Dia 841 | “Que sejamos párias” – e fomos | 21/04/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. “Que sejamos párias” – e fomos

Bem, começou a reunião da Cúpula do Clima e Bolsonaro já foi brindado com uma deliciosa humilhação:

“Bolsonaro esperou por mais de uma hora e meia para falar na reunião internacional organizada pelo presidente dos EUA, Joe Biden. Antes dele, numa lista elaborada pelos americanos, discursaram dezenas de líderes, entre os quais os governantes de China, Índia, Rússia, França e Argentina. [Folha]

E Bangladesh. E Ilhas Marshall! É o “que sejamos párias” do Ernesto na vida real. E olha a carinha de alegria do Bolsonaro com o chá de cadeira

Essa é a cara de quem sabe que ali não era hora de espernearl, era hora de baixar a cabeça.

“A posição que o Brasil ficou na fila autoridades que discursaram na Cúpula de Lideres para o Clima, nesta quinta-feira (22), incomodou o Palácio do Planalto. A manifestação do presidente Jair Bolsonaro foi prevista para 10h48, após as falas públicas de representantes de uma dezena de países, alguns de economias menores. Uma preocupação era que o presidente americano Joe Biden já não estivesse no encontro no momento da fala de Bolsonaro — o que ocorreu. Biden agradeceu e deixou a sala antes do discurso do presidente da Argentina. Bolsonaro foi anunciado pelo secretário de Estado, Antony Blinken. À CNN, auxiliares de Bolsonaro ressaltaram nominalmente alguns países que foram ouvidos antes: Ilhas Marshall, Bangladesh, Indonésia e Argentina.” [CNN]

“Afirmaram que o Brasil foi comunicado que outros países passariam à frente, durante o fim de semana, e que não houve espaço para o Itamaraty negociar. Um importante auxiliar de Bolsonaro afirmou que não houve nenhuma justificativa para a ordem, nenhum critério objetivo. Para ele, faltou cuidado com o Brasil.”

Eis a ordem das falas:

1. Kamala Harris/
2. Joe Biden (EUA)
3. António Guterres (ONU)
4. Xi Jinping (China)
5. Narendra Modi (Índia)
6. Boris Johnson (Reino Unido)
7. Yoshihide Suga (Japão)
8. Justin Trudeau (Canadá)
9. Sheikh Hasina (Bangladesh)
10. Angela Merkel (Alemanha)
11. Emmanuel Macron (França)
12. Vladimir Putin (Rússia)
13. Moon Jae-In (Coreia do Sul)
14. Joko Widodo (Indonésia)
15. Cyril Ramaphosa (África do Sul)
16. Mario Draghi (Itália)
17. David Kabua (Ilhas Marshall)
18. Alberto Fernandez (Argentina)
19. Ursula Von Der Leyen (União Europeia)
20. Rei Salman (Arábia Saudita)
21. Jair Bolsonaro (Brasil)”

Vamos ao hilário discurso presidencial:

Vai aí boa parte do texto, o bla bla bla eu cortei:

“Historicamente, o Brasil foi voz ativa na construção da agenda ambiental global.” [Folha]

Num dia Bolsonaro compara Lula a Jesus, no outro elogia a política ambiental petista na frente de todos os líderes mundiais! Sim, como eles não têm nada pra mostrar restou apelar ao passado que eles execram.

E esse pessoal esquisito diz por aí que a esquerda tá no poder há 3 décadas, mirando lá em 88, sabe como é, Sarney era um terrível esquerdista. Foram os governos pós-redemocratização que fizeram do país um líder global na questão ambiental. Foram esses “esquerdistas” e ONGs que levaram o Brasil ao papel de destaque. O termo desenvolvimento sustentável veio á tona em 72, por iniciativa dos países escandinavos que sofriam com chuvas ácidas por conta da poluição de seus vizinhos, em especial a Alemanha. Alguém acha que tal conceito foi absorvido pelos milcios?!

Renovo, hoje, essa credencial, respaldada tanto por nossas conquistas até aqui quanto pelos compromissos que estamos prontos a assumir perante as gerações futuras. Como detentor da maior biodiversidade do planeta e potência agroambiental, o Brasil está na vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global.

Achava que aquecimento global era coisa de esquerdista pra foder com a soberania dos países…

“Ao discutirmos mudança do clima, não podemos esquecer a causa maior do problema: a queima de combustíveis fósseis ao longo dos últimos dois séculos. O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente, respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais. Contamos com uma das matrizes energéticas mais limpas, com renovados investimentos em energia solar, eólica, hidráulica e biomassa. Somos pioneiros na difusão de biocombustíveis renováveis, como o etanol, fundamentais para a despoluição de nossos centros urbanos. No campo, promovemos uma revolução verde a partir da ciência e da inovação. Produzimos mais utilizando menos recursos, o que faz da nossa agricultura uma das mais sustentáveis do planeta.”

Bolsonaro não é responsável por NADA disso e continua, perdoe o latim,gozando com o pau alheio.

Temos orgulho de conservar 84% de nosso bioma amazônico e 12% da água doce da Terra. Como resultado, somente nos últimos 15 anos evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera.

Isso graças aos órgãos ambientais que Bolsonaro e Salles transformaram em delegacias com um sotaque paulista.

“Como resultado, somente nos últimos 15 anos evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. À luz de nossas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima. Coincidimos, Senhor Presidente, com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos.”

Ele tá falando do Biden! Haja convergência! E aqui faço um parêntese para a Míriam Leitão:

“Os 7.8 bilhões de toneladas a menos emitidos – que ele citou – foram conquistas dos ministros nos governos do PT, Marina Silva, Carlos Minc e Izabella Teixeira que derrubaram o desmatamento entre 2004 a 2012, de 27 mil km2 até 4,5 mil kms. Ele, Bolsonaro, só fez aumentar. Para 10 mil quilômetros quadrados em 2019 e 11 mil no ano passado.” [O Globo]

Voltemos ao Boslonaro:

“Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data. Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização.”

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Anteontem 400 servidores do Ibama denunciaram que a fiscalização está paralisada, na semana passada o delegado da PF que tá na Amazônia há 10 anos foi derrubado por ousar multar madeireiros, defendidos publicamente pelo ministro do Meio Ambiente. A esperança do Brasil é que os gringos não leiam o clipping…

“Mas é preciso fazer mais. Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano. A solução desse “paradoxo amazônico” é condição essencial para o desenvolvimento sustentável na região.”

Opa, paradoxo amazônico?! Aqui me valho do Igor Gielow, na transmissão ao vivo da Folha:

“Bolsonaro fala em “paradoxo amazônico” que supostamente colocaria em lados diferentes os interesses dos 23 milhões de moradores da região com a preservação ambiental. É o tipo de discurso que embasa a estratégia defendida pelos militares de ocupação da área desde os anos 1970.”

Que falácia escrota, ou é um ou é outro.

“Devemos aprimorar a governança da terra, bem como tornar realidade a bioeconomia, valorizando efetivamente a floresta e a biodiversidade.”

Rapaz, ele não falou em nióbio, tá mudado…

“Esse deve ser um esforço que contemple os interesses de todos os brasileiros, inclusive indígenas e comunidades tradicionais. Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental poder contar com a contribuição de países, empresas, entidades e pessoas dispostas a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas. Neste ano, a comunidade internacional terá oportunidade singular de demonstrar seu comprometimento com a construção de nosso futuro comum. A COP26 terá como uma de suas principais missões a plena adoção dos mecanismos previstos nos Artigos 5º e 6º do Acordo de Paris.”

Sim, a COP-26 cuja reunião preparatória seria feita no Brasil mas o governo disse pra arrumarem outro lugar.

Os mercados de carbono são cruciais como fonte de recursos e investimentos para impulsionar a ação climática, tanto na área florestal quanto em outros relevantes setores da economia, como indústria, geração de energia e manejo de resíduos. Da mesma forma, é preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação.”

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E aqui me valho do Mourão: “A gente não tem que ser mendigo nisso aí.”

Voltemos ao discurso presidencial:

Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional.

Quando tem que reiterar algo que deveria ser óbvio…

“Senhores e senhoras, Como todos reafirmamos em 92, no Rio de Janeiro, na conferência presidida pelo Brasil, o direito ao desenvolvimento deve ser exercido de tal forma que responda equitativamente e de forma sustentável às necessidades ambientais e de desenvolvimento das gerações presentes e futuras. Com esse espírito de responsabilidade coletiva e destino comum, convido-os novamente a apoiar-nos nessa missão. Contem com o Brasil.”

O resto do mundo:

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“O presidente brasileiro ainda não percebeu que a Amazônia se tornou maior do que o Brasil nas discussões ambientais. Trata-se de um perigo estratégico incomensurável para o interesse nacional. Perdida em narrativas esquálidas e descontroladas, a política ambiental brasileira põe em risco os interesses econômicos, comerciais, geração de emprego e, especialmente, a proteção dos povos tradicionais da região amazônica.” [Estadão]

Passo ao Andreazza

“Jair Bolsonaro comportou-se como se réu num tribunal. Discurso defensivo. E – claro – mentiroso. Perfeitamente de acordo com o padrão bolsonarista. Não havia mesmo margem para que fosse diferente. Faltava o que apresentar. E sobravam suspeitas – desconfianças – sobre as práticas do Brasil. Faltava, esclareça-se, o que apresentar de bom; de conquistas derivadas de políticas públicas para o meio ambiente. Regredimos; e – agravante – sem que estivéssemos em bom lugar. E então o presidente lançou-se a promessas. (Mas desde que, como um cachorro pidão, recebendo dólares de apoio antes.) ” [O Globo]

Antes do discurso a cobertura lá nos states tava assim ó – texto do Nelson de Sá:

“New York Times e Wall Street Journal produziram reportagens extensas sobre a negociação dos governos Joe Biden e Jair Bolsonaro, antes da cúpula virtual sobre clima, convocada pelo primeiro para esta quinta. No título do NYT para a edição impressa adiantado online, “Notório vilão ambiental pede bilhões pela Amazônia” (abaixo). Na chamada do Wall Street Journal já na home, “Proposta do Brasil para Biden, sobre o clima: Pague-nos para não arrasar a Amazônia” (mais embaixo). Em seu enunciado no site, o NYT diz que “Promessa repentina de Bolsonaro de proteger a Amazônia é recebida com ceticismo”. Ouve ambientalistas, anota que “os EUA não esperam anunciar um acordo com o Brasil na cúpula”, segundo a porta-voz de Biden, e vai listando: “Por dois anos, Bolsonaro pareceu não se incomodar com sua reputação de vilão ambiental. Sob sua supervisão, o desmatamento na floresta amazônica atingiu o maior nível em mais de uma década… O orçamento anual que apresentou ao Congresso inclui o menor nível de financiamento para agências ambientais em duas décadas… O governo está apoiando um projeto de lei que daria anistia aos grileiros, medida que abriria uma área da Amazônia do tamanho da França. Outra iniciativa facilitaria licenças ambientais e abriria caminho para mineração em território indígena.”” [Folha]

Ah, o governo jura que não vai ter mais GLO na Amazônia mas ao que parece esqueceram de combnar com o governo:

“Os ministérios que fazem parte do Conselho da Amazônia deixaram claro, numa reunião de avaliação na última quinta-feira (15), que dificilmente terão condições de realizar sozinhos as ações de repressão necessárias para conter os índices de desmatamento na Amazônia, que já não são nada animadores. O Brasil vem enfrentando recordes de crescimento nos índices de destruição da floresta, e só em março a área desmatada triplicou em relação ao mesmo período em 2020. Esse foi o diagnóstico apresentado pelos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, das Minas e Energia, Bento Albuquerque, além de representantes da Justiça, do Gabinete de Segurança Institucional e das Forças Armadas, no encontro comandado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Pelo plano original, esses ministérios deveriam assumir o controle do desmatamento na Amazônia a partir do próximo dia 30 de abril, com o final da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que mantém as Forças Armadas na Amazônia Legal, a Operação Verde II. Até agora, a previsão era substituir a operação militar pelo plano Amazônia 21/22, que prevê a atuação dos órgãos ambientais na repressão de crimes ambientais em 11 cidades do Pará, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso apontados como prioritários pelo Conselho da Amazônia. Mas, na reunião com Mourão, representantes dos ministérios, que tinham de apresentar as medidas a ser tomadas pelas respectivas pastas, disseram ter dificuldades materiais até mesmo para colocar em prática as medidas que já estão no plano Amazônia 21/22. Os argumentos para justificar sua postura vão da falta de recursos ao sucateamento da estrutura dos órgãos ambientais, que impede ações mais elaboradas. Diante das informações apresentadas, os ministros cogitam levar a Bolsonaro um novo pedido para a prorrogação da GLO, criada em maio de 2020 para durar 30 dias, e que já foi ampliada duas vezes. O ministro Ricardo Salles, que estava na reunião, concordou com a proposta. Para ele, as agências governamentais não estão estruturadas para fazer esse trabalho.” [O Globo]

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2. CPI

Bolsonaro entende de família e vai tentar subornar o filho:

“O presidente Jair Bolsonaro ligou, ontem, para o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), numa tentativa de aproximação com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), seu pai, que será o relator da CPI da Covid no Senado. O gesto mostra o movimento do Planalto para abrir algum tipo de canal com o relator da CPI, já que há preocupação que as investigações se concentrem nos erros cometidos pelo governo no combate à pandemia do coronavírus. A telefonema foi revelado ontem pelo site G1. Renan Calheiros confirmou que houve a conversa do presidente com seu filho. Mas disse que esse diálogo acontece frequentemente porque ambos precisam ter uma “relação administrativa” em função dos cargos que ocupam. Ele garante que nunca se recusou a conversar com Bolsonaro. Em entrevista ao Estadão, semana passada, Renan afirmou que a CPI não iria se transformar numa “Comissão Parlamentar de Inquisição”. E tem repetido que a CPI não é inimiga de ninguém, “mas, sim, da pandemia”.” [Estadão]

A turba morde, o presidente assopra:

“Apesar disso, o governo sabe que o trabalho de Renan na relatoria deve desgastar Bolsonaro e outros integrantes e ex-membros de sua equipe. Com 380 mil mortes já registradas e com atraso na compra e entrega de vacinas, a pressão política contra o governo segue muito elevada. E Renan tem feito oposição sistemática à gestão federal, além de ter dado declarações que acenam para um possível apoio à uma eventual candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Por causa disso, Bolsonaro foi aconselhado por seus auxiliares a tentar fazer uma ponte política com Renan via governador de Alagoas. Dentro da CPI, o grupo governista tem pouca força – possui apenas 4 dos 11 titulares. Mas, ao mesmo tempo em que o presidente procura esse canal de conversa, seus aliados seguem atacando violentamente Renan nas redes sociais, inflando uma campanha de suspeição por causa dos processos de investigação que ele responde ou respondeu na Justiça. Além disso, levantam também suspeitas sobre sua parcialidade justamente por ser pai de governador, já que a CPI poderá analisar o destino de verbas enviadas pelo governo aos Estados para o combate à pandemia. Há também uma iniciativa da deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), que pede na Justiça que Renan não assuma a relatoria da CPI. Com isso, parece pouco provável que o gesto de Bolsonaro possa ter algum efeito político prático nesse momento.”

Ontem saiu matéria com aspas de senadores dizendo que não havia qualquer articulação do governo, e o senador filho do presidente concorda:

“Acredito que o governo perdeu o timing para fazer as indicações de membros para a CPI. Faltou presença nossa na articulação para que fossem escolhidos nomes mais isentos. Tem muita gente contra o governo. A própria entrevista que Renan (Calheiros) deu, antes mesmo de assumir a relatoria, reforça isso. Mas ainda podemos tentar virar o jogo.” [O Globo]

E esse caô é maravilhoso:

“Eu mesmo não batalhei para integrar a CPI, porque sou filho do presidente e, óbvio, não teria posição isenta na comissão. É claro que eu iria querer defender o governo. Da mesma forma, Renan e Jader (Barbalho) vão olhar para os estados deles e, caso haja suspeita de irregularidades, como atuariam? Tanto o filho do Renan quanto o do Jader são governadores (de Alagoas e Pará). Isso levanta suspeição, já que a CPI investigará repasse de verba federal a estados e municípios. Avalio que não seria de bom tom a CPI ter a minha presença nem a do Jader e a do Renan.”

O irmão dele nem sabia quem era Kissinger e foi indicado à embaixada em Washington e ele mete essa! O raciocínio também vale para senadores eleitos na chapa do governador?

E a desculpa dele para o pai não ter comprado as vacinas é surreal:

“Na ocasião, era um dilema. Tinha que botar dinheiro na frente e não havia sequer comprovação da Anvisa e nem responsabilização pela vacina. O presidente Bolsonaro foi até onde pôde, mas a verdade é que, até hoje, não sabemos os efeitos colaterais. Só vamos saber com o tempo. Essa decisão lá atrás não foi tomada com dolo ou por incapacidade, mas com preocupação com a saúde das pessoas.”

Vai ver Bolsonaro é ao único líder mundial preocupado com a saúde de seus cidadãos. Os direitistas Piñera e Netanyahu certamente não levaram em conta a saúde de seus cidadãos ao comprar vacinas bem antes de suas aprovações. E é curioso como ele não fala em dolo, reconhecendo a cagada.

E pelo Flávio Bolsonaro não volta ao PSL e avai arrumar um partido de alguuel:

“Queremos um partido no qual Bolsonaro possa ter minimamente o poder nos diretórios estaduais. Nos grandes, isso é mais difícil. Mas mais importante do que o partido a se filiar é já partirmos de um apoio formal gigante. O apoio do PSL, que tem o maior tempo de propaganda na TV, e o do PP, que tem grande capilaridade, é bem importante. Então mesmo que Bolsonaro se filie ao PMB, que não tem deputado, por exemplo, já começaríamos com uma chapa bem forte. Só com PSL e PP na coligação, já iniciamos com 5 minutos de TV. Fiquei bem feliz com o resultado da reunião de terça. Além disso, temos conversas bem encaminhadas com o PL e com o Republicanos.”

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3. Covid-17

A escassez da escassez:

“ A baixa cobertura vacinal no país na segunda onda da pandemia de Covid-19  é uma das principais preocupações de estados e municípios. Em audiência púbica no Senado nesta quinta-feira, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) apontaram a necessidade de aumento no orçamento para garantir o enfrentamento da pandemia, principalmente diante da previsão de um cenário de escassez de imunizantes para os próximos meses. —  Eu acho que a gente tem um cenário difícil, dificílimo. Para os próximos dois meses a gente deve ter um cenário de escassez de vacinas, isso é preciso ser dito. A gente não sabe o que vai acontecer com a Índia, onde há um recrudescimento muito grande da doença, que é o maior exportador de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), a gente não sabe o que pode acontecer — disse Carlos Eduardo Lula, presidente do Conass. A questão orçamentária é considerada crucial neste momento. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falta de planejamento do governo federal, que não reservou dinheiro para o enfrentamento da pandemia da Covid-19 em 2021. Na audiência, representantes do tribunal explicaram que o processo ainda depende de uma decisão dos ministros. Técnicos do TCU defendem um orçamento separado para o combate à Covid. — A falta de uma rubrica específica para Covid, assim como nós tínhamos no orçamento de guerra no ano passado, é algo que preocupa — disse o secretário de controle externo do TCU, Marcelo Chaves Aragão.” [O Globo]

E a incapacidaqde de se aprender com os erros nunca custou tantas vidas em tão pouco tempo.

“O Brasil vive na segunda quinzena de abril um fenômeno similar ao de maio do ano passado. Em vez de se desenhar um pico no número de mortes por Covid-19, o país entra em um “platô” no qual as estatísticas não pioram, mas resistem dar sinais de melhora. Com média semanal de quase 3.000 mortes por dia, porém, essa aparente estabilidade se dá no triplo da altitude vista em 2020.” [O Globo]

E o governo afeta surpresa.

“Num recorte observando os 100 municípios mais populosos do Brasil (que abrigam 40% da população geral do país), 47 deles já conseguiram reduzir o pico de óbitos por Covid-19 de 2021 a mais da metade. Os outros 53, porém, ainda penam para fazer o número cair de modo consistente. Em 19 deles o número ainda está em ascensão, mostram dados reunidos pelo projeto Brasil.IO. Quando se leva em conta o número de casos notificados de Covid-19 ou de SRAG (síndrome respiratória aguda grave), a perspectiva é um pouco melhor. Esses dados mostram uma tendência mais recente que as mortes, porque as mortes ocorrem tipicamente 3 semanas depois dos sintomas dos pacientes. Mas essa aparente melhora, na opinião de especialistas, pode ser comprometida. — A gente está num momento muito delicado agora, porque a gente tem uma melhora, mas é uma melhora em relação a um extremo em que estávamos — diz Marcelo Gomes, coordenador do projeto Infogripe, da Fiocruz, que monitora epidemias respiratórias. — O risco é a gente achar que, por estarmos saindo de uma situação totalmente dramática, estamos entrando num cenário de tranquilidade, porque estamos muito longe disso. A média móvel de sete dias do número diário de mortes por Covid-19 no país agora está em 2.830, e sofreu pouca oscilação (menos de 15%) nas últimas duas semanas.”

Imagine, melhoramos e a média móvel é de quase 3 mil!

Após registrar 3.157 mortes por Covid-19 em 24 horas, o Brasil acumulava 381.687 óbitos pela doença na quarta-feira, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo.”

Mais alguns números:

“Ainda enfrentando o período mais crítico da pandemia, o país começa a apresentar uma redução da pressão por vagas de UTI para tratamento da Covid-19 nos grandes centros urbanos. Catorze capitais e o Distrito Federal estão com mais de 90% de seus leitos de UTI públicos com pacientes graves da doença, segundo levantamento da Folha com dados de segunda-feira (19). Eram 17 capitais com mais de 90% na semana passada, e situação recorde de 21 na anterior, ambas incluindo a capital federal. Ao todo, 18 capitais registraram queda no percentual de leitos de UTI ocupados na última semana, sendo que cinco delas estão abaixo do patamar crítico de 80%: Salvador, Macapá, Manaus, João Pessoa e Boa Vista.” [Folha]

E isso não tem nada a ver com o governo federal:

O avanço na vacinação das pessoas mais velhas e a adoção de medidas de restrição mais rígidas nas últimas semanas em alguns estados são apontados como os principais fatores para a queda.

80% das vacinas são as vacinas que Bolsonaro jurou não comprar e Bolsonaro continua sem máscara em aglomerações;

“Em Salvador, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos saiu de 81% na última semana para 76% nesta segunda, queda que acompanha a tendência registrada no estado. De acordo com o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, a imunização dos idosos resultou na redução do número de solicitações por leitos de UTI entre pessoas com mais de 70 anos. “É uma queda significativa e sustentada”, afirma. Nas últimas quatro semanas, o número de pessoas com mais de 80 anos em leitos de UTI caiu 42% estado da Bahia. Entre os que têm de 70 a 79 anos, a redução foi de 20%. Presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Carlos Magno Fortaleza destaca que as duas semanas que São Paulo ficou na fase vermelha, mais o período em que ficou no vermelho ampliado, fez com que diminuíssem os casos de Covid-19, as internações, a fila de espera e ocupações em UTI, “Realmente desacelerou a pandemia. Nós descobrimos que medidas restritivas funcionam, mas o que obtivemos até agora ainda é muito pouco”, diz. No outro extremo, capitais como Campo Grande e Rio Branco não têm nenhum leito disponível para pacientes críticos. Em Rio Branco, os leitos de terapia intensiva lotaram nesta segunda. A ocupação passou para 100% nas duas unidades de referência da cidade, e a fila para transferência, que estava zerada, agora tem 14 pessoas. Na capital de Mato Grosso do Sul, a ocupação das UTIs atingiu o patamar de 106%, com 37 pessoas aguardando por leitos. O cenário também é crítico nos demais estados do Centro-Oeste. Em Mato Grosso, a ocupação segue próxima do limite, com 96% das 608 vagas de UTI ocupadas, ante 98% de sete dias antes. A fila também diminuiu, de 85 pacientes para 33. No Distrito Federal, havia 231 pessoas à espera de um leito de UTI nesta terça. A taxa de ocupação de leitos Covid era de 97%. Para ajudar a suprir esse problema, estão sendo construídos três hospitais de campanha. Cada um vai dispor de cem leitos de UTI. ​”

Passo ao Ricardo Melo:

“Não é preciso ter nenhum diploma daquelas universidades celebradas para ver o descalabro em curso no Brasil. O descaso do governo Bolsonaro diante da pandemia já custou a vida de 380 mil brasileiros desde 21 de abril do ano 2020. Suponha-se que ele fique no mandato até dezembro de 2022, a contar de abril do ano passado. Na ponta da caneta Bic serão mais cerca de 600 dias. A uma média conservadora de 2.500 mortes por dia, o país tem pela frente algo como 1,5 milhão de covas para abrir —fora as 380 mil já lacradas. Os requintes de crueldade se sofisticaram: não há insumos suficientes para aliviar as dores de intubações. Não fosse o Brasil, estes números assustadores, omitidas as subnotificações, já deveriam ter mobilizado uma elite política e econômica digna desse nome. Nada disso. É bom a oposição verdadeira enxergar isso o quanto antes, em vez de se dedicar a colóquios politiqueiros com cúmplices de um impeachment farsesco. O governo Bolsonaro não tem conserto. Qualquer conclusão fora dessa equivale ao fim da tal CPI antes mesmo de ela começar. Tirá-lo do Planalto é para ontem, e não depois de 1,8 milhão mortos. [Folha]

Encerro com esses números espantosos tirados dum fio do Gregório Grisa:

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4. O que vem pela frente

As colunas do Vinícisius Torres Freire tão bem boas:

“O governo e o Congresso-centrão acertaram uma gambiarra no Orçamento de 2021 (aliás, o que vale um Orçamento aprovado depois de transcorrido 30% do ano?). Essa mumunha evita o risco de conflito político maior e de processo imediato contra Bolsonaro. Mas mumunhas não cobrem buracos. O governo vai cortar no osso. Já corta: ora dizima as bolsas de pesquisa. Vai ser pior. Se não fizer a mutreta de transferir o pagamento de certas despesas para 2022, vai paralisar alguns serviços. Talvez a maior parte da população nem note, dado o estado de miséria ou obnubilação em que já vive. Mas a gambiarra e seus efeitos vão ficar evidentes para quem tem o luxo de poder prestar atenção no buraco em que o país vai se enfiando cada vez mais. A inflação da comida anda em torno de 19% por ano desde o trimestre final de 2020. Ou seja, quem receber o auxílio emergencial, já reduzido, ainda por cima perdeu um quinto do poder de compra em alimentos, em um ano. Além do mais, milhões não receberão ajuda alguma e a recuperação do emprego (muito bico) vai ser retardada pelo afundamento da economia pelo menos em março e abril. Bolsonaro não é responsável por boa parte dessa carestia, mas ajudou a piorar a coisa, pois a baderna de seu governo mantém o dólar nas alturas. O atraso do pagamento do auxílio emergencial e o fato de que ainda não foram renovados os auxílios de emprego e para pequenas empresas, no entanto, são resultados da incompetência e da negligência de Paulo Guedes e do presidente. Para os dois, a epidemia estava “no finzinho”, em fins de 2020. Há uma chance nada desprezível de a epidemia refluir bem a partir de julho, se a zona infecta que é o Brasil não produzir alguma nova variante assassina do vírus. Haverá dezenas de milhões de pessoas com sequelas da Covid, da educação arruinada e da miséria ampliada. Pode bem ser que os 30% não se importem com isso também. Até lá, pelo menos, a mentira perversa e lunática que é Bolsonaro vai passar por testes.” [Folha]

O governo tá fodido, eles já não davam conta antes da pandemia, imagine agora.

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5. Atenção, Paulo Guedes!

Mais uma empresa mete o pé:

“A fabricante de cimento franco-suíça LafargeHolcim contratou o Banco Itaú BBA para assessorar a venda de sua operação no mercado brasileiro, segundo a agência de notícias Bloomberg. A transação poderia chegar a US$ 1,5 bilhão (R$ 8,5 bilhões), de acordo com executivos ouvidos pela agência. Maior empresa de seu setor, a LafargeHolcim tem 1.400 funcionários no Brasil e 90 mil no mundo. Segundo seu site oficial, conta com indústrias nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, onde é uma das maiores em atividade. Segundo a Bloomberg, o movimento faz parte de ação da LafargeHolcim de vender ativos para diminuir sua dívida. A empresa tem se concentrado em cortar atividades fora da Europa e vendeu unidades em países como Indonésia, Malásia e Filipinas.” [Folha]

Bem, tava precisando vender ativo, olhou para a desvalorização do real e a decisão ficou fácil, né?

“A decisão da empresa vem em um momento em que o mercado da construção mantém resultados positivos no Brasil, apesar da pandemia e da crise. Segundo o Snic (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o setor cresceu 19% no primeiro trimestre de 2021, na comparação com igual período do ano passado. A entidade afirma que foram vendidas 15,3 milhões de toneladas no trimestre, sendo 5,5 milhões em março, mês que registrou alta de 34,6%. O sindicato considera que a alta reflete boas condições climáticas, manutenção das obras programadas e construções feitas pelos próprios donos ou moradores. Mesmo assim, fala que o cenário é de incertezas, por causa do fechamento das lojas provocado pela pandemia e a queda na renda. José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), disse à Folha que uma saída da empresa seria inesperada, pois o setor passa por momento de pico de vendas. O dirigente afirma que a empresa permaneceu no país em períodos muito difíceis para o setor. Por isso chama a atenção sua intenção de sair acontecer em momento em que o mercado está favorável em termos de vendas e rentabilidade.”

Em pleno pico de vendas! Assim conseguiram um valor maior, malandros…

“O anúncio se soma ao da Sony, que anunciou o fechamento de sua unidade em Manaus (AM), e da Ford, que decidiu encerrar todas as atividades fabris no Brasil ainda neste ano. A LG, após anunciar o encerramento de sua divisão de smartphones globalmente, colocou sua planta em Taubaté (SP) à venda.”

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6. “O golpe em gerúndio

Do Eugênio Bucci:

“Uns dizem que o presidente da República é tão despreparado, tão destrambelhado, tão desmiolado e tão desqualificado que não consegue organizar nem mesmo uma quartelada. Dizem que, por aqui, não virá golpe de Estado nenhum. Chance zero. Despreocupados, até reconhecem que o Palácio do Planalto nutre seus delírios com rupturas institucionais, mas desprezam categoricamente a hipótese. Asseguram que não há competência instalada para tanto. Quem planejaria um golpe?, perguntam. Quem montaria a estratégia? O Pazuello? Dão risada. Aparentando segurança e calma, estão certos de que as instituições resistirão até 2022 e o presidente, esse tal que segue no posto, será derrotado nas urnas. Falar em impeachment agora é perda de tempo, desperdício de energia. Esses uns não são poucos. Gente graúda da oposição está com eles. Esses uns, na verdade, são uns e outros. Dão as cartas. Não há muito que se possa fazer. Só nos resta torcer para que uns e outros estejam certos. Tomara que o avião aguente. No mais, ainda é possível bater panelas, além de levantar o dedo e balbuciar “veja bem”. É disso que trata este artigo: veja bem. Talvez seja verdade que não virá nenhum golpe de arromba por aí. Oxalá seja verdade. Talvez não nos espere, no calendário próximo, um golpe desses que se deixam fotografar, com tanques de guerra fechando a Rua da Consolação e caças dando rasante na capital federal. Por outro lado, veja bem, é ainda mais verdade que vem vindo, já faz um tempo, um golpe menos espetaculoso, um golpe em processo, um golpe por antecipação, um golpe de cada dia que nos dão hoje, assim como nos deram ontem e anteontem. Enquanto o golpe retumbante não chega, outro golpe vai se adensando, vai se alastrando, vai nos consumindo – em surdo gerúndio. E vai avançando. Existem bandidos que vêm comemorando sem maiores histrionices: “Está tudo sendo dominado”.

A bandidagem aderiu ao gerúndio. Para que o improvável leitor visualize o que se vem passando, é mais ou menos como arrancar do chão toda a flora e toda a fauna na Amazônia. Isso não acontece assim, de uma hora para outra, num repente – vem aos poucos, num acontecendo. Uns milhares de quilômetros quadrados, ou redondos, são incinerados hoje, outros, amanhã, até que a gente vai descobrir que não há mais florestas a proteger. Algo parecido se vai dando com a democracia brasileira. Enquanto uns e outros pensam que vão comer o bolsonarismo pelas bordas, o bolsonarismo está comendo o Estado por dentro. Enquanto uns e outros se divertem postando piadinhas contra o ministro que falou que passaria com a boiada da desregulamentação ambiental, os boiadeiros do apocalipse ateiam fogo nos fundamentos das instituições democráticas. Não obstante, uns e outros dizem que as instituições funcionam “normalmente”. “Normalmente” como, cara-pálida? A democracia deste cemitério congestionado chamado Brasil não está mais sob ameaça: já está em pleno desmanche, só estão ficando de pé as fachadas. Por enquanto. O cientista político e professor da USP André Singer vem apontando, também no gerúndio, o descomunal desmantelamento, mas uns e outros não ligam. Em recente entrevista ao site Opera Mundi, Singer afirmou que está em curso “um processo incremental, tão gradual que a sociedade não percebe o que está acontecendo”. No gerúndio. Exemplos? Ora, todos. Intervenções brandas e brutas na Polícia Federal seguem se acumulando. De quantos escândalos mais você precisa para começar a franzir o cenho? Perseguições ideológicas contra setores da cultura, dentro e fora do Estado: isso por acaso faz parte da “normalidade” democrática? Olhemos para a devastação da ciência, para o seletivo torniquete orçamentário que vai desativando o sustento da educação, para a metamorfose macabra que fez do Ministério da Saúde uma usina de estatísticas sobre cadáveres. Olhemos para o extermínio das melhores tradições diplomáticas do Itamaraty. Estamos imersos num gerúndio massacrante, que vai dizimando até carreiras de Estado, como a dos fiscais que se acreditavam investidos do poder de vigiar crimes contra o meio ambiente. Quantos anos serão necessários para reconstruir o Brasil, para reflorestar a terra ardente, para reavivar os instrumentos institucionais que fazem uma democracia funcionar? Quanto trabalho teremos de empenhar para cada dia de estrago implementado intencionalmente por esse governo? Quantas vidas teremos de pagar? Enquanto isso, os fundamentos continuam despencando. No início da semana, a organização internacional Repórteres sem Fronteiras divulgou mais uma pesquisa sobre a liberdade de imprensa. Pela primeira vez, o Brasil figura na chamada “zona vermelha”, onde o trabalho de jornalistas é considerado “difícil”. No mesmo grupo estão Nicarágua, Turquia, Rússia e Filipinas. Também isso não aconteceu de um dia para o outro, foi produto de um longo e árduo trabalho dos golpeantes em gerúndio. Enquanto o estrago se vai expandindo, vai ficando mais “difícil” encontrar jornalistas que possam investigar e contar o que está acontecendo. Em gerúndio, em gerúndio, em gerúndio.” [Estadão]

Como sempre falo por aqui, as instituições dormem furiosamente.

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7. Malditos

E essa coluna do Willian Waack?!

O novo ministro da Defesa é um general que passou os últimos dois anos pelos gabinetes e corredores do lugar mais estranho do Brasil: o Palácio do Planalto. É o hábitat de seres vivos que, por sua vez, são dominados por fantasmas criados por eles mesmos. Por vezes parece efeito da ingestão de algum bagulho muito doido. O general discursou com o jeito de quem não sabe qual é a “punchline” de um texto escrito a muitas mãos. Mas, ao exigir que se “respeite o projeto escolhido pela maioria”, o novo ministro da Defesa repetiu a confusão fundamental dos fantasmas que habitam cabeças no palácio. O verdadeiro respeito devido é à Constituição, à qual tem de estar subordinado qualquer projeto de qualquer maioria.” [Estadão]

Eu ia escrever que “se arrependimento matasse não teria mais coluna do Willian W.”, mas aí eu lembrei que na campanha Bolsonaro falava em “minorias se curvarem à maioria” e eu é que não vou cair no Willian W. afetando seriedade.

“Talvez por ter sido assessor do presidente do Judiciário, seu antecessor no cargo não se arriscou a insinuar em público o que o novo ministro da Defesa disse de maneira mal disfarçada: que o STF é a causa de desequilíbrio entre os poderes. De fato, é impossível fugir à constatação da judicialização da política e da politização do STF, mas o fantasma que falou pela boca do general abordava outro aspecto. Reiterava a noção de que o STF não deixa governar pois teria se aliado a uma fantástica conspiração de corruptos, comunistas, bagunceiros e perdedores que não querem respeitar o projeto escolhido por uma maioria. Pode-se debater se o tal projeto escolhido pela maioria consistia em consolidar o poder do Centrão, explodir a dívida pública, manter a economia estagnada e transformar o País em pária internacional do ponto de vista da política ambiental e de saúde pública, mas isso seria ampliar demais o foco. Os fantasmas do palácio sussurram que os problemas para governar são sempre causados por outros, apesar da explicação para os evidentes fracassos do governo ao enfrentar economia e pandemia constar dos textos lidos por quem passou por boas academias militares. Ali se aprende que não se governa com eficiência se faltam planejamento, estratégia, definição de objetivos, rumos e meios – para não falar da incapacidade de liderança e da subordinação de tudo ao objetivo político da reeleição. Também não se sabe ao certo se fazia parte do projeto escolhido pela maioria comprar brigas por toda parte, mas é a ordem que os ocupantes do palácio parecem ter recebido dos fantasmas. O conflito mais recente é particularmente perigoso: Bolsonaro foi avisado pessoalmente por um governador amigo (por quanto tempo ainda?) de que acabou criando 23 opositores entre os 27 chefes dos Executivos estaduais. É uma massa política que não se deve negligenciar. A gota d’água para transformar os últimos governadores amigos em inimigos foi a “esperteza” de utilizar a ambição por uma cadeira vitalícia no STF por parte de ocupantes de altíssimos cargos do MPF para convertê-los à narrativa palaciana de que o governo federal tudo fez no combate à pandemia. Onde houve desastre foi culpa dos governadores e prefeitos – portanto CPI e Ministério Público neles – que desviaram verbas e recursos da Saúde (além de decretar medidas restritivas) em busca de armas na conspiração contra o projeto escolhido pela maioria. Neste ponto seria injusto atribuir falta de visão do bem público e do interesse da coletividade exclusivamente a Bolsonaro, dominado ou não por seus fantasmas. Esse desinteresse pelo bem comum já era a característica primordial de forças políticas do Centrão, as que hoje estão no poder. É também a de ministros do STF tomando decisões “exóticas” levando em consideração apenas seus interesses ou simpatias políticas imediatas. Característica agora exibida de forma escancarada pelos integrantes da cúpula do MPF que, esfalfando-se por chegar a cargo no STF, ajudam a desmoralizar a instituição. Quanto ao “projeto” a ser defendido, qualquer que seja, está se dissipando junto com a maioria.”

Nem o William W. defende mais o governo verde-oliva, que fase.!

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8. Lula

O ex-presidente deve tá cansado de comemorar:

“O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira (22) que as quatro ações da Lava Jato contra o ex-presidente Lula (PT) que foram retiradas de Curitiba sejam remetidas à Justiça Federal do Distrito Federal.” [Folha]

Deu ruim pra LJ, até dia desses Deltan alimentava as esperanças que os processos ficassem por lá.

“Na semana passada, a Corte já havia confirmado, por 8 votos a 3, a decisão individual do ministro Edson Fachin de declarar a incompetência territorial da Justiça Federal do Paraná para processar o petista. Em sua decisão, Fachin argumentou que os delitos imputados ao ex-presidente não correspondem a atos que envolveram diretamente a Petrobras e, por isso, a Justiça Federal de Curitiba não deveria ser a responsável pelo caso. Com isso, as duas condenações em segunda instância contra Lula foram anuladas, e ele ficou apto a disputar as eleições de 2022. O ex-presidente, 75, tinha sido condenado em duas ações penais, por corrupção e lavagem de dinheiro, nos casos do tríplex de Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia (SP). A transferência dos casos de Curitiba para o Distrito Federal já estava em curso desde o início de março, diante da decisão monocrática de Fachin. Agora o Supremo ratificou essa decisão em plenário. Já nesta quinta-feira o ministro Alexandre de Moraes ficou vencido ao defender que os processos de Lula deveriam ser enviados para a Justiça de São Paulo. O magistrado afirmou que a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) acusa o petista de receber benefícios de empreiteiras em SP e, por isso, esse deveria ser o destino dos casos. Prevaleceu, no entanto, a tese de Fachin de que os processos devem ir para o Distrito Federal sob o argumento de que os fatos narrados pelo MPF dizem respeito a negociações feitas por Lula em Brasília quando era presidente da República. “As condutas são imputadas como tendo sido praticadas na chefia do Executivo. Não se trata de estabelecer foro de atração, não se trata de onde se situam bens e coisas, mas onde se situa o juízo do local, onde os atos teriam sido cometidos”, disse. O ministro Luís Roberto Barroso seguiu a mesma linha e disse que o mais correto é observar o local em que foram realizadas as condutas supostamente irregulares de Lula. Segundo ele, a posição de Moraes não pode prevalecer porque, pela lógica, em casos em que políticos são acusados de receber propina no exterior, a competência seria transferida para outro país. Além dos dois, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Rosa Weber, Cármen Lúcia também votaram para que o caso vá para o DF. Moraes, por sua vez, foi acompanhado por Ricardo Lewandowski ao defender a remessa dos processos para São Paulo. Os ministros Kassio Nunes Marques e Marco Aurélio não opinaram a respeito porque haviam defendido a manutenção da competência de Curitiba. Com a decisão da incompetência da vara de Curitiba, os processos retornam à fase da análise do recebimento da denúncia pelo magistrado de primeira instância na Justiça Federal no Distrito Federal. No recebimento da denúncia, o juiz avalia se ela tem embasamento para abertura de uma ação penal; se a denúncia é aceita, o acusado passa a ser réu. Neste caso, seria preciso apenas que os promotores competentes ratificassem a denúncia então oferecida pela força-tarefa de Curitiba. Isso muda nos processos em que o ex-juiz Sergio Moro seja considerado parcial, como ocorreu no caso do tríplex de Guarujá. Isso porque, com a suspeição, provas e elementos utilizados para apresentar a denúncia podem ser anulados. Medidas como busca e apreensão e grampo telefônico dependem da autorização do juiz. Como o processo do sítio de Atibaia não foi objeto de análise pela Segunda Turma no julgamento de 23 de março sobre a parcialidade de Moro, provas utilizadas seguem valendo e podem ser reaproveitadas caso o novo juiz competente assim decida. No início de abril, a defesa de Lula entrou com pedido no STF para que a declaração de parcialidade do ex-juiz Sergio Moro seja estendida para as ações relativas ao sítio e aos imóveis do Instituto Lula. Uma segunda questão jurídica se refere à prescrição dos casos. Em tese, os crimes de corrupção investigados na Lava Jato prescrevem em até 20 anos. Porém a legislação criminal estabelece que esse prazo deve ser contado pela metade para os réus que têm mais de 70 anos. Assim, como Lula já tem 75 anos de idade, o período prescricional para ele seria de dez anos nos casos em que ele é acusado de corrupção passiva. Assim, existe a possibilidade de que condutas anteriores a pelo menos o início de março de 2011 sejam consideradas prescritas, isto é, não possam mais ser discutidas nas causas criminais.”

E enquanto escrevo tá 7 a 2 pela parcialidade do Moro, maioria já formada.

moro

Que Lula tome cuidado com o que come e bebe, que o pessoal olhe bem o freio do carro do Lula, a única forma de tirar ele de 20222 é ou ele desistindo (não vai rolar) ou matando ele.

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9. “Ô caraaaaa!”

“​Uma manifestação contundente de um delegado sobre as mensagens hackeadas da Lava Jato abriu a primeira crise da nova gestão da Polícia Federal com o setor mais sensível do órgão, que investiga pessoas com foro especial. O embate está no contexto da movimentação política e jurídica que busca usar os diálogos vazados para punir integrantes da força-tarefa da operação de Curitiba e em meio às recentes mudanças de comando da PF no governo Jair Bolsonaro. O delegado que comanda a área de investigações contra políticos e seu superior, o coordenador-geral de combate à corrupção, foram trocados na semana passada logo após o episódio que envolveu as mensagens da Lava Jato. Pessoas ouvidas pela Folha relatam mal-estar pela forma como as mudanças ocorreram e o clima de desconfiança gerado entre os investigadores. As trocas foram feitas pelo novo diretor de investigação e combate ao crime organizado (Dicor), Luís Flávio Zampronha. Ele tirou os delegados Thiago Delabary da coordenação-geral e Felipe Leal do Sinq (Serviço de Inquéritos Especiais), responsável pelos casos que envolvem políticos e demais pessoas com foro especial. O problema começou após o jornal O Globo revelar um ofício encaminhado por Leal em resposta a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre as mensagens hackeadas. No documento, que acompanha um laudo pericial, o delegado afirma essencialmente três coisas: 1) não ser possível confirmar a autenticidade do material, 2) haver indícios de que os hackers agiram com dolo para adulterar mensagens —fazendo referência a um entendimento do Ministério Público, 3) configurar crime de abuso de autoridade qualquer investigação que seja feita com base nos diálogos, por terem sido obtidos de maneira ilícita. Trocando em miúdos, a PF se manifestou contra a utilização das mensagens para investigar qualquer coisa, mais especificamente, no caso, a força-tarefa da Lava Jato, que entrou na mira desde que o conteúdo do Telegram se tornou público após ser obtido pelo The Intercept Brasil. O ofício também tenta mostrar que em nenhum momento houve posição diferente sobre isso, ainda que possa ter existido esse entendimento no Supremo. Embora assinado por um delegado, o papel passou por outras instâncias da polícia, incluindo o ex-diretor da área, Cézar Souza. Foi chamado internamente de um posicionamento institucional. Mas o ofício não foi bem visto pela nova gestão da PF. Antes de virar diretor de corrupção, Zampronha foi o responsável pela Spoofing, que investigou os hackers. Em nenhum momento ele entrou nessas questões ao longo da condução do inquérito. Internamente, sempre disse compartilhar do entendimento de que o material angariado na investigação mostra que as mensagens são verdadeiras, embora não sirvam como prova judicial por terem sido roubadas. Depois que soube do documento, Zampronha se reuniu com Leal. Avisou que haveria a troca, que precisaria de pessoas de confiança no Sinq. Nas conversas, o diretor reclamou do ofício, disse que o documento era demasiadamente opinativo e que não havia necessidade de a PF entrar nessa briga. Além disso, Zampronha se queixou dizendo que Leal deveria ter apenas encaminhado o laudo técnico sobre a autenticidade ou não das mensagens, sem juízo de valor. O assunto é ainda mais delicado porque mexeu indiretamente com figuras poderosas como o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins. Ambos não gostaram da manifestação de Leal. Eles acham que o delegado da PF não poderia ter dado opinião sobre a prova ser lícita ou ilícita, prerrogativa do Judiciário. Martins abriu inquérito de ofício na corte para investigar a Lava Jato —o caso está suspenso por decisão da ministra Rosa Weber.

Em última instância, caberá ao STF decidir sobre a legalidade do uso das mensagens em investigações ou processos. Atualmente, juristas defendem que provas ilícitas podem até ser utilizadas para absolver, mas não para acusar ou condenar. O Supremo poderá se manifestar sobre sua posição no habeas corpus que tramita na Primeira Turma sobre o tema ou se provocado em algum caso concreto em que há pedido para o uso do material. Em entrevista ao canal MyNews, Gilmar Mendes sugeriu ter havido uma combinação entre o delegado e a PGR para a elaboração do posicionamento, no sentido de proteger procuradores. O ministro tem apontado ininterruptamente excessos na atuação da Lava Jato. Outro fato também fez aumentar a temperatura. O novo diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, criticou Felipe Leal a ministros do STF —o episódio foi revelado pelo jornal O Globo. No Sinq, a interpretação foi de que a decisão de trocas não tinha sido apenas de Zampronha, mas também por vontade do diretor-geral, influenciado pela opinião dos magistrados. Os relatos são de preocupação sobre como a nova cúpula vai lidar com outros casos delicados. Conhecido por ter sido o delegado da investigação do mensalão do PT, Zampronha tem dito também que as trocas são normais e que nada mudará na condução das investigações do grupo. Os substitutos de Delabary e Leal, Isalino Giacomet e Leopoldo Lacerda, são bem vistos no órgão. Giacomet atuou no Departamento de Recuperação de Ativos de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Lacerda, por sua vez, tem histórico de investigações de combate à corrupção —entre elas, um inquérito que mirou o deputado Aécio Neves (PSDB-MG). A crise ainda teve um desdobramento dentro do setor de perícia da PF. Após o ofício de Leal vir a público, a associação que representa os peritos divulgou uma nota contestando a interpretação do delegado a partir do laudo. Dias depois, o então diretor técnico-científico, Alan de Oliveira Lopes, chefe dos peritos dentro do órgão, fez uma nota defendendo a atuação do ex-chefe do Sinq e dizendo que a autenticidade e integridade das mensagens nunca tinham sido analisadas até então. Desde a saída da delegada Christiane Corrêa Machado, Leal é o responsável pelo inquérito que investiga a acusação do ex-ministro Sergio Moro sobre suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF. Moro deixou o governo em abril de 2020 dizendo que Bolsonaro tentou interferir na autonomia da corporação, que mantém investigações no entorno de aliados e familiares do presidente da República. Em nota, a Polícia Federal diz que as manifestações feitas no decorrer dos inquéritos policiais ou procedimentos de investigação criminal sob a responsabilidade dos delegados refletem a autonomia que cada autoridade policial possui, conforme os termos do Código Processo Penal e da lei. Sobre as alterações de chefias, a PF afirma que cabe aos respectivos gestores a definição das suas equipes de trabalho, “ressaltando que a instituição possui diversos quadros de alto nível, aptos ao exercício das relevantes atribuições do órgão, mantendo o regular prosseguimento dos serviços prestados”.” [Folha]

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Adiamento do Censo do IBGE prejudica políticas sociais e repasse aos municípios
Como diz o presidente, “Não tem como não dar errado, vai dar errado!”

Bolsonaro sofre nova derrota na Justiça em tentativa de aumentar limite de compra de munição
“A desembargadora Monica Nobre, do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), rejeitou recurso da União que pedia suspensão de sentença que anulou portaria que autorizava aumento no limite de compra de munição para quem tem arma de fogo registrada. A norma pretendia elevar de 200 para 600 o limite de projéteis permitidos anualmente. A anulação da portaria se deu após pedido feito em 2020 pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) em uma ação civil pública.”

O capitalismo brasileiro: lucro privado, prejuízo público
O capitalismo brasileiro: lucro privado, prejuízo público: “Com 933 quilômetros de expansão, a ferrovia vai custar R$ 21,5 bilhões, pelas contas do governo. Desse total, R$ 8,4 bilhões seriam gastos para colocar a linha férrea em operação. Como contrapartida ao elevado investimento, o governo assume parte dos riscos do projeto. Durante as obras, o Tesouro Nacional cobriria custos adicionais com reassentamentos e desapropriações ou caso o valor das condicionantes ambientais supere o estabelecido em contrato. A previsão é que as obras durem sete anos. Depois disso, o governo ajudaria a pagar os custos operacionais e os juros de dívidas em caso de queda na demanda por quebra de safra e, caso ramal da ferrovia Rumo chegue aos produtores antes de 2045, o Tesouro “assume os impactos resultantes”.” Alguém tem alguma dúvida que isso vai acontecer?!

Procuradoria pede condenação de Weintraub em ação de improbidade por declarações ‘dolosamente incorretas ou distorcidas’ sobre universidades públicas
Que se foda de verde e amarelo esse grande patriota!

Dia 841 | “Obedecendo, você se ferrou e nos ferrou junto” | 21/04/21

Hoje é feriado e não tem podcast. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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Como não terá episódio de podcast hoje eu também liguei o foda-se, mas lá pelo meio da tarde o imbecil que vos escreve atentou que sem post na quarta não teria material para fazer o podcast de quinta, então corri aqui pra ter algum material pra amanhã. As demais notícias relevantes de hoje ficam para o post de amanhã.

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1. Malditos

Depois da sinceridade do Mourão e seu “se esse governo errar demais essa conta irá para as Forças Armadas” temos esse esporro do Pujol NO GENERAL DA ATIVA:

“Veja a história que circula no chamado Forte Apache, como é conhecido o Quartel General do Exército, em Brasília: num encontro recente, o ex-comandante do Exército Edson Leal Pujol comentou com Eduardo Pazuello, o ex-ministro da Saúde de Bolsonaro: “Pazuello, quando o Bolsonaro lhe proibiu de comprar vacinas, você deveria ter pedido demissão. Obedecendo, você se ferrou e nos ferrou junto”.” [O Globo]

Verdade ou não? Ora, estranho se fosse mentira, Pujol entrou na alça de mira presidencial ao receber de máscara, em cerimônia oficial, o presidente, que tentou lhe cumprimentar e ganhou um cotovelo. E alguém em sã consciência acha que pega bem para o Exército um GENERAL DA ATIVA que “nem sabia o que era o SUS” comandando o Ministério da Saúde em plena pandemia?! Cumprindo ordens absurdas do capitão que foi saído do Exército por tentar explodir bombas?!

Nenhum general foi mais humilhado pelo capitão que o Mourão, e o que não falta é general humilhado.

“O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que é o presidente do Conselho da Amazônia, foi excluído das negociações sobre a participação brasileira na Cúpula do Clima promovida pelo presidente americano, Joe Biden. Mourão não foi convocado para as conversas feitas em nome do governo Bolsonaro com os Estados Unidos e países europeus a quem o Brasil está pedindo dinheiro para combater o desmatamento na Amazônia. O vice-presidente tampouco teve acesso ao discurso que Bolsonaro fará amanhã no evento.” [O Globo]

O sujeito é vice-presidente da república, preside o Conselho da Amazônia mas só vai saber qualé do discurso do Bolsonaro sobre a… Amazônia ao mesmo tempo q nós, reles mortais.

Ele já disse publicamente que discorda do pleito financeiro defendido pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. “Brasil não deve se comportar como mendigo”, afirmou Mourão na segunda-feira.”

Caralho, imagina isso num clipping gringo, o vice-oresidente, odiado pelo presidente, chamou o minstro do meio ambiente de mendingo!

“Salles tem dito que o Brasil precisa de pelo menos US$ 1 bilhão para combater o desmatamento, e que o país deveria ter recebido US$ 133 bilhões em créditos de carbono pelas reduções nas emissões de poluentes entre 2006 e 2017 – antes do início do governo Bolsonaro. Já Mourão acha que o país deveria se concentrar em liberar os repasses do Fundo Amazônia. O fundo é composto por recursos aportados pela Noruega e a Alemanha, que estão congelados em razão de um impasse com o governo brasileiro. A gestão de Salles e Bolsonaro retirou representantes da sociedade civil do comitê que define o destino do dinheiro. Depois disso, os patrocinadores do fundo travaram a liberação dos recursos, que só poderá ser retomada com uma queda sustentável nas taxas de desmatamento. São cerca de 3 bilhões de reais represados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que Mourão vem tentando liberar. Mas os indicadores de derrubada da floresta só sobem. Em março, bateram recorde histórico. Desde o início do governo, Mourão e Salles se digladiam em torno dos rumos que o governo deve dar à política ambiental. É o vice-presidente quem comanda as operações de Garantia da Lei e da Ordem, ou de GLO, que enviam para a Amazônia as forças de segurança. Mas é o ministro do Meio Ambiente quem detém a confiança de Bolsonaro e seus filhos. A equipe de Mourão também estabelece as diretrizes para a ação dos ministérios que fazem parte do conselho da Amazônia – Meio Ambiente, Defesa, Agricultura, Justiça, Economia, Casa Civil, Secretaria-Geral, Secretaria de Governo, GSI, Infraestrutura, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Regional. O vice-presidente, no entanto, não se encontra com Bolsonaro há dias. Também não foi consultado e nem sequer comunicado com antecedência do teor da carta escrita pelo presidente Jair Bolsonaro a Joe Biden. Na carta, o presidente brasileiro reafirmou o compromisso estabelecido em 2015 pela gestão de Dilma Roussef, no âmbito do Acordo de Paris, de eliminar o desmatamento ilegal até 2030. Mas afirmou que essa meta só poderá ser alcançada com o investimento de “recursos vultosos”.”

E ao que parece o discurso do Bolsonaro será o mesmo bla bla bla do Salles, fascinante:

“O discurso preparado para Jair Bolsonaro na cúpula sobre o clima convocada pelo presidente americano, Joe Biden, tentará convencer os líderes de que o Brasil tem um plano para reduzir os índices de desmatamento na Amazônia. O plano a ser apresentado no discurso e em vídeo tem cinco eixos: ações de comando e controle, regularização fundiária, pagamentos por serviços ambientais, ações de zoneamento ecológico-econômico e promoção da bioeconomia. São os mesmos temas em que Ricardo Salles costuma insistir nas conversas com representantes de países estrangeiros. Nesses encontros, que vêm ocorrendo virtualmente desde fevereiro, o ministro do Meio Ambiente destaca como prioridade um ítem chamado de “comando e controle”, cujo cerne é a criação de uma força de segurança ambiental, uma patrulha armada que poderá substituir órgãos como Ibama e ICMBio, que entidades da sociedade civil estão chamando de “milícia ambiental”. O que Salles não ressalta nas conversas é o fato de que essa patrulha deve ser compostas por policiais militares, contingente que hoje forma a Força Nacional.” [O Globo]

Salles é a Patty UPP do Brasil, vive lambendo um coturno, ele infestou órgãos ambientais de policiais paulistas, porra! E aqui preciso fazer um parêntese pra essa idéia estúpida:

“Nas reuniões prévias à Cúpula do Clima com representantes dos Estados Unidos e de antigos financiadores europeus de ações ambientais no Brasil, Salles apresentou essa força como uma patrulha armada que poderá substituir a ação da Polícia Federal e dos órgãos como o Ibama e ICMBio. Entidades de acompanhamento das questões climáticas que foram consultadas a respeito do projeto por representantes dos países que tiveram conversas com o ministro chamam a patrulha de milícia ambiental. Eles consideram que o que Salles quer é controlar e direcionar as ações de combate ao desmatamento de acordo com objetivos políticos e não de estado, e deixaram claro aos interlocutores ligados aos países procurados pelo ministro que não aprovam a ideia da patrulha. “Já existem órgãos capazes de realizar essa fiscalização, como Ibama e o ICMbio, que o ministério do Meio Ambiente vem desmontando. Só que esses órgãos priorizam o interesse público, e o que Salles quer de fato é ter uma milícia oficial que obedeça somente a ele”, diz Márcio Astrini, diretor do Observatório do Clima. A ideia de montar um comando ambiental com poder de polícia para patrulhar a Amazônia é antiga. Havia inclusive um projeto de compra de equipamentos para essa patrulha aprovado pelo Fundo Amazônia, formado com dinheiro da Noruega e da Alemanha e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e que tem hoje 3 bilhões de reais parados, sem desembolso. Os entraves que impedem a liberação de recursos para novos projetos ajudam a explicar por que Salles está tentando obter dinheiro para sua força ambiental fora do Fundo Amazônia. O fundo foi travado pelos financiadores depois que o governo brasileiro cancelou a participação de entidades da sociedade civil no comitê que decidiria onde alocar o dinheiro. Para retomar os repasses, Noruega e Alemanha agora exigem que o Brasil reduza os índices de desmatamento de forma sustentável. As taxas de derrubada da floresta, porém, têm registrado altas históricas na gestão Bolsonaro. Pode haver, ainda ,outro complicador. Esses fundos em geral preferem financiar projetos civis a militares. O projeto que tem um pedido parado no Fundo Amazônia prevê que o comando ambiental que o governo quer formar fique subordinado à Força Nacional, que hoje é composta por policiais militares de todos os estados. O atual comandante da Força Nacional é o coronel da PM Aginaldo de Oliveira, marido da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Em 2019, a deputada apresentou no Congresso um projeto que integra os policiais militares ao Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). Isso possibilitaria a eles emitir multas e licenças ambientais, fiscalizar e embargar propriedades rurais, gerir unidades de conservação e controlar a poluição.” [O Globo]

Mas voltemos à matéria original:

“O objetivo do governo brasileiro é sair da cúpula do clima com US$ 1 bilhão em ajuda internacional. A apresentação aos estrangeiros repetirá a queixa de que o Brasil deveria ter recebido US$ 133 bilhões pela redução na emissão de carbono entre 2006 e 2017 – portanto, em governos passados. Em sua gestão, ao contrário, os índices de destruição da floresta amazônica têm registrado recordes históricos. O pagamento por créditos de carbono, espécie de indenização dos países mais poluidores aos que preservam o meio ambiente, é previsto pelo Acordo de Paris, mas não está regulamentado. Líderes estrangeiros têm dito publicamente e nos bastidores que não estão dispostos a ajudar o Brasil antes que o país mostre resultados concretos na queda do desmatamento. À BBC, o ministro do meio ambiente norueguês, Sveinung Rotevatn, declarou que o país não receberá dinheiro antes de apresentar resultados. A Noruega é um dos financiadores do Fundo Amazônia, que tem US$ 3 bilhões parados no BNDES em razão de um impasse com o governo brasileiro sobre a aplicação dos recursos. “A Noruega e outros países enfatizaram em conversas recentes com o Brasil que a comunidade internacional está preparada para aumentar o financiamento ao Brasil assim que o Brasil apresentar resultados na redução do desmatamento. Diminuir o desmatamento no curto prazo é uma questão de vontade política, não de falta de financiamento adiantado”, disse Rotevatn. Na reunião multilateral desta quinta-feira, além do discurso, Bolsonaro vai exibir um vídeo explicando a estratégia brasileira. Os cinco itens prometidos pelo Brasil fazem parte do Plano Nacional para Combate do Desmatamento Ilegal, lançado no ano passado..”

Mas…

“Mas o próprio ministro Ricardo Salles já admitiu que o plano não decolou em razão da falta de engajamento de outros ministérios.”

Eles acham que vão falar com quem? Com ginasiais?! É muito amadorismo pra dar conta…

“Na apresentação preparada para a cúpula, a justificativa usada pelo governo brasileiro para pedir ajuda externa é que, sem o dinheiro estrangeiro, não é possível melhorar a vida das milhões de pessoas que moram na Amazônia. Foi o mesmo argumento usado por Bolsonaro na carta a Biden, em que ele diz que a ajuda financeira pode reduzir o apelo das atividades ilegais na floresta. O material preparado para a cúpula do clima não detalha como o plano será executado.”

Pra quê esses detalhes chatos, né?

“Além disso, o ministro do Meio Ambiente vem tomando uma série de medidas que minam a capacidade de atuação dos órgãos ambientais. Nesta terça, funcionários desses órgãos denunciaram que toda a fiscalização parou após o ministro Ricardo Salles baixar uma regra, no último dia 14, dificultando o seu trabalho. As sanções agora têm que passar antes pela avaliação de um supervisor. Na semana passada, foi o superintendente da PF no Amazonas quem acabou demitido pelo diretor-geral da Polícia Federal, depois de protocolar uma notícia-crime do STF acusando o ministro do Meio Ambiente de defender interesses de madeireiras clandestinas.”

E esses trouxas descobriram que Trump não foi lá muito útil…

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2. CPI

Renan vai BAGUNÇAR, anotem:

“O senador Renan Calheiros (MDB-AL), futuro relator da CPI da Covid, já tem em mãos um ofício no qual o governo federal orienta a Fiocruz a divulgar e indicar a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19.” [Folha]

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O que me leva ao Eunício:

“Para o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE), o governo federal vai se deparar com chumbo grosso na CPI da Covid: “Não tem amador ali. Os senadores vão apurar que mistério é esse de ninguém enfrentar de fato a pandemia no País”.” [Estadão]

E o Palácio não articula nada com sua base, Renan não vai ter nem que se esforçar…

“Para membros da comissão, o documento poderá ser usado eventualmente como prova para imputar crimes a integrantes do governo Jair Bolsonaro na gestão da pandemia. Os senadores do grupo independente e de oposição que compõem a CPI definiram que uma das frentes de investigação deve ser a recomendação do uso de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid, mais notoriamente da hidroxicloroquina. Além da retórica do presidente da República, os parlamentares querem apurar a atuação do Ministério da Saúde para incentivar o uso dos medicamentos por estados e municípios.”

Imagine aquela cena do Pazuello e do Bolsonaro, dias depois de Bolsonaro mandar cancelar as 70 milhões de doses da Pfizer, gargalhando e falando em “Coquetel Pazuello”…

“O governo recentemente passou a adotar a narrativa de que apenas disponibilizou os medicamentos para os entes federados que solicitaram a hidroxicloroquina, por exemplo, e que a decisão final cabe aos médicos. Os senadores, no entanto, pretendem iniciar a investigação em um período anterior e por isso já trabalham na pesquisa de documentos que possam comprovar essa ação para estimular a administração do medicamento.”

Dois dias antes do colpaso de oxigênio Pazuello estava em Manaus e falou de oxigênio de forma lateral, ele disse que descobriu da crise no estoque por familiares e mandou um “Vai fazer o quê? Nada.”. O foco dele foi nas rondas pelas UBSs pra pressionar pela prescrição de cloroquina. Tá tudo em vídeo, é fala do GENERAL DA ATIVA

“O ofício de 29 de junho do ano passado enviado pelo Ministério da Saúde à Fiocruz é um dos textos que estão na relação de evidências que comprovariam a orientação explícita de Jair Bolsonaro para uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 —algo rechaçado por especialistas. O texto, assinado pelo coronel Luiz Otavio Franco Duarte, então secretário de Atenção Especializada à Saúde na gestão Eduardo Pazuello, foi encaminhado também ao Instituto Evandro Chagas e a Fernandes Figueira, diretor do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Ele solicita aos órgãos que indiquem e divulguem o uso do remédio no combate à doença. “Solicito a ampla divulgação desse tratamento [de uso da cloroquina ou hidroxicloroquina contra Covid-19], considerando que ele integra a estratégia do Ministério da Saúde para reduzir o número de casos que cheguem a necessitar de internação hospitalar para tratamento de síndromes de pior prognóstico, inclusive com suporte ventilatório pulmonar e cuidados intensivos”, diz o ofício. O documento lista medidas que são “essenciais a tomar e divulgar” pelos órgãos. Em primeiro lugar, solicita que haja divulgação para se considerar a “prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina nos primeiros dias dos sintomas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)”. Em segundo, diz que as unidades de saúde devem “dispor visivelmente as orientações para prescrição para gestantes e pacientes adultos e pediátricos com sinais leves, moderados e graves nas três fases de tratamento”.

O Ministério da Saúde ainda orientou as instituições a disponibilizarem o Termo de Ciência e Consentimento aos médicos que prescreverem cloroquina ou hidroxicloroquina. “Devem estabelecer um fluxo de atendimento e o monitoramento por meio de eletrocardiograma para pacientes nos primeiro, terceiro e quinto dias de tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina isolada ou em associação com azitromicina”, continua o ofício. Outra informação que deve ser utilizada para embasar eventuais acusações contra o governo são ofícios do meio do ano passado segundo os quais o governo mandou a Fiocruz produzir a cloroquina, como mostrou a Folha em fevereiro. Obtidos pelo jornal, os documentos do Ministério da Saúde têm datas de 29 de junho e 6 de outubro e mostram a produção de cloroquina e também de fosfato de oseltamivir (o Tamiflu) pela Fiocruz, com destinação a pacientes com Covid-19. O Tamiflu também não tem eficácia contra a Covid-19, segundo estudos. O dinheiro que financiou a produção partiu da MP (Medida Provisória) 940, editada em 2 de abril pelo presidente Jair Bolsonaro para o enfrentamento de emergência do novo coronavírus, como consta nos dois documentos enviados pelo Ministério da Saúde ao MPF (Ministério Público Federal) em Brasília. A MP abriu um crédito extraordinário, em favor do ministério, no valor de R$ 9,44 bilhões. Para a Fiocruz, que é vinculada à pasta, foram destinados R$ 457,3 milhões para “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus”.”

E o que não falta é provas já produzidas:

“O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou, em maio de 2020, que o governo federal “expedisse orientações” para a utilização de recursos federais transferidos a estados e municípios enfrentarem a pandemia — o que nunca foi feito. O acórdão 1.335 desmonta a principal versão do governo Bolsonaro de que governadores e prefeitos são os culpados pela crise, já que caberia ao governo federal apenas repassar dinheiro. Os ministros do TCU foram claros sobre o papel de coordenação do governo federal . A União deveria dar orientações “acerca da utilização dos recursos repassados aos entes subnacionais, considerando a situação epidemiológica vivenciada por cada qual, em especial aqueles que apresentem pouca ou nenhuma incidência da doença”. A recomendação nunca foi cumprida. “Isso não aconteceu. Zero orientação, zero coordenação. O governo federal nunca se ocupou disso”, atesta o ex-presidente da Frente Nacional do Prefeitos, Jonas Donizete. Não para por aí. Na mesma sessão do TCU que definiu o acórdão do ano passado sobre as orientações, os ministros do tribunal aprovaram o relatório que apontava a falta de lógica do governo na distribuição de verbas e alertava que o Estado do Amazonas era um dos prejudicados. Os técnicos do tribunal chamaram atenção para a desproporção entre o dinheiro recebido e o número de casos de Covid em duas regiões do estado: Alto Solimões e Rio Negro. A crise no Amazonas estourou oito meses depois do alerta, e aconteceu por falta de insumos e com abundância de cloroquina..” [G1]

E o Exército vai brilhar na CPI:

“O Exército viabilizou recursos públicos para a ampliação da produção de cloroquina dois dias depois de o presidente Jair Bolsonaro determinar ao então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, o aumento da fabricação da droga. A aposta num medicamento sem eficácia para Covid-19 contou com o aval do general Edson Leal Pujol, que comandava o Exército naquele momento. O dinheiro foi destravado a partir do DGP (Departamento-Geral do Pessoal) quando a unidade era chefiada pelo general Artur Costa Moura. O general Paulo Sérgio de Oliveira assumiu o DGP após as transferências dos recursos para a produção de cloroquina. Nesta terça-feira (20), Oliveira substituiu Pujol no comando do Exército. Os repasses se repetiram mais duas vezes, seguindo o mesmo ritual orçamentário e passando pelo mesmo DGP. É o que mostram as três notas de crédito que garantiram os recursos, obtidas pela Folha. O instrumento usado foi a descentralização de recursos, na qual um órgão entrega parte de seu orçamento para outro órgão executar. Nas notas de crédito que registram a descentralização do dinheiro, a unidade emitente é o DGP. A unidade favorecida é o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército. Foi ele que produziu 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina para atender a vontade do presidente. O Exército gastou R$ 1,1 milhão em recursos públicos com a empreitada. A reportagem enviou questionamentos ao Exército e ao Ministério da Defesa na tarde de segunda-feira (19). Não houve resposta até a publicação deste texto.” [Folha]

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“A Procuradoria da República no DF instaurou um inquérito civil para investigar a produção e distribuição de cloroquina pelo governo Bolsonaro. Em 22 de fevereiro deste ano, cobrou explicações do comando do Exército, com base em uma reportagem publicada pela Folha no dia 6 do mesmo mês. A reportagem mostrou que Bolsonaro mobilizou cinco ministérios, estatais, conselhos, Exército e Aeronáutica para distribuir cloroquina aos quatro cantos do país. O MPF, então, questionou Pujol sobre os órgãos mobilizados e os montantes envolvidos no Exército. Uma resposta foi fornecida no último dia 1º, com cópias das três notas de crédito existentes para a produção da droga. Em 21 de março de 2020, o próprio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais para dizer que havia se reunido naquele dia —um sábado— com seu então ministro da Defesa, ocasião em que ficou acertada a produção de mais cloroquina pelo Laboratório Farmacêutico do Exército. Dois dias depois, em 23 de março, houve a emissão da primeira nota de crédito, no valor de R$ 156 mil. Segundo a observação anotada no documento, o dinheiro “atende aquisição de material de consumo para produção de medicamento por ordem do diretor da DPGO”.”

E nem os líderes do governo entendem o governo:

“Foi bastante azedo o clima de uma reunião remota entre parte dos senadores integrantes da CPI da Covid ontem à noite. Houve pesadas críticas à atuação do Planalto para tentar interferir no jogo. Um senador mais experiente pontuou que é praxe governos quererem ter o controle de comissões de investigação. Mas que Bolsonaro, com seus métodos próprios, partiu para a “destruição” de desafetos, como Renan Calheiros, que deve ser indicado como relator. Nos últimos dias, os ataques a Renan nas redes sociais cresceram exponencialmente. Vídeos de defensores de Bolsonaro desqualificando o ex-presidente do Senado chegaram a ter mais de meio milhão de views, de acordo com monitoramentos feitos. Para alguns, o Planalto constrangeu até mesmo seus líderes Fernando Bezerra Coelho e Eduardo Gomes, ambos do MDB, com a artilharia aberta sobre um grande cacique do partido.” [O Globo]

A relatoria é do Renan e ninguém tira dele.

“Mesmo com a tentativa do governo de atrasar o início da CPI da Covid para a semana que vem, para intensificar nas redes sociais os ataques ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), ele estaria com a relatoria da comissão assegurada. Isso porque o senador Omar Aziz (PSD-AM) fechou acordo para indicar Renan, e ele conta com sete votos consolidados, segundo Otto Alencar (PSD-BA), membro da comissão. – Os nomes para presidente e vice são imutáveis, com Aziz e Randolfe, porque há acordo garantindo pelo menos sete votos a eles. Isso significa que Renan Calheiros será o relator. O Renan é líder da maioria no Senado, pouca gente presta atenção nisso. Ele tem mais do que legitimidade para relatar essa CPI – disse Alencar. O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) também anunciou candidatura à presidência da CPI, mas deve receber no máximo quatro dos 11 votos. Otto não descarta que ele desista da candidatura até lá, para que Aziz seja eleito por aclamação. – Ciro Nogueira é do mesmo bloco do MDB, e o Renan é o líder. Ele votará no Renan ou no Girão? – questiona. Alencar.” [O Globo]

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3. 2022

Bolsonaro é tão inútil que nem como presidente da república ele consegue criar um partido. E aí ele se vê na mesma sinuca de bico de 2018:

“O presidente Jair Bolsonaro tem um ano, contado a partir deste mês, para escolher um partido político para disputar a eleição de 2022. Pressionado pela possibilidade de volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário eleitoral do ano que vem, o chefe do Planalto indicou na segunda-feira, 19, que ainda neste mês deve anunciar seu destino partidário. Até aqui, ele se vê no dilema entre associar-se a um partido nanico, em que teria todo o controle da sigla, e ingressar em um partido já estruturado, onde teria de dividir decisões. Sua indicação mais recente foi de retorno ao PSL, sigla pela qual se elegeu em 2018. No partido, Bolsonaro teria tempo de TV generoso e verba milionária do Fundo Partidário para a disputa do ano que vem. As opções postas à mesa do presidente, no entanto, tornam ainda mais distante a proposta, anunciada em novembro de 2019, de criar uma legenda própria, o Aliança pelo Brasil.” [Estadão]

O que Bolsonaro sempre quis, e sempre deixou claro, é que ele queria comandar o partido e sua verba partidária, aí o imbecil, ao invés de tentar tomar o poder no PSL, vai criar um novo partido que nem fundo partidário teria! E agora se vê entre se apoderar dum partido nanico sem grana ou ingressar em um partido sem mandar em muita coisa.

“O presidente já manifestou interesse em se filiar a alguma legenda da qual possa ser “o dono”. Com o PSL, partido pelo qual se elegeu, o fato de não ter poder absoluto terminou com um racha entre bolsonaristas de diversas correntes. Agora, ele admite o regresso à legenda. Uma das opções, a criação de um partido próprio, o Aliança pelo Brasil, foi posta de lado ante a falta de tempo para viabilizá-lo. Ainda sem a possibilidade de estar em um partido para chamar de seu, Bolsonaro tem, pelo menos, meia dúzia de opções de filiação. São partidos já citados por ele como possibilidade ou que já manifestaram a vontade de abrigar o presidente. Todos esses trariam, junto ao bônus, algum desconforto a Bolsonaro. O coordenador do Aliança pelo Brasil, Luis Felipe Belmonte, não recebeu nenhuma orientação para abandonar a criação da sigla, segundo interlocutores. Pelo contrário: a agremiação pretende acionar a Corregedoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reclamar da demora na análise de fichas de inscrição. Nos cálculos internos, o Aliança já conta com mais de 300 mil assinaturas. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, a situação é outra. Até terça-feira, 20, o partido havia conseguido validar 94.915 apoiamentos, pouco mais de 20% do total de 452 mil assinaturas necessárias para registro. O Aliança argumenta que a diferença seria resultado dessa demora que será contestada na Justiça. Em conversas reservadas, aliados de Bolsonaro dizem que as negociações com outros partidos estão congeladas porque, até agora, nenhum líder partidário aceitou entregar a sigla com “porteira fechada”.”

Quem vai ser o burro? Figuras como Eymael e Levy |Fideliz são o que são por controlar as verbas de seus partidos nanicos, é inacreditável que Bolsonaro não tenha se atentado a isso, nenhum deles teria qualquer incentivo pra abrir mão do controle.

“Na avaliação da doutora em Ciência Política Carolina Botelho, pesquisadora no SCNLab/Mackenzie e Doxa/Iesp/UERJ, ao manifestar desejo de ser “dono” do partido, o presidente busca um “curral” em que não precise abrir mão de suas agendas. “Ele quer entrar com capital de liderança para não ter de abrir mão das agendas dele. Ele não quer negociar”, disse Carolina. “Bolsonaro não negocia poder. O poder é ele e, por extensão, os filhos dele”, afirmou a especialista em estudos eleitorais. “É difícil medir quais são os passos do Bolsonaro. Se ele quiser seguir uma lógica mais política, em busca de convergir, ter apoio e verba, ele poderia até voltar para o PSL, onde ainda tem um filho (o deputado Eduardo Bolsonaro), tem apoiadores. Há ainda uma lógica financeira que faria sentido”, disse a pesquisadora. “Outro tipo de apoio que seria bom seria se ele fosse para o Progressitas. Essa é uma escolha mais política e racional, para manter apoio no Congresso e aproveitar o saldo que o partido teve nas eleições municipais de 2020. Republicanos também, onde eu acho que ele seria bem recebido pelos pastores, mas demanda negociação.”

E as trincheiras no PSL tão prontas:

“Dirigentes municipais do PSL em São Paulo encaminharam ofícios ao presidente nacional do partido, deputado Luciano Bivar (PE), para manifestar “repúdio absoluto” à possibilidade de retorno do presidente Jair Bolsonaro à sigla. Bivar tratou de avisar os correligionários, porém, que dificilmente Bolsonaro voltará para o PSL. O movimento coincide com declarações do presidente de que pretende definir, ainda neste mês, por qual partido disputará o segundo mandato, em 2022. “Manifestamos nosso total e absoluto repúdio a essa possibilidade (de volta de Bolsonaro ao PSL), o que, sem qualquer dúvida, não apenas não coadunaria com os valores e princípios partidários, como também feriria a honra de todos nossos correligionários, que foram diretamente e brutalmente afetados pelos atos e dizeres do referido cidadão acerca da nossa legenda e correligionários”, destacaram presidentes municipais do PSL nos ofícios enviados a Bivar. Boa parte dos documentos tem conteúdo idêntico. Bolsonaro ainda continua em negociações com o Patriota, o PTB e o Progressistas. Em conversas reservadas, interlocutores do presidente disseram que para retornar ao PSL ele exigiu a expulsão de seus desafetos, além do controle das finanças do partido, sob o argumento de que isso era necessário para evitar irregularidades.” [Estadão]

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Disse o sujeito cuja famiglia tem vários funcionários fantasmas…

“Na lista dos deputados do PSL que entraram em rota de colisão com Bolsonaro estão, além do próprio Bozzella, os deputados Delegado Waldir (GO), ex-líder do partido na Câmara, e Joice Hasselmann, ex-líder do governo no Congresso.”

Delegado Waldir, que satisfação, aspira!

“Para o presidente do PSL em Presidente Prudente (SP), Lucas França Bressanin, a legenda não é de aluguel para ser utilizada por Bolsonaro enquanto ele tenta tirar do papel o Aliança pelo Brasil. Na prática, o projeto de lançamento do Aliança naufragou. Até hoje aliados do presidente não conseguiram chegar perto das 492 mil assinaturas necessárias para a criação de um novo partido. “Onde um político adentra os quadros, desestrutura todo trabalho já realizado, derruba nominatas e, ao mesmo tempo, continua trabalhando na criação de um novo partido? Isso não é saudável nem no aspecto partidário nem no democrático. O PSL é muito maior que o presidente e seus interesses particulares”, afirmou Bressanin ao Estadão/Broadcast. “Estamos lutando por ideias e pautas que acreditamos corretas e honradas, como fez durante toda sua vida pública o nosso amigo senador Major Olímpio”, escreveu Rocha. Bolsonaro não se manifestou sobre a morte de Olímpio e seu silêncio provocou indignação até mesmo entre aliados.”

Se Bolsonaro quisesse voltar ao PSL ele teria que, no mínimo, homegaer o Olímpio, mas ele é ruim demais até pra afetar alguma solidariedade.

“Sobre a condição imposta pelo grupo de Bolsonaro para a volta do presidente ao PSL, a deputada da Joice Hasselmann, cuja saída do partido foi exigida, disse à coluna: “Vamos ver quem terá coragem de me expulsar, estou esperando com as pernas levantadas para cima e usando pantufas. O partido mostra que sempre esteve no colinho do Bolsonaro, se seguir com esse plano”. Sobre as declarações do presidente do PSL, Luciano Bivar, falando que ela se afastou das reuniões da legenda, Joice avisa: “Só volto a frequentá-las quando o partido decidir o que quer da vida”.” [Estadão]

A Cpluna do Estadão diz que Bolsonaro está tentando se aproximar duma parcela do empresariado mas…

“Na conjuntura política, o grande problema é que o empresariado não enxerga hoje uma opção viável à polarização Bolsonaro versus Lula. O clima é de desânimo entre muitos. [Estadão]

E a campanha do Lula vai ter que falar sobre o governo da Dilma:

“Lula já começou a se movimentar e tem feito gestos em direção aos empresários. O problema para o ex-presidente petista é que persiste a desconfiança provocada pelos “anos Dilma” na economia.

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4. Famiglia

Toda família tem seus agregados, né?

“Após ganhar liberdade, o policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), tentou nomear a filha mais velha, a personal trainer Nathália de Melo Queiroz, no governo do estado. Na última quarta-feira, Queiroz foi flagrado dentro de um carro no estacionamento do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul da capital, como mostrou o portal UOL nesta terça-feira, 20. Ele ficou no local por cerca de duas horas. Segundo apurou VEJA, Nathália ocuparia um cargo de confiança na secretaria estadual da Casa Civil na gestão do governador em exercício Cláudio Castro (PSC), aliado do clã Bolsonaro. No entanto, a missão foi abortada, por enquanto, depois que o caso repercutiu mal nos bastidores. “Foi um clima de terror. Todo mundo ficou em pânico quando viram o Queiroz”, revelou um dos integrantes do governo fluminense a VEJA. “Era só o que faltava ter a filha do Queiroz nomeada em meio à pré-campanha de reeleição”, afirmou outro funcionário. Não há registro de entrada de Fabrício Queiroz no Guanabara. A nomeação de Nathália Queiroz seria mais um gesto de aproximação de Cláudio Castro à família Bolsonaro de olho nas eleições. O governador em exercício é candidato novamente ao cargo e já declarou voto no presidente Jair Bolsonaro para 2022. No próximo dia 30, o Tribunal Especial Misto julgará o impeachment ou não do governador afastado Wilson Witzel, réu por corrupção e lavagem de dinheiro no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os Bolsonaro têm influenciado em várias indicações, principalmente na área de Segurança Pública. Flávio, por exemplo, é sempre consultado por Castro antes de fazer nomeações em postos-chave do governo. No caso de Nathália, Fabrício Queiroz tem a ajuda de Luiz Carlos Chagas Souza Júnior, conhecido como Chagas Bola, candidato derrotado a vereador do Rio, em 2020, pelo PSL. É Bola quem articula a nomeação da personal trainer no governo Castro. Ele é policial militar e amigo do senador Flávio Bolsonaro.” [Veja]

Mas Flávio de nada sabia. Assim como não sabia da estadia do Queiroz em Atibaia, e ainda assim Wassef continua seu avogado. Relação de confiança, sabe?

“Nathália Queiroz ficou conhecida por ser personal trainer de celebridades no Rio de Janeiro. Ela foi lotada por dois anos no gabinete do ex-deputado federal Jair Bolsonaro (sem partido), na Câmara dos Deputados, entre dezembro de 2016 e outubro de 2018. Em seu último mês de trabalho, recebeu salários de 10.000 reais. Antes de trabalhar com Bolsonaro, ela também passou pelo gabinete de Flávio. Neste período, Nathália transferiu cerca de 84.000 reais para Queiroz, apontado pelo Ministério Público como operador do esquema das “rachadinhas” na Alerj do hoje senador e filho mais velho do presidente. Sua conta no Instagram, em que parecia prestando serviços de personal, como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, foi apagada.”

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5. Orçamento

“Como bem observou Adriana Fernandes em sua coluna no Estadão, Paulo Guedes teve de engolir um acordo para a sanção do Orçamento. Quem conhece o ministro adverte: desceu quadrado.” [Estadão]

E eles esperam por um milagre divino:

“O governo conta com receitas extraordinárias e o controle de despesas na boca do caixa para equilibrar o estouro orçamentário. Tem precedente. Em 2020, o Tesouro fechou com um resultado R$ 50 bilhões melhor do que o previsto para aquele ano.”

O Vinícius Torres Freire explicou bem o que são essas emendas:

“Muito se falou de emendas parlamentares nestes dias da novela infame do Orçamento federal. Por que tanto tumulto por causa de um tipo de despesa que não chega a 1,5% do gasto do governo? Para onde vai esse dinheiro? Por que o aumento do valor total das emendas ainda vai manter Jair Bolsonaro com a corda no pescoço? O comando do Congresso e o governo haviam aprovado um Orçamento em que a despesa superava o que, em tese, é permitido gastar, dado o “teto”. Um motivo do estouro era o aumento da despesa decidida por meio de emendas parlamentares, o que foi possível porque haviam sido subestimados gastos obrigatórios (como benefícios do INSS, por exemplo), resultado de malandragem e inépcia.” [Folha]

Mais inépcia que maquiagem, claro, falta refino pra essa galera. Mas no fim das contas o resultado é maquiagem pura e simples.

“Caso Bolsonaro vetasse muita emenda, a retaliação no Congresso seria maior. Depois de dias de intriga, chegou-se a um acordo. Mantém-se parte do dinheiro extra para emendas parlamentares e diminui bem o risco de Bolsonaro e gente do governo serem processados por crime fiscal. O Congresso-centrão e parte do governo reduziram Paulo Guedes a papel ainda mais ridículo. Uma emenda ao Orçamento é a destinação que um parlamentar, uma comissão, uma bancada estadual ou o relator do Orçamento dão a parte do dinheiro federal. O site Siga do Senado listou 17.825 delas em 2020, das quais 13.764 viram algum dinheiro. Fora despesas extras com Covid, em 2020 o governo federal gastou R$ 1,5 trilhão. O valor das emendas parlamentares pagas foi de R$ 22 bilhões (o valor das executadas, de obras e serviços concluídos ou em andamento, foi de R$ 35 bilhões). Relativamente, é pouco dinheiro. Quase 94% da despesa federal é obrigatória: 54% vai para Previdência e benefícios assistenciais, abono salarial, seguro-desemprego. Para salários, cerca de 21%. Etc. Sobra 6% para a operação de governo (gasto administrativo, bolsa de pesquisa, insumo de hospital, obras etc.). Como os parlamentares avançaram nas emendas, o governo terá de cortar no osso a fim de que tenha dinheiro para funcionar no mínimo básico (haverá talho em obras definidas pelo Executivo, ciência, pesquisa, educação superior etc.). Ainda assim, terá de negociar com o Congresso o destino de algumas emendas. Vai dançar miudinho.’

Isso é, o governo federal reclmaou que tinha pouco dinheiro pra gastar e no fim das contas ficou com ainda menos.

“Boa parte do dinheiro das emendas vai para investimento, em geral obras pequenas: estrada, ponte, posto de saúde, casa popular, transporte público, obra contra seca, cadeia, quadra de esporte. De 2017 a 2019, dois terços foram para gastos em saúde. O grosso do resto vai para a Infraestrutura e ministérios que remedeiam a vida no interior pobre (Desenvolvimento Regional, Cidades, Integração, o nome que tenham). O valor médio da emenda paga em 2020 foi de R$ 1,5 milhão, mas metade delas levou menos de R$ 289 mil. É ruim? Depende da obra. Mas, como se diz faz décadas, o Orçamento acaba picotado. Sobra pouco para fazer obra grande e de relevância “estrutural”. “As emendas parlamentares levam cada vez mais dinheiro por força do Congresso. Os motivos são complexos. A escassez regional de dinheiro para obras pode ser um deles (muito estado faliu), assim como a redução do financiamento privado de campanha eleitoral (parlamentares precisam de mais obras locais para garantir o mandato). Os parlamentares avançam também porque lidam com governos de escassa legitimidade e sob ameaça de deposição (Michel Temer) ou sem projeto civilizado algum, grosseiramente ineptos e sem coalizão política, como o dos Bolsonaro, que precisam ainda fugir da polícia e têm pânico de impeachment. A crise do Orçamento resulta da degradação avançada da liderança política, agora em fase de horror e colapso, de depressão econômica e de um gasto público formatado de modo inviável e iníquo. Ainda vai longe.​”

Como diz Bolsonaro, “não tem como não dar errado, vai dar errado”

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6. Covid-17

Mais de 3.4000 mortes só nas últimas 24 horas, mais de 381 mil no total. Rumo aos 500 mil.

“Segundo dados da Pnad Covid-19 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) elaborados pela FGV Social, 28% dos membros da classe A/B (renda domiciliar superior a R$ 8.303) puderam alterar o local de trabalho durante a pandemia. Na classe D/E (renda até R$ 1.926), apenas cerca de 7,5% tiveram essa opção. Na classe C (que ganhou destaque nos anos 2000 e tem renda entre R$ 1.926 e R$ 8.303), somente 10,3% fizeram isso. Entre as profissões que menos puderam alterar o local e a forma de trabalho, indo para home office, por exemplo, estão principalmente os ocupados no setor de serviços, como funcionários de supermercados, vendedores e frentistas de postos. Quase 95% deles continuaram trabalhando no mesmo local na pandemia. Entre as profissões mais intelectualizadas, 44% alteram o local de trabalho. “Os trabalhadores mais pobres são os que mais precisam sair de casa para conseguir renda. Trabalhar em ‘home office’ é um privilégio das classes A e B, onde estão os empregadores, trabalhadores da ciência ou intelectuais, dirigentes e funcionários públicos”, diz Marcelo Neri, diretor da FGV Social. Em 2020, grande parte dos trabalhadores de menor renda e os informais ficaram relativamente protegidos pelo pagamento do auxílio emergencial. Agora, no pior momento da pandemia no Brasil, não só o total de beneficiários será muito menor como os valores foram reduzidos drasticamente.” [Folha]

E a desigualdade é em várias camadas:

“A diferença entre os que puderam ficar mais ou menos protegidos é a mesma quando a comparação é feita levando-se em conta a escolaridade: 34% dos que têm ensino superior alteraram o local de trabalho. A taxa cai para 8% entre os com ensino médio completo e a 6,6% entre os que têm apenas o fundamental. Em fevereiro, o estudo “Desigualdade Social e a mortalidade pela Covid-19 na cidade de São Paulo”, elaborado por quatro pesquisadoras com base em 19,5 mil óbitos, identificou que nos distritos em que mais de 10% da população tem renda per capita menor que R$ 275, morreram 70% mais pessoas de Covid-19 que nas regiões mais ricas. As áreas com maior percentual de moradias precárias tiveram 53% mais óbitos. Em casas com mais de três pessoas por cômodo, a taxa de mortalidade foi mais que o dobro na comparação com domicílios menos densos. Outro trabalho do ano passado, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelou que 79,6% dos óbitos registrados na cidade do Rio de Janeiro ocorreram nas áreas mais pobres —tanto pela saúde deficiente nessas regiões quanto pelas condições socioeconômicas precárias dos infectados. Os dados da FGV Social a partir da Pnad Covid-19 mostram ainda que Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e São Paulo foram os estados mais afetados pela pandemia em termos de queda na ocupação. Na média, a taxa caiu 9,5% no Brasil em 2020, mas ela chegou a ceder 14,3% no Rio e 11,3% em São Paulo. “A queda na ocupação poderia ter sido o dobro disso não fosse o programa federal de redução de jornada de trabalho e salário implementado na pandemia”, afirma Neri. Novamente os mais pobres foram justamente os principais afetados pela queda na ocupação. Entre os 50% mais pobres em São Paulo, a taxa de ocupação despencou 22%, o dobro da média do estado.”

E o Brasil é inacreditável:

“Pesquisadores que trabalham na linha de frente da investigação da Covid-19, muito deles lidando com amostras de pacientes contaminados pelo vírus Sars-CoV-2 e cobaias infectadas, não foram incluídos nos grupos prioritários para a vacinação. Há um movimento em curso pedindo às autoridades de saúde que incluam esses grupos nos planos de imunização. Muitos desses cientistas atuam no desenvolvimento de vacinas, medicamentos e testes diagnósticos, além linhas de pesquisa para entender a dinâmica da doença e suas sequelas. Os pesquisadores que conseguiram ser vacinados até agora o foram por meio de acordos locais, entre as universidades e os municípios. Mas, na falta de uma política clara que os coloque como prioritários, a maioria segue sem imunização. Um abaixo-assinado reúne assinaturas de quase mil pesquisadores pelo país que enfrentam essa situação. “O ministro, os secretários da Saúde, o governador, todo mundo diz que segue a ciência. Mas parece que quem faz a ciência foi cancelado, não existe. Os cientistas são invisíveis”, diz o pesquisador Fernando de Queiroz Cunha, professor do departamento de farmacologia da USP Ribeirão Preto. Ali, ao menos 80 pesquisadores estão há mais de um ano trabalhando com o vírus e não foram vacinados. “Uma parte deles trabalha em ambiente NB-3, cujo risco de contaminação é semelhante ou até superior ao de uma UTI Covid, porque trabalha com com amostras e camundongos infectados”, diz Cunha. Ele justifica o risco superior ao fato de que, quando um paciente infectado está na UTI, ele está sedado, não faz “estripulias”. “O camundongo pode brigar, te morder, pode acontecer uma contaminação grande. A gente usa duplas luvas, o ar que respiramos na sala NB-3 é filtrado, mas, ainda assim, tem risco de contaminar. Essas pessoas trabalham de segunda a domingo, não tem horário”, explica.

No laboratório de miocrobiota e imunomodulação coordenado pela professora Angélica Vieira, do departamento de bioquímica e imunologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), ninguém ainda foi vacinado, apesar de os alunos irem até a casa de pacientes infectados para coletar amostras de sangue e de fezes. O foco da pesquisa é tentar compreender as sequelas de quem teve Covid-19, a partir da resposta inflamatória pulmonar, e buscar opções terapêuticas para preveni-las. “Eles não só vão até as casas dos pacientes como depois manipulam essas amostras no laboratório. Mesmo com o exame PCR negativado, existe a hipótese de o vírus ainda estar presente nas fezes, o que aumentaria muito o risco de infecção.” Recentemente, pela falta de segurança, a pesquisa foi freada. “Não quero prejudicar meus alunos. Muitos dependem do transporte público para se deslocar até a universidade, um risco vai se somando ao outro. A gente precisa encontrar uma forma de proteger esses jovens cientistas”, diz que ela, que também ainda não foi imunizada. Para Marcelo Mori, que coordena a força-tarefa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), de uma forma geral, os pesquisadores que trabalham na linha de frente com estudos sobre a Covid-19 acabaram sendo negligenciados na política de vacinação. “A contribuição dos cientistas brasileiros para entendimento da Covid-19, tratamentos, novas variantes, tem sido muito grande, com muitas publicações internacionais relevantes. Para isso tudo acontecer, requer gente trabalhando, não só os professores, mas principalmente os alunos de pós-graduação.” Ele lembra que em uma política normal de laboratórios de risco biológico elevado, as pessoas que ali trabalham precisam ser protegidas, inclusive vacinadas. “É uma condição necessária para que essas pessoas continuem trabalhando. O virologista Rafael Elias Marques, pesquisador do CNPEN (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), conta que, desde o início da pandemia, ele e os alunos frequentam um laboratório NB-3 e estiveram expostos aos estoques de vírus e às amostras contaminadas. “Eu e alguns alunos que lidamos com amostras de pacientes infectadas, tivemos a felicidade de ter recebido a primeira dose [da vacina] porque estamos ligados à força-tarefa da Unicamp.” Porém, Marques diz que colegas de outras regiões do país continuam sem acesso à vacina. “Cientistas que estão processando amostras, fazendo diagnósticos, trabalhando com modelos animais e in vitro, com pacientes, essas pessoas devem ser vacinadas com prioridade.” Ele afirma que no ano passado houve um surto de Covid no laboratório onde atua e foi preciso fechá-lo e colocar 60 pessoas que atuam em pesquisas de testes diagnósticos em quarentena. “É um risco que existia e que continua a existir. Nós, cientistas, estamos sofrendo pressão de vários setores da sociedade. Ou a nossa palavra não é ouvida ou não temos os recursos adequados para fazer o trabalho que precisa se feito.” [Folha]

Enfim uma boa notícia?

“O projeto que libera a compra de vacinas por empresas privadasd sem que uma parte delas seja doada ao SUS, aprovado pela Câmara dos Deputados, deve permanecer na gaveta no Senado ainda por um bom tempo —e talvez nunca seja aprovado. Na quinta (22), os líderes dos partidos no Senado devem discutir os próximos projetos a serem debatidos no plenário. E a proposta já aprovada pelos deputados, conhecida como “fura-fila das vacinas”, deve novamente ficar fora da pauta. A proposta dos deputados gerou polêmica. Além de eliminar a obrigação de doação de parte dos imunizantes ao sistema público, ele prevê que as empresas vacinem até mesmo familiares de seus funcionários —enquanto o restante da população seguiria enfrentando a escassez de doses no país. Segundo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), há mais dúvidas do que certezas em relação ao assunto. Uma delas: há ofertas de vacinas no mundo para a iniciativa privada?​” [Folha]

Esse pessoal aí é o sonho da enfermeira de BH que recebia 600 reais por pessoa pra injetar soro.

“Se sim, por que nenhuma empresa comprou nada até agora? A segunda dúvida: se houver disponibilidade de vacinas no mundo, as empesas pagariam um preço maior para poder adquiri-las antes do sistema público? Isso não comprometeria a lógica do Programa Nacional de Imunização (PNI)?”

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7. Pastor homofóbico

Quarto ministro do MEC, quarto imbecil:

“O governo Jair Bolsonaro (sem partido) deixou de contabilizar milhares de estudantes na divisão dos recursos do Fundeb deste ano, o que reduziu repasses para municípios. Desde que foi publicada a portaria interministerial nº 1, de 31 de março, secretarias de Educação têm estranhado os cálculos: eles não batem com o que consta no Censo Escolar. Ficaram de fora, na hora de dividir o bolo, alunos de ensino fundamental em tempo integral, cujas matrículas ainda têm maior peso nas ponderações para a divisão. O caso é tratado como erro por integrantes do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), vinculado ao Ministério da Educação. A Folha tem mostrado uma série de falhas do órgão ligado à pasta comandada pelo ministro Milton Ribeiro. Secretários de Educação e entidades que representam prefeituras têm questionado o governo. Até agora não receberam respostas. A CNM (Confederação Nacional de Municípios) calcula que 695.090 matrículas de tempo integral deixaram de ser computadas nos cálculos do governo Bolsonaro. O Fundeb é o principal mecanismo de financiamento da educação básica. O fundo reúne uma cesta de impostos, acrescido de complementação da União, e é dividido com base no número e tipo de matrículas. A portaria de março foi assinada por Ribeiro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O ato faz parte da previsão legal para a operacionalização dos recursos, a cargo do FNDE, e impacta recursos já transferidos a partir deste mês. Segundo relatos feitos à Folha, as lideranças do FNDE ainda não sabem o que ocorreu de errado e o que devem fazer.” [Folha]

Pessoal completamente perdido, demitiram qualquer pessoal razoávle dos cargos de liderança e aí dá nisso.

“Questionado, FNDE e MEC não responderam. A falha resultou, segundo estudo da CNM, em 1.282 municípios com previsão de recursos abaixo do que lhes são devidos pelo Fundeb. A entidade, que representa as prefeituras do país, não calculou os valores. A diferença pode chegar a R$ 785 milhões, segundo estimativa feita pela reportagem com base em dados do Ceará. Foram as prefeituras cearenses as primeiras a identificarem o erro. Segundo a CNM, mais de 190 mil alunos cearenses de tempo integral foram ignorados. Isso impacta 114 municípios do estado. A secretária de Educação de Crateús (CE), Luiza Teixeira, encaminhou ao FNDE no dia 5 de abril um ofício expondo a situação e exigindo “imediata atenção e a pronta correção desse lapso”. Teixeira é presidente no estado da Undime (que reúne dirigentes municipais de Educação). Nas contas da Undime-CE, a subestimação do Fundeb a municípios cearenses chega a R$ 215,4 milhões. A projeção da entidade relacionada às matrículas ignoradas coincide com os cálculos da CNM. “A gente percebeu que foram desconsideradas matrículas que estavam em um anexo da portaria”, disse a secretária à Folha. “Municípios como o meu perdem cerca de R$ 4 milhões no ano, quase uma folha bruta de salário. Fica bem difícil porque a gente sabe da situação financeira do país para financiar a educação.” Teixeira diz ter certeza de que se trata de um erro. Segundo ela, o município de Crateús já recebeu, por exemplo, outros recursos federais, como de alimentação escolar, com base nos dados corretos do Censo Escolar de 2020 (que constam em portaria de novembro passado). No caso do Fundeb, a base de matrículas adotada foi diferente. O Maranhão é o segundo estado com maior impacto, segundo a CNM: 115 mil matrículas teriam sido desconsideradas. “Fazer educação integral no Maranhão não é fácil, e agiram contrário ao Censo Escolar”, diz Marcony Pinheiro, da Undime Maranhão e secretário de Educação da cidade de Poção das Pedras. Pinheiro afirma que também questionou o governo. A CNM recebeu reivindicações de prefeituras e associações municipais e estaduais. A consultora de educação da CNM, Mariza Abreu, diz que a entidade já acionou o governo e espera respostas. “Está difícil entender por que esses equívocos estão acontecendo. Esse processo de filtrar as matrículas do Censo aconteceu nos últimos 14 anos [desde a criação do Fundeb] e nunca tinha se verificado essa variação tão significativa”, diz. “E tem outro problema: se alguém recebe a menos, alguém recebe a mais.” Essa portaria atinge todos os estados e municípios do país, diferente da falha na distribuição do Fundeb ocorrida em janeiro. Revelado pela Folha, o erro atingia apenas a primeira parcela da complementação da União. Na ocasião, de R$ 1,18 bilhão previsto, R$ 766 milhões foram repassados equivocadamente. Três estados e respectivos municípios receberam dinheiro a mais e seis, a menos. Em 2019, outro erro da ordem de R$ 1 bilhão havia ocorrido com outras transferências constitucionais. O FNDE ainda deixou fora do ar neste ano o sistema para cadastro dos conselhos de acompanhamento do Fundeb. A ausência desse procedimento pode causar prejuízos a prefeituras e governos. O órgão colocou no ar o sistema no dia 9, mas prefeituras ainda encontram dificuldade para o cadastro. O FNDE é controlado por indicações do centrão. Todas essas falhas ocorrem na mesma área: trata-se da Coordenação-Geral de Operacionalização do Fundeb e de Acompanhamento e Distribuição de Arrecadação do Salário-Educação. Ela é ligada à Diretoria de Gestão de Fundos e Benefícios do FNDE. A Coordenação que trata do Fundeb e do salário-educação está sem titular desde novembro passado. O posto é gerido por um coordenador substituto.”

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Dia 840 | “Não constam dotações para as despesas de combate à pandemia” | 19/04/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. CPI

Lembra do Pazuello depondo numa comissão e tomando porrada de todo mundo, sem ninguém para lhe ajudar? O governo não arituclou com a base e aí foi só porrada. Pois bem, vai ter remake:

“Senadores aliados ao governo reclamam da falta de articulação do Palácio do Planalto em relação à atuação na CPI. Dizem que o governo ainda não os procurou diretamente.” [Estadão]

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Como se a situação deles já não fosse a pior possível, folgo em saber.

“Mesmo diante da possibilidade de convocação de membros do alto escalão do governo na CPI da Covid, o Palácio do Planalto ainda não procurou senadores aliados para traçar a estratégia de atuação. A aposta é na pressão externa para tentar reverter o jogo nos cargos de comando do colegiado.” [O Globo]

É onde esse pessoal se sai melhor, né, isso ninguém pode negar.

Nos últimos dias, bolsonaristas intensificaram um movimento nas redes sociais contra Renan Calheiros (MDB-AL), que já possui o apoio da maioria da comissão para assumir a relatoria.”

Puxado pela Bia Kicis, claro. Kicis apoiou o Lira, todo enrolado na justiça mas Rnena, aí não. Vai ver a presidência da Câmara é menos importante que relatoria de CPI…

Ao mesmo tempo em que aliados do presidente reforçam a estratégia nas redes, pelo menos cinco governistas da CPI ouvidos pelo GLOBO, entre titulares e suplentes, afirmam que não foram procurados pelo Palácio do Planalto para tratar da atuação no colegiado. Enquanto isso, o grupo independente, que está em maioria, elabora a minuta do plano de trabalho com previsão de ouvir pelo menos 15 integrantes do governo. Próximo ao presidente Jair Bolsonaro, o senador Jorginho Mello (PL-SC), que é membro titular, não descartou nem mesmo a aprovação da oitiva do ministro da Economia, Paulo Guedes, que divide opiniões: — Eu não sei, vamos ver, nós temos que nos reunir primeiro, a gente nem trocou, nem olhou um para a cara do outro ainda. Concordo que temos que chamar quem entendermos que vai ajudar. Não temos visão de CPI de oposição ao governo. CPI é CPI.

Um governo verde-oliva, é como se numa guerra os comandantes não passassem ordem às tropas! E cenas como essa acontecem:

“O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que possui alinhamento com o governo na pauta de costumes, lançou ontem candidatura avulsa à presidência do colegiado de forma independente, mas não foi procurado pelo Planalto. — Eu é que estou ligando para os colegas, pedindo apoio, pedindo voto. Ninguém me procurou, estou fazendo um caminho quase que… puxando a corda, solitário — declarou Girão. Suplente na CPI, o governista Luis Carlos Heinze (PP-RS), reforçou que ninguém o chamou para conversar: — Eu não conversei com ninguém, ninguém me chamou para nada, mas não tem problema. Eu sei o que eu vou ter que fazer e enfrentar, faz parte. Outro suplente da comissão, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) chegou a procurar um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para saber qual deve ser a atuação na comissão. Recebeu como resposta que o foco deve ser os repasses a governadores e prefeitos, mas sem especificar o que exatamente poderia ser feito.”

Não conseguiram nada do governo, foram atrás do filho do presidente nada, fascinante. E curioso como o senador foi falar com o filho deputado, mas não com o filho senador, Flávio deve ser uma pessoa muito querida.

“Na tentativa de barrar Renan Calheiros da relatoria da CPI da Pandemia, governistas neófitos na política sugeriram que um senador levante questão de ordem na instalação do colegiado alegando suspeição do colega por ser pai de governador. A teoria é que Renan Filho pode acabar na mira da investigação. Um apoiador de Bolsonaro mais experiente, porém, avisou que não vê futuro na estratégia. Disse que, se fosse assim, por lógica, senadores eleitos nas mesmas chapas dos atuais governadores também não poderiam assumir o cargo.” [O Globo]

Como são burros, e esse aí é o governo em que o pai queria presentear o filho que nem sabia quem era Henry Kissinger com a embaixada em Washington!

“Renan Calheiros tem dito a interlocutores que pretende atuar na CPI no sentido de produzir um relatório “cirúrgico” na exposição de eventuais crimes e omissões do governo federal no combate à covid-19. O senador, por ora, rejeita falar em impeachment ou em qualquer ação drástica antes mesmo de iniciadas as apurações, claro. Ademais, Renan hoje faz parte da turma do “vamos deixar Jair Bolsonaro sangrando até 2022”. Ou seja, na melhor hipótese para o presidente, o texto final será no sentido de afrouxar o garrote e desatar a sangria. ” [Folha]

No fim das contas Pazuello será conenado e Bolsonaro seguirá nos atormentando até 2022

Não é por outro motivo que a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) tenta, via Justiça, retirar Renan Calheiros (MDB-AL) da relatoria da comissão. Em sentido contrário, Renan atua nos bastidores para que a comissão comece a funcionar o mais rapidamente possível.

E repare na grande confusão:

“Apesar de o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), ter ligado para dizer que o Planalto aceitou Renan na relatoria, no entorno do senador o gesto ainda é visto com desconfiança. A leitura é de que o governo continuará tentando emplacar alguém palatável no cargo. A expectativa no Congresso é de que a CPI, com prorrogações, pode durar até dezembro, às portas do ano eleitoral…”

E olha como Renan vai deitar e rolar, nem vai precisar se esforçar:

“O governo Jair Bolsonaro (sem partido) não reservou dinheiro para o Ministério da Saúde combater a pandemia do coronavírus em 2021 e, até o mês de março, não tinha realizado qualquer repasse para que estados e municípios lidem com a crise sanitária.” [UOL]

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“A constatação é do TCU (Tribunal de Contas da União), e faz parte de um relatório que será analisado pela CPI da Covid, instalada no Senado na semana passada.”

O mais hilário dessa CPI é que não é preciso fazer qualquer esforço pra acusar, o TCU já fez seu trabalho, assim como as intermináveis aspas e decisões dos integrantes do governo.

“De acordo com os fiscais do tribunal, “não constam dotações para as despesas de combate à pandemia” na lei orçamentária de 2021 preparada pelo governo. No ano passado, o ministério dispunha de R$ 63,7 bilhões para aplicar diretamente em ações contra a crise. Procurado, o Ministério da Saúde não respondeu até a publicação desta reportagem. “O Ministério da Saúde dispõe de R$ 20,05 bilhões para aplicação direta [em 2021], porém, R$ 19,9 bilhões estão reservados para despesas relativas à vacinação da população”, diz o TCU no relatório. Sobrariam R$ 150 mil para todo o resto. “Tal situação mostra-se preocupante, ainda mais nesse cenário de recrudescimento da contaminação e mortalidade.” Além disso, diz o TCU, a maior parte desses R$ 20,05 bilhões são sobras dos R$ 24,5 bilhões que o país disponha em 2020 para ingressar no consórcio Covax Facility, da OMS (Organização Mundial da Saúde). Contudo, foram pagos apenas R$ 2,22 bilhões desse valor em 2020, tendo sido necessária a edição do Decreto 10.595/2021, que reabriu o crédito extraordinário no valor de R$ 19,9 bilhões, permitindo a utilização desse saldo em 2021″, diz o TCU. Além desse dinheiro, o governo distribuiu outros R$ 20,4 bilhões entre os outros ministérios, somando R$ 40,5 bilhões, o equivalente a 6,7% dos R$ 604,7 bilhões disponíveis no ano passado. Na época, esse dinheiro foi destinado “principalmente às consequências econômicas da crise”, como auxílio emergencial (R$ 322 bilhões), Benefício Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda (R$ 51,55 bilhões) e auxílio a estados, municípios e DF (R$ 79,19 bilhões). Alvos da tropa de choque do governo na CPI da Covid, estados e municípios não haviam recebido em 2021 nenhum repasse do governo federal para combater a crise sanitária, dizem os fiscais. Em relação à execução em 2021, observa-se que não foram destinadas, até o presente momento, dotações orçamentárias para transferência aos estados e municípios”

E quando esses estados e municípios bancam um auxílio emergencial o presidente reclama!

“”Com a ausência de recursos previamente destinados ao enfrentamento da pandemia”, escrevem os fiscais, o governo editou medidas provisórias que elencam, “de forma genérica”, algumas despesas, como compra “de equipamentos estratégicos”. O Ministério da Saúde se justificou dizendo que “a situação epidemiológica atualmente verificada não era certa em meados de 2020″, quando o Orçamento foi planejado.”

Lá era só uam gripzezinha, né? E de lá pra cá o governo pdoeria corrigir o orçamento autalizando as previsões mas ao que parece eles não sabiam dessa possibilidade, é a única explicação possível!

“O tribunal respondeu dando 15 dias para que seja incluída dotação para a covid-19 no Orçamento, aprovado pela Câmara dos Deputados, mas ainda aguardando sanção presidencial. O governo não se preparou para a possibilidade de piora da pandemia, no início de 2021, mesmo diante das experiências de outros países que enfrentavam um aumento no número de casos da Covid-19, após redução de medidas restritivas anteriormente adotadas e do aumento da circulação de pessoas no Brasil, em virtude das festas de fim de ano e do verão TCU, em relatório”

E no fim do dia saiu isso aqui ó:

“Enquanto a CPI da Covid-19 direciona suas armas para o Palácio do Planalto, em sigilo, avança na PGR de Augusto Aras um acordo de delação com um ex-servidor da Câmara que pode arrastar o Legislativo para a agenda da comissão. Há algumas semanas, um advogado que atuava na Câmara para alguns parlamentares procurou a PGR para entregar um esquema de propina envolvendo o pagamento de mesada na compra de vacinas e de respiradores. O delator – o Radar optou por omitir o nome dele por segurança – promete entregar gravações e provas que comprometeriam pelo menos três deputados bolsonaristas envolvidos na trama. “A turma do gabinete do ódio está metido nessa. Vai ser grande a coisa”, diz um interlocutor que acompanha as negociações.” [Veja]

Rapaz, isso aí é o Atas pedindo gentilmente a cadeira no STF…

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2. Orçamento

Paulo guedes não sabe pra onde correr:

“Depois de articular e aprovar uma regulamentação do estado de calamidade pública, sob a justificativa de que ação seria necessária em momentos de crise aguda, o ministro Paulo Guedes (Economia) agora atua para que a medida não seja adotada neste ano.” [Folha]

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“A pandemia da Covid-19 bateu recordes em 2021 e se mostra mais grave que no ano passado. Apenas em abril o governo começou a relançar parte das medidas adotadas em 2020 para combater os efeitos da crise do coronavírus. Muitas ainda seguem travadas. Em acordo firmado nesta segunda-feira (19), Guedes deu mais um passo para evitar a calamidade. Governo e Congresso concordaram em retirar da meta fiscal os programas de emprego e crédito, além dos gastos emergenciais com saúde. Assim como defende o ministro, a medida vai flexibilizar o Orçamento apenas para despesas específicas de enfrentamento à pandemia, sem fazer uma abertura total para gastos. Desde outubro do ano passado, o governo planejava inserir na Constituição um dispositivo permanente para permitir uma flexibilização do Orçamento em casos de emergência fiscal. O Ministério da Economia, então, desenhou esse dispositivo na PEC (proposta de emenda à Constituição) Emergencial, aprovada em março pelo Congresso. O argumento é que o país precisava ter um protocolo claro de enfrentamento de adversidades graves e generalizadas, o que é o caso da pandemia. No entanto, após a medida entrar em vigor, Guedes resiste a adotar o protocolo criado por sua própria equipe em um momento que especialistas consideram o pior da pandemia.”

Lemnbraodo Guedes dizendo que se batêssemos 1.300 mortes por dia o governo saberia agir de forma decisiva? Pois é, já bateu em mais de 4 mil por dia e nada muda, a insanidade segue a mesma

“De um lado, ele consegue colocar em prática o plano de postergar medidas que representem despesas adicionais aos cofres públicos. De outro, o desgaste do titular da pasta da Economia perante o Congresso se ampliou. As críticas são pelo atraso no socorro à população mais vulnerável e a empresários. O ministro quer evitar uma forte ampliação de gastos como no ano passado. Por isso, vem adotando manobras que já são classificadas como “contabilidade criativa”. Depois de aprovar a emenda Emergencial apenas com liberação para gastos com o auxílio emergencial, a pasta elaborou outras propostas legislativas para que mais medidas emergenciais fiquem fora da limitação do teto de gastos, como o programa que permite o corte de jornada e salários de trabalhadores da iniciativa privada. No fim do ano passado, entre novembro e dezembro, membros do Ministério da Economia diziam que já trabalhavam com a possibilidade de prorrogar o estado de calamidade e o Orçamento de guerra caso ocorra uma segunda onda da Covid-19. Para evitar um novo período de calamidade, Guedes vem articulando diferentes estratégias. Ele queria um Orçamento em 2021 sem medidas extraordinárias para combater a crise da Covid-19.”

“Depois foi pressionado politicamente e passou a reconhecer a necessidade de uma nova rodada do auxílio emergencial. Mas pediu contrapartidas. A liberação do auxílio entrou no texto da PEC Emergencial, que oficializou o protocolo de crise, dando diretrizes para decretar calamidade. No caso de calamidade pública, as amarras do Orçamento seriam afrouxadas, ao mesmo tempo em que gatilhos de ajuste fiscal, como congelamento de salários, seriam acionados. Como esses gatilhos já estão ativos até o fim deste ano, a decretação da calamidade neste momento apenas liberaria novos gastos, sem contrapartidas. É esse o cenário que Guedes tenta evitar. No momento, as principais ações travadas por falta de recursos são o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que concede empréstimos de baixo custo com garantia do governo, e o BEm (Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego), pago a trabalhadores com jornada e salário cortados ou contrato suspenso. As ações poderão ser destravadas após o acordo anunciado nesta semana pelo governo.”

Tem pressa não, só programa desimportante. E esse é pessoal que lamenta morte de CNPJ mais que CPF!

Há pressão de empresários, principalmente em função do atraso no BEm, em discussão desde janeiro e que chegou a ser prometido para março. O argumento do ministro ao rejeitar a calamidade é que seria um cheque em branco para uma expansão do gasto público, o que poderia minar a credibilidade do país, provocando elevação de juros, inflação e desemprego. O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, diz que a atitude do governo de regulamentar a calamidade e depois evitar decretá-la é uma incoerência. Para ele, o governo deveria retomar o Orçamento de guerra e a calamidade para enfrentar a pandemia de maneira efetiva neste ano. “Não tem problema gastar mais, principalmente em uma pandemia. Você tem que gastar o que for necessário para tirar a população da desgraça. Tem que ter um mecanismo de excepcionalidade que permita não deixar as pessoas morrendo na rua, que não deixe de ter dinheiro para a saúde”, disse. Na avaliação do presidente do CLP (Centro de Liderança Pública), Luiz Felipe D’Avila, o principal motivo para as dificuldades na execução do Orçamento é a falta de uma estrutura robusta de articulação política. O problema de liberação de recursos, para ele, poderia ter sido integralmente resolvido na PEC Emergencial. “O governo não tem senso de prioridade, criou um Orçamento fictício que não revela as reais prioridades do país em uma pandemia e mostra que essa desastrosa ausência de articulação política faz com que o país esteja à deriva”, disse.”

E agora Guedes diz que o orçamento é exequível – e a porra da solução era óbvia!

Depois do acordo fechado que tira despesas de programas de combate à covid-19 da contabilidade das duas principais regras fiscais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, considera que o Orçamento de 2021 ficará “exequível”. A avaliação de Guedes repassada a interlocutores nesta madrugada, após a votação do projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Congresso, foi de que todos os acordos “couberam dentro do Orçamento com o teto de gastos respeitado para as despesas recorrentes”. O ministro tem pontuado que o acerto mantém extrateto (que não entra no limite do teto) apenas os gastos relacionados ao enfrentamento da covid-19 na segunda onda da pandemia. Na avaliação dele, é exatamente como ocorreu, em 2020, na primeira onda da doença. A ministra-chefe da Secretaria de Governo, Flávia Arruda,  antecipou ontem que governo e Congresso chegaram a um acordo para vetar R$ 10,5 bilhões das emendas. Isso, junto com o corte nas discricionárias (despesas que o governo pode remanejar, como custeio da máquina e investimentos), deve ser suficiente para manter as emendas no valor acertado com os deputados e senadores. O projeto aprovado ontem incluiu um dispositivo que permite ao governo bloquear por decreto despesas discricionárias para recompor despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários, seguro-desemprego e subsídios, que ficaram maquiadas em R$ 21,3 bilhões, segundo parecer de técnicos da Câmara com base em dados do Ministério da Economia. As lideranças governistas afirmam que essa emenda traz segurança para o teto de gastos.” [Estadão]

E haja emenda…

“O Congresso aprova o projeto de Orçamento de 2021 com cortes em despesas classificadas como obrigatórias, como Previdência e seguro-desemprego, para destinar mais recursos para emendas parlamentares. O corte na revisão para baixo foi de quase R$ 30 bilhões. O valor das emendas, por outro lado, subiu de R$ 20 bilhões para mais de R$ 50 bilhões.”

E Paulo Guedes deve se ahar um dos economistas mais genais do planeta Terra!

“Paulo Guedes, em conversas privadas, não admite qualquer culpa da equipe econômica na lambança do Orçamento 2021.Para Guedes, os vilões foram Rogério Marinho e uma dupla de senadores, Davi Alcolumbre e o relator Marcio Bittar.” [O Globo]

E olha de onde vem os empregos:

“O plano de retomada do emprego comandado pelo ministro Paulo Guedes (Economia), antes centrado na atração de investimentos por privatizações e reformas, só conseguirá decolar graças ao programa de concessões, liderado pelo ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). Os leilões devem gerar 3,6 milhões de empregos até 2022 caso o governo cumpra com o cronograma previsto para rodovias, ferrovias, aeroportos e terminais portuários. Boa parte desses novos postos de trabalho —1,2 milhão de vagas— virá das concessões deste ano, particularmente ferrovias e terminais portuários. Os empregos —diretos e indiretos— serão garantidos por contratos de investimentos obrigatórios atrelados à concessão. Na avaliação de Tarcísio, até o final de 2022, serão R$ 260 bilhões em investimentos caso todos os projetos sejam concedidos. Neste ano, serão 50 empreendimentos, totalizando R$ 84 bilhões em investimentos. A maior parte sairá de grandes projetos na área de ferrovias e portos —R$ 32 bilhões e R$ 41,6 bilhões, respectivamente. Ambos devem puxar a geração de empregos —1,1 milhão de novos postos. Com esse resultado, Tarcísio assume o discurso da geração de empregos durante a pandemia no lugar de Guedes. O ministro da Economia patina no plano de privatizações, venda de estatais, e nas reformas. Enquanto o chefe da Economia discute uma nova rodada da redução de jornada como forma de evitar mais demissões, Tarcísio bate martelos na B3, a Bolsa de São Paulo, fechando contratos de concessão de infraestrutura com a iniciativa privada.” [Folha]

Tomando baile do Tarcísio!

“Guedes costuma dizer que não existe essa separação entre ministérios, que as concessões também fazem parte da estratégia de atração de investimentos para o plano de recuperação econômica conduzido por sua pasta. Porém, coube a Tarcísio a liderança —do discurso e dos projetos do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), como é conhecido o plano de concessões federais. Somente com a Infra Week, série de três leilões de concessões em infraestrutura ocorridos no início de abril, foram concedidos à iniciativa privada três blocos com 22 aeroportos, o trecho inicial da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e cinco terminais portuários. Tarcísio atribuiu o sucesso do programa a Bolsonaro e ao trabalho dos técnicos das agências reguladoras —todas vinculadas à Infraestrutura. O discurso também foi um ataque à equipe econômica, que chamou de “loucura”, segundo assessores de Tarcísio, o projeto de concessão em meio a uma crise econômica tão grave.”

Bem, se é pra vender melhor não vender na baixa, né, hei de concordar com Guedes, que fase…

“O ministro da Infraestrutura rebateu, defendendo que o momento era de ousadia. Para técnicos da Economia, ele repetia que países como Índia, Turquia, dentre outros em desenvolvimento, estavam paralisando projetos de concessão. Investidores, porém, nunca estiveram com tanto dinheiro em caixa. Para o ministro, era a hora perfeita de aproveitar não somente essas vantagens, mas também a desvalorização do real ante o dólar para atrair esse grupo para o Brasil. Além disso, diferentemente da venda de empresas (privatizações), muito mais suscetíveis às intempéries da economia, concessões têm contratos de longa duração (30 anos), atravessando diversos governos, o que, para Tarcísio, praticamente elimina o caráter político da decisão de investimento.”

Vai ver esses demais países não gostam de queimar dinheiro, né…

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3. Make Brazil Great Again

A Cúpula do Clima promete, hein!

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) adotará um discurso moderado e sinalizará” [Folha]

Ele vai ficar mudo, é?!

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) adotará um discurso moderado e sinalizará ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, que expandirá, em curto prazo, o volume de operações contra o desmatamento na floresta amazônica. O presidente já escreveu o esboço do seu discurso, no qual voltará a se comprometer com o fim do desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e convidará nações estrangeiras a ajudar no combate a queimadas com a injeção de recursos. Na sua fala, segundo assessores palacianos, o presidente indicará aumento, ainda neste ano, da previsão orçamentária do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes), órgãos federais de fiscalização ambiental.”

Dei muito dinheiro para os policiais e militares que eu joguei lá nesses órgãos, tá ok?!

“A ideia é que o montante seja investido em equipamentos e veículos. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, o Ministério do Meio Ambiente deve enviar nos próximos dias um pedido oficial à pasta da Economia. O valor e o modelo do aporte ainda não foram definidos.”

E falta combionar com o Paulo Guedes:

“Os técnicos do governo ainda avaliam se o dinheiro virá por abertura de crédito extraordinário ou por remanejamento orçamentário. O Meio Ambiente já tem um pedido ordinário ao Ministério da Economia, de recomposição orçamentária, que ainda não foi atendido. O presidente sabe que uma das principais demandas das autoridades estrangeiras é o aumento dos quadros do Ibama e ICMBio. Mas conselheiros do mandatário destacam que concursos para essas entidades levam tempo e que, portanto, eles não devem contribuir para os resultados que o Brasil precisa apresentar no curto prazo. ​ Eles também ressaltam que Bolsonaro terá pouco tempo para falar e que a mensagem principal do Brasil deve ser genérica e similar à carta enviada por Bolsonaro a Biden na semana passada. A previsão é a de que o presidente utilize o tempo para discursar sobre iniciativas futuras, sem fazer uma autocrítica.”

Ah vá…

“O discurso de Bolsonaro foi debatido em reunião, nesta segunda-feira, entre o presidente e os ministros Carlos França (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tereza Cristina (Agricultura), Fábio Faria (Comunicações) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil). Para compensar o déficit de servidores públicos nas entidades fiscalizadoras, o presidente avalia, como revelou a Folha na semana passada, manter forças militares para combater crimes ambientais na floresta amazônica. A reedição de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para o período de seca no bioma florestal foi discutida na quinta-feira (15) em reunião entre o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura, da Justiça e da Defesa. A ideia é que as forças militares permaneçam na floresta amazônica até novembro, quando recomeça o período de chuvas. O formato e o tempo da iniciativa devem ser discutidos na próxima semana entre técnicos do governo e comandantes militares. O debate em torno da reedição de uma GLO representaria um recuo nos planos do governo, que anunciou oficialmente a saída dos militares dessas operações a partir de 1º de maio. De acordo com o Deter, sistema de monitoramento de desmate do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a redução mensal da floresta na Amazônia voltou a crescer em março e bateu o recorde para o mês. Os dados apontam 367,61 km² de desmatamento. O recorde anterior pertencia a 2018, com 356,6 km² destruídos, seguido por 2020, com 326,49 km² derrubados.”

E justamente na véspera do encontro…

Belo timing!

Season 5 Nbc GIF by The Office

E como a palavra do presidente de nada vale…

“Um grupo de 24 dos 27 estados do país entregou nesta terça-feira a Todd Chapman, embaixador americano no Brasil, uma carta em que se comprometem com a “emergência climática global” e pedem cooperação para questões ambientais. Denominado Coalizão Governadores pelo Clima, o grupo visa se contrapor ao governo de Jair Bolsonaro, criticado mundialmente por sua política ambiental, dias antes da Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada por Joe Biden e que começará no dia 22. — Foi uma conversa boa com o embaixador americano, ele prometeu que enviará hoje ainda a carta a Casa Branca e pedimos a ele uma conexão e um canal de comunicação com o governo americano para que possamos tratar do tema das mudanças climáticas – afirmou Renato Casagrande (PSB-ES), que articulou o documento e que estava, na reunião virtual, com os seus colegas Paulo Câmara (PE) representando o Nordeste, Helder Barbalho (PA) pelo Norte e Mauro Mendes (MT) pelo Centro-Oeste. — É uma articulação de toda a sociedade .” [O Globo]

E Salles também deu uma vliosíssima contribuição:

“O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ridicularizou, em uma postagem na rede social Instagram na manhã desta terça-feira (20), indígenas que utilizam telefones celulares. No “story” da conta do ministro, que é seguida por 344 mil perfis, foram divulgadas três fotos de indígenas utilizando ou carregando telefones celulares. A primeira imagem tem como texto: “Recebemos a visita da tribo do iPhone”. As fotos têm círculos vermelhos para destacar os telefones nas mãos dos indígenas.” [UOL]

Imagine essa notícia no clipping doas americanos, é um bom papo pra quebrar o gelo: “E o seu ministro, hein? Que cagada…”

“A publicação também é feita logo após o Dia do Índio, que foi lembrado nesta segunda-feira (19) em diversas manifestações no país, incluindo a Esplanada dos Ministérios, onde a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) estendeu faixas para denunciar o governo Bolsonaro. Apesar de dizer, na publicação, que “recebeu” indígenas, inexiste na agenda oficial do ministro qualquer encontro com liderança indígena entre a segunda-feira (19) e a terça-feira (20). Também não foi divulgado texto, pela assessoria do ministério, sobre eventual encontro entre Salles e indígenas.”

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4. Covid-17

Olha as palavras enfileiradas pelo 04 da saúde – sempre que eu lembro que já estamos no quarto ministro da Saúde eu me espanto:

“Se a população estivesse usando máscaras, mantendo o distanciamento, evitando aglomerações, se tivesse um programa de testagem mais adequado, isolamento dos casos positivos e dos seus contactantes, se fizéssemos a disciplina dos transportes urbanos, e para o funcionamento dos setores estratégicos, os senhores podem ter certeza que não estaríamos vivendo o momento que estamos vivendo hoje” [Veja]

Queiroga tá de sacanagem, né?

“Queiroga tentou amenizar a responsabilidade do governo pelo atraso de doses lembrando que nem a OMS escapou de imprevistos no fornecimento da vacina aos países do consórcio Covax. “Já era para ter chegado mais de dez milhões de doses via consórcio Covax Facility. Isso não aconteceu, mostrando que a dificuldade não é só brasileira, mas sim mundial. Porque, se a própria OMS [Organização Mundial da Saúde] não cumpre com aquilo que ela se comprometeu, isso mostra que o problema é maior”, disse o ministro.”

O chefe podia comprar doses pra 50% da população ams optou por 10%, meses depois tava gritando “Vai comprar vacina onde? Só se for na casa da sua mãe

“Sobre o uso de máscaras, é necessário dizer o esforço que eu tenho feito. Desde o primeiro dia tenho recomendado o uso de máscaras, como também as outras medidas, mas entendo que não é na base da lei que a gente vai resolver isso”

Queiroga tá colocando a culpa no chefe, bonito de ver.

Uma história para ilustrar a tragédia:

“Os irmãos Gustavo e Alessandra Bortoleti, de Mirandópolis (SP), viveram o calvário da Covid-19 de forma simultânea. Começaram a sentir os primeiros sintomas da doença na última semana de março. No dia 31 daquele mês, com algumas horas de diferença, o comerciante Gustavo, 44, e a esteticista Alessandra, 45, foram internados no Hospital Regional da cidade. Em 2 de abril, ambos foram para a UTI. No dia 9, Gustavo morreu por volta de 18h. Sua irmã, pouco antes da meia-noite. A tragédia familiar chocou a cidade no noroeste do estado, a 595 km de São Paulo, e se tornou simbólica do momento crítico vivido por seus 30 mil moradores. O drama também colocou os holofotes sobre a gestão do prefeito Everton Sodario (PSL), 27, apoiador inconteste do presidente Jair Bolsonaro, que desde o início da pandemia seguiu o receituário pregado pelo governo federal: minimizou a doença, pregou contra o distanciamento social e as restrições ao comércio, atacou a vacina do Butantan e promoveu o chamado “tratamento precoce”, sem eficácia comprovada. No período de 19 de março a 19 de abril, o total de mortes contabilizadas pela prefeitura desde o início da pandemia passou de 24 para 65, um salto de 170,8%. Já o número de casos confirmados subiu 52,5% no período, chegando a 1.853. Como comparação, o aumento de mortes no estado de São Paulo nesse mesmo intervalo foi de 32,5%, e o de casos, 20,6%. No país, as mortes cresceram 29,1% e os casos, 17,7% no período. A situação levou ao colapso total o hospital estadual onde os irmãos morreram, o principal da região, mesmo após a capacidade de leitos de UTI para Covid ter sido ampliada de 10 para 18. Em 29 de março, seu diretor, Nivaldo Francisco Alves Filho, emitiu uma circular dizendo que a ocupação de leitos de UTI para Covid era de 185%. Em outras palavras, quase metade dos pacientes estava sendo atendida de forma improvisada, em leitos montados onde houvesse espaço. “Cheguei num determinado momento em que não tinha mais onde colocar doente”, relata o diretor. Duas vezes no último mês, ele precisou suspender temporariamente o recebimento de pacientes, por absoluta incapacidade de acomodá-los. Segundo relato colhido pela Folha dentro do hospital, no auge da crise havia pacientes internados na enfermaria e em locais como a sala de endoscopia. Houve momentos com falta de material como luvas, seringas e agulhas. Medicamentos usados para sedar pacientes antes da intubação, como midazolam e fentanil, foram substituídos por outros menos indicados, como diazepam e morfina. O diretor nega a escassez de material e remédio, mas admite a situação crítica do hospital, com as equipes extenuadas. “Temos óbitos todos os dias. Chegamos a ter cinco num único dia”, diz ele. A situação é agravada, afirma ele, pela entrada de pacientes que vêm de municípios vizinhos, cerca de 40% do total. Na última quinta-feira (15), quando Alves Filho falou com a reportagem, a ocupação de leitos de Covid estava um pouco menos dramática, em 111%.

Segundo o diretor, isso se deve ao medo das pessoas, que passaram a ficar mais em casa. E demonstra, segundo ele, que o isolamento social funciona. “A gente tem um prefeito que abriu o comércio, enquanto todo mundo estava buscando restringir. E acabou gerando esse transtorno, porque teve maior circulação de pessoas”, afirma. Conhecido como “Bolsonaro caipira”, Sodario é um ex-ativista de direita que foi eleito para um mandato tampão como prefeito em 2019 e reeleito no ano passado. Nas redes sociais, ataca de maneira dura o governador João Doria (PSDB) por causa da pandemia, a quem já chamou de “canalha”, “traidor do povo” e “calcinha apertada”. Desde o início da pandemia, insurgiu-se contra o Plano São Paulo, mantendo o comércio aberto, o que lhe valeu uma multa de R$ 40 mil e o bloqueio dos bens pelo Ministério Público. Rotineiramente, Sodario aparece em fotos sem máscara perambulando pela cidade, dizendo que “aqui não tem home office”. Ele também é defensor do uso de medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina contra a Covid, apesar de não terem eficácia comprovada pela grande maioria da comunidade científica. A prefeitura gastou desde o início do ano R$ 22 mil na compra de 26 mil comprimidos destes remédios para o serviço municipal de saúde, ignorando as evidências e o riscos à saúde que representam. As compras seguiram a todo o vapor mesmo no auge da piora dos casos. Em 30 de março, foram mais 3.000 pílulas de azitromicina adquiridas com dinheiro público. Sodario também é um cético da Coronavac, assim como Bolsonaro. “Sou o primeiro a não tomar essa vacina chinesa e não obrigarei meu povo a tomar essa porcaria”, escreveu, em 16 de outubro de 2020. Em conversa com a Folha, o prefeito não moderou o discurso, apesar de recentemente ter feito alguns acenos a seus críticos, como ter colocado outdoors na cidade pedindo para as pessoas usarem máscara. Ele atribuiu o salto de casos na cidade à chegada de pacientes de fora, que trouxeram variantes mais agressivas da doença. “Tivemos no ano passado todo 12 óbitos pelo vírus chinês. Mas temos um hospital que é referência na região, que começou a receber pessoas de todo o estado, e as variantes começaram a circular”, afirmou. Sodario atribui ao governo Doria a maior responsabilidade pelas mortes. “Tivemos mortes por causa da falta de leitos, de insumos, da inércia do governo de estado”, diz. Mesmo com a explosão da doença, ele afirma ser desnecessário apertar as restrições de circulação, embora Mirandópolis agora esteja seguindo o Plano São Paulo, depois da multa que o prefeito levou. “Não é o comércio que faz o vírus se propagar, aqui são lojas pequenas”, afirma. Ele segue se dizendo convencido de que o “tratamento precoce” funciona. “Não tenho dúvida de que os remédios amenizaram a situação. Os médicos aqui têm o medicamento à disposição, caso queiram usar. O município não sai distribuindo, precisa do receituário”, diz. O prefeito diz já ter aplicado 6.500 doses da vacina, embora pessoalmente mantenha posição contrária a elas. “Eu não tomo a Coronavac, porque tem uma eficácia bastante baixa. Todas essas vacinas foram feitas de forma bastante precipitada. Mas não vou proibir o munícipe de tomar”, diz o prefeito, que afirma fazer a divulgação dos postos de vacinação e ter instalado um sistema drive-thru. Sobre a pecha de ser negacionista, diz que é injusta. “Negacionistas são os que são contra o tratamento precoce, ou os que não entendem que as pessoas precisam também trabalhar. Apenas tenho pensamento divergente da maioria dos prefeitos e governadores”, diz.” [Folha]

E agora vai, hein!

Aquelas vacinas que o presidente recusou em emados do ano passado, com entrega pra sabe-se lá quando…

E o conservadorismo brasileiro é constrangedor, o liberal conservador Joel Pinheiro da Fonseca teve que escrever uma coluna na Folha intitulada “Quarentenas e isolamento são medidas conservadoras?”:

“Vivemos em tempos de decadência moral e espiritual. Os homens perderam a coragem. “Onde foram parar os machos?”, clama ávido um famoso assecla do bolsonarismo. E não pra menos! Pessoas em casa, fechadinhas, sem trabalhar, ganhando auxílio, com medo de um minúsculo vírus; isso não seria motivo de vergonha a nossos corajosos ancestrais? Em uma variação do mesmo tema, o lamento ganha contornos espirituais. O homem moderno esqueceu-se de Deus e da vida eterna, e por isso é tão neuroticamente obcecado com a saúde. Afinal, a morte vem para todos. Por fim, corre o argumento, medidas de isolamento violam nossos santos direitos individuais, que não admitem restrição nenhuma. Não foi assim que o Ocidente se ergueu? É bela a disposição de nossos conservadores em querer proteger nossa civilização. Mas é uma pena que ela não venha acompanhada de qualquer conhecimento histórico sobre essa civilização.” [Folha]

Joel lista como a humanidade reagiu às epidemias – “Para impedir que a infecção saísse de uma cidade e fosse para outra, as autoridades impunham um cordão sanitário ao redor da cidade infectada: ninguém mais podia sair até que a epidemia passasse. Proibição de aglomerações e festas, de jogos e teatros (aliás, Shakespeare escreveu seus poemas mais famosos durante uma longa quarentena sem teatro de 1592 a 93). Mesmo procissões religiosas foram restritas em diversas ocasiões, e muitas igrejas fechavam as portas. Nos piores momentos, os próprios fiéis deixavam de ir.” – e expôs a estupidez dos “delicados conservadores“:

Medidas extremas para lidar com emergências de saúde pública estão conosco desde a Antiguidade. Não são invenção de tiranos e comunistas. A partir do momento que o perigo passa, as restrições vão embora. É o que já vemos em Israel, na Inglaterra, na Austrália. Os delicados “conservadores” de hoje, para quem uma máscara de pano parece um sacrifício duro demais, associam essas medidas à tirania comuno-globalista. Mal sabem que são todas parte de sua amada civilização ocidental. ​

E que cagada monumental:

“A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos ordenou na sexta-feira (16) a paralisação da produção da vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson na fábrica que é investigada por desperdiçar milhões de doses do imunizante e que sofreu intervenção do governo. A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos), agência reguladora de medicamentos dos EUA, determinou a interrupção para uma inspeção no local e também que todo o material já produzido seja colocado em quarentena. O jornal “The New York Times” revelou que até 15 milhões de doses foram “destruídas” após uma empresa subcontratada misturar ingredientes das vacinas da Johnson & Johnson e de Oxford/AstraZeneca. Dias depois, o jornal revelou que a empresa Emergent BioSolutions também já tinha estragado cinco lotes do imunizante de Oxford/AstraZeneca que tinham entre 10 e 15 milhões de doses..” [G1]

Uma empresa só fodeu com 30 milhões de doses!

“A Johnson & Johnson havia informado em março, quando foi relevado o problema, que enviaria especialistas à fábrica para supervisionar a produção da vacina e que esperava entregar 24 milhões de doses da sua vacina em abril. A previsão da empresa era entregar 100 milhões de doses da sua vacina ao governo americano no primeiro semestre. Até agora, entregou cerca de 18 milhões. A vacina da Johnson é a única aprovada para uso até o momento que é de apenas uma dose e não precisa ser conservada em temperaturas muito baixas, ao contrário dos imunizantes da Moderna e da Pfizer, o que facilita a sua distribuição.”

Passemos ao Uruguai e o estrago da nova cepa

“Considerado modelo no combate à pandemia do coronavírus na América do Sul, o Uruguai se tornou, em menos de um mês, o recordista de mortos por milhão de habitantes —superando o Brasil e se estabelecendo na terceira posição no ranking mundial da média móvel de novas mortes. Ao mesmo tempo em que acompanha a subida dos números, o país vê desmoronar a coesão que se estabeleceu no começo da crise sanitária entre o governo nacional, comandado pelo presidente de centro-direita, Luis Lacalle Pou, e a oposição, liderada pela esquerdista Frente Ampla.” [Folha]

Tinha que ser de direita – não que seja exclusividaed, vide AMLo, ams a maioria é de direita:

“Nesta terça-feira (20), o mandatário deve se reunir com líderes políticos regionais que pedem mais medidas restritivas para enfrentar a pandemia. Na mesma linha, o presidente recebeu uma carta assinada por médicos e cientistas de várias regiões do país cobrando ações mais duras. Com 3,4 milhões de habitantes, o Uruguai registrou neste domingo (18) uma média móvel de 2.872 casos nos últimos sete dias, somando 164.744 infectados e 1.908 mortos, segundo dados do site Our World in Data. Sem estabelecer regras rígidas de quarentena nem suspender aulas durante todo o ano passado, Lacalle Pou apostou na “consciência cidadã” e fez um apelo para que a população permanecesse em casa e que tomasse as precauções necessárias. Houve interrupções apenas temporárias em alguns setores do comércio, nos restaurantes e nas obras de construção civil, além das atividades que geram grandes aglomerações como shows e espetáculos ao ar livre. Com as fronteiras fechadas para estrangeiros não residentes, o país conseguiu ter uma boa performance na primeira etapa da pandemia. “Creio que isso ajudou a instalar o clima de ‘já ganhou’ entre as pessoas”, diz o infectologista Julio Medina, que integra o Grupo Assessor Científico Honorário (GACH), que aconselha a Presidência em relação à Covid-19. Ele lista como possíveis causas da disparada de casos: o relaxamento dos cuidados pessoais, o aumento de reuniões sociais e familiares no fim de ano e no verão, a mobilidade das pessoas pelo país no período de férias e a chegada da variante brasileira P.1, mais contagiosa. Segundo dados do Ministério da Saúde uruguaio, a P.1 já circula em 16 departamentos do país e é dominante em alguns deles, como Rivera, Rio Negro e Artigas (em 80% dos casos de contágio), e em Montevidéu (59%). O fechamento das fronteiras, que teve função importante na primeira fase da pandemia, não conseguiu frear as variantes. Em parte porque muitos argentinos com residência no Uruguai puderam viajar, num momento em que a pandemia está em situação crítica do outro lado do Rio da Prata. Além disso, a fronteira com o Brasil é muito porosa —e não conseguiu parar o espalhamento do vírus, apesar do aumento do controle e da vacinação na região de Rivera. “É hora de adotar medidas mais duras, fechar mais a circulação para dar tempo de vacinar mais gente, mesmo que isso seja algo impopular”, afirma Oscar Ventura, professor da Universidade da República.

A vacinação no país, embora esteja sendo realizada com rapidez, demorou muito a começar. Apenas em fevereiro chegaram os primeiros lotes de imunizantes, enquanto o Brasil e a Argentina já haviam começado suas campanhas. Também houve muita hesitação na hora de comprar vacinas, e o governo alegou que esperava receber antes os imunizantes do consórcio Covax —algo que acabou não acontecendo. Com o aumento da pressão sobre Lacalle Pou, ele foi atrás de contatos de emergência com laboratórios. Uma das negociações aproveitou a brecha de um contrato frustrado da Argentina com a Pfizer —que não foi adiante porque o presidente Alberto Fernández considerou que a russa Sputnik V tinha melhor custo-benefício, além de não precisar de ultracongeladores. Assim, a Argentina perdeu a posição de preferência para comprar imunizantes do laboratório americano, embora tenha sediado ensaios clínicos em seu território. Assim, o Uruguai conseguiu garantir 2 milhões de doses desse imunizante. Além disso, mesmo negociados às pressas, chegaram rapidamente ao país imunizantes da Sinovac e da AstraZeneca. Até agora, o país já aplicou ao menos uma dose da vacina em 30,6%% de sua população, ultrapassando a Argentina, que vacinou 12,1%. Em números absolutos, o Uruguai aplicou uma dose em 1.063.228 pessoas e duas em 294.461. Em seu último pronunciamento na TV, Lacalle Pou anunciou que as aulas presenciais não seriam retomadas no início do ano letivo e que continuariam assim pelo menos até maio. Mostrou-se irritado e fez críticas aos integrantes do GACH, que tinham se pronunciado publicamente pedindo mais ações do governo. “O GACH não faz política, as decisões políticas quem toma sou eu”, afirmou. Um dos integrantes da comissão, Rafael Radi afirmou que existe no grupo um setor que crê que o governo deveria endurecer as restrições, mas que, por enquanto, o que eles podem é apenas “apresentar um menu de opções” ao governo. “O presidente é quem aceita ou não, acata de forma parcial ou total”, disse. Nas últimas semanas, Lacalle Pou também recebeu críticas por ajudar a mediar a doação de 50 mil doses da Coronavac pelo laboratório chinês à Conmebol, para que sejam imunizados os jogadores que participam de torneios como a Copa Libertadores e a Sul-Americana. Esse será um dos pontos a serem discutidos pelos prefeitos no encontro com o presidente.”

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5. STF

O tal de William Douglas, nome do Malafaia ao STF:

“Amigo de Silas Malafaia “e de praticamente todos os pastores mais conhecidos do Brasil”, o juiz federal William Douglas, 53, é um dos nomes que correm por fora quando o assunto é o próximo indicado por Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal). Uma credencial valorizada pelo presidente, afinal, ele tem: Douglas é pastor pentecostal, ordenado há 11 anos pela Igreja Batista Getsêmani.” [Folha]

Vamos à entrevista:

“Presidentes anteriores prestigiaram parcelas da sociedade ausentes na Corte, que precisa ter conexão de valores com a sociedade que irá julgar. Assim como já tivemos espaço para a busca de uma mulher e de um negro, vale lembrar que os evangélicos são 30% da população. Este grupo está bem representado em todos os espaços, menos no STF. Portanto é perfeitamente legitimo, e até meritório, que um presidente coloque ao menos um representante dessa cosmovisão.’

Conceito cuiroso de meritocracia.

“Sou amigo dele e de praticamente todos os pastores mais conhecidos do Brasil. Há mais de 20 anos faço palestras em universidades e falo em igrejas. Malafaia, e vários outros, são na verdade entusiastas de um evangélico no STF, para que um terço do país esteja representado na Corte. Mais de 30 grandes líderes evangélicos sugeriram ao presidente [em 2020] uma lista tríplice que incluiu meu nome. O IBDR [Instituto Brasileiro de Direito e Religião] endossou quatro nomes, sendo o meu um deles. Tudo isso, contudo, é mera sugestão. O que conta mesmo é a decisão do presidente e a aprovação pelo Senado.”

E o sujeito nem cora ao dizer que é admirador do presidente:

“Sim. Ele é um patriota, alguém que quer melhorar o país. Nunca vi um presidente ser tão atacado. Foi eleito legitimamente. Penso que a voz das urnas deveria ser mais respeitada.”

Questionado sobre os ataques presidenciais ao STF…

“O Judiciário tem interferido em atribuições exclusivas do Poder Executivo. Isso desrespeita a Constituição e as urnas. Os Poderes podem e devem se entender melhor, mas para isso cada instituição precisa atuar com mais cautela e equilíbrio, dentro de sua seara.”

Sobre o uso da LSN:

“A lei vigente deve ser cumprida. O que me causa espécie é o tratamento diferente para conservadores e progressistas. A isonomia é princípio constitucional. Lamento que venha existindo “dois pesos e duas medidas” quando o assunto é tratamento aos Poderes e aos que são de opiniões diferentes. Como magistrado de carreira e professor de direito constitucional, penso que temos que resgatar o tratamento igual para todos. A cultura do cancelamento, em que internautas e influenciadores se arvoram no direito de acusar, julgar e punir quem quer que seja com base em parâmetros próprios, subjetivos e não estabelecidos em lei.”

Que porra ele tá falando?!

E ele concorda coma decisão do kassio sobre missas e cultos:

“Concordo. Não estamos em estado de sítio ou de defesa, e as disposições do artigo 5º da Constituição são cláusulas pétreas. O Estado não pode impedir o funcionamento das igrejas, apenas cobrar medidas sanitárias, como distanciamento, uso de máscara e álcool em gel. Também não pode dispor sobre como cada cidadão exercerá sua religião.”

E a resposta abaixo me deixou desconcertado, no sentido positivo:

“Em muitos aspectos, sim. O caso mais grave a ser enfrentado é a invasão de terreiros de umbanda e candomblé por traficantes autodenominados “evangélicos”.”

Bem só pode ser aceno aos críuticos, porque isso pega muito mal com o presidente que vive falando em cistofobia.

Mas qualquer rasgo lucidez é exceção, a jornalista cita uma fala dele sobre a compra de vacinas pela iniciativa privada, nas palavras do pastor é “digna de veemente aplauso‘.

E Flavinho Desmaio já tem seu nome, pra desespero do pastor:

“Nome mais forte entre congressistas para ocupar a próxima vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, é o preferido do senador Flávio Bolsonaro para o posto, pelo menos até o momento. O filho 01 de Bolsonaro tem trabalhado pela nomeação do ministro do STJ. Denunciado no caso das rachadinhas, Flávio tem tido palavra decisiva na família nas indicações a cortes superiores. Um dos fatos que pesam a favor de Martins entre parlamentares, incluindo o próprio Flávio, é sua atuação contra a Lava-Jato. O presidente do STJ abriu, por conta própria, um inquérito para investigar a conduta de procuradores da operação com base em mensagens hackeadas. A investigação, que foi suspensa pela ministra Rosa Weber, previa até busca e apreensão contra integrantes da extinta força-tarefa de Curitiba, como revelou a coluna. Parte dos evangélicos, no entanto, atua contra a indicação de Humberto Martins junto a Bolsonaro. O argumento é o de que um adventista não seria evangélico. O ministro é fiel da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O presidente prometeu escolher alguém “terrivelmente evangélico” para a vaga de Marco Aurélio Mello, que se aposenta em julho.” [O Globo]

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6. Famiglia

Como disse Bolsonaro em 2019, “Pretendo beneficiar um filho meu, sim’”

“O presidente Jair Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o empresário Wellington Leite​, o mesmo que doou um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil para um projeto parceiro da empresa de Jair Renan, o filho 04 do presidente. O projeto MOB é de propriedade do ex-personal trainer de Renan, Allan Lucena. O MOB e a Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, de Jair Renan, inauguraram em outubro do ano passado o projeto Camarote 311, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Leite esteve na inauguração. Ele apareceu entre Renan e Allan em um vídeo do evento. O carro elétrico foi doado pelos grupos WK, de propriedade de Leite, e Gramazini Granitos e Mármores Thomazini. Ambos tiveram suas logomarcas impressas na decoração da parede de entrada do escritório de Renan, junto com outras empresas que apoiaram o empreendimento.” [Folha]

Imagine se fosse o filho do Lula…

“Leite divulgou a foto do encontro com Bolsonaro em suas redes sociais no último dia 21 de março, data de aniversário do chefe do Executivo. “Parabéns meu querido presidente por completar mais um ano de vida, que Deus possa te abençoar poderosamente e lhe dê cada vez mais saúde, força e sabedoria para conduzir essa nação”, disse. A Secretaria de Comunicação da Presidência disse não ser possível informar a data do encontro nem o motivo da reunião no Palácio do Planalto. O encontro não aparece na agenda oficial de Bolsonaro. À Folha o empresário do Espírito Santo não informou a data. “Confesso que não me recordo”, disse. “Visitei o Palácio do Planalto e tive a sorte de tirar uma foto com o presidente. Foi tudo muito rápido”, afirmou, acrescentando também não se lembrar quem o levou ao encontro com Bolsonaro. “Tivemos apenas esse encontro.”

Lembrando que não é o único caso, teve patrocinador da empresa dop RTenan marcando reunião com ministro a pedido do gabinete presidencial.

“A empresa de Jair Renan é investigada pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal, sob a suspeita de tráfico de influência junto ao governo. A Bolsonaro Jr tem como finalidade a organização, promoção e criação de conteúdo publicitário para feiras, leilões, congressos, conferências e exposições comerciais e profissionais. Representantes da Gramazini Granitos também conseguiram um encontro com uma autoridade do governo federal. Foram recebidos pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no dia 13 de novembro, em encontro agendado pelo secretário especial da Presidência Joel Fonseca. Na ocasião, foi apresentado ao ministro um projeto de casas populares desenvolvido em parceria com Leite, do Grupo WK. Renan foi ao Espírito Santo conhecer o projeto, assim como a sede do Grupo WK, em setembro. O encontro foi publicado nas redes sociais de Leite, com fotos de Renan e Allan. Em algumas das imagens, os dois apareceram ao lado da filha do empresário. Um dos vídeos divulgados da viagem registrou o momento da chegada da comitiva a uma construção, em que Leite afirmou, ao lado do filho 04 do presidente: “Quero registrar esse momento justamente em que estamos mostrando ao Renan esse projeto que estamos a caminho de desenvolver e já colocando Deus acima de tudo”. Em outra gravação, feita em um restaurante de Vitória, com Jair Renan e Lucena, Leite pergunta: “Allan, fala para mim aqui, o que você espera dessa parceria da sua empresa MOB, do Renan lá, a JB, juntamente com o Grupo WK?”. Allan responde: “Fala pessoal, sou Allan Lucena de Brasília e a gente tá aqui em Vitória, justamente para cumprir uma aliança, uma parceria com o Grupo WK, que vai ajudar inúmeras pessoas em Brasília, junto com o meu projeto social MOB Fit. Fica de olho aí que a gente vai trazer muita coisa para vocês ao longo dos próximos meses”, diz. Logo em seguida, o filho do presidente responde: “Fica de olho aí na gente, sou Renan Bolsonaro, sou carioca, tá vindo muita coisa boa por aí”. Em outro vídeo, Renan pergunta: “O que eu vim fazer aqui em Vitória, Wellington?”. Este responde: “Networking, parceria, aliança, Brasil”.”

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“SOU RENAN BOLSONARO, SOU CARIOCA”, caralho…

“A viagem de Renan mobilizou o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República. De acordo com a assessoria do gabinete, comandado pelo general Augusto Heleno, o filho do presidente viajou em voo comercial e não foram utilizados veículos ligados à Presidência no estado. O GSI disse que houve “emprego mínimo de servidores” da Presidência, sem avançar em mais detalhes. “O GSI não fornece detalhes operacionais, efetivo empregado, bem como não divulga nomes de servidores envolvidos com a segurança do presidente, vice-presidente e familiares”, afirmou. O empresário respondeu à Folha que Allan levou Renan ao Espírito Santo para a troca de ideias sobre projetos que poderiam ser tocados em parceria. “O Allan que trouxe o Renan, que veio falar sobre o projeto social do MOB e do JB, porém acabou que não foi adiante”, disse Wellington. Sem fornecer valores à reportagem, o empresário afirmou que arcou com as despesas da viagem do filho do presidente e de seu parceiro comercial. “Como eu convidei, mais do que justo arcar [com as despesas]”, disse. “Sobre o valor, eu não sei nem o que gastei ontem, vou saber o que gastei há quase oito meses?” Wellington não deu mais informações sobre a cessão do carro elétrico. “Foi cedido para o projeto social MOB, mas parece que [o projeto] não foi adiante e o mesmo foi devolvido”, afirmou. A reportagem enviou perguntas à defesa de Allan Lucena, mas não houve resposta até a publicação deste texto​. Quem também participou do encontro com Rogério Marinho foi a arquiteta Tânia Fernandes, sócia da TF Arquitetura Inteligente, que prestou serviços ao Camarote 311. À Folha Tânia disse que chegou até Renan por ter sido cliente de seu ex-parceiro Allan, quando sofreu um acidente e precisou de seus serviços como personal trainer. Em uma foto da reunião no ministério, Tânia apareceu ao lado de Marinho, do secretário especial da Presidência Joel Fonseca e do filho do presidente. A empresa foi aberta pela arquiteta e pelo marido, Wesley Washington Lourenço, que é funcionário do Ministério da Economia. No mês passado, a defesa de Allan Lucena disse à Folha que os serviços da TF Arquitetura foram pagos por uma doação financeira do vice-presidente da Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar, Luis Felipe Belmonte. Belmonte negou a afirmação e disse que Allan requisitou uma ajuda financeira para a empresa, mas que não chegou a ser concretizada. Allan não informou quanto a TF cobrou pelo serviço prestado à empresa de Renan, tampouco apresentou notas e contratos relacionados.”

Isso porque o imbecil disse que tinha nota fiscal e tudo!

“Tânia não quis revelar quanto cobrou pelo serviço prestado à Bolsonaro Jr alegando questões de confidencialidade com o cliente, nem quem fez o pagamento. “Eu assino termo de confidencialidade com todos os meus clientes, previsto por lei no código de conduta do Conselho de Arquitetura, entende?”, disse. Também afirmou que seu marido nada teve a ver com a prestação do serviço e que ele entrou como sócio no negócio “somente para constituir a empresa, que agora é Eireli [modalidade de microempresa na qual é exigido apenas um sócio]”.​”

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7. Lira

Bolsonaro deveria estar muito preocupado com essa notícia

“O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (20) suspender três ações de improbidade administrativa contra o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL). As ações tramitavam na Justiça Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato. Duas delas foram movidas pela Advocacia-Geral da União (AGU) e a outra, pelo Ministério Público Federal (MPF). As ações de improbidade apresentadas pela AGU foram movidas antes de Jair Bolsonaro assumir a presidência da República e ter Lira como aliado à frente da Câmara. Esse tipo de ação serve para ressarcir os cofres da União, enquanto as ações penais são abertas para investigar a conduta de réus e condená-los ou não pelos crimes dos quais são acusados. A decisão de Gilmar Mendes vale até o julgamento do mérito do caso pelo STF. O processo tramita sob segredo de Justiça, mas trecho da decisão do ministro aparece no andamento processual da Corte. “Ante todo exposto, em juízo provisório, concedo a liminar para determinar a imediata suspensão das ações de improbidade 5063442- 90.2016.4.04.7000, 506674- 13.2017.4.04.7000 e 5012249-02.2017.4.04.7000, somente com relação aos reclamantes, até o julgamento de mérito desta reclamação. Reitera-se, para todos os efeitos, que estes autos tramitam sob segredo de justiça. Intime-se. Brasília, 19 de abril de 2021”, determinou o ministro. Arthur Lira e o pai, o prefeito Benedito Lira, têm batalhado incessantemente desde 2017 para travar as três ações de improbidade. Na mais incômoda delas, que refletiu no bloqueio de R$ 10,4 milhões, havia conseguido uma decisão temporária favorável, no início de 2020, do então ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Napoleão Nunes Maia. Agora, com a decisão de Gilmar, os três processos ficam paralisados. Em fevereiro de 2017, a Justiça Federal no Paraná bloqueou bens no valor de R$ 10,4 milhões de Arthur Lira e de seu pai. A medida foi tomada pelo juiz Flávio Antônio da Cruz, da 11.ª Vara Federal de Curitiba, em dezembro de 2016, a pedido da AGU no âmbito de uma ação de improbidade administrativa aberta a partir de informações sobre suposto envolvimento dos parlamentares em desvio de verbas da Petrobrás para custear as campanhas eleitorais de pai e filho em 2010.

À época, a AGU atribuiu “condutas ímprobas praticadas por Benedito de Lira, enquanto atuava como deputado federal e por seu filho, Arthur Cesar Pereira Lira no exercício do mandato de deputado estadual, por conta de vantagens indevidas auferidas junto a Alberto Youssef (doleiro da Lava Jato), Ricardo Pessoa (empreiteiro delator) e Constran S/A”. A defesa de Lira acionou o Supremo após a Segunda Turma arquivar a denúncia de organização criminosa apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente da Câmara e outros três parlamentares no caso conhecido como “quadrilhão do PP”. O resultado marcou mais uma derrota da Operação Lava Jato no Supremo. A decisão da Segunda Turma também beneficiou os deputados Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB) e Eduardo da Fonte (Progressistas-PE) e o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), todos investigados no âmbito de um inquérito que apura desvios na Petrobrás. Segundo a PGR, o esquema também teria atingido a Caixa e o antigo Ministério das Cidades, com objetivo de obter propina de forma estável e “profissionalizada”. Na denúncia, Lira era acusado de receber R$ 1,6 milhão de propina paga pela Queiroz Galvão e de ser beneficiado com R$ 2,6 milhões de vantagens indevidas por meio de doações eleitorais “oficiais” realizadas pela UTC Engenharia. A investigação do “quadrilhão do PP” sofreu uma reviravolta no Supremo após a aposentadoria de Celso de Mello e a indicação de Kassio Nunes Marques para a Corte, expondo mais uma vez o cenário desfavorável para o legado da operação no tribunal. Um dos líderes do Centrão, Ciro Nogueira deu a bênção para a indicação de Nunes Marques ao STF. Em novembro do ano passado, na análise de outro caso, a Primeira Turma do STF votou para rejeitar um recurso apresentado pela defesa de Lira contra a decisão que o colocou no banco dos réus pelo crime de de corrupção passiva. O julgamento, no entanto, foi interrompido por um pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Dias Toffoli, o que, na prática, “trava” a abertura de uma ação penal para apurar as acusações contra o parlamentar.” [Estadão]

Lembrando que Lira já bateu em ex e fazia rachadinha em Alagoas. E repatroiu dinheiro escondido lá fora. Mas vai ver ele é honestíssimo, um altyruísta do Centrão, um verdadeiro patriota.

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8. Malditos

Só no Brasil que uma porra dessa acontece:

Durante cerimônia de troca do comando do Exército, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, afirmou que é preciso “respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros”. Braga Netto também disse que é necessário se unir contra “qualquer tipo de iniciativa de desestabilização institucional”. O presidente Jair Bolsonaro estava presente no evento.

— O momento requer um maior esforço de união nacional, com foco no combate à pandemia e no apoio à vacinação. Hoje o país precisa estar unido contra qualquer tipo de iniciativa de desestabilização institucional, que altere o equilíbrio entre os poderes e prejudique a prosperidade do Brasil. Enganam-se aqueles que acreditam estarmos sobre um terreno fértil para iniciativas que possam colocar em risco a liberdade conquistada por nossa nação. É preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros para conduzir os destinos do país. A sociedade, atenta a essas ações, tenha a certeza que suas Forças Armadas estão prontas a servir aos interesses nacionais [O Globo]

É inacreditável como se faz um discurso político na posse dum comandante do Exército, por muito menos o general comandante do exército uruguaio foi em cana.

“Neste período de intensa comoção e incertezas, que colocam à prova a maturidade e a independência das instituições democráticas brasileiras, o Exército, a Marinha e Força Aérea mantêm o foco em suas missões constitucionais, permanecendo sempre atentas à conjuntura nacional”

Sempre atentas, tal qual Villas Bôas em 2018. Os caras falam em missa institucional mas são incapazes de interpretar o artigo 142 da constituição.

Na manchete da Folha se lê “Ministro da Defesa, Braga Netto pede respeito às urnas e equilíbrio entre os Poderes” e quem desrespeita as urnas é Bolsonaro, falando em fraudes e dizendo ter prova que nunca apresenta, quem desrespeita o equilíbrio entre os poderes é o presidente que participa de manifestação pelo fechamento do STF e fala “eu não quero negociar nada’.

“As discussões a respeito do bioma Amazônia voltaram à temática nacional e internacional, mas os brasileiros que estão presentes na região sabem que a floresta continua de pé. Ninguém melhor que as Forças Armadas para conservá-la, exigindo a prontidão e um trabalho árduo e contínuo.”

E teve palavras ao antecessor que teve as nádegas chutadas pelo presidente:

“Ao senhor ministro da Defesa, general Fernando, por ter me indicado para o cargo, por sua liderança e exemplo, pela lhaneza no trato e consideração com que sempre me distinguiu. Pela orientação segura, judiciosa e oportuna e, sobretudo, pelo respeito, consideração e amizade que me permitiram o cumprimento de variadas missões em um ambiente de confiança, lealdade e sã camaradagem.”

Se era tão bom por que saiu, né?

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9. O Globo

Que fim miserável da Leda Nagle…

“O vídeo em que a jornalista Leda Nagle repercute a postagem de um perfil falso do diretor-geral da Polícia Federal sobre uma suposta conspiração do STF e de Lula no atentado contra Jair Bolsonaro em 2018 incendiou as redes bolsonaristas nesta segunda-feira. O vídeo de pouco mais de 2 minutos surgiu nas redes logo pela manhã, quando Leda leu os tuítes da conta falsa de Paulo Maiurino, já suspensa pelo Twitter, em uma live privada. “Minha Nossa Senhora do perpétuo socorro (…) Eu não sei o que fazer, fico tão assustada com isso tudo! Porque isso não é política, né? Isso é tudo, menos política”, disse a jornalista, depois de ler toda a postagem falsa em nome de Mairuino.” [Folha]

“Imediatamente, foram disparadas mensagens em massa reproduzindo a fake news, e apontando Leda Nagle como a responsável pela suposta apuração. “A ordem para matar Bolsonaro partiu do STF e Lula! Diretor da Policia Federal Paulo Maiurino fez declaração que pode provocar uma intervenção no país, assistam! Fonte: Jornalista Leda Nagle”, diz um texto replicado em vários grupos. No início da tarde, Polícia Federal informou que o perfil do diretor, Paulo Maiurino, havia sido falsificado. Leda Nagle chegou a se desculpar publicamente por ter divulgado a informação falsa, mas era tarde. A narrativa da conspiração foi multiplicada ao longo de todo dia, acompanhada de memes e reproduções de mensagens com apelos por uma ruptura institucional e ataques críticas ao STF e ao PT. Numa delas, Adélio Bispo, preso pela facada que deu em Bolsonaro durante a campanha de 2018, aparecia dizendo “eram 11, mas só um deu a ordem”. “Estamos neste momento em guerra. Conforme o chefe da Polícia Federal, foi o STF quem mandou matar Bolsonaro. Exigimos o fechamento e a prisão de todos os membros do STF que estão por trás desse crime”, escreveu um bolsonarista em caixa alta. “As suspeitas de envolvimento do STF na tentativa de assassinato do presidente, se confirmadas, poderão levar a uma reviravolta completa na atual organização política do Estado Brasileiro. E muitas, muitas prisões serão efetuadas”, apostou outro apoiador do presidente, com mais de 10 mil seguidores no Twitter, em publicação replicada em vários grupos do WhatsApp. No Telegram, um áudio apócrifo contava sobre um suposto relato do senador Roberto Rocha (PSDB-MA) e de um integrante “barra pesada” do Gabinete de Segurança Institucional que “revelava” outros mandantes da falsa conspiração: Jean Wyllys, José Dirceu e Fernando Henrique Cardoso.”

Ressuscitaram até o FHC!

“À noite, quando diversas reportagens denunciando as fake news já haviam sido publicadas, o teor das postagens se inverteu. Aí, o link mais compartilhado era o de uma postagem em um site bolsonarista acusando “gabinete de ódio” da esquerda de “linchar” Leda Nagle e promover fake news a respeito dela. Em outro vídeo bem popular, o jornalista Alexandre Garcia, também ligado a Bolsonaro, defende a colega. “A ironia disso é que muita gente que está caindo de pau sobre ela inventa notícia todos os dias. Não tem moral para gozar alguém que foi enganada.” Junto com as postagens, uma mensagem bastante reproduzida dizia: “Leda Nagle, o Brasil te Ama”.”

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10. “Conhecereis a verdade e…

O Brasil segue em marcha militar rumo a algum século passado:

“Pela primeira vez em 20 anos, o Brasil entrou na “zona vermelha” do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, divulgado nesta terça-feira (20). O país está classificado, ao lado de Bolívia, Nicarágua, Rússia, Filipinas, Índia e Turquia, como uma nação onde a situação para o trabalho da imprensa é considerada difícil. “Consideramos que é uma posição indigna de uma grande democracia como o Brasil”, disse à Folha Emmanuel Colombié, diretor regional para a América Latina da ONG Repórteres sem Fronteiras.” [Folha]

“Antes, o Brasil antes estava na zona laranja, onde a situação da imprensa é considerada sensível. O país teve uma queda de quatro posições no ranking, passando da 107ª colocação para a 111ª, em relação ao ano passado. É o quarto ano consecutivo de queda do país, que em 2018 estava na 102ª posição. Segundo Colombié, o Brasil já enfrentava problemas estruturais no campo da liberdade de expressão. É o segundo país da América Latina com o maior número de profissionais de imprensa mortos na última década, atrás apenas do México. Além disso, segundo ele, a mídia brasileira ainda é muito concentrada, o que prejudica o pluralismo, e o sigilo das fontes é regularmente ameaçado, com jornalistas se tornando alvos de processos judiciais abusivos. Mas o trabalho da imprensa brasileira tornou-se muito mais difícil desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, diz a ONG. “O presidente Bolsonaro, seus filhos que ocupam cargos eletivos e vários aliados dentro do governo insultam e difamam jornalistas e meios de comunicação quase que diariamente, escancarando o desapreço pelo trabalho jornalístico”, afirma o relatório. “Esses ataques seguem uma estratégia cada vez mais estruturada de semear desconfiança no trabalho dos jornalistas, de destruir a credibilidade da imprensa como um todo e, gradualmente, construir a imagem de um inimigo comum; essa imagem que já foi introjetada pelos seguidores do presidente e mancha as redes sociais com linchamentos online de profissionais da mídia e veículos de comunicação. Além de incitar o ódio, a estratégia foca evitar que essas autoridades tenham que prestar contas à sociedade sobre o que as notícias trazem à tona.” Publicada anualmente desde 2002 pela RSF, a pesquisa avalia as condições para o exercício do jornalismo em 180 países, analisando pluralismo, independência das mídias, ambiente e autocensura, arcabouço legal, transparência, qualidade da infraestrutura de suporte à produção da informação e violência contra a imprensa. Pelo quinto ano consecutivo, a Noruega aparece em primeiro lugar. A Finlândia vem em segundo, seguida de Suécia e Dinamarca. Os países com a pior classificação são Eritreia (180), Coreia do Norte (179), Turcomenistão (178), China (177) e Djibuti (176).

O ranking de 2021 aponta uma tendência generalizada de aumento dos obstáculos para o trabalho jornalístico no mundo, por causa da crise sanitária ou tendo a pandemia de Covid-19 como pretexto. A zona branca do ranking, de países que têm uma situação ótima ou muito satisfatória para o exercício do jornalismo, nunca esteve tão reduzida —apenas 12 dos 180 países, ou seja, 7% (comparado a 8% em 2020). A China continua a impor censura e vigilância na internet e na imprensa em geral, e mantém-se na zona mais crítica do ranking, que aparece em preto. O país que teve a maior queda no ranking foi a Malásia, que despencou 19 posições após um decreto “anti-fake news” que “concede ao governo o poder de impor sua própria versão da verdade”. Na América Latina houve deterioração generalizada da liberdade de imprensa, e, com a pandemia, os governos da região criaram sérias dificuldades de acesso às informações. “O negacionismo adotado por diversos dirigentes autoritários, como Jair Bolsonaro, no Brasil, Daniel Ortega, na Nicarágua, Juan Orlando Hernández, em Honduras, e Nicolás Maduro, na Venezuela, tornou a tarefa dos meios de comunicação especialmente difícil”, diz o relatório. No Brasil, segundo Colombié, a pandemia deu origem a novos ataques do presidente contra a imprensa, que ele rotula como responsável pela crise e que tenta transformar em bode expiatório, para desviar a atenção de sua gestão desastrosa da crise sanitária, que já deixou mais de 350 mil mortos. “Até o momento, nada indica que o ‘sistema Bolsonaro’ vá interromper sua lógica de ataques e sua operação orquestrada para desacreditar a mídia”, diz Colombié. “O desafio para a imprensa brasileira é imenso; o caminho para enfrentá-lo é ter coragem e resiliência para seguir levando informações confiáveis ao público e, assim, recuperar a confiança no jornalismo de qualidade.””

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11. Vagabundo

“O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário, afirmou nesta terça- feira que o presidente Jair Bolsonaro gastou 2,3 milhões “fora do local costumeiro” e não estava de férias entre 18 de dezembro e 5 de janeiro quando viajou para São Paulo e Santa Catarina. O ministro prestou esclarecimentos sobre a viagem de fim de ano na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. Rosário justificou que Bolsonaro não passou o comando do país ao vice-presidente Hamilton Mourão e trabalhou normalmente durante o período que deixou o Planalto. — O presidente da República despachou diariamente com todos seus ministros e assessores e também só nesse período assinou um decreto sete medidas provisórias, sancionou seis projetos de lei. Então, só por aí a gente entende que o presidente da República não estava de férias, ele estava a trabalho no local fora do local costumeiro, onde ele realiza as suas atividade — disse o ministro.” [O Globo]

Bem, quem disse que tava de férias foi o prórpio presidente, porra!”

Ah, gastou milhões nas férias. Vai ter mais férias para ser gasto; fiquem tranquilos” [Estado de Minas]

Mas voltemos à constrangedora CGU:

“O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) questionou a justificativa de férias, afirmando que o presidente “não anda com uma medida provisória a tiracolo”. — Viagem ao Guarujá durante o Ano Novo não é pra despachar, me desculpe senhor ministro, mas é férias — disse Kataguiri, lembrando que a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pra garantir o sigilo dos gastos do cartão corporativo. As despesas questionadas são relativas às idas de Bolsonaro a São Francisco do Sul, no litoral catarinense, entre 19 e 23 de dezembro, e ao Guarujá, no balneário paulista, entre 28 de dezembro e 4 de janeiro, incluindo o Réveillon. O presidente foi criticado porque, durante o período da viagem com custo alto, a crise sanitária e financeira causada pela pandemia da Covid-19 voltava a se agravar no país. Rosário respondeu que quem não estivesse satisfeito com a explicação que tentasse aprovar uma lei no Congresso “proibindo” o presidente de sair do Palácio do Planalto. Ele explicou que no cartão corporativo 70% dos gastos foram com hospedagem,porque com a pandemia de Covid-19 os seguranças ficaram em quartos separados, o que dobrou o gastos. — Por que tem que dormir no quarto separado se eles estão sem a máscara no dia a dia de convívio? — perguntou o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ). — Quero deixar claro que não acompanho a segurança do presidente, não sei se eles usam máscara, ou não usam máscara — respondeu Rosário, acrescentando que se o governo não tivesse tomado medida preventiva também estaria sendo questionado. Os cartões corporativos são usados para despesas, prestação de serviços e abastecimento de veículos oficiais, por exemplo. Há sigilo sobre despesas consideradas de segurança nacional, como a alimentação e o transporte do presidente. No caso do uso da aeronave usada para o descolamento na viagem, que teve uma despesa de cerca de R$ 1,2 milhão, segundo a CGU o recurso seria gasto mesmo com o avião parado. — São gastos que seriam realizados com ou sem a viagem se nós olharmos praticamente a aeronave presidencial ela tem que decolar dia sim, dia não, pra fins de manutenção — afirmou. O ministro-chefe da CGU negou irregularidades afirmando que as viagens do presidente são fiscalizadas e, em caso de alguma divergência existe um órgão de controle interno responsável pela Presidência da República que irá tomar as medidas cabíveis , assim como o Tribunal de Contas da União (TCU) — O que a CGU fez? Qual o procedimento que abriu? Não tem que abrir procedimento se não tem irregularidade — garantiu.”

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Alesp vota projeto para proibir campanhas com pessoas LGBTQIA+
Aquele cheirinho de século 19…

Crônica do Brasil assassinado
“No prefácio à reedição do livro hoje clássico, Chico Felitti nota que os personagens-narradores sofrem de claustrofobia: “Estão presos em costumes e tradições que não cabem mais. Estão presos em desejos que não podem nunca sair do coração deles”. A chácara dos Meneses, onde se desenrola a ação do romance, isolada e decadente, concentra todas as “pautas de costumes”. No bojo da educação domiciliar, da flexibilização do porte de armas, do estatuto da família, brotam o ciúme, a violência, a loucura, os ressentimentos, as perversões. Imoral e sem vergonha, a obra de Lúcio Cardoso, seis décadas depois da sua publicação, nunca foi tão atual e necessária para se entender a crônica do país que está se assassinando.”

Em liberdade, Fabrício Queiroz é flagrado em visita a sede governo do Rio
“O policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi visto no estacionamento do Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro na semana passada. Procurado, o advogado Paulo Emílio Catta Preta, que representa Queiroz, disse que ele não iria comentar o episódio. A coluna também recebeu imagens dele sentado dentro de um carro no local. O governador em exercício Cláudio Castro, novo chefe do Executivo, é aliado de Flávio Bolsonaro e do presidente Jair Bolsonaro. O governo disse que não há registro de entrada dele no prédio do Palácio Guanabara. “O local é um complexo onde trabalham cerca de 1.800 pessoas”, informou o governo, por nota.”

Dias 836 a 839 | Tão perdido que tá comparando Lula a Jesus | 15 a 18/04/21

Podcast tá de volta amanhã. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. A sexta que não saiu

Não teve post sexta então esse tópico é um resumo frenético do dia:

“Realmente, alguma coisa muito errada vem acontecendo há muito tempo no Brasil. Só digo uma coisa: só Deus me tira da cadeira presidencial e, me tira, obviamente, tirando minha vida”

Bem, se só Deus tira ele de lá preciso fazer um parênteses para essa fala de hoje:

O Malafaia:

No Way Do Not Want GIF

Caralho, imagina a mente dos religiosos que afundaram o 17 ouvindo isso, o Messias comparou seu maior rival à Jesus, porra! O sujeito se elege com “Deus acima de tudo” e faz de Lula um Jesus

E o derrotismo do Bolsonaro é lindo de ver:

“Se o Lula voltar, pelo voto direto, pelo voto auditável, tudo bem. Agora veja qual vai ser o futuro do Brasil com o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da Presidência. Se o Lula for eleito, em março de 2023, ele vai escolher mais dois ministros para o STF”

Imagine, um presidente que não fala em um ministro terrivelmente religioso e soa como se não estivesse no século 18!

Bolsonaro falou sobre a decisão do STF pedindo que Lira se pronuncie sobre o impeahcment em 5 dias:

“Vamos ver qual encaminhamento o Lira vai dar no tocante a isso. Não quero me antecipar, falar o que acho sobre isso aí. O que estamos vendo acontecer no Brasil não vai se concretizar, mas não vai mesmo… Não vai mesmo”

Quando a pessoa precisa falar a mesma coisa 3 vezes é porque não tá com moral.

“O presidente Jair Bolsonaro disse, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada nesta sexta-feira, 16, que pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que leve à próxima reunião do conselho criado para discutir o combate à Covid-19 a relação das mortes no Brasil por outras causas que não sejam o coronavírus, porque, segundo ele, “não morre mais ninguém” de certas doenças.”

Imagine, o sujeito é presidente da republica e fica mendigando dados que qualquer jornalista consegue sem muito esforço.

O pedido, segundo ele, foi feito em reunião do comitê criado com representantes do Executivo e do Congresso para discutir ações contra a pandemia. “Eu pedi em público ali para o ministro da Saúde para, na próxima reunião nossa do conselho, apresentar nos últimos 25 anos quantas pessoas morreram de cada doença. Têm certas doenças que não morre mais ninguém”, disse. O presidente ainda acrescentou que “nós sabemos que esse vírus está matando”, mas que é necessário ter um “número concreto” e questionou não ser anunciado o número de pessoas “salvas”. O presidente também voltou a atacar a política de lockdown e a defender o chamado “tratamento precoce”, baseado no uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. Segundo ele, houve uma criminalização da terapia. “Estão processando o ministro da Saúde nosso por causa da cloroquina”, disse, referindo-se ao ex-titular da Saúde, o general Eduardo Pazuello. “Cloroquina é usada aqui há muito tempo para malária, entre outras coisas. Não existe excesso de produção nessa parte. Muito pelo contrário, até ia faltar, disse”. Além disso, Bolsonaro criticou aqueles que não apoiam o uso de medicamentos do “tratamento precoce’. “Isso não dá certo, dizem. Idiota, o que dá certo? O cara é um jumento, fica falando lá: a ivermectina não pode, não sei o que não pode, não tem comprovação cientifica. Não tem alternativa, deixa o cara tomar”, disse. E aproveitou para atacar os adversários. “A ivermectina mata verme também, né? Então é por isso que a esquerda não gosta”.” [Veja]

Um grande show de equilíbrio e institucionalidade.

“Estão deixando de plantar porque bares, restaurantes, o comércio está fechado em grande parte. Então não tem saída, estão deixando de plantar. Quando voltarem a plantar, vai demorar um pouco para voltar à normalidade, e o preço vai lá para cima. Quem é o patife que vai me culpar pela inflação?”

Imagine, a inflação atinge mais as pessoas mais pobres, esses são os primeiros a sentir e a reclamar da inflação, e na opinião presidencial são patifes.

Passo ao Vinícius Torres Freire:

“Jair Bolsonaro insinua que começou uma campanha decisiva pelo seu impeachment. Que os governadores conspiram para criar até uma inflação, a fim de derrubá-lo. Que é preciso extirpar “um câncer” para o Brasil voltar à normalidade. Que está chegando o momento de um “ponto de encontro”, dado o “jeito que as coisas estão acontecendo”. Critica Supremo e governadores. Assim, “dentro das quatro linhas da Constituição”, o governo vai “restabelecer a ordem no Brasil”. Foi o que Bolsonaro pareceu dizer no seu vídeo semanal (“live”) desta quinta-feira (15). “Pareceu”, porque Bolsonaro tem recorrido mais a idiotias sibilinas, para nem mencionar todas as suas inimizades com o pensamento, seu português menos do que rudimentar e sua perturbação psicológica. De qualquer modo, pareceu se tratar do início de uma campanha de reação a CPI, a pressões do Congresso, à crise do Orçamento e a menções a impeachment, que não vai acontecer, mas tem saído da boca do pessoal do centrão, como ameaça. No Planalto, um ministro diz que Bolsonaro “não está ameaçando golpe coisa nenhuma”. No entanto, o presidente vai começar uma campanha para “restabelecer a verdade e a lei”, em “viagens e manifestações pelo Brasil e também por meio de providências legais cabíveis” a fim de mostrar à população a “armadilha” em que colocaram o país, a economia e o presidente. Nas redes sociais, as milícias bolsonaristas soltavam a campanha #EuAutorizoPresidente”, uma resposta ao recado reiterado nos últimos dias por Bolsonaro e também no vídeo semanal: “A população é quem dita os rumos da nossa nação”. No vídeo, Bolsonaro menciona o artigo 5º da Constituição, que enumera quase 80 direitos individuais.

Dado o contexto e como Bolsonaro não tem apreço por quase nenhum dos incisos do artigo 5º, pareceu se referir vagamente ao direito de locomoção e a “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. “Infelizmente, por decisão do STF, alguns governadores e pouquíssimos prefeitos têm, na canetada, ignorado, jogado no lixo o artigo 5º da Constituição. A população é quem dita os rumos da nossa nação”, disse na “live”. Bolsonaro reagiu irado ao pedido de Cármen Lúcia, do Supremo, para que Artur Lira, presidente da Câmara, explique porque mantém na gaveta pedidos de impeachment presidencial na gaveta. Diz que vai conversar com Lira e insinuou que a decisão de Cármen Lúcia faz parte de “uma coisa de errado vem acontecendo há muito tempo no Brasil”. Seja como for, diz que só sai morto da Presidência. Para completar a exposição de suas agonias e paranoias, mencionou a ameaça Lula da Silva. Caso vença a eleição, o ex-presidente pode escolher mais dois ministros do Supremo, por exemplo, alerta Bolsonaro. Lula até pode ser eleito, mas em uma eleição com “voto auditável”. Bolsonaro disse também que, com o fim de restrições a movimentos e negócios, com a reabertura da economia, virá mais inflação, em especial nos alimentos, o que seria uma campanha de governadores para prejudica-lo. Pois é. Quando se sente acuado, Bolsonaro costuma: 1) fazer ameaças autoritárias, como nos comícios golpistas de 2020; 2) dizer que um tumulto socioeconômico próximo vai obriga-lo a tomar medidas de exceção ou ao menos excepcionais; 3) adquirir apoio do centrão; 4) prometer acordos de paz com os Poderes, farsas como o “comitê nacional” da Covid. Sejam bravatas ou sejam golpeamentos, parece que Bolsonaro está inclinado a adotar a alternativa um do seu arsenal de abjeções.” [Folha]

Passemos aos malditos, o comandante da Marinha deu uma entrevista ESPANTOSA, senhoras e senhores! A primeira pergunta versou sobre a TRAUMÁTICA derrubada do ministro da defesa e do comandante das três forças, dumas vez só.

“Foi uma surpresa, mas não foi um trauma. É um processo normal de mudança. As mudanças ocorrem em função de um contexto.” [Época]

O almirtante diz que não há feridas na Marinha mas disz que não pode dizer o mesmo de Exército e Aeronáutica “porque cada Força tem o seu jeito.”

“Estive com o presidente no Planalto na cerimônia de cumprimento aos oficiais-generais recém-promovidos. Estávamos todos lá. Os que deixaram o cargo e os que iam assumir. Somos todos homens maduros. “

Aham, Bolsonaro é duma maturidade comovente!

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O Almirante é perguntado se há algum incômodo com Bolsonaro dizendo aguardar sinalização do povo para agir:

“De jeito nenhum. O QUE INCOMODA A MARINHA É TER POUCO ORÇAMENTO, ter pouco navio, não ter mais oportunidade de apoiar a população brasileira.”

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Olha a resposta para a ppergunta “Esses arroubos do presidente não causam desconforto?”

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“Não são conosco.”

E olha a contradição:

Ele fala com a população como um todo. Ele tem uma grande base eleitoral. Como cidadão, vejo os números de pesquisa apresentados. Dois anos de mandato é um momento crítico para todo presidente. Temos uma pandemia. E, ainda assim, ele tem uma grande base que o acompanha nas redes sociais, que o recebe nos locais a que ele vai. Então, ele fala para o eleitorado dele, com as bases dele.”

Primeiro ele fala com a população como um todo, depois ele diz que fala para o eleitorado dele, como se candidato fosse. E ao que parece ameaça de golpe pra base eleitoral tá de boa…

O jornalista lembra que Em muitas das falas parece que ele quer mostrar que está respaldado pelas Forças Armadas para o que quiser fazer, não?”

“O presidente fala com base na sua autoridade legal e constitucional. Ele ordena e as Forças Armadas cumprem dentro da legalidade constitucional, dentro das quatro linhas da Constituição. Essas outras considerações e ilações, eu não acho que elas estejam ligadas a este contexto.”

A jornalista questiona trecho de seu discurso de posse, depois do presidente falando por aí em “MINHAS Forças Armadas”, “MEU Exército” ele enfileirou essa palavras: “viva a minha, a sua, a nossa Marinha do Brasil!

“Eu adoraria que todos os brasileiros se referissem à minha Marinha. É isso que nós somos. A Marinha não é do Garnier. Não é de ninguém. Ela é de todos nós. Eu não vejo nada demais. Vejo como uma coisa positiva, de cidadania, de patriotismo, civismo. É bom que o povo se sinta assim. Mas, ao mesmo tempo, tem outro fator, já que você mencionou a fala do presidente. O presidente teve uma vida no Exército, talvez menor do que teve na política. Mas, é meio natural ele falar “o meu Exército”.”

E MINHAS Forças Armadas?! Vai ver é naturalíssimo também.

“O presidente foi eleito democraticamente. Que golpe é esse? Não consigo entender.”

Disse alguém que jura não ter havido golpe em 64. E esse auto-holpe foi explicado na TV, por um general que vem a ser o vice-presidente da república!

“Mas, também, não é meu papel entender. Meu papel é fazer o que venho fazendo aqui, reunindo com os demais membros do almirantado, planejar as próximas ações da Marinha, continuar o grande trabalho que o almirante Ilques (Barbosa) vinha fazendo.”

Ilques não deu UMA MÍSERA declaração política, já o novo copmandante. Mas sempre lembrando que o Ilques assinou as ordem do dia de 31 de março nesses dois anos de governo.

“As Forças Armadas são as instituições mais bem avaliadas por todas as pesquisas que vi até hoje, por uma razão muito simples: nós cuidamos do povo. Essa questão me parece que fica apenas sendo discutida em alguns grupos, em algumas camadas estratificadas da sociedade, onde há a clara e nítida intenção de debates políticos, talvez ideológicos. Mas, quando a poeira baixar, a sociedade continuará vendo as Forças Armadas como o que elas são. Elas são a garantia da soberania da nação. Elas são a proteção das riquezas e o cuidado do povo. A Marinha exerce uma série de ações cívico-sociais. O Exército e a Aeronáutica também. E isso é o que realmente fica. O resto é espuma de chope.”

Nem fodendo, nem fodendo!

E o ARROMBADO ainda achou de bom tom se pronunciar sobre a porra duma CPI ordenada pelo Judiciário, tocada pelo Legislativo e q investiga o Executivo!

“Não tenho bagagem para tratar desse assunto. Contudo, uma coisa é certa: compete ao parlamento fiscalizar o Executivo. Vejo que é uma oportunidade de o governo apresentar o excelente trabalho que vem sendo feito. Não há nada que eu, como cidadão, veja dessa questão.

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E é a porra dum comandante das forças armadas, caralho, não tem que se meter em política como se fosse comentarista de TV, porra, um almirante! E ainda mete essa aqui ó:

“Mas não sou a pessoa qualificada para avaliar isso. Não tenho essa bagagem. Tenho 950 dias de mar e zero de Congresso Nacional.””

O Brasil é INACREDITÁVEL, Villas Bôas tá orgulhoso. Para sempre MALDITOS!



Passemos ao STF:

“O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques rejeitou nessa 5ª feira (15.abr.2021) o pedido do senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) para obrigar o Senado a abrir processo de impeachment contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes.” [Poder360]

E o Boslonaro gargalhou quando soube que a relatoria tinha caído com Kassio..

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“Em sua decisão, Nunes Marques disse que “cabe ao Poder Legislativo, e apenas a ele, dirigir o processo de impeachment”. O processo de afastamento só pode avançar com autorização do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e depende da aprovação da maioria dos senadores. “Esta Corte tem considerado que a atuação do presidente do Senado e da Mesa Diretora em processo de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal não é meramente burocrática, mas sim uma atividade propriamente de exame preliminar de conteúdo, de modo a evitar que o plenário seja chamado a avaliar todo e qualquer requerimento, inclusive aqueles manifestamente infundados”, escreveu o magistrado. “Não cabe ao Judiciário emitir pronunciamentos para acelerar ou retardar o procedimento, dado que não existem prazos peremptórios a serem cumpridos para a sua instauração.””

Passemos à CPI, os bolsonaristas trataram a posse do Lira e do Pacheco como o início, de fato, do mandato presidencial, como se toda a culpa fosse do comunista Rodrigo Maia, justamente o maior responsável pela aprovação das paitas econômicas.

“Jair Bolsonaro tem percebido um crescente afastamento de Rodrigo Pacheco nas últimas semanas. Não o considera um adversário, mas movimentos recentes já não fazem Pacheco ser considerado um aliado. O Planalto já não havia gostado da campanha pela demissão de Ernesto Araújo. A postura na instalação da CPI da Pandemia deu certeza sobre a mudança de tom. Acharam ruim Pacheco não operar para atrasar a leitura do requerimento. Um ministro próximo a Bolsonaro avalia que Davi Alcolumbre teria sabido matar a CPI.” [Época]

O Alcolumbre:

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E ninguém achou uma boa idéia colocar uma mulher na CPI, sabe como é, nem pra afetar alguma razoabilidade os caras se prestam:

“Os grupos partidários não indicaram senadoras mulheres para as 11 vagas titulares e 7 suplentes da comissão que vai apurar as “ações e omissões” do governo federal diante da pandemia. A ausência de mulheres resulta em dois principais efeitos, segundo as cientistas políticas ouvidas pela BBC News Brasil. O primeiro é reduzir as chances de a CPI discutir os efeitos da pandemia e da atuação do governo federal diante dela para as mulheres, que foram atingidas de forma específica nas mais diversas esferas. O segundo é retroalimentar a baixa participação de mulheres em espaços de poder, já que parlamentares mulheres estarão de fora do que deve ser o principal palco político do país nos próximos meses. A falta de mulheres na comissão que vai tratar dos efeitos da pandemia no Brasil é marcante mesmo se comparada à baixa proporção de senadoras na Casa. Se a CPI tivesse uma composição que refletisse a proporção de mulheres eleitas para o Senado, teria 2 senadoras titulares e uma suplente. Dos 81 parlamentares em exercício no Senado, apenas 12 são mulheres (menos de 15%). A proporção é muito diferente das ruas: o número de mulheres (51,8%) na população brasileira supera o de homens (48,2%), segundo o IBGE.” [Folha]

Mais uma vitória do Lula:

“A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e a defesa do ex-presidente Lula classificaram como histórica a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (15) que manteve as anulações das condenações do petista na Lava Jato e o liberou para disputar as eleições de 2022. “Ele está feliz com a decisão, diria que está de alma lavada”, afirmou à Folha a deputada federal pelo Paraná. “Ele foi quem resistiu, quem lutou por isso desde o início. Sempre lembro de ele dizer que não trocava jamais sua dignidade pela liberdade”, completou Gleisi. Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska T. Z. Martins afirmaram se tratar de “mais uma decisão da suprema corte que restabelece a segurança jurídica e a credibilidade do sistema de Justiça do nosso país”. “A incompetência da Justiça Federal de Curitiba é afirmada por nós, advogados do ex-presidente Lula, desde a primeira manifestação escrita protocolada em Curitiba, em 2016, e foi sustentada em todas as instâncias do Poder Judiciário até chegar ao Supremo Tribunal Federal”, disse a defesa.” [Folha]

Mais um choro do Deltan do Powerpoint:

O procurador Deltan Dallagnol, que comandou a força-tarefa da Lava Jato, afirmou que a decisão do STF “expõe uma face de um sistema de justiça criminal disfuncional”. Segundo ele, se o caso de Lula tivesse tramitado em Brasília, teria sido anulado também. “O desenho do sistema brasileiro o torna um jogo de perde-perde para a sociedade”, escreveu em rede social. “Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come. Não havia como desenvolver um processo que não fosse anulado, o que favorece a prescrição e a impunidade —o sistema de justiça é extremamente irracional, para a frustração de quem busca justiça no país da corrupção”, disse Deltan. O procurador afirmou que, em casos complexos, como os de corrupção e lavagem de dinheiro, “os fatos são praticados usualmente em diferentes lugares” e que “isso permite construir argumentos que justificam a competência de diferentes locais ou mesmo diferentes ramos de Justiça”. “O apego a argumentos técnicos sobre competência territorial, que sempre podem ser formulados em diferentes direções, gira a roda de um sistema irracional que favorece a impunidade e desfavorece a Justiça”, completou.

Salles na mira:

“O sub-procurador geral do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Lucas Rocha Furtado, protocolou uma representação pedindo que a corte de contas avalie o afastamento cautelar do ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo UOL. O pedido tem como base a notícia-crime encaminhada pela Polícia Federal do Amazonas ao STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de quarta-feira (14) alegando que Salles interferiu no Ibama com objetivo de atuar em favor de investigados da Operação Handroanthus GLO, no final do ano passado, a qual havia levado a uma apreensão recorde de madeira ilegal na região amazônica. O pedido de Furtado é por uma medida cautelar, que se aprovada pelo TCU determinaria a Casa Civil da presidência da República a afastar temporariamente Salles até uma decisão sobre o mérito da questão. A inclusão do pedido na pauta do plenário depende da apreciação da presidente do tribunal, Ana Arraes. Na representação, o sub-procurador diz que a ‘manutenção do referido gestor à frente da pasta pode retardar ou dificultar a realização da apuração dos fatos ora questionados, causar novos danos ao meio ambiente (patrimônio público), interferir indevidamente na Operação Handroanthus GLO, da Polícia Federal, bem como inviabilizar a cobrança das multas decorrente de infrações ambientais acima comentadas”.” [UOL]

Pra surpresa de ninguém:

“Os resultados dos setores de comércio e serviços em janeiro e fevereiro completaram um ano de pandemia na economia surpreendendo positivamente a maior parte dos economistas. As expectativas para os meses seguintes, no entanto, são de nova piora, reflexo do agravamento da crise sanitária, provocando um “efeito-sanfona” capaz de frear a retomada. Essa dinâmica de retomada econômica seguida por novos períodos de fechamento e queda na atividade tem dificultado o planejamento das empresas, que operam em compasso de espera. Dado o nível atual de incertezas, as projeções do mercado para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre têm variado entre uma queda de 0,5% e um crescimento da mesma magnitude. Nesta quinta (15), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o setor de serviços cresceu 3,7% em fevereiro, mais que o dobro do projetado pelo mercado. Com isso, o setor voltou ao nível pré-crise, que já havia sido alcançado pelo comércio e pela indústria em setembro do ano passado. A recuperação, no entanto, é desigual, e já se espera nova retração. A projeção da XP, por exemplo, é de queda de 4,2% no resultado dos serviços em março. Rodolfo Margato, economista da XP, afirma que enquanto os serviços prestados às empresas estão se recuperando em ritmo moderado, aqueles prestados às famílias continuam a sofrer com medidas de isolamento social, inflação e menor renda disponível. Para ele, esses segmentos devem se recuperar de forma consistente apenas após avanços adicionais na campanha de imunização contra a Covid-19. Tantas incertezas tornam inviáveis planos de médio a longo prazo, segundo economista Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP. As dificuldades, que já existiam no ano passado, estão mais graves neste ano. “Previsibilidade é algo que daria um norte aos empresários, mas agora você tem que considerar vacinação, câmbio, questões políticas, Orçamento da União e se vai ou não romper o teto de gastos”, afirma.” [Folha]

E eles acham que os americanos vão cair em discursinho:

“O governo Jair Bolsonaro avalia anunciar o aumento da verba destinada ao Ministério do Meio Ambiente durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, entre os dias 22 e 23 de abril. Em carta enviada a Biden nesta quarta-feira (14), Bolsonaro se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal no Brasil até 2030, mas o governo americano pressiona por medidas concretas que mostrem o caminho para atingir essa meta e pede resultados parciais ainda neste ano. Segundo pessoas envolvidas nas negociações, a nova alocação de recursos seria disponibilizada aos órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio (Instituto Chico Mendes), que foram esvaziados sob a gestão Bolsonaro e têm relatado falta de dinheiro, inclusive para pagar contas básicas, como o deslocamento de fiscais para trabalho de campo. O plano de aumento do aporte ainda está sendo discutido e depende da chancela do Ministério da Economia, que resiste em assumir novas despesas em meio à crise fiscal e à pandemia de Covid-19. Bolsonaro foi orientado pelos setores mais moderados de seu governo a enviar a carta a Biden dias antes da cúpula, na tentativa de “virar o jogo” com compromissos mais assertivos e reverter a percepção negativa sobre sua participação no encontro. Alinhadas à Casa Branca, lideranças internacionais pressionam por um comprometimento claro do Brasil com a proteção do meio ambiente em meio aos altos números de queimadas e desmatamento no país. Do lado brasileiro, o financiamento para a preservação da Amazônia se tornou um dos grandes pontos de tensão nas negociações com os EUA na preparação para a cúpula. Desde o fim do mês passado, Casa Branca e Departamento de Estado pedem um plano ambicioso e real sobre mudanças climáticas por parte do governo brasileiro, mas condicionam qualquer tipo de ajuda financeira a resultados concretos. Salles, por sua vez, insiste na ideia de que o Brasil se comprometeria com números apenas se recebesse dinheiro antecipado de países estrangeiros, o que desagrada os americanos. O ministro chegou a pedir US$ 1 bilhão até 2021 em reunião com autoridades dos EUA e, como revelou a Folha, mostrou uma imagem de um cachorro em frente a um forno com frangos assados para ilustrar o que chamou de “expectativa de pagamento.” Salles avalia que o Brasil também precisa receber recursos de compensação de preservações já feitas, como a redução de 7,8 bilhões de toneladas de carbono de 2006 a 2017. Na carta a Biden, Bolsonaro diz que alcançar a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030 —que já havia sido estabelecida pelo Brasil em 2015, no âmbito do Acordo de Paris— “exigirá recursos vultuosos e políticas públicas abrangentes”, mas auxiliares do presidente brasileiro dizem saber que essa ajuda virá “à medida que concretizarmos compromissos assumidos”.”  [Folha

E certo tá o Raoni:

“Durante ato virtual nesta quinta-feira (15), o cacique Raoni Metuktire, 91, enviou recado a Joe Biden e pediu que ele ignore o presidente ruim, Jair Bolsonaro. “Não sei falar o seu nome, o senhor [Biden] já deve ter ouvido falar de mim. Sempre lutei pela floresta e os presidentes anteriores me ouviram. Espero que me escute também. Somente este presidente está contra mim. Se esse presidente ruim falar algo para o senhor, ignore-o e diga: Raoni já falou comigo”, diz o cacique. “Ele está incentivando o garimpo, madeireiro. Quero rio limpo, a floresta em pé. Para que nos odiar tanto? Não quero ver ninguém derrubando a floresta”, disse Raoni no ato “Emergência Amazônica: Em Defesa da Floresta e da Vida”, completa. Liderança da região do Xingu, o cacique é conhecido no mundo todo pela defesa dos direitos dos povos indígenas. Seu verdadeiro nome é Ropni (“onça”), e ele pertence aos Mebêngôkre do grupo Metyktire, mas ganhou fama mundial como líder dos Kaiapó.” [Folha]

Do Nelson de Sá

“NYT, Washington Post e outros não deram atenção, mas o Drudge Report levou à manchete o enunciado “Pfizer: terceira dose será necessária”, linkando o canal econômico CNBC. O CEO da farmacêutica americana afirmou há duas semanas, mas a emissora só transmitiu agora, que “provavelmente haverá necessidade de uma terceira dose entre seis e 12 meses” após as primeiras. [Folha]

Surreal como isso não foi notícia por aqui.

“Ô caraaaa!”, reclamaria o presidente:

“Dois pontos em especial chamaram a atenção de delegados experientes ouvidos pelo Painel nos primeiros atos do novo diretor-geral da Polícia Federal. O primeiro: a falta de preocupação de Paulo Maiurino para tomar decisões consideradas polêmicas, sem nenhum receio com a imagem do órgão ou crises internas. O segundo: a ausência de tato no tratamento com policiais nas medidas que tomou até agora. O chefe da PF promoveu mudanças em locais relevantes em apenas dez dias no cargo. Maiurino trocou o chefe do Amazonas após ele acusar o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) de tentar atrapalhar investigações sobre madeireiras. Mudou sem cerimônia também o comando de São Paulo, estado de João Doria (PSDB-SP), principal opositor de Jair Bolsonaro. A “coragem”, no entanto, é vista com ressalvas por delegados experientes, que afirmam que o excesso de confiança no cargo terminou mal em gestões passadas, como na de Fernando Segovia. Desde a saída de Sergio Moro (ex-Justiça), a PF convive com a desconfiança de uma interferência do presidente. Sobre o trato na efetivação das trocas, há reclamações. Alexandre Saraiva, do Amazonas, diz não ter sido avisado pelo chefe sobre sua saída. Dennis Cali, que estava em SP, foi tirado com menos de um mês do cargo e informado só depois de o substituto saber. O chefe de Santa Catarina soube pelos jornais.” [Folha]

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2. “O mundo acabaria

Agora sim passemos ao noticiário do fim de semana e dessa segunda, e abor com o Elio Gaspari e a melhor das comparações:

“No mesmo dia em que se noticiava a morte, na cadeia, do vigarista Bernard Madoff, que em 2008 foi apanhado num golpe de US$ 15 bilhões, Jair Bolsonaro disse que o Brasil se tornou “um barril de pólvora”: “estamos na iminência de ter um problema sério”. O que ele quis dizer com isso, não se sabe. Desde o ano passado, Bolsonaro acena com um Apocalipse. Ora falava em saques, ora advertia para o caos. Morreram mais de 360 mil pessoas, faltaram testes, vacinas, oxigênio e remédios. A desordem esteve no governo e os saques, quando ocorreram, atacaram a Bolsa da Viúva. Madoff também apostou no Apocalipse. Muito antes de ser apanhado, ele sabia que sua pirâmide explodiria e, preso, contou: “Eu queria que o mundo acabasse. Quando aconteceu o atentado de 11 de Setembro de 2001 eu achei que ali estava a saída. O mundo acabaria.”” [Folha]

Eis o humor presidencial, derrotado e implorando pelo livramento.

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3. Covid-17

Era para o Brasil ser modelo para o mundo, exportando vacina pra África e os caralhos, mas não…

“O Brasil virou um exemplo a ser seguido na pandemia. O país superou sua meta e vacinou mais de 88 milhões de pessoas. Quando a campanha começou, a maioria das doses necessárias já estavam nas mãos do governo federal, que tinha desde o ano anterior acordos para a compra de três imunizantes. O governo também lançou uma campanha contra os boatos que colocavam em xeque a eficácia e a segurança das vacinas. O resultado: mais de 45% dos habitantes já estão imunizados. Nenhum lugar do mundo vacinou tanto quanto aqui. Essa era a situação do Brasil em junho de 2010, três meses depois do começo da campanha de imunização contra a gripe suína, doença causada por uma variante do vírus H1N1 que causou uma crise global.” [Folha]

Repare no absurdo, pra H1N1 o governo comprou três imunizantes diferentes, mas pra porra duma PANDEMIA os milicos apresentaram um plano com UMA ÚNICA vacina!

“O Brasil chega agora, na luta contra a Covid-19, à mesma marca dos três meses de vacinação, mas em uma situação bem diferente. Pouco mais de 25 milhões de pessoas, cerca de 12% da população, receberam ao menos uma dose desde 17 de janeiro, e só 8,5 milhões, em torno de 4%, tomaram as duas doses necessárias. “A gente continua a ser um exemplo, só que o pior e não mais o melhor como a gente já foi”, diz Cristina Bonorino, integrante do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia. A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou a campanha de vacinação contra H1N1 e esteve à frente do Programa Nacional de Imunização entre 2011 e 2019, diz que a campanha atual é mais complexa. Isso porque as vacinas hoje são aplicadas em duas doses, em vez de uma como a para H1N1, e os imunizantes têm regimes diferentes de administração. Mas ela acredita que o país tinha o potencial de estar em uma posição melhor, porque a população quer se vacinar e toda a estrutura estava pronta para essa campanha. “É lamentável. Temos um programa que é referência, mas estamos na rabeira mundial, junto com países que não têm a menor capacidade de fazer vacinação por causa de questões política e erros estratégicos que levaram à escassez de vacinas”, diz Domingues. Os três especialistas ouvidos pela BBC News Brasil também concordam neste outro ponto: a falta de vacinas é uma consequência de decisões do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). O governo brasileiro apostou por muito tempo em um único imunizante, o da farmacêutica AstraZeneca, que foi desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido. Bolsonaro se recusou a comprar doses da CoronaVac, vacina criada pela chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, em meio a uma disputa política com o governador paulista, João Doria (PSDB). O instituto, ligado ao governo de São Paulo, diz que ofereceu em julho do ano passado 160 milhões de doses, mas não teve resposta. O presidente inclusive desautorizou o general Eduardo Pazuello depois do então ministro da Saúde anunciar em outubro a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. “Mandei cancelar”, disse o presidente. “Não compraremos vacina chinesa.” Seu argumento era de que só adquiriria vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ignorando que seu governo já tinha desde julho um acordo para adquirir a vacina de Oxford, que também não tinha sido chancelada pela agência àquela altura. O presidente também não quis comprar a vacina da Pfizer. A farmacêutica americana disse que ofereceu 70 milhões de doses em agosto. Bolsonaro se justificou dizendo que uma cláusula do contrato previa que o governo federal, em vez da empresa, se responsabilizaria por danos à saúde causados pelo imunizante, que usa uma tecnologia inédita em vacinas baseada em engenharia genética. “Se você virar um jacaré, é problema de você, pô”, ironizou o presidente, em meados de dezembro. Mas aí a vacina de Oxford atrasou. Erros na pesquisa obrigaram os cientistas a fazer mais testes, e a AstraZeneca teve — e ainda tem —dificuldades para produzir o que prometeu.”

Ainda apostou nos cavalos errados…

“Um outro acordo foi acertado com a Covax Facility, aliança liderada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para levar vacinas contra a covid-19 aos países mais pobres. Mas o governo brasileiro, que tinha a opção de encomendar doses suficientes para até 50% da população, optou pela cobertura mínima, de 10%. “O governo não encomendou as vacinas quando elas estavam sendo encomendadas por outros países. Não diversificou por achar que não era necessário. Só teve escolha errada. Não teve uma certa. Assim fica difícil”, diz a imunologista Cristina Bonorino. O governo federal agiu de maneira bem diferente uma década atrás. Luís Inácio Lula da Silva, então no fim do seu segundo mandato, anunciou a compra do de um imunizante do laboratório francês Sanofi Pasteur, que ainda estava sendo testado, em agosto de 2009. Fazia dois meses que a OMS havia reconhecido que o surto de H1N1 havia se transformado em uma pandemia. A nova variedade tinha sido identificada em abril daquele ano no México e nos Estados Unidos — no Brasil, os primeiros casos foram confirmados no início de maio. Um dia depois da OMS declarar a pandemia, a uma farmacêutica suíça, a Novartis, anunciou a produção de uma vacina contra a gripe suína. Isso só foi possível porque já existiam imunizantes contra a gripe comum, e os laboratórios só precisaram desenvolver versões que protegessem contra o novo H1N1. Os termos acertados entre o governo brasileiro e a Sanofi previam a importação de 18 milhões de doses. Depois, também a fabricação de mais 33 milhões de doses pelo Instituto Butantan, que tinha um acordo de transferência de tecnologia com essa empresa. Assim como hoje, com os imunizantes contra Covid-19, a vacina contra H1N1 também foi alvo de mentiras que circulavam pela internet e no boca-a-boca. O Ministério da Saúde disse na época que esses boatos eram “irresponsáveis” e lançou uma campanha para esclarecer que a vacina não causava autismo, paralisia, reações alérgicas potencialmente fatais, problemas neurológicos ou malformação do feto em gestantes, entre outras coisas. Não houve nenhum esforço deste tipo agora, pelo contrário. O próprio Bolsonaro já questionou a segurança e a eficácia das vacinas em mais de uma ocasião, mesmo depois de elas serem aprovadas pela Anvisa. Também já disse diversas vezes que não as tomaria, porque já tinha sido infectado, contrariando as recomendações das principais autoridades no assunto. “A grande falha do governo foi o negacionismo, de todas as vacinas. Não deram ouvidos à ciência. Agora, estamos sem vacina no pior momento da pandemia”, diz o imunologista Renato Kfouri. Foi “a maior vacinação que já aconteceu (no país)”, como disse o então ministro da Saúde José Gomes Temporão em uma entrevista coletiva na época.”

Do Celso Rocha de Barros:

“Os governistas gostam de dizer que o número de vacinados no Brasil é alto, se comparado ao de outros países. Até é, mas Bolsonaro não tem nada a ver com isso: 80% dessas vacinas são Coronavac, do Butantan de Doria, que Bolsonaro prometeu não comprar. Tente refazer o ranking só com as vacinas que Bolsonaro importou e veja em que posição estamos. Note que na hora de olhar para as vacinas aplicadas, os bolsonaristas gostam de usar os números absolutos (quantos foram vacinados), e não os relativos (a porcentagem da população vacinada, que é bem menor no Brasil do que em outros países). Mas na hora de olhar para o número de mortos, preferem usar os números relativos (mortos por milhão, em geral). Não é por acaso: no número absoluto de mortes, só estamos atrás dos Estados Unidos (que têm 100 milhões a mais de pessoas e muito mais velhos). Olhemos então para o ranking de mortes por milhão, o mais favorável a Bolsonaro. Mesmo neste ranking, só há 12 países piores do que nós (passamos os Estados Unidos outro dia).” [Folha]

Mais de duas centenas de países na nossa frente e Bolsonaro dizendo que a gente era modelo. E pior que seremos, somos uma aula magna do que NÃO se fazer numa pandemia, se bobear vai virar até gíria.

Entre eles há países com muito mais velhos do que o Brasil, como o Reino Unido e a Itália, e países pouco populosos (e também velhos) do Leste Europeu (em geral, com menos de 10 milhões de habitantes). A Covid-19, em especial em sua forma original, matava mais velhos do que jovens; é preciso, portanto, levar isso em conta na comparação entre países. Em 3 de fevereiro de 2021, o jornal Correio Braziliense publicou um estudo do pesquisador Marcos Hecksher, do Ipea, que calculou a probabilidade de um cidadão morrer de Covid-19 nos diferentes países, levando em conta tanto o tamanho do país quanto as características demográficas (número de idosos) de cada um. No geral, segundo o estudo, a chance de um brasileiro morrer de Covid-19 é de 3 a 4 vezes maior do que no resto do mundo. Foi o estudo de Hecksher que causou a proibição a pesquisadores do Ipea de discutir suas pesquisas com a imprensa sem autorização do governo. No ranking de Hecksher, o Brasil só aparecia melhor do que 9 países, a maioria na América Latina. O estudo, entretanto, compara os dados de 2020. A explosão de mortes no Brasil em 2021 foi muito pior do que no ano passado. Faz um mês que os brasileiros mortos por Covid-19 são cerca de 30% dos mortos pelo vírus no mundo. A população brasileira representa apenas cerca de 2,7% da população do mundo. Na comparação internacional, já devemos estar bem piores do que na medição do estudo censurado. Enfim, é sempre importante olhar os dados de vários lados, mas não há nenhum ângulo sob o qual o desastre brasileiro na pandemia não pareça imenso. O tamanho desse crime é consenso entre os pesquisadores internacionais. Até por coerência, Bolsonaro gostaria de torturar os dados. Mas no tribunal da ciência não existe anistia.

E olha essa confissão:

“Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) obtido com exclusividade pelo GLOBO, uma servidora do Ministério da Saúde que fez parte da comitiva enviada pela pasta a Manaus às vésperas do colapso no sistema de saúde do Amazonas diz que a transferência de pacientes para outros estados foi adiada até que houvesse “óbitos em ambulância”, falta de leitos e “colapso de oxigênio”.” [O Globo]

É inacreditável, o colapso era iminente e eles esperaram o pessoal morrer nas ambulâncias!

Uma reunião realizada entre integrantes do governo do Amazonas e do Ministério da Saúde discutiu a possibilidade de transferir pacientes com Covid-19 para outros estados no dia 12 de janeiro, dois dias antes de o sistema de saúde local entrar em colapso pela falta de leitos e de oxigênio hospitalar. Mesmo assim, a decisão de iniciar as transferências só foi tomada depois do dia 14, quando o sistema não suportava mais a demanda. Na ata da reunião, a indicação foi: “Essa decisão só será tomada em situação extremamente crítica”. O MPF investigava a possível omissão do governo federal e estadual no episódio. No depoimento, os procuradores questionaram Paula Eliazar sobre o motivo de o Ministério da Saúde e o governo do Amazonas terem esperado o colapso do dia 14 para só então iniciar as transferências e o que significava a expressão “situação extremamente crítica”, contida na ata da reunião. Em sua resposta, Paula, disse que essa situação seria aquela em que houvesse pacientes morrendo em ambulâncias, falta de leitos e colapso de oxigênio. — E a última estratégia que a gente tomaria… Era tirar os pacientes de dentro do estado para outros estados. A situação extremamente crítica é (ter) os hospitais todos superlotados onde a gente não tivesse nenhum leito para acolher essas pessoas, pacientes dentro de ambulâncias, indo a óbito e colapso de oxigênio — disse a servidora. Paula Eliazar prestou depoimento ao MPF na condição de testemunha. Ela foi uma das primeiras integrantes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FNS) a chegar a Manaus, no início de janeiro, para avaliar a situação no local. Ela era subordinada ao então secretário de Atenção Especializada em Saúde, o coronel Luiz Antônio Franco Duarte, levado para a pasta pelo ex-ministro Eduardo Pazuello. As transferências de pacientes com Covid do Amazonas para outros estados aconteceram para abrir vagas na rede hospitalar do estado, que estava com fila de espera por leitos havia pelo menos dois dias. Em seu depoimento, Eliazar diz que as tratativas para a transferência dos pacientes eram acompanhadas de perto por Franco Duarte. Ele e Pazuello fazem parte do grupo de seis pessoas processadas na quarta-feira pelo MPF por improbidade administrativa na condução da crise de saúde no Amazonas. Para os procuradores, Pazuello e seus subordinados foram omissos no episódio. Se condenados, eles podem ter de pagar multas e terem seus direitos políticos suspensos. Paula Eliazar também diz que, ao perceber que a quantidade de leitos seria insuficiente, o governo começou a cogitar a necessidade de mandar os pacientes para os outros estados. De acordo com ela, Franco Duarte coordenava as transferências.

O novo ministro não é tão cretino quanto Pazuello mas se esforça:

“O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, respondeu hoje diretamente às cobranças feitas pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sobre a ameaça de desabastecimento de medicamentos do “kit intubação”. Após o governo paulista afirmar que enviou nove ofícios pedindo auxílio à pasta federal sobre o tema, Queiroga cobrou atitudes adicionais da gestão de Doria. “Não adianta só ficar enviando ofício para o Ministério da saúde, temos que trabalhar juntos”, disse o ministro durante entrevista coletiva na sede da pasta, em Brasília.” [UOL]

Isos porque seu chefe PROIBIU qualquer diálogo do mInistério da Saúde com SP:

O evento foi realizado justamente para fazer esclarecimentos sobre a falta de estoque dos medicamentos, usados para fazer os processos de intubação e extubação em pacientes graves com covid-19. “Os estados também têm que procurar esses medicamentos, sobretudo os grandes estados. Existem estados que têm economia maior que países, têm condições, não é só empurrar isso para as costas do Ministério da Saúde.

Vai “empurrar” pra quem? Pra Deus?!

“O ministro também afirmou que a obrigação maior da União é o auxílio a municípios menores, que, segundo ele, têm menos poderio econômico para buscarem a compra dos medicamentos. No entanto, apesar do discurso crítico em relação a São Paulo, Queiroga pediu uma trégua. “Não é hora de ficar um atirando no outro, é hora de trabalhar em prol da sociedade brasileira. Vamos deixar o Twitter de lado e vamos responder à sociedade brasileira com políticas públicas. O Ministério da Saúde tem trabalhado, mesmo não sendo essa obrigação precípua [principal] dele”, afirmou. Já o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Sérgio Okane, respondeu sobre a decisão que a pasta tomou há pouco menos de um mês, no início do avanço da segunda onda da pandemia no país. À época, o governo federal requisitou o estoque de medicamentos do “kit intubação” à iniciativa privada, fato que tem sido apontado por Doria como uma dificuldade a mais na aquisição dos remédios. “Não foi tirada nenhuma medicação de contrato vigente pelo laboratório”, disse Okane. “Vivemos um momento crítico pela quantidade de casos”, justificou o secretário. Para evitar o desabastecimento, Queiroga citou que o governo federal fez recentemente uma compra de insumos em parceria com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) para a produção dos medicamentos, e citou também negociações diretamente com a Espanha. No momento, porém, o mais importante é uma doação feita pela iniciativa privada. Em um esforço capitaneado pela Vale, em parceria com empresas como a Petrobras, Klabin e o banco Itaú, a iniciativa privada promete entregar um total de 3,4 milhões de unidades de medicamentos do “kit intubação” ao Ministério da Saúde. Segundo a Vale e o governo federal, o primeiro lote com 2,3 milhões de unidades importadas da China chega ainda hoje à noite ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Os medicamentos serão entregues ao Ministério, que ficará responsável pela distribuição aos estados e municípios. “Além das ações do governo, contamos com apoio da iniciativa privada. A Vale fez uma doação expressiva que vai ajudar a suprir o mercado nacional por um período até que tenhamos a recomposição dos nossos estoques”, disse Queiroga.”

Mas olha o que tá dizendo o secretário estadual de saúde de SP:

“Dos 2,3 milhões que vieram das empresas privadas para o Ministério da Saúde, São Paulo terá um quantitativo de 407 mil doses, o que dará apenas para 48 horas. Estamos há 40 dias falando que temos estoques para apenas sete ou nove dias. E nós não tivemos problema nesse estoque, porque continuamos adquirindo pequenas quantidades de um ou outro fornecedor. E, dessa forma, fazendo o realocamento dessas medicações para todos os municípios. Dessa forma, estamos, como digo, sobrevivendo a cada dia e ajudando todos os municípios para que nós não tenhamos problemas. Então, dessa maneira, fazendo essas aquisições, mesmo em pequenas quantidades, é o suficiente para acolher a todos” [G1]

E nem gastar dinheiro esses imbecis sabem:

“Os sucessivos impasses vividos por governo e Congresso nas discussões orçamentárias deste ano afetaram a execução das medidas ligadas à Covid-19. Até agora, a União executou apenas 17% do valor mínimo calculado pela equipe econômica como necessário para combater a crise em 2021. O cenário é agravado pela demora para sancionar o Orçamento, situação gerada por uma batalha entre parlamentares e equipe econômica e que tem travado uma série de medidas. De acordo com diferentes membros do governo ouvidos pela Folha no fim de semana, a tendência é que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) opte por vetos parciais no texto para resolver o imbróglio. O prazo vai até quinta-feira (22). Até lá, as medidas devem seguir em grande parte paralisadas enquanto a equipe econômica pensa em saídas para liberar os recursos sem agredir diferentes regras fiscais e sem a decretação do estado de calamidade pública —que permitira gastos de forma mais ampla, o que o ministro Paulo Guedes (Economia) quer evitar.” [Folha]

E s Capitã Cloroquina continua no Ministério da Saúde…

A despeito da reformulação que vem sendo feita no Ministério da Saúde, com a substituição de militares por profissionais da área da Saúde, Marcelo Queiroga manteve uma ala conhecida por seus posicionamentos controversos, que tem como destaque Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho. Conhecida como capitã cloroquina, ela é o elo entre o Ministério da Saúde e os defensores do tratamento precoce para a Covid-19 (sem eficácia comprovada e com relatos de efeitos danosos). Mayra foi responsável por montar uma caravana com médicos de todo o Brasil para fazer uma ronda por Manaus e instruir os profissionais locais a receitar medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina. Financiada com dinheiro público. Desde a chegada de Queiroga, Mayra diminuiu a frequência de suas campanhas em defesa do tratamento precoce nas redes sociais. No entanto, em 31 de março compartilhou publicação de movimento do Ceará, seu estado de origem, que instalou outdoor em defesa do atendimento precoce. Queiroga já disse que não existe tratamento precoce para a Covid-19 e tem atuado para que a pasta se afaste do tema. Além dela, permanecem na pasta o olavista Hélio Angotti Neto (secretário de Insumos Estratégicos) e Raphael Parente (secretário de Atenção Primária), próximo da ministra Damares Alves (Direitos Humanos) e defensor da abstinência sexual.” [Folha]

Vamos dar um rolé pelo mundo, começando pelo Nelson de Sá:

“Segundo a TV japonesa e o Asahi Shimbun, no final das conversas com Biden, o primeiro-ministro do Japão ligou para o presidente da americana Pfizer, Albert Bourla, que concordou em adiantar a vacina. Também o presidente da Ucrânia ligou recentemente para Bourla e conseguiu 10 milhões de doses, que já começam a chegar, segundo a TV ucraniana e o russo Argumenty i Fakty. No Wall Street Journal, “México intensifica detenções e deportações de imigrantes” guatemaltecos e outros, que vêm causando “estrago no governo Biden”. As detenções cresceram 32%, e as deportações, 61%, depois que “o governo Biden afirmou que enviará 2,5 milhões de vacinas ao México, que tem buscado suprimentos no mundo todo para sua campanha de vacinação”. Na contramão do noticiário americano crítico às vacinas chinesas, o NYT destacou no domingo: “Estudo do governo chileno levanta que Coronavac oferece ampla proteção contra Covid-19”.” [Folha]

E a comparação entre Brasil e ìndia é espantosa:

“Enfrentando um aumento repentino nas infecções por Covid-19, a Índia é mais uma vez o lar do segundo maior surto do mundo, ultrapassando o Brasil. Mas, por trás da sombria disputa estatística, está um enigma epidemiológico sobre por que o país latino-americano foi muito mais devastado pela doença. Quando se trata da escala de infecções, as duas nações são equiparadas de maneira semelhante, com casos em torno de 14 milhões e hospitais de Mumbai a São Paulo sob pressão crescente, à medida que as internações continuam aumentando. Mas é a divergência nas letalidades que confunde os cientistas. O Brasil, com quase 214 milhões de habitantes, viu mais de 365 mil pessoas morrerem de Covid-19, mais do que o dobro do número de mortes na Índia, que tem uma população muito maior, de 1,4 bilhão. Embora as mortes na Índia tenham começado a subir e ameaçado piorar, a disparidade em nível macro permanece e é emblemática das diferentes maneiras como a pandemia está se manifestando em todas as regiões. Especialistas dizem que isso precisa ser mais bem compreendido para conter esse surto global, assim como evitar futuras crises de saúde pública. As taxas de mortalidade da Covid no sul da Ásia, incluindo a Índia, são consistentemente mais baixas do que as médias globais, assim como as da América Latina são consistentemente mais altas, fazendo com que virologistas ofereçam uma série de teorias sobre os possíveis motivos. — Não estamos comparando maçãs com maçãs aqui, estamos comparando maçãs com laranjas —disse Bhramar Mukherjee, professor de bioestatística da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan. Por enquanto, os dois países apresentam um “quebra-cabeça intrigante, um mistério epidemiológico que precisa de Sherlock Holmes ou Miss Marple em ação”, ele afirmou.

Vários fatores podem estar em jogo na lacuna de mortalidade, incluindo as diferenças na idade média — 26 anos na Índia e 33,5 anos no Brasil. Especialistas há muito criticam as estatísticas mais amplas de mortalidade na Índia, especialmente em seu interior rural. Antes da pandemia, cerca de uma em cada cinco mortes não foram relatadas, de acordo com Mukherjee. Mas isso não explica por que a taxa de mortalidade no Brasil é maior do que as das envelhecidas nações ocidentais que também foram duramente atingidas pela pandemia. — A taxa de mortalidade no Brasil é ainda mais chocante porque a população é muito mais jovem do que em outros países, como os europeus — disse Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Infecciosas. O aumento das taxas de infecção e mortalidade ocorre à medida que o ritmo das iniciativas de vacinação em cada país se acelerou no mês passado, após um início lento. A Índia conseguiu administrar mais de 117 milhões de doses de vacina, em comparação com os quase 33 milhões do Brasil — embora este último tenha vacinado uma proporção maior de sua população. Outras teorias por trás da divergência entre o Brasil e a Índia giram em torno dos ambientes e experiências diferentes de doenças dos dois países. Alguns cientistas dizem que a exposição generalizada a uma série de doenças na Índia pode ter ajudado seus cidadãos a construir resiliência natural contra coronavírus, como o que causa a Covid-19. Shekhar Mande, chefe do Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia, está entre aqueles que examinaram essa tendência e foram coautores de um estudo publicado sobre o assunto. — Nossa hipótese, e esta é estritamente uma hipótese, é que, como nossas populações estão continuamente expostas a muitos tipos de patógenos, incluindo vírus, nosso sistema imunológico não hiper-reage a qualquer nova variação que apareça — disse Mande em uma entrevista. Muitos especialistas reconhecem que a genética ou a imunidade cruzada podem estar em jogo, já que outros países do sul da Ásia, incluindo Bangladesh e Paquistão, também tiveram muito menos mortes do que o Brasil.” [O Globo]

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4. CPI

Renan está de volta!

“Os senadores da CPI da Covid-19 fecharam nesta sexta-feira acordo para a composição dos cargos de comando da CPI da Covid-19. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) será o relator da investigação, o que vai desagradar o presidente Jair Bolsonaro. O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).” [O Globo]

E Renan já foi logo dando o papo:

“Minha opinião é que a gestão do Bolsonaro foi terrível no enfrentamento à pandemia. Ele complicou tudo. Complicou porque errou, se omitiu e minimizou a doença. Prescreveu remédios sem comprovação científica, estimulou aglomeração, não usou máscara. Priorizou o tratamento preventivo. É um somatório. Estamos pagando esse preço em mortes. Mas isso é só uma avaliação pessoal. Defendo uma CPI técnica, que arregimente boas cabeças da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União. Defenderei uma investigação rigorosamente técnica, sem partidarismo e sem alvos pré-determinados.” [O Globo]

Que satisfação, aspira!

E olha o papo do presidente da CPI, um dos nomes aventados pelo governo para presidir a comissão:

“Isso que o presidente fez [aglomerar sem máscara], se fosse uma outra pessoa que estivesse fazendo isso, iria presa”, afirmou. “Nós não temos um protocolo. O presidente faz uma coisa, o ministro fala outra. O governador fala uma coisa, o prefeito fala outra. E a gente perdendo vidas, e as pessoas batendo cabeça”, completou o senador do PSD.” [G1]

“Nem o presidente Jair Bolsonaro nem os governadores. A Comissão Parlamentar de Inquérito aberta no Senado para investigar a atuação do governo na pandemia deve mirar primeiro nos militares. Os generais Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, e Walter Braga Netto, atual ministro da Defesa, que comandou um comitê de crise quando estava na chefia da Casa Civil, entre outros oficiais, devem ir a um incômodo “banco dos réus”. Ambos os generais entraram na mira do Tribunal de Contas da União (TCU) e de membros da CPI.” [Estadão]

Não sei como vai ser o depoimento, mas se for presencial a chance dum general sair preso por desacato à autoridade é enorme, hein…

“A convocação de Pazuello já era certa, mas ontem senadores da CPI combinaram de incluir entre os primeiros a serem ouvidos também o atual ministro da Defesa. A decisão ocorre após o Estadão revelar que técnicos do TCU consideraram que Braga Netto não atuou de forma a “preservar vidas” quando comandou o comitê da crise. O general teria entrado em contato ontem com ministros da Corte para se defender e tentar sair da mira do tribunal, cujos relatórios costumam pautar as CPIs. Ao Estadão, o Ministério da Defesa negou que o comitê tenha sido omisso com a crise. Membro da CPI, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que as apurações não podem ficar restritas à conduta do ex-ministro Pazuello. “O Ministério da Saúde não é só Pazuello. Existe uma estrutura organizacional de cargos, com responsabilidades. Quando o Pazuello foi ao Senado, por exemplo, o secretário executivo dele (o coronel da reserva Elcio Franco) estava do lado”, disse. Sobre a conduta de Braga Netto, afirmou: “Vamos averiguar, pedir informações ao TCU. A investigação vai ditar os requerimentos de informações e as convocações”. “Não tenha dúvida que vamos discutir a convocação de Braga Netto. Acompanhamos tudo dos relatórios do TCU, do MPF e denúncias. Vamos atrás de cada uma. O relatório do TCU é muito rico, vai ser uma base importante para os trabalhos”, reforçou o senador Humberto Costa (PT-PE), que também integra a comissão.”

Sim, a CPI não precisda fazer muita coisa, é só se basear no TCU e correr para o abraço.

““Na medida em que a CPI busca fazer uma radiografia completa da atuação do governo federal no combate à pandemia, avaliar a atuação do comitê presidido pelo ministro Braga Netto será provavelmente indispensável”, complementou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), um dos autores da CPI. Diante dos novos fatos envolvendo militares, interlocutores do Planalto já avaliam que o governo estará no lucro se os debates da comissão se limitarem a Eduardo Pazuello. Sua equipe mais próxima na Saúde era formada por cerca de 20 nomes da ativa e reserva.”

Essa conta irá para as Forças Armadas!

“Segundo interlocutores do presidente da República, Pazuello “não pode se sentir abandonado” e “precisa se sentir prestigiado”, além de ser “bem treinado” para seu depoimento na CPI da Pandemia. A expectativa é que nos próximos dias ele possa ser nomeado para um cargo com sala no Palácio do Planalto.” [G1]

E a tática governista ostra o quão criminoso eles são:

“No governo, a expectativa é que a PF o ajude numa espécie de agenda concorrente à da CPI da Pandemia. Funcionaria assim: quanto mais avançar a CPI, mais explodirão operações estridentes da PF contra governadores e prefeitos — de preferência os de oposição, claro.” [O Globo]

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5. 2022

“Foi 8 a 3 o placar lá. Você interprete como quiser. Agora, pelo amor de Deus, o povo que por ventura vote em um cara desses, é um povo que merece sofrer”

O dia em que o presidente do Brasil disse que boa parte do “povo merece sofrer”:

E é impressionante como um presidente não conseguiu criar a porra dum partido!

“A volta do ex-presidente Lula ao jogo eleitoral, com a decisão do STF de anular as condenações do petista, reforçou do outro lado do tabuleiro a intenção de aliados de Jair Bolsonaro para que ele se filie a um partido com estrutura robusta. A principal aposta hoje é a volta ao PSL. O antigo partido do presidente seria o único com “paridade de armas”, com fundo eleitoral e tempo de rádio e TV capazes de disputar contra o PT no próximo ano. Um dos principais fiadores dessa tese de reconciliação com o PSL é o ‘01’, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Ainda não há cálculo do valor do fundo eleitoral no ano que vem, mas, por terem as maiores bancadas, PT e PSL saem na frente. Em 2020, o partido de Lula levou R$ 201 milhões, e o PSL, R$ 199 milhões. “O presidente vai precisar viajar, ter uma campanha muito ativa e sem os recursos não vai dar”, afirmou o deputado Carlos Jordy (RJ). Assim como outros parlamentares ouvidos pela Coluna, ele defende a reconciliação, mas desde que haja expulsão de alguns deputados, como Joice Hasselmann (SP). O Patriota, com quem o Planalto vinha tendo boas conversas até aqui, recebeu R$ 35 milhões do fundo no ano passado. Um ministro de Bolsonaro dá como certo o apoio do PP e do PL em 2022 porque são partidos mais apegados à liberação de emendas. Faltaram na lista, porém, PSD, Republicanos e DEM, que também têm ministros na Esplanada.” [Estadão]

Ciro deu uma entrevista e sua estratégia é um mistério pra mim, eu só consigo ver como tiro no pé:

“Não sei quem será o próximo presidente, mas estou seguro de que não vai ser Bolsonaro. Isso tem importância grande porque descomprime o eleitor. Parte do eleitorado vota no PT porque não quer Bolsonaro, ou no Bolsonaro porque não quer o PT. À medida em que Bolsonaro passe a aparecer como derrotado nas pesquisas, as pessoas vão tentar outra via. Trabalho por um cenário realista no qual Lula e eu estaremos no 2º turno, o que ofereceria ao povo debate de alto nível. E ainda admito a possibilidade de que Bolsonaro sequer esteja na disputa. A história brasileira não é de normalidade. Do Dutra (ex-presidente Eurico Gaspar Dutra) para cá, só três presidentes eleitos terminaram o mandato. Qual a característica dos três? Governaram o país em expansão econômica e trabalharam até na conta do suborno para destruir o antagonismo. Bolsonaro administra a pior crise econômica, não tem imaginação e, quando não tem inimigo, cuida de criar. A economia está virando vinagre. O dólar desvaloriza no mundo inteiro, mas, no Brasil, aprecia.” [O Globo]

Sobre a candidatura do Lula:

“Quando Lula entra na disputa, faz tremer tudo o que está posto. Essa é a característica dele. Tenho afeto por ele, mas não admiração porque ele não tem nenhum tipo de escrúpulo ou limite. Então ele promete ao Guilherme Boulos (PSOL) que o apoiará ao governo de São Paulo, mas mantém a candidatura do Haddad. Em Pernambuco, fizeram tudo para derrotar o filho do Eduardo Campos no ano passado, mas agora Lula foi para lá e diz que sempre foi amigo de infância do PSB. Oferece o posto de vice ao PSB e, ao mesmo tempo, ao Josué Gomes.”

Sobre seu encontro com Lula há uns meses:

“Foi nosso último encontro. Depois, nem por telefone. Naquela ocasião, estava um extremo azedume entre as nossas militâncias. E o Camilo Santana fez esforço enorme para unificar. Achei que devia colaborar. Mas Lula virou uma pessoa que, o que diz de manhã, já não serve de tarde. Está tomado de ódio. Tudo o que domina Lula hoje é a vontade de se vingar. Lula tem cinismo. A gente faz monitoramento de rede. Eles continuam atacando a mim e a outras pessoas na blogosfera. Lula dá a ordem, eles fazem. Se existe gabinete do ódio com Bolsonaro, com o PT é igualzinho. O lulopetista fanático não me apoiará. Prefere Bolsonaro. E falo isso como alguém que foi contra o golpe de Estado contra Dilma, apesar de ela ter desastrado o país. No Senado, Renan Calheiros e Eunício Oliveira apoiaram o impeachment. Aí, eu parto para cima dessa gente. E, um ano depois, lá está Lula agarrado a eles. E ainda tem quem ache que devo alguma coisa ao PT. Nunca mais faço aliança com eles.”

A viagem à Paris entra em pauta e…

“Pelo contrário. Eu faria hoje com muito mais convicção. Em 2018, fiz com grande angústia. Aquela eleição já estava perdida. Mesmo somando meus votos com os do Haddad, não alcançaríamos Bolsonaro. Lula mentiu para o povo dizendo que era candidato quando todos sabiam que não seria. Manipulou até 22 dias antes da eleição, deixando parte da população excitada.”

Foda-se se tava perdida ou não, tinha que ter ficado no Braisl chamando Bolsonaro de fascista.

“Como brasileiros não podem viajar para a França pela pandemia, nesse caso vou para Tonga da Mironga do Kabuleté (referência à música de Vinicius de Moraes e Toquinho).”

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Imagine, uma das opções do segundo turno é um sujeito com uma retórica marcadamente fascista e Ciro mete essa.

E voltou esse papo do Pacheco candidato, porra, eu sou junkie de política e até pouco tempo ne sabia quem era essa pessoa…

“Em meio a um cenário cada vez mais consolidado de que Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estarão na eleição presidencial de 2022, líderes de partidos de centro passaram a estimular o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), na corrida ao Palácio do Planalto. Embora o senador negue a intenção de concorrer à sucessão de Bolsonaro, a cúpula do DEM e líderes de partidos como o PSD o enxergam como potencial candidato e passaram a ventilar a hipótese nos bastidores. Ao mesmo tempo, o presidente do DEM, ACM Neto, tem discutido com Ciro Gomes (PDT) uma solução conjunta para uma terceira via. Ciro e ACM Neto se reuniram recentemente, por cinco horas, na casa do primeiro, em Fortaleza. O compromisso deles é que PDT e DEM buscarão um projeto para se contrapor a Bolsonaro e Lula. Na reunião, ficou acertado que, embora esteja cedo para falarem em aliança, ACM Neto auxiliará na aproximação de Ciro com partidos e nomes de centro. Aliados do presidenciável, inclusive, sugeriram ao presidente do DEM que organizasse uma agenda do ex-ministro com o apresentador Luciano Huck, que ainda não decidiu se vai se candidatar ou não. Da mesma forma, Ciro e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), também apontado como possível candidato à Presidência, têm tentado marcar reuniões presenciais, o que ainda não aconteceu. Ambos têm se falado por telefone. No sábado (17), em debate virtual organizado por alunos brasileiros de Harvard e MIT, cinco presidenciáveis concordaram em relação a prioridades para o país e atacaram Bolsonaro. Participaram do evento Ciro; o apresentador Luciano Huck; Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul; João Doria (PSDB), governador de São Paulo; e Fernando Haddad (PT). A ala do PP que vê com pessimismo a possibilidade de Bolsonaro ser reeleito depois que Lula voltou ao tabuleiro e a popularidade do presidente apresenta queda também se entusiasma por Pacheco, eleito em fevereiro para presidir o Senado. Pacheco tem sido visto como menos alinhado ao Planalto do que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A CPI da Covid no Senado, a ser instalada nos próximos dias, colocou Pacheco em posição de desgaste com Bolsonaro, embora o senador tenha se manifestado contrário à comissão neste momento. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e Pacheco têm se falado com frequência e estiveram juntos pessoalmente ao menos uma vez este mês. Dirigentes de partidos de centro enxergam na investida de Kassab uma tentativa de filiar Pacheco ao PSD. Assim ele teria nos quadros da sigla o presidente do Senado e poderia lançá-lo candidato. O senador é apontado como um nome ponderado que tem feito bom trabalho no Legislativo. Esse projeto, no entanto, esbarra em empecilhos. Se Pacheco se filiasse ao PSD haveria uma crise instalada entre Kassab e ACM Neto, presidente do DEM, o que atrapalharia os planos de os dois partidos articularem um nome para 2022. À Folha o dirigente do PSD disse achar Pacheco um bom quadro, mas nega que tente filiá-lo à sigla ou mesmo que o cogite como alternativa para a eleição do ano que vem. Kassab ainda cita uma lista de presidenciáveis que já estão filiados ao PSD e elenca como opções Ratinho Jr, governador do Paraná, Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte, o deputado André de Paula (PE) e os senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Antonio Anastasia (PSD-MG). Kalil, considerado por líderes do centro o mais presidenciável dos nomes colocados, porém, já disse a pessoas próximas que o objetivo dele é se candidatar ao Governo de Minas Gerais. Já Anastasia quer ser indicado pelo Senado a uma vaga no TCU (Tribunal de Contas da União). Apesar das articulações, Kassab diz que o partido ainda não debateu 2022. “Vamos discutir só em janeiro”, afirmou.” [Folha]

Encerro com essa ótima piada:

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6. PG

A ironia é tão boa que o tópico é só um parágrafo mesmo:

“Volta e meia, quando Paulo Guedes solta os cachorros para cima de Rogério Marinho, a quem chama de “batedor de carteiras” e “ministro fura-teto”, Jair Bolsonaro devolve, irônico: “Quando ele ainda era seu assessor, você queria que eu o nomeasse para a Casa Civil, hein?”.” [O Globo]

costinha

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7. “Terrivelmente evangélico

Bolsonaro sabe que os evangélicos não têm pra onde correr e…

“Jair Bolsonaro mantém o mistério sobre quem indicará para a vaga de Marco Aurélio Mello no STF (Supremo Tribunal Federal), que se aposenta em julho. O presidente já disse a interlocutores que a chance de não indicar nenhum dos nomes que aparecem nas listas de candidatos beira os 10%.” [Folha]

Nota absurda, de onde ele tirou 10%? Mas, convenhamos, dada a indicação do Kassio isso é notícia sim.

“A leitura de algumas pessoas é que ele já sinaliza que pode, sim, surpreender —como quando indicou Kassio Nunes Marques para a Corte. Ele nunca tinha entrado para valer em lista de ministeriáveis supremos. Nunes Marques, por sinal, tem reforçado a campanha do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, para o cargo. Ele se encaixa no perfil “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro diz querer para o Supremo.”

O estrago será de décadas…

“Nunes Marques tem votado alinhado aos interesses do Palácio do Planalto, e há uma expectativa de que tenha influência na indicação. A eventual escolha de Martins abriria uma vaga no STJ que poderia também acomodar correntes do Judiciário.”

Como a tal da Carminha, que já indicou o Kassio.

“Religiosos têm dito que preferem o advogado-geral da União, André Mendonça, para a vaga. Além de “terrivelmente”, ele é também pastor evangélico —e tem apoio de ministros do STF.”

Se não for o Mendonça os evangélicos vão correr pra onde? Pra candidatura do Lula? Pra nome da terceira via que não existe?

“A gestão da pandemia do novo coronavírus tem provocado fissuras na base formada por líderes religiosos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. Alguns pastores evangélicos que votaram nele há dois anos já falam em terceira via para as eleições de 2022, enquanto outros admitem que o apoio ao presidente persiste apenas para evitar a volta do PT ao poder. Nem o empenho do governo federal para manter templos abertos durante a crise sanitária melhorou o humor de parte de sua base. A redução do entusiasmo com o mandatário começou a ficar clara em 29 de março, quando Bolsonaro fez uma convocação para um “dia do jejum”. No ano passado, 36 líderes evangélicos gravaram um vídeo em que atendiam “à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”. Este ano não houve vídeo. A cerimônia, realizada no mesmo dia em que foi anunciada a troca de seis ministros, teve a presença de três lideranças. O pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus Belém, aparecia no vídeo do ano passado, mas hoje tem restrições ao presidente. — O exercício do poder tende a desgastar, e a pandemia tem participação nisso. Gostaríamos que o presidente fosse mais protagonista. Acho que em alguns momentos ele é extremamente inflexível — disse. Câmara defende o uso de máscara e a vacinação e acredita que essas medidas devem se sobrepor às convicções pessoais de Bolsonaro. — Se houver uma terceira via, creio que o apoio (a Bolsonaro) será menor — disse. Líder da Igreja Plenitude do Trono de Deus, emergente entre as neopentecostais, o apóstolo Agenor Duque condenou a troca de André Mendonça por Anderson Torres no Ministério da Justiça e a entrada da deputada Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo. “O jejum não era para o meu Deus”, escreveu o pastor, que, no ano passado, também aparecia no vídeo pró-Bolsonaro. Procurado, o apóstolo não retornou. Líderes evangélicos ainda apoiam Bolsonaro com o objetivo de evitar a volta do PT à Presidência, na opinião do pastor batista Carlito Paes, líder da Igreja da Cidade de São José dos Campos. “Penso ser um erro, porque este ato pode ser lido pelo governo como apoio incondicional e (levar o governo a que) cometa novos erros”, escreveu no Twitter, no começo de março. Apesar da crítica, Paes já rezou com Bolsonaro depois que ele foi eleito presidente e chegou a tentar indicar nomes no Ministério da Educação.

Desde que assumiu o poder, Bolsonaro sempre obteve seus melhores índices de aprovação entre os evangélicos. Em abril de 2019, pesquisa do Datafolha mostrava que 42% dos eleitores desse grupo consideravam o governo como ótimo ou bom. Em março deste ano, esse número era de 37%. Apesar da redução, os evangélicos ainda avaliam Bolsonaro melhor do que a média da população. Segundo o Datafolha, o percentual geral dos que consideram o governo ótimo ou bom é de 30%. Entre os católicos, persiste a polarização entre opositores e apoiadores de Bolsonaro. Mesmo no grupo mais alinhado ao presidente, como os integrantes da renovação carismática, há críticas à atuação do governo no combate à pandemia. — Compomos a base de apoio ao presidente, mas tem muitos aspectos que nos distanciam, como a gestão da pandemia — afirma o deputado Francisco Jr. (PSD-GO), presidente da Frente Parlamentar Católica. A CNBB e mais de mil párocos que assinaram o manifesto Padres Anti-fascistas se opõem ao mandatário. A presença do presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, num jantar em apoio a Bolsonaro, no dia 8, causou indignação em parte da comunidade judaica. Ao GLOBO, o rabino da Congregação Israelita Paulista, Michel Schlesinger, mostrou-se contra as medidas sanitárias do governo e a abertura dos templos em meio à pandemia.” [O Globo]

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8. Malditos

“O ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, deve ganhar nos próximos dias o comando da Secretaria Especial de Modernização do Estado (Seme).” [O Globo]

Eu não sabia nem o que era modernização“, dirá o GENERAL DA ATIVA.

“Neste sábado, Bolsonaro, em uma demonstração de confiança no militar que deve ser um dos principais alvos da CPI da Pandemia, levou o ex-ministro para uma viagem ao interior de Goiás, onde, sem máscara, causou aglomeração, apesar de o país registrar diariamente mais de 3 mil mortes por dia.”

É inacreditável, e Queiroga falando na importância do uso de máscaras, aí ão seu chefe e antecessor sem máscara no meio da galera.

“A secretaria de Modernização é subordinada à Secretaria-Geral da Presidência, chefiada pelo ministro Onyx Lorenzoni, e atualmente tem à frente o procurador da Fazenda Nacional, Sérgio Augusto de Queiroz. Se confirmado no cargo, Pazuello passará a despachar do Palácio do Planalto. A expectativa é que a nomeação seja publicada nos próximos dias no Diário Oficial da União.”

E não tem foro privilegiado.

“Segundo fontes de governo, a Seme foi a solução encontrada para abrigar Pazuello, que deixou o Ministério da Saúde no dia 23 de março, data da publicação no Diário Oficial. Sem encontrar um cargo para o ex-ministro imediatamente, o general acabou retornado às suas funções no Exército, mas com a promessa do presidente de que voltaria ao governo. Inicialmente, chegou a ser cogitado entregar um ministério para que Pazuello mantivesse o foro privilegiado, o que gerou disputa no governo. Outros cargos também foram considerados para dar uma “saída honrosa” para o ex-ministro, o que não ocorreu também devido à resistência interna. A secretaria especial não tem direito a foro privilegiado.”

Mais detalhes da viagem:

“Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro foi o chamariz para a formação de aglomeração durante uma viagem em que dispensou o uso da máscara. O chefe do Executivo mobilizou dois helicópteros oficiais para se deslocar para Goianópolis, cidade de Goiás localizada a cerca de 200 quilômetros de Brasília. A viagem não constava da agenda do presidente, que, no caminho, parou em um posto da Polícia Rodoviária Federal, segundo imagens publicadas nas redes sociais. Assim que pousou em um campo de futebol, várias pessoas se aglomeraram para saudar o presidente, conforme revelaram imagens transmitidas pelo líder do PSL na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO). O chefe do Executivo cumprimentou várias delas apertando as mãos. Na transmissão, é possível ver que há desde pessoas idosas até crianças. O presidente chegou a pegar um bebê no colo, logo depois de tocar em vários apoiadores.” [Estadão]

Fizeram parte da comitiva o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Apesar de ter sido retirado do cargo há cerca de três semanas, Pazuello é considerado uma das peças principais da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que vai averiguar a coordenação do governo em relação à pandemia de coronavírus. Bolsonaro se mostrou irritado com a criação da CPI e articulou para que outras esferas de governo – como prefeitos e governadores – também fossem investigadas. Em seu passeio, Bolsonaro ainda parou em um posto da Polícia Rodoviária Federal, em compromissos que não foram divulgados na agenda pública da Presidência da República. Mais uma vez, o chefe do Executivo ignorou os protocolos sanitários e dispensou o uso de máscara, apesar do agravamento da pandemia, que já levou à morte mais de 360 mil brasileiros.

E como é pilantra o Villas Bôas, esse pessoal aí esculhambava o Instituo Lula e…

“Prestes a completar um ano e meio, o instituto criado pelo general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, mantém relações próximas com o governo federal, apesar de ser formalmente independente. Ao deixar o cargo de comandante do Exército, o general afirmou que gostaria de perpetuar seu legado. Uma das maneiras encontradas foi a criação do Instituto General Villas Bôas (IGVB), em dezembro de 2019, com sede em Brasília. Desde então, o IGVB tem se dedicado a acordos com órgãos ligados ao governo federal que envolvem apoio institucional e, em ao menos um caso, financiamento. Um dos parceiros é a Fundação Habitacional do Exército, entidade que financia a compra de imóveis por militares e doou R$ 60 mil ao instituto. Segundo a assessoria da fundação, o repasse foi feito em setembro de 2020 para projetos sem especificação. Ou seja, é um patrocínio para ser usado livremente pelo IGVB. A princípio, é uma contribuição única, que poderá ou não ser repetida. O instituto, segundo a fundação, foi quem pediu o apoio. “A FHE concedeu o patrocínio em função do caráter social do IGVB”, disse, em nota. O instituto também tem convênios com ao menos quatro órgãos federais: Ministério da Educação, Secretaria Especial da Cultura, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e Ministério da Ciência e Tecnologia.” [Folha]

Se prepare:

“Um dos mais ambiciosos é com o MEC, para o lançamento de uma série de cem livros chamada “Coleção Pensadores do Brasil”. A parceria foi formalizada em dezembro do ano passado, numa cerimônia em Brasília com as presenças do vice-presidente Hamilton Mourão e do ministro Milton Ribeiro. Villas Bôas participou por vídeo. Segundo anunciou o ministério em seu site, a ideia é “a reedição, por meio impresso e digital, de cem títulos de obras literárias de intelectuais e pensadores que influenciaram na formação da identidade nacional, em comemoração ao bicentenário da Independência do Brasil”. Entre os primeiros livros editados estão “Geopolítica e poder”, do general Golbery do Couto Silva, figura de destaque da fase final da ditadura militar, além de um título que fala sobre “a Amazônia e a cobiça internacional”.”

“Procurado, o MEC afirmou que, apesar de já ter anunciando a cooperação em seu site, ainda não há nada assinado para viabilização do projeto.”

Que projeto, né?

“Já o acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia foi assinado em outubro de 2020, com presenças do titular da área, Marcos Pontes, e da ministra Damares Alves (Direitos Humanos). O foco é o desenvolvimento de projetos de tecnologia assistiva, com a participação do IGVB. Na ocasião foi lançado um edital no valor de R$ 40 milhões para financiar iniciativas na área. Segundo o ministério, não há repasse de recursos diretamente ao instituto. Villas Bôas sofre de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), doença generativa que aos poucos compromete a mobilidade, e faz uso destas tecnologias para ajudar na sua locomoção e comunicação. Há ainda no cardápio da entidade o projeto Moda Connect, que envolve parcerias com a Secretaria Especial da Cultura e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. O projeto, lançado em dezembro de 2020 e com duração de dois anos, busca capacitar jovens de até 24 anos em situação de vulnerabilidade social, a maioria com deficiência motora, para funções ligadas ao universo da moda, como as de costureiro, bordadeiro e designer. O projeto conta com financiamento da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), no valor de R$ 98.707,95. Procurado, o IBICT diz que participa da iniciativa dando apoio técnico em decorrência de trabalhos anteriores nas áreas de robótica e tecnologia assistiva. Já a Secretaria da Cultura afirmou apenas que oferece “apoio institucional”, por meio do seu Departamento de Empreendedorismo Cultural, sem dar mais detalhes sobre o que isso significaria na prática. Os dois órgãos governamentais afirmaram que não há repasse de recursos para o IGVB. No setor privado, há duas parcerias. Uma é com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), que hospeda sem custo o IGVB em uma sala de prédio de sua propriedade em Brasília.”

Puro altruísmo! E por falar em pessoal altruísta…

“A entidade, que recebe recursos públicos oriundos do imposto sindical, também patrocina o instituto de forma direta. Segundo nota enviada à Folha, o apoio se dá para os projetos na área de tecnologia assistiva para portadores de doenças raras. A CNI diz ainda que o patrocínio, cujo valor não revelou, é um reconhecimento pelo fato de o general ter participado da formação do Conselho da Indústria da Defesa e Segurança (Condefesa). O instituto tem também apoio da agência de comunicação FSB, que participou da criação da identidade visual e do planejamento de comunicação para o lançamento da entidade. Segundo a FSB, uma das maiores agências do país, foi uma atividade pro bono, para apoiar causas sociais defendidas pelo IGVB. “Atualmente, nossa atuação se limita à produção de conteúdo gráfico, como cards para redes sociais A parceria não envolve qualquer tipo de aporte financeiro ou de alocação de pessoal”, afirma.”

O nome disso é lobby!

“Até o ano passado, o IGVB era presidido pelo general Marco Aurelio Costa Vieira. Atualmente, está sob o comando formal de Maria Aparecida Villas Bôas, esposa do ex-comandante do Exército. A Folha enviou perguntas a ela, que não quis se manifestar.”

Alguma dúvida que a coroa recebe um gordo salário?!

O excelente Marcelo Godoy, das melhores penas sobre os malditos milicos, escreveu sobre o clube militar e que parágrafo maravilhoso!

“O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Defesa Nelson Jobim é chamado na revista do Clube de “criptocomunista” e o ex-presidente José Sarney é qualificado como “enrustido esquerdista, líder da ala esquerda da União Democrática Nacional (UDN)”. Está no texto Os Sovietes Brasileiros, do coronel Jorge Baptista Ribeiro, que termina a peça afirmando que Bolsonaro “foi obstado em seus propósitos” pela “ditadura das togas vermelhas”.” [Estadão]

GIF by Steve Harvey TV

Repare na ironia:

“Na Itália dos anos 1990, o direitista Silvio Berlusconi costumava chamar os magistrados da Operação Mãos Limpas de toghe rosse, togas vermelhas. No Brasil dos anos 2000, depois de o procurador-geral da República nomeado por Bolsonaro acabar com a Operação Lava Jato, os acólitos do presidente passaram a atacar os juízes – os mesmos que devem analisar o caso de Flávio Bolsonaro, o senador que comprou uma casa de R$ 6 milhões em Brasília – de idêntica maneira à dos aliados de Berlusconi.”

É difícil dar conta de tanta ironia…

“O coronel nos remete ainda mais ao passado ao citar Sarney e a UDN. Principal líder udenista, Carlos Lacerda manchetou uma vez em seu jornal, A Tribuna da Imprensa: “Somos um povo honrado, governado por ladrões”. Era 2 de agosto de 1954. Coronéis como o autor do artigo publicado pelo Clube Militar subscreviam manifestos e liam provocações públicas aos chefes militares de então. Vivia-se um permanente alvoroço. A Força Terrestre se dividia em grupos, imperavam os peixes e os políticos na caserna. Era nessa época que os relatórios reservados costumavam apontar criptocomunistas, inocentes úteis e abertamente comunistas como forma de deslegitimar quem se opunha aos desejos de radicais – como o almirante Pena Botto – que buscavam impor seus propósitos ao País. Lacerda, que planejou e apoiou a deposição de João Goulart em 1964, acabaria cassado em 1968 e preso. Ele disse: “A Revolução de 1964 destruiu-se a si mesma, na medida em que seus aproveitadores consolidaram o domínio das oligarquias”. No passado, eram as oligarquias; no presente, o Centrão. No país sonhado pelo coronel, Lacerda seria cassado novamente. Quanto aos corruptos, estes sempre vicejam, desde que apoiem o Idi Amin Dada de plantão Em outro artigo da revista, o major-brigadeiro Jaime Rodrigues Sanchez chama de traidor “um oficial general” que, segundo ele, age como os “brigadistas incendiários” de Santarém – reparem que o oficial toma como verídicas as acusações do controverso inquérito do Pará. Diz que, se tudo o que mídia publica a respeito do tal oficial for verdade, “o general que protagonizasse essa traição não seria digno do que aprendeu na Academia, muito menos das estrelas que ostenta no ombro”. O brigadeiro não teve a coragem de nomear o general em seu artigo, mas dez entre dez de seus colegas apostam que ele se referia a Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Sanchez continua sua argumentação, afirmando que “ordem absurda não se cumpre”, mas afirma que não se deve “desmoralizar o comandante diante da tropa (Jair Bolsonaro), especialmente se provocado pelos inimigos, que todos sabemos bem quais são”. Em 23 de outubro de 2020, pouco depois da famosa frase de Eduardo Pazuello (“Um manda e o outro obedece”), Santos Cruz escreveu: “Hierarquia e disciplina, na vida militar e civil, são princípios nobres. Não significam subserviência e nem podem ser resumidos a uma coisa ‘simples assim, como um manda e o outro obedece’… Como mandar varrer a entrada do quartel”. Sanchez culpa a imprensa por tentar indispor Bolsonaro com o vice-presidente, general Hamilton Mourão. Como se Bolsonaro precisasse da imprensa para tanto. A acusação do brigadeiro equivale a receber um aviso de cobrança e culpar o carteiro pelo dívida. Diz ainda não existir divisão nas Forças Armadas em razão do presidente. Para tanto, o estabelecimento militar deveria ter exatamente os mesmo anseios do partido militar. Se isso é verdade, a Nação espera ansiosa a explicação do brigadeiro para a decapitação da cúpula das Forças Armadas operada por Bolsonaro. Talvez diga que é encenação, que todos caminham juntos para preservar sinecuras e privilégios conquistados e mantidos em meio à mais grave crise do século. E a CPI nem começou… Sanchez diz pertencer a um grupo, os 504 Guardiões da Nação. Seu artigo despertou reações entre militares que o leram. Viram no texto “falta de responsabilidade institucional”, ideias saudosistas e afinadas com teorias da conspiração, que fazem de todos os que não são bolsonaristas traidores e comunistas. Enfim, textos marcados pelo fanatismo, enquanto o “Brasil está à deriva, voando no escuro e com o GPS quebrado”. Não que a gritaria mude grande coisa; o que não falta nesse País é candidato a Simão Bacamarte. Para o consolo do brigadeiro, se for derrotado em 2022, Bolsonaro ainda poderá chamar a Casa da República de “meu Clube Militar”.”

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9. Orçamento

Olha a última jogada do governo:

“A senadora Kátia Abreu (PP-TO) afirmou que a Comissão de Relações Exteriores do Senado, que ela preside, não vai aprovar a eventual indicação do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Raimundo Carreiro para a embaixada de Portugal, caso ela seja confirmada. A coluna apurou que Carreiro comunicou ao senador Renan Calheiros e ao ex-presidente José Sarney que pode deixar o TCU para assumir o posto diplomático, abrindo vaga para que o presidente Jair Bolsonaro indique um novo ministro e forme maioria a favor do governo.” [Folha]

Quem tem cu tem medo! É inacreditável uma porra dessa, tão subornando com embaixada e dizendo por aí que não são corruptos! Imagine o que eles diriam se essa fosse uma manobra petista…

A possibilidade foi entendida por senadores como manobra do governo para se blindar de uma acusação de crime de responsabilidade por causa da sanção do Orçamento de 2021. “Conheço o ministro Carreiro e custo a crer que isso é verdade. Mas, caso seja, não vamos permitir uma negociata dessas, envolvendo uma embaixada. Não há vaga no TCU. O mandato de Carreiro termina em 2023″, afirma ela.”

Raimundo Correa não me era um nome estranho, mas não é político, ams seim secretário-geral do Senado por muitos anos, e de tão bem relacionado conseguiu a cobiçada vaga no TCU, a tão sonhada aposentadoria da maioria dos parlamentares.

Assim que recebeu a informação de eventual troca, Renan Calheiros abriu fogo no Twitter. “O orçamento atual é um verdadeiro tour de france. Festival de irregularidades e sequestro de R$ 51 bi para emendas parlamentares e do ex-relator. Trocar ministro do TCU para tentar driblar a inconstitucionalidade do que foi aprovado pelo Congresso é absurdo”, escreveu ele na rede social. Um dos nomes aventados para o lugar de Carreiro é o do senador Antonio Anastasia (PSD-MG).”

E o Anastasia se prestaria a esse papel? Um escroto, claro, mas não sei se colocaria isso em sua biografia.

Procurado, o ministro Carreiro não respondeu às ligações da coluna. Na semana passada, o Ministério Público junto ao TCU pediu que o órgão de controle emita um alerta preventivo de que a sanção do Orçamento de 2021 poderia levar o presidente Jair Bolsonaro a responder por crime de responsabilidade.

Esse tipo de idéia está à altura da fuga do presidente pra não assinar orçamento e mostra o quão perdido e desesperado eles estão.

“Os sucessivos impasses vividos por governo e Congresso nas discussões orçamentárias deste ano afetaram a execução das medidas ligadas à Covid-19. Até agora, a União executou apenas 17% do valor mínimo calculado pela equipe econômica como necessário para combater a crise em 2021. O cenário é agravado pela demora para sancionar o Orçamento, situação gerada por uma batalha entre parlamentares e equipe econômica e que tem travado uma série de medidas. De acordo com diferentes membros do governo ouvidos pela Folha no fim de semana, a tendência é que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) opte por vetos parciais no texto para resolver o imbróglio. O prazo vai até quinta-feira (22). Até lá, as medidas devem seguir em grande parte paralisadas enquanto a equipe econômica pensa em saídas para liberar os recursos sem agredir diferentes regras fiscais e sem a decretação do estado de calamidade pública —que permitira gastos de forma mais ampla, o que o ministro Paulo Guedes (Economia) quer evitar. O entrave nas medidas é observado após Executivo e Legislativo ignorarem a Covid-19 no Orçamento de 2021. Agora, precisam criar as medidas por créditos extraordinários —instrumentos que ficam fora do Orçamento e são permitidos pela Constituição apenas em casos imprevisíveis e urgentes. A situação se complica pelo fato de técnicos do Ministério da Economia sentirem insegurança na criação das medidas, por verem possíveis controvérsias no uso do instrumento.

Um dos motivos é justamente o fato de o crédito extraordinário só ser permitido em casos imprevisíveis e urgentes. Como a Covid-19 é um problema vivido pelo país desde o começo de 2020, liberar os instrumentos fora do Orçamento em 2021 pode enfrentar questionamentos por parte de órgãos de controle. Agrava a situação a própria falta de sanção do Orçamento. O texto tem uma série de problemas —como a subestimativa de gastos obrigatórios, o que deu espaço a emendas parlamentares, e até a previsão de uma pedalada nos mesmos moldes da que derrubou Dilma Rousseff (PT). Bolsonaro agora tem que decidir se sanciona o Orçamento como está, arriscando uma acusação por crime de irresponsabilidade; ou se veta ao menos parcialmente a proposta, desagradando ao Congresso. De qualquer forma, enquanto a peça ainda está em aberto, fica reforçada a tese de que poderiam ser feitas modificações nos números para acomodar a Covid dentre as despesas tradicionais. Ou seja, um cenário em que não se configuraria o requisito da imprevisibilidade para criar créditos extraordinários. “Ainda que lancemos mão de crédito extraordinário, existe a preocupação de que não teremos a segurança necessária. Porque você poderia ter o espaço para fazer dentro do Orçamento. E o crédito, constitucionalmente falando, está fora do Orçamento”, afirmou recentemente Bruno Bianco, secretário especial de Previdência e Trabalho. Apesar de até mesmo uma ala da equipe econômica ver exagero na preocupação, parte dos especialistas vê riscos. “Quem propõe isso [chamar despesas para a Covid de imprevisíveis para liberá-las por crédito extraordinário] nunca assinou nada quando no governo. É fácil ser valente com o CPF dos outros”, afirmou Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda, em coluna recente na Folha. O governo tentou dar segurança às medidas com uma PEC que liberaria medidas específicas de atender regras fiscais —inclusive a exigência de imprevisibilidade e urgência para abrir os créditos extraordinários demandados. Mas a proposta perdeu força depois que a ala política quis embutir no texto também a liberação de até R$ 18 bilhões para obras.” [Folha]

O próprio governo se sabota…

“Com isso, medidas seguem travadas. Uma das mais demandadas é o programa de manutenção do emprego, que demandará cerca de R$ 10 bilhões. A medida vem sendo pedida por empresários há meses, por permitir corte de salário e jornada ou suspensão de contratos de trabalho. Os empregados afetados receberiam dos cofres públicos um benefício emergencial (batizado de BEm). “O atraso no BEm gerou um estrago extraordinário. Chegamos ao nível assustador de 91% [dos empresários do setor] não conseguirem pagar integralmente os salários em abril. Então continuamos precisando muito”, afirmou Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).”

Brutal!

“Também segue travado o envio de R$ 7 bilhões do Tesouro Nacional para o Pronampe (programa de crédito para micro e pequenas empresas). A demora nas discussões afetou até mesmo o auxílio emergencial deste ano, iniciativa que chega a mais de 40 milhões de pessoas para compensar a menor renda em um momento com necessidade de distanciamento social. Os valores só começaram a ser pagos à população em 6 de abril —quando o país ultrapassou a marca de 4.000 mortes diárias pela pandemia. Isso ocorreu após governo e Congresso passarem boa parte do segundo semestre de 2020 pensando em um programa social para ser pago após o término do auxílio emergencial de 2020. A ideia era ampliar o Bolsa Família com a revisão de despesas (como outros programas sociais), mas, diante de resistências —inclusive de Bolsonaro—, a medida não foi criada. O Orçamento de 2021 ficou sem o novo programa e sem o auxílio emergencial. Após novas discussões em 2021, a solução acabou sendo liberar o auxílio com crédito extraordinário com respaldo da PEC (proposta de emenda à Constituição) Emergencial, que trouxe um parágrafo com até R$ 44 bilhões aos vulneráveis fora das limitações orçamentárias. Essa mesma PEC permitiu que o governo pedisse ao Congresso a decretação do estado de calamidade pública, que liberaria novas ações ligadas à situação emergencial sem as limitações orçamentárias. Mas isso desagrada a Guedes, já que o Congresso retirou da lista de contrapartidas o congelamento de salários de servidores por três anos —dessa forma, em sua visão, o dispositivo virou um cheque em branco para gastar. Com isso, a execução de medidas criadas em 2021 se restringe até o momento ao auxílio emergencial, além de certas despesas do Ministério da Saúde e outras pastas. Os recursos usados somam R$ 14 bilhões e, apesar de representarem 17% do total mínimo planejado, podem corresponder a um valor ainda mais baixo caso o total demandado pela Covid esteja subestimado pelo Ministério da Economia. Apesar de a equipe econômica apostar na possibilidade de usar apenas 1% do PIB para a Covid, já é mencionada a possibilidade de usar 2% do PIB (ou seja, R$ 163 bilhões) ou até mesmo mais.”

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10. CCJ

Para surpresa de zero pessoas…

“Dia 13 de abril, 13 horas. A deputada Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), dá início ao que deveria ser um dia intenso de trabalho. Estão previstas as análises de treze itens pela comissão mais importante da Câmara. Mas ela se atrapalha já no início. Gagueja com uma solicitação banal, cochicha pedidos de ajuda aos assessores e se perde com as ações protelatórias da oposição. Antes mesmo de avançarem para a primeira discussão, os deputados gastam uma hora e vinte minutos repudiando falas dos colegas Éder Mauro (PSD-PA) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) consideradas ofensivas às mulheres. Em seguida, mais quarenta minutos são desperdiçados com o debate de um item que já havia sido retirado da pauta. Para quem acompanha a área sob a chefia de Kicis, o resultado não espanta: outra sessão termina sem nenhum progresso nas pautas. Seria cômico, não fosse trágico para o país. A principal função da CCJ, que tem 66 deputados, é atestar a legalidade e a constitucionalidade dos projetos de lei que tramitam na Câmara — ou seja, decide se as iniciativas seguirão para o plenário ou se serão arquivadas. Na fila atual há temas fundamentais para o Brasil, como a reforma administrativa. A paralisia de Kicis vem basicamente da junção da sua falta de experiência com o fato de ter sido alçada ao comando de um colegiado composto de políticos experientes na arte da obstrução. Como deputada de primeiro mandato, mais afeita a mexer no Twitter do que a legislar, ela claramente desconhece o regimento. Não sabe quando pode ou não cortar os opositores, que há um mês exploram todos os instrumentos para emperrar as votações. Um recurso protelatório clássico é a apresentação de questões de ordens, expediente bastante utilizado por Maria do Rosário (PT-RS), uma das mais ativas na operação — ela insiste, por exemplo, que a comissão só vote projetos relativos à Covid-19, mesmo com a presidente dizendo que não havia nada nesse sentido pronto para ser votado. Fernanda Melchionna (PSOL-RS) apresentou questão de ordem para exigir que Kicis usasse a máscara mesmo quando estivesse falando — a presidente rebateu, e o imbróglio deu início a outra longa discussão. Outra arma é provocar os bolsonaristas, como em 31 de março, quando a oposição teceu longas críticas ao golpe de 1964 e, com o debate, enrolou mais uma sessão. Dessa forma, em seu primeiro mês, Kicis aprovou apenas cinco proposições — desempenho muito inferior ao dos antecessores. No mesmo período, Felipe Francischini (PSL-PR) votou 26, Daniel Vilela (MDB-GO), 29, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), 34.

O fato de ser uma das principais militantes da ala ideológica do bolsonarismo também atrapalha. Investigada pelo STF no inquérito dos atos antidemocráticos, Kicis não controla os ânimos de outros novatos do PSL, que são arrastados pela oposição para intermináveis debates sobre o significado da palavra “genocida”, por exemplo. Fora da comissão, o comportamento da deputada é igualmente problemático. Nas últimas semanas, chegou a pedir um levante policial contra o governo da Bahia após um soldado em surto ter sido morto por colegas — em seguida, apagou o post. Também se dedicou nos últimos dias a defender a tese da volta do voto impresso, um fetiche que embala os bolsonaristas, incluindo o presidente. Essas intervenções ideológicas da deputada dão combustível à oposição nas sessões. No dia 12, deputados de esquerda reclamaram com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), da dificuldade da deputada em assumir um papel neutro na CCJ. Lira assentiu com os comentários e disse que já havia pedido moderação. Em conversas com aliados, já confidenciou que considera a atuação de Kicis péssima. Deputados do Centrão concordam com as críticas. Embora seja aliada, o desempenho de Kicis na comissão pode se transformar em um problema para o governo. A ideia da oposição é obstruir ao máximo os trabalhos para impedir a tramitação da reforma administrativa, apontada como prioridade pela própria Kicis. O relator, Darci de Matos (PSD-SC), postergou a apresentação do relatório duas vezes, mas diz que pretende aprovar o projeto no plenário ainda neste ano, o que parece cada vez mais difícil. “A demora em resolver essa questão nos obriga a conviver mais tempo com supersalários, privilégios e serviços públicos de baixa qualidade”, afirma Paulo Uebel, ex-secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, que elaborou o projeto. Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) estima que o impacto fiscal com a sua aprovação pode alcançar 403,3 bilhões de reais até 2034. O quadro na CCJ não chega a surpreender ninguém, já que a indicação de Kicis foi cercada de resistências, inclusive no seu partido. Ela foi escolhida pelo PSL após um acordo da ala bolsonarista com o presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), que assumiu a 1ª Secretaria da Câmara. Além dela, o PSL deu mais uma comissão importante, a de Meio Ambiente, a outra representante do grupo ideológico. Carla Zambelli (PSL-SP) já admitiu ser leiga no assunto — disse que ignora o que seja grilagem de terras — e durante uma viagem a Roraima afirmou que o colegiado vai apurar supostos “crimes ambientais cometidos na Amazônia venezuelana” (como se o desmatamento nas florestas brasileiras já não fosse preocupante). São dois exemplos claros de que, mesmo no jogo normal das negociações políticas, é preciso ser criterioso para não entregar tarefas relevantes a gente que talvez não esteja preparada. O resultado, por enquanto, é falta de foco e inaptidão para lidar com temas tão sérios para o país.” [Folha]

Imagine o que a oposição vai fazer com isso aqui ó:

“A deputada Bia Kicis (PSL-DF) afirma que a comissão especial que vai debater sua PEC sobre a impressão dos votos nas eleições deve ser criada na próxima semana. A parlamentar afirma que há um acordo entre ela, Arthur Lira (PP-AL) e Jair Bolsonaro para que o presidente da Câmara não barre a criação da comissão. Segundo Bia Kicis, a proposta não busca o retorno do voto impresso, mas uso de tecnologias para auditar as votações. O atual sistema, ela diz, é defendido apenas pelo TSE. “Você já viu uma mãe achar o filho feio?”, pergunta. Até hoje não houve indícios de fraude nas eleições.” [Folha]

Disse a mãe do Boslonaro…

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11. Salles

Do Elio Gaspari:

“A diplomacia americana está fritando Bolsonaro. O capitão, seu ex-chanceler e o ministro Ricardo Salles viajaram numa maionese de excentricidades e pirraças. Do outro lado, o Departamento de Estado levantou um muro. Quando um porta-voz disse que espera “seriedade” do governo brasileiro na Cúpula do Clima que começa na quinta-feira, cravou uma estaca na agenda. Enquanto o Departamento de Estado pedia “seriedade”, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, justificava o bloqueio a viajantes brasileiros e arrancava risadas na Assembleia francesa ao lembrar que “o presidente da República em 2020 aconselhou a prescrição de hidroxicloroquina, e gostaria de lembrar que o Brasil é o país que mais a prescreveu”. Bolsonaro passou de piromaníaco a pedinte. Admitiu acabar com o desmatamento até 2030 e estragou sua nova posição numa única frase: “Alcançar esta meta, entretanto, exigirá recursos vultosos e políticas públicas abrangentes, cuja magnitude obriga-nos a querer contar com todo apoio possível”. Coisas assim se fazem mas não se dizem, sobretudo se esse mesmo governo desdenhou a ajuda estrangeira e esvaziou o Fundo Amazônia. Colocar o Brasil, ou qualquer outro país, na posição do cachorro que olha para os espetos de frangos, como fez o doutor Ricardo Salles, é apenas burrice. O Império e a República cuidaram da Amazônia de todas as formas, mas nunca falaram em dinheiro. Essa é a pior maneira para se começar uma negociação diplomática. Com ela, chega-se apenas a uma velha piada, atribuída ao ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger. Numa versão politicamente correta, ela fica assim:

“Todos têm um preço.”
“Há coisas que eu não faço, nem por um milhão de dólares.”
“Você já está discutindo seu preço.”” [Folha]

A carta do Bolsonaro para Biden teve 7 páginas mas…

“Fosse qual fosse seu efeito, ele foi anulado pela curta notícia do afastamento do delegado Alexandre Saraiva, que chefiava a superintendência da Polícia Federal no Amazonas e acusou o ministro do Meio Ambiente de advogar no interesse de desmatadores.”

E a cabeça do Saraiova tava a prêmio entre os ruralistas, que devem ter adorado a decisão presidencial:

“Alexandre Saraiva, retirado do comando da PF no Amazonas pelo atual diretor-geral Paulo Maiurino, é citado em troca de mensagens de madeireiros investigados pela corporação como o “alvo a ser abatido”. As mensagens mostram como os madeireiros almejavam o delegado fora do cargo. Em 2 de setembro de 2019, o investigado Roberto Paulino encaminha uma foto do superintendente a um interlocutor de nome Guga. “Alvo a ser abatido”, diz ele. “A frase indica que todas as possibilidades para remover o superintendente da Polícia Federal no Amazonas estão sobre a mesa, em outros termos, caso as vias políticas e/ou judiciais e disciplinares não surtam efeito, não está descartado o uso da violência”, diz a PF. Outra conversa de Paulino, essa com Humberto Jacob de Barros Oliveira, também expõe o descontentamento com o delegado e a vontade de tirá-lo do posto. No diálogo, eles falam da necessidade em pedir ajuda a uma pessoa de nome Júlio para a tarefa, ele seria representante dos madeireiros. “Tem que pedir para o Júlio tirar esse cara daqui. Urgente”, diz Paulino. “Ele vai quebrar todos”, responde Humberto. As conversas integram o inquérito da operação Arquímedes, responsável pela apreensão de 444 contêineres com madeira ilegal. Em entrevista à Folha, no domingo (4), Saraiva criticou a atuação de Salles em favor de madeireiros alvos de outra ação da PF, a Handroanthus GLO, responsável pela maior apreensão de madeira da história do país. O delegado disse que nunca tinha visto um ministro ser contra uma ação cujo objetivo é preservar a floresta amazônica.” [Folha]

E olha como eles foderam qualquer processo.

“Três medidas do governo de Jair Bolsonaro dificultaram a fiscalização da madeira ilegal no Brasil, desde a investigação da extração clandestina à exportação do material. Uma delas foi aprovada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, em 2019. Essa regra impede que madeiras ilegais já comercializadas sejam apreendidas, caso o fiscal não consiga provar que o comprador tenha tido ciência da origem do produto ou tenha algum tipo de vínculo com a sua ilegalidade. Esse entendimento limita a capacidade de fiscalização, segundo a ex-presidente do Ibama Suely Araújo, pois os fiscais não têm as ferramentas para comprovar a ligação: — Para comprovar esse vínculo, precisa de um processo judicial, de prova, de testemunha. O que a fiscalização assume é que a madeira ilegal precisa sair do mercado, e por isso deve ser apreendida. Além disso, sem a apreensão do material, há uma dificuldade de a investigação chegar à origem da madeira ilegal, limitando a atuação contra a extração clandestina. A norma, ao não penalizar efetivamente o comércio da madeira ilegal, também não inibe o mercado. A segunda medida, adotada pelo Ibama em fevereiro do ano passado, afrouxou as regras para a exportação de madeira ao tirar a exigência da autorização especial concedida pelo instituto para enviar produtos florestais de origem nativa ao exterior. A justificativa dada pelo órgão para a mudança é que outras autorizações para o transporte da madeira no país já eram suficientes para fazer o controle da ilegalidade. A mudança, no entanto, contraria uma Instrução Normativa de 2011 e foi contra pereceres técnicos do Ibama. Já a terceira ação foi a retirada do pedido de inclusão do Ipê na lista internacional de espécies ameaçadas. Isso aconteceu no ano passado a pedido do Ministério do Meio Ambiente. Em 2018, o Ibama havia feito uma solicitação à Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites, na sigla original) para que a árvore fosse classificada. Hoje, o Ipê é o tipo de madeira mais valorizado e cobiçado no mercado. Sem a classificação, é comercializado sem um controle rigoroso.” [O Globo]

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12. STF

Chore na minha

“O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu, nesta sexta-feira (16), o julgamento sobre a validade de quatro decretos editados pelo presidente Jair Bolsonaro que flexibilizaram a compra de armas. Moraes pediu vista – ou seja, disse que precisa de mais tempo para analisar o tema. O julgamento acontece em plenário virtual e só será retomado quando o ministro informar que já concluiu a análise. Os decretos entraram parcialmente em vigor na terça (13). Isso porque, na segunda (12), a ministra Rosa Weber suspendeu parte dos decretos, atendendo a um pedido da oposição. Agora, o plenário do STF julgará se mantém ou derruba a decisão da ministra. Entre outros pontos, ela suspendeu a possibilidade de aquisição de até seis armas de fogo de uso permitido por civis e oito armas por agentes estatais.” [G1]

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13. Famiglia

Conhecereis a verdade e…

“O diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Gileno Gurjão Barreto, afirmou em ofício à Câmara dos Deputados que não se reuniu com Flávio Bolsonaro e suas advogadas para tratar das suspeitas da defesa do senador sobre uma possível devassa fiscal em seu perfil por uma organização criminosa da Receita. A afirmação foi feita em resposta a um requerimento de informações da bancada do Novo, em que ele diz que “não houve reuniões com o senador Flávio Bolsonaro e nem com sua representação”. O presidente do Serpro deveria recorrer a instâncias espirituais, então, para tentar saber como uma figura idêntica a ele, apresentando-se como presidente do Serpro, materializou-se na manhã do dia 29 de setembro em uma casa do Lago Norte, bairro nobre de Brasília, para uma reunião com Flávio e suas advogadas, Luciana Pires e Juliana Bierrenbach. Mais precisamente, o encontro foi na Quadra do Lago 2, no conjunto seis. A coluna se permite não informar o número da casa em nome da privacidade alheia. Na conversa, Gurjão Barreto respondeu que não poderia entregar nenhum dado da Receita Federal porque o Serpro tem com todos os seus clientes um contrato de confidencialidade, que seria descumprido se qualquer informação fosse fornecida. Procurado, o presidente do Serpro não respondeu por que disse para a Câmara que não houve o encontro.” [Época]

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14. LJ

Acho estranho que isso não tenha aparecido nas mensagens da Vaza-jato, mas dada a estupidez desse pessoal é bem possível mesmo:

“De todas as disputas recentes entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Força-Tarefa da Lava Jato, uma das mais rumorosas se deu em torno da suspeita de que os procuradores de Curitiba tivessem adquirido aparelhos de interceptação telefônica para montar uma central de grampos ilegais. A denúncia de que a Lava Jato teria comprado os tais aparelhos foi uma das que motivou a abertura de uma sindicância da Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal sobre a operação. Mas, segundo informações oficiais prestadas pelo vice-procurador da República, Humberto Jacques, via Lei de Acesso à Informação, o único equipamento para interceptações telefônicas já comprado pelo Ministério Público Federal foi adquirido em 2005 e cedido em 2008 à Polícia Federal. Depois disso, não houve nenhuma outra aquisição.” [O Globo]

Vai ver os americanos presentearam os procuradoresç. De maneira informal, claro.

“No documento oficial, reproduzido abaixo, “desde 2008 o Ministério Público Federal não usa o seu equipamento guardião adquirido em 2005 para armazenamento e gravação de conversas telefônicas.” Não há na administração pública outra fonte de recursos para o MP ou a força-tarefa comprarem equipamentos desse tipo. A informação resolve um mistério que permanece em suspenso desde o fim de junho, quando a subprocuradora Lindôra Araújo, próxima do procurador-geral, Augusto Aras, foi a Curitiba para verificar denúncias de irregularidades no trabalho da Força Tarefa.”

Lindôra foi à Curitiba e queria porque queria entrar no MPF sem máscara, essa aí sabe dar o exemplo.

“Na ocasião, seus assessores informaram aos procuradores que uma das coisas que estavam buscando eram equipamentos do tipo guardião, como é chamado o software usado para interceptação telefônica por órgãos de investigação. A mesma informação foi divulgada em sites jurídicos ligados à PGR. Além dos equipamentos de gravação, Lindôra também buscava ter acesso aos bancos de dados sigilosos da Lava Jato e verificar se havia mais de mil inquéritos acumulados em Curitiba, como alegou. Depois disso, três procuradores que assessoravam o gabinete de Aras, em Brasília, pediram demissão. Em outro protesto, os 14 procuradores da Lava Jato em Curitiba pediram à Corregedoria do MPF que tomasse providências a respeito do que diziam ter sido uma tentativa de copiar bancos de dados sigilosos das investigações de maneira informal e sem apresentar documentos ou justificativas. A sindicância acabou se transformando depois em um inquérito administrativo para apurar as irregularidades alegadas por Lindôra. Na época, Aras afirmou em uma live promovida pelo grupo de advogados Prerrogativas que a Força-Tarefa de Curitiba tinha “caixas de segredos”. O procurador-geral também bateu boca com o subprocurador Nicolao Dino em uma reunião virtual do Conselho Superior do Ministério Público a respeito do caso, e disse que tinha provas do que dizia sobre a Lava Jato. “Estou colecionando essas fake news com as respectivas respostas, para que no final da gestão eu apresente cada fake news, cada resposta, e é muito provável que eu diga de onde saiu cada fake news”, afirmou pouco antes de abandonar a live, irritado.”

Imagine a confusão na cabeça dos lava0-jatistas que afundaram 17 na urna, quem tá sepultando a operação é o PGR escolhido a dedo pelo presidente. E fora da lista tríplice.

“O inquérito administrativo sobre a Força Tarefa já foi concluído, mas continua sigiloso. A coluna apurou que uma das constatações da investigação foi que, a pedido da Lava Jato, a Procuradoria da República no Paraná comprou um aparelho para gravar conversas de ligações feitas nos ramais da Força Tarefa, mas esse equipamento não era capaz de interceptar ligações telefônicas. O pleito inicial da procuradoria havia sido o de comprar três equipamentos, para atender a todos os procuradores da República do estado do Paraná. Mas, por falta de recursos, apenas um foi comprado. Isso explica por que os assessores de Lindôra chegaram a Curitiba procurando “três guardiões”. As informações sobre o guardião prestadas agora à coluna pela PGR são uma resposta a um pedido feito em julho de 2020, quando se deu a crise entre Aras e a Lava Jato. Na ocasião, questionei à administração do MP quantos aparelhos do tipo guardião haviam sido adquiridos pela instituição desde 2014 (data de abertura da Lava Jato) e onde estavam alocados. Houve uma primeira negativa, em setembro, que a PGR justificou alegando sigilo das informações. O recurso, argumentando que sigilosas são as investigações e não o uso do dinheiro público na compra dos equipamentos, foi acolhido no final de março passado.”

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Nova presidente da Capes coordena curso de mestrado que tirou nota 2 e foi descredenciado pela própria Capes em 2017
“O relatório da Plataforma Sucupira diz que, no curso coordenado por Queda de Toledo no Centro Universitário de Bauru, “35% dos docentes não ofereceram disciplinas, 20% não participou em projetos de pesquisa e 23% não orientou discentes”. Quesitos da avaliação sobre corpo docente e produção intelectual receberam conceito fraco. O ministro Ribeiro havia dito que o próximo presidente da Capes seria “um profissional de perfil técnico e acadêmico”. “

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Radicais da Secretaria da Cultura de Bolsonaro fazem dossiês para atacar servidores ‘esquerdistas’ Funcionários atacados são descritos como ‘militantes
“O material costuma ser enviado à cúpula da secretaria, encabeçada por Mario Frias, geralmente por WhatsApp ou email, sem assinatura. Em planilha chamada “mapeamento Funarte 2020-2021”, obtida pelo Painel, seis servidores aparecem como militantes esquerdistas ou do PT e que por isso devem ser exonerados. “Servidora, há anos e é militante esquerdista, tirar cargo de gratificação. Faz movimentos na Funarte contra governo. Companheira de Marcos Teixeira [Campos, presidente substituto da Funarte na gestão de Regina Duarte], turma do Humberto Braga [presidente da Funarte no governo Michel Temer (MDB)], levantar açãos contra o governo (sic)”, consta na planilha. Na mesma planilha, servidores de direita são descritos em tom heroico como dignos de promoções. Luciana Lago, produtora cultural evangélica que era diretora da Escola Nacional do Circo, teria identificado irregularidades e sofrido perseguições internamente. “Atriz, circense,gestora e empresária artística e produtora cultural, por mais de 28 anos”, diz sua ficha. Ela foi nomeada para o cargo em junho de 2020, quando Luciano Querido, ex-assessor de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), estava interinamente como presidente da Funarte, à qual a escola está subordinada. Ela foi exonerada em março por decisão de Barbosa. Um advogado é descrito como “jovem conservador ativo”. Outro aparece como “secretário da ala conservadora da OAB-RJ, reconhecido jornalista conservador por nomeação.”.”

Presidente de associação rechaça possibilidade de juízes entrarem em reforma administrativa
“Renata declara que qualquer proposta que envolva magistrados é de competência privativa do Supremo Tribunal Federal. Não admitiremos qualquer ação em desacordo com os pressupostos da Carta Magna e da Lei Orgânica da Magistratura”, diz a juíza.”

‘O estado validou meu linchamento’, diz psicóloga presa por ‘tentativa de homicídio’ por ovo atirado em manifestação
Que bad trip escrota do caralho!

Dissertação de mestrado da nova presidente da Capes tem trechos copiados de outras obras
Fascinado como esses pilantras topam cargo com exposição achyando que sairão ilesos.

Dia 835 | Menos votos, mais rejeição | 15/04/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. 2022

Bolsonaro deve estar enfiando compulsivamente a cabeça na quina de alguma mesa do palácio.

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“Pesquisa PoderData, realizada em todo o Brasil com 3.500 entrevistas nesta semana (12-14.abr.2021), indica que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria 18 pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro (sem partido) num eventual 2º turno na disputa pelo Palácio do Planalto. O petista teria 52% contra 34% do atual presidente.” [Poder360]

Caralho, que surra.

Nesse contexto, a pesquisa PoderData captou uma piora das intenções de voto para Bolsonaro na comparação com 1 mês antes, quando apenas Lula e Ciro Gomes (PDT) venceriam o atual num eventual 2º turno. Agora, ele já não ganha de ninguém com segurança.

E se não fossem as mulheres…

“Bolsonaro é tem mais intenções de voto entre: os que ganham mais de 10 salários mínimos (61%) e dos homens (47%). Lula supera o presidente em todos os outros, com destaque para os jovens (69%) e as mulheres (61%).”

Jovens e as mulheres vão salvar o país dum monte de barbudo.

Segundo o PoderData, Bolsonaro perderia hoje num confronto direto para Lula (52% X 34%) e para o empresário e apresentador da TV Globo Luciano Huck (48% X 35%). Contra outros 3 possíveis candidatos testados, Bolsonaro ficaria apenas em situação de empate técnico (a margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos): Bolsonaro 38% X 37% João Doria (PSDB); Bolsonaro 38% X 37% Sergio Moro (sem partido); Bolsonaro 38% X 38% Ciro Gomes. Chama a atenção a melhora do tucano João Doria, justamente no período em que o governador de São Paulo reduziu os atritos públicos com seu partido (o PSDB) e também quando o Instituto Butantan conseguiu acelerar a vacinação contra a covid-19. O eleitorado reagiu e Doria agora subiu de 31% para 37% em duas semanas numa simulação de 2º turno contra Bolsonaro, segundo o PoderData. Também foi registrada uma melhora do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro (de 31% para 37%) na simulação de 2º turno.

Esses números são bem interessantes:

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Bolsonaro tem menos votos e mais rejeição que o Lula! O capitão e os generais devem estar desnorteados.

Mas a estabilidade do Bolsonaro é preocupante, repare como a linha do Lula sobe e a dele mantém uma linha estável. É como se ele nunca fosse perder esse 1/3 de apoio, ele pode atar alguém em frente ao Palácio e esse pessoal continuará colado com ele. E isso mostra que o pós-Bolonsaro será muito tenso.

“E uma expressiva pontuação de Luciano Huck, que em duas semanas saiu de 40% para 48%. Huck e Moro, além de Doria, são sempre citados como possíveis nomes para satisfazer uma corrente que se autodenomina “de centro” e que gostaria de ter um candidato em 2022 fora da polarização Bolsonaro-Lula. Além de Bolsonaro, quem coletou um resultado negativo nesta rodada do PoderData foi o pedetista Ciro Gomes. Ele variou negativamente dentro da margem de erro na simulação de 2º turno (de 39% para 38%), mas viu Bolsonaro nesse cenário encostar, saindo de 34% para 38%. Há duas semanas, Ciro venceria. Agora, fica empatado com o atual presidente –talvez um sinal de que seu nome não agrade ao eleitorado situado do centro para a direita do espectro político. A pesquisa foi realizada pelo PoderData, a divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes. Foram 3.500 entrevistas em 512 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.”

E Lula tá dando essa surra ainda em quarentena:

“O ex-presidente Lula começará a intensificar sua atividade política com reuniões e caravanas a partir do sábado (17), 14 dias após tomar a segunda dose da vacina. Em geral, duas semanas é o período necessário para que a imunização aconteça. O petista se queixou a interlocutores ao longo de 2020 de ter sua atuação prejudicada tanto pelos processos na Justiça, que lhe tomavam tempo, como pela pandemia, que o impedia de participar de encontros com aliados. Nesta quinta (15), o STF continuará o julgamento sobre a anulação das condenações do ex-presidente no plenário da corte.” [Folha]

E yem coisas que eu não entendo:

“O lançamento da pré-candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) ao governo de São Paulo, revelado pela coluna da Mônica Bergamo, não foi bem recebido por algumas lideranças petistas. Elas dizem que o momento escolhido por Boulos, o pico da pandemia, foi inoportuno.” [Folha]

Que eu me lembra há alguams semanas o PT lançou a candidatura do Lula/Haddad não?! E provalmente lá também estávamos no pico da pandemia…

“O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) diverge dos colegas de partido e diz que já era esperado que ele seria candidato, dado que teve bom resultado na campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo em 2020. Os petistas mais críticos à atitude de Boulos afirmam também que todo esforço político hoje deve ser concentrado na contraposição a Bolsonaro, e não em projetos eleitorais ainda distantes. Também foi lembrado um tuíte escrito pelo psolista em fevereiro, no qual ele dizia que antes de lançar nomes, um projeto deveria ser discutido. “Defendo que a esquerda busque unidade pra enfrentar Bolsonaro. Para isso, antes de lançar nomes, devemos discutir projeto”, escreveu na ocasião.”

E aí eu concordo demais com a crítica, mas vai ver isso é resposta ao {a movimentação do PT.

E essa aqui eu não tava imaginando não, hein…

“O ex-presidente Michel Temer está disposto mesmo a entrar na disputa presidencial do ano que vem como opção de terceira via. Seu grupo político vislumbra um forte desgaste da polarização que marcou a escolha do eleitor nas últimas décadas, em especial entre PT e PSDB.” [IG]

Do jeito que Bolsonaro tá derretendo periga o Michel Miguel roubar sua vaga segundo turno, hein.

“Quem voltou ao front é o fiel escudeiro e ex-ministro palaciano Carlos Marun. Ele deixou o conselho da usina de Itaipu para articular a candidatura de Temer. Marun vai coordenar o projeto “Governo de Centro” do ex-presidente. Temer não se mexe, não aparece, e aguarda o chamamento de partidos aliados. Do Centrão, inclusive. Atualmente, com a imagem arranhada do presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido) de um lado, e do ex-presidente Lula da Silva ainda rejeitado, de outro, Temer quer aparecer como o candidato de centro e opção para quem não quer votar em nenhum dos dois caciques políticos. Ele foi absolvido em primeira instância em dois processos e tem caminho livre.”

Um pilantra de marca maior absolvido… o seu amigão Coronel Lima fez reforma na casa da filha do temer e segue o jogo…

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2. “Atenção, Paulo Guedes”

Baita relato da Malu Gaspar:

“A novela da sanção do Orçamento está longe de um capítulo final. Em reunião na terça-feira à tarde no Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), alertou o presidente Jair Bolsonaro que o governo perderá a base de apoio caso vete o projeto e não conseguirá mais aprovar nenhuma matéria no Congresso, incluindo as reformas administrativa e tributária. [Estadão]

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Relação muito saudável essa…

“Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender o veto com o argumento de que Bolsonaro pode cometer crime de responsabilidade, que poderia acabar desembocando num processo de impeachment. Guedes, mais uma vez, chegou a colocar o cargo à disposição, mas não foi levado a sério.”

Caralho, “virou passeio, amigo!

“Para um dos presentes à reunião no Planalto, o problema é que Bolsonaro vê ameaça de impeachment por toda parte. “

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E olha que ele fala isso desde 2019, sua desculpa preferida era”se eu assino isso pode dar em impeachment”.

“Além do presidente, Lira e Guedes, estavam lá os ministros Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), Flávia Arruda – que, como titular da Secretaria de Governo, é responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso – e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União). O grupo de Lira aposta que, se houver rompimento, Flávia Arruda deixaria o cargo para o qual foi recém-nomeada. Uma saída dela do governo, porém, não foi discutida na reunião. O Estadão apurou que Flávia não admite essa hipótese. A poucos dias do prazo final para Bolsonaro tomar uma decisão, o encontro foi tenso e acentuou ainda mais a divergência entre a área econômica e a política. O discurso do ministro da Economia de que age para proteger o presidente, como se o Congresso quisesse prejudicá-lo, tem ajudado a colocar ainda mais lenha na fogueira. O Estadão apurou que, durante o encontro, Lira voltou a dizer que Bolsonaro não cometerá nenhum crime de responsabilidade ou pedalada fiscal, caso sancione o Orçamento, porque o texto foi aprovado pelo Congresso, e não executado pelo governo. Na avaliação do presidente da Câmara, o governo pode corrigir os “excessos” e garantir o pagamento das despesas obrigatórias, como a da Previdência, ao longo do ano. Tem instrumentos para isso, como bloqueios do Orçamento ou remanejamentos. Lira apresentou como solução para o impasse a sanção total do Orçamento, seguida do envio de um projeto de lei para corrigir os excessos de emendas parlamentares encaixadas pelo relator, senador Marcio Bittar (MDB-AC), sob o patrocínio do ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP).”

Entendeu? Eles vão aprovar um orçamento fictício e vão corrigir depois, puta que pariu…

“O projeto também serviria para refazer as projeções de gastos obrigatórios que foram subestimados, incluindo, por exemplo, o impacto do reajuste do salário mínimo nos benefícios sociais.”

Nem o reajuste do salário eles foram capazes. Lembrando que esses gênios calcularam os gastos previdenciários sem se basear na reforma da previdência aprovada ano passado!

“O problema é que o entorno do presidente teme que o Congresso não aprove o projeto, deixando Bolsonaro em risco.”

Caasaram com Centrão e não têm os votos, eu acho é graça;

“Mesmo Lira dando a palavra de que o projeto será votado, há desconfianças. Para auxiliares do presidente, seguir essa receita seria deixar Bolsonaro nas mãos de um Legislativo que já deu várias demonstrações de traição ao longo de sua história.”

“Interlocutores de Bolsonaro disseram ao Estadão que Lira tenta convencer o Planalto de que sua palavra vale.'”

“Aliados do Centrão argumentam que, se o presidente vetar o texto, passará a ter problemas que não enfrenta hoje, como a falta de uma base no Congresso no momento em que sua popularidade está em queda e há uma centena de pedidos de impeachment na gaveta. Além disso, há uma CPI da Covid chegando. “Você não tem um problema hoje, mas passará a ter”, disse Lira a Bolsonaro, ao seu estilo, sem meias-palavras.”

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Sempre que tem uma reunião tensa Bolsonaro sempre fica desconcertado, mudo, só vendo o pau comer. Imagine a cara dele quando Lira encostou o cano da arma em sua cabeça.

“O presidente foi informado na reunião de que as projeções das despesas do governo com aposentadorias e pensões da Previdência estão superestimadas. Consultores legislativos apontam que os gastos devem fechar este ano em R$ 706 bilhões, número menor do que os R$ 720 bilhões previstos pela Economia. O Orçamento, porém, foi aprovado com R$ 698,5 bilhões para os benefícios. O risco do impeachment é justamente sancionar um Orçamento com despesas obrigatórias, como o pagamento de aposentadorias e pensões, subestimadas para aumentar a fatia de emendas parlamentares. Mas os que defendem a sanção integral do Orçamento têm reforçado para o presidente os argumentos de que não há perigo à vista. Já estão desse lado a CGU e a Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ), órgão de assessoramento da Presidência. Bolsonaro, no entanto, ainda está reticente em se fiar no Congresso.”

28 anos de Congresso, né?!

“Para o comando do Congresso, a PEC é “meritória”, mas precisa ser apresentada pelo governo e deve ser usada como solução para a sanção do Orçamento sem vetos, juntamente com o envio do projeto de lei. “O problema foi na unha, e Guedes quer cortar a mão”, criticou um interlocutor de Bolsonaro que acompanha as discussões sobre a atuação do ministro. Em determinado momento da reunião, na terça-feira, foi oferecida a Guedes a chance de construir uma narrativa favorável a ele, que justificaria a sanção do Orçamento sem parecer um recuo. O ministro já afirmou que, da forma como foi aprovada, a peça é ‘inexequível’. O alerta levou Bolsonaro a dizer a empresários, na semana passada, que não vai “colocar o dele na reta”. A sugestão dada a Bolsonaro para que ele e o vice-presidente, Hamilton Mourão, fizessem uma viagem ao exterior, abrindo espaço para Lira assumir a Presidência e, assim, sancionar o Orçamento, como revelou o Estadão, foi mencionada. Lira a tratou como ironia. E brincou que, se assumir a Presidência, vai fazer uma reforma ministerial.”

A começar pelo Guedes!

“Na reunião, o ministro da Economia bateu a todo momento na tecla dos riscos de perda de mandato ou, ainda, de Bolsonaro se tornar inelegível. O presidente chega a olhar para cima quando Guedes começa o discurso e parece entrar no “modo automático”, como definiu um dos presentes ao encontro. Mesmo assim, não planeja substituir o ministro da Economia, a não ser que ele queira, por se sentir em dívida. Foi o ministro quem garantiu a Bolsonaro, durante a campanha, o apoio do empresariado e do mercado financeiro. As críticas à atuação de Guedes e de sua equipe, porém, já não são feitas apenas por militares. Seriam compartilhadas até mesmo pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Cotado como opção número 1 para substituir Guedes, Campos Neto tem afirmado, em conversas privadas, que a equipe do ministro se revelou incompetente.”

Disse o integrante da equipe econômica do Guedes.

“Ele poupou, porém, o ministro, a quem tem gratidão. Procurados, Guedes, Lira, Flávia Arruda e Campos Neto não se manifestaram.”

É o novo ministro, e Guedes jurando que seu pupilo não lhe esfaquearia pelas costas. Pra quem não lembra, quando começou a rolar o papo do Campos Neto assumir o lugar do Guedes integrantes da equipe pediram que ele viesse publicamente refutar a hipótese e ele ficou quietinho, o que saía saía em off.

E o que precisa para o Guedes sair? Tomar uma cusparada presidencial em público? Um tapa do Lira na frente das câmeras?!

“Integrantes do alto escalão do Centrão, grupo político que dá sustentação ao presidente Jair Bolsonaro, não estão dispostos a dar trégua ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem acusam de traição nas negociações envolvendo o Orçamento de 2021. Para eles, o “Posto Ipiranga está prestes a ter as bombas lacradas”. No entender dos integrantes do Centrão, está ficando claro que o ministro “é uma fraude”, que oferece “gasolina batizada” ao fazer promessas para a economia que não são cumpridas. “Depois de quase dois anos e meio de governo Bolsonaro, Guedes não entregou nada do que prometeu. Nem privatização, nem crescimento econômico, nem mais empregos”, diz um líder do PP.” [Correio braziliense]

“Para o Centrão, está ficando “patético” ver o ministro da Economia falando por mais de uma hora e meia em lives com investidores e empresários, dizendo que o Brasil vai crescer, que o país surpreenderá a todos. “O que ouvimos de representantes do mercado é que o poder cegou Guedes, que ele não consegue ver a realidade, vive num mundo paralelo”, acrescenta um parlamentar do PL.”

Cegou lá na década de 70, né? Vai ver foi o vento gelado de Chicago.

“Os líderes do Centrão asseguram que, hoje, Guedes conta apenas com o apoio de Bolsonaro e de uma parte dos militares que têm assento no Palácio do Planalto. “Ninguém mais compra o discurso do ministro da Economia, o que é muito ruim para o país, que precisa de uma referência confiável para se guiar em meio ao atoleiro”, destaca um político do PSD. Segundo esses líderes, se Guedes “não tomar jeito”, não voltar para a realidade, dificilmente continuará no cargo. “Hoje, para nós, a referência no governo quando o assunto é economia é o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele não tem a empáfia do ministro e tem mostrado um bom jogo político”, afirma o líder do PP. Os integrantes do Centrão acreditam que, com a piora da economia — sairão dados muito ruins do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação nos próximos meses — e a forte queda da popularidade, Bolsonaro vai jogar toda a sua tensão para cima de Guedes. E as fragilidades do ministros serão escancaradas. “O Posto Ipiranga pode se preparar”, avisa o parlamentar do PL.”

Não acho que Guedes seja a pessoa que cairá silenciosamente. Tudo bem que eu sempre achei que ele cairia no primeiro ano de governo e jamais aceitaria tanta humilhação, mas acho que ele não vai ficar quieto. Imagine o ódio que ele vai ficar do Campos Netto, há de ser hilário

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3. PF

Bolsonaro faz o que quer na PF, é inacreditável. E nessas horas eu me lembro que 90% da PF deve ter afundado o 17.

“O Superintendente da Polícia Federal no Amazonas Alexandre Saraiva – que preside inquéritos policiais que apuram crimes ambientais graves naquele estado – acabou de encaminhar ao ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao Ministério Público Federal e à Direção Geral da Polícia Federal uma notícia-crime assinalando e detalhando o cometimento de crimes por parte do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. No expediente de 38 páginas, Saraiva enquadra Salles, o senador Telmário Mota (Pros) e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, nos crimes previstos no Artigo 69 da Lei 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais), Art. 321 do Código Penal (Advocacia Administrativa) e Artigo 2o, § 1o da Lei 12.850/2013 (Organização Criminosa).” [Veja]

“Tanto Salles como Telmário têm foro privilegiado, razão pela qual o expediente foi enviado ao Ministério Público Federal, para posterior encaminhamento à Procuradoria-Geral da República. As condutas teriam sido cometidas no âmbito da Operação Handroanthus, que, capitaneada pela Superintendência Regional no Amazonas, foi responsável pela apreensão recorde de aproximadamente 200.000 m3 (duzentos mil metros cúbicos) de madeira em toras extraídas ilegalmente por organizações criminosas que atuam na região. Para quem acompanha a atuação escancaradamente anti-ambiental do Ministério do Meio Ambiente, parece que o tipo penal previsto no Art. 69 da Lei 9.605/98 (obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do poder público no trato de questões ambientais) foi elaborado sob medida para Salles. O delegado Alexandre Saraiva tem sido, nos últimos dez anos, um dos expoentes da Polícia Federal no enfrentamento à delinquência ambiental institucionalizada que atinge nosso país, e que vem alvejando – com prejuízos irreversíveis – nossos preciosos recursos naturais. Que a postura decidida e desassombrada do delegado Saraiva inspire outros colegas delegados que presidem inquéritos policiais que investigam grandes esquemas pilotados pelos poderosos da vez. O delegado Alexandre Saraiva tem sido, nos últimos dez anos, um dos expoentes da Polícia Federal no enfrentamento à delinquência ambiental institucionalizada que atinge nosso país, e que vem alvejando – com prejuízos irreversíveis – nossos preciosos recursos naturais. Que a postura decidida e desassombrada do delegado Saraiva inspire outros colegas delegados que presidem inquéritos policiais que investigam grandes esquemas pilotados pelos poderosos da vez.”

O autor do texto, Jorge Pontes, já foi delegado da PF e coloca a mão no fogo pelo Saraiva mas não sei não, se ele foi escolhido pra chefiar a PF na Amazônia em pleno governo Bolsonaro é porque tem coisa aí – dito isso, eu quero mais é que o Salles se foda.:

“O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, pode ser substituído no cargo, após ter apresentado, na quarta-feira (4), uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no Supremo Tribunal Federal (STF). A preocupação nos bastidores é se a atuação independente de Alexandre Saraiva à frente da PF do Amazonas será tolerada no governo. O receio é que ele seja substituído justamente por tentar reforçar a fiscalização ambiental.. Um dos cotados para o lugar de Saraiva no comando da PF no Amazonas é o delegado Leandro Almada. Saraiva deu entrevista à GloboNews no início da tarde desta quinta. Ele reiterou as acusações sobre o ministro e disse que não notificado por ninguém do governo sobre uma possível saída do cargo. “Não recebi nenhuma comunicação nesse sentido até agora”, disse. Ele também afirmou que nunca recebeu do governo um pedido “fora da lei”. “Nunca me foi solicitado nada que fosse fora da lei”, completou. [G1]

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4. Argentina

Todo dia é dia de ataque presidencial à Argentina:

“O presidente da Argentina, Alberto Fernández, respondeu a um tuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre a ajuda que as Forças Armadas argentinas fornecem no combate à pandemia de Covid-19. Desencadeando mais um impasse diplomático com o país vizinho, o presidente brasileiro havia sugerido erroneamente que o Exército argentino estava nas ruas para impor o toque de recolher noturno e “manter o povo em casa”. “Exército argentino nas ruas para manter o povo em casa. Toque de recolher entre 20h e 8h. Bom dia a todos”, escreveu o presidente brasileiro na manhã desta quinta. Junto com a mensagem, Bolsonaro compartilhou uma imagem que havia sido compartilhada pela conta de Instagram do site Infobae, que mostra soldados argentinos e a manchete: “Toque de recolher: pela primeira vez, o Exército sairá às ruas para controlar o cumprimento das drásticas medidas anunciadas pelo presidente”. O comentário de Bolsonaro se refere às medidas anunciadas pela Casa Rosada na noite de quarta, que limitam a circulação de pessoas entre 20h e 6h, reduzem o horário comercial e suspendem as aulas por duas semanas. Os militares, disse Fernández em um pronunciamento televisionado, serão mobilizados para auxiliar na fiscalização do cumprimento das medidas. A decisão gerou questionamentos, diante da sensibilidade que a presença das Forças Armadas em questões civis representa no país — herança das ditaduras militares que comandaram boa parte dos países latino-americanos durante a segunda metade do século XX. ” [O Globo]

Argentina é um caos econômica há décadas, mas no trato com os milicos eles tão na vanguarda perto do Brasil. E olha onde Bolsonaro foi se meter…

“Diante disso, Fernández e integrantes de seu governo têm dado entrevistas a veículos de imprensa para esclaracê-las, afirmando que os militares atuarão majoritariamente de dia e desarmados. Ao ser questionado sobre o comentário de Bolsonaro pela Rádio 10, ele disse: — Seria necessário explicar a Bolsonaro um pouco como funciona a Constituição. Primeiro que não há toque de recolher na Argentina e que as Forças Armadas não são responsáveis pela segurança doméstica — afirmou o presidente, que rechaça o uso do termo “toque de recolher” para explicar as medidas recém-implementadas e prefere se referir a elas como “proibição de circulação noturna”. — É chocante que Bolsonaro diga uma coisas dessas. Fernández disse ainda que não declarou um estado de sítio e que não tem planos de fazê-lo e defendeu a mobilização das Forças Armadas. Segundo o argentino, elas existem para ajudar as pessoas em situações catastróficas como a atual: — São militares que fizeram sua carreira na democracia, defendem as instituições e, desse lugar, têm colaborado de modo magnífico durante a pandemia, levando assistência a áreas de maior vulnerabilidade — disse Fernández, afirmando que os militares ajudarão a montar postos de testagem.”

Imagine, Fenrandéz tá defendo os militares argentinos por conta do Bolsonaro, a América Latina é fascinante!

“Sobre o uso dos militares o presidente brasileiro se baseou em uma reportagem do site Infobae que de fato afirma que o Exército seria usado. Mas o governo argentino esclareceu que isso não iria correr e o próprio véiculo retirou essa afirmação do ar.”

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5. Malditos

Mais uma cerimônia miliar, Bolsonaro deve ter pareticipadomais de cerimônia militar que reunião, de fato, de trabalho.

“Durante cerimônia de passagem do Comando Militar do Sudeste em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira (15/4), que o Brasil pode contar com as Forças Armadas e que a “nação tem por vocação a liberdade acima de tudo”. O chefe do Executivo ressaltou ainda que a certeza de contar com a corporação “traz paz para governar”. As falas são uma indireta ao lockdown, medida adotada por governadores e prefeitos em meio à pandemia e frequentemente criticada por ele. No evento, assumiu o posto o general Thomas Miguel Ribeiro Paiva no lugar do general Eduardo Fernandes. “Quis o destino que eu aqui chegasse a essa posição. Só Deus sabe como. Não apenas pela vida, mas por uma campanha simplesmente atípica. Mas nós sabemos que ele escreve certo, por vezes, com linhas tortas. Nossa nação tem uma vocação: a liberdade acima de tudo e a certeza desse povo maravilhoso de mais de 210 milhões de pessoas de que as suas Forças Armadas, sempre dentro das quatro linhas da Constituição, não medirão esforço para nos garantir o oxigênio da vida que é a nossa liberdade. A certeza que temos de sempre contar com sua Marinha, seu Exército e sua Aeronáutica, nos traz a paz para governar”, apontou.” [Correio Braziliense]

Bolsonaro falando em liberdade é sempre perturbador.

“O mandatário cumprimentou aos generais e voltou a falar em tranquilidade para governar. “Prezado general substituído e substituto, agradeço o trabalho prestado por vossas excelências, e cumprimento o novo comandante sabendo que estará ombreado com o destino maior de nossa nação. É a nossa tranquilidade, é a nossa paz para governar. Muito obrigada por esse momento. A todos os brasileiros, a certeza que podem contar, como sempre contaram, com o seu Exército brasileiro”, concluiu. “

No Way Do Not Want GIF

E Carlos continua fodendo com os milicos:

“Com pouco mais de um mês à frente da Secom, o almirante Flavio Rocha, vive momentos de pesada turbulência no cargo.Indicado por Fabio Faria, Rocha ocupa interinamente a chefia da Secretaria de Comunicação desde 11 de março e está sofrendo um ataque frontal de uma ala bolsonarismo.” [O Globo]

Eu acho é pouco!

“Dando nome aos bois, Carlos Bolsonaro tem reclamado da atuação da Secom. Avalia que o governo está sob ataque e não está sabendo se defender.”

Quem sabe defender Bolsonaro é o Carlos, tá ok?!

“Fabio Wajngarten, que perdeu o comando da Secom depois de bater de frente com Fabio Faria, mas que ainda tem fortes laços com o bolsonarismo, é outro que tem feito críticas à atuação do sucessor. Flávio Rocha, um militar de estilo calmo e conciliador, tem hoje dois chapéus. O de chefe da Secom e o de ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mas se depender de alguns bolsonaristas, Rocha perderá um dos chapéus.”

E caiu mesmo:

“O almirante Flávio Rocha deixará o comando da Secretaria Especial de Comunicação, que vem chefiando interinamente há um mês. Um dos principais auxiliares do presidente, ele seguirá apenas à frente da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE). A Secom, por sua vez, deverá ser comandada pelo coronel da Polícia Militar André Costa, que atualmente é assessor especial da Presidência.” [O Globo]

Secretaria de comunicação, sai um almirante e entra um coronel. Mas não é um governo militar, tá oki?!

“Costa foi levado para o governo pelo ex-chefe da Secretaria-Geral e hoje ministro do Tribunal de Constas da União, Jorge Oliveira. Os dois são amigos e da mesma turma da Academia da Polícia Militar no Distrito Federal, segundo informou a colunista Bela Megale.  Integrantes do governo, no entanto, evitam relacionar a mudança ao vereador e dizem que Bolsonaro queria o almirante mais focado nas funções ligadas à Secretaria de Assuntos Estratégicos em que desempenha um papel mais próximo ao presidente.  Por isso, teria sido aconselhado por assessores do gabinete a fazer a alteração. A sugestão de indicar o coronel André Costa para chefia da Secom teria partido de outros assessores do gabinete que também são ligados ao ministro do TCU, Jorge Oliveira, próximo da família Bolsonaro. O ministro Fábio Faria ainda vai conversar com Costa para bater o martelo. Nesta quarta-feira, Rocha acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em uma visita à embaixada do Reino Unido, ao lado de alguns ministros. Depois, participou de um seminário online promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mas deixou o evento antes do fim, minutos antes de sua saída do governo ser anunciada.” 

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6. Covid-17

Quanto mais o tempo passa mais escancarada fica o quão criminoso foi o governo brasileiro na condução da pandemia:

“Estudo publicado pela revista científica The Lancet afirma que a propagação das infecções e mortes por Covid-19 no Brasil foi primordialmente afetada pela combinação das vulnerabilidades socioeconômicas no país e a resposta errática do governo Jair Bolsonaro (sem partido) à crise. Segundo a The Lancet, o contra-ataque dos governos estaduais contrários às políticas de Bolsonaro foi fundamental para mitigar os efeitos de seu negacionismo e incompetência. Segundo o trabalho, apesar da “ausência de coordenação geral no Poder Executivo”, os estados mais vulneráveis no início da pandemia conseguiram, com o tempo, expandir a capacidade hospitalar e, ao confrontarem o governo Bolsonaro, diminuir a taxa de mortalidade. ​ Isso foi possível graças à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), em abril de 2020, de proibir a interferência de Bolsonaro na gestão da crise pelos estados e municípios. Assim, segundo a The Lancet, “o distanciamento físico permaneceu relativamente maior nos lugares mais vulneráveis”. O efeito das medidas restritivas foi crucial, por exemplo, no Nordeste.” [Folha]

Sim, se Bolsonaro pudesse impor sua vontade atropelando governadores e prefeitos ele já teria tido um fim a la Mussolini.

E não perca a conta, essa aí de cima é da Science, tem na Lancet também:

“O fracasso brasileiro no combate a pandemia pode ser parcialmente atribuído a falhas de gestores públicos em diferentes lugares, mas o peso do governo federal tem um tamanho desproporcionalmente grande na equação. A conclusão é de um estudo assinado por dez cientistas do Brasil e dos EUA, liderado pela demógrafa Márcia Castro, professora da Universidade Harvard, publicado na revista Science, vitrine da ciência mundial.” [O Globo]

Já pode trocar uma idéia com a CPI, hein…

“Se o primeiro ingrediente da falha foi a própria desigualdade já instalada no país, outros são problemas mais relacionados ao momento político que o país vive. O segundo problema foi a falta de bloqueios que pudessem evitar o espalhamento da doença entre municípios e estados, porque o Brasil é um país grande e relativamente bem conectado. O terceiro ingrediente foi o fator político em si, porque cidades e estados governados por aliados do presidente Jair Bolsonaro tomaram menos ações, e a polarização ideológica prejudicou a adesão a medidas. O quarto elemento (o mais bem documentado no estudo de Márcia Castro) é a falha de testagem e acompanhamento da epidemia, com várias cidades tendo começado a registrar alta nas mortes por Covid-19 antes da alta de casos. O quinto ingrediente, finalmente, foi a falta de sincronia nas medidas de distanciamento e contenção do vírus. A falta de uma política nacional de distanciamento social ajudou o vírus a encontrar sempre um refúgio onde pudesse crescer, explicam os cientistas.”

Não à toa…

“O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas ajuizou, nesta quarta-feira (14), ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o secretário estadual de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo, por omissão no combate à pandemia entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando o Amazonas registrou colapso de oxigênio nas unidades de saúde e aumento de mortes por covid-19. A ação, encaminhada à Justiça Federal no Amazonas, cita, também, três secretários do Ministério da Saúde e o coordenador do Comitê de Crise do Amazonas, Francisco Ferreira Máximo Filho. O G1 tenta contato com os citados. No documento, o MPF identificou atos de improbidade administrativa em cinco situações distintas:

  • atraso e lentidão do Ministério da Saúde no envio de equipe para diagnosticar e minorar nova onda de covid-19 no Amazonas;
  • omissão no monitoramento da demanda de oxigênio medicinal e na adoção de medidas eficazes e tempestivas para evitar seu desabastecimento;
  • realização de pressão para utilização de ‘tratamento precoce’;
  • demora na adoção de medidas para transferência de pacientes que aguardavam leitos;
  • e ausência de medidas de estímulo ao isolamento social.

O MPF aponta que, mais de um semestre após a primeira onda de covid-19, as autoridades federais e estaduais, em dezembro de 2020, deveriam ter elaborado e posto em prática planos de contingência para novas ondas de contaminação. “Entretanto, o que se viu foi uma série de ações e omissões ilícitas que, somadas, violaram esses deveres e contribuíram para o descontrole da gestão da pandemia no Amazonas, com o colapso do fornecimento de oxigênio e decorrente óbito por asfixia de pacientes internados”, cita trecho da ação. Conforme o órgão, o então ministro da Saúde, além de seu secretariado, tinha ciência do descontrolado aumento de casos no Amazonas na segunda metade do mês de dezembro, bem como da lotação dos leitos clínicos, ainda em 2020. “Também tinham acesso amplo, como acima se expôs, às informações sobre o deficiente funcionamento do sistema de saúde no Amazonas e as dificuldades do governo estadual para promover de modo efetivo o isolamento social em Manaus, inclusive diante de protestos populares. A ciência da arriscada situação não era apenas virtual, decorrente do acesso ao LocalizaSUS, mas concreta e expressamente abordada em reunião realizada no dia 28 de dezembro de 2020”, cita o documento. O MPF cita, também, que apesar de ter notícia do aumento dos casos desde a semana do Natal e de haver realizado reunião com secretariado no dia 28 de dezembro, Pazuello determinou a ida de comitiva a Manaus apenas no dia 3 de janeiro, ou seja, quase uma semana após. “Evidencia-se que o Ministro não atuou com a celeridade necessária para debelar o novo pico pandêmico. Omitiu-se, portanto, na adoção de medidas com a presteza indispensável”, diz outro trecho do documento.” [G1]

Como dizia o GENERAL DA ATIVA, “pra quê essa anisedade, essa angústia“?!

“O MPF destaca que, até o colapso no abastecimento de oxigênio, em janeiro deste ano, os representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde deixaram, ilicitamente, de determinar a adoção das medidas necessárias para calcular a demanda de oxigênio. Somente após o agravamento da crise, projetou-se demanda futura de 104 mil m3/dia. No caso do oxigênio medicinal, a necessidade de monitorar a quantidade utilizada, de dimensionar a demanda futura e de articular estratégias junto aos fornecedores era imprescindível, considerando que o transporte deste insumo exige logística complexa, por conta do grande volume e da inflamabilidade.”

Sim, como revelou Pazuello, Manaus é uma ilha!

“Outra medida essencial, não adotada no tempo adequado pelo Poder Público, segundo o MPF-AM, era o contato com os maiores fornecedores de oxigênio medicinal, ou ainda com a Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), para verificar a capacidade do setor de fazer frente à demanda. O MPF ressalta que, em janeiro de 2021, não havia desabastecimento de oxigênio medicinal no país, não tendo havido efetivamente falta do produto, e sim omissão dos agentes públicos no monitoramento e no dimensionamento da demanda e na definição de estratégia para abastecimento do insumo.”

E tem mais crime, o que não falta é crime:

“Na ação apresentada à Justiça, o MPF identificou também atos de improbidade administrativa por parte de representantes do Ministério da Saúde quando promoveram o chamado “tratamento precoce” para a Covid-19, com medicamentos de eficácia não comprovada. Conforme o MPF, no dia 4 de janeiro – um dia após sua chegada –, a secretária Mayara Pinheiro enumerou, em evento que contou com a participação de representantes dos três níveis federativos, o protocolo médico como uma das prioridades. Assim, uma equipe de médicos escolhida por ela visitou treze unidades básicas de saúde em Manaus. Ainda conforme o órgão de controle, as visitas foram confirmadas pela Secretária Municipal de Saúde por meio ofício ao MPF O Ministério Público também cita na ação que medidas para assegurar o atendimento aos doentes, como a transferência de pacientes para outros estados diante da falta de leitos disponíveis no Amazonas, não foram adotadas com a celeridade. No dia 12 de janeiro, em reunião do Comitê de Crise, foi apresentada a possibilidade de transferir pacientes para outros estados. Mesmo já tendo a disponibilidade de empresa de transporte aéreo para o transporte dos pacientes, “o planejamento para a evacuação ocorreu apenas após o colapso, já no dia 14 de janeiro, ao mesmo tempo em que se iniciavam propriamente as ações para a transferência. “Não há, por óbvio, racionalidade na concomitância entre planejamento e execução. Essa simultaneidade significa desorganização e falta de planejamento pelos gestores citados, decorrentes da omissão em tomar as providências com a urgência que se fazia necessária”, declarou o MPF..”

E que tragédia criminosa é a falta de materiais para intubação, é duma crueldade dfícil de dar conta,

“O Ministério da Saúde está com dificuldades para refazer a reserva técnica de remédios do kit intubação, que está praticamente zerada. Esses medicamentos são usados no tratamento de pacientes de covid em estado grave. Nota técnica da pasta do dia 12, obtida com exclusividade pelo Estadão, mostra que o governo tentou comprar doses para seis meses, mas só conseguiu 17% do planejado. Em reunião com a Casa Civil no fim de março, ficou acertado que a Saúde compraria 186 milhões de doses dos medicamentos, o suficiente para 180 dias. Só foram obtidas, porém, 32,48 milhões de unidades (17%). O estoque federal de um dos dez remédios do kit acabou, e os de outros nove estão quase no fim. A responsabilidade de comprá-los costuma ser de Estados, municípios e hospitais. No entanto, o próprio documento determina que, com o risco de desabastecimento nacional, o ministério tem o papel de facilitar as compras. A pasta vem recebendo alertas a respeito há mais de um mês. Analgésicos, sedativos e remédios que controlam o coração e a circulação pulmonar estão entre os itens que acabaram. O maior estoque é do sedativo Cetamina, com previsão de durar 19 dias. O ansiolítico diazepam dá para mais quatro dias: o hemitartarato de norepinefrina, para mais 24 horas. Segundo a nota, o ministério vinha mantendo a reserva por meio de pregões de compra de 2020. Agora, destaca a “considerável baixa no estoque” e alerta para a dificuldade de compra no País e no exterior. Procurada, a Saúde não informou o volume ideal da reserva, mas o documento fala em montar estoque para seis meses.” [UOL]

Se 17% não fosse comprado já seria uma tragéida, mas esse é o total que foi comprado…

“Ontem, o ministro Marcelo Queiroga disse que deve receber mais lotes em até dez dias. Os remédios garantem que o paciente seja intubado sem sentir dor e sem tentar arrancar o tubo em reação involuntária.”

E como de hábito, é só seguir o dinheiro:

“A principal associação de médicos defensores do chamado tratamento precoce contra a covid-19, que inclui medicamentos ineficazes contra a doença, tem como um de seus apoiadores um grupo empresarial goiano que fabrica a ivermectina, um dos remédios que compõem o tratamento. A companhia é a responsável por desenvolver e administrar a plataforma online disponibilizada no site da associação aos médicos interessados no tema do tratamento precoce. A Associação Médicos pela Vida é o principal grupo de profissionais a apoiar o uso de remédios sem eficácia contra a covid, como a hidroxicloroquina, a azitromicina e a própria ivermectina. Foi iniciativa da entidade a publicação de informes publicitários favoráveis ao “tratamento precoce” em oito jornais de grande circulação no País em fevereiro e a colocação de outdoors propagandeando a terapia ineficaz em várias cidades brasileiras. Representantes da associação também já se encontraram, em setembro do ano passado, com o presidente Jair Bolsonaro, outro apoiador das terapias inócuas.” [Folha]

Hustling Dave Chappelle GIF

“A partir de março, no auge da pandemia no País, a entidade passou a realizar em seu site “super lives multidisciplinares” exclusivas para médicos nas quais são ensinados os protocolos de tratamento. Para o evento, a associação disponibilizou aos profissionais com CRM uma plataforma online na qual, além de assistir às lives, os médicos podem assinar os manifestos do grupo, se registrar em um cadastro público de doutores que prescrevem os remédios e acessar materiais sobre o tema. A plataforma, chamada de iMed, foi desenvolvida e é mantida pelo Grupo José Alves, proprietário da farmacêutica Vitamedic, uma das fabricantes da ivermectina no Brasil. A ligação entre a entidade e a empresa, que pode configurar conflito de interesse segundo o Código de Ética Médica, foi exposta em uma das lives fechadas promovidas pela associação. O elo foi revelado pelo jornalista independente Victor Hugo Viegas Silva em sua página no site Medium e confirmado pelo Estadão, que também teve acesso aos vídeos das lives. No evento citado, realizado em 10 de março, o presidente da associação, o oftalmologista pernambucano Antônio Jordão, convida o diretor de tecnologia do grupo empresarial, Carlos Trindade, a apresentar a plataforma criada para os médicos. Na introdução do convidado, Jordão pede à Trindade que explique “como os médicos vão fazer a interação com a nossa plataforma atual graças a ajuda de vocês”. Ao apresentar o sistema, Trindade detalha as funcionalidades da plataforma e explica como os médicos devem proceder se tiverem dificuldades técnicas no sistema. “Nesse site, nós temos algumas melhorias que fizemos ao longo das últimas semanas. […] O primeiro ponto principal é como os médicos se comunicam com o grupo técnico e com o grupo de apoio para ter os seus problemas resolvidos: é através do centro de suporte que nós criamos”, detalha o diretor, destacando em seguida que a empresa montou uma equipe exclusiva para atendimento aos profissionais. O número de telefone disponibilizado no site da associação para suporte aos médicos tem código de área 62, de Goiás, onde está a sede do grupo empresarial, embora a entidade e a maioria dos seus coordenadores sejam pernambucanos.”

Na apresentação, Trindade, que também é reitor da Unialfa, universidade goiana de propriedade do Grupo José Alves, também demonstra que a corporação, além de ter desenvolvido a plataforma, é quem a administra e tem acesso aos dados de todos os médicos cadastrados. Na live, ele mostra aos participantes a tela de gerenciamento do sistema, na qual aparecem 9.691 médicos registrados. O diretor também destaca que o grupo empresarial abastecerá a plataforma com uma biblioteca na qual serão publicados artigos que “comprovam as evidências científicas” do tratamento precoce e notícias sobre o tema. “Registraremos todas as notícias que saem em mídia que falam sobre cidades, prefeituras e empresas que estão adotando o tratamento precoce e preventivo, e quais são os impactos da adoção desses tratamentos”, afirmou. Apesar do apoio claro do grupo empresarial que produz a ivermectina aos médicos defensores do tratamento precoce, o coordenador da associação não deixa claro na live nem no site da associação tal conflito de interesse, o que é obrigatório pelo Código de Ética Médica. Relações de médicos com a indústria farmacêutica não são proibidas, mas devem ser obrigatoriamente declaradas, segundo prevê o artigo 109 do código. De acordo com o documento, é vedado ao médico “deixar de declarar relações com a indústria de medicamentos, órteses, próteses, equipamentos, implantes de qualquer natureza e outras que possam configurar conflitos de interesse, ainda que em potencial”. Diante da falta de evidências de eficácia da ivermectina contra a covid-19, seu uso foi desaconselhado até pela farmacêutica Merck (MSD no Brasil), fabricante original do produto. A farmacêutica estrangeira, porém, foi contestada pela Vitamedic, um dos laboratórios que produz a versão genérica do medicamento no Brasil. Em nota emitida em fevereiro, logo após a manifestação pública da MSD desaconselhando o uso, a empresa brasileira disse desconhecer “qualquer estudo pré-clínico que essa empresa tenha realizado para sustentar suas armações quanto a ação terapêutica” da ivermectina no contexto da covid-19.”

Sim, a fabricante americana da ivermectina não reocmendou seu uso, e a empres brasileira discordou…

“Números do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostram que o total de unidades vendidas de ivermectina subiu 557% em 2020 em comparação com 2019, sendo dezembro o mês recordista de vendas da droga. Como revelou o Estadão em março, o uso indiscriminado desse e de outros medicamentos do chamado kit covid já está sendo associado a quadros de hepatite medicamentosa. Ao menos cinco pacientes foram para a fila do transplante de fígado após terem o diagnóstico do quadro. O Estadão procurou a Associação Médicos pela Vida para esclarecer qual é a relação da entidade com o Grupo José Alves e, por consequência, com a Vitamedic. A reportagem enviou perguntas sobre qual tipo de apoio foi fornecido pela empresa à associação e por que essa relação não foi declarada no site da entidade, como prevê o Código de Ética Médica. Também questionou se o grupo empresarial fez repasses financeiros à associação e aos seus integrantes. O Estadão perguntou ainda quem foram os financiadores dos informes publicitários publicados em jornais e dos outdoors. Nenhuma das perguntas foi respondida. A assessoria de imprensa da associação prometeu na terça-feira, 13, que um dos coordenadores do grupo daria entrevista para esclarecer todos os temas e destacou que a associação “não tem nada para esconder”. Nesta quarta, porém, a entidade recuou. Por meio de sua assessoria, disse que os coordenadores haviam se reunido e decidido não se pronunciar sobre o tema.”

E Bolsonaro não desiste

“Dois grandes laboratórios já rejeitaram a proposta dos pesquisadores responsáveis pelo controverso ensaio clínico da proxalutamida, a “nova cloroquina de Bolsonaro”, para produzir o remédio em escala comercial e representá-las junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os brasileiros Aché e Eurofarma foram procurados, mas não compraram a ideia. A substância, desenvolvida na China, vem sendo propagandeada pelo presidente da República em suas lives semanais como a nova promessa de tratamento para a Covid. Mas os dados conhecidos até agora sobre o ensaio clínico com voluntários no Amazonas indicam falhas graves e até mesmo suspeitas de fraude. O estudo foi conduzido pelo grupo Samel, dono de hospitais no estado, e pelo pesquisador Flávio Cadegiani, criador do aplicativo Tratecov, que recomendava o “tratamento precoce” a doentes de coronavírus. Ter uma empresa disposta a importar, distribuir ou produzir a proxalutamida no Brasil é condição essencial para a liberação do remédio para o tratamento contra a Covid-19. Pelo regulamento da agência, o Grupo Samel não pode fazer isso, já que não é produtor de medicamentos e nem importador de insumos. Diante da recusa dos laboratórios privados, os representantes da proxalutamida recorreram à Fiocruz, que é controlada pelo governo federal. Na última quinta-feira, eles foram a uma reunião na Anvisa acompanhados do vice-presidente de produção e inovação da fundação, Marco Krieger. Covid-19: Partidos disputam vagas na CPI da Pandemia para aumentar poder de barganha com governo No encontro, combinaram que a Fiocruz fará uma espécie de consultoria ao estudo, apontando as lacunas que precisam ser preenchidas, o que ainda precisa ser esclarecido e quais dados se sustentam. As tratativas envolvem ainda a possibilidade de a fundação produzir o remédio, caso a eficácia seja comprovada. Krieger, porém, disse que ainda não teve acesso aos dados. Avaliá-los será um trabalho delicado. Segundo infectologistas e estudiosos do comportamento do coronavírus, se confirmadas as informações divulgadas pelos responsáveis pela pesquisa em uma live, há o risco de eles terem deixado uma quantia expressiva de voluntários morrerem desnecessariamente ao longo do trabalho. A menos que os dados estejam errados ou imprecisos. Nesse caso, estariam caracterizadas suspeitas de falhas graves e possíveis fraudes, que os responsáveis pelo estudo negam.” [O Globo]

Sim, ou se trata duma fraude ou de assassinatos. Sim, assassinatos, pois era pro estydo ser suspendido assim que os primeiros números chegaram.

“Não se sabe se esses problemas foram a razão da recusa das duas farmacêuticas em produzir a proxalutamida no Brasil. A Aché apenas informou à coluna que não tem a intenção de firmar uma parceria com o Grupo Samel, mas não quis detalhar as razões para o veto. Já a Eurofarma limitou-se a dizer que está “sempre avaliando novos produtos e serviços e/ou aquisição de ativos”, mas fontes que acompanham a movimentação do grupo amazonense junto ao governo confirmaram a tentativa de firmar uma parceria com a farmacêutica. Considerando que os organizadores do estudo prometem uma redução de 92% da mortalidade de pacientes graves (embora o estudo seja originalmente voltado para casos moderados), a rejeição das farmacêuticas chama a atenção.”

E o Brasil é absolutamente inviável:

“Em resposta à ação popular protocolada pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o juiz Manoel Pedro Martins de Castro Filho, da 6ª Vara do DF, afirmou que ainda que infeliz, a escolha de Bolsonaro por defender o tratamento da Covid-19 com remédios sem eficácia comprovada (hidroxicloroquina, ivermectina) “se ajusta no espaço do livre discurso político.”” [Folha]

Sendo bem, bem conservador estamos falando dumas dezenas de milhares de corpos a 7 palmos debaixo da terra por conta do “espaço do livre discurso político“.

“Ele escreve que o Judiciário não pode “se assenhorar da discussão e obrigar o Poder Político a adotar esta ou aquela via no combate à pandemia.” “A questão se insere claramente no domínio do Político e não pode ser arbitrada pelo Judiciário. O popular ambiciona que se censure judicialmente plataforma política, na medida em que o Presidente da República advoga o tratamento da Covid a revés do que recomendam a OMS e outros órgãos especializados”, diz a decisão.”

Vai ver um presidente falando em minorias se curvarem à maioria em plena democracia, um regime de proteção às minorias”, também é “espaço do livre discurso político.”

O juiz argumenta que ainda existem dúvidas quanto ao tratamento do coronavírus, “inclusive quanto às soluções mais sólidas, como a vacina”, e por isso o Judiciário não pode determinar um tratamento específico. “Do contrário, ficaria violado o princípio da separação dos Poderes, e restariam inúteis os órgãos especializados que, a mando do Executivo, fatalmente se guiam não só pela informação técnica, mas também pelo juízo político-moral do governo eleito”, completa. Castro Filho ainda afirma que o apoio a esse pacote de medicamentos (que tem gerado efeitos colaterais graves) tem “importância lateral” diante do ceticismo contra a vacina, “o que é mais uma razão para não torcer uma questão política —uma orientação do Ministério da Saúde, dotada de qualidade duvidosa— em questão jurídica.” O juiz rejeitou a ação de Valente, que pedia que o Ministério da Saúde fosse proibido de recomendar remédios sem eficácia comprovada para a Covid-19 e a anulação de nota informativa da pasta que trata do que chamam de “tratamento precoce”. O deputado vai recorrer.”

Significa.

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7. Índios

Que os índios derrubem Bolsonaro!

“A vida de Amado Menezes, liderança indígena da etnia Sateré-Mawé, do Amazonas, foi marcada por lutas. A penúltima foi contra autoridades da saúde indígena que interromperam o apoio à barreira sanitária montada na entrada da aldeia para proteger os indígenas da Covid-19. Já a última batalha de Amado foi contra o vírus: durou 23 dias. Ele morreu em outubro de 2020 aos 69 anos. “Perdemos nossa maior liderança”, lamenta o advogado Tito Menezes ao falar da morte de seu tio. A ordem para a retirada do apoio à barreira sanitária partiu do Dsei Parintins, órgão responsável pela saúde indígena e que deveria, em meio à pandemia, proteger as comunidades. A Repórter Brasil investigou a troca de comando, feita pelo governo de Jair Bolsonaro, nos 34 Dseis existentes no país e os impactos negativos que algumas delas vem causando na saúde dos povos originários. Em pelo menos quatro deles houve indicações de militares ou de aliados políticos que acumulam denúncias de inexperiência, acusações de truculência na interação com as comunidades e má gestão em meio à pandemia. Dos quatro, três foram indicados durante o governo do presidente Jair Bolsonaro. Entre os casos mais graves, estão a de um coordenador trabalhando armado e intimidando indígenas, barreiras sanitárias removidas, desvio de verbas para o combate à pandemia e suspeita de distribuição, para as aldeias, de cloroquina —medicamento sem eficácia comprovada para combater o vírus. “Muitos cargos têm sido ocupados por profissionais sem nenhuma especialização, seja na saúde em geral, na saúde indígena ou em povos indígenas. Isso gera um resultado que não pode ser diferente: uma piora no atendimento a esses povos”, afirma Maria Augusta Assirati, ex-presidente da Funai. Um dos exemplos mais explícitos do aparelhamento por militares e indicados políticos, o Dsei-Leste Roraima teve cinco coordenadores num período de um ano e oito meses —a partir de abril do ano passado, no começo da pandemia. Um desses indicados, o capitão do Exército Tárcio Alexandre Pimentel, que assumiu a coordenação do Dsei em maio de 2020, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal de Roraima por ter distribuído cloroquina às comunidades indígenas.” [Folha]

Enquanto isso Bolsoanro tomou cloroquina e fazia dois eltrocardiogramas por dia.

““A gestão de Pimentel foi conturbada, ele não conseguiu dialogar nem com comunidades e nem com o MPF”, relata Luís Ventura Fernandes, coordenador do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) Norte. Dos cinco coordenadores, Pimentel é o único investigado. No entanto, quem mais indicou coordenadores para este distrito foi o senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Depois de ter ficado famoso por ter sido pego com R$ 33 mil na cueca, Rodrigues está sendo investigado pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União sob acusação de fornecer equipamentos de combate à covid-19 superfaturados ao Dsei, favorecendo empresas comandadas por familiarese aliados. Um avião que já foi de sua propriedade foi flagrado em um garimpo ilegal em um território indígena, conforme revelou a Repórter Brasil. “É um absurdo ter tantas mudanças num momento tão difícil. Há problemas no atendimento e na notificação dos casos de covid. Também não há transparência sobre recursos aplicados”, afirma Fernandes, do Cimi. Procurado pela reportagem, Pimentel não se pronunciou. Já a assessoria de Rodrigues afirmou: “Não temos conhecimento de que algum parente do senador tenha qualquer empresa ligada à área de fornecimentos de material hospitalar.” Outro militar indicado durante a gestão de Bolsonaro, o major do Exército Francisco Dias Nascimento Filho, nomeado em julho de 2019, para coordenar o Dsei Yanomami também é alvo de críticas. De acordo com relatos de indígenas e dos próprios empregados do Dsei, Nascimento ia armado para o distrito e intimidava funcionários e representantes do movimento indígena. Um ano depois, o coordenador perdeu o cargo. Os motivos não foramrevelados. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) informou apenas que ele “foi exonerado pois a Sesai prima pela boa gestão e pelo diálogo permanente com o Controle Social da Saúde Indígena”. Procurado pela reportagem, Nascimento disse não ter nada a declarar. Quem assumiu então, em julho de 2020, foi Rômulo Pinheiro Freitas. Sua gestão também vem sendo alvo de críticas, por falta de transparência e falhas na aplicação de vacinas. De acordo com a Hutukara Associação Yanomami, além de problemas na vacinação pelo Dsei, não foi feita a licitação da hora-voo de helicópteros para transportar equipes de saúde e pacientes. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Federal. “Estamos apurando se houve falhas, especialmente diante de notícias de óbitos de crianças por Covid-19”, afirma o procurador Alisson Marugal. A associação também denuncia tentativas de desvio de vacinas, após deputados estaduais terem solicitado a redistribuição de vacinas destinadas aos indígenas para a população do estado. Procurado pela reportagem, Freitas solicitou que as perguntas fossem enviadas à Sesai, que não se pronunciou. O Exército afirmou que “trata-se, em ambos os casos [nos Dseis Leste e Yanomami], de militares da reserva”. E que “a Força não realizou qualquer indicação ou proposta institucional de militares da ativa ou da reserva para ocupar os cargos constantes da demanda apresentada”. No Dsei Manaus, sobram indicações políticas e falta diálogo com indígenas. “Os gestores que chegam não têm experiência e não conseguem levar a sério a legislação nem os contratos”, reclama Germilson Chaves, da etnia Mura, que trabalhou no Dsei de 2010 a outubro de 2020, quando foi demitido.

O atual coordenador é Januário Neto, que assumiu em outubro de 2020, por indicação política. Ele é próximo do senador Eduardo Braga (MDB-AM). “Há uma série de denúncias de que pessoas estão sendo demitidas porque não estão de acordo com a política do novo coordenador, que é muito centralizador”, afirma Pedro Silva Souza, do Cimi. De acordo com ele, desde que Neto assumiu, houve piora no atendimento do Dsei: “Pouca permanência das equipes nas terras indígenas, falta de combustível e de recurso para aluguel do barco”. Marcivana Sateré-Mawé, da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), concorda. Para ela, falta o Dsei dialogar com as comunidades. Procurado, Januário disse que os profissionais do distrito passam por avaliação, “sendo substituídos em caso de baixo rendimento”. A gestão anterior, de Mário Ruy Lacerda, também sofreu críticas. Em maio de 2020, moradores de Três Unidos denunciaram a falta de apoio do Dsei Manaus quando, na região, houve contaminação de técnicos de enfermagem, falta de EPIs e de energia elétrica no principal centro de saúde da região. Assim como Januário, Lacerda foi indicado elo senador Eduardo Braga e pediu exoneração do Dsei para concorrer à prefeitura de Manicoré em 2020. Procurado, disse ter feito “tudo o que era possível, criando inclusive, o comitê de saúde do trabalhador que foi pioneiro e foi referência para a Sesai criar em todos os Dseis”. Por fim, no Dsei Parintins (AM), a retirada ao apoio logístico à barreira sanitária foi decidida durante a gestão de Jose Augusto Souza, conhecido como Nenga, no cargo desde 2017, que foi vice-prefeito de Barreirinha pelo PDT e é ligado ao deputado estadual do Amazonas Josué Neto (Patriota). Procurado pela reportagem, ele não se pronunciou. Em reportagem publicada pela Amazônia Real, o Dsei alego que apoiar a barreira não seria o papel do órgão. Sem ela, os casos de Covid nas aldeias da etnia duplicaram em setembro e outubro, segundo a agência de notícias Amazônia Real.”

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8. CPI

Os partidos já indicaram os 11 senadores titulares e os sete suplentes da CPI da Pandemia, criada para investigar eventuais omissões do governo federal durante o enfrentamento à Covid-19.

Na composição, o governo não tem a maioria –a maior parte se declara independente. Há, entre os 11 titulares da CPI:

  • 3 próximos à oposição, mas que preferem ser chamados de independentes: Renan Calheiros (MDB-AL), Otto Alencar (PSD-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE);
  • 2 oposicionistas: Humberto Costa (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
  • 2 governistas: Ciro Nogueira (PP-PI) e Jorginho Mello (PL-SC);
  • 2 próximos ao governo, mas que preferem ser chamados de independentes: Eduardo Girão (Pode-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO);
  • 2 independentes: Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM).” [G1]

O governo cantou virótica mas é blefe:

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), leu nesta terça-feira (13) o ato de criação da CPI da Pandemia. Com a medida, ficou autorizada a formação do colegiado, destinado a apurar as ações e eventuais omissões do governo federal durante o enfrentamento à Covid-19. O requerimento da comissão, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirma que tem o objetivo de “apurar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio para os pacientes internados” nos primeiros meses de 2021. Durante a leitura, Pacheco informou que, além do proposto por Randolfe Rodrigues, a CPI também poderá apurar eventuais irregularidades em estados e municípios, conforme proposta do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), desde que “limitado às fiscalização de recursos da União repassados aos demais entes federados para combate da pandemia”.

E não falta é caminho pra cercar o governo:

“A oposição no Senado terá como prioridade na CPI da Covid o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e seus principais assessores, que parlamentares esperam convocar mais de uma vez para prestar esclarecimentos. Mas outro ex-ministro também entra na mira dos senadores: Ernesto Araújo. Querem do ex-chanceler uma explicação sobre a diplomacia da vacina sob seu comando. O Planalto esperava que a demissão deles ajudasse a arrefecer os ânimos, e agora busca uma maneira de postergar o início dos trabalhos e reduzir danos na comissão. “O ex-ministro de Relações Exteriores é um dos principais responsáveis pelas dificuldades que o Brasil tem hoje na obtenção de vacinas, pela política irresponsável que implementou, particularmente com a China”, disse Humberto Costa (PT-PE). Também devem ser convocados o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, e o ex-Secom Fábio Wajngarten, responsável pela campanha publicitária “O Brasil não pode parar”.” [Estadão]

E o GENERAL DA ATIVA tá muito fodido, e o mais fasciante é que ele não tem a menor idéia disso e vai pra CPOI despreparado, eu aposto:

“Quem quiser uma dica de como devem ser as cobranças para cima de Pazuello na CPI é só ver o julgamento do TCU sobre a gestão da pandemia sob o comando do general. Ministros do tribunal apontaram omissões graves e senadores estão tomando notas.”

E Renan vai bailar na CPI:

“Quanto mais demoram para indicar integrantes e para dar início à CPI, mais os trabalhos se aproximarão do período eleitoral. E depois, ainda vão reclamar da gente.”

Encerro com a Mariliz Pereira Jorge:

Que eu não perca a capacidade de me indignar. Desde que a pandemia começou, repito isso como um mantra diante da sucessão de atitudes e falas nefastas de Jair Bolsonaro. Não podemos normalizar a barbárie, penso. Um ano depois, percebo que os sentimentos afetados são mais profundos. Estamos perdendo a capacidade de nos entristecer diante da tragédia diária que se arrasta sem previsão de fim. Os comentários sobre os mortos pela Covid-19 se transformaram em vírgulas em conversas triviais. Falamos sobre as “agruras” de trabalhar em casa, da saudade da vida social, do isolamento mundial, xingamos políticos, trocamos receitas da Rita Lobo e, entre um meme e outro, lembramos que o país enterrou 3.000, 4.000 pessoas num dia. E vida que segue. A vida de quem fica. Os esforços para que os mortos não virem apenas números se revelam vãos quando percebemos um país inteiro anestesiado, que aceita bovinamente enfrentar o caos e a morte capitaneada por este governo, sem fazer nada que não seja se indignar. Estamos todos putos. Olha que beleza. Há mais de um ano, eu e meus colegas enchemos as páginas deste e de outros jornais com textos cheios de indignação. Políticos soltam notas de repúdio. Indignados. Cidadãos lotam as redes sociais com posts. Todos indignados. Estamos putos, mas num estágio de depressão comunitária que acabou com a nossa capacidade de nos entristecer. Talvez porque não dê tempo. As notícias são uma sucessão de tristezas pessoais e coletivas. De morte, de perdas, de fome, de miséria, de devastação moral e física do país, de vergonha, de golpismo. Nem bem enxugamos algumas lágrimas e já temos que lidar com outras. Até que não choramos mais. Um ano depois, quase 400 mil mortes, um país destroçado por um delinquente e o Congresso me vem com CPI? CPI, queridos, era há seis meses. É hora de impeachment e cadeia.” [Folha]

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9. STF

“O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta quinta-feira (15) para ser transferido para integrar a Primeira Turma da Corte e assumir a vaga que será aberta com a saída do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposenta a partir de julho. No ofício, obtido pela TV Globo, Fachin manifesta interesse na mudança desde que não haja vontade de outro integrante mais antigo do tribunal de ocupar a cadeira – esse critério de preferência é estabelecido pelo regimento interno do Supremo. Caso a alteração seja confirmada, parte dos processos relacionados à operação Lava Jato, dos quais Fachin é relator e que hoje são julgados pela Segunda Turma do STF, passariam a ser julgados pela Primeira Turma. Segundo técnicos da Corte, os processos que tiverem recurso ainda continuam sob os cuidados da Segunda Turma. Fachin disse que se coloca “à disposição do Tribunal tanto pelo sentido de missão e dever, quanto pelo preito ao exemplo conspícuo do ministro Marco Aurélio, eminente decano que honra sobremaneira este Tribunal”. O ministro afirmou ainda que, “caso a critério de vossa excelência ou do colegiado não se verifiquem tais pressupostos, permanecerei com muita honra na posição em que atualmente me encontro”. Quando chegou ao tribunal, Fachin integrou a Primeira Turma do STF. Com a morte do ex-ministro Teori Zavascki, Fachin passou para a Segunda Turma e acabou assumindo a relatoria da Lava Jato, que era de Zavascki. O pedido de mudança ocorre na esteira de desgastes e de derrotas que Fachin vem sofrendo em votações da Segunda Turma envolvendo a operação Lava Jato. Em março, por exemplo, o colegiado declarou que o ex-juiz Sérgio Moro foi parcial na condução do processo que levou à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro da chamado ação do triplex do Guarujá. Fachin foi voto vencido nesse julgamento. Com a decisão, a Segunda Turma anulou todo o processo do triplex, que precisará ser retomado da estaca zero pelos investigadores. As provas já colhidas serão anuladas e não poderão ser usadas em um eventual novo julgamento.” [G1]

Tem coisa aí, né? No fim do dia veio a explicação:

“Ao pedir transferência da Segunda para a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin criou divergências, dentro da própria Corte, sobre o futuro de eventuais novos casos da Operação Lava-Jato. O gabinete do ministro entende que Fachin leva consigo o acervo da Lava-Jato, voltando para a Segunda Turma sempre que for preciso julgar casos relacionados à operação. Já a presidência do STF entende que isso só poderá ocorrer com processos já em curso, não valendo para os novos, que ficariam na Primeira. Se a mudança de colegiado de fato for concretizada a partir de julho, com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, o dilema deve ser resolvido no plenário. Nos bastidores, é dado como certo o fato de que esses trâmites serão questionados juridicamente por alguma das partes dos processos. Se prevalecer o entendimento do gabinete, de que todos os casos da Lava-Jato, novos ou velhos, serão examinados pela Segunda Turma, o ministro a ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro não terá voz nos julgamentos relacionados à operação. Pelo regimento interno do Supremo, a partir do critério de antiguidade, os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia teriam preferência para migrar para a Primeira, mas ainda não manifestaram essa intenção. [Valor]

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10. Dilma

“A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi absolvida nesta quarta-feira (14) pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no processo sobre a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras em 2006. Na época, ela era ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da estatal. Por unanimidade, os ministros do TCU decidiram absolver Dilma pelo entendimento de que o Conselho de Administração da Petrobras não teve responsabilidade no caso. Para Vital do Rêgo, ministro do TCU e relator do caso, os membros do conselho não agiram “com dolo nem má-fé”. “Não há evidências nos autos de que todos os envolvidos soubessem da existência desse esquema”, afirmou o relator. “Relativamente aos membros do Conselho de Administração, os documentos a eles apresentados e as informações neles presentes não indicavam contradições ou falhas que lhes permitissem vislumbrar que a proposta para a aquisição partia de valor bem superior.” Foram responsabilizados o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró por prejuízos da estatal após a compra da refinaria. Eles foram condenados a pagar multa de R$ 110 milhões, além de oito anos de inabilitação para exercer cargos públicos. Cerveró, individualmente, ainda deverá pagar mais uma multa, no valor de R$ 67,8 mil.”

A compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2006, foi alvo de investigação por suposto superfaturamento e evasão de divisas na Operação Lava Jato. Na época, a estatal pagou US$ 360 milhões por 50% da empresa. O valor foi muito maior do que o pago pela companhia belga Astra Oil, que um ano antes havia adquirido a refinaria inteira por US$ 42,5 milhões. Após uma disputa em uma câmara de arbitragem com a Astra Oil, a Petrobras foi obrigada a desembolsar milhões de dólares adicionais pela outra metade do ativo. A estatal brasileira pagou um total de US$ 1,2 bilhão por 100% de Pasadena. A ex-presidente Dilma Rousseff era ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras na época. Questionada sobre os problemas na aquisição de Pasadena, Dilma declarou, em 2014, que recebeu informações incompletas das diretorias da Petrobras responsáveis pela negociação, o que a induziu a aprovar o negócio. Entretanto, a área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) responsabilizou Dilma e os demais ex-conselheiros de administração da Petrobras por terem “faltado com o dever de diligência quando da aprovação da aquisição” da refinaria.” [Folha]

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11. Onyx

Que filho da puta do caralho é o Onyx:

“O Twitter deletou na quarta-feira (14) uma postagem de Onyx Lorenzoni (Secretaria-geral da Presidência) com vídeo de uma mulher recebendo nebulização de hidroxicloroquina como tratamento para Covid-19 em Manaus (AM). Como mostrou a Folha, Jucicleia Lira, de 33 anos, que aparece nas imagens, havia morrido 18 dias antes da publicação. O vídeo foi gravado pela médica Michelle Chechter, responsável pela aplicação do tratamento não indicado pela Organização Mundial de Saúde, e compartilhado em 20 de março pelo ministro. “Decisão da médica em conjunto com a paciente: de 0 a 10 melhorou 8”, afirmava Lorenzoni na publicação. Antes de ser deletado, até o domingo (11), o vídeo tinha sido visualizado 132,5 mil vezes.” [Folha]

Onux deu entrevista à CNN e que desgraça! O vídeo é de canal bolsonarista, ignore o título:

“Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni foi entrevistado pelo CNN Novo Dia na manhã desta quinta-feira (15) e discutiu ao vivo com o âncora Rafael Colombo. O político, integrante do governo Jair Bolsonaro, foi desmentido ao defender o tratamento precoce contra a Covid-19 e teve um bate-boca pelas mortes pela doença no Brasil. Depois de Lorenzoni citar o número bruto de pessoas vacinadas, o jornalista da CNN Brasil apontou que, na conta proporcional da população, o país está atrás na fila de imunização em relação a outros países. Na sequência, Colombo rebateu uma afirmação sobre os óbitos pela Covid-19. “O senhor disse que eu estava mentindo quando me referi ao número de mortos no Brasil. Nos últimos 30 dias, o Brasil é responsável por, em média, 30% das mortes por Covid em todo o mundo. Todos nós lamentamos aqui, ministro, porque todos nós tivemos amigos ou familiares mortos. Eu só quero pontuar isso aqui porque o senhor disse que o dado era mentiroso. Agora em abril, nós ultrapassamos os Estados Unidos em mortos por milhão”, explicou o âncora do CNN Novo Dia. “O senhor disse que o Brasil era o país onde mais morria gente por Covid. Não é verdadeiro. O Brasil não é o país onde mais se morre gente por Covid, existem países muito maiores do que nós e com um volume maior do que o nosso”, rebateu o ministro. “Nós respondemos por 30% das mortes por Covid no mundo, é isso o que estou falando pro senhor”, justificou o jornalista. Onyx Lorenzoni fez um longo desabafo defendendo que essa “narrativa” tinha como objetivo responsabilizar Jair Bolsonaro por todas as mortes pela Covid-19 no mundo. “Ele é o culpado de tudo. Sabe qual é o problema? O problema é que como o presidente [Donald] Trump saiu dos Estados Unidos o único líder de direita relevante é Jair Messias Bolsonaro, e todo esse sistema precisa destruir esse representante”, alegou o político. “Como um país da relevância do Brasil vai ter um presidente honesto, um presidente que não dá dinheiro para as empresas de comunicação, um presidente que não fez negociata, que não deu dinheiro para grandes empresas de obras públicas? Como esse país começou a funcionar dessa maneira? Isso incomoda e incomoda muita gente, mas pode ter certeza que a população na rua tá satisfeita com o governo”, defendeu Lorenzoni.

O ministro já havia citado que alguns setores fazem parte da “extrema imprensa” que quer destruir a imagem do presidente. Rafael Colombo voltou a explicar os questionamentos. “Eu vou dizer ao senhor que a minha preocupação é mais rasa do que essa, talvez o senhor já esteja num patamar de compreensão do que se passa no mundo além daquele que eu consigo. A minha preocupação neste momento é saber onde nós erramos como país”, reforçou o âncora. “É claro que o presidente da República vai ser cobrado porque ele é a autoridade máxima do país, assim como governadores, médicos e nós da imprensa. Mas o presidente da República, seja ele quem for, estaria sendo cobrado. Não se trata de perseguição, mas uma cobrança de alguém que foi eleito e tem responsabilidade por aquilo de bom e de ruim. Não é ideologia nem narrativa como o senhor gosta de dizer”, enfatizou Colombo. Os dois continuaram trocando argumentos sobre o tema até o jornalista encerrar a entrevista de forma cordial. “Conversa franca, direta e sem rodeios”, disse Onix Lorenzoni. Depois que a chamada de vídeo foi desligada, o comandante do CNN Novo Dia voltou a desmentir o ministro com a leitura de uma nota. “Nós reafirmamos aqui que, segundo a Organização Mundial da Saúde, não existe tratamento precoce com comprovação científica contra a Covid-19, o que médicos e cientistas defendem é distanciamento social, uso de máscaras, álcool em gel e vacinação em massa, que é a única forma de garantir a imunização da população”, finalizou Colombo. Ao revelar em âmbito municipal quantos são, onde moram e em que condições vivem brasileiros e brasileiras, o Censo é fundamental para subsidiar as mais diversas políticas públicas do país. As informações sobre a população definem o repasse de verbas entre esferas governamentais, por meio dos fundos de participação dos estados e municípios e dos fundos que destinam recursos à educação e à saúde. Vale salientar que, no cenário da atual crise sanitária, o Censo pode oferecer informações valiosas para contribuir na estratégia de vacinação dos municípios e nas políticas de assistência social para atender à população mais vulnerável. E isso agora é inadiável.” [UOL]

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12. Censo

Da Cida Bento:

“Finalmente eles resolveram acabar com as desigualdades na sociedade brasileira. Como??? Esvaziando o Censo do IBGE, que traz os dados sobre a população e que permite conhecer as desigualdades, possibilitando a elaboração de políticas públicas. Esse processo conta agora com a cumplicidade do Parlamento. Se, há alguns anos, um de nossos desafios era como manter o dado cor/raça no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), para poder entender e interferir na situação da população negra no mundo do trabalho, e se em 2020 muito esforço foi despendido para manter e assegurar o preenchimento do dado cor/raça nos cadastros sobre a Covid-19, mais recentemente a mobilização vem sendo contra o esvaziamento do Censo do IBGE, o que favorecerá o ocultamento de dados sobre a população brasileira, acabando por inviabilizar as políticas públicas de combate às desigualdades. No Caged, algumas mudanças ocorreram, como destaca Thais Carrança, na BBC Brasil, chamando a atenção para o fato de que, no auge do desemprego, o Brasil enfrenta falhas nas estatísticas do mercado de trabalho que confundem e desorientam. Os dados sobre cor/raça na pandemia igualmente continuam com baixa taxa de preenchimento. Diante do Censo do IBGE, inúmeras organizações brasileiras têm explicitado publicamente seus posicionamentos contrários a esse esvaziamento, e essa mobilização precisa continuar viva. A Agência Alma Preta faz um destaque em reportagem de dezembro de 2020, a partir de posicionamento da Assibge, associação nacional que representa os servidores do IBGE, destacando que: “A questão de fundo, nesse caso, é a orientação do governo de não criar políticas públicas e programas para combater a desigualdade no Brasil, sobretudo para a população negra”. Assim é que o corte de 90% da verba do orçamento federal foi aprovado pelo Congresso em março de 2021, tornando impossível a realização do Censo. Ou seja, o Congresso Nacional torna-se cúmplice desse ataque às políticas públicas de combate às desigualdades. Temos que reconhecer que a crise sanitária tem tornado visível o imenso desconforto que vinha sendo nutrido por alguns segmentos da sociedade brasileira nas últimas duas décadas, diante da implementação de políticas públicas de combate às desigualdades, particularmente as políticas no campo da equidade racial e de gênero. Assim, deram um tiro no IBGE, mas atingiram em cheio as populações mais fragilizadas quanto ao exercício de direitos sociais. Dificultaram as condições para o diagnóstico que possibilitam a concepção de políticas públicas e privadas de toda ordem, em particular aquelas que promovem equidade. Foram as estatísticas de sexo, cor/raça produzidas pelo IBGE que revelaram, por exemplo, que, durante a pandemia, a população negra foi a mais afetada pelo desemprego, a que mais foi a óbito pela Covid-19, a que tem menor percentual de vacinados, a que menos pode cumprir o distanciamento porque é majoritária nos serviços essenciais das cidades.” [Folha]

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A China e o Holocausto
Recomendo demais esse texto do Marcelo Ninio, correspondente d’O Globo na CHina