às demandas estabelecidas pelo BNDES para receber a ajuda oferecida porque não tem sede no país, nem ações negociadas na Bolsa brasileira. Mas há quem argumente que é preciso considerar o peso da companhia na malha aérea do país. A Gol lidera o mercado de voos domésticos, com uma fatia de 38,6%, seguida por Latam (37,7%) e Azul (23,3%).”

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9. China

Do Gaspari

“Com a exposição das falas tétricas da reunião ministerial de Bolsonaro, saem do Planalto sinais de preocupação diante de um eventual estrago que possa ocorrer nas relações do Brasil com a China. Se um ministro chinês dissesse que o Brasil “é aquele cara que cê sabe que cê tem de aguentar”, porque eles nos vendem proteínas de que precisamos, e outro acrescentasse que a “globalização cega” levou o país a comprar alimentos de quem espalhou o “comunavírus”, a milícia bolsonariana estaria com a faca nos dentes. Bizarrices desse tipo partiram dos ministros Paulo Guedes, na reunião, e Ernesto Araújo, num artigo. O professor Delfim Netto já ensinou que os governos precisam abrir a quitanda pela manhã, com beringelas para vender e troco para a freguesia.

O governo de Jair Bolsonaro só abre à noite, não tem troco nem legumes e briga com as freguesas. À primeira vista faz isso movido por estranhas convicções, mas as encrencas que ele cria com a China são produto da inépcia. Durante a existência do capitão, a diplomacia brasileira cuidou de grandes questões que envolviam o interesse nacional. Assim foi com o estranhamento ocorrido no século passado com a Argentina em torno da construção da hidrelétrica de Itaipu ou mesmo com os Estados Unidos durante o governo de Jimmy Carter, em torno do acordo nuclear assinado com a Alemanha. Nesses dois casos existiam contenciosos. Com a China não há contencioso algum, salvo recônditos sentimentos racistas. No limite, o Império do Meio acaba mal falado porque compra beringelas brasileiras.

O doutor Guedes diz que “tem que aguentar” o chinês e orgulha-se de ter lido obras do economista John Maynard Keynes “três vezes, no original”. Ler o inglês no original é motivo de orgulho, vender soja para o chinês chega a ser um desconforto. O povo chinês viveu o que ele mesmo chama de “século da humilhação”. O palácio de verão dos imperadores foi saqueado por uma tropa anglo-francesa em 1860 e no início do século passado um parque localizado no enclave internacional de Xangai tinha um cartaz que avisava: “Proibida a entrada de cachorros e de chineses”. Quando o ministro da Educassão, Abraham Weintraub, fez graça brincando com a fala do Cebolinha para sugerir que a China seria a beneficiária da ruína provocada pela pandemia, sabia que lidava com um preconceito. Seu erro estava em julgar-se superior aos chineses, e muita gente pensa assim.

Em 1979, quando o poderoso Deng Xiaoping visitou Nova York, precisou pedir dinheiro a um amigo para comprar um presente para sua neta, uma boneca que chorava e fazia xixi. Hoje as crianças americanas brincam com bonecas chinesas. Na transcrição liberada com embargos pelo ministro Celso de Mello, Bolsonaro disse que “não queremos brigar com XXXXXX , zero briga com a XXXXX.” A XXXXX não briga, espera. Fica aqui o registro de que o ministro zombou da curiosidade alheia nos embargos que impôs ao texto da fatídica reunião de 22 de abril. Alguns cortes são risíveis, pois basta medir o trecho suprimido para se perceber o que está escrito ali” [Folha]

Essa do Celso eu relamente não entendi, era pra sumprimir o parágrafo todo – mas não que os chineses já não soubessem o que havia sido dito na reunião, né?

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10. Os últimos dias de Abraham

Todo mundo na contagem regressiva…

“O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestar depoimento em cinco dias à Polícia Federal por ter afirmado na reunião ministerial de 22 de abril que, por ele, botaria todos na prisão, “começando pelo STF”. Moraes afirmou que há “indícios de prática” de seis delitos. Segundo o Código Penal, Weintraub pode ser enquadrado por difamação e injúria. Os outros estão tipificados em quatro artigos da lei que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social. Um deles prevê pena de um a quatro anos a quem caluniar ou difamar os presidentes dos três Poderes e o da Câmara dos Deputados. Outro pode dar de dois a seis anos de reclusão a quem tentar impedir o livre exercício dos Poderes da União e dos estados. O terceiro estabelece uma pena de um a quatro anos de prisão para quem fizer propaganda que leve à discriminação racial ou perseguição religiosa. Nesses casos, a pena é aumentada em um ano quando a propaganda for feita em local de trabalho. O último é o que se refere a quem incitar a subversão da ordem política e prevê reclusão de um a quatro anos.” [Folha]

Vai, Cabeça de Pica, nunca te critiquei!

“Na decisão, o ministro também incluiu a transcrição do trecho em que Weintraub declara odiar o termo “povos indígenas” e “povo cigano”. E deu destaque ao trecho em que fala em prisão de magistrados. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”. Ao levantar o sigilo do vídeo, o ministro Celso de Mello já havia feito duras críticas a Weintraub. O decano do STF reservou um capítulo específico da decisão para criticar a “descoberta fortuita de prova da aparente prática, pelo ministro da Educação, de possível crime contra a honra dos ministro do STF”. E determinou a entrega de cópia integral do vídeo aos colegas de Supremo para que possam “adotar as medidas que julgarem pertinentes” em relação à declaração do ministro da Educação.”

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11. Sobre a banalização do fascismo

A desgraça começou quando banalizamos o fascismo:

“Se há um insulto que, de tão abusado, sofreu enorme desvalorização é o de fascista. No começo, designava as milícias do italiano Benito Mussolini, que marcharam sobre Roma em 1919 e o levaram ao poder. Aos poucos, tornou-se sinônimo de regime totalitário e, com o nazismo, chegou ao máximo da brutalidade. Durante o século 20, no entanto, o epíteto se generalizou e passou a designar qualquer pessoa que não seja “de esquerda”. É um leque que abrange dos hidrófobos de direita assumidos aos vagamente reacionários, conservadores, centristas, liberais, neoliberais e até social-democratas. Todo mundo já foi um dia chamado de fascista, tanto o PM que abre a pontapés a porta de um barraco na favela quanto o guarda que nos multa no trânsito. Deixou de ser insulto. Com isso, os fascistas de verdade —que professam com fervor e devoção os princípios do fascismo— ficaram num limbo que lhes permite operar com desembaraço. Talvez seja hora de defini-los mais tecnicamente.

O fascista é nacionalista. Acredita numa conspiração global contra os valores e riquezas de seu país. Por isso, e por não confiar no mercado, que é internacionalista, apoia uma pesada intervenção do Estado na economia. Combate ferozmente os políticos e juristas, para eles um bando de corruptos, exceto os que servem ao seu líder —este sempre um político e/ou militar carismático, com um discurso “patriota”, messiânico, moralizante e escorado em valores imprecisos, como “Deus” e “família”. Os que não seguem tais linhas são comunistas. O fascista pratica o culto da ação e da agressão e prega o armamento do “povo” (suas falanges) contra uma hipotética ditadura. Na verdade, visa à tomada de um poder acima da lei e até do Exército —a própria ditadura. Se tal descrição lhe parece um déjà vu, essa era a receita de Mussolini. Deu certo por muitos anos. Mas terminou com ele de cabeça para baixo.” [Folha]

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12. O pessoal que aplaude o Salles

Folgo em saber que o Salles fodeu o esquema todo:

“O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o projeto da regularização fundiária só irá a voto com um acordo entre os deputados e, por isso, deverá ficar para depois da pandemia. “Se não tem acordo, não vai a voto. A gente faz esse debate em outro momento”, comentou. O tema foi tratado inicialmente por medida provisória, que perdeu a validade, e acabou virando um projeto de lei. Maia voltou a dizer que considera o texto do projeto de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) equilibrado. No início da semana, mais de 100 entidades nacionais divulgaram um documento dizendo que o projeto se insere no contexto de “passar a boiada”, expressado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a reunião ministerial de 22 de abril.” [Bem Paraná]

E os ruralistas, Costinha?!

E tem mais “pica do tamanho dum cometa” pro Salles:

“A 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal encaminhou duas representações cobrando a abertura de investigações sobre suposto crimes de responsabilidade e improbidade administrativa cometidos pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e sua declaração sobre ‘ir passando a boiada’ em medidas regulatórias. A fala foi dita durante reunião ministerial do dia 22 de abril, tornada pública por ordem do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. Os pedidos de investigação foram encaminhados ao procurador-geral da República, Augusto Aras. A Procuradoria afirmou que a declaração ‘confessa que não há por parte de quem deveria zelar pelo meio ambiente qualquer preocupação com este objetivo’. “Muito ao contrário, procura fazer prosperar outros interesses, sejam eles quais forem, ainda que contrários ao meio ambiente, e ainda que por meios escusos”, apontaram os procuradores, que destacaram a ausência de censura e repreensões à fala do ministro pelos demais colegas de primeiro escalão. “O ministro escancara que as mudanças que ele propõe não serão debatidas com todos os agentes envolvidos, mas impostas sem qualquer debate democrático. Isso, por sua vez, também caracteriza violação ao princípio constitucional da transparência”, anotou a Procuradoria.

“A fala do ministro revela uma situação pior do que a mera violação aos princípios democrático e da transparência. Demonstra uma intenção de agir na surdina, aproveitando-se de um momento de fragilidade da sociedade”. O ministro é alvo de um pedido de impeachment que tramita no Supremo Tribunal Federal desde o ano passado. Inicialmente, o ministro Edson Fachin, relator do caso, arquivou o processo movido pelos senadores senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e pela deputada federal Joênia Wapichana (Rede- RR). O ministro apontou que os parlamentares não tem competência para apresentar denúncia de crime de responsabilidade, algo que cabe à Procuradoria-Geral da República. No último fim de semana, deputado federal Célio Studart (PV-CE) enviou à PGR uma representação pedindo a abertura de processo de impeachment contra o Salles. O parlamentar considerou que as falas do ministro foram ‘graves’ e que Salles quer ‘aproveitar o momento de pandemia para tentar enfraquecer a legislação ambiental’. O deputado também assinou requerimento de convocado para ouvir o chefe do Meio Ambiente na Câmara dos Deputados.” [Estadão]

E tem quem aplauda o Salles, inacreditável.

“O anúncio feito por cerca de 90 entidades como CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e CNI (Confederação Nacional da Indústria)​ em defesa ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, teve como um dos principais articuladores o presidente do Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins. As entidades saíram em defesa de Salles após a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. ​ “Precisa haver um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse Salles na ocasião.” [Folha]

O sujeito da Cbic foi entrevistasdo e que tragédia:

“Resolvemos nos manifestar porque não se justifica regressão de tudo o que está andando por conta de uma palavra mal dita do ministro. Não tem cabimento eu ter uma estrada de paralelepípedo e precisar tirar licenciamento ambiental para asfaltar. É só burocracia, e burocracia favorece a corrupção. O licenciamento ambiental está dentro do Congresso e com essas palavras do ministro os congressistas podem tentar barrar a votação. A importância no momento é não voltar atrás. Hoje tem uma agenda evoluindo na desburocratização, e com clareza nas regras é muito mais fácil. É muito pior deixar uma legislação em área cinzenta. O que tem por trás disso é a preocupação de uma coisa demorada, é vender a dificuldade para cobrar a facilidade.

Aham, a preocupação desse pessoal aí que louvava Cunha em 2016 é só a corrupção, tá ok?

“O Brasil tem lei, lei complementar, decreto. Tem jurisprudência nas três esferas: municipal, estadual e federal. Sempre haverá alguma coisa conflitando com a outra. Se não simplificar, é impossível trabalhar.”

Adivinha como é os EUA…

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13. Malditos milicos

O Nelson Foster agradeceu aos americanos por barrarem vôos do Brasil, fascinante:

“O TCU (Tribunal de Contas da União) arquivou investigação sobre a viagem de três ministros do STM (Superior Tribunal Militar) à Grécia, nas férias de julho de 2019, quando participaram de evento privado com despesas pagas pelo tribunal. Dos gastos totais de R$ 98,7 mil com a viagem dos três ministros, R$ 45,3 mil foram despendidos com diárias, passagens e seguro internacional do presidente da corte, almirante Marcus Vinicius Oliveira dos Santos. O encontro teve apoio do Bradesco e foi promovido pela Associação Internacional das Justiças Militares (AIJM), uma entidade privada com sede em Florianópolis (SC) criada em 2003.” [Folha]

“A apuração teve origem em reportagem da Folha, de setembro último, que revelou a presença dos ministros em seminário de dois dias no Athens Plaza Hotel. O STM não noticiou o evento. Segundo informou a assessoria, não houve divulgação do seminário “porque o evento não era organizado pelo STM”.”

Ora, e porque o STM pagou pela passagem e estadia, caralho?!

“No último dia 13, em sessão virtual, o TCU julgou improcedente uma representação do Ministério Público de Contas. O STM não divulgou o resultado favorável ao tribunal. O relator, conselheiro Raimundo Carreiro, inovou. A título de conferir maior transparência e tecnicidade à representação, disse que adotou “procedimento inusual no TCU”. Após a instrução da área técnica, concedeu vista ao representante do Ministério Público de Contas, o qual aderiu às conclusões da SecexAdministração, no sentido de considerar improcedente a representação.”

“O evento foi realizado de 3 a 5 de julho de 2019. O STM informou ao TCU que “todos os ministros chegaram em Atenas no dia 2 de julho”. O STM registra como período da viagem do presidente: ida em 27 de junho e retorno em 17 de julho [ver quadro]. Não explicou o que o presidente fez antes de chegar em Atenas. O STM informou ao TCU que, no dia 6 de julho, o presidente viajou a Barcelona por conta própria, onde gozou férias de 8 a 16 de julho, em casa de parentes, sem onerar o erário. Informou ao TCU que o presidente fez as seguintes escalas: São Paulo x Londres, Londres x Atenas (no retorno, fez o percurso inverso). O STM argumentou que “a falta de voos diretos impôs a compra de bilhetes com escala, aumentando o tempo da viagem”.”

“O STM informara à Folha que o presidente “intercalou o evento com seu período de férias no recesso do Judiciário”. Ao TCU,  negou interrupção de férias ou intercalação.”

Acredite, tem mais absurdo na matéria, eu juro.

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14. Maia e a oposição

“A oposição a Jair Bolsonaro na Câmara conseguiu ver uma janela de oportunidade na recém-formada aliança do Centrão com o governo: a reaproximação com Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para líderes da oposição, o presidente da Casa, ao mesmo tempo que busca recompor parte da influência perdida com o avanço do governo sobre os partidos, precisa garantir uma sobrevivência após o término do seu mandato à frente da Câmara. Sobre uma eventual CPI contra Bolsonaro, Maia não se opõe, mas defende que a oposição se articule com o Senado.” [Estadão]

“A Câmara hoje se divide em quatro: o Centrão (PP, PL Republicanos, Solidariedade e outros), o grupo de Maia (MDB, PSDB, DEM e Cidadania), a oposição e os bolsonaristas. Deputados avaliam, porém, que Maia não perdeu totalmente a conexão com o Centrão. Líderes de oposição dizem que concordam com os partidos do “Centrão de Maia” em pautas como a defesa das instituições, mas sabem que a aliança é limitada: na economia, em especial, não há possibilidade de convergência. O discurso de Rodrigo Maia, no qual cobrou respeito à democracia e harmonia entre os Poderes, ficou aquém do esperado pela oposição, mas ao menos cumpriu um papel institucional, segundo lideranças ouvidas pela Coluna.”

Na moral, nem vou colcoar o discurso do Maia aqui de tçao cretino que é, li uma aspas de passagem e prometi a mim mesmo que não leria na íntegra pra não me revoltar.

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15. Lambendo as bolas do Trump

O Nelson Foster agradeceu aos americanos por barrarem vôos do Brasil, fascinante:

“Nós estamos em contato com a Casa Branca diariamente, discutindo esse e outros assuntos”, disse o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil nos EUA, Nestor Forster, em chamada de vídeo de sua casa, em Washington. “Nós somos muito gratos pelo fato de que houve uma consulta antes, quando o presidente decidiu executar essa medida. E também que a medida veio com outros anúncios” [O Dia]

Ele falou isso aí em uma entrevista com o NYT, apenas isso.

Rapaz, Demóstenes Torres está vivo (sdds Carlinhos Cachoeira) e não é que ele apontou bem demais o óbvio?

“Ora, é fato que nossa situação é dificílima, mas oficialmente temos 391.222 infectados e 24.512 mortos (OMS), enquanto os nortenses têm 1,7 milhão de casos confirmados e 100 mil óbitos. Está na hora de Jair Bolsonaro pegar o cinto de ACM e dar uma lapada no lombo do Donald (não o pato) e aplicar a reciprocidade: se nós não podemos entrar lá, eles também não podem entrar aqui.” [Poder360]

Era pro Brasil ter travado os vôos americanos pra cá, as os gênios não só não fizeram isso como ainda viajharam para os EUA e voltaram com 17 infectados.

Mas votlando ao olímpico cretinismo do Foster:

“O governo brasileiro, liderado pelo presidente Bolsonaro, tem sido muito sério na luta contra essa doença, em todas as frentes, desde o início. Desde janeiro há uma força tarefa no Ministério da Saúde, e temos tomado todas as medidas ao nosso alcance. Mas, é claro, boa parte da implementação das medidas depende de governadores.”

Parece que pra fazer parte do governo é preciso se humilhar com afinco, que raciocínio surreal. Ouvir isso da boca do presidente é uma coisa, mas dum diplomata?!

Esse tópico tá uma ida e volta do caralho, ams lá vamos nós voltar à restrição de vôos:

“Revés político para Jair Bolsonaro, que prega alinhamento com Donald Trump, as restrições dos EUA à entrada de pessoas que estiveram no Brasil nos últimos 14 dias não devem ser revertidas no curto prazo. A avaliação é de interlocutores no governo Bolsonaro que acompanham o tema. Segundo esses auxiliares, a linguagem do decreto emitido pela Casa Branca é muito semelhante à empregada na limitação imposta, em meados de março, a viajantes que passaram por Reino Unido, Irlanda e nações europeias do espaço Schengen. As restrições se devem ao novo coronavírus.” [Folha]

Alguém avisa pra esses dementes que isso aí é um texto padrão, só se muda os países, período e um detalhe ou outro.

“O decreto referente à zona Schengen, área de livre circulação dentro da Europa, é de 11 de março, e o que atinge Reino Unido e Irlanda é do dia 14 do mesmo mês. Apesar de vários países europeus já terem registrado sinais de redução da curva de transmissão do vírus, os EUA ainda não levantaram essas barreiras. Isso leva membros do governo a prever tratamento semelhante ao Brasil, sem perspectiva de normalização até que o país consiga demonstrar que os índices de propagação da doença estão controlados.”

Isso é, pessoal não vai pra Disney tão cedo.

‘O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, minimizou no domingo (24) o decreto e afirmou que “o governo americano está seguindo parâmetros quantitativos previamente estabelecidos, que alcançam naturalmente um país tão populoso quanto o nosso”. “Não há nada específico contra o Brasil. Ignorem a histeria da imprensa”, escreveu.”

Pandemia é histeria  e imprensa noticiando o óbvio é histeria também.

“Menos otimistas que Martins, outros membros do governo ouvidos pela Folha, sob condição de anonimato, argumentam que a linguagem do documento de Trump chama a atenção para a gravidade da crise no Brasil, que, na prática, passa a ser tratado como um dos novos focos da pandemia. Nela, a Casa Branca sustenta que as autoridades sanitárias americanas determinaram que o Brasil convive com um estágio de “transmissão generalizada e contínua de pessoa a pessoa” da Covid-19. Integrantes do governo também lembram que, num contexto de pré-campanha eleitoral nos EUA em que a resposta de Trump à crise sanitária será tema central da disputa, o republicano tende a ser pressionado a manter as barreiras de entrada a estrangeiros que passaram por países com alta incidência da doença. Justamente pelo fato de os EUA terem adotado medidas idênticas para outros países que registraram alto número de infecções pelo vírus, o veto a viajantes que estiveram no Brasil já era esperado pelo Itamaraty.”

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16. Um Trump Muito Louco

A discrição…

“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (27) que as plataformas de mídia social “silenciam totalmente as vozes conservadoras” e que irá regulá-las ou fechá-las. A declaração acontece um dia depois que o Twitter indicou que seus usuários “chequem os fatos” em dois posts publicados pelo mandatário americano. “Os republicanos sentem que as plataformas de mídia social silenciam totalmente as vozes conservadoras. Vamos regular fortemente, ou fechá-las, antes que possamos permitir que isso aconteça. Vimos o que eles tentaram fazer e falharam em 2016. Não podemos deixar uma versão mais sofisticada disso”, escreveu no Twitter.

Na terça-feira (26), o Twitter marcou pela primeira vez com o alerta para que seus usuários checassem publicações do presidente americano. As mensagens se referiam à votação nas eleições presidenciais de novembro deste ano. Trump sugere que exista fraude no envio das cédulas aos eleitores pelos correios. O presidente americano escreveu que “caixas de correio serão roubadas, as cédulas serão falsificadas e até impressas ilegalmente e assinadas de forma fraudulenta”.” [G1]

Caralho, eu me concentro demais no governo Bosonaro e não consigo mais acompanhar o governo Trump, uma pena.

“Um porta-voz do Twitter, citado pelo jornal “New York Times”, afirmou que as marcas nos dois posts desta terça foram incluídas porque os tuítes “contêm informações potencialmente enganosas sobre os processos de votação, e foram rotulados para fornecer um contexto adicional”. Momentos depois, Trump usou o Twitter para acusar a própria rede social de “interferir nas eleições presidenciais de 2020”. O presidente dos EUA ainda chamou veículos de imprensa do país de “fake news”. “O Twitter está sufocando completamente a liberdade de expressão, e eu, como presidente, não vou permitir que isso ocorra!”, tuitou.”

Lieberdade, então tá.

Encerro com o Carapanã:

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>>>> O tamaho do buraco – por enquanto: “A pandemia do novo coronavírus fechou 1,1 milhão de vagas com carteira assinada no Brasil em março e abril, segundo números do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira, 27, pelo Ministério da Economia. Só em abril foram fechados 860.503 postos de trabalho, o pior resultado para meses de abril desde o início da série histórica da Secretaria Especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia – que tem início em 1992. Com isso, foi a maior demissão registrada para esse mês em 29 anos. O recorde de demissões acontece em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado o nível de atividade e empurrado a economia mundial para recessão. Em março, 240.702 vagas foram cortadas. Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil gerou novos postos de trabalho: em fevereiro, 224.818; e em janeiro, 113.155. No acumulado do ano, o saldo está negativo em 763.232 vagas. Essa é a primeira divulgação dos dados sobre empregos formais relativos ao ano de 2020. O último resultado tornado público pelo governo foi o de todo ano passado – que saiu em janeiro deste ano. No fim de março, o Ministério da Economia suspendeu a divulgação do Caged porque empresas haviam deixado de enviar informações, principalmente referentes às demissões de trabalhadores formais, o que poderia comprometer a qualidade dos dados. E pediu que as empresas retificassem e reenviassem as informações.” [Estadão]

>>>> Federalização do caso Marielle: “O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julgará nesta quarta-feira (27) o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para federalizar a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A mudança de jurisdição do caso foi solicitada em setembro do ano passado pela então procuradora-geral, Raquel Dodge. Para ela, a manutenção do inquérito com a Polícia Civil do Rio de Janeiro pode gerar “desvios e simulações” na apuração do crime ocorrido em 14 de março de 2018. A família da vereadora é contra a federalização. Caso o pedido seja aceito, caberá à Justiça Federal, e não mais à Justiça fluminense, julgar o delito. Da mesma forma, a investigação passaria para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Uma parte dos magistrados do STJ defendeu, nos bastidores, a suspensão do julgamento por achar que, pela importância do caso, seria melhor aguardar o fim da pandemia para debatê-lo de forma presencial. Não está descartado, portanto, um pedido de vista depois que a ministra Laurita Vaz, relatora do caso, proferir seu voto. Integrantes da corte dizem reservadamente que a tendência é os ministros não atenderem ao pedido da PGR. Os parentes da vereadora são contra a federalização, e o Instituto Marielle lançou até uma campanha para evitar que o caso saia da jurisdição do Rio de Janeiro. No texto, a entidade cita que denúncias recentes apontaram que o presidente Jair Bolsonaro “tentou interferir na PF do RJ para blindar sua família de investigações”.” [Folha]

>>>> Maduro e Guaidó: “O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu nesta terça (26) anular a atual presidência da Assembleia Nacional, comandada por Juan Guaidó, e declarar o deputado Luis Parra como responsável pelo Parlamento. Dissidente da oposição e hoje próximo do chavismo, Parra foi declarado eleito em janeiro, durante processo contestado, para ocupar o cargo. Na ocasião, Guaidó e seus apoiadores foram impedidos de entrar na Casa e acabaram indo ao auditório do jornal El Nacional, crítico ao regime, para realizar a sessão que definiria o chefe da Assembleia Nacional. Na ocasião, o líder opositor chegou a tentar pular o portão da Assembleia Nacional —que estava fechado— para registrar seu voto, contra uma barreira armada pela Guarda Nacional Bolivariana. Os agentes, porém, conseguiram impedir sua entrada e o empurraram de volta para o lado de fora. No auditório do jornal, com votos de deputados no exílio, reunindo assim o quórum necessário para a votação, Guaidó foi reeleito para liderar o Parlamento até o fim do ano, quando devem ocorrer eleições legislativas no país. A decisão gerou um impasse, pois o Parlamento ficou com dois presidentes eleitos, sem estar claro quem de fato comanda a Casa. Também não ficou claro se a sessão oficial, que elegeu Parra, tinha o quórum necessário para acontecer. A Assembleia Nacional tem 167 deputados, dos quais 112 são de oposição e 55 pertencem ao chavismo. Em comunicado, o TSJ disse que a decisão determina que “a junta diretiva da AN que passa a ser válida é a formada pelo deputado Luis Parra como presidente, e Franklin Duarte como vice-presidente”. Também define que “parlamentos paralelos ou virtuais estão proibidos e quem os promover será considerado em desacato”. “Qualquer decisão que tomarem estará anulada.” A decisão do TSJ, órgão hoje controlado pela ditadura, dá espaço para que o grupo de Guaidó tenha dificuldades de entrar na Assembleia.” [Folha]

>>>> Do Gustavo Gindre: “Nos anos 90, Bresser Pereira, então ministro de FHC, propôs o Plano Diretor de Reforma do Aparelho de Estado. Entre as suas consequências, duas tiveram maior impacto. As carreiras que possuem correlato no setor privado (e que, portanto, não são típicas do Estado) devem ter seus salários regulados pela média do marcado. Na prática, criou-se a justificativa para achatar os salários de servidores públicos da educação e da saúde, que são justamente os mais numerosos. Serviços públicos não lucrativos (e que, portanto, não teriam interessados em um eventual processo de privatização) poderiam ser repassados para “organizações sociais” (OSs) que assumiriam a gestão a partir de repasses de recursos do Estado. A soma dessas duas mudanças permitiu achatamento salarial de servidores públicos, desmonte do aparelho de Estado, contratação de trabalhadores precarizados especialmente na saúde e, por fim, a criação de um constante foco de corrupção nas malditas OSs. Portanto, quando me falam em Bresser Pereira eu só consigo sentir nojo” [Facebook]

>>>> Esfriou, Frias: “Uma semana depois da demissão de Regina Duarte da Secretaria da Cultura, a pasta mantém-se acéfala. No entorno de Jair Bolsonaro ninguém consegue cravar quando será anunciado o novo secretário e o que aconteceu com o favoritismo de Mario Frias para suceder Regina. O próprio Bolsonaro disse ontem que ainda avalia nomes. Não deve mesmo ser prioridade. Henrique Pires, o primeiro secretário da era Bolsonaro, deixou o posto em agosto e só foi substituído em novembro, quando Roberto Alvim assumiu. Alvim foi demitido em 17 de janeiro e Regina Duarte tomou posse em março.” [O Globo]

>>>> Eu nem sei de onde veio a treta mas o Mainardi odeia a Luiz Trajano, toda e qualquer notícia ele esculachava ela, e sempre que leio notícias assim dou u sorriso de orelha a orelha: “Mesmo com a maior parte das lojas fechadas por conta da pandemia, o Magalu ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$ 100 bilhões em valor de mercado desde que colocou os pés na Bolsa brasileira, em 2011. O empurrão veio dos resultados do primeiro trimestre, que arrancaram adjetivos como “impressionante” e “histórico” de analistas de mercado. Motivo: a alta de 73% do comércio eletrônico, no qual deve se consolidar o futuro do setor. Os números fizeram a ação do Magazine Luiza disparar na B3 e atingir seu maior preço histórico – considerando na conta os grupamentos e, posteriormente, os desdobramentos pelos quais passou desde a oferta inicial de ações. Na máxima do dia (até agora), o papel saltou 12,79%, a R$ 68,13. O preço deu ao Magalu um valor de mercado de R$ 110,7 bilhões. O número torna o Magalu mais valioso até mesmo que pesos pesados do setor financeiro como Banco do Brasil (R$ 88,1 bilhões) e Santander Brasil (R$ 95,2 bilhões). No varejo, a empresa mais próxima é a B2W, que vale R$ 49 bilhões. A Renner, até abril a mais representativa do setor no Ibovespa, vale menos de um terço (R$ 31,1 bilhões).” [Estadão]  CHUPA, MAINARDI!!

>>>> Darwin Awards sem morte: “De acordo com inquérito policial, o gerente da farmácia onde se realizou a compra do medicamento fotografou a receita na tela do computador e repassou a imagem em um grupo de WhatsApp. Mais de 20 pessoas foram ouvidas, incluindo membros do grupo e dirigentes do estabelecimento. A defesa de Uip solicitou denúncia do Ministério Público contra o gerente por violação de sigilo profissional. Em nota, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso afirmou que o caso causou ‘enormes dissabores e imensos prejuízos, tanto de cunho pessoal, como profissional’ a Uip. A foto da receita médica vazou no início de abril, logo após Uip passar pelo tratamento do novo coronavírus. Coordenador do Centro de Contingência do governo João Dória (PSDB), o médico foi alvo de questionamentos sobre se utilizou ou não a cloroquina após ser diagnosticado com covid-19. O presidente Jair Bolsonaro acusou o médico de ‘esconder’ o uso da substância já que ‘pertence à equipe do governador de São Paulo’.” [Estadão]

 

 

Dia 511 | PF a la Bolsonaro | 26/05/20

Taí o podcast de ontem, escrito por Pedro Daltro e com a luxuosa e habitual produção de Cristiano Botafogo:

Você ouve os episódios lá na Central3: [Central3]

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1. PF a la Bolsonaro

Abro com César Benjamin, está tudo normal, normalíssimo:

“O novo chefe da Polícia Federal publicou hoje, poucos dias depois de assumir, 99 portarias de uma só vez, preenchendo 16 páginas do Diário Oficial. Cada portaria muda de um a cinquenta ocupantes de cargos, modificando a composição da PF de alto a baixo em todo o país. São centenas de alterações de uma só vez. Este projeto não pode ter sido concebido em alguns dias. Já estava pronto. Bolsonaro pode ter transformado a PF em polícia particular.” [Facebook]

Hoje tá foda, completamente atrasado, e vou deixar pra falar mais sobre o que vai acima amanhã, mas é verdade verdadeira, o golpe tá na passarela.

Não é à toa ontem Zambelli brindou o país com uma confissão espantosa:

“Justamente na semana em que o ex-juiz Sergio Moro saiu do Ministério da Justiça e a gente colocou – a gente que eu digo governo -, o presidente Jair Bolsonaro colocou um delegado da Polícia Federal… a gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam na agulha para sair, mas não saiam. A gente deve ter nos próximos meses o que a gente vai chamar, talvez, de “Covidão” ou de… não sei qual vai ser o nome que eles vão dar… mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”

Os advogados da Zambi:

Como é burra, é uma burrice que demanda dimensões astronômicas pra dar conta. Ora, se ela sabia que tinha operação sendo vazada ela… prevaricou, porra!

Sabe quem também antecipou a oepração? O fantoche do Olavão:

Só tem gênio nessa porra!

Na manhã seguinte…

“Witzel é alvo de uma investigação conduzida pela Procuradoria-Geral da República a partir de informações obtidas em investigações do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro. A operação, batizada de Placebo, busca provas de um possível esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e “servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro”, diz a Polícia Federal. A PF cumpre 12 mandados de busca e apreensão, um deles no Palácio das Laranjeiras, residência oficial em que mora o governador Wilson Witzel (PSC).

Um dos indícios contra o governador é o depoimento do ex-subsecretário da Secretaria de Saúde do Rio, Gabriell Neves, preso no início do mês pela Polícia Civil do Rio. Ele indicou que autoridades acima dele tinham ciência dos atos que assinou na secretaria, relativos ao combate à Covid-19. Ele é suspeito de fraudar a compra de respiradores. Entre os elementos que serviram de suporte ao mandado de busca e apreensão estão o contrato de prestação de serviços e honorários advocatícios do escritório da primeira-dama com a empresa DPAD Serviços Diagnósticos, de Mário Peixoto, e comprovantes de transferência bancária entre as duas empresas. Entre os elementos de provas apresentadas, há um email de 14 de abril de 2020, em que o braço direito de Mário Peixoto recebe do contador das empresas documentos relacionados a pagamentos para a esposa do governador.” [Folha]

Bela idéia usar a mulher como laranja, Cabral fez isso e deu muito certo.

“Durante a Operação Favorito, foi encontrado um contrato entre o escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel, e a empresa DPAD Serviços Diagnósticos Limitada, que possui como sócio Alessandro de Araújo Duarte, apontado como operador do empresário Mário Peixoto. Na decisão, também são citados depósitos feitos em nome da mulher do governador. Na decisão do ministro, consta que o MPF “imputa indícios de participação ativa do governador do estado quanto ao conhecimento e ao comando das contratações realizadas com as empresas hora (sic) investigadas, mesmo sem ter assinado diretamente os documentos”. O MPF relatou ainda mensagens encontradas pela PF em que se menciona pagamentos a Helena Witzel. Segundo os investigadores, foram encontrados no email de Alessandro Duarte mensagens do dia 14 de abril de 2020 com “documentos relacionados a pagamentos para a esposa do governador.” Witzel negou participação em esquema de desvios de recursos na Saúde e cita interferência de Bolsonaro.” [O Globo]

Bolsonaro foi super discreto:

“Parabéns à Polícia Federal. Fiquei sabendo agora pela mídia. Parabéns à Polícia Federal, tá ok?” 

Perguntartam sobre a Zambelli e…

“Pergunta para ela.”

Whitney foi pra cima da famiglia, claro:

“Esse é um ato de perseguição política que se inicia nesse país e isso vai acontecer com governadores inimigos. Senador Flávio Bolsonaro, com todas as provas que nós já temos contra ele, que já estão aí sendo apresentadas, dinheiro em espécie depositado na conta corrente, lavagem de dinheiro, bens injustificáveis, senador Flávio Bolsonaro já deveria estar preso. Esse, sim. Vou lutar contra esse perigo que estamos passando. Inicia uma perseguição política para aqueles que ele considera inimigo. Continuarei lutando contra esse fascismo que se instala no país e contra essa ditadura de perseguição. Não permitirei que esse presidente, que eu ajudei a eleger, se torne mais um ditador da América Latina. Não abaixarei minha cabeça, não desistirei do estado do Rio de Janeiro, e continuarei trabalhando para uma democracia melhor”

Que graça, o sujeito que estava do lado dos dois escrotos que quebraram a placa da Marielle afora vem falar em fasciscmo, abraça que o filho é seu!

Flávio Bolsonaro respondeu e como ele é burro, puta que pariu!

“Como eu me arrependo de ter, eu, te elegido governador. Quantas caminhadas você chegava do nada para me acompanhar? Você não me deu um voto. VOCÊ FICAVA LIGANDO PARA O QUEIROZ. UM CARA CORRETO, TRABALHADOR, DANDO SANGUE POR AQUILO QUE ACREDITA”

Opa, lembrei disso aqi, ó:

Sim, Whitney pediu autorização pra milícia, pedu pra caralho!

Voltando ao Flávio:

“Não fiz nada de errado. Estou sendo investigado há mais de dois anos, governador. Dois anos! Nem denúncia tem contra mim, porque não tem elementos para denunciar.”

Disse o sujeito que tenta travar toda e qualquer investigação, dizendo que os muitos elementos foram obtidos de forma ilegal.

E olha a discrição do imbecil:

“Isso não é nada perto do tsunami que pode chegar contra você. Pelo menos meia dúzia de secretarias vai ter problema.”

Ah, e Federação Nacional de Agentes da Polícia Federal (Fenapef) foi pra cima da Zambi e já apontou o dedo para os delegados:

“Sobre as suspeitas de que a deputada Carla Zambelli (PSL- SP) foi informada antecipadamente da Operação, é conhecido e notório o vínculo da parlamentar com a Associação de Delegados, desde quando era líder do movimento Nas Ruas. Esse laço se demonstra pela participação de Zambelli em eventos, vídeos e homenagens. A Fenapef defende a apuração, com responsabilidade e profundidade, sobre a possibilidade de que esse vínculo possa ter sido utilizado para a obtenção de alguma informação privilegiada.” [O Globo]

Olha o tamanho da merda que a linguaruda da Zambelli causou, os Boslonaros devem estar MUITO putos com ela, folgo em saber.

E Bolsonaro derrubou a PF do RJ mas dessa vez não conseguiu emplacar um de seus nomes.

“O governo oficializou na tarde desta segunda-feira (25) a nomeação do delegado Tácio Muzzi como novo superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A publicação saiu em edição extra do Diário Oficial da União, quase 20 dias após a escolha ter sido feita pelo diretor-geral da PF. Depois de forte pressão interna e externa, o nome de Muzzi foi escolhido sem que estivesse entre os indicados de Bolsonaro.” [Folha]

E olha a sinuca de bico em que Bolsonaro meteu a PF:

“Pivô da crise entre Sergio Moro e Jair Bolsonaro, a Polícia Federal se encontra em uma situação delicada. Com a responsabilidade de apurar as acusações do ex-ministro da Justiça, a PF se vê em risco de ser acusada de abafar eventuais crimes cometidos pelo presidente da República, de um lado, ou de agir em represália às interferências no órgão. Internamente, o plano é tentar esgotar todas as linhas de investigação para minimizar as críticas que surgirão, seja qual for o desfecho.” [Folha]

Além do inquérito em questão, a PF vê desde então uma polarização generalizada. O órgão tem ouvido acusações, principalmente de alvos, de ter feito as últimas operações para agradar ou para enfrentar o presidente. Apesar de não haver jurisprudência consolidada, investigadores entendem não haver vedação legal para indiciar o presidente, se a conclusão for de que Bolsonaro cometeu crime. Em 2007, o STF decretou a nulidade de ato de indiciamento. Na mais recente decisão, em outubro de 2018, Luís Roberto Barroso indeferiu pedido de anulação do indiciamento de Michel Temer.”

E Flavinho Desmaio só se fode:

“O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), decretou “regime de sigilo geral” sobre o depoimento do empresário Paulo Marinho no inquérito que apura tentativa de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal.” [Folha]

“O senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, tinha feito um pedido para acompanhar pessoalmente o depoimento, além de ter acesso depois à sua transcrição. Esse pleito também foi negado por Celso de Mello. Segundo o magistrado, o inquérito policial, “em face de sua unilateralidade e consequente caráter inquisitivo, não permite que, nele, se instaure o regime de contraditório”. Por isso, segue ele, a lei “desautoriza, por completo”, o pedido feito pelo senador.

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2. Love is in the air

“Investigado pelo suposto cometimento de seis crimes, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou cerimônia realizada nesta segunda-feira (25) para fazer uma visita surpresa à PGR (Procuradoria-Geral da República), órgão que pode vir a denunciá-lo sob a acusação de violar a autonomia da Polícia Federal. No STF, ministros reprovaram a iniciativa de Bolsonaro e a compararam ao gesto do último dia 7, quando o chefe do Executivo atravessou a Praça dos Três Poderes a pé com um grupo de empresários para fazer uma visita ao Supremo. Na avaliação de integrantes da corte, o objetivo do presidente, assim como no começo do mês, foi pressionar uma instituição que pode impor limites à atuação dele.” [Folha]

Ah vá…

E a impessoalidade foi pra caasa do caralho – texto do Andreazza:

“Visita surpresa. Visita de improviso. Visita espontânea. Antes de tudo: não acredito na espontaneidade de Jair Bolsonaro. Mas, ainda que sim, ainda que ato espontâneo fosse, essa prática de visita repentina, que pega (supostamente) o outro de surpresa, não é consistente com a impessoalidade da República.” [O Globo]

Como era esperado, caiu mal nos demais poderes mas não teve nem nota de repúdio.

“Magistrados alertaram, porém, que a iniciativa desta segunda-feira tem um componente adicional de pressão: no STF, os ministros têm cargo vitalício, enquanto o PGR tem mandato de dois anos e depende do presidente para ser reconduzido no posto. Na visão de ministros, o gesto ocorre no momento mais importante para definição do futuro de Aras, seja para seguir no cargo, seja para alçar voos mais altos e ser indicado, por exemplo, a uma vaga no STF. O entendimento é que a atuação do PGR no inquérito contra Bolsonaro será um divisor de águas na relação com o presidente. E apenas o arquivamento do inquérito deixaria Bolsonaro satisfeito com o desempenho de Aras à frente da instituição.”

E aqui entra um paradoxo maravilhoso: Aras quer cadeira no STF, mas sua possível indicação precisaria passar pelo Senado. Pra ser inidcadoe le eprecisa arquivar tudo que for contra Bolsonaro, mas se fizer isso se desmoraliza, correndo risco de ser vetado pelo Senado. E se deixa o inquérito seguir nem fodendo Bolsonaro o indica. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

“Nesta segunda, segundo pessoas próximas ao PGR, até Aras achou que Bolsonaro estava brincando quando avisou que iria até lá.”

Bolsonaro faz o que quer e entende com seus fantoches, agora aguenta, fantoche-mor.

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3. Malditos milicos

Que texto do Ranier Bragon:

“Devido ao despreparo e ao completo apego à estupidez, Jair Bolsonaro conseguiu a proeza —involuntária, claro— de fazer soar palatável a participação de militares na gestão política do país. Mesmo com a lembrança da nefasta ditadura finda em 1985, em comparação ao Jair Futebol Clube qualquer XV de Piracicaba acaba parecendo um carrossel holandês. As Forças Armadas não são de Lula, Temer ou Bolsonaro, mas do Estado brasileiro. E têm que se subordinar ao comando civil e ao império da lei. É isso ou a república de bananas, cuja volta, queremos crer, só é desejada por desmiolados que acham divertido passar vergonha coletiva na rua, fantasiados de verde e amarelo. Por isso, olhemos a mudez dos generais bolsonaristas na já célebre reunião de 22 de abril.

Associaram-se, acoelhados, à defesa das hemorroidas presidenciais, ao banditismo do projeto arma para todos, ao ladino que aproveita a “calmaria” da Covid para dar seus pulinhos, à beatice histérica da ministra sem noção, ao arroubo à Chuck Norris do garganteiro da Caixa e ao autopiedoso libelo puxa-saquista do inqualificável Weintraub. Uma catarse só assombrada pelo medo de, perdido o poder, serem todos presos pela obra que ora edificam. Foi a reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos, como bem resumiu Janio de Freitas.

Se a inação foi torpe, a ação se mostrou pior. O general Eduardo Pazuello chancelou depois a recomendação do uso do remédio que, segundo o maior estudo feito no mundo até agora, não só é ineficaz contra a Covid-19 como eleva o risco de morte. Que nome se dá a isso? Carregando todo o amargor de quem desgraçadamente defende o indefensável, o general Augusto Heleno resolveu alertar que eventual apreensão do celular do chefe trará “consequências imprevisíveis”, para alvoroço das vivandeiras de pijama. Já as vivemos, general, mas não serão arreganhos autoritários que farão parar o rumo da história” [Folha]

Vamos para o Ciro Gomes, que nlouqueceu o mais senil e diminuto dos generais com o que vai abaixo:

“General Heleno age como qualquer político corrupto: tenta matar o carteiro para não ter que ler a carta. Ao só me atacar, se exime de responder às questões que pontuei. Vamos a elas:

1 – É ou não é verdade que ele está sujando o nome das Forças Armadas ao defender a pior bandidagem corrupta, ligada às milícias, que representa Bolsonaro?

2 – É ou não é verdade que ele está agindo para defender Bolsonaro no flagrante crime de interferência na Polícia Federal, tendo inclusive mentido (crime de perjúrio) ao STF sobre isso?

3 – É ou não é verdade que ele é o encarregado pelo Bolsonaro para entregar o Brasil ao interesse dos EUA?

4 – É ou não é verdade que entregaram a Base de Alcântara aos americanos? Um lugar dentro do Brasil que nenhum brasileiro, civil nem militar, poderá acessar sem consentimento das forças de segurança norte-americana?

5 – É ou não é verdade que o Brasil aceitou colocar um general no vice-comando das forças sul dos EUA? Violando uma história de soberania de nossas Forças Armadas?

6 – É ou não é verdade que o Brasil aceitou manobras militares com americanos na nossa Amazônia para provocar uma nação vizinha?

7 – É ou não verdade que essa provocação gerou a chegada de Chineses e Russos na Venezuela com equipamentos militares, ameaçando a integridade de nosso território e a nossa soberania nacional?

8 – É ou não é verdade que aceitou entregar a Embraer para os norte-americanos, quebrando a nossa mais preciosa indústria aeroespacial e de defesa?

9- É ou não é verdade que o Bolsonaro mandou e o Exército comprou da Índia toneladas de químicos para fazer a cloroquina por um preço 6 vezes maior do que o governo já havia comprado no ano passado?

Detalhando: O preço do quilo (R$ 1.304) é quase seis vezes aquele pago pelo Ministério da Saúde em contrato assinado em maio de 2019, quando o governo federal desembolsou R$ 219,98 por quilo, com a empresa: Sulminas Suplementos e Nutrição Ltda.

Olha, general Heleno, eu disse e vou repetir: não temos medo de você e vamos enfrentar se ameaçar nosso povo, nosso país e nossa Democracia!”

E já que é pra rir (de ódio) dos generais…

“O vídeo da reunião ministerial resolveu entre os empresários um mistério: nas conversas com o setor produtivo, Braga Netto só chamava sua estratégia para recuperar a economia de Plano Marshall, conforme revelou a Coluna. Na coletiva do anúncio, porém, negou o apelido publicamente. Foi para não melindrar ainda mais Paulo Guedes, até então excluído da elaboração e que detestou a menção ao plano dos americanos após a Segunda Guerra. Para os empresários, o sonho de Braga Netto era sair da crise como o general Marshall brasileiro.” [Estadão]

Que mentiroso do caralho, certo estava o Olavão, “UM BANDO DE CAGÕES“!

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4. Malditos milicos, parte 2

Por falar nos malditos milicos. o Jorge Zaverucha fez uma baita recapitulação como os milcios vivemo fodendo o Brasil:

“A própria assunção de Sarney teve uma decisiva cunha castrense. Quem deveria assumir a Presidência era Ulysses Guimarães, mas foi vetado pelas Forças Armadas. Ulysses abriu mão da Presidência para evitar um retrocesso. Como ele, posteriormente, afirmou: “Eu não fui ‘bonzinho’ coisa nenhuma. Segui as instruções dos meus juristas. O meu ‘Pontes de Miranda’ estava lá fardado e com a espada me cutucando que quem tinha de assumir era o Sarney”. O “Pontes de Miranda” chamava-se general Leônidas Pires, que no governo Sarney seria ministro do Exército. O próprio Sarney relata que só teve certeza de que assumiria o posto de presidente na madrugada do dia da posse, quando Leônidas ligou para ele e o cumprimentou: “Boa noite, presidente”. Só aí foi dormir. A presença marcante de Leônidas foi também sentida na redação da Constituição de 1988. Houve uma proposta para a extinção das Polícias Militares, que foi levada ao presidente da Câmara, Ulysses Guimarães. Ele abateu a ideia no seu nascedouro. Alegou que “já não podia mudar nada porque tinha um compromisso com o general Leônidas.” [Folha]

Porra, Ulysses!! Esse é o tipo de coisa que mudaria o Braisl…

E mesmo o artigo 142, obra do Leônidas, não é suficiente pra esses dementes de hoje em dia, que acrescentam as palavras caos e intervenção.

“O peso da espada de Dâmocles de Leônidas fez-se sentir na discussão sobre o que viria a ser o artigo 142 da Constituição. Este artigo diz que as Forças Armadas “são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Como é possível, contudo, se submeter e garantir algo simultaneamente? Segundo o italiano Giorgio Agamben, “o soberano, tendo o poder legal de suspender a lei, coloca-se legalmente fora da lei”. Portanto, cabe às Forças Armadas brasileiras o poder soberano e constitucional de suspender a validade do ordenamento jurídico, colocando-se legalmente fora da lei. Numa democracia, as Forças Armadas não garantem nem os Poderes constituídos nem a lei e a ordem. Ocorre exatamente o reverso. O artigo 142 é ambíguo.”

Péra lá, que seja ambíguo, mas não fala nem em caos e nem em intervenção, porra!

“A raiz do problema é saber quem define o que é ordem e que tipo de lei, ordinária ou constitucional, as Forças Armadas devem, supostamente, defender. O artigo permite o golpe de Estado constitucional. Por isso mesmo, nenhuma democracia que se preze o insculpiria em seu texto constitucional.”

Só há uma certesza; nem fodendo a interpretação correta do argigo 142 vai vir desses dementes que tomaram o Palácio do Planalto

“Ordem não é um conceito neutro, e sua definição operacional em todos os níveis do processo de tomada de decisão política engloba escolhas que refletem as estruturas políticas e ideológicas dominantes. Portanto, a noção de (des)ordem envolve julgamentos ideológicos e está sujeita a estereótipos e preconceitos sobre a conduta (in)desejada de determinados indivíduos e/ou grupos. Além do mais, tal artigo não especifica se a lei é constitucional ou ordinária, se a ordem é política, social ou moral, nem quem define quando é que a lei e a ordem foram violadas.”

Repito: não serão, não podem ser esses dementes.

“Os constituintes, em 1987, na primeira versão da Constituição, retiraram dos militares o tradicional papel de guardiães da lei e da ordem. Tal tentativa irritou o general Leônidas. Ele ameaçou zerar todo o processo constituinte, caso a decisão não fosse revista. Os constituintes então cederam em pontos secundários, mas mantiveram o papel de garantes das Forças Armadas. Curiosidade: a ideia de garantes foi copiada pelas constituições pinochetistas e sandinistas. No Chile, todavia, findo o regime militar, o artigo foi abolido. No Brasil persiste até hoje, mesmo após 13 anos de governos de esquerda na Presidência.”

“No fundo, a luta pela manutenção do artigo 142 decorre do fato de que ele define quem estabelece o controle social do país em situação de crise. Um sinal de que nossa elite não possui um ethos democrático. Aposta em um governo democrático eleitoral, não em um regime democrático.”

Sim, nossa elite é uma merda, mas nem fodendo isso forçou os generais a fazer o que fizeram.

“No Brasil, as Forças Armadas deixaram o governo, mas não o poder. A narrativa castrense é mantida até hoje. As Forças Armadas acreditam que defenderam a democracia brasileira em 1964, pois teriam impedido que o país se tornasse uma nova Cuba. Os militares saíram com sua autoestima em alta. Portanto, aptos para reivindicar sua ampla presença no aparelho de Estado brasileiro. O grau dessa presença teria a ver com o fortalecimento, ou não, do poder civil.”

Saíram com a auto-estima em alta porque teve a porra da Lei da Anistia! Lei de anistia de cu é rola, tudo indica que esses arrombados vão dar outro golpe, desta vez por dentro, e não pode ter segunda lei de anistia nem fodendo, que todos os generais desse governo sejam condenados, nem que seja in memorium.

“De fato, a Constituição de 1988 inovou em várias áreas, porém deixou praticamente intacto o capítulo a respeito das Forças Armadas existente nas constituições de 1967 e 1969. As Polícias Militares, por exemplo, já mencionadas, continuaram a ser não apenas força reserva, mas também auxiliar. Nas democracias, somente em período de guerra é que as forças policiais se tornam forças auxiliares do Exército.”

Voltando à parte da polícia militarizada, essa degraça que assola as periferias do Brasil:

“Em tempo de paz, o Exército é que atua como reserva da polícia, indo em sua ajuda quando esta não consegue debelar sérios distúrbios sociais. As democracias passam uma linha clara separando as funções da polícia das funções das Forças Armadas. Não no Brasil. As Polícias Militares estão, todavia, submetidas aos governadores de estado e à Inspetoria Geral das Polícias Militares (IGPM), órgão do Exército Brasileiro. Conforme ressaltou o sociólogo Charles Tilly, caso queira julgar se um Estado é democrático ou não, levando em conta uma única característica, um excelente guia é verificar se a polícia se reporta aos militares ou às autoridades civis”. As PMs se reportam a ambas as autoridades. Não se pode descurar o fato de que a redação da Constituição de 1988 foi feita exclusivamente pelas autoridades civis. A enorme presença de enclaves autoritários na mesma deu-se via consentimento. Há, portanto, um arranjo político em que os civis se contentam com uma democracia eleitoral (semidemocracia) em troca da não volta do regime militar.”

Sim, porque os civis peidaram para os militares.

“As transições latino-americanas procuraram desmilitarizar a política, tentando levar os militares a se concentraram em sua atividade primeira, ou seja, a defesa das fronteiras do Estado. Essa tentativa fracassou no Brasil. O governo Bolsonaro conta com nove ministros militares, alguns deles da ativa, além do porta-voz presidencial. O vice-presidente é general do Exército. Estima-se que cerca de 3.000 militares ocupem cargos de confiança no segundo escalão. Bolsonaro montou um verdadeiro bunker militar em torno de si. Foi uma forma de repolitizar e cooptar as Forças Armadas como método de sustentação de um governo sem apoio congressual estável.”

“A militarização da segurança pública é um processo crescente que atinge seu pico no atual governo. Entenda-se por militarização o processo de adoção e uso de modelos, conceitos, doutrinas, procedimentos e pessoal militares em atividades de natureza civil. A militarização é crescente quando os valores da Exército se aproximam dos valores da sociedade. Consequentemente, quanto maior o grau de militarização, mais tais valores se superpõem. A retórica vigente é a de “guerra” às drogas e de “combate” aos delinquentes através do uso de “forças-tarefas”.”

Esse parágrafo aí de cima explica minha ojeriza pela militarização das escolas.

E essa ironia é maravilhosa!

“O autoritarismo puro não é a primeira preferência do presidente, do Congresso ou das Forças Armadas. Bolsonaro sabe que, em caso de um golpe clássico, perderia seu emprego, pois capitão não manda em general em um regime castrense.”

“A não ser que houvesse um monumental racha dentro das Forças Armadas, e o levante fosse liderado por capas médias castrenses. Não há qualquer sinal de que isso venha a ocorrer.”

O texto é bem bom, com interessantes provocações, vale ler na íntegra.

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5. Malditos milicos, parte 3

A Folha fez um editorial intitulado “Passar a boiada“, o sensibilíssimo Mourão não gostou e pediu “moderação” à imprensa. Mas antes do chilique do vice vamos ao editorial:

“Não faltaram exibições de vileza e servilismo ladrante na famigerada reunião ministerial de 22 de abril. O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) se destacou, na ocasião, ao manifestar de forma insensível e cínica os atributos valorizados pelo presidente Jair Bolsonaro. “Precisa haver um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, propôs, como registrado em vídeo. Milhares de brasileiros mortos, e o ministro se preocupa em esquivar-se da Justiça, do Ministério Público e da imprensa para seguir desmontando as normas e órgãos de Estado da pasta que recebeu com a missão de manietar.

O general monta operação teatral com uma centena de soldados e helicópteros em Mato Grosso, usurpando função do Ibama, só para ter certeza de não autuar ninguém. A ministra pediu, e Salles deu uma canetada para tentar inutilizar restrições impostas na Lei da Mata Atlântica. Para o governo Bolsonaro, floresta boa é floresta morta. Os resultados dessa política antiambiental estão bem à vista: a área desmatada na Amazônia, que já havia saltado 29,5% em 2019 e chegado a 9.762 km², um recorde na década, prossegue em alta. Já se projeta que a devastação possa alcançar mais de 12.000 km² neste ano.” [Folha]

O último parágrafo é bom demais:

“O mês transcorrido desde a fatídica reunião de ministério se encarregou de mostrar que Salles fracassou no intento sub-reptício de passar a boiada despercebida em plena epidemia. Juízes, procuradores e jornalistas seguem vigilantes na denúncia de sua política de terra arrasada e coberta de estrume —para usar um termo a gosto do presidente Jair Bolsonaro.”

Vamos ao general afetando indignação:

“O vice-presidente, Hamilton Mourão, repudiou nesta segunda-feira (25) o editorial da Folha “Passar a boiada”. Ele classificou a opinião do jornal de leviana e fez um apelo à moderação. “Como presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, o vice-presidente cumpre missão institucional que recebeu do presidente Jair Bolsonaro, não podendo estar concertado com ‘a sabotagem’ ao funcionamento de órgãos do Estado brasileiro, como afirma de forma leviana o jornal que se diz a serviço do Brasil”, diz nota assinada por Sérgio Paulo Muniz Costa, chefe da assessoria de comunicação social da Vice-Presidênci​a da República. “Estar a serviço do Brasil é cumprir deveres, que nos cabem individualmente e às instituições, inclusive a imprensa”, disse.

Mourão também fez um apela à moderação. “Reiterando suas convicções e compromissos com o Estado de direito democrático que vigora no Brasil, o senhor vice-presidente da República, Hamilton Mourão, por meio desta nota, faz também um apelo à moderação, ao bom senso e ao equilíbrio de todos que têm responsabilidades institucionais perante a sociedade brasileira neste momento de dificuldades que o país enfrenta, o que, por óbvio, inclui a imprensa.” [Folha]

Pra escrever ameaças veladas á imprensa ele tá lá, todo pimpão, mas pra interromper o Salles e apontar o absurdo de sua fala faz cara de paisagem.

Não fode, general!

E o WWF listou a boiada que passou da reunião pra cá:

“25/02 – Contrariando laudo assinado por cinco técnicos de carreira do Ibama, o presidente do órgão, Eduardo Bin, acabou com a necessidade de autorização de exportação de cargas de madeira retirada das florestas do país. O primeiro caso de covid-19 foi registrado no Brasil no dia seguinte.

05/03 – Em meio à repercussão da liberação da exportação de madeira, Bin assina portaria interna restringindo o acesso de servidores do órgão à imprensa, que passaram a poder ser punidos.

11/03 – Portaria assinada pelo presidente do Ibama institui Orientações Técnicas Normativas (OTNs) e Procedimentos Operacionais Padrão (POPs). Representam o entendimento da Presidência e das diretorias e devem ser seguidos obrigatoriamente por servidores para a execução das atividades e ações administrativas ou finalísticas.

02/04 – A instrução normativa nº 4, que trata de procedimentos técnicos e administrativos para a indenização de benfeitorias e a desapropriação de imóveis rurais localizados no interior de unidades de conservação federais provocou insegurança entre os servidores que trabalham na área.

06/04 – Por meio de um despacho de apenas seis linhas, o ministro Ricardo Salles reconhece como áreas de ocupação consolidada as áreas de preservação permanente (APPs) desmatadas até julho de 2008, contrariando o estabelecido na Lei da Mata Atlântica. A medida legaliza desmatamentos ilegais no bioma mais devastado do país.

22/04 – Instrução Normativa permite a invasão, a exploração e até a comercialização de terras indígenas ainda não homologadas. A medida altera a Declaração de Reconhecimento de Limites, que passa a ser um documento de posse e poderá ser dado a imóveis privados que estiverem dentro de terras indígenas não homologadas.

30/04 – Dois chefes de fiscalização do Ibama foram exonerados duas semanas após comandarem uma grande operação de combate ao garimpo ilegal na Amazônia.

12/05 – Governo reduziu de onze para cinco o número de gerências do ICMBio, responsável por 334 unidades em todo o Brasil. Por meio de portaria, o comando do ICMBio ainda abriu a possibilidade para que as gerências pudessem ser ocupadas por pessoas de fora do órgão.

13/05 – Além de cortar coordenações, o ICMBio também reduz equipes que cuidam das unidades de conservação, agrupando em núcleos de gestão integradas equipes que trabalham em áreas diferentes às vezes a centenas de quilômetros de distância.” [O Globo]

E aqui eu quero fazer uma observação. Volta e meia eu falo em milicos, de forma pejorativa, mas isso vale só pra esses fardados vis que louvam figuras como Ulstra e Curió. Tem militar aí que eu não chamo de milico nem fodendo, é uma crítica bem específica a quem dá sustentação à essa demência em forma de governo.

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6. Uma escolha Muito Difícil, parte 2

O Estadão só pode estar de saccanagem, o editorial tem como título “Nascidos um para o outro”

“Não há dúvidas. Jair Bolsonaro e Lula da Silva nasceram um para o outro. Tanto o presidente da República como o chefão petista se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar.” [Estadão]

“Pois o diplomata florentino que viveu entre os séculos 15 e 16, malgrado tenha descartado a retidão moral absoluta como fator essencial para o bom governo, formulou uma ideia de ética específica para a política, segundo a qual, entre outras regras, o governante jamais deve colocar seus interesses pessoais acima dos interesses do Estado nem agir como se seu poder fosse ilimitado: “O príncipe que pode fazer o que quiser é um louco”, escreveu em sua obra mais conhecida, O Príncipe (1532). Jair Bolsonaro e Lula da Silva unem-se como siameses. Enxergam o mundo e seu papel nele da mesmíssima perspectiva.”

Ah, vai tomar no cu. Não dá pra comparar Bolsonaro com NINGUÉM na política brasileira, ninguém!

“Tudo o que fazem diz respeito exclusivamente a seus projetos de poder, nos quais o Estado e o povo deixam de ser o fim último da atividade política e passam a ser meros veículos de suas aspirações totalitárias.”

Lula totalitário?!?!? Caralho, escerveram isso enquanto fumavam pedra, só pode, cuidado pra não compartilhar o cachimbo em tempos de pandemia, hein, seus noiados do caralho!

“Ambos, Bolsonaro e Lula, só se importam com o sofrimento e a ansiedade da população na exata medida de seus objetivos eleitorais. O petista, por exemplo, declarou recentemente que “ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução, somente o Estado pode resolver isso”. Tão certo de sua inimputabilidade, Lula da Silva nem se preocupou em ao menos aparentar retidão moral, como recomendava Maquiavel aos príncipes de seu tempo, entregando-se à mais vil exploração política do sofrimento causado pela pandemia de covid-19. Lula da Silva é, assim, o anti-Maquiavel: enquanto o florentino elogiou seus conterrâneos por preferirem salvar sua cidade em vez de salvar suas almas, Lula saúda a morte de seus compatriotas como uma espécie de sacrifício religioso em oferenda à estatolatria lulopetista.”

“Bolsonaro e Lula são o resultado mais vistoso da degradação violenta da atividade política, aquela que, na concepção de Maquiavel, deveria almejar a todo custo o bem coletivo. Cada um à sua maneira, um mais truculento, o outro mais dissimulado, o presidente e o petista se consideram fora do alcance das considerações éticas que deveriam moderar o poder e que estão no coração das sociedades democráticas. Lula trabalha desde sempre para cindir o País – e sua recente celebração do coronavírus pode ser vista como uma espécie de corolário macabro da concepção doentia segundo a qual os brasileiros recalcitrantes, que ainda não aceitam o projeto de Estado autoritário idealizado pelo lulopetismo, devem ser castigados pela natureza para que aprendam de uma vez por todas que Lula sempre tem razão. Bolsonaro faz exatamente o mesmo, e ainda enxovalha publicamente quem se recusa a aceitá-lo como salvador. O bolsonarismo é um monstrengo antidemocrático que só ganhou vida e ribalta por obra e graça do lulopetismo. A uni-los, a sede de poder absoluto. Mas, como já ensinou Maquiavel, não há poder que dure para sempre.”

Se eu trabalhasse na redação do Estadão eu ficaria berrando “tomar no cu” sem parar.

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7. Compras em tempo de pandemia

Que vai ter muita gente roubando é óbvio, sempre foi assim pelas bandas de cá – não, não começou em 2003, plmmdds. Mas imagine aí um sujeito honesto responsável por estas compras. Pandemia rolando, Brasil perdeu completamente o timing e você precisa pra ontem de milhares de respiradores.

“Sem garantia contratual, a gestão João Doria (PSDB) pagou US$ 44 milhões (mais de R$ 242 milhões) antecipadamente por respiradores pulmonares da China cuja entrega deveria ter sido iniciada em abril. Até agora, apenas 50 equipamentos de 3.000 contratados chegaram a São Paulo, em momento em que as vagas de UTI começam a ficar em níveis críticos no estado. Pelos documentos obtidos pela Folha, a empresa se comprometeu a entregar rapidamente os aparelhos. O primeiro lote de 500 equipamentos chegaria a São Paulo já na semana seguinte à assinatura do contrato; toda a compra estaria disponível ao governo até meados de junho. Essa rapidez na entrega foi a justificativa do governo paulista para pagar um valor superior ao de outras propostas apresentadas: a pressa poderia salvar vidas. Os contratos analisados pela reportagem revelam ainda que a empresa encaminhou documentos que atestavam o embarque de 500 equipamentos ao Brasil. Por isso, segundo a empresa, era necessário o depósito de outros US$ 14 milhões (cerca de R$ 77 milhões), o que foi feito.” [Folha]

E aí, pandemia rolando, corpos se empilhando e você faz tudo pra ontem ou você exige garantias, o que demoraria mais uns, sei la, dois ou três dias?! E aqui não vai defesa do Doria ou dos tucanos, deus me dibre, até porque olha o naipe da figura envolvida:

“Um dos focos da investigação do Ministério Público é tentar saber qual é o papel de Basile Pantazis, autor do email ao governo paulista com a rogativa a Deus, que atuou como consultor comercial no negócio. O nome do empresário já apareceu em investigações, entre elas ligado a uma empresa investigada pela Promotoria do Paraná por suspeitas de fraude em edital relacionado ao Detran. Nos anos 2000, ele era tesoureiro do PTB e próximo do então senador Gim Argello, preso em 2016 em uma das fases da Lava Jato.”

Mas voltando ao raciocínio:

“De acordo com a lei, compras da administração pública devem seguir requisitos como o pagamento após o recebimento de produtos e também a exigência de garantias. Ao longo do processo interno do governo, pareceres da Procuradoria do Estado sustentaram a excepcionalidade da situação.”

O meu ponto é que numa pandemia não dá pra arrastar a negociação, não quando há um leilão global pela compra do mesmo produto.

“Para integrantes do Ministério Público, sem as garantias contratuais, se a empresa se negar a devolver o dinheiro, a situação do governo paulista se complica muito.”

A opção é fazer tudo de acordo com as regras e adiar a entrega dos equipamentos enquanto o sistema colapsa. Sem falar que outro comprador poderia arrematar o lote. Ao pessoal honesto cujo trabalho é realizar essas compras, vai aí minha solidariedade.

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8. “É possível um liberal defender o governo Bolsonaro?”

O texto é do Joel Piheiro da Fonseca:

“Como no Brasil tudo é possível, não foram poucos os autoproclamados liberais que embarcaram com entusiasmo no bolsonarismo. O casamento de aparências tem durado, mas depois de assistirmos ao vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, aquele mix insólito de Escolinha do Prof. Raimundo e discurso fascista, alguém ainda acredita que exista amor? Um a um, cada ministro fazia sua esquete. Desnudou-se a essência do governo: bajulação do líder, arroubos militantes e preocupação única e exclusiva com o projeto de poder. A maior epidemia em cem anos? Importava apenas na medida que colocou governadores como rivais do presidente, e como cortina de fumaça para passar o trator na Amazônia. Bolsonaro expressou seu desejo de uma população armada para intimidar prefeitos e governadores. Isso caberia num congresso chavista; mas num governo que se diz “liberal”?

Vamos definir os termos. Liberal é quem defende o valor da liberdade individual para a vida em sociedade. Isso começa com um sistema político no qual haja equilíbrio de poderes e limites a seu exercício. Só assim podemos ter uma sociedade civil com dinamismo próprio, que não apenas orbite —por coação ou bajulação— a autoridade política. E só assim as pessoas podem ser livres para viver suas vidas de acordo com seus valores e crenças, dando seu melhor e assumindo risco de suas escolhas, dentro de limites necessários para a boa convivência e o respeito à lei. Ser liberal não é ser contra o Estado. Ele é uma potencial ameaça à liberdade, mas não a única. Como bem nos lembra John Stuart Mill em “Sobre a Liberdade”, a opinião pública também é. Pouco se tem falado desse efeito do projeto bolsonarista: a corrosão da sociedade civil e do debate público.

Massas de fanatizados gritando, ameaçando, xingando a Rede Globo e Sergio Moro de “comunistas”, atacando jornalistas e espalhando fake news são nocivas à liberdade individual, que requer pensamento maduro, responsabilidade e compromisso com a verdade. “Ah, mas o Guedes…”. Sim, o ministro Paulo Guedes tem uma agenda de reformas liberais na economia. Ótimo. A liberdade econômica é condição necessária, mas não suficiente, de uma sociedade liberal. E mesmo esse plano abstrato tem tido pouco sucesso prático. Em 2019, quando os ventos sopravam a favor, o governo entregou basicamente a reforma da Previdência, e com atraso. Nada de abertura, nada do “trilhão” das privatizações.” [Folha]

“Um presidente autoritário interfere nos órgãos de controle e insufla uma militância golpista. No meio disso, abraça o que há de mais fisiológico na política nacional, enquanto o ministro da Economia discute Keynes. Saúde pública e economia afundam. Ninguém parece saber o que está fazendo. Bajulação, fanatismo, autoritarismo e bagunça. Se essa é a tão propalada “primavera liberal”, imagine o inverno.”

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9. A piada do general

Já não tem respirador em UTIS e vai o gênio do general e…

“Quase três meses após a OMS declarar pandemia, o Ministério da Saúde vai publicar nos próximos dias um protocolo de atendimento a pacientes que apresentam sintomas da covid-19, mas sem um quadro tão grave. Com a intenção de desafogar as UTIs, a pasta quer orientar os hospitais a tratá-los também com oxigênio ou ventilação para evitar que a situação evolua. O documento é o segundo de uma série de três que o ministério planeja divulgar. O primeiro foi o polêmico da cloroquina e o terceiro deve tratar de mão de obra especializada.” [Estadão]

TRÊS MESES DEPOIS, viado! E que diabos o Mandetta fazia no ministério?!

“A demanda de prefeitos por protocolos desse tipo vem de gestões anteriores na Saúde. O texto foi prometido pelo ministro interino Eduardo Pazuello aos gestores municipais na semana passada. Para o secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitos, Gilberto Perre, ainda que não tenha um caráter normativo, o protocolo é importante para ajudar no alinhamento de ações das três esferas municipais, estaduais e federal. Mesmo após a OMS ter suspendido estudos sobre o uso da cloroquina, a Saúde informou que, por enquanto, não pretende rever o protocolo de uso da substância publicado na semana passada.”

Olha o naipe da demência:

“A ANS discutiria ontem a gestão unificada de leitos públicos e privados durante a pandemia. Mas o presidente interino, Rogério Scarabel, adiou a reunião minutos antes por ter passado mal. Diretores da agência viram a justificativa como “desculpa” para fugir da discussão.”

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10. As agruras do Major Olímpio

Sabe a metáfora do canário na mina? Pois é:

“Eleito em 2018 com mais de 9 milhões de votos, o senador Major Olímpio (SP), líder do PSL no Senado, disse nessa terça-feira, 26, que está sendo pressionados por colegas da Polícia Militar a ter “lealdade cega” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e que por isso decidiu abandonar a política após o fim de seu mandato. “Todo mundo sabe que meu sonho era disputar o governo em 2022, mas estou fora. Não quero mais me candidatar. Estou enojado com essa situação. Policiais militares estão me cobrando lealdade cega ao presidente. Me chamaram de traíra. Não sou traíra. Quem está desviando conduta é o presidente”, disse Olímpio ao Estadão.

A indignação do senador, que foi eleito na esteira do bolsonarismo, se difundiu entre policiais após Olímpio responder o áudio de um colega que o procurou. “Era um conversa privada, mas ele resolveu dar publicidade”, disse o parlamentar. Olímpio preferiu não revelar o nome do colega, que na gravação é chamado de Azevedo. O senador ingressou na Polícia Militar há 42 anos e foi entrou na política tendo como base a categoria. No áudio, afirmou que Bolsonaro rompeu com ele “de forma pessoal” para “proteger filho bandido”. O motivo, diz, foi o então aliado ter assinado a CPI do Lava Toga.

“Eu não tenho bandido de estimação. Isso de palavrão em reunião é besteira. Estou enojado mesmo é com o comportamentos que ele adotou e vem adotando. Adotou comigo. Essa negociação com o Centrão por cargo. Essa safadeza que nós tanto lutamos contra. Não quero mais disputar eleição para nada. Estou pendurando as chuteiras. Procurem um novo representante. Não sou gado humano”, afirmou o parlamentar na gravação.” [Estadão]

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11. Vou vestir a carapuça, caralho

Ótimo texto do Álvaro Marechal:

“Em dezembro do ano passado —só seis meses, e parece uma eternidade—, a atriz Isis Valverde falou um palavrão na novela “Amor de Mãe”: “Você não tem mãe, não? Seu desgraçado! Filho da puta!”. Os sites especializados apressaram-se em repercutir a cena que “chocou os internautas”. Logo estes, que vivem xingando uns aos outros nas redes sociais.

Nelson Rodrigues costumava dizer que o espectador deixava o teatro, depois de assistir a uma peça de sua autoria, com a certeza de ter escutado 300 palavrões, embora não tivesse ouvido nenhum. É que o palavrão estava na cabeça deles, que reconheciam o pecado, o desvio moral, a devassidão, representados no palco, neles próprios. Daí a impressão de sujeira impregnada no corpo e na alma com que voltavam para casa.

O chulo e o calão se tornaram engraçados e naturais na vida do país, mas as pessoas insistem em se espantar com eles. Ou fingem que se espantam. Nelson Rodrigues, de novo, foi ao caroço da questão: “Antigamente, o brasileiro só usava o palavrão por uma necessidade vital irresistível. Havia, entre um e outro, uma distância, uma cerimônia, uma solenidade”, escreveu ele. E concluiu: “De repente, instalou-se nos palcos e nas plateias a doença infantil do palavrão”. A qual também está alojada, como vimos e ouvimos, nos altos gabinetes de Brasília.

Que o presidente é uma boca-suja, todos já sabiam, sobretudo seus eleitores. E, pelo jeito, deve ter contagiado os ministros de “perfil técnico”. Os repórteres Matheus Teixeira e Gustavo Uribe contaram 41 palavrões —Bolsonaro liderou, com 33— usados na balbúrdia de 22 de abril. Alguns de gosto clássico em sua safadeza (“trozoba”) e outros que ainda não haviam sido dicionarizados em seu sentido mais profundo e obscuro (“hemorroida”).

O mais inocente da reunião foram os palavrões. E os garçons servindo à mesa.” [Folha]

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12. “So Sad

“A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira (25) que antecipou em dois dias as restrições de viagens para os Estados Unidos de pessoas que passaram pelo Brasil. O anúncio original previa que a medida começaria a valer a partir das 23h59 da quinta-feira (28), no horário dos EUA. Com a alteração, o início da restrição foi remarcado para 23h59 da terça (26). Washington não informou as razões para a mudança.” [Folha]

Vai ver tem a ver com uma certa postura suicida do presidente braisleiro, é uma suspeita, uma hipótese distante…

“A restrição engloba todos os estrangeiros que tenham passado pelo território brasileiro nas últimas duas semanas. Há exceções para os portadores de green cards (residência permanente nos EUA), cônjuges, filhos e irmãos de americanos residentes no país e para estrangeiros que viajem a convite do governo americano, além de integrantes de tripulação aérea. Os americanos impuseram medidas similares à China e a países da Europa ao longo de março.”

A ironia é maravilhosa:

“O presidente Jair Bolsonaro é um dos poucos líderes que seguiram a postura de seu par americano, Donald Trump, na abordagem da pandemia. Ambos criticaram os pedidos de distanciamento social e de fechamento de estabelecimentos, além de divulgarem drogas cuja eficácia não é comprovada.”

O mais inacreditávle é que um deles diz ter tomado cloroquina sem ter sido infectado e não é o Bolsonaro…

A reação do governo brasileiro é hilária:

“Mas a ordem no Palácio do Planalto é não dar espaço para o anúncio feito por Trump. Os poucos auxiliares do presidente que comentam o assunto tentam tratá-lo com naturalidade, afirmando ser uma medida circunstancial e que já foi adotada em relação a outros países que passaram por períodos críticos de disseminação da Covid-19, como China, Irã e alguns europeus.” [Folha]

Isso aí porque Trump três ou quatro vezes já disse que a nossa situação não é nem um pouco boa, não versa apenas sobre ser um país populoso.

“Bolsonaro, por exemplo, não tratou do assunto em suas publicações nas redes sociais. O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, também ficou em silêncio —no domingo, ele deu publicidade apenas às doações de mil ventiladores pelos EUA ao Brasil em sua conta no Twitter.”

Ora, pra dar notícia positiva já basta o governo, né? Eles ainda querem que a imprensa faça o mesmo, como se fosse um armazém de secos e molhados.

“Assessores palacianos vêm negando que a medida possa prejudicar o Brasil e afetar as relações comerciais, por exemplo. Eles argumentam que a decisão vai atingir mais especificamente o turismo, setor que está paralisado por causa do cenário de pandemia desde março. Houve esforços da chancelaria brasileira nas últimas semanas para tentar evitar que a medida fosse implementada a voos do Brasil, justificando que transporte aéreo estava sendo usado quase que somente para cargas e repatriação de cidadãos. Na semana passada, o presidente americano havia dito que cogitava suspender voos do Brasil, porque não queria “pessoas infectando nosso povo”.”

O setor de Tursimo está deveras fodido:

“Já abalado pela pandemia, o setor de turismo brasileiro começou a semana com mais dois sustos. Além do decreto de Donald Trump que suspende a entrada nos EUA de viajantes vindos do Brasil, as agências de viagens e companhias aéreas terão de adicionar aos seus cálculos os vetos de Jair Bolsonaro, nesta segunda (25), à medida provisória que prorrogaria benefícios tributários a empresas que fazem remessas ao exterior e a contratos de arrendamento de aviões.” [Folha]

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13. Jornalismo sob ataque

Que quadra escrota da história:

“A Folha decidiu suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio do Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa. Nesta segunda-feira (25), apoiadores de Jair Bolsonaro hostilizaram jornalistas, numa prática que tem sido recorrente diariamente na porta da residência oficial. Pouco antes dessas agressões verbais, o presidente, ao passar perto dos repórteres, criticou a imprensa. “No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo”, disse. Alguns simpatizantes dele apoiaram respondendo “Isso aí”.

Os xingamentos aos jornalistas que esperam a saída de Bolsonaro na porta do Alvorada diariamente se tornaram comuns, mas, desta vez, a agressividade foi maior. Uma mulher passou pela fila dos jornalistas repetindo: “Ó o lixo, ó o lixo, ó o lixo”. “Escória! Lixos! Ratos! Ratazanas! Bolsonaro até 2050! Imprensa podre! Comunistas”, berrou a mulher, enquanto outros gritavam repetidamente “mídia lixo”. “Sem vergonha. Vocês não mostram a realidade!”, disse outra mulher. “Eu não sei como vocês conseguem dormir à noite. Vocês não representam a população brasileira! Mídia comunista, comprada! Cambada de safados!”, gritou um homem.​” [Folha]

Que realidade paralela espantosa.

“A Folha questionou sobre o episódio desta segunda o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança do Alvorada, e a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom). Não houve resposta até a conclusão desta reportagem.”

General Heleno tá muito ocupado escrevendo ameaças ao STF.

“O jornal pretende retomar a cobertura no local somente depois das garantias de segurança aos profissionais por parte do Palácio do Planalto.”

Vão ficar esperando, Boslonaro deve ter ligado aos berros pro Heleno ordenando que nada fosse feito.

“Nesta segunda-feira, como a lotação do bolsão destinado aos apoiadores ao lado da área de imprensa já havia atingido o limite de 35 pessoas, foi criada uma nova área no lado oposto, em frente ao espelho d’água diante do Alvorada. Quando a Folha chegou ao local, por volta das 7h30, havia 60 pessoas na fila, e muitos já estavam acomodados no bolsão reservado à militância. Quando Bolsonaro apareceu, às 8h30, falou primeiro com os que estavam diante do espelho d´água. Sem máscara, tossiu com a mão na boca e, quando se dirigiu para o lado onde fica a imprensa, vestiu a máscara, de uso obrigatório no Distrito Federal. Depois que o presidente foi embora, os apoiadores seguiram para o local onde fica um púlpito com os microfones das emissoras de TV.

Ao mesmo tempo, a claque que estava no bolsão ao lado da imprensa se aproximou da única grade que a separa de quem está trabalhando. Com a escalada de hostilidades, o GSI, responsável pela segurança, havia instalado duas grades, com espaço de uma pessoa em pé entre elas, para separar os dois grupos. O reforço da proteção, no entanto, foi removido e, nos últimos dias, há apenas uma grade e uma fita de contenção, ignorada pela claque. No início do mês, apoiadores de Bolsonaro reviraram o lixo em frente da sala de imprensa do Alvorada para acusar os jornalistas de sujos. Diante do Palácio do Planalto, jornalistas já foram agredidos fisicamente durante uma manifestação a favor do presidente.

“Vergonha, mídia! Corrupta, comprada, tome vergonha. A Globo é um lixo”, gritou uma mulher nesta segunda-feira, enquanto acompanhantes dela chamavam de lixo os jornalistas em geral. “Vocês da mídia não representam o Brasil, não representam a nossa bandeira. A nossa bandeira tem a ordem e o progresso, cambada de comunistas”, bradou um homem. Sem máscara, uma mulher com camisa verde e amarela, onde se lia “fechados com Bolsonaro”, se aproximou dos jornalistas gritando. Na saída, novas agressões verbais. Diante da sala de imprensa, um homem dizia aos jornalistas que ele “teria vergonha de ser parente” dos profissionais. No estacionamento, um grupo se aproximou dos repórteres para pedir desculpas e dizer que não concordava com o comportamento dos outros apoiadores.”

E ainda tem ataque pra cima do Bonner:

“A TV Globo divulgou nesta terça-feira uma nota de repúdio a uma campanha de intimidação ao jornalista William Bonner, registrada nos últimos dias. A nota cita o uso indevido do CPF do filho do jornalista por um fraudador que inscreveu o jovem no programa de auxílio emergencial do governo a pessoas vulneráveis que perderam renda na pandemia. O próprio Bonner denunciou o fato publicamente na semana passada, em sua conta no Twitter, e seus advogados alertaram a Caixa para a fraude e apresentaram notícia crime ao Ministério Público Federal. A nota divulgada hoje pela Globo informa que o jornalista e uma de suas filhas também receberam mensagens de WhatsApp, originadas de número telefônico com o prefiro 61, de Brasília, com dados fiscais sigilosos dele e da família. E declara apoio da empresa ao jornalista na busca e na punição dos responsáveis pelo desrespeito ao sigilo previsto na Constituição.” [O Globo]

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13. Economia em tempos de pandemia

Alguns números sobre o primeiro trimestre desse 2020 esquisitíssimo pelo mundo.

“O PIB de 37 entre as maiores economias do mundo, reunidas na OCDE, caiu 1,8% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre de 2019, divulgou nesta terça (26) a organização. O impacto da pandemia de coronavírus sobre os países foi irregular, com o PIB francês recuando quase 6%, enquanto o do Japão teve redução de menos de 1%. O país asiático encerrou na segunda estado de emergência em cinco regiões. A queda no primeiro trimestre de 2020 não superou a contração de 2,3% registrada no primeiro trimestre de 2009, no auge da crise financeira iniciada em 2008. Entre os sete principais países, França e Itália foram as mais atingidas tanto pelo coronavírus quanto pelo impacto de medidas rigorosas de confinamento. A economia recuou 5,8% e 4,7%, respectivamente, em comparação com menos 0,1% e menos 0,3% no trimestre anterior. Houve queda acentuada também no Canadá (-2,6%), na Alemanha (-2,2%) e no Reino Unido (-2%). No trimestre anterior, o PIB dos três países havia oscilado em 0,1%, -0,1% e 0%, respectivamente. Nos Estados Unidos, onde o confinamento foi decretado em vários estados no final de março, a contração do PIB foi de 1,2%. A economia japonesa contraiu-se menos no primeiro trimestre deste ano (-0,9%) que no trimestre anterior, quando havia caído 1,9%. Na área do euro e na União Europeia, o PIB diminuiu 3,8% e 3,3%, respectivamente, em comparação com um crescimento de 0,1% e 0,2% no trimestre anterior. Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, o PIB dos países da OCDE caiu 0,8% no primeiro trimestre de 2020. Entre as sete principais economias, os Estados Unidos registraram o maior crescimento anual (0,3%), enquanto a França registrou a queda anual mais acentuada (menos 5,4%).” [Folha]

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>>> Abraham presidente, justamente o autor da fala mais fascsta da reunião marcadamente fascista, adoro essa indiscrição: “O ministro da Educação, Abraham Weintraub, despontou em grupos de WhatsApp bolsonaristas como franco favorito para disputar a Presidência em 2026 (depois de sonhada, por eles, reeleição de Jair Bolsonaro). Antes disso, defendem lançá-lo candidato a prefeito de SP.” [Folha]

>>>> Eu realmente acredito nessa versão da polícia paulista: “A cerimônia de prestar continência e ligar as sirenes das viaturas é uma tradição da Polícia Militar de São Paulo que é colocada em prática desde 2015 sempre que um membro da corporação morre em serviço. Chamada de “Um Minuto de Sirene”, a homenagem foi institucionalizada na corporação na gestão do coronel Ricardo Gambaroni, que foi comandante-geral da PM paulista entre 2015 e 2017. Por isso, diferentemente do que sugeriu o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o próprio presidente e seus aliados, como Roberto Jefferson (PTB), os policiais que prestaram continências na avenida Paulista no domingo (24) não estavam saudando o ato em defesa do presidente, mas estavam apenas seguindo uma tradição de ao menos cinco anos da PM no estado. No sábado (23), morreu em serviço o soldado Lucas Alexandre Leite, 25. No momento em que ele estava sendo sepultado, como manda a tradição da homenagem, os policiais em serviço ligaram as sirenes de suas viaturas e prestaram continências. “É uma homenagem ao policial que morreu defendendo a sociedade e uma forma de mostrar a sociedade que o policial morre no cumprimento da missão. Infelizmente, não é uma coisa rara no Brasil. E também chama a atenção para reforçarmos as medidas de segurança”, diz o coronel Gambaroni, que hoje é superintendente do Ipem-SP (Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo). “É uma maneira de mostrar reconhecimento ao policial, que muitas vezes acha que está arriscando a vida e não está sendo visto”, completa Gambaroni. Nas gestões que o sucederam, essa forma de homenagem foi mantida.” [Folha] E ainda bem, porque se os policiais prestassem continência praquele bando de maluco ia ser o cúmulo da bizarrice.

>>>> Que homem! “A identidade do haitiano que afirmou há alguns meses para Bolsonaro que seu governo havia acabado é um mistério. Em frente ao Palácio da Alvorada, o homem sentenciou: “Bolsonaro, acabou”. “Você não é presidente mais. Precisa desistir. Você está espalhando o vírus e vai matar os brasileiros!”, disse. O vídeo viralizou nas redes. O Painel procurou a Embaixada do Haiti, que disse não saber quem é o rapaz. Bolsonaro chegou a dizer que o homem tinha ido à Câmara e se identificado como presidente do Brasil. A Casa, no entanto, afirmou que o acesso ao local estava restrito e, portanto, não teria como o haitiano ter estado no prédio.” [Folha]

>>>> Latam entrando no capítulo 11 lá nos states: “O Grupo Latam Airlines disse por meio de comunicado ao mercado nesta terça-feira (26) que a companhia e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos recorrão à proteção contra falência nos EUA. O Grupo informou que suas afiliadas na Argentina, Brasil e Paraguai não foram incluídas no documento. “À luz dos efeitos da Covid-19 no setor de aviação mundial, esse processo de reorganização oferece à Latam a oportunidade de trabalhar com os credores do grupo e outras partes interessadas para reduzir sua dívida, acessar novas fontes de financiamento e continuar operando, enquanto permite ao grupo transformar seus negócios para essa nova realidade”, afirmou a companhia na mensagem. A empresa deverá requisitar o chamado Capítulo 11 (lei americana que concede prazo às empresas para se reorganizarem financeiramente e que equivale à recuperação judicial no Brasil). A maior companhia aérea da América Latina afirmou que conseguiu financiamento de acionistas, incluindo as famílias Cueto e Amaro e Qatar Airways, para fornecer até US $ 900 milhões (R$ 4,90 bilhões) em financiamento de devedores em posse. A companhia informa ainda que está em discussões com governos do Chile, Brasil, Colômbia e Peru para auxiliar na obtenção de financiamento adicional, proteger empregos e minimizar a interrupção de suas operações.” [Folha]

>>>> Imagina que louco se o PT não tivesse se lembrado de bater no Bolsonaro só no último dia do primeiro turno… “O PT lançou na tarde desta segunda (25) vídeos pedindo o impeachment de Jair Bolsonaro, aproveitando trechos da reunião ministerial do dia 22 de abril. Em uma das peças, é destacada a parte em que Bolsonaro afirma que quer ampliar o uso de armas de fogo pela população, o que hoje é proibido e restrito a autoridades policiais e a colecionadores. O vídeo afirma que o Brasil vive a pior crise da história, com 23 mil mortos pelo coronavírus, “mas o presidente quer é guerra civil”. E é encerrado com a afirmação de que “ainda dá tempo de salvar vidas e o país”, além de pedidos pelo impeachment e “Fora Bolsonaro”. Em outra peça, que já circula nas redes sociais, foi selecionada a parte da reunião em que Paulo Guedes (Economia) fala sobre como o governo está agindo no crédito às empresas afetadas. O vídeo afirma que “Guedes está perdido” e dá ênfase à parte em que Bolsonaro diz que o barco pode estar indo em direção a um iceberg. Novamente, afirma que o número de mortos chega a 23 mil, e lembra a resposta de Bolsonaro: “E daí?”, quando o Brasil ultrapassou 5.000 mortes pela doença.” [Folha]

>>>> Aham, o dono não sabia de nada, tá ok? “A Hypera (antiga Hypermarcas) recebeu a conclusão de duas auditorias contratadas para identificar o tamanho do rombo causado na companhia pelo esquema de corrupção em que ela se meteu. As informações constam num fato relevante que será divulgado daqui a pouco. A empresa já esteve no centro da Lava-Jato. Em 2016, seu ex-diretor de Relações Institucionais Nelson Mello contou em delação premiada que pagava propina a senadores do MDB por meio do lobista Milton Lyra, mas, segundo ele, sem o conhecimento de seus chefes na Hypera. Mello se comprometeu a ressarcir os cofres da empresa em R$ 33,1 milhões. Mais tarde, porém, a PGR pediu a anulação do acordo firmado com Mello ao descobrir que ele havia omitido uma série de maracutaias e nomes de outros participantes do esquema. As auditorias recém-concluídas identificaram “que foram realizados pagamentos comprovadamente indevidos pela companhia, no valor de R$110,557 milhões”. O documento diz ainda que João Alves de Queiroz Filho, o Junior, dono da Hypera, concordou em cobrir o buraco de R$ 110,5 milhões, “sem assunção de responsabilidade”. Ele fará o pagamento em quatro parcelas de R$ 27,5 milhões.” [O Globo]

 

Dias 509 e 510 | Vontade de sair no soco com um general, né, minha filha? | 24 e 25/05/20

Logo menos atualizo o podcast por aqui. Você ouve os episódios lá na Central3: [Central3]

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Por motivos de “sem tempo, irmão” eu ignorei solenemente boa parte do noticiário de segunda-feira, digamos que o final de semana foi ESQUISITÍSSIMO, como você lerá abaixo:

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1. Vontade de socar um general, né, minha filha?

idoso

Na sexta o mais senil e diminuto dos generais usou mais uma vez um papel timbrado do GSI para enquadrar o STF – Villas-Bôas fez escola, nada foi feito lá em 2016 e a boiada passou – e isso não foi a notícia mais importante dos últimos dias, eu não entendo é mais nada.

O texto é do Marcelo Godoy:

“Em 28 de junho de 1935, o escritor francês Romain Rolland entrou no Kremlin para entrevistar Stalin. É conhecida a conversa que se seguiu. Rolland, que se dizia pessimista com inteligência, mas otimista pela vontade’, perguntou ao ditador por que não haviam debates judiciários públicos e regulares antes das condenações e execuções das pessoas chamadas de terroristas pela imprensa soviética. Stalin respondeu usando o exemplo dos assassinos de Serguei Kirov. O chefe do partido em Leningrado fora morto em 1.º de dezembro de 1934, no Instituto Smolny, onde trabalhava. Kirov era um popular líder bolchevique. O assassino lhe deu tiro no pescoço. E Stalin aproveitou o crime para iniciar o Grande Terror, matando quase um milhão de pessoas. “Teríamos honrado demais esse senhores se tivéssemos examinado seus delitos em processos com a participação de advogados”, afirmou. Stalin disse ainda que era claro a todos que, depois do assassinato de Kirov, os criminosos não se deteriam. “Para prevenir esses crimes tivemos de assumir a desagradável tarefa de fuzilar esses senhores. Essa é lógica do poder. O poder em circunstâncias semelhantes deve ser forte, claro e impávido; de outra forma, não será poder e não será reconhecido como tal.” Augusto Heleno pode não conhecer o episódio ou as palavras do georgiano. Mas sua nota em reação ao pedido de apreensão do telefone celular de Jair Bolsonaro trata o exercício do poder com a mesma lógica do ditador comunista.” [Estadão]

E piora, viado, acredite, general chefe do GSI ameaçando golpe nem é o mais absurdo:

“O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, disse ao Estadão estar “extremamente preocupado” com a tensão entre os Poderes. “A simples ilação de o presidente da República ter de entregar o seu celular é uma afronta à segurança institucional”, afirmou ele.” [Estadão]

Afronta à segurança institucional?! Ah, vai tomar no meio do seu cu, general! O telefone virou prova de crime, não são vocês todos trabalhados na ordem?! Que porra é essa?!

“Azevedo reforçou as críticas feitas por seu colega de governo, general Augusto Heleno, que, na sexta-feira, 22, considerou “inconcebível” uma medida nesse sentido. Em texto intitulado “Nota à Nação Brasileira”, Heleno chegou a dizer que, se o celular do presidente Jair Bolsonaro for apreendido, a medida “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.”

Imprevisíveis, então tá, né?

“Mello explicou, em nota, que apenas consultou a PGR, sem ainda tomar uma decisão a respeito. A simples consulta, no entanto, foi considerada pelo ministro da Defesa como “inconcebível”.”

Inconcebível e inacreditável” é o generalato brasileiro, porra.

Repare, não foi uma decisão final, ele subemteu ao PGR escolhido a dedo pelo Bolsonaro, e ainda assim os generais dão esse chilique autoritário.

“Como revelou o Estadão, a nota do general Heleno recebeu o apoio do ministro Azevedo antes da publicação. Ele afirmou ter concordado com o teor do comunicado, fortemente criticado no meio político, que enxergou ali uma ameaça ao Judiciário. Segundo o ministro da Defesa, era importante que o general Heleno se pronunciasse por considerar que o telefone celular do presidente é um instrumento de trabalho, que contém, inclusive, informações de Estado.”

Aham, vai ver ali não tem nenhum crime, né? É sabido que Bolsonaro fala horrores no whatsapp mas a preocupação é a segurança intitucional, tá ok? Nada a ver com provas incrimandoras da insana postura presidencial.

“Para Azevedo, “preservar a segurança institucional do presidente da República é uma das atribuições do GSI”. Trata-se da sigla do Gabinete de Segurança Institucional, comandado por Heleno. Generais com cargos no governo, ouvidos pelo Estadão, reforçaram, nos bastidores, o que Bolsonaro já disse em público: o presidente não irá entregar o seu celular, mesmo que isso signifique uma desobediência a uma ordem judicial, uma quebra institucional com “consequências imprevisíveis”, como Heleno destacou na nota. Argumentaram que “ordens ou decisões absurdas não se cumprem”, uma máxima que impera nos quartéis.”

O Palácio do Planalto virou quartel, foi? Não são esses dementes que juram de pé junto que o Exército não está no governo, que eles não estão ali como generais? Quando a água bate no pescoço vira quartel rapidinho. Que o Celsão não recue um mísero milímetro. Aliás, é surreal que o Toffoli e os demais ministros do STF nada tenham dito, estamos deveras fodidos.

“Para interlocutores diretos de Bolsonaro, uma ordem de apreensão do seu celular “extrapola” a competência do Supremo e será tratada como abuso de autoridade, com quebra de harmonia e independência entre os Poderes. O artigo 2° da Constituição Federal trata justamente dessa relação ao dizer que “são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.”

É cada papo um mais esquisito que o outro

“Apesar da resposta dura à iniciativa de Celso de Mello, decano do STF, a avaliação no Palácio do Planalto é a de que o magistrado não chegará ao ponto de comprar briga com o governo. Na avaliação de bolsonaristas, o desgaste político já foi feito e faz parte de um suposto esforço conjunto, de vários segmentos políticos, para tentar destituir Bolsonaro da Presidência. Num primeiro momento, a consulta de Celso de Mello à PGR sobre a apreensão do celular de Bolsonaro causou “indignação” generalizada entre os ministros e assessores palacianos. A temperatura baixou quando se soube que o decano do Supremo não havia se manifestado quanto ao mérito do pedido da oposição. Logo depois, porém, voltou a subir porque, nas palavras de um interlocutor do Planalto, Bolsonaro estava “transtornado” e não se conformava com o que era considerada mais uma provocação do Supremo, que precisava de uma resposta.”

Isso é, a nota do Heleno foi uma resposta ao transtornado Bolsonaro, o mais senil e diminuto general é uma espécie de office-boy do capitão.

“O presidente e seus aliados também criticaram muito a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, que, segundo eles, exibia a tarja de “sigilosa”. Todos reiteraram que aquele era um encontro de ministros, reservado, no qual se falava espontaneamente, e acabou tornado público como se fosse uma reunião do governo Lula combinando o criminoso mensalão.”

De quebra Bolsonaro sugeriu apenas e tão somente a prisão do Celsão, viado!

“Neste domingo, 24, Bolsonaro postou nas redes sociais um trecho da lei de abuso de autoridade, que considera crime “divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra e a imagem do investigado ou acusado”. A pena é de detenção de um a quatro anos.”

Tinha nude do Bolsonaro na reunião, é?

“Juristas ouvidos pelo G1 e pela TV Globo dizem que a vedação citada por Bolsonaro não se aplica ao vídeo da reunião. Isso porque ela trata da exposição da vida privada ou da intimidade das pessoas, e que esse não é o caso do vídeo da reunião ministerial. Para Thiago Bottino, professor de direito da FGV-Rio, se a intenção do tuíte do presidente da República foi relacionar o crime do artigo 28 da Lei 13.689/2019 com a decisão do ministro Celso de Mello em dar publicidade ao vídeo da reunião do dia 22 de abril, Bolsonaro está enganado por três motivos. “O primeiro motivo é que a nova Lei de Abuso de Autoridade protege divulgação de gravações que exponham a intimidade de um investigado. Uma conversa telefônica é uma comunicação privada, particular, bem diferente de uma reunião ministerial com mais de 20 pessoas, onde todos sabem que estão sendo gravados e filmados. Tratava-se de uma atividade pública, na qual ninguém estava expondo sua intimidade ou tratando de sua vida pessoal, mas tendo uma reunião de trabalho na condição de funcionários públicos. Sabiam que estavam sendo filmados justamente para que eventualmente houvesse um controle público posterior sobre essa atividade”, afirma. “Em segundo lugar, a divulgação integral da gravação (com exceção das referências a Estados estrangeiros) impede a descontextualização das falas. Um exemplo que me ocorre é a divulgação de um trecho da conversa telefônica entre Lula e Dilma, em 2016, pelo ex-juiz Sergio Moro. Foi divulgado apenas um trecho isolado, ao passo que conversa integral poderia permitir uma outra interpretação daquela conversa. Além disso, o vídeo divulgado pelo ministro do STF era uma prova válida, outra diferença em relação ao então juiz Sergio Moro, que divulgou uma gravação telefônica sabidamente ilícita (porque obtida depois de expirado o prazo de interceptação).” “O terceiro motivo diz respeito às manifestações dos eventuais investigados. Tanto o ex-juiz Sergio Moro (por meio de petição do seu advogado) como o presidente da República (por meio de petição do advogado geral da União) foram favoráveis à divulgação integral do material. Logo, se se manifestam favoravelmente à publicidade, não podem posteriormente afirmar que sua intimidade foi atingida”, conclui.” [G1]

Como são burros, puta que pariu! Eles liberaram a publicação na íntegra e agora acusam celso de publicar na íntegra!

Ah, e na manifestação de domingo Bolsonaro continuou esse grande show pré-golpe. Ao seu lado estavam os generais do GSI, da Defesa e da Saúe, apenas isso.

“O presidente destacou presença de Azevedo no local e aproveitou a ocasião para falar sobre o papel das Forças Armadas. Segundo ele, o general Azevedo e Silva sabe “fazer valer a força que as Forças Armadas têm em defesa da democracia, da liberdade”. “Também nosso maior exército é o povo.” Em seguida, Bolsonaro reforçou que as Forças Armadas pertencem ao Brasil e não ao presidente. “É um dos pilares aqui da nossa estabilidade, as Forças Armadas sempre voltadas para os interesses da nação e o bem comum e ao lado do povo, da lei e da ordem.”

Tivéssemos uma lei de anistia lá atrás nem fodendo esse generalato senil estaria dando esse tipo de show auutoritário.

“A solenidade teve a participação de deputados estaduais de São Paulo e Minas Gerais, além dos federais Hélio Lopes (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Alê Silva (PSL-MG). Toda a interação com o presidente foi filmada por vários parlamentares do grupo, que na chegada gritaram em coro “a nossa bandeira jamais será vermelha”.”

E Bolsonaro continua dizendo que ele poderia ter destruído o vídeo da reunião, fascinante:

“Ainda na conversa com apoiadores, Bolsonaro voltou a dizer que tinha “classificado como secreto aquele encontro”. “Poderia ter destruído a fita porque não é um encontro formal. Mas resolvemos manter, poderia ter destruído que não tinha penalidade nenhuma”, afirmou encerrando sua fala com o início do arriamento da bandeira. Antes, ele destacou que era o único presidente que estava sempre “colado” com o povo. “O poder está aqui, no meio do povo. Pela primeira vez, vocês têm alguém colado em vocês. Primeiro Deus, depois vocês”, disse. “Quem esquece o passado está condenado a não ter futuro”, completou.”

Ah, sentiu falta dos militares da reserva?

“Faltam a ministros, não todos, do stf (sempre grafado em letras minúsculas), nobreza, decência, dignidade, honra, patriotismo e senso de justiça. Assim, trazem ao País insegurança e instabilidade, com grave risco de crise institucional com desfecho imprevisível, quiçá, na pior hipótese, guerra civil” [Correio Braziliense]

Sim, e sobre nesse governo nobreza, decência, dignidade e honra, né? O que sobra é patriotismo, o último refúgio dos canalhas.

“No texto divulgado neste domingo os oficiais da reserva, ex-colegas de turma de Heleno na Academia das Agulhas Negras, se referem aos “ministros” do STF – entre aspas – nos seguintes termos: “bando de apadrinhados que foram alçados à condição de ministros do stf (sic), a maioria sem que tivesse sequer logrado aprovação em concurso de juiz de primeira instância”. Em tom policialesco, o texto adverte: “Alto lá, ‘ministros’ do stf!” e diz que os autores do texto se mantém calados “em nome da paz no País”.

“Juiz que um dia delinquiu – e/ou delinque todos os dias com decisões arbitrárias e com sentenças e decisões ao arrepio da lei -facilmente perdoa (…) Vemos, por esta razão, ladrão, corrupto e condenado passeando pela Europa a falar mal do Brasil Menos mal ao País fizeram os corruptos do mensalão e do petrolão, os corruptos petistas e seus asseclas que os maus juízes que, hoje, fazem ao solapar a justiça do país e se posicionar politicamente, como lacaios de seus nomeadores, sequazes vermelhos e vendilhões impatrióticos”.”

Nem no governo do PCO eu esperaria uma porra dessa…

“Os militares aposentados também ecoam o discurso de Bolsonaro ao usar termos pesados como “canalha” para se referir à imprensa. “Temos acompanhado pelo noticiário das redes sociais (porquanto, com raríssimas exceções, o das redes de TV, jornais e rádios é tendencioso, desonesto, mentiroso e canalha, como bem assevera o Exmº. Sr. presidente da República), as sucessivas arbitrariedades, que beiram a ilegalidade e a desonestidade”. Por fim, a nota prega a desobediência. “Aprendemos, desde cedo, que ordens absurdas e ilegais não devem ser cumpridas”. Na decisão que retirou o sigilo sobre a reunião do dia 22 de abril, Celso de Mello adverte que a desobediência a ordem judicial é crime e pode levar ao impeachment.”

É o mesmo papo do palácio, viado… E o mais hilário é que eles mudam portarias sobre armas mesmo sendo uma “ordem absurda“, tem que ver essa selitivdade verde-oliva aí.

Ao invés da íntegra por aqui, vai pelo twitter emsmo:

O senil e diminuto general, emocionado, agradeceu:

Sabe essa tara por “Não cumprir ordens absurdas“?  – o texto é do Reinaldo Azevedo

“Que fique claro! Bolsonaro não está sendo apenas retórico quando diz que está armando de caso pesando a população pensando em guerra civil. Cada gesto seu nessa área agora tem não uma interpretação, mas um propósito declarado. E, como a reunião deixa claro, o próprio Sergio Moro — que agora posa de São Jorge de casa de tolerância — e o ministro Fernando Azevedo e Silva foram coniventes com esse propósito. Ao confessar que prepara a guerra civil em nome da liberdade, afirma o presidente:

“Eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assine essa portaria hoje que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não dá pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais.”

Eis aí. De que portaria Bolsonaro fala? Vamos lá.

Quando se refere aos ministros Fernando Azevedo e Silva e Sergio Moro, ele cobra uma portaria, que saiu no dia seguinte. Trata-se de uma aberração. O limite para a compra de munição para quem tem arma legal passou de 200 CARTUCHOS POR ANO PARA 550 CARTUCHOS POR MÊS.

Mais especificamente:

“Civis que tenham posse (manter em casa) ou porte (carregar na rua) de arma de fogo, poderão comprar, por mês:
até 300 unidades de munição esportiva calibre 22

até 200 unidades de munição de caça e esportiva nos calibres 12, 16, 20, 24, 28, 32, 36 e 9.1mm;

até 50 unidades das demais munições de calibre permitido”

Observem que o presidente fala em tom de reação. Queria dar um recado para “esses bosta”. Quais “bosta”? Explico

No dia 18 de abril, a Portaria 62 revogou as portarias 46, 60 e 61. Todas elas diziam respeito ao rastreamento de armas e munições. Isto mesmo: o presidente da República, e ninguém entendeu por quê (ou quase ninguém), não queria mais que armas e munições que entrassem no país fossem rastreadas.

Observei aqui e na rádio: isso só interessa ao crime organizado e às milícias. Agora está claro: serve à guerra civil com a qual o presidente sonha.

Quando saiu a Portaria 62, Bolsonaro comemorou no Twitter:

“Atiradores e colecionadores: determinei a revogação das Portarias Colog nº 46, 60 e 61, de março de 2020, que tratam do rastreamento, identificação e marcação de armas, munições e demais produtos controlados por não se adequarem às minhas diretrizes definidas em decretos”.

Muto bem! Esse tema tinha custado a exoneração, no dia 25 de março, do general de brigada Eugênio Pacelli, do Comando de Logística (Colog), responsável pela Fiscalização de Produtos Controlados — que supervisiona a produção e comercialização de armas e munições. É espantoso! O presidente da República demite um general por fazer a coisa certa — que é cuidar do rastreamento de armas e munições –, metendo-se na rotina do Exército, e, como se nota, a Força engole a brasa acesa. Não! O cargo no Colog não está entre aqueles privativos da Presidência. Pior do que tudo isso! Em reunião ministerial, revela a sua intenção de armar o povo para a guerra civil e determina que os ministros da Defesa e da Justiça aumentem a munição — SEM RASTREAMENTO —, e, como vimos, a missão foi cumprida. Note-se o silêncio de Sérgio moro, não? Não fosse, tudo indica, o imbróglio envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, mais essa violência tinha passado na boa. Afinal, o ministro já se calara no caso do rastreamento. Pergunto: se Bolsonaro não tivesse bulido com a PF, Moro teria pedido demissão ou continuaria a servir a um presidente que confessa apostar na luta armada?” [UOL]

Que papel vergonhoso das Forças Armadas…

Ah, e fica ainda melhor, um general citado na nota se recusou a assinar pois “os termos poderiam ser outros“:

“O general Paulo Chagas, que sofreu busca e apreensão por ordem do ministro Alexandre de Moraes em inquérito aberto a pedido de Dias Toffoli, é citado na nota. No entanto, ele disse ao UOL que não vai assinar o documento. Primeiro, afirmou que não firmaria uma nota de apoio a ele mesmo. Em segundo lugar, ele acha que os termos poderiam ser outros. “Os termos podiam ser o nosso apoio à sua tentativa [de general Heleno] de pacificar o país”, esclareceu Chagas à reportagem. Segundo ele, Heleno não precisa de “solidariedade” porque “não está sendo ameaçado” [UOL]

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) entrou com pedido de impeachment do Heleno e a coleção de crimes é espantosa:

  • “opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do Poder Judiciário;
  • usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício;
  • provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis; e
  • impedir, por qualquer meio, o efeito dos atos, mandados ou decisões do Poder Judiciário;
  • Recusar o cumprimento das decisões do Poder Judiciário no que depender do exercício das funções do Poder Executivo.”

Encerro com o César Benjamin, que passou dos 17 aos 20 anos em uma solitária do exército brasileiro:

“Militares da reserva enviam um manifesto ao general Heleno, dizendo-se “prontos para uma guerra civil”. São canalhas. Sabem que nesse cenário extremo tudo se resumirá a perseguir civis desarmados. É o que gostam de fazer. Eu sei como ficam valentes diante de um civil algemado para trás, nu e encapuzado. Se houvesse algum risco real de guerra, estariam embaixo das camas. As forças armadas argentinas, durante anos, foram ferocíssimas contra seu próprio povo. Quando tiveram que enfrentar soldados profissionais, nas Malvinas, renderam-se como demoiselles.” [Facebook]

Digo isso aqui desde o começo de 2019: todo e qualquer castigo para os generais desse governo é pouco, muito pouco.

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2. Confissão presidencial

Pouco depois da reunião ser divulgada Bolsonaro apareceu na portaria do palácio do Alvorada e que coisa espantosa, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo mas com Bolsonaro não tem essas frescuras não:

“Nenhum ministro meu tem responsabilidade do que foi falado ali, porque foi uma reunião reservada de ministros, não foi uma reunião aberta. A responsabilidade é do ministro Celso de Mello”

Sim, a fala fascista do Abrahamé culpa do Abraham, a fala criminosa do Salles é culpa do Celso, Bolsonaro falando em armar a população é culpa do Celso. A culpa é do Bolsonaro e ele a coloca em quem ele quiser.

“E é claro que (o diretor-geral da PF) tem que ser alguem que tem afinidade comigo, ou alguém queria que eu botasse um delegado ligado ao PSOL? O senhor Ramagem eu o conehci no dia seguinte ao segundo turno, em 2018 o homem foi escalado pela PF na época, um delegado com mais experiência, porque naquele momento nao tava as fazendo segurança de candidato, ams de presidente, , e eu por dar liberdade a todos, tomava café comigo, pao com leitoe  econdensaod, alomoçacva comigo, só nao durmia comigo” (8’05”)

Os advogados como?!

Sabe quantos anos de PF o Ramagem, delegado experiente, tem? 15 anos!

“Sabiam do problema do governador, que queria minha cabeça a todo custo? Que o objetivo dele é ser presidente da República, né? E para isso tinha que destruir a mim e à minha família. O tempo todo vivendo sob tensão. Possibilidade de busca e apreensão na casa de filhos meus, onde provas seriam plantadas. Levantei – graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro – o que estava sendo armado para cima de mim. ‘Moro, eu não quero que me blinde. Mas você tem a missão de não me deixar ser chantageado’. Nunca tive sucesso para nada, é obrigação dele me defnder, nao é me defender de corrupção, não é de dinheiro no exterior, é pra que o presidente possa ter paz.”

Como é burro, ele confessou um crime por livre e espontânea vontade, na frente duma porrada de microfones!

Moro não deixou a bola quicando:

“Não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do Presidente. As únicas buscas da Justiça Estadual que conheço deram-se sobre um filho e um amigo em dezembro de 2019 e não cabia a mim impedir” [G1]

O general Santga Rosa, que fazia parte do governo, falou sobre esse papo de “inteligência pessoal“:

“Pelo menos duas pessoas que trabalharam com Gustavo Bebianno nos últimos tempos confirmam que o ex-secretário geral da Presidência, que morreu na madrugada de hoje de infarto, deixou duas cartas para serem abertas em caso de assassinato. O deputado Julian Lemos (PSL-PB) e o general Maynard Santa Rosa disseram à coluna que ouviram de Bebianno essa informação. Santa Rosa, que foi secretário de Assuntos Estratégicos do governo Bolsonaro, ouviu de Bebianno que ele escreveu as cartas para serem abertas caso ele fosse assassinado. O general não conhece o conteúdo das mensagens, mas confirma que o ex-ministro detinha informações comprometedoras. “Quando Bebianno se viu rejeitado, ficou traumatizado, tivemos que fazer muita força para ele não sair explodindo”, lembra o general. “Conseguimos contê-lo visando o futuro do governo, porque prejudicaria o Brasil se ele saísse atirando. Ele concordou, era um cara do bem”. Bebianno tinha “outros conhecimentos dos meandros da campanha, dos contatos, que ele conteve”. “Ele poderia ter colocado coisas muito mais perigosas se fossem faladas, mas ele nunca falou”, afirma o oficial da reserva.” [UOL]

Sempre quando eu ouço o Santa Rosa, único general a ousar peitar o governo de fato, eu lembro do Santos Cruz, que rompeu mas finge que o governo era um convento, não abre a boca, por mais absurdo que seja esse governo. Digamos que ele seja leal ao Bolsnaro, apesar dos pesares.

“O general Santa Rosa diz que também testemunhou a decepção de Bebianno. “Ele se dava muito bem com a imprensa e por conta disso Carlos Bolsonaro achava que vazava informações”, explica. “Era, na verdade, uma pessoa de bom relacionamento, que sabia se expressar, nada a ver com vazamento. Foi mal interpretado porque tem alguns imaturos no âmbito do palácio que não entendem, acham que tem que discriminar o outro lado”. O oficial lembra que um dos últimos embates entre Bebianno e Carlos foi por causa da ideia de criar uma “Abin paralela” para investigar os adversários. “Carlos queria colocar um sistema de inteligência no Planalto, mas Gustavo não concordou. Além disso, o pessoal militar não concordou”, diz ele. “Não existe Abin paralela, mas houve a tentativa. O próprio presidente quando soube não alimentou a ideia”.”

Vamos combinar assim: um general confirma a história de Abin paralela, algo negado pelos generais do governo. “Quem alinha discurso é bandido“, né, Mourão?!

E está tudo normal, tá ok?!

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3. A fatídica reunião

Vamos á repercussão da reunião:

“Enquanto ministros do Palácio do Planalto minimizaram os impactos das declarações do presidente Jair Bolsonaro durante a reunião com o conselho, em 22 de abril, acendeu no governo uma preocupação com a possibilidade de o ministro da Educação, Abraham Weintraub, responder criminalmente pelas falas agressivas aos magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Weintraub vinha sendo “fritado” por aliados de Bolsonaro por discordar com a orientação do presidente de ceder espaço no MEC para indicados do Centrão. Após a divulgação do vídeo, interlocutores do governo analisam como “delicada” a situação do ministro, mas não veem disposição do presidente em substituí-lo neste momento.

A preocupação é que uma ação judicial contra um ministro de Bolsonaro acirre os ânimos entre Executivo e Judiciário. No governo, há quem defenda que o presidente abra mão de manter Weintraub na Educação se a situação entre os Poderes ficar insustentável. Porém, na avaliação de aliados, a troca neste momento demonstraria “sacrifício” que o presidente não está disposto a fazer. A pessoas próximas, Bolsonaro afirmou neste sábado que Weintraub saiu fortalecido após ter suas declarações reveladas. Aliados de Bolsonaro consideraram que os ataques do ministro são “conversas reservadas”, que não deveriam ser divulgadas. Um aliado da ala ideológica argumenta ainda que – por se tratar de uma reunião fechada – não caberia sequer ações judiciais.” [O Globo]

Até o líder do governo no Senado largou de mão:

“O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), defendeu neste sábado (23) a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Ao ser questionado se demitiria o ministro caso fosse presidente da República, o senador Fernando Bezerra foi direto: “Sim, demitiria”. Na avaliação do líder do governo, os comentários de Abraham Weintraub foram o pior momento da reunião ministerial que antecedeu a saída do ministro Sergio Moro do governo. Fernando Bezerra revelou ter comentado com o presidente Jair Bolsonaro o conteúdo das declarações de Weintraub. Disse ao presidente que achou totalmente inapropriados os comentários do ministro da Educação.” [G1]

Abraham tentou se explicar e falhou miseravelmente – e conseguiu fazer isso em um português impecável, uma raridade:

“Tentam deturpar minha fala para desestabilizar a Nação. Não ataquei leis, instituições ou a honra de seus ocupantes. Manifestei minha indignação, LIBERDADE democrática, em ambiente fechado, sobre indivíduos. Alguns, não todos, são responsáveis pelo nosso sofrimento, nós cidadãos.”

Marco Aurélio Mello deu no Abraham e no chefe:

“Eu só posso atribuir a um arroubo de retórica, né? E cabia ao dirigente da reunião exercer o poder de polícia, evidentemente cortando a palavra dele e dizendo que a palavra em si era imprópria”, disse. “Se estivesse ocupando a cadeira de presidente da República, evidentemente não teria o estilo do presidente, eu pediria a ele pra pegar o boné e ir pra casa. Eu acho que, principalmente, como ministro da Educação, ele ficou numa situação muito ruim. Que educação é essa?” [G1]

E a avaliação negativa de Bolsonaro sobe enquanto a avaliação positiva cai. O que era 1/3 de apoio já passou para 1/4. Estão cada vez mais encurralados, e por isso mais ariscos:

“A aprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diminuiu em maio, dando lugar a uma maior taxa de reprovação, diz a última rodada da pesquisa XP Ipespe, concluída na terça-feira (19/05). Aqueles que consideram o governo bom ou ótimo representavam 27% dos entrevistados na rodada anterior, concluída em 30 de abril. Agora, esse número oscilou para 25%. Já aqueles que consideram o governo ruim ou péssimo cresceram — dentro da margem de erro — em um ponto percentual, de 49% em abril para 50% em maio. Para a pesquisa foram feitas 1.000 entrevistas com abrangência nacional, em 16, 17 e 18 de maio. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais. Seguindo a tendência de aumento na reprovação de Jair Bolsonaro, os entrevistados com expectativas positivas para o resto do governo diminuíram, de 30% para 27%. Os que disseram ter expectativas negativas para o resto do mandato cresceram em dois pontos percentuais e chegaram a 48%. A atuação do presidente da República na crise também foi questionada: 21% dos entrevistados consideram boa ou ótima e 58% avaliam como ruim ou péssima.” [Correio Braziliense]

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4. Moro vs Bolsonaro

Tem mais munição do Moro pra cima do ex-chefe:

“Mensagens enviadas pelo presidente Jair Bolsonaro ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro, comprovam que partiu do chefe do Executivo a decisão de intervir na Polícia Federal e trocar o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo. “Moro, Valeixo sai esta semana”, escreveu o presidente, às 6h26 do dia 22 de abril. “Está decidido”, afirmou ele em outra mensagem, enviada na sequência, encerrando a conversa. “Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio (sic)”. A resposta de Moro foi enviada 11 minutos depois, às 06h37m. “Presidente, sobre esse assunto precisamos conversar pessoalmente. Estou ah disposição para tanto”, disse o ex-juiz da Lava Jato.” [Estadão]

Deu ruim, famiglia!

“A série de quatro mensagens obtidas pelo Estadão consta do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra seus filhos e amigos, como acusou Moro. O diálogo mostra, ainda, que a decisão do presidente de mudar o comando da PF já tinha sido tomada horas antes da reunião ministerial ocorrida naquele mesmo dia 22 de abril, a partir das 10 horas, no Palácio do Planalto. A conversa contraria duas versões que Bolsonaro tem dado em sua defesa e ajuda a explicar a posição de Moro na reunião ministerial, quando foi constrangido pelo presidente a fazer mudanças na corporação. A mensagem deixa claro, ainda, que Bolsonaro já havia decidido pela demissão de Valeixo de forma unilateral e sugere, quando Bolsonaro não lhe deixa alternativas, que a relação de confiança com o seu então ministro da Justiça havia sido quebrada.”

Vamos á mentira:

“Até este momento, Bolsonaro tem sustentado em entrevistas que foi Valeixo quem pediu para ser demitido, alegando cansaço. Segundo ele, isso comprova que não houve interferência da sua parte. Na sexta-feira, após a divulgação do vídeo, Bolsonaro novamente repetiu, em entrevista na portaria do Alvorada, que foi o próprio diretor-geral da PF quem quis deixar o cargo. “O senhor Valeixo de há muito vinha falando que queria sair. Na véspera da coletiva do senhor Sérgio Moro, dia 24, o senhor Valeixo fez uma videoconferência com os 27 superintendentes do Brasil, onde disse que iria sair. Eu liguei pro senhor Valeixo, o qual respeito, na quinta-feira, à noite. Primeiro ele ligou pra mim. Depois eu retornei a ligação pra ele. ‘Valeixo, tudo bem?. Sai amanhã? Ex-officio ou a pedido?’. A pedido (foi a resposta de Valeixo, segundo Bolsonaro). E assim foi publicado no DOU. Lamento ter constado o nome do ministro da Justiça ali. É porque é praxe”, disse Bolsonaro. Em depoimento no inquérito, no dia 11 de maio, Valeixo contou que jamais formalizou um pedido de demissão. De acordo com ele, um dia antes da publicação no Diário Oficial da União, recebeu um telefonema do próprio presidente questionado se ele concordava que sua exoneração saísse a pedido. Sem alternativa, o ex-diretor concordou. Valeixo relatou ainda que Bolsonaro justificou que queria alguém no cargo com quem tivesse “afinidade”.”

E olha que coisa:

“Em ofício enviado à Polícia Federal, a Secretaria-Geral da Presidência informou que o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, não assinou o ato de exoneração do ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. Quando a exoneração de Valeixo foi publicada no “Diário Oficial”, no dia 24 de abril, o nome de Moro e o do presidente Jair Bolsonaro apareceram como responsáveis pelo ato. Moro, que se demitiu no mesmo dia, disse que foi surpreendido pela exoneração e que não havia assinado o ato. Mais tarde, o Planalto republicou a exoneração, sem a assinatura do ex-ministro. “Segundo a praxe administrativa, a publicação em ‘Diário Oficial’ vem acompanhada da inclusão da referenda do ministro ou ministros que tenham relação com o ato”, explicou a secretaria no ofício. A Secretaria-Geral disse também que não houve “qualquer objetivo deliberado” em fazer parecer que o ato havia sido assinado por Moro. “Ao contrário, a área técnica apenas seguiu a praxe”.” [G1]

Nem a demissão foi a pedido e nem foi assinada pelo Moro.; Mas ”

“, tá ok?

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5. Love is in the air

Vão ser discretos assim lá na casa do caralho!

“O presidente Jair Bolsonaro foi na manhã desta 2ª feira (25.mai.2020) à PGR (Procuradoria Geral da República). A visita foi logo depois da solenidade de posse online do subprocurador-geral da República, Carlos Alberto Vilhena, no cargo de procurador federal dos Direitos do Cidadão. A cerimônia constava na agenda do presidente Bolsonaro, que acompanhou a live do Palácio do Planalto, em Brasília. No fim da solenidade, o procurador-geral Augusto Aras questionou se Bolsonaro gostaria de falar algo. O presidente, então, pede para ir pessoalmente à sede da PGR apertar a mão do novo subprocurador.

— Se me permite a ousadia, se me convidar, eu vou agora aí apertar a mão do nosso novo integrante desse colegiado maravilhoso — disse, aos risos, acrescentando que gostaria de “apertar a mão” de Vilhena.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, que estava presente no evento, disse que ele estava convidado.

— Estaremos esperando Vossa Excelência com a alegria de sempre.

Bolsonaro, então, anunciou que iria:

— Agora. Estou indo para aí agora.” [Poder360]

Aras não poderia negar o convite mas respondeu numa alegria danada, Mas no fundo no fundo ele tava como?!

E olha o começo do papo presidencial:

“Obrigado pela deferência, uma satisfação participar mesmo por vc dum evento comoe sse, mais uma vez o MP se mostra inteirado com o destino da nossa nação”

Já na PGR Bolsonaro foi só elogios ao sujeito que vai decidir uma investigação contra um presidente de sobrenome Bolsonaro.

“Respeito, admiro, tenho um profundo carinho pelo senhor Augusto Aras. Tá fazendo um trabalho excepcional no Ministério Público, como nunca se viu na vida”

E seu discurso na cerimônia foi constrangedor:

“Em seu discurso, Aras disse que a independência dos Poderes não pode se transformar em caos. Falou que a harmonia que mantém o “tecido social forte em torno dos valores supremos da nação”.”

Esse aí é o cara que entrou no lugar da Débora Duprat, que se aposentou e será uma perda irreparável. Não á toa Bolsonaro estava tão feliz na posse.

E Aras vai de primeir amarcha no processo aberto pelo Celso:

“Procuradores do gabinete de Augusto Aras avaliam que a complexidade do inquérito que apura a possível interferência de Bolsonaro na PF fará as diligências demorarem pelo menos mais seis meses. A consequência, caso se cumpra a previsão, é que a investigação ainda estará ocorrendo quando Celso de Mello se aposentar, em novembro.” [Época]

“Estará colocada, então, uma questão complicada: Bolsonaro irá indicar o ministro que herdará o caso do gabinete de Mello. E mais: se Bolsonaro demorar a indicar alguém ou o Senado a aprovar a indicação, o caso poderá ficar parado pelo tempo que o novo togado demorar a chegar. Uma possível solução para o problema vem sendo discutida entre os ministros: redistribuir o inquérito. Falta só combinar com o regimento interno do tribunal.”

Isso já foi feito com a morte do Teori, e é óbvio que isso não pode cair na mão do sujeito escolhido pelo presidente que interfere na porra toda e cobra lealdade acima de tudo. E eu nunca pedi nada, mas dêem essa porra ou para o Marco Aurélio ou para o Gilmar.

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6. O mais verme dos vermes

Caralho, o diretor da PRF caiu porque ousou homenagear um policial morto.

“Marcos Roberto Tokumori tinha 53 anos quando foi vítima de coronavírus. Após passar 23 dias na UTI, o agente administrativo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) morreu em 21 de abril. Tokumori integrava a corporação em Santa Catarina há seis anos e é um dos mais de 22 mil brasileiros que não resistiram às complicações da doença. “O que era difícil de se imaginar, hoje se tornou uma triste realidade para todos nós. A doença, a COVID-19, não escolhe sexo, idade, raça ou profissão”, declarou, em nota, o então diretor-geral da corporação, Adriano Furtado, após tomar conhecimento da morte do agente.” [Estadão]

Eis a fala presidencial na fatídica reunião:

“Ontem eu liguei pro Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal. Chegou ao meu conhecimento, uma nota, que era dele, sobre o passamento de um patrulheiro. E ele enfatizou que era COVID-19. Ali na nota dele só saiu CODIV-19. Então vamos alertar a quem de direito, ao respectivo ministério, pode botar CODJV-19, mas bota também tinha fibrose nu… montão de coisa, eu não entendo desse negócio não. Tinha um montão de coisa lá, pra exatamente não levar o medo à população”

Encerro com a viúva:

“O Estadão entrevistou a mulher do agente, Ana Paula Gomes. Ela conta que recebeu condolências do presidente ‘através do ministro [Sérgio Moro] para o diretor’. Para ela, Bolsonaro ‘faz uma coisa e fala outra’. “Como uma simples nota enviada por qualquer empresa sobre um falecimento faria tamanha confusão. Desculpe mas pense se alguém pode ser condenado de fato por isso?”, conta Ana Paula, que não quis falar mais sobre o caso. Foram os colegas de trabalho do agente administrativo que cuidaram do velório.”

É epsantoso que o sujeito que é o cúmulo da escrotidão tenha sido tratado por metade do país como um mito.

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7. Ah vá…

Quem diria que reabrir as lojas não adiantaria de porra nenhuma…

“As últimas semanas significaram um pesadelo constante para os lojistas de shopping centers do país. Ainda que 107 complexos comerciais em 55 cidades tenham voltado a funcionar no Brasil, os resultados não têm sido nada animadores. Com as restrições de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus, as lojas que reabriram de duas semanas para cá acumulam perdas em suas receitas de, em média, 65% em relação ao ano anterior. Para mitigar os prejuízos, as varejistas estão recorrendo às operadoras de shopping centers em busca de diminuir ou postergar seus vencimentos com os espaços. O cenário é de deterioração dia após dia e incertezas cada vez mais elevadas. O consumidor sumiu. Mesmo assim, empreendedores do setor demonstram confiança de que o fluxo de visitantes irá aumentar pouco a pouco com o passar do tempo.

Com a disseminação de Covid-19 pelo país, diversos estados estabeleceram decretos para o fechamento do varejo, a fim de evitar tumultos de pessoas e, assim, o estímulo ao contágio da enfermidade. A pressão das entidades do segmento pela reabertura do comércio, no entanto, tem surtido efeito em algumas regiões. É o caso, por exemplo, de Santa Catarina, primeiro estado a flexibilizar a quarentena, em 23 de abril. O empresário Tito Bessa Jr., dono e fundador da grife TNG, até tentou se animar com a novidade. Com duas lojas em Florianópolis, capital do estado, não demorou para notar que o fluxo de consumidores 80% menor seria crucial para que ele desistisse das operações. “Eu resolvi encerrar as minhas operações no estado. Não dá mais para esperar uma virada de uma loja que estava na corda-bamba. Em Florianópolis, estávamos vendendo apenas 10% do normal”, diz Bessa Jr, que projeta queda de até 30% para o faturamento das 165 lojas da TNG neste ano.” [Veja]

Ah vá, quem diria que a vida não voltaria ao normal assim que sua loja abrisse, né? É duma estupidez e ingenuidade comoventes

“O empresário, que também é presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, a Ablos, reclama da postura diferenciada de alguns bancos no ato da concessão de crédito. Em sua visão, os bancos emprestam dinheiro a quem não precisa tanto enquanto deixa pequenos e médios empreendedores à deriva ao dificultar o acesso a linhas de crédito. “O crédito não está chegando na ponta. Quem mais precisa não está tendo acesso”, diz Bessa Jr. “Esses dias o Bradesco comunicou que já emprestou bilhões para as empresas do varejo. Mas, se você for ver, 99% desse dinheiro foi para o Magazine Luiza, para a Renner, para empresas que teoricamente não precisam tanto”. Instituída no último dia 18, a Lei 13.999/2020 será fundamental para que micro e pequenas empresas consigam, enfim, tomar crédito por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe, a taxa de juros menores e prazo de carência de até 36 meses. A linha de crédito é gerida pelo Sebrae.”

Esse aí é o suejito que muito provavelmente tem como mito o Guedes, que falou em salvar as grandes e foder pequenas e médias empresas, que respondem por mais de 80% das contratações

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8. Zambi

Eita porra, Zambi, mucho loca, disse que Sérgio Moro “tinha predileção em investigar e condenar o PT“:

“Legitimamente, nao tou dizendo que é ilegítiomo a condenação, nao estou dizendo nada a respeito disso… “Era uma percepção interna [entre os delegados da Polícia Federal] de que não se falava no PSDB [dentro da Lava Jato]”

Esse é o ataque mais brutal ao lava-jatismo nacional e isso veio da Zambi, os roteiristas estão de parabéns. Semana que vem ela anuncia que a Terra é plana, fiquem ligados.

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9. Manifestação

Mais alguns crimes pra coleçao presidencial

“O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste domingo (24) de mais um ato na Praça dos Três Poderes, em Brasília, a favor do governo. O presidente deixou o Palácio da Alvorada, residência oficial, de helicóptero, às 11h32. Primeiro, Bolsonaro sobrevoou a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes. Durante o sobrevoo, o presidente publicou um vídeo mostrando a vista que tinha do helicóptero, focada na manifestação. Depois de alguns minutos, o helicóptero pousou no prédio anexo do Palácio do Planalto, e Bolsonaro se dirigiu a pé para a Praça dos Três Poderes.” [G1]

Participar de manifestação é absurdo, usar helicóptero oficial pra filmar a mnaifestação é o cúmulo do absurdo.

“Bolsonaro chegou ao ato a pé e de máscara. Depois, retirou a máscara, acenou para os manifestantes, apertou as mãos de apoiadores e chegou a abraçar os manifestantes. Em pelo menos dois momentos, o presidente também carregou crianças no colo.”

E daí que tem bandeira neo-nazista na manifestação, né? É só uma coincidência, assim como Alvim emulando Goebbels ao som de Wagner e o uso de slogan de campo de concentração nazista pra reabrir o país.

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10. “A imprensa mundial é de esquerda”

Hoje de amanhã no cercadinho uma fã falou sobre a imagem presidencial no exterior e o presidente concluiu:

“A imprensa mundial é de esquerda. O Trump sofre muito nos Estados Unidos também” [UOL]

Disse o sujeito que fez piada esculachando a primeira-dama francesa, costuma fazer piadas sobre o tamanho do pau dos japoneses e já ironizou o pai da Bachelet, morto pelo Pinochet, seu ídolo.

“Apesar de Bolsonaro dizer que a imprensa é de esquerda, desde o início de seu mandato – e principalmente durante a pandemia do novo coronavírus – ele tem sofrido críticas inclusive de veículos de direita ou liberais. Hoje, o jornal inglês Financial Times publicou um artigo intitulado “O populismo de Jair Bolsonaro está levando o Brasil ao desastre”, relembrando demissões de ministros da Saúde em meio à pandemia e a adoção de um protocolo para uso da cloroquina em pacientes em todos os casos de covid-19. Pesquisas não comprovam a eficiência da droga. “Infelizmente, o Brasil já está pagando um preço alto pelas palhaçadas de seu presidente – e as coisas estão piorando rapidamente”, diz um trecho do artigo.”

Make Brazil Great Again“, eles juraram.

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>>>> Que foto, senhoras e senhores; E o melhor é que isso aconteceu enquanto ele era esculachado pela platéia com gritos do naipe “vai trabalhar, vagabundo!”

pastel

>>>> Hora de afetar surpresa: “A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou, nesta segunda-feira (25), que suspendeu temporariamente testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina para tratar a Covid-19. A decisão foi tomada dentro dos ensaios Solidariedade, iniciativa internacional com 100 países coordenada pela OMS para buscar tratamentos contra a doença. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a suspensão foi determinada depois de um estudo publicado na sexta-feira (22) na revista científica “The Lancet”. A pesquisa, feita com 96 mil pessoas, apontou que não houve eficácia das substâncias contra a Covid-19 e detectou risco de arritmia cardíaca nos pacientes que as utilizaram. “Os autores reportaram que, entre pacientes com Covid-19 usando a droga, sozinha ou com um macrolídeo [classe de antibióticos da qual a azitromicina faz parte], estimaram uma maior taxa de mortalidade”, afirmou Tedros. A OMS afirmou que o quadro executivo do Solidariedade, composto por 10 países, vai analisar dados disponíveis globalmente sobre as drogas, que são usadas para tratar malária e doenças autoimunes. “Eu quero reiterar que essas drogas são aceitas como geralmente seguras para uso em pacientes com doenças autoimunes ou malária”, destacou Tedros. Ele afirmou, ainda, que os outros testes dos ensaios Solidariedade vão continuar (veja detalhes abaixo) – a suspensão refere-se apenas às pesquisas com a cloroquina e a hidroxicloroquina.” [G1]

>>>> Aquela inveja fodida, aquela inveja brutal, aquela inveja desmedida: