Dia 22: se filho da puta voasse a gente não veria a luz do sol | 23/01/19

1. Davos e a reforma

Algo que eu martelo aqui é o quão perdido tá o governo sobre a reforma da previdência.

Em seu patético discurso, que mais parecia ejaculação precoce, Bolsonaro conseguiu a proeza de não mencionar a prioridade de seu governo – nem genericamente. Ele só foi falar sobre a reforma da previdência quando perguntado posteriormente. A única explicação possível é que ele ainda não tem NADA pra falar – e tempo ele tinha de sobra.

Ao deixar de fora o tema que a plateia mais queria ouvir, Bolsonaro passou aos investidores – que pareceu querer atrair enaltecendo nossas belezas naturais – o recado de que vacila quanto a firmar um compromisso com a reforma.” [Estadão]

Isso explica também porque o Guedes desmarcou com a Cristhine Lagarde, diretora do FMI. De que adianta encontrar com a Lagarde se Guedes não tem poder decisório  e  quem de fato manda não bateu o martelo? Entre prometer uma coisa para ser desmentido pelo presidente dias depois e desmarcar encontro com o FMI de última hora, a opção B nem é a pior escolha. Essa bateção de cabeça talvez explique a insistência do Paulo Guedes em tornar pública a existência um plano B, o que nunca é um bom sinal:

O ministro foi contundente sobre a reforma da Previdência Social, dizendo a investidores em Davos que ela será aprovada, com periodo transitório de capitalização. E repetiu que, se por um desastre a reforma não for aprovada, ele tem um plano B. “Mas ele confia, está muito assertivo sobre o plano A”, disse o governador de São Paulo, João Doria.

Faz tempo que eu digo que reforma só depois da operação, apesar das diferentes promessas do governo. Primeiro seria na eterna ‘próxima semana“, depois passou pra “antes de Davos“, a última era “depois de Davos“.

Nesta terça-feira, em Davos, Bolsonaro disse que vai divulgar detalhes da reforma da Previdência assim que se recuperar da cirurgia marcada para a próxima segunda-feira (28).”

Olha a malandragem presidencial, Brasil! O frouxo com faixa presidencial no peito queria cair fora do anúncio da reforma:

Para o mandatário, segundo interlocutores na comitiva presidencial, Paulo Guedes (Economia) poderia dar as informações, mas o próprio ministro prefere um anúncio com a presença do presidente.”

Vai jogar essa pra cima do Guedes? Ah, porra, não fode!

A repercussão na imprensa gringa – e globalista! – não foi boa. Também, vai falar o que dum presidente que precisa ler os cartões preparados pela equipe na hora de responder as perguntas?

“Para o Le Monde, Bolsonaro “se satisfez em fazer o mínimo” e seu discurso “não deve ir para os anais” de Davos. Ficou “se agarrando aos cartões, levados ao palco por auxiliar”, e “escapou das perguntas”. O Financial Times afirmou que foi uma “aparição breve e controlada”. Que Bolsonaro, “consciente de sua reputação, fez um discurso curto e, quando respondeu perguntas, se agarrou aos cartões”. O New York Times descreveu o presidente brasileiro como “a face do populismo” em Davos, alguém que copia o americano Donald Trump até na insistência em “vestir casaco de inverno, apesar de falar numa sala aquecida”. O Wall Street Journal anotou, no meio de texto sobre o ambiente “quieto” no fórum esvaziado, a observação de um ex-vice-secretário do Tesouro dos EUA, sobre Bolsonaro: “Não foi de levantar plateia”. No Twitter, a avaliação foi menos contida. Sylvie Kauffmann, que escreve no Le Monde e no NYT, falou em “fiasco [flop] de Bolsonaro em Davos”, com “curto discurso de campanha” e “evitando dar respostas concretas”. Heather Long, do Washington Post, resumiu: “Big fail”, grande fracasso. O venerando colunista Martin Wolf, no FT, publicou alerta a Davos: “Elites precisam refletir sobre sua responsabilidade pelo ressurgimento de homens-fortes ao redor do mundo”.” [Folha]

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Que vergonha. Esse parágrafo do Estadão me irritou pela concisão:

Jair Bolsonaro perdeu a chance de fazer história em Davos. O ineditismo de um presidente sul-americano abrir o Fórum Econômico Mundial foi desperdiçado com uma fala mais curta que o mínimo necessário para enunciar alguma plataforma, mais genérica que o necessário para convencer um público tão qualificado e, principalmente, completamente desprovido de senso de liderança e convicção de estadista.”

Tudo pegou tao mal que Bolsonaro resolveu dar detalhes sobre a reforma e os militares:

Em entrevista a John Micklethwait, editor-chefe da Bloomberg News, Bolsonaro disse que o governo espera pequenos ajustes entre a proposta que apresentará e a que o Congresso aprovará, mas afirmou que “será uma reforma bastante substancial” Militares entrarão “na segunda parte da reforma”, disse o mandatário sem dar mais detalhes. Ele está em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial.” [Folha]

Isso é, vão votar a reforma sem explicar aos civis como será a previdência dos militares. Pelo visto os militares venceram o Guedes.

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2. ‘Conta tudo pra sua mãe, Kiko!’, versão Davos

Isso deveria estar no tópico de cima, mas é tudo tão absurdo que ganhou até tópico próprio:

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Em uma atitude que gerou constrangimento e perplexidade na organização do Fórum Econômico Mundial, o presidente Jair Bolsonaro e três ministros faltaram, sem aviso prévio, a uma entrevista coletiva à imprensa internacional organizada pelo evento em Davos.

A repórteres que estão no Hotel Seehof, onde Bolsonaro e parte dos auxiliares próximos se hospedam, um assessor disse que o cancelamento ocorreu pelo “comportamento antiprofissional da imprensa” ao longo do fórum. Pela manhã, ao sair do hotel, o presidente foi perguntado por jornalistas brasileiros sobre suas declarações em entrevista à agência de notícias Bloomberg, na qual afirmou que, se o senador eleito Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, errou e isso e se isso foi provado, ele terá de pagar pelos atos dele. Bolsonaro desconversou e disse apenas “Bom dia, Brasil“.” [O Globo]

Conta tudo pra sua mãe, Jair!! E esse aí é o pessoal militar, linha dura, contra o mimimi e o vitimismo, eu acho é graça. Como pegou incrivelmente mal, aqui e lá fora, sobrou pro general Heleno, cheio de cabelos brancos na cabeça, inventar uma outra versão:

Segundo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, o cancelamento se deveu à agenda, que estava muito pesada. Ele afirmou que Bolsonaro não foi à entrevista porque precisava descansar, nada além disso.”

Sim, Bolsonaro precisava descansar e vai ver os três ministros tiveram que colocar o presidente pra dormir e não puderam comparecer á coletiva.

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3. Davos, Moro & os Bolsonaros

Ao Estado, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, deixou claro que Davos não era lugar para tratar desses assuntos. Diante de uma pergunta sobre o caso envolvendo Flávio, ele comentou que esse é um tema que “mais adequadamente deveria ser tratado no Brasil”.” [Estadão]

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Moro embarcou domingo de noite! E só foi se atentar à questão geográfica quando aterrissou em Davos. Vai ver é o frio.

Eduardo Bolsonaro, deputado e irmão de Flávio, se recusou a falar do assunto. Questionado pelo Estado, ele apenas respondeu: “Não vou perder meu tempo com isso”. “Flávio já deu entrevista”. Eduardo ainda chamou de “lixo” a informação de que o irmão tenha empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do ex-capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, alvo de um mandado de prisão acusado de comandar uma milícia no Estado. Nóbrega está foragido.”

Nem o irmão negou a informação, pelo contrário, confirmou mas disse que a responsabilidade era… do Queiroz!

E Bolsonaro começou o dia se recusando a falar sobre seu filho:

Ao terminar o café da manhã, a reportagem se aproximou do presidente, ainda que a segurança tentasse evitar. Ao ouvir que o repórter era do Estado, Bolsonaro disse que já trabalhou no jornal. “Eu entregava jornal.” Questionado se comentaria a situação de seu filho, Flávio Bolsonaro, o presidente virou as costas e, entrando em um elevador, apenas repetia: “Não, não”.” [Estadão]

Mas em entrevista à Bloomberg Bolsonaro enfim falou. E falou em Davos, Moro, olha que coisa…

Se por acaso ele [Flávio] errou e isso for provado, eu me arrependo como pai, mas ele terá que pagar o preço por essas ações, que não podemos aceitar” [UOL]

SE! Se filho da puta voasse a gente não veria a luz do sol, porra!

Moro vai apresentar um pacote pra agilizar o confisco de bens mesmo sem condenação. Lá pelas tantas me deparo com o seguinte:

Um terceiro ponto que Moro defende, mas não deve incluir no pacote, é a criminalização do enriquecimento ilícito, hoje passível de punição apenas na esfera administrativa. A proposta já está em discussão no Congresso e Moro planeja encampá-la.” [Estadão]

E que homem é Flavinho Desmaio (apelido infelizmente não é de minha autoria):

Em novembro de 2012, Flávio adquiriu dois imóveis em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Localizados em ruas pouco valorizadas do bairro, pagou um total de R$ 310 mil pelas duas unidades e as revendeu, um ano e três meses depois, por mais que o triplo do preço.” [Folha]

Olha a doideira. O sujeito que vendeu os apês para o Flávio os havia comprado por R$ 440 mil reais em 2011. Em pleno boom imboiliário, o sujeito vendeu os apês para o Flávio por R$ 310 mil.  Em menos de dois anos Flávio vendeu os apartamentos e lucrou R$ 833 mil! Demite o Paulo Guedes e nomeia esse rapaz Ministro da Economia, porra!

Flavinho desmaio também já foi funcionário fantasma em brasília, que homem!

Entre 2000 e 2002, Flávio Bolsonaro, então com 19 anos, acumulou três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial diária de Direito e estágio voluntário duas vezes por semana no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília. Ocupadas ao mesmo tempo por quase um ano, todas essas atividades exigiam a presença física do primogênito do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e hoje senador eleito pelo PSL-RJ, segundo as instituições ouvidas pela BBC News Brasil.” [UOL]

Imagine uma família 171, é a família presidencial! Ah, e tem a última do Queiroz:

A família de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do enrolado Flávio Bolsonaro, é dona de uma van que faz transporte irregular em Rio das Pedras. A comunidade é dominada pela milícia, que, ontem, foi alvo de operação da polícia e do MP estadual que prendeu um major da PM e mais quatro pessoas.” [O Globo]

É muito dura a vida de Flavinho Desmaio

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4. Muito medo e muito delírio

O governador de São Paulo, João Doria, foi apontado pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, como o possível presidente da República no futuro. A indicação foi feita durante uma reunião com cerca de 50 investidores – a maioria deles estrangeiros – durante evento fechado à imprensa organizado pela comitiva brasileira durante o Fórum Econômico Mundial, de Davos, como descreveu um participante do encontro.” [Estadão]

Esse sujeito perdeu a eleição para Governador no município em que era prefeito, porra! Queimou ponte com deus e o mundo.

“Doria foi citado quatro vezes durante o evento e se sentiu muito prestigiado, conforme apurou o Estadão/Broadcast. Ele já declarou várias vezes que apoiará o atual governo no processo de aprovação da reforma da Previdência no Congresso. O governador também é um aliado no “combate à ideologia” que, segundo ele e Bolsonaro, existia nos governos petistas.

Dória deve ter ficado todo molhado, agora é que ele vai lamber as bolas do Bolsonaro de maneira ainda mais desmedida.

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5. Não há sinapse que resista

É inacreditável que eu tenha vivido 13 anos de um governo dito de esquerda e tenha que testemunhar taxação de dividendos sendo implementada por um governo verde-oliva:

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse num almoço fechado, organizado pelo Itaú Unibanco, que o governo quer simplificar a tributação, mas vai taxar os dividendos e juros sobre capital próprio, segundo relatou um participante.” [Valor]

Sim, precisou uns dementes ultra-liberais chegarem ao poder para os ricos serem mais taxados, como que dá conta duma porra dessa?!

E isso deixa claro que taxar os ricos não é uma agenda de esquerda, o que torna ainda mais absurdo o medo que o governo de esquerda tinha de propor algo parecido.

Para o presidente-executivo do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, o movimento faz sentido. “O que vão fazer é reduzir a carga fiscal sobre a produção e aumentar sobre os ganhos de capital”, disse ele ao Valor. “É uma substituição de impostos coerente. O setor produtivo poderá produz mais barato e criar mais emprego. E o tributo fica maior sobre o que de fato não gera riqueza.”

Guedes quer baixar a carga tributária de 34% para 15%:

“”Hoje, o imposto das empresas é de 34%. Se baixar para 15%, aí é preciso aumentar o imposto sobre dividendos para ficar igual”, disse ele. O ministro argumentou que a redução é necessária porque “todo mundo está baixando” os impostos. “Hoje, o imposto das empresas é de 34%. Se baixar para 15%, aí é preciso aumentar o imposto sobre dividendos para ficar igual”, disse ele. O ministro argumentou que a redução é necessária porque “todo mundo está baixando” os impostos.”

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6. Lute como a Marielle

Que mulher é a Marielle. mesmo morta continua colocando o terror nesses escrotos -e aqui incluo milicianos e Bolsonaros:

Às 6h, quando entrou na casa do oficial, a promotora Letícia Emili Alqueres Petriz, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), lhe fez logo a pergunta: “O que você tem a dizer sobre o assassinato de Marielle?”. Quem assistiu à cena conta que Ronald – apontado como o segundo na hierarquia da quadrilha – “parecia uma pedra”.”  [O Globo]

As provas são bem substanciais:

Segundo investigações, sinais de um celular “bucha” de Ronald — comprado em nome de terceiros, para o verdadeiro dono não ser identificado — foi captado por antenas transmissoras perto do local do crime, no Estácio, dias antes da morte da vereadora e do motorista.

Outro indício contra o grupo é que câmeras da prefeitura flagraram o carro dos assassinos passando pela Estrada do Itanhangá, perto de Rio das Pedras, área da milícia investigada, antes de chegar à Lapa, onde os criminosos ficaram à espera da vereadora, que participava de um evento.

A polícia acredita que Marielle, cujos assessores participaram de reuniões sobre regularização fundiária na região de Rio das Pedras, poderia estar contrariando interesses da milícia, que, além de cobrar taxas de segurança e serviços como gatonet, obtém lucros milionários explorando o mercado imobiliário clandestino.”

E repare nesse conceito maravilhoso: “eu te protejo de mim mesmo“, é o melhor resumo de milícia que eu já vi:

A milícia de Rio das Pedras, que também atua em outras comunidades da Zona Oeste, como a Muzema, é acusada de explorar um mercado imobiliário clandestino, de cobrar taxa de segurança — chamada por seus integrantes de “eu te protejo de mim mesmo” — e de praticar homicídios, sequestros e torturas. Ronald, segundo investigadores, é integrante da quadrilha e também faz parte do chamado Escritório do Crime. Trata-se de um grupo de matadores profissionais suspeito de envolvimento em várias execuções, conforme revelou O GLOBO em agosto do ano passado. O “número um” da organização, Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), conseguiu escapar da operação.

Uma das organizações criminosas mais temidas do Rio, o Escritório do Crime pode estar por trás do caso Marielle. O crime, com sinais de que foi cuidadosamente planejado e executado de forma profissional, teria sido encomendado ao grupo de matadores de aluguel, integrado por policiais da ativa e da reserva. Eles prestariam serviços para o crime organizado, inclusive para a contravenção. A ligação desses policiais com o meio político, que, desde os anos 1990, é alcançado pelos braços da milícia, também está no escopo das investigações do Ministério Público estadual e da Polícia Civil.

Sim, desde a década de 90, estamos em 2019!!

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7. Por ora, aquela recuadinha básica

“O presidente Jair Bolsonaro disse na noite desta 3ª feira (22.jan.2019), em Davos, que o Brasil ficará “por ora” no Acordo do Clima de Paris. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico.” [Poder 360]

Imagine, se ele diz que sai do Acordo periga os convivas arremessarem canapés no presidente…

“De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, 1 executivo presente na reunião com Bolsonaro e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente foi questionado pelos representantes das multinacionais sobre quais eram seus planos em relação ao ambiente e à questão indígena. Em resposta, Bolsonaro disse continuará no Acordo de Paris, mas que irá esperar uma contrapartida de outros países pelo fato de o Brasil ser 1 dos que menos poluem o planeta. A exemplo, esperará que países desenvolvidos cumpram o compromisso de fornecer mais de US$ 100 bilhões para países que estiverem em transição para uma economia menos carbonizada”

Imagens exclusivas do Bolsonaro esperando a boa vontade dos europeus com um presidente em guerra contra os índios e o meio ambiente:

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8. Mas nem fodendo

Algo que é frequentemente martelado é que pela primeira vez na história temos uma equipe de ministros qualificados, sem toma-lá-dá-cá. Aos fatos:

a ministra da Agricultura, do DEM, é a ex-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, ou da bancada do boi; também filiado ao DEM do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da ministra da Agricultura, o ministro da Saúde é investigado por fraude e licitação de caixa dois; Osmar Terra, ministro da Cidadania, é do MDB, ex-ministro de Temer, e será responsável pelo Esporte e a Cultura, além do Desenvolvimento Social; para o Meio Ambiente, temos Ricardo Salles do Novo, anteriormente do PP – partido que é antigo parceiro de corrupção do PT e do MDB –, além de réu por improbidade administrativa; a ex-assessora de Magno Malta do PR – outra sigla com passado nada reluzente – é a ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

“Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir”, disse o presidente. Para quem se lembra do assessor especial para assuntos internacionais de Lula e de Dilma, Ernesto Araújo é uma espécie de Marco Aurélio Garcia invertido. Ou seja, há ideologia de sobra, apenas não exatamente a que preponderou durante boa parte dos governos petistas. Quando perguntado por Schwab como seriam as relações com a América Latina, Bolsonaro exaltou a ascensão recente de regimes de direita e de centro-direita: “Não queremos bolivarianos no continente, não queremos a esquerda no continente”. Será curioso ver como esse “novo Brasil” supostamente não ideológico lidará com o México de Andrés Manuel López Obrador.” [Estadão]

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9. O Mercadante do Bolsonaro

O Onyx continua tomando enquadrada de Deus e o mundo:

Tebet disse a jornalistas e também a Olímpio que Onyx seu partido, o DEM, estavam trabalhando pela candidatura do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), apesar de o MDB ter a maior bancada da Casa e de Bolsonaro ter afirmado que não se envolveria nas disputas do Legislativo. De acordo com o site da revista Crusoé, o deputado Leonardo Quintão (MDB-MG) foi orientado por Onyx a procurar Tebet na segunda-feira (21). A senadora confirmou ter sido procurada por um interlocutor do DEM, mas não deu nomes.” [Folha]

E não foi só a Simone Tebet não, Major Olimpío também foi pra cima do Onyx:

Cada um esperneia como quer. Acho que o governo tem que ser governo. Se alguém estiver com condutas partidárias, muitas vezes pode atrapalhar o governo. Eu faço coro no sentimento da Simone. O mais importante é a governabilidade. Condutas partidárias, neste momento, elas mais atrapalham do que ajudam em relação a isso

Onyx preferiu não comentar as enquadradas. Vai tudo muito bem na articulação política do governo, é esse sujeito que vai tocar a reforma da previdência, fiquem tranquilos!

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10. O Novo e o velho

A influência do PSDB no primeiro escalão do governo de Minas Gerais tem desagradado à militância do Partido Novo. A avaliação é a de que o governador Romeu Zema (Novo) traiu quem confiou nele ao não cumprir o que pregou durante a campanha eleitoral, de que não teria nos quadros do Estado nomes da “velha política” e de um partido que criticou ferrenhamente. No segundo turno das eleições pelo comando do Executivo, inclusive, Zema enfrentou o senador Antonio Anastasia (PSDB).” [O Tempo]

Porra, Zema, pessoal do Novo achou que ia arrumar uns carguinhos, uai.

A militância se sentiu traída. Tudo que foi falado durante a eleição, de que não se aliaria à velha política, seria extremamente técnico, foi por água abaixo. A impressão que se tem é que o PSDB perdeu a eleição, mas é quem vai mandar em diversas áreas do governo”, reclamou um candidato derrotado do Novo.”

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11. O pesadelo do Paulo Guedes

Em dezembro do ano passado Xiang Songzuo, professor da Renmin University School of Finance, deu uma apresentação bem sombria sobre a economia chinesa. A palestra foi muito bem recebida pelo pessoal da universidade mas não agradou o governo, que tratou de censurar esse conteúdo na internet de lá.

How bad are things? The number that China’s National Bureau of Statistics (NBS) gives is 6.5 percent, but just yesterday, a research group of an important institution released an internal report. Can you take a guess on the GDP growth rate that they came up with using the NBS data? They used two measurements. Going by the first estimate, China’s GDP growth this year was about 1.67 percent. And according to the other calculation, the growth rate was negative.”

Que o número oficial não é real é duma obviedade gritante, mas GDP – o bom e velho PIB – negativo é DOIDEIRA! E o parágrafo abaixo é o que eu considero o mais importante, pois coloca de forma clara uma dicotomia brutal.

We used to speak of “China’s period of strategic opportunity for economic growth.” Does this period of strategic opportunity still exist? Personally, looking at the international situation, I think this period of strategic opportunity is fading quick. Let’s think about what “international period of strategic opportunity” means. It means that in the past, international regulations have been favorable to us; we had open access to technology, capital, talent, and markets. Because of the imminent changes we face on the domestic and international fronts, I have titled today’s speech “the great shift unseen over the last forty years.” [China Change]

Eu li esse parágrafo e fiquei um tempo de bobeira pensando na implicação dessa porra pra economia brasileira, é terra arrasada. É outro mundo para os chineses, vide os executivos da Huawei presos mundo afora – lembrando que a Huawei é das maiores empresas chinesas e umbilicalmente ligada ao governo de lá. O tempo em que eles podiam ser uma esponja do mundo absorver tudo de bom e replicar já era, agora vai ser trocação de soco desenfreada.

Local debt is a big problem in China’s financial market. As for the actual number, the National Audit Office claims it to be about 17.8 trillion RMB, while He Keng (贺铿), vice director of National People’s Congress Financial and Economic Affairs Committee, thinks it’s over 40 trillion RMB. Worse yet, not one local government intends to pay back its debt (…) What are our current financial risks? They are hidden, complex, acute, contagious, and malevolent. Structural imbalance are massive, and violations of law and regulations are rampant. There are black swans to prevent, and gray rhinos to stop. A reporter once asked Zhou, “Where are the black swans? Which ones?” Zhou smiled and did not answer.”

A discrepância dos números me espanta, é uma parte mais mindfuck que a outra:

Apart from this financial arbitrage, what do most businesses do with their money? Forty percent of it goes to the stock market, speculation, and buying stocks of financial companies, but not investment into primary business. Then can this be considered a good situation for listed businesses? I’m acquainted with many bosses of listed companies. Frankly speaking, a large part of their equity pledge funds did not go into their primary business, but used on speculation. They have many tricks. They buy financial products; they buy housing. The government said listed companies have spent 1-2 trillions on speculative real estate. Basically China’s economy is all built on speculation, and everything is over leveraged. Starting in 2009, China embarked on this path of no return. The leverage ratio has soared sharply. Our current leverage ratio is three times that of the United States and twice that of Japan. The debt ratio of non-financial companies is the highest in the world, not to mention real estate.”

Segundo o cara, o problema da economia chinesa não versa sobre velocidade ou quantidade, mas qualidade.

I hear that the day after tomorrow, there’s going to be a grand conference to mark the 40th anniversary of the “reform and opening up.” I sincerely hope that we’ll hear something about further deepening of reforms at that conference. Let’s wait and see if any real progress can be made on these reforms. If this doesn’t happen, let me conclude on these words: the Chinese economy is going to be in for long-term and very difficult times.”

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12. Um Trump Muito Louco

Você aí que é junkie de política, dá um abraço aqui, porra, somos contemporâneos de Rudy Giuliani, do advogado de defesa Rudy Giuliani, porra!! Né pouca merda não!

Até pra quem acompanha a figura de perto foi difícil dar conta dos últimos dias. Eis um belo resumo:

Rudy Giuliani’s media blitz over the last week has prompted former White House officials and Justice Department veterans to ask one overarching question: What is he thinking?

Last Wednesday, Giuliani refused to say no one on President Donald Trump’s campaign colluded with Moscow. Then he said that “if the collusion happened, it happened a long time ago.”

A few days later, Giuliani scuttled over a year of messaging from Trump and his associates when he quoted Trump as saying that talks to build a Trump Tower Moscow were “going on from the day I announced to the day I won.”

On Sunday, Giuliani suggested during a CNN interview that Trump spoke with Michael Cohen about his false testimony to Congress. The statement represented another departure from the Trump team’s claim that Trump never discussed Cohen’s testimony with him or instructed him to lie.

The next day, Giuliani threw another curveball when he told The New Yorker he had listened to “tapes” that proved Trump never told Cohen to lie. When pressed on the comment, Giuliani hastily walked it back and said there were “no tapes.”

“How on Earth is he still representing the president?” one former White House official familiar with the legal team’s thought process told INSIDER. “This is a s—show.” [Business Insider]

O Giuliani tá mais louco que o chanceler que toma sorvete pela testa trincado de pó! Em seu progrma Colbert fez um bom resumo da parte mais deliciosa [Youtube]:

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E os absurdos não páram por aí, tem mais um livro na praça sobre a Casa Branca do Trump

It’s impossible to deny how absolutely out of control the White House staff — again, myself included — was at times,” Mr. Sims writes“[NYT]

Eu gostei desse cara porque ele assinou o B.O., não ficou só acusando os outros de maluco:

But Mr. Sims also describes painfully awkward interactions with Paul D. Ryan, the former speaker of the House, during efforts to repeal the health care law and after the Charlottesville white nationalist riots. During the legislative discussions, according to Mr. Sims, Mr. Trump abruptly left the Oval Office during a meeting with Mr. Ryan to watch television in the adjacent dining room, before returning some moments later.

When Mr. Ryan expressed displeasure with the president’s statements after the Charlottesville riots, Mr. Trump called Mr. Ryan, Mr. Sims writes.

“I remember being in Wisconsin and your own people were booing you,” Mr. Trump yelled, recalling Mr. Ryan distancing himself from Mr. Trump after the infamous “Access Hollywood” tape emerged in October 2016. “You were out there dying like a dog, Paul. Like a dog!”

Isso aí tem a assinatura do Trump, aquela assinatura naquele pilot riduclamente grosso, é a cara dele.

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Tá explicado porque Paul Ryan desistiu da política

For instance, Mr. Sims describes his part in propelling Anthony Scaramucci to the role of communications director, suggesting in internal conversations that it was a wise idea.

Mr. Scaramucci ended up getting fired after 11 days, but not before he served the purpose that Mr. Trump’s family had hoped he would, Mr. Sims writes. Mr. Scaramucci helped accelerate the end of the tenure of Reince Priebus as White House chief of staff. In another scene, Mr. Sims describes the White House press secretary, Sarah Huckabee Sanders, explaining to Mr. Trump that little could be done about a journalist he did not care for when he asked why the person could not be “suspended.”

Tem que ser corajoso pra assumir que achou uma boa idéia dar um emprego na Casa Branca ao “THE MOOCH!”

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>>> A Lava-jato em São Paulo não se cria, que coisa: “A força-tarefa da Lava Jato em São Paulo vai trocar de comando pela segunda vez em um ano e meio de existência e diminuirá de tamanho. Três procuradores da República pediram para sair do grupo que, no Ministério Público Federal, é responsável pelos desdobramentos das investigações iniciadas em Curitiba. De lá para cá sofreu críticas por apresentar resultados mais modestos na comparação com as equipes de Curitiba e do Rio de Janeiro. Até agora, os procuradores paulistas ofereceram quatro denúncias e ajuizaram uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal de São Paulo.” [Folha]

>>> Tá bom, senta lá, Cláudia: “Durante a viagem para Davos, Jair Bolsonaro, “apesar do desconforto por usar uma bolsa intestinal, recusou-se a se deitar na única cama do avião. Se todos dormiriam em uma poltrona, ele não poderia viajar com mais conforto, alegou. Um comandante não abandona a sua tropa, tem de dar o exemplo, repetiu ele”.” [Antagonista]

>>> Xico Graziano tava doido pra arrumar um cargo no governo verde-oliva. Como não colou com Bolsonaro, ele tá tentando co o Mourão, que tem toda cara que assume mais cedo ou mais tarde. Malandro é o Xico! “Ao invés de conspirarem nos quartéis, tramando golpes, os generais participam ativa e abertamente do jogo democrático. Disputam cargos no Ministério. Isso é sensacional.” [Poder 360]

>>> Oléééé!! “No primeiro ato do Movimento Passe Livre após o decreto do governador João Doria (PSDB) endurecendo regras para protestos, manifestantes driblaram a Polícia Militar pelas ruas do centro. Mesmo proibidas por Doria, parte dos manifestantes não abandonou o uso de máscaras. Ao chegar à Paulista os manifestantes conseguiram fugir do cerco. Com a PM no encalço, eles seguiram pela avenida e desceram a Augusta. Na Consolação, para fugir dos policiais, entraram no meio dos carros na contramão da pista.” [Folha]

>>> Do Pedro Ivo: “Não consegui ver quase nada do tal discurso, fiquei com pena. É como quando mandam falar aquela criança mais burra e travada da classe. Maldade do professor, no caso. Mas nesse outro, azar do vigaristinha miliciano que se aventura pra além de sua competência, que é comer capim. Burrice exige modéstia.” [Facebook]

>>> GM trucou e o Dória, um imbecil, se entregou todo: “O governador, por sua vez, sinalizou que o apoio que for dado à General Motors será ampliado para a indústria automobilística como um todo em São Paulo. A montadora informou no fim de semana que teve perdas nos últimos três anos no país e que passa por momento crítico. De acordo com o governador, um plano de apoio tem que ser um entendimento entre todos – sindicatos, fornecedores, revendedores com o governo e a própria General Motors.” [Valor] Quem vai se foder? os trabalhadores, é claro.

 

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