Dias 753, 754 e 755 | “Eu vi uma carreata monstro de uns dez carros lá contra mim” | 23, 24 e 25/01/21

Podcast tá de volta amanhã, os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

E deve ter erro de digitação e uma ou outra costura esquisita, mas segue em frente, tem outras derrotas, tô vesgo de tanto olhar pra tela.

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1. Covid-17

Abro os trabalhos com Celso Rocha de Barros:

“O governo brasileiro é o único do mundo que viu o início da vacinação como uma crise, e respondeu como sempre responde a crises: com ameaça de golpe de Estado e aparelhamento. O procurador-geral Augusto Aras lançou a ameaça de estado de defesa.” [Folha]

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Tem mais General Augusto Aras – sim, depois dessa carta virou General Augusto Aras – mas isso fica para outro tópico.

Só pelas tristes bandas de cá o momento mais esperado em todo mundo é visto como uma ameaça ao governo. No caso, um governo verde-oliva, com um general da ativa no comando da Saúde. Todos os demais líderes mundiais devem ter comemorado o início de vacinação, no fim das contas os cientistas tiraram onda e entregaram vacinas, no plural, em menos de um ano, e assim a economia pode em breve voltar a alguma coisa parecida com a normalidade. Mas não aqui, aqui brasileiro não tem um minuto de paz nem na hora de vacinar em plena pandemia.

Ao mesmo tempo, segundo reportagem do Correio Braziliense, Bolsonaro planeja retaliações contra Doria. Por vacinar gente.”

Sim, o presidente denclarou, e não é de hoje, guerra ao governador do maior e mais rico estado do país.

Enquanto isso, os ventos da economia internacional começam a soprar a favor do crescimento. Quem vai aproveitar melhor essa maré favorável será quem puder botar gente vacinada na rua para trabalhar e consumir. Se qualquer outro idiota tivesse vencido a eleição de 2018, seríamos nós.”

Até o Cabo Daciolo se sairia melhor, Deus chegaria no ouvido dele e diria “deixa de ser burro, não traz esse problema pra você, não invente que eu vou curar nada, deixa a bomba com o ministério da Saúde e se blinde.”

Entretanto, no que depender de Bolsonaro, passaremos a próxima alta das commodities doentes em casa, ou nos matando uns aos outros na sucessão de crises políticas cada vez piores que o presidente contrata diariamente.

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Volta e meia eu me pergunto aqui qual porcentagem de mortes deve ser debitada na conta presidencial. A última vez sugeri algo em entre 30% e 50% e fui… conservador!

“Em carta publicada na noite desta sexta-feira (22) na revista médica “The Lancet”, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, que coordena pesquisa nacional sobre prevalência da Covid-19, disse que se o Brasil tivesse tido um desempenho apenas “mediano” no combate ao vírus, mais de 150 mil vidas teriam sido salvas. “A população brasileira representa 2,7% da população mundia. Se o Brasil tivesse tido 2,7% das mortes globais de Covid-19, 56.311 pessoas teriam morrido”, escreveu o pesquisador. “Contudo, em 21 de janeiro, 212.893 pessoas já tinham morrido de Covid-19 no Brasil. Em outras palavras, 156.582 vidas foram perdidas no país por subdesempenho.” Segundo o epidemiologista, o governo federal tem um peso maior de culpa nessa avaliação. — Se essa responsabilidade é compartilhada entre governo federal, estados e municípios ou se é uma responsabilidade mais concentrada no governo federal, que é a minha opinião, isso é questão para debate, mas o número é indiscutível — disse Hallal ao GLOBO.” [O Globo]

O presidente SABOTOU todas as formas de combate à pandemia, TODAS. E todas as provas foram produzidas por livre e espontânea vontade, isso que é o mais espantoso, e tá tudo documento em ofícios do governo, coletivas, lives e entrevistas.

E o governo sabotou o estudo do epidemiologias da UFPEL, claro.

“O pesquisador, que teve verba federal para seu projeto cortado em agosto do ano passado e teve nomeação para reitor declinada por Bolsonaro, afirma estar sofrendo perseguição.”

E o governo diz que a culpa é do… governo!

“Internamente, no Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello tem botado a culpa de seus problemas na Secom. Ou seja, seu ponto fraco seria apenas a comunicação. Pazuello aponta especificamente dois culpados: Fábio Faria e Fabio Wajngarten. A propósito, Pazuello foi aconselhado por colegas de ministério a dar menos entrevistas. A constatação, mais do que óbvia, é que ele se sai pessimamente diante de um microfone.” [O Globo]

E a outra opção é aquele escroto do broche de caveira, imagine! Enquanto isso…

“O secretário especial de comunicação do governo Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, tem reiterado em conversas reservadas que quer ver o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fora do cargo. Segundo aliados, Wajngarten relatou já ter tratado do tema com o próprio Bolsonaro. Quando fala sobre o assunto, Wajngarten costuma citar a morte de um amigo, vítima da Covid-19. Em dezembro, o secretário participou ativamente de conversas com a Pfizer, na tentativa de destravar a compra da vacina desenvolvida pelo laboratório. Pessoas próximas a Wajngarten afirmam que ele culpa Pazuello pelas dificuldades na negociação. No sábado (23), o Ministério da Saúde divulgou uma nota em que reconhece ter recusado tentativas iniciais da Pfizer sobre a aquisição das vacinas. A pasta diz que o acordo “causaria frustração em todos os brasileiros” e que o número de 2 milhões de doses previstas para o primeiro trimestre é “considerado insuficiente pelo Brasil.”” [O Globo]

Imagine, o secretário de comunicação participou das negociações om a Pfizer, porra, o secretário de comunicação, iamgine o espanto do pessoal da Pfizer!

E por falar em Pfizer, que shit show espantoso, o governo decidiu NÃO COMPRAR as vacinas da Pfizer, ao contrário de países com uma população bem menores como Peru e Chile. Sem falar em EUA e países europeus. E o anúncio é surreal

O Governo Federal/Ministério da Saúde informa que recebeu, sim, a carta do CEO da Pfizer, assim como reuniu-se várias vezes com os seus representantes. Porém, apesar de todo o poder midiático promovido pelo laboratório, as doses iniciais oferecidas ao Brasil seriam mais uma conquista de marketing, branding e growth para a produtora de vacina, como já vem acontecendo em outros países.[Correio Braziliense]

GROWTH”, viado, os caras meteram BRANDING e GROWTH em nota oficial do governo, porra!

E a indireta do governo em nota oficial é pra quais países?!

Já para o Brasil, causaria frustração em todos os brasileiros, pois teríamos, com poucas doses, que escolher, num país continental com mais de 212 milhões de habitantes, quem seriam os eleitos a receberem a vacina.”

O que também causa frustração ao povo brasileiro é esse governo verde-oliva criminoso, hein!

Entretanto, não somente a frustração que a empresa Pfizer causaria aos brasileiros, as cláusulas leoninas e abusivas que foram estabelecidas pelo laboratório criam uma barreira de negociação e compra. Como exemplo, citamos cinco trechos das cláusulas do pré-contrato, que já foram amplamente divulgadas pela imprensa:

1) Que o Brasil renuncie à soberania de seus ativos nos exterior em benefício da Pfizer como garantia de pagamento, bem como constitua um fundo garantidor com valores depositados em uma conta no exterior;

2) O afastamento da jurisdição e das leis brasileiras com a instituição de convenção de arbitragem sob a égide das leis de Nova York, nos Estados Unidos;

3) Que o primeiro e segundo lotes de vacinas seja de 500 mil doses e o terceiro de um milhão, totalizando 2 milhões no primeiro trimestre, com possibilidade de atraso na entrega (número considerado insuficiente pelo Brasil);

4) que havendo atraso na entrega, não haja penalização;

5) Que seja assinado um termo de responsabilidade por eventuais efeitos colaterais da vacina, isentando a Pfizer de qualquer responsabilidade civil por efeitos colaterais graves decorrentes do uso da vacina, indefinidamente.

Após o Governo Federal ter adquirido toda a produção inicial da vacina do Butantan (da Sinovac) – 46 milhões de doses -, com opção de compra de mais 54 milhões, ter recebido da Índia 2 milhões de doses da Astrazeneca / Oxford, com opção de importação de mais doses, além da produção dessa vacina pela Fiocruz de 100,4 milhões de doses no primeiro semestre e mais 110 milhões de doses no segundo semestre, considerando também a possibilidade de aquisição de 42,5 milhões de doses pelo mecanismo Covax Facility, representantes da Pfizer tentam desconstruir um trabalho de imunização que já está acontecendo em todo o País.”

Anote aí, essa Covaxx Facility não vai sair.

“Criando situações constrangedoras para o Governo Brasileiro, que não aceitarão imposições de mercado – o que também não será aceito pelos brasileiros.”

Parece ou não parece governo do PCO?!

“Em nenhum momento, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde fechou as portas para a Pfizer. Em todas as tratativas, aguardamos um posicionamento diferente do laboratório, que contemple uma entrega viável e satisfatória, atendendo as estratégias do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, uma ação de valores mercadológicos e aplicação jurídica justa que atenda ambas as partes.”

Só o Brasil no mundo interiro passou por esse tipo de situação, por que será?! E lembrando que se a Pfizer estava complicado era pra comprar outras vacinas, algo que esse governo só fez depois que o DOria começou a vacinação.

Além da Pfizer, com a qual o Governo Brasileiro continua em negociação, outros laboratórios já estão em fase avançada de negociações com o Brasil, dentro dos princípios e normas estabelecidas.

Fases avançadas da negociação, os últimos na fila…

Merece destaque o fato de que, além dos aspectos já citados, é a única vacina que precisa ser armazenada e transportada entre -70°C e -80°C, prevendo um intervalo de três semanas entre primeira e segunda doses. Além disso, o laboratório não disponibiliza o diluente para cada dose – que ficaria a cargo do comprador.

Se Pazuello não consegue nem fazer oxigênio chegar a Manaus imagine uma log´sitica complicada dessa?! E pelo visto o general da ativa não daria conta nem da logística do gelo seco…

Embora o laboratório tenha criado uma solução para a conservação das doses durante o transporte (uma caixa de isopor revestida por um papelão não impermeável, que nos foi apresentada ao final de novembro, naquela oportunidade com a informação de conservação por 15 dias) e tenha oferecido fazer a logística desde a chegada dos EUA até o ponto designado pelo Ministério da Saúde, junto ao CONASS e CONASEMS, a Pfizer não se responsabilizaria pela substituição do refil de gelo seco – que deverá ser reposto a cada cinco dias (informaram que a conservação seria de 30 dias no mês de dezembro). Nos contatos de agosto, setembro e outubro, não havia ainda nos sido apresentada a alternativa da caixa térmica. Além disso, a Pfizer ainda não apresentou sequer a minuta do seu contrato – conforme solicitado em oportunidades anteriores e, em particular na reunião ocorrida na manhã de 19 de janeiro – e tampouco tem uma data de previsão de protocolo da solicitação de autorização para uso emergencial ou mesmo o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).”

Se não tem contrato assinado porque Pazuello e Bolsonaro se gabavam das doses da Pfizer?! Por que diabos o mundo já se vacina e a gente nem contrato assinou?! E alguém acha que a Pfizer só apresentou essas condições ao Brasil? Me valho do Thomas Conti,

“- Responsabilidade civil é complexo. Tenho artigo no Jota e fio no twitter explicando quem interessar. Resumo: é normal, já existe para outras vacinas há 30-40 anos, é recomendação da OMS e não traz prejuízo para cidadão, ele pode ser indenizado por fundo mais rápido e previsível. O governo deveria estar melhor assessorado e saber que são cláusulas padrão, antigas e eficientes no mundo desenvolvido.

Fundo garantidor e formas internacionais de pagamento e resolução de disputas estão sendo feitas pelo mundo todo. Até União Europeia precisou fundo garantidor e financeiras, imagina Brasil. Normal. Tom nacionalista da nota faz para parecer extraordinário.

– Governo alega que não fez acordo com a Pfizer-BioNTech porque já tinha acordo com Butantan. Mas ele NÃO tinha acordo com Butantan em junho, nem setembro, nem outubro. Até ontem não ainda não pagou R$1 ao Butantan! Uma FARSA!

– O Plano Nacional de Imunização (PNI) foi feito com imenso atraso pelo governo. Até DIAS atrás o programa não tinha sequer datas para começar. As negociações com a Pfizer começaram EM JUNHO. Não faz sentido dizer que lá atrás a oferta era incompatível com um plano que nem existia.

– Governo Federal elenca entre os motivos para não fazerem acordo com a Pfizer-BioNTech eles não terem se responsabilizado o diluente da vacina. Fui verificar no manual da vacina e O DILUENTE DA VACINA É SORO FISIOLÓGICO COMUM!!!!

– Na mesma toada de não comprar vacina porque não quer fornecer SORO FISIOLÓGICO, governo também coloca como impedimento a REPOSIÇÃO de GELO SECO. Pfizer-BioNTech inventam vacina para vírus novo em 6 meses e vocês não conseguem fazer gelo seco em 12 meses enfia a cara num buraco.

– Fico preocupado que essa nota além de declarar oficialmente incompetência do governo nos acordos de vacina, também é péssima sinalização para futuras negociações. Quem vai negociar com alguém sem disposição a ser razoável, mas que está disposto a mentir publicamente nessa escala?” [Folha]

A Pfizer respondeu:

“Vale reforçar que a Pfizer encaminhou três propostas para o governo brasileiro, para uma possível aquisição de 70 milhões de doses de sua vacina, sendo que a primeira proposta foi encaminhada pela companhia em 15 de agosto de 2020 e considerava um quantitativo para entrega a partir de dezembro de 2020″, diz a empresa em nota. Na nota, a farmacêutica diz que não pode dar detalhes sobre a negociação por conta de um contrato de confidencialidade assinado com o governo brasileiro em 31 de julho. Entretanto, a farmacêutica garante que os termos do acordo oferecido ao governo brasileiro são os mesmos de contratos com outros países, inclusive alguns que já estão vacinando. “Países como Estados Unidos, Japão, Israel, Canadá, Reino Unido, Austrália, México, Equador, Chile, Costa Rica, Colômbia e Panamá, assim como a União Europeia e outros países, garantiram um quantitativo de doses para dar início à imunização de suas populações, por meio de acordo que engloba as mesmas cláusulas apresentadas ao Brasil”, diz o comunicado.” [CNN]

A sequência da correspondência é constrangedora.

“A CNN teve acesso com exclusividade a uma carta encaminhada no dia 12 de setembro de 2020 pelo CEO mundial da Pfizer, Abert Bourla, ao presidente Jair Bolsonaro e a alguns de seus principais ministros. O conteúdo da mensagem mostra que a farmacêutica insistiu para que o governo fosse célere em fechar negócio com a empresa, tendo em vista a alta demanda mundial. “A potencial vacina da Pfizer e da BioNTech é uma opção muito promissora para ajudar seu governo a mitigar esta pandemia. Quero fazer todos os esforços possíveis para garantir que doses de nossa futura vacina sejam reservadas para a população brasileira, porém celeridade é crucial devido à alta demanda de outros países e ao número limitado de doses em 2020”, disse Bourla. Na sequência, ele justifica o pedido de celeridade. “Fechamos um acordo com o governo dos Estados Unidos para fornecer 100 milhões de doses de nossa potencial vacina, com a opção de oferecer 500 milhões de doses adicionais. (…) Temos ainda acordos com o Reino Unido, Canadá, Japão e vários outros países, e estamos em negociações finais com a União Europeia para fornecer 200 milhões de doses, com uma opção de fornecimento adicional de mais 100 milhões de doses”. Depois, o CEO mundial da Pfizer reforça ainda o pedido para que o governo seja rápido. “Minha equipe no Brasil se reuniu com representantes de seus Ministérios da Saúde e da Economia, bem como com a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Apresentamos uma proposta ao Ministério da Saúde do Brasil para fornecer nossa potencial vacina que poderia proteger milhões de brasileiros, mas até o momento não recebemos uma resposta. Sabendo que o tempo é essencial, minha equipe está interessada em acelerar as discussões sobre uma possível aquisição e pronta para se reunir com Vossa Excelência ou representantes do Governo Brasileiro o mais rapidamente possível.” O documento também foi remetido com cópia ao vice-presidente Hamilton Mourão e aos ministros Braga Netto (Casa Civil), Eduardo Pazuello (Saúde), Paulo Guedes (Economia) e ao embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Nestor Foster. O Ministério da Saúde se manifestou, em nota, neste sábado (leia mais abaixo). Segundo fontes, a manifestação foi encaminhada ao Ministério da Saúde, mas as negociações nunca andaram. Primeiro, porque o governo avaliou que as condições de armazenagem e distribuição da vacina dificultariam sua distribuição pelo Brasil. Ao contrário de outras vacinas, ela precisa estar refrigerada a cerca de 70 graus negativos.” [CNN]

Sim, o plano inicial do genial general da ativa envolvia uma única vacina pra um país de dimensões continentais. E daí que Peru e Chile deram um jeito pra lidar com as exigências de temperatura, né? Isso é MUITO difícil para o general especialista em logística.

“A Pfizer acabou vencendo a corrida mundial pela vacina contra o coronavírus e foi a primeira vacina cuja aplicação foi aprovada pelas autoridades sanitárias com a conclusão de estudos da fase 3, o recomendado pela medicina para iniciar uma vacinação. Isso aconteceu no dia 2 de dezembro pelo órgão regulador britânico. Como muitos países haviam fechado acordos com ela na mesma época em que ela tentava fechar com o Brasil, eles largaram na frente em suas vacinações. No Brasil, a primeira vacina só foi aplicada no dia 17 de janeiro, com a Coronavac, após uma iniciativa do governador de São Paulo, João Doria, que em junho do ano passado fechou um acordo com a farmacêutica chinesa Sinovac.”

O presidente do Conselho Federal de Medicina escreveu um forte concorrente a texto mais cretino de 2021:

“Infelizmente, até o momento, sabe-se muito pouco sobre a Covid-19. Os avanços científicos registrados foram para pacientes em UTI em que a intubação tardia, a posição prona (de bruços) e o uso de corticoides e anticoagulantes diminuíram as mortes. É assustador notar que todas as medidas de prevenção, até agora, parecem ter impacto reduzido na disseminação dessa doença.” [Folha]

Que porra que ele tá falando? Sim, muito não se sabe ainda, dado que o vírus é novo, mas se sabe sim de muita coisa. E muitas medidas têm impacto, vide a Nova Zelândia, Alemanha e Coréia do Sul.

Vamos à primeira falsa simetria:

“Lamentavelmente, no Brasil, há uma politização criminosa em relação à pandemia entre apoiadores e críticos do presidente da República.”

tenor (1)

Como se houvesse algum paralelo entre os fãs de um fascistas e aqueles que se opõe a ele!

“Assuntos irrelevantes relacionados à Covid-19 dominam o noticiário, com discussões estéreis entre pessoas sem formação acadêmico-científica na área de saúde, dando opiniões como especialistas, porém com cunho político e ideológico. Além disso, profissionais não médicos, que se autodenominam cientistas, com imenso acesso à mídia, falam sobre tudo, inclusive temas médicos sobre os quais não têm competência para opinar —e sempre evocando a ciência, como se fossem os únicos detentores do saber, disseminando informações falsas que desinformam e desestabilizam a já insegura sociedade brasileira. Infelizmente, a politização também atingiu sociedades de especialidades médicas e grupos ideológicos de médicos, principalmente quanto ao chamado tratamento precoce, com hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina. Esses grupos pressionam de todas as maneiras o Conselho Federal de Medicina (CFM), em razão de sua competência legal de determinar qual tratamento farmacológico é ou não experimental no Brasil, para que recomende ou proíba o tratamento precoce. Existem na literatura médica dezenas de trabalhos científicos mostrando benefício com o tratamento precoce com as drogas citadas acima. Outros tantos apontam que elas não possuem qualquer efeito benéfico contra a Covid-19. Em outras palavras, a ciência ainda não concluiu de maneira definitiva se existe algum benefício ou não com o uso desses fármacos.”

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Esse aí deve ter aquela blusa preta com a cara do Bolsonaro em branca e vive fazendo arminha com a mão, só isso explica essa falsa simetria aí, Repare como ele opões “dezenas” a “alguns tantos”, como se os estudos sobre cloroquina fossem levados a sério, dia desses a Anvisda disse que não funciona e até aquele médico doidão francês, o api da cloroquina enquanto panacéia para a pandemia. Mas vai ver o presidente do CFM não sabe disso…

“O CFM abordou o tratamento precoce para a Covid-19 no parecer nº 4/2020 em respeito ao médico da ponta, que não tem posição política ou ideológica e exerce a profissão por vocação de servir e fazer o bem; que recebe, consulta, acolhe e trata o paciente com essa doença. No texto, o CFM delibera que é decisão do médico assistente realizar o tratamento que julgar adequado, desde que com a concordância do paciente infectado —elucidando que não existe benefício comprovado no tratamento farmacológico dessa doença e obtendo o consentimento livre e esclarecido. O ponto fundamental que embasa o posicionamento do CFM é o respeito absoluto à autonomia do médico na ponta de tratar, como julgar mais conveniente, seu paciente; assim como a autonomia do paciente de querer ou não ser tratado pela forma proposta pelo médico assistente. Deve ser lembrado que a autonomia do médico e do paciente são garantias constitucionais, invioláveis, que não podem ser desrespeitadas no caso de doença sem tratamento farmacológico reconhecido —como é o caso da Covid-19—, tendo respaldo na Declaração Universal dos Direitos do Homem, além do reconhecimento pelas competências legais do CFM, que permite o uso de medicações “off label” (fora da bula).”

Sim, tudo pelos… direitos humanos, tá ok?!

O parecer nº 4/2020 não apoia nem condena o tratamento precoce ou qualquer outro cuidado farmacológico —tampouco protocolos clínicos de sociedades de especialidades ou do Ministério da Saúde. Ele respeita a autonomia do médico e do paciente para que ambos, em comum acordo, estabeleçam qual tratamento será realizado. Para aqueles que insistem em atacar publicamente o conselho federal, fazendo pressão para que mude este parecer, visando apoiar ou proibir o tratamento precoce, esclarecemos que essas ações políticas são inúteis —como têm sido até agora e continuarão sendo. As posições do CFM têm como objetivo o que é melhor para a população e o respeito absoluto aos médicos na ponta —estes, sim, os verdadeiros heróis, a quem rendemos todo o nosso reconhecimento.”

Esse miserável tem tanto sangue nas mãos quanto Bolsonaro, é inexplicável que o CFM coloque na rua um texto desse, e imagine o quanto será usado pra sustentar as loucuras de tratamento precoce.

E vamos à desigualdade nossa de cada dia, agora na pandemia:

“A vacinação contra a Covid-19 acentuará ainda mais a nossa desigualdade social e racial. Isto ocorre porque pobres e negros, apesar de mais vulneráveis à pandemia por uma série de fatores, não foram diferenciados no Plano Nacional de Imunização — ou seja, continuarão mais expostos ao vírus que o restante dos brasileiros. Diante disso, cientistas defendem que esta parcela da população seja incluída entre as prioridades do PNI. Um estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da UFRJ mostra que trabalhadores negros no Brasil correm risco 39% maior de morrer de Covid-19 do que os brancos. Já um trabalho publicado na revista britânica Public Health revela que brasileiros com educação superior (e brancos são 70% do total neste importante indicador de renda) correm risco 44% menor de serem vítimas fatais do vírus. — Os pobres, em especial os negros, são obrigados a se expor mais, adoecem mais e morrem mais de Covid-19 no Brasil. Por isso, é justo e necessário que haja uma prioridade para eles. Isso é totalmente factível de realizar — afirma Roberto Medronho, professor de epidemiologia da UFRJ, coordenador do estudo em parceria com o IPEA e propositor da ideia de que os negros pobres sejam incluídos em grupos prioritários. No Brasil , enfatiza o acadêmico, o pobre é quase sempre negro. São negros 75,2% da camada com menor renda da população, segundo o IBGE. Também são negros dois terços dos desempregados.

Já a pesquisa “Fatores sociodemográficos associados à mortalidade por Covid-19 em hospitais do Brasil” (tradução livre do inglês) publicada este mês na Public Health mostra que entre os brasileiros hospitalizados, negros têm maior taxa de mortalidade (42%) que brancos (37%). Além disso, têm menos acesso a recursos. — A Covid-19 afeta os brasileiros de forma diferente. Os negros pobres correm um risco maior e isso é evidente nos dados — afirma Fernando Bozza, coordenador do estudo e pesquisador da Fiocruz e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Outro estudo da UFRJ mostra que quanto maior a desigualdade e população negra um município brasileiro tiver, mais casos de Covid-19. — É eticamente justificável que profissionais de saúde e de segurança sejam priorizados. Eles precisam de proteção, mas é a imunização da população socialmente mais vulnerável que protegerá toda a sociedade — salienta Medronho. A desigualdade também fica evidente em dados analisados pelas pesquisadoras da UFRJ Ligia Bahia e Jessica Pronestino para o estudo “Alerta Covid IDEC-Oxfam-Anistia Internacional-Inesc”. Eles mostram que a letalidade da Covid-19 em negros internados na UTI chega a 79%, e é de 56% nos brancos. — Já tivemos políticas de saúde voltadas à nossa realidade social, mas não é o que vemos agora — diz Bahia. — O Brasil deveria seguir o México, que usou critérios socioeconômicos na vacinação. Imunizando sua população desde dezembro contra a Covid-19, o México iniciou a aplicação de vacinas entre idosos das periferias de suas metrópoles. Especialistas dizem que ainda é cedo para avaliar os efeitos desta priorização.” [O Globo]

Dia desses o Ivan Valente arrancou do Ministério da Saúde a confissão que o remédio Anittanão serve de nada, e por isso nã0o er amais recomendado, apesar do astronauta ter jurado que o remédio funcioava. Dias dep0ois o astornauta insiste na mentira:

“Fora do “kit Covid” do Ministério da Saúde, o vermífugo vendido com o nome comercial de Annita continua sendo indicado como “tratamento precoce” contra a Covid-19 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Em uma live nesta semana, o ministro Marcos Pontes voltou a exaltar a pesquisa envolvendo a nitazoxanida entre as ações estratégicas da pasta na pandemia. Apesar de o governo Bolsonaro estimular o uso de medicamentos sem eficácia, a Anvisa afirma que não existe tratamento precoce efetivo.” [Folha]

Encerramos voltando a 1850:

“A febre amarela não era novidade quando chegou ao Rio de Janeiro em 1850. Há notícias de que ela grassou na Capitania de Pernambuco em 1685 e visitara a capital do Vice-Reinado do Brasil no início do século 19. Mas sua incursão em 1850, foi mais severa de todas as que a antecederam. Os números levantados por Pereira Rego, ressalvadas as possíveis falhas, revelam que, considerada uma população de 266.000 habitantes, segundo o censo de 1849, houve 90.658 pessoas infectadas, entre as quais 4.160 morreram, representando, respectivamente, 34% e 1,5% da população. A desproporção entre infectados e mortos indica a baixa letalidade da doença quando não chega à fase em que atinge órgãos como os rins e o fígado dos pacientes, além de hemorragias. Vale a pena dar uma espiada nas transcrições, em rodapé constantes do texto. Lá se encontra (p.36) um parecer do Conselho de Salubridade de Salvador da Bahia, datado de dezembro de 1849, quando a febre aí já se instalara. Depois de reconhecer que se tratava de uma epidemia, os conselheiros insistiam que havia um exagero na afirmação dos jornais e de certas pessoas acerca de sua gravidade, dizendo a certa altura: “Esta epidemia nada tem em si de contagiosa nem de assustadora e os casos graves e fatais são devidos à predisposição dos doentes a moléstias análogas, ou ao susto de que os doentes se tem deixado apoderar, ou finalmente a tratamentos contrários à razão”. O “susto” dos enfermos bem poderia ser enfrentado “com a cessação dos dobres de sino das igrejas, que no ânimo dos doentes incutem idéias de morte que muito agravam seu estado; e em muitas circunstâncias podem por si sós causá-la em indivíduos nervosos”. Nos nossos dias, jamais imaginaríamos que os sinos das 360 igrejas da Bahia, cantadas por Dorival Caymmi, pudessem ter um efeito psicológico tão macabro.” [Estadão]

Comorbidades, tá ok?!

“O autor denuncia a ação de toda sorte de charlatães, responsáveis pela oferta de remédios milagrosos. No posfácio, Chalhoub sustenta que o principal alvo do ataque não eram charlatães, e sim médicos homeopatas, muito ativos durante a epidemia. Se os medicamentos que prescreviam eram ineficazes no enfrentamento de febre amarela, pelo menos seriam menos danosos do que alguns indicados pelos médicos alopatas, como sangrias, ventosas, ou sanguessugas a serem introduzidas em partes sensíveis do corpo. O barão não aconselhava o uso indiscriminado dessas intervenções. Exemplificando, ele não recomendava as sangrias, que lhe pareciam inúteis ou perigosas. De fato, as sangrias só poderiam contribuir para a piora dos doentes, especialmente quando estes sofriam hemorragias debilitantes.”

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2. O 7 a 1 da geopolítica

E continua o shit show pra gringo ver e se espantar:

“A aproximação (forçada) entre Brasil e China pode passar pelo que era impossível semanas atrás: um encontro entre Jair Bolsonaro e Yang Wanming, o embaixador chinês. Antes de a crise da vacina estourar, Bolsonaro havia proibido que seus ministros falassem com Wanming. De uma semana para cá, três já estiveram com ele.” [O Globo]

Hoje Nolsonaro agradeceu à SENSIBILIDADE do Paretido Comunista Chinês, grande dia!

E pra quem acha que o governo não conseguiu privatizar nada…

“A posse de Joe Biden, que encerrou a relação ideológica entre o presidente Jair Bolsonaro e o mandatário americano, e o reforço da agenda ambiental nos EUA, com potencial de gerar atritos com o Brasil, estão levando empresas, entidades e governos locais a buscarem um tipo de “diplomacia não-estatal”. O objetivo é criar ou ampliar canais diretos com os americanos, para atenuar a má imagem ambiental brasileira e eventuais “ruídos” na comunicação entre os dois países. Embora os dois governos tenham acenado com a possibilidade de diálogo nos últimos dias — principalmente com a carta de Jair Bolsonaro a Biden —, muitos especialistas afirmam que é cedo para saber se as relações vão prosperar. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), pontos que podem trazer atritos, como a questão ambiental, se bem trabalhados, podem se tornar oportunidades de negócios entre os dois países. — Vamos ter que intensificar nossa relação — diz Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI. — Essa questão do dano da imagem do Brasil em questões ambientais não é de hoje, e temos que nos esforçar mais para mostrar o que realmente fazemos, a indústria brasileira é sustentável. A entidade, que faz parte do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, destaca que a atuação dos empresários foi fundamental para que saísse, no ano passado, o miniacordo entre os dois países com medidas de facilitação do comércio. Cassia Carvalho, diretora executiva da Brazilcham, em Washington, ressalta que a atuação privada nunca vai substituir a diplomacia oficial, mas pode gerar muito apoio: — Vamos trabalhar muito com iniciativas ambientais aqui em Washington no Congresso e no governo. Gabriel Brasil, analista de risco político da consultoria Control Risks, acredita que governos locais e outras organizações deverão se aproximar dos americanos sem depender tanto do Itamaraty: — Já tivemos precedentes, por exemplo, nos episódios do fundo da Amazônia, quando governos estaduais adotaram uma postura diplomática mais proativa para mitigar as controvérsias das intervenções do governo federal frente a parceiros europeus. Governos estaduais não escondem que buscam canais diretos com outros países. Iniciativas estão surgindo, como o escritório de atração de investimentos de São Paulo, o InvestSP, e uma ação do Consórcio Nordeste, ambos voltados à China. Medidas semelhantes começam a ser estudadas para os EUA.” [O Globo]

E os líderes mundiais respiram aliviados:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não deve participar pelo segundo ano seguido do Fórum Econômico Mundial. O evento anual reúne alguns dos principais líderes internacionais, além de grandes empresários e entidades. Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, haverá um encontro virtual do fórum a partir deste domingo (24). As sessões se estenderão até sexta-feira (29).” [Folha]

Aquele doc calou fundo:

Bolsonaro compareceu a Davos em 2019, menos de um mês depois de assumir a Presidência da República. Na ocasião, ele fez um discurso de apenas oito minutos, acrescido de uma rápida sessão de perguntas do presidente do fórum, Klaus Schwab. Foi a estreia do mandatário na arena internacional e ele defendeu que o Brasil liderasse pelo exemplo. “Hoje em dia um precisa do outro. O Brasil precisa de vocês, e vocês com certeza precisam do nosso querido Brasil”, afirmou. A plateia no local reagiu sem entusiasmo diante da curta duração e o conteúdo das falas de Bolsonaro, consideradas pouco objetivas. A passagem do presidente brasileiro pelos corredores de Davos naquele ano ganhou destaque no documentário “O Fórum”. Dirigido pelo alemão Marcus Vetter, o filme mostrou um Bolsonaro que estava um tanto sem jeito em um salão repleto de políticos de alto escalão, além de empresários e chefes de organizações civis. O documentário também revela uma constrangedora interação de Bolsonaro com Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e hoje um influente ativista ambiental.​

E Bolsonaro, burro pra caralho, tá deixando o meio de campo para o Doria:

“Já na edição seguinte, o brasileiro decidiu não participar. A última reunião na Suíça antes da eclosão da pandemia de Covid-19 teve forte ênfase na sustentabilidade, sendo que uma das principais convidadas foi a ativista ambiental sueca Greta Thunberg. Naquele ano, Bolsonaro já era alvo de diversas críticas por declarações contra ONGs (organizações não governamentais) que atuam na preservação da Amazônia e por uma onda de queimadas no bioma. A decisão de Bolsonaro de se ausentar não é novidade entre líderes brasileiros. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), por exemplo, foi a Davos em apenas uma ocasião, em 2014. Michel Temer (MDB) faltou em 2017, mas compareceu ao evento no ano seguinte. Na reunião virtual de 2021, Bolsonaro será ausência em um fórum que deve dar destaque para os efeitos da pandemia. O governador paulista —e presidenciável—, João Doria (PSDB), que vem travando uma disputa com Bolsonaro pelo protagonismo no combate ao coronavírus, irá participar da mesa “Repensando as cidades para um futuro pós-Covid”, na terça -feira (26). 1 27 Bolsonaro em Davos em 2019. ​O fórum reunirá virtualmente diversos chefes de governo, entre eles Xi Jinping (China), Angela Merkel (Alemanha), Alberto Fernández (Argentina) e Iván Duque (Colômbia). Sem Bolsonaro, o governo brasileiro estará representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e por um reduzido grupo de ministros.”

Sim, o país será representado pelo vice que não conversa com o presidente há semanas. Presidente que em horário de expediente fica dando tchauzinho em estrada.

“Mourão deve falar em um painel, o “Financiando a transição na Amazônia para uma bioeconomia sustentável”. A exposição também será na quarta-feira.”

Leva o Salles a tiracolo, porra!

“Dois dias depois, o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) participará de uma sessão sobre geopolítica. “

O clima no Itamaraty:

The Office Reaction GIF

Passo ao Gaspari e a carta presidencial ao Biden:

“Bolsonaro repetiu a lenda segundo a qual os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil. Falso. Foi a Argentina. Um artigo do diplomata Rodrigo Wiese Randig publicado nos “Cadernos da Fundação Alexandre de Gusmão” já demonstrou que o governo da Argentina reconheceu o Brasil no dia 25 de junho de 1823 e seu representante entregou as credenciais em agosto. Os Estados Unidos só reconheceram a independência um ano depois, e o ministro brasileiro entregou suas credenciais ao presidente James Monroe no dia 26 de maio de 1824.” [Folha]

E já que estamos falando de geopolítica…

“As economias desenvolvidas enfrentarão um golpe significativo na recuperação econômica da pandemia do coronavírus se não ajudarem os países em desenvolvimento a acelerar seus programas de vacinação, segundo um relatório que será publicado nesta segunda-feira (25) pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Se a produção de vacinas nesses países menos desenvolvidos continuar no ritmo atual, as economias avançadas vão sofrer prejuízos de até US$ 2,4 trilhões (R$ 13,13 trilhões) –3,5% de seu Produto Interno Bruto anual anterior à pandemia– por causa de disrupções no comércio global e nas redes de suprimentos, segundo o estudo. “Quanto mais esperarmos para fornecer vacinas, testes e tratamentos para todos os países, mais depressa o vírus dominará, maior o potencial de surgimento de novas variantes, maior a probabilidade de que as vacinas atuais se tornem ineficazes e mais difícil será a recuperação de todos os países”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Ninguém está a salvo a menos que todos estejam a salvo.” A pesquisa ilustra a natureza interconectada da recuperação econômica global e significa que mesmo que os países mais ricos consigam vacinar imediatamente sua população mais vulnerável ainda terão de enfrentar vulnerabilidades econômicas importantes com a pandemia. “As economias emergentes e em desenvolvimento estão ligadas às economias avançadas por meio de exportações e importações, e não apenas de bens acabados”, disse Sebnem Kalemli-Ozcan, da Universidade de Maryland, principal autora do relatório. “Se esses países não receberem a vacina, ou a receberem tarde, não vão se recuperar, não vão suprir os bens intermediários necessários para as economias avançadas e não terão o mesmo nível de demanda pelas exportações das economias avançadas.” De modo geral, um atraso em controlar a pandemia nas economias emergentes eliminaria cerca de US$ 4,4 trilhões da produção mundial neste ano, ou cerca de 5,7% da produção global anual anterior à pandemia, segundo a pesquisa, que foi encomendada pela Câmara de Comércio Internacional (ICC) e foi analisada pelo jornal Financial Times. Mais da metade do impacto recairia sobre países de alta renda, descobriu o estudo. A OMS advertiu sobre um “fracasso moral catastrófico” global conforme os países mais pobres ficarem atrás dos ricos na obtenção de vacinas.” [Folha]

Nunca se esqueça que o Brasil barrou a quebra de patentes, o único país em desenvolvimento a se aliar aos países ricos. Tudo em nome, nas palavbras preisdenciais, do “livre mercado”.

“A unidade Covax –que foi montada no ano passado pela OMS, Gavi e Coalizão para Inovações de Preparo para Epidemias para garantir a distribuição equitativa de vacinas– se esforçou para mobilizar o apoio de países ricos e enfrenta uma escassez de recursos de US$ 27 bilhões. Os ministros da Economia da Noruega e da África do Sul pediram que os ministros do G20, da OCDE e dos países membros da Covax se reúnam em 29 de janeiro para discutir como cobrir a lacuna nas verbas. Isso produziria um retorno sobre os investimentos de mais de 166 vezes, ao evitar a perda de produção prevista, segundo o estudo do ICC. A pesquisa examinou elos comerciais e cadeias de suprimentos de 65 países e 35 setores empresariais e estimou o impacto sobre a produção comercial e econômica em vários cenários de vacinação, conforme a necessidade dos trabalhadores de cada setor precisarem atuar próximos uns dos outros. Sob o cenário mais extremo, em que os países ricos recebem vacinas neste ano, mas os países emergentes e em desenvolvimento não, o golpe na produção global seria de US$ 9,2 trilhões. O cenário do caso básico, causando uma perda de produção de US$ 4,4 trilhões, supõe que as economias avançadas vacinem suas populações vulneráveis até o final de abril e que as economias emergentes e em desenvolvimento alcancem o mesmo ponto no início do próximo ano. Kalemli-Ozcan advertiu que há alguns riscos que essa estimativa não cobre, incluindo a possibilidade de se levar mais de um ano para alcançar populações vulneráveis em países pobres, e que o vírus possa sofrer mutação e continuar se espalhando nas economias avançadas mesmo que alcancem níveis críticos de inoculação.”

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3. Famiglia

Não foi acidente, coincidência. Eles queriam essas cenas estampadas no noticiário:

“A três dias do julgamento no Tribunal Regional do Rio de Janeiro para definir a competência do caso das “rachadinhas”, o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Frederick Wassef se encontraram nesta sexta-feira (22). Eles voaram juntos, de São Paulo para o Rio de Janeiro. A TV Globo registrou imagens dos dois no aeroporto Santos Dummont e também obteve registros da dupla dentro do voo. O blog procurou Wassef para saber o motivo do encontro e da viagem, mas ele não havia retornado as ligações até a última atualização deste post. Procurado por meio da assessoria, o senador não se manifestou.” [G!]

flavio

“Wassef foi advogado de Flávio Bolsonaro no caso das “rachadinhas”, cujo pivô é Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj. Wassef foi obrigado a deixar o caso em julho de 2020, quando a Polícia Federal prendeu Queiroz na casa do advogado em Atibaia (SP). Ao blog, na época, Wassef disse que Flavio e Jair Bolsonaro não sabiam onde estava Fabricio Queiroz. À Globonews, em 2019, Wassef chegou a dizer que não conhecia Queiroz. Diante do episódio, Wassef foi obrigado a deixar o caso – e vinha dizendo que não mantinha mais relações com Flávio Bolsonaro. No Planalto, a ideia era afastar Wassef para evitar maiores desgastes para o presidente e seu filho.”

Veja a declaração do Flávio em junho de 2020, dias após Queiroz brotar no sítio do advogado da famiglia presidencial:

“A lealdade e a competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis. Contudo, por decisão dele e contra a minha vontade, acreditando que está sendo usado para prejudicar a mim e ao Presidente Bolsonaro, deixa a causa mesmo ciente de que nada fez de errado” [G1]

Ah, e o Gilmar suspendeu o julgamento, o que torna o encontro ainda mais estranho e desnecessário, não foi nenhuma surpresa.

E o Huck vem aí, paradesespero da famiglia presidencial e do… Doria!

“Cresceu nos últimos dias no mundo político a expectativa em torno do futuro de Luciano Huck. Segundo apurou a Coluna, é grande a possibilidade de o apresentador fazer em breve um gesto mais incisivo rumo à pré-candidatura a presidente do País, o que deve implicar no afastamento dele das atividades na TV Globo. Huck é aguardado no DEM, mas as portas do Cidadania permanecem abertas a ele. Na avaliação de um aliado, Huck precisa dar um passo adiante e sair da mesma posição em que se encontrava no tabuleiro seis meses atrás, quando Jair Bolsonaro ainda surfava no auxílio emergencial e João Doria não tinha em mãos a vacina. A queda de popularidade do presidente e a alta exposição nacional de Doria (PSDB) precipitaram ainda mais o debate eleitoral no centro e na direita. O grande desejo hoje do grupo político de Huck é encontrar uma forma de acomodar DEM e PSDB numa mesma candidatura. Por isso, o nome de Eduardo Leite (PSDB-RS) passou a circular nas conversas (teria o apoio reservado de FHC). Huck e o governador tucano do Rio Grande do Sul são amigos. Leite como vice do apresentador pode ser uma alternativa para tentar neutralizar o desejo de João Doria de se lançar à Presidência. Segundo interlocutores do apresentador, o maior desafio (e talvez o mais difícil) de Huck já não é mais da ordem do “querer”: é viabilizar sua candidatura. Ainda sem prazos e acertos, está se mexendo para acomodar personagens sem pulverizar o campo do centro. Huck hoje está se jogando cada vez mais na candidatura: no último dia 15, quando foram registrados panelaços em diversas cidades contra Bolsonaro, fez live batendo panela. Ah, esse grupo político de Huck pela primeira vez começou a achar que Bolsonaro está em sérias dificuldades eleitorais. Em fevereiro de 2015, a avaliação negativa de Dilma Rousseff (PT) atingiu 44% no Datafolha. Segundo a mais recente pesquisa do instituto, Bolsonaro bateu agora nos 40%.” [Estadão]

Ah, e o Aliança Pelo Brasil já era, olha a declaração preisdencial:

“Em março eu decido; ou decola o partido (Aliança) ou vou ter que arranjar outro”, disse o presidente ao ser questionado por apoiadores no Palácio da Alvorada. “Se não decolar, a gente vai ter que ter outro partido, se não, não temos como nos preparar para as eleições de 2022. Muita burocracia, é muito trabalho, certificação de fichas, o tempo está meio exíguo”. Não é por mim, eu não estou fazendo campanha para 2022, mas o pessoal quer disputar e queria estar em um partido que tivesse simpatia minha.” [Estadão]

Simpatia, no caso, é a famiglia controlar o fundo partidário.

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4. Malditos Milicos

Começo pelo GENERAL Aras, sim, agora só chamamos ele de general e em caixa alta, culpa daquela carta ridícula dele dizendo que não pode processar o presidente da república:

“Quando o procurador-geral, Augusto Aras, diz que o estado de calamidade é “antessala do estado de defesa”, pode-se supor que ele ouviu o galo cantar e sabe onde. Bolsonaro já falou em saques e desordens. O general Eduardo Pazuello, com seus conhecimentos científicos, expôs há poucos dias o que ele julga ser a ameaça de uma “quarta onda” da pandemia. Nas suas palavras: “Vocês sabem o que é a quarta onda? Talvez não saibam. É o choque no emocional das pessoas. É a depressão, a automutilação, o suicídio, todos causados pela queda da capacidade de manter a sua própria família e de se manter. Essa é a quarta onda de uma pandemia. Se a economia quebrar, nós vamos estar acelerando a quarta onda”. Há uma epidemia, já morreram mais de 200 mil pessoas, os doutores fazem parte de um governo que receita cloroquina, condena o distanciamento social e amaldiçoou a vacina “do João Doria”. Sem terem feito o que deviam, ameaçam com o Apocalipse. Aras vai além, pois diz que as lambanças do Executivo são problemas do Legislativo. Aras foi rebatido por seis subprocuradores. Cristalizou as saudades de Raquel Dodge, sua antecessora, e disputa a fama deixada por Rodrigo Janot, ameaçando o legado de Geraldo Brindeiro, o procurador-geral do tucanato, que ganhou o apelido de engavetador-geral. Brindeiro engavetava problemas, mas nunca desengavetou extravagâncias institucionais.[Folha]

Sim, saudades do Brindeiro!

Jamais achei que Tarso Genro entraria no tópico Malditos Milicos mas puta que pariu, ele escreveu um texto cujo descolamento de realidade se assemelha ao do Guedes, porra!

“O golpe contra Dilma e a Constituição Federal pode ter tido a simpatia de uma parte das forças militares do país, mas não foi promovido por nenhuma delas.”

Tarso Genro realmente acha que derrubaram a Dilma sem o OK dos generais, puta que pariu! Etchegoyen mandou um beijo, Tarso! Ora, essa movimentação esquisita verde-oliva rola desde 2014, contemporânea ao relatório da Comissão Nacional da Verdade. É muita ingenuidade pra um senhor só…

É compreensível que o cenário de barbárie suscite a rejeição de todo o “sistema de poder” montado após as eleições que levaram Bolsonaro ao poder, mas não é correto – nem tática nem estrategicamente – colocar todas as instituições no mesmo saco. E não é correto, igualmente, outorgar responsabilidades “concentradas” sobre os militares, na mortandade em curso, porque – se é verdade que no complexo jogo de xadrez do poder político todos os gatos podem ser pardos – a identidade guiada por esta aparência imediata pode levar a equívocos graves.” [A Terra é Redonda]

O general vice-presidente da república disse que “Se o nosso governo falhar, errar demais – porque todo mundo erra –, mas se errar demais, não entregar o que está prometendo, essa conta irá para as Forças Armadas” e o Tarso discorda! Digamos que o Tarso está à direita do Mourão!

Eu Não GIF - Eu Não Nao GIFs

No caso, esta atribuição aos militares do Exército pode contribuir para dar maior opacidade à política, amortecendo as responsabilidades principais do que ocorre aqui, que não foi provocado pela instituição que, no fundamental, respeitou os protocolos mínimos republicanos da nação. No caso de fixar-se esta culpa ficaria mal resolvida uma questão de fundo: por que um Presidente, precisamente por não trair a sua sórdida mensagem eleitoral depois da eleição, conseguiu sobreviver como Governante de uma nação, sem qualquer respeito à moralidade republicana e se fez o projeto das suas classes dominantes, emprestando a sua face ao corpo político neoliberal do país? Com isso quero dizer que é errado, do ponto de vista político, e injusto, do ponto de vista histórico, identificar o Exército Brasileiro com a chacina sanitária.”

Boulos GIF

Só porque tem um general da ativa lá desovando cloroquina produzida pelo Exército?

É errado, porque ajuda a extrema direita militar a se reorganizar na ativa e é errado porque Bolsonaro não representa nem de longe a moralidade média das FFAA -nem sua vocação política que é positivista conservadora, mas não fascista

Tarso tá ACENANDO aos generais, e nessa quadra da história esse é o único movimento possível com a mão:

gun middle finger GIF

É errado, porque reduz a responsabilidade objetiva e subjetiva dos militares da reserva, dos políticos do entorno de Bolsonaro, das religiões do dinheiro que lhe dão sustentação e do consórcio midiático-empresarial que o elegeu Presidente e ainda lhe mantém no poder. Este é consórcio responsável pela crise política em curso e pela mortandade eu escancara o seu terror. É errado, finalmente, porque é impossível construir República e Democracia no Brasil, sem que a maioria das Forças Armadas seja conquistada para um projeto de nação, cuja soberania estará depositada – em grande parte – nas mãos destas instituições, por dentro do Estado Democrático de Direito, tenha ele características deum Estado Social, seja ele um Estado de Direito meramente liberal-democrático.”

Porra, Tarso, que viagem errada do caralho! E aqui em valho do Piero Leirner:

“Não sei se no fundo ele é pessoalmente relacionado com a turma gaúcha do Consórcio (Villas Bôas, Etchegoyen, Santos Cruz, e os chegados Mourão e Heleno), mas basta lembrar que teve lá seu papel no protoplasma da Lava Jato, a ENCCLA (consta que foi plano de outro Gaúcho, Gilson Dipp, mas posso estar equivocado) como Ministro da Justiça. Embora ainda fosse tímida a participação de militares nessa “task force” (afinal, Tarso, por que militares estariam fazendo cursinhos no DoJ americano e aprendendo sobre o Lawfare?), isso foi aumentando conforme empresas brasileiras começavam a voar para outras áreas geográficas, e assim ao mesmo tempo virando alvos de compliance do DoJ. Lembre-se também que foi sob a batuta da gaúcha de coração Dilma “não vai sobrar pedra-sobre-pedra” (esqueçam sua amiga de chá Rosa Weber e seu assistente Sérgio Moro), em 2012, que se aumentou exponencialmente a participação de militares nesse esquema da ENCCLA, ao mesmo tempo que as grandes empresas brasileiras eram fisgadas de vez no Lawfare.” [Facebook]

O Piero entende tudo e mais um pouco dos milicos. No texto ele se refere a dois textos, por ossp o “ambos” aí embaixo:

“Podemos crer que ambos estão com essa ideia de que o que ocorre com as FFAA hoje é fruto de uma exceção por conta de uma vontade de deixar a porta aberta para o diálogo que eles esperam ter, porque estão crentes na ejeção de Bolsonaro semana que vem. Mas pior é ver que ambos sustentam a tese de que Bolsonaro é a cabeça de uma operação genial de dominação e que basta cortá-la para que tudo volte ao normal. Aliás, talvez o fato deles pensarem assim seja um bom sinal de que isso não vai ocorrer. Mas a explicação pode ser mais rápida mesmo. É Síndrome de Estocolmo.”

Mourão saiu em defesa do Pazuello, que será investigado pea PGR>

“Está havendo um momento aí, vamos dizer assim, de bastante ruído por dois aspectos. Um aspecto é a questão da vacina, da vacinação que, no momento que for esclarecido que o governo está fazendo o possível e o impossível para ter um fluxo contínuo. E também a questão de Manaus, no momento que isso for esclarecido, acho que diminui este ruído. “E, óbvio, tem as eleições das duas Casas do Legislativo que influi. Então, semana que vem, acho que baixa um pouco as tensões” [Folha]

Moiyrmão também acha que é um problema de… comunicação!

E por essa a gente não esperava, Brasil!

Uma das entusiastas de uma eventual ascensão de Mourão à cadeira de presidente é sua mulher, Paula. Advogada, progressista, defensora da descriminalização do aborto e de temas caros à esquerda, como a liberalização da maconha, a segunda-dama, de acordo com pessoas próximas, demonstra desconforto também com o tratamento dispensado por Bolsonaro a Mourão desde o início do governo. No ano passado, Paula curtiu comentários postados em sua conta no Instagram que pediam ‘Mourão presidente’. O comportamento provocou a ira de militantes bolsonaristas. Em casa, é Paula quem desperta os instintos presidenciais do vice.[Não lincamos Antagonista]

Ah, teve um dia que a PRF ousou homenagear um policial morto por Covid e o presidente desprovido de empatia DERRUBOU o comandante da PRF por causa da nota e saiu por aí dizendo que o falecido tinha comorbidades. Aí deu nisso.

“A PRF registrou mais duas mortes de servidores por coronavírus nos últimos dias. Nas notas de pesar, porém, o órgão continua omitindo o motivo do óbito. Por causa de um comunicado mencionando Covid-19 em maio, Bolsonaro deu bronca na cúpula da época.” [Folha]

Encerro com o capitão

“A Justiça Federal de São Paulo deu 72 horas para que o Palácio do Planalto explique as supostas fraudes na eleição de 2018 alegadas por Jair Bolsonaro. A decisão foi assinada nesta quinta-feira pela juíza Ana Lucia Petri Betto, em uma ação movida pelo Livres, movimento de renovação política de dissidentes do PSL. “Como há muito tempo Jair Bolsonaro faz tais declarações e não apresenta prova alguma, apenas por meio do Poder Judiciário é que se pode responder duas perguntas advindas da referida afirmação: Houve fraude eleitoral em 2018? Onde estão as provas?”, afirmou o movimento à Justiça. “Creio que o presidente terá a oportunidade perfeita de mostrar à nação aquilo que ele diz ter”, disse Irapuã Santana, autor da ação. Em sua extensa coleção de alegações sem prova alguma, Jair Bolsonaro disse o seguinte em março de 2020: “Eu acredito que, pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu tinha sido, eu fui eleito no primeiro turno, mas no meu entender teve fraude. E nós temos não apenas palavra, nós temos comprovado, brevemente eu quero mostrar”, disse o presidente em 9 de março. Poucos dias depois, a Secretaria de Assuntos Jurídicos do Palácio do Planalto negou possuir qualquer documento sobre as supostas fraudes. Em 7 de janeiro deste ano, no dia seguinte à invasão do Congresso americano por extremistas estimulados por Donald Trump, Bolsonaro voltou a colocar em xeque o sistema eleitoral: “Se nós não tivermos o voto impresso em 2022, vamos ter problema pior que os Estados Unidos”.” [Época]

A resposta há de ser engraçada e será muito útil para incriminar Bolsonaro por colocar em zeque a lisura do sistema eleitoraql.

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5. Impeachment e Congresso

Alegria de pobre dura pouco.

Com a crise de saúde pública em Manaus e desencontros sobre o cronograma de vacinação, a aprovação à gestão do presidente Jair Bolsonaro caiu de 37% para 26%, a maior queda semanal desde o início de seu governo. Agora, está no mesmo nível de junho de 2020, um dos momentos mais críticos da pandemia. A queda acentuada fez com que a desaprovação ao governo saltasse para 45%. A desaprovação do presidente é maior nos estratos de maior renda e de maior escolaridade: entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, 58% não aprovam a gestão do presidente. No grupo dos que têm ensino superior, 64% desaprovam o governo federal. Já em relação à aprovação do presidente, ela segue maior entre os que moram no Centro-Oeste e os evangélicos. Entre os que moram no Centro-Oeste, 36% aprovam o governo Bolsonaro — nas outras regiões do Brasil, esse índice varia de 22% a 27%. Entre os evangélicos, 38% apoiam o governo Bolsonaro, ante 20% dos católicos e 23% dos que declaram seguir outra religião.” [Exame]

A quadra da história é tão escrota que o impeachmetn ganha tração justamente quando Bolsonaro está mprestes a emplacar o comando da Câmara e do Senado – o texto é do Ascânio Seleme:

“Ao que parece, mais uma vez o Congresso vai dar as costas aos brasileiros. Os números apurados pelo GLOBO e pela Folha de S. Paulo indicam que o deputado Arthur Lira e o senador Rodrigo Pacheco devem ser eleitos presidentes da Câmara e do Senado. Os dois, como se sabe, são os candidatos apoiados por Jair Bolsonaro. Pacheco em duas entrevistas disse que até agora não viu crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente e que “erros do governo na pandemia são escusáveis”. Lira não precisa dizer nada, todo mundo sabe o que ele pensa e como ele age. O que se desenha com a eleição destes dois senhores é que os evidentes crimes praticados por Bolsonaro, contabilizados já na casa das duas dezenas, serão ignorados pelo Congresso. E obviamente também não tramitará qualquer outra denúncia por novos crimes que certamente o presidente perpetrará. Até o momento, 61 pedidos de impeachment de Bolsonaro foram encaminhados ao Congresso por partidos políticos e entidades civis.

O presidente deveria ser julgado por apoiar o golpe de 1964, apoiar motim da PM, tentar interferir na PF, apoiar manifestações antidemocráticas, se calar diante de declarações antidemocráticas de ministros, ameaçar o STF, ameaçar procuradores, atentar contra a vida na pandemia, entre outros crimes. Como se vê, o presidente do Brasil é um criminoso contumaz. E a maioria dos 594 deputados e senadores que vão eleger os novos chefes das duas casas do Congresso tende a se alinhar àqueles que já disseram publicamente que os erros de Bolsonaro são desculpáveis ou que ele não cometeu crime. Não precisa ser muito esperto para entender o que a constatação explica. E a sua compreensão depõe ainda mais contra o Congresso brasileiro. Deputados e senadores estão trocando votos por cargos, vantagens e benesses do poder executivo, como sempre. Em alguns casos, compreende-se. Em outros, não. No meio do caos que o governo promoveu no país, especialmente durante a pandemia que já matou mais de 210 mil brasileiros, é incrível que Bolsonaro ainda tenha prestígio no Congresso a ponto de conseguir eleger os presidentes de Câmara e Senado. Sob qualquer ângulo que se olhe, nenhum presidente desde Deodoro da Fonseca, que derrubou um império e instaurou uma república, tumultuou tanto o país quanto Bolsonaro. O Congresso é cego? Não, claro que não. Ele se faz de cego porque as votações para presidentes das duas casas serão secretas. E no escuro tudo fica mesmo muito embaçado.” [O Globo]

E a decisão do PT é tão absurda que nem o Valter Pomar, petisa histórico e integrante do diretório nacional, entendeu. E eu citei o Pomar só pra mostrar que não é porque alguém critica o PT que é anti-petista.

“Os senadores do PT, por outro lado, anunciaram que vão votar em Rodrigo Pacheco. E não é por falta de opção. Significa que o maior partido de esquerda do país, teoricamente o principal opositor do governo de extrema direita de Bolsonaro, se alia a este e como consequência o auxilia a encobrir seus crimes de responsabilidade. Um petista que circula pelos altos escalões do partido diz que no Senado “o bicho é outro”, que as razões internas superam as questões partidárias. Como? Pois é. O partido que em 1985 expulsou os deputados Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes, que votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, vai permitir agora que seus senadores votem com Bolsonaro.”

Mas se o Lira vencer não quer dizer que o imepachmetn já era não, faço minhas as palavras do Gaspari:

“Quem conhece a Câmara faz um raciocínio aritmético. Quem acha que Arthur Lira vem da mesma cepa que Eduardo Cunha pode estar fazendo a escolha certa se dá de barato que o Planalto cumprirá tudo o que combina com ele. Se, por hipótese, essa pessoa acha que pode não cumprir o combinado, deve lembrar o que aconteceu a Dilma Rousseff.” [Folha]

E não se trata só de retaliação pelo combinado não ser entregue, mas se o navio afundar mais os ratos são os primeiros a sair, Centrão no abre-alas.

E Bolsonaro resolveu ironizar os protestos, tá pedindo pra cair!

“Campo Grande… Eu vi uma carreata monstro de uns dez carros lá contra mim” [Folha]

Para acomodar o altruísta centrão vão rodar os milicos.

“Com a proximidade da reforma ministerial, programada para acontecer depois da eleição para as presidências de Câmara e Senado, vem crescendo a pressão do centrão para a mudança naquele que é um dos pilares do governo de Jair Bolsonaro: a presença maciça de militares em postos estratégicos do primeiro escalão. O grupo, cada vez mais próximo ao presidente, defende a nomeação de mais políticos em ministérios e mira, especialmente, duas pastas sediadas no próprio Palácio do Planalto: a Casa Civil, hoje a cargo de Braga Netto, e a Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, ocupada por Luiz Eduardo Ramos. A impressão de aliados de Bolsonaro no Congresso é que a “militarização” do governo atrapalha na interlocução com os partidos, além de ser um entrave para a liberação de cargos e emendas, moeda de troca importante para os parlamentares. Até agora, o Planalto sondou nomes como o do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA), e de José Múcio Monteiro, ex-presidente do Tribunal de Contas União (TCU) e ex-ministro das Relações Institucionais do governo Lula. Ambos rejeitaram a hipótese de assumir a articulação política do Planalto. À frente da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos é alvo frequente de críticas de líderes partidários próximos a Bolsonaro — os parlamentares o acusam de não cumprir promessas. Para alguns deputados, a falta de histórico de atuação no Congresso prejudica o ministro, classificado frequentemente como alguém que “não é do ramo” e que não teria habilidade em articular politicamente. O grupo pressiona pela substituição de Ramos, general da reserva, por um nome com trajetória política. Auxiliares de Bolsonaro ouvidos pelo GLOBO, porém, minimizam a hipótese de troca — Ramos é amigo do presidente. Uma alternativa seria deslocá-lo para outro posto no governo como a Secretaria-Geral, hoje comandada interinamente por Pedro Cesar Sousa — ex-chefe de gabinete do presidente.” [O Globo]

Os fiéis aliados nunca caem, sempre são remanejados em nome da… “honra”.

“O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de origem na Marinha, é outro militar do primeiro escalão que recebe críticas de parlamentares do centrão. O apagão no Amapá no fim do ano passado e a demora na apresentação de soluções tem sido usado como argumento para a troca. Apesar da forte pressão sobre o presidente para que demita os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, aliados próximos a Bolsonaro afiançam que os dois não serão defenestrados do governo. A manutenção da dupla já teria virado uma espécie de “questão de honra” para o chefe do Executivo, que nos últimos dias fez questão de defendê-los publicamente.”

Cuiroso conceito de honra…

E malandor é o Centrão…

“Mesmo se houver a possibilidade de retirar Pazuello do cargo, integrantes do centrão avaliam que não é o momento de ocupar o Ministério da Saúde, já que, durante a pandemia, a pasta está no centro das atenções e pode gerar problemas. Imaginam também que Bolsonaro queira indicar um nome de sua “cota pessoal” para ministro.”

Quem é maluco de ser o quarto ministro da Saúde em plena pandemia, tendo que obedecer às ordens do capitão? Só o Terra e a Nize devem aceitar uma porra dessa…

“Uma mudança dada como certa por interlocutores de Bolsonaro, por outro lado, é a saída de Onyx Lorenzoni (DEM) do Ministério da Cidadania. A vaga é cobiçada pelo PP, de Ciro Nogueira e Arthur Lira. Deputado federal licenciado do Rio Grande do Sul, Onyx pode ganhar outro cargo no governo. Um dos únicos parlamentares que apoiaram a pretensão presidencial de Bolsonaro ainda muito antes da eleição, Onyx tem a gratidão do presidente, ainda que sua passagem pela Casa Civil no começo do governo seja avaliada como malsucedida. Outra certeza consolidada nos últimos dias entre interlocutores de Bolsonaro é que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não ganhará um ministério, e continuará no mandato de senador. O presidente alega que o parlamentar não poderia entrar no governo por estar muito “desgastado”. Recentemente, Alcolumbre disse a aliados que fora convidado para o Ministério do Desenvolvimento Regional, onde assumiria a cadeira de Rogério Marinho. Mas governistas garantem, nos bastidores, que o ministro permanecerá no cargo.”

E certo tá o MST:

“Dirigentes do MST apontam diferença da crise de popularidade que Jair Bolsonaro atravessa agora em relação a 2020, quando movimentos pela democracia surgiram, como Somos 70%, Basta! e Juntos. À época, aluns líderes dos grupos criticavam posturas autoritárias do presidente, mas não apoiavam a destituição. Hoje o cenário mudou, creem, indicando as posições de Luciano Huck e Carlos Ayres Britto como sintomáticas de possível frente ampla. Na semana passada, o apresentador de TV se engajou na divulgação de panelaço contra Bolsonaro, transmitindo sua participação em uma live nas redes sociais. Ayres Britto, ex-presidente do STF, por sua vez, disse em entrevista à Folha que Bolsonaro se credenciou para o impeachment ao dar as costas à Constituição. “Respostas [para a crise sanitária] como ‘e daí?’ ou ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”, perguntou. Na terça-feira (26), o MST e outros grupos realizarão uma plenária de organização dos movimentos sociais. A ideia é mobilizar no dia 1° de fevereiro, dia de votação das presidências da Câmara e do Senado, uma série de protestos contra Bolsonaro. MST e MTST pretendem propor um trancamento de estradas para esse dia. O núcleo dos protestos será o impeachment de Bolsonaro, mas também incluirá pautas como a defesa das vacinas, a contraposição à reforma administrativa e a proteção às estatais.” [Folha]

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6. “Paulo Guedes mentiroso, tá enganando a rapaziada”

Só entende o título quem ouve o podcast:

“O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (25) que a vacinação em massa é decisiva para a retomada do crescimento econômico. “A volta segura ao trabalho é importante e a vacinação em massa é decisiva, é um fator crítico de sucesso para o bom desempenho da economia logo à frente”, disse Guedes durante entrevista em que comentou o resultado da arrecadação federal em 2020. Guedes também rebateu as críticas de que o governo brasileiro não negociou com mais fabricantes de vacinas. O governo conseguiu até agora receber doses da vacina de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca, e da CoronaVac, mas esta resultado de um acordo entre a China e o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. “O Brasil está realmente tentando comprar todas as vacinas. A crítica de que teríamos ficado com uma vacina só não cabe. Estamos tentando adquirir todas as vacinas. Eu sou testemunha do esforço de logística para isso”, afirmou.” [G1]

“Todo esforço logístico”? Ele tá falando do governo abrindo mão da Pfizer por conta da temperatura e trabalhando com UMA ÚNICA vacina em um país de dimensões continentais? Ou do Bolsonaro dizendo que não comprará a vacina chinesa e sabotando a imunização em todas as suas declarações? Lembrando que Guedes prometeu aniquilar o vírus con “uns 3, 4, 5 bilhões” e juro que um “amigo de Londres” teria 40 milhões de testes para o governo brasileiro.

“Espero que todos se cuidem, saúde e vacinação em massa são críticos, são fatores críticos de desempenho econômico também. Então, para que a economia possa voar novamente, nós precisamos acelerar essa vacinação em massa”

Combina com seu chefe, porra!

“O ministro afirmou que espera que o Congresso retome a pauta de reformas e vote as propostas que já estão em análise tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. Guedes citou os projetos de privatizações e a reforma tributária. “Vamos limpar a pauta. Está lá todo o destravamento da nossa retomada, o desafio de transformar essa recuperação cíclica baseada em consumo em uma retomada sustentável do crescimento, baseada em investimento”, disse.”

A mesma pauta de 2019, pré-pandemia. Qual a chance de dar certo?!

Enquanto Guedes afeta otimismo e diz que vai tudo bem…

“O ano passado entrou para a história como um dos períodos em que os estrangeiros se mostraram mais cautelosos em colocar dinheiro no País seja para o setor produtivo, seja para a Bolsa ou o financiamento do governo. A projeção do Banco Central é que o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo (IDP) deva somar US$ 36 bilhões em 2020 (US$ 33 bilhões já entraram até novembro), praticamente a metade do volume que ingressou no mesmo período de 2019 e muito inferior ao registrado nos últimos anos. O IDP engloba investimentos mais duradouros no País, como em uma nova fábrica ou compra de participação em empresas já instaladas. Já nas posições em portfólio – ações na Bolsa, participações em fundos de investimentos e títulos da dívida federal –, foram retirados US$ 14,8 bilhões, maior volume desde 2016. A participação de investidores externos nos papéis do Tesouro Nacional, que chegou a 20,8% do total em maio de 2015, caiu para apenas 9,47% em novembro do ano passado – justamente quando a União mais precisava captar recursos para financiar o rombo recorde nas contas públicas por causa das ações no combate à pandemia. Após meses de fuga do capital externo do País, os últimos meses de 2020 mostraram o começo do retorno dos investidores de portfólio, mas o ritmo ainda é insuficiente para reverter a forte saída de dólares do Brasil causada pelas incertezas sobre os rumos da economia. Embora haja um excesso de liquidez nos mercados globais, com dinheiro mais que disponível para voltar ao País, as incertezas fiscais, políticas e sanitárias brasileiras, incluindo os entraves para a vacinação em massa no País, mantêm os agentes estrangeiros com um pé atrás na hora de investir. “A existência de recursos no mundo é importante, mas não é tudo”, diz o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. “Uma empresa, quando decide investir, examina uma série de fontes”, afirma, elencando entre os fatores considerados a política ambiental, a área social e a governança. “Países que não se preocupam com essas três coisas saem do radar. E o Brasil está mostrando para o mundo um governo que menospreza o meio ambiente, é negacionista e não tem articulação política”, diz Maílson. “Quando olho a maneira como o governo é gerido, é de desanimar qualquer um.” Além da Ford, que anunciou recentemente que vai sair de três plantas – Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE) – depois de um século no País, a japonesa Sony anunciou o fim da produção da fábrica em Manaus (AM) até março deste ano. Outra japonesa, a Mitutoyo, fechou a planta de instrumentos de medição em Suzano (SP) em outubro do ano passado. Já o grupo farmacêutico suíço Roche anunciou que deixará de fabricar medicamentos no País até 2024.” [Folha]

E repare na ironia, notícia de novembro de 2019, quando Fernandéz já estava eleito mas ainda não empossado:

“O presidente Jair Bolsonaro publicou na madrugada desta quarta-feira em uma rede social que a L’Oreal, a Honda e a MWM, uma fábrica de motores, haviam anunciado o fechamento de fábricas na Argentina e a instalação no Brasil. As empresas negaram a transferência das fábricas. A publicação foi apagada algumas horas depois. No post, Bolsonaro justificou a mudança das empresas pela suposta “confiabilidade do investidor” no Brasil e disse que as novas fábricas trariam mais emprego ao país. “MWM, fábrica de motores americanos, a Honda, gigante de automóveis, e a L’Óreal anunciaram o fechamento de suas fábricas na Argentina e instalação no Brasil. A nova confiabilidade do investidor vem para gerar mais empregos e maior giro econômico em nosso país”, dizia a publicação. Na noite desta quarta-feira, o presidente pediu desculpas pela postagem, por meio do seu porta-voz.” [O Globo]

Encerro com mais descolamentod e realidade do Guedes:

“Pesquisa Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de janeiro mostra que 69% dos brasileiros que receberam o auxílio emergencial não encontraram outra fonte de renda para substituir o benefício. De acordo com o levantamento, 40% da população solicitou o auxílio. Entre aqueles que tiveram direito a ele, 89% já receberam a última parcela. Afirmaram ter economizado recursos para quando o auxílio terminasse 38% dos beneficiados. Na média, foram pagas 4,5 parcelas do auxílio a cada beneficado. Entre os que receberam alguma parcela do auxílio emergencial, 51% afirmaram ter perda de renda na pesquisa realizada no início de dezembro. Agora, são 58%. Na pesquisa anterior, 14% dos beneficiários apontavam ter tido aumento de renda. Agora, são 12%, oscilação dentro da margem de erro. Em dezembro, o auxílio tinha garantido a manutenção do nível de renda familiar para 34% dos beneficiados entrevistados. Em janeiro, eram 29% os que estavam com o mesmo nível de renda anterior à pandemia.” [Folha]

Guedes tá pensando em sauqe do FGTS, tá rolando uma hemorragia e Guedes tá vindo com o band-aid.

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7. Sobre evangélicos

Comecemos pelo STF

“A promoção do juiz federal carioca William Douglas dos Santos a desembargador no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, prevista para fevereiro, vai expor mais um lance da disputa silenciosa que ocorre nos bastidores pela próxima vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a ser indicada em julho, após a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello.” [O Globo]

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“Juízes de primeiro grau costumam ser preteridos na corrida que, além de William Douglas, já tem outros dois nomes se movimentando nos bastidores: o ministro da Justiça, André Mendonça, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins. No fim do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) recebeu em seu gabinete o juiz carioca que vai virar desembargador para tratar da nomeação. O magistrado é o preferido de lideranças evangélicas como o bispo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, e o missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, além de ser visto com bons olhos pela maioria da bancada da Bíblia no Congresso Nacional. — Os evangélicos já representam quase 40% da população e não há nenhum ministro evangélico no STF, apenas católicos e judeus. André Mendonça é um bom nome, mas talvez não tenha a capacidade jurídica de William Douglas — afirma R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. — Ele é um homem íntegro, de família, com princípios e valores cristãos. Seria um bom nome, mas há outros — completa Estevam Hernandes. Quem colocou as igrejas como atores preponderantes no processo foi o próprio presidente Jair Bolsonaro. Em 2019, ele prometeu entregar uma das duas vagas que tem direito a preencher durante o mandato para alguém “terrivelmente evangélico”. Quando selecionou o piauaiense Kassio Nunes Marques para a vaga do decano Celso de Mello, Bolsonaro deixou as lideranças irritadas por não serem contempladas. O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e um dos seus principais apoiadores, gravou vídeos contra a escolha, e o rompimento da aliança com o Planalto quase aconteceu. Em outubro do ano passado, para aplacar a ira da bancada evangélica, o presidente dobrou a aposta no discurso e disse em evento da Assembleia de Deus que escolheria não apenas um fiel, mas um pastor para o STF. Se realmente cumprir a promessa, apenas William Douglas e André Mendonça preencheriam os requisitos. Malafaia, que até o ano passado apresentava-se como defensor do nome de William Douglas, passou a não se opor mais caso o ministro da Justiça de Bolsonaro seja indicado. “Ele contemplaria os evangélicos”, tem dito a interlocutores.”

Mas o ministro terrivelmente fascista ganhou pontos comn seu chefe:

“Nas últimas semanas, André Mendonça subiu na bolsa de apostas para a Corte por dois motivos: tem se mostrado leal ao presidente, seja batendo recorde de abertura de inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional em cima de críticos do Planalto ou atacando seus adversários (no fim do ano disparou nas redes contra o ex-ministro Sergio Moro). Além disso, Mendonça não é rejeitado no STF, sendo elogiado com frequência pelo presidente Luiz Fux. — André representa os nossos valores, é um grande jurista e tem experiência em Brasília. Sabe como a engrenagem funciona — afirma o deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP), um dos mais próximos de Bolsonaro na bancada evangélica. As trajetórias dos dois favoritos ao posto são distintas. William Douglas, de 53 anos, tem no currículo três décadas como advogado, delegado, defensor público e juiz, além de uma carreira de sucesso com a venda de livros (são 59 ao todo nas áreas de preparo para concursos públicos, desenvolvimento pessoal e outros). Já Mendonça, de 48 anos, começou como advogado da BR Distribuidora e ingressou na carreira de advogado da União em 2000, onde exerceu diversas funções até ser nomeado no início do governo Bolsonaro como chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). Atualmente, o que une William Douglas e Mendonça são as críticas de quem quer trabalhar contra a nomeação de cada um. Mendonça é alvo de comentários negativos por ser presbiteriano e a igreja não ser representativa politicamente para o meio evangélico, além de ter um artigo publicado elogiando a eleição de Lula em 2002. Já William Douglas vem sendo questionado em segmentos conservadores por ser historicamente favorável a políticas afirmativas de inclusão, como as cotas para negros em universidades públicas.”

Nem escondem o racismo…

“Por ora, é incerta a postura da Igreja Universal do Reino de Deus, a denominação evangélica brasileira com maior participação na política, controlada pelo bispo Edir Macedo. O presidente do Republicanos, o advogado Marcos Pereira, chegou a ser cogitado para a vaga, mas ele nega a ambição. Antes de ser preso, o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella, sinalizou que sua intenção era apoiar o juiz William Douglas. Macedo ainda não se manifestou sobre o tema. Correndo por fora, o presidente do STJ, o adventista Humberto Martins, de 64 anos, vem aumentando seu cacife com dois movimentos: comparecendo a eventos evangélicos e sinalizando que sua nomeação poderia abrir outra vaga em uma corte superior. O alagoano tem como ativo a entrada em diferentes segmentos políticos. Foi nomeado por Lula para o STJ em 2006 com apoio do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Hoje, mantém canal aberto com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) , rival de Calheiros e candidato apoiado por Bolsonaro na disputa pela presidência da Câmara. E é elogiado na família presidencial por ter aberto, de ofício, uma investigação no ano passado em cima do juiz Flávio Itabaiana, responsável pelas quebras de sigilo de Flávio Bolsonaro no inquérito das rachadinhas. Pesam contra o ministro as investidas da operação Lava-Jato contra o seu filho, Eduardo Martins, investigado por uma suposta influência em julgamentos na Corte. — Humberto Martins é amigo e competente, assim como William Douglas e André Mendonça. Pena ter apenas uma vaga — afirma o bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra. Caso não atenda aos anseios evangélicos mais uma vez, o nome que voltou a circular na última semana como hipótese de nomeação é o do atual procurador-geral da República, Augusto Aras. Em comum, Aras, William Douglas, André Mendonça e Humberto Martins apresentam o mesmo tipo de discurso para o meio político: as operações de combate à corrupção dos últimos anos foram importantes, mas é preciso corrigir os excessos.”

E enquanto esses miseráfeis falam em cristofobia:

“Os terreiros estavam otimistas quando o sociólogo Reginaldo Prandi fez a pesquisa que forraria “Os Candomblés de São Paulo”. O Brasil virava de vez a página da ditadura com uma nova Constituição, e nela a liberdade religiosa era levada a sério. “Nos anos finais da década de 1980, o candomblé e outras religiões afrobrasileiras a muito custo já haviam se livrado da perseguição centenária sofrida por parte da polícia e de certos órgãos da imprensa”, diz o professor emérito da USP. Antes, afinal, “a religião era livre, mas candomblé e umbanda não eram considerados religião”. Primeiro de muitos trabalhos de fôlego que Prandi faria sobre o culto aos orixás, o livro está sendo relançado agora, 30 anos após sua publicação. A Constituição continua aí, mas o candomblecistas já não se sentem tão protegidos para professar sua fé. O temor tem nome e sobrenome: bolsonarismo e ascensão evangélica. “O governo negacionista de Jair Bolsonaro, levado pelo capitão das 100 mil, 200 mil, sabe-se lá quantas mais dezenas de mil vidas eliminadas pela Covid-19”, escreve Prandi na reedição, “não se importa com as mazelas e o roubo de direitos que afligem as mulheres, os negros, os pobres, os indígenas, os gays. […] Não liga para a degradação do meio ambiente, nem se dá ao respeito diante do desmonte da cultura, da memória e da cidadania no país. Vai se interessar por religião de preto macumbeiro?”. A partir do governo FHC (PSDB), passando pelos petistas Lula e Dilma, “você teve a criação de várias instituições de proteção não somente às populações negra e indígena, mas também às suas culturas e crenças. A primeira coisa que Bolsonaro fez foi começar a desmontar tudo isso”, diz o autor à Folha. “Basta ver a Fundação Palmares, que caiu na mão de alguém que vem mesmo para quebrar tudo. A última peripécia [de Sérgio Camargo, seu presidente] foi retirar da lista de negros importantes gente que é muito importante.” De Gilberto Gil a Marina Silva. Foi na gestão bolsonarista que a bancada evangélica mostrou seu muque. A demonização de crenças afro contamina boa parte do pastorado, vide o relançamento, em 2019, de “Orixás, Guias e Caboclos: Deuses ou Demônios?”, do bispo Edir Macedo. Neste seu best-seller, o líder da Igreja Universal diz orar por aqueles ligados a “práticas de macumbaria e feitiçaria”. Um convite à intolerância, afirmam candomblecistas. Uma explicação teológica para a repulsa evangélica remonta à Reforma Protestante, segundo Prandi. “Ela pregava a abolição total do politeísmo. O catolicismo tinha um lado politeísta que herda das antigas religiões e é expressa no culto aos santos. O evangélico não aceita nem mesmo o da Nossa Senhora, que vê apenas como uma mulher virtuosa.” Seguidores de religiões afrobrasileiras são mais libertários e à esquerda do que a média, diz o pesquisador. E a crença em vários deuses —os orixás— tem seu papel nisso. “A religião conta com uma ideologia politeísta muito inclusiva. Não existe a ideia de eliminar o outro. Serão os primeiros a convidar [o evangélico] para os toques dos orixás, mas os últimos a persegui-lo com um cabo de vassoura.” Por séculos, foi o monopólio da Igreja Católica no Brasil que ajudou a marginalizar quem preferia tambores a Evangelho. Daí o candomblé ser visto como caso de polícia antes de questão de fé.

Prandi resgata no livro o que Keith Ewbank, um viajante norte-americano, registrou em 31 de julho de 1846. Estava no Rio, então capital do império brasileiro. “Passamos pelo Departamento de Polícia para vermos o arsenal de um feiticeiro africano que acaba de ser preso”, conta o estrangeiro. Entre os achados: chifres de cabra, dentes de marfim, caveiras de animais, uma corrente de maxilares e chocalhos. A fé da África já acumulava status cultural, presente em músicas como “Arrastão”, em que Elis Regina cantava para Iemanjá, quando o sociólogo fez sua pesquisa. Outros tempos. “O telefone era peça obrigatória de qualquer terreiro”, mas forte mesmo era “a tal da ‘gazeta do santo’, como se dizia da informação passada de boca em boca”, lembra. Anos antes de investigar o lastro do candomblé em São Paulo, Prandi esteve no grupo que fundou o Datafolha, instituto de pesquisas do Grupo Folha. Queria estudar o tema da opinião pública para uma tese acadêmica e viajou aos EUA para consultar as melhores bibliotecas —meses de trabalho que sumiram quando malas cheias de livros e fotocópias acabaram extraviadas no voo da volta. Foram meses até reaver a bagagem. No meio tempo, colegas o chamaram para processar os dados de uma pesquisa que vasculhou os cartórios de registro da capital paulistana. O levantamento detectou que os centros espíritas diminuíam, enquanto cresciam o da umbanda e também os de candomblé. Desde então, o sociólogo dedicou a maior parte de sua carreira acadêmica aos orixás. Mãe Menininha do Gantois (1894-1986) já havia cantado essa bola. Em meados dos anos 1970, Prandi deu um curso na Universidade Federal da Bahia (Ufba), e seus alunos o levaram para o terreiro da mãe de santo homenageada por Dorival Caymmi em “Oração de Mãe Menininha”. “Ela jogou búzios pra mim e disse que minha vida ia mudar, ‘você vai passar a dedicar o resto da vida aos orixás’. Eu nem sabia direito o que eram.” Além de estudioso do candomblé, Prandi é também ogã, título que recebeu em vários terreiros, uma espécie de auxiliar dos rituais. Agosto é mês de celebrar Omulu, o orixá da peste, nas casas de culto. Em 2020, a peste se materializou com a Covid-19. Justamente por causa dela, não se recomendava que ninguém saísse de casa, sobretudo para aglomerar em festas como o olubajé, quando banquetes com frango frito, acarajé e pipoca são servidos sobre folhas de mamona para prestigiar Omulu. A solução foi acelerar a adaptação dos candombleicistas à era virtual. “Do tambor ao computador”, como o pai Baiano de Xangô, que formou a primeira geração paulista de ialorixás e babalorixás, resumia as transformações sofridas por sua religião, diz Prandi. Pai Baiano usava a palavra tambor para se referir a um tempo passado, ainda na África, quando as aldeias se comunicavam por meio da batucada. “Sobrevive a ideia de que os toques dos atabaques permitem a comunicação dos terreiros deste mundo, o Aiê, com as divindades que vivem no mundo espiritual, o Orum.”” [Folha]

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8. Serasa

Que cagada homérica…

“Na semana passada, o dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da startup PSafe, revelou um vazamento de dados de proporções gigantescas: são listados mais de 223 milhões de CPFs. Junto deles estão informações detalhadas de cidadãos brasileiros: nome, endereço, renda, imposto de renda, fotos, participantes do Bolsa Família, scores de crédito e muito mais – os dados foram compilados em agosto de 2019. O volume de números de CPF é maior do que o da população brasileira, pois foram incluídas na base informações de pessoas que já morreram. Além disso, mais de 40 milhões de números de CNPJ, com informações atrelados a eles, também foram disponibilizados. Tudo está à venda em fóruns na internet. Ainda não é possível saber a origem do vazamento, mas há indícios de que as informações pertençam à base de dados do Serasa – o Estadão teve acesso a parte dos dados e encontrou documentos e menções ao birô de avaliação de crédito. Uma das bases de dados supostamente pertence ao Mosaic, serviço do Serasa. Por enquanto, a empresa tem negado ser a origem do vazamento, e diz estar investigando o caso. Diz a nota da empresa: “Estamos cientes de alegações de terceiros sobre dados disponibilizados na dark web. Conduzimos uma extensa investigação e neste momento nenhum dos dados que analisamos indicam que a Serasa seja a fonte. Muitos dos dados analisados incluem elementos que não temos em nosso sistema e os dados atribuídos à Serasa não correspondem aos dados em nossos arquivos.” Para Bruno Bioni, fundador e professor do Data Privacy Brasil, esse pode não ser apenas o maior, mas também o mais lesivo vazamento de dados do Brasil. Ele compara ao caso Equifax, birô de crédito americano que viu os dados de 145 milhões de pessoas vazarem em 2017, o que rendeu um acordo de US$ 650 milhões com a Federal Trade Comission (FTC), agência responsável nos EUA por representar o direito do consumidor em casos de vazamento de dados. Bioni diz que o momento é de pensar em um plano de contingência – para ele, o caso será o primeiro grande teste da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Embora as multas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) possam ser aplicadas apenas a partir de agosto, ele aponta caminhos de atuação da agência. Além disso, Bioni lembra que órgãos de proteção do consumidor, como a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) podem atuar com base no Código de Defesa do Consumidor. Veja os principais momentos da conversa.” [Estadão]

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9. Supra-sumo do cretinismo

O ministro da Saúde de Israel foi entrevistado pela BBC sobre a vacinação dos palestinos e que grandessíssimo filho da puta do caralho. O ministro é o Yuli Edelstein e o entrevistado é o Andrew Marr:

“Marr: The United Nations says it’s your legal obligation to make sure the Palestinian people under occupation have a swift and equitable access to covid-19 vaccines. Why aren’t you doing this?

Edelstein: As far as the vaccination is concerned, I think that it’s a Israeli obligation first and foremost to its citizens. They pay taxes for that, don’t they? But having said that, I do remember that it’s our interest – not our legal obligation – that it’s our interest to make sure that the Palestinians get the vaccine and they won’t have the covid-19 spreading.

Marr: I understand that, but the Palestinians have asked you for vaccines and you haven’t given them some, and under the Geneva Convention, the 4th Geneval Convention, Israel is required to do so. I can read it back. Article 56 says that Israel ‘must adopt and supply the prophylactic and preventative measures necessary to combat the spread of contagious diseases and epidemics in cooperation with local authorities.’ Now, that means the vaccine. Why aren’t you giving them the vaccine?

Edelstein: I would say that first of all we can also look into the so-called Oslo Agreements where it says loud and clear that Palestinians have to take care of their own health.

Marr: Again, I’m sorry to interrupt but the United Nations says that international law should supersede the Oslo Agreements on this.

Edelstein: If it is the responsibility of the Israeli Health Minister to take care of the Palestinians what exactly is the responsibility of the Palestinian Health Minister? To take care of the dolphins in the Mediterranean?

Marr: I’m so sorry. Let me put it to you that many of your own citizens also think you should be doing more. There was a petition by 200 rabbis which says: ‘Judaism teaches a moral imperative not to show indifference as our neighbour suffers but rather to mobilise and offer help in times of need.’ The rabbis are right aren’t they?

Edelstein: The rabbis are always right I guess, but I would definitely say that that is exactly why when the Palestinians turn to us in terms of health with their medical teams I authorised passing some vaccines to those medical teams who directly work with corona patients in the Palestinian authority, and as you can hear from this interview it’s not because I think that we have a legal obligation, it’s because I understand that there are doctors and nurses that they don’t get the vaccine at this stage.” [Folha]

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>>>> É sucateamento que chama: “Os dados são do IBGE. Enquanto a população brasileira cresceu 8,4% entre 2012 e 2019, o número de leitos do SUS, por mil habitantes, caiu 12,8%. No Rio, no mesmo período, a população cresceu 6,4% e os leitos do SUS diminuíram inacreditáveis 28,4%.” [O Globo]

>>>> Como é burra… “A enfermeira Nathanna Faria Ceschim virou alvo de investigação por parte do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, no Espírito Santo, onde ela trabalha, após ter sido imunizada com a Coronavac e gravar vídeos debochando da vacina, dizendo que não acredita em sua eficácia e que só a tomou para poder viajar. Ela também publicou vídeos em que aparece sem máscara no hospital. Ela também foi denunciada ao conselho regional de enfermagem. “Tomei por conta que quero viajar, e não para me sentir mais segura. Uma vacina que dá 50% de segurança para mim não é uma vacina. Tomei foi água”, diz Nathanna. A Coronavac não tem 50% de segurança, mas 50,38% de eficácia geral, para todos os casos. Além disso, ela tem 77,96% de eficácia contra manifestação de sintomas e 100% contra casos graves da doença —ainda que nesses casos o Butantan não considere os números ainda significativos para fins estatísticos. Em nota, o Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitoria afirma que “em hipótese alguma compactua com este tipo de pensamento e que em toda a sua história sempre defendeu e esteve ao lado da ciência, e não seria agora que mudaria sua postura, em um momento tão difícil”. Ao tratar do vídeo que a enfermeira gravou sem máscara no hospital, a Santa Casa afirma que se trata de prática proibida e que isso é de conhecimento de todos os funcionários desde o início da pandemia. “O hospital abriu uma investigação para apurar a conduta da funcionária e irá tomar as medidas que forem necessárias para garantir a segurança de seus pacientes e a manutenção das normas e condutas fundamentais para o bom atendimento assistencial.” [Folha]

>>>> Da Cristina Serra: “No recém-lançado livro “O Mapa da Mina”, o jornalista André Guilherme Vieira esquadrinha o cipoal da disputa judicial entre a mineradora Vale e o grupo BSGR, do israelense Benjamim Steinmetz, que já foi considerado o maior comerciante de diamantes do planeta. No centro do litígio, as reservas de minério de ferro nas montanhas de Simandou, na República da Guiné, ex-colônia francesa, mais conhecida pela turbulência política e pela pobreza endêmica da população. Por meio de centenas de documentos do processo, na Corte de Arbitragem Internacional de Londres, o autor consegue deslindar a geopolítica da mineração mundial e como as grandes corporações operam para garantir a primazia nesse mercado. Basicamente, é um vale-tudo, com golpes abaixo da cintura, como suborno, espionagem e destruição de reputações. Na gestão de Roger Agnelli (morto num desastre de avião em março de 2016), a Vale embarcou numa sociedade de alto risco com o grupo israelense para explorar Simandou, ignorando alertas contrários de alguns dos seus executivos. Deu tudo errado e chegou-se à disputa atual, num enredo mirabolante, que o autor narra como uma história de suspense. A mesma empresa que enterrou bilhões de dólares num projeto fadado ao fracasso na África é a responsável pela maior tragédia humana associada à mineração no Brasil. Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da mineradora em Brumadinho (MG) se rompeu. A lama de rejeitos matou 270 pessoas e dois nascituros e poluiu o rio Paraopeba. O rompimento ocorreu na hora do almoço e soterrou os trabalhadores que lotavam o refeitório, localizado abaixo da barragem, assim como o escritório e a sirene do complexo, o que dá bem a medida do descaso criminoso com a vida humana. A investigação do Ministério Público de Minas Gerais mostra que a empresa sabia dos problemas da estrutura e não tomou providências, assumindo, portanto, o risco de um desastre. Haverá justiça para Brumadinho?” [Folha]

>>>> Bem bolado: “Quem acha que a China é pragmática demais para retaliar, veja o que ela fez na quinta com líderes do governo Trump. Até Mike Pompeo, ex-secretário de Estado dos EUA, não pode mais entrar no país. Se alguma empresa americana o empregar, terá eventuais contratos com o gigante asiático suspensos. Outros 26 apoiadores ou membros da equipe de Trump receberam as mesmas sanções.” [O Globo]

>>>> Tinha chance da extrema-direita abocanhar o segundo lugar mas acabaram em terceiro: “Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito presidente de Portugal neste domingo (24), ao obter 60,7% dos votos. Em segundo lugar ficou a candidata socialista Ana Gomes, com 12,97%, e em terceiro André Ventura, com 11,9%. No total, o atual presidente teve 2.533.799 votos, enquanto a segunda colocada teve 541.345 e o terceiro 496.583, de acordo com a emissora RTP. A abstenção foi de 60,51%. Após a confirmação oficial de sua vitória, Rebelo afirmou que “Temos de reenconcontrar o que ficou perdido. Fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos. Temos de valorizar as inclusões, os afetos, as cidadanias”. A melhor homenagem que podemos prestar aos mortos é cuidar dos vivos e com eles recriar Portugal”, disse o presidente reeleito. “Os portugueses não querem uma pandemia infindável, uma crise sem termos à vista, um empobrecimento agravado, um recuo em relação a outras sociedades europeias, um sistema político lento a perceber a mudança e um extremismo nas pessoas, atitudes e vida social e política, e querem uma pandemia dominada o mais rápido possível, uma presidência da União Europeia fortalecendo o papel de Portugal e do mundo”, acrescentou. Rebelo, de 72 anos, chegou a sofrer uma queda nas pesquisas de intenção de voto, especialmente após o agravamento da pandemia de Covid-19 no país nas últimas semanas. Mas, aparentemente, funcionou seu apelo para que se evitasse mais três semanas de campanha, levando a decisão a um segundo turno, e os eleitores acreditaram em sua promessa de transformar o combate ao coronavírus em prioridade máxima. Sete candidatos concorriam à presidência, mas havia oito candidatos no boletim de voto. Isto porque que um dos concorrentes, Eduardo Baptista, o primeiro da lista, não se qualificou, mas acabou incluído na versão final do documento. Os boletins foram impressos antes da Comissão Nacional Eleitoral dar seu parecer sobre a regularização das candidaturas, de acordo com a RFI. Em Portugal, o chefe de Estado não tem poder executivo, mas pode dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas em caso de crise política. Rebelo de Sousa conviveu até agora sem maiores atritos com o primeiro-ministro socialista, António Costa, que deu apoio oficioso à sua reeleição.” [G1]

>>>> Colé, Putin! “O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou os protestos que ocorreram em favor da libertação do opositor Alexei Navalni no sábado (23). Falando por vídeo com estudantes universitários de uma residência oficial em Zavidovo (120 quilômetros a noroeste de Moscou), Putin afirmou que “todo mundo tem o direito de expressar seus pontos de vista dentro do arcabouço legal”. “Qualquer coisa fora da lei não é apenas contraproducente, mas perigoso”, disse, citando desde eventos da Revolução Russa de 1917 à invasão do Capitólio no começo do mês em Washington. “O que estão fazendo com aquelas pessoas [nos EUA]? Entre 15 e 25 anos atrás das grades por terrorismo doméstico. Eles [apoiadores de Donald Trump] vieram com slogans políticos mas também estavam fora da lei. Por que isso deveria ser permitido na Rússia?”, disse. Os atos ocorreram em mais de 100 cidades russas e foram os maiores do tipo desde os protestos organizados pelo mesmo Navalni em 2017. Cerca de 3.700 pessoas foram presas, e houve repressão policial violenta em alguns locais. Ao mesmo tempo, os apoiadores de Navalni convocaram um novo ato, agora para as 12h (6h em Brasília) do domingo (31), e não mais para o sábado, como anunciado anteriormente. “O povo mostrou sua força”, disse um dos braços-direitos de Navalni, Leonid Volkov. No sábado passado, houve dezenas de milhares de participantes nas manifestações. Elas foram ilegais porque na Rússia é preciso pedir autorização para os governos locais para fazer qualquer tipo de aglomeração pública. Os opositores, cientes de que não teriam tal licença, resolveram ir para o confronto. Navalni foi preso no aeroporto Cheremetievo, em Moscou, no dia em que voltou à Rússia. Detido por 30 dias, em 2 de fevereiro ele participa de uma audiência que pode retomar sua sentença de até três anos e meio de cadeia. Em agosto, Navalni havia sido envenenado na cidade siberiana de Tomsk e quase morreu, sendo levado em coma para Berlim (Alemanha). No país europeu, os médicos constataram a presença de um agente nervoso chamado Novitchok (novato, em russo) em seu corpo. O veneno é de uso dos serviços secretos russos desde os tempos da União Soviética. Navalni, recuperado, passou um trote num dos espiões acusados de envolvimento no caso e obteve uma confissão de que sim, houve ordens para que ele fosse morto. Acusado pelo opositor, Putin negou qualquer responsabilidade. O Novitchok já havia estrelado outro complô, a tentativa de assassinato do ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, no Reino Unido em 2018. Naquele incidente e no atual, as relações entre os países europeus e a Rússia azedaram. O líder opositor foi preso sob acusação de ter violado os termos de sua liberdade condicional, definida numa sentença de 2014 sobre um caso de suposta fraude —que Navalni classifica de perseguição, já que a condenação o impede de concorrer a cargos eletivos. Na sua fala nesta segunda (25), o presidente russo também falou sobre uma acusação de Navalni publicada em vídeo na semana passada, de que é o dono de um palácio de R$ 7,6 bilhões em Krasnodar, na costa do mar Negro. “Nada do que foi indicado como minha propriedade pertence a mim ou a meus parentes”, disse Putin. A investigação do Fundo Anticorrupção de Navalni teve 86 milhões de visualizações em seis dias. Também nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um protesto contra o que chamou de interferência em assuntos internos russos por parte dos EUA.” [Folha]

Dia 752 | “Estratégia institucional de propagação do vírus” | 22/01/21

Texto de Pedro Daltro, edição de Cristiano Botafogo e os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Malditos Milicos

Morreu um general de covid e o presidente deu um show de empatia:

“Ontem perdi um amigo, general do exército do comando militar do Sul, o Miotto, depois de dois meses aproximadamente internado. Pelo que me consta, não foi feito tratamento precoce nele. Ele veio a falecer e lamentamos a perda dessa pessoa” [Estado de Minas]

Que diabos se passa na cabeça dos generais nessa hora?! O capitão cansou de humilhar general em vida e agora resolveu humilhar os falecidos também.

“Bolsonaro não foi ao sepultamento de Miotto em Caixias do Sul. Coube ao vice-presidente, Hamilton Mourão, representar o presidente na cerimônia na manhã desta quinta-feira.”

Várias vezes Bolsonaro viajou com sua entourage pra fazer discurso de 3 minutos em formatura de milicos Brasil afora, mas na hora que morre um general – e deixo claro, presidente não tem que ir a velório de general, mas quando é um governo verde-oliva do capitão que não perde um evento militar…

Numa rede social, Mourão fez referência a Miotto em sua carreira nas forças armadas: “Lamento profundamente o falecimento do meu amigo e companheiro de várias jornadas, Gen. Miotto. Grande líder, exemplar marido e carinhoso pai, deixa saudades e um legado de trabalho e profissionalismo em prol do Brasil. Meus sentimentos à família e amigos”, escreveu Mourão.”

Olha a diferença entre uma manifestação e outra. E olha que é tudo maldito milico louvador de Ustra, mas ainda assim a absoluta falta de empatia presidencial espanta.

E Bolsonaro tentou consertar aquela declaração surreal, ecoada no dia seguinte por seu PGR:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, durante transmissão ao vivo realizada nas redes sociais na noite de hoje, que as Forças Armadas brasileiras estão “comprometidas” com a democracia e a liberdade. Há três dias, o presidente declarou que são os militares que “decidem” se um país vai viver na democracia ou na ditadura. “Graças a Deus aqui no Brasil nós temos Forças Amadas comprometidas com a democracia e com a liberdade”, declarou o presidente ao criticar o que ele chamou de “ditadura instalada” na Venezuela. “Um grande pilar da democracia são as nossas Forças Armadas, que jamais aceitariam o convite de uma autoridade de plantão, no caso o presidente da República, a enviesar para um caminho diferente da liberdade, da democracia.”, completou Bolsonaro.” [UOL]

“No caso, o presidente da república”, disse o indiscretíssimo presidente da república.

A última do general da Ativa versa sobre esse grande show de autoritarismo:

“O general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes, nomeado nesta sexta-feira, 22, pelo ministro da Saúde e general da ativa, Eduardo Pazuello, para assessorar a logística da pasta, já defendeu medidas como “intervenção federal” e “Estado de Defesa ou de Sítio” na pandemia da covid-19. Em publicação nas redes sociais, em maio de 2020, Fernandes lançou o desafio: “Vamos intervir, Presidente?”. “Acho que está na hora do Presidente da República utilizar uma daquelas tais “medidas extremas” e… INTERVIR NOS ESTADOS CUJOS GOVERNANTES ESTEJAM EM DESCUMPRIMENTO DA LEI FEDERAL (sic)”, escreveu o militar. “Os proprietários reabrem seus estabelecimentos e qualquer ato de autoridade que se opuser, seja pela aplicação de multas, seja pelo fechamento forçado, será considerado sem valor e abuso de autoridade. A partir daí, é só a justiça federal colocar em fila os que se opuserem e começar a processar. E aí, essa ferramenta é “exagerada”, “autoritária” ou é apenas a SOLUÇÃO CERTA PARA O CASO CORRETO?”, escreveu Fernandes. Semanas antes, em abril, Fernandes havia publicado um artigo no site “SAGRES – Política e Gestão Estratégica Aplicadas” afirmando ser “perfeitamente admissível” a “adoção de quaisquer das medidas estudadas, tanto a Intervenção Federal, quanto o Estado de Defesa ou de Sítio”. “Por fim, salienta-se que a opção pela decretação de tais medidas em nada se relaciona a dar ao Estado poderes ditatoriais”, afirmou o militar.” [Estadão]

Primeiro Bolsonaro diz q a democracia é uma concessão dos milicos, passível de suspensão a qualquer momento. Depois Aras diz que “estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa”. E agora o especialista em logística precisa de ajuda na logística e escolhe essa figura.

the mueller report see GIF

E é surreal como o tópico Malditos Milicos se fundiu com o tópico Covid-17, nunca sei onde colocar as matérias, e se fizer um tópico só vai dar mais de metade do post.

“A linha de tempo mais macabra da história da saúde pública do Brasil emerge da pesquisa das normas produzidas pelo Governo de Jair Messias Bolsonaro relacionadas à pandemia de covid-19. Num esforço conjunto, desde março de 2020, o Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário (CEPEDISA) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) e a Conectas Direitos Humanos, uma das mais respeitadas organizações de justiça da América Latina, se dedicam a coletar e esmiuçar as normas federais e estaduais relativas ao novo coronavírus, produzindo um boletim chamado Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasil. Nesta quinta-feira (21/1), lançam uma edição especial na qual fazem uma afirmação contundente: “Nossa pesquisa revelou a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus, promovida pelo Governo brasileiro sob a liderança da Presidência da República”.” [El País]

E isso pode parecer óbvio, mas eles fazem uma distição que torna tudo ainda mais brutal

“Há intenção, há plano e há ação sistemática nas normas do Governo e nas manifestações de Bolsonaro, segundo aponta o estudo. “Os resultados afastam a persistente interpretação de que haveria incompetência e negligência de parte do governo federal na gestão da pandemia. Bem ao contrário, a sistematização de dados, ainda que incompletos em razão da falta de espaço na publicação para tantos eventos, revela o empenho e a eficiência da atuação da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo”, afirma o editorial da publicação. “Esperamos que essa linha do tempo ofereça uma visão de conjunto de um processo que vivemos de forma fragmentada e muitas vezes confusa”.”

Sacou a diferença?

“A pesquisa é coordenada por Deisy Ventura, uma das juristas mais respeitadas do Brasil, pesquisadora da relação entre pandemias e direito internacional e coordenadora do doutorado em saúde global e sustentabilidade da USP; Fernando Aith, professor-titular do Departamento de Política, Gestão e Saúde da FSP e diretor do CEPEDISA/USP, centro pioneiro de pesquisa sobre o direito da saúde no Brasil; Camila Lissa Asano, coordenadora de Programas da Conectas Direitos Humanos; e Rossana Rocha Reis, professora do departamento de Ciência Política e do Instituto de Relações Internacionais da USP. A linha do tempo é composta por três eixos apresentados em ordem cronológica, de março de 2020 aos primeiros 16 dias de janeiro de 2021: 1) atos normativos da União, incluindo a edição de normas por autoridades e órgãos federais e vetos presidenciais; 2) atos de obstrução às respostas dos governos estaduais e municipais à pandemia; e 3) propaganda contra a saúde pública, definida como “o discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais, além de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o propósito de desacreditar as autoridades sanitárias, enfraquecer a adesão popular a recomendações de saúde baseadas em evidências científicas, e promover o ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da covid-19”. Os autores assinalam que a publicação não apresenta todas as normas e falas coletadas e armazenadas no banco de dados da pesquisa, mas sim uma seleção que busca evitar a repetição e apresentar o mais relevante para a análise. Os dados foram selecionados junto à base de dados do projeto Direitos na Pandemia, à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União, além de documentos e discursos oficiais.

No eixo que definem como propaganda, foi também realizada uma busca na plataforma Google para a coleta de vídeos, postagens e notícias. A análise mostra que “a maioria das mortes seriam evitáveis por meio de uma estratégia de contenção da doença, o que constitui uma violação sem precedentes do direito à vida e do direito à saúde dos brasileiros”. E isso “sem que os gestores envolvidos sejam responsabilizados, ainda que instituições como o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Contas da União tenham, inúmeras vezes, apontado a inconformidade à ordem jurídica brasileira de condutas e de omissões conscientes e voluntárias de gestores federais”. Também destacam “a urgência de discutir com profundidade a configuração de crimes contra a saúde pública, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade durante a pandemia de covid-19 no Brasil”. Quase um ano depois do primeiro caso de covid-19, resta saber se as instituições e a sociedade que não estão acumpliciadas com Bolsonaro serão fortes o suficiente para, diante do mapa de ações institucionais de propagação do vírus, finalmente barrar os agentes de disseminação da doença. O uso da máquina do Estado para promover destruição tem sido determinante para produzir a realidade atual de mais de 1.000 covas abertas por dia para abrigar pessoas que poderiam estar vivas. Na gaveta de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara, há mais de 60 pedidos de impeachment. No Tribunal Penal Internacional, pelo menos três comunicações relacionam genocídio e outros crimes contra a humanidade à atuação de Bolsonaro e membros do governo relacionadas à pandemia. As próximas semanas serão decisivas para que os brasileiros digam quem são e o que responderão às gerações futuras quando lhes perguntarem onde estavam quando tantos morreram de covid-19.”

E o quão criminoso é o presidente sabotar o diálogo federal com o governador do maior estado do país?!

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) proibiu ministros de atender a qualquer pedido do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário político. Quem conversar e fizer “graça” para o governador também está sujeito a receber cartão vermelho. A ordem foi reforçada depois que Doria deu a largada para a vacinação contra a covid-19, no último domingo (17) tirando o protagonismo do governo federal. Bolsonaro está convencido de que o tucano trabalha em sintonia com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para desgastar cada vez mais o governo e articular o impeachment. “Não vão conseguir me derrubar”, disse ele, em recente conversa com aliados, segundo relatos obtidos pelo “Estadão”. Diante da animosidade cada vez maior entre os palácios do Planalto e dos Bandeirantes, auxiliares do presidente que ainda conversam com o governador paulista pedem para que nunca tenham os nomes citados.[UOL]

Enmcerro com Reinaldo Azevedo:

“O abismo em que se meteu o Brasil é tal que, no momento, estamos mais perto da eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara do que de obter dois terços na Casa —e depois no Senado— para impichar Jair Bolsonaro. Mesmo a investigação por crime comum, caso a PGR se movesse, só poderia avançar no STF com a autorização de ao menos 342 deputados. Não há. A mobilização popular, eu sei, submete a história a acelerações em princípio improváveis. Mas se reconheçam as dificuldades. O país não pode ficar à espera. A degradação tem de parar. O Congresso precisa, por exemplo, aprovar a Lei de Defesa do Estado Democrático —PL 3.864, de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP). A proposta foi elaborada por uma comissão de juristas liderada por Pedro Serrano e substitui a Lei de Segurança Nacional —que este inacreditável ministro André Mendonça, da Justiça, usa como arma para perseguir críticos de Bolsonaro. A democracia não pode ser tolerante com aqueles que recorrem a suas licenças para solapá-la. A lição é antiga. E, para a surpresa dos tontos, não tem origem na esquerda. É preciso ainda —e há caminhos; deixarei de lado as minudências— alterar a lei 1.079, a do impeachment. Que se mantenham os dois terços para efeitos de impedimento, mas que baste a maioria absoluta em cada Casa para definir a inelegibilidade do presidente denunciado por crime de responsabilidade. Nesse particular, não podemos ficar entre o tudo —a queda do mandatário— e o desastroso nada: a permanência no cargo de um sabotador impune. É preciso romper o círculo vicioso e perverso a que estamos presos. Bolsonaro está começando a nos tornar dependentes de sua estupidez. A cada dia, há um despropósito novo, que respondemos com justa indignação exclamativa. E a reação lhe assanha a sede de produzir indignidades novas. Olhem para este mundo cada vez menor, como cantou Gilberto Gil na bela “Parabolicamará”. Depois da posse de Joe Biden, um capitão golpista da reserva comanda, se cabe o verbo, o governo mais isolado da Terra. Realizou o prodígio de se colocar como antípoda dos dois gigantes em confronto: EUA e China. Também em razão das insanidades de sua política externa, brasileiros vão morrer por falta de vacina. O atraso nos insumos vai retardar a imunização. E a consequência é óbvia. É preciso ser fanaticamente incompetente para chegar a esse ponto. E sobram fanatismo e incompetência. 1 5 Após colapso da saúde em Manaus, capitais têm panelaço contra Bolsonaro

Nunca tantos morreram em tão pouco tempo por uma única causa no país. E, como é notório, nada é capaz de tocar o coração do nosso Faraó da Zona Oeste do Rio. A exemplo daquele da Bíblia, responde às evidências que rejeita —científicas hoje; miraculosas naquele caso— com os truques de seus magos vulgares da cloroquina. Ocorre que não será sua milícia a ser tragada pelo mar em razão de uma determinação do Altíssimo. Brasileiros morrem sufocados por falta de oxigênio em hospitais em colapso. Hoje, a minha contabilidade bate com a da Folha. Consideradas as agressões à Constituição e à lei 1.079, o presidente já cometeu 23 crimes de responsabilidade. Antes de completar 90 dias de mandato, apontei então neste espaço, já eram quatro. Como avançar além da indignação exclamativa? Apesar dos rosnados aqui e ali, não há risco de um golpe no país, coisa fácil de desfechar e impossível de sustentar —especialmente depois da posse de Biden. A degradação permanente da democracia, que hoje mata aos milhares, já é desastrosa o que chega. Impeachment? A história, reitero, pode tornar possível o improvável. Que se tente. A questão é saber se podemos esperar. Lembro que a extrema direita não aplica no Brasil um receituário inédito. A tática, mundo afora, tem sido a manipulação das licenças que a democracia oferece para destruir os seus valores. Donald Trump —ora defunto, mas ainda insepulto politicamente— chamou a invasão do Capitólio de direito à mobilização e de liberdade de expressão. É o tipo de licença que homicidas em massa reivindicam no Brasil. É preciso pará-los com mobilização e com leis. Se não agora, quando?” [Folha]

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2. Covid-17

– Galvão
– Diga lá, Tino!

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quebrou seu jejum de cerca de sete meses sem falar com a imprensa na porta do Palácio da Alvorada para responder a algumas perguntas sobre vacina contra Covid-19 na manhã desta sexta-feira (22).” [Folha]

É um misto de desespero com a constatação que ao gabinete do ódio não é mais o mesmo de antigamente, e devo dizer que isso é uma vitória do Alzeandre de Moraes naquele inquérito esquisitíssimo aberto pelo Toffoli.

“Nesta sexta, chegou a dizer que não era contra a vacinação e se irritou quando uma jornalista o indagou sobre uma declaração antiga de que, segundo levantamento próprio e sem qualquer base científica, menos da metade da população não queria se imunizar. “Olha, eu vou acabar a entrevista assim”, reagiu o presidente. Ao longo da manifestação à imprensa, Bolsonaro emitiu novos sinais contraditórios sobre vacinação —ora falou a favor ora lançou dúvida sobre os imunizantes. “Nós entregamos [o primeiro lote de vacina] tão logo a Anvisa aprovou… Esta era a minha oposição, né? Pessoal diz que eu era contra a vacina. Eu era contra a vacina sem passar pela Anvisa. Passou pela Anvisa, eu não tenho mais o que discutir, eu tenho que distribuir a vacina”, afirmou aos repórteres. Logo em seguida, colocou em dúvida a credibilidade de imunizantes. “O que tenho observado é que ainda tem muita gente que tem preocupação com a vacina. E deixo bem claro: ela é emergencial. Eu não posso obrigar ninguém a tomar a vacina, como um governador, há um tempo atrás, falou que ia obrigar. Eu não sou inconsequente a este ponto”, disse Bolsonaro, numa referência ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que começou a imunização em seu estado um dia antes do governo federal. Bolsonaro reiterou que a vacinação tem que ser voluntária. “Afinal de contas, não está nada comprovado cientificamente com esta vacina ainda”, afirmou, ignorando a aprovação pela Anvisa. “Peço que o pessoal leia —não é a bula, mas eu chamo de bula— os contratos com as empresas para tomar pé daonde chegaram as pesquisas e porque não se concluiu ainda dizendo que é uma vacina perfeitamente eficaz.” E, logo depois, voltou a falar positivamente sobre a vacina. “Pelo que tudo indica, segundo a Anvisa, ela vai ajudar aí que casos graves não ocorram no Brasil [em] quem for vacinado”, disse Bolsonaro.”

Corajoso pra caralho!

E isso aqui é abre-alas das evidências em qualquer julgamento:

“Documento obtido pelo O GLOBO mostra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não foi consultada e nem avaliou a elaboração da recomendação do Ministério da Saúde para ampliar o uso de cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19.” [O Globo]

Chance The Rapper Snl GIF by Saturday Night Live

O que falta para o Pazuello, GENERAL DA ATIVA, ser preso? O Exército não gosta e a gente adora lembrar que Pazuello é GENERAL DA ATIVA!

O documento, elaborado pela própria Anvisa, diz ainda que, até junho, a agência não tinha feito nenhuma avaliação sobre a eficácia e segurança da aplicação dessas duas substâncias no tratamento da doença. O documento obtido pelo GLOBO via Lei de Acesso a Informação (LAI) foi enviado pela agência para responder a questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal. No dia 20 de maio, o Ministério da Saúde divulgou uma orientação para que cloroquina e hidroxicloroquina fossem usadas em todas as fases da Covid-19. Até então, a recomendação era que as substâncias só fossem usadas nos casos considerados graves. A orientação foi duramente criticada por cientistas e parte da comunidade médica que vem alegando a falta de evidências científicas sobre a eficácia das substâncias no combate à Covid-19. Em junho, a Anvisa, que é a agência responsável por atestar a segurança de medicamentos liberados no mercado, disse não ter participado da elaboração da recomendação feita pelo Ministério da Saúde. “A Gerência-Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos não participou da elaboração ou avaliou previamente a nota informativa”, diz a resposta. Em outro trecho, a Anvisa diz que o uso off-label (quando um medicamento é usado para uma indicação não prevista em sua bula) não foi avaliado pela agência. “Os medicamentos citados na nota informativa nº 9/2020-SE/GAB/SE/MS publicada pelo Ministério da Saúde são registrados na Anvisa para outras indicações terapêuticas, portanto sua utilização no tratamento da Covid-19 configura uso off label e não foi avaliada pela Anvisa”, diz o documento. Mais adiante, a Anvisa é questionada sobre se alguma indústria farmacêutica havia requerido a autorização para vender cloroquina ou hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Indústrias que queiram vender um medicamento para uma nova aplicação precisam fazer estudos e submetê-los à Anvisa. Só após a avaliação da agência é que esse novo uso poderá ser incluído na bula. Atualmente, o uso da cloroquina está sendo feito fora da bula, procedimento conhecido na área médica como “off label”.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) admitiu que não há estudos robustos sobre o a eficácia da cloroquina no tratamento da doença, mas autorizou médicos a prescreverem o medicamento a pacientes com Covid-19. Ao responder ao questionamento, a Anvisa disse que, até junho, nenhum pedido formal havia sido feito e que, por isso, não tinha feito qualquer avaliação sobre os riscos e eficácia do uso das substâncias no tratamento da doença. “Até o momento, a Anvisa não recebeu nenhum pedido de registro ou de inclusão de nova indicação terapêutica para medicamentos à base de cloroquina, hidroxicloroquina ou azitromicina. Dessa forma, não houve por parte da Anvisa nenhuma avaliação de segurança e eficácia de tais medicamentos para o tratamento da Covid-19”, disse a agência. Na avaliação da presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia do Rio de Janeiro, Tania Vergara, a revelação de que a Anvisa não apenas não participou da elaboração da orientação do Ministério da Saúde como não avaliou a segurança do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 indica uma situação perigosa. — É extremamente perigoso que a Anvisa não tenha sido incluída neste processo. Ela deveria ter sido consultada desde o início, afinal, é uma das principais agências reguladoras do país e tem pessoal qualificado. Além disso, o fato de ela não ter avaliado a segurança do uso da cloroquina contra a Covid-19 mostra o risco que estamos correndo ao recomendar essa substância — avaliou Vergara. A médica lembra que nenhuma agência reguladora da área de saúde de países do porte do Brasil aprovou o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19. — Nenhuma agência de país como o Brasil aprovou a cloroquina para Covid-19 e não foi à toa. Não há estudos que dêem suporte para isso — afirmou. Em junho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu, pela segunda vez, os testes clínicos sobre a eficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19. A reportagem perguntou ao Ministério da Saúde por quê não consultou a Anvisa sobre a recomendação de ampliação do uso da cloroquina e se considerava seguro divulgar uma orientação sem avaliação da Anvisa. Em nota, o Ministério da Saúde não respondeu às questões. Disse apenas que “elaborou uma nota informativa com orientações de prescrições seguras, mas sem caráter impositivo ou obrigatório”. A nota diz ainda que pasta está “acompanhando a evolução do cenário científico nacional e internacional”. A Anvisa foi procurada, mas disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que o órgão não iria se manifestar sobre o assunto”

E colocaram a culpa no hacker, viado!

“O Ministério da Saúde tirou do ar o aplicativo TrateCov, que recomendava tratamento precoce a pacientes com sintomas que podem ou não ser de covid-19. Segundo a pasta, a plataforma “foi lançada como um projeto-piloto” e seria apenas um simulador. Ainda conforme nota divulgada pelo ministério, “o sistema foi invadido e ativado indevidamente – o que provocou a retirada do ar, que será momentânea”. [Gaúcha]

É o primeiro hacker do mundo que invade o sistema pra COLOCAR UM SITE NO AR! Inclusive temos imagens do hacker:

“O aplicativo TrateCov recomendava uso de antibióticos e cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça. A indicação de uso de cloroquina e antibiótico pode ser feita até a um recém-nascido com diarreia e fadiga, pois a idade não interfere na pontuação apresentada pelo aplicativo. No início da tarde, o Conselho Federal de Medicina (CFM) pediu a “retirada imediata do ar” do aplicativo TrateCov. Em nota, o conselho diz que identificou diversas inconsistências no aplicativo. De acordo com a autarquia, a plataforma “induz à automedicação e à interferência na autonomia dos médicos, assegura a validação científica a drogas que não contam com esse reconhecimento internacional e não preserva adequadamente o sigilo das informações”, entre outras questões.”

E os médicos que ecoaram Bolsonaro tem tanto sangue nas mãos quanto o presidente. O que vai abaixo é culpa dos médicos que ecoaram a insanidade presidencial:

“Um levantamento com dez municípios com mais de 100 mil habitantes que distribuíram um kit com medicamentos para o chamado “tratamento precoce”, no ano passado, revela que nove deles registram uma taxa de mortalidade por covid-19 mais alta do que a média estadual. A única exceção, Parintins (AM), tem uma taxa de mortalidade apenas 1,3% menor do que a média do Amazonas: enquanto o estado registra um acumulado de 159 óbitos por covid-19 por 100 mil habitantes, o dado do município é de 157 óbitos por 100.000 habitantes. Os dados de municípios que distribuíram o ‘kit covid’ não são suficientes para concluir que a prescrição dos medicamentos sem eficácia contribuiu para as taxas de mortalidade mais altas, mas desmontam o argumento de que o chamado “tratamento precoce” é capaz de salvar vidas. Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), com base nos estudos científicos mais recentes e consistentes, não existe tratamento precoce para a covid-19. O protocolo da SBI segue preceitos semelhantes aos da Sociedade Americana de Infectologia e de outras entidades médicas especializadas. As outras nove cidades que compõem o levantamento são Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Natal (RN), Cuiabá (MT), Boa Vista (RR), Jundiaí (SP), Gravataí (RS), Itajaí (SC) e Cachoeirinha (RS). Todas registram uma taxa de mortalidade maior do que a de seus estados. Os dados são do Ministério da Saúde e referem-se ao acumulado até quarta-feira (20). A diferença mais significativa se verificou em Itajaí, em Santa Catarina. Com 133 óbitos por covid-19 por 100 mil habitantes, a taxa de mortalidade do município é 58,3% mais alta do que a do estado. Na capital do Rio Grande do Norte, Natal, a taxa de mortalidade pela doença causada pelo novo coronavírus é 57,1% mais alta do que a do estado. Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a taxa de mortalidade é 50,7% mais elevada do que a do estado como um todo (veja gráfico abaixo). As prefeituras dos municípios montam seus ‘kits covid’ com base em um protocolo do Ministério da Saúde que recomenda o chamado “tratamento precoce” com medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a covid-19. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em diversas ocasiões defenderam que se o “tratamento precoce”, que inclui a controversa hidroxicloroquina ou cloroquina, tivesse sido adotado de forma massiva no Brasil, o país não teria registrado tantas mortes pela doença. Os medicamentos que constam nos ‘kits covid’ variam a depender da prefeitura que os distribuiu. Dos dez municípios pesquisados, apenas três não incluíram a hidroxicloroquina na cesta de medicamentos disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde ou nas farmácias populares. Entre eles está Parintins, a única cidade do levantamento que teve taxa de mortalidade inferior à de seu estado.” [UOL]

E o general da ativa continua ministro:

“A confirmação na noite da quarta-feira 20 de que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, decolaria às 17 horas do dia seguinte rumo a Manaus, no Amazonas, sem data específica para voltar para Brasília, foi entendida como a senha de que, a despeito dos erros e de todo o caos dos últimos dias na condução da pandemia da Covid-19, o general estava mantido, ainda que temporariamente, no cargo. Pesou a favor de Pazuello a avaliação de que demiti-lo agora seria admitir o fracasso de todo o governo na condução da pandemia.” [Época]

O que é mais importante? Centenas de milhares de mortos ou a auto-estima dos milicos?

Entre auxiliares do presidente, a avaliação é que a melhor hipótese é atravessar a tormenta com o atual ministro e ganhar tempo para fazer mudanças no futuro. Na equação, a disputa na Câmara de Deputados. Bolsonaro quer eleger o deputado Arthur Lira (PP-AL) como sucessor do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas foi alertado de que a abertura do posto agora poderia rachar o grupo na disputa por espaço e, consequentemente, atirar a vitória para Baleia Rossi (MDB-SP).”

O que é mais importante? Centenas de milhares de mortos ou a sucessão no Congresso?!

“A pessoas próximas, o ministro tem demonstrado contrariedade com os ataques externos e internos que vem sofrendo. “

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“O militar passou a relatar sinais de cansaço com a função, embora dissesse que não tem a intenção de deixar o cargo. Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, aliado de Bolsonaro, saiu em defesa de Pazuello. “Querem debitar tudo isso da conta do ministro, e não é justo. Estados e municípios têm suas responsabilidades. Tudo que o GDF pediu, foi atendido”, disse. Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que faz oposição ao presidente, também tratou de tirar o peso da responsabilidade do ministro da Saúde. “Essa crise não é do Pazuello, é do Jair Bolsonaro. O erro do Pazuello é se submeter às visões delirantes do presidente”, criticou. A sequência de colapso na saúde pública na capital amazonense, com mortes causadas por falta de oxigênio, fracasso na importação de vacinas da Índia, início da imunização em São Paulo como palanque do governador João Doria (PSDB) e as desastrosas declarações à imprensa fizeram integrantes do governo debater a permanência do militar à frente da Saúde.

Parte da cúpula do Planalto chegou a defender que era necessário entregar a cabeça de Pazuello para tentar estancar o desgaste do presidente Jair Bolsonaro, que viu sua popularidade cair à medida que o governo não conseguia dar explicações nem apontar soluções para a desordem na Saúde. General de divisão, Pazuello esteve à frente da logística do Exército nos Jogos Olímpicos de 2016, foi diretor do Depósito Central de Munição e se cacifou para assumir um posto no governo por ter tido uma atuação elogiada entre seus pares à frente da Operação Acolhida, força-tarefa humanitária do Exército que faz o atendimento a imigrantes venezuelanos em Roraima. Embora não seja médico como seus antecessores Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, foi indicado ao cargo sob o argumento de que fez carreira no Exército como um expert em logística — justamente a área em que tem falhado intensamente, à custa de vidas de brasileiros sem perspectiva de imunização e sem oxigênio. Aliados de Pazuello passaram a argumentar que nunca se está preparado para uma pandemia e tudo é um aprendizado. Trataram também de justificar que ninguém esperava que uma nova cepa do vírus, mais contagiosa, resultaria numa explosão de casos e internações e disseram ter agido tão logo foram procurados pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Relatórios da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) entre os dias 8 e 11, no entanto, já indicavam ao Ministério da Saúde que havia um risco de colapso por falta de oxigênio.”

Ora, foi o JAPÃO que descobriu a nova cepa vinda do Amazonas, dias antes do colapso, dias antes do ministérrtio ser avisado da crise de oxigênio por lá. Como ele foi surpreendido?!

“No dia 14, seis dias depois do primeiro alerta dentro do Ministério da Saúde, as cenas de familiares desesperados em busca de um cilindro de oxigênio e os relatos de médicos sobre mortes em série de pacientes por asfixia chocaram o país. À noite, Pazuello, ao lado do presidente Bolsonaro, em transmissão ao vivo na internet, admitiu o colapso, mas o associou ao clima úmido e à falta de tratamento precoce. “Manaus não teve a efetiva ação no tratamento precoce com diagnóstico clínico no atendimento básico e isso impactou muito a gravidade da doença”, disse o ministro, apesar de todas as evidências científicas de que não existe tratamento precoce para o coronavírus. No dia seguinte, irritado com a repercussão negativa na imprensa, o presidente convocou Pazuello para uma reunião de emergência. Além de Manaus, naquele dia o avião que estava preparado para decolar para Índia para buscar os 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca foi impedido de viajar pelo governo indiano sob o argumento de que coincidiria com o início da vacinação local. Bolsonaro falou em disputa política interna, mas diplomatas admitiram que o excesso de marketing do governo brasileiro prejudicou a negociação. Pazuello, por sua vez, chegou a falar que o “fuso horário” atrapalhava as conversas diplomáticas. E a falha não seria a última da semana. Sem as vacinas importadas da Índia, foi por água abaixo o plano do governo de tomar para si a narrativa de liderar a campanha nacional de vacinação. Logo depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter aprovado, no domingo 17, o uso emergencial das vacinas, foi o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário político do presidente, quem posou ao lado da enfermeira Mônica Calazans, a primeira pessoa ser imunizada no país. Enquanto o Brasil se emocionava com a cena, Bolsonaro e seus filhos ficaram em silêncio. Coube a Pazuello fazer um duelo de coletivas de imprensa com Doria. No Rio de Janeiro, convocou jornalistas para falar sobre a aprovação do uso emergencial da vacina.”

Olhe o absurdo:

Minutos antes de o ministro subir no auditório, assessores tentavam um jeito de prender na parede um quadro do presidente Jair Bolsonaro. Por falta de pregos, a imagem não se firmou.”

costinha

“No dia seguinte, mesmo depois de ter ironizado e questionado a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, Bolsonaro disse que a “vacina é do Brasil, não é de nenhum governador”, embora ele mesmo tenha batizado o imunizante de “vacina chinesa do João Doria”. Governadores, contrariados com o protagonismo paulista, cobraram o envio imediato de doses para os estados. A irritação de Bolsonaro com Pazuello aumentou. Além de logística, o ministro tinha outro problema: não sabia se comunicar. Na segunda-feira 18, convocou uma nova reunião no Planalto para discutir a estratégia de comunicação. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, cobrou diretamente de Pazuello o alinhamento e, de lá para cá, passou a acompanhar de perto a divulgação das ações. Integrantes da área política do governo afirmam que Pazuello, por ser general, tem dificuldade de aceitar orientações.”

Ué, recebe ordens do capitão que é uma beleza…

“Na quinta-feira 20, ele acabou nomeando o marqueteiro Marcos Eraldo Arnoud, o Markinhos Show, para comandar a campanha de divulgação da vacina.”

Markinho Show?!

O assessor se autointitula “palestrante motivacional, hipnólogo, mentalista, especialista em neuromarketing e em marketing político”. Ele foi o responsável pela ideia de adesivar o avião que decolaria rumo à Índia para buscar as vacinas. Colegas militares de Pazuello, reservadamente, afirmam que o ministro perdeu o controle da condução da pasta quando foi desautorizado por Bolsonaro em outubro a comprar as vacinas. Na ocasião, anunciou um acordo para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, mas Bolsonaro rapidamente veio a público dizer que não compraria. A crise dos últimos dias cristalizou o temor de integrantes das Forças Armadas de que ter um militar da ativa à frente da condução da pandemia poderia prejudicar (ainda mais) a imagem do Exército. Já técnicos apontam que a presença de militares sem experiência em saúde pública em postos-chaves da pasta atrapalharam o andamento dos trabalhos. Em outubro, quando estava infectado com a Covid-19, o ministro recebeu uma visita do presidente, que tentava reverter a situação. “Um manda, o outro obedece”, disse Pazuello. E nada mudou de lá para cá.”

E se não fossem os governadores…

“Governadores combinaram, na noite dessa quinta-feira, liberar 5% das próximas doses da CoronaVac e da primeira leva da AstraZeneca para o Amazonas. É um aumento em relação ao que o estado recebeu esta semana. As primeiras doses da CoronaVac foram distribuídas de acordo com a população dos estados. O Amazonas recebeu 282 mil doses da vacina, o que corresponde a 4,7% das 6 milhões de doses. Na prática, o estado pode receber agora 300 mil doses das 6 milhões previstas para os próximos dias. Essa é a soma das primeiras doses da AstraZeneca (2 milhões), a caminho do país, e das doses prontas da CoronaVac (4 milhões), que dependem de liberação do Butantan nesta sexta-feira. Ou seja, em um momento ainda de doses limitadas, o Amazonas receberia 18 mil doses a mais do que anteriormente. O restante das doses seria distribuído proporcionalmente, de acordo com a população de cada estado. A proposta foi levada por Wellington Dias (Piauí), coordenador da Temática de Vacina no Fórum Nacional de Governadores, e bem-recebida pelos colegas. No grupo em que discutem o assunto, não houve oposição. Wellington Dias disse que se tratava de uma “questão humanitária” diante da crise no Amazonas. O governador Wilson Lima (Amazonas) agradeceu, disse que a situação é muito preocupante e que irá atingir outros estados. Já Helder Barbalho, ao concordar com a proposta, pediu que algumas cidades do Pará também recebam mais doses. Ele reforçou que, na divisa do estado com o Amazonas, também sofre com o avanço da doença.” [O Globo]

Reaprou que não há qualquer menção ao governo federal aí em cima, né?

“Apesar de minimizar as chances de greve dos caminhoneiros no início de fevereiro, o governo federal cedeu a uma série de itens da pauta de reivindicações dos profissionais de transporte. Uma das promessas é, por exemplo, a inclusão da categoria no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19. Excluídos do primeiro plano de vacinação do Ministério da Saúde apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal), trabalhadores do transporte coletivo e transportadores rodoviários de carga foram incluídos na segunda versão apresentada em 16 de dezembro. Nesta semana, um novo informe técnico especificou que fazem parte do transporte coletivo rodoviário motoristas e cobradores, incluídos os profissionais que percorrem um longo trajeto. Além disso, a pasta acrescentou trabalhadores portuários —até mesmo da área administrativa—, funcionários de companhias aéreas nacionais, funcionários de empresas metroferroviárias de passageiros e de cargas e funcionários de empresas brasileiras de navegação. A Folha apurou que tem ocorrido intensas negociações do setor com o Ministério da Saúde desde dezembro. O Ministério da Infraestrutura também tem colaborado com as tratativas. Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), a intenção é vacinar 2 milhões de pessoas do setor na fase quatro do grupo prioritário. Entretanto, a categoria aguarda confirmação e o cronograma de vacinação. Ao serem incluídos no grupo prioritário, eles serão vacinados antes de pelo menos 100 milhões de brasileiros, que não constam de qualquer grupo prioritário.” [Folha]

E Bolsonaro não está fazendo isso para ser justo, mas para agradar uma importante base de apoio: os caminhoneiros.

“O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que o plano de vacinação é dinâmico e por isso podem ocorrer ajustes necessários nas fases de distribuição das vacinas e nas indicações de público-alvo, de acordo os cenários já planejados, considerando a indicação de uso apresentada pelo fabricante, o quantitativo de doses entregues e os públicos prioritários já definidos. “Atualmente, o PNI [Programa Nacional de Imunizações] segue as orientações dos laboratórios produtores quanto à aplicação das doses das vacinas. O objetivo principal do Ministério da Saúde é otimizar o uso do imunizante, vacinando o maior número de pessoas”, disse em nota. Questionada sobre os trabalhadores de transporte, a pasta disse apenas que a programação para o início da imunização de cada fase depende do quantitativo de doses entregues pelos laboratórios fornecedores de vacinas aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).​ Além da área da saúde, caminhoneiros também conseguiram benefícios em negociação com o Ministério da Infraestrutura. No ano passado, a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), principal representante da categoria, apresentou ao governo uma pauta com 18 itens. A entidade, assim como o governo, minimiza a influência dos que pretendiam fazer uma paralisação nacional em fevereiro. No entanto, a ameaça de greve é vista por representantes como um catalizador do atendimento das demandas represadas.​ Na noite desta quinta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez sua live acompanhado do ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). Ambos anunciaram promessas aos caminhoneiros. Foram relatadas medidas com isenção de tarifa de importação para pneus, revisão da norma de pesagem para que onere menos o caminhoneiro, eliminação de atravessadores, facilitação do recebimento do vale-pedágio e substituição de vários documentos por um único, eletrônico, que permitirá transações por Pix. “É uma transformação para este setor do transporte. A gente vai ter o caminhoneiro digitalizado, recebendo Pix, com acesso ao capital de giro”, disse Tarcísio. “O ministro citou os demais itens que compõem a pauta de demandas. Reforça a insanidade de se querer, por alguns poucos, se fazer uma paralisação agora. Não faz sentido”, disse Marlon Maues, assessor-executivo da CNTA.”

E haja planejamento, Brasil

“O Ministério da Saúde ficou de apresentar na semana passada o sistema integrado dos vacinados, ferramenta única para Estados e municípios, o que ainda não aconteceu. Assim, cada um contabiliza da sua forma.” [Estadão]

Isso tinha que estar pronto no segundo semestre de 2020, porra!

E quanto mais tempo demorarmos mais tempo novas cepas surgirão:

“O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou nesta sexta-feira, 22, que a nova variante inglesa da covid-19 pode estar associada a um maior nível de mortalidade. Ele ressaltou, no entanto, que evidências mostraram que ambas as vacinas em uso no país são eficaz contra a variante. “Fomos informados hoje que além de se disseminar mais rapidamente, agora também parece que há alguma evidência que a nova variante – a variante que foi descoberta pela primeira vez em Londres e no sudeste (da Inglaterra) – podem estar associados a um maior grau de mortalidade”, disse ele em entrevista coletiva. Johnson disse, no entanto, que todas as evidências atuais mostraram ambas as vacinas permaneceram eficazes contra as variantes antigas e novas. Dados publicados na sexta-feira mostraram que 5,38 milhões as pessoas receberam a primeira dose de uma vacina, com 409.855 recebendo nas últimas 24 horas, um recorde até agora.” [Estadão]

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3. O 7 a 1 da geopolítica

E lá vamos nós com essa vergonha planetária:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exige mudança de atitude do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) na relação com a China. A ideia é resolver o impasse na importação de insumos da vacina contra a Covid-19. Ernesto tenta agora retomar o diálogo com o país asiático. Bolsonaro soube em reunião na quarta-feira (20) que o chanceler estava sem conversar com a embaixada da China desde o ano passado.” [Folha]

O próprio embaixador avisou que não conversaria mais com Ernesto, é caô dele.

“As conversações foram suspensas em março de 2020, quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou duras críticas, nas redes sociais, ao embaixador chinês no país, Yang Wanming. O diplomata respondeu ao filho do presidente, que havia comparado a pandemia ao acidente nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, em 1986. As autoridades, à época submetidas a Moscou, ocultaram a dimensão dos danos. Amigo de Eduardo, Ernesto considerou grave o comportamento do embaixador chinês. A avaliação no governo era a que Wanming deveria seguir o protocolo e procurar o Itamaraty em vez de responder de forma agressiva. Mesmo assim, na reunião de quarta, Bolsonaro reclamou da postura refratária do chanceler em relação à China.”

Medo e Delírio tem imagnes exclusivas do Ernesto na reunião:

Cbs What GIF by The Late Late Show with James Corden

“Segundo assessores, apesar da posição ideológica, o presidente considerou que o Ministério das Relações Exteriores não poderia ter rompido o diálogo com o fornecedor dos insumos para a fabricação das vacinas contra a Covid-19.”

A pandemia começou em março, caralho!

“De acordo com assessores palacianos, o presidente entrou em contato com o chanceler e exigiu que ele mesmo atuasse para reconstruir a ponte com Pequim. Apesar da pressão, Bolsonaro lhe deu uma segunda chance no cargo. O próprio presidente emitiu em público sinais opostos às queixas em privado. Nesta quinta-feira (21), Bolsonaro convidou Ernesto para a live semanal na tentativa de atenuar quaisquer rusgas com o chanceler. “Quem demite ministro sou eu. Ninguém me procurou, nem ousaria me procurar no tocante a isso”, disse Bolsonaro na live. Ernesto disse que “tem gente que quer ver uma crise, criar invenções onde não existe”. Mais cedo, Bolsonaro já havia enviado uma mensagem pública de apoio ao chanceler após a Índia anunciar que liberara a exportação ao Brasil de 2 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca. O presidente aproveitou o anúncio e postou nas redes sociais elogios a Ernesto. A iniciativa foi entendida no Palácio do Planalto como um voto de confiança ao chanceler em relação à China. Segundo aliados do governo, o presidente sinalizou que não pretende trocar neste momento o ministro. Porém, ele não garantiu que Ernesto deva permanecer no cargo por muito tempo. Nesse cenário, auxiliares do presidente receberam sinal verde para discutir nomes de substitutos. Nesta quinta, por exemplo, voltou a ser defendido por ministros palacianos o nome do ex-presidente Michel Temer para o Itamaraty.”

Bem, essa opinião presidencial deve ser de antes do Bosoanro descobrir que Michel Miguel está falando com os chineses como emissário do Doria. Mas eu não duvido mais de nada, e se Bolsonaro realmente entregar o Itamaraty ao Michel Miguel teremos o Bolsonaro devolvendo a faixa ao antecessor, é um atestado de falência do governo.

“No ano passado, o ex-presidente chegou a ser sondado para o posto pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Flávio Rocha. No entanto, ele havia demonstrado resistência em aceitar um eventual convite.​ Outro nome que tem a simpatia da equipe ministerial é o do embaixador do Brasil na Índia, André Corrêa Lago. Ele ajudou na negociação da liberação do transporte das vacinas de Oxford/AstraZenca. Por ora, além do apreço pessoal de Bolsonaro por Ernesto, pesa para o adiamento da saída do chanceler o fato de o presidente não ter encontrado uma espécie de saída honrosa. Bolsonaro não quer passar a impressão de uma demissão. Por isso, preferiu esperar um pouco mais.”

Bolsonaro nunca tá confortável pra demitir seus fiéis ministros, reparou? Até para seus inimigos dentro do governo ele não se sente confortável, e frita o ministro até que peçam pra sair. E como eles não pedem pra sair Bolsonaro demite semanas depois.

“O desgaste de Ernesto, no entanto, é público. A falta de habilidade diplomática lhe rendeu o apelido na equipe do presidente de “meninão”.”

O capitão deu o Itamaraty ao “MENINÃO” e em um mundo bipolar estamos brigando com as duas maiores potências. E com a Argentina. E com a UE. E com os países árabes.

E Bolsonaro pediu ajuda ao genro do Sílvio Santos, Brasil!

“Com as trapalhadas diplomáticas, Bolsonaro montou um gabinete de crise, coordenado pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria. O ministro tem, desde a semana passada, capitaneado iniciativas de aproximação com a China e com a Índia. Para isso, ele tem despachado de um gabinete no segundo andar do Palácio do Planalto. Faria também foi escalado pelo presidente para estruturar um plano de mídia com o Ministério da Saúde, em um esforço para diminuir o desgaste de imagem do ministro Eduardo Pazuello e mostrar que a Presidência da República tem atuado na crise sanitária. Em paralelo, os ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) têm dialogado com investidores e empresários chineses em uma tentativa de aproximação com o Brasil. Para tentar reduzir a pressão nas relações, o governo Bolsonaro também decidiu dar uma trégua contra os ataques à fabricante de equipamentos de telefonia 5G Huawei.”

Sim, colocaram o rabinho entre as pernas. E espero que tenham tirado o telefone das mãos do Eudardo.

“O ministro das Comunicações deverá comandar uma missão aos fornecedores envolvidos nesse mercado e pretende visitar a sede da gigante chinesa, hoje líder global no 5G e que está presente em praticamente todas as redes das operadoras no país. Um dos principais interlocutores da China no país, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, não foi escalado para fazer parte da força-tarefa pró-China.”

Mourão comanda a Comissão Sino-Brasileira de Cooperação. Essa situação desagradou a uma ala dos militares ligada ao governo. A avaliação, até mesmo de ministros que não têm simpatia pelo vice-presidente, é a de que Bolsonaro deveria deixar problemas pessoais de lado neste momento e escalar o general da reserva.”

Os generais desse governo têm mais é que se foder mesmo.

E como mente o presidente do ‘conhecereis a verdade…”:

“Nunca houve qualquer estremecimento nas relações entre Brasil e China e entre Brasil e Índia. A China precisa de nós e nós precisamos da China. E o mundo é assim. Jamais fechamos as portas, seja para qual país for. Estamos sempre prontos a atender os interesses nacionais e obviamente, né, preservar aquilo que temos de mais sagrado aqui que é nossa soberania” [Folha]

Soberania, ouviu, Xi?! Até quando tenta consertar ele faz merda.

“No entanto, quando questionado se estava em contato com autoridades chinesas, Bolsonaro limitou-se a responder que não divulga suas conversas, embora em suas redes sociais haja registros de diálogos que manteve pessoalmente ou virtualmente com representantes de outros países. Após a entrevista, o presidente foi às redes sociais para agradecer ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. “O Brasil sente-se honrado em ter um grande parceiro para superar um obstáculo global. Obrigado por nos auxiliar com as exportações de vacinas da Índia para o Brasil”, escreveu Bolsonaro. Uma versão desta mensagem também foi publicada em inglês na conta do presidente em rede social.”

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4. Congresso

O medo da derrota do Lira é tão grande que…

“Bolsonaro concedeu a entrevista ao lado de deputados da bancada ruralista simpáticos a ele. O grupo tomou café da manhã no Palácio da Alvorada. O compromisso não constava da agenda oficial do presidente até a última atualização desta reportagem e a lista dos presentes também não havia sido divulgada. “Nós trabalhamos em parceria. Não existe Executivo e Legislativo isolados. Não existe. Trabalhamos em parceria para o bem do nosso Brasil. O que eles puderem ajudar, como alguns têm ajudado, sei disso, de forma voluntariosa até, buscando soluções, eu agradeço. Tudo o que vier a favor de nós atendermos nosso povo no tocante a vacinação, eu agradeço”, disse Bolsonaro. O café da manhã, que contou também com a presença da ministra Tereza Cristina (Agricultura), também abordou a eleição para presidente da Câmara, que acontece em fevereiro. Bolsonaro vinha cobrando apoio dos representantes do agronegócio ao deputado Arthur Lira (PP-AL), seu candidato. “Nós do agro somos Arthur Lira declarado, aberto e, se Deus quiser, venceremos para poder tocar em frente os projetos cerceados pelo antigo presidente”, disse o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT), em referência ao deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), em um discurso durante o café da manhã. O trecho da fala foi divulgado na rede social de uma parlamentar que também participou do encontro. “Viemos declarar ao presidente Bolsonaro que a Frente Parlamentar [da Agropecuária], se não toda ela, mas a grande maioria dos seus membros está alinhada neste projeto na presidência da Câmara”, disse o vice-presidente da bancada ruralista, deputado Neri Geller (PP-MT).” [Folha]

Sim, apoio da bancada temática, aquela que todo governo reconheceu que não adianta de porra nenhuma!

E eu adoro a Erundina, mas…

“Depois de semanas de impasse sobre lançar ou não candidato à Câmara, o PSOL segue rachado mesmo com a decisão de bancar o nome de na disputa. A deputada foi ao Twitter reclamar de supostas negociações do partido com outras legendas: — É lamentável que o PSOL negocie suas convicções e compromissos políticos históricos ao aderir ao fisiologismo e à barganha por cargos na Mesa da Câmara. Essa é uma prática dos partidos de direita com a qual eu não compactuo. Colega de bancada, Fernanda Melchionna reagiu: — Lamentável é esse tuite. Muito feio que a senhora ataque quem não acha a tática correta lançar candidato nesse cenário da eleição da Câmara. Mesmo que sua posição tenha vencido e o PSOL tenha lançado seu nome, isso não lhe autorizada a atacar o PSOL. Todos nós temos história. O fato de a senhora ter rompido com o PT para ser ministra de Itamar nos anos 90 não autoriza ninguém a lhe acusar de fazer a política baseada em busca de cargos. Da mesma forma respeite que no PSOL defendeu que desde o primeiro um voto tático antibolsonaro. O presidente da sigla, Juliano Medeiros, também entrou na conversa: — Como presidente do PSOL posso assegurar que nosso único compromisso nessa eleição da Câmara dos Deputados é com a plataforma representada e defendida por você. Quem negociar fora das instâncias do partido, o faz em nome próprio, não do PSOL. Estamos com você!” [O Globo]

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5. Brutal

Vai demorar muito tempo pra gente entender o impacto na educação – e isso justamente nuam equência da histporia com a trinca Vélez, Abraham e o pastor homofóbico que é praticamente um Osmar Terra rechonchudo.

“Em 2020, ano marcado pelo novo coronavírus, quarentena e interrupção de aulas presenciais, 8,4% dos estudantes com idade entre 6 e 34 anos matriculados antes da pandemia informaram que abandonaram a escola. O percentual representa cerca de 4 milhões de alunos, montante superior ao da população do Uruguai. Questões financeiras e falta de acesso a aulas remotas estão entre os principais motivos do abandono e o problema é maior entre os mais pobres. As informações são de pesquisa do Instituto Datafolha, sob encomenda do C6 Bank, e obtida pela Folha. Essa é a primeira sondagem que mostra o impacto da pandemia na permanência de estudantes em escolas e faculdades. A divulgação das estatísticas oficiais ainda leva mais tempo. O Datafolha realizou 1.670 entrevistas, por telefone (com estudantes ou responsáveis), entre os dias 30 de novembro e 9 de dezembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e os resultados têm confiabilidade de 95%. O pior índice de abandono é registrado entre os que estavam matriculados no ensino superior, com taxa de 16,3%. Na educação básica, 10,8% dos estudantes do ensino médio informaram ter largado os estudos, e o percentual ficou em 4,6% no fundamental. As taxas são bastante superiores aos índices oficiais de abandono registrados na educação básica do Brasil, que, por sua vez, já são altos. Em 2019, ano do último dado oficial disponível, o índice médio no ensino fundamental foi 1,2% e, no ensino médio, de 4,8%. O país acumula 26,9 milhões matrículas no ensino fundamental e 7,5 milhões no médio, segundo os dados do MEC (Ministério da Educação). São 8,6 milhões de matrículas de nível superior.

A amostra da pesquisa do Datafolha guarda relação com a realidade educacional brasileira. Mais de 80% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio eram de escolas públicas e, no superior, mais de 70% estavam no setor privado. Na universidade, 42% daqueles que abandonaram o fizeram por falta de condições de pagar as mensalidades. Já na educação básica a precariedade da manutenção de aulas aparece como principal motivação para largar os estudos. Ter ficado sem aulas surge como explicação do abandono para quase um terço dos estudantes matriculados no ensino fundamental (28,7%) e médio (27,4%). A maior proporção, sob este motivo, foi registrada entre crianças e adolescentes de 11 a 14 anos (faixa ideal para os anos finais do fundamental, entre o 6º e 9º anos). O aumento do abandono escolar em meio à pandemia tem sido uma das maiores preocupações por causa da quebra de vínculo entre alunos e escolas causada pela quarentena. A desigualdade se impôs como um desafio ainda maior. A taxa média de abandono apurada pela pesquisa é de 10,6% nas classes D e E, contra 6,9% na classe A. Escolas e faculdades passaram a interromper atividades presenciais em março do ano passado. O ano foi marcado pela ausência do MEC do governo Jair Bolsonaro (sem partido) no apoio às ações educacionais de estados e municípios, que concentram as matrículas. Mais de 6 milhões de estudantes de 6 a 29 anos não haviam tido acesso a atividades escolares durante outubro. Segundo a pesquisa Pnad Covid-19 do IBGE, divulgada em dezembro, isso representa 13,2% dos estudantes dessa faixa etária. Até o meio do ano passado 2 em cada 10 redes públicas de ensino não contavam com planos para evitar a perda de alunos, segundo estudo do comitê de Educação do Instituto IRB (Rui Barbosa), que agrega tribunais de contas do país, e do centro de pesquisas Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). Entre os que largaram os estudos, 17,4% dizem não ter intenção de retornar neste ano. A taxa sobe a 26% dos que estavam no ensino médio. Chama-se de evasão essa situação em que um aluno deixa os estudos em um ano e não se matricula no seguinte. O dado oficial mais recente, de 2017-2018, registra uma evasão média de 2,6% no ensino fundamental e 8,6% no médio. Em 2019, havia 88,6 mil crianças e jovens de 6 a 14 anos fora da escola. Entre jovens de 15 a 17 anos, faixa etária ideal para o ensino médio, eram 674,8 mil excluídos do sistema educacional (7,6% dessa população).

Para Cezar Miola, presidente do comitê técnico da Educação do IRB, o combate ao abandono e à evasão exige um esforço conjunto de governos, redes de ensino, profissionais de educação e órgãos de controle. “Percebemos muito empenho e dedicação no ano passado, mas foi insuficiente”, diz Miola. “Parte dos problemas que levam ao abandono é que houve verdadeira desconexão da família com a escola, e esse ponto-chave casa com investimentos adequados.” A Unicef tem um projeto de busca ativa de evadidos. Entre 2017 e 2019, a iniciativa, em parceria com mais de 3.000 prefeituras, conseguiu chegar a 80 mil crianças e jovens que estavam fora da escola —no ano passado, foram 40 mil. “O cenário é absolutamente preocupante, corremos o risco real de ter uma grande quantidade de crianças e adolescentes fora da escola”, diz Ítalo Dutra, chefe de Educação do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Dutra afirma ser necessário uma ação coordenada e focada, com o entendimento de que ter crianças e adolescentes fora da escola representa a violação mais extrema do direito à educação. O que implica, diz ele, que outros direitos podem estar sendo violados, como acesso à saúde, proteção à violência e segurança alimentar. “Nos últimos dois anos não há coordenação efetiva do MEC para essas ações”, diz. “Precisamos ter uma busca ativa, saber o que está acontecendo e atuar com toda rede de proteção.” “Precisa rematricular e ver fatores de risco para abandonar de novo, por isso todo o sistema de proteção tem de estar funcionando articulado”, afirma Dutra. Questionado, o MEC não respondeu à Folha sobre o que fez ou pretende fazer para lidar com a situação.[Folha]

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6. Descolamento da realidade

No caso do Guedes é patológico:

“O recrudescimento da pandemia de Covid-19 forçou a equipe econômica a planejar a adoção de estímulos para a economia neste ano. Além do adiantamento do 13º salário de aposentados e do abono salarial, que já havia sido aventado, está em estudo a liberação de uma nova rodada de saque do FGTS. As negociações ocorrem em meio a pressão pela prorrogação do auxílio emergencial. As medidas em estudo quase não têm impacto fiscal, mas conseguem dar fôlego à economia. Os técnicos do Ministério da Economia têm receio de conceder ajuda aos mais vulneráveis e para a manutenção de empregos antes do que julga necessário e ficar sem margem de manobra para o futuro. No caso do FGTS, a ideia é distribuir entre os trabalhadores os R$ 12 bilhões que não foram sacados em 2020 e retornaram para as contas do Fundo. Para preservar a sua sustentabilidade, o valor das novas retiradas deverá ficar inferior a um salário mínimo (de 1.045), como foi no ano passado. O valor poderá ficar na casa dos R$ 500 por trabalhador e não mais por conta. O valor poderia ser sacado de contas ativas ou inativas, começando por aquelas que estão sem receber novos depósitos. Segundo fontes, os cálculos sobre impacto nas contas do FGTS ainda precisam ser fechados. Na última rodada, a Caixa creditou um total de R$ 36,5 milhões em contas virtuais a serem sacados de acordo com o cronograma, mas 19 milhões de trabalhadores optaram por não fazer a retirada e os valores foram devolvidos. Nesta quinta-feira, os candidatos à presidência da Câmara e do Senado apoiados pelo Executivo — Arthur Lira (PP-AL) na Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado – defenderam a prorrogação do auxílio emergencial, o que causou estresse no mercado financeiro.

Nos bastidores, as declarações foram minimizadas pela equipe econômica, que tem adotado cautela para comentar as articulações em torno do assunto. A estratégia tem sido submergir à espera do resultado das eleições no Congresso. Está no radar, no entanto, o efeito do fim do auxílio sobre a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Um temor de integrantes da ala política do governo é que a rejeição ao presidente aumente junto com o fim do auxílio. Por enquanto, o governo não planeja declarar outro estado de calamidade pública, o que permitiria abandonar a meta fiscal deste ano, disse uma fonte. A equipe econômica vinha resistindo, até agora, a discutir a concessão de uma nova rodada do auxílio emergencial, apoiando-se na avaliação de que a economia está crescendo em V e que o fechamento do comércio (que cortou a fonte de renda de muitos trabalhadores no começo da pandemia) não se repetiria em 2021. Mas o caos na saúde pública de Manaus e o número de casos têm forçado o Ministério da Economia a discutir internamente a concessão de ajuda aos mais vulneráveis e outras formas de estimular a economia no primeiro trimestre deste ano. Outro fator que pesa sobre a avaliação dos técnicos é o lento processo de vacinação, considerado fundamental para a retomada da “normalidade” da economia. Com o agravamento da pandemia e adoção de medidas restritivas.” [O Globo]

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7. I Miss you, Trump!

Alô, Trump!

Não sou fã do Nelson Barbosa mas o texto é bom e didático:

“O governo Biden começou com promessas de união política e estímulo econômico nos EUA. Sou cético quanto à união política. Ficarei na economia. Biden viu de perto o erro de Obama em tentar apaziguar a oposição republicana, via redução prematura de estímulos fiscais adotados após a crise financeira de 2008. Especificamente, em resposta à crise de 2008, as principais economias do mundo adotaram grandes estímulos fiscais e monetários para amortecer a recessão. As ações deram certo, mas também elevaram bastante a dívida pública, e isso gerou demandas por consolidação fiscal, geralmente por parte do mercado financeiro, já a partir de 2010. Com a vitória dos republicanos nas eleições parlamentares de 2010, Obama se viu diante de uma oposição feroz. Houve tentativas de paralisação (shutdown) do governo até que um novo acordo fiscal fosse estabelecido. O acordo veio em 2011, com cortes de gastos e aumento de impostos, encerrando prematuramente a recuperação da economia americana. Obama ainda conseguiu se reeleger em 2012, mas nunca mais teve base política suficiente para promover políticas inclusivas nos EUA. O novo pacote de estímulo fiscal só veio sob Trump, a partir de 2017, quando os republicanos mandaram suas preocupações fiscais às favas (eles fazem isso após ganharem eleições) e apoiaram um corte significativo de impostos para os mais ricos. Apesar de regressivas, as desonerações do “andar de cima” feitas por Trump tiveram efeito temporário positivo sobre a renda e o emprego dos EUA, em 2017 e 2018. Porém, a partir de 2019, antes da pandemia, os EUA voltaram a desacelerar, indicando que crescimento com exclusão social não dura muito tempo.

Antes que o fracasso do “crescimento para poucos” ficasse mais claro, a Covid-19 abalou os EUA e o mundo todo, forçando até governos de extrema direita, como Trump e Bolsonaro, a fortes estímulos monetários e fiscais, muito mais altos do que os adotados em 2009-10. Neste início de 2021, os EUA estão novamente diante de uma recuperação incompleta de sua economia, com dívida pública mais alta e os republicanos (agora fora do governo e sem controle do Congresso) dizendo que é preciso se preocupar com a situação fiscal. Como é difícil defender ajuste fiscal depois do que Trump fez pelos mais ricos nos EUA, a retórica da direita começou a mudar. Em artigo desta semana no Financial Times, um economista do Morgan Stanley disse que mais estímulo fiscal seria ruim porque, preparem-se: os estímulos recentes aumentaram a desigualdade! O porta-voz de Wall Street (a Faria Lima deles) se esqueceu de dizer que houve aumento de desigualdade justamente por que, desde 2011, medidas fiscais que beneficiariam os mais pobres foram bloqueadas pelo Partido Republicano. Traduzindo do economês, houve aumento excessivo de dívida pública porque houve recuperação insuficiente da renda nos EUA. Houve recuperação insuficiente de renda porque, de 2011 a 2019, a política fiscal dos EUA não se concentrou no aumento do emprego e na redução de desigualdades. O desafio político de Biden é, portanto, convencer o Congresso de lá a mudar de lógica, com medidas fiscais e regulatórias que gerem renda e emprego para maioria dos norte-americanos. Biden começou bem, com propostas de aumento do salário mínimo, transferência de renda para pessoas em dificuldade devido à pandemia e investimentos que geram emprego, sobretudo em inovação e construção civil, na transição para uma economia mais “verde”. Para o bem dos EUA e de todo o mundo, desejo grande sucesso a Biden.” [Folha]

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>>>> Burrão: “Um homem que lançou o carro contra o Ministério da Justiça, em novembro do ano passado, virou réu na Justiça Federal pela prática de crime contra a segurança nacional. As investigações do Ministério Público Federal (MPF) descobriram que o acusado queria cometer, na realidade, um atentado contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O acusado tinha consigo uma espingarda calibre 12, duas espadas, além de um arco e sete flechas de madeira para consumar o ataque. Na denúncia oferecida pelo MPF, obtida pelo Estadão, Luiz Antonio Iurkiewiecz é acusado de lançar um veículo contra a portaria principal do Palácio da Justiça, sede do Ministério da Justiça, em 15 de novembro. Um homem que lançou o carro contra o Ministério da Justiça, em novembro do ano passado, virou réu na Justiça Federal pela prática de crime contra a segurança nacional. As investigações do Ministério Público Federal (MPF) descobriram que o acusado queria cometer, na realidade, um atentado contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O acusado tinha consigo uma espingarda calibre 12, duas espadas, além de um arco e sete flechas de madeira para consumar o ataque. Na denúncia oferecida pelo MPF, obtida pelo Estadão, Luiz Antonio Iurkiewiecz é acusado de lançar um veículo contra a portaria principal do Palácio da Justiça, sede do Ministério da Justiça, em 15 de novembro.” [Estadão]

>>>> Grande dia! “O juiz José Alonso Beltrame Júnior, da 10ª Vara Cível de Santos, julgou procedente o pedido feito pelo guarda municipal Cícero Hilário Roza Neto ao condenar o desembargador Eduardo Rocha Siqueira a pagar R$ 20 mil de danos morais. Tratou do caso que ficou conhecido em julho de 2020. O magistrado humilhou o servidor municipal após ser cobrado pelo uso da máscara enquanto andava pela orla da praia de Santos. Siqueira tentou intimidar o guarda ao ligar para o secretário de segurança pública da cidade, enquanto durante a conversa chamou Neto de “analfabeto” e “guardinha”. O desentendimento foi gravado pela Guarda Municipal. “A série de posturas teve potencial para humilhar e menosprezar o guarda municipal que atuava no exercício da delicada função de cobrar da populaçãoposturas tendentes a minimizar os efeitos da grave pandemia, que a todos afeta”, escreveu o juiz na decisão, que complementou: “A quantia de R$ 20.000,00 é compatível com referidosparâmetros. Não tem potencial para causar enriquecimento indevido ao requerente, masé compatível com a necessidade de algum conforto, em face do incidente vivenciado. Aomesmo tempo, soa apta para interferir de alguma maneira no ânimo da parteresponsável pela lesão”. O desembargador ainda pode recorrer da decisão.” [O Globo]

>>>> Todas as livrarias virarão igrejas e/ou farmácias: “Apesar de terem respirado aliviados com a estabilidade das vendas de livros no ano da pandemia, os livreiros começam 2021 preocupados. Segundo executivos do setor, a expectativa é que a venda de livros escolares despenquem até 30% em janeiro e fevereiro, na comparação com o desempenho pré-pandemia. Com a continuidade das aulas on-line, os donos de livrarias têm notado que muitos pais não têm comprado os livros exigidos pelas escolas, ou pelo menos adiando a compra até que haja uma data firme de retorno para as aulas presenciais. A tendência é observada sobretudo no segmento de livros voltados para o ensino fundamental. Os livros didáticos costumam representar parcela importante do faturamento do setor livreiro no início do ano. Em 2020, o segmento foi menos afetado porque as medidas restritivas começaram no fim de março, quando o ano letivo já estava em curso. No ano passado, o setor movimentou R$ 1,74 bilhão, praticamente o mesmo faturamento do ano anterior, apesar de as livrarias terem fechado por vários meses, segundo pesquisa da Nielsen e do Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL).” [O Globo]

Dia 751 | “É um mandato de costas para a Constituição” | 21/01/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Está tudo normal

Além da AGU Bolsonaro tem à sua disposição o PGR que se diz incapaz de processar o presidente da República – tratei disso no primeiro tópico de ontem – e seu ministro da Justiça, o tal “ministro terrivelmente evangélico”. E fascista.

“Há alguns dias, quando sua secretária passou o recado da Polícia Federal pedindo que retornasse o contato para marcar um depoimento, o advogado Marcelo Feller pensou que era mais um interrogatório de algum dos clientes. A surpresa veio quando, na ligação com a escrivã da corporação, foi comunicado de que a pessoa a ser ouvida era ele próprio.A maneira como eu recebi a notícia foi até, de certa forma, cômica”, lembra. Logo que a confusão foi esclarecida, o sentimento que ficou foi o de ‘choque’, segundo contou ao Estadão. Uma lembrança ajudou a ficha a cair: ver sua foto incluída nos documentos preparados pelo setor de inteligência da PF. “A minha foto, aquela descrição, o que normalmente é usado em investigações de organizações criminosas, foi chocante”, disse.[Estadão]

Quem começou com essa moda de ministro da Justiça virar advogado presidencial foi ele mesmo: Sérgio Moro.

“O criminalista, de 34 anos, está sendo investigado por declarações feitas durante uma das edições do quadro ‘O Grande Debate’, da emissora CNN, por onde teve uma breve passagem.”

Prender o Caio Coppola que é bom nada…

Na ocasião, Marcelo Feller citou o estudo Mais do que palavras: discurso de líderes e comportamento de risco durante a pandemia, desenvolvido em parceria por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa concluiu que atos e discursos do presidente Jair Bolsonaro contra o isolamento social como estratégia de combate à pandemia podem estar por trás de pelo menos 10% dos casos e mesmo de mortes pela covid-19 registrados no Brasil. Durante o debate, o criminalista usou termos como ‘genocida, politicamente falando’, ‘criminoso’ e ‘omisso’ para se referir ao presidente. À reportagem do Estadão, Feller explicou que a menção a genocídio foi feita sob uma perspectiva político-social. “Eu fui instado ao debate público, jornalístico, e consignei o estudo. Expliquei como, ao meu modo de ver, pelo menos naquele momento, era um erro juridicamente se falar em genocídio. Mas que a palavra genocídio não pode só ser vista sob uma perspectiva jurídica. Tem uma construção político-social em torno da palavra. E aí, o que eu disse, e ainda acredito, é que política, antropológica e socialmente falando, baseado neste estudo, isso é um genocídio”, afirma. O inquérito para investigar as declarações foi aberto em agosto pelo delegado Victor Barbarella Negraes, da Divisão de Contrainteligência Policial. A ordem partiu do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça. Nela, o governo federal usou a Lei da Segurança Nacional (LSN) para embasar a ofensiva jurídica. O dispositivo citado é o artigo 26, que prevê como crime ‘caluniar ou difamar o Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação’.”

LSN é entulho autoritário. E por essa lógica teria que prender metade do país nos anos do governo petista então…

A pena é de um a quatro anos de prisão. “Em tese, o referido fato pode se subsumir à conduta pica descrita no artigo 26, caput, da Lei n° 7.170/83 (Lei de Segurança Nacional – LSN), em razão de a acusação lesar ou expor a perigo de lesão o regime democrático e a pessoa do Presidente da República”, escreveu Mendonça. “Diante da gravidade do fato narrado, requisito a instauração de inquérito policial para a apuração dos fatos”, completou o ministro, que ainda enviou o vídeo do debate ao chefe da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza. A Lei da Segurança Nacional foi sancionada em 1983, durante a ditadura militar, pelo presidente João Figueiredo, para listar crimes que afetem a ordem política e social – incluindo aqueles cometidos contra a democracia, a soberania nacional, as instituições e a pessoa do presidente da República. Desde o início da pandemia, o dispositivo foi encampado pelo governo em pelo menos quatro outras ocasiões, a maioria contra profissionais da imprensa. Especialistas ouvidos pelo Estadão classificam o uso como ‘equivocado’.

Equivocado é o Rogerio Ceni escalando o Arão na zaga, porra! É autoritário, anti-democrático, dá pra encontrar palavra melhor e à altura da agressão.

Na avaliação de Marcelo Feller, a abertura do inquérito é uma tentativa de silenciamento. “Eu não sou um analista ou um cientista político, mas creio que existiria um ônus político ao próprio Bolsonaro em mover um processo. Afinal, de um lado você tem um Presidente da República, e de outro você tem um advogado de 34 anos chamado para debater em um programa. É sério que eu sou capaz de ofender a honra do presidente? Ao invés disso, o governo pega críticas que ganham visibilidade e tenta passar o recado para a coletividade de que as críticas serão criminalizadas, como se dissesse: “cuidado ao me criticar, porque eu vou te trazer problemas, eu tenho a máquina do Estado do meu lado”. Acho que os próprios atos do governo, de outros casos, deixam isso claro”, diz. Durante a entrevista, Feller observou ainda que, embora seja advogado, no programa da CNN, exercia uma função jornalística, de comunicar o público. “Ser criminalmente investigado por ter informado, enquanto que não há nenhuma punição a atores do governo, inclusive ao presidente, que cotidianamente desinformam, não é só contraditório, é bastante triste para o nosso Estado de Direito”, lamenta. O advogado Alberto Zacharias Toron, que defende Marcelo Feller no caso, informou que vai entrar com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para trancar o inquérito. “A requisição feita pelo ministro da Justiça para instaurar o inquérito com base na Lei de Segurança Nacional, contra um advogado que atuava na qualidade de órgão da imprensa, participando de um debate público, em uma emissora de televisão, nos faz retroceder aos tempos da ditadura militar. É inadmissível que, em pleno período democrático, se repita essa estratégia”, afirma.”

Por muitos anos eu achei Renan Calheiros ministro da Justiça um absurdo (aconteceu isso no governo FHC), hoje sinto saudades.

“Mendonça já pediu investigações com base na Lei de Segurança Nacional também contra os colunistas da Folha Ruy Castro e Helio Schwartsman, contra o jornalista Ricardo Noblat e o cartunista Aroeira.” [Folha]

O Leonardo Rossatto trouxe uma boa lembrança:

“Não é a primeira vez que Ministros da Igreja Presbiteriana perseguem opositores do regime, já aconteceu na ditadura militar também” Não é a primeira vez que Ministros da Igreja Presbiteriana perseguem opositores do regime, já aconteceu na ditadura militar também” [Twitter]

E o que vai abaixo iria em outro tópico, mas acho que cabe melhor aqui mesmo – o texto é do Conrado Hubner Mendes:

“O negacionismo pandêmico pode matar qualquer um de nós. Já o negacionismo político, aquela displicência soberba diante do custo democrático e humanitário que Jair Bolsonaro nos impõe, parece mais inofensivo e pode poupar nossa vida. Basta manter o bom comportamento e não abusar da liberdade (científica, acadêmica, artística, de imprensa). O casamento de ambos tem permitido a Bolsonaro inviabilizar uma política sanitária responsável e ao mesmo tempo se livrar de sanções pelo vandalismo constitucional que imprimiu em seu governo. O tamanho do dano é intangível e transcende a morte de centenas de milhares de pessoas. Vandalismo constitucional, expressão que voltou à tona no debate anglo-saxão sobre o que Boris Johnson e Donald Trump infligiram às normas do jogo democrático, denota um estilo governamental de confrontação permanente. A confrontação não se dá exatamente com a lei, que vândalos ignoram por vocação, mas com a capacidade de resistência das instituições de controle. Preocupam-se com inimigos, não com a legalidade. Vândalos não cometem um crime de responsabilidade. Cometem crimes de responsabilidade seriais e continuados. Foi, talvez, como Carlos Ayres Britto tentou definir Bolsonaro dias atrás: governa “de costas para a Constituição”, tem “o pé atrás com essa Constituição”, caminha “na contramão da Constituição”, adota como estilo “um ódio governamental de ser”. Eleições são o método ordinário para premiar ou punir agentes políticos por seu desempenho. Quando vândalos eleitos ameaçam a ordem constitucional ou põem em xeque a própria integridade das eleições futuras, o impeachment e o julgamento por crime comum são as válvulas de escape de que dispomos. São formas de proteger a vontade dessa instituição chamada povo.

Não há qualquer nuance na avaliação moral do governo federal. Menor ainda é a complexidade da avaliação jurídica. Tudo é demasiadamente bruto, sem zona cinzenta. Nenhum presidente brasileiro eleito chegou tão perto de gabaritar a Lei do Impeachment. Começou antes da pandemia, mas a crise sanitária precificou essa postura numa moeda indisfarçável: número de mortes diárias, de UTIs sem oxigênio, de testes vencidos, de placebos estocados, de protocolos ironizados em praça pública, de seringas não compradas, de vacinas não negociadas. Fatos duros que vencem até mesmo a indústria da desinformação. E não foi só por incompetência de um general estúpido convertido em dublê de ministro que comete crimes sem se tocar. O projeto está documentado, tuitado e televisionado. Não adianta desmentir no grito porque a esfera pública não é quartel e cidadãos não somos recrutas que seguem ordens de cima para baixo. Se não há dilemas morais ou jurídicos, o cálculo político ainda atrapalha o disparo de processo de impeachment. A ciência política detectou algumas leis gerais da competição democrática. A primeira constata que um presidente se elege quando tem base partidária capilarizada que lhe dê palanque, recursos e tempo de TV. A segunda observa que um presidente cai quando há crise econômica, algum consenso popular e gente nas ruas. A eleição de Bolsonaro fugiu da primeira lei. Sua eventual destituição pode ter que adaptar a segunda lei. No contexto de pandemia, e com mais de 60 pedidos de impeachment na gaveta da presidência da Câmara dos Deputados, prognósticos sobre como e quando aquelas condições se apresentarão ainda geram muita dúvida. Contudo, após dois anos de vandalismo constitucional turbinado por uma pandemia, vamos percebendo que os mesmos argumentos de prudência que desencorajavam o impeachment começam a virar de lado. Não basta mais argumentar que um processo de impeachment tira o foco da pandemia, gera instabilidade e produz novo trauma institucional, pois isso o presidente também faz, e bem. É necessário mostrar o quanto a sobrevivência política de Bolsonaro é menos custosa que tudo isso. Estamos falando de operação de salvamento, não de consolidação da democracia. Com receio de banalizar o impeachment, vamos banalizando o crime de responsabilidade.” [Folha]

Obviamente fui atrás das declarações do Ayres Britto e são bem boas.

“Não se pode tapar sol com peneira: há uma crise que é múltipla. Os Poderes não se entendem devidamente. Definição antiga de Antonio Gramsci: crise é aquele estado de coisas em que o velho demora a morrer, e o novo não consegue nascer. No caso brasileiro, o velho que não larga o osso é uma espécie de visceral pé atrás com a Constituição. Há um boicote a ela. As forças mais reacionárias temem que, de tão humanizada que é, ela vai dar jeito no país. O governante central é assim, tem o pé atrás com essa Constituição, consciente ou inconscientemente. Quanto ao impeachment, essa mais severa sanção tem explicação. Somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela. E aí o país se vê numa encruzilhada. A nação diz, “olha, ou a Constituição ou o presidente”. E a opção só pode ser pela Constituição. Diria que o conjunto da obra sinaliza o cometimento de crime de responsabilidade. Porém, o processo é de ordem parlamentar.” [Folha]

Ayres diz “de costas”, eu vou além: o capitão e seus generais limpam a bunda com a constituição.

Pelo artigo 78, o presidente assume o compromisso de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro. Ou seja, não é representante dos que votaram nele, dos ideólogos que pensam igual a ele. É de todo o povo. Menos incontinência verbal e mais continência à Constituição.

A escolha de “continência” não é ao acaso…

Brizola Ditadura GIF - Brizola Ditadura FilhotesDaDitadura GIFs

“A sociedade civil vai entendendo que regime democrático é para impedir que um governante subjetivamente autoritário possa emplacar um governo objetivamente autoritário. Se o presidente não adota políticas de promoção da saúde, segmentos expressivos da sociedade —a imprensa à frente— passam a adverti-lo de que saúde é direito constitucional. Prioridades na Constituição não estão sendo observadas: demarcação de terra indígena, meio ambiente. O povo diz “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, a Constituição, que saúde é dever do Estado e direito de todos. Salta aos olhos: ele promove aglomerações, não tem usado máscara, não faz distanciamento social. Respostas como “e daí?” ou “não sou coveiro” não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”

Ayres acha que as instituições estão funcionando:

“Já internalizamos a ideia fundamental de que a democracia não é regime de força, mas tem que ser suficientemente forte para não se deixar matar nunca. Por exemplo, já há compreensão de que as próprias Forças Armadas estão regradas num título constitucional para defender as instituições democráticas. Internalizaram o sucesso civilizatório e não embarcarão em nenhuma canoa furada do autoritarismo.”

Falta só as Forças Armadas compreenderem isso, vide as ameaças de golpe em papel timbrao do GSI e a exótica interpretação verde-oliva do 142.

Sobre a constituinte que o governo tanto deseja:

“Uma Assembleia Nacional Constituinte a gente sabe como começa, mas não como termina. O pressuposto da convocação de uma é a falência múltipla da Constituição em vigor, uma que já deu o que tinha que dar. Não é o caso do Brasil, pois a nossa precisa é de tempo para dizer a que veio. E veio, reconheçamos, como um projeto de vida nacional tão democrático quanto humanista e civilizado.”

Hell Yeah Yes GIF

“Diria: por exemplo, quando o presidente reiteradamente coloca dúvida sobre a precisa quantidade de votos que obteve na última eleição, e vai além para questionar a eficácia da urna eletrônica, pode sim vir a ser interpelado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Porque esse tipo de afirmação coloca em xeque a qualidade da Justiça Eleitoral e aturde o próprio eleitor soberano.”

Sobre a indicação terrivelmente evangélica:

“Tão difícil às vezes qualificar esses pronunciamentos do Bolsonaro. Requisito de investidura do cargo não é a embocadura religiosa de ninguém. Até porque a Constituição instituiu o Estado laico. Diz o artigo 19: é vedado ao Estado estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”. Não sei por que essa referência à qualidade evangélica de um dos futuros nomeados. É um indiferente jurídico a formação religiosa da pessoa, mas dizer como se fosse condição de investidura é estranhável.”

Sobre “morte matada” e “morte morrida”.

“Toda democracia vive sob risco de morte, porque todas as que morreram foi de “morte matada”, não de “morte morrida”. O que varia é o tamanho do risco. Dois poderosos antídotos contra os democraticidas já existem no país: é que ninguém pode impedir que a imprensa fale primeiro sobre as coisas, nem que o Judiciário fale por último. Assim como já existe aquela parelha de antídotos que se lê no pensamento de Thomas Jefferson, o segundo presidente dos EUA: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”; “a arte de governar consiste exclusivamente na arte de ser honesto”.”

A Folha fez o melhor gráfico dessa distopia escrota do caralho:

“A morte de pacientes por falta de oxigênio em Manaus e os fracassos em série do planejamento federal para aquisição e distribuição de vacinas contra a Covid-19 deram mais solidez ao embasamento jurídico passível de ser usado para abertura de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A análise das regras da Constituição e da Lei dos Crimes de Responsabilidade (1.079/50), os dois mecanismos jurídicos cabíveis, mostra a possibilidade de enquadramento de vários atos e omissões de Bolsonaro e do governo no enfrentamento da doença que já causou a morte de mais de 210 mil pessoas no país. A Folha compilou ao menos 23 situações em que Bolsonaro, em seus dois anos de governo até aqui, promoveu atitudes que podem ser enquadradas como crime de responsabilidade, e que vão da publicação de um vídeo pornográfico em suas redes sociais no Carnaval de 2019 aos reiterados apoios a manifestações de cunho antidemocrático. No caso da pandemia, dos oito especialistas ouvidos pela reportagem, sete apontam a garantia social da saúde da população como a principal regra violada pelo governo. A Constituição lista em seu artigo 85 os atos do presidente que configuram crime de responsabilidade. Entre eles está os que atentam contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais —a saúde estando no último grupo. A Lei dos Crimes de Responsabilidade também define ser crime de responsabilidade violar “patentemente” os direitos sociais. Diferentemente de crimes comuns, esse tipo de infração recai em um grupo restrito de pessoas, como presidentes, prefeitos, ministros de Estado e ministros do Supremo Tribunal Federal, e é o que dá base jurídica a pedidos de impeachment. “Não resta a menor dúvida de que o presidente Bolsonaro atentou, em reiteradas oportunidades, contra o direito à saúde”, afirma Elival Ramos, professor titular de direito constitucional da Faculdade de Direito da USP e ex-procurador-geral do estado de São Paulo. “Quando a gente olha uma atuação deliberada, reiterada, coordenada, uma ação ‘pró-pandemia’, temos claramente um crime de responsabilidade, uma vez que o governo está agindo completamente, e não eventualmente, fora do esquadro constitucional”, reforça Eloísa Machado, professora de direito na FGV-SP. Ela afirma ainda que no caso de Manaus “há uma atuação intencional do governo federal que gerou como consequência imediata a morte de pessoas por asfixia”. A ação se soma a medidas de boicote à vacinação, alinhamento a movimentos antivacina e recomendação de medicamentos que não têm comprovação científica. Além de listar o que considera crimes de responsabilidades em atos de Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias afirma que, ao investir em desinformação e boicotar as iniciativas de combate à pandemia, Bolsonaro violou o direito constitucional da população à saúde. Dias também enquadra as ações do presidente como violações à probidade na administração, à dignidade, à honra e ao decoro do cargo, todas previstas como crime de responsabilidade na Constituição e na Lei dos Crimes de Responsabilidade. O ex-ministro é um dos mais de 300 signatários, dentre integrantes do meio jurídico, artístico e de outras áreas, que ingressaram na semana passada com representação na Procuradoria-Geral da República solicitando que seja oferecida denúncia contra Bolsonaro por crime comum, com base em vários artigos do Código Penal, como o da prevaricação e o de descumprimento de medida sanitária. O primeiro, previsto no artigo 319, é retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Já o descumprimento de medida sanitária está tipificado no artigo 268: é infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. Embora não seja um pedido de impeachment, essa representação também pode resultar no afastamento do presidente caso o procurador-geral da República, Augusto Aras, que foi indicado por Bolsonaro, decida denunciar o presidente e a acusação seja avalizada por ao menos dois terços da Câmara (342 de 513 deputados).

Especialistas apontam ainda outros trechos da Constituição e da Lei dos Crimes de Responsabilidade em que Bolsonaro pode ser enquadrado. Floriano de Azevedo Marques Neto, professor titular do Departamento de Direito do Estado da USP, cita o artigo 9º, item 3, da Lei dos Crimes de Responsabilidade. O texto estabelece como crime o presidente não agir para responsabilizar subordinados pela prática de atos contrários à Constituição. Segundo o ele, o governo não agiu “para que o ministro da Saúde tomasse as medidas necessárias para prover a vacinação ou evitar a escalada da pandemia”. Professora titular do Departamento de Teoria do Direito da UFRJ e avaliadora de programas de doutorado, mestrado e de pesquisa em direito penal no Instituto Max Planck, da Alemanha, Ana Lucia Sabadell diz vislumbrar vários crimes cometidos pelo presidente. Também em relação à Lei dos Crimes de Responsabilidade ela entende que o presidente poderia ser responsabilizado com base no artigo 4º, incisos 1, 3, 4 e 5. Esses pontos definem como crime de responsabilidade atentados à existência da União, ao exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, à segurança interna do país e à probidade na administração. “Ele nega a ciência, nega as organizações internacionais que estão cuidando da pandemia no mundo, ele nega todas as medidas preventivas. E atua como? Indicando cloroquina, colocando pessoas incompetentes nos ministérios, que ele sabe que não têm a capacidade para mover a administração pública, fazendo afirmações de que existe tratamento precoce. Ele está também violando o dever de dignidade e decoro do cargo dele, é um problema gravíssimo”, afirma. Diego Werneck, professor associado do Insper e doutor em direito pela Universidade Yale (EUA), defende que pensar em um conjunto de ações não deve ser confundido com ausência de indícios de cometimento de crimes. “Há uma soma de atos claros e inequívocos que o presidente praticou que não são suficientemente graves, sozinhos, para configurar um crime de responsabilidade, mas cuja soma configura”, afirma. “Pelo conjunto das ações e manifestações do presidente Bolsonaro durante a pandemia, me parece claro que ele colocou, deliberadamente, a vida de brasileiros e brasileiras em risco.” O professor de direito Oscar Vilhena Vieira, membro da Comissão Arns de Direitos Humanos e colunista da Folha, diz que ao fomentar aglomerações, criticar o uso de máscara, incentivar tratamentos ineficazes em detrimento das medidas recomendadas, “boicotar ou não envidar todos os esforços para um amplo programa de vacinação, [Bolsonaro] conspira contra o direito à vida e o direito à saúde”.” [Folha]

Encerro com o capitão:

“Se Deus quiser, vou continuar o meu mandato, e, em 2022, o pessoal escolhe” [Correio do Povo]

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2. O 7 a 1 da geopolítica

Voltemos a março de 2020, após mais uma das agressões do Eduardo Bolsonaro ao maior parceiro comercial:

“O presidente Jair Bolsonaro tentou falar com o presidente chinês para resolver o imbróglio diplomático mas esbarrou na recusa de Xi Jinping a atendê-lo. A tentativa, confirmada por fontes diplomáticas, foi revelada pela nota da Embaixada da China no Brasil: “A parte chinesa não aceitou a gestão feita pelo embaixador Ernesto Araújo à noite do dia 18”. O governo chinês, como diz a nota, só aceita como ponto final do imbróglio as desculpas do filho do presidente: “O deputado federal Eduardo Bolsonaro tem que pedir desculpa ao povo chinês por sua provocação flagrante”.” [Valor]

Sim, desde lá o Xi não atende Bolsonaro, cê acha que vai atender agora?! Não á toa…

“Enquanto Jair Bolsonaro busca destravar o diálogo com a China, a pedido de João Doria, Michel Temer ligou para o ex-embaixador chinês Li Jinzhang e tratou da liberação dos insumos usados na produção da Coronavac. O diplomata ocupa posto no governo Xi Jinping, em Pequim. O ex-presidente lembrou da boa relação entre os dois países, e o quanto a China foi relevante para o Brasil à época da Operação Carne Fraca, garantindo as importações do produto brasileiro. Temer ressaltou a importância dos insumos para a vacina neste difícil momento.” [Estadão]

O brocha está pedindo os préstimos sexuais do ex da mulher, Bolsonaro é um constrangimento de dimensões continentais.

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Isso aí é a passagem de faixa presidencial de 1º de janeiro de 2019 em reverso. E os chineses devem ter adorado:

“Jinzhang disse ver com bons olhos o fato de Temer estar elaborando o parecer jurídico da Huawei no Brasil. O leilão do 5G é tema delicadíssimo para os chineses. A ala ideológica do bolsonarismo quer deixá-los de fora. O diplomata prometeu levar o pleito ao presidente chinês. Temer encerrou a ligação confiante de que a demanda deve ser atendida, apesar de ambos não terem falado em datas.”

Maia também tá na contenção de danos:

“Na conversa com o embaixador chinês Yang Wanming, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pediu desculpas, em nome da Câmara, se, porventura, ele sentiu-se destratado por algum deputado. Depois, ressaltou que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) já não é mais presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa. Só está na função burocraticamente, disse, enquanto não voltam os trabalhos.”

Bolsonaro descobriu sobre esse encontro aí e já foi logo avisando:

“O comunicado do Planalto ressaltou que o governo “é o único interlocutor oficial com o governo chinês”, numa declaração entendida como uma resposta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).” [Folha]

Ao que parece não, e se parece para gargalhar: Temer é um emissário do… Doria!

“A pedido do governo de São Paulo, o ex-presidente Michel Temer entrou nas negociações para liberar a importação dos princípios ativos para fabricação da vacina CoronaVac no Instituto Butantan.” [G1]

Ele entrou em contato com um ex-embaixador da China no Brasil, com que tem boas relações, para que fosse encaminhado o pedido ao presidente chinês Xi Jinping. Na última terça (19), Temer ligou para o ex-embaixador Li Jinzhang, que hoje trabalha no palácio presidencial da China, e recebeu a promessa de que o pedido de ajuda para liberar a importação seria levado ao presidente chinês. A informação da entrada de Temer nas negociações foi publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada ao blog pelo secretário de Governo de São Paulo em Brasília, Antonio Imbassahy, e pela assessoria do ex-presidente brasileiro. Imbassahy disse ter conversado inicialmente sobre a possibilidade de Temer entrar nas negociações por saber que o ex-presidente tem boas relações com a China. Temer, por sinal, foi contratado pela chinesa Huawei para elaborar parecer jurídico sobre a participação da empresa no mercado de telefonia celular de quinta geração no Brasil. Depois, segundo Imbassahy, o governador de São Paulo, João Doria, fez o pedido oficial para que o ex-presidente ajudasse o governo paulista nas negociações, o que acabou acontecendo na última terça-feira quando Temer ligou para o ex-embaixador da China no Brasil.

Doria é um escroto mas sabe desconcertar Bolsonaro.

Só então Bolsonaro resolveu ligar pro Xi:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu uma chamada telefônica com o líder chinês Xi Jinping para fazer um apelo pela liberação de insumos para a fabricação de vacinas contra a Covid-19. De acordo com interlocutores que acompanham as negociações, o presidente orientou que o Itamaraty fizesse os trâmites para solicitar a conversa com as autoridades em Pequim. O tema é hoje um dos principais focos de preocupação no Planalto e a avaliação é que era preciso tentar um contato de alto nível. Pessoas que acompanham o tema disseram que ainda não é possível dizer se o telefonema será realizado. A tentativa da chamada ocorre também diante da análise de que a interlocução do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) está desgastada com a embaixada da China em Brasília devido aos posicionamentos adotados pelo chanceler. Embora tenha começado a campanha de imunização com a Coronavac —desenvolvida por uma farmacêutica chinesa em parceria com o Instituto Butantan—​, o Brasil corre o risco de ficar sem matéria prima para a produção das doses necessárias para os próximos meses. Os insumos são produzidos na China e as dificuldades encontradas também ameaçam a Oxford/AstraZeneca, vacina que no Brasil deve ser fabricada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). O tema tem mobilizado auxiliares de Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário do Planalto que tem sido protagonista no esforço de imunização..”

Palavras do Ernesto:

“”Nós não identificamos nenhum problema de natureza política em relação ao fornecimento desses insumos provenientes da China”, declarou o ministro, que participou nesta quarta-feira (20) de uma reunião informal de uma comissão parlamentar que acompanha a crise do coronavírus. “Nem nós no Itamaraty aqui de Brasília, nem a nossa embaixada Pequim, nem outras áreas do governo identificaram problemas de natureza política, diplomática. Não identificamos nenhum percalço nesse sentido.” “Em relação aos insumos provenientes da China, também não é possível falar de prazo nesse momento. Claro que a gente está trabalhando e todo o governo federal… para que o prazo seja o mais breve possível”, acrescentou. O governo brasileiro também tem discutido com autoridades indianas a divulgação de um comunicado público no qual o país asiático garanta que as doses da vacina de Oxford serão enviadas ao Brasil no curto prazo. Segundo relatos feitos à Folha, nos últimos dias negociadores do governo entraram em contato com diplomatas indianos para solicitar uma posição que arrefeça o mal-estar criado com a demora no envio de imunizantes contra o coronavírus. A avaliação entre auxiliares do presidente Bolsonaro é que os sucessivos adiamentos na liberação da carga têm gerado desgaste para o Palácio do Planalto, que apostava na importação para o dar o pontapé na campanha de imunização no Brasil. Uma cerimônia estava sendo preparada para o ato, mas acabou desmobilizada diante do fracasso da operação. Algum tipo de compromisso público da Índia é visto por aliados de Bolsonaro como uma forma de ao menos reduzir os danos políticos que o atraso tem causado. Interlocutores no Planalto têm a expectativa de que o envio dos 2 milhões de doses ocorra na próxima semana, mas outros envolvidos nas negociações têm previsões menos otimistas. Eles apontam que as autoridades indianas ainda não deram sinalização de que a entrega possa ocorrer ainda neste mês.”

Isso que dá o governo brasileiro ter sabotado o pedido indiano e ficado ao lado doas países ricos, impedindo a quebra de patentes.

“Na política vale o poder de barganha. No mundo da pandemia os países que controlam a vacina e seus insumos têm mais poder de barganha do que os que não o fazem. Se o Brasil, por exemplo, tivesse desenvolvido uma vacina poderia hoje não apenas estar imunizando toda sua população, mas oferecendo a vacina para seus vizinhos em troca de algum benefício. É exatamente isso que a China está tentando realizar. É evidente que o Brasil depende hoje de pelo menos três países a fim de alcançar o objetivo de controlar a Covid: China, Índia e Rússia. Qualquer governo de um destes três países estará disposto a exportar os insumos e a própria vacina para o Brasil, desde que ofereçamos algo em troca. Dos três, sabe-se com certa segurança que Índia e Rússia têm menos para ganhar nesta possível troca do que a China. O país liderado por Xi Jinping tem capacidade produtiva para vacinar todos os brasileiros, a grande questão será a motivação para fazer isso, e ela pode estar na aquisição do 5G chinês. Não há bonzinhos na política. Seja nas relações entre líderes políticos, partidos ou nações, todos buscam aumentar seu poder de barganha com a finalidade de sentar à mesa para negociar em uma posição forte. O líder da China não tem o menor interesse em exportar os insumos da CoronaVac se não ganhar nada com isso. O mesmo vale para a Índia e a Rússia. Como se tratam de nações, e não de empresas para as quais basta o lucro financeiro e a conquista de novos mercados, seus chefes de governo querem algo em troca do Brasil. Quanto mais Bolsonaro e seus auxiliares atacarem a China, maior será o poder de barganha de Xi Jinping. A negociação que a China poderá vir a fazer com o Brasil, trocar a vacina pelo 5G, está em curso com muitos outros países. O objeto da troca pode ser diferente, mas o fato é que os chineses conquistarão espaços novos na geopolítica mundial graças à CoronaVac.” [Veja]

Passo à ótima Ana Carolina Amaral, do blog Ambiência, da Folha:

“Não é realista esperar que o governo Bolsonaro se ajuste à mudança de governo nos Estados Unidos. Sua união a Trump era, afinal, ideológica e sem nenhum pragmatismo. Assim também deve funcionar seu antagonismo a Biden – só que o americano se beneficiará dessa rivalidade de forma pragmática. Para voltar a figurar como mocinho na agenda internacional do combate às mudanças climáticas, os Estados Unidos devem incentivar o restante do mundo a apontar para o Brasil de Bolsonaro como o vilão da história. A versão contada pelo presidente Bolsonaro deve alimentar a polarização, ajudando o protagonismo americano e trazendo dificuldades para a diplomacia brasileira (que, nos bastidores, ainda busca preservar as relações internacionais). No entanto, o comércio não deve ser atingido, segundo avaliações do governo federal. De acordo com fontes do alto escalão do governo, não passam de pensamentos desejosos as expectativas de demissões de Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). Eles têm a confiança do presidente, apesar dos desgastes gerados nas relações com importantes parceiros comerciais, como a China, a União Europeia (que protela uma decisão sobre o acordo comercial com o Mercosul por conta da política ambiental brasileira) e com o sistema multilateral da ONU, especialmente nas negociações sobre clima e biodiversidade, nas quais o Brasil já tem figurado como pária. A era Biden é vista com otimismo no Ministério da Agricultura, que conta com a separação entre as relações comerciais e o discurso ambientalista, já que o novo presidente americano tem anunciado sua prioridade às relações multilaterais.

O blog teve acesso a mensagens trocadas entre pessoas ligadas à administração da pasta. Uma delas diz que, o multilateralismo nos beneficia, pois no âmbito da OMC [Organização Mundial do Comércio] não estão previstas sanções comerciais por questões ambientais. As regras já definidas pelos sistemas multilaterais trazem mais previsibilidade para as negociações brasileiras em comparação com acordos bilaterais com gigantes como Estados Unidos e China. O Itamaraty também estaria trabalhando para evitar que a OMC adote condicionantes ambientais para o comércio global. A avaliação é confirmada por diplomatas brasileiros ouvidos pelo blog. Eles entendem que os Estados Unidos não se interessam por políticas que boicotem commodities associadas a desmatamento – uma ameaça crescente dos europeus sobre o Brasil, diante da aceleração do desmate na Amazônia e no Cerrado. A aposta do governo brasileiro é que Biden só reforce a postura da União Europeia no nível do discurso. Mas isso não significa que o país não será impactado. Pelo contrário: as palavras também importam e devem empurrar o Brasil para um isolamento político ainda mais acentuado. De acordo com diplomatas que negociam acordos ambientais, apontar o Brasil como vilão será uma estratégia de Biden para recuperar sua credibilidade internacional, colocada em xeque na agenda climática por antecessores republicanos: os ex-presidentes Trump, que abandonou o Acordo de Paris e George Bush, que se opôs ao acordo anterior, o Protocolo de Kyoto.

Diante da desconfiança sobre a oscilação do protagonismo americano no combate ao aquecimento global, líderes internacionais aguardam sinais de consolidação do comprometimento anunciado por Biden. Para além do retorno imediato ao Acordo de Paris, anunciado logo antes da sua posse, os sinais políticos devem ser confirmados com políticas domésticas, como a regulação de incentivos a setores menos poluentes e ainda a aprovação de leis que assegurem uma trajetória de queda de emissões até 2030. Enquanto não mostra sua lição de casa, poder apontar a postura do Brasil como pária internacional funcionará para Biden como um trunfo. Além de derrubar a força política das posições brasileiras em negociações internacionais, negociadores de diversos países desejam também rever a regra dos sistemas de tomada de decisão da ONU que exigem consenso entre todos os países. Isso porque o Brasil conseguiu, a partir da sua postura isolada, bloquear avanços em negociações que contavam com a aprovação formal de todos os outros países. Os bloqueios do Brasil levaram a uma frustração generalizada e também a uma expectativa de que a chegada de John Kerry, que foi secretário de Estado de Obama e será o enviado especial para o clima no governo Biden, possa influenciar a criação de um sistema de negociação que não fique refém de uma resistência isolada. A força da articulação política de Kerry também aponta para a possibilidade de uma tríplice aliança entre Estados Unidos, União Europeia e China, que buscam protagonismo na agenda climática e também respondem pela maior parte das emissões globais de gases causadores do aquecimento global. São também os maiores importadores do Brasil. O efeito de Bolsonaro para a agenda climática é hoje comparável ao de Trump, que, ao anunciar sua saída do Acordo de Paris, provocou a Europa a China a assumir o protagonismo da pauta, fortalecendo-a. A postura negacionista e antiglobalista do Brasil agora fortalece os ‘inimigos’ aos quais o projeto de Bolsonaro declarou guerra. A pauta das mudanças climáticas nunca havia sido tão importante como é agora para as relações internacionais, para o comércio global e para um presidente americano.” [Folha]

E Biden há de vir quicando, e usando Bolsonaro como trampolim de sua imagem internacional:

“O governo de Joe Biden anuncia na Organização Mundial da Saúde (OMS) que está abandonando a postura da administração de Donald Trump de vetar termos como saúde reprodutiva e direitos sexuais em programas e resoluções internacionais. Anthony Fauci, falando em nome do novo governo americano, deixou claro que a Casa Branca passará a defender que tais temas voltem para a agenda global e que a administração Biden irá promover esses aspectos ao defender maior acesso à saúde para mulheres e meninas. Seu discurso feito nesta quinta-feira na OMS foi interpretado por diplomatas estrangeiros como uma profunda ruptura em relação ao projeto de Trump que, nas últimas semanas de seu governo, reuniu governos ultraconservadores para lançar uma ofensiva contra entidades que estabelecessem os temas em suas agendas. Nessa ofensiva, o Brasil de Ernesto Araújo e Damares Alves eram aliados estratégicos e um bloco de cerca de 30 países foi formado, muitos deles de caráter autoritário ou populistas de extrema-direita.” [UOL]

E o Ernesto, Costinha?

costinha

“O argumento do grupo liderado por Trump, Bolsonaro e Orban era que existiria uma manobra nas entidades internacionais para incluir termos como direito à saúde reprodutiva e sexual nos programas, o que abriria uma brecha para legitimar o aborto. Na aliança, portanto, foi estabelecido que os governos reafirmariam a rejeição ao aborto e a defesa da família. Os países, ao assinarem a proposta, enfatizariam que “em nenhum caso o aborto deve ser promovido como método de planejamento familiar ” e que “quaisquer medidas ou mudanças relacionadas ao aborto dentro do sistema de saúde só podem ser determinadas em nível nacional ou local de acordo com o processo legislativo nacional”. Em uma audiência no Senado, no dia 24 de setembro de 2020, o chanceler Ernesto Araújo confirmou que um dos objetivos do governo é de evitar que haja qualquer tipo de imposição por parte das entidades internacionais sobre qual rumo deve ser tomado no Brasil quando o debate é o aborto. “Nós sempre nos posicionamos para que não haja, em textos de organismos internacionais, algum tipo de direito universal como método anticonceptivo, anti-concepção ou método de controle de natalidade”, disse o ministro. Fauci, porém, deixou claro que a nova orientação será diferente. “Será nossa política apoiar a saúde sexual e reprodutiva de mulheres e meninas e os direitos reprodutivos nos Estados Unidos, assim como a nível global. Para isso, o presidente Biden revogará a Política da Cidade do México nos próximos dias, como parte de seu compromisso mais amplo de proteger a saúde das mulheres e promover a igualdade de gênero em casa e no mundo inteiro”, disse o representante americano.

A “Política da Cidade do México” se refere a um pacote de medidas criadas ainda nos anos 80, exigindo que todas as ongs e entidades recebendo recursos dos EUA se comprometam a não prestar qualquer serviço de aborto, aconselhamento sobre a opção de aborto, se referir ao aborto e nem fazer campanhas pelas liberação legal da prática. O gesto representa um afastamento importante em relação à postura que o Brasil vem adotando, internamente e no campo externo. Em diversas ocasiões, o Itamaraty chegou a se opor a resoluções que fizessem referências aos direitos reprodutivos de mulheres, ganhando aplausos de governos ultraconservadores como Arábia Saudita.Outro setor que sofrerá ampla revisão é o capítulo de direitos humanos. Antony Blinken, o novo chefe da diplomacia americana afirmou, diante do Senado, que embaixadores americanos voltarão a ser autorizados a colocar uma bandeira que simboliza o movimento LGBT em suas agendas e em seus escritórios. “A violência contra a população LGBT aumenta no mundo. Os EUA precisam assumir seu papel de proteger essas pessoas”, disse. Entre os diferentes instrumentos, Biden terá um embaixador dedicado ao tema da promoção do direito desse segmento no palco internacional. Outra questão dos senadores se referia à comissão criada por Trump com a ambição de promover uma redefinição do que são os direitos humanos, num processo que poderia ter um impacto global e que era vista como uma tentativa de frear reivindicações de mulheres e de grupos LGBT. Para o novo chefe da diplomacia americana, as conclusões da comissão serão rejeitadas. Ontem mesmo, o site da comissão foi retirado do ar. Em 2020, com recursos públicos, a pasta de Damares Alves enviou representantes para acompanhar os trabalhos da comissão. A meta inicial do projeto de Trump era colocar limites às novas reivindicações dos direitos humanos e realizar a maior revisão do termo desde a assinatura em 1948 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.”

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3. Malditos Milicos

Malditos sejam por toda a eternidade!

Santos Cruz pagando de sensato é esse pessoal que louva Ustra tentando afetar alguma razoabilidade.

O ex-integrante do governo falou sobre Bolsonaro ter dito que a democracia depende dos humores das Forças Armadas:

“Isso aí é um devaneio completo. Falta de responsabilidade total, não tem cabimento querer envolver Forças Armadas em aventura política pessoal. Isso não é estratégia nenhuma, idiotice não é estratégia. Você não pode classificar como estratégia um negócio sem pé nem cabeça” [IG]

Sobre a tragéia da vacinação:

“Não tem coerência nenhuma, dá para desconfiar até da sanidade mental. Não é possível você falar uma coisa e fazer outra. Falar que não ia comprar, agora comprou o lote inteiro porque é a única vacina que nós temos. É um show de incoerência, de falta de condições mínimas para gerenciar uma crise”

Santops Cruz só descobriu que Bolsonaro é maluco em 2021. Além de vil e repulsivo, claro.

E olha os milicos apontando o dedo para os milicos:

“Integrantes do Ministério da Defesa estão alarmados com a situação de cidades do interior do Pará e do Amazonas. Municípios dos dois estados têm enfrentado falta de oxigênio para pacientes com Covid-19. O aumento de casos graves em regiões de difícil acesso mobilizou militares. Nesse cenário, aliados do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, passaram a cobrar o Ministério da Saúde para garantir insumo e vacina nas localidades.” [Folha]

Spider Man Reaction GIF

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, sete pessoas que estavam internadas no Hospital Regional de Coari (AM) morreram na manhã de terça-feira (19) também por falta de oxigênio.​ Esta é uma das cidades que preocupam a Defesa. Além de Coari, militares acompanham de perto os casos em Manacapuru, Nhamundá, Itacoatiara e Parintins, todas no Amazonas. No Pará, o alerta acendeu em relação às cidades de Oriximiná e Faro. O receio é que a nova cepa do coronavírus registrada em Manaus se espalhe por outras regiões. Complica o atendimento o fato de municípios na Amazonônia serem de difícil acesso. Fardados temem que uma nova onda de Covid-19 sobrecarregue o sistema de saúde. Os municípios no interior contam com pouca estrutura e teriam de encaminhar pacientes às capitais, que já estão sobrecarregadas. O MPF ( Ministério Público Federal) no Amazonas já identificou problemas de estoque crítico de oxigênio em Coari, Parintins, Itacoatiara e Tabatinga. Os militares ficaram alarmados na mesma semana em que a juíza Jaiza Maria Fraxe, titular da 1ª Vara Federal Cível no Amazonas, determinou que os governos federal e estadual fizessem a imediata distribuição do insumo ao interior do estado. Como mostrou a Folha nesta semana, a magistrada também decidiu na segunda-feira (18) que o Poder Executivo deve fornecer oxigênio a pacientes tratados em casa, especialmente crianças. Integrantes da Defesa dizem que haviam percebido a gravidade da situação nesses municípios antes da ordem da juíza diante de relatórios de membros do Comando do Norte. O Exército tem fardados espalhados nessas cidades. Além disso, houve também pedido de socorro de prefeitos. O Ministério da Saúde, comandado pelo general da ativa Eduardo Pazuello, se mobilizou para garantir a entrega de oxigênio a Manaus, após pedido do governo estadual. A pasta solicitou suporte de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira). A situação crítica nas pequenas cidades fez com que a própria Defesa procurasse a Saúde e articulasse ajuda.

Sim, o trabalho que caberia ao milico do ministério foi feito pelo milicos da ativa, ayé o pessoal da ativa sabe o quão criminosa é a gestão do general Pazuello. Que por sua vez também é general da ativa.

E não existem alas nesse governo, é tudo uma coisa só:

“Na linha de frente do time de Eduardo Pazuello, a médica Mayra Pinheiro é o principal nome do Ministério da Saúde por trás das incessantes recomendações de remédios sem eficácia contra a Covid-19, como hidroxicloroquina e cloroquina. Partiram dela a força-tarefa de Manaus para incentivar o uso dos medicamentos, o ofício que afirma ser inadmissível a não utilização dessas drogas e também o TrateCov, página na internet que orienta a administração de cloroquina e antibióticos até para dor de barriga de bebê. Secretária de gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, ela foi nomeada em janeiro de 2019, quando Luiz Henrique Mandetta era o ministro. Ele diz que ela foi uma escolha ideológica do governo, que teve apoio durante as eleições dessa ala politicamente mais radical, à direita, da medicina brasileira. Mandetta afirma que sempre a considerou tecnicamente inferior aos demais e por isso deu a ela poucas atribuições, em um cargo de “menor valência”. E que todos os projetos passados a ela eram em parceria, para que fosse monitorada. Secretários de Saúde ouvidos pelo Painel reclamam há algum tempo da presença dela no ministério. Mayra foi alçada ao protagonismo por Pazuello, que lhe encarregou de liderar ações do governo federal em Manaus desde o começo de janeiro.” [Folha]

O ministério militar da Saúde do GENERAL DA ATIVA colocou essa racista cretina do caralho na LINHA DE FRENTE em Manaus, deu no que deu.

“Em entrevista ao lado do governador Wilson Lima (PSC), defendeu explicitamente o uso da cloroquina, “a despeito da imprensa”, que, segundo ela, “desinforma”. No começo dessa entrevista, ela se diz representante de Pazuello, que duas semanas depois diria que a pasta não tem protocolo sobre uso de medicamentos como a hidroxicloquina contra a Covid-19 —o que não corresponde à realidade. Em maio, ela declarou que profissionais de saúde que se recusassem a disponibilizar cloroquina para seus pacientes poderiam ser julgados por omissão de socorro (veja vídeo abaixo). Mayra é a ponte do governo federal com grupo de médicos defensores dos fármacos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Ela que convidou aproximadamente dez deles em nome do Ministério da Saúde, pagando diárias de hotel e alimentação, para fazerem ronda nas UBSs de Manaus e reforçaram aos profissionais de saúde que deveriam ministrar hidroxicloroquina e ivermectina para seus pacientes com coronavírus, como revelou o Painel. Ela ganhou holofotes pela primeira vez em 2013, quando foi até aeroporto hostilizar cubanos que participavam de curso do programa Mais Médicos. Juristas consultados pela Folha listam uma série de crimes em que a conduta de Mayra pode ser enquadrada. Para Conrado Hübner Mendes, professor de direito constitucional da Universidade de São Paulo (USP), o enquadramento mais preciso seria o crime de expor a vida ou a saúde de alguém a perigo, artigo 132 do Código Penal. “Nesse caso, é preciso demonstrar que a conduta gerou um risco concreto ao paciente, e isso gera duas situações: 1) o medicamento tem riscos e pode gerar efeitos colaterais, conforme já se demonstrou na literatura; 2) é preciso verificar se ministrou cloroquina, ou se deu prioridade à cloroquina no lugar de outro tratamento que fosse mais apropriado e com menor risco”, diz Mendes.

Ele afirma que há divergência entre penalistas sobre o tema, mas que é possível sustentar, inclusive, na ocorrência de mortes pela ingestão desses medicamentos por influência de algum projeto de Mayra como o TrateCov, que houve homicídio culposo. Para Rafael Mafei Rabelo Queiroz, professor do departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da USP, uma hipótese de enquadramento penal seria o crime de violação de determinação de autoridade sanitária, artigo 268 do Código Penal. “É como se o agente público dissesse: ‘fique à vontade para não observar o distanciamento porque na hipótese de contaminação o tratamento precoce estará disponível'”, explica. “Não é a simples promoção de um tratamento precoce que é enganoso. É a promoção desse tratamento com o desencorajamento permanente das medidas sanitárias, como se ele fosse uma alternativa para quem se contamina”, completa. Nesse caso, diz, seria necessário provar que ela agiu com deliberada intenção de incitar o descumprimento de medidas sanitárias através da promoção de um enganoso tratamento precoce. Mafei também afirma que alguém que venha a ter algum problema de saúde devido à utilização da plataforma TrateCov pode responsabilizar civilmente o poder público. Eles concordam que, na esfera extra-penal, os projetos de Mayra podem desembocar em processos por improbidade administrativa também.”

E o Pazuello é maluco, só pode.

“”Em janeiro, começo de fevereiro, vai ser uma avalanche de laboratórios apresentando propostas, porque são 270 iniciativas no mundo. Temos que ter atenção e muito cuidado para colocar todas elas disponíveis o mais rápido possível dentro da segurança e eficácia”” [Folha]

Avalanche de porpostas!

“Estamos em negociação diplomática com a China. Conversei com embaixador chinês, e solicitei entrevista com ele, que foi feita. Ele vai fazer as gestões necessárias, e colocou pra mim que não há discussão política e diplomática, e sim burocrática, e vai ver onde está o entrave e ajudar a destravar”

E ele se contradiz na mesma frase:

“No caso da Fiocruz, a previsão é 31 de janeiro. Ainda não está atrasado, mas estamos nos antecipando. Ainda não posso acionar a empresa que fizemos a encomenda, só posso acionar e acionarei no primeiro dia de atraso, que é final de janeiro”

Se só pode acionar no final de janeiro como eles estão se antecipando? O pessoal da Fiocruz tá desepserado, vide o vídeo da médica de lá desesperada, postei aqui ontem.

E aguardem pelo Dia D e Hoira H:

“O ministro afirmou ainda que a pasta ainda não tem previsão de entrega das 2 milhões de doses previstas a serem importadas da Índia pela Fiocruz, mas que uma estimativa deve ser dada “nos próximos dias”.”

Pazuello tá tão perdido q ele disse isso no mesmo dia que o govenro indiano autorizou a exportação:

“O governo da Índia deu sinal verde para a exportação comercial de vacinas contra a Covid-19, e as primeiras remessas serão envidas ao Brasil e ao Marrocos na sexta (22), segundo o ministro de Relações Exteriores disse à Reuters. As doses desenvolvidas pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca estão sendo fabricadas no Instituto Serum, na Índia, o maior produtor mundial de vacinas e que recebeu pedidos de diversos países. O governo indiano segurou a exportação até começar seu próprio programa de imunização na semana passada. No início desta semana, mandou suprimentos gratuitos para seis países vizinhos. O ministro Harsh Vardhan Shringla disse que as exportações comerciais começariam na sexta, alinhado com o compromisso do primeiro-ministro Narendra Modi de usar as capacidades industriais do país para ajudar toda a humanidade de lutar contra a pandemia. “Ao seguir essa visão, nós temos respondido de forma positiva aos pedidos de países do mundo todo, começando pelos nossos vizinhos”, disse ele, referindo-se aos suprimentos gratuitos. “O suprimento de quantidades comercialmente contratadas vai começar amanhã, iniciando com o Brasil e o Marrocos, seguidos por África do Sul e Arábia Saudita.”” [Folha]

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4. Covid-7

1.340 mortes ontem, 212.831 no total, fora o baile da sub-notificação e…

“Diante do crescimento das críticas ao governo por causa da falta de vacinas contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro determinou à sua equipe que consiga matéria-prima para imunizantes onde for possível comprar. Vice-líder do governo no Congresso, o senador Jorginho Mello (PL-SC) disse que Bolsonaro escalou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, para desenvolver uma “vacina brasileira”.” [Estadão]

Porra, agora vai, hein, Brasil! Dia desses o astronauta estava anunciando o remédio que salva vidas e recentemente o ministério da Saúde confessou ao Ivan Valente que não recomenda o remédio pois não tem qualquer eficácia.

“O presidente está preocupado em imunizar a população para que todos retomem as atividades de trabalho. Está negociando com a China”, disse Mello, que conversou com Bolsonaro nesta quarta-feira, 20, à tarde. O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dependem do envio de insumos chineses – Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) – para produção dos imunizantes no Brasil. O Brasil iniciou a vacinação no domingo, 17, mas, sem matéria-prima necessária para fabricar mais doses, a previsão é de que a campanha seja interrompida após a primeira leva. Bolsonaro se reuniu na manhã desta quarta-feira, 20, com os ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Tereza Cristina (Agricultura), Fábio Faria (Comunicações) e Augusto Heleno (Segurança Institucional) e cobrou medidas para solucionar o atraso na importação de insumos da China e vacinas da Índia. À tarde, Pazuello, Tereza Cristina e Fábio Faria fizeram uma conferência telefônica com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. De acordo com a embaixada, o objetivo era discutir “a cooperação antiepidêmica e de vacinas entre os dois países”.”

E tem mais desespero:

“Pressionado a resolver a falta de insumos para dar continuidade à vacinação no Brasil, o governo federal pediu a líderes governistas no Congresso para buscar medidas que evitem o eventual hiato de 30 a 40 dias sem vacina, no Brasil. Esta é a conta desenhada e temida nos bastidores do governo: se o Executivo não resolver o envio de insumos da China para a produção da Coronavac, além dos entraves para receber a Astrazeneca, da Índia, a vacinação no Brasil pode ficar suspensa por um período de cerca de um mês, segundo assessores presidenciais. Ainda não há previsão de quando o Brasil deverá receber os insumos vindos da China e as vacinas fabricadas na Índia, como mostra vídeo abaixo. O atraso, se confirmado, será desastroso e vai ampliar o desgaste da imagem do governo junto à opinião pública no tema combate à Covid-19. Ciente do diagnóstico, o Planalto virou monotemático nos últimos dias: busca saídas jurídicas para ampliar a compra de vacinas, por meio de medidas provisórias, além de discutir com outros fornecedores a oferta de vacinas.” [G1]

Esperaram 2021 pra comprar as vacinas da pandemia que começou no primeiro dia de 2020…

“Diferentes fontes ouvidas pelo blog confirmam as estratégias – mas não sabem detalhar o que seriam essas medidas provisórias, tampouco quais fornecedores estão na mira do governo federal.”

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E imagina o Doria se mandando pra Pequim…

“Em São Paulo, João Doria cobra resposta do Ministério da Saúde para o fim desta semana. Ao blog, ele disse nesta manhã que “irá à China se necessário”.”

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“O presidente da frente parlamentar Brasil-China, deputado federal Fausto Pinato, disse ao blog que a conta pode “passar” do atraso de 30 dias se o Brasil não mudar sua postura com a China. “Vamos para o final da fila, pode demorar isso mesmo ou passar”. Ele diz que está em contato diariamente com integrantes do governo na China. “A embaixada não fala muitas vezes o que pensa. São pragmáticos. Não vão nos retaliar. Mas, se não houver acenos, mudanças, vamos para o final da fila. Precisa mudar o corpo diplomático, por exemplo.” O deputado defende que o presidente Bolsonaro telefone para o presidente chinês. Segundo Pinato, ele tem informações de que há uma irritação com a postura do Brasil com a China.”

E certo tá o Frota, Brasil!

“Um projeto de lei em tramitação no Congresso prevê que deputados e senadores poderão ser obrigados a tomar a vacina contra a covid-19. De acordo com a proposta, de autoria do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), a dispensa da vacinação só poderia ocorrer em caso de comprovação médica. Para o deputado tucano, diversos setores da sociedade estão disseminando “uma campanha absurda” para tentar convencer a população de que a vacina pode causar danos irreparáveis. “Isso inclui o presidente da República (Jair Bolsonaro), que vem a público, em uma atitude jocosa, dizer que se tomar a vacina poderá ser transformado em jacaré. Não podemos deixar a população se levar por atitudes irresponsáveis de quem quer que seja. Nós, deputados federais, e os senadores da República temos que dar o exemplo nesta campanha de imunização e deveremos, portanto, ser os primeiros a nos imunizar”, diz o deputado.” [Correio Braziliense]

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5. De Bolsonaro para Biden

Enfim Bolsonaro resolveu notar a existência do Biden e mandou uma cartinha, justamente no dia de sua posse, aos 49 do segundo tempo:

“Tenho a honra de cumprimentar Vossa Excelência neste dia de sua posse como 46º presidente dos Estados Unidos da América.” [O Globo]

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O Brasil e os EUA são as duas maiores democracias do mundo ocidental. Nossos povos estão unidos por estreitos laços de fraternidade e pelo firme apreço às liberdades fundamentais, ao estado de direito e à busca de prosperidade através da liberdade.

Vai ver é por isso que os dois países são muito próximos do Bin-salman, o sujeito que fez picadinho de jornalista e proíbe o catolicismo em seu país.

Pessoalmente, também sou de longa data grande admirador dos Estados Unidos e, desde que assume a Presidência, passei a corrigir os equívocos de governos brasileiros anteriores, que afastaram o Brasil dos EUA, contrariando o sentimento de nossa população e os nossos interesses comuns. Assim, inspirados nesses valores compartilhados, e sob o signo da confiança, nossos países têm construído uma ampla e profunda parceria.

Por falar em confinaça Bolsonaro dia desses disse que teve “muita fraude” na eleição que elegeu Biden. Haja confiança!

Rola um bla bla bla e…

Nas organizações econômicas internacionais, o Brasil está pronto para continuar cooperando com os EUA para a reforma da governança internacional. Isso se aplica, por exemplo, à OMC, onde queremos destravar as negociações e evitar as distorções de economias que não seguem as regras de mercado. Na OCDE, com o apoio dos EUA, o Brasil espera poder dar contribuição mais efetiva e aumentar a representatividade da organização.

Na OMC o Brasil abriu mão de tratamento privilegiado – sabe como é, país de terceiro mundo – em troca da entrada na OCDE. Trump nada fez e o próximo na fila é a Argentina, cujo presidente ligou para Biden no dia em que as emissoras deram a vitória ao Biden.

Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou seu compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais

Biden certamente não leu a carta, mas se tivesse lido teria ado risada nessa parte aí de cima. E Bolsonaro alguams vezes ameaçou sair do Acordo de Paris, pra emular seu ídolo laranja.

Para o êxito no combate à mudança do clima, será fundamental aprofundar o diálogo na área energética. O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e, junto com os EUA, é um dos maiores produtores de biocombustíveis. Tendo sido escolhido país líder para o diálogo de alto nível da ONU sobre Transição Energética, o Brasil está pronto para aumentar a cooperação na temática das energias limpas.

Imagine essa diplomacia do Enresto liderando “diálogo de alto nível na ONU”

É minha convicção que, juntos, temos todas as condições para seguir aprofundando nossos vínculos e agenda de trabalho, em favor da prosperidade e do bem-estar de nossas nações. O Brasil alcançou sua Independência em 1822, e os EUA foram o primeiro país a nos reconhecer.”

E o Bolsonaro foi o último grande líder a ligar para Bolsonaro.

Ao desejar a Vossa Excelência pleno êxito no exercício de seu mandato, peço que aceite, Senhor Presidente, os votos de minha mais alta estima e consideração.

O Biden:

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6. Covid-17

Quem seria maluco de assumir o lugar do Pazuello e ser o ajudante de ordens do Bolsonaro depois dessa asfixia coletiva em Manaus?!

“Mesmo com o crescente desgaste de Eduardo Pazuello, alguns parlamentares avaliam não haver clima para o afastamento do ministro pelo Congresso. “Induziria que o próximo a ser responsabilizado seria o presidente. O ministro diz que está cumprindo ordens”, diz o senador Major Olímpio (PSL-SP).” [Estadão]

E olha os criminosos verde-oliva queimando provas loucamente:

“O Ministério da Saúde retirou do ar nesta quinta-feira (21) um aplicativo indicado a profissionais de saúde e que recomendava remédios sem eficácia contra a Covid, como a cloroquina. A justificativa da pasta para a retirada é que o sistema havia sido ativado “indevidamente”. A partir do preenchimento de um formulário eletrônico com os sintomas do paciente, o aplicativo TrateCOV sugeria a prescrição de medicamentos como hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina em qualquer idade, inclusive para bebês, e em situações diversas, não só para Covid-19. Estudos, no entanto, já descartaram que o remédio tenha eficácia contra a doença. A medida gerou reação de entidades médicas, inclusive de algumas que até então vinham adotando posições mais alinhadas ao governo ou evitando manifestações sobre o tema. Em nota divulgada nesta quarta (21), o Conselho Federal de Medicina disse que alertou ao Ministério da Saúde sobre “inconsistências” na ferramenta e pediu que fosse retirada do ar. A posição ocorreu após análise feita por conselheiros e assessores técnicos e jurídicos. No último ano, o conselho emitiu um parecer que autorizava a prescrição de cloroquina em alguns casos, embora citasse não haver comprovação de eficácia. Já nesta quarta, o conselho afirma na nota que o TrateCov “assegura a validação científica a drogas que não contam com esse reconhecimento internacional”.” [Folha]

Os médicos que ecoaram as loucuras presidenciais também têm que assinar o B.O..

E olha o desespero deles:

“Questionado, o ministério disse, em nota, que a plataforma foi lançada como um projeto-piloto “e não estava funcionando oficialmente, apenas como um simulador”. “No entanto, o sistema foi invadido e ativado indevidamente, o que provocou a retirada do ar, que será momentânea”, disse. A pasta, porém, não deu prazo, nem informou quais seriam as possíveis alterações no modelo. Apesar de dizer que havia sido ativada indevidamente, a ferramenta havia sido lançada pelo próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante evento em Manaus, e citada em informativos da pasta em 13 de janeiro.”

Não funcionava oficialmente mas foi apresentado… oficialmente!

“Embora cite que a missão é “auxiliar”, a plataforma, além de indicar remédios sem comprovação, exigia que médicos dessem justificativa caso não indicassem os remédios. Até a data de lançamento, 342 profissionais haviam sido habilitados para uso da ferramenta, segundo o ministério.”

EU sou otimista e tô achando que veremos Pazuello condenado. E preso.

“O Instituto Butantan informou hoje que não endossa a proposta de adiar a segunda dose de aplicação da vacina Coronavac para ampliar o número de pacientes vacinados. A sugestão, que foi mencionada nesta quinta-feira (21) pelo secretário municipal de saúde do Rio, Daniel Soranz, não está de acordo com o que os desenvolvedores da vacina recomendam, informou hoje o Butantan por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo o Instituto, o estudo clínico da vacina foi projetado para avaliar a eficácia do produto com duas aplicações num intervalo de 14 a 28 dias, e não é possível tirar conclusão sobre a resposta imune de pacientes que passem um período muito mais longo entre as duas doses. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirmou hoje também que não recomenda a prática do adiamento da segunda dose da Coronavac. A eficácia geral da vacina contra adoecimento foi de 50,4% e a proteção contra casos graves foi de 78%, mas só dentro do regime de duas doses. — Não há dados científicos que sustentem uma decisão de dar a segunda dose da CoronaVac num intervalo diferente daquele entre duas e quatro semanas — disse ao Globo o diretor da entidade, Renato Kfouri, que analisou os dados da pesquisa — Os estudos de fase 2 mostraram uma pequena vantagem em dar na quarta semana após a primeira, mas são estudos menores. E os estudos de fase 3, de eficácia, foram realizados no prazo de 14 dias. Então, não existe base para nada diferente disso — afirmou. Soranz disse hoje que “há uma discussão científica” sobre a possibilidade de manipular a estratégia de dosagem da vacinação, mas esta vem ocorrendo mais com outras vacinas que não a Coronavac. A maioria das vacinas de Covid-19 que estão em fase 3 de pesquisa são projetadas para regime de duas doses. Diante da falta de imunizante para vacinar grandes população, outros países já começaram a discutir a estratégia de adiar a segunda dose, o que permitiria cobrir um público maior com a primeira. Saber se a tática do adiamento surte efeito, porém, requer estudos específicos, que já começaram a ser feitos para algumas vacinas de Covid-19, afirma o Instituto de Vacinas Sabin, de Washington (EUA). — Até a gente ter esses resultados, fazer isso pode ser um tiro no pé — afirma a cientista brasileira Denise Garrett, vice-presidente do instituto. — Não dá para tentar isso com qualquer vacina. É um jogo muito arriscado, e isso nunca seria considerado se a gente nae estivesse numa situação tão crítica — completa a médica. Segundo Denise, um outro risco associado a estender o período para aplicação da segunda dose é o de dar espaço para vírus sofrer mais mutações e adquirir características de resistência, ao sobreviver à seleção natural de uma imunidade parcial.[O Globo]

E deu ruim em Israel:

“O Reino Unido, que começou sua campanha de imunização contra a Covid-19 usando o imunizante da Pfizer, que teve eficácia acima de 95% para o regime de duas doses. A eficácia da dose única no Reino Unido, porém, ainda é mal conhecida. Em Israel, que já vacinou uma parcela grande da população com a primeira dose da Pfizer, a estratégia não parece estar dando certo. A Pfizer havia estimado que a dose única poderia atingir 52% de eficácia, mas na prática o resultado foi outro. “É menos eficaz do que imaginamos”, afirmou Nachman Ash, chefe do programa de combate à Covid-19 do país, em entrevista à rádio do Exército Israelense reproduzida por outros veículos de imprensa. Segundo o médico, o país tem registrado vários casos de infecção entre indivíduos que receberam a segunda dose.”

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7. “Uma escolha muito difícil”

Pouco mais de dois anos depois…

“Está claro para um número cada vez maior de cidadãos que Jair Bolsonaro não reúne mais condições de continuar na Presidência e que sua permanência no poder põe em risco a vida de incontáveis brasileiros em meio à pandemia de covid-19, em razão de sua ignominiosa condução da crise. O mais inepto presidente da história pátria só se segura no cargo, do qual jamais esteve à altura, porque ainda não foram reunidas as condições políticas para seu afastamento constitucional.” [Estadão]

Quem poderia imaginar isso antes de 2018, né, Estadão?!

“Essas condições políticas dependem majoritariamente de um entendimento não em relação aos muitos crimes de responsabilidade que Bolsonaro já cometeu, hoje mais que suficientes para um robusto processo de impeachment, e sim em relação ao projeto de país que se pretende articular para substituir o populismo raivoso do bolsonarismo. Nunca é demais lembrar que o bolsonarismo só triunfou na campanha presidencial de 2018 porque as forças de centro não foram capazes de apresentar uma alternativa eleitoralmente poderosa ao PT, enquanto Jair Bolsonaro falava abertamente em “fuzilar” petistas. Depois de tantos anos de empulhação lulopetista, marcados por corrupção, arrogância e incompetência, o eleitorado se deixou seduzir pela “autenticidade” de Bolsonaro, que espertamente se apresentou como o único capaz de derrotar Lula da Silva e impedir a volta do PT ao poder.”

Boulos GIF

Porra, NÃO FODE, que vontade de esfregar a vortação do primeiro turno na cara de quem escreveu isso.

E tá bom de editorial do Estadão, cabou!

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8. Congresso

Que diabos se passa na cabeça do PT pra apoiar um sujeito que usa essas palavras?!

“A pandemia foi tão severa e de tão difícil solução que fez com que todos os países do mundo errassem. Acho que houve erros em todos os países, em todos os estados, todos os prefeitos. É um chamado erro escusável, afinal das contas era algo novo, algo difícil.” [Folha]

Se ele fosse um parlamentar alemão, francês tudo bem, mas no Brasil de Bolsonaro e Pazuello?! DO presidente que sabota de forma metódica toda e qualquer forma de combater o vírus?!

“De fato, recebi a manifestação de simpatia por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro. Recebi bem essa manifestação e a interpreto como uma boa sinalização de que, na Presidência do Senado, nós teremos um diálogo franco, aberto, respeitoso entre os dois Poderes. Mas com uma premissa básica: a independência do Senado Federal.”

E Guedes não deve ter gostado dessa parte:

Auxílio emergencial foi uma medida necessária no ano de 2020, no âmbito da calamidade pública.Teve um significado grande para a população brasileira, mas ao mesmo tempo houve um grande ônus para as contas públicas. Para o ano de 2021, é evidente que precisamos ter responsabilidade fiscal, observância do teto de gastos públicos, mas não podemos nos esquecer da necessidade de socorrer as pessoas que são herdeiros dessa maldição que é a pandemia. Portanto, é preciso ter um colchão social. Se será com auxílio emergencial, com incremento do Bolsa Família, essa será uma discussão que será feita na primeira semana de fevereiro, com o Congresso será novamente protagonista disso, obviamente respeitando a posição do governo. Então é isso que vamos buscar: compatibilizar a rigidez fiscal com a necessidade de socorrer essas pessoas que estão vulnerabilizadas socialmente”

O que me leva ao Armínio Fraga:

“Um país mais arrumado não retiraria todo o auxílio de uma vez. É meio como uma cortisona na medicina. Você deu uma dose enorme, e talvez até exagerada. No entanto, agora, a falta de espaço fiscal e de credibilidade cria um constrangimento para que se reintroduza o estado de calamidade em 2021. A minha expectativa é que o governo seja reativo. Se os problemas se mostrarem mais graves, pode ser que se aprove algum coisa na ponta da faca, no medo.[Folha]

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9. QAnon

Esse texto é uma pérola:

“Seguidores da QAnon, teoria da conspiração pró-Trump, passaram semanas antecipando que esta quarta-feira seria o “Grande Despertar” — um dia, há muito previsto na profecia de QAnon, em que os democratas importantes seriam presos por comandar uma rede global de tráfico sexual e o presidente Donald Trump ocuparia um segundo mandato. Mas quando o presidente Joe Biden assumiu o cargo e Trump desembarcou na Flórida, sem nenhuma prisão em massa à vista, alguns seguidores da teoria conspiratórioa lutaram para harmonizar as falsidades com a posse em suas TVs. Alguns tentaram refazer suas teorias para acomodar uma transferência de poder para Biden. Vários grandes grupos QAnon discutiram nesta quarta-feira a possibilidade de que eles estivessem errados sobre Biden e que o novo presidente fosse, na verdade, parte do esforço de Trump para derrubar a cabala global. “Quanto mais penso sobre isso, acho que é muito possível que Biden seja quem puxa o gatilho”, escreveu uma conta em um canal QAnon no aplicativo de mensagens Telegram. Outros expressaram raiva com os influenciadores do QAnon, que disseram aos seguidores para esperar um desfecho dramático no dia da posse. “Muitos jornalistas do YouTube perderam muita credibilidade”, escreveu um participante em uma sala de bate-papo de QAnon. Outros ainda tentaram mudar a balizas da meta e simplesmente disseram a seus colegas “anons” (de “anônimos”, em português) para aguentar e esperar por desenvolvimentos futuros não especificados.”Não se preocupe com o que acontecerá às 12h”, escreveu um influenciador do QAnon. “Veja o que acontece depois disso.” E alguns pareceram perceber que foram enganados. “Acabou”, escreveu um participante da sala de bate-papo de QAnon, logo após a posse de Biden. “Acorde”, escreveu outro. “Nós fomos enganados.” Seguidores que esperavam a orientação de “Q”, pseudônimo de um usuário do grupo de mensagens cujas postagens impulsionam o movimento, certamente ficarão desapontados. A conta do líder conspirador ficou em silêncio por semanas e não havia postado nada nesta quarta-feira. Ron Watkins, um importante impulsionador da QAnon que alguns suspeitavam ser o próprio “Q”, postou uma nota de demissão em seu canal do Telegram na tarde de hoje. “Temos um novo presidente empossado e é nossa responsabilidade como cidadãos respeitar a Constituição”, escreveu ele. “Ao entrarmos no próximo governo, por favor, lembre-se de todos os amigos e lembranças felizes que fizemos juntos nos últimos anos.”” [O Globo]

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>>>> A mamata acabou, parte 1: “Vendedora de açaí e aliada da família presidencial, Walderice da Conceição, que adota o nome político de Wal Bolsonaro, ganhou um cargo comissionado na Prefeitura de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio. A portaria foi assinada pelo prefeito reeleito, Fernando Jordão (MDB), no Diário Oficial desta terça-feira e serve como espécie de prêmio de consolação. Walderice foi a única candidata à Câmara de Angra a receber o apoio declarado do presidente Jair Bolsonaro na eleição passada, mas, mesmo assim, amealhou 266 votos e não conseguiu uma cadeira – o insucesso do presidente se repetiu também com candidatos a prefeito em diferentes capitais. Longe do Legislativo, Walderice ganhou do prefeito Fernando Jordão, aliado de Bolsonaro, o cargo comissionado de “Coordenadora Técnica da Vila Histórica”, subordinado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade de Angra dos Reis. Segundo a tabela da prefeitura, Wal Bolsonaro receberá R$ 3.323,44 mensais como remuneração pelo novo cargo. Uma reportagem da Folha de S. Paulo publicada em 2018 mostrou que, mesmo lotada no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro, Wal do Açaí, como é conhecida em Angra, trabalhava normalmente em sua loja de alimentos na região. Procurada, a Prefeitura de Angra dos Reis informou que Walderice Santos da Conceição foi nomeada coordenadora dos serviços públicos da Vila Histórica de Mambucaba. E que “será responsável por supervisionar a manutenção das vias, a limpeza pública e fazer a interlocução com escola e posto de saúde”. Assim como todos os coordenadores de bairro da cidade de Angra, diz a nota da prefeitura, Walderice terá metas a cumprir. E, assim como todos, “se não for produtiva, será substituída”.” [O Globo]

>>>> A mamata acabou, parte 2: “Waldir Luiz Ferraz, assessor de Jair Bolsonaro desde os anos 1980, acaba de ganhar um cargo no governo do Rio de Janeiro. É o que mostra o Diário Oficial do estado nesta quinta-feira. Conhecido como Jacaré, o amigão de Bolsonaro foi nomeado para a função de assessor especial “símbolo DG”, cuja remuneração gira em torno de 12 a 14 mil reais. Procurado pelo Radar, Waldir confirmou a nomeação e disse que irá atuar como assessor de imprensa. O abrigo ao faz-tudo do presidente foi oferecido, é claro, pelo governador em exercício Claudio Castro — em busca frequente por demonstrações de proximidade com o clã Bolsonaro. Jacaré chegou a se candidatar nas últimas eleições à Câmara de Vereadores do Rio…mas ficou de fora. Nada como um padrinho no Palácio do Planalto.” [Veja]

>>>> Não aceita em dinheiro vivo, Patrícia! “O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi condenado a indenizar a jornalista Patrícia Campos Mello, repórter da Folha, em R$ 30 mil por danos morais. A decisão desta quarta-feira (20) é do juiz Luiz Gustavo Esteves, da 11ª Vara Cível de São Paulo. Ele ainda determinou o pagamento de custas processuais e honorários advocatícios no valor de 15% da condenação. Cabe recurso. A repórter acionou a Justiça após ataque, com ofensa de cunho sexual, feito numa live e em publicação em rede social. Em transmissão ao vivo, Eduardo afirmou que a jornalista “tentava seduzir” para obter informações que fossem prejudiciais ao seu pai. A live foi ao ar pelo canal do YouTube Terça Livre TV em 27 de maio do ano passado. Na sentença, Esteves afirma que Eduardo Bolsonaro, “ocupando cargo tal importante no cenário nacional –sendo o deputado mais votado na história do país, conforme declarado na contestação– e sendo filho do atual presidente da República, por óbvio, deve ter maior cautela nas suas manifestações, o que se espera de todos aqueles com algum senso de responsabilidade para com a nação”. Em especial, acrescenta o magistrado, “nesse momento tão sensível pelo qual passamos, com notícias terríveis sendo divulgadas pela imprensa todos os dias, muitas das quais, diga-se de passagem, poderiam ter sido evitadas, com o mínimo de prudência das figuras públicas, sem divulgação, aqui sim, de fake news”.​ Ao atacar a repórter, o deputado afirmou: “É igual a Patrícia Campos Mello. Fez a fake news de 2018, para interferir na eleição presidencial, entre o primeiro e segundo turno, e o que ela ganhou de brinde? Foi morar no Estados Unidos, correspondente, né? Acho que da Folha de S.Paulo, lá nos Estados Unidos”. “Essa Patrícia Campos Mello, que, vale lembrar, tentou seduzir o Hans River. Não venha me dizer que é só homem que assedia mulher não, mulher assedia homem, tá. Tentando fazer uma insinuação sexual para obter uma vantagem, de entrar na casa do Hans River, ter acesso ao laptop dele e tentar ali, achar alguma coisa contra o Jair Bolsonaro, que não achou”, completou Eduardo. Nessa afirmação, o deputado mencionou Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa, que mentiu e insultou Patrícia em uma sessão da CPMI das Fake News, no Congresso, em fevereiro. Hans trabalhou para a Yacows, empresa de marketing digital, na campanha eleitoral de 2018. Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha mostrou que uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e, assim, conseguir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos. Essa apuração jornalística foi baseada em documentos da Justiça e em relatos de Hans. Ele, porém, deu declarações inverídicas e insultou a jornalista na CPMI, ao insinuar que ela buscava informações “a troco de sexo”. A ofensa de cunho sexual já havia levado Patrícia a apresentar ação de indenização por danos morais contra Hans e outras três pessoas que aproveitaram a fala dele para promover insultos à repórter: o presidente Jair Bolsonaro, o deputado estadual André Fernandes (Republicanos-CE) e Allan dos Santos, blogueiro e apresentador do canal Terça Livre no YouTube.” [Folha]

Dia 750 | O general Augusto Aras | 20/01/21

Logo menos sai o podcast, os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. O general Augusto Aras

Foi só o papo de impeachment ganhar tração e o advogado presidencial já foi logo honrar seus gordos honorários. Olha a cartinha do Aras em nome da Procuradoria Geral da República

“O Decreto Legislativo 6, de 20 de março de 2020, reconheceu o estado de calamidade pública no país até 31 de dezembro de 2020. Em 30 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) estendeu a validade dos dispositivos da Lei 13.979/2020, que estava vinculada ao prazo do Decreto Legislativo 6, mantendo em vigor as medidas sanitárias para combater a pandemia da covid-19. O estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa.” [Folha]

Caralho, que porra é essa, Brasil?!

O estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa.”

Tem general nesse governo mais discreto que o Aras.

“Pela Constituição, no artigo 136, cabe ao presidente da República decretar o Estado de Defesa para, por exemplo, “restabelecer a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional”. Com a medida, o presidente se autoconcede o poder de determinar pesadas restrições até aos direitos de reunião e aos sigilos de correspondência e de comunicação telefônica e telegráfica.” [Estadão]

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Sim, eis a sugestão do Aras nada discreta. Bolsonaro vive dizendo dever lealdade ao povo, não à constituição, e dia desses voltou com o papo que a democracia é uma concessão dos militares, são eles que decidem quando os tempos serão democráticos ou não

Aposto que Aras escreveu isso aí fardado, repare:

A Constituição Federal, para preservar o Estado Democrático de Direito e a ordem jurídica que o sustenta, obsta alterações em seu texto em momentos de grave instabilidade social. A considerar a expectativa de agravamento da crise sanitária nos próximos dias, mesmo com a contemporânea vacinação, é tempo de temperança e prudência, em prol da estabilidade institucional.”

A única explicação é que Aras desesperou. E algo me diz que a gente deveria desesperar também.

Segmentos políticos clamam por medidas criminais contra autoridades federais, estaduais e municipais.”

Sim, ele usou o verbo “clamar“!

O procurador-geral da República, no âmbito de suas atribuições e observando as decisões do STF acerca da repartição de competências entre União, estados e municípios, já vem adotando todas as providências cabíveis desde o início da pandemia. Eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo.”

Sim, ele tá dizendo que nada pode fazer contra o mais criminoso dos presidentes, aquele que ostenta a mais vasta coleção de crimes de responsabilidade da história. Aras, aquele que já reinterpretou o 142 com o exotismo dos fardados, resolveu reinterpretar a constituição toda

Desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil, o PGR criou o Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19 (Giac), que, juntamente com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), estabeleceu diálogo e integração entre segmentos da sociedade e autoridades em todos os níveis de governo, resolvendo questões emergenciais no cotidiano dos serviços de saúde. Também tem realizado a fiscalização de verbas destinadas ao enfrentamento da pandemia, em trabalho conjunto com todo o Ministério Público brasileiro e com os tribunais de contas, e abriu inquéritos criminais contra oito governadores suspeitos de desvios, tendo um deles sido afastado do cargo. As medidas intensificaram-se nos últimos dias, diante do grave quadro registrado em Manaus devido à falta de oxigênio medicinal em hospitais. O PGR abriu investigação criminal sobre atos envolvendo o governador do estado do Amazonas, o prefeito atual e o ex-prefeito de Manaus por suposta omissão. Requisitou a instauração, pelo Ministério da Saúde, de um inquérito epidemiológico e sanitário, instrumento usado pela primeira vez, embora esteja previsto na lei desde 1975. Solicitou esclarecimentos ao ministro da Saúde sobre sua atuação quanto à falta de oxigênio na capital amazonense. Neste momento difícil da vida pública nacional, verifica-se que as instituições estão funcionando regularmente em meio a uma pandemia que assombra a comunidade planetária, sendo necessária a manutenção da ordem jurídica a fim de preservar a estabilidade do Estado Democrático.”

Alguém colocou a ordem jurídica em xeque de fato?! O que o Aras sabe que a gente não sabe?!

O PGR continuará investigando atos ilícitos e contribuindo para que a ordem jurídica, centrada na Constituição e nas leis do país, seja observada, a fim de que não haja o alastramento da crise sanitária para outras dimensões da vida pública.”

Finda a carta do Aras vamos á repercussão:

“Portanto, a pergunta que fica no ar é clara: o procurador-geral da República, apontado como aliado e defensor do presidente Jair Bolsonaro, considera seriamente a hipótese de instabilidade institucional, com crise social, econômica e política e até distúrbios de rua no País? Por telefone, Aras disse que sua intenção “foi alertar que não vivemos um período de normalidade”. Segundo ele, “a segunda onda da pandemia está vindo muito forte e devemos ter temperança e prudência para que a pandemia não gere outros problemas tão ou ainda mais graves”. Em Brasília, a interpretação é que Aras sentiu o peso da pressão e refletiu o que todos sentem neste momento: quanto mais a pandemia se alastra e faltam vacinas por culpa direta de Bolsonaro, mais crescem a reação do Supremo e a pressão pelo impeachment do presidente. O temor é que Bolsonaro tente retaliar com alguma medida de exceção. Na nota, Aras destacou que os processos por crime de responsabilidade de agentes públicos, inclusive do presidente da República, cabem ao Legislativo, não à PGR. Boa lembrança, quando os candidatos de Bolsonaro, deputado Arthur Lira (PP-AL) e senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), são favoritos para as presidências das duas casas do Congresso. No Senado, aliás, com apoio do PT, o principal partido de oposição.”

Parabéns ao PT por apoiar à presidência de uma das casas legislativas o candidato do Bolsonaro…

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“Seis subprocuradores-gerais da República que integram o Conselho Superior do Ministério Público Federal manifestaram nesta quarta, 20, preocupação com afirmação do procurador-geral da República Augusto Aras de que o estado de calamidade pública decretado em função da pandemia do novo coronavírus é uma ‘antessala’ do estado de defesa – instituto que estabelece diferentes medidas coercitivas e suspende garantias constitucionais. Segundo os subprocuradores-gerais, Aras precisa ‘cumprir o seu papel de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e de titular da persecução penal, devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo e sem excluir previamente, antes de qualquer apuração, as autoridades que respondem perante o Supremo Tribunal Federal, por eventuais crimes comuns ou de responsabilidade’. “A defesa do Estado democrático de direito afigura-se mais apropriada e inadiável que a antevisão de um “estado de defesa” e suas graves consequências para a sociedade brasileira, já tão traumatizada com o quadro de pandemia ora vigente”, registraram em nota os subprocuradores José Adonis Callou de Araújo Sá, José Bonifácio Borges de Andrada, José Elaeres Marques Teixeira, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Mario Luiz Bonsaglia e Nicolao Dino. [Estadão]

Os últimos três nomes estavam na lista tríplice que Bolsonaro usou pra limpar a bunda ao escolher o Aras, que nem se candidatou à lista:

Segundo os subprocuradores que reagiram ao posicionamento de Aras, a nota da PGR ‘parece não considerar a atribuição para a persecução penal de crimes comuns e de responsabilidade da competência da Supremo Tribunal Federal tratando-se, portanto, de função constitucionalmente conferida ao Procurador-Geral da República, cujo cargo é dotado de independência funcional’. O grupo destaca ainda que uma possível caracterização de crime de responsabilidade a ser analisado pelo Congresso Nacional, ‘não afasta a hipótese de caracterização de crime comum, da competência dos tribunais’.

Pessoal do STF também não entendeu:

“Ministros do Supremo Tribunal Federal ouvidos pelo blog nesta quarta-feira (20) reagiram com preocupação e espanto à nota do procurador-geral da República, Augusto Aras, em que ele afirma que eventuais atos ilícitos cometidos por autoridades da “cúpula dos poderes da República” durante a pandemia — e que gerem responsabilidade — devem ser julgados pelo Legislativo. O ministro Marco Aurélio Mello lembrou uma declaração que deu em 2017. Na ocasião, ele afirmou que, se o então deputado federal Jair Bolsonaro fosse eleito, “temia” pelo Brasil. “Onde há fumaça há fogo. Crise de saúde, crise econômica, crise social e agora crise, aparentemente, política. Não vejo com bons olhos esse movimento de quem precisa ser visto como fiscal maior da lei. Receio pelo Estado de Direito. Volto à palestra que fiz no encerramento de Curso de Verão na Universidade de Coimbrã, em julho de 2017. Disse que, ante a possível eleição, como Presidente da República, do então Deputado Federal Jair Bolsonaro, temia, esse foi o vocábulo, pelo Brasil. Premonição? Certamente não”. Outro ministro ouvido pelo blog, reservadamente, afirma que se surpreendeu com a nota de Aras. Ele avalia que o PGR “respondeu a uma pergunta que não foi feita”, a respeito do estado de defesa e que, ao contrário do que diz, cabe sim ao PGR a responsabilidade de uma eventual investigação criminal, tanto do presidente da República como do ministro da Saúde. Na avaliação desse magistrado, o STF sempre trabalhou para regular e evitar situações excepcionais durante a pandemia- como o estado de sítio ou de defesa. E afirma que, no começo de 2020, havia estudos entre militares para decretar o estado de sítio.”

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Uma das hipóteses nos bastidores é a de que Aras teria sinalizado com anuência para uma eventual medida nesse sentido por parte do Executivo- o que é rechaçado pelo STF. “Se você autoriza, como volta depois? É uma aventura tola se for ideia para sinalizar a Bolsonaro. O STF referendou medidas restritivas sem lançar mão do estado de sítio. Isso militarizaria toda a temática e o governo começaria a operar dentro de poderes excepcionais. O que temos é o presidente fazendo uma grande confusão com as medidas de combate à pandemia”, afirmou um ministro ao blog nesta quarta.

Tudo isso tocado por generais, os mesmos generais que ameaçaram golpe na véspera do julgamento do Lula.

A nota da PGR não menciona diretamente a hipótese de impeachment, mas a Constituição estabelece que cabe ao Congresso julgar casos de crime de responsabilidade cometidos por autoridades. Questionada pela TV Globo, a assessoria da PGR informou que o texto é uma resposta a cobranças por uma atuação pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. No STF, ministros não acreditam em clima para impeachment no Congresso, mas temem o crescimento da instabilidade política se a falta de coordenação na pandemia – como o atraso na vacinação – ocorrer. Um grupo na corte acredita, no entanto, que o ministro da Saúde pode ser responsabilizado em algum grau pela tragédia em Manaus, já que documentos oficias comprovam que a pasta sabia da falta de oxigênio desde o dia 8 de janeiro.” [G1]

Só por isso?!

Ah, e sabe a frase presidencial sobre as forças armadas decididerem se um país vive numa democracia ou não?

“Seis dos dez integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal afirmaram nesta quarta-feira que o presidente Jair Bolsonaro fez uma afronta clara à Constituição ao afirmar que são as Forças Armadas quem decidem se o país terá ou não democracia. “Tivemos recente declaração do Senhor Presidente da República, em clara afronta à Constituição Federal, atribuindo às Forças Armadas o incabível papel de decidir sobre a prevalência ou não do regime democrático em nosso País”, escrevem, em nota divulgada em resposta a posicionamentos do procurador-geral da República, Augusto Aras.” [O Globo]

Daqui em diante eu só me refiro ao Aras como general.

“A rejeição ao governo de Jair Bolsonaro cresceu 12% no Sudeste no último mês, a maior alta entre as cinco regiões, de acordo com a pesquisa XP/Ipespe de janeiro, divulgada nesta segunda-feira. Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados da região consideram a gestão Bolsonaro “ruim” ou “péssima”. Em dezembro, eram 32%. As outras regiões tiveram variações dentro da margem de erro: Nordeste, com aumento de 41% para 43%; Norte e Centro Oeste — estas calculadas juntas —, de 30% para 32%; e Sul, de 34% para 35%. Já as regiões Norte e Centro-Oeste foram as que registraram a maior queda no número de pessoas que consideram o governo Bolsonaro “bom” ou “ótimo”: o percentual caiu de 40% para 26%. Também tiveram queda na taxa Sudeste (de 39% para 32%) e Sul (de 40% para 34%). O Nordeste apresentou estabilidade (de 34% para 35%). Foram feitas mil entrevistas com abrangência nacional, no período de 11 a 14 de janeiro. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.” [Época]

E eles continuam otimistas…

“O governo de Jair Bolsonaro acredita que a popularidade do presidente vai cair ainda mais até meados do ano. A razão: o fim do auxílio emergencial, o provável aprofundamento das crises sanitária e econômica com a aceleração de casos de Covid-19 no país e as derrapadas em relação à vacina que pode combater a doença. A opinião é de ministros e auxiliares próximos do presidente. Eles afirmaram à coluna que a queda, no curto prazo, já é considerada irrefreável. Um ministro diz ser “óbvio” que a repercussão da aprovação das vacinas foi boa para Doria e ruim para Bolsonaro, que chegou a ironizar a Coronavac e nunca demonstrou grande entusiasmo em relação às vacinas em geral. Na opinião dos auxiliares, Bolsonaro pode começar a recuperar popularidade no meio do ano, se a economia deslanchar com o controle da crise sanitária.” [Folha]

Aham, a vacinação engatinha mas a partir do segundo semestre o Brasil votará a voar, como sempre fala o Guedes. Voar rumo ao abismo.

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2. Malditos Milicos

Bolsonaro esteve na Base Aérea em Brasília para a cerimônia de 80 anos da FAB e o tópico de cima vai ficar ainda mais absurdo:

O Brasil vem experimentando mudança ao longo dos últimos dois anos. Uma das mais importantes: temos um presidente da República que, juntamente com seu Estado Maior, ministros, acreditam em Deus, respeitam os seus militares, fato raro nas últimas três décadas em nosso país. E também deve lealdade absoluta ao seu povo.[Folha]

Nem fodendo, qualquer presidente deve lealdade à constituição, isso sim.

“Nós, militares das Forças Armadas, seguimos o norte indicado pela nossa população. Nós nos orgulhamos disso. Eu me orgulho das Forças Armadas e assim diz nosso povo em todos os momentos que é chamado a falar sobre ela”, afirmou o presidente em seu discurso. Bolsonaro disse que a Força Aérea nasceu “combatendo o nazismo e o fascismo” durante a Segunda Guerra Mundial e que mostrou desde o início de que lado estava. “Estava do lado da democracia e da liberdade”, afirmou. Em um trecho mais político de sua fala, Bolsonaro disse que, quando é atacado, “dependendo de onde vêm estes fogos, tenho certeza que estamos no caminho certo”. “Eu prego e zelo pela união de todos, pelo entendimento, pela paz e pela harmonia. Mas, os poucos setores que teimam remar em sentido contrário, tenho certeza, vocês perderão”, afirmou.”

Sim, Bolsonaro prega pela união, pelo entendimento, pela paz e pela harmonia. E também pelo comunismo, claro.

“Podemos dizer, como sempre, o papel da nossa Força Aérea. Só no corrente ano, o que fizeram pelo próximo, podemos citar o socorro aos nossos irmãos de Manaus, que passavam momentos difíceis. E a nossa Força Aérea, transportando em suas asas meios materiais e gente para socorrer os nossos irmãos. Também a nossa Força Aérea, nesta primeira parte da entrega de vacinas no Brasil, cumpriu sua missão no dia D-1. Isso é motivo de orgulho, tendo em vista o seu planejamento, a sua organização, o seu patriotismo e o seu sentimento de defesa dos direitos humanos”

Impeachment ganhando força e Mourão desandou a falar…

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“A questão da vacina foi politizada e, consequentemente, tomou uma proporção que não era para tomar. Eu há três meses falei que o governo iria comprar a CononaVac e comprou. Era lógico!” [Valor]

Se era lógico por que seu chefe e seu ministro da saúde cancelaram a compra de 100 milhões de doses?! Por que o preidnete saía por aí dizendo que não compraria a vacina chinesa e esculhambando os chineses?!

“Se nós temos algo que está sendo construído aqui no Brasil, que o próprio governo federal está colocando dinheiro para que o Butantan consiga produzir essa vacina… É uma discussão que foi levada única e exclusivamente para o lado político, de parte a parte, tanto do nosso lado quanto do lado do governo de São Paulo. E não teve resultado positivo no final das contas.”

Sim, ele tá assumindo que o governo politizou a pandemia, apenas isso.

“O pessoal [imprensa] baba sangue contra o Bolsonaro, e isso foi desde o dia 1 [do mandato]. Existe uma pressão muito grande em cima da pessoa do presidente.”

Quem baba sangue é o Bolsonaro, é quem louva torturador, é quem se vale dos verbos fuzilar, metralhar, quem diz que lugar da oposição é na ponta da praia. Quem baba sangue é quem diz a um jornalista que quer encher sua boca de porrada.

E se não aguenta a pressão…

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“Se você botar numa coluna do nosso governo, você vai ver que teve mais acertos do que erros. Teve erros, que são sobejamente conhecidos.”

Bem, não deve ser do conhecimento do governo, vide a política externa.

Mas vamos olhar, por que vamos fazer o impeachment? Vai chegar daqui ao ano que vem. E, se o governo dele não for bom, ele não será reeleito, caso seja candidato à reeleição. Porque ele pode chegar à conclusão: ‘não vai dar para mim’. Agora, é óbvio que se um presidente colocar em risco a integridade do território, a integridade do patrimônio, o sistema democrático e a paz social do país, ele tem que ser parado pelo sistema de freios existente.”

E o vice ACHA que o chefe não é autoritário:

“Eu acho que [Bolsonaro] não [representa uma ameaça institucional]. Existe talvez uma retórica que, dependendo da interpretação que você coloca, [interpreta que há] atentado à democracia, que o presidente está querendo uma insurreição. Mas não é isso.”

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Sobre as aglomerações presidenciais:

“Ele [Bolsonaro] não foi o responsável pelas pessoas saírem para a rua. Aí tem uma responsabilidade compartilhada entre todas as esferas de governo. Nenhum dos nossos governadores e prefeitos conseguiu implementar um lockdown para valer. Até porque no Brasil esse troço não dá. O Brasil é um país muito grande, muito desigual. Não é a França ou a Espanha, que você dá um grito em Madri e todo mundo ouve. Na China, o cara bota a força armada na rua, cerca, derruba a internet… É diferente daqui.”

É fascinante como os generais se confessam incapazes de impor a ordem. E é dessa confissão que vem a sugestão o Aras de um estado de calamidade, para que as Forças Armadas possam impor a tal ordem sem se preocupar com as consequências de suas ações.

“A gente [militares no governo] nunca será olhado única e exclusivamente como alguém que está na atividade política. Você sempre será olhado pela sua origem. Então, para o bem e para o mal, as nossa ações respingam nas forças. Isso é uma realidade. Eu não vejo dano institucional às Forças Armadas porque elas têm consciência da sua responsabilidade e da sua missão.”

Aham, dano institucional nenhum, imagina…

E Mourão culpa a… campanha eleitoral peloo caos em Manaus. É como se a nova cepa não existisse….

“Repique [de casos e mortes] aconteceu porque nós tivemos um processo eleitoral onde todo mundo se atirou numa campanha. E, depois, numa questão de festas de fim de ano onde todo mundo lavou as mãos e jogou a toalha nisso aí. Ou não lavou as mãos. Infelizmente aconteceu isso aí e compete ao Estado em todos os níveis buscar uma solução. Aí entra a questão logística da Amazônia.”

Sim, começou a chover na Amazônia só em 2020, e por isso ela virou uma ilha no meio da Amazônia, sem estradas…

“Já foi feito contato via MRE e governo chinês e nós estamos aguardando. Dentro de um gerenciamento de crise, você vai escalando conforme as cartas vão se esgotando. A partir do momento em que isso aí não avançar, por meio do mecanismo da Cosban, eu vou contatar o meu contraparte que é o vice-presidente Wang Qishan para que a gente avance nisso.”

Sobre o Biden:

“Temos que ajustar a nossa ligação, que até o presente momento foi muito feita em termos pessoais. Óbvio, a ligação pessoal é boa, mas não substitui de forma alguma as ligações institucionais que sempre houve entre os dois países. Nós temos que fazer com que essas ligações institucionais sejam dos entes públicos, do Itamaraty, do Ministério da Economia, mas também das instituições privadas, que têm os seus contatos com os americanos, de modo que a gente volte a ter um posicionamento bem pragmático e bem flexível em relação às políticas que vierem dos EUA. Nós temos que ter uma forma de reabrir o canal diplomático, de maneira que um posicionamento político de determinado momento não significa um posicionamento ad eternum. O que ficou para trás ficou para trás. Vamos zerar e buscar avançar a partir daqui.”

Isso, vamos zerar com Ernesto e Fiolipe no governo, né, general?

“Está tudo ligado à questão de a gente avançar com a vacinação. Se ficar bem definido agora nos próximos 30 dias que os insumos vão chegar, que nós vamos produzir a vacina e que a partir de abril a gente consegue entrar em um processo de vacinação em massa, vacinando 10 milhões, 12 milhões de pessoas por mês, a minha visão é que a gente chegaria ao final do ano com 150 milhões, 160 milhões de pessoas vacinadas. E, com isso, a gente resolveria o nosso problema. […] Ao mesmo tempo resolvida a questão da eleição das duas Casas do Legislativo, eu acho que a gente tem condições de fazer avançar as nossas propostas, dar uma injeção de ânimo na economia e começar a diminuir o desemprego.”.

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3. O 7 a 1 da geopolítica

E lá vamos nós rumo ao abismo diplomático:

“O governo de Jair Bolsonaro tentava, nesta semana, delimitar seu desentendimento com a China à embaixada do país asiático em Brasília. O argumento, disseminado por ministros do governo, é o de que Bolsonaro tem bom relacionamento com o presidente chinês Xi Jinping. E nada contra a China.” [Folha]

Aham, Bolsonaro adora a China, só não vai “comprar a vacina daquele país lá” já que “o vírus veio de lá“.

“Os desentendimentos seriam exclusivamente com o embaixador Yang Wanming. O diplomata é responsabilizado por ter feito postagens duras depois que o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, criticou a China —o que teria azedado a relação com o presidente. Por esse raciocínio, Eduardo, que é deputado federal, tem opinião própria —e irrelevante, já que não fala pelo pai. Deveria ser, portanto, ignorado, e um bom diplomata teria que saber disso.”

Os malucos acham que embaixadores chineses agem à revelia de Pequim e que as declarações do filho do presidente são irrelevantes!

Outro problema: os corpos diplomáticos teriam se aproximado demais de João Doria, irritando Bolsonaro. O governador paulista é hoje um dos principais adversários do presidente Interlocutores próximos à embaixada da China dizem que os argumentos de auxiliares do presidente beiram a infantilidade.”

Ora, se o governo federal vive de dar cotovelada nos chineses é natural que eles se aproximem do governador do maior estado do país, não?!

E que o embaixador Yang Wanming é um quadro chinês de primeira linha, forte e prestigiado em seu país. Bolsonaro tem urgência em reestabelecer boas relações com a China —é do país que vêm os insumos para as duas únicas vacinas contra a Covid-19 até agora disponíveis para o Brasil.

Ora, estranho seria se os chineses fossem cordiais com quem vive agredindo a China:

“O governo chinês tem atualmente tremenda má vontade em relação ao Brasil. A China se recuperou do que passou, mas eles têm um conceito de honra muito importante, é um dos pilares de sua estrutura. O governo brasileiro cutucou a honra desse país e isso não vai sair de graça. Quando começaram as primeiras manifestações do Bolsonaro e do filho, a embaixada reagiu de maneira contundente para os padrões chineses. Sei por experiência própria que nenhum diplomata se manifesta daquela maneira sem autorização do governo e principais autoridades do país. Desde então existe essa má vontade com relação ao governo atual.” [Estadão]

E dá-lhe porrada pra cima do Ernesto:

“O atraso na operação de envio de um avião para recolher vacinas na Índia e o risco de adiamento da produção de imunizantes no Brasil diante de travas impostas pela China para a exportação de insumos desencadearam um bombardeio de críticas ao chanceler Ernesto Araújo, que tem sido apontado por auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como corresponsável por episódios considerados vexames diplomáticos para o Brasil. Segundo auxiliares de Bolsonaro, que falaram sob condição de anonimato, a área de relações exteriores contribuiu para a derrota política de peso sofrida pelo Palácio do Planalto no fim de semana: o protagonismo praticamente isolado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no início da vacinação no Brasil. O governo vinha tentando antecipar desde dezembro um lote de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca produzidas em um laboratório indiano. O objetivo era que as doses fossem usadas para dar o pontapé na campanha de vacinação no Brasil. Uma cerimônia no Planalto estava sendo preparada para a ocasião. Ao longo de semanas, Araújo coordenou esforços para conseguir a liberação da carga a tempo de garantir o cronograma desejado pelo Planalto, mas não houve êxito e, até o momento, não há prazo para que isso ocorra. Em uma entrevista na segunda-feira (18), o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, chegou a mencionar o fuso horário como uma das dificuldades diplomáticas –Nova Déli está oito horas e meia à frente do Brasil.” [Folha]

Temos imagens exclusivas do Ernesto recebendo ligação da chancelaria indiana, uma grande confusão de fusos:

“Foram várias as gestões diplomáticas. Bolsonaro enviou uma carta ao premiê Narendra Modi​ em 8 de janeiro pedindo urgência na concessão da autorização e, dias depois, Araújo telefonou para seu contraparte no país asiático, Subrahmanyam Jaishankar. Na segunda (18), Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o embaixador da Índia, Suresh Reddy​, em novo apelo, mas, segundo Pazuello, a previsão seguia em um inconclusivo “deverá ser resolvido nos próximos dias desta semana”. A principal crítica contra Araújo é que ele deveria ter sido claro sobre as dificuldades políticas para que a Índia desse luz verde para a venda, uma vez que Nova Déli não quis possibilitar a venda antes de iniciar a sua própria campanha de vacinação —algo que ocorreu no sábado (16). Além do mais, os indianos estabeleceram um plano que prevê o envio de doses primeiro para nações vizinhas (Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e Seychelles). O comunicado divulgado pela chancelaria indiana não cita o Brasil. Interlocutores no Itamaraty próximos a Araújo defendem o chanceler das críticas e dizem que todas as informações foram prestadas. Eles afirmam ainda que o ministério mobilizou esforços, em Brasília e na embaixada em Nova Déli, para tentar viabilizar a entrega. Também alegam que o chanceler sempre defendeu que as conversas com os indianos ocorresse de forma discreta.”

Sim, Ernesto tá dizendo que a culpa é do Bolsonaro, que saiu espalhando por aí a compra das vacinas indianas antes da vacinação começar por lá.

“Pessoas que acompanharam as conversas ressaltaram que a ampla publicidade dada pelo governo —que chegou a adesivar o avião que realizaria a viagem— foram um obstáculo adicional nas negociações. O chanceler de Bolsonaro também virou alvo de queixas diante do risco de o país ver atrasada a produção de vacinas sem a chegada de matéria prima proveniente da China. Tanto o Butantan quanto a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) estão em alerta pelo represamento de insumos para os fármacos promovido pelo governo chinês. Ligado ao governo de São Paulo, o Butantan produz no Brasil a Coronavac, enquanto que a Fiocruz será a responsável por fabricar a Oxford/AstraZeneca. Pazuello e Doria já comentaram publicamente os atrasos e pediram sua liberação. A possibilidade de um impasse que atrase a vacinação no Brasil, particularmente o cronograma da Fiocruz, é visto no Palácio do Planalto como uma nova ameaça de revés para o governo Bolsonaro. E Araújo também virou vidraça de membros do governo que advogam por uma menor carga ideológica na condução da política externa do país. Eles se queixam que os constantes embates com a China criaram dificuldades de interlocução num momento em que o país depende da boa vontade de Pequim. O problema é que a retórica anti-China no governo vai além do chanceler: foi adotada pelo filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e pelo próprio mandatário. O ano passado foi marcado por embates entre autoridades do governo Bolsonaro, entre elas Araújo e o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub e o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. Numa das trocas de críticas públicas entre o embaixador e Eduardo, Araújo saiu em defesa do filho de Bolsonaro e classificou a reação do chinês como desproporcional. Interlocutores consultados pela Folha dizem que a relação de Araújo com o embaixador chinês é péssima e que o diálogo do Itamaraty com a missão diplomática em Brasília está interditado.”

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“Outros membros do governo, como a ministra Tereza Cristina (Agricultura) e o vice-presidente Hamilton Mourão, têm bom trânsito com os representantes da China no Brasil, mas a falta de um canal desobstruído com o ministério das Relações Exteriores é considerado um fator que dificulta a comunicação. Diplomatas ouvidos pela reportagem disseram que não é possível determinar se as dificuldades para a autorização dos insumos são uma resposta às declarações anti-China do governo Bolsonaro. “

Não, imagina, e daí que o presidente vive cuspindo nos chineses…

“Mas destacaram que é inquestionável que o atual clima político “no mínimo” não ajuda nas conversas. Pessoas próximas ao chanceler rebatem as críticas e afirmam que a situação com a matéria prima das vacinas é uma questão comercial, de excesso de demanda. Dizem que a situação política não interfere nas conversas e que o Itamaraty trabalha para garantir os insumos tanto para o Butantan quanto para a Fiocruz. No Planalto, a avaliação é que a derrota política de Bolsonaro para Doria será ainda maior caso o governo de São Paulo consiga agilizar o envio dos insumos para a produção da Coronavac e a Fiocruz continue enfrentando dificuldades. Esse cenário, dizem, tende a aumentar o protagonismo de Doria no processo de vacinação no Brasil. Nesta terça, em Ribeirão Preto (SP), o tucano não poupou críticas ao governo Bolsonaro. Ele atacou o fato de Bolsonaro ter colocado em dúvida a qualidade e a eficácia da Coronavac e lembrou que, até o momento, esta é a única vacina disponível no Brasil contra a Covid-19. “Onde estão as outras vacinas? Será que mais uma vez, além de falta de seringas, agulhas, falta de logística, testes desperdiçados com prazo vencido… Até quando vamos ter a incompetência do governo federal diante de uma pandemia que já levou a vida de mais de 215 mil brasileiros?”, questionou.”

E é inacreditável que o Brasil tenha se aliado aos países ricos e barrado a quebra de patentes em plena pandemia:

“A Índia vem deixando claro, nos últimos dias, que vender vacinas para o Brasil não é prioridade do país. Parte do motivo está na posição brasileira de não apoiar o país asiático em um pedido recente de suspensão temporária das patentes sobre suprimentos para o combate à Covid-19 – incluindo os imunizantes. Nos últimos dias, segundo fontes ouvidas pelo blog, o Brasil tentou reverter a posição, sem obter resposta da Índia. O Itamaraty foi procurado, mas ainda não tinha se manifestado oficialmente até a última atualização desta reportagem. Em outubro, a Índia apresentou uma proposta à Organização Mundial do Comércio (OMC) para a licença compulsória (quebra de patente) temporária de produtos relacionados ao combate da pandemia. Apesar da posição histórica do Brasil – considerado exemplo do uso desse tipo de quebra de patentes para medicamentos genéricos, no passado –, a decisão do governo Jair Bolsonaro foi de alinhamento aos Estados Unidos, à União Europeia e ao Japão. Com isso, a proposta da Índia, apoiada pela África do Sul, perdeu força. Segundo duas fontes da diplomacia brasileira ouvidas pelo blog, a posição brasileira causou mal-estar e, desde então, as relações entre a chancelaria brasileira e a indiana esfriaram bastante. A Índia deve exportar lotes de vacinas para seis países ainda esta semana, mas o Brasil não está nessa lista.” [G1]

Pra arrumar cloroquina Bolsonaro chamou o tradutor e ligou para o Modi. Mas quando é a vacina que salva vidas…

“Em abril, quando Jair Bolsonaro quis importar insumos para a produção de cloroquina – medicamento cujo uso é defendido pelo governo, mesmo sem ter eficácia contra a Covid-19 –, o presidente brasileiro chegou a ligar para o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Desta vez, para tratar das doses a serem trazidas do laboratório indiano Serum, o esforço presidencial se resumiu ao envio de uma carta.”

“A falta de apoio do Brasil foi considerada pela Índia fator essencial para a proposta não deslanchar na OMC”, afirmou uma das fontes ouvidas pelo blog. A Índia seria a grande beneficiária de um acordo na OMC, já que é um dos principais produtores de genéricos e insumos para medicamentos. Mas a decisão também ajudaria o Brasil. A África do Sul, que ficou ao lado da Índia, assinou contrato com o Serum e deve receber, nos próximos dias, 1,5 milhão de doses da vacina da Astrazeneca vindas da Índia. O país africano tem pouco mais de um quarto da população brasileira. Enquanto isso, o Brasil pode ter que esperar até março para conseguir trazer os imunizantes produzidos em solo indiano.”

Até março, viado!

Preocupados com a falta de insumos para a produção de novas vacinas, o Fórum Nacional dos Governadores enviou um ofício para o presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 20, pedindo que se estabeleça “diálogo diplomático” com China e Índia. “(Governadores) Solicitam a essa Presidência que seja avaliada a possibilidade de estabelecimento de diálogo diplomático com os governos dos países provedores dos referidos insumos, sobretudo China e Índia, para assegurar a continuidade do processo de imunização no País”, diz o texto. Quinze governadores assinam o documento: Wellington Dias (PT-PI), Renan Filho (MDB-AL), Waldez Goes (PDT-AP), Camilo Santana (PT-CE), Renato Casagrande (PSB-ES), Flávio Dino (PCdoB-MA), Mauro Mendes (DEM-MT), Romeu Zema (Novo-MG), Helder Barabalho (MDB-PA), João Azevedo (PSB-PB), Paulo Câmaa (PSB-PE), Fátima Bezerra (PT-RN), Eduardo Leite (PSDB-RS), João Doria (PSDB-SP) e Belivaldo Chagas (PSD-SE).” [Estadão]

Vai ver é melhor escrever uma cartinha em latim pedindo ajuda ao Temer…

Maia se encontrou com o embaixador epra surpresa de ninguém o embaixador, publicamente, se fez de desentendido:

“”Ele [embaixador chinês] abriu a conversa já relatando que, de forma nenhuma, haveria obstáculos políticos para a exportação dos insumos da China” afirmou Maia. “Ele disse que trabalha junto ao governo chinês para que a gente possa acelerar – a exportação no nosso caso – desses insumos para que possamos restabelecer logo a produção. Entendi a reunião como muito positiva”, completou o presidente da Câmara. Eu não entrei em detalhes específicos das datas porque eu acho que não cabe nesse diálogo, mas a impressão que me dá é que o governo chinês sabe da importância dos insumos, não apenas para o Brasil, mas para todos aqueles que produzem [vacina], e vai acelerar o processo interno de tramitação para que possa caminhar logo a exportação dos insumos para a vacinação. Eu fiquei otimista.” [G1]

E se alguém tem alguma dúvida:

“As informações que tenho, de diálogo com a embaixada, é que, de fato, não houve nenhum tipo de diálogo entre o governo federal e a embaixada chinesa. A informação que eu tenho não foi na conversa com ele [embaixador da China], foi de membros da embaixada. Essa é a informação que eu tenho e, infelizmente, faz sentido. Infelizmente, a questão ideológica tem prevalecido em relação à importância de salvar vidas no Brasil”

E o IFA do Butantan acabou!

“A matérias-prima para a produção de mais doses de vacina contra a covid-19 no Brasil “já foi quase que totalmente processada”, segundo informou nesta quarta-feira, 20, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, o que esgota a capacidade de fabricação do imunizante. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva convocada pelo governador João Doria (PSDB) para tratar de ações de combate à doença, em que Covas novamente apelou para que o governo federal, em especial o presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se empenhem para acelerar a importação dos insumos da China. Embora o Butantan tenha capacidade de finalizar e distribuir cerca de 1 milhão de doses por dia, essa produção depende do recebimento dos insumos. E, até que a produção atinja essa capacidade, é preciso um período de até seis dias para ajustes na fábrica do instituto, de acordo com o presidente. “Peço ao nosso presidente, ao nossso ministro das Relações Exteriores, que nos ajude a aplainar essa relação com a China e que haja procedimentos, haja solicitação para que os procedimentos burocráticos para esta exportação aconteça no mais curto período de tempo”, disse Covas. Na coletiva, o cenário traçado foi o seguinte: há 46 milhões de doses de vacina garantidas pelo Butantan até o mês de abril; após esse período, caso os insumos da Fiocruz cheguem (a previsão para janeiro foi adiada para março), o País poderá contar com mais 100 milhões de doses. Esse total de doses vacinaria 73 milhões de pessoas. Se o governo federal se manifestar, o que ainda não fez, poderá tentar comprar mais 54 milhões de doses de vacina produzidas pelo Butantan a partir de insumos importados da China. E a produção própria, no melhor dos cenários, só seria possível a partir de novembro.[Estadão]

Novembro, no MELHOR dos casos!

“Segundo Covas, o Butantan aguarda autorização do Ministério das Relações Exteriores da China, última instância burocrática para a exportação dos insumos, para conseguir importar mais 5,4 mil litros de matéria-prima, que são capazes de produzir cerca de 5 milhões de novas doses da Coronavac. “No governo chinês, a burocracia envolve três instâncias. O Ministério da Saúde, o chamado NMPA, que é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da China e a aduana. Tem que passar por inveessas três instâncias e, adicionalmente, o Ministério das Relações Exteriores”, afirmou. “A autorização já tem a autorização dessas três primeiras instâncias e aguardamos a última.” O governador Doria afirmou que as dificuldades são de ordem exclusivamente administrativa, sem nenhum entrave comercial. “Não há nenhuma restrição comercial nem a São Paulo nem ao laboratório Sinovac, com o qual temos tido uma relação excelente”, disse João Doria, ao lembrar que a parceria comercial entre Butantan e Sinovac vem de antes da pandemia. “A exportação de vacinas depende de autorização do governo chinês.” “Há um mal-estar claro do governo chinês com o governo brasileiro. Isso é claro, isso é óbvio. Não é por outra razão que o presidente da Câmara federal foi se encontrar hoje, ainda que virtualmente, com o embaixador da China. Há um mal-estar depois de tantas agressões pronunciadas e lideradas pelo presidente Bolsonaro contra a China, contra a vacina da China, a contra ‘vachina’ e as outras desqualificações que fez, e manifestações de dois de seus filhos, Eduardo e Carlos”, afirmou Doria. O acordo do Butantan com o laboratório Sinovac se encerrará em abril, quando a empresa chinesa terá terminado de enviar material suficiente para produção de 46 milhões de doses. Depois disso, segundo Dimas Covas, até há a possibilidade de uma remessa a mais de material para 54 milhões de doses, mas essa segunda opção de compra está condicionada a um pedido de compra do Ministério da Saúde, que até agora não foi feito. “Nesse momento, não existe ainda nenhuma manifestação nesse sentido (de compra de mais doses), e só tratamos das 46 milhões de doses. Estamos absolutamente ansiosos para saber se haverá a encomenda adicional dessas 54 milhões de doses porque certamente elas serão necessárias. E se houver essa necessidade já prevista por todos, seria bom o ministério se manifestasse para que começassemos a nos preparar para essa produção”, afirmoiu o presidente do Butantan. Ainda na coletiva, os técnicos do Estado deram informes sobre o andamento da construção de uma nova fábrica do Butantan, que seria capaz de produzir todos os insumos necessários para a fabricação de uma vacina 100% nacional: as obras foram iniciadas em novembro e devem ficar prontas até 3o de setembro, segundo infomou o presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe SP),  Wilson Mello. “Ela será entregue para o Butantan para que o Butantan inicie o processo de comissionamento, a autorização da Anvisa, a partir de outubto”, disse.”

E até o Marco Feliciano já entendeu o tamanho da merda:

“Nós, conservadores, temos a característica de sermos essencialmente realistas. Por isso entendo que o ministro Ernesto, como conservador que é, compreende o atual momento. Queiramos ou não, com a posse de Biden hoje à frente da maior potência mundial, o jogo todo muda. Jogo novo requer estratégia nova. A antiga não serve mais! Entendo que quanto mais tempo demoramos para mudar nosso posicionamento no plano internacional, pior será. A hora é de total pragmatismo nas relações internacionais. Já dizia o imperador Vespasiano que dinheiro não tem cheiro. E a China tem interesses geopolíticos de primeira ordem no Brasil. Somos a 8ª economia do mundo e a garantia da segurança alimentar chinesa. Está na hora de, com tranquilidade e soberania, realinharmos tudo isso com os chineses. Nixon foi à China. Enfim, tenho convicção que o ministro Ernesto compreende tudo isso e, como grande patriota e diplomata que é, tomará as medidas necessárias para o melhor do povo brasileiro.” [Folha]

E pelo visto deu tudo errado, relato da médica pneumologista Maragraeth Dalcomo:

“A  incompetência diplomática do Brasil  não permite que cada um dos senhores aqui presentes, suas famílias e aqueles que vocês amam, esteja amanhã ou nos próximos meses de acordo com o cronograma elaborado recebendo a única solução que há para uma doença como a covid-19. É hora de a sociedade brasileira mostrar realmente o que eu tenho tentado chamar atenção como médica e cidadã de consciência cívica: é absolutamente inaceitável que, neste momento, no Brasil, acabamos de receber a notícia de que as vacinas não virão da China e não virão da Índia.[Congresso em Foco]

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4. Covid-17

Pazuello conversou com um advogado, alegou demência, mudou o discuro mas o que não falta são provas:

“O aplicativo TrateCOV, lançado pelo Ministério da Saúde para orientar o enfrentamento da covid-19, recomenda uso de antibióticos e cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça. A lista de medicamentos sem eficácia comprovada é sugerida pela plataforma, que só pode ser usada por médicos, para qualquer soma de dois sintomas, mesmo se o paciente não saiu de casa ou teve contato com algum infectado nas duas últimas semanas. Como mostrou o Estadão, o aplicativo foi apresentado pelo ministro Eduardo Pazuello na semana passada, quando esteve em Manaus (AM), em meio à explosão de casos da doença na cidade. O Ministério da Saúde afirma que o TrateCOV sugere o diagnóstico por meio de sistema de pontos que obedece “rigorosos critérios clínicos”. O teste com o produto é feito em Manaus, onde mais de 340 profissionais de saúde foram cadastrados no sistema. O ministério afirma que deseja expandir o uso a outras cidades. A indicação de uso de cloroquina e antibiótico pode ser feita até a um recém-nascido com diarreia e fadiga, pois a idade não interfere na pontuação apresentada pelo aplicativo. Se o médico não quiser receitar o “tratamento precoce”, precisa justificar dentro do aplicativo, por exemplo, pela “recusa do paciente”, “contraindicação médica” ou “falta do medicamento”. O governo Jair Bolsonaro se isolou na defesa do tratamento com os medicamentos que compõem o “kit covid”. Além da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Associação Médica Brasileira (AMB) passou a rejeitar estes produtos. “As melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no “tratamento precoce” para a covid-19 até o presente momento”, afirma nota conjunta destas entidades divulgada na terça-feira, 19.[Estadão]

O general tinha que desovar a cloroquina verde-oliva em algum lugar, né? Enquanto isso…

“Pelo menos 51 pessoas morreram por falta de oxigênio no Amazonas desde a semana passada, aponta um levantamento feito pela coluna junto ao Ministério Público Federal e estadual na noite desta terça-feira. Em Manaus, foram 28 óbitos, segundo o MPF.” [Época]

Essa conta irá para as Forças Armadas”, não é, Mourão?!

“Esse número consta de ofícios dos hospitais da capital enviados ao MPF, em resposta a questionamentos formais de procuradores. No entanto, o contingente deve ser maior, porque apenas cinco dos 11 ofícios foram respondidos pelas unidades de saúde, até a noite desta terça-feira. O Hospital 28 de Agosto, o maior pronto-socorro da capital, é um dos seis que ainda não informaram o número de mortes por asfixia. No interior, desta vez segundo o MP estadual, foram registrados outros 23 óbitos. O caso mais recente ocorreu em Coari, onde sete pessoas morreram nesta segunda-feira. Houve ainda duas mortes em Autazes, uma em Manaquiri e duas em Nova Olinda do Norte.”

Relatos de lá:

“Cenas de pavor em alas de hospitais lotados e medo de morrer longe da família estão fazendo com que doentes infectados com Covid-19 fujam de hospitais e unidades de saúde de Manaus e até peçam para “morrer em casa”. O relato foi feito por enfermeiras que atuam na rede pública de saúde da capital. Segundo elas, alguns pacientes não estão suportando o estresse causado pelo caos no sistema de saúde causado pelo aumento no número de casos de Covid-19 e pela instabilidade no abastecimento de oxigênio hospitalar. O Amazonas vive o pior momento desde o início da epidemia de Covid-19, no ano passado. Na semana passada, faltou oxigênio hospitalar em unidades de saúde e houve relatos de mortes de pacientes por asfixia. O pânico fez com que centenas de pessoas se aglomerassem nas portas de empresas que produzem oxigênio hospitalar de Manaus em busca de um cilindro do produto para os seus familiares. A enfermeira Arlene Loureiro de Albuquerque, que atua no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), contou o caso de um paciente estava internado no Hospital 28 de Agosto, maior de Manaus, que não suportou as cenas vivenciadas nas alas lotadas da unidade e fugiu. — Ele ficou alucinado vendo tantas coisas. Em questão de horas, algumas pessoas morreram perto dele, e ele ficou com medo e fugiu. Quando chegou em casa, a família tentou internar ele de volta. Ele está com Covid-19 e estava nas alas destinadas a pacientes com a doença. É horrível. Ele não aguentou essa pressão — disse a enfermeira. Segundo ela, o homem, que tem 46 anos, voltou a ser internado. Ao lado dela, outra enfermeira que trabalha no Hospital 28 de Agosto, mas pediu para não ter o nome divulgado, narrou um caso parecido. Ela contou que, na semana passada, um paciente com Covid-19 demonstrou sinais de estresse diante da movimentação causada pela escassez de oxigênio. Ela disse que o paciente estava em situação moderada e implorava para ir embora. — Ele queria ir embora pra casa. Ele falava que ia fugir porque, se fosse pra morrer, que morresse em casa e não longe da família — contou a enfermeira. Horas mais tarde, ela disse, o paciente, que não tinha alta prevista, não estava mais na unidade.” [O Globo]

Pazuello sabe que nada sabe:

“Desde o último domingo (17), o Brasil já tem vacinas contra a covid-19. Agora, a forma de vacinação é o problema a ser enfrentado. Hoje, não existem datas marcadas para as fases do plano de imunização e muito menos doses suficientes dos imunizantes para atender toda a população. Consultado pelo UOL, o Ministério da Saúde diz que a expectativa é que a população brasileira esteja vacinada apenas no ano que vem. Mas, no comunicado enviado, a palavra mais comum é “depende”. Não há certeza sobre quando todos os brasileiros estarão imunizados contra o novo coronavírus. Na melhor das hipóteses, a expectativa é isso ocorra no segundo trimestre de 2022. As incertezas levaram o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, na última segunda (18), a pedir que o Ministério da Saúde apresente um cronograma para a vacinação. Por enquanto, ainda sem os esclarecimentos solicitados por Lewandowski, o “Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19” traz a indicação de três fases, que englobam pouco menos de 50 milhões de pessoas dos grupos de risco; ou seja, cerca de um em cada quatro brasileiros. Juntas, as três fases têm previsão de durar quatro meses. Apenas após o encerramento delas, começaria a contar a projeção de 12 meses do ministério para vacinar a população fora dos grupos prioritários. “O Ministério da Saúde estima que, no período de 12 meses, posterior à fase inicial, concluirá a vacinação da população em geral, o que dependerá, concomitantemente, do quantitativo de imunobiológico disponibilizado para uso”, disse a pasta em nota ao UOL. A nota expõe outra preocupação: não há vacina para todo mundo. O Ministério da Saúde prevê para este ano 210 milhões de doses da vacina de Oxford e outros 100 milhões da CoronaVac. Como são necessárias duas doses por pessoa, a soma dessas quantidades não atenderia toda a população, de cerca de 212 milhões de brasileiros.” [UOL]

Uma boa notícia, embora tardia:

“A farmacêutica brasileira União Química iniciou, em caráter piloto, a produção da vacina Sputnik V na sua unidade de biotecnologia, em Brasília. A expectativa é conseguir liberar o imunizante na Anvisa amanhã, quando a agência se reunirá com os dirigentes da empresa e autoridades russas, e receberá novos documentos. O diretor de negócios da empresa, Rogério Rosso, diz que a liberação será fundamental para a empresa iniciar a produção de até 8 milhões de doses no primeiro semestre. De acordo com o executivo da empresa, como há acordo de transferência de tecnologia, a Sputnik V terá seu IFA (ingrediente farmacêutico ativo) produzido no Brasil. A compra da vacina russa pelo Ministério da Saúde ainda não está acertada, porém, claro, depende da aprovação da Anvisa.” [Estadão]

Encerro com… MARKINHO SHOW:

“Em seu site profissional, Markinho se define como especialista em “neuromarketing, vendas, coaching, hipnose, mentalismo e soundbranding”.” [Poder360]

Como levar os milicos a sério?!

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5. Congresso

Conhcereis a verdade e…

“Nas três vezes em que tentou se eleger presidente da Câmara, Jair Bolsonaro foi à tribuna da Casa discursar, mesmo sabendo que não tinha chance de vencer a disputa. A mensagem foi a mesma: o cargo tinha de ser ocupado por um parlamentar sem ligações com o governo federal. “Temos de ser independentes”, sustentou Bolsonaro em 2011, quando era deputado federal pelo PP-RJ. A narrativa daqueles anos se opõe à realidade de hoje. Agora no Palácio do Planalto, Bolsonaro se empenha pessoalmente para conquistar votos para Arthur Lira (PP-AL), líder do centrão. Como candidato ao comando da Câmara, Bolsonaro também condenou a atuação dos governos para que um aliado fosse eleito. “Como nós sabemos, o Executivo sempre interferiu nos trabalhos desta Casa, em especial por ocasião das eleições”, protestou no discurso de 2017, quando estava no PSC. Agora Bolsonaro usa a máquina do governo para impulsionar a candidatura de Lira. Dinheiro público, na forma de emenda parlamentar, é usado para ampliar a base de apoio do aliado do Planalto. É mais um exemplo do contraste entre discursos passados de Bolsonaro e a prática de hoje. Procurado, o Palácio do Planalto não quis comentar o assunto. Em 2011, com nove votos, Bolsonaro ficou no quarto e último lugar na disputa que reelegeu Marco Maia (PT-RS), que teve 375 votos. “Não tenho nenhuma ambição. Lamentavelmente, não tenho para oferecer a alguns aqui, que fazem a cabeça de muitos, ministérios, estatais e cargos, mas tenho honradez, coragem e honestidade, como também tem, tenho certeza, a maioria aqui, para levar esta Câmara a uma independência.” Foi assim que ele encerrou o pronunciamento de 2011. Para eleger Lira, Bolsonaro agora usa aqueles mesmos instrumentos. Foi oferecido um ministério ao Republicanos, partido que tem 32 deputados. Ministros do governo prometem emendas extras a apoiadores de Lira, além de colocarem em jogo cargos em empresas públicas. A lógica ecoada por Bolsonaro quando candidato ao comando da Câmara era que os deputados precisavam ser presididos por alguém isento ao analisar assuntos de interesse do governo. “Não temos de ter um presidente para apenas ficar chancelando e buscando aprovar o que o Executivo quer”, afirmou o então deputado durante sua campanha à presidência da Câmara em 2017.

Na primeira vez em que concorreu à presidência da Câmara, em 2005, o discurso de Bolsonaro já era aquele mesmo: “Vamos escolher o melhor candidato para presidir a Câmara, em que pese o poder que tem o Executivo de, usando um batalhão de ministros, tentar convencer parlamentares a votar no candidato oficial”, que era Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Naquele ano, Bolsonaro ficou na quinta e última colocação, com dois votos. Candidato independente, Severino Cavalcanti (PP-PE) se elegeu, em segundo turno, com 300 votos. Foi a maior derrota até então do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso. Dez anos depois, em 2015, foi a vez de Dilma Rousseff (PT) também sofrer um revés. O governo petista tentou bancar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP), inclusive com a oferta de cargos públicos a deputados. Venceu, porém, Eduardo Cunha (MDB-RJ), que, mais tarde, deu início ao processo de impeachment de Dilma. Acusada por Cunha de interferir na eleição daquele ano, a petista teve uma postura de apoio público a Chinaglia mais discreta do que Bolsonaro, que faz campanha aberta a favor de Lira. Bolsonaro tem cobrado publicamente apoio de deputados, especialmente da bancada ruralista, ao líder do centrão. Nesse contexto, o presidente chegou a dizer a apoiadores, na semana passada, que não comanda o Brasil sozinho. Ele argumenta que a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), uma das mais influentes do Congresso, tem tido um “tratamento justo e honesto” do governo. Por isso, tem se queixado do voto de nomes da bancada ruralista em Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia foi reeleito presidente da Casa em primeiro turno em 2017, última vez em que Bolsonaro concorreu ao cargo, quando ele, mais uma vez, ficou no sexto e último lugar —com quatro votos. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que a Casa vivia uma fase subserviente ao Executivo, então comandado por Michel Temer (MDB). “A Câmara tem de ser ativa, independente e responsável.” Deputado de baixo clero, Bolsonaro discursava na tribuna sem conseguir atrair atenção do plenário. “As minhas chances [de vencer a eleição à presidência da Câmara] só não são menores que daqueles que não são candidatos”, disse. Ele já tinha pretensão política de concorrer à Presidência da República no ano seguinte. A campanha contra Maia foi mais uma plataforma para que Bolsonaro pudesse propagar o discurso antipolítica e ganhar força para a disputa pelo Planalto.” [Folha]

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6. Atenção, Paulo Guedes!

A última do vendedor de Telexfree:

““Daqui a dois anos, o botijão de gás vai chegar pela metade do preço à casa do trabalhador brasileiro”. A tendência observada, porém, foi de aumento: na época da declaração de Guedes, um botijão de 13 kg custava, em média, R$ 69. Atualmente, o preço é R$ 75, segundo a ANP. Em 6 de janeiro, a Petrobras anunciou um reajuste de 6% no preço do gás de cozinha para as distribuidoras. Foi a 11ª alta nos últimos nove meses. Neste mês o Ministério da Economia afirmou que a pasta não tem poder sobre o tema.” [Época]

E essa confissão embaraçosa é mais uma obra do trabalho parlamentar do Ivan Valente, que homem!

“O ministério declarou que os preços do gás de cozinha “são livres desde 31 de dezembro e não seria adequado adotar medidas intervencionistas para redução de preços”. A pasta disse ainda que o Novo Mercado de Gás pretende baratear o preço da energia — o que incluiria o gás de cozinha — e que há outras medidas para melhorar o ambiente de negócios de todos os setores, mas que as medidas ainda estão em “implementação e ainda não houve mudança significativa na estrutura do mercado nacional de derivados”. O ministério não deu qualquer previsão de quando as medidas começarão a surtir efeito. O posicionamento foi repassado pelo ministério por meio da Lei de Acesso à Informação, em pedido apresentado pelo deputado Ivan Valente, do PSOL de São Paulo.”

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7. “Prezado, o Planalto não vai comentar.”

“”Prezado, o Planalto não vai comentar.” A frase, com algumas variações, é uma das respostas mais comuns —quando há respostas— a questionamentos feitos por jornalistas de veículos nacionais e estrangeiros à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, a Secom. O órgão, que entre outras funções faz a assessoria de imprensa do presidente da República, já pertenceu à estrutura da Secretaria de Governo na atual administração, mas agora está oficialmente sob o guarda-chuva do Ministério das Comunicações. A Secom é comandada pelo secretário-executivo do ministério, Fabio Wajngarten. Levantamento feito pela Folha com base em de demandas de seus repórteres em Brasília à Secom ao longo de 2020 encontrou ao menos 36 emails com 92 perguntas ou pedidos de manifestação do presidente ou do governo. Deste total de mensagens encaminhadas, 20 não foram respondidas e, nas outras 16, o retorno era de que não seria feito qualquer comentário. Em 17 de abril, por exemplo, após Bolsonaro ter mencionado em duas ocasiões uma suposta pesquisa que indicava que 50% dos prefeitos brasileiros eram favoráveis à reabertura do comércio em meio à pandemia de Covid-19, a Folha pediu que a Secom indicasse o artigo ao qual o chefe do Executivo se referia. “Prezado jornalista, o Planalto não comentará. Atenciosamente, Secom/PR”, foi a resposta.” [Folha]

Corajoso pra caralho, hein!

“Em 6 de maio, solicitou-se informações a respeito das regras para a gravação de reuniões ministeriais, assunto que ganhou relevância depois que o ex-ministro Sergio Moro acusou Bolsonaro de querer interferir na Polícia Federal e citou encontro de 22 de abril. A reportagem recebeu a mesma reposta dada à outra demanda. Jornalistas de outros veículos nacionais e internacionais também relataram, reservadamente, casos em que não tiveram perguntas respondidas pelo Planalto. No início do governo, o Executivo contava com um porta-voz, o general Otávio Rêgo Barros. Além de ler boletins, o militar respondia diariamente perguntas dos jornalistas. Com o destaque na mídia, Bolsonaro colocou o general na geladeira até que, em outubro do ano passado, oficializou a saída de Rêgo Barros. Procurado, o general disse que não se sentia confortável em fazer comentários envolvendo o governo. Quando a Secom estava sob a Secretaria de Governo do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, Bolsonaro promovia periodicamente cafés da manhã com a imprensa. A prática foi interrompida ainda em 2019, depois que o presidente usou um termo pejorativo para se referir aos nordestinos. Sem o porta-voz e os cafés da manhã, o presidente passou a falar na entrada do Palácio da Alvorada. Porém, diante de perguntas que considerava incômodas ou manchetes do dia que não considerava favoráveis ao governo, Bolsonaro agredia verbalmente jornalistas, mandando-os, por exemplo, calar a boca. O comportamento do presidente incitava seus apoiadores a xingar jornalistas. A hostilidade ascendeu a um ponto em que os principais veículos de comunicação do país decidiram deixar a cobertura na porta do Alvorada para não expor seus profissionais ao risco de agressão física. Em agendas em que está mais próximo dos jornalistas, Bolsonaro se recusa a responder perguntas. Em agosto passado, ao ser questionado sobre cheques no total de R$ 89 mil que teriam sido depositados entre 2011 e 2016 pelo ex-assessor Fabrício Queiroz e pela esposa dele, Márcia Aguiar, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o presidente ameaçou um repórter. “Minha vontade é encher tua boca na porrada”, reagiu Bolsonaro.”

E Bolsonaro luta pela paz, pelo entendimento, pela união, pela harmonia, viado!

“Em declarações longe dos repórteres, o presidente segue hostilizando a imprensa. No dia 18 de dezembro, ao discursar em formatura de soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro, ele incitou a PM contra jornalistas. “Essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pensem dessa forma para poder agir”, disse Bolsonaro. Ainda no início do segundo semestre de 2020, Bolsonaro parou de falar com os jornalistas e passou a levar seus apoiadores para o jardim do Alvorada, numa área interna da residência oficial, onde a presença da imprensa é vetada. Uma página bolsonarista do YouTube, no entanto, tem autorização para entrar, gravar e fazer perguntas. O material editado é publicado no canal, que também veicula imagens de momentos em que o presidente está cercado apenas pela entourage palaciana, sem imprensa por perto. Na terça-feira (12), Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial da Presidência da República e integrante do chamado “gabinete do ódio”, passou a compartilhar em uma rede social trechos gravados pelo canal simpático a Bolsonaro antes mesmo que a página fizesse a publicação. “Não tenho informações privilegiadas de dentro do Planalto, do Congresso ou de onde quer que seja”, disse Anderson Rossi, dono do canal, em uma nota publicada no vídeo de terça. O Planalto não se manifestou.”

Esse canal aí é do Carlos Bolsonaro, eu cravo.

“”Não em perseguição da minha parte. Não existe perseguição para nenhum órgão de imprensa. Eles continuam livres, muitos extrapolando, mentindo, desinformando. E digo mais: eles não deturpam mais, eles mentem”, disse Bolsonaro em uma das interações com a claque. Durante a pandemia de Covid-19, o acesso a informações também foi dificultado. No início da crise, Bolsonaro não adotou a prática de outros chefes de Estado de, diariamente, repassar pessoalmente informações sobre a crise sanitária. Durante um tempo, esse papel coube ao então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Com o subordinado em evidência e defendendo práticas com as quais não concordava, como o distanciamento social, Bolsonaro levou as entrevistas coletivas do Ministério da Saúde para o Planalto. As perguntas passaram a ser em número limitado, e nunca foi explicado o critério de definição dos veículos que poderiam apresentar indagações. ​Sob alegação de que se trata de agenda pessoal, compromissos do presidente como viagens de lazer também não são informados à imprensa, mesmo que utilizem estrutura paga com dinheiro público.”

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8. Que o MBL se exploda

“Surgido durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o MBL (Movimento Brasil Livre) vive a maior crise interna em seus mais de seis anos de existência. Uma de suas figuras mais conhecidas, o vereador paulistano Fernando Holiday (Patriota) abriu uma dissidência interna em razão da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados e não descarta deixar o movimento. Holiday apoia abertamente a candidatura do deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) para a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e discorda das críticas feitas por outros líderes do MBL a ele. Nesta terça-feira (19), Van Hattem teve uma áspera discussão pelo Twitter com Renan Santos, coordenador nacional do movimento. O pano de fundo é a posição do deputado gaúcho de cautela com relação ao impeachment do presidente Bolsonaro, defendido de maneira incisiva pelo MBL. Renan compartilhou uma reportagem em que o parlamentar dizia que “impeachment sem crime de responsabilidade é tumulto na democracia”. Van Hattem, que já pertenceu ao MBL no passado, reagiu reclamando de “assassinato de reputação”, ao que passou a ser criticado por lideranças do movimento, como o próprio Renan e o deputado estadual paulista Arthur do Val, o Mamãe Falei, do Patriota. Em outro tuíte, Renan insinuou que o parlamentar seria um bolsonarista infiltrado no Novo. Já o perfil oficial do MBL pediu ao deputado: “Tenha sabedoria para escolher seu caminho nesta encruzilhada. Bolsonaro nos quer, todos, reféns de seu projeto autoritário. Você também será usado e cuspido. Te aguardamos no lado certo da história”.

A troca de farpas desagradou a Holiday, que fez questão de reforçar seu apoio ao deputado também nesta terça (19). Um dos principais líderes do movimento, o vereador não descarta um rompimento, segundo apurou o blog, embora por enquanto diga internamente que essa não é sua vontade. Ele tem criticado internamente o que vê como “pragmatismo” excessivo do MBL ao sinalizar apoio já no primeiro turno da disputa pela Câmara ao deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Acha que isso poderia ocorrer só no segundo turno. Também acha injusta a referência a um suposto “bolsonarismo” de Van Hattem, e concorda com o deputado que pedidos de impeachment, para terem sucesso, precisam ser bem pensados e bem embasados. Em contato com o blog, Renan minimizou a divergência. “A gente não tem crise interna. estamos todos numa linha e o Holiday está em outra. É normal, já tivemos divergências no passado. O Holiday é brother, estamos conversando”, afirmou. Por enquanto, não há ruptura, mas Holiday se encontra isolado dentro do movimento. As principais lideranças, incluindo o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), estão unidas na crítica ao deputado do Novo. A situação é descrita como “sem precedentes” por uma liderança do MBL. A relação do vereador com seus colegas nos últimos dias tem sido fria, segundo relato ouvido pelo blog. Bem diferente da amizade estreita que todos no MBL sempre fizeram questão de demonstrar publicamente.” [Folha]

Ah, segundo o Van Hatten ele é contra o impeachment pois não há crime de responssabilidade, é mole?! Na primeira semana de governo já tinha um par de crimes. Na última semana foram acrescidas mais umas dezenas, e não é exagero retórico.

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1. Cry in the mine

Tchau, Trump!

E por mais simbólico que seja o dia de hoje, ainda falta muito – texto do Martin Wolf:

“O que aconteceu foi isto: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante meses, sem provas, que não poderia ser derrotado em uma eleição limpa. Assim sendo, ele atribuiu sua derrota a uma eleição fraudulenta. Quatro em cada cinco republicanos ainda concordam com isso. O presidente pressionou autoridades para reverter os votos em seus estados. Ao falhar, tentou forçar seu vice-presidente e o Congresso a rejeitarem os votos dos colégios eleitorais apresentados pelos estados. Ele incitou um ataque ao Capitólio para pressionar o Congresso a fazer isso. Cerca de 147 congressistas, incluindo oito senadores, votaram por rejeitar os votos dos estados. Em suma, Trump tentou um golpe. Pior, a grande maioria dos republicanos concorda com seus motivos. Um número enorme de legisladores federais os acatou. O golpe falhou porque os tribunais recusaram casos sem evidências e as autoridades federais fizeram seu trabalho. Mas dez ex-secretários de Defesa sentiram a necessidade de advertir os militares para não se envolverem. Em março de 2016, antes que Trump tivesse ganhado a nomeação republicana, afirmei que ele era uma séria ameaça. Estava evidente que não tinha qualquer das qualidades exigidas de um líder de uma grande República. Mas, como se viu, ele tinha o defeito redentor da grave incompetência. Como você reagiria se lhe contassem a seguinte história sobre uma democracia: a “grande mentira” sobre a eleição fraudada que o mandatário claramente perdeu; a mídia partidária que disseminou essa mentira; os eleitores que acreditaram nela; o ataque ao Legislativo por uma turba insurgente; e os legisladores que afirmaram que a eleição devia ser suspensa em resposta à dúvida que essas mentiras haviam criado? Você concluiria que ela estava em perigo mortal.

Os Estados Unidos não são uma sociedade majoritária. Pequenos estados têm poder de voto desproporcional, e alguns estados têm uma história de supressão de votos racista. Mas as eleições são feitas para decidir quem detém o poder. Como isso pode funcionar se a maioria dos eleitores de um dos dois partidos principais acredita que as eleições perdidas foram roubadas? Como pode o poder ser ganho pacificamente e detido legitimamente? O que resta como fator de decisão, senão a violência? Como afirma Timothy Snyder, de Yale: “A pós-verdade é o pré-fascismo, e Trump foi nosso presidente pós-verdade”. Se a verdade é subjetiva, a força deve decidir. Não pode haver verdadeira democracia, somente gangues rivais de bandidos ou a gangue dominante do chefão. Os otimistas teriam de concordar que este tem sido um momento muito ruim para a credibilidade mundial da República americana, para deleite de déspotas de toda parte. Mas, eles podem afirmar, ela passou pelo teste de fogo e agora está mais uma vez pronta para renovar sua promessa, no país e no exterior, como fez nos anos 1930 sob Franklin Roosevelt, em um momento ainda mais perigoso que hoje. Infelizmente, não acredito nisso. O Partido Republicano está podre com insurreição. Assim que eu escrever isto, sei que pessoas vão começar a se queixar da violência e dos socialistas da esquerda. Mas absolutamente não há um equivalente a Trump entre os líderes democratas. Os pré-fascistas estão na direita. Pior, Trump não é propriamente a doença, mas um sintoma. James Murdoch declarou recentemente que “O saque do Capitólio é a prova sólida de que o que pensávamos que era perigoso o é de fato, muito, muito. Esses canais que propagam mentiras para seu público libertaram forças insidiosas e incontroláveis que estarão conosco durante anos”. Estaria ele se referindo à Fox News, a criação venenosa de seu pai, Rudolph? O papel da bolha da mídia de direita ao criar o mundo da pós-verdade do trumpismo é evidente.

Também o é a longa marcha financiada por plutocratas através das instituições. O Judiciário que isso criou produziu a cidadania armada, as contribuições políticas invisíveis e a crescente desigualdade que hoje põem em risco a estabilidade política. Mais perturbador é como a elite republicana usou como arma a política da divisão racial, uma parte tão temível da história dos EUA, para atrair o apoio de eleitores de que precisavam para cortes de impostos e desregulamentação. Pessoas brancas sem diploma universitário estão experimentando “mortes por desespero” prematuras. Mas os liberais e as minorias étnicas são os verdadeiros inimigos da direita. Enquanto as políticas da direita continuarem como estão, o perigo revelado desde a eleição não vai evaporar. Os congressistas republicanos vão tentar garantir que o novo presidente, Joe Biden, fracasse. Os fanáticos e carreiristas continuarão combinados. A propaganda de direita lunática continuará jorrando. Que tipo de pessoa se imagina que tal movimento escolherá como próximo candidato presidencial? Um conservador tradicional como Mitt Romney? Trump mostrou o caminho. Muitos tentarão segui-lo. Como o objetivo de tantos republicanos é fazer o governo federal fracassar e enriquecer os ricos, é assim que sua política deve funcionar. Chegamos a um momento de inflexão na história. Os Estados Unidos são a República democrática mais poderosa e influente do mundo. Apesar de todos os seus erros e defeitos, foi o modelo global e protetor dos valores democráticos. Sob Trump, isso desapareceu. Ele foi o opositor constante dos valores e aspirações incorporados em um ideal republicano. Trump falhou. Além disso, depois de sua tentativa de golpe, ninguém pode negar que sua ameaça era real. Mas isso não basta. Se a política americana se desdobrar como parece provável que faça, haverá outros Trumps. Um deles, mais competente e impiedoso, poderá ter êxito. Para que isso seja evitado, a política dos EUA deve agora mudar para o respeito à verdade e uma versão inclusiva de patriotismo. Roma foi possivelmente a última superpotência republicana. Mas os ricos e poderosos destruíram aquela República, instalando uma ditadura militar, 1.800 anos antes do nascimento dos EUA. A República americana sobreviveu ao teste de Trump. Mas ainda precisa ser salva da morte.” [Folha]

Passo ao Nelson de Sá:

“Acuado por senadores republicanos, o secretário de Estado escolhido por Joe Biden, seu ministro do exterior, Antony Blinken, respondeu que “há coisas que o governo Trump fez que eu aplaudiria”. Apontou “a abordagem mais dura com a China”, apoiando até a acusação de “genocídio” lançada por Mike Pompeo em suas horas finais no cargo. A eloquência trumpista de Blinken esconde o que outro indicado de Biden, seu “czar para a Ásia”, Kurt Campbell, escreveu na Foreign Affairs dias antes: Admitiu que aliados não querem “excluir Pequim, ser forçados a escolher”, e defendeu persuadir a China a “ocupar um lugar na ordem regional” etc. Rejeitou até “formar uma grande coalizão” de democracias contra Pequim, como Biden prometia. Também na Foreign Affairs, Richard Haass, que preside a instituição que edita a revista, coração do establishment de política externa, avisou, em relação ao ataque trumpista ao Capitólio: “Um mundo pós-americano, não mais definido pela primazia dos EUA, está chegando mais cedo do que se espera. Menos pela ascensão inevitável de outros do que pelo que os EUA fizeram a si mesmos.”” [Folha]

Não à toa…

“Em editorial, o Nikkei defendeu que, no mundo não polar, “Estrutura multilateral deve incluir a China e não isolá-la”. E o presidente sul-coreano Moon Jae-in, em coletiva reportada por South China Morning Post e outros, disse que as relações com Washington e com Pequim “são igualmente importantes para nós”.”

E vem aí uma grande confusão

“No financeiro alemão Handelsblatt, “EUA impõem sanções ao Nord Stream 2 pela primeira vez”, sobre o gasoduto ligando a Rússia à Alemanha, 94% pronto. Logo abaixo, “Governo federal [da Alemanha] classifica sanções dos EUA como ilegais”. No site americano Politico, “Com sanções dos EUA, gasoduto ameaça uma tempestade geopolítica”.” [Folha]

Isdso aí já é decisão do Biden, nção surpresinha de última hora do Trump , até porque ele não faria isso com o Putin.

“Extensa reportagem na revista do NYT, com plantação de soja na fronteira com a China (acima), mostrou “Como a Rússia vence a crise do clima” ou, ainda, “pode dominar mundo em aquecimento”, com vastas áreas se abrindo para a agricultura, voltada ao mercado chinês. A mudança também vem abrindo mais a chamada Rota Marítima do Norte, no Ártico, para transporte de gás russo para a Ásia, noticia o Caixin, com Bloomberg.”

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>>>> O judiciário brasileiro: “Uma juíza acusada de dispensar uma perita judicial pelo WhatsApp com termos chulos responde a um processo disciplinar no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-1). O processo foi aberto em 2019, após a perita Marisa Silva acionar a Corregedoria do tribunal contra a magistrada Adriana Maria dos Remédios. Segundo o processo, em dezembro de 2018 a juíza, então lotada na comarca de Barra Mansa (RJ), enviou uma mensagem por WhatsApp à perita que atuava em processos de seu gabinete, avisando que ela estava destituída da função, por quebra de confiança. Ainda de acordo com os documentos, a perita havia ouvido do marido da juíza, que tinha negócios na região, ameaças a outro juiz, primo da perita. A perita relatou o ocorrido ao primo. A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar essas supostas ameaças contra o juiz, colheu depoimento da perita, mas arquivou o caso. A magistrada, então, queixou-se à perita de que não fora avisada do imbróglio contra seu marido. E escreveu, por mensagem, referindo-se a si mesma em terceira pessoa e fazendo alusão aos genitais de seu companheiro: “Refletindo ainda sobre o ocorrido, concluí que mais uma vez se deu à Adriana um tratamento de incapaz, de demente, ou daquela que é dominada, você desculpe o vocábulo, por uma p… fantástica”. A juíza seguiu: “Tenho ainda um pensamento de que gosto é igual a c… — cada um tem o seu”. A juíza Adriana Maria dos Remédios escreveu também que recebeu um “tratamento diferente de alguém que é juíza, pós graduada, ilibada, até elogiada”, e completou: “A partir de hoje você está destituída de todos os processos em que foi nomeada como perita. Porque não posso ter uma perita em quem eu não confio. Sejam felizes. Mostre este zap para quem você quiser. Façam print. Enfiem em lugares impublicáveis, para dizer o mínimo”. No mês passado, a relatora do caso, desembargadora Cláudia Regina Vianna, votou pela aplicação de pena de censura à juíza, e já foi acompanhada por 24 colegas. Essa punição prevê uma censura por escrito e a impossibilidade de receber promoções por merecimento durante um ano. Um desembargador votou pela absolvição e outro pediu vista do caso, adiando a conclusão do julgamento. São aguardados mais 24 votos de desembargadores no retorno da sessão. O Ministério Público do Trabalho defendeu a punição. “Não restam dúvidas de que o comportamento adotado pela magistrada traduz inequívoca e manifesta animosidade e ausência de urbanidade, suficientemente capaz de comprometer sua imparcialidade em relação a quaisquer atos praticados pela perita”, escreveu Deborah da Silva, procuradora regional do Trabalho, em novembro de 2020. A juíza já foi condenada em outro processo disciplinar, em setembro de 2020. Como resultado, o TRT decretou sua remoção forçada para uma vara do Rio de Janeiro por pelo menos cinco anos, por ter violado a parcialidade e outras regras da magistratura. Procurada, a juíza Adriana Maria dos Remédios afirmou: “A mensagem de WhatsApp foi dita em um ambiente completamente privado, não tendo sido prolatada, repetida ou referida a qualquer processo, configurando-se verdadeiro exercício de liberdade de expressão”.” [Época]

>>>> Malandro é malandro: “Em maio de 2019, Ibaneis Rocha baixou decreto que isenta de ICMS a criação de gado no DF. Seis meses depois, o governador criou empresa de “criação de bovino para corte”, que se enquadra exatamente na medida.” [Estadão]

>>>> Oi, sumido: “O homem mais rico da China e fundador do Alibaba, Jack Ma, fez sua primeira aparição pública desde outubro nesta quarta (20), quando falou com professores por meio de uma chamada de vídeo. Sua incomum ausência fez surgir especulações sobre seu paradeiro após quase três meses sem ser visto publicamente em meio à repressão regulatória de Pequim sobre seu extenso império de negócios. Embora com menos frequência devido à pandemia de coronavírus, era comum que Ma aparecesse em conferências e outros eventos, e as suspeitas sobre sua localização cresceram quando ele foi substituído no episódio final de um reality show em que era jurado.. Com fortuna estimada pela Forbes em US$ 60,7 bi (R$ 325 bi), Ma aparecera em público pela última vez em 24 de outubro, quanto atacou o sistema regulatório chinês durante discurso num fórum em Xangai. As duras críticas o colocaram em rota de colisão com autoridades do regime de Xi Jinping e levaram à suspensão de uma oferta pública inicial de ações (IPO) de US$ 37 bilhões (R$ 198 bilhões) planejada pelo grupo Ant, afiliado do Alibaba. Nesta quarta, a fundação de caridade do grupo Alibaba confirmou que Ma participou de uma cerimônia para professores de áreas rurais, mas não forneceu detalhes. Em um vídeo de 50 segundos, ele aparece de suéter azul-marinho numa sala com paredes cor cinza que não fornece dicas sobre sua localização. O vídeo também continha imagens, datadas de 10 de janeiro, de Ma visitando com colegas uma escola no condado de Tonglu, na cidade de Hangzhou, capital da província de Zhejiang, na costa leste da China. Os tópicos “Jack Ma faz sua primeira aparição pública” e seu discurso em vídeo para os professores logo viralizaram no Weibo, rede social chinesa semelhante ao Twitter. Segundo analistas do mercado financeiro, o reaparecimento deu paz de espírito aos investidores depois de muitos rumores. A notícia fez as ações do Alibaba dispararem em alta de 8,5%, o suficiente para apagar as perdas sofridas pelo grupo desde que ele virou alvo de investigação antitruste lançada em dezembro por autoridades chinesas. Na China, Ma é sinônimo de sucesso. O professor de inglês que se tornou empresário da internet é a pessoa mais rica do país. Ele fundou a Alibaba, algo próximo de uma rival da Amazon. Depois que Donald Trump foi eleito, em 2016, Ma foi o primeiro chinês de destaque com quem ele se encontrou. Mas ele perdeu estatura na sociedade chinesa devido aos problemas que enfrenta com o regime chinês. Em novembro, as autoridades cancelaram a planejada oferta pública inicial da Ant depois que Ma criticou os reguladores financeiros como obcecados por minimizar os riscos e acusou os bancos chineses de se comportarem como “casas de penhor”, emprestando apenas para os que podem oferecer caução. Esse confronto seria o prelúdio de um enfrentamento muito maior que pode se configurar como um momento de definição para o futuro das empresas privadas na China de Xi Jinping. Amigos de Ma dizem que, embora ele hoje possa se arrepender das consequências do discurso que fez em outubro, ele falou a sério e ainda acredita firmemente no que vê como sendo a missão do grupo Ant de converter a prestação de serviços financeiros na segunda maior economia do mundo.” [Folha]

Dia 749 | O 7 a 1 da geopolítica | 19/01/21

Logo menos sai o podcast, os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. O 7 a 1 da geopolítica

É chegada a hora de colher os insultos diplomáticos plantados de forma abnegada. Um presidente não chega se intrometendo na política alheia, fazendo campanha por candidaturas, insultando governos e sai impune. Talvez se você for o Trump e liderar a maior potência do mundo, mas no caso do Brasil a história é diferente. E a hora da colheita chegou, justamente numa pandemia, em meio aos caos da falta de oxigênio e mais de 200 mil mortes. Justamente quando o impeachment começa a ganhar tração os gringos vão à forra:

“Integrantes do alto escalão do governo Jair Bolsonaro admitem que a relação conturbada do país com a China tem travado a importação de insumos para a produção das vacinas contra a Covid-19 no Brasil. O assunto foi um dos temas da reunião do presidente com ministros no Palácio do Planalto na tarde desta segunda-feira (18). O temor do Instituto Butantan, responsável pela produção da vacina chinesa em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e também de integrantes do governo de São Paulo é o de que o impasse diplomático impeça a chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), o princípio ativo da Coronavac. Esse também é o temor de integrantes dos ministérios da Saúde e da Economia, que acompanham as negociações da Fiocruz com os chineses para compra do IFA para produção da vacina de Oxford/Astrazeneca no Brasil. Diante desse cenário, integrantes do governo disseram à CNN que a ordem interna agora é para que haja um esforço de reaproximação com o governo chinês. Por enquanto, segundo os relatos, o próprio chanceler Ernesto Araújo tem mantido contato diário com o seu correspondente chinês.” [CNN]

O Ernesto?!

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“Embora também tenha estado à frente de diversos ataques à China, o ministro das Relações Exteriores teria mudado a postura em nome das negociações pró-vacina.”

Sim, agora que o Braisl mais preicsa da China o 4chanceler mudou de postura. Até então valia o que seu chefe falou: “nós precisamos da China e a China precisa muito mais de nós”

“Araújo também tem mantido contato com o governo indiano para tentar destravar a vinda de 2 milhões de doses da vacina de Oxford. Além da questão diplomática, integrantes do governo federal dizem que o impasse com a China também envolve a negociação financeira. Ministros disseram à CNN, em caráter reservado, que o governo chinês tem priorizado os países que conseguem pagar melhor pelos insumos. “A questão política pesa, mas também pesa o fato de sermos um país de terceiro mundo. Estamos sendo tratados como tal”, afirmou o auxiliar de Bolsonaro.”

Guarde essa declaração de terceiro mundo que eu volto logo menos. Entra em cena Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara:

Integrantes da equipe econômica e do Ministério da Saúde ressaltam que os insumos para a produção da vacina de Oxford comprados da China deveriam ter chegado ao Brasil até dezembro, mas que “incidentes diplomáticos” acabaram atrasando. Um desses incidentes, segundo auxiliares dos ministros Paulo Guedes e Eduardo Pazuello, teria sido o ataque do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, em novembro do ano passado.”

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O parlamentar, que é filho do presidente brasileiro, acusou o Partido Comunista Chinês de espionagem, ao falar sobre a adesão do Brasil à chamada Clean Network (Rede Limpa), articulada pelos Estados Unidos junto a outros países e cujo objetivo é banir a Huawei dos serviços de tecnologia 5G. A embaixada da China reagiu e afirmou que “declarações infames” de Eduardo e “algumas personalidades” brasileiras desrespeitam “os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”.”

Sabe quem também reagiu? Mourão, e olha a delicadeza do general:

“O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse nesta 6ª feira (27.nov.2020) que a Embaixada da China foi “diplomaticamente errada” ao publicar nota nas redes sociais criticando publicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que levantou suspeita de “espionagem” do país asiático a partir da tecnologia 5G. A declaração de Mourão foi feita a jornalistas no Palácio do Planalto.É a 2ª vez que o embaixador chinês reage dessa forma. Dentro das convenções da diplomacia, o camarada, se sentindo incomodado com qualquer coisa que tenha ocorrido no país, ou escreve uma carta para o ministro das Relações Exteriores ou vai ao Itamaraty e apresenta suas ponderações, não via rede social, porque aí vira 1 carnaval esse negócio”, declarou. Segundo o vice-presidente, o posicionamento do Itamaraty foi “muito correto”. O ministério disse, em nota, que “o tratamento de temas de interesse comum por parte de agentes diplomáticos da República Popular da China no Brasil através das redes sociais não é construtivo”.” [Poder360]

O mais espantoso da resposta do Mourão não é nem a ironia por censura ataques em redes sociais sendo vice do Bolsonaro, mas achar que os embaixadores chineses mundo afora agem à revelia de Pequim, porra, vai ser burro assim lá na casa do caralho!

A Andréia Sadi também escreveu sobre essa tragédia diplomática:

“No governo federal, estão em contato com a China o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. No entanto, por conta da postura bélica e dos ataques do chanceler à China – em sintonia com a família Bolsonaro-, assessores presidenciais temem que Ernesto não obtenha informações precisas sobre o prazo da entrega dos insumos antes do término do estoque disponível: fim de janeiro.” [G1]

Qual incentivo os chineses têm para tratar Ernesto bem?! Qual incentivo os chineses têm para agradar um presidente cujo governo ataca a China frequentemente?! Dia desses Bolsonaro tava dizendo que “o vírus veio de lá“. O primeiro-ministro australiano disse algo parecido e tá comendo o pão que o diabo amassou.

Por isso, há uma discussão entre auxiliares presidenciais sobre se não seria o caso de o próprio presidente Bolsonaro contatar o presidente chinês.”

No Way Do Not Want GIF

Periga Bolsonaro começar a ligação dizendo que gosta muito de pastel de flango…

Outro cenário em debate, nos bastidores, é montar uma força-tarefa com ministros com boa relação diplomática com a China, como a ministra Tereza Cristina (Agricultura), e até o vice-presidente, Hamilton Mourão. O impasse em relação a Mourão, admitem governistas, seria a liberação de Bolsonaro para que o vice tenha protagonismo numa questão dessa magnitude.

Sim, o idoso de 65 anos é ciumento e paranóico.

“Um ministro do governo defendeu ao blog que até o ex-presidente Michel Temer seja chamado a ajudar na relação com a China, já que ele mantém contatos diplomáticos com o país.”

É a cena do Temer passando a faixa para Bolsonaro em reverso, porra! É o mais constrangedor dos atestados de incompetência. Se bobear vão pedir ao Temer pra interceder junto aos americanos, e não sei se o coração do Michel Miguel dará conta de sua vaidade.

Maia marcou um almoço com o embaixador chinês e disse que “Vou dizer que o Brasil é uma coisa, Bolsonaro é outra” e o Itamaraty também vai pelo mesmo caminho:

“Apesar de o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ser considerado da chamada ala ideológica do governo, dentro do Itamaraty há um esforço diplomático para que os impasses com a Índia e com a China, em torno das vacinas e dos insumos para os imunizantes, seja resolvido “nos próximos dias”. Embaixadores ouvidos pela coluna e que acompanham as negociações reconhecem que o governo agiu de forma equivocada na comunicação. A avaliação feita no MRE é de que os anúncios do governo fizeram “muito barulho” sem os produtos estarem já em mãos brasileiras. “Lamentamos que tenha havido esse ruído de comunicação e a culpa é do governo”, disse um diplomata. Araújo fez contatos com os chanceleres de Índia e China, mas são os embaixadores do Brasil nos dois países que estão sendo considerados, no momento, os principais negociadores do impasse. No caso da Índia, o diplomata André Aranha Corrêa do Lago tem chegado a um entendimento e afirmou às autoridades brasileiras que acredita no fim do impasse – ou seja na entrega das duas milhões de doses das vacinas já adquiridas pelo Brasil – “em pouco dias”. A ordem, no entanto, é não fazer anúncios e nem antecipar as tratativas justamente para evitar repetir os mesmos erros e voltar a frustrar as expectativas. No caso da China, além de questões internas e comerciais, há um esforço de diplomatas de carreira para minimizar o desgaste entre o governo de Pequim e do presidente Jair Bolsonaro. O embaixador do Brasil em Pequim Paulo Estivallet de Mesquita está em contato com as autoridades chineses para superar as burocracias em torno da demora na chegada dos IFAs (Ingrediente Farmacêutico ativo) que será usado para a fabricação tanto da CoronaVac/Butantan como da Oxford/Astrrazeneca. Diplomatas reconhecem que há um ponto de desgaste pela postura do presidente e também de aliados da ala ideológica, que já fizeram acusações de que a China é a culpada pelo coronavírus e também já descredenciaram o país na fabricação de vacinas. A tentativa de diplomatas de carreira é tentar separar a postura errática do governo de atuações de diplomacia de estado. “Há um esforço enorme de não deixar que essa disputa interna pelo poder no governo não contamine as relações diplomáticas”, disse uma fonte do Itamaraty. “É papel do estado resolver isso o quanto antes”.” [UOL]

O Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, foi no meio do presidente:

“Se a vacina agora é do Brasil, o nosso presidente tenha a dignidade de defendê-la e de solicitar, inclusive, apoio, pro seu Ministério de Relações Exteriores na conversa com o governo da China. É o que nós esperamos” [O Globo]

E o governo federal só tem vacina chinesa porque a tal exportação de 2 milhões de doses inidianas da vacina de Oxfod não acontecerá tão cedo:

“A Índia, uma das maiores fabricantes de insumos médicos do mundo, começará a exportar vacinas contra Covid-19 até a próxima quarta-feira, disseram fontes governamentais. O Brasil, que negocia o envio de 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford produzidas pelo instituto indiano Serum, não está na lista de nações contempladas, segundo apurou a Reuters. O primeiro lote exportado irá para o Butão, disseram as autoridades, que pediram para não terem seus nomes revelados pois um anúncio formal ainda será feito pelo governo indiano.Dois milhões de doses do imunizante produzidas pelo Instituto Serum também serão despachadas para Bangladesh na quinta, disseram as mesmas fontes. O Ministério das Relações Exteriores de Bangladesh confirmou os planos, afirmando que um voo especial da Índia desembarcará em Dhaka na quinta. “Bangladesh receberá 2 milhões de doses da vacina contra Covid-19 Oxford-AstraZeneca da Índia como uma doação em 21 de janeiro”, disse a pasta em comunicado. O Instituto Serum, maior produtor mundial de vacinas, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Índia recebeu pedidos de dezenas de nações, incluindo um pedido urgente do Brasil, para começar a exportar a vacina do centro do Serum na cidade de Pune. O governo do premiê indiano, Narendra Modi, no entanto, queria iniciar a campanha de vacinação no país antes de começar as exportações, disse uma das fontes.” [O Globo]

Modi também queria que os brasileiros fossem discretos, mas Bolsonaro saiu por aí falando das vacinas indianas e ainda teve a pachorra de adesivar o avião, numa trágica interpretação do “amiga, aja naturalmente”.

“A Índia começou a vacinar no sábado seus profissionais de saúde com o imunizante Oxford/AstraZeneca, assim como um outro desenvolvido pela Bharat Biotech. O país pretende começar a exportar a vacina da Bharat em um segundo momento. O governo brasileiro chegou a preparar um avião para buscar 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca na Índia, que seriam exportadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e usadas no início da vacinação no país, mas o voo acabou sendo cancelado. O uso emergencial do imunizante que seria trazido do país asiático foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último domingo. Além disso, clínicas privadas de vacinação também têm acordo para comprar 5 milhões de doses da vacina da Bharat uma vez que o imunizante obtenha registro definitivo junto à Anvisa. Na última segunda-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, justificou os entraves nas negociações com a Índia pelo “fuso horário” do país asiático. Pazuello também não soube precisar uma data para a chegada das doses produzidas pelo Serum. — Todos os dias nós temos tido reuniões diplomáticas com a Índia, todo dia. O fuso horário é muito complicado. Nós estamos recebendo a sinalização de que isso deverá ser resolvido nos próximos dias dessa semana — disse o ministro da Saúde durante coletiva de imprensa. A medida do governo da Índia abre caminho para que muitos países de renda baixa e média garantam fornecimento da vacina da AstraZeneca desenvolvida com a Universidade de Oxford. Na semana passada, o instituto disse à Reuters que esperava para breve uma autorização para uso emergencial da vacina por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS). O Serum teve licenciamento para produzir o imunizante para países de renda baixa e média. A medida também permitirá que o Serum comece a fornecer para a iniciativa Covax, da OMS, que visa uma distribuição igualitária de vacinas contra Covid-19 ao redor do mundo.”

E isso só acontece porque o Brasil ajudou a barar a quebra da patente, viado!

“Na busca por se aliar aos interesses dos países ricos, de atender demandas de Donald Trump e em seu sonho de entrar na OCDE, o governo de Jair Bolsonaro foi contra a proposta feita pela Índia ainda em 2020 para que patentes sobre vacinas fossem abolidas e que a produção pudesse ocorrer em laboratórios distribuídos pelo mundo. Agora, Nova Delhi diz que é justamente a falta de uma maior distribuição para a produção de versões genéricas da vacina que impede o abastecimento global. Nesta terça-feira, numa reunião fechada na Organização Mundial do Comércio em Genebra, Nova Delhi foi explícita em constatar que o “pior dos pesadelos” se confirmou diante da incapacidade de se encontrar um acordo: não há vacinas para todos. O Brasil comprou sua vacina da Oxford/AstraZeneca. Mas o produto é fabricado na Índia. O problema é que, com um governo nacionalista, Nova Delhi dificultou a exportação dos imunizantes para permitir que sua campanha de vacinação fosse iniciada. Além disso, os indianos indicaram que vão começar a exportar as doses. Mas, num primeiro momento, para seus aliados na região e vizinhos, num gesto geopolítico calculado. O primeiro lote de exportações será enviado para o Butão, ainda na quarta-feira. Um dia depois, dois milhões de doses da vacina também serão enviadas para Bangladesh. Não há uma data para o fornecimento ao Brasil. Na OMC, o governo da Índia tomou a palavra para voltar a defender a ideia de uma suspensão das patentes do produto. Para a Índia, “os piores temores de escassez e fornecimento se tornaram realidade, com programas de lançamento de vacinas de quase todos os países do mundo sofrendo atrasos devido à fabricação insuficiente e não disponibilidade do número necessário de doses de vacinas”. Enquanto isso, porém, Nova Delhi alerta que “um grande número de instalações de fabricação em muitos países com capacidade comprovada para produzir vacinas seguras e eficazes são incapazes de utilizar essas capacidades devido a novas barreiras de propriedade intelectual”. Esta é a prova, na opinião da Índia, de que o atual sistema de patentes não é suficiente para atender a enorme demanda global de vacinas e tratamentos. Segundo a Índia, o que os países desenvolvidos disseram sobre a suficiência de tais acordos de licenciamento para aumentar as capacidades de fabricação provou ser insuficiente. As licenças voluntárias, mesmo quando existem, estão envoltas em segredo, os termos e condições não são transparentes e o escopo é limitado a quantidades específicas, ou para um subconjunto limitado de países, encorajando assim o nacionalismo. Nova Delhi ainda colocou dúvidas sobre a capacidade de o mecanismo da OMS de distribuir vacinas poder ser uma solução. Países como África do Sul, Afeganistão, Paquistão, Zimbábue, Egito, Mongólia, Chade, Indonésia, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka, Camboja e Venezuela também falaram em apoio à proposta. A OMS também é favorável à ideia indiana. Mas o projeto conta com uma forte rejeição por parte dos países ricos, detentores das patentes.” [UOL]

Olha a mão invisível do mercado estapenado Bolsonaro:

O Brasil foi o único país em desenvolvimento a declarar abertamente que era contra a proposta, abandonando anos de liderança internacional para garantir o acesso a remédios aos países mais pobres.

Boulos GIF

Imagine aí, Brasil se portando como país rico, tratamento privilegiado pra quê na OMC se a gente pode entrar pra OCDE? Pra quê quebrar patente se temos dinheiro sobrando pra comprar vacinas enquanto o mundo inteiro compra vacinas?! É a mesma loucura que faz pobre pensar como se fosse um herdeiro, é a mais bem sucedida lavagem cerebral em massa das últimas décadas.

“Para rebater os indianos, Europa, EUA e Japão insistiram que a quebra de patentes não resolveria a questão do abastecimento de matérias-primas.”

Numa pandemia não deveria haver patente e ponto final.

“Eles também enfatizaram que o atual sistema contém ferramentas suficientes para resolver quaisquer problemas relacionados à propriedade intelectual e que a implementação da proposta de renúncia minaria os atuais esforços para combater a pandemia. Um dos impactos seria afastar investimentos do setor privado. Esses países observaram que embora haja financiamento público para pesquisa e desenvolvimento, a produção e distribuição das vacinas continua sendo um risco de investimento para o setor privado.”

Sofre muito o setor privado, força, guerreiros!

Encerro com o Luiz Carlos Azedo:

“Há derrotas por antecipação. Geralmente, como já disse, ocorrem quando se comete um erro de conceito estratégico. A partir daí, os planejamentos tático e operacional são desastres sucessivos. Em tese, oficiais superiores são treinados para serem bons estrategistas. O marechal Castelo Branco, por exemplo, conquistou essa fama nos campos da Itália, na II Guerra Mundial, ao elaborar o bem-sucedido plano da tomada de Monte Castelo, que veio a ser uma das glórias de nossos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Não é o caso do general Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, apesar da fama de craque em logística. O primeiro erro de conceito de Pazuello é considerar a pandemia uma guerra. Como figura de linguagem, ainda se pode dar um desconto; como conceito de política sanitária, porém, leva a conclusões equivocadas. Logo no começo da pandemia, o sanitarista Luiz Antônio Santini, médico e ex-diretor do Inca, publicou um artigo no site do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz chamando atenção para isso: “A metáfora da guerra, embora frequente, não é adequada para abordar os desafios da saúde, até porque, por definição, uma guerra visa derrotar um inimigo e, para isso, vai requerer a mobilização de recursos das mais variadas naturezas que, em geral, levam a uma brutal desorganização econômica e social do país. Essa visão belicosa, no caso de uma pandemia, além de limitar, é seguramente ineficiente”. Segundo o sanitarista, uma pandemia não representa um ataque inesperado de um agente inimigo da humanidade, como a tese da guerra sugere. “O processo de mutação dos vírus é uma atividade constante na natureza e o que faz com que esse vírus mutante alcance a população, sem proteção imunológica, são, além das mudanças na biologia do vírus, mudanças ambientais, no modo de vida das populações humanas, nas condições econômicas e sociais. Muito além, portanto, de um ataque insidioso provocado por um agente do mal a ser eliminado.” Muito provavelmente, o que está acontecendo em Manaus, e pode se repetir em outras cidades, é consequência de uma mutação genética do vírus da covid-19, que fez com que a doença se propagasse mais rapidamente e a subestimação da importância do distanciamento social e outros cuidados, como uso de máscaras. A pandemia não é culpa de Pazuello, mas um fenômeno da natureza. Entretanto, deveria ter sido mitigada pelo Ministério da Saúde, enquanto a ciência busca respostas com vacinas, medicamentos, mais conhecimentos e tecnologias. O problema é que Pazuello não foi nomeado para o cargo de ministro da Saúde por seus conhecimentos em saúde pública, mas porque obedece cegamente ao presidente Jair Bolsonaro, um capitão que pauta sua atuação na Presidência pelo improviso e, no caso da pandemia, pelo negacionismo.

Por ordem de Bolsonaro, Pazuello apostou no “tratamento precoce” à base de um coquetel cuja eficiência é contestada pelos epidemiologistas. No caso de Manaus, segundo depoimentos de intensivistas, a maioria dos mortos havia tomado hidroxicloroquina, azitromicina, zinco e vitamina D, além da ivermectina. O general foi a Manaus recomendar esse tratamento alternativo em massa, na expectativa de que isso contivesse a pandemia, em vez de dar a devida importância à escalada da doença, que provocou o colapso dos hospitais, a começar pela falta de oxigênio. Pesaram na sua avaliação a sua autossuficiência e ignorância em matéria de saúde pública. A mentalidade bélica também cobra um preço na questão das vacinas. O tempo todo o governador de São Paulo, João Doria, foi tratado como inimigo por Bolsonaro, que demitiu Henrique Mandetta por ciúmes. O ex-ministro havia alcançado grande popularidade, ao liderar a luta contra a pandemia, e havia se encontrado com o governador paulista para discutir a colaboração entre os governos federal e estadual no enfrentamento da crise sanitária. À época, Bolsonaro considerava a covid-19 uma “gripezinha”, sabotava o distanciamento social e desacreditava a vacina, que ainda se recusa a tomar, com argumento de que foi imunizado pela doença, embora os casos de reinfecção estejam aumentando. O resultado todo mundo sabe. A vacina do Butantan (CoronaVac) é a única disponível até agora. O governador João Doria começou a campanha de vacinação no domingo. Pazuello corre contra o prejuízo. As vacinas disponíveis — 6 milhões de doses, equivalentes à vacinação de 3 milhões de pessoas, a maioria profissionais de saúde — são insuficientes para imunizar a população. Além disso, tanto a produção da vacina do Butantan quanto a da Fiocruz precisam de insumos importados da China, dos quais somos tão dependentes como os chineses da nossa soja. Outro erro estratégico de Bolsonaro, nesta pandemia, foi falar mal da China. Pode nos custar muito mais caro do que se imagina.[Folha]

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2. Malditos Milicos

O Luiz Fernando Vianna escreveu um artigo que passou batido por mim, intitulado “Na pandemia, Exército volta a matar brasileiros”

“Em vários momentos da nossa história, o Exército brasileiro se pôs a matar a população em grande quantidade. Na Revolta de Canudos, por exemplo, destruiu um povoado de 25 mil habitantes, na Bahia, em 1897. Nem as crianças foram poupadas. A Comissão Nacional da Verdade, que atuou entre 2012 e 2014, apontou 434 mortos e desaparecidos pelo Estado brasileiro entre 1946 e 1988. A maior parte dos crimes aconteceu durante o regime militar (1964-1985), quando as Forças Armadas se uniram às polícias para torturar e assassinar. Com a redemocratização, o Exército se adequou ao seu papel constitucional. Nos últimos anos, começaram a acontecer coisas antes impensáveis, como um general, Eduardo Villas Bôas, pressionar o Supremo Tribunal Federal para que não se tomasse uma decisão em favor do ex-presidente Lula. No governo de Jair Bolsonaro, o Exército voltou a se lambuzar de política. Oficiais da ativa e da reserva ocupam postos-chave, participam de manifestações antidemocráticas e, assim, emitem sinais de que as Forças Armadas endossam o que presidente diz e faz. No momento, o Exército participa de um massacre. Um general, Eduardo Pazuello, aceitou ser ministro da Saúde mesmo, como admitiu, sem saber o que é o SUS (Sistema Unificado de Saúde). Suas credenciais eram as de um craque da logística. Ele pode ser bom em distribuir fardas e coturnos, mas, como estamos vendo, não sabe salvar vidas. Demorou a comprar seringas e agulhas, e ainda mandou um lote vir de navio, porque é mais barato.

Só agora, e quase à revelia dele, cidadãos daqui começam a ser vacinados, embora mais de 35 milhões já tenham sido ao redor do planeta. O Brasil passou dos 209 mil mortos, e Pazuello continua defendendo o uso de remédios que não servem para combater os efeitos do coronavírus Não se trata de um caso isolado, de um incompetente que está fazendo trapalhadas. Bolsonaro o nomeou para que ele as fizesse. O lambe-botas do presidente soube com dias de antecedência que os hospitais de Manaus entrariam em colapso por falta de oxigênio para os pacientes. Nada fez, a não ser prescrever a inútil cloroquina. A tragédia do Amazonas reforça o que não é novidade, mas ainda assim é terrível: temos um governo que atua para que um número cada vez maior de brasileiros morra. Não é acidente, é projeto. Em cada mil brasileiros, um já morreu de Covid-19. Os generais de Brasília (Mourão, Augusto Heleno, Braga Netto, Azevedo e Silva) pouco fazem além de inscrever seus nomes na história como operadores de um morticínio – não se pode usar a palavra genocídio porque algumas damas da intelectualidade ruborizam. O Exército ainda está sendo cúmplice da, quem diria, venezuelização do Brasil. Em vez das milícias boliviarianas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, estão em formação as milícias bolsonaristas: facilitação da compra de armas por civis, aumento de poder e de vencimento para policiais, mobilização de apoiadores contra o Legislativo e o Judiciário para que estes se submetam ao Executivo. Enquanto tentamos sobreviver na pandemia, temos um governo que joga contra nós e é integrado por oficiais que envergonham as fardas que vestem ou vestiam.” [Época]

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Uou, que texto!

É claro que o Exército não gostou, até aí é do jogo, mas olha a cartinha do general da ativa responsável pelo departamento de Comunicação Social do Exército, né um senil qualquer da reserva não.

Os maldios milicos acham que tão dando ordens pra subalternos em um quartel qualquer, não fode! Olha o tom, o palavreado, a petulância do maldito milico!

E por conta dessa pendenga o DefesaNet aprontou das suas, numa espécie de editorial, o mais mau escrito dos editoriais:

“Desde 2020 DefesaNet tem adotado algumas “tags”, que representam o real objetivo do autor ou do órgão de imprensa.

Assim surgiu a tag, “Coup d´Presse”, que representava notícias publicadas com objetivo de denegrir, em especial as Forças Armadas. Quando questionados sobre o conteúdo no mínimo forçado ou em alguns casos mentiroso os jornalistas autores das matérias defendem-se, “foi o editor que forçou a alteração dos conteúdos”.

Posteriormente a tag “Coup d´Etat” com o objetivo claro de desequilibrar o governo.

Já há alguns meses surgiu um fato maior e que rende maior desgaste, o “Coup d´Covid”. Massiva veiculação de notícia sobre a pandemia. Os coordenadores da desestabilização não medem esforço em massacrar a Sociedade e o Cidadão.

O apresentador Wilian Bonner afirmou “Lutamos contra loucos”. Cabe a pergunta, quem é louco aquele que incentiva a depressão e o suicídio, em especial de jovens, com a contínua apresentação de imagens de cemitérios e covas e notícias que só geram pânico, até o momento impunemente. O artigo abaixo segue este tom.. Cabe a pergunta quem é o assassino de reputações?

O Editor” [DefesaNet]

Imagine uma porra dessa, os golpistas-mor da nação listando ameaças de golpe contras eles próprios. Que filhos da puta do caralho! E sim, um governo verde-oliva e o que faz as pessoas quererem se matar é o… trabalho da imprensa. Bom era quando os censores diziam o que podia e o que não podia estampar os jornais.

E forma como Bolsonaro vê as Força Armadas mostra bem o quão autoritário ele é:

“”Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo. Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam”, disse o presidente. Em momentos de pressão, como a derrota em relação à vacina, o presidente costuma radicalizar o discurso na tentativa de fidelizar a sua base de apoio mais radical. A frase sobre as Forças Armadas já havia sido usada por Bolsonaro no início de seu mandato, em março de 2019. “A missão será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia. E isso, democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”, afirmou naquele ano, durante um evento no Rio de Janeiro. Em maio do ano passado, o presidente retomou o tema ao declarar: “Nós temos o povo ao nosso lado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo, pela lei, pela ordem, pela democracia, e pela liberdade”. Um mês depois, durante o velório de um paraquedista do Exército, Bolsonaro disse que “a nossa missão, a missão das Forças Armadas, é defender a pátria, é defender a democracia”.​” [Folha]

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Ouvir isso enquanto o impeachment ganha força não é coincidência.

Ah, e os milicos estão putos com Pazuello porque ele não teria dado o devido destaque ao trabalho da FAB…

“Com o aumento da insatisfação, Bolsonaro realizou uma reunião de emergência com Pazuello na tarde desta segunda-feira (18). No encontro, que teve a participação de outros generais do governo, ele disse que, por enquanto, não pretende mudar o comando da Saúde. O presidente, no entanto, pontuou que Pazuello precisa melhorar a comunicação das iniciativas da Saúde, dando mais destaque a medidas adotadas pelas Forças Armadas, um dos motivos que tem causado mal-estar entre generais da ativa. A avaliação, sobretudo no Ministério da Defesa, é que o ministro precisa fazer uma defesa mais enfática das operações militares no transporte de insumos a cidades em situação de emergência por causa da doença. O último mal-estar ocorreu na crise recente em Manaus. No dia 8, o Ministério da Defesa iniciou operação de transporte de cilindros de oxigênio para o estado do Amazonas. No dia 11, Pazuello visitou Manaus e, na opinião de militares do governo, não deu o devido destaque à operação iniciada quatro dias antes. Para tentar melhorar a imagem do ministro, segundo assessores presidenciais, Bolsonaro escalou o ministro das Comunicações, Fábio Faria, para que ele ajude a equipe da pasta a elaborar um novo plano de mídia. O primeiro passo da mudança foi a convocação de uma entrevista do ministro logo após a reunião no Palácio do Planalto. No início de seu discurso, Pazuello fez questão de citar iniciativas realizadas com o apoio das Forças Armadas, justamente na tentativa de agradar o comando militar. Auxiliares civis do presidente e parlamentares do centrão não acreditam em uma troca de ministro agora. Eles ponderam que os militares sempre reclamam, mas que Bolsonaro gosta do perfil “cumpridor de ordens” exibido por Pazuello.”

E Mourão não viu nada demais na fala presidencial!

“”O presidente (Bolsonaro) já tocou nesse assunto várias vezes e, é óbvio, se tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida”, disse em conversa com jornalistas na chegada ao Palácio do Planalto nesta manhã. “Não é o caso aqui do Brasil, obviamente, mas nós temos nosso vizinho, a Venezuela, que vive uma situação dessas.”” [Estadão]

Aperte os cintos:

“As Forças Armadas são totalmente despolitizadas. Não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico. As Forças Armadas estão comprometidas com a missão delas.” [O Globo]

Olha que filho da puta! E aqui faço minhas as palavras do militar da reserva Marcelo Pimentel Jorge de Souza:

“Quase TODO o ALTO COMANDO DO EXÉRCITO de 2016/17, do qual ele fazia parte, está ocupando ou ocupou recentemente CARGO POLÍTICO vinculado à uma linha IDEOLÓGICA bastante clara. Além dele, vice-presidente de um presidente extremamente “ideológico”, há ministros de estado, presidentes de estatais, secretários executivos de ministérios, embaixador (!), diretores de agências reguladoras, secretário de segurança pública, assessores de ministros e o próprio comandante do Exército da ocasião (o dos tuites) de ASPONE no GSI. Somente 2 dos 15 generais 4 estrelas do ACE de 2016/17 não ocupam cargos por nomeação política: o comandante do Exército e um general que presta tarefa no Ministério da Defesa. O atual Alto Comando contava até outro dia com 2 generais da ATIVA (Ramos e Braga Netto) como os ministros políticos do governo. E foram pra lá, pro governo, desempenhar um PROJETO POLÍTICO do Exército. O primeiro, fazer o que fosse necessário pra articular com o parlamento a aprovação da melhoria de nossos salários, aposentadorias e pensões e facilitar as pautas corporaticmvas de interesse da instituição em nível da normatização LEGAL. O segundo, para gerenciar os ministérios e as nomeações…..com a finalidade de atender os parceiros (Escolas Cívico Militares, vagas INSS, aparelhamento ministérios, autarquias, estatais etc.) e desenvolver a pauta de interesse corporativista no âmbito da normatização ADMINISTRATIVA. Isso tudo sem falar nos generais 3 e 2 estrelas da ativa e da reserva que se ABOLETAM no governo. Quanto à INDISCIPLINA, chega a ser ridículo. O vara eh vive de um notório capitão INDISCIPLINADO e também é INDISCIPLINADO, só não foi punido pelo seu comandante porque ambos tinham, justamente, um PROJETO POLÍTICO, que construíram na ATIVA como ocupantes da cúpula do EB. O projeto POLÍTICO dessa turma (incluo praticamente todos os generais dessa geração AMAN 70) era GOVERNAR o Brasil e fazer dos integrantes das Forças Armadas, suas famílias, seus entornos sociais e simpatizantes sua BASE ELEITORAL e MILITANTE. Estamos lidando com um PARTIDO POLÍTICO sem registro!!! Será preciso desenhar isso, meu Deus?!” [Fcebook]

Encerro com o capitão:

“Não vou dizer que sou um excelente presidente. Mas tem muita gente querendo voltar o que eram os anteriores. Já reparou? É impressionante. Estão com uma saudade de um…”

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Porra, eu morro de saudades do Temer, da Dilma, do Lula, do FHC, do Itamar, do Collor, até do Velho Sarna, porra!

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3. Covid-17

Pazuello não cai e o morivo é simples: quem vai ser trouxa de virar ministro da Saúde do Boslonaro em plena pandemia?! O Ricardo Barros, o principal nome cotado, ex-ministro da Saúde do Temer, não seria maluco de topar assumr o ministério pra ser o office-boy presidencial:

“Criticado por sucessivos erros na condução da pandemia nos últimos dias, Eduardo Pazuello (Saúde) tem sido visto como um para-choque de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Para auxiliares do presidente, o ministro foi para a linha de frente em um dos momentos de maior cobrança por ações do governo federal. O general deu três entrevistas coletivas em menos de 24 horas, enquanto Bolsonaro sumiu por um período das redes sociais e falou apenas algumas palavras com apoiadores. Como escudo, Pazuello mentiu, distorceu dados, fez promessas que se desmanchavam horas depois e evidenciou as falhas do governo. Apesar do desgaste reconhecido no próprio Palácio do Planalto, no fim da tarde desta segunda (18) uma troca estava descartada, nas palavras de auxiliares de Bolsonaro. Políticos observaram uma mudança de comportamento na dinâmica. Na semana passada, o general chegou a dizer que preferia não falar com a imprensa e que essa responsabilidade era de seu secretário-executivo.” [Folha]

Sim, o porta-voz do ministério é aquele estúpido do boche de caveira, que gfoverno mórbido do caralho!

Justificou que, se o auxiliar erra alguma informação, o chefe ainda pode corrigir. Auxiliares afirmam que Bolsonaro tem dito em reuniões que acredita que haverá uma redução em sua popularidade em pesquisas no início deste ano, a que ele atribui ao fim do auxílio emergencial e não tanto à condução da pandemia ou falta de vacina no Brasil.

Que Bolsonaro continue subestimando a realidade.

A situação tá tão ruim que o vice enfileirou essas palavras:

“Apesar do ministro ser um oficial general do Exército da ativa, mas independente do cara estar na ativa ou na reserva, qualquer militar sempre é visto como representante das Forças. E a situação do ministro Pazuello, como ministro da Saúde, ele vem procurando as melhores soluções para essa crise da pandemia e óbvio que isso tem pontos a favor e pontos que são contra a gestão dele. Vamos lembrar o que o ministro já tinha falado semanas atrás. Que, a partir do momento em que a vacina fosse aprovada, se levaria de dois a três dias para que ela tivesse colocada em todos os pontos do Brasil. O que aconteceu é que ficou aquela expectativa que, da noite para o dia, ia chegar no Acre e no Rio Grande do Sul ao mesmo tempo. É complicado. É aquela história, muita ansiedade e você sabe que há obviamente uma exploração política disso aí. É aquela história, né, nessas horas muitas vezes o controle foge” [UOL]

Sim, o general vice-presidente diz que a situação está fora de controle!

E como eu disse ontem, Pazuello enfim deve ter conversado com um advogado, o que explica ele ter alegado demência em coletiva ontem, falando grosso com jornalistas mulheres e jurando que ele nunca promoveu cloroquina.

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“O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, mentiu hoje ao dizer que a pasta nunca indicou nenhum medicamento para o tratamento da covid-19. Logo depois de sua posse, em 20 de maio, o ministério lançou um protocolo que sugeria a prescrição de hidroxicloroquina e cloroquina aos infectados, ainda que não haja nenhuma comprovação da eficácia desses remédios contra o coronavírus. “A senhora nunca me viu receitar, dizer, colocar para as pessoas tomarem este ou aquele remédio. Nunca. Não aceito a sua posição. Eu nunca indiquei medicamentos a ninguém, nunca autorizei o Ministério da Saúde a fazer protocolos indicando medicamentos”, disse o ministro a uma jornalista durante coletiva no Palácio do Planalto.” [UOL]

Assim como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Pazuello defendeu o uso de cloroquina contra a covid-19 em diversas oportunidades. Em 21 de julho, por exemplo, o ministro citou o antimalárico e a ivermectina, um vermífugo que também não tem eficácia comprovada contra a doença, quando falava sobre “tratamento precoce”. À época, apesar da existência do protocolo, Pazuello disse que era apenas uma “orientação”, não uma diretriz. Segundo ele, o Ministério da Saúde apenas apresentou quais medicamentos estão sendo usados, quais estão dando resultados e qual a melhor dosagem e momento de uso. “Temos a hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina listadas, e cabe ao médico prescrever qual é o medicamento adequado naquela fase e para aquele paciente”, afirmou ele em coletiva no Rio Grande do Sul. Depois, ao lado de Bolsonaro, ele voltou a recomendar o uso de cloroquina no tratamento da covid-19. A declaração foi feita em transmissão ao vivo em 22 de outubro (assista abaixo), um dia depois de Pazuello ser diagnosticado com a doença. Tanto ele como o presidente, que também já foi infectado, apareceram sem máscara. Durante a coletiva de hoje, Pazuello também negou que o Ministério da Saúde tenha defendido o “tratamento precoce” contra a covid-19, ainda que no sábado (16) o Twitter tenha ocultado uma publicação da pasta que falava justamente sobre isso por considerá-la “enganosa” e “potencialmente prejudicial”. “Não confundam o atendimento precoce com definição de que remédio tomar. Por favor, compreendam isso e não coloquem mais errado. Nós defendemos e incentivamos e orientamos que a pessoa doente procure imediatamente o posto de saúde, procure o médico. O médico faz o diagnóstico clínico desse paciente, esse é o atendimento precoce”, disse o ministro.

E como se as evidências não bastassem:

“Um ofício do Ministério da Saúde encaminhado para a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus no último dia 7 desmente a versão do ministro Eduardo Pazuello de que nunca recomendou “tratamento precoce” contra a Covid-19. Nesta segunda-feira (18), em uma entrevista coletiva, Pazuello disse que aquilo que o governo recomenda é o “atendimento precoce”. O ministro afirmou ainda que, na visão de “leigos”, as duas expressões podem ser confundidas. “Mas temos que saber exatamente o que queremos dizer: atendimento precoce”, reiterou. A versão de Pazuello já havia sido desmentida por atos públicos do próprio governo. O documento enviado para a secretaria de Manaus contém o registro por escrito de que a recomendação do governo era pelo “tratamento precoce”, como defende o presidente Jair Bolsonaro. No ofício, o ministério pede a autorização para visitas a unidades de saúde da capital do Amazonas, onde pretendia difundir as orientações do governo federal. Na ocasião, o estado já enfrentava uma explosão nos casos de Covid-19. “Em cumprimento ao Plano Estratégico de apoio ao município de Manaus para o enfrentamento à Covid-19, o Ministério da Saúde solicita autorização da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus para que possa realizar no dia 11 de janeiro de 2021, segunda-feira, a partir das 14 às 22 — visita às Unidades Básicas de Saúde destinadas ao atendimento preventivo à Covid-19, para que seja difundido e aprovado o tratamento precoce como forma de diminuir os internamentos e óbitos decorrentes da doença”, diz o ofício. O documento afirma ainda que há “comprovação científica” sobre a “eficácia dos medicamentos antivirais recomendados pelo Ministério da Saúde”. Segundo o ofício, a não adoção dos medicamentos recomendados seria “inadmissível” diante da gravidade da pandemia em Manaus.” [G1]

Ontem a Anvisa e o médico doidão francês disseram que cloroquina não vale de nada, e hoje teve isso ó:

“O editor-chefe do “The American Journal of Medicine”, Joseph Alpert, desmentiu as informações publicadas por Jair Bolsonaro em redes sociais sobre a efetividade da cloroquina no tratamento contra a Covid-19. Bolsonaro usou um artigo publicado no jornal em agosto para defender o uso do medicamento. O presidente postou a seguinte mensagem, além do link do estudo e um comentário do jornalista Alexandre Garcia, que afirmou que o uso precoce da cloroquina estava salvando vidas no Brasil:— Estudos clínicos demonstram que o tratamento precoce da Covid, com antimaláricos, podem reduzir a progressão da doença, prevenir a hospitalização e estão associados à redução da mortalidade. Segundo Alpert, em uma mensagem a médico brasileiro Gabriel Sanches, o artigo usado por Bolsonaro foi publicado “antes de termos bons dados sobre a cloroquina e sua ineficácia”. E explicou: — A recomendação foi baseada na observação de que, in vitro, a cloroquina inibe a replicação viral. Mas, como sabemos agora, não é eficaz uma vez que o paciente adquira a Covid. Por isso, publiquei muito pouco sobre a Covid, porque o que se sabe hoje será diferente amanhã. Você deve apontar para seus colegas que as recomendações nesse artigo são “antigas” e que os dados mais recentes não suportam essa recomendação.” [O Globo]

Eu me espanto com a capacidade do Doria irritar Bolsonaro, o presidente fica desnorteado com o “calcinha apertada” e sim, isso significa.

“Aliados do presidente Jair Bolsonaro dizem que ele dará o troco no governador de São Paulo, João Doria, em breve. Bolsonaro não perdoa o inimigo político por ter saído vitorioso na guerra pela vacina contra o novo coronavírus. Desde o fim de semana, quando ficou claro que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovaria o uso da CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan, o presidente da República vem se remoendo de raiva e busca uma forma de partir para cima de Doria. “A hora dele vai chegar”, teria dito Bolsonaro a alguns interlocutores. Doria posou como o grande salvador da lavoura ao insistir na fabricação da vacina em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O governador paulista tirou do governo federal a tão desejada foto do primeiro brasileiro vacinado em solo nacional contra a covid-19. A derrota de Bolsonaro para Doria ficou ainda maior porque o governo federal fracassou na tentativa de importar, da Índia, 2 milhões de doses da vacina produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. Com isso, só restou ao país, pelo menos neste momento, a CoronaVac como opção. A meta de Bolsonaro é tirar Doria do caminho para 2022, quando o chefe do Palácio do Planalto tentará a reeleição. E não medirá esforços para isso. Também está decidido que, para conter a perda de popularidade, que começa a aparecer nas pesquisas, o presidente reforçará seu antagonismo com o PT, que movimenta seus seguidores.” [<a rel="noreferrer noopener" href="http://

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E tem quem ache que a melhor saída é colocar um petista como rival do presidente. Se isos vem dum bolsonarista eu até entendo, tá jogando o jogo certinho, mas alguém da esquerda?! Depois da cagada de 2018?!

“Resta saber que armas Bolsonaro terá para enfrentar o governador paulista. O que se diz no Palácio do Planalto é que a guerra entre o presidente e Doria vai esquentar — e muito. “Bolsonaro não se dará por vencido. Ele está com o ego muito ferido”, diz um integrante do governo.

O mito está com o “ego ferido”, encontre o erro.

E a que ponto chegaqmos, metade do país realmente acha que Bolsonaro nada pode fazer na pandemia porque foi impedido pelo STF, a nossa desgraça não é política, é acima de tudo cognitiva, e isso leva um tempo fodido.

“O STF (Supremo Tribunal Federal) rebateu as declarações do presidente Jair Bolsonaro e afirmou, nesta segunda-feira (18), que a corte não proibiu o governo federal de agir no enfrentamento à Covid-19. Por meio de nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social do órgão, o tribunal ressalta que suas decisões estabeleceram a competência concorrente de estados, municípios e União para atuar contra a pandemia, sem excluir nenhuma esfera administrativa dessa responsabilidade. O texto não cita Bolsonaro, mas é uma resposta ao chefe do Executivo, que afirmou que não pode agir no combate à doença por decisão do Supremo. “Vou repetir aqui: que moral tem João Doria e Rodrigo Maia em falar em impeachment se eu fui impedido pelo STF de fazer qualquer ação contra a pandemia?”, afirmou Bolsonaro na tarde de sexta-feira (15) em entrevista a José Luiz Datena, da TV Band. Segundo Bolsonaro, pelo Supremo, ele deveria “estar na praia tomando uma cerveja”. O STF, porém, afirma que esse discurso não é verdadeiro. Na nota, a corte e menciona “afirmação que circula nas redes sociais” sobre o tema. “Na verdade, o Plenário decidiu, no início da pandemia, em 2020, que União, estados, Distrito Federal e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus”, diz a nota. E conclui: “Ou seja, conforme as decisões, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia”. As decisões mencionadas por Bolsonaro assentaram que estados e municípios têm autonomia para fixar medidas de prevenção à Covid-19. Na prática, a corte impediu o presidente de flexibilizar o isolamento social e adotar medidas não recomendadas por cientistas e estudiosos na área. O Supremo, porém, não retirou do governo federal a possibilidade de atuar contra a doença, apenas concedeu competência para os entes atuarem contra a doença de acordo com as peculiaridades de cada região.” [Folha]

E o caos em Manaus continua:

“Pelo menos seis pessoas morreram nas últimas 24 horas por asfixia no município de Faro, no Pará, segundo a prefeitura da cidade de 12 mil habitantes. A realidade no local é de colapso na área da saúde com a falta de oxigênio, leitos e medicamentos para os pacientes em tratamento da covid-19. O município fica na divisa com o estado do Amazonas. A situação mais preocupante é na comunidade de Nova Maracanã, onde pelo menos 34 pacientes estão hospitalizados. O município pede ajuda para transferir oito doentes que estão em estado grave e necessitam com urgência de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A falta de estrutura para atender a demanda de infectados também atinge as cidades vizinhas de Terra Santa (PA) e Nhamundá (AM).” [Estadão]

Se o que vai abaixo não é provocação eu não sei mais de nada:

“O Ministério da Saúde autorizou a ampliação “emergencial e temporária” de 72 vagas para profissionais do programa Mais Médicos para Manaus. A extensão das vagas é válida por um período improrrogável de um ano, segundo portaria da pasta publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 19.” [Estadão]

E os argentinos vão adorar isso aqui

“Em momento em que os estados temem uma interrupção da vacinação com o fim das 6 milhões de doses importadas da Coronavac, a empresa União Química vive incerteza quanto ao futuro de 10 milhões de vacinas Sputnik V. A Anvisa rejeitou pedido inicial de uso emergencial e aguarda mais documentos para analisar a liberação. A União Química espera receber da Rússia 600 mil doses em janeiro, 3,4 milhões em fevereiro e 6 milhões em março. No entanto, avisa que se a Anvisa demorar muito na aprovação, irá exportá-las.” [Folha]

E se alguém ainda tem dúvida que dezenas de milhares de corpos repousam no gabinete presidencial:

“A polarização política aumenta a mortalidade pela covid-19. A conclusão está em um novo estudo científico que mostra, pela primeira vez, uma correlação direta entre o número de mortes pelo novo coronavírus e o recrudescimento do populismo e da intolerância. O trabalho foi feito somente em países da Europa. Mas remete ao que ocorre no Brasil. Aqui, mais de 210 mil pessoas já morreram vítimas da doença. O presidente Jair Bolsonaro, porém, insiste em defender tratamentos sem comprovação científica, além de ter passado meses criticando as vacinas e o isolamento social. “Uma maior polarização social e política pode ter acabado por custar vidas durante a primeira onda de covid na Europa”, conclui o estudo. O trabalho avaliou a correlação entre as mortes e a polarização política em 153 regiões de 19 países da Europa. “Observamos que maiores níveis de polarização indicam um número de mortes significativamente maior. Por exemplo, a diferença no excesso de mortes entre duas regiões, uma sem polarização das massas (2,7%) e outra com níveis máximos (14,4%), é mais de cinco vezes maior.” O estudo é assinado por Víctor Lapuente, da Universidade de Gotemburgo (Suécia), e Nicholas Charron e Andrés Rodríguez-Pose, da London School of Economics. O trabalho está em processo de publicação no esquema pré-print (sem revisão de outros especialistas), na revista da Universidade de Gotemburgo. Os autores propõem três mecanismos que explicariam esse fenômeno. O primeiro é que é mais difícil nas sociedades polarizadas a construção de consenso político sobre as medidas sanitárias a serem adotadas. Outro é que as prioridades são definidas em função das exigências dos grupos de pressão (empresários, por exemplo), em detrimento da saúde pública. O terceiro é que, com a polarização, as políticas se tornam mais populistas e menos baseadas em critérios de especialistas. Os três mecanismos propostos no estudo são facilmente identificáveis no Brasil, dizem especialistas ouvidos pelo Estadão. Alguns exemplos são a defesa, por parte do presidente e do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, do que que eles chamam de tratamento precoce, que a ciência já mostrou não ter eficácia e a própria Anvisa se manifestou contrariamente no domingo. Outro é o questionável exemplo dado por Bolsonaro ao insistir em não usar máscara e ao provocar aglomerações. Há ainda as críticas infundadas às vacinas em desenvolvimento e o embate do presidente com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Desde o início estamos lidando com um negacionismo movido por pretensões políticas, pela vontade de agradar aos próprios eleitores, de se manter fiel a um tipo de discurso eleitoreiro”, resumiu a microbiologista Natália Pasternak, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Instituto Questão de Ciência. “A gente viu o presidente negando a gravidade da pandemia e politizando a questão dos remédios que toda a comunidade científica sabia que não funcionavam.” Na análise de Natália Pasternak, o discurso político do governo brasileiro está desconectado da realidade. “Não interessa se tem gente morrendo; nesse tipo de discurso político, só interessa quem chegou na frente, quem fez a melhor vacina”, disse. “É uma completa desconexão com a realidade.”

No estudo europeu, a polarização é entendida como “tribalismo identitário” e “animosidade contra o outro”. No Brasil, há essa clara divisão entre apoiadores e opositores do governo. Por isso, o uso de máscara é muito menor entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, e o isolamento social foi mais respeitado pela oposição. Outro artigo, publicado na revista Nature Human Behaviour, aponta “uma forte associação entre os níveis de animosidade partidária dos cidadãos e suas atitudes sobre a pandemia, assim como as ações adotadas em resposta a ela”. Um terceiro trabalho, na Science Advances, é ainda mais taxativo: “O partidarismo é um determinante muito mais importante da resposta de um indivíduo à pandemia que o impacto da covid-19 na comunidade desse indivíduo.” A cientista política Sara Wallace, da Universidade da Califórnia, estudou essa relação nos Estados Unidos de Donald Trump. Lá, a polarização política determinou muitas das práticas adotadas na pandemia. “Em circunstâncias de alta desinformação e falta de informação, as pessoas observam os exemplos; só podemos ser racionais se os nossos líderes forem racionais”, argumentou a especialista em seu trabalho. “Os americanos interpretam a pandemia de uma maneira fundamentalmente partidária, e as condições objetivas da pandemia desempenham, quando muito, um papel menor na configuração das preferências das massas.” Analisando o trabalho de Lapuente para o jornal espanhol “El País”, a professora da Universidade do País Basco Arantxa Elizondo explicou que duas questões centrais atrapalham a resposta científica à pandemia. São elas o medo da paralisação econômica e a busca por uma rentabilidade eleitoral. “Isso não só é uma falta de humanidade, mas também um erro colossal”, disse a especialista espanhola. “Sendo assim, a polarização custou vidas. É grave que muitíssimas pessoas que morreram poderiam ter sido salvas com outra atitude. Isso mostra também que é mais difícil mudar o comportamento humano do que conseguir desenvolver uma vacina em menos de um ano.”” [Estadão]

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4. Congresso

Domingo retrasado Gaspari disse que o Palácio havia amanhecido com a certeza da vitória do Baleia Rossi. 2 dias depois Bolsonaro estava implorando aos ruralistas para não votarem no Baleia. E agora começou a debandada, “eu fico muito triste com uma notícia dessa, filho da puta”!

“O partido Solidariedade decidiu nesta segunda-feira, numa reunião de sua direção e da bancada na Câmara, abandonar a candidatura do líder do PP à presidência da Casa, Arthur Lira (AL), e apoiar o presidente do MDB, Baleia Rossi (SP). O argumento foi de que o Legislativo precisa de independência para atuar na defesa da democracia, enfrentamento da pandemia da covid-19 e de um dos “mais graves índices de desemprego na história do país”. Todos esses desafios, disse o partido em nota, “devem ser enfrentados com soluções bem negociadas pelos poderes Executivo e Legislativo, sem subordinação de qualquer espécie”. Lira é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), enquanto Baleia concorre com apoio de partidos mais independentes em relação ao governo e também com a maioria da oposição. “O conjunto político-partidário formado em torno da candidatura e os compromissos assumidos por ele para esse equilíbrio e independência indispensáveis entre os poderes da República são as razões que fazem o SOLIDARIEDADE se empenhar também pela adesão de outras forças sociais e políticas no apoio à candidatura de Baleia Rossi à presidência da Câmara Federal”, disse o partido em nota. O Solidariedade tem 14 deputados federais e, inicialmente, tinha declarado apoio a Lira, participando inclusive do ato de lançamento da candidatura do pepista, mas recuou após pressão da base sindical de seu presidente, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força.” [Valor]

E como eu odeio o Paulinho da Força…

O confuso pastor Marco Feliciano tentou justificar a aliança do governo com o Centrão e mostrou o quão louco foram os dois primeiros anos do governo Bolsonaro:

“Começo este artigo com algumas considerações. A primeira delas é sociológica. Sendo o maior objetivo de qualquer governo a estabilidade —razão da própria invenção do Estado—, bem certo é que a baderna só interessa à oposição. A segunda meditação é filosófica: o valor do equilíbrio. Já dizia Aristóteles que a virtude está no centro. E o apóstolo Paulo, em sua segunda epístola a Timóteo, afirma àquele que estava ensinando a ser um dos governantes da igreja: “Seja moderado em tudo”.” [Folha]

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Vai ver é por isso que o Feliciano votou no Bolsonaro, né?

“A terceira premissa é jurídico-política: a democracia prescrita pela nossa Carta Magna é o regime das maiorias, da tripartição dos Poderes, dos freios e contrapesos, do “rule of law”. Dito isso, negociar para formar a maioria que não se tem é um fato que se impõe a um governo que pretenda implementar seu programa. Por fim, o quarto postulado é de natureza histórica: a trajetória dos grandes líderes mundiais ensina que a forma de conquista do poder é diferente de como se o exercita. Explico. É natural que a postura do candidato em uma eleição seja incisiva e, dentro do contexto da administração, o já então governante seja mais tolerante. Principalmente no caso brasileiro, onde o presidente da República é, simultaneamente, o chefe do governo da maioria e o chefe de Estado de todos. É a “realpolitik”, que privilegia o pragmatismo em detrimento das exacerbações ideológicas. Richard Nixon foi à China. Ronald Reagan financiou extremistas muçulmanos contra a União Soviética. João Paulo 2º, com o apoio de Margaret Thatcher, se uniu ao sindicalista Lech Walesa para rasgar a cortina de ferro. Se esses líderes conservadores seguissem a “cartilha” à risca, a Ásia e metade da Europa ainda estariam sob as garras do comunismo e o “império do mal” (como Reagan chamava a União Soviética) estaria de pé. De fato, ideologias são excelentes para formar maiorias circunstanciais em eleições, construir plataformas de governo e dar um norte ao governante. Mas, muitas vezes, podem não ser as melhores conselheiras na hora de administrar o Estado e de executar tais programas.”

Sim, ele tá dizendo que Bolsonaro não seguiu os melhores conselhos…

“Enfim, as evidências aqui referidas explicam a sensata atitude do presidente Jair Bolsonaro em liderar a formação de uma ampla coalização congressual de centro-direita, a fim de concretizar o programa liberal-conservador que o povo elegeu em 2018. E o tempo urge, pois nos últimos dez anos a única coisa que este país não teve foi estabilidade, essencial para o desenvolvimento. Foi a década da montanha-russa: a roubalheira lulopetista; a administração ruinosa de Dilma Rousseff (PT), com queda de PIB acumulada maior do que na pandemia; e um procurador-geral da República com ares de Nero, que fez o Congresso votar duas denúncias contra um presidente em menos de 90 dias. E, se isso tudo fosse pouco, quando retomávamos o rumo do crescimento após realizarmos a maior reforma previdenciária do mundo (parceria do governo Bolsonaro com o Parlamento), veio o coronavírus.”

Sim, o Brasil tava decolando…

“Daí a responsabilidade do nosso governo de liderar as reformas estruturantes: administrativa, tributária, federativa, desvinculação das receitas, privatizações, autonomia do Banco Central etc. Em suma, destravar a agenda das reformas encapsulada pela ambição desmedida de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e de seu grupo —que, para se manterem no poder, fizeram acordos com uma oposição que é vanguarda do atraso e manifestamente contrária às reformas. Bem sabemos que não existe almoço grátis. A fatura da esquerda vai chegar. Por isso, derrotar a candidatura inerentemente antirreformista de Baleia Rossi (MDB-SP) é uma prioridade nacional, pois só assim avançaremos nas reformas e impediremos o avanço da agenda de estatização e a perversão dos costumes exigida pela esquerda. É por isso que relevo quando meus seguidores nas redes sociais acusam o governo de perder sua identidade. Tenho a ética da responsabilidade. Sei que estamos fazendo política para colocar o projeto em pé. E não temos o direito de errar, pois a volta da esquerda é sempre uma ameaça. Vejam o exemplo da Argentina kirchnerista, que tomou o caminho estatizante da Venezuela e acaba de aprovar a legalização do aborto. Lembram-se do legendário “efeito Orloff”? Não quero nenhum liberal ou conservador argentino falando para mim como uma alma penada: “Eu sou você amanhã”.”

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5. BolsoDoria

O Brasil marcha furiosamente em direção ao passado, é impressionante.

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo abrirá chamada para selecionar escolas interessadas em adotar o modelo cívico-militar proposto pelo governo Bolsonaro. O anúncio da adesão foi feito pelo deputado estadual Tenente Coimbra (PSL) e confirmado pela pasta.” [Folha]

Sim, o projeto foi anunciado por um deputado tenente, viado!

“No ano passado, a gestão do governador João Doria (PSDB) chegou a anunciar a adesão do estado ao programa, mas o fez fora do prazo dado pelo edital do Ministério da Educação e ficou de fora. Um dia antes, o secretário da Educação paulista, Rossieli Soares, havia manifestado dúvidas sobre a proposta. “É difícil aderir a um programa que você não sabe o que é. Nos deixa absolutamente em dúvida”, afirmou na ocasião. Posteriormente, a secretaria disse ter obtido os esclarecimentos de que precisava sobre a iniciativa, que agora será aberta às escolas da rede paulista. O programa cívico-militar prevê a atuação de equipe de militares da reserva (sejam policiais, bombeiros ou membros das Forças Armadas) na administração escolar. Diferentemente das escolas puramente militares, totalmente geridas pelo Exército, nesse desenho as secretarias de Educação continuam com a responsabilidade do currículo, mas estudantes precisam usar fardas e seguir as regras definidas por militares. Colégios militares ganharam evidência nos últimos anos por causa de indicadores educacionais positivos e por atacarem o problema da indisciplina. Por outro lado, reportagem da Folha mostrou que as escolas militares e institutos federais com o mesmo porte e perfil socioeconômico de alunos têm desempenho similar. Especialistas criticam a militarização da educação e afirmam que escolas convencionais também podem melhorar seus resultados se receberem atenção especial. Entre os colégios de São Paulo que já manifestaram interesse informal no modelo cívico-militar estão unidades da Baixada Santista. Parte delas chegou a realizar assembleia para decidir sobre a adesão ao programa no ano passado. A Secretaria da Educação de Dória, à época, negou ter relação com a iniciativa.”

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>>>> A Nova Era, parte 1: “Catiane dos Santos Monteiro Seif, casada com o secretário da Pesca, Jorge Seif Júnior, ocupa cargo de confiança na Embratur, em Brasília. Ela é gerente na agência, a mais alta categoria das indicações de confiança, com salário de R$ 25.767,50, segundo dados oficiais. Seif é mais conhecido como o “06” de Bolsonaro e ganhou notoriedade no ano passado, quando, no derramamento de óleo nas praias do Nordeste, disse que peixe não morria porque era inteligente. Para advogados consultados pela Coluna, o caso pode ser enquadrado como nepotismo. Antonio Rodrigo Machado, professor de direito no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), afirma que o caso dela se encaixa na súmula vinculante 13 do Supremo, que define a prática de nepotismo. “Embora a Embratur não seja considerada entidade da administração pública direta nos moldes tradicionais, o formato é de maior influência do Poder Executivo e exige maior controle. Podemos concluir que há irregularidade nessa nomeação”, diz ele. O Turismo e a Embratur negam haver nepotismo. Segundo ambos, as regras excluem qualquer possibilidade de interferência de qualquer agente público na contratação de seus funcionários, selecionados em razão de suas competências”. A Coluna não conseguiu fazer contato com Catiane. Para André Rosilho, do Direito Administrativo da FGV, o caso ainda assim se configura como nepotismo, porque a Embratur presta contas ao TCU e tem dirigentes nomeados pelo presidente da República, entre outros exemplo que estabelecem uma “relação muito estreita com o Poder Executivo”. “Apesar da classificação jurídica da lei, a Embratur é praticamente uma ‘longa manus’ do Executivo, uma extensão. Mas mesmo que se considerasse que a Embratur não integra a administração para fins do decreto sobre nepotismo, a própria lei de instituição da agência vedou práticas de nepotismo e que pudessem configurar conflito de interesse”, conclui Rosilho.  A nomeação de Catiane não consta no Diário Oficial da União porque ela é celetista, segundo a Embratur. De acordo com a agência, ela foi contratada em 22 de janeiro do ano passado para o cargo de coordenadora de ouvidoria. Menos de um ano depois, em 4 de novembro de 2020, ela foi promovida a gerente. Os dois movimentos aconteceram na gestão de Gilson Machado no Turismo, da ala ideológica do governo. [Estadão]

>>>> A Nova Era, parte 2: “Quatro meses depois de começar seu trabalho na OEA em Washington, teve seu afastamento de universidade federal autorizado nesta terça-feira. Arthur é professor da Unifesp. A permissão para sua licença está no Diário Oficial de hoje. O irmão do ex-ministro Abraham Weintraub é secretário de Segurança Multidimensional desde 17 de setembro. Ele deixou o governo Jair Bolsonaro dois dias antes. Segundo o Portal de Transparência, Arthur Weintraub ainda recebeu pela universidade em outubro e novembro.” [O Globo]