Dia 899 | Mais um general dizendo que os civis estão “esticando demais a corda” | 18/06/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

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1. Malditos Milicos

O presidente do Supremo Tribunal Militar resolveu dar uma entrevista espantosa à Veja, trata-se do GENERAL Luis Carlos Gomes Mattos. Olha como começa a matéria:

“No cargo desde março, ele diz que se impôs duas missões. A primeira é conseguir um assento no Conselho Nacional de Justiça,[ órgão que, entre outras coisas, investiga acusações contra magistrados. A segunda, talvez a mais complicada, é trabalhar para reduzir o “ranço” que ainda existe em relação aos militares.” [Veja]

É complicado lidar com essa estupidez sincera, por que diabos ele fala isso por livre e espontânea vontade. Já seria complicado dizer isso sob tortura. Que diabos o mandato dele no STM tem a ver com o CNJ?! Por que diabos revelar suas intenções escusas?! E por que será que existe esse ranço, palavra que nada mais é que um eufemismo!

“Muito pelo contrário. Segundo ele, os militares são profissionais corretos, competentes, honestos e, por isso, agregam credibilidade e confiabilidade.”

Eles realmente se acham seres superiores, é fascinante!

Sim, esse é o naipe do presidente do Supremo Tribunal Militar, tem como levar os milicos a sério?! Vamos às aspas:

“O povo é quem mostra nesses levantamentos a credibilidade do Exército. Veja que a credibilidade não caiu.”

Como todo milico brasileiro só sabe mentir! Dia desses saiu pesquisa dando conta que a confiança,. que já havia alcançado a casa dos 70% há alguns anos, caiu pra 58%! E tá pouco, muito pouco, 8% seria muito!

“A que se deve isso? Eu vou dizer: é simplesmente porque a gente procura fazer as coisas de maneira correta.”

Sim, louvando Ustra, fazendo de Curió herói nacional, celebrando golpe. Colocando no ministério da Saúde em plena pandemia um general da ativa que nem sabia que porra era o SUS!

“As Forças Armadas, por formação, se conduzem de maneira séria.”

Aham…

“Não tenho a menor dúvida de que a CPI não vai abalar em nada, porque nada tem a ver com as Forças Armadas. A CPI está lá no Senado.”

E olha a petulância do filho da puta:

“Lógico que isso me incomoda, especialmente a forma como as coisas acontecem. Vejo uma falta de respeito. Eu sempre respeitei as pessoas. Não como militar, mas como gente, como homem. Pazuello foi muito preciso e objetivo nas respostas. Não sei se eu seria.”

Primeira ameaça da entrevista. Se fosse ele ele faria o quê?

Na minha opinião, ele não vai ser acusado de nada. E, se acontecer, isso não vai abalar as Forças Armadas. Eu conheço o general Pazuello. Não tenho dúvidas da competência e honestidade dele. Quebraram o seu sigilo. A família do Pazuello é rica. Ele não está no Exército por necessidade, está por gosto.”

Foda-se!

“O presidente Bolsonaro é um democrata, fala com o palavreado do povo, mas nada disso com a intenção de quebrar as estruturas, destruir as instituições, dar um golpe.”

Um democrata que vive jurando lealdade ao povo e diz que as minorias tem que se curvar à maioria!

O general diz que Bolsonaro não errou e nada e…

“Só vou fazer uma pergunta: você compraria, com seu CPF, alguma coisa que ainda está sendo cientificamente estudada? Você colocaria o seu CPF numa compra de bilhões? Veja que é uma decisão difícil. Eu acho que ele não demorou. Toda autoridade tem responsabilidade jurídica. Eu tomo uma decisão do tribunal, mas se eu tomar uma decisão errada, o meu CPF é que está lá, e eu vou responder como pessoa física. Quem vai sofrer as consequências sou eu.” 

Sim, ele tá falando de CPF ao se referir a um presidente da república numa pandemia  comprando vacina! É como se o problema do Bolsonaro com a vacina fosse uma questão legal, e não cognitiva!

“Houve alguma acusação de corrupção contra o presidente Bolsonaro?”

O Queiroz se escondeu na casa do advogado da famiglia presidencial, porra! Bolsonaro recebeu 89 mil do Queiroz por empréstimos que não tão o IR de nenhum dos dois! E que não tem saída desse dinheiro da conta do presidente para o Queiroz! Imagine se essas suspeitas fossem com um petista…

Ele se elegeu para combater a corrupção. E de todas as maneiras estão tentando atribuir alguma coisa a ele e não conseguiram até agora. Deviam deixar o presidente governar, mas não deixam. Quem critica Bolsonaro faz isso de manhã, de tarde, de noite. Tudo atribuem ao presidente. Tudo de errado. Será que você aguentaria isso? Que reação eu teria? Não sei. E alguma coisa boa atribuem? O Brasil está crescendo, a economia está crescendo, mesmo com todas as dificuldades. Não tenho dúvida de que estão esticando demais a corda.”

Sim, MAIS uma ameaça do generalato brasileiro, mais general dizendo que os civis estão esticando demais a corda! O outro foi o Luiz Eduardo Ramos, quando ainda estava na ATIVA e era articulador político do governo! E imagine, se tem uma coisa que os dóceis civis não fazem é puxar a porra da cortdam, muito pelo contrário, os civis são tomados dum medo inexplicável desses malditos milicos, como se ainda estivéssemos em algum século passado.

“De maneira geral, todos aqueles que são contra o governo… porque a política é assim: tem gente contra e tem gente a favor. Quem está contra logicamente vai esticar essa corda, como se diz, até que ela arrebente. Esses, na verdade, são os que não têm muito apreço pela democracia, os que defendem ditaduras e apoiam ditadores. Quando a corda vai arrebentar? Isso eu não sei.”

A jornalista pergunta o que seria arrebentar a corda e…

“Tomar uma medida fora da Constituição. Não tenho dúvida de que estão esticando, para ver até onde se pode ir. Tenho a certeza de que nós já suportamos muito. Nós saímos dos governos militares com a maior credibilidade institucional no país. Por quê? Porque aplicamos e não desviamos o pouco que recebemos. Essa verdade incomoda muita gente, porque, apesar de tudo o que falaram dos militares — “autoritário, ditador” —, nós continuamos e vamos continuar cumprindo a nossa missão.”

E ele jura que FHC era um presidente de esquqerda!

“Tivemos governos ditos de esquerda desde Fernando Henrique Cardoso. As Forças Armadas continuarão a cumprir sua missão da mesma maneira, independentemente de quem for eleito. Muita gente pode não querer, mas a vontade do povo vai ser respeitada.”

Michel Temer esquerdista, viado!

“Vivemos em um Brasil que tem a sua democracia consolidada, onde os poderes e as instituições vêm cumprindo o seu papel. Exerceremos o direito democrático do voto e, certamente, prevalecerá a vontade da população brasileira. O povo brasileiro tem de saber votar.”

Papo esquisito esse de “saber votar”, né? E isso vindo dum eleitor do Bolsonaro! O jornalista pergunta o que seria saber votar e…

Votar nas pessoas que vão responder às necessidades do país. Aí você me pergunta: “Quais?”. Vou lhe dar um “exemplo do que estou dizendo. O Brasil precisa de infraestrutura. O ministro Tarcísio (Tarcísio Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura, capitão da reserva) está fazendo isso. Está fazendo as estradas, que outros governos começaram e não acabaram. Está fazendo ferrovia, que outros governos pagaram e o dinheiro sumiu. É nisso que o eleitor precisa estar atento. Um governo que faça as coisas sem corrupção.”

É como se o único crime no mundo fosse corrupção, e se como na ditadura não tivessem roubado uma enormidade sem STF independente e órgãos de controle!

O jornalista fala do Lula e…

“Repito: o brasileiro precisa saber votar.”

Disse o eleitor do Bolsonaro!

O final é espantoso, o general foi a um tango em Buenos Aires e não gostou do que viu!

“Você já foi à Argentina nos últimos tempos? A Argentina era um país rico, e hoje está enfrentando de tudo. Então, o presidente fazer uma declaração dessas não me incomoda. É só olhar para dentro da casa dele. Eu não gostaria que o meu país estivesse enfrentando os problemas que eles estão enfrentando. Eu estive lá no ano passado, fui a um show de tango. Está tudo muito diferente de antes. É triste.”

Só me resta ese vídeo:

Fosse no uruguai o general estaria preso nesse momento.

E olha a última do capitão:

“A direção da Polícia Federal enviou nesta quinta-feira às 27 superintendências regionais da PF no Brasil uma ordem para que forneçam à Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor) todas denúncias de fraudes recebidas pela corporação desde a implantação da urna eletrônica, em 1996. A comunicação foi disparada no sistema interno da polícia duas horas depois de uma entrevista em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Roberto Barroso, desafiou o presidente Jair Bolsonaro a apresentar provas de fraudes no uso da urna eletrônica nas eleições de 2018. “Nunca houve fraude documentada, jamais. Se o presidente da República ou qualquer pessoa tiver alguma prova de fraude ou de impropriedade tem o dever cívico de entregá-la ao Tribunal Superior Eleitoral. Tô esperando de portas abertas e de bom grado”, disse Barroso à CNN Brasil. A entrevista terminou às 8h30m. Às 10h24m, os superintendentes regionais da Polícia Federal receberam a consulta em seus computadores.” [O Globo]

Agilidade, hein, imagine se fosse assim com vacina.

“No ofício, o pedido é justificado pela “recente criação da Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição 135-A, de 2019, da deputada Bia Kicis (PSL-DF), a chamada “PEC do Voto Impresso”, e ainda pela “necessidade recorrente de consolidar, no âmbito deste Serviço de Repressão a Crimes Eleitorais, todos os dados referentes à denúncias de fraudes eleitorais desde a implantação da urna eletrônica em 1996″. À reportagem, a assessoria de imprensa da PF disse que a polícia não recebeu nenhum pedido oficial de informações vindo nem da comissão da Câmara que discute o voto impresso nem do TSE, mas que o delegado Edson Zampronha soube que haveria um pedido e decidiu se antecipar. O requerimento para que as informações fossem pedidas à PF, porém, só foi aprovado na comissão especial à tarde, quando a consulta aos superintendentes já tinha sido feita.”

Entendeu? Não teve pedido mas ele se antecipou ao pedido!

“Internamente, porém, a comunicação foi vista como uma tentativa do diretor da PF de tentar encontrar formas de sustentar a afirmação de Bolsonaro de que teria havido fraudes nas eleições vencidas por ele. Uma espécie de “pescaria”, como se diz no jargão interno, para ajudar o presidente da República. Há ainda a preocupação de que toda e qualquer denúncia, mesmo sem lastro, acabe sendo computada em estatísticas e informes sem qualquer filtro, uma vez que, em seu ofício, Zampronha não pergunta quais das denúncias foram comprovadas. Pede pede apenas “o andamento” de cada uma delas. A primeira vez que o presidente sugeriu ter provas de fraude foi em março de 2019, numa viagem aos Estados Unidos. “Eu acredito que, pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito no primeiro turno, mas no meu entender teve fraude. E nós temos não apenas palavra, nós temos comprovado, brevemente eu quero mostrar”, disse Bolsonaro na ocasião. Até hoje essas provas não foram apresentadas. Ontem à noite, em sua live semanal, Bolsonaro voltou ao assunto. Sem citar o nome de Barroso, ele afirmou ter convicção de que “que realmente houve fraude, e que o Aécio ganhou em 2014 e eu ganhei no primeiro turno em 2018”. O presidente pediu ainda contagem pública dos votos por seção eleitoral, “especialmente em cidade pequena onde todo mundo se conhece”.”

E sim, Toffoli é civil mas ele faz por onde pra vir parar no tópico “malditos milcios”:

“O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido de explicações ajuizado pelo Psol contra Jair Bolsonaro. A sigla solicitou que o presidente justificasse, com provas, alegações feitas por ele em janeiro de que as eleições de 2018 foram fraudadas. Em várias ocasiões o mandatário também defendeu o voto impresso. A informação é de Lauro Jardim, do jornal O Globo. “A minha [eleição] foi fraudada. Era para eu ter ganhado no primeiro turno. Ninguém reclamou que foi votar no 13 e a maquininha não respondia. Mas o contrário, quem ia votar 17 ou não respondia, ou apertava o 1 e já aparecia o 13. Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problemas piores que os Estados Unidos”, disse Bolsonaro, referindo-se aos distúrbios ocorridos naquele país por ocasião da eleição de Joe Biden para a presidência. O Psol afirmou ser de seu interesse que o presidente explique as declarações, levando em conta que, se as eleições foram de fato fraudadas, isso afeta os mandatos do partido. Toffoli discordou. Para o ministro, não foi possível identificar quais falas teriam se direcionado ao Psol. Bolsonaro não citou “nomes, sequer instituições ou partidos políticos”, diz a decisão. Esse grau de abstração, prossegue o magistrado, “inviabiliza uma análise acerca dos crimes contra a honra, que necessitam de um sujeito passivo bem delimitado, o que não ocorreu”. ” [Conjur]

Bolsonaro ataca a honra do sistema eleitoral brasileiro, caralho, do processo eleitoral brasileiro e da própria legitimidade de sua virótisa. Num país sério o Jai processaria o Bolsonaro, porra!

A sorte é que tem uma açlão parecida com o Barroso:

“Uma outra representação, essa da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), enviada ao Tribunal Superior Eleitoral, também cobra explicações de Bolsonaro sobre as declarações. O caso ainda não foi julgado. No pedido, a ABI diz que o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, deve enviar representação ao Supremo e à Câmara dos Deputados cobrando esclarecimentos de Bolsonaro. “Em declaração pública, de conhecimento notório e mantida em redes sociais, o Exmo. Sr. presidente da República afirmou que as eleições de 2018 foram fraudadas e que somente foi eleito porque teve muito voto. As declarações do representado buscam ilegitimar a democracia, desqualificar o sistema eleitoral, os partidos políticos e as instituições responsáveis, especialmente o Tribunal Superior Eleitoral”, diz o documento.”

E que desgraça encerrar esse tópico com o Lula:

“Descrito por seus interlocutores como “candidatíssimo” nas próximas eleições, Lula tem garantido que não terá rusgas com militares caso retorne ao Palácio do Planalto. Na semana passada, durante o almoço com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, lideranças fluminenses perguntaram ao petista qual será o destino dos mais de 6 mil militares que ocupam cargos no governo Bolsonaro, caso seja eleito. Lula afirmou que sempre teve ótima relação com os militares durante seus dois mandatos e que continuará assim. Admitiu, porém, que as tensões com as Forças Armadas cresceram no governo Dilma. Entre os motivos para isso, o petista citou a criação da Comissão da Verdade, mas não fez juízo de valor sobre o colegiado que investigou violações de direitos humanos no Brasil durante a ditadura. Sobre o que faria com os militares empregados no governo Bolsonaro, limitou-se a dizer que “não será um problema”, mas não falou abertamente sobre a demissão da tropa.” [O Globo]

O Brasil, senhoras e senhores, não tem a MENOR chance de dar certo!

A régua pra medir o Brasil é o quanto os civis vão fazer os malditos milicos ajoelharem perante à constituição CIVIL, enquanto não fizermos isso os milicos continuarão mandando e desmandando, se sentindo confortáveis para fazer da democracia seu capricho.

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2. Eletrobras

Queria ter dado mais atenção pra MP da Eletrobras mas tá foda de tempo, é rezar pra câmara barrar, sabe-se lá como…

“Depois de muitas mudanças no texto e com as atenções voltadas para o prazo apertado de 22 de junho para a caducidade do texto, o Senado aprovou por 42 votos a 37 o texto-base do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 7/2021, proveniente da Medida Provisória (MP) 1.031/2021, que permite a privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6), a maior empresa de energia elétrica da América Latina. Posteriormente, os senadores rejeitaram os destaques, como são chamadas as propostas que visam modificar o conteúdo da MP. Com a conclusão da votação, o projeto retorna à Câmara dos Deputados, que tem até a próxima terça-feira para aprová-lo e remetê-lo à sanção de Jair Bolsonaro. A expectativa é que a sessão na Câmara aconteça já na segunda-feira (21), às 15h (horário de Brasília). O modelo de privatização prevê a emissão de novas ações a serem vendidas no mercado sem a participação da empresa, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente pela União. A projeção é de que o governo reduzirá sua fatia nas ações com direito a voto de 61% para 45%. O aumento do capital social da empresa será por meio da oferta pública de ações.” [INfomoney]

Lembrando que a Catanhee e a FIESP eram contra, imagine o tamanho do crime que é essa porra!

“Apesar de perder o controle, a União terá uma ação de classe especial (golden share) que lhe garante poder de veto em decisões da assembleia de acionistas a fim de evitar que algum deles ou um grupo de vários detenha mais de 10% do capital votante da Eletrobras. Na avaliação do governo, a privatização da Eletrobras pode reduzir a conta de luz em até 7,36%, enquanto algumas entidades do setor elétrico afirmam que a conta pode ficar mais cara para os consumidores.”

Tiraram o 7,36% da bunda do Guedes, claro.

“O senador Marcos Rogério (DEM-RO) divulgou o relatório da MP na véspera, fazendo diversas alterações nesta quinta-feira, como a rejeição da emenda que pedia a prorrogação de incentivos à geração elétrica a carvão e o aumento da quantidade de energia de usinas térmicas a gás que a União será obrigada a contratar. Ele elevou de 6 megawatts (MW) para 8 mil MW a obrigação de contratar térmicas a gás nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, sendo que outros 2 mil MW de pequenas as centrais hidrelétricas (PCHs). A alteração beneficia estados do Sudeste, que não estavam contemplados com o texto da Câmara. O texto do Senado ainda detalha a localização das térmicas. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste também serão atendidas. Para essas regiões, a entrega de energia deverá acontecer entre 2026 a 2028, com período de fornecimento de 15 anos. A energia deverá ser contratada pelo preço máximo equivalente ao teto da geração a gás do leilão A-6 de 2019, com correção. O dispositivo sobre as térmicas que veio do texto da Câmara, que não têm relação direta com a privatização, recebeu muitas críticas, mas Rogério defendeu a proposta. Uma das principais reclamações era que o texto aprovado primeiramente na Câmara definia a construção das usinas apenas em pontos distantes da oferta de gás doméstico, o que poderia elevar custos e desestimular a produção do insumo no país, segundo petroleiras e grandes consumidores de energia. No plenário, Rogério negou que as emendas acatadas eram “jabutis” (ou matérias estranhas ao texto original), muitos deles vistos para angariar apoio de parlamentares à proposta. Ao contrário, ele ressaltou que algumas sugestões “inovaram para melhorar a proposta”.”

E olha que escolha equivocada de verbo:

Para garantir a aprovação, o governo também acatou uma emenda que atropela o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) no licenciamento para a construção da linha de transmissão de energia Manaus-Boa Vista. 

Acatou”? O governo desejou, IMPLOROU por isso!

“O linhão, leiloado em 2011, nunca saiu do papel por um impasse com a comunidade indígena Waimiri Atroari. Pela proposta, a União fica autorizada a iniciar as obras imediatamente após a conclusão do Plano Básico Ambiental – Componente Indígena, traduzido na língua originária e apresentado aos indígenas. O texto ainda destina recursos para programas regionais na Região Nordeste, Norte e Sudeste. O texto do Senado determina que o dinheiro, no entanto, não será mais pago pela Eletrobras, mas pela própria União, o que reduz o montante que o governo irá receber com o processo de capitalização de R$ 25 bilhões para R$ 15 bilhões. Os R$ 25 bilhões que serão destinados para atenuar as tarifas, por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), foram mantidos. Durante a sessão remota, vários senadores criticaram a votação da matéria. A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) cobrou do governo um estudo sobre o impacto da MP nas tarifas pagas pelos consumidores. A parlamentar defendeu o texto original enviado pelo Executivo e afirmou que vê uma insegurança entre os senadores para aprovar as modificações feitas pela Câmara e Senado. “Será que não seria o caso provocar um estudo formal, com responsabilidade técnica de alguém que nos traga isso? Porque a população está dividida e aí vamos carregar esse fardo”, disse a parlamentar. “Sou uma liberal com convicção, mas entendo que temos que ter muita responsabilidade quando se trata da coisa pública. O texto inicial, sou totalmente favorável, voto sem pestanejar, mas as modificações que aconteceram, os ‘jabutis’ que colocaram na Medida Provisória, nos trazem muita insegurança, não tivemos tempo para analisar”, destacou a senadora. O líder do Podemos, senador Álvaro Dias (PR), orientou a bancada do partido a votar contra a MP. “Capitalizar Eletrobras é fundamental, mas não com todos esses equívocos”, disse, em referência aos “jabutis”. O líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (DF), afirmou que defende a redução do papel do Estado na economia, mas que o projeto não poderia ser feito de qualquer maneira. “Não dá numa medida provisória, não dá tempo, não sabe os impactos, cada um fala uma coisa. Não sou especialista em matéria de eletricidade, de matriz econômica energética, mas imagina discutir isso em uma Medida Provisória. Minha consciência não está à venda, meu mandato nunca esteve e não estará à venda. Vou votar contra essa matéria”, afirmou Lucas. Algumas bancadas se dividiram. O líder do MDB, Eduardo Braga (AM), defendeu a contratação das usinas e afirmou que a medida não irá encarecer as tarifas. O senador liberou a bancada para votação da matéria. Já a senadora Simone Tebet (MDB-MS) se manifestou favorável ao texto original do governo federal, mas criticou os pontos incluídos pelos parlamentares. Ao manifestar voto contrário ao parecer, ela afirmou que não cabe ao Legislativo definir a quantidade de energia que o governo deve contratar.”

Passo ao Vinícius Torres Freire:

“Um motivo da relativa pobreza e do baixo crescimento do Brasil é o mau funcionamento da economia de mercado, se é que “tudo isso que está aí” pode ser chamado assim, de “economia de mercado”. A lei de privatização da Eletrobrás avacalha ainda mais essa geringonça nacional. A aprovação dessa lei porca e dinheirista foi aplaudida por empresários beneficiados, por governos locais, pelo povo do mercado que tinham comprado ações da empresa e por Paulo Guedes, o tiozão do Whatsapp pinochetista que é a fantasia caricata de liberal do governo de Jair Bolsonaro.” [Folha]

Nem tão caricato assim, convenhamos, mas amei a descrição do Guedes.

““Economia de mercado” é uma ideia abstrata, um modelo incompreensível ou que desinteressa a maioria das pessoas mesmo quando apresentado na sua versão mais simples. Trocando em miúdos muito grossos, o mercado não funciona ou talvez inexista por aqui porque muita decisão de investimento não é orientada pelo cálculo da rentabilidade do negócio em si, por preços livres e custos, pois tal decisão é influenciada de modo pesado pela “rentabilidade” decidida pelo governo. Um investimento, a criação ou expansão de uma empresa, pode pagar 20% ou 40% de imposto, digamos, porque foi realizado em tal ou qual região ou para produzir tal coisa e não outra. Talvez não pague imposto algum ou até receba um incentivo extra. Quanto mais favor e iniquidade de tratamento, menos o emprego do capital é orientado pelo critério de eficiência. Menos eficiência, menos produtividade; ineficiências somadas diminuem o crescimento. O Brasil tem centenas de regimes especiais de tributação, subsídio, proteção tarifária (no comércio exterior) etc. É difícil imaginar um setor médio ou grande que não tenha sua regrinha especial de favor, cavada em um lobby velho ou coisa pior. A lei de privatização da Eletrobrás está cheia de subsídios e determinações de investimento que, em princípio ou por princípio, subvertem a ideia de uso eficiente de recursos (que depende de concorrência). Teve apoio de Guedes, que quer fazer onda que privatizou uma “joia da coroa”, que se danem os estragos. A incompreensão do que pode haver de útil em uma economia de mercado é notável nos comentários mais comuns sobre a reforma tributária. “Vai simplificar o pagamento de impostos” etc. Sim, isso é importante também, até porque a lei, de tão confusa, provoca disputas jurídicas imensas (mal ou bem-intencionadas), com o que as empresas não sabem quanto devem de tributos e, assim, desconhecem seu custo. Essencial, porém, é a ideia de que a cobrança de impostos não vá influenciar excessivamente a decisão sobre o melhor uso do capital. Para tanto, impostos têm de ser, o quanto possível, uniformes (um setor ou região não pode pagar zero e outro 50%). Obviamente, a relativa uniformização vai produzir ganhadores e perdedores setoriais e, em tese, um ganho social (total) maior. Obviamente, uma reforma profunda vai empacar pelos mesmos motivos que provocaram a aprovação dessa lei porca de venda da Eletrobrás. Sim, mercados têm um monte de problemas, reconhecidos pela maioria dos economistas-padrão: falhas de mercado, de coordenação, distribuição muito desigual etc. Sim, há mais o que criticar, mas por ora passemos. Além desses problemas, criamos um monstro de produção de favores pior do que aqueles que vemos em economias capitalistas menos incivilizadas. Guedes, Bolsonaro, empresários corsários e parlamentares negocistas criaram mais uma cabeça nesse monstro.​”

É impressionante como todo mundo é contra:

Executivos do setor elétrico dizem que a aprovação pelo Senado da medida provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobras gera maior insegurança jurídica a investidores no país, ao sinalizar que mudanças estruturais no mercado podem ser feitas por meio de emendas sem relação com o tema, os chamados jabutis. Os custos que serão repassados para conta de luz dos brasileiros também foram elevados pelos senadores. O grupo União pela energia, que reúne 45 associações ligadas à indústria e ao setor de energia, fez as projeções. Os jabutis do Senado, afirma o grupo, acrescentaram R$ 15 bilhões em custos adicionais no futuro, elevando a despesa que será paga pelos brasileiros para R$ 56 bilhões. Incluindo impostos e benefícios setoriais, o custo chegaria a R$ 84 bilhões. “É uma sinalização muito ruim para o setor elétrico”, disse após a votação o presidente do Fase (Fórum de Associações do Setor Elétrico), Mário Menel. “Reserva de mercado é uma coisa que aparentemente estava superada na visão de modernização do setor elétrico.” Menel refere-se ao projeto de lei em discussão no Congresso, também apoiado pelo governo federal, que prevê uma reforma do setor elétrico e caminhava num sentido de maior liberalização. Agora, diz ele, o texto terá que ser revisto para se adequar a medidas aprovadas na MP. “As definições [da MP] invadem o espaço do planejamento setorial e ampliam o risco de investimentos no setor por sinalizar grande instabilidade para investimentos de capital intensivo e de longo prazo, assim como a governança da operação do setor elétrico”, disse antes da sessão no Senado a União pela Energia. “Sinaliza também que a tendência é de que, a cada MP, podem surgir novas decisões que afetam a concorrência no mercado de energia e perturbam a competição, alterando os resultados entre vencedores e perdedores do setor”, acrescentou a entidade. Após a votação, a União pela Energia disse lamentar a aprovação dos jabutis e que seu foco agora estará no debate do projeto de lei de modernização do setor. O setor reclama ainda de interferência do Congresso no planejamento, sem estudos técnicos prévios que justifiquem as medidas, ao definir volumes obrigatórios de contratação de determinadas fontes e locais para instalação de usinas. “Atribuir ao Legislativo a atividade de planejamento, que é de cunho técnico, e interferindo no papel do MME [Ministério de Minas e Energia], da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] e das diretrizes de politica energética do CNPE [Conselho Nacional de Política Energética], é um sinal ruim e introduz instabilidade regulatória”, reforça o presidente da consultoria PSR Energy, Luiz Barroso. Para a Abradee (Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica), “o texto final da MP traz pontos de preocupação em relação a custos que irão recair nas contas dos consumidores”. O segmento acabou sendo atingido no Senado com um jabuti que determina a abertura total do mercado de energia até 2026. Essa medida garante que consumidores possam procurar seu próprio fornecedor de energia. A mudança já era alvo do projeto de modernização e as distribuidoras defendem que, se não for feito de forma organizada, transferirá aos consumidores de pequeno porte os custos da migração dos maiores para o mercado livre.​ Setores beneficiados, por outro lado, rebatem as críticas e defenderam que a MP é benéfica ao consumidor. Para a Abegás (Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado), a contratação obrigatória de térmicas reduz o custo da energia e permite a construção de gasodutos para o interior do país. ” A medida irá contribuir para que o país produza cada vez mais gás natural, alocando o gás do pré-sal para os brasileiros”, afirmou. A inclusão no texto aprovado de uma térmica no Triângulo Mineiro, área de atuação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-RJ), ajuda a viabilizar um antigo projeto de gasoduto para Brasília. O Senado ampliou de 6.000 para 8.000 MW (megawatts) o volume obrigatório de térmicas. Essas usinas operariam por pelo menos 70% do tempo, inflexibilidade necessária para justificar a construção de grandes gasodutos. Não foram definidos os locais, mas o presidente da Abegás, Augusto Salomon, diz que a tendência é que os novos projetos sejam construídos perto de grandes linhas de transmissão. Também beneficiado, o setor de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) agradeceu ao trabalho dos relatores da MP, o deputado federal Elmar Nascimento (DEM-BA) e o senador Marcos Rogério (DEM-RO). ​ Para o presidente da Abragel (Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa, entidade que representa as PCHs), Charles Lenzi, a aprovação do texto “é um reconhecimento do Senado que reforça o entendimento da importância desse setor dentro do contexto da geração de energia limpa e renovável”.” [Folha]

E olha o papo do Bolsonaro há alguns anos…

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3. CPI

É impressionante como mente o governo de João 8:32:

“O Ministério da Saúde omitiu à CPI da Covid pelo menos 20 contatos com a Pfizer durante as negociações de vacinas em 2020, mostra um documento sigiloso enviado pela pasta à comissão na última terça-feira (15/06). Em julho, houve 12 interações, inclusive de Carlos Murillo, presidente da farmacêutica, mas o ministério só registrou três. A “nota informativa”, obtida pela coluna, foi assinada por Alessandro Glauco dos Anjos, secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, no último dia 24. Esse departamento coordenou reuniões e trocas de informações com farmacêuticas sobre vacinas contra a Covid-19. A pasta respondeu a um requerimento do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues, que no fim de abril havia cobrado detalhes das negociações de imunizantes. A coluna cruzou os dados dessa nota com outras duas levas de documentos em posse da CPI divulgadas em maio pelos repórteres Júlia Chaib e Caio Junqueira. Na primeira, a Pfizer encaminhou e-mails enviados à pasta. Na outra, técnicos da CPI fizeram um levantamento sobre as interações entre o laboratório e o governo federal. O mês com mais omissões nos registros foi julho. Para o Ministério da Saúde, houve apenas três contatos: nos dias 2, 8 e 29 de julho. Segundo esses registros, em todo o mês a empresa unicamente pediu uma reunião para “tratar do desenvolvimento de vacinas e planejamento de possíveis vacinações no Brasil”, enviou uma proposta de minuta do acordo de confidencialidade e assinou esse acordo com a pasta. Outros documentos da CPI mostram uma agenda bem diferente para julho. No dia 6, a Pfizer enviou dados solicitados sobre o desenvolvimento da vacina. No dia seguinte, cobrou o ministério sobre uma futura reunião da área técnica da pasta e a área internacional do laboratório. Em 10 de julho, a Pfizer confirmou um encontro no dia 15. Em 16 de julho, Carlos Murillo, presidente da companhia, solicitou uma reunião urgente com a pasta. No dia 21, o ministério enviou um ofício à Pfizer. A farmacêutica, na mesma data, confirmou a participação do Brasil no estudo clínico do imunizante, informou que a Anvisa havia aprovado o protocolo clínico do estudo e reforçou o pedido de um encontro para apresentar sua proposta de fornecimento de vacina. Em 22 de julho, a empresa enviou um e-mail ao gabinete de Eduardo Pazuello, solicitando uma conversa sobre a proposta de vacinas. Dois dias depois, a pasta agendou uma reunião virtual. No dia 31, a Pfizer pediu outra audiência urgente com o ministério. Em outubro, dois pedidos urgentes da Pfizer foram ignorados no relato enviado pelo ministério à CPI. No dia 21, o presidente da farmacêutica solicitou a Élcio Franco, secretário-executivo da pasta, uma reunião com urgência para atualizar dados sobre a vacina. Em 28 de outubro, pediu que o ministério confirmasse com urgência o número de doses para uma nova proposta, destacando a importância da rapidez da resposta. Para o ministério, outubro se resumiu a somente três dias de comunicação com a Pfizer: uma reunião e um e-mail da empresa no dia 27, e outros e-mails da empresa nos dois dias seguintes. Chamam atenção, ainda, outros três dias desprezados no documento do ministério entregue aos senadores da comissão. Em 15 de setembro, a Pfizer reenviou a vários secretários da pasta uma carta que seu presidente mundial havia encaminhado a Bolsonaro três dias antes. Nessa carta, a Pfizer enfatizou que estava à disposição para quaisquer necessidades. O ministério tampouco informou à CPI que em 2 e 3 de dezembro a farmacêutica tentou contato por telefone e e-mail, deixou diversas mensagens, mas não obteve resposta da pasta.” [Metrópoles]

E o trabalho do GENERAL DA ATIVA é brilhante, repare:

“Na cadeira de ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello usou projeções irreais para a vacinação contra a Covid-19 e levou em conta dados fantasiosos sobre a disponibilidade de doses até o fim do primeiro semestre de 2021. É o que registram dois documentos sigilosos do governo Jair Bolsonaro, enviados à CPI da Covid no Senado. O gabinete de Pazuello considerava, em novembro de 2020, que metade da população estaria vacinada no primeiro semestre deste ano, que isso já asseguraria uma imunidade coletiva e que a retomada de atividades, em um ambiente sem a propagação do coronavírus, seria possível a partir de julho. No mês anterior, em outubro, Pazuello fazia um cálculo ainda mais irreal. Para ele, o Brasil chegaria a meados de 2021 com capacidade de produção de 600 milhões a 800 milhões de doses de vacina e de ajudar países da região.” [Folha]

Nessas horas recorro ao Mourão, antes da posse:

“Se o nosso governo falhar, errar demais – porque todo mundo erra –, mas se errar demais, não entregar o que está prometendo, essa conta irá para as Forças Armadas. Daí a nossa extrema preocupação”

Voltemos à matéria

“Ao fim do primeiro semestre de 2021, o cenário é completamente distinto do traçado pelo então ministro da Saúde em outubro e novembro de 2020. Pazuello foi demitido em março e hoje ocupa cargo de confiança no Planalto. Até agora, apenas 11,4% da população total e 15% da população adulta recebeu as duas doses da vacina. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), responsável pela produção do imunizante desenvolvido pela AstraZeneca e Universidade de Oxford, e o Instituto Butantan, que produz a Coronavac, entregaram até agora 103,8 milhões de doses ao PNI (Programa Nacional de Imunizações). Procurado, o Ministério da Saúde não respondeu até a publicação deste texto. Um dos documentos enviados à CPI da Covid é uma apresentação interna do Ministério da Saúde com detalhamento de um plano elaborado pela área de comunicação para subsidiar a atuação e o planejamento do gabinete de Pazuello. O documento foi confeccionado em outubro, com aplicação do plano prevista para novembro. O ministério discutia o que fazer em relação à Coronavac, rejeitada por Bolsonaro em razão do protagonismo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), mas decisiva para o início da vacinação contra a Covid, em janeiro. O plano previa “mensagens-chave”, como a de que o Ministério da Saúde buscava uma “solução para o Brasil”. A pasta apoiava e financiava a compra da Coronavac, que seria incorporada ao PNI, segundo mensagem que deveria ser assimilada e replicada pela cúpula do ministério. Segundo o documento, os “esforços do Ministério da Saúde” já garantiam, naquele momento, 186 milhões de doses: 46 milhões da Coronavac, 100 milhões da AstraZeneca e 40 milhões do consórcio internacional Covax Facility, viabilizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). “Essa quantidade total garante a imunização de quase metade da população brasileira (93 milhões) ainda no primeiro semestre de 2021”, afirma o documento. “A vacinação de cerca de metade da população pode ser suficiente para o atingimento da imunidade coletiva, ou seja, para reduzir a um nível seguro a circulação do vírus no Brasil.” Naquele momento, a Fiocruz já tinha assinado o contrato com a AstraZeneca para a garantia de 100,4 milhões de doses. Com o Butantan, foi diferente.

Em 20 de outubro, Pazuello anunciou a existência de um acordo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac. No dia seguinte, o ministro foi desautorizado por Bolsonaro. Foi neste contexto que, ao receber a visita do presidente no hotel de trânsito do Exército, em Brasília, o general afirmou: “Senhores, é simples assim: um manda, e o outro obedece”. A assinatura do contrato com o Butantan só foi comunicada pela gestão de Pazuello no começo de janeiro deste ano. No caso da Covax Facility, o governo anunciou em setembro que havia decidido fazer parte da aliança internacional. A opção foi por apenas 42,5 milhões de doses, ou 10% da população. Havia a possibilidade de adesão equivalente a 50% da população. A entrega das vacinas está programada até o fim deste ano. “Estará tudo pronto para a retomada segura de atividades a partir de julho do ano que vem (ou xxxx meses [como consta do documento] após a aprovação da vacina pela Anvisa) graças aos diversos esforços do governo federal”, afirma o documento interno do Ministério da Saúde, de novembro de 2020. As atividades foram retomadas, mas com alta circulação do vírus e mortes diárias por Covid superiores a 2.000. O ministério calculava ainda que a Fiocruz teria a partir de abril a “tecnologia necessária” para produzir de 100 milhões a 165 milhões de doses, “podendo imunizar mais de 80% da população brasileira ainda em 2021”. O contrato de transferência de tecnologia, que permite à Fiocruz produzir o IFA (ingrediente farmacêutico ativo) da vacina, só foi assinado no dia 1º de junho. Até agora, a fundação entregou 53,8 milhões de doses ao PNI, sendo uma parte (4 milhões) importada da Índia e outra parte (49,8 milhões) produzida com IFA da China. A projeção de que o Brasil estaria produzindo, neste momento, de 600 milhões a 800 milhões de doses de vacina foi feita por Pazuello a Carissa Etienne, diretora da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), braço da OMS nas Américas. A reunião virtual ocorreu em 16 de outubro e o relato do que foi dito à diretora foi feito ao Itamaraty pela assessoria internacional do Ministério da Saúde. Um telegrama diplomático, então, foi remetido às missões brasileiras junto à ONU (Organização das Nações Unidas) e à OEA (Organização dos Estados Americanos). Uma cópia do telegrama foi enviada à CPI. “Biomanguinhos [unidade da Fiocruz] e o Instituto Butantan, aos quais se somam algumas fábricas privadas com arranjos específicos com outros laboratórios estrangeiros, em especial o Instituto Gamaleya da Rússia, terão capacidade de produzir de 600 a 800 milhões de doses até meados de 2021”, disse Pazuello à diretora da Opas. “[O ministro] disse esperar que, com esse nível de produção, o Brasil possa contribuir ativamente para os esforços de imunização na região”, registra o telegrama.”

E é impressionante como os documentos do 4chanceler tão dinamitando a ridícula defesa do governo:

“A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) encaminhou para a CPI da Covid documentos recebidos do Itamaraty que mostram que, desde agosto do ano passado, as autoridades brasileiras foram informadas de que os estudos para o uso da cloroquina tinham sido paralisados por ausência de evidências sobre a eficácia. Um telegrama de 24 de agosto de 2020 mostra que a Missão Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas informou que em uma conferência de imprensa da Organização Mundial da Saúde a cientista-chefe da organização falou sobre a falta de comprovação da eficácia do medicamento. A parlamentar também repassou à comissão um telegrama que sugere atraso do governo brasileiro para criar condições legais para participar do consórcio internacional para compra de vacinas, o Covax Facility.” [Folha]

Sobre a sessão de hoje da CPI:

“Em um gesto de protesto contra o depoimento de médicos que defendem o chamado “tratamento precoce” contra a covid-19, senadores de oposição ou independentes na CPI da Covid esvaziaram a sessão desta sexta-feira, 18. Enquanto governistas ouviam o infectologista Ricardo Zimerman, um dos nomes apontados como integrante do “gabinete paralelo” que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro na pandemia, o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciava do lado de fora da sala, em entrevista a jornalistas, uma lista de 14 investigados pela CPI, incluindo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. A decisão do relator de abandonar a sessão foi criticada por governistas. O senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) discutiu com Renan lamentando a postura. “Eu não tenho que perguntar”, disse o relator. “Não tem o que não lhe interessa”, rebateu o parlamentar. Do lado de fora da sessão, Renan anunciou ter classificado oficialmente 14 pessoas como investigadas pela comissão. A maioria delas é ligada a Bolsonaro, o que representa uma derrota para o governo na CPI e expõe a articulação para enquadrar e responsabilizar o chefe do Planalto pelo descontrole da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Na prática, passar da condição de testemunha para investigado permite que Queiroga e os demais tenham acessos aos documentos da CPI, além de sinalizar que a comissão já levantou provas e indícios para responsabilizar a atuação dessas pessoas na pandemia. Por outro lado, em um possível novo depoimento, um investigado pode optar por não falar no colegiado. Renan justificou a inclusão de Renan na lista de investigado porque, segundo ele, Queiroga “mentiu muito” ao prestar depoimento no colegiado. O relator também citou documentos enviados pelo Itamaraty CPI em que o ministro “tenta vender o tratamento precoce e a cloroquina” em conversa com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Aos senadores, o titular da Saúde admitiu que os medicamentos não são eficazes contra covid-19. “Ele finge que é ministro, defende o uso de máscara e o presidente diz que ele estará obrigado a fazer um decreto minimizando o uso de máscara. Defende autonomia concorrente dos Estados e o presidente da República entra, com a participação dele, contra essa autonomia concorrente”, afirmou Renan. O relator também afirmou que Queiroga levou um “puxão de orelha” da OMS ao ter cobrado agilidade no envio de vacinas ao Brasil após, no ano passado, ter atrasado os pedidos do imunizante e optado por comprar vacinas apenas para 10% da população do Brasil no consórcio Covax Facility, quando era permitido a opção pela compra de imunizantes para atender 20% ou até 50% da população brasileira. Integrantes do gabinete paralelo que assessorou o presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia também são alvos da CPI.” [Estadão]

E olha o Toffoli de novo!

“Por não encontrar “demonstração objetiva de uma causa provável a justificar a ruptura da esfera da intimidade do impetrante”, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal suspendeu a quebra de sigilo telemático e telefônico de Zoser Plata Bondim Hardman de Araújo, ex-assessor especial do general Eduardo Pazuello no ministério da Saúde.” [Conjur]

Bastava saber que o sujeito era advogado de miliciano e sabe-se lá por que diabos ele tava nefociando vacina com a Pfizer, caralho!

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4. Crise hídrica

Para surpresa de ninguém…

“O fenômeno natural La Niña ajuda a entender, mas não explica toda a crise hídrica que ameaça o setor elétrico no país, indicam especialistas. Segundo eles, a escassez de chuvas também pode ser associada a questões como a mudança climática provocada pelo aquecimento global e até o desmatamento na Amazônia. Durante o verão, não choveu o suficiente para encher reservatórios de importantes usinas hidrelétricas no Sudeste e no Centro-Oeste do país. A situação exige o acionamento de térmicas, que custam mais caro e elevam o preço da energia para os brasileiros. O La Niña é visto como um dos motivos da crise porque afeta a distribuição de chuvas. No país, esse fenômeno costuma provocar estiagem no Centro-Sul, justamente onde estão os principais reservatórios para geração de energia. “O fenômeno é causado pelo resfriamento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, na região da costa do Peru. Quando as águas estão mais frias do que o normal, geram uma alteração na circulação de ventos e umidade. Na região Centro-Sul do Brasil, a tendência é de estiagem”, sinaliza Renata Libonati, professora do Departamento de Meteorologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Renata também vê, na crise hídrica, reflexos do desmatamento da Amazônia. É que a região, lembra a professora, exerce papel importante em fluxos de umidade que levam chuvas para Centro-Oeste e Sudeste. Esses processos ocorrem por meio dos chamados rios voadores da Amazônia. “A floresta funciona como uma bomba que suga a umidade do oceano Atlântico. Essa umidade entra na Amazônia, causando chuva. A floresta acaba gerando mais umidade, que é carregada por ventos até a Cordilheira dos Andes. A umidade bate na cordilheira, faz uma espécie de curva e volta para o Centro-Sul. Estudos demonstram que o grande desmatamento altera essa fonte de umidade”, diz. De janeiro a maio, os avisos de desmatamento na Amazônia Legal alcançaram área de 2.540 km², alta de 24,7% em relação a igual período do ano passado. Os dados aparecem no sistema de monitoramento Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Levantamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) também indica piora no quadro. Conforme o instituto, uma área de floresta quase do tamanho do município do Rio de Janeiro foi desmatada apenas em maio. O Imazon detectou 1.125 km² de desmatamento no período, maior saldo da série histórica para o mês nos últimos dez anos. Paulo Artaxo, estudioso da Amazônia há 37 anos e doutor em física atmosférica pela USP (Universidade de São Paulo), avalia que as perdas registradas na floresta podem ter impacto na seca deste ano, assim como o La Niña. Outro possível fator para a escassez de chuvas é o aquecimento global, lembra o pesquisador. “Todos os modelos climáticos preveem redução nas precipitações com o aumento da temperatura no Brasil central. O aumento da temperatura altera a circulação atmosférica. Isso, por sua vez, altera as trajetórias de massas de ar que poderiam trazer vapor de água”, diz o pesquisador. “Com a elevação da temperatura, há aumento da incidência de eventos extremos, como grandes cheias e grandes secas”, acrescenta.

O meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), também elenca mais de um fator para explicar as dificuldades hídricas. Segundo ele, o Brasil registra chuvas abaixo da média desde 2014. Neste ano, diz, o quadro foi agravado pelo impacto do La Niña. Seluchi concorda com a ideia de que o aquecimento global e o desmatamento de diferentes biomas podem agravar a situação. “A chuva precisa de umidade para ocorrer. Se você modifica o solo, substitui florestas, desmata nascentes de rios, tudo isso causa mudança de umidade. Não há como dizer qual o percentual de cada fator nesse processo [crise hídrica]. Há uma combinação de coisas”, analisa o meteorologista do Cemaden, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. A doutora em meteorologia e professora da Unifei (Universidade Federal de Itajubá) Michelle Simões Reboita diz que as projeções apontam aumento nos períodos secos sobre a região da bacia do rio Paraná. A região, conhecida como a caixa d’água do setor elétrico pela grande quantidade de hidrelétricas com reservatórios, viveu no último ano a pior seca da sua história e está hoje com cerca de 30% de sua capacidade de armazenamento de energia. “A gente tem observado que os ventos que vão do oceano para o norte do Brasil vão enfraquecer no clima futuro. Se enfraquecem, levam menos umidade para o continente”, diz ela. “Com a Amazônia mais seca, não tem esse transporte de umidade, que conhecemos como rios voadores. E isso impacta o Sudeste.” Com a perspectiva de menores chuvas, a operação do setor elétrico terá que mudar, diz a doutoranda em Engenharia Elétrica pela Unifei Cássia Akemi Castro Kuki. As chamadas energias renováveis intermitentes, como eólica e solar, têm que ganhar mais espaço, substituindo o papel hoje feito pelas hidrelétricas. Ao invés de garantir a geração de energia na base, as hidrelétricas passariam a atuar como fontes complementares, gerando energia para cobrir a parte da demanda que não pode ser atendida por eólicas e solares nos períodos de menos vento e sol. Nesse sentido, ela diz que a rede de transmissão de energia do país precisa de ampliações, para permitir maior transferência de eletricidade entre as regiões. A fonte eólica, por exemplo, tem grande potencial no Nordeste e no Sul. Mesma visão tem o ex-presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) Luiz Eduardo Barata. Para ele, com a expansão das energias renováveis, os reservatórios das hidrelétricas tendem a voltar a encher —a última vez em que terminaram o período de chuvas acima dos 80% foi em 2011. A perspectiva de menos água é foco de diversos estudos no setor, inclusive considerando que a redução dos reservatórios deve ampliar os conflitos pelo uso das águas e, consequentemente, restrições à operação de hidrelétricas. A EPE (Empresa de Planejamento Energético) considera esse um dos principais desafios no planejamento futuro da expansão do setor, já que as projeções dependem de uma perspectiva realista de quanta energia as hidrelétricas poderão gerar no futuro.” [Folha]

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5. Improbidade

E lá vou eu gostar duma coluna da Catanhede…

“Há algo errado quando, do PT ao PP, praticamente todos os partidos ficam do mesmo lado na Câmara e quando dez entre dez economistas liberais se manifestam contra o projeto pró-privatização da Eletrobrás da Câmara e do Senado. A explicação, porém, parece razoavelmente simples: com o foco na CPI da Covid, o Congresso corre para passar suas boiadas e jabutis. O pau come entre o PT e o bolsonarismo, mas lá, no escurinho da Câmara, reina a paz para legislar em causa própria. O deputado petista Carlos Zarattini (SP) apresentou um relatório substitutivo mudando drasticamente a Lei da Improbidade, de 1992, e o texto foi aprovado por 408 votos a 67 em plenário, com apoio de praticamente todos os partidos e patrocínio do bolsonarista Arthur Lira (PP-AL) – o presidente da Casa, alvo de processos por… improbidade. Para o procurador Roberto Livianu, do Instituto Não Aceito Corrupção, a Lei da Improbidade “é a mais importante lei anticorrupção em vigor no Brasil”. E ele cronometrou: o substitutivo de Zarattini foi apresentado às 17h10 de terça-feira, o pedido de urgência começou a ser votado às 17h11 e foi aprovado às 17h19. Nove minutos. No dia seguinte o plenário liquidou a fatura.” [Estadão]

Tanta celeridade é deveras suspeita.

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6. Administrativa

O Brasil não é um país sério:

“O presidente da comissão especial da PEC da reforma administrativa, Fernando Monteiro (PP-PE), afirma ser importante incluir desde já no texto as carreiras típicas de Estado, como diplomatas, polícias, fiscais da Receita e juízes. “Elas têm preceitos constitucionais, é importante estarem na PEC”, disse à Coluna. Monteiro vai na contramão do relator Arthur Maia (DEM-BA), que, ao Estadão/Broadcast, disse haver grave risco de a reforma empacar se na PEC for discutir a lista das “carreiras de Estado”. Ou seja, mais um capítulo das diferenças de posições do Planalto e da Economia…” [Estadão]

Só no Brasil que se tenta aprovar a porra duma reforma administrativa sem definir quais são as carreiras de Estado, um detalhe bobo! E tudo isso porque o presidente quer porque quer incluis os policiais como carreira de estado, La Paz, aí vamos nós!

“Para Monteiro, é o contrário: “Não acho que poderia atrasar, mas, sim, trazer mais consenso”. Como a Coluna mostrou, Bolsonaro defende a mudança no texto da equipe econômica e seus aliados do PSL já preparam uma emenda.  O texto defendido pela equipe econômica e pelo relator prevê a definição das carreiras de Estado via projeto de lei.”

É tudo e etapas, com as erma sã absurdas eles vão fazendo suspense e aproando aos poucos.

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7. Covid-17

Entrevista devastadora com Miguel Nicolelis:

“No dia 15 de junho do ano passado, tínhamos cerca de 50 mil mortos, e, nos próximos dias, vamos atingir os 500 mil. Em 12 meses tivemos um aumento de dez vezes nas mortes, algo explosivo. Isso mostra que o Brasil não olhou para essa pandemia com a seriedade e a gravidade com que ela deveria ter sido encarada. A segunda onda produziu a maior mortalidade da história do Brasil para os meses de março e abril. Foram os dois meses mais letais da nossa história. Tudo isso porque não fizemos o que países que entenderam um pouco melhor a dinâmica desse vírus fizeram. Quando houve uma queda de casos e óbitos nós achamos que era o fim da pandemia, que não era preciso manter (as restrições). O Brasil estava com 252 mil mortes em 22 de fevereiro deste ano. Elas dobraram em quatro meses. É algo assustador. E não aprendemos as lições. O governo federal conseguiu não fazer nada com eficiência, não tomou as decisões corretas, não criou um comando central, não houve mensagem nacional, não se fez um lockdown nacional, não se fez um bloqueio das estradas nem se fechou o espaço aéreo. E ainda não conseguimos vacinar as pessoas nos níveis necessários.” [O Globo]

O cnário atual:

“É o de uma pandemia novamente fora de controle, em meio a um colapso hospitalar que não foi sanado. Nunca saímos do colapso hospitalar iniciado em março e abril, fomos empurrando com a barriga. E nós temos múltiplas variantes do vírus entrando no país, uma vez que não resolvemos as fronteiras e o espaço aéreo. E, no meio de tudo isso, o Brasil joga futebol. A Copa América já resultou em mais de 50 pessoas infectadas, e isso só as diretamente envolvidas. Não temos a menor ideia dos números de pessoas que trabalham em hotéis e outros serviços, em contato com as delegações. É uma marca terrível sem uma luz no fim do túnel. A terceira onda já começou e vai seguir no inverno. Ela tem potencial letal extraordinário, tanto que já voltamos à média de 2 mil mortes por dia. Já somos, de novo, o país com mais mortes por dia, com aproximadamente 25% das mortes (por Covid-19) no mundo. A pandemia do coronavírus expôs toda a nossa falta de preparo político para lidar com as catástrofes do século XXI, como questões ambientais e de saúde. Os interesses políticos e econômicos parecem ser superiores à preocupação com as vidas humanas.”

Sobre dias com menos de 2.000 mortes, o que ainda é muito:

“Essa pequena queda era esperada pela própria dinâmica do vírus e por conta de algumas pequenas medidas paliativas. Ficamos em um platô altíssimo. Por algumas semanas a Índia passou o Brasil (em mortes por Covid-19) — mas é difícil a comparação, pois os dados da Índia são subnotificados. Em dados oficiais o Brasil reassumiu essa posição terrível de maior número de mortes. Em março chegamos a mais de 4 mil mortes/dia. E a expectativa é que, com o inverno, com o relaxamento do isolamento e o não crescimento adequado da aplicação da segunda dose da vacina, a gente possa voltar nas próximas semanas aos níveis que tivemos em março, ou chegar bem perto disso. É como se o Brasil tivesse desistido de combater a pandemia neste momento. O Chile vacinou mais de 60% de sua população mas achou que só a vacinação funcionaria. Então reabriram o país e depois tiveram que fechar. Um dos poucos bons exemplos da segunda onda que foi o de Araraquara, mas vai ter que fechar de novo, porque a taxa de ocupação das UTIs voltou a explodir e o número de óbitos voltou a aumentar. É a estratégia sanfona: você espera cruzar de 80 a 90% de ocupação dos leitos de UTI — que, aliás, não deveria servir de norte desse jeito, pois isso não é um critério epidemiológico — para começar a fazer medidas paliativas, fechar algumas coisas e interromper alguns fluxos. Por isso, há uma queda temporária, mas depois de algumas semanas você experimenta outras subidas. E as taxas de ocupação nunca caem sensivelmente. Estamos com equipes de saúde totalmente esgotadas e sem insumos médicos suficientes. E essa terceira onda, se vier na magnitude da segunda, vai pegar o país numa situação muito pior, do ponto de vista hospitalar. A variante indiana já representa 90% dos casos no Reino Unido e ela afetou crianças. Agora estamos vendo nos EUA, na Índia, no sudeste asiático e no Brasil o número muito maior de jovens e crianças infectadas. Por exemplo, no Mato Grosso do Sul, não são só as UTIs adultas lotadas, as pediátricas também estão. Em março eu vi as UTIs neonatais e as obstétricas lotadas. Estamos tendo um número muito grande de gestantes infectadas, o que é recorde.”

Sobre a vacinação:

“A curva de vacinação atual mostra que o ritmo de aplicação da primeira dose está crescendo muito mais rapidamente do que a da segunda dose, que tem um formato achatado. Ela mal cresce diariamente. Temos apenas 11% da população vacinada com as duas doses, e isso é muito pouco. Já vimos que a eficácia da vacina é comprovada quando a média de vacinação completa é alta, mas a nossa ainda está muito baixa. E a imunização com uma dose só ainda é muito baixa. Então, para garantir a eficácia real, é preciso ter as duas doses.”

E Nicolelis lembra que NUNCA houve isolamento severo no Brasil:

“Aliás, nós nunca fizemos isso. Quando você começa a observar o aumento de casos e óbitos, e dos níveis que eles já estão, a recomendação é essa. Em janeiro alertei que, se não fizéssemos um lockdown nacional, teríamos dificuldade de enterrar nossos mortos. E fomos de 250 mil para 500 mil em quatro meses. Essa métrica não dá para ser ignorada. Vamos passar os EUA e nos tornar o país com o maior número de mortes por Covid-19 no mundo, apesar de termos uma população menor. Só que lá a campanha de vacinação em massa feita desde janeiro deu resultado, eles já conseguiram alcançar cerca de 44% da população com as duas doses, e tiveram uma queda abrupta de 4 mil mortes por dia para 350 e reduziram mais de vinte vezes o número de casos diários. Precisamos aumentar a vacinação, passando a vacinar de dois a três milhões de pessoas por dia, reduzir o fluxo de pessoas pelas rodovias, fechar o espaço aéreo para voos internacionais, principalmente de países onde novas variantes estão ocorrendo. E acredito ser preciso achar uma solução política para remover um governo que se negou a fazer tudo o que era preciso ser feito. A sociedade brasileira está totalmente desprotegida, a “Deus dará”. São dezesseis meses de pandemia, quase 500 mil mortos, e ainda não temos um comando central oferecendo diretrizes nacionais para se combater a pandemia. É inacreditável. Daqui a 50 anos, quando a pandemia for contada nos livros de história do Brasil, ninguém vai acreditar.”

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8. Boa, Gilmar!

Beijo, Gilmar!

“Há quase um mês, mais precisamente no dia 20 de maio, a defesa de Marcelo Crivella pediu a Gilmar Mendes a revogação das medidas cautelares impostas pelo ministro quando livrou o ex-prefeito de sua prisão domiciliar, em fevereiro. Na ocasião, o bispo foi proibido de deixar o país e obrigado a entregar o seu passaporte à Justiça. Para Crivella e para o governo Bolsonaro, que o indicou para ser embaixador na África do Sul, a decisão de Gilmar deveria acontecer o mais rápido possível, dado o constrangimento e ineditismo da situação. Só que tudo indica que Gilmar Mendes não vai se debruçar no assunto pelo menos nos próximos dias.” [O Globp]

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Secretário de Maceió deixa cargo após post sobre uso de suástica: ‘Pensava que a liberdade de expressão permitisse’
“”O Brasil tem mais artigo de lei que habitante. Hoje tomei conhecimento que usar símbolo da suástica é crime federal. Sinceramente, não sabia. O post anterior foi uma opinião pessoal minha. Achei interessante a discussão sobre liberdade de expressão por consequência disto”, apontou Ricardo, acrescentando: “Acredito que nunca me ofendi com opiniões alheias. Mas tenho que entender que há quem se incomode com a minha. Perdão! Desculpa. Apesar de não ter citado ninguém, nem me dirigido a quem quer que seja. Continuem vivos. Sejam felizes!”. O artigo 20 da Lei 7.716/89, determina que é crime “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular, símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”. A pena para a apologia ao nazismo vai de dois a cinco anos de prisão e multa. Não cabe direito à fiança.”

Dia 898 | A caixa-preta de Schrodinger | 17/06/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de assinatura mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. A caixa-preta de Schrodinger

É tão delicioso que veio parar no começo do relato: Bolsonaro desobriu depois de mais de 2 anos que não existe caixa-ppreta do BNDES:

“Não é caixa-preta aquela lá, tudo foi aprovado por alteração de Medidas Provisórias. Não foi caixa-preta na verdade, tá aberto aquilo lá. Eu também pensava que era caixa-preta. Está aberto no site do BNDES, os empréstimos todos para os outros países aí” [Folha]

É ou não é um filho da puta do caralho?! Ele tá há mais de dois anos e meio no governo e se atentou pra isso agora, todo aquele papo de bilhões desviados pras ditaduras comunistas mundo afora era caô! E isso de nada vai adiantar, por anos falarão em caixa-preta do BNDES…

“O banco divulgou em dezembro de 2019 que o relatório indicou que não foram encontradas evidências diretas de corrupção, influência indevida sobre a instituição ou pressão por tratamento diferenciado na negociação, aprovação e/ou execução das oito operações investigadas. Na ocasião, o BNDES divulgou que entregou a íntegra da auditoria, que não é pública, para a Procuradoria-Geral da República. O resumo do relatório foi disponibilizado no site do banco e tem oito páginas. Quando assumiu o banco, o atual presidente do BNDES, Gustavo Montezano, prometeu “explicar a caixa-preta do BNDES para a população brasileira”. Ele entrou no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão no mês anterior, após não conseguir abrir a tal caixa-preta da instituição.”

E o caô agora é outro:

“Eu até falei outro dia, alguns me criticam que eu estou concluindo obras do PT. Agora, o PT não deixou obras inconclusas fora do Brasil”

Daqu a uns anos ele conclui que kit covid não fazia muito sentido, talvez na próxima década.

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2. CPI

Hoje não teve CPI, caralho!

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“O empresário Carlos Wizard não compareceu a seu depoimento na CPI da Covid, no Senado. Apontado como membro do suposto “gabinete paralelo”, que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) no combate à pandemia às margens do Ministério da Saúde, Wizard havia informado que estava fora do país.”

Imagine, o cara é bilionário e se colocou numa situação dessa, a meritocracia brasileia é uma grande piada. Se esse sujeito tivesse um advogado minimamente sério teria sido alertado da insanidade em que estava se metendo na primmera menção ao seu nome, mas não, até hoje tá com o mesmo discurso!

— Oficiaremos a um juiz criminal para que requisite a autoridade policial a apresentação da testemunha faltosa ou determinar que seja conduzido por oficial de justiça, o qual poderá pedir o auxílio da força pública. Para além dessas medidas, em razão da ausência, determino que seja oficiada a Justiça Federal para que o passaporte seja imediatamente retido pela Polícia Federal uma vez que ingresse no território nacional e seja devolvido após o depoimento.  O que me espanta é um cidadão procurar o STF para ficar em silêncio. E ele não aparecer. Então para que foi ao Supremo se não vinha. O ministro Barroso, com certeza, tem muitos afazeres. Concede um habeas corpus para Carlos Wizard. Mas ele tem que entender que a Justiça brasileira tem outras coisas para fazer. E não levar na brincadeira. O senhor Carlos Wizard  está achando  que conseguir habeas corpus é igual ir na quitanda comprar bombom  — disse Aziz.” [O Globo]

E tomou uma condução coercitiva e apreensão de passaporte pra deixar de ser otário.

“Em junho de 2018, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve uma decisão do ministro Gilmar Mendes proibindo a condução coercitiva para réus e investigados. Assim, a CPI pode tentar usar esse mecanismo ao considerar Wizard uma testemunha, e não um investigado.

E não foi só Wizard que deu bolo na CPI:

“Já Alexandre Marques, o auditor do TCU, foi convocado à CPI após inserir no sistema do tribunal um relatório falso sobre o número de mortes por Covid-19 divulgado por Bolsonaro. Por causa disso, ele també foi afastado do cargo. As relações do servidor com a família Bolsonaro são antigas; o pai de Marques foi colega de turma do presidente.  O ministro do STF Gilmar Mendes concedeu o HC a Marques para que ele não seja obrigado a responder perguntas que possam incriminá-lo. No entanto, na decisão do magistrado, o auditor está “vedado faltar com a verdade” a todos os demais questionamentos.

E se filho da puta voasse a gente não veria a luz do sol:

“A CPI da Covid vai retirar, ainda nesta semana, o sigilo de um terço dos documentos recebidos pela comissão. O colegiado tem 1,5 terabytes de arquivos do governo federal e de empresas, resultantes de pedidos diversos de informação. Parte do material, porém, foi mal classificada ou colocada sob segredo sem justificativa. De acordo com senadores, existem casos de documentos que estão abertos no Portal da Transparência, mas foram enviados aos parlamentares com solicitação de sigilo.” [Correio Braziliense]

O nome disso é obstrução de justiça, sabe como é, a CPI vai durar 90 dias…

“Durante a sessão de ontem, governistas questionaram a mudança de status dos conteúdos. Segundo o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), no pacote de documentos existem informações que não necessitam da classificação de sigilosos. Ele citou como exemplo uma mensagem do embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster, comemorando a doação de 2 milhões de comprimidos de cloroquina para o país. “Habemus cloroquina” (temos cloroquina), escreveu o diplomata”

Sim, o embaixador do Brasil escreveu, num documento oficial do Itamaraty, “HABEMUS CLOROQUINA” para comemorar o envio da cloroquina que Trump precisava desovar em algum lugar.

“Para Aziz, esse não é o tipo de mensagem que um embaixador deveria enviar durante uma pandemia e lembrou do número de mortos pelo novo coronavírus (até ontem, 493.693). Ele foi severo com Foster. “Se isso for sigiloso, eu não sei. Se um embaixador escreve isso dessa forma, não dá para levar a sério. Eu não acreditei que fosse verdade o palavreado do embaixador”, reprovou. “E a Comissão de Relações Exteriores tem de tomar providência em relação a esse tipo de linguajar. Vamos chegar até o fim da semana com 500 mil mortos. Cidades inteiras se foram. (…) Não estamos vivendo um filme. É a realidade.””

E lembra do Pazuello dizendo que nunca defendeu cloroquina?!

“Às vésperas de o Brasil chegar à marca de meio milhão de mortos pelo coronavírus, senadores da CPI da Covid têm em mãos documento do Itamaraty, datado de outubro de 2020, que mostra que o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello fez uma enfática defesa do tratamento precoce à Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), braço da OMS para as Américas. Em uma circular telegráfica, de caráter reservado, enviada em 29 de outubro de 2020 às delegações do Brasil em Genebra e em Washington, o Ministério das Relações Exteriores transcreveu um relato da Assessoria para Assuntos Internacionais da Saúde, vinculada à pasta de Pazuello, sobre um encontro havido entre ele e a diretora da OPAS, Carissa Etienne, no dia 16 do mesmo mês. Segundo o relato, Pazuello, “especificamente em relação à Covid-19, apontou que o Brasil conseguiu diminuir em 70% a proporção de óbitos com a adoção do atual protocolo de tratamento precoce”. Não há informação, no documento, de onde o então ministro tirou os dados apresentados ao organismo internacional.” [O Globo]

Uma parada é meter essa no zap, mas os caras colocaramem documento oficial para os gringos, a promotoria agradece. Não o Aras, claro.

E tenha sua calma que tem mais mentiras do GENERAL DA ATIVA. A primeira transgressão da lista de 120 transgressões militares é “FALTAR A VERDADE” Pazuello disse na CPI que as doses do Covax, um programa desenhado para os países mais pobres, custava 40 dólares a dose, mas…

“Um telegrama encaminhado à CPI da Pandemia pelo Itamaraty desmente o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na afirmação de que cada dose da vacina contra o coronavírus negociada pelo consórcio Covax Facility sairia a US$ 40. O documento diz que o preço final era de US$ 10, abaixo do valor original apresentado, que era de US$ 20. O governo Jair Bolsonaro tinha a opção de comprar o suficiente para vacinar até metade dos brasileiros, mas optou pela cota mínima de 10%. No mês passado, Pazuello disse à CPI do Senado, que investiga a atuação do governo federal na pandemia, que a negociação havia sido ‘nebulosa’.” [CBN]

E ainda assim compramos vacinas para apenas 10% da população ao invés de 50%!

E os números abaixo são obscenos:

“Em documentos enviados à CPI da Covid, a farmacêutica EMS revelou que faturou R$ 142 milhões com remédios do chamado “kit covid” em 2020. Nenhum dos medicamentos tem comprovação científica de que funcionam no tratamento contra a covid-19, alguns são comprovadamente ineficazes. A soma dos valores é oito vezes maior do que no ano anterior, 2019. O faturamento com a venda de ivermectina subiu de R$ 2,2 milhões antes da pandemia para R$ 71,1 milhões durante a crise de covid-19. A EMS produziu outros medicamentos, como azitromicina, hidroxicloroquina e nitazoxanida, todos comprovadamente ineficazes no tratamento contra a covid-19. Todos integram o “kit Covid”, promovido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O aumento na produção dos comprimidos foi na ordem de nove vezes. O faturamento com a vendas de hidroxicloroquina subiu 20 vezes de antes da pandemia para 2020 e rendeu R$ 20,9 milhões para a farmacêutica. Enquanto isso, as vendas de azitromicina renderam R$ 46,2 milhões para a empresa e a nitazoxanida R$ 3,67 milhões.” [Yahoo]

E os bolsonaristas não lambem as bolas presidenciais de graça, né?

“O governo federal repassou R$ 120 mil de verbas públicas em cachê para o apresentador Sikêra Jr., da Rede TV!, conhecido por defender o governo Jair Bolsonaro, além de ser amigo da família do presidente. A informação consta em documento entregue à CPI da Covid do Senado pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social). De acordo com a planilha de pagamentos analisada pela Folha, a pasta realizou sete repasses para a empresa do apresentador, a José Siqueira Barros Junior Produções. Eles foram feitos de dezembro do ano passado até abril deste ano, sob a justificativa da participação de Sikêra em sete campanhas publicitárias do governo, segundo o documento. Os desembolsos foram feitos pela Secom através da subcontratação das empresas PPR profissionais de publicidade reunidos e Calia/Y2 Propaganda e Marketing, que têm contratos com o Executivo. Os valores foram registrados na planilha sob a descrição “áudio e vídeo-pagamento de cachê” para campanhas realizadas pelo governo em diferentes áreas. Entre elas está a do Cuidado Precoce para a Covid-19, que orientou pessoas com suspeita da doença a procurarem atendimento ainda nos primeiros sintomas. Sikêra recebeu R$ 24 mil. Ele também ganhou R$ 16 mil para participar da campanha Semana Brasil 2020, realizada em setembro do ano passado “para celebrar a retomada, com segurança, da economia e dos empregos”. Outros R$ 24 mil foram embolsados pela campanha de “Lançamento cédula de R$ 200”; R$ 8.000 pela campanha de “Combate ao mosquito Aedes”; R$ 20 mil para a campanha de “Conscientização das famílias sobre os riscos de exposição de crianças na internet”; mais R$ 20 mil para a “Semana Nacional do Trânsito”; e por fim R$ 8.000 para a de “Uso Consciente de Energia e Água”. Em março do ano passado, a Secom publicou em sua conta no Twitter, a “SecomVc”, outra campanha que Sikêra teria participado: “Juntos Somos mais Fortes”, sobre cuidados com o coronavírus. A Secom disse no post que Sikêra e outros profissionais teriam participado voluntariamente da ação, que estaria sendo veiculada sem custos para a União.. Em setembro do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) foi criticado por não comparecer a uma audiência no Ministério Público Federal ao mesmo tempo em que estava com o irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), dançando e cantando no programa do apresentador, Alerta Nacional, da TV A Crítica, que é transmitido de Manaus para o resto do país pela RedeTV!. Bolsonaro também concedeu entrevista exclusiva à Sikêra no dia 23 de abril. A página do Instagram do programa divulgou um vídeo chamando para a entrevista com o presidente sentado num sofá ao lado de Sikêra fazendo piadas. No vídeo, ele olha para Sikêra e diz “queima ou não queima?”. Depois, pergunta a um homem vestido de personagem oriental “ tudo pequenininho aí?é pequenininho?”. A relação do apresentador com a família Bolsonaro não é recente. Sikêra apoiou a campanha para presidente em 2018, chegando a divulgar vídeos do então candidato em suas redes sociais com a legenda “meu presidente”. Quando seu programa estreou em rede nacional, Eduardo e Flávio também lhe desejaram boa sorte. [Folha]

Leia o parágrafo abaixo tendo em mente que Sikera recebe salário de MEIO MILHÃO por mês:

Procurado pela Folha por email nesta quarta-feira (16), Sikêra não respondeu. Entretanto, durante seu programa ele respondeu à demanda da reportagem, admitindo que recebeu os pagamentos e, depois, publicou em seu perfil do Instagram a resposta. Ele afirmou que recebeu do Ministério da Saúde, que “não trabalha de graça” e que vive de propaganda. “Senhoras e senhores, durante o intervalo conversávamos eu, minha diretora Elis e meu querido e amado elenco. E eu fui questionado… recebemos um email, mandaram para a Rede TV! e outro para a TV A Crítica, para o meu chefe. Estão questionando que o Sikêra recebeu dinheiro da Saúde.” “Recebi, do Ministério da Saúde, eu não trabalho de graça. Eu vivo de quê? De propaganda, né? Eu vendo aqui caixão, terreno, carro, redução de parcela de carro, sorvete, dentista, eu vendo dentista, remédio, vitamina. Eu vendo tudinho… eu vendo faculdade, eu vendo limousine funerária, cinta para perder quilo, pneu, manteiga, suplemento para emagrecer, para engordar. Eu vendo tudo, eu sou um profissional.”

Força, Guerreiro!

“Pessoal da ‘Foia’, eu sou um profissional, eu vivo disso, eu não tenho outra forma de viver, não. O que vier para mim. Eu anuncio vocês. Pagando? Leia a Folha de S.Paulo, assine.”

Babaca do caralho!

“Demandados, a secretaria e Sikêra não deram detalhes sobre a participação do apresentador em cada campanha. As empresas que repassaram as verbas não responderam aos contatos da reportagem.”

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3. Eletrobras

Bem, a Catanhede e a FIESP são contra a privatização da Eletrobras:

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Míriam Leitão apontou bem o absurdo:

“O texto da MP da Eletrobras que vai para votação daqui a pouco no Senado virou um ‘jabutizal’. Como resumiu a União pela energia, que reúne 45 entidades do setor, o que saiu da Câmara ruim, ficou pior. É uma coleção de lobbies colocados neste projeto de privatização. Ontem aceitaram o do carvão. O consumidor brasileiro já gasta R$ 700 milhões por ano para subsidiar o carvão que o mundo todo está abandonando, porque emite muitos gases de efeito estufa, é caro e não é renovável. Pelo relatório do senador Marcos Rogério, o subsídio que iria até 2027 se estende até 2035 e é ampliado. Isso se soma a outras reservas de mercados, lobbies atendidos, e maluquices dependurados no projeto.” O Globo]

A privatização já é um absurdo, imagine relatada pelo verme do Marcos Rogério!

“A pergunta é: por que o governo continua apoiando? O Ministério da Economia quer colocar essa estrelinha no peito de que conseguiu privatizar a Eletrobras, já que o projeto de privatização do governo Bolsonaro é um fracasso, um completo fiasco. O mercado financeiro apoia porque ganha dinheiro no compra e venda de uma privatização. Mas é muito ruim para os consumidores que pagarão todas as contas desses lobbies e das distorções que estão sendo criados por esse projeto. Aliás, ele já nasceu ruim porque isso não é assunto de MP, e já havia projeto de lei no Congresso.”

Vinicius Torres Freire foi na mesma linha:

“A medida provisória de privatização da Eletrobras, tal como aprovada na Câmara, é uma maracutaia patrimonialista, uma indecência e vai criar um frankenstein, uma empresa privada sujeita a restrições estatais, criadas por uma série de jabutis, emendas sem relação com o assunto da MP, aprovadas pelos deputados. Foi o que disse nesta quarta-feira (16) o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), empresário favorável a privatizações, fundador do Grupo Positivo (educação, editoras e informática), controlado pela sua família. Na juventude, foi militante marxista preso pela ditadura militar. Guimarães foi um dos tantos senadores que discursaram pela derrubada do texto da Câmara, caso não sejam podados pelo menos os jabutis. Ainda que se faça a poda, a Câmara governista disse que recolocaria os jabutis na árvore da privatização da Eletrobras, o que irritou os senadores. Aumentou a possibilidade de que a medida provisória vá para o vinagre ou caduque (tem de ser aprovada até 22 de junho). O projeto estava para ser votado nesta quarta-feira no Senado. Dado o sururu, a sessão de voto foi adiada. Entre tantas controvérsias, a mais quente diz respeito aos jabutis. Tais emendas estipulam que parte da energia futura deva ser comprada de: 1) termelétricas a gás a serem obrigatoriamente construídas em certos locais das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste; 2) de PCHs, pequenas centrais hidrelétricas; 3) de energia solar e eólica com subsídios prorrogados. O relator do projeto no Senado é Marcos Rogério (DEM-TO), governista ferrenho, como se vê também na CPI da Covid. O senador preservou o grosso do que veio da Câmara e colocou mais emendas-jabuti no projeto, como subsídios para o uso de carvão, entre vários outros. O texto final da lei emendada ainda não apareceu, mas, pelo parecer, Rogério aceitou que consumidores, pequenos inclusive, migrem para o mercado livre (poderiam negociar seus contratos de energia em vez serem cativos das distribuidoras, o que causaria de imediato um salseiro no setor elétrico). Em suma, o projeto de privatização da Eletrobras cria reservas de mercado, prolonga subsídios e estipula que a expansão do setor elétrico não vai se dar por meio da concorrência, por decisões orientadas por rentabilidade e uso eficiente do capital, o que, em tese, daria em preços menores. O governo apoia o projeto aprovado na Câmara, pois faz qualquer negócio para vender a Eletrobras. Sem favores e intervenções enfiados na medida provisória, a Câmara não aprovaria a venda da empresa. Como Paulo Guedes quer uma privatização para chamar de sua, pois a desestatização é um fracasso até agora, o governo apoia o que o senador chamou de maracutaia patrimonialista, que beneficia empresários bem situados, com negócios e licenças para exploração de gás e PCHs, e os subsidiados setores de energia solar e eólica. Até o senador Jean Paul Prates, do PT, disse que o texto da Câmara, adotado pelo governo, é contra princípios liberais. A privatização da Eletrobras, dizem seus defensores, serviria em tese para criar uma empresa capitalizada, administrada de modo eficiente, capaz de participar dos leilões de geração de energia. Com mais competição, os preços cairiam. Os jabutis vão na direção contrária desse projeto. Além de dirigistas, os jabutis bagunçam o planejamento da expansão (indicado por órgãos de governo), a regulação do setor (tocado por agências estatais ou quase isso) e criam incertezas. Enfim, essas medidas, dizem os grandes consumidores de energia (indústria, grosso modo), podem ainda encarecer a conta de luz e a produção industrial em dezenas de bilhões de reais. O governo contesta a conta, mas não detalhou as suas.” [Folha]

E por falar em loucuras econômicas, que tal essa do governo?!

“No 1º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento, realizado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) nesta quinta-feira (17), o ministro Paulo Guedes, da Economia, elencou os principais pontos para retomada econômica do país. Para ele, os desperdícios da cadeia produtiva precisam ser melhor aproveitados para acabar com a fome no país. “O prato de ‘um classe média’ europeu é pequeno, no nosso, há uma sobra enorme. Precisamos pensar como utilizar esse excesso no dia a dia. Aquilo da pra alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas. É muito melhor que deixar estragar”, disse o ministro. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, concordou com a necessidade de novas medidas regulatórias para soluções voltadas ao combate à fome. Entre elas, estaria a possibilidade de comprar alimentos fora da validade.” [O Dia]

Os caras juram que a economia voltou em V, que o Brasil távoando e vai impressionar o mundo, mas a real é que o governo quer comprar comida vencida e regular o prato de comida da população!

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4. La Paz

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, tem culhão:

“O terceiro sargento Reinaldo Belmiro Lins é o principal suspeito de disparar o tiro de bala de borracha que tirou a visão de um dos olhos do arrumador de contêineres Jonas Correia de França, de 29 anos. O trabalhador foi ferido na violenta repressão ao protesto pacífico contra Bolsonaro (sem partido), no Recife, dia 29 de maio. A TV Globo teve acesso a documentos da Secretaria de Defesa Social (SDS) que apontam essa informação. Outro homem ferido na manifestação perdeu um olho. O policial que atirou no olho do adesivador de táxis Daniel Campelo, o outro ferido, ainda não foi identificado. O Boletim Geral da secretaria, publicado em 5 de junho, informou que a Corregedoria Geral instaurou um conselho de disciplina para apurar a conduta de Reinaldo. Outra portaria, publicada pela SDS no dia 15 de junho, detalha o afastamento do PM do Batalhão de Choque. O documento, assinado pelo Secretário de Defesa Social, Humberto Freire, diz que, diante da conduta atribuída a ele, determina o afastamento preventivo pelo prazo de 120 dias, que pode ser renovado pelo mesmo período. A portaria afirma que a medida é necessária para garantir a fase de instrução do processo, a ordem pública e a viabilização da correta aplicação de uma eventual sanção disciplinar. De acordo a própria SDS, apenas o policial identificado como autor do tiro de elastômero, ou seja, bala de borracha que atingiu Jonas Correia, teve afastamento disciplinar. As portarias da SDS apontam que, dos 16 agentes de segurança afastados devido à ação truculenta contra manifestantes e pessoas que passavam pelo local em que o protesto ocorreu, o sargento Reinaldo Belmiro Lins foi o único submetido ao conselho de disciplina. Os outros 15 PMs permanecem nas unidades, realizando apenas trabalhos administrativos. O ex-secretário de Defesa Social Antonio de Pádua e o ex-comandante da PM Vanildo Maranhão deixaram os cargos. Durante o ataque, a vereadora do Recife Liana Cirne (PT) foi agredida com spray de pimenta e várias pessoas foram atingidas por balas de borracha. Além disso, policiais foram filmados atirando em quem tentava socorrer os feridos e contra prédios da Rua da Aurora.” [G1]

E olha que cena bonita:

“O sargento do Batalhão de Choque teve que entregar o armamento e a carteira funcional da Polícia Militar e aguarda a conclusão do inquérito da Polícia Civil, bem como dos procedimentos administrativos da Corregedoria da SDS.”

Beijo, Paulo Câmara, nem sei quem é a figura mas vai aí minha admiração por peitar os policiais.

“Entre os 16 policiais afastados após a ação truculenta da PM para reprimir o ato estão três oficiais: o tenente Tiago Carvalho da Silva e o capitão Élton Máximo de Macedo, ambos do Batalhão de Choque, e o major Gilson Monteiro da Silva, do 13° Batalhão. O governo afastou, ainda, os policiais militares envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne com spray de pimenta: o sargento Ronaldo Santos de Lima e os soldados Paulo Henrique Ferreira Dias, Aberlryton José Mendes de Aguiar e Lucas França da Silva. A ordem para dispersar manifestantes foi dada pelo Comando Geral da Polícia Militar, de acordo com um documento de comunicação interna da PM, publicado em um site do governo do estado. O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Humberto Freire, justificou que a ação de dispersão pode ocorrer em determinados casos, de acordo com um “critério emergencial”. Há nove investigações em curso na Corregedoria-Geral da SDS. Entre os problemas investigados na ação truculenta da corporação, estão desvio de conduta, uso irregular de balas de borracha e legalidade de atuação da PM. De acordo com a SDS, os trabalhos “estão sendo conduzidos com dedicação, técnica, isenção e dentro da legalidade para, no menor tempo possível, elucidar os fatos ocorridos e responsabilizar policiais que porventura tenham cometido infração disciplinar”.”

E olha Bolsonaro cortejando mais uma vez as forças de segurança:

“O presidente Jair Bolsonaro encomendou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um reajuste no salário dos servidores públicos em 2022. A coluna apurou que uma correção de 5% teria custo de R$ 15 bilhões no Orçamento do ano que vem, segundo cálculos que estão sendo feitos pelo governo para o presidente. Na estratégia de recuperar a popularidade em baixa por conta da pandemia da covid-19, Bolsonaro não quer entrar em período de eleição com mais de três anos sem dar aumento salarial para o funcionalismo público. Uma parte importante desse público eleitor – entre eles, as forças de segurança – é peça-chave da base de apoio com a qual Bolsonaro quer chegar em 2023.” [Estadão]

E Guedes dirá amém para tudo.

“Muitas categorias já estão, inclusive, há mais tempo sem reajuste, desde 2016.. Lei aprovada no ano passado pelo Congresso congelou os salários dos servidores até dezembro deste ano. Uma trava importante é que essa mesma lei limitou o alcance de um reajuste escalonado, sem poder entrar no próximo mandato do governante. Mas o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022 já autoriza o reajuste, abrindo o caminho para a medida. A demanda presidencial é mais uma peça a complicar a equação complexa que será a pressão por mais e mais medidas eleitoreiras. Ficou mais difícil ainda depois que o presidente anunciou que o novo Bolsa Família pagará R$ 300 em média para os beneficiários do programa. Em entrevista à SIC TV, de Rondônia, Bolsonaro disse que a ideia é dar um aumento de 50% para o programa em dezembro, para sair de média de R$ 190 para R$ 300. A fala do presidente pegou de surpresa o pessoal do governo que está trabalhando no Bolsa Família, porque todos os cálculos e auxílios adicionais do programa foram feitos para garantir um benefício médio de R$ 250, com custo de R$ 51 bilhões no ano que vem. Mostrou também que o presidente está ampliando o leque das políticas eleitorais na área econômica que serão adotadas na estratégia de garantir a sua reeleição. À medida que a disputa presidencial antecipada pela tragédia da pandemia se acirra, a cesta de “bondades” tem mais produtos. O tamanho do novo Bolsa é crucial porque ele vai definir daqui para frente o quanto vai sobrar para as outras “benesses”. Se for seguir a regra fiscal do teto de gastos, Bolsonaro terá de fazer escolhas entre um Bolsa Família mais robusto, o reajuste dos servidores ou mais investimentos em obras. Tudo ao mesmo tempo não cabe no espaço orçamentário, mesmo que o teto seja maior em 2022 por causa da correção da inflação mais alta. O presidente não terá espaço para um programa de transferência de renda um pouco mais forte, se quiser dar um reajuste aos servidores. E vice-versa. Se aumentar também demais o Bolsa Família, reduzirá o tamanho do já combalido investimento público. Essa será a “escolha de Sofia” do presidente nas próximas semanas até o lançamento do reforço no programa social.”

É a campanha presidencial mais antecipada da história.

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5. Malditos

Malu entrevistou o Mourão para seu podcast que sai amanhã e alguns trechos foram publicados, olha essa resposta sobre o passaporte de vacinação:

“Isso aqui é Brasil, pelo amor de Deus! Vai ter falsificação do passaporte, venda no camelô. Você vai à Central do Brasil, aí no Rio, e vai comprar o passaporte para você” [O Globo]

É inacredtável como Mourão despreza o Brasl, nadaai dar certo porqqu o Brasil é… o Brasil! A culpa é da cultura negra e dos íniso, já dise o cretino e sincero general.

Ele fala do desmatamento como se não fizesse parte do governo, é fascinate:

“O que eu tenho acompanhado é o avanço dos desmatadores em cima das terras públicas, e obviamente a União é responsável por fiscaliza. Hoje, é em torno de 25 municípios da Amazônia onde se concentram quase 90% do desmatamento ilegal. Solicitamos ao presidente da República autorização para uma nova operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) de modo que a gente consiga deter esse avanço da ilegalidade.”

A Malu aponta que houve dificuldades de relacionamento entre Exérito e órgãos ambientais (poor que será?!) e olha o papinho do general:

“Se não há cooperação de todos os organismos, a gente termina por não conseguir cumprir a tarefa. As Forças Armadas não são agências fiscalizadoras. Hoje (ontem) à tarde tenho uma reunião com a turma e vou procurar naquela conquista de corações e mentes trazer todo mundo junto e dizer: “Vamos superar as vaidades de cada grupo e vamos lembrar qual o nosso estado final desejado”. “

Por que não fez isso antes, caralho?!

Malu pergunta se Salles vai na reunião e…

“Olha, essa reunião é dos executivos. É de quem realmente mete a mão na massa. Acho que o ministro está se preparando para a defesa dele em relação aos problemas que está enfrentando. Então, ele não tem comparecido às últimas reuniões. “

Malu pergunta se Salles não recebeu os avisos e…

“É, parece que o celular a Polícia Federal levou. “

Boa, Malu!

Encerro com essa boa entrevista com o Piero Leirner:

“Se falarmos estritamente em ‘categorias analíticas’, minha pesquisa tratou de hierarquia e disciplina. Podemos até dizer que elas estão fragilizadas, ou sendo sabotadas, mas enquanto categorias [ainda] estão lá. Não se sabota o que não existe.” [Sindipetro]

Ora, a disciplina existe enquanto interessa ao generalato, vai criticar Bolsonaro ou Ustra pra ver se o regime disciplinar não será implacável.

Agora, em termos daquilo que orbitava a pesquisa enquanto temas que eram elencados, há ainda algumas persistências notáveis. Acho que a centralidade da Amazônia enquanto algo que faz convergir ideologia e doutrina, especialmente no Exército, é uma questão a ser considerada. Por que falo nessa convergência? Porque se é verdade que há mesmo uma variável, digamos, geopolítica na Amazônia, como parte vital do território brasileiro que incide sobre a possibilidade de projeção de poder pela América do Sul e Caribe, há também uma série de amarrações ideológicas que foram atreladas a isto: uma revisão da memória e história militares, produzindo o fenômeno de reinterpretação da fundação do Exército e da Nação a partir de Guararapes [batalhas ocorridas nos anos de 1648 e 1649 entre a coroa portuguesa e ocupantes holandeses da costa nordestina da então colônia brasileira], porque supostamente incide sobre uma ideia de ‘cobiça internacional’ que se confundiria com a situação atual; uma adequação à noção de que o Exército seria uma espécie de ‘força de resistência’ e que, por isso, teria que lidar com ameaças no escopo de uma ‘guerra assimétrica. Note-se, entretanto, que os supostos inimigos que nos ameaçam, encabeçados pela maior das potências – os EUA –, são aliados preferenciais dos militares. E veja também que este processo foi tão profundo que se estendeu para a Marinha, com a ideia de ‘Amazônia Azul’. Agora, na primeira oportunidade de defendê-la de fato, com os recursos do pré-sal e dos outros campos de petróleo no mar, o que se fez? Todo mundo sabe a resposta, nem preciso dizer. Por isso mesmo trata-se, antes de tudo, de uma ‘ideologia’ da Amazônia, pois tem um propósito político e não necessariamente militar ou de defesa.”

E os milicos realmente julgam ser a reserva moral da nação, e por isso tratam os civis como ciadadãos de segunda categori.

Dentro disso, a outra persistência notável é a ideia de que os militares se enxergam enquanto uma espécie de ‘vanguarda política’ para gerenciar o Brasil, pois os ‘paisanos’ não têm competência para produzir um projeto nacional. Daí se entende o porquê deles insistirem nas fórmulas que se acoplam às noções de que as ameaças são agentes internos que trabalham como forças terceirizadas desses interesses exógenos, como se coloca para a Amazônia. Ou seja, sintetizando tudo isso, trata-se de gestão do território e da população, combinadas numa linguagem militar..”

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6. Covid-17

Do Daniel Caetano vem um retrato brutal da distopia que virou o Rio de Janeiro, é a distopia dentro da distopia.

“Acho curioso como pouco se comenta a altíssima taxa de mortalidade por covid no município do Rio de Janeiro. Outro dia, um senador estava justamente escandalizado com a taxa muito alta de Manaus, que é de pouco mais de 300 mortes por 100 mil habitantes. A taxa de mortalidade no Brasil inteiro, no momento, é próxima de 234 óbitos a cada 100 mil habitantes. Já o Rio de Janeiro, imbatível, atualmente tem uma taxa de mortalidade de 409 pessoas mortas a cada 100 mil habitantes. Em percentagem, 0,4% da população carioca faleceu por covid até agora.” [Facebook]

Brutal.

“Em reunião de Bolsonaro com ministros, Marcelo Queiroga disse estar otimista com setembro. Acredita que será um mês de inflexão na curva de contágio da covid-19 no País, graças à vacinação, aquela que o presidente postergou.” [Folha]

E aí vem o cretino do Queiroga e diz que antecipou 7 milhões de doses da Pfizer, aquela mesmo que o governo enrolou por 7 meses!

E enfim uma bonotíca.

“Uma pesquisa realizada pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa, vinculado ao Hospital Israelita Albert Einstein, revela que a administração do medicamento ​tofacitinibe reduz em 37% o risco de morte e de falência respiratória em pacientes hospitalizados por causa da Covid-19. Comercializado como Xeljanz, o medicamento atualmente é indicado para o tratamento de artrite reumatoide, artrite psoriásica e retocolite ulcerativa.” [Folha]

Taí um remédio que nunca saiu da boca presidencial.

O estudo desenvolvido pelo Einstein em parceria com a Pfizer, farmacêutica que produz o tofacitinibe, foi realizado em um grupo de 289 pacientes adultos internados em 15 centros de tratamento espalhados por todo o país. Os resultados demonstraram menor incidência de óbitos ou falência respiratória por causa do novo coronavírus entre pacientes que receberam o fármaco (18.1%) em comparação aos que receberam o placebo (29.0%). A pesquisa observou os participantes pelo período de 28 dias e administrou o tofacitinibe por via oral. Considerado padrão-ouro (randomizado, duplo-cego e com grupo controle), o estudo foi publicado nesta quarta-feira (16) na revista médica The New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas internacionalmente. Ele foi realizado no Brasil pela Academic Research Organization (ARO) do Einstein, em parceria com a Pfizer global. Otavio Berwanger, médico e coordenador do estudo, afirma que o tofacitinibe foi administrado no segundo estágio da evolução da Covid-19. Ele sucede a manifestação dos primeiros sintomas e ocorre quando o sistema imunológico começa a produzir uma resposta inflamatória exacerbada —é neste ponto em que órgãos como o pulmão e os rins são lesionados. “O sistema imune é ativado ao entrar em contato com o vírus. Só que, em alguns pacientes, essa ativação vai além da conta. É aí que a gente tem uma ‘tempestade inflamatória’”, explica Berwanger. “O tofacitinibe age modulando o seu sistema imunológico para prevenir que você faça essa tempestade. Se usado no momento apropriado, ele evita a lesão do pulmão, mas principalmente a falência respiratória [quando há necessidade de ventilação mecânica] e óbitos”, segue. O médico destaca que o medicamento foi usado apenas após a internação dos pacientes. E que todos os participantes haviam recebido o diagnóstico de infecção pelo coronavírus por meio do RT-PCR e apresentavam pneumonia em decorrência Covid-19, identificada em exames de imagem. Os testes com o tofacitinibe foram conciliados com corticoides, ou seja, não interferiram no tratamento padrão já adotado pelos hospitais em combate à doença. Os eventos adversos observados naqueles que receberam o medicamento foram similares aos dos pacientes que tomaram placebo, o que faz com que seu uso seja considerado seguro pelos pesquisadores. “Não é cura, não é bala de prata, não é o que vai resolver tudo. Soluções mágicas não encontram respaldo na ciência. Mas 37% de redução no contexto que a gente está é muito importante”, comemora o médico Otavio Berwanger. “É um paciente que sai mais cedo do hospital, uma família que não perde um ente, é um leito de UTI desocupado, um paciente que pode ser desenvolvido para a sociedade recuperado.”” 

E adivinhe, o SUS tái pra slavar a pátria:

“O Xeljanz é considerado um medicamento de alto custo e é disponibilizado pelo SUS. A Pfizer não abre valores, mas ele pode ser encontrado em farmácias por preços superiores a R$ 5 mil.”

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7. Lá vem…

“Brasília vive a expectativa de um anúncio triplo nas próximas semanas, todos chancelados pela Bic de Jair Bolsonaro: *a indicação do substituto de Marco Aurélio Mello no STF. André Mendonça continua mais do que o favorito para ser o escolhido. *a recondução de Augusto Aras para mais um mandato à frente da PGR. *a escolha da nova juíza-substituta do TSE, cargo para o qual três advogadas concorrem. Apoiada pelo Centrão, pela Associação Brasileira de Juristas Evangélicos e pelas três ministras do governo (Damares Alves, Teresa Cristina e Flávia Arruda), a advogada Maria Claudia Bucchianeri é a favorita. Mas Bolsonaro que, tudo indicava, escolheria o nome nesta semana, deu sinais de que vai demorar mais um pouco para bater o martelo.” [O Globo]

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8. 2022

Apesar dos muitos pesares, pelo menos os desunidos partidos de esquerda sabem que a fatura está longe de estar liquidada:

“Integrantes da cúpula do PT avaliam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve reduzir sua rejeição e recuperar parte de sua popularidade até o início do ano eleitoral. Para aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a disputa nas urnas em 2022 deve ser mais acirrada do que mostram as pesquisas eleitorais e os levantamentos internos feitos pelo partido. Estão no radar dos petistas variações na popularidade de Bolsonaro como consequência de dois indicadores principais: o crescimento da economia após os resultados negativos do ano passado e o aumento esperado da vacinação contra a Covid-19 até o fim deste ano. Em discussões internas com a participação de Lula, os integrantes do partido defendem que a campanha seja encarada de uma “perspectiva realista”, nas palavras de um dirigente da sigla. Embora admitam que a economia possa dar algum fôlego a Bolsonaro para o ano eleitoral, eles dizem que esses efeitos tendem a ser limitados. “Bolsonaro não está tão fraco assim. Ele tem uma resiliência na base e ainda pode agregar mais um pouco. Se a economia melhora, a tendência é ele melhorar também. Mas não acho que seja suficiente”, afirma a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. O principal argumento da cúpula petista é que os indicadores do PIB (Produto Interno Bruto) mostraram, até agora, uma recuperação que não chegou às camadas mais pobres da população. Um dos principais focos da campanha de Lula será um discurso para se contrapor a Bolsonaro nesse grupo numeroso do eleitorado. A análise desse cenário político pelos petistas contrasta com o otimismo do partido diante das pesquisas que mostraram vantagem de Lula na corrida de 2022. Levantamento do Datafolha em maio mostrou o petista com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Bolsonaro. No segundo turno, o ex-presidente venceria por 55% a 32%. A direção do PT ainda considera Lula favorito, mas tem adotado tom mais cauteloso. Certos de que a rejeição a Bolsonaro poderá ser um fator determinante na campanha, os petistas estudam maneiras de prolongar o ciclo atual de fragilidade do presidente. Fazem parte dessa estratégia um apoio mais encorpado às manifestações contra o governo e uma campanha continuada de críticas aos erros do combate à pandemia.

“O povo está muito frustrado. O povo está decepcionado. O coronavírus permitiu que a sociedade ficasse um pouco mais dentro de casa, sem se manifestar, com medo. Mas eu acho que nós precisamos ir para a rua e começar a cobrar que esse país seja governado decentemente”, disse Lula em entrevista a uma emissora de TV do Piauí, na quarta-feira (9). Segundo aliados do ex-presidente, Lula pretende dar sustentação a novos atos convocados contra o governo, encabeçados por movimentos sociais. Numa mudança de postura, o petista avalia participar das manifestações do próximo sábado (19) ou divulgar um vídeo com uma convocação para o protesto. Apesar de enxergar possíveis benefícios políticos nesses atos, os aliados de Lula ainda buscam se diferenciar de Bolsonaro. O presidente participou no sábado (12) de um passeio de motocicletas em São Paulo. O ato reuniu 6.661 veículos, segundo o sistema de pedágio local. A cúpula petista pretende observar o humor das ruas nos próximos meses, com o avanço da vacinação contra a Covid-19 —cuja lentidão é um dos principais pontos de desgaste de Bolsonaro, na visão do partido. Mesmo atrasada, a aplicação de novos lotes de imunizantes pode moderar a rejeição ao governo. Os petistas contam com os trabalhos da CPI da Covid para expor erros e omissões do governo durante a pandemia. O Senado, no entanto, trabalha para que as investigações sejam encerradas em agosto, o que produz incerteza sobre a duração de seus efeitos até a campanha eleitoral. Aliados de Lula também incluem nos cálculos eleitorais o uso da máquina pública por Bolsonaro para reduzir sua rejeição. Com a caneta na mão, o presidente espera lançar medidas na área social e acelerar as viagens pelo país em clima de campanha. O PT aguarda, por exemplo, a reformulação do Bolsa Família prometida por Bolsonaro. Ainda que reconheçam que o presidente pode se beneficiar do programa, os petistas consideram difícil desvincular essa marca de Lula. No segundo pelotão da corrida eleitoral, o PDT de Ciro Gomes tem uma visão diferente das projeções políticas feitas pelo PT. Líderes pedetistas dizem acreditar que Lula está no auge da popularidade e que, nos próximos meses, começará a perder espaço nas pesquisas de intenção de voto. Caciques da sigla dizem que o ex-presidente se beneficiou nos últimos meses de seu retorno à cena eleitoral e da decisão do STF que anulou suas condenações na Lava Jato.” [Folha]

Passemos ao PDT:

“Com base em estudos internos, o PDT reconhece que a fatia da população que pode buscar uma terceira via diminuiu desde o início do ano. Mesmo assim, integrantes da sigla enxergam uma boa chance de Ciro e Lula disputarem um eventual segundo turno em 2022. Carlos Lupi, presidente do partido, vê Bolsonaro bastante desgastado no próximo ano, pois, apesar da aceleração da vacinação até lá, as milhares de mortes por Covid-19 serão atribuídas a ele. Além disso, a recuperação econômica esperada pelo governo se concentra em setores ligados à exportação de commodities e com baixo emprego de mão de obra. Isso pode fortalecer o apoio do agronegócio a Bolsonaro, mas não reverte a rejeição dele em outros setores —especialmente nos mais pobres que sofrem com a inflação. A cúpula do PDT e o marqueteiro João Santana enxergam na manutenção do desgaste de Bolsonaro o principal caminho para que Ciro chegue ao segundo turno. Eles recomendaram que o pré-candidato concentre no presidente seus ataques nos próximos meses. O tamanho da popularidade de Bolsonaro deve influenciar a montagem de alianças em todo o tabuleiro eleitoral. Adversários dizem acreditar que siglas simpáticas ao governo podem se descolar caso o desgaste do presidente se mantenha. Em caso de recuperação, ele pode consolidar ou até ampliar sua aliança. Prevendo uma campanha árdua, petistas buscam uma coalizão com partidos de centro e miram inclusive siglas que integram a base de apoio de Bolsonaro no Congresso, como o PL. O partido e outras legendas do centrão se aproximaram do governo após a liberação de cargos e emendas, mas podem se mover para o campo político mais alinhado a seus interesses e a uma perspectiva de permanência no poder. No Nordeste, por exemplo, líderes desse bloco já estiveram ao lado de Lula em eleições anteriores e veem dificuldades de chegar a 2022 em um lado oposto ao do ex-presidente.”

E Huck se colocou fora da corrida, essa matéria da Piauí explica as razões e a burrice do global é comovente\:

“Era setembro de 2017, e o apresentador Luciano Huck recebeu em sua casa, no Joá (Zona Oeste do Rio), duas figuras proeminentes do DEM: o então prefeito de Salvador, ACM Neto, e o então ministro da Educação, Mendonça Filho. O bate-papo aconteceu num momento de rumores fortes sobre as intenções de Huck em relação ao Planalto, e a expectativa dos políticos era sair dali com uma promessa de filiação, o que não aconteceu. Sobre aquele episódio, Huck fez dois comentários. “O Neto está com a gente. É um cara muito bacana. No futuro, se alguma coisa for rolar, o DEM vai junto”, vaticinou a um grupo de conselheiros céticos às boas novas. Huck também contou que fez um alerta à dupla de políticos com quem tanto simpatizara: disse que o Brasil precisava de gente nova, de renovação, de “tirar essas dinastias que estão há séculos no poder”. Neto leva o nome do avô, o cacique baiano Antônio Carlos Magalhães, e Mendonça é filho de José Mendonça Bezerra, político pernambucano que atravessou três mandatos como deputado estadual e oito como federal.” [Piauí]

Essa burrice orgulhosa aí me lembra Eduardo Bolsonaro estudando para a sabatina de embaixador em Washington e não sabendo quem era um tal de Henry Kissinger.

“Pouco mais de um mês depois do anúncio de Fausto Silva, Huck recebeu outras informações consideradas definitivas. Quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato, o apresentador imediatamente foi abastecido com pesquisas que já contemplavam Lula como candidato, e o cenário que viu foi desanimador. Segundo números apurados em março, embora seu desempenho no segundo turno contra Jair Bolsonaro fosse melhor do que todos os nomes testados, suas chances de passar do primeiro turno diminuíam significativamente com a entrada de Lula no páreo. Os números ainda eram preliminares, porque a decisão do STF havia sido recém-publicada, mas, naquele momento, foram um balde de água fria tanto para Huck como para os entusiastas de sua candidatura. Um deles, que acompanhou de perto aqueles dias, explicou à piauí o cerne da questão: “Ele precisava de certo nível de certeza de ir ao segundo turno para sair candidato. Ele queria a certeza de um espaço garantido, pois abandonaria uma carreira também garantida. Ele sabia que, se passasse na primeira etapa, as chances de vitória seriam grandes devido à alta rejeição dos principais nomes. Mas é difícil ter esse tipo de certeza um ano antes de uma eleição.””

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9. TCU

Se você ouve o podcast favor inserir a vírgula sonora:

“O Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar o bloqueio ilegal de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (FNCDT) pelo governo, após reportagens do Estadão sobre o tema. Ao sancionar o Orçamento de 2021, o presidente Jair Bolsonaro desrespeitou uma lei complementar aprovada semanas antes pelo Congresso e contingenciou R$ 5 bilhões do fundo, o que paralisa até pesquisas sobre a covid-19. Há duas representações em curso no Tribunal de Contas da União sobre o assunto. Uma foi formulada pelo subprocurador-geral junto ao TCU Lucas Rocha Furtado, e a outra pelo deputado federal Aliel Machado (PSB-PR). Na representação formulada por Lucas Rocha Furtado, o procurador pede que a corte apure “a ocorrência de ilegalidade na execução do orçamento da União (…) relativamente ao contingenciamento de recursos do FNDCT”, e quem seriam os responsáveis pela eventual ilegalidade. O subprocurador também pede que a Corte determine ao Ministério da Economia a liberação imediata do dinheiro bloqueado, uma vez que a demora pode inviabilizar a aplicação dos recursos para o financiamento de projetos de pesquisa. As duas representações estão a cargo da Secretaria de Macroavaliação Governamental (Semag) do TCU. O procurador responsável pelo caso na Corte de Contas é Rodrigo Medeiros de Lima, e o relator do caso é o ministro Aroldo Cedraz — o ministro é o responsável por todos os casos que envolvem o Ministério da Economia no biênio 2021-2022. Diferentemente do que o nome sugere, o Tribunal de Contas não é parte do Poder Judiciário. Trata-se de um órgão de controle externo do governo federal, com a atribuição de fiscalizar a aplicação de recursos públicos federais — inclusive aqueles que são repassados a Estados e municípios. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia é uma reserva criada para financiar projetos de pesquisa. Nos últimos anos e ao longo de diferentes governos, esse fundo viu a maior parte de seus recursos serem alocados na “reserva de contingência”. Em julho passado, várias entidades da área se juntaram numa campanha para mudar a situação. O movimento resultou na aprovação de uma lei complementar que proibiu o Executivo de colocar dinheiro na “reserva de contingência”, a Lei Complementar 177. Quase um mês depois, porém, Bolsonaro ignorou a nova lei e sancionou o Orçamento com os R$ 5 bilhões retidos.

Em resposta ao Estadão, o Ministério da Economia reconheceu o problema e disse que o dinheiro será liberado, mas não deu prazo. Até agora, o governo enviou ao Congresso dois projetos de lei liberando parte do dinheiro. A maior parte da verba (R$ 1,88 bilhão) foi alocada para o financiamento de projetos de desenvolvimento tecnológico de empresas privadas — um dos tipos de fomento a que se destina o FNDCT. O restante (R$ 415 milhões) vai financiar os testes clínicos de vacinas nacionais contra a covid-19. Entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) dizem, no entanto, que os R$ 1,8 bilhão liberados para os financiamentos são de pouca valia e provavelmente não serão usados: já há recursos disponíveis para esta finalidade na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma empresa pública brasileira que faz empréstimos para a inovação no setor privado. A taxa de juros cobrada pela Finep, no entanto, é maior que a de linhas de crédito similares em outras instituições, como o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Por isso, não há demanda por estes empréstimos da Finep. “Se nós olharmos para a cronologia, este item do Orçamento (os R$ 5 bilhões em reserva de contingência) é ilegal. E o Executivo vai ter de resolver ao longo do ano. Se a pergunta é se tem crime de responsabilidade (por parte do presidente da República), isso é algo que envolve um juízo político. Mas, do ponto de vista técnico, existe uma ilegalidade nesta rubrica orçamentária, e o governo vem sinalizando que vai tentar resolver ao longo do exercício financeiro”, disse o analista do Senado Leonardo Ribeiro, especialista em contas públicas. Fundador e secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco diz que o bloqueio dos recursos é ilegal. “O (Ministério da) Economia tem de explicar como fará, porque da forma como está é ilegal. Até porque o Orçamento foi sancionado depois da lei”, diz o economista. “Num momento em que tanto se fala sobre a importância da ciência, o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia é o pior dos últimos anos. E a liberação dos recursos do fundo, sobre a qual havia grande expectativa, acabou não acontecendo. Pelo menos até agora”, disse ele.” [Estadão]

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10. MEC

Matéria da Folha intitulada “MEC ignora área técnica e quer criar ‘tribunal ideológico’ do Enem” e o mais espantoso nem é isso, mas a foto:

“Após o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, desistir de olhar pessoalmente as questões do Enem, o MEC (Ministério da Educação) prepara a criação de uma comissão permanente para revisão ideológica da prova. A iniciativa é refutada pela área técnica. A Folha teve acesso à minuta de uma portaria do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) que estabelece a espécie de um tribunal ideológico, com a criação de uma nova instância de análise dos itens das avaliações da educação básica. O documento fala em não permitir “questões subjetivas” e atenção a “valores morais”. O governo Jair Bolsonaro tem aversão a questões que abordem, por exemplo, qualquer discussão de gênero. Em 2019, o Inep criou uma comissão que censurou questões —elogiada por Bolsonaro, a ditadura militar (1964-985), por exemplo, não foi mais abordada no exame. Agora, com a nova portaria, essa nova comissão de análise será permanente. O embate ideológico é a principal marca do governo Bolsonaro na área da educação.” [Folha]

Estamos em marcha militar rumo a algum século passado, e não é o mais recente além desse em que estamos.

“A área técnica do Inep já se pronunciou de forma contrária à criação desse grupo. Segundo nota técnica obtida pela reportagem, a Coordenadoria de Instrumentos e Medidas do instituto argumenta que já há um longo processo de elaboração das questões, com ao menos sete etapas de revisão. “Essa avaliação envolve, além das revisões técnico-pedagógicas, o escrutínio em um painel de especialistas, composto por professores com larga experiência em cada um dos componentes curriculares, tanto no âmbito acadêmico como no escolar, que compõem as áreas do conhecimento”, diz a nota, que ainda ressalta haver a validação estatística dos itens. A nota cita que os itens censurados pela comissão de 2019 não têm sido levados em conta na montagem do Enem 2021. As perguntas censuradas nunca foram divulgadas, mas parecer dessa comissão mostra que foi sugerido, por exemplo, a troca do termo “ditadura” por “regime militar” em um item da área de Linguagens. Procurado pela reportagem, o Inep não respondeu qual seria a justificativa técnica para o ato e quais critérios de subjetividade serão usadas para essa análise. O governo Bolsonaro pretende publicar nos próximos dias a portaria, já nos trâmites finais dentro do órgão. A minuta aponta que a comissão será formada pelo presidente do Inep (cargo hoje ocupado por Danilo Dupas Ribeiro), o diretor de Avaliação da Educação Básica e outros dois integrantes externos por cada área avaliada pela prova. Essas pessoas serão escolhidas pela direção do órgão. A iniciativa ainda provocará novos custos aos cofres públicos, uma vez que há previsão de remuneração extra para os envolvidos.”

Sim escolhidos pelo maluco da vez do INEP!

“Um ofício do gabinete da presidência Inep levado à diretoria de Avaliação de Educação Básica órgão cita como justificativa para a nova instância as próprias declarações do ministro, que diz querer evitar questões que considera subjetivas. Em entrevista recente, Milton Ribeiro disse que pretendia analisar pessoalmente as questões da próxima edição do exame para, segundo ele, evitar abordagens que entende ser ideológicas. “Sabemos que muitas vezes havia perguntas muito subjetivas e até mesmo com cunho ideológico, isso não queremos”, disse à CNN Brasil. Ribeiro citou como exemplo uma suposta inadequação de questões de exames anteriores. Uma delas, de 2018, tratava de dialeto usado por travestis (mas não exigia conhecimento específico sobre isso) e outra, da última edição, sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, a partir do caso dos jogadores Neymar e Marta. Ambas já haviam sido criticadas pelo presidente. Houve repercussão negativa de sua declaração e, em audiência na Câmara no dia 9, Ribeiro disse ter desistido. O Inep teria, segundo falou na ocasião, governança suficiente para evitar os temas considerados inadequados. Aos parlamentares, no entanto, não citou que planejava criar uma comissão de revisão. A minuta da nova portaria traz uma série de critérios para a revisão das questões. Nesse leque, constam, entre outros pontos, o respeito a “valores cívicos, como respeito, patriotismo” e “estar livre de preconceitos ou discriminações de qualquer ordem”. O grupo teria de barrar “questões subjetivas” e que afrontem “valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade”.”

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Capitão Adriano abortou assassinato para evitar confronto com o miliciano Ecko
Vale demais a leitura

PTB não responde intimação do Ministério Público Eleitoral para explicar repasses a Roberto Jefferson
Nada suspeito…

Com 500 agentes, polícia de Hong Kong invade Redação de jornal pró-democracia
“Quinhentos policiais de Hong Kong invadiram a Redação do jornal pró-democracia Apple Daily e vasculharam os computadores de repórteres nesta quinta-feira (17), em uma operação que, segundo as autoridades, tratava de esclarecer possíveis violações da controversa lei de segurança nacional da ex-colônia britânica. Durante a madrugada, a polícia honconguesa prendeu cinco executivos do jornal —o editor-chefe, o diretor-executivo, o diretor operacional, o vice-editor-chefe e o diretor-presidente—, e agentes foram vistos mexendo nos computadores da Redação depois de entrarem com um mandado de apreensão de materiais jornalísticos, incluindo telefones e notebooks de repórteres. “Eles chegaram por volta das 7h, nosso edifício está fechado”, afirma, no vídeo, um jornalista não identificado. “Agora podemos observar que estão levando caixas de material para o caminhão.” Segundo o relato, a polícia estava impedindo os profissionais da Redação de acessarem determinados andares e de usar vários equipamentos.”

Caças da Otan interceptam aviões russos no Báltico em semana tensa.
“Em meio a uma semana tensa nas relações entre o Ocidente e a Rússia, Moscou intensificou a rotina de enviar aviões militares para testar a capacidade de reação dos adversários sobre o mar Báltico. Uma ação notável ocorreu no dia 9, quando o presidente Joe Biden desembarcou no Reino Unido para seu giro europeu, no qual encontrou-se com líderes do G7 e da Otan, finalizado na quarta (16) com a reunião de cúpula com o russo Vladimir Putin. Dois F-35 italianos interceptaram um avião de transporte An-12 que estava sendo escoltado por pelo menos um caça Su-30 armado com mísseis ar-ar. A situação chamou a atenção de analistas, visto que usualmente cargueiros não têm escolta, e foi especulado se os russos não queriam justamente atrair os F-35 para analisar de perto suas características de voo próximas aos sensores de um de seus principais caças. Dois bombardeiros supersônicos com capacidade nuclear Tu-160 deixaram suas bases no sul da Rússia e voaram até o Golfo da Finlândia, entrando no espaço aéreo neutro do mar Báltico escoltados por quatro caças, dois Su-35 das Forças Aeroespaciais e dois Su-27, um modelo mais antigo, da Frota do Báltico. Ele voaram até a altura de Kaliningrado, o bastião russo entre a Lituânia e a Polônia, e fizeram o caminho de volta. No percurso, foram interceptados pelos mesmos F-35 italianos e por um F-16 da Noruega, outro membro da Otan. Além disso, a Suécia, que é neutra mas próxima da aliança, enviou um caça Gripen —o modelo mais recente do qual o Brasil está recebendo.”

Irã driblou Trump e Netanyahu
“Tampouco o Irã reduziu sua influência no Oriente Médio, ao contrário do que previam Netanyahu e Trump. Mesmo com a ação dos EUA para matar Qassem Suleimani, principal líder das Guardas Revolucionárias, os iranianos têm saído vitoriosos nos principais conflitos na região. Na Síria, Bashar al-Assad venceu a guerra com a ajuda do Irã e da Rússia. A oposição jihadista ligada à al-Qaeda controla apenas uma província. Os americanos também estão praticamente fora do Iraque, onde as milícias xiitas pró-Irã se fortaleceram. O Hezbollah mantém sua aliança com os cristãos libaneses da Frente Patriótica Nacional do presidente Michel Aoun no Líbano, além de possuírem um arsenal de dezenas de milhares de mísseis apontados contra Israel. O Hamas, no último conflito em Gaza, mostrou ser capaz de atingir Tel Aviv. Os houthis, por sua vez, seguem no poder no Iêmen.”

Dia 897 | “Então essa vacina não tem uma comprovação científica ainda” | 16/06/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de assinatura mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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O blog hoje foi feito em poucas horas porque passei boa parte do dia chumbado – e não, não é Covid.

1. Agora vai, hein!

O que é uma gestão criminosa da pandemia que cobra centenas de milhares de cadáveres perto duma pedalada fiscal, não é?!

“Uma auditoria financeira feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre estimativas contábeis do passivo da Previdência Social afirma que o governo de Jair Bolsonaro subavaliou os valores do regime dos militares, minimizando eventual rombo futuro. E superavaliou os números relativos ao regime dos servidores civis da União, dizendo que gastará mais do que de fato desembolsará.” [Folha]

Sim, olha que cuirosidade, esse governo verde-oliva errpou pra baixo a conta justamente dos responsáveis pelo maior rombo previdenciàrio per capita! E errou pra cima a parte dos civis!

“A auditoria subsidia o parecer sobre as contas do presidente da República, que precisam ser aprovadas pelo órgão e devem ser julgadas nos próximos dias. Ela foi concluída e enviada ao ministro do TCU Bruno Dantas, relator dos números do Ministério da Economia em 2020. “É curioso observar essa diminuição artificial do impacto dos benefícios militares e o aumento do dos demais servidores”, resume texto sobre o tema. “As falhas alinham-se à forma como o governo conduziu a discussão das reformas do setor público, administrativa e previdenciária”, segue. Os militares, diz, “tinham receio de que a divulgação dessa informação viesse a desfavorecê-los numa eventual reforma da previdência”.”

Por que será?! E TODA a imprensa aplaudiu a porra duma reforma tributária que PRIVILEGIOIU os responsáveis pelo maior rombo previdenciário!

“O mesmo texto diz que “a questão se intensifica quando se relata que a equipe de auditoria encontrou limitações na realização do trabalho, justamente por parte do Ministério da Defesa, como a não disponibilização de acesso a documentos necessários para a realização da auditoria, bem como o atraso injustificado na resposta das solicitações”.”

É a caixa preta verde-oliva!

“De acordo com os auditores, o governo subavaliou o passivo atuarial do regime dos militares em R$ 45,5 bilhões. Ele deixou de colocar na conta, por exemplo, reajustes recentes de vencimentos das Forças Armadas que vão impactar no pagamento futuro dos benefícios de seus integrantes, quando eles virarem inativos. Deixou também de calcular a evolução da expectativa de vida no país.”

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Se isso não é cimre o que mais é?!

“Militares que vão viver mais, no futuro, passarão mais tempo recebendo recursos do sistema quando se retirarem da ativa. E isso deveria ter entrado no cálculo do passivo do Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas. Já com o regime dos servidores civis (Regime Próprio de Previdência Social) ocorreu o contrário, segundo os técnicos do tribunal. O governo inflou as despesas, que foram superavaliadas em R$ 49,2 bilhões. Segundo os auditores, foram colocadas no cálculo despesas com gratificações, abonos, adicional de insalubridade e férias, que não integrariam a base de cálculo dos benefícios previdenciários dos servidores civis. O trabalho foi feito sobre as contas previdenciárias do Balanço Geral da União, que traz a valor presente tudo o que o governo terá que desembolsar no futuro com os pagamentos de benefícios (aposentadoria e pensões).”

Caralho, e não é burrice ou i9ngenuidade. É tudo feito de caso pensado, e se isso for a julgamento no TCU o Villas bôas faz outro tuíte, que certamente será elogiado pelo Santos Cruz – arrombado do caralho!

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2. Quem tem cu tem medo

Da Rosângela Bittar:

O agravamento do desvario que Bolsonaro está exibindo em praça pública não é gratuito e tem uma razão nem tão secreta. Esconde uma palavra que seu machismo não permite pronunciar, mas seu comportamento revela. Medo. O presidente está com medo.”

Morrendo de medo, e é quando acuado que ele vai fazer uma merda gigantesca. A duvida é quando, como bem colocou o indiscreto Eduardo Bolsonaro.

A autoconfiança, expressa em sinais de que pode tudo, é falsa. Acompanhamos sua performance como se ele estivesse no picadeiro. Ora engolindo fogo e soprando-o sobre a seleção brasileira de futebol, que obrigou a jogar a Copa América, competição refugada por três países mais responsáveis que o nosso. Resultado parcial: 52 infectados em apenas duas rodadas. Ora no tiro ao alvo dos palanques eleitorais, nos quais nem a motocada de 12 mil fanáticos, nem a genuflexão de militares da ativa, conseguem lhe dar consistência. Como no globo da morte, irrompe em avião prestes a decolar lotado, onde colhe o fundo musical de sua campanha à reeleição, que não será aproveitado nos jingles: Genocida! Ora no tiro ao alvo dos palanques eleitorais, nos quais nem a motocada de 12 mil fanáticos, nem a genuflexão de militares da ativa, conseguem lhe dar consistência. Como no globo da morte, irrompe em avião prestes a decolar lotado, onde colhe o fundo musical de sua campanha à reeleição, que não será aproveitado nos jingles: Genocida! Seu governo sobrevive, debilitado. A administração pública agoniza, contaminada pela gestão destruidora da pandemia, mais inflação, mais desemprego, mais colapso da educação e da saúde, mais destruição de florestas, mais desobediência civil, mais deboche, mais vulgaridade. O problema que dá medo a Bolsonaro, porém, não é interno. É externo. E sobre ele não tem controle.”

Sim, ele vai se foder no front externo antes de se foder pelas bandas de cá.

O ex-primeiro ministro Binyamin Netanyahu avisou a Bolsonaro, em recado passado ao então embaixador do Brasil em Israel, Paulo César Meira de Vasconcellos, de que corre o risco real de ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. As denúncias que o atingem tipificam crimes contra a humanidade, em especial genocídio dos povos indígenas. São assinadas por associações de advogados de direitos humanos, Organizações Não Governamentais e, principalmente, pelo cacique caiapó Raoni Metuktire, 91 anos, curado da covid e da depressão que contraiu após a morte da mulher, no ano passado. No Brasil, Raoni é um índio, mas para as organizações internacionais, um protagonista, símbolo do fascínio mundialmente atribuído aos povos da floresta. Documentos diplomáticos sobre a denúncia foram enviados à CPI da Covid, cujo relatório deverá apontar a culpa de Bolsonaro em atos de transgressão do direito à vida. Representará, assim, um reforço institucional, o ponto de vista de um dos poderes da república, o Legislativo, para a análise do tribunal de Haia. Esta é a assombração que persegue o antes destemido Bolsonaro. Seu pesadelo é perder a reeleição, a imunidade, e ser preso.”

E se ele não for preso TUDO terá sido em vão.

“‘O risco internacional encontra-o ainda órfão da proteção de Donald Trump, que sumiu de Bolsonaro logo depois da tresloucada invasão do Capitólio. Para completar, o amigo Netanyahu também perdeu a cobertura do poder. Perplexo, vê suas pirraças serem transformadas em agenda prioritária do Summit do G7. Da vacina contra a covid ao meio ambiente, questões de vida ou morte. Sem falar do paradoxal sentimento que ele causa à China. Uma avalanche que o obrigou a buscar na Rússia o aliado que resta, Putin. Uma das dificuldades é que os pequenos recuos, antes constantes no repertório de Bolsonaro, perderam a eficácia diante da gravidade dos problemas que provoca. Para obter algum efeito novamente, seria preciso virá-lo do avesso e de cabeça para baixo. Isolado, como um pária descrito por seu ex-chanceler, atrai para sua casta o país refém. Mesmo assim, Bolsonaro não está internamente fraco. Controla, a peso de ouro, a Câmara dos Deputados, e usa e abusa do procurador-geral da República. São trunfos que lhe permitem deixar com os dirigentes dessas instituições a cobertura da retaguarda, inclusive legal, da sua sobrevivência no poder, e sair por aí. Resta, no entanto, o risco do relatório da CPI, com sua sólida maioria oposicionista. Os depoimentos e as provas colhidos até agora devem reforçar o processo do Tribunal Penal Internacional de Haia.” [Estadão]

E por falar em medo presidencial:

“Seguindo a orientação da direção-geral” da PF (Polícia Federal), a delegada responsável pela Operação Lume, Denisse Ribeiro, foi retirada da investigação 14 dias depois de pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma busca e apreensão no Palácio do Planalto, sede do governo federal.” [UOL]

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Medo, muito medo.

“O pedido para a realização da segunda fase da ação, que investiga a organização e o financiamento de atos antidemocráticos, foi feito em 25 de junho de 2020. Os alvos da delegada da PF seriam a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, que funciona dentro do Planalto e tem repartições na Esplanada, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, os endereços do secretário de Comunicação Fábio Wajngarten e um canal bolsonarista no YouTube. Cinco dias depois, outro delegado, Fábio Shor, pediu ao STF buscas nas três agências de publicidade com contratos com a Presidência: Artplan, Calia e NBS-PPR. O objetivo das buscas era procurar provas de que agentes públicos distribuíram verbas do governo para canais bolsonaristas que incitavam movimentos na internet e nas ruas pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo e a volta da ditadura militar e do AI-5 (Ato Institucional número 5), o mais duro dos anos de repressão.”

E olha o passo a passo:

“Oito dias depois de o pedido ser enviado ao STF, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reuniu com André Mendonça, então ministro da Justiça (pasta na qual a PF está alocada), de acordo com a agenda oficial de 2 de julho. Em 6 de julho, Mendonça se encontrou com o diretor-geral da PF. Após esses encontros, no dia 9 de julho, mais precisamente ao meio-dia, o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Igor Romário, transferiu, por ordem de Souza, a investigação do setor de Denisse para o Sinq (Serviço de Inquéritos), órgão que também funciona na sede da PF. A justificativa oficial da direção era que só o Sinq poderia conduzir investigações (o SPE, onde Denisse estava lotada, é um setor administrativo e de planejamento).”

Sim, Igor Rmário, nome ligado ao Moro!

“A pedido da corporação, a policial fez um relatório parcial das investigações que incluía, também, a informação sobre sua saída. O documento foi remetido ao relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes. Àquela altura, porém, já existia uma ordem do próprio ministro do STF para que ela e outros delegados fossem mantidos no inquérito dos atos antidemocráticos. Ela retomou as investigações na noite do dia seguinte, 10 de julho, uma sexta-feira, depois da objeção da Corregedoria da PF. As buscas, porém, nunca foram realizadas”

E aí acham um absurdo ministro do STF ordenar a manutenção de delegados…

“A assessoria da Polícia Federal não prestou esclarecimentos e não forneceu cópia do processo de mudança dos delegados do caso. O Palácio do Planalto não comentou. Como mostrou o UOL, em dezembro do ano passado, a PF pediu para aprofundar investigações na “hipótese criminal” segundo a qual o presidente Bolsonaro e seus filhos mobilizaram redes sociais para atos antidemocráticos nas ruas. O perfil Bolsonaronews, rastreado no pelos policiais no inquérito, foi acessado da casa de Bolsonaro no Rio de Janeiro e do Palácio do Planalto. Mas, em junho deste ano, a PGR, comandada por Augusto Aras, deu parecer para arquivar as investigações. Em parecer emitido em 31 de agosto, a PGR destacou “a gravidade da natureza das medidas de busca e apreensão”. “É que conforme se constata da expressão da autoridade policial, representou-se pelas medidas ostensivas não apenas nas sedes das ministeriais [sic] como, igualmente, em ‘todos os locais que potencialmente guardem relação com os fatos'”, escreveu o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, número 2 de Augusto Aras. Jacques disse que os documentos poderiam ser obtidos sem buscas, com o uso de ofícios a serem feitos por uma investigação cível realizada pelo Ministério Público de primeira instância. Moraes, do STF, analisou o caso em 9 de novembro, mas não autorizou nem negou as buscas: apenas perguntou à polícia se ainda havia interesse na medida. Em resposta, a delegada respondeu que 140 dias já haviam se passado desde o pedido e que a demora havia inviabilizado as buscas.”O tempo decorrido resultou na perda de oportunidade, bem como vulnerabilizou o sigilo da ação”, queixou-se. A delegada afirmou, ainda, que o pedido de documentos feitos pelo Ministério Público por meio de ofícios, conforme sugerido pela PGR, poderia “alertar os detentores de informações relevantes”.”

Vams ao caô da “duas letras”

“O diretor-geral da PF da época, Rolando Alexandre Souza, disse ao UOL, por telefone e mensagens, que a saída de Denisse do caso não teve a ver com o pedido de buscas feito por ela. “Alexandre de Moraes (…) é o presidente do inquérito e, se existe alguém que não admitiria qualquer interferência, seria ele” Rolando Alexandre Souza, ex-diretor da PF “Se ele não se importou com base em tudo que foi dito e explicado, o que dirá os outros”, continuou. Souza disse que, apesar de o primeiro despacho ordenar a troca de setor e de delegados do caso, Denisse iria conduzir as investigações da Operação Lume, mas em outro setor. “Ela iria junto: o inquérito iria para o Sinq, com ela junto”, afirmou ele à reportagem, por telefone. “Só que ela não quis ir pro Sinq.” O ex-diretor da PF contou ter discutido o tema por telefone com Moraes, do STF, explicando a situação. “O único local na sede em que se toca inquérito é dentro do Sinq.” Segundo ele, definiram que a delegada continuaria no caso, mas na unidade regional de Brasília. “Ele concordou.” A reportagem perguntou se Souza tratou do tema com o então ministro da Justiça, André Mendonça. “Todo mundo sabia”, respondeu. Ele afirmou que o conhecimento dele se deveu a notícias na imprensa à época. Souza afirma não ter tratado da possível busca no Planalto na conversa com Moraes: “Nunca ninguém falou de mandado de busca”.”

E repare na petulância:

“A reportagem questionou se ele foi informado da busca e apreensão no Planalto, mas não houve resposta. O ex-diretor da PF ameaçou processar o UOL. “Se botarem uma coisa que eu acho que é mentira, eu aciono judicialmente. Boa sorte, obrigado.”

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Sim, ameaçou e se saiu com um “boa sorte”!

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3. Eletrobras

O problema do Brasil é que a razão e a lógica de nada mais adiantam:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quarta-feira (16) que haverá um “caos energético” no Brasil sem a aprovação da MP (medida provisória) que abre caminho para a privatização da Eletrobras. “Se não privatizar, tem um caos no sistema energético no Brasil”, disse o presidente a apoiadores em frente ao Palácio do Alvorada. A fala foi divulgada por uma página bolsonarista no Youtube.” [Folha]

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Essa frase não faz o MENOR sentido! O problema é HÍDRICO, porra, o que a flata de chuvas tem a ver com a Eletrobras?!

“A MP está na pauta do Senado desta quarta. O texto define que a privatização da Eletrobras se dará por meio de um aumento do capital social da empresa, com a emissão de ações ordinárias, de forma a diluir a participação da União na empresa. Bolsonaro foi questionado por um dos presentes no Alvorada sobre a privatização. “Você não vai deixar aprovar não, né?”, disse o apoiador, que também perguntou sobre possível aumento no valor da conta de energia com a medida.”

Eita porra! E lá vem mais uma paulada presidencial pra cima de seus apoiadores do cercadinho.

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“”Você sabe o imposto que paga na tua cidade, de luz. Não sabe? Então não discuta comigo”, disse o presidente. “Eu sei que você é sindicalista. Esse discurso, não vou aceitar aqui discutir sobre privatização”, respondeu ainda Bolsonaro.”

Sim, onde já se viu discutir sobre privatização?! Se ele não pode discutir isso nem com seus apoiadores vai discutir com quem?! E faz tempo que é só patada na assistência do cercadinho, olha essa aqui:

Mas eu apostaria que essa reforma não vai passar:

“Durante a tramitação na Câmara, a MP foi alterada e recebeu jabutis (nome dado a emendas sem relação com o texto original dos projetos de lei). O texto que está no Senado prevê, por exemplo, a compra de 6.000 MW (megawatts) de usinas que devem ser instaladas nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. A MP da Eletrobras precisa ser votada até 22 de junho para não perder a validade. Se caducar, será a terceira vez, desde o governo Michel Temer (MDB), que o projeto vai para a gaveta.”

E adivinhe quem é o relator…

Na sinalização de um acordo para salvar a MP, o relator da matéria, senador Marcos Rogério (DEM-RO), afirmou que não tem a intenção “de fazer modificação que apresente ruptura com os pontos acrescidos pela Câmara”. Além disso, líderes do Congresso querem preservar mudanças na MP da Eletrobras aprovadas pela Câmara. Segundo entidades ligadas ao setor elétrico e à indústria, os jabutis na MP de privatização da Eletrobras devem custar R$ 41 bilhões ao consumidor brasileiro. Esse valor seria suficiente para elevar em 10% a conta de luz. Com a pior seca dos últimos 91 anos e os reservatórios nos níveis mais baixos das últimas décadas, o MME (Ministério das Minas e Energia) também prepara uma MP para pavimentar o caminho de medidas emergenciais que podem ser necessárias para um cenário de agravamento da crise hidrológica ainda no segundo semestre deste ano. Bolsonaro, no entanto, avalia adiar a assinatura deste novo texto. Para aliados do presidente, a iniciativa pode gerar desgaste político e até comprometer a privatização da Eletrobras.”

Como que o Senado brasileiro vota algo relatado pelo verme do Marcos Rogério?!

Ea energia vai pressionar a inflação e enlouquecer Bolsonaro:

“O aumento de mais de 20% na bandeira vermelha da conta de luz, informado nesta terça (15) pelo diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, preocupa o setor da construção civil. O principal impacto deve vir por meio dos materiais utilizados nas obras. Alguns deles demandam alto consumo de eletricidade durante a fabricação e esse custo deverá chegar aos canteiros. O alumínio é apontado como a matéria-prima que mais demanda energia, com cerca de 50% do seu custo de produção atribuído ao consumo de eletricidade, seguido pelo cimento e o aço. “O alumínio é um material que especificamente utiliza muita energia, mas vou ter impacto de forma geral em todos os processos fabris”, diz Carlos Borges, vice-presidente de tecnologia e sustentabilidade do Secovi-SP (sindicato da habitação). Isso atinge o setor em um momento já complicado de aumento de preço dos insumos. O INCC (Índice Nacional da Construção Civil) chegou a 15,25% no acumulado dos últimos 12 meses, e alguns materiais subiram muito acima disso. Borges aponta que o aço deve chegar a 150% de aumento em julho, se comparado com o preço praticado em março de 2020. “É uma loucura, estamos vivendo um momento quase dramático”, diz. “Muitas obras, especialmente as populares, estão se inviabilizando, porque não tem aumento de renda do consumidor e do valor do imóvel.” Jayme Holloway, diretor de engenharia da incorporadora Paes & Gregori, afirma que muitas obras são fechadas a um preço indexado, e nem sempre as variações em seu custo são captadas inteiramente pelos índices, o que resulta em prejuízo para as incorporadoras. A Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) afirmou, em nota, que manifesta preocupação com as notícias sobre aumento da tarifa de energia. “O tema é bastante sensível à indústria de materiais de construção, sobretudo para alguns setores, como o siderúrgico, cerâmico e de vidros”, afirmou. Os materiais usados na construção civil são em grande parte nacionais, e por isso mais passíveis de serem afetados pela alta na tarifa de energia. Devido ao aumento de custos dos materiais, o setor de construção civil já vem tentando ampliar a importação de matérias-primas, solicitando a diminuição de impostos. Outro efeito temido da alta no custo da eletricidade é a redução do poder de compra dos clientes. “É um setor que estava indo bem, mas quando bater no bolso do consumidor, ele vai pensar que é melhor dar uma reformada em seu imóvel do que partir para uma aventura de compra”, diz Holloway. A Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) compartilha dessa preocupação. “Quando o bolso encolhe, a capacidade de fazer investimentos se reduz”, diz José Carlos Martins, presidente da entidade.” [Folha]

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4. CPI

Do Fernando de Barros e Silva:

“O país se aproxima das 500 mil mortes por Covid sem nenhuma indicação de que o pesadelo pandêmico esteja perto do final. Pelo contrário. Infectologistas e pesquisadores vêm repetindo há semanas, por toda parte, que a terceira onda da doença está contratada e vem aí. As medidas de isolamento social – que de resto, mesmo quando adotadas à revelia do governo federal, sempre foram frouxas e insuficientes – estão sendo abandonadas sem que a imensa maioria da população tenha sido imunizada. Há no país aglomerações demais e vacinas de menos num ambiente em que proliferam novas cepas do vírus e as UTIs de muitas cidades importantes estão operando no limite de sua capacidade. A combinação é explosiva. Tudo indica que o inverno brasileiro será cruel, como se já não estivéssemos suficientemente destroçados. Sabemos o nome e o sobrenome do motociclista responsável por essa tragédia sem fim.

… E você chegou, nosso precioso inimigo,/Você, criatura deserta, homem cercado de morte. Primo Levi escreveu esses versos em julho de 1960, logo depois que o carrasco nazista Adolf Eichmann foi preso na Argentina pela polícia secreta de Israel. Na sequência do poema, intitulado Para Adolf Eichmann, o escritor pergunta: O que saberá dizer agora, diante de nossa assembleia?/Jurará por um deus? Mas que deus? Sobrevivente de Auschwitz, Levi fazia alusão ao futuro julgamento do carrasco, que viria a ser sentenciado à morte em 1962 e enforcado a seguir. No poema, a vítima desejava outro destino para o algoz: Ó filho da morte, não lhe desejamos a morte./Que você viva tanto quanto ninguém nunca viveu:/Que viva insone cinco milhões de noites.

A evocação do Holocausto para falar da realidade brasileira pode soar imprópria a muita gente. De fato, ela é deliberadamente exagerada. O leitor pode pensar nas covas rasas enfileiradas em Manaus, ou nas pessoas sufocando sem oxigênio nos hospitais, e julgar se o recurso ao inominável faz algum sentido. Qual é a medida justa da punição para o que está acontecendo? Qual será a punição? Haverá alguma? Quando perguntaremos a Jair Bolsonaro: “Você, criatura deserta, homem cercado de morte/O que saberá dizer agora, diante de nossa assembleia?” O que temos, por ora, é uma CPI. Ela consome a atenção de jornalistas e produz efeito catártico sobre a opinião pública. Não há dúvida de que incomoda e desgasta o governo em alguma medida, mas não há nenhuma convicção de que possa ir muito além disso. Talvez a “função política” da CPI seja na realidade essa – distribuir anestésicos a um país entubado a seco, produzir certo alívio no desespero, oxigenar o desalento, criar a sensação, ainda que ilusória, de que se está fazendo justiça. Esperamos sinceramente que sim, mas temo que a comissão do Senado seja uma espécie de cloroquina política, um falso tratamento – nesse caso tardio, e não precoce – para enfrentar Bolsonaro depois de dezesseis meses de descalabros. Há uma dose de encenação nesse empenho para descobrir uma verdade que todos já conhecem.

Em novembro de 1959, meses antes que Primo Levi escrevesse seu poema, O Rinoceronte, de Eugène Ionesco, fazia sua estreia mundial em Düsseldorf, na Alemanha. A peça é um dos pontos altos do teatro do absurdo – expressão criada pelo crítico Martin Esslin no início dos anos 1960 para identificar uma das tendências mais importantes da dramaturgia no pós-guerra. Num domingo de verão ensolarado, numa cidadezinha qualquer no interior da França, onde a vida se desenrola sem sobressaltos, moradores estão conversando trivialidades numa praça quando são surpreendidos pela aparição ruidosa de um rinoceronte. O paquiderme some como surgiu, do nada. Diante do espanto generalizado, o jovem protagonista comenta com o amigo: “Era um rinoceronte, e daí?” Algum tempo mais tarde, a cena se repete de maneira quase idêntica. Mas, na sua segunda passagem pela praça, o bicho esmaga o gato de uma das personagens, a “dona de casa”. Em meio ao lamento de alguns e à indiferença de outros, começam todos a debater seriamente se o animal tinha um ou dois chifres. Ocupam-se com isso horas a fio, o que faz lembrar a discussão brasileira: “Afinal, Bolsonaro é ou não é genocida?” A peça avança e os rinocerontes passam a se multiplicar. É a população da cidade, vítima de uma epidemia, que está se metamorfoseando pouco a pouco no animal de aparência pré-histórica. Um a um, todos os habitantes vão perdendo a pele lisa, a fala, a humanidade. Todos, menos o protagonista, que se vê na situação desesperadora de preservar sua condição humana, agora monstruosa, no meio de uma multidão de paquidermes grunhindo. Ionesco explora a ambivalência dos personagens (ou de cada personagem) em relação aos rinocerontes – e ao rinoceronte que potencialmente vive em cada um. O horror e o pânico convivem com a aceitação e às vezes com o fascínio diante do monstruoso. Pinço algumas falas da peça: “O que complica mais as coisas é que cada um de nós tem, entre os rinocerontes, um parente, um amigo”; “Se as coisas são assim é porque não podem ser de outra maneira”; “Talvez os anormais sejamos nós”; “Sejamos razoáveis. É preciso encontrar um modus vivendi para nos entendermos com eles”. As coisas para Bolsonaro nunca estiveram tão complicadas. Mas ainda não decidimos se esse capítulo sinistro da nossa história será contado pelo poema de Primo Levi ou pelo teatro de Eugène Ionesco.” [Piauí]

Baita texto! É exatamente isso!

E olha Bolsonaro cuspindo nos chineses e sabotando a campanha de vacinação DE NOVO!

“A Coronavac, o prazo de validade dela parece que é em torno de 6 meses. E assim mesmo muita gente tem tomado e não desenvolve anticorpo nenhum. Então essa vacina não tem uma comprovação científica ainda” [O Globo]

E olha o papo…

“Você me deu uma ideia, a gente pode pegar uma cidade menor de Rondônia e pegar uma vacina como a Pfizer, que não é a Coronavac, e jogar naquela cidade. E jogar a Coronavac em outra. O pessoal vai reclamar da gente, quem pegar a Coronavac vai reclamar, mas a gente pode pensar nisso daí, eu dou a ideia para o ministro Marcelo Queiroga e a gente tenta duas cidades de Rondônia “

E é só porrada na China, é espantoso…

“Ontem eu estive com o diretor-presidente da Pfizer, o contrato do ano passado era de 100 milhões de vacinas e assinamos um recentemente de 200 milhões de vacinas da Pfizer,que tem mais credibilidade que uma outra que foi distribuída há pouco tempo, continua sendo distribuída ainda. Acreditamos que até setembro tenhamos mais de 60% da população vacinada e esperamos que os governadores não tomem mais medidas restritivas”

E o novo chanceler resolveu agradar Bolsonaro, os ofícios do Itamaraty tavam dinamitando os depooimentos governosyas e…

“O Ministério das Relações Exteriores reagiu à decisão da CPI da Covid de revogar, na semana passada, o sigilo de documentos do governo federal encaminhados ao grupo. Em um ofício enviado nesta terça-feira à Comissão, o chanceler Carlos França alegou que a divulgação do material pode ferir o dever do Itamaraty deresguardar informações do Brasil e de outros países. “Os deveres deste ministério afetos ao tratamento de informação de caráter sigiloso não se restringem à legislação pátria, mas derivam também de compromissos assumidos pela República Federativa do Brasil no plano internacional”, escreveu França. O ministro disse ainda que mais de 5 mil documentos foram enviados pelo Itamaraty à CPI, sendo alguns sigilosos e outros com grau de sigilo não especificado. “Recorda-se que, na documentação fornecida à CPI, estiveram compreendidos documentos que, embora não classificados, podem conter informações pessoais sensíveis, que se enquadrem nas demais hipóteses de acesso restrito previstas no ordenamento jurídico interno, como dados de natureza fiscal, bancária, de operações e serviços no mercado de capitais, comercial, profissional, industrial e em segredo de justiça, que estejam protegidas pelo direito internacional”, afirma o chanceler. Ao tornar público o material, o presidente da comissão, Omar Aziz, disse na semana passada que o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria de Comunicação da Presidência vinham enviando toda documentação como sigilosa. Os senadores definiram que os documentos só terão essa classificação caso haja justificativa para isso. — Estão mandando todos os documentos como se fossem sigilosos. Não tem documento sigiloso. NoMinistério das Relações Exteriores, tudo vem carimbado como sigiloso, quando não é. Tem documentos que estão no Portal da Transparência e que a Secom mandou para cá como sigiloso. Então, vamos acabar com esse negócio. A pessoa, quando mandar um documento sigiloso para cá, tem que dizer por que, qual a razão para ser assim. Se não vier, nós vamos abrir — afirmou Aziz. O presidente ca Comissão citou matéria do GLOBO que revelou o pedido de um executivo do laboratório chinês Sinovac, para que o governo Bolsonaro mudasse a postura de ataques em relação à China, com o propósito de evitar atraso nas entregas de insumos para a vacina.” [O Globo]

Passemos ao depoimento da Whintey, não vi muita coisa pois estava chumbado, passei boa parte do dia na horizontal, mas provavelmente entrará no podcast de amanhã:

“Em uma sessão tumultuada da CPI da Covid, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) bateu boca com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), disse que não era “porteiro” para ser intimidado pelo parlamentar e abandonou a comissão no início da tarde desta quarta-feira (16). Witzel estava sendo questionado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre suspeitas de desvio de dinheiro na compra de respiradores pela gestão do ex-governador, quando Witzel pediu ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), para deixar o colegiado. Aziz disse que o pedido estava amparado por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que garantiu um habeas corpus a Witzel, e comunicou o encerramento da sessão. Antes de ir embora, o ex-juiz protagonizou momentos tensos de embate com o filho do presidente Jair Bolsonaro. “Senador, o senhor pode ficar tranquilo que eu não sou porteiro. Não vai me intimidar, não. Mas, senador Flávio Bolsonaro, vossa excelência é contumaz ao dar declarações atacando o Poder Judiciário, especialmente o juiz Flávio Itabaiana”, afirmou Witzel a Flávio. Pouco antes o depoente também disse que o senador era mimado e mal-educado. A fala era uma referência ao porteiro do condomínio em que Jair Bolsonaro tem residência no Rio, que inicialmente afirmou que os assassinos da vereadora Marielle Franco teriam ido à casa do presidente, mas que depois mudou a sua versão.” [Folha]

Whitney sabe muita coisa sobre as investigações no Rio envolvendo Bolsonaro, vai ser bonito quando ele apresentar essas provas numa sessão privada da CPI.

Witzel também disse que vem recebendo ameaças de morte em série. Acredita que algumas delas partem de milicianos do Rio de Janeiro, apesar de ressaltar que “miliciano não se declara miliciano”. “Senador, a gente recebe sempre ameaças, que eu deveria estar morto. Durante o período que eu tinha a minha segurança como governador, eu tinha a minha segurança, me deixava mais tranquilo. Hoje eu não tenho mais essa prerrogativa. Consequentemente eu evito sair à rua, sair à noite, ter rotina”, afirmou, para em seguida ser questionado por Renan Calheiros (MDB-AL) se as ameaças partiam de milicianos. “Miliciano não se declara miliciano. Mas a minha segurança sempre observou a aproximação de veículos. procurando mudar o trajeto, intimidações houve.”

Não á toa Fla´vio tava dando seu showzinho e até o DEPUTRADO Helio Negão apareceu por lá.

“Em diversas ocasiões, o ex-governador afirmou que houve atuações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que se caracterizaram como “intervenções” no estado e contra ele próprio. Witzel chegou a citar uma conversa com o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que teria pedido ao então governador que parasse de afirmar que queria ser presidente da República. “Eu cheguei lá, o ministro Moro disse pra mim o seguinte: ‘Ô Witzel, o chefe falou pra você parar de falar que quer ser presidente. E, se você não parar de falar que quer ser presidente, infelizmente a gente não vai poder te atender em nada, né?’. E aí o ministro Moro falou que ia pedir de volta os delegados, porque estava sendo uma determinação do governo federal. Isso é ou não é uma clara intervenção num estado da federação?””

Moro vai fingir que não é com ele.

“A cúpula da comissão chegou a sugerir uma sessão fechada, questionando o depoente se ele se sentia inseguro para prestar esclarecimentos naquelas condições. Witzel afirmou que não se intimidaria, mas que aceitaria a sessão fechada, apenas com membros da CPI, para apresentar alguns elementos sigilosos de investigação. “Então nessa reunião eu faço questão de apresentar elementos para iniciar uma investigação contra pessoas que estão desvirtuando a atuação funcional e nós vamos descobrir quem está patrocinando investigação contra governador, quem está patrocinando essa questão criminosa e o resultado é um só: 490 mil mortes”, afirmou. Durante a sessão, o ex-aliado de Bolsonaro usou sua fala para disparar ataques contra o presidente. Disse que o mandatário promove uma narrativa durante a pandemia do novo coronavírus para fragilizar os governadores estaduais. “Foi uma narrativa pensada, estrategicamente pensada. Os governos estaduais ficariam em situação de fragilidade, porque não teriam condições de comprar os insumos, respiradores e, inclusive, atender os seus pacientes no Sistema Único de Saúde, que, embora seja um excelente sistema para um país como o nosso, tem dificuldade”, afirmou. “Então, o que ficou claro é que a narrativa construída pelo governo federal foi para colocar os governadores numa situação de fragilidade, porque os governadores tomaram as medidas necessárias de isolamento social. E isso tem repercussões econômicas.” O ex-governador também culpou o governo Bolsonaro pela situação atual no enfrentamento da pandemia, por não ter havido uma liderança central nas ações. Disse também acreditar que o governo federal adotou a tese da imunidade de rebanho. Witzel se referiu em mais de uma vez à investigação da morte de Marielle Franco.”

O arrombdo quebrou a placa da Marielle e agora mete essa.

“Em outubro do ano passado, depoimento revelado pela TV Globo mostrou que o principal suspeito de matar a vereadora e o motorista Anderson Gomes, o sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, reuniu-se com outro acusado, o ex-policial militar Élcio Queiroz, no condomínio Vivendas da Barra, mesmo local onde Jair Bolsonaro tem uma casa, na zona oeste do Rio. A reunião ocorreu no dia do crime, em 14 de março de 2018. Segundo depoimento de um porteiro do condomínio, obtido pela emissora, Élcio teria dito na portaria que iria à casa de Bolsonaro, à época deputado federal. Os registros de presença da Câmara dos Deputados mostram que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia. Witzel afirmou à CPI que houve um claro caso de coação de testemunhas, que levou à mudança na versão apresentada pelo porteiro. “Agora, o porteiro, que estava como testemunha, recebe uma intimação da Polícia Federal e o procurador-geral da República instaura um inquérito para acuar. Qual é a outra leitura que se pode fazer disso? Eu sou jurista. É eminentemente uma acuação da testemunha no curso do processo com um inquérito feito por um Estado que não é democrático, por um Estado com o objetivo de coagir aquela testemunha”, afirmou. “O porteiro estava apavorado. Ele não quis mais falar nada, nem entrar no programa de proteção à testemunha.” Antes da sessão, Witzel afirmou aos jornalistas que o caso Marielle havia sido o estopim da ruptura na relação que tinha com Bolsonaro. ​ Senadores da CPI da Covid já reclamaram entre si nos bastidores do comportamento de Flávio na comissão. Os parlamentares dizem que o filho de Bolsonaro costuma aparecer em depoimentos mais rumorosos para o governo e costuma encarar o depoente.”

Milícia que chama, né?! Olha o diálogo:

“— Não tem nenhum problema estar na presença do senador Flávio Bolsonaro. Conheço desde garoto. Conheço sua família, seu pai de longa data. A minha questão aqui não é pessoal, é institucional em defesa da democracia.
— Que lindo discurso.
— Se fosse um pouquinho mais educado e menos minado, teria mais respeito. O senhor me respeite!
— Respeito não tem a ver com idade.


Após uma discussão entre os dois, Calheiros e o vice-presidente da comissão Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmaram que havia um “clima intimidatório claro” de Flávio contra o ex-governador. Mas Witzel respondeu:

— Não vai me intimidar, não. Vai esperar eu falar, rapaz?
— Aqui não é o que você quer, não!

Além de Renan, o vice-presidente a CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), avaliou estar ocorrendo intimidação: — Há um claro ato aqui de intimidação ao depoente. Renan e Flávio também bateram boca, como já tinha ocorrido em outras sessões da CPI. — Seu pai parece que não te deu educação — disse o relator. — Diferente da sua, graças a Deus — respondeu o filho do presidente Jair Bolsonaro.”

E Jorginho Mello deu show! De fascismo.

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5. Conhecereis a verdade e…

“ Apoiadores do presidente falaram em 1,3 milhão de motos no evento e que tal número havia entrado para o livro dos recordes, informação falsa logo desmentida pelo Guinness World Records. Já o governo paulista estimou que o ato contou com a presença de 12 mil motos, isso com a ajuda de recursos de mapa e georreferenciamento, a partir de imagens registradas pelo helicóptero da Polícia Militar.” [Folha]

A h vá!

“A desinformação sobre o suposto recorde começou a circular nas redes através de postagens de apoiadores de Bolsonaro, entre eles da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Na manhã de sábado (12), durante a concentração para o ato, ela publicou um vídeo em seu canal no Youtube em que afirma que o ato seria “a maior motociata da história” e que o Guinness Book “estaria de olho” no evento. O dado foi negado pela instituição. “Podemos confirmar que o desfile de motocicletas ocorrido em São Paulo, no dia 12 de junho, não foi uma tentativa oficial de título de recorde mundial do Guinness”. A organização afirmou, em nota enviada à Folha, que não certifica recordes de natureza política e esclarece que não permitiu a utilização do nome ou de serviços da marca para o evento. “Não aceitamos candidaturas a recordes que consideremos politicamente motivadas, e reservamo-nos o direito de rejeitar ou cancelar uma candidatura, caso a consideremos como promoção de uma agenda política”, diz a nota. “Como este evento [a motociata] teve uma motivação política, não permitimos qualquer utilização do nosso nome, plataforma, ou serviços”. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) também ajudou a ventilar a notícia falsa, ao compartilhar um post no Twitter que afirmava que uma “pesquisa confiável”, realizada pela empresa, havia determinado a participação de 1.324.523 motocicletas durante o evento. Mesmo após diferentes veículos terem divulgado posicionamento do Guinness Book desmentindo a informação, até esta quarta-feira (16), a postagem permanece no perfil da deputada, como retuíte, e sem nenhuma outra postagem fazendo algum tipo de ressalva. ​”

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DEM reembarca no governo de Castro, com a bênção de Silas Malafaia
O novo secretario estadual de Transportes do Rio é… JUNINHO DO PNEU
doideira

Arthur Lira pode se beneficiar das mudanças da Lei de Improbidade
A Nova Era!

Decisão de Cármen Lúcia é derrota para Salles e evita a impunidade de madeireiros na Amazônia
“A decisão da ministra Cármem Lúcia de suspender os processos que estavam na Justiça federal no Pará e na Amazônia sobre a investigação a extração ilegal de madeira é uma forma de evitar a impunidade. Foi um pedido da Polícia Federal. A decisão é para evitar que as decisões de 1a instância produzam efeitos permanentes. Os juízes estavam liberando a madeira reclamada pelos supostos proprietários.”

Avançam as negociações entre Alckmin e o DEM
“Alckmin não iria sozinho. Levaria um grupo de prefeitos que seguem sua liderança. Ainda faltam conversas finais, mas a previsão é de, se tudo for mesmo acertado entre as partes, o anúncio da mudança aconteça em julho.”

Por que os republicanos não querem reconstruir os EUA?
Pois são republicanos, oras!

Dias 896 | “Precisa ter propaganda na TV sobre Covid?”, se incriminou o presidente | 15/06/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de assinatura mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Crimes presidenciais

Quando comecei esse tópico não imaginei que seriam tantos crimes, confesso. E é só um aperitivo da infindável coleção de crimes presidenciais.

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) queixou-se nesta terça-feira (15) de reportagem da Folha que mostrou desvio da finalidade de verbas originalmente destinadas para campanhas informativas sobre a Covid-19 e que questionou a necessidade de publicidade oficial sobre o vírus. A Folha mostrou no domingo (13) que o governo Bolsonaro desviou R$ 52 milhões previstos para campanhas com peças informativas sobre o combate ao coronavírus para fazer propaganda institucional de ações do Executivo. Os recursos foram alocados pela medida provisória 942, de abril de 2020. A MP abriu créditos extraordinários para enfrentamento da pandemia dentro do chamado Orçamento de guerra, uma modalidade criada para atender despesas urgentes e imprevisíveis. O mecanismo é permitido em três situações: guerra, comoção interna ou calamidade, como é o caso da crise sanitária causada pela Covid. Pela justificativa da MP, o dinheiro reservado à Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) tinha “o objetivo de informar à população e minimizar os impactos decorrentes da proliferação da doença”, mas peças publicitárias entregues à CPI mostram que o dinheiro bancou a divulgação de feitos que rendem dividendos políticos ao presidente, sem referências a medidas preventivas contra a Covid.” [Folha]

Nessas horas eu me lembro do Mourão dizendo que não adianta falar em isolamento porque a população não respeita, segundo ele a cultura brasileira é muito… peculiar! E aí o chefe dele diz que não havia necessidade de campanhas informativas!

“[A reportagem diz] Bolsonaro desvia R$ 30 milhões da propaganda da Covid, via Medida Provisória. É ‘desvia’, agora você deslocar recurso de um lugar para outro via Medida Provisória é ‘desviar recursos’. Agora é dinheiro que saiu da imprensa, né? Agora alguém precisa mais ter propaganda na televisão sobre Covid ou todo mundo tá sabendo o que está acontecendo?”

Guilty

Já havia claros indícios que o governo cometeu crime ao não fazer a devida comunicação em tempos duma emergência sanitária global, e aí vai o presidente e faz essa pergunta-confissão!

“Vídeos de 15 a 30 segundos, áudios e informativos foram veiculados em TV aberta e fechada, rádio, internet e mídia exterior para enaltecer a liberação de recursos para pagamento de salários em micro e pequenas empresas e repasses a estados e municípios. “O cuidado com o Brasil e com os brasileiros continua. Liberação de R$ 100 bilhões em crédito para micro e pequenas empresas”, diz uma das campanhas. Os informes também trataram de ações relacionadas ao Bolsa Família, ao auxílio emergencial, à suspensão de pagamento da conta de luz e aos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). As medidas são do Ministério da Economia.”

Vivemos numa quadra da história em que o presidente da república, tratada por boa parte do país como mito, sabotou de todas as formas o combate à pandemia. E justamente por isso não podia ter campanha, porque elas desagradariam o presidente.

Passemos a mais um crime:

“A presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Ana Arraes, pediu à Polícia Federal que investigue o auditor do órgão que repassou ao presidente Jair Bolsonaro um relatório falso com informações distorcidas sobre o número de mortes pela Covid-19 no Brasil. Arraes enviou ofício ao diretor-geral da PF, delegado Paulo Maiurino, solicitando que este abra um “inquérito policial para apurar eventuais ilícitos penais praticados pelo auditor federal de controle externo Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques”. A presidente do órgão já havia determinado abertura de processo disciplinar e afastamento do auditor, autor da análise que levou o presidente Jair Bolsonaro a sugerir, mais uma vez sem provas, uma supernotificação de óbitos pela pandemia no Brasil. No dia 7 de junho, Bolsonaro deu uma declaração a pessoas que o esperavam na saída do Palácio da Alvorada dizendo que o TCU tinhaum relatório afirmando que “50% dos óbitos por Covid não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União”. No dia anterior, o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques havia incluído no sistema documento não oficial com os dados distorcidos. Ele compartilhou o documento com colegas. Segundo informações encaminhadas à corregedoria do tribunal, o auditor relatou que comentou o teor de suas opiniões com o pai, Ricardo Silva Marques. Militar, amigo de Bolsonaro e gerente-executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, ele teria encaminhado ao presidente, segundo o servidor do TCU disse a seus chefes. ​O auditor Alexandre Marques foi indicado para a diretoria de compliance do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2019, mas acabou barrado para o órgão pelo próprio tribunal. Integrantes do TCU dizem que filhos do presidente Bolsonaro, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), estariam por trás dessa indicação à época. O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) disse desconhecer o auditor. O TCU desmentiu a declaração de Bolsonaro. O órgão disse, em nota, que não elaborou o documento. O tribunal instaurou “procedimento interno para apurar se houve alguma inadequação de conduta funcional no caso”. Segundo o TCU, o documento era uma análise pessoal de um servidor, que havia sido compartilhada para discussão e não integrava processos oficiais.” [Folha]

E o passeio no avião da Azul vai dar merda para o piloto, folgo em saber:

“Virou uma batata quente a aparição surpresa de Bolsonaro no avião da Azul na sexta-feira (11) violando as regras sanitárias ao tirar a máscara e causar aglomeração. A companhia aérea decidiu não se manifestar sobre o caso, e a Anvisa, órgão que regulamentou as normas de segurança para o setor aéreo na pandemia, diz que a fiscalização não envolve só a ação direta de seus servidores, mas também os funcionários das aéreas, administradoras de terminais e concessionárias. A responsabilidade deve acabar caindo nas costas do piloto. Segundo a Anvisa, o comandante é a autoridade máxima a bordo das aeronaves, ou seja, é ele o responsável por quem entra no avião e também por quem estiver sem máscara. E deve zelar pelo cumprimento das legislações, inclusive as normas sanitárias, diz o órgão. No dia da visita surpresa de Bolsonaro, porém, o piloto também tirou a máscara​ e fez selfie com o presidente, ao lado da copilota.” [Folha]

Ah, e a Damares deu uma entortada maravilhosa no Lacombe:

Bem, Damaress se colocou a favor do passaporte de vacinação e Bolsonaro n~çao deixou quicando:

“SO que tu acha do passaporte da Covid? Aquela onda aí, estou nas mídias sociaisSem comentários. A vacina vai ser obrigatória no Brasil? Não tem cabimento. Alguns falam: “Para você viajar, tem que ter um cartão de vacinação”. Cada país faça as sua regras. Se para ir para tal país tem que ter tomado tal vacina, se você não tomar, você não entra. Eu não acredito que passe pelo Parlamento. Se passar, eu veto e o Parlamento tem o direito…Tem o direito, não. Vai analisar o veto. Se derrubar, aí é lei.” [O Globo]

Encerremos com o mais básico, mas ão menos absurdo, dos crimes.

“Jair Bolsonaro foi multado por João Doria por ter, na motociata de sábado, circulado sem máscara e causado aglomeração pelas ruas de São Paulo. Beleza. Mas será que Bolsonaro vai pagar mesmo a multa? No dia 21 de maio, Bolsonaro agiu exatamente da mesma forma, só que sem moto, na cidade maranhhense de Açailândia. Foi autuado pelo governador Flavio Dino. E o que aconteceu desde então? Dentro do prazo de 15 dias que tinha para se defender, mais precisamente no dia 4 de junho, a Secretaria-Geral da Presidência recomendou que o e-mail enviado pelas autoridades maranhenses com a autuação fosse devolvido com pedido de arquivamento. Motivo: a autuação não teria “qualquer identificação fidedigna do seu emissor, que sequer consta assinatura digital na correspondência eletrônica”. Mais: “a Presidência da República foi autorizada pelas autoridades administrativas pertinentes do estado do Maranhão a realizar o ato oficial, inclusive tais autoridades realizaram a segurança no local do evento”. Neste momento, o departamento jurídico da Secretaria de Saúde do Maranhão está analisando que atitude tomar. Mas tudo indica que Bolsonaro não pagará qualquer multa.” [O Globo]

Em SP o pior não foi nem andar sem máscara, ele conseguiu a proeza de pilotar uma moto com a placa coberta!

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2. La Paz, aí vamos nós!

Marcos Nobre colocou o motim de 2020 no Ceará como um marco temporal do que está por vir, e essa entrevista com o governador cearense é por demais didática:>

“O governador do Ceará, Camilo Santana (PT) afirmou hoje que o discurso e a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estimulam motins de policiais, como o deflagrado no ano passado em seu estado, e reações violentas como nos protestos antigoverno em Recife, no qual duas pessoas ficaram cegas após serem atingidas por bala de borracha nos olhos. “Aqui, até pela reação forte que tivemos, será mais difícil, porém o clima liderado pela maior autoridade do país favorece essas ações, como aconteceu aqui no Ceará e em Pernambuco. Acho que o discurso e forma como ele age favorecem isso”, declarou Santana em participação no UOL Entrevista, conduzido pela apresentadora Fabíola Cidral e pelos jornalistas Josias de Souza e Tales Faria.”  [UOL]

Ora, alguém tem dúvida disso?!

De acordo com o governador, há lideranças dentro das polícias que são politizadas, defendem o governo Bolsonaro e estimulam indisciplina dos subordinados, o que poderia desencadear um movimento nacional como o visto no Ceará. “Houve decepções grandes por parte de policiais em razão de medidas que o Congresso aprovou. Isso criou divisão nas expectativas sobre Bolsonaro. Mas há quadro de lideranças que defendem governo Bolsonaro e estimulam esse tipo de indisciplina, estimulam sindicalização, então há possibilidade de movimentos a nível nacional”, afirmou.”

Imagine como deve ser num estado govrnador pelo PT ou por algum partido de esquerda…

Santana também defendeu uma mudança na lei para proibir que policiais filiados a partidos políticos e que disputem eleições possam seguir na corporação. “É uma motivação que tenho colocado para o Congresso para rever a lei que permite policiais entrarem na política e voltarem para a corporação. Não é permitido nas Forças Armadas, nem no Ministério Público. Mas as leis da Constituição permitem que o policial saia para se candidatar. Nada contra, mas tem que fazer opção, ou faço parte da polícia ou da política”, declarou. Hoje, a legislação proíbe que um membro da ativa das Forças Armadas, do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e integrantes do Poder Judiciário, como juízes e desembargadores, sejam filiados a partidos políticos. Em caso de filiação, eles devem se afastar das funções. Questionado se Bolsonaro poderia usar o apoio das polícias para tentar um golpe militar e se manter no poder, o governador respondeu que, se houve essa tentativa, será preciso uma reação forte do governo estadual para garantir respeito às instituições. “O que posso dizer é que, se houver essa tentativa, temos que reagir fortemente e garantir respeito às instituições. Sou filho de homem torturado na ditadura. Pessoas morreram lutando por liberdade de expressão. Brasileiros que acreditam na democracia temos que reagir a isso e não aceitaremos essa atitude do presidente”, disse.”

Admiro a coragem da resposta do Camilo mas duvido que o espírito em outros lugares seja o mesmo, nos estados bolsonaristas o governo não vai mexer uma palha. Muito menos o Exército.

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3. Malditos

Do Marcelo Godoy:

“Há quem pense que o Brasil precisa de um tenente-general como Stephen Whiting, chefe do Comando de Operações Espaciais do Estados Unidos. Ele assinou uma nota exemplar sobre como lidar com oficiais que se tornam guerreiros ideológicos, essa espécie militar retratada no filme Doutor Fantástico. Na obra do diretor Stanley Kubrick, o general Jack D. Ripper é um paranoico anticomunista que resolve começar uma guerra nuclear porque os russos estariam envenenando a América com a fluoretação da água. O subtítulo do documento de Whiting podia ser: “Como parei de me preocupar com a política e cuidei da disciplina”. Pois foi isso que ele fez ao remover do comando da 11.ª Esquadrão de Controle Espacial o tenente-coronel Matthew Lohmeier. Motivo: “A perda da confiança e da segurança em sua capacidade de liderança”. A decisão foi tomada com base em comentários públicos feitos pelo tenente-coronel em uma transmissão de rádio. Ao mesmo tempo, o general mandou abrir uma investigação, pois as declarações do coronel constituíam “atividade político-partidária proibida”. O coronel esteve em um programa da direita americana para contar sua teoria sobre como o marxismo está se infiltrando nas Forças Armadas. Ele publicou recentemente um livro em que deixa claro sua condição de general Ripper: Irresistible Revolution: Marxism’s Goal of Conquest & the Unmaking of the American Military. Ou seja, acredita em uma revolução marxista que pretende dominar a todos e desmantelar as Forças Armadas dos EUA. O coronel é trumpista de invadir capitólio, pessoa tomada pelo medo: tem medo de professor, de homossexuais, de vacinas e da derrota. E quem tem medo, tem ódio. Precisa de inimigos para se vender como protetor ou profeta. É missão dos comandantes garantir a higidez de suas tropas. Os Estados Unidos tem o tenente-general Whiting. E o Brasil? Aqui, nossas Forças Armadas convivem com o comandante da Força Aérea, tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, que declarou à deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) que votou na parlamentar. Expoente do bolsonarismo radical, Kicis é investigada no inquérito das manifestações antidemocráticas – um de seus assessores mantinha conversas com extremistas que atacaram o Supremo Tribunal Federal.” [Estadão]

E até agora ele não desmentiu a Bia Kicis, e´fascinante!

“Enquanto o brigadeiro Baptista Júnior faz confidências à deputada, há quem se lembre na FAB ainda da história do brigadeiro José Rebelo Meira de Vasconcelos. Seria banal dizer: “Ele foi um herói”. Frase tola e vazia em um mundo que não se deixa explicar por meio de mitos. Simples demais para descrever a vida de um homem como a do brigadeiro Meira. Noventa e três missões de combate na Segunda Guerra Mundial e todo tipo de condecoração; o pioneirismo na aviação de caça, o carisma e o olhar que revirava pensamentos e memórias; enfim, um homem que falava como se voasse diante do interlocutor. Não só: Meira tinha a convicção de que a política não devia entrar na caserna. Em um longo depoimento gravado dado ao Estadão em 2012, um ano antes de sua morte, o major-brigadeiro que recebeu a Distinguished Flying Cross (EUA), a Air Medal com quatro palmas (EUA) e a Croix de Guerre com Palma (França) disse: “Eu acho que devia ser lei: militar não pode ser político, porque não se coaduna; você jura uma coisa e aí você faz outra?” De volta da Itália, Meira se tornou um dos quatro primeiros pilotos brasileiros a voar em um jato, nos Estados Unidos. Como capitão, serviu no transporte aéreo, setor sob o comando do brigadeiro Eduardo Gomes, que saíra candidato à Presidência em 1950 pela UDN e perdeu para Getúlio Vargas. Meira conta o que aconteceu no Ministério da Aeronáutica. “Um sábado de manhã, quando eu estava na casa do meu sogro, em Copacabana, no Rio, o telefone tocou. Era o (brigadeiro) Nero Moura: ‘Amanhã às duas horas da tarde, venha fardado de branco e de espada para minha posse no ministério’.” O jovem piloto de caça se apresentou ao ministro. Fora escolhido para ser ajudante de ordens do homem que o comandara nos céus da Itália. “Eu nem sabia o que era ser ajudante de ordem. Por causa da parte política toda com ele (Nero Moura), todo mundo foi embora. Não ficou um oficial no gabinete para passar as funções. Você acredita nisso? Numa vida de militar, você acredita nisso? E eu, ignorante de pai e mãe, não tinha ninguém para me dizer, você faz isso.” O brigadeiro Meira continua: “A política estava muito forte naquela época, e é uma pena, pois ela atingiu a Força Aérea mais do que o Exército, por causa do Nordeste, do velho Eduardo (Gomes). Ficou um negócio triste, companheiros não falavam uns com os outros. Uma imbecilidade brutal. Por isso, eu acho que devia ser lei: militar não pode ser político. Ficou um ambiente muito difícil. Aí encerrou minha vida de caçador”. Meira amava a caça, a Base Aérea de Santa Cruz, as comemorações do Dia 22 de Abril. Foi um grande militar. Mais do que de Whiting, o Brasil precisa é de comandantes que respeitem a memória do brigadeiro Meira.”

E olha a boa vida do GENERAL A ATIVA, que agora desfruta de seu teto duplex:

“Ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello tomou posse em cargo na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência na última quarta-feira (9/6), mas ainda não apareceu para trabalhar no Palácio do Planalto. Segundo fontes palacianas, embora já tenha até uma sala pronta para ele no Planalto, Pazuello “não deu as caras” até a manhã desta terça-feira (15/6), para começar a trabalhar como secretário de Estudos Estratégicos da SAE. A coluna apurou que, mesmo empossado no novo cargo na Presidência, o general viajou na manhã da última sexta-feira (11/6) para Manaus, onde mora a família dele, e só retornou a Brasília na noite desta segunda-feira (14/6). Tanto no voo da ida quanto no voo da volta para a capital federal, Pazuello encontrou com o presidente da CPI da Covid do Senado, Omar Aziz (PSD-AM). Os dois apenas se cumprimentaram. Procurado pela coluna, o general não respondeu.” [Metrópoles]

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4. CPI

Os governadores anunciaram calendário acelerado e…

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta segunda-feira com a presidente da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e a presidente da empresa no Brasil, Marta Díez. Ao lado do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o governo brasileiro pediu a antecipação de doses da vacina da empresa. A relação entre o governo federal e a Pfizer é um dos pontos centrais da CPI da Covid, que investiga os motivos que levaram Bolsonaro e seus auxilares a demorarem meses para responderem às ofertas feitas pela empresa oferecendo vacinas. Carlos Murillo, da Pfizer, foi uma das testemunhas ouvidas pelos senadores. Nos últimos dias, governadores e prefeitos anunciaram antecipações do cronograma de vacinação, como João Doria, em São Paulo. O prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, também prometeu acelerar a campanha de imunização em breve. Os anúncios geraram críticas de integrantes do governo. Queiroga chegou a responder ao anúncio do tucano, destacando que a antecipação só seria possível graças às doses obtidas pelo governo federal, mesma crítica feita por alguns deputados bolsonaristas.” [O Globo]

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O encontro não estava previsto na agenda do presidente, mas consta na agenda do ministro Marcelo Queiroga. Na audiência, também estavam o chanceler Carlos Alberto França, e o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. Atualmente, o governo federal tem dois contratos que preveem a entrega de 200 milhões de doses da vacina produzida pela Pfizer ao Brasil. Conforme o GLOBO revelou, houve um atraso de 216 dias para a aquisição do imunizaten da farmacêutica americana.

O Itamaraty vai foder a defesa do governo e facilitar demais o trabalho do Renan:

“Troca de e-mails entre a diplomacia brasileira e a chancelaria indiana e representantes de farmacêuticas do país asiático mostra a agilidade com que o governo de Jair Bolsonaro buscou adquirir hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19, medicamento sem eficácia comprovada contra a doença. Algumas mensagens foram respondidas pelo governo brasileiro em 15 minutos, à noite e até em fins de semana. O esforço pelo medicamento se contrapõe à postura do Executivo em relação às vacinas. No caso da Pfizer, o governo demorou pouco mais de dois meses para responder aos contatos da empresa. A série de 54 e-mails expõe a postura proativa do governo brasileiro para liberar cargas de matéria-prima da hidroxicloroquina a empresas que fabricam o medicamento no País. As mensagens foram enviadas pelo ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Índia, Elias Antônio de Luna e Almeida Santos, segundo na hierarquia do posto diplomático. “Estamos acompanhando esta questão com muita atenção”, disse em um e-mail de 31 de março ao diretor de uma empresa fornecedora de hidroxicloroquina. Em outro, o diplomata brasileiro pediu “a maior urgência possível” a um representante de uma farmacêutica sobre o preenchimento de documentos.” [Estadão]

As provas mais indiscretas v}em justamente do 4chanceler, folgo em saber:

“O Ministério das Relações Exteriores escondeu datas, horários e informações de e-mails e telegramas que mostram as negociações do governo brasileiro na negociação por cloroquina.” [Estadão]

Oh, não, mais um crime de responsabilidade…

As mensagens foram solicitadas via Lei de Acesso à Informação pela agência Fiquem Sabendo, mas tiveram os dados omitidos. Negar fornecer informações públicas fere a legislação. Os e-mails originais, com a íntegra das informações, mostram a agilidade do governo Jair Bolsonaro para comprar cloroquina contra a covid-19, como revelou o Estadão nesta terça-feira, 15. Mensagens foram respondidas por integrantes do governo em 15 minutos, à noite e em fins de semana. O esforço pela cloroquina se contrapõe à postura do Executivo em relação às vacinas. No caso da Pfizer, o governo demorou mais de dois meses para responder aos contatos da empresa. Segundo a agência, os documentos originais não continham datas e horários das conversas e havia cortes nos e-mails. A Lei de Acesso à Informação prevê punição a quem oculta informação. De acordo com o artigo 32 da legislação, “constituem condutas ilícitas que ensejam responsabilidade do agente público ou militar: I – recusar-se a fornecer informação requerida nos termos desta Lei, retardar deliberadamente o seu fornecimento ou fornecê-la intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa”. O agente público que descumprir a lei pode ser alvo de advertência, multa e até perda do cargo público. A série de 54 e-mails expõe a postura proativa do governo brasileiro para liberar cargas de matéria-prima da hidroxicloroquina a empresas que fabricam o medicamento no País. As mensagens foram enviadas pelo ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Índia, Elias Antônio de Luna e Almeida Santos, segundo na hierarquia do posto diplomático. “Estamos acompanhando esta questão com muita atenção”, disse em um e-mail de 31 de março ao diretor de uma empresa fornecedora de hidroxicloroquina. Em outro, o diplomata brasileiro pediu “a maior urgência possível” a um representante de uma farmacêutica sobre o preenchimento de documentos.” 

Prioridades!

“O esforço brasileiro pela cloroquina continuou mesmo após pesquisas apontarem a ineficácia do medicamento no combate à covid-19. Em 20 de maio do ano passado, a Sociedade Brasileira de Infectologia publicou um informe no qual afirmava que os “estudos clínicos com cloroquina ou hidroxicloroquina não mostraram eficácia no tratamento farmacológico de covid-19 e não devem ser recomendados de rotina”. Quinze dias depois, no dia 5 de junho, Santos enviou e-mails a duas empresas indianas para saber preço, quantidade e prazo para entrega de difosfato de cloroquina, um dos componentes do medicamento. Na mesma época, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciava que o Instituto Butantan produziria uma vacina em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac. Aliados de Bolsonaro usaram o fato para atacar o adversário político do presidente e pregar contra o imunizante. “Sou paulistano e faço um apelo a meus familiares, aos quais desejo todo o bem do mundo: não tomem a vacina chinesa do Doria!”, postou no dia 12 de junho do ano passado o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo.”

E o Ministro Castro Nunes cometeu mais uma indecência:as

“O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a quebra de sigilo telefônico e telemático do ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco, que atuou durante a gestão de Eduardo Pazuello — a quebra havia sido determinada pela CPI da Covid-19 no Senado. Na decisão, Nunes Marques, que foi indicado ao cargo pelo presidente Bolsonaro, afirmou que não havia “indícios” de irregularidades contra Élcio Franco na justificativa da quebra do sigilo. “Não há indícios na decisão de quebra de sigilo que sustentem relação de causalidade entre a conduta do impetrante e qualquer resultado penal ou mesmo civil — a CPI mesma não expressou esse nexo na sua decisão”, disse o ministro no despacho expedido nesta segunda-feira. O ministro também disse não haver “o menor indício de dolo dirigido à consumação de qualquer crime ou ilícito civil” por parte do ex-secretário executivo da Saúde.” [O Globo]

Ora, não cabe agora julgar se houve dolo ou não, caralho, que porra é essa?!

“Segundo Nunes Marques, “não se pode confundir a hesitação de decisores ante dúvidas e incertezas, dadas circunstâncias profundamente aleatórias e complexas criadas pela Covid-19, com crime omissivo. Vai longa distância entre as duas coisas. Quando a pandemia explodiu, no ano de 2020, nem mesmo os mais renomados infectologistas do mundo chegaram à unanimidade sobre quais as exatas medidas que deveriam ser tomadas para combater a pandemia”

Imagine o orgulho do Bolsonaro!

“O ministro observou ainda que “as opiniões e decisões políticas, em toda parte, foram expressas e tomadas com base em probabilidades, estimativas, e até mesmo na mundividência específica da classe médica de cada país. Não havia uma base de dados anterior sobre a Covid-19 à qual se pudesse recorrer para fazer predições”. A aprovação da quebra do sigilo de Elcio Franco ocorreu na última quinta-feira, quando também foram determinadas as quebras de várias integrantes e ex-integrantes do Ministério da Saúde, como do próprio Pazuello.”

E a culpa é do Fux:

“O Supremo Tribunal Federal (STF) já analisou nove dos 14 pedidos de suspensão de quebra de sigilo telemático e telefônico determinados pela CPI da Covid-19. Os mandados de segurança foram distribuídos para sete ministros da Corte. O resultado é que as decisões dos magistrados foram divergentes entre si. O ministro Ricardo Lewandowski manteve as quebras dos sigilos do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, da secretária do Trabalho e da Educação na Saúde da pasta, Mayra Isabel Pinheiro (a “capitã cloroquina”) e do médico Luciano Dias Azevedo, investigado por tentar convencer o governo de Jair Bolsonaro a mudar, por decreto, a bula da hidroxicloroquina para que ela fosse usada contra a Covid-19. O remédio não combate a doença, de acordo com respeitados estudos clínicos. Alexandre de Moraes adotou a mesma linha e manteve a quebra dos sigilos do ex-chanceler Ernesto Araújo e da coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI), Francieli Fantinato. Já o ministro Nunes Marques, indicado por Bolsonaro para o STF, impediu as quebras dos sigilos telefônicos e telemáticos de ex-auxiliares de Pazuello. Por determinação dele, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco e o oftalmologista Héliio Angotti Neto estão com os sigilos preservados. O ministro Luís Roberto Barroso também manteve os sigilos de servidores sob investigação. Outros mandados de segurança foram sorteados para Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Rosa Weber, que ainda não despacharam sobre os pedidos. O senador Renan Calheiros afirma que a CPI vai refazer os pedidos que foram negados pelo STF e aditar a fundamentação apresentada à Corte. “Vamos votá-los, um a um, novamente e fazer aditivos na fundamentação, suprindo os despachos dos ministros que indeferiram [os pedidos]”, afirma o senador. A confusão de decisões foi causada pela determinação do presidente do STF, Luiz Fux, de que todos os mandados de segurança que chegassem ao tribunal fossem sorteados entre todos os magistrados. Na visão de alguns ministros, eles deveriam ficar concentrados no gabinete de apenas um magistrado, o primeiro que fosse sorteado para analisar os casos.” [Folha]

No caso, o Lewandoswki. Bolsonaro agradece, Fux!

“A assessoria do STF dia que a decisão de Fux segue os precedentes da Corte. “Mantendo rigorosamente os seus precedentes, o Supremo Tribunal Federal tem adotado a regra da livre distribuição (sorteio entre todos os ministros, excluindo o presidente) para ações sobre a CPI, como foi feito com outras comissões no passado, sendo a prevenção medida excepcional para casos relacionados por conexão probatória ou instrumental. O Regimento Interno do STF, convém reiterar, não prevê prevenção por temas gerais (exemplos: CPI, pandemia, Copa). A primeira ação sobre a CPI da Pandemia foi sorteada ao ministro Luís Roberto Barroso, e depois já chegaram diversos pedidos que atualmente estão em sete gabinetes. Eventuais divergências de entendimento nas decisões, quando houver, podem ser dirimidas pelo Plenário da Corte em caso de recurso, para que o Supremo responda a uma só voz”, afirma nota enviada à coluna pela assessoria do Supremo.”

Vamos ao depoimento do dia, que eu nem vi:

“O ex-secretário estadual de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, afirmou hoje, em depoimento à CPI da Covid, ter procurado o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello antes do estopim do colapso sanitário em Manaus, no começo do ano —quando pessoas morreram nos hospitais sem acesso a oxigênio. Campêlo também buscou minimizar a gravidade da crise e afirmou que, na rede pública de saúde, a “intermitência de oxigênio” teria durado apenas dois dias: 14 e 15 de janeiro, o que não é verdade, conforme mostra o UOL. A declaração gerou irritação entre os senadores da comissão.” [UOL]

É impressionante como os depoentes são despreparados, Eduardo Braga já gritou isso umas 3 vezes na CPi, desmentindo Pazuello, Elcio e cia., que insistiam que o problema durou pouco dias, em todas as oportunidades o Braga disse que o pico foi no dia 30 de janeiro. E a fúria da bancada amazonense é sempre muito bem–vinda, tudo filho da puta mas indignados no tom e no momento corretos.

“ndagado pelos parlamentares sobre as mortes que ocorreram fora do período mencionado, sendo estas provocadas pela falta de oxigênio medicinal ou insumos hospitalares básicos, o depoente respondeu à CPI que “não há registro”. Na versão do ex-secretário, a oferta de oxigênio foi comprometida no estado por uma questão de mercado, isto é, a demanda acabou por superar em demasia o estoque disponível para comercialização. A empresa fornecedora, White Martins, atendia não só os hospitais e unidades da rede pública, mas também da rede privada. “Uma coisa é faltar oxigênio na rede de saúde hospitalar. Outra é o paciente que está tratando em casa porque não tem vaga no hospital, tenta comprar o cilindro de oxigênio na rua e ele não existir”, declarou Campêlo. Segundo Campêlo, Pazuello —então ministro da Saúde— foi informado, logo na primeira reunião entre os dois, que o Amazonas enfrentava dificuldades logísticas em relação à entrega de oxigênio. O encontro se deu antes do estopim da crise, em meados de janeiro, de acordo com a narrativa do depoente. “Fiz uma ligação ao ministro Pazuello no dia 7 de janeiro por telefone explicando a necessidade de apoio logístico para trazer oxigênio de Belém a Manaus, a pedido da White Martins. A partir daí, fizemos contato com o Comando Militar da Amazônia, por orientação do ministro, para fazer esse trabalho logístico”, disse Campêlo hoje. “Não houve resposta, que eu saiba”, emendou. Outros ofícios foram encaminhados ao ministério e a Pazuello nos dias 9, 11, 12 e 13 de janeiro com pedidos de apoio logístico. Dias depois, o estado sofreria com a falta de leitos para pacientes com covid-19 e o desabastecimento de insumos básicos. Pessoas morreram nos hospitais sem acesso a oxigênio. À CPI, porém, Pazuello disse que ficou sabendo dos problemas no abastecimento de oxigênio somente na noite de 10 de janeiro.”

A conta do GENERAL DA ATIVA irá para as Forças Armadas.

“Campêlo afirmou à CPI ter recebido, em 7 de janeiro, telefonema da White Martins a fim de checar quantos leitos de UTIs e clínicos seriam providenciados a partir da execução do plano de contingência estadual. Na ocasião, a empresa já demonstrava preocupação com o aumento exponencial do consumo. “Então, nós relatamos que, aproximadamente, teríamos capacidade de implantar mais 150 leitos de UTI e, aproximadamente, 250 leitos clínicos na capital de Manaus. Esse era o plano”, comentou. “Ele [representante da White Martins] anotou, pediu para que nós não ativássemos mais nenhum leito de UTI até o sinal da empresa fornecedora de que poderia ter segurança para a ampliação do fornecimento de oxigênio. E assim fizemos: demos a ordem de não ativação, de continuarmos com a ampliação dos leitos, mas ativar os leitos somente no momento em que tivéssemos a anuência da empresa com segurança.” Diante das declarações, Omar Aziz questionou então se o estado havia tomado uma decisão baseada em posicionamento de uma empresa privada —em detrimento das necessidades da rede pública de saúde naquele momento. O ex-secretário respondeu que, apesar da preocupação manifestada, o governo local continuou a abrir leitos porque a fornecedora providenciaria, em alguns dias, um lote de 52 mil metros cúbicos de oxigênio. Além disso, havia previsão de novas entregas para os dias seguintes. “Ela [White Martins] afirmou para mim e para a nossa equipe que, a partir do sábado, dia 9 [dois dias depois do telefonema], chegaria a primeira balsa de abastecimento com 52 mil metros cúbicos de oxigênio vinda de Belém e, a partir daquela data, a cada dois dias, chegariam novas balsas, novos carregamentos de oxigênio para dar segurança ao fornecimento da rede.” Sem criticar a empresa, Campêlo observou que a programação tinha o objetivo de atender toda a estrutura de saúde dependente do fornecimento, tanto na rede pública quanto na privada. Ele não destacou se houve, portanto, uma incompatibilidade entre a demanda do estado e as entregas que haviam até então sido provisionadas pela White Martins. “Nós, evidentemente, tínhamos acesso aos relatórios mensais de fornecimento e consumo, devido aos pagamentos que fazíamos, em relação à rede estadual; o restante era controlado pela White Martins. Então, quando ela falava que viria uma programação, era uma programação para atender a toda a rede de saúde privada e pública.” Para o líder do MDB no Senado, eleito pelo Amazonas, Eduardo Braga, “o que houve mesmo foi muita incompetência, muita falta de planejamento e muita falta de compromisso com a população”.”

a Capitã Cloroquina se fodeu:

Campêlo afirmou à CPI ter recebido, em 7 de janeiro, telefonema da White Martins a fim de checar quantos leitos de UTIs e clínicos seriam providenciados a partir da execução do plano de contingência estadual. Na ocasião, a empresa já demonstrava preocupação com o aumento exponencial do consumo. “Então, nós relatamos que, aproximadamente, teríamos capacidade de implantar mais 150 leitos de UTI e, aproximadamente, 250 leitos clínicos na capital de Manaus. Esse era o plano”, comentou. “Ele [representante da White Martins] anotou, pediu para que nós não ativássemos mais nenhum leito de UTI até o sinal da empresa fornecedora de que poderia ter segurança para a ampliação do fornecimento de oxigênio. E assim fizemos: demos a ordem de não ativação, de continuarmos com a ampliação dos leitos, mas ativar os leitos somente no momento em que tivéssemos a anuência da empresa com segurança.” Diante das declarações, Omar Aziz questionou então se o estado havia tomado uma decisão baseada em posicionamento de uma empresa privada —em detrimento das necessidades da rede pública de saúde naquele momento. O ex-secretário respondeu que, apesar da preocupação manifestada, o governo local continuou a abrir leitos porque a fornecedora providenciaria, em alguns dias, um lote de 52 mil metros cúbicos de oxigênio. Além disso, havia previsão de novas entregas para os dias seguintes. “Ela [White Martins] afirmou para mim e para a nossa equipe que, a partir do sábado, dia 9 [dois dias depois do telefonema], chegaria a primeira balsa de abastecimento com 52 mil metros cúbicos de oxigênio vinda de Belém e, a partir daquela data, a cada dois dias, chegariam novas balsas, novos carregamentos de oxigênio para dar segurança ao fornecimento da rede.” Sem criticar a empresa, Campêlo observou que a programação tinha o objetivo de atender toda a estrutura de saúde dependente do fornecimento, tanto na rede pública quanto na privada. Ele não destacou se houve, portanto, uma incompatibilidade entre a demanda do estado e as entregas que haviam até então sido provisionadas pela White Martins. “Nós, evidentemente, tínhamos acesso aos relatórios mensais de fornecimento e consumo, devido aos pagamentos que fazíamos, em relação à rede estadual; o restante era controlado pela White Martins. Então, quando ela falava que viria uma programação, era uma programação para atender a toda a rede de saúde privada e pública.” Para o líder do MDB no Senado, eleito pelo Amazonas, Eduardo Braga, “o que houve mesmo foi muita incompetência, muita falta de planejamento e muita falta de compromisso com a população”.

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5. Covid-17

Quem anuncia chegada de vacina no Brasil é govenador, que fase do Bolsonaro…

“O Ceará deve receber no início de julho as primeiras doses da vacina contra Covid-19 Sputnik V, segundo anunciou o governador Camilo Santana nesta terça-feira (15). O Estado deve receber 183 mil doses inicialmente. Até o fim de junho, o Fundo Soberano Russo, responsável pelo imunizante, deve entregar o cronograma de distribuição das doses, ainda segundo o governador. Camilo e outros governadores do Nordeste se reuniram com membros do Fundo nesta manhã. O imunizante russo foi aprovado com condicionantes pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 5 de junho. Houve limitação do número de doses a 1% da população de cada estado e a aplicação será destinada somente a um “público adulto e saudável.” Pelas regras estipuladas, o Ceará poderá concluir a compra direta só de 183 mil doses, considerando as duas aplicações. Os pedidos de importação foram apresentados por estados. E não poderão receber o imunizante gestantes, lactantes, menores de 18 anos, mulheres em idade fértil que desejem engravidar nos próximos 12 meses, além de pessoas com enfermidades graves ou não controladas e antecedentes de anafilaxia. Em março, o governo estadual assinou contrato para compra direta do imunizante. A previsão era adquirir 5,87 milhões de doses da vacina.” [Di´áro do Nordeste]

Parabpens aos governadores do Nordeste.

Passo ao Helio Scgwartsmann:

“Se há uma instituição que sai apequenada da crise sanitária, é o Conselho Federal de Medicina (CFM). Quando praticamente todos os órgãos reguladores e sociedades científicas relevantes do planeta já se manifestaram contra a prescrição de cloroquina para pacientes de Covid-19, o conselho segue falando em autonomia do médico e na legitimidade do uso “off-label”. Também sou um entusiasta do “off-label”, que é uma fonte de inovação na medicina. Foi através dele, por exemplo, que um anestésico velho, a cetamina, está sendo reciclado como antidepressivo. Mas não é porque o médico tem autonomia que ele deve prescrever o que a ciência já mostrou que não funciona, especialmente quando há precedentes de veto do CFM a outras drogas e tratamentos. Além da questão da cloroquina, há uma indisfarçável simpatia de conselheiros da atual gestão pelo governo Bolsonaro, que se materializa em pareceres, artigos na imprensa e até na presença de membros do colegiado numa reunião do chamado gabinete paralelo. O problema, porém, é mais profundo do que uma aliança circunstancial entre conselheiros e governantes. Tem a ver com o próprio desenho do órgão, que é ao mesmo tempo entidade que zela por interesses de classe e autarquia com poderes normativos. A primeira condição lhe dá legitimidade para defender pautas corporativas —foi, aliás, uma delas, a rejeição ao Mais Médicos, que aproximou muitos profissionais de saúde do bolsonarismo. A segunda exigiria que tivesse em vista apenas o interesse público e operasse exclusivamente com base em critérios científicos. Juntar ciência e CFM na mesma frase sempre foi arriscado. Basta ver que o conselho reconhece a homeopatia como especialidade médica, embora seu estatuto epistemológico seja, numa hipótese generosa, controverso. O médico em busca de respaldo científico faz melhor se ignorar o CFM e ouvir as sociedades de especialistas.” [Folha]

E o governo federal nada!

“Segundo a Anvisa, após o uso dessas vacinas, serão analisados os dados de monitoramento do uso do imunizante e, assim, avaliados os demais quantitativos a serem importados. Além do Ceará, pedidos de importação da Sputnik V também foram realizados pelo Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Tocantins, além dos municípios de Maricá e Niterói. Em abril, a Anvisa negou o pedido de importação da Sputnik V, devido à presença de adenovírus replicante (vírus capaz de se reproduzir) na composição da vacina. Após avaliar o relatório apresentado pelo Ministério da Saúde da Federação Russa, a agência concluiu que as normas que determinam a quantidade do adenovírus estão em concordância com as recomendações da agência federal do departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Segundo a Anvisa, o quantitativo de doses foi estabelecido para permitir o controle e observação dos lotes e poderá ser reavaliado para futuras aquisições.”

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6. Crise hídrica

A chance de dar certo é nenhuma, governo já disse que quer atropelar todo mundo pra decidir unilateralmente um tema dessa delicadeza, imagine a merda…

“A crise nos reservatórios que o País enfrenta pode causar a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná a partir de julho. A medida foi listada como “necessária” pelo presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara nesta terça-feira, 15. Foram apresentados dois cenários: a paralisação da via ou a redução do calado dos navios que navegam na hidrovia, o que reduz a capacidade de transporte. “Estamos discutindo essa ação a nível federal através do Ministério da Infraestrutura, e com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Também já falamos com o governo de São Paulo para que a gente possa fazer isso de forma controlada e planejada”, disse. Segundo dados do ONS, a redução do calado dos navios resultaria em um ganho de 0,5% de energia armazenada. Já a paralisação total da hidrovia geraria um ganho de 1,6%. A hidrovia é um dos principais corredores fluviais do País, importante para o transporte de grãos, madeira, areia e cana. Outras medidas necessárias apontadas pelo ONS são as restrições da vazão das usinas hidrelétricas de Jupiá e Porto Primavera, autorizadas pelo Ministério de Minas e Energia recentemente, e a flexibilização da operação dos reservatórios do Rio São Francisco. De acordo com Ciocchi, essas ações permitem acionar mais usinas termoelétricas e estocar água para ser usada em outubro e novembro. “Se não adotamos essas ações chegaremos em 2022 em uma condição muito frágil para atender a necessidade de energia daquele ano”, disse aos deputados.” [Estadão]

E isso inda vai dar uma brutal pressionada na inflação, economicamente se forma a tempestade perfeita: desemprego, inflação, governo eprdido…

“O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, disse nesta terça-feira (15) que a bandeira vermelha, a mais cara cobrada sobre a conta de luz, deverá subir mais de 20%. Em meio ao baixo nível dos reservatórios de água, usinas térmicas são acionadas e isso já afeta o consumidor por meio da bandeira tarifária cobrada sobre a conta de luz. Em junho, está vigente a bandeira vermelha nível 2, a mais cara, que cobra R$ 6,24 para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. A agência discutia elevar essa cobrança para R$ 7,57 a cada 100 kWh. “Mas, com certeza, deve superar isso”, declarou Pepitone em audiência pública na comissão de Minas e Energia da Câmara para discutir a crise hídrica. Ele informou ainda que a decisão deverá ser comunicada em junho. Pepitone ressaltou que o aumento se deve ao pagamento do uso das usinas térmicas, cuja geração de energia é mais cara.” [Folha]

Primeiro Bolsonaro vai tentar barrar e posar de derrotado, depois vai sugerir que os preços da energia não façam parte do cálculo da inflação.

E pra acabar de foder com a porra toda os caras querem privatizar a Eletrobras!

“Com indefinições quanto ao posicionamento sobre a Medida Provisória (MP) 1.031/2021, que trata da desestatização da Eletrobras, os senadores irão apreciar a polêmica matéria em sessão deliberativa remota nesta quarta-feira (16), às 16h. Após aprovação na Câmara, a MP 1.031/2021 foi assunto de debates no Senado. O primeiro foi realizado na Comissão de Direitos Humanos (CDH), no dia 31 de maio. Em audiência pública, senadores e especialistas sinalizaram temer, com a privatização da Eletrobras, a perda da soberania no setor elétrico, o aumento considerável da tarifa de luz e a abertura de mais espaço para as térmicas, em detrimento de fontes renováveis. A Eletrobras é responsável por pelo menos 30% da energia do país e gerou R$ 30 bilhões de lucros nos últimos três anos.” [Senado]

O relator é o Marcos |Rogério!

“Relator do projeto, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou na sessão que levará em conta as opiniões apresentadas por especialistas e demais senadores para apresentar seu encaminhamento à matéria. Nesta terça-feira (15), os debates continuam, desta vez na Comissão de Meio Ambiente (CMA), às 10h. Autores do requerimento para a audiência (REQ 13/2021), os senadores Jean Paul Prates (PT-RN) e Paulo Rocha (PT-PA) defendem que “vozes discordantes à privatização possam se pronunciar”. Alguns senadores criticam a deliberação da matéria em plena época de escassez de recursos hídricos, assim como o uso de uma medida provisória como instrumento para a privatização da empresa, que no dia 11 de junho completou 59 anos. A MP precisa ter o texto final apreciado até 22 de junho para não perder validade. Pelo processo de privatização, o governo federal deverá emitir novas ações da empresa, com oferta a investidores privados, o que reduzirá sua participação no capital da empresa. Atualmente o governo tem 51,82% das ações ordinárias. A estimativa é de que reduza esse percentual a 45%, mas com direito a golden share, ou seja, direito de veto em decisões consideradas mais sensíveis. A MP também recebe críticas com relação à inclusão de “jabutis” (dispositivos sem relação com o texto original), que podem encarecer a conta de luz para o consumidor residencial e principalmente para grandes consumidores, como o setor industrial. A preocupação seria com a reserva de mercado para térmicas e pequenas centrais hidrelétricas.”

O Brasil não tem a menor chance de dar certo. E quem fala em privatizar tudo é tão maluco quanto quem fala em estatizar tudo.

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7. 2022

Vamos às movimentações do tabuleiro:

“O almoço que Eduardo Paes ofereceu a Lula e sua comitiva na última sexta-feira (11) no Palácio da Cidade, sede da prefeitura do Rio, teve piadas, troca de gentilezas e um mea culpa: Pedro Paulo, Secretário de Fazenda e Planejamento da Prefeitura e deputado federal (DEM-RJ), disse que foi um erro ter votado pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016. À mesa, diante de Lula e sua comitiva, Pedro Paulo afirmou que o governo de Jair Bolsonaro fez com que ele se arrependesse de ter sido a favor do impedimento da presidente petista. Pedro Paulo afirmou que, na época, Paes pediu que votasse contra, mas que ele não teve alternativa, porque “era muita pressão”, sem dar mais detalhes. Além do secretário de Fazenda, receberam Lula na prefeitura os secretários da Educação, Renan Ferreirinha, de governo e integridade pública, Marcelo Calero, da assistência social, Laura Carneiro, e Felipe Santa Cruz, pré-candidato ao governo pelo PSD. O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, que se ofereceu para colaborar com o programa de governo e articulações políticas da campanha, também participou do almoço. Lula foi acompanhado de Gleisi Hoffman, presidente nacional do PT, do do presidente estadual do PT, Washington Quá Qua, do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, André Ceciliano, do vereador Lindbergh Farias e do prefeito de Maricá, Fabiano Horta, todos petistas. Durante a sessão de fotos, Paes e Lula posaram fazendo sinal de coração para Horta – referência ao episódio em que os grampos feitos pela Lava Jato captaram Paes dizendo a Lula que ele tinha alma de pobre por ir a Maricá, que era “uma merda” de lugar. Pelo clima entre eles, parecia que o episódio foi superado. Ao final da refeição, que teve filé, salada, vinhos tinto e branco e sobremesa de chocolate, Lula ainda provocou Santa Cruz. Brincou que, embora Paes garanta que que não vai disputar o governo do estado em 2022, “prefeito que recebe prefeito” é porque quer ser candidato. Mas, apesar do ambiente cordial, um gesto do prefeito do Rio chamou a atenção dos petistas: só Lula postou fotos do almoço em suas redes. Nem Paes nem nenhum dos secretários fez qualquer menção pública ao encontro. Entenderam o gesto como “pragmático”, como forma de não irritar nem o governador Cláudio Castro (PSC) e nem o presidente Jair Bolsonaro, com quem tem atuado em conjunto em questões locais.” [O Globo]

E não faça isso, Lula!

“O ex-presidente Lula avalia se vai mudar a postura que teve no ato de 29 de maio contra Bolsonaro, em que se manteve em silêncio e não participou de mobilizações de rua. O petista disse a interlocutores que ainda está pensando se participará de alguma manifestação neste sábado ou se vai se pronunciar nas redes sociais. Dentro do PT, há lideranças que defendem a participação de Lula nos protestos e outras que veem sua presença ou apoio aos atos como um tiro no pé. Esta ala acredita que qualquer envolvimento do ex-presidente pode macular seu discurso crítico à atuação de Bolsonaro na condução da pandemia.” [Folha]

O tiro no pé não seria por esse motivo, não é inteligente colocar lideranças políticas de esquerda nas manifestações, não agora. Tudo o que Bolsonaro quer é Lula no ato.

“Quem apoia a presença de Lula tem destacado que o rosto do petista estava estampado em grande parte das manifestações realizadas em maio, mesmo sem ele estimular ou comparecer aos atos. Na ocasião, o ex-presidente disse a aliados que considerou o movimento positivo por mostrar que há capacidade de mobilização da esquerda. O PT já vem convocando as pessoas a irem às ruas no próximo sábado. No seu site, o partido diz que os atos acontecerão em capitais do país e que cobrarão vacinas, auxílio emergencial de R$ 600 e o impeachment de Bolsonaro.”

E se alguém acha que Lula tá errado em conversar com Maia não entendeu porra nenhuma.

“O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia se ofereceu para colaborar com o programa de governo e nas articulações da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República em 2022. Os dois tiveram uma conversa fechada no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (11), da qual também participaram o prefeito, Eduardo Paes (PSD), e a presidente do PT Gleisi Hoffman. Maia foi expulso ontem do DEM após desentendimentos públicos com o presidente do partido, ACM Neto. Ele deve se filiar ao PSD que já abrigou Paes. Por ter sido expulso, o deputado federal não perde o mandato. Na conversa de 20 minutos com Lula, Maia disse que poderia ajudar a fazer a interlocução de sua campanha com políticos e setores da sociedade que hoje rejeitam o PT, em razão do histórico de escândalos e problemas econômicos dos últimos anos de governo do partido. Também se ofereceu para organizar debates e discutir soluções para a crise provocada pela pandemia da Covid-19. Aliados dizem que o ex-presidente considera o apoio estratégico para trazer o apoio de eleitores de centro, e vai trabalhar para incorporar Maia ao time. Especula-se, no entorno de Lula, que Maia deseje uma vaga de vice na chapa petista. Por enquanto, porém, não há discussões a respeito, uma vez que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, defende publicamente a candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para o Palácio do Planalto. Lula, por sua vez, procura um empresário para compor a chapa. Seu preferido é Josué Alencar, dono da Coteminas e filho do ex-vice de Lula, José Alencar, morto em 2011. Depois da conversa a portas fechadas, Maia se juntou a secretários de Paes para participar do almoço que o prefeito do Rio ofereceu a Lula e sua comitiva. Não houve registro fotográfico e nem declarações públicas dos dois a respeito do encontro. Procurado, Maia também não comentou a conversa com Lula.” [O Globo]

Maia tudo bem. Santos Cruz ou Jungmann nem fodendo pois são cúmplices dos malditos milicos!
E Kalil tá pra jogo, hein:

Muita gente disse que ele sairia conadat ao governo de MG, mas olha o que ele disse em entrevista ao O Globo:

“Eu estou no tabuleiro. Eu estou no jogo. Eu não vou me tirar do jogo. Mas, a princípio, não (cogito).” [O Globo]

Vamos para SOP:

“Uma parte das lideranças do PT de São Paulo já sondou o PSOL sobre um novo desenho para que os dois partidos firmem aliança em 2022: Guilherme Boulos desiste da candidatura ao governo de São Paulo no próximo ano, apoia Fernando Haddad, sai candidato a deputado federal e recebe o apoio dos petistas para se candidatar a prefeito dois anos depois, em 2024. Além disso, o PSOL indicaria o vice e também o candidato ao Senado na chapa petista de Haddad. As vantagens do acordo: Boulos poderia se consagrar como um dos parlamentares mais bem votados nas próximas eleições. E seria o nome da esquerda para disputar a prefeitura. O PT não tem hoje candidato competitivo para as eleições municipais de 2024 —a aliança com Boulos resolveria o problema. E quais as dificuldades? Convencer o PSOL e Boulos de que o PT honraria um acordo feito com tanto tempo de antecedência. Por enquanto, isso não aconteceu. Os petistas acreditam que, se Lula for o fiador do compromisso, os psolistas poderão ser convencidos da ideia. Já setores do PSOL dizem que a aliança poderia ser feita agora —mas com o PT apoiando Boulos ao governo.” [Folha]

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8. Allan

História esquisita:

“Relatório da Polícia Federal que consta no inquérito dos atos antidemocráticos sobre diálogos extraídos do celular do blogueiro Allan dos Santos mostra não só a influência e acesso do dono do site Terça Livre ao ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, mas a outros aliados do presidente Jair Bolsonaro. A PF encontrou mensagens em que uma mulher que se apresenta como Carolina Gaia e Silva afirma ao dono ao site Terça Livre ser Assessora Especial do Gabinete da Secretaria de Governo do então ministro Santos Cruz e relata que ela seria a autora de vazamento dos prints que culminaram em crise entre o general e o chefe do Executivo. Ana Carolina é atual chefe de gabinete do ministro Luiz Eduardo Ramos. Foi com a saída do general que Ramos chegou ao Palácio do Planalto – primeiro como secretário de governo, no lugar de Santos Cruz, e agora como chefe da Casa Civil. Quem conhece Ana Carolina diz que ela teve uma trajetória ascendente com Ramos.” [Folha]

Esse é um detalhe importante.

“As mensagens de WhatsApp que levaram à demissão do general da Secretaria de Governo de Bolsonaro mostravam um diálogo crítico aos filhos de Bolsonaro e a um ‘Fábio’. À época, o general chegou a afirmar que as mensagens eram falsas e que teriam ocorrido em um horário em que ele estava em voo, e não poderia, portanto, usar o aplicativo WhatsApp. Em janeiro de 2020, a PF concluiu que as mensagens eram falsas. Nas mensagens encontradas no celular de Allan dos Santos, a moça que se identifica como Carolina pede para que blogueiro não ‘estranhe’ o número usado para contatá-lo. “Foi uma mandeira segura que eu encontrei de ter essa conversa sem a vigilância da ABIN”, disse. Após relatar sobre a suposta autoria dos prints, Carolina disse que passou as imagens diretamente ao ‘Fábio da Secom’, que ‘levou ao conhecimento’ do presidente. Segundo ela, Bolsonaro ‘infelizmente não teve a coragem de fazer o certo’ e exonerar Santos Cruz. A mulher segue relatando que ela havia obtido as imagens a partir do celular do coronel Varêda, chefe de gabinete de Santos Cruz, ‘em um momento de distração dele’. “O que eu fiz, fiz pelo meu país. Não concordo com as ações que vêm sendo tomadas pelo ministro e por alguns militares do governo, de clara sabotagem e traição. Eu te procurei porque tenho certeza que você terá coragem de publicar a história correta e resgatar a verdade sobre isso. Procure o Fábio da Secom, ele sabe da história, pode falar sobre mim (só com ele)”, registra uma das mensagens apreendidas pela PF. As mensagens de Carolina foram encaminhadas por Allan dos Santos ao filho 02 do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ele respondeu ao compartilhamento do conteúdo com um emoji. Outas mensagens apreendidas no celular do blogueiro bolsonarista também faziam menções a Santos Cruz. Em 6 de maio de 2019, Allan escreveu para Wajngarten: “Fábio, não dá mais. Santos Cruz é um fdp. Coloca o Carlos no lugar dele”.”

O print é bem estranho, com uma fonte esquisita, e a mulher teria dado nome completo, cpf, endereço e número do telefone pessoal, ao qual Allan nunca deveria ligar. No começo eu me emocionei, havia acabado de acordar, mas a história é deveras esquisita:

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Satã, supermíssil nuclear russo, e poder de fogo da China desafiam a OTAN
“Vladimir Putin não só manteve os programas de defesa, mas renovou as Forças Armadas, oferecendo no mercado equipamentos de primeira linha, tanques, artilharia e uma família de mísseis de hipervelocidade. A coisa mais impressionante do ponto de vista estratégico é o Satan II, que tem alcance de 18 mil km e mede 35 metros de comprimento. Ele é capaz de destruir sozinho um país do tamanho da França porque leva na ogiva até 12 cargas nucleares independentes que podem ser lançadas em 12 lugares enquanto voa. Já a China tem um comportamento novo. Rússia e EUA têm um efetivo equivalente de mais ou menos 1,3 a 1,5 milhão de combatentes cada. No caso da China, ela já começa com 2,5 milhões. Além disso, Pequim desenvolve um programa antigo, que começou com Deng Xiaoping, sucessor de Mao, que não só reformou a economia como transformou o país em potência militar. E as metas vêm sendo cumpridas desde então. O orçamento militar da China cresce 30% um ano após o outro.”

Dias 893, 894 e 895 | “Talvez eu tenha sido o único chefe de estado que procurou um remédio para esse mal” | 12, 13 e 14/06/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de assinatura mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Malditos

Já começamos o dia mal, muito mal. Vamos de Santos Cruz, o mais cretino dos generais pois tenta afetar alguma indignação, alguma honradez – e milico não sabe nem o que é honra! O general que ajudou a eleger Bolsonaro e foi seu ministro escreveu uma coluna espantosa no Estadão:

“A resposta é simples: o sonho chavista de poder do presidente que tenta usar o Exército em seu projeto pessoal. O Brasil não é a terra do ídolo inspirador do presidente e não vai se transformar em algo similar. Aqui, “EB” quer dizer Exército Brasileiro e não “Exército Bolsonarista”.” [Estadão]

Come On Reaction GIF by NBA

Bolsonaro e esse exército aí louvam torturadores, celebram golpe e são tão vis quanto boçais, pra mim é a mesma merda. E é cuiroso como ele quer se distanciar do presidente que foi uma construção verde-oliva!

“O Exército enfrenta o mesmo problema das outras instituições brasileiras: o risco de erosão. Infelizmente, a mentalidade anarquista do presidente age para destruir e desmoralizar as instituições, e banalizar o desrespeito pessoal, funcional e institucional. Junto com seguidores  extremistas, alimenta um fanatismo que certamente terminará em violência”

Vai ver Santos Cruz tava em marte e foi jogado em 2018 na frente duma urna eletrônica, e desavindamente digitou 1, 7 e apertou o botão verde, coitado!

“Para aventuras políticas pessoais, instituições sólidas e funcionais são sempre um imenso obstáculo. Projetos populistas e totalitários, não importa seu matiz ideológico, não avançam sem subverter a ordem, sem corromper as instituições. E uma das instituições mais sólidas é o Exército (assim como a Marinha e a Força Aérea). Ao invés de recuperação e aperfeiçoamento das instituições, assistimos ao agravamento da situação existente e a erosão da Saúde, Justiça, Meio Ambiente e Educação.”

Quem poderia imaginar, né, seu arrombado do caralho?

“O presidente tenta também desmoralizar o sistema eleitoral, mas não apresenta as provas de fraude que diz possuir. Semeia dúvidas sobre o Tribunal de Contas da União, valendo-se de relatório e dados falsos. No orçamento da União, apresenta uma nova forma de “mensalão” – o chamado orçamento secreto.”

Orçamento secreto tocado pelos generais Ramos e Braga Neto, nem fodendo a culpa é do capitão, que não vai ser boi de piranha de general nenhum. Ou não deveria, né, estamos no Brasil.

Nas Relações Exteriores, graças ao Senado, escapamos do vexame da quase nomeação de um embaixador esdrúxulo junto aos EUA, e agora temos à frente a investida demagógica de uma nomeação para a África do Sul. Oxalá o Senado poupe o Brasil de mais essa. Esse é o contexto em que se desenvolve mais uma tentativa de erosão de uma das instituições de maior prestígio do Brasil – o Exército Brasileiro.

Sim, e os generais lúcidos salvarão o Brasil, né, general?! E é inacreditável que nos pós-ditadura o Exército tenha permanecido acomo a instituição mais confiável, e ainda assim os imbecis colocam tudo a perder. E para os civis isso deveria ser uma baita oportunidade.

“O caso do general no palanque, em mais um evento populista promovido pela autoridade maior, é da alçada do comandante da Força, que decidiu dentro das suas atribuições . Problemas disciplinares são resolvidos diariamente por todos os comandantes, nos diversos níveis. Não é esse o problema.”

Aham, GENERAL DA ATIVA em palanque político não é problema, tá ok?! assim como Santos Cruz não via problemas em Bolsonaro fazendo campanha em quartel desde 2014 e até hoje louva o tuíte do Villas Bôas ameaçando golpe em 2018!

O problema é muito maior e mais grave. É político. E tem um responsável – o presidente.”

O presidente cujo Exército deu all-in?! Que chato… E olha o que ele dizia do Haddad em 2018:

” Para realizar seu projeto pessoal, ele vem testando o Exército frequentemente. Isso é deliberado. É projeto de poder. Não acontece só por despreparo, irresponsabilidade e inconsequência. Isso é processo planejado, que vem sendo adotado e tentado de forma sistemática. É também um processo covarde, pois as consequências são sempre creditadas a outras pessoas e instituições. Ocorre que a responsabilidade pessoal e funcional está muito bem definida e o responsável maior deve arcar com as consequências.”

Sim, a culpa é do capitão, absolvam os generais, afinal, são a reserva moral da nação!

“É covardia transferir essa conta ao Exército.”

podefalarissonao

Então por que diabos o general vice-presidente da república disse que a conta iria para as Forças Armadas?! Os generais têm que combinar o discurso:

“É covardia transferir essa conta ao Exército. E é totalmente inaceitável a tentativa permanente de arrastar o Exército para o erro histórico de assumir um protagonismo político em apoio a uma aventura pessoal perseguida de forma paranoica. O Exército não é e não pode ser uma ferramenta de uso pessoal, partidário ou de intimidação política. A missão do Exército não é auxiliar uns e outros em disputas eleitorais e em jogo de poder, dividindo os brasileiros. O Exército tem uma missão constitucional definida.”

Sabe o teto duplex dos generais? Poiis bem…

“O Brasil precisa de paz, de união nacional, de governo que trabalhe e promova o desenvolvimento socioeconômico com boa administração. O Brasil precisa de políticas públicas sensatas, de combate à corrupção, eliminação de privilégios e redução da desigualdade. “

Filho Da Puta Vovó GIF - FilhoDaPuta Vovó GIFs

“O País não pode ficar entre dois polos que se alimentam e se comportam como cabos eleitorais um do outro. O Brasil não merece mais erosão em suas instituições. Ao contrário, nossas instituições precisam de melhorias e aperfeiçoamentos. A democracia depende do aperfeiçoamento institucional constante. O Exército Brasileiro, assim como as outras instituições que compõem a Nação, não pode continuar a ser covardemente prejudicado por causa de um projeto de poder pessoal e populista.”

Um projeto pessoal é o caralho, um projeto verde-oliva.

Passo ao Marcelo Pimentel, coronel da reserva, daqueles que eu chamo de miliar e não de milico:

“Dos 17 generais que formam o Alto Comando do Exército, 15 exercem cargos de primeira ordem. Há militares tanto na administração direta, que é a Esplanada dos Ministérios, quanto nas empresas estatais, autarquias, órgãos de fiscalização. As pessoas não enxergam porque esse grupo chegou ao poder sem uma ruptura institucional, mas eles ocupam cabeça, tronco, membros, entranhas e alma desse governo.” De volta ao comando do país, diz Pimentel, esses militares agora estão se preparando para se manter no poder, “com ou sem Bolsonaro”.” [BBC]

Isso é muito louco, quase todo o alto comando do governo Temer tá no comando do país, não á toa o Marcelo sempre fala em Partido Militar

“”Em 2015, eu fui a uma formatura na Aman, e Bolsonaro era simplesmente o maior astro. Como um camarada que tinha saído do Exército pela porta dos fundos tinha sido de repente convertido em mito?”

A resposta fácil aqui é que bolsonaristas e boa parte dos militares pensam igualzinho. Mas o que o Marcelo aponta é que a candidatura Bolsonaro foi gestada no Exército.

“Essa candidatura foi muito bem pensada, planejada, e foi usada muita história de cobertura para disfarçar o envolvimento desse grupo, como aquela novela (da escolha) do vice. Falaram no Magno Malta, no príncipe (Luiz Phelippe de Orleans e Bragança), na Janaína Paschoal, mas a única dúvida era se seria o (general Augusto) Heleno ou o (general Hamilton) Mourão. A idade avançada de Heleno acabou sendo decisiva, e Mourão foi o escolhido, completa o coronel.

Essa era uma das discordâncias que eu tinha com o Marcelo, mas agora acho que foi isso mesmo que aconteceu.

“O coronel diz que o mesmo grupo agora está se preparando para continuar no poder. “Repito: com ou sem o atual presidente da República”, pontua. “Talvez o Mourão passe para o segundo turno. Talvez seja o Santos Cruz”, especula Pimentel. “Mas o Partido Militar vai estar no segundo turno no ano que vem””

Eu sou daqueles que acha que Mourão não tem chance nenhuma, muito menos Santos Cruz. A menos que matem o Lula ou Bolsonaro. Se muito Santos Cruz será vice, mas mesmo que eles percam a disputa presidencial, eles vão expandir o número de militares nos governo estaduais e em cargos legislativos.

E enquanto Pazuello sai ileso do ato político com o presidente…

“O próprio coronel foi punido por ter protestado em uma rede social contra a “bolsonarização” do Exército e o fato do governo federal tratar 1964 como uma revolução e não um golpe. Tudo isso aconteceu quando ele já estava na reserva, em 2019, e a lei garante o direito a manifestações políticas a estes militares. Por isso, Pimentel diz que suas punições foram ilegais. “Isso me abalou muito”, diz. “Sofri uma tentativa de intimidação, uma censura. Mas, se eu fui punido por uma manifestação que pouca gente viu, o que dizer de um general da ativa em uma manifestação claramente política? Isso só torna a minha punição ainda mais injusta. A minha geração está politizada, eu já perdi a esperança que ela vá romper com esse processo. Quero que as próximas gerações vejam que não é esse o caminho e que a gente tem que ocupar o lugar que a Constituição nos reservou.”

Sim, criticar bolsonarismo não pode, aí o Exército é por demais disciplinado, mas quando é o presidente que convida o GENERAL DA ATIVA pra um palanque político tá tudo suave na nave.

E é impressionante como o Exército atropela a Marinha e a Aeronáutica:

“O governo Jair Bolsonaro alterou a composição do Ministério da Defesa, dando mais protagonismo ao Exército na cúpula do órgão, em detrimento da Marinha e da Aeronáutica. Pela primeira vez na história há um desequilíbrio no topo da estrutura tríplice da pasta, que na semana passada completou 22 anos. Nos principais cargos não há mais nenhum almirante ou brigadeiro. Em jogo está a influência sobre o destino de verbas para o setor militar, que neste ano somaram R$ 103 bilhões, conforme dados atuais do Painel do Orçamento Federal. Com a atual composição, oficiais do Exército passaram a exercer o poder de influenciar também revisões no andamento dos projetos estratégicos das três Forças. Criada em 1999 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, numa fusão dos antigos ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, a Defesa ficou, a princípio, sob a chefia de um ministro civil. Um acordo tácito entre militares e autoridades do governo garantiu o poder não-militar na área e evitou o predomínio de uma força sobre as demais.” [Estadão]

Sim, a porra dum acordo tácito, o Brasil tem mais é que se foder nessa vida mesmo, não tem a menor chance do país dar certo, deveria ser proibido na constituição miliar no comando dum ministério CIVIL como o da Defesa.

Essa tradição começou a ser quebrada há três anos, quando o presidente Michel Temer nomeou o general Joaquim Silva e Luna ao posto de ministro, e agora, no mandato de Bolsonaro, com a decisão de retirar representantes das forças Naval e Aérea dos postos de destaque do segundo escalão.

Sim, começou com Temer, algo que ainda precisa ser explanado por aí é o quanto os militares ganharam espaço no governo Temer e mexeram suas pauzinhos para evitar a reeleição do presidente – sim, ele poderia tentar a reeleição, mesmo tendo sido vice da Dilma, o que poderia imepedir sua candidatura era a Lei da Ficha Limpa, mas nada que não pudesse ser superado. Ligue os pontos:

– Aquela gravação do Joesley impediu que Temer aprovasse duas reformas em dois anos, o que seria algo impensável no Brasil. Sabe quem era responsável pela segurança do Palácio, onde foi feita a gravação do Joesley? O GSI, no mínimo houve uma brutal negligência, mas conhecendo os generais aposto que eles se esforçaram pra que isso acontecesse e eles, dentro do palácio, pudessem livrar os malditos milicos da reforma. E pra isso Temer não poderia ser reeleito.

– O segundo ponto é a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018. Já escrevi aqui sobre a importância dos generais gaúchos pra essa distopia, em especial Villas-Bõas e Etchegoyen. E Heleno é do Paraná, o que dá quase no mesmo. Pois bem, as maiores empresas de transporte do Brasil são do Rio Grande do Sul. Lembra do Bolsonaro apoiando a greve?! Pois é. Foi outro golpe brutal nas pretensões do Temer.

– Por fim, a GLO do Rio, que transformou a segurança pública na bandeira do generalato e do capitão. E por conta disso, é bom lembrar, os milicos sabem muitas coisas sobre as milícias cariocas e alguns segredos da famiglia Bolsonaro.

Temer disse que conversou com os generais sobre o impeachment da Dilma e ganhou sinal verde e os milicos quebraram as pernas do Temer em 2018, fazendo a cama pra 2019. E Bolsonaro faz campanha aberta nos quart[eis pelo menos desde 2014, justamente o ano em que o Rego Barros começa sua estratégia de comunicação do Exército, louvada pelo Villas Bôas em seu livro.

Mas voltemos à matéria:

“O atual titular da Defesa, Walter Braga Netto, ele próprio general de Exército da reserva, decidiu que os ocupantes dos dois principais cargos subordinados a ele agora vestem a farda verde-oliva.”

Tem alguma lógia nisso? Três forças e os três principais cargos da defesa são de uma só força! Justamente a que tomou o Palácio de assalto.

“As Forças faziam um revezamento nos cargos de segundo escalão – uma tradição que ainda vale para outros postos, como a chefia da Escola Superior de Guerra (ESG), atualmente a cargo da Aeronáutica. Nos bastidores da pasta, a decisão de Braga Netto provocou insatisfações entre oficiais superiores da Marinha e da Aeronáutica. As duas Forças têm apenas integrantes em cargos de terceiro escalão e assessorias ao ministro. Braga Netto quebrou o equilíbrio fino entre as três Forças Armadas no ministério ao assumir o cargo em 31 de março. Ele entrou como homem de confiança do presidente para intervir na crise política que resultou na inédita demissão de toda a antiga cúpula militar. O pivô da insatisfação de Bolsonaro teria sido justamente o antigo Comando do Exército, sua força de origem, de quem cobrava demonstrações de apoio. “Nunca aconteceu isso antes. É evidente que gera desconforto na correta relação de equilíbrio entre as Forças”, afirma o ex-ministro da Defesa e ex-deputado Aldo Rebelo. “A preocupação sempre existiu para evitar que uma Força prevalecesse sobre as outras nas demandas por recursos para custeio e para projetos estratégicos.” A Defesa passou por algumas alterações para impor o controle civil sobre militares e moderar disputas, ao longo da história recente. Entre elas, a criação no governo Luiz Inácio Lula da Silva do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, em 2010, quando se instituiu também documentos como a Política de Defesa Nacional, a Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco de Defesa Nacional. Até a gestão do ex-ministro Fernando Azevedo e Silva, general de Exército da reserva, nunca uma só Força dominou todos os três cargos como agora.”

Nunca antes na história desse país, companheiro!

“Ao Estadão, um almirante da ativa familiarizado com os bastidores da Defesa disse, sob anonimato para não violar o Estatuto Militar, que a falta de representação é sim motivo de queixas e foi a principal mudança promovida por Braga Netto. Ele argumenta que o domínio do Exército não é saudável e rompeu com uma tradição de revezamento nos cargos e com a busca por paridade. No fim do governo Temer, quando o ministro era o atual presidente da Petrobrás, general de Exército da reserva Joaquim Silva e Luna, os cargos também eram repartidos: o chefe do Estado-Maior era o almirante de Esquadra Ademir Sobrinho, enquanto o secretário-geral era o tenente brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral Oliveira. Último ministro civil, Raul Jungmann manteve como secretário-geral o próprio Silva e Luna, e Sobrinho como Estado-Maior Conjunto. Antes dele, os ex-ministros do governo Dilma Rousseff Aldo Rebelo e Jaques Wagner só alteraram o secretário-geral. O general de Exército José Carlos de Nardi permaneceu durante todo o período como chefe do Estado-Maior Conjunto. Em 2015, Aldo Rebelo nomeou Silva e Luna seu secretário-geral, em substituição à última civil a passar pelo cargo, a enfermeira Eva Maria Dal Chiavon, assessora de Jaques Wagner no Senado. Antes dela, o cargo foi exercido pelo advogado Ari Matos Cardoso, quando de sua criação pelo ex-ministro Celso Amorim, em 2013. Procurado, o ministro da Defesa não havia se manifestado até a conclusão desta edição.”

Vai falar o quê? Uma terrível coincidência?!

E acredite você: o comandante da FAB não negou ter confidenciado a Bia Kicis o seu voto, algo que a deputada tornou público nnum tuíte esapntoso, o comandante inclusive estaria honrado de seu voto!

“A coluna questionou a Aeronáutica se a deputada dizia a verdade; se, em caso negativo, o comandante corrigiria a parlamentar; se algum processo disciplinar seria aberto para apurar o caso; e qual era o posicionamento da Força Aéra Brasileira sobre o episódio, mas não obteve resposta.” [Metrópoles]

E o sujeito é um Tonho da Lua que sabe pilotar caça, o que convenhamos é uma proeza:

“O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, curtiu no Twitter um post de Jair Bolsonaro exaltando um protesto a seu favor. Em outra publicação endossada pelo comandante, medidas sanitárias contra a Covid foram comparadas ao comunismo e a esquerda foi acusada de permitir incestos. “Que desistam todos os que querem ver o povo distante de mim, ou que esperam me ver distante do povo. Estou e estarei com ele até o fim. Boa noite a todos!”, escreveu Jair Bolsonaro, em 9 de maio, provocando mais uma aglomeração sem máscaras durante a pandemia. O comandante da Aeronáutica curtiu o post. Em 10 de junho, o tenente-brigadeiro Baptista Junior deixou o like em um tuíte que acusou a esquerda de apoiar incestos e pedófilos, e comparou medidas sanitárias de controle da Covid ao comunismo. “Já notaram que quem apoia a esquerda… acha usuário de drogas normal… pedófilos normais, incesto permitido, aborto normal, ladrão normal, corrupto normal, mas tacham que um único homem que não faz nada disso é ruim? Quem são essas pessoas?”, dizia a publicação do usuário Paulo Roberto, identificado como PauloRo96052381. Roberto emendou com uma imagem que trazia o símbolo comunista. “Governantes mandando você fechar. Toque de recolher. Proibido ir em certos lugares. Liberdade limitada. Comida limitada. Medo provocado por mídias. Sua empresa não é exatamente sua, abre e fecha quando eles querem. Não pode visitar familiares. Se tem opinião contrária pode ser preso. Se for ao mar vai ser preso. Soltam criminosos e prendem inocentes. Aproveite a amostra grátis de comunismo”. Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares que nega o racismo no país, recebeu curtidas do comandante em diversas ocasiões. Em 23 de abril, citou “pretos que se vitimizam, choram por bobagem e sempre culpam os brancos”. Em 9 de junho, Camargo acusou a esquerda de infligir aos negros um “loop infinito do sofrimento”. Outros bolsonaristas, como Ernesto Araújo e Carla Zambelli, também tiveram publicações apoiadas pelo chefe da Força Aérea Brasileira. Em 24 de abril, o ex-chanceler acusou a política externa brasileira de corrupção na América Latina. Em 13 de maio, a deputada bolsonarista disse, sobre a pandemia, que “alguns preferem construir palanque sobre cadáveres, eu prefiro comemorar a esperança”. Também sobrou para o STF. Em 4 de junho, o tenente-brigadeiro gostou de um post em que a deputada estadual paulista Janaina Paschoal dizia que o inquérito dos atos antidemocráticos “nem deveria ter sido instaurado!”. A investigação, que tramita no Supremo, atinge em cheio os aliados de Jair Bolsonaro. Já em 9 de junho, o comandante curtiu uma publicação de Salim Mattar, ex-secretário de Paulo Guedes, que criticou uma declaração de Luís Roberto Barroso sobre o voto impresso. “Agora o STF tem que validar as leis aprovadas pelo Parlamento?”, ironizou.” 

Que folha corrida, é o crme de la c`rème da estupide bolsonarista. E o rapaz é filho dum ex-comandante da Aeronáutica, vai bem demais a educação militar!

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2. La Paz, aí vamos nós

Do Celso Rocha de Barros:

“O Brasil tem uma grande crise política contratada para o futuro próximo. Não há nenhuma possibilidade de nossa vida democrática transcorrer tranquilamente enquanto esperamos por ela. Se quisermos algum vislumbre de normalidade institucional, é preciso matar a crise na origem.” [Folha]

Mas as instituições dormem furiosamente.

“O mundo político inteiro sabe que Bolsonaro sonha com um “6 de janeiro”, algo como a invasão do Capitólio americano por extremistas de direita, caso perca a eleição de 2022. Todos também sabem que, se acontecer aqui, será pior. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 8 de março, Eduardo Bolsonaro disse que, se o 6 de janeiro americano “fosse organizado, teriam tomado o Capitólio e feito reivindicações que já estariam previamente estabelecidas pelo grupo invasor”. “Eles teriam um poder bélico mínimo para não morrer ninguém, matar todos os policiais lá dentro ou os congressistas que eles tanto odeiam. No dia em que a direita for 10% da esquerda, a gente vai ter guerra civil em todos os países do ocidente.” “Matar todos os policiais lá dentro”.”

Aguardando ansiosamente quando esse idiota, que teve reunião com personagens chave em Washington an véspera do ataque, usará pisar em solo americano. Imagine a alavanca que os americanos teriam pra forçar um acordo com 5G com o filho do presidente brasileiro investigado pelas bandas de lá.

“Olha com quem vocês se meteram, meus amigos da Polícia do Senado. Bolsonaro sempre foi golpista. Na campanha de 2018, deixou claro que não aceitaria uma derrota pacificamente. No primeiro semestre de 2020, organizou manifestações contra a democracia, liberou a importação de armas para ajudar “a turma do artigo 142” e seu filho Eduardo declarou que um golpe não era uma questão de “se”, mas de “quando”. Em 2021, tentou aparelhar a cúpula das Forças Armadas, o que fez com que os chefes das Forças renunciassem em protesto pela primeira vez na história. Desde sempre, mente que a eleição de 2018 foi fraudada e já disse que só aceitará uma vitória de Lula se ela for realizada com voto impresso. O plano para 2022 já é claro faz tempo: contestar o resultado das urnas e convocar um golpe.”

E o PDT vem falar em urna eletrônica, nunca que vou entender essa estupidez que legitima a insanidade presidencial.

A diferença é que agora Bolsonaro finalmente encontrou um problema que, de fato, pode ser resolvido por um golpe de Estado: seu medo de ser preso. Jair Bolsonaro tem grandes chances de ser preso quando deixar a Presidência. A CPI já documentou ao menos 90 mil mortes causadas diretamente por sua recusa de comprar vacinas. Agora o jornalista Jamil Chade mostrou que Bolsonaro recusou-se a comprar 43 milhões de doses de vacina do consórcio Covax Facility em 2020, o que deve jogar o número de brasileiros que Bolsonaro comprovadamente matou bem pra lá de cem mil. Já dá uma cadeia boa. A não ser que haja golpe. Isto é, o golpismo de Bolsonaro recebeu um novo estímulo com a exposição de seus crimes pela CPI da pandemia e agora tem data marcada para se manifestar. Até lá, que vida política é possível? Qual o horizonte de acordos entre partes que podem estar guerreando nas ruas em pouco mais de um ano? Como evitar que a certeza de um golpe em 22 não antecipe os conflitos para agora? Alguém quer comemorar o fim da pandemia com uma guerra civil? Para evitar a crise de 2022, é preciso construir candidaturas que esmaguem Bolsonaro, de preferência já no primeiro turno; é preciso matar no berço o debate sobre sistema de votação para o ano que vem; e é preciso que as Forças Armadas deixem claro que abrirão fogo contra os golpistas. Nada sustentará a democracia melhor do que o medo de morrer de quem pensa em ameaçá-la.​”

O Brasil tá é fodido. E enquanto isso olha Bolsonaro tornando tudo ainda mais explícito:

“Mesmo relutante, Jair Bolsonaro deu “ok” para a Câmara tocar a reforma administrativa. Mas impôs condições: 1) o texto precisa ser mais claro na preservação dos direitos dos servidores atuais; 2) os trabalhadores da segurança pública serão classificados como carreiras típicas de Estado já na PEC, garantindo na Constituição a tão sonhada estabilidade (caso seja aprovada, claro). A proposta hoje prevê que só carreiras típicas de Estado terão direitos como esse, mas diz que o detalhamento viria posteriormente, por lei complementar. Uma emenda já está sendo elaborada por aliados do presidente no PSL. A ideia é colocar na PEC as carreiras típicas de Estado, como de policiais (civis, federais, rodoviários federais) e, provavelmente, Abin, Fisco e Itamaraty. Como se sabe, forças de segurança formam o eleitorado bolsonarista. A emenda do PSL, liderada por Major Vitor Hugo (GO), deve também retirar a proposta de Paulo Guedes que dá ao presidente o poder de extinguir cargos e órgãos públicos por decreto.” [Estadão]

Aumentos, financiamentos generosos pra imóveis, estabilidade. E isso porque os policiais já eram bem bolsonaristas, imagine agora.

“Os governistas entendem também haver brechas na PEC, como marcos temporais, que alcançam os servidores públicos atuais. Isso deve ser retirado do texto também. A Frente Parlamentar da Segurança Pública pede que as polícias sejam completamente retiradas da reforma administrativa, o que é pouco provável. Apesar de ter dado o aval à reforma, Bolsonaro deixou claro a Arthur Lira (PP-AL) a prioridade de sua agenda econômica: novo Bolsa Família, que deve ser enviado por medida provisória até agosto; reforma tributária e administrativa. Sem pressa para a última… A criação da comissão especial da reforma foi um gesto importante de que a PEC deve andar, mas não garante aprovação neste semestre. Na melhor das hipóteses, em agosto, o texto sai do colegiado.”

Sim, a reforma não vai sair mas Bolsonaro quer sinalizar aos policiais suas intenções, e depois vai dizer que não andou não por sua culpa, mas do Congresso.

Enquanto isso, no estado que serve como cenário do marco desse golpe policial, como bem pontuado pelo Marcos Nobre:

“O MP-CE (Ministério Público do Ceará) enviou à Justiça Militar estadual 65 denúncias contra policiais militares que participaram do motim ocorrido em 2020. Somente na semana passada, a Procuradoria encaminhou dez denúncias. Com elas, mais de 300 policiais e bombeiros militares já viraram réus. Segundo o promotor Sebastião Brasilino, da Promotoria de Justiça Militar e Controle Externo da Atividade Policial Militar, responsável pelas investigações e envio das denúncias, os processos começaram a chegar ao MP por meio de Inquérito Policial Militar e relatórios técnicos de inteligência, logo após o início do movimento, no ano passado, que ele classifica como “criminoso e de extrema gravidade à luz do direito penal militar”. O MP acusa os PMs de pelo menos dez crimes, como revolta, motim, conspiração, aliciamento, apologia, inobservância à lei e revolta militar em tempo de paz. Este último é considerado um crime de alto potencial ofensivo. A lista de policiais denunciados deve receber pelo menos mais 50 nomes, afirma o promotor. Há, ao menos, outros cem inquéritos em fase inicial de investigação. Eles demoraram mais tempo devido à pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Código Penal Militar, os crimes possuem diversos níveis de gravidade e podem receber punições que variam com prisão de três meses a 20 anos. As penas podem ser ampliadas em um terço para os PMs identificados como líderes do motim. A Justiça Militar confirma o recebimento das denúncias do MPE, mas, devido à grande quantidade, não soube precisar quantas delas já foram aceitas. Informou ainda que os processos que já tiveram as denúncias recebidas formalmente devem seguir o rito normal da tramitação processual, com devidas citações e concessão de prazo para resposta à acusação, bem como outros atos processuais, para fins de absolvição sumária ou determinação do prosseguimento com a instrução e posterior julgamento. O motim aconteceu entre os dias 18 de fevereiro e 2 de março de 2020 e teve início no 18º batalhão, em Fortaleza. À época, policiais e bombeiros militares reivindicavam aumento de salário para a categoria acima do que havia sido ofertado pelo governo. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, durante o mês de fevereiro de 2020, a mortalidade disparou 182% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Foram contabilizados 459 assassinatos contra 164. Greves desse tipo são ilegais, conforme uma decisão de abril de 2017 do STF (Supremo Tribunal Federal). Em plenário, a Corte decidiu por 7 votos a 3 pela inconstitucionalidade do direito de greve para servidores públicos que trabalham em órgãos de segurança. Na mesma votação, foi decidido que é “obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do Código de Processo Civil (CPC), para vocalização dos interesses da categoria”.” [UOL]

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3. Bolsonaro

Bolsonaro na sexta-feira, no Espírito Santo:

“Fui acometido do vírus e tomei a hidroxicloroquina. Talvez eu tenha sido o único chefe de estado que procurou um remédio para esse mal.” [O Globo]

Por que será?!

Tinha que aparecer alguma coisa.”

Tinha?!

Ouvi pessoas que tinham conhecimento sobre o caso.”

Osmar Terra

Mas quando eu falei que aquilo poderia ser bom, a oposição abriu uma guerra contra a gente

E no sábado teve motociata em SP e a moto do presidente estava com a placa coberta!

A moto pilotada pelo presidente Jair Bolsonaro durante motociata de 3h30 em São Paulo neste sábado estava com a placa coberta. Em vídeos do ato postados nas redes sociais, também é possível ver outros veículos com cobertura na placa. O Código Brasileiro de Trânsito considera qualquer tipo de cobertura à placa como uma infração gravíssima, que prevê a apreensão do veículo. Segundo o governo federal, no entanto, como estava conduzindo a moto em uma via fechada ao tráfego e com escolta de policiais militares, o presidente não cometeu nenhuma infração. Além de ter a placa coberta, Bolsonaro usou um capacete do tipo “coquinho”, sem viseira e proteção para o maxilar, o que é proibido para motociclistas e pode render multa grave. O artigo 230 do CTB diz que é falta gravíssima conduzir veículo com “qualquer uma das placas de identificação sem condições de legibilidade e visibilidade”. O código prevê multa de R$ 293,47, além da apreensão do veículo. O Ministério da Infraestrutura informou que “nos termos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mais precisamente em seu artigo 1°, as regras previstas são válidas apenas para vias abertas a circulação”.” [O Globo]

Bolsonaro só usa esse capacete coquinho porque ele quer aparecer, de que adianta motociata se ele tiver com a porra dum capacete escondendo sua cara de babaca do caralho?!

“O governo João Doria (PSDB) autuou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste sábado (12) por não usar máscara de proteção facial contra a Covid-19 em evento em São Paulo. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, também foram autuados. Os três participam da motociata que reúne milhares de motociclistas em São Paulo.” [Folha]

Tarcísio sempre na cena do crime, e é tido como moderado pela imprensa.

“O presidente já havia sido autuado pelo governo Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, por causar aglomeração e não usar máscara de proteção facial em evento em Açailândia (a 560 km de São Luís), no dia 21 de maio. Com o presidente à frente, sem máscara, a manifestação intitulada “Acelera para Cristo” começou às 10h, na região de Santana, zona norte da capital, e irá terminar no obelisco do Ibirapuera. O trajeto, que incluiu um bate-volta a Jundiaí, é de 130 km. Gritos de “aqui é Bolsonaro”, “viva, Bolsonaro” e “isso está gigante” se misturaram com barulho de buzinas e ronco dos motores das motocicletas.”

Que sinfonia maravilhosa, hein, deve ser a trilha sonora do inferno.

“Houve também gritos contra a imprensa e o governador João Doria (PSDB), adversário político do presidente. O presidente chegou de carro cerca de 15 minutos antes, cumprimentou diversos apoiadores e causou aglomeração. Antes de partir, foi levantado e cumprimentou apoiadores do alto. Eram tantas motos que as últimas delas só conseguiram deixar a concentração quase uma hora após o início da motociata. Na concentração, houve aglomeração de apoiadores. Um “pedágio solidário” foi montado para receber doações de alimentos que serão distribuídos em comunidades carentes. Duas fileiras com voluntários, em sua maioria de máscara, recepcionavam os motociclistas e distribuíam bandeiras do Brasil e adesivos. Já a maioria dos motociclistas não usava máscara de proteção contra a Covid-19 e tinha bandeiras do Brasil amarradas no corpo.”

E não tem nem recorde de motociata no Guiness, caralho!

s“A informação sobre o suposto recorde começou a circular nas redes através de postagens de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, entre eles a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Na manhã de sábado (12), durante a concentração para o ato, ela publicou um vídeo em seu canal no Youtube em que afirma que o ato seria “a maior motociata da história” e que o Guinness Book “estaria de olho” no evento. A reportagem entrou em contato com a empresa para confirmar o dado, mas ainda não obteve resposta. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) também compartilhou um post no Twitter afirmando que uma “pesquisa confiável”, realizada pelo Guinnes Book, havia determinado a participação de 1.324.523 motocicletas durante o evento. De acordo com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a estimativa de público de uma manifestação é feita com a ajuda de recursos de mapa e georreferenciamento, a partir de imagens registradas pelo helicóptero da Polícia Militar. O cálculo leva em consideração tanto o trajeto da manifestação quanto as ruas adjacentes. No caso de motocicletas, eles calculam quantas motos podem ocupar o trecho da via e, a partir do congestionamento formado, chegam ao número de participantes. Já para que um novo recorde mundial seja estabelecido, o Guinness World Records define que uma proposta deve ser feita em seu site, acompanhada de materiais como declarações de testemunhas e registros em vídeos e fotos. O prazo padrão para análise dos pedidos é de 12 semanas, e cerca de 60% das propostas são rejeitadas, segundo a empresa. Há ainda uma modalidade de inscrição prioritária, em que o tempo de resposta da resposta diminui, mas ela se restringe a pedidos de recordes individuais, o que excluiria o evento liderado pelo presidente, de teor coletivo. Não há registros sobre “a maior motociata do mundo” no site da organização, mas sim recordes mais específicos envolvendo motociclistas, como “A Maior Parada de Motocicletas da Yamaha”, “A Maior Parada de Motocicletas Militares”, entre outros. É falsa a informação que circula nas redes sociais de que a motociata liderada pelo presidente Jair Bolsonaro, em São Paulo, neste sábado (12), foi a maior do mundo e entrou para o Guinness Book, livro de recordes, após reunir 1,3 milhão de veículos. Não há qualquer menção ao evento no site e nos perfis oficiais da organização, e o governo paulista calcula que o ato contou com a presença de cerca de 12 mil motos.” [Folha]

E Netanyahu, muito do delicado, fodeu com Bolsonaro nesses registros diplomáticos, que satisfação, aspira!

“O ex-embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, afirmou em telegrama enviado ao Itamaraty em 2020 que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu via “risco real” de o presidente Jair Bolsonaro ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional por “genocídio de povos indígenas”. A correspondência, que está em posse da CPI da Covid e foi obtida pela TV Globo, é datada de 7 maio de 2020, quando Vasconcellos ainda chefiava a Embaixada brasileira no país. O documento foi classificado com prioridade “urgentíssima”. Vasconcellos foi substituído no cargo pelo general Gerson Menandro Garcia de Freitas no fim de 2020. Em novembro de 2019, o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu), grupo de advogadas que atua de forma gratuita, e a Comissão Arns, que reúne ex-ministros e juristas ligados a causas de direitos humanos, entregaram ao Tribunal Penal Internacional (TPI) uma denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro. Eles alegaram que o presidente cometeu “crimes contra a humanidade e atos que levam ao genocídio de comunidades indígenas e tradicionais” do país. Paulo Cesar Meira de Vasconcellos cita no documento uma reunião, ocorrida em dezembro de 2019 entre uma autoridade política brasileira em visita a Israel e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, na qual o primeiro-ministro de Israel “deixou claro” que Israel gostaria de contar com “firme apoio” brasileiro a processos no Tribunal Penal Internacional, já que “quando todo mundo estava contra o Brasil durante incêndios da Amazônia, Israel apoiou o Brasil”. Ainda, segundo a carta, naquele encontro Netanyahu teria dito que o apoio seria mútuo “uma vez que há risco real de que o presidente Bolsonaro venha a ser investigado naquele Tribunal por genocídio de povos indígenas”. De acordo com o documento, o primeiro-ministro teria dito que acredita que o governo brasileiro poderia vir a ser responsabilizado “internacionalmente” por “omissão na proteção da Amazônia” e “por crimes internacionais no que se refere à proteção de povos indígenas”. “Parece-me seguro afirmar que pelo menos parte das autoridades locais, inclusive o primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] acreditam que o governo brasileiro poderia vir a ser responsabilizado internacionalmente no futuro por omissão na proteção da Amazônia e até mesmo por crimes internacionais no que se refere à proteção de povos indígenas”, diz o ex-embaixador brasileiro na correspondência. O G1 entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores e com o Palácio do Planalto, mas o governo não se manifestou até a última atualização dessa reportagem. Na correspondência, Vasconcellos também informou ter percebido que “parte expressiva da população local é crescentemente crítica do que percebe como aumento dos níveis de desmatamento, elevação do número de queimadas e relativização do compromisso do governo brasileiro com preservação ambiental e com medidas a fazer frente à mudança do clima”. “Também pesam em desfavor da imagem do Brasil a crescente aceitação local da narrativa de que o governo brasileiro não protege de maneira adequada os povos indígenas do país e, apesar de ser uma das maiores potências internacionais na área de agricultura e pecuária, não possui política clara sobre bem-estar animal”, acrescentou na carta o ex-embaixador em Israel. Vasconcellos também disse na correspondência que em agosto de 2019, durante o pico das queimadas, o prédio da embaixada brasileira em Israel foi cercado por 10 dias, por manifestantes que demandavam fim das queimadas.” [G1]

Ah, e enfim Netanyahu foi deposto do governo, entrou outro ser desprezível da extrema-direita israelense, mas pelo menos Netanyahu vai preso e Bolsonaro perde mais um aliado. Sobrou quem? Orbán, que nem dá moral para Bolsonaro.

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4. Covid-17

Coisa boa não é:

A China está enfrentando uma nova onda de infecções pelo coronavírus e, à medida que a variante Delta se espalha no sudeste do país, os médicos dizem que estão descobrindo que os sintomas são diferentes e mais perigosos do que aqueles que viram quando a versão inicial do vírus começou a se espalhar no final de 2019 na cidade central de Wuhan. Os pacientes estão ficando mais doentes e suas condições estão piorando muito mais rapidamente, disseram os médicos à televisão estatal. Nos casos sintomáticos, as concentrações de vírus detectadas em seus corpos aumentam para níveis mais altos do que os vistos anteriormente e, em seguida, diminuem lentamente, disseram os médicos. Até 12% dos pacientes ficam gravemente ou criticamente doentes dentro de três a quatro dias do início dos sintomas, disse Guan Xiangdong, diretor de medicina intensiva da Universidade Sun Yat-sen na cidade de Guangzhou, onde o surto foi centrado. No passado, a proporção era de 2% ou 3%, embora ocasionalmente chegasse a 10%, disse ele. Médicos no Reino Unido e no Brasil relataram tendências semelhantes com as variantes que circularam nesses países, mas a gravidade dessas variantes ainda não foi confirmada. Identificada pela primeira vez na Índia, a Delta se tornou a variante dominante no Reino Unido, onde os médicos sugerem que é mais contagioso e pode infectar algumas pessoas que receberam apenas uma das duas doses de uma vacina contra a covid-19. A propagação da Delta no sudeste da China concentra a atenção na eficácia das vacinas chinesas. As autoridades não indicaram quantas das infecções com a variante ocorreram em pessoas que já foram vacinadas. Em alguns outros países onde as vacinas chinesas são amplamente utilizadas, incluindo Seychelles e Mongólia, as infecções entre as pessoas vacinadas estão aumentando, embora poucos pacientes tenham desenvolvido doenças graves. A cidade de Shenzhen teve um punhado de casos na semana passada da variante Alpha, que surgiu pela primeira vez no Reino Unido. Guangzhou isolou e colocou em quarentena dezenas de milhares de moradores que estiveram em qualquer lugar perto dos infectados. Os testes e a quarentena parecem ter reduzido, mas não impedido o surto. A Comissão Nacional de Saúde informou que nove novos casos foram encontrados em Guangzhou na quinta-feira.” [Estadão]

Do Hélio Schwartsman:

“A pandemia ainda não acabou, mas já estamos inventariando seus danos. É um exercício necessário para que possamos bolar as estratégias de mitigação quando possíveis. Os buracos se espalham por todos os lados. Um estudo do Insper, por exemplo, estima perdas de até R$ 1,5 trilhão pelo que os alunos do ensino básico deixaram de aprender nestes meses sem aulas presenciais. Temos ainda o impacto das vidas perdidas, que são irrecuperáveis, do desemprego (quanto mais tempo o trabalhador passa afastado do mercado de trabalho, mais difícil é voltar a ele), da perda de renda, que pode significar fome nas famílias mais pobres, e das sequelas da doença entre sobreviventes. Isso para citar apenas alguns dos mais óbvios. Há, também, os impactos não óbvios. O destaque aí vai para a exposição intrauterina ao Sars-CoV-2. Muitos desses bebês ainda nem nasceram, mas há motivos para temer que o vírus irá afetá-los. O precedente é a pandemia de gripe espanhola. Trabalhos feitos principalmente a partir dos anos 2000 mostram que as crianças que nasceram durante a pior emergência sanitária do século passado ou logo depois sofreram uma série de efeitos deletérios, alguns dos quais só se manifestaram após décadas. Um estudo taiwanês mostrou que essas crianças eram mais baixas do que as de coortes adjacentes e tiveram o estirão da puberdade retardado. Um trabalho americano detectou entre os bebês expostos um aumento de 20% na incidência de doenças cardíacas isquêmicas 60 anos depois. Há também pesquisas que revelam prejuízos no desempenho educacional e na renda dessas coortes. Achados semelhantes foram feitos no Brasil e na Suécia. Não sabemos se isso vai se repetir com a Covid-19. Os coronavírus parecem ser menos perigosos do que a influenza para os pequenos, mas não será uma surpresa se houver efeitos negativos. A pandemia deixa atrás de si uma tragédia com múltiplas facetas.” [Folha]

Doria adiantou a vacinação, Paes idem, Dino fez isso porque recebeu mais doses por conta da cepa indiana, mas…

“Desde o começo de junho, governadores anunciam que vão antecipar a vacinação de todos os adultos até outubro ou setembro. Ou seja, dar uma primeira dose de vacina contra a Covid-19 a todas pessoas com 18 anos ou mais. Neste domingo, João Doria antecipou essa meta para 15 de setembro, em São Paulo. Pode conseguir, caso o cronograma de vacinas do Ministério da Saúde se confirme inteiramente até lá. Por que os planos agora são mais otimistas? Em maio e junho aumentou a entrega de doses para o governo federal. Talvez mais importante, desde abril chegam mais vacinas da AstraZeneca e, desde maio, mais da Pfizer. A mudança de estratégia faz sentido técnico, dada a mudança no estoque de vacinas disponíveis, dizem especialistas. Um coordenador da vacinação em São Paulo diz que “não há nem houve” pressão política para mudar planos de vacinação, mas “é compreensível e óbvio” que os governadores queiram “dar uma cara política boa à medida e faturar com uma decisão técnica que dá mais esperança e segurança às pessoas”. O coordenador prefere não se identificar. É preciso aplicar a segunda dose da Coronavac entre 14 e 28 dias depois da primeira injeção. No caso dos produtos da AstraZeneca e da Pfizer, o intervalo entre as doses recomendado no Brasil é de 12 semanas. Assim, em tese, há menos risco de utilizar logo a maioria das doses de AstraZeneca e Pfizer na primeira injeção. Com mais tempo de espera para a segunda dose, é possível mudar planos caso ressurja o risco de chegarem menos vacinas. Em abril, 57% das doses aplicadas no Brasil foram utilizadas na primeira injeção. Em maio, 68%. Em junho, até o dia 12, 86%. Com a Coronavac, dado o intervalo mais curto, é preciso aumentar o seguro, estocando mais doses. Em março e abril, o Ministério da Saúde recomendou aplicar logo as Coronavac na primeira dose. Foi um problema. A China entrega menos matéria-prima ao Butantan desde maio. Faltou dose para a segunda injeção, que atrasou em vários lugares do país. Em março, 85,5% das doses entregues ao Programa Nacional de Imunização eram de Coronavac. Em maio, mais de 84% eram de AstraZeneca e Pfizer. Em junho, mais de 87% devem vir de AstraZeneca, Pfizer e Janssen (esta última de dose única). Pela bula, o intervalo de aplicação das AstraZeneca e das Pfizer deveria ser menor do que o de 12 semanas. No entanto, estudos indicaram que a eficácia desses produtos é grande mesmo com uma primeira dose apenas. O Reino Unido, então, adotou a estratégia de antecipar a primeira picada e retardar a segunda dose a fim de atenuar o quanto antes o número de internações e mortes, no que foi seguido por alguns países da Europa continental. Enfim, a vacinação é um pouco mais rápida porque há mais vacinas em geral. O progresso é muito lerdo e, assim, mais gente adoece e morre, desastre provocado pela negligência de Jair Bolsonaro e equipe. Mas há algum progresso. Em maio, foram entregues ao governo federal cerca de 28% mais vacinas do que em abril; em junho, devem chegar 23% mais. Até agora, a perspectiva para julho é entre medíocre e ruim, no entanto. A previsão do Ministério da Saúde é de receber tantas doses quanto em maio, o que seria uma regressão. Em junho, a média de doses aplicadas por dia está em cerca de 849 mil por dia, bem superior à de maio (662 mil) e a do recorde anterior, em abril (821 mil por dia). No entanto, a vacinação completa, com duas doses, como é fácil perceber, cresce de modo lentíssimo. Faz sentido antecipar a primeira dose, diz o epidemiologista Paulo Lotufo, da USP. A crítica maior de Lotufo é outra. “Estados e municípios precisam se concentrar em vacinações localizadas, ao estilo Serrana, ou então por faixa etária, abandonando a vacinação pela assim chamadas ‘comorbidades’, que tiveram impacto pequeno”, diz o epidemiologista. “Somente deveriam ser privilegiados aqueles com risco elevado como os trabalhadores de limpeza urbana”, diz.​” [Folha]

E que bela notícia:

“Uma juíza federal dos EUA indeferiu uma ação movida por 117 funcionários de um hospital do Texas que contestava a exigência de que fossem vacinados contra a Covid-19. Agora, eles terão uma semana para comprovar que receberam ao menos a primeira dose de um dos imunizantes disponíveis, ou terão que procurar outro emprego. Na decisão emitida no último sábado (12), a juíza Lynn Hughes determinou que as normas do Hospital Metodista de Houston, que exigem que seus funcionários estejam vacinados contra o coronavírus, são legítimas e consistentes com as políticas públicas de saúde vigentes no estado. A magistrada também rejeitou a alegação de Jennifer Bridges, enfermeira e principal demandante na ação contra o hospital, de que as vacinas são “experimentais e perigosas”.” [Folha]

Alguém tem alguma dúvida disso, porra?! E repare no absurdo:

“Para a funcionária, perder o emprego por se recusar a receber o imunizante configuraria uma rescisão injustificada, e a ameaça de demissão seria comparável aos experimentos médicos forçados a que milhões de judeus e outras minorias foram submetidos durante o Holocausto.”

Boulos GIF

“Os funcionários do hospital não participam de um teste em humanos”, disse a juíza, para quem o Metodista está fazendo uma escolha com o intuito de manter a equipe, os pacientes e seus familiares mais seguros. “[A enfermeira] Bridges pode escolher livremente aceitar ou recusar uma vacina contra a Covid-19; no entanto, se ela se recusar, ela simplesmente precisará trabalhar em outro lugar. De acordo com a decisão de Hughes, a lei do Texas prevê que os funcionários do hospital só poderiam ser protegidos da demissão se sua recusa estivesse relacionada à exigência do cometimento de um ato ilegal —o que não é o caso da vacina contra o coronavírus. Bridges e os outros funcionários se basearam ainda no argumento de que os imunizantes não receberam aprovação total do FDA, a agência regulatória de medicamentos nos EUA. A permissão concedida para as vacinas de três diferentes fabricantes foi de uso emergencial, o que não significa que as doses não são seguras. Segundo o FDA e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a segurança das vacinas já está comprovada pelos testes clínicos. No mês passado, a Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA, órgão do governo responsável por aplicar as leis que punem diferentes tipos de discriminação nos locais de trabalho, publicou uma diretriz que permite que empregadores exijam que seus funcionários estejam vacinados contra o coronavírus ao retornarem às atividades presenciais. Até agora, no entanto, poucas empresas decidiram fazer essa exigência, de modo que a decisão judicial referente ao Hospital Metodista de Houston é uma das primeiras a favor da vacinação obrigatória. De acordo com o jornal The New York Times, outros grandes grupos hospitalares convocaram seus funcionários para que recebam o imunizante contra o coronavírus. Segundo um comunicado do Metodista, quase 25 mil funcionários atenderam aos requisitos e foram vacinados até a última segunda-feira (7), prazo final para que comprovassem o recebimento de ao menos uma dose. No dia seguinte, 178 foram suspensos por não cumprirem a exigência. “Nossos funcionários e médicos tomaram suas decisões por nossos pacientes, que estão sempre no centro de tudo o que fazemos”, disse Marc Boom, executivo-chefe do hospital, acrescentando que aqueles que não forem imunizados até a próxima segunda-feira (21) serão demitidos. Jared Woodfill, advogado dos funcionários que moveram a ação judicial, deu indícios de que o grupo pretende recorrer a instâncias superiores para tentar reverter a decisão. “Esta batalha legal só começou. O emprego não deve ser condicionado ao fato de você concordar em servir como cobaia humana.””

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5. CPI

Folgo em saber, Brasil!

“O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta segunda-feira (14) que são “nomes fortes” para passarem à condição de investigados na CPI os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten. Renan já havia dito no fim da semana passada que a CPI iniciaria uma nova fase, tornando investigadas pessoas que foram inicialmente ouvidas como testemunhas. Ele foi questionado se seria o caso de Pazuello, Ernesto e Wajngarten. “Vamos fazer durante a semana um despacho comunicando essa nova fase e que agora teremos vários desses que mesmo comparecendo a comissão foram tratados como testemunhas, mas agora na condição de investigados, sim. Acho que esses três são fortes candidatos a constarem nessa nova relação. Isso ainda vai ser decidido durante a semana”, disse Renan. Renan explicou que tornar uma pessoa investigada na CPI aprofunda a apuração, na medida em que facilita, por exemplo, a requisição de documentos e a realização de buscas e apreensões. “Na medida em que algumas dessas pessoas sejam colocadas como investigado. Nós vamos ter outros caminhos do processo penal para trazê-lo, para requisitar documentos, para fazer busca e apreensão, para fazer o que for necessário em função das informações que começam a chegar”, explicou o senador. Cabe à CPI, ao fim dos trabalhos, caso constate irregularidades, pedir o indiciamento e a responsabilização de entes públicos ao Ministério Público.” [G1]

E Barroso manteve as quebras de sigilo do Pazuello e da Capitã Cloroquina!

A história da Covax só piora:

“Um documento entregue à CPI da Covid mostra que o governo federal deixou de comprar mais vacinas do consórcio da OMS, o Covax, mesmo sabendo que haveria reembolso em caso de desistência.”  [Folha]

Imagine, risco NENHUM!

O Brasil fechou contrato com o consórcio internacional Covax Facility em setembro do ano passado. Tinha duas opções de compra: 42 milhões de doses, que são suficientes para vacinar 10% da população, ou doses para 50% da população. O governo escolheu a opção com oferta menor. O contrato foi tema dos depoimentos do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, responsável pela compra. Pazuello disse que escolheu o pacote menor para não comprometer recursos federais, já que o pagamento foi feito antes da entrega das vacinas. Mas um novo documento entregue à CPI e que a TV Globo teve acesso mostra que o argumento é falho. A informação está em uma correspondência trocada entre o Itamaraty e a embaixada do Brasil na ONU e revela que, em julho do ano passado, a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, a Gavi, informou ao governo brasileiro que o país seria ressarcido caso desistisse de comprar as vacinas do consórcio No documento, os diplomatas brasileiros disseram: “No pior cenário possível, em que não se chegue à vacina em prazo razoável, ou caso os países decidam retirar seus recursos para investir em outras soluções, a Gavi informou que seria possível, a princípio, haver a devolução do montante, após o pagamento de valores reservados”. Mesmo assim, segundo os documentos, o Brasil optou por encomendar a quantidade mínima prevista pelo consórcio. Os senadores da CPI consideram que agora ficou claro que o governo tomou a decisão de comprar o menor pacote do Covax Facility mesmo sabendo que receberia o dinheiro de volta se fosse necessário. E somam a isso, o fato de o governo ter demorado meses para comprar as vacinas da Pfizer e do Butantan. Especialistas apontam que a falta de vacinas é uma das causas do fracasso do país no enfrentamento à pandemia.”

E o papo era o mesmo com a Pfizer!

“Documentos de posse da CPI da Covid e obtidos pela TV Globo mostram que a Pfizer informou à embaixada do Brasil nos Estados Unidos que ressarciria o país se atrasasse a entrega de doses da vacina contra a Covid. A informação consta de um ofício da própria embaixada, enviado ao Ministério das Relações Exteriores em 27 de agosto do ano passado. Em depoimento à CPI da Covid, no mês passado, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse que um dos motivos para o contrato com a empresa não ter sido assinado antes foi a falta de previsão de multa à Pfizer caso a farmacêutica atrasasse a entrega. Segundo o documento da embaixada, representantes da Pfizer se reuniram em 27 de agosto com diplomatas brasileiros. Nesse encontro, a empresa ofereceu a reserva de 30 milhões de imunizantes ao Brasil, mas expressou receio de que poderia não garantir essa quantidade no futuro, caso o governo brasileiro não sinalizasse interesse. “Os dirigentes da Pfizer frisaram a ausência de risco, uma vez que, segundo constaria da proposta de venda, a Pfizer se comprometeria a devolver ao governo brasileiro todo e qualquer pagamento antecipado, na hipótese em que a empresa não consiga honrar a obrigação de entregar a quantidade acordada da vacina”, afirma o documento da embaixada em Washington. As recusas do governo federal em responder à Pfizer são objeto de investigação da CPI da Covid. A cúpula da comissão entende que o Brasil já teria vacinado uma parcela maior da população se tivesse fechado o contrato com a empresa ainda em 2020.” [G1]

E o senador petista resumiu bem esses documentos do Itamaraty:

“Do senador Rogério Carvalho (PT-SE), sobre os trabalhos da CPI da Covid: “Se alguém ainda achava que faltavam provas da atuação direta de Bolsonaro em favor da teoria da imunidade de rebanho, os documentos do Itamaraty são um Fiat Elba”.  automóvel foi imortalizado na história da política brasileira no impeachment de Fernando Collor (1992). “Está provado o crime sanitário e Bolsonaro precisa ser responsabilizado”, diz Carvalho.” [Estadão]

Mais uam ótima descoberta do Samuel Pancher:

“O Metrópoles teve acesso a um áudio enviado pelo virologista Paolo Zanotto para um grupo de médicos em um aplicativo de mensagens. O integrante do chamado “ministério paralelo“, que teria orientado o presidente da República durante a pandemia, faz longo discurso, de 11 minutos, no qual questiona a eficácia de vacinas e sustenta que o chamado tratamento precoce “tem muito mais evidências” do que os imunizantes. Além dos especialistas, Arthur Weintraub, então assessor especial da Presidência, faz parte do grupo. Na gravação, Zanotto – que não tem função formal no Ministério da Saúde ou em outro órgão do governo federal – assume que participou de uma reunião para discutir vacinas. Em outro áudio, Arthur oferece ajuda para financiar estudos e pesquisas, sem a necessidade de editais. A conversa ocorreu na semana anterior à reunião revelada pelo Metrópoles, em que a criação de um “shadow board” (em tradução livre, gabinete das sombras) é proposta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Até agora, a alegação dos aliados do governo era de que a existência do “ministério paralelo” contrariava a lógica, pois a reunião em vídeo exposta pelo Metrópoles estava marcada na agenda de Bolsonaro e chegara a ser transmitida ao vivo na página do chefe do Executivo federal no Facebook. Agora, entretanto, o áudio revela mais uma parte – obscura, restrita a um pequeno grupo fora dos holofotes e sem qualquer mecanismo de supervisão – desse trajeto da ação de pessoas fora das esferas oficiais do governo para influenciar as ações de Bolsonaro e da administração pública brasileira sobre a condução da pandemia. No áudio, Zanotto tira sarro da Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. “Vamos supor que a vacina do ‘Chin Doria’ tenha tido algum bom resultado em fase 1. Você vai pra fase 2; na fase 2, você aumenta o grupo de pessoas (…). É impossível, de janeiro até agora, a gente ter dados razoáveis”, afirma, sem apresentar qualquer evidência das alegações. O virologista também ataca quem pede evidências científicas para o chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19, inclusive sustentando que existiria mais comprovação sobre funcionamento dos tais medicamentos do que sobre a vacina. “O mesmo pessoal que está indo totalmente a favor da aplicação de vacinas, agora, são os mesmos que querem evidência tipo A para o uso da hidroxicloroquina. Quer dizer, que canalhice é essa? Te garanto que existe muito mais evidência que o tratamento precoce funciona”, diz, novamente sem apresentar provas das afirmações. Após levantar dúvidas sobre a eficácia e segurança dos imunizantes, Zanotto anuncia que integrantes do grupo vão a Brasília na semana seguinte. “Nós vamos conversar com o presidente do Brasil e, depois, à tarde, no Senado; e, no dia seguinte, nós vamos conversar com o ministro da Saúde e o pessoal de lá”, relata, ao descrever o roteiro pela capital federal. Em seguida, Zanotto faz uma revelação inédita. Sem fornecer detalhes sobre a situação ou os integrantes do encontro, ele relata ter comparecido a uma reunião sobre a compra de vacinas. “Participei de encontros com os caras que querem empurrar vacina, e o que eles estão mais preocupados é [com] autorização de Anvisa. E, quando você pergunta alguma coisa acerca dos dados, eles simplesmente dão risada e dizem que isso não é importante. Então, só vai ser relevante no momento que fizermos acordos com eles e que eles perceberem que a gente tem mecanismos para navegar através da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Isso eu vi pessoalmente numa reunião, participando dela”, enfatiza. O áudio é respondido por Arthur Weintraub, então assessor especial da Presidência da República. Ele demonstra proximidade com Zanotto. “Grande doutor Paolo, tudo bem? Tentei te ligar agora, mais tarde tento te ligar de novo, mas também deixei contigo aí o endereço de e-mail do nosso gabinete.” O irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub prossegue se colocando à disposição para que o governo brasileiro arque com eventuais custos dos estudos sobre todas as resistências apontadas em relação à vacinação. “Qualquer proposta, ou indicação de necessidade para custeio de pesquisa e tudo, normalmente a gente vai pelo caminho de editais, mas, em alguns casos em especial, a equipe pode avaliar. Então, já em um primeiro momento, poderiam mandar para o gabinete e eu oriento aqui”, diz Weintraub.” [Metrópoles]

A Folha fez uma matéria sobre a virada do Zanotto, uma pessoa até então muito respeitado na sua área, e é inacreditável como a lavagem cerebral foi brutal:

““Há uma guerra cultural”, diz ele, que afirma estar na trincheira do Iluminismo anglo-saxão, influência burilada durante seu período de doutorado na Universidade de Oxford, na Inglaterra.” [Folha]

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6. Energia

Vai dar muita merda!

“O governo tem nas mãos uma medida provisória que cria condições para adoção de um racionamento de energia. O Estadão/Broadcast teve acesso a documentos internos que revelam a intenção de criar um comitê de crise que terá o poder de adotar medidas como a redução obrigatória do consumo e a contratação emergencial de termoelétricas – mesmas medidas adotadas em 2001, quando a população e as empresas foram obrigadas a diminuir a carga em 20% para evitar o apagão. Publicamente, sempre que questionado, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem negado o risco de um racionamento e assegurado o abastecimento. A MP propõe a formação de um grupo que poderá mudar a vazão de hidrelétricas de forma imediata, sem aval de outros órgãos e entes que costumam ser consultados, entre eles Estados e municípios.”

Sim, esses imbecis do governo federal deidirão sozinhos, qual a chance duma porra dessa dar certo?!

Os custos das medidas serão pagos pelo consumidor, por meio de taxas na conta de luz, diz a proposta. O texto está sendo analisado em meio à pior crise hidrológica que o Brasil viveu nos últimos 91 anos, sem perspectiva de chuvas nos próximos meses. “Diante do contexto crítico e excepcional que o País vivencia, para garantir a efetividade das deliberações desse colegiado, com a tempestividade necessária, torna-se premente que essas se tornem excepcional e temporariamente determinativas, podendo prever, inclusive, o estabelecimento de programa prioritário de termeletricidade e de programa de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica”, diz a minuta a qual o Estadão/Broadcast teve acesso. O racionamento de energia vigorou entre 1.º de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, período durante o qual a população foi obrigada a reduzir o consumo em 20%. Quem não cumpria a meta pagava um adicional na conta de luz que variava de 50% a 200% e podia até mesmo ter a energia cortada por dias como forma de punição. A minuta da MP em análise pelo governo não faz referência a incentivos ou bônus para quem economizar além da meta a ser determinada pelo governo, como ocorreu no passado, nem define essa meta. A MP deixa em aberto a possibilidade de que o encargo poderá ser usado, também, para pagar eventuais indenizações aos prejudicados pela não manutenção do uso múltiplo da água – como donos de pousadas na margem de represas que serão afetadas pelas deciões, por exemplo. Com o racionamento, as indústrias também tiveram de reduzir a produção, e o Produto Interno Bruto (PIB), que havia crescido 4,4% em 2000, desacelerou para 1,4% em 2001. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que o apagão de 2001 causou perdas de R$ 45,2 bilhões, pagas em sua maioria pelo consumidor, que teve que arcar com reajustes elevados nos anos seguintes. O desgaste político e econômico é apontado como uma das causas do fracasso do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em fazer um sucessor. Nas eleições de 2002, José Serra foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Pela minuta da MP, as usinas do Programa Prioritário de Termeletricidade, mesmo nome de um programa criado em 2000 na tentativa de evitar o racionamento decretado no ano seguinte, deverão ser contratadas em leilões como energia ou reserva de capacidade. Para adotar essas e outras medidas, o governo vai criar a Câmara de Regras Operacionais Excepcionais para Usinas Hidrelétricas (CARE), grupo que poderá determinar mudanças imediatas na vazão desses empreendimentos. “Destaca-se que o controle hidráulico de reservatórios é apenas um dos remédios para manter a segurança e continuidade do suprimento de energia elétrica ao longo do período seco de 2021”, acrescenta o documento. O comitê deverá promover a “concertação” de atores da administração pública com vistas à “articulação e à efetividade das ações” com a “tempestividade necessária” para garantir o abastecimento de energia.

Olha o absurdo:

“Atualmente, quando há necessidade de se preservar água nos reservatórios das hidrelétricas, o primeiro passo é a elaboração de uma nota técnica por parte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Depois, é preciso aprovar a recomendação no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Por fim, é preciso comunicar o dono do empreendimento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Águas (ANA). Em alguns casos, as decisões levam dias e até semanas para serem implementadas, devido a impactos em reservatórios com usos múltiplos, como o abastecimento da população, manutenção de hidrovias e a preservação da fauna e da vegetação.”

E eu não tenho a menor dúvida que numca crise é preciso mais agilidade, mas concentrar a decisão na mão desses beócios de Brasília é colocar o país, mais uma vez, de joelhos.

“A exemplo do que foi feito em situações de escassez hídrica que ocorreram no passado, prejuízos a geradores que tiverem que produzir menos energia para cumprir as determinações impostas pelo governo serão pagos pelo consumidor. Os custos para evitar o apagão serão pagos por meio de uma taxa – Encargos de Serviço do Sistema (ESS) – embutida na conta de luz de todos os consumidores. O comitê, presidido pelo ministro de Minas e Energia, será formado ainda pelos ministros da Casa Civil, Desenvolvimento Regional, Meio Ambiente, Infraestrutura e Advocacia-Geral da União, e dirigentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ANA, Ibama, ONS, Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e outros membros designados pelo governo. Caberá ao grupo aprovar soluções “temporárias ou definitivas” para atenuar a crise hídrica. A ideia é articular as ações com Estados e municípios e até impor ações a governadores e prefeitos, que muitas vezes resistem a mudanças nas vazões que possam prejudicar regiões ou negócios. A primeira reunião do comitê deverá ocorrer em até três dias úteis após a publicação da medida provisória, com vistas a priorizar o consumo de água por pessoas e animais, além do abastecimento de energia. A MP propõe ainda que o grupo seja extinto no último dia útil de 2021, 30 de dezembro, antes do início do ano em que o presidente Jair Bolsonaro pretende disputar a reeleição. A MP está sendo preparada às vésperas da votação do texto que permite a privatização da Eletrobrás no Senado. A previsão é que o relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO), apresente seu parecer para que o texto seja analisado na terça-feira, 15. Caso seja feita alguma alteração, a matéria terá que ser analisada pela segunda vez na Câmara. O prazo é apertado, já que a medida precisa ser aprovada pelo Congresso até o dia 22 ou perderá a validade.” [Estadão]

Tudo isso enquanto os caras querem privatizar a Eletrobras, imagine o que aconteceria num cenário desse se o controle não fosse do governo…

“Diante da escassez de chuvas nos últimos anos, o Brasil vive sua pior crise hidrológica já registrada, com níveis alarmantes nos reservatórios das principais usinas hidrelétricas. Desde outubro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tem tomado ações para garantir o abastecimento de energia no País, que incluem o acionamento de usinas térmicas mais caras e a importação de energia da Argentina e do Uruguai. A situação levou o governo a emitir um alerta de emergência hídrica de junho a setembro em cinco Estados brasileiros – Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, todos na bacia do Rio Paraná, onde a situação é mais grave. Nas últimas semanas, o CMSE determinou medidas para reter água nos reservatórios das hidrelétricas da região, de forma a evitar a liberação de volumes usados para outras atividades, como navegação em rios, pesca e captação de água potável. A restrição deve atingir em cheio a hidrelétrica de Furnas, que fica no sul de Minas, uma das áreas de maior influência política do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Ele foi um dos principais defensores da mudança da cota mínima da represa e articulou a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com esse teor pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais no fim do ano passado. Com o apoio do governo à eleição de Pacheco no Senado, o ministro Bento Albuquerque ignorou o fato de que a PEC era flagrantemente inconstitucional, pois o rio atravessa outros Estados e, por isso, a competência é federal. O ministro foi pessoalmente à usina, onde se comprometeu a manter o nível do reservatório no imposto pela proposta. Pacheco tem cobrado publicamente o cumprimento desse compromisso e afirmou que secar os reservatórios do sistema de Furnas é inaceitável. O Estadão/Broadcast apurou que o senador se movimenta para tentar aprovar medida semelhante para fixar o nível do reservatório de Furnas no Congresso Nacional.”

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7. Safatle

Aba aberta aqui há alguns dias, baita entrevista com o Safatle:

“A situação brasileira é muito singular em relação aos outros países da América Latina porque há uma extrema-direita popular que consegue se mobilizar. Este discurso de que a extrema-direita brasileira em seu núcleo mais duro é a classe média ressentida é limitado. Há setores populares que se identificam com os princípios da extrema-direita no Brasil desde sempre. Ela tem adensamento popular. Basta ver o que era o partido integralista nos anos 1930 e 1940. Essa não é a leitura correta. A leitura correta é que o Brasil é um país profundamente fraturado, deve se encarar enquanto tal e deve se preparar para os conflitos e antagonismos que essa fratura implica. A gente tem um processo de natureza revolucionária sendo capitaneado pela extrema-direita e acho importante entender que tem que ter outra revolução. É necessário uma radicalização dos dois polos. O polo da extrema-direita já se radicalizou.” [Carta Maior]

E não existe pólo de extrema-esquerda, é bom lembrar,

“O nível de violência estatal no Brasil é indescritível. E incomparável. A gente vê o que aconteceu dias atrás na intervenção policial no Jacarezinho, esse massacre com uma ausência completa de reação institucional em relação a 28 mortos. Mesmo numa democracia liberal, o Estado precisa esconder sua violência. Ele não espetaculariza sua violência como no caso brasileiro. Não que o Estado não seja violento em outras democracias liberais mas ele não o faz a céu aberto. Essa explicitação é um elemento a mais, ela é a expressão de que a violência pode circular em qualquer lugar.”

É o tal do decoro, nem isso tem hoje em dia.

“Essa imagem da violência pode circular em qualquer lugar. Por quê? Porque você tem vários setores que vão se identificar com essa força brutal do Estado sem maiores problemas. A história do Estado brasileiro é uma história de massacres, construído a partir da gestão de massacres. Esse é só mais um. Por ser baseado na violência estatal contra setores vulneráveis da população esse é um projeto que não só precisa dos militares mas é o projeto constitutivo das Forças Armadas brasileiras. Elas têm essa função, sempre tiveram. A função das Forças Armadas brasileiras é gerenciar uma guerra civil não declarada.”

Sim, massacre atrás de massacre!

Não é à toa que o comunismo tem que aparecer como essa grande figura porque o comunismo é a única força, que no século XX, conseguiu mobilizar a força popular armada contra aqueles que detinham o uso armado do poder. Daí esse lugar privilegiado que a figura do comunismo ocupa.

E aqui preciso colocar esse discurso da Keiko pois orna bem demais:

Vai ser a MESMA coisa por aqui. Aliás, já está sendo.

“Por outro lado, a questão se eles vão querer continuar no poder ou não, eu insistiria. O projeto militar sempre foi um projeto de militarização da sociedade brasileira. Não só permanecer no poder mas criar a sociedade à sua imagem e semelhança. A gente vê isso na intervenção da formação, com escolas militares. Todo o discurso de modernização brutalizada das Forças Armadas brasileiras vem um pouco de sua matriz positivista. Modernização brutalizada significa a compreensão de que a luta contra a natureza é um eixo fundamental de desenvolvimento. A ideia de que a Amazônia é um “inferno verde”, que o Brasil é um país de potencialidade de insurreição permanente. Então é necessário violência a todo o momento. Violência contra setores que não se enquadram no que seria a imagem do desenvolvimento nacional. Daí esse processo de destruição psicológica das populações negras, das populações ameríndias, como se eles fossem esteios do atraso do desenvolvimento nacional. Então é necessário tratá-los com rédea curta.”

Sobre esse all-in no Bosloanro:

“Claro, porque é o modelo de concentração, porque as Forças Armadas vão se constituir em uma das castas que preservam o modelo da concentração de renda da sociedade brasileira. Esse projeto é de longa extensão. Ninguém ocupa o Estado brasileiro com 7 mil militares para sair no ano que vem.”

Sobre se haverá eleição em 22:

Eu havia dito em 2018 que não haveria eleição naquele ano. Um punhado de gente me ridicularizou dizendo que era um absurdo. Hoje a gente sabe que não houve eleição em 2018. Foi uma eleição de República Velha, completamente forjada. Você tira um candidato e aí vence o candidato que querem eleger. Isso com direito a ameaça das Forças Armadas em relação ao Supremo Tribunal Federal dizendo “se o processo não for esse a coisa muda de figura”. Não houve eleição em 2018. Sim, a gente viveu um golpe dito em baixa voz e prolongado. Não foi um golpe gritado. Foi um novo modelo de golpe. Foi um golpe que se serve das estruturas institucionais, que mobiliza setores da população, que se traveste de luta contra a corrupção e que é feito em várias etapas. Do ponto de vista da ciência política é uma deterioração o que aconteceu nos últimos três anos. O eixo foi mudando de posição e você foi abandonando figuras que estavam no poder. Usam a oligarquia tradicional, Temer. Tira a oligarquia tradicional e entram os militares numa composição com setores golpistas do poder judiciário. Depois tiram esses setores do poder judiciário e ficam somente os militares. É um golpe em câmera lenta. Ele vai sendo feito durante anos. Tem esse conceito de autoritarismo furtivo, você vai aos poucos retirando os elementos de “normalidade” democrática. Só que no caso brasileiro tem um elemento a mais, os personagens vão mudando, o poder vai passando de uma mão a outra até o personagem mais radical. Para 2022, há dois cenários. Se perder, Bolsonaro vai fazer um roteiro à la Trump, com as Forças Armadas, o que implica um grau de conflito inimaginável, que a gente nunca viu. Mesmo com a habilidade de negociação do Lula, se ele conseguir garantir sua vitória, ele entra como um Getúlio invertido. O Getúlio começa com um pacto conservador e depois no último mandato encarna situações trabalhistas mais progressistas. Lula vai fazer o inverso porque vai entrar dentro de um pacto tão duro junto ao centro e à direita que vai ser no máximo um candidato de centro. Quem está esperando uma coisa à la Biden no Brasil ignora completamente quais são as relações de força no Brasil.”

Acompanho a relatoria.

“A gente insistia nisso desde maio do ano passado. Faz uma ano que insistíamos que era para ir para as ruas, porque o Brasil não poderia aguentar duas crises, a pandemia e o Bolsonaro. Que ele era pior que a pandemia, ele a fez crescer exponencialmente. Mas existe, mesmo dentro de setores progressistas, uma certa lógica de autopreservação num momento em que deveríamos ter aproveitado os privilégios e tomado a frente. Se a população periférica vai para as ruas e se contamina ela está morta.”

A leida anistia é a desgraça do Braisl moderno:

“Acho que é mais um dos delírios clássicos dentro da sociedade brasileira. Não vai sair por negociação. Não há nenhuma possibilidade. A ditadura militar terminou por negociação. Por isso ela nunca terminou. Por isso ela se preservou, por isso ela volta agora. É impossível imaginar uma ditadura militar que volta na Argentina. Ou mesmo no Chile, que teve uma situação hiper difícil, ou no Uruguai. Mas no Brasil ela volta. Ela ficou num nível subterrâneo: as estruturas institucionais estavam lá, os parágrafos sobre segurança nacional da Constituição de 1988 eram cópia da Constituição de 1967, a anistia foi negociada para proteger militares e torturadores civis e militares. A anistia foi projeto dos militares e eles negociaram com eles mesmos. Basta lembrar como foi a votação da Anistia na Câmara dos Deputados. Foram só votos da Arena, não houve nenhum voto da oposição. Eu nunca vi uma anistia dessa natureza. Foi uma autoanistia. Não houve Justiça de transição no Brasil. Não houve responsabilização de crimes contra a humanidade. Não houve responsabilização de casos de tortura. O resultado é que o Brasil é o único país latino-americano onde os casos de tortura hoje são mais numerosos do que durante a ditadura militar porque a Polícia Militar preservou seus hábitos. É um país onde se tem uma polícia militar, o que já é uma aberração completa, que nunca foi desativada, que hoje se transforma em núcleo de milícia e cuja tendência é fornecer ao Estado a base miliciana da sua sustentação. Tudo isso demonstra, entre outras coisas, que essa estratégia brasileira de sair pelo alto é uma catástrofe. E a gente vai tentar de novo…”

Safatle é pertguntado se Bolsonaro manipula os generais ou se é manipulado por eles e adorei a resposta:

“Ele conseguiu trocar toda a cúpula militar e não aconteceu nada. Na realidade, não há diferença. Não acredito que haja os militares de um lado e ele do outro. Ele é um projeto dos militares… Isso é uma ilusão nossa, precisamos da crença que a instituição das Forças Armadas ainda tem algum senso de responsabilidade com o qual a gente possa contar. Porque foi assim que a ditadura militar se sustentou. Havia essa ideia de que existe um núcleo racional das Forças Armadas. Existe a linha dura e existe o Golbery. Então a gente conversa com o Golbery para barrar a linha dura. De certa forma, os militares conseguiam ser ao mesmo tempo a oposição e o governo. Esse jogo do bom policial e do mau policial é o jogo das Forças Armadas brasileiras. E eles estão jogando de novo e a gente está entrando mais uma vez nessa mesma história. Não existe um lado bom das Forças Armadas. Quem tem um mínimo de responsabilidade sai do jogo, está fora do jogo. No entanto, eles são utilizados para que a gente tenha a impressão de que há uma divisão nas Forças Armadas. Bolsonaro é o projeto das Forças Armadas. Não vai haver cisão entre Bolsonaro e as Forças Armadas. Quem o mantém no poder são as Forças Armadas, o sistema financeiro nacional que teve lucros recordes em situação de crise mundial, os bancos privados tiveram lucros maiores e em plena pandemia. Isso demonstra o grau de obscenidade, Não é uma questão só de racionalidade econômica, é uma questão de saque. É uma lógica de saque e isto é garantido pelo governo. O agronegócio é um outro pilar. Devido à lógica da devastação da natureza eles conseguem tomar posse do que não era objeto de posse, terras que não eram disponíveis, zonas de preservação ambiental. Eles impõem a lógica da propriedade num espaço onde não havia propriedade. O quarto apoio é o núcleo fascista da sociedade brasileira. A Nova República nos fez acreditar que ele não existia, o que era totalmente equivocado. Voltando à questão se ele é fascista ou não eu diria que ele é um caso absolutamente tipificado de fascismo. É um líder fascista no sentido clássico do termo. Todos os elementos estão lá. Você tem o culto à violência a partir da generalização da lógica miliciana, a indiferença e insensibilidade absoluta a setores da população que são completamente vulneráveis, a concepção paranoica de corpo social, onde a identidade aparece como estrutura defensiva, onde a fronteira, a imunização, o risco de contágio por um corpo estranho que nos irá degradar (os comunistas) desempenha papel fundamental. Por fim, você tem uma concepção de poder fundado em um liderança, além do bem o do mal, que sustenta com seus liderados uma identificação narcísica. Ele não é uma liderança paterna, mas é a imagem e semelhança daqueles que ele lidera: as mesmas fraquezas, a mesma violência, a mesma impotência. Ele é eles no poder. Não há nenhum elemento faltando. Só não vê quem não quer, ele é um caso típico de fascismo. Talvez o caso mais típico no mundo inteiro.”

Sobre aquele papinho escroto que Bolsonaro não é fascista pois entreguista:

“Sim, mas essa contradição deve ser analisada nos seus dois termos. Ela não produz um objeto desprovido de conceito. O discurso é e não é nacionalista. O discurso é nacionalista, a prática não é. Mas o discurso precisa ser nacionalista e isso tem uma função. A função é de fato a compreensão de que a grande história brasileira deve ser defendida e ela produz um povo, uma nação, um Estado. Mas a gente sabe que é uma história de massacre, de genocídio, de violência, de exclusão, e tudo isso tem que ser apagado porque isso justifica a sociedade tal qual ela é atualmente. Abrir mão dessa história significaria dizer “essa sociedade precisaria ser transformada totalmente” e não é esse o nível de transformação que eles querem. Isso eles querem preservar custe o que custar. O Brasil foi o maior experimento necropolítico da História. De 4,5 milhões de escravos que foram enviados às Américas, 35% foram para o Brasil. Não há comparação com o que foi feito no Brasil. É o que escreve Celso Furtado que diz que “o Brasil foi um experimento econômico de latifúndio primário exportador antes de ser uma sociedade”. Era um latifúndio escravocrata primário exportador. E ele é a base do imaginário nacional até hoje e está no projeto político atual.

E a esquerda tem que ouvir mais pessoas como Safatle e Paulo Arantes:

“Eu escrevi um texto em que dizia : “A esquerda brasileira morreu.” E continuo insistindo. O projeto de esquerda nacional que começa lá no Partido Comunista Brasileiro acabou. Para recuperar sua capacidade de organização e de mobilização é preciso que ela entenda por que morreu. Para poder abrir uma segunda fase. Mas a esquerda brasileira não quer fazer isso em hipótese alguma. Ela é refratária a todo processo de autocrítica como se fosse a expressão de algum tipo de fraqueza. E todos os grupos deveriam fazer esse processo. Sem nenhuma exceção, todos os grupos e todas as classes que estão em volta desses grupos, inclusive nós, professores. Todos têm que fazer uma autocrítica, não como um exercício masoquista mas com a confiança de que temos muito mais força de fazer um segundo momento mais capaz de operar as transformações que até agora a gente não conseguiu. A esquerda teve 14 anos de exercício do poder e é incapaz de falar para a sociedade brasileira o que ela quer preservar e de que ela quer abrir mão... “Setores fundamentais da elite da esquerda brasileira são compostos por facções dissidentes da classe média e da classe alta. São grupos que têm uma consciência muito clara do caráter insustentável e insuportável da sociedade brasileira, eles fazem parte de uma certa classe e abrem mão de defendê-la. Isso é um elemento constituinte e a base da esquerda brasileira em seu núcleo dirigente em larga medida. Porque elas vieram daí, têm tendência a confiar na estrutura institucional que as produziu. A esquerda acredita que se a lei funcionar bem a gente vai conseguir fazer o que deve ser feito. Se a gente conseguir negociar com o Congresso a gente vai conseguir. A esquerda brasileira é super republicana. Uma coisa é você ser republicano na Suécia… Isso cria uma situação completamente absurda pois a esquerda verdadeira não é republicana nesse sentido. Ela é insurrecional e revolucionária. Ela entende que o pacto republicano é um pacto de paralisia. Ainda mais em países como o Brasil. Por que a figura mais trágica da esquerda brasileira é o Marighella ? Porque ele foi o sujeito que colocou isso na mesa. Ele disse : “A gente fez um pacto durante todo esse período de 1945 até 1964 de apoiar as reformas graduais dentro da estrutura republicana fazendo uma pactuação com o populismo de esquerda, com o trabalhismo e vejam o que deu. Teve um golpe. Ninguém estava preparado.” Isso demonstra a incapacidade de ler os reais perigos que a sociedade brasileira enfrenta. Lembro em 2012, 2013, quando fazíamos debates acalorados na universidade e havia quem dissesse : “O Brasil é a democracia mais estável dos BRICS.” Isso demonstra uma dificuldade de ver nossa realidade.”

A entrevista passa ao Biden, Safatle diz que “contar com a política norte-americana como elemento de defesa de nossos interesses reais é outra figura do suicídio” e faz uma bela crítica á missão de paz no Haiti:

“A ideia de consolidação de lideranças regionais que têm uma autonomia relativa pois é bom lembrar o papel vergonhoso que o Brasil desempenhou no Haiti fazendo o papel da policia norte-americana. Mais um elemento que nunca foi objeto de autocrítica.”

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8. Paulo Arantes

Por falar no Paulo Arantes, vai aí uma aba de navegador aberta aqui há algumas boas semanas:

“Há pouco mais de um mês, Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), leu uma entrevista em que o ex-BBB Lucas Koka Penteado afirmava que não se “discute com racista, a não ser que ele queira se desconstruir”. Embora esteja lançando um livro intitulado Formação e desconstrução: uma visita ao Museu da Ideologia Francesa, Arantes não sabia que a palavra “desconstrução” tinha entrado no vocabulário de parte de jovens progressistas ativos nas redes sociais para descrever uma espécie de reforma moral que consiste em despir-se dos próprios preconceitos e reconhecer seus privilégios de classe, raça, orientação sexual etc. Arantes entendia desconstrução à moda francesa, conforme pregou Jacques Derrida (1930-2004), um dos filósofos “pós-modernos” que ganharam os holofotes intelectuais depois que o marxismo perdeu parte do brilho e as classes operárias quase sumiram do discurso político. Grossíssimo modo, a desconstrução é uma técnica de crítica literária que visa desmontar (desconstruir) as oposições (polaridades, binarismos etc.) sobre as quais se estruturou o pensamento ocidental. A desconstrução filosófica, na visão crítica de Arantes, não passa de “ideologia francesa”. Nos ensaios de Formação e desconstrução, escritos entre 1989 e 1995, Arantes, munido de seu arsenal materialista, faz um esforço para desconstruir o discurso de “ideólogos franceses” (Derrida, Gilles Deleuze, Jacques Lacan, Michel Foucault) e de seus discípulos ianques. Ao sair da França e conquistar as universidades americanas, o jargão filosófico francês foi incorporado pelas minorias politicamente organizadas (mulheres, negros, LGBTs etc.) que hoje animam a “esquerda pós-moderna”, a mesma que renovou o significado do verbo “desconstruir”. Num dos lançamentos virtuais de seu novo livro, Arantes mencionou o que aprendera lendo a entrevista de Penteado. “Na mesma noite, recebi e-mails de cineastas, antropólogos e sociólogos me explicando o significado de ‘desconstrução’ conforme usado pelo rapaz. Me mandaram até assistir a Desconstruindo Harry, do Woody Allen, e ao documentário Espero tua (re)volta, da Eliza Capai, sobre as ocupações dos secundaristas em 2015, do qual ele é um dos protagonistas”, disse Arantes, numa chamada de vídeo com ÉPOCA. “Recebi opiniões de vários matizes, dependendo da posição do interlocutor, se tinha ou não um pé atrás em relação às políticas identitárias a que atualmente se resumem a teoria crítica e o ativismo progressista.” “‘Dizem que sou catastrofista, apocalíptico, porque nunca acreditei muito no lulopetismo e não entrei em apoteose mental com os destinos recentes e não tão recentes do Brasil’, disse o filósofo Paulo Arantes” Segundo Arantes, o dilema da esquerda contemporânea — como empunhar as bandeiras identitárias sem alienar seus antigos eleitores da classe trabalhadora — não será resolvido num esquema “ou isto ou aquilo”. “Temos de analisar situação por situação. Peguemos o exemplo das ocupações secundaristas em São Paulo, em 2015, que foi uma luta do barulho, politicamente corajosa. A maioria era negra, filha de trabalhador e se sentia oprimida do ponto de vista do gênero. Era como se a sociedade toda desabasse em cima deles, que reagiram à altura e com esse vocabulário identitário, que lhes deu coragem para ocupar escolas e enfrentar um secretário de Segurança Pública que hoje é ministro do STF (Alexandre de Moraes). Por outro lado, o Movimento Passe Livre (coletivo que defende a gratuidade do transporte público e puxou os protestos de junho de 2013 em São Paulo) implodiu por causa dessas lutas identitárias”, explicou. “Se eu descarto inteiramente a combatividade dos movimentos, é melhor já preparar meu epitáfio político. Se eu embarcar dogmaticamente nas lutas identitárias, como um teórico francês ou americano, assino minha sentença de morte intelectual.” Nascido em Santos, no litoral paulista, em 1942, Arantes estudou física e militou na Juventude Universitária Católica antes de ingressar no curso de filosofia da USP. É autor de livros como Ressentimento da dialética, Um departamento francês de ultramar, O fio da meada e O novo tempo do mundo. Escreveu também dois livros com a esposa, Otília Fiori Arantes, também professora de filosofia na USP.

Arantes não dá mais aulas, mas ainda orienta projetos de pós-graduação. Nos últimos 13 meses, ele só saiu de casa para tomar as duas doses da vacina e almoçar com a família no Natal. A orelha de O fio da meada afirma que “Paulo Arantes não é entrevistável”. O mais correto seria dizer que ele encara as perguntas do repórter como as de um aluno e responde como um professor paciente, entusiasmado e irônico. Numa mesma resposta, ele comenta a conjuntura política, recorre ao jargão filosófico e não dispensa o sarcasmo. É conhecido por suas análises (filosóficas e políticas) rigorosas, seu radicalismo político e por seu texto dificílimo. “É difícil falar do Paulo, porque ele é uma pessoa muito diferente. Ele é uma enciclopédia, domina a história da filosofia como poucos e nos estimulava a traçarmos nossos próprios caminhos intelectuais”, disse seu ex-aluno Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato à Presidência. Arantes também é conhecido por seu pessimismo. Ainda nos 1990, quando todos apostavam que o Brasil ingressaria, enfim, no concerto das nações modernas, ele já alertava para a “desintegração nacional”. Também professor de filosofia da USP, Ruy Fausto (1935-2020) era um crítico do “niilismo neomarxista” e da excessiva ironia do colega. Num texto de 1997, Fausto disse que “falar na nação que se dissolve” não leva a nada e, no fundo, “serve ao sistema”. Em seu livro Veneno remédio, o ensaísta e músico José Miguel Wisnik identificou “certo júbilo hipercrítico” num dos ensaios mais influentes de Arantes, “A fratura brasileira do mundo”, de 2001, que afirma: “Na hora histórica em que o país do futuro parece não ter mais futuro algum, somos apontados, para o mal ou para o bem, como o futuro do mundo”. “Arantes assinala, não sem ironia, que a catástrofe social brasileira é uma espécie de ‘vanguarda do pior’ que anuncia processos de corrosão que estão em marcha nos países hegemônicos. Essa posição não deixa de soar como uma espécie de ufanismo às avessas, um ‘júbilo hipercrítico’”, explicou Wisnik. “Hoje, com a fratura brasileira agravada ou tipificada pelo bolsonarismo no poder, muito de seu radicalismo me parece simplesmente sensatez.” Tanto Arantes quanto Wisnik cresceram no litoral paulista e testemunharam a era de ouro do Santos, time dos dois. Arantes brincou que “contemplar o absoluto” nos dribles de Pelé fez dele um apocalíptico, enquanto Wisnik passou a “ver sentido em tudo”. “Uma vez, ele comparou o ritmo do meu andar ao de Didi levando a bola debaixo do braço, depois do gol da Suécia na final da Copa de 1958, acalmando o time e dizendo que vamos virar”, disse Wisnik. Os amigos psicanalistas de Arantes já o diagnosticaram como “perverso”, contou ele. “Dizem que sou catastrofista, apocalíptico, porque nunca acreditei muito no lulopetismo e não entrei em apoteose mental com os destinos recentes e não tão recentes do Brasil”, rebateu. “Se eu fosse isso que dizem, seria um depressivo, nem levantaria da cama e não faria tudo que faço, aos quase 80 anos”, afirmou. O próprio Arantes disse não fazer parte do “circuito Elizabeth Arden do pensamento progressista”. Intervém pouco na imprensa, demora a publicar seus livros e não oferece cursos pagos à classe média intelectualizada. Por outro lado, dá inúmeras entrevistas a podcasts minúsculos e canais do YouTube tocados por jovens, participa de debates promovidos por movimentos sociais e dá aulas públicas no meio de greves e protestos. Só no ano passado, apareceu em 30 lives. “Meus colegas ‘otimistas’ podem esnobar o cara da rádio pirata da favela que me convida para falar porque acham que a história navega a nosso favor, que o marxismo é uma ciência e um bom governo pode colocar as coisas nos trilhos”, afirmou. “Por honestidade intelectual, esse peixe eu não posso vender. Vou enganar a moçada da ocupação? Meus colegas vão vender esse tipo de esperança enlatada em 2022?” Um amigo de Arantes chegou a dizer que ele fizera uma “opção pelo submundo marcuseano”. Segundo o filósofo alemão Herbert Marcuse (1898-1979), o potencial revolucionário não jazia mais nas classes operárias, mas naqueles que ocupavam as margens extremas da sociedade. “Quando reencontrei esse amigo, depois de junho de 2013, perguntei para ele: ‘E aí, viu o submundo marcuseano indo às ruas?’” Nos últimos anos, Arantes vem mais falando do que escrevendo. Ele se define como um “professor de filosofia que escreve ensaios eventualmente reunidos em livro” e que prefere análises de conjuntura bem-feitas à teoria. “O John Dewey (filósofo americano, 1859-1952) dizia que teoria não importa. Eu não ligo se o cara é racionalista ou empirista, corintiano ou flamenguista. Quero é saber se ele joga bem. (Ludwig) Wittgenstein (filósofo austríaco, 1889-1951) disse que, se todos os problemas filosóficos forem resolvidos, nada terá mudado”, explicou. “Mais do que teoria, me interessam análises, como a do etnógrafo Gabriel Feltran, que mostra como está se formando um ‘sistema jagunço’. Como tenho o marxismo na cabeça, consigo associar isso com a categoria da totalidade, mas não vou ler nem escrever um livro de 600 páginas sobre a teoria do valor em Marx e adjacências. Fora de cogitação.” Desde o lançamento de Formação e desconstrução, Arantes tem voltado à teoria para descobrir como o jargão dos ideólogos franceses baixou das nuvens filosóficas parisienses para a realidade. “Quero entender as origens e metamorfoses do jargão desconstrutivista e entender como ele é sintoma de um mundo no qual o futuro já começou a terminar. Como é que a desconstrução que começou num embate estratosférico com a metafísica chegou ao Big brother, a coletivos políticos da maior importância e ao programa do Bozo e do Olavo de Carvalho?” Em 2019, num jantar nos Estados Unidos, com seu guru ideológico e lideranças conservadoras americanas, o presidente Jair Bolsonaro afirmou: “Nós temos é que desconstruir muita coisa”.” [Época]

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9. Moraes vs Aras

Copmo Aras tá na contenda só nos resta torcer pelo rival:

“O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes passou a fazer duras críticas, em conversas privadas, à atuação do procurador-geral da República Augusto Aras após o pedido de arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, que mira bolsonaristas. O caso expôs publicamente a divergência entre os dois, mas faz parte de uma série de embates envolvendo posicionamentos de Aras contra medidas de investigações que atingiam aliados do Planalto. Ministro e procurador-geral já haviam entrado em choque antes por desacordo no inquérito das fake news, também relatado por Moraes, e quando o magistrado autorizou buscas contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sem informar previamente à PGR, o que irritou Aras. A nova contenda fez a briga escalar nos bastidores. A avaliação de ministros do STF é que o pedido de arquivamento foi um aceno de Aras ao presidente Jair Bolsonaro pela indicação à cadeira que será aberta na Corte com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, em julho. De acordo com interlocutores, Alexandre de Moraes teria ficado “estarrecido” com a manifestação da PGR e apontou a existência de falhas no pedido de arquivamento. A procuradoria-geral argumentou que a Polícia Federal ficou um ano com o inquérito e não produziu provas de crimes contra os parlamentares investigados. Por entender que havia elementos suficientes para o prosseguimento do caso, Moraes decidiu tirar o sigilo do inquérito e expor as provas coletadas. E pediu esclarecimentos à PGR sobre a extensão do arquivamento. Após a resposta, o ministro decidirá o rumo da investigação. No Supremo, ministros têm dito que vão respaldar as decisões que Moraes tomar. Os embates entre o ministro e o procurador-geral da República remontam a maio do ano passado. Na ocasião, Moraes enviou à PGR um pedido de busca e apreensão contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro formulado dentro do inquérito das fake news, que apura ataques à Corte. Aras respondeu que considerava necessário apenas tomar o depoimento dos alvos da investigação, sem a realização de buscas. Também se posicionou contra o bloqueio de contas nas redes sociais usadas por bolsonaristas para ataques ao STF. Apesar disso, Moraes autorizou a operação, cumprida pela PF uma semana depois. Isso resultou em uma súbita mudança de posição do procurador-geral da República. No início de sua gestão, em outubro de 2019, Aras se manifestou a favor do prosseguimento do inquérito das fake news, mudando a avaliação externada por sua antecessora Raquel Dodge, que argumentava ser inconstitucional o inquérito aberto e conduzido por Alexandre de Moraes. Após as buscas contra bolsonaristas, Aras entrou com uma ação no STF pedindo a suspensão da investigação. Criticado na ocasião, Aras soltou nota dizendo que não havia mudado de posicionamento e que a ação tinha o objetivo de delimitar a participação do Ministério Público no inquérito. A PGR, então, concentrou seus esforços contra bolsonaristas no inquérito dos atos antidemocráticos, aberto a pedido de Aras em abril de 2020. Em junho, após pedido da PGR, a Polícia Federal cumpriu busca e apreensão contra bolsonaristas e houve a quebra do sigilo bancário de 11 parlamentares. Após a PF concluir relatório parcial das diligências, Moraes enviou o material para a PGR se manifestar sobre o prosseguimento das investigações em 4 de janeiro. O ministro fez insistentes cobranças a Aras por uma resposta, que só foi enviada ao Supremo no dia 28 de maio, com o pedido de arquivamento. Nesse ínterim, Moraes recebeu em 30 de abril um pedido de busca formulado pela Polícia Federal contra Ricardo Salles. O procedimento padrão seria enviar os autos para a PGR se manifestar sobre o pedido. Segundo interlocutores, Moraes avaliou que Aras poderia criar obstáculos ou até mesmo vazar informações ao Palácio do Planalto. Por isso, autorizou a realização das buscas sem ouvir previamente a PGR, que só soube da operação no dia da deflagração. A ação de Moraes provocou profunda irritação em Aras, que dias depois apresentou uma ação ao STF para garantir que toda operação tenha manifestação prévia da PGR.” [O Globo]

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10. Telegram

Eia a arena de 2022:

“Grupos e canais políticos no Telegram tiveram crescimento explosivo no Brasil desde 2020, e o aplicativo deve ser um dos principais veículos de desinformação na eleição de 2022, alertam especialistas e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) mapeou os principais grupos e canais de discussão política no aplicativo. Segundo o levantamento, 92,5% dos usuários que seguem temas políticos estão em grupos e canais bolsonaristas (com um total de 1,443 milhão de membros), 1% em grupos e canais de esquerda (principalmente de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidenciável Ciro Gomes, com 15.956 membros) e 6,5% em grupos e canais indefinidos (100.199). O volume mensal de mensagens nos grupos monitorados saiu de 21.805 em janeiro de 2020 para picos de 98.526 em maio de 2020 e 145.340 em janeiro de 2021 —aumento de 566% no período de um ano. Embora o WhatsApp continue sendo o serviço de mensagens criptografadas mais usado no país, o Telegram desperta enorme preocupação porque não tem escritório no Brasil, não modera conteúdo, nem adota medidas para evitar viralização de desinformação. O aplicativo é baseado em Dubai, nos Emirados Árabes, e tem representação legal no Reino Unido. Além disso, o Telegram é a única das principais plataformas que não coopera com o TSE para combater campanhas de fake news. Enquanto os grupos do WhatsApp têm no máximo 256 membros, os do Telegram têm até 200 mil —e os canais, que funcionam como listas de transmissão, não têm limite de integrantes. O canal verificado do presidente Jair Bolsonaro tinha 145 mil membros em janeiro e, agora, tem 705 mil.” [Folha]

Números brutais:

“O Telegram facilita a disseminação de mensagens para grupos enormes e os dados mostram que o aplicativo pode ser bastante explorado nas campanhas de desinformação na eleição de 2022”, diz Fabrício Benevenuto, professor de ciência da computação da UFMG e coordenador do estudo. “Além disso, detectamos no estudo que grande parte do conteúdo circulado no Telegram depois vai para o WhatsApp e redes sociais”, afirma. Todas as 15 mensagens de texto mais visualizadas nos grupos políticos do aplicativo eram links que levavam a vídeos favoráveis ao governo. Uma delas, visualizada por 330.865 pessoas, era um link que levava para vídeo do canal do vereador Carlos Bolsonaro (RJ) intitulado “A VERDADE ESTABELECIDA SOBRE A COVID. Será que sai na tv que quer matar seu país?”. A UFMG criou em junho de 2018 o WhatsApp Monitor, que monitora campanhas de desinformação em grupos do aplicativo de mensagens, e vai lançar o Telegram Monitor, com o mesmo objetivo. O TSE já tentou várias vezes entrar em contato com o Telegram para fazer parcerias, como as fechadas com Facebook, WhatsApp, YouTube, Google, TikTok e Instagram na eleição de 2020. Mas a empresa tem como uma de suas bandeiras não cooperar com nenhum governo e só moderar conteúdo relacionado a terrorismo —por exemplo, de facções como o Estado Islâmico. A Folha tentou várias vezes entrar em contato com a área de imprensa do Telegram, pelo canal indicado no site da empresa, mas não obteve resposta. “Estamos muito preocupados, acreditamos que o Telegram pode ser um grande elemento de desestabilização na eleição de 2022”, diz Thiago Tavares, presidente da SaferNet, entidade de segurança cibernética. “O aplicativo é terra sem lei, porque não tem as limitações do WhatsApp e não aplica nenhuma das políticas de integridade —ele pode ser usado para espalhar desinformação que seria penalizada em outras plataformas”, afirma. A empresa não divulga números por país, mas anunciou que o número global de usuários ativos mensais chegou a 500 milhões em janeiro deste ano, crescimento de 180% em relação a 2018. O WhatsApp tem 2 bilhões de usuários mensais. No Brasil, onde os últimos dados divulgados pela empresa são de 2017, estima-se que tenha cerca de 140 milhões de usuários. Segundo o coordenador do estudo, Benevenuto, os picos de volume de mensagens coincidem com episódios com implicações políticas. O primeiro pico foi em maio de 2020, com o agravamento da pandemia da Covid-19 e acirramento nos confrontos entre o presidente Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal e governadores. Os confrontos culminaram em uma série de protestos a favor do fechamento do STF e do Congresso. Já em janeiro de 2021, o segundo e maior pico, houve dois episódios. O então presidente Donald Trump foi banido do Twitter e Facebook após seus apoiadores invadirem o Capitólio, em Washington, para contestar o resultado eleitoral. Segundo as plataformas, o republicano usou as redes para fazer incitação à violência e questionar a integridade eleitoral, que são violações às normas de comunidade. Trump e a extrema direita afirmam que são perseguidos e censurados pelas grandes empresas de internet, e lideraram uma migração para plataformas que não fazem moderação de conteúdo, como Telegram, Parler, Gab, Bitchute e Rumble. Logo depois da invasão do Capitólio, Jair Bolsonaro criticou o Twitter e o Facebook por suspenderem os perfis de Trump e conclamou seus seguidores a se inscreverem em seu canal no Telegram.

Na mesma época, o WhatsApp anunciou globalmente mudanças em sua política de privacidade, e pediu para que usuários autorizassem compartilhamento de certos dados com o Facebook, dono do aplicativo de mensagens. O anúncio gerou um êxodo de usuários do WhatsApp que temiam violação de privacidade e migraram para aplicativos como o Telegram, que foi o aplicativo mais baixado do mundo nas lojas da Apple (iOS) e Google (Android) em janeiro de 2021. Para o estudo da UFMG, os pesquisadores coletaram 1.405.997 mensagens de 122 grupos e canais políticos, com dados entre janeiro de 2018 e abril de 2021. Para mapear os grupos e canais, fizeram pesquisa de palavras-chave relevantes e busca de links para o Telegram em outras plataformas. Os canais políticos com maior número de inscritos, após o do presidente Jair Bolsonaro, são do blogueiro bolsonarista Allan Dos Santos, da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), o canal Jair Bolsonaro, eu Apoio!, o do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), do influenciador bolsonarista Bernardo Küster, do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), Eu sou de Direita e o grupo Exército do Bolsonaro. Entre os grupos com maior volume de mensagens estão Bolsonaro Presidente, Direita Rio de Janeiro, Revista DireitaBR, DeusAcimaDeTodos.com e Contra a Censura!. O Telegram permite o uso de robôs, como as contas automatizadas usadas para dar boas-vindas a novos inscritos em canais ou grupos. Mas há indícios também de uso de automação não autorizada —o estudo aponta contas que mandam um número enorme de mensagens, apesar de não terem a classificação oficial de robô pela plataforma. Os principais domínios compartilhados são de outras plataformas de internet, como YouTube, Twitter, Instagram, Pinterest e Facebook, seguidos de sites que são apontados por checadores como disseminadores de desinformação, como Jornal da Cidade Online, Terra Brasil Notícias, Conexão Política e Gazeta Brasil. “Nossas análises mostram um volume expressivo de usuários brasileiros na plataforma associado a uma grande mobilização política encampada por grupos e canais de extrema direita, além de influenciadores e autoridades com perfis seguidos por centenas de milhares de pessoas” diz o estudo. Segundo os autores, o fato de os grupos de Telegram terem milhares de usuários a mais do que os de WhatsApp “fornecem as condições ideias para o abuso de campanhas de desinformação dentro do Telegram em eleições futuras”. Após uma onda de linchamentos na Índia em 2018 e a avalanche de desinformação na eleição presidencial brasileira no mesmo ano, o WhatsApp começou a implementar mecanismos de “fricção”, para desestimular os usuários a encaminhar mensagens que estejam viralizando. Hoje, cada mensagem está limitada a cinco encaminhamentos ou apenas um quando o conteúdo é viral, e o conteúdo é rotulado como “encaminhado” ou “encaminhado várias vezes”. No Telegram, só é possível encaminhar uma mensagem a um usuário, grupo ou canal por vez —no entanto, os grupos têm até 200 mil membros e os canais não têm limite. O aplicativo foi adotado por vários líderes de direita no mundo, que se consideram perseguidos por causa das restrições que as plataformas vêm fazendo —entre eles, o presidente turco, Recep Erdogan, e Binyamin Netanyahu, que deixou neste domingo (13) o cargo de primeiro-ministro israelense. Em seu canal, o fundador do Telegram, o russo Pavel Durov, diz que o aplicativo “acolhe o debate político vindo de todos os lados do espectro politico”, mas promete agir rapidamente para “impedir pessoas que incitam pessoas a agredir outros”. “Para nós, o Telegram é uma ideia, a ideia de que todos neste planeta têm o direito de serem livres”, diz.”

Palavras de Aline Osorio, secretária-geral do TSE e coordenadora do Programa de Enfrentamento à Desinformação:

“O Telegram é um grande desafio, nós temos buscado canais, ainda não conseguimos chegar no Telegram. Atualmente a moderação de conteúdo que é feita, ou que praticamente não é feita pelo Telegram, é mais com base em preocupações de terrorismo”, afirmou. “Estamos usando caminhos diplomáticos para chegar em representantes do Telegram.” [Folha]

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11. A ofensa

O governo já tinha feito merda na África em 2019, escandalizando os africanos com o papo do Ernesto, e agora isso:

“Para resgatar seu prestígio junto à Igreja Universal, o presidente Jair Bolsonaro decidiu emplacar o bispo e ex-ministro Marcelo Crivella na embaixada da África do Sul. A atribuição de embaixadas a civis é uma prerrogativa tradicional do presidente. Muitos notáveis da República já passaram pelos palácios diplomáticos de Paris, Lisboa e alhures. Mas a ideia de atribuir a um civil um mandato que extrapola as funções de embaixador torna a nomeação de Marcelo Crivella única, e provavelmente irrealizável. Tudo leva a crer que Bolsonaro persuadiu a Universal de que Crivella seria um enviado especial para assuntos religiosos na África austral, que teria como principal missão conter a revolta dos bispos da Universal em Angola e impedir que ela se alastre a Moçambique. Ponto de passagem obrigatório para dirigentes africanos, Pretória seria a base ideal para as articulações políticas do bispo-embaixador. Faltou combinar com a realidade. Sob o comando do estadista Cyril Ramaphosa, a África do Sul luta para resgatar seu estatuto de referência geopolítica da África, ameaçada pela Nigéria e por estrelas ascendentes como a Etiópia. Poucas capitais sentem tanta falta do Brasil como Pretória. A resposta conjunta do sul global à pandemia defendida por Ramaphosa ganharia outra dimensão com o apoio do Brasil. Não é por acaso que Lula, na sua recente passagem por Brasília, reuniu-se por uma hora e meia com o embaixador sul-africano. Se a chegada a Pretória em setembro do ano passado de Sérgio Danese, um dos mais conceituados embaixadores do Itamaraty, foi vista como um sinal de prestígio pelos sul-africanos, sua substituição prematura por Crivella é mais que uma desilusão. É uma afronta à relação estratégica dos dois países. O bispo tem chances reais de terminar como Eduardo Bolsonaro, o embaixador que perdeu o caminho da embaixada. A incompreensão da África do Sul deixa claro que a tentativa de nomear Crivella é uma manobra amadora e impensada. O governo precisava de um fato novo para dissimular sua incapacidade de ajudar a Universal em Angola e mostrar quem manda no Itamaraty, que andava exagerando no profissionalismo e na moralidade. Sob o comando do chanceler Carlos França, os diplomatas estavam voltando a fazer coisas inadmissíveis como escrever frases coerentes e trabalhar pela paz no Oriente Médio. O alento é que a novela em torno da indicação de Crivella, que se anuncia longa e constrangedora, vai reforçar a impressão de que o governo Bolsonaro não tem a menor ideia de como relançar a política externa. Depois do colapso do arco etnonacionalista com a derrota de Donald Trump, o Brasil simplesmente decidiu se retirar do jogo internacional. As potências vão aguardar a próxima eleição para decidir o que fazer desse estranho caso de capitulação diplomática. Até lá, o Itamaraty seguirá na sua deriva melancólica, pontuada por algumas ideias fracas como a da semana passada.” [Folha]

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12. 27 de janeiro de 1945

Do Jaime Spitzcovsky:

“O calendário apontava 27 de janeiro de 1945 e, em meio ao ataque, o soldado soviético David Dushman não hesitou. No comando de um T-34, jogou o tanque contra a cerca eletrificada do campo de extermínio de Auschwitz, principal engrenagem da máquina mortífera nazista. A ação intrépida do jovem militar, então com 21 anos, apressou a desmontagem de um cenário trágico, do extermínio de cerca de 1,1 milhão de pessoas, das quais mais de 90% eram judeus. A destruição da cerca abriu caminho para a invasão de soldados do 60° Exército, testemunhas iniciais dos horrores de Auschwitz. David Alexandrovich Dushman, de origem judaica, morreu no último dia 5, aos 98 anos. Após atravessar a Grande Guerra Patriótica, como os russos se referem ao conflito contra os hitleristas, o militar com mais de 40 condecorações se dedicou à esgrima e a palestras sobre o Holocausto, a fim de combater visões negacionistas empenhadas em apagar as atrocidades do nazismo. Dushman dividiu as últimas décadas de sua vida entre a Áustria e a Alemanha. Morreu em Munique, seu lar desde 1996, e onde testemunhou, na Olimpíada de 1972, o ataque terrorista responsável pelo assassinato de 11 atletas israelenses. À época, o ex-militar era treinador da equipe soviética de esgrima. Voluntário no início da trajetória no Exército Vermelho, Dushman foi ferido em combate três vezes e participou das batalhas de Stalingrado e Kursk. E relatava que, dos 12 mil integrantes de sua divisão, apenas 69 sobreviveram.” [Folha]

O tanto de russo que morreu na segunda guerra é proporcional à tentativa de diminuir o papel do Exército vermelho na derrota dos nazistas.

Quando morei em Moscou, entre 1990 e 1994, trabalhando como correspondente da Folha, certa vez entrevistei o general Vassily Petrenko, um dos comandantes da ofensiva contra Auschwitz. Construímos, após o contato jornalístico, amizade sólida e passei a visitá-lo com frequência. Em almoços carregados por culinária russa, invadíamos as tardes conversando sobre a turbulenta transição à era pós-soviética e sobre reminiscências dos tempos da guerra. O endereço de meu anfitrião indicava uma área habitada por veteranos do Exército Vermelho: praça da Vitória, 1. Petrenko morreu em 2003, aos 91 anos. Assim como Dushman, dedicou parte importante de sua vida, após deixar a farda, a combater a ameaça do neonazismo e do fascismo, com a publicação de livros, entrevistas e palestras. Em suas falas, Petrenko ressaltava o papel do general Pavel Kurotchkin, comandante do 60° Exército, e responsável por, sem aguardar sinal verde de Moscou, acelerar o avanço das tropas soviéticas rumo a Auschwitz, para estancar o massacre.”

Que lindo, porra de ordem nenhuma!

“O tenente Ivan Martynushkin, aos 21 anos, também participou da ofensiva em janeiro de 1945. E, como seus camaradas Dushman e Petrenko, mergulhou em ações para relatar e registrar atrocidades cometidas pelo nazismo. Em entrevista no ano passado, ao site Spiegel International, Martynushkin relatou a experiência de janeiro de 1945, às vésperas da libertação, ao avistar Auschwitz. “Nosso primeiro pensamento era que devia ser uma base militar. Já estava escuro, e não avançamos”, relembrou. “Na manhã seguinte, nossa primeira tarefa era averiguar a região, e enquanto fazíamos isso, vimos pessoas se movimentando atrás da cerca. Num primeiro momento, ficamos preocupados, mas percebemos que eles acenavam para nós. Foi então que entendemos: eles são prisioneiros”. Em um momento de avanço global de discursos de ódio, de revisionismos e de falsificações históricas, ganha ainda mais importância amplificar as ações educativas e políticas de Dushman, Petrenko e Martynushkin. Trata-se de uma exigência do século 21.”

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Governo autoriza uso de Força Nacional em terra indígena yanomami
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Em convenção do Patriota, Flávio diz que Bolsonaro quer um partido com segurança jurídica
É fascinante como a famiglia presidencial não só é incapaz de criar um partido como simplesmente não consegue se filiar a um existente!

PGR muda seleção para ‘novas Lava Jatos’ e prevê prêmio a mais antigos e por acúmulo de serviço
“Diferentes procuradores que atuam na área penal disseram à reportagem que, com a mudança, os Gaecos podem acabar virando um “puxadinho remuneratório” para pessoas que não são especializados em crime organizado ou lavagem de dinheiro, mas irão se candidatar para as vagas porque são antigos no Ministério Público e querem a gratificação.”

Moraes, do STF, determina que deputado Daniel Silveira pague R$ 100 mil de fiança
O bombado desrespeitava as regras de prisão domiciliar e se fodeu.

Eleições regionais impõem derrota à direita de Piñera no Chile
Dia desses Bolsonaro criticou a constituinte chilena, e teve mais uma derrota do Piñera, dos 13 cargos regionais em disputa ele levou UM!

‘Festa do tratoraço’: deputado manda 31 tratores para cidade governada pela mãe
Apenas e tão somente o relator do orçamento de 2020!

PF desiste de reestruturação encampada por ex-ministro da Justiça e estuda novo modelo
“A cúpula da Polícia Federal desistiu da reestruturação interna prevista para este ano que, entre outras coisas, dividiria a diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado em três: uma antidrogas, outra de combate à corrupção e uma contra crimes fazendários. As mudanças foram patrocinadas pelo ex-ministro André Mendonça. A nova gestão da PF deve propor outro modelo de reestruturação.”

O ditador militar admirado pela esquerda peruana
Vale muito ler esse texto sobre operuano Velasco Alvarado.
“Em 1977, quando Velasco Alvarado morreu, seu enterro foi acompanhado por uma multidão. Havia sindicatos de trabalhadores urbanos e milhares de camponeses que vieram da região rural despedir-se do líder.”