Dia 79: Maia ergueu o dedo médio e mandou o governo à merda | 22/03/19

1. Maia ergueu o dedo médio e mandou o governo á merda

 O presidente da Câmara, Rodrigo Maia Maia (DEM-RJ), avisou ontem ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que deixará a articulação política pela reforma da Previdência. Maia tomou a decisão após ler mais um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com fortes críticas a ele. Irritado, o deputado telefonou para Guedes e disse que, se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda.” [Estadão]

E o Maia fez isso na frente duma platéia!

A ligação do presidente da Câmara para o titular da Economia foi presenciada por líderes de partidos do Centrão. Maia está irritado com a ofensiva contra ele nas redes, com a falta de articulação do Palácio do Planalto e com a tentativa do ministro da Justiça, Sergio Moro, de ganhar mais protagonismo na tramitação do pacote anticrime. “Eu estou aqui para ajudar, mas o governo não quer ajuda”, disse o presidente da Câmara, segundo deputados que estavam ao seu lado no momento do telefonema. “Eu sou a boa política, e não a velha política. Mas se acham que sou a velha, estou fora.

Ao ler essas mensagens, Maia não se conteve, pois, dias antes, já havia sido chamado de “achacador”. A interlocutores, o deputado disse que não era possível ajudar a obter votos favoráveis ao governo nem mesmo construir a base aliada de Bolsonaro na Câmara sendo atacado desse jeito. Além disso, deputados e senadores do PSL – partido de Bolsonaro – comemoraram ontem a prisão do ex-presidente Michel Temer, que é do MDB, e houve quem associasse o presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. Em conversas reservadas ao longo do dia, Maia disse não entender esses movimentos, que só afastam possíveis aliados do MDB e do PSDB.

Guedes procurou acalmar Maia. O presidente da Câmara tem fama de “temperamental” e há até mesmo entre seus amigos quem o esteja aconselhando a recuar da decisão de deixar a articulação pela reforma, da qual é o fiador na Câmara. Na prática, muitos bombeiros entraram em ação para apagar o novo incêndio político. No sábado, em um churrasco na casa de Maia, um interlocutor também já havia dito a Bolsonaro que ou ele dava “um basta” na guerra promovida nas redes sociais ou a situação ficaria complicada para o governo. O recado ali, como mostrou o Estado, foi o de que até mesmo ele poderia ser considerado avalista das agressões virtuais. Bolsonaro respondeu que não tinha como controlar seus milhões de seguidores.”

E mais uma vez o intempestivo Guedes atua como bombeiro, quem te viu quem te vê.

Palavras do Maia:

Eu continuo ajudando. Sei que a reforma da Previdência é fundamental e não abro mão dela. E concordo com o presidente [Bolsonaro]: é preciso construir uma maioria de uma nova forma. Essa responsabilidade é dele. Quando ele [Bolsonaro] tiver a maioria e achar que é a hora de votar a reforma, ele me avisa e eu pauto para votação. E digo com quantos votos posso colaborar” [Folha]

A Folha vai pelo mesmo caminho e fala em fim da reforma:

Aliados de Maia demonstraram profunda irritação com a reação de bolsonaristas nas redes, decretaram o fim da reforma da Previdência, prometeram retomar o projeto que pune o abuso de autoridade e adiaram a saída de Brasília.” [Folha]

Tonho da Lua continua DINAMITANDO o governo do pai

Carlos Bolsonaro, o filho “zero dois” do presidente, compartilhou ontem nas redes a resposta de Moro à decisão de Maia de não dar prioridade agora ao projeto que prevê medidas para combater o crime organizado e a corrupção. “Há algo bem errado que não está certo!”, escreveu Carlos no Twitter. O texto acompanhava nota de Moro, divulgada na noite de quarta-feira, rebatendo ataques de Maia à sua insistência em apressar a tramitação do pacote. “Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou Moro. Além disso, no Instagram, Carlos lançou uma dúvida: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?”.

Eis o tweet do Tonho da Lua:

A Folha diz que os ministros estão revoltados e falando em “intervenção definitiva sobre os filhos“, porra, Tyson!

Joyce, a líder do Governo no Congresso, também fez merda:

A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), foi alvo da bancada do MDB. Ela fez postagens comemorando a detenção de Temer. O ex-presidente não é respeitado apenas no próprio partido, mas também por muitos dirigentes do centrão.”

Se o mercado está assim, imagine a equipe econômica:

Assim que a notícia foi divulgada, o índice Ibovespa chegou a cair 2,5% e o real se desvalorizou. A XP Política, braço de análise do grupo de investimento, lamentou as consequências das prisões para a reforma da Previdência já que provocaram, em sua visão, “pânico” na classe política. “Um ambiente mais turvo e quente no Congresso não tem como ser bom para a reforma da Previdência. Judiciário e MP, que hoje prendem Temer, são as mesmas categorias que, junto com outras da elite do funcionalismo, farão pressão pesada contra a reforma no Congresso. Quanto maior o empoderamento fora, maior o poder de fogo dentro das Casas”, escreveram os analistas em nota enviada a clientes. ” [El País]

Ainda tem Delegado Waldir, o sincero:

Com certeza já prejudicou — disse ele. — Foi o governo que disse que o tratamento de todas as pessoas ia ser igual, que não ia ter privilégios. Nós estamos aguardando que isso seja feito. O projeto trazido não traz essa igualdade, então, essa responsabilidade não é do Parlamento. O governo nos trouxe uma grande missão, falando na linguagem popular, um abacaxi, mas a gente não tem como descascar no dente, tem que trazer a faca para ajudar a descascar. Queremos a explicação do governo, do Ministério da Economia, de como fez a diferenciação (dos militares). Não tem como explicar para o zelador, para o doméstico, para o jornalista e para o professor esse tratamento diferenciado que está sendo trazido às forças militares.” [O Globo]

Delegado Waldir é ninguém mais ninguém menos que o líder do PSL na Câmara e também disse, ao comentar a reforma dos milicos, que o mercado caiu por causa do… Bolsonaro!

Quem fez a Bolsa cair foi o governo” [Infomoney]

Parlamentares disseram que só tem relatoria depois do Paulo Guedes ir à CCJ explicar os detalhes, periga o Paulo Guedes mandar um à merda e receber ordem de prisão de algum deputado, anote.

Francischini tem criticado a postura do Planalto, dizendo que o governo não se antecipa a problemas e apenas “deixa rolar” os trabalhos no Congresso. O deputado articulou sozinho para evitar uma convocação de Guedes na comissão, negociando a presença dele apenas como convidado. A deputados, Francischini admitiu ainda que “não sabe com quem falar” para organizar um bloco favorável ao projeto, acrescentando que “a base do governo não existe”.

Vai ver o filho do delegado Francischini também é parte da nova política. E Parafraseando o Jhonatan da Nova Geração ‘De segunda a sexta, dou esporro na CCJ, sábado e domingo solto pipa e jogo bola’.

Todos os partidos, menos o PSL, querem dar a relatoria para o PSL. Mas o partido presidencial já decidiu que “aqui não, violão” e a explicação do delegado Waldir é de rolar de rir:

Fui eu que decidi que (o relator) não seja do PSL. Isso para dar protagonismo aos outros partidos

Há 10 dias atrás a Joyce disse que em 12 dias tudo estaria muito bem com a articulação política do governo.

Faltam dois dias para o prazo e leia o que falou o deputado Domingos Neto, do PSD:

O governo, por meio da Joice Hasselmann [líder do governo no Congresso], chamou todas as bancadas para oferecer cargos federais nos estados. Ocorre que eles querem que os deputados assinem essas indicações. Você tem que assinar a indicação. Não foi dito isto expressamente, mas todos interpretaram essa exigência da assinatura como uma obrigação de se comprometer com a reforma da Previdência. Não aceitaremos cargos até que o governo mude a forma de se relacionar. Nenhum deputado quer assinar nada em troca de comprometimento com a reforma. Ninguém vai se comprometer com um tema tão sensível como esse em troca de cargo. Não aceitaremos ‘toma lá, dá cá’. Estamos questionando o governo sobre a exigência da assinatura. Parece que isso [as assinaturas] vai para algum arquivo e, depois, eles poderão querer exigir algum tipo de contrapartida. Nessas circunstâncias, ninguém vai assinar nada. Não aceitaremos cargos até que o governo mude a forma de se relacionar. Nenhum deputado quer assinar nada em troca de comprometimento com a reforma. Ninguém vai se comprometer com um tema tão sensível como esse em troca de cargo. Não aceitaremos ‘toma lá, dá cá’. Estamos questionando o governo sobre a exigência da assinatura. Parece que isso [as assinaturas] vai para algum arquivo e, depois, eles poderão querer exigir algum tipo de contrapartida. Nessas circunstâncias, ninguém vai assinar nada.” [Antagonista]

O mais fantástico é que o governo poderia fazer essa paternidade de indicações de forma interna, mas não, fazem tudo errado.

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2. Bolsonaro em sua mais recente live

Uma medida provisória (do governo Fernando Henrique) retirou basicamente todos os direitos dos militares. E mais ainda: naquele momento ia ser discutida uma Previdência parecida com essa que está aí. O que aconteceu? Foi aprovada apenas a medida provisória dos militares. Os demais ficaram fora dela. Então, para fazer uma análise séria do que foi proposto agora, tem que levar em conta o apresentado também em 2000.” [O Globo]

Repare, NINGUÉM no governo havia dito isso até agora, até a véspera da apresentação o Rogério Marinho, um dos líderes da reforma ao lado do Guedes, falava em economia de 93 bilhões – caiu pra ridículos 10! Mas nunca subestime as tortuosas sinapses do Bolsonaro:

Se eu porventura retirar essa medida provisória, os militares teriam um aumento de uns 300% e voltariam todos os direitos. Logicamente, não podemos ser irresponsáveis a esse ponto. Mas levem em conta que foi o que nós perdemos lá atrás. O artigo 7º da Constituição fala nos direitos, e nós (militares) não temos o direito a greve, a hora extra, a ter sindicato, a filiação político-partidária. Não queremos tratar desse assunto aqui porque as Forças Armadas são algo realmente especial e têm um valor enorme para a democracia em qualquer país do mundo. Eu, no fundo, não gostaria de fazer a reforma da Previdência , mas se não fizesse estaria sendo irresponsável.”

Ninguém jamais falou em desfazer a reforma do FHC, E sempre que Bolsonaro paga de sensato eu me lembro dele descendo o pau na reforma ainda mais branda do Temer. E cada vez que ele fala “não gostaria de fazer a reforma” os aliados se desesperam.

E é impressionante como o General Heleno fala manso mas tem umas idéias muito erradas:

Eu gostaria de fazer um apelo patriótico aos parlamentares. E àquela parte da imprensa que sempre criticou o ‘toma-lá-da-cá’, a troca de favores, que façam a partir de agora um exame de consciência, e ao invés de publicarem notícias sem comentários, comentem a necessidade de nós mudarmos esse conceito no Brasil […] A imprensa pode ajudar muito. Precisa atuar patrioticamente, mostrando o que está acontecendo para que essa troca de favores, esse ‘toma-lá-dá-cá’ não volte à nossa política. Nós tivemos uma renovação relevante no Congresso. Vamos aproveitar e vamos fazer uma Nova Previdência, que é o grande passo para o novo Brasil.”

Sabe quem apelava ao patriotismo da imprensa? Chávez! Sabe quem apela ao patriotismo da imprensa? Maduro e Ergodan. General Heleno está em ótima companhia, como se vê.

E desde a vitória eleitoral Bolsonaro não falava nas urnas eletrônicas, assim como seus apoiadores, ficaram afônicos de norte a sul do país. Mas na live o Bolsonaro deu mole e voltou a acusar as urnas que lhe elegeram – o vídeo já tá no ponto:

“… um milagre estar vivo, outro também o fato da minha eleição, nós conseguimos essa vitória em cima inclusive de uma urna eletrônica, que nós vamos fazer um projeto brevemente pra que as eleições possam ser realmente auditadas no futuro. e essa agora também não tem como auditar, se bem que eu acho que só ganhamos porque tivemos muitos votos, muita gente apoiando, fica muito difícil uma fraude em cima disso, e nós chegamos lá, cumprindo uma missão de Deus, colocando gente boa, competente do meu lado.

Puta que pariu!!

Por partes:

“… nós conseguimos essa vitória em cima inclusive de uma urna eletrônica.”

Ele queria falar apesar mas suas sinapses largaram um inclusive. Sim, Bolsonaro diz pra todos que sua vitória se deu em urnas que ele considera inseguras e passou a vida denunciando. As mesmas urnas que elegeram sua base parlamentar.

“… nós vamos fazer um projeto brevemente pra que as eleições possam ser realmente auditadas no futuro. e essa agora também não tem como auditar.

O presidente questiona a lisura do processo de votação que lhe deu a faixa presidencial e diz que não tem como a eleição ser auditada. E não se audita eleição, isso é um processo corporativo.

“… se bem que eu acho que só ganhamos porque tivemos muitos votos, muita gente apoiando, fica muito difícil uma fraude em cima disso.”

Bolsonaro percebeu a merda que tava fazendo e tentou consertar, dizendo que não houve fraude na sua vitória porque teve muitos votos. Vai ver é a primeira vez na história do brasil que o vencedor da eleição tem muitos votos.

Bolsonaro teve 57.797.847 votos, 55, 13% dos votos válidos.
Em 2010 Gilma teve 55.752.529 votos, 56,95% dos votos válidos.
Mais votos válidos que o Bolsonaro.
Em 2006 Lula teve 58.295.042, 60,83% dos válidos.
Mais votos totais e mais votos válidos que o Bolsonaro.
Em 2003 Lula teve 52.793.364 de votos, 61,27% dos válidos.
Novamente, mais votos válidos que o Bolsonaro.
A pergunta que não quer calar é: se o número de votos do Bolsonaro permite concluir que não houve fraude, por que Bolsonaro passou as eleições petistas acusando as mesmas urnas que o elegeram?

E Bolsonaro não sabe falar síndrome de Down, impressionante:

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3. A queda de Michel Miguel

Que o Temer é pilantra e as provas de suas roubalheiras são vastas resta óbvio, o porto de Santos e a mala de meio milhão não me deixam mentir. Dito isso, cito um trecho do despacho do Bretas:

Considero que a gravidade da prática criminosa de pessoas com alto padrão social, mormente políticos nos mais altos cargos da República, que tentam burlar os trâmites legais, não poderá jamais ser tratada com o mesmo rigor dirigido à prática criminosa comum

Os advogados do Temer devem ter gargalhado nessa hora.

Em decisão judicial de 46 páginas que repete 19 vezes o verbo parecer, no sentido de dúvida ou incerteza, o juiz federal Marcelo Bretas cita um fato ocorrido há dois anos para exemplificar o risco de destruição de provas e justificar a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB).” [Folha]

Daquele tipo de erro que professor universitário come no esporro. Até eu sei que usar o verbo “parecer” numa decisão de prisão é bem errado.

E ontem eu apontei aqui que o Bretas deixou muito claro que não se tratava de crime eleitoral, e dessa vez ele se saiu bem:

O juiz usa uma declaração que Temer prestou à Justiça Federal, de que o coronel João Batista Lima Sobrinho, acusado de ser seu operador, jamais arrecadou recursos de campanha para ele, para tentar fugir dessa estratégia. “No caso dos autos, não há elementos que indiquem a existência de crimes eleitorais”, diz no decreto de prisão.”

Lula sabe que a prisão está longe de ser uma boa notícia para ele:

A quem o visitou nesta quinta (21) na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Lula afirmou que a prisão de Michel Temer teve como objetivo “restabelecer o projeto de poder da Lava Jato”. A avaliação do petista é a de que, golpeada pelas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, a Lava Jato quis dar uma demonstração pública de força. Ele considerou a prisão de Temer um ato “fora da lei”.”

Cunha gargalhou:

“Já o ex-deputado federal Eduardo Cunha, preso em Curitiba, não escondeu a alegria ao saber da notícia. Quando soube da prisão de Temer pelos carcereiros, gargalhou como não fazia há tempos.
” [O Globo]

A Lava-jato já tava armando a “vacina” há um tempo:

Os procuradores que estruturaram o pedido de prisão de Temer começaram a trabalhar com afinco no caso uma semana antes do Carnaval. A peça que eles apresentaram à Justiça para validar o pedido de preventiva traz duas decisões dos ministros do Supremo Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ambos garantistas.” [Folha]

Das ironias do destino;

Quando o ex-presidente Lula foi preso, em 2018, Moreira Franco, ainda no governo, comparou a situação dele à de um homem sobre um lago congelado. Ele dizia que o gelo começou a quebrar vagarosamente em torno de Lula, formando um círculo. Quando o último pedaço se quebrou, o petista afundou. E submerso no lago ficaria, congelado talvez para sempre.” [Folha]

Mihel Miguel e Moreira viraram picolé.

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4. Bienvenido, Bozo!

Nem o Piñera elogia ou relativiza o Pinochet, aí no dia em que o Bolsonaro desembarca no chile o Onyx fala em banho de sangue do Pinochet de uma forma bem esquisita.

Os presidentes das duas Casas legislativas do Chile reagiram fortemente às declarações do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que elogoiu “as bases macroeconômicas” fixadas na ditadura Pinochet (1973-1990) ao defender a necessidade de uma reforma da Previdência no Brasil. Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quinta-feira, Onyx afirmou que Pinochet “teve que dar um banho de sangue” nas ruas do país, o que classificou como “triste”.” [O Globo]

Na entrevista Onyx ironizou dizendo que os críticos à declaração seriam esquerdistas. Palavra do presidente da Câmara chilena:

A menção deste porta-voz do presidente Bolsonaro, um personagem importante do governo brasileiro, a um “banho de sangue” no Chile é uma afronta a todas as pessoas que perderam familiares, a todos que sofreram com as violações de direitos humanos. As declarações não têm justificativa alguma e merecem a condenação mais enérgica. Não sei se ele [Onyx] tentou reforçar declarações antigas de Bolsonaro.”

Agora o presidente do Senado de lá:

Não me lembro de declarações assim de um governo cujo mandatário pisou em solo chileno. Elas ofendem não só as vítimas das violações de direitos humanos, mas o país inteiro

Que sacode!

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5. Do MP para o STF, com carinho e amor

Se lembra do Gilmar Mendes há um tempo atrás dizendo que havia um ministro do STF sendo chantageado?

O embate entre procuradores da Lava-Jato e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) parecia ter atingido seu ponto de ebulição quando o ministro Gilmar Mendes chamou os membros do Ministério Público de “cretinos” e “desqualificados” durante uma sessão da Corte. Na verdade, o conteúdo de uma proposta de delação premiada ainda sob sigilo tem potencial para aumentar muito mais a temperatura do conflito. VEJA apurou que o empresário Jacob Barata, conhecido como “rei do ônibus” no Rio de Janeiro, envolveu em sua delação o ministro Luiz Fux, do STF, ao informar que um ex-assessor do magistrado teria sido o destinatário de alguns milhões de reais para ajudar a influenciar uma decisão judicial. A acusação não trazia nenhum outro detalhe, mas os procuradores viram aí uma chance de alcançar um objetivo que perseguem desde os primórdios da Lava-Jato: atingir o STF.” [Veja]

E como tudo envolvendo essa guerra, é bem esquisito:

A história era a seguinte: em 2011, Barata participou de uma reunião do conselho de administração da Fetranspor, entidade que reúne os empresários de ônibus do Rio de Janeiro. Na ocasião, o então presidente do conselho da Fetranspor, José Carlos Lavouras, disse que precisava sacar dinheiro do caixa da entidade para repassá-lo a um assessor do ministro Luiz Fux. O objetivo, segundo Lavouras, seria “influenciar” decisões de interesse da Fetranspor. Só isso. Barata não sabia dizer qual o processo judicial que despertava o interesse da federação, não sabia o montante que teria sido sacado do caixa, nem mesmo se o pagamento teria sido realmente feito. No fim do anexo, seus advogados informaram que, na época do suposto repasse, o assessor do ministro chamava-se José Antônio Nicolao Salvador. Mesmo vaga, a história foi reunida em um anexo classificado como “confidencial” e apresentado à Procuradoria-Geral em Brasília. É o “anexo zero” da tentativa de delação de Barata.

Empossado no STF em março de 2011, o ministro Luiz Fux analisou apenas um processo que, aparentemente, poderia ser do interesse da Fetranspor. Ele discutia se o INSS estava ou não autorizado a cobrar das empresas a contribuição previdenciária sobre o valor do vale-transporte pago em dinheiro. O STF, um ano antes, havia decidido a favor das empresas, mas a Fetranspor queria que a sentença deixasse claro que a medida era extensiva a quem usava vale-transporte em cartão. Em dezembro de 2011, quando Fux tinha apenas nove meses de tribunal, o plenário do STF confirmou a sentença a favor das empresas de ônibus por unanimidade. Especialistas consultados por VEJA disseram que a decisão era totalmente previsível. Por isso a acusação contra Fux não parece fazer sentido. Afinal, por que alguém pagaria “alguns milhões de reais” para “influenciar” uma decisão que já estava ganha?

Reação do Fux;

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta sexta (22) à coluna que está “chocado” com o vazamento de um anexo da pré-delação do empresário Jacob Barata, do Rio, que envolve um ex-assessor de seu gabinete. “Estou chocado com tamanha leviandade. Fica claro o desespero em querer ofender a honra e a dignidade de quem serve a nação”, afirmou ele. “Publicou-se apenas uma insinuação, um ataque a um ministro honrado e sem máculas. Ministro que continuará a apoiar os esforços da nação brasileira contra a corrupção, dentro da lei. E que continuará um defensor perpétuo da liberdade de imprensa, mesmo quando ela erra”, afirma Fux.” [Folha]

Um ministro sem mácula mas com filha desembargadora graças a campanha do papai.

O detalhe é que o Fux realmente demitiu o cara por ostentar um padrão de vida muito elevado:

Luiz Fux confirmou que trabalhou com Salvador por mais de duas décadas e que ele chegou a chefiar seu gabinete em Brasília, mas foi afastado em 2016. A demissão — embora tenha ocorrido cinco anos depois do suposto pagamento da Fetranspor — deixa no ar suspeitas incômodas. Diz o ministro: “Eu o demiti depois que funcionários denunciaram que ele parecia ostentar um padrão de vida superior ao que o seu salário permitia”.

E pra quem conhece o Rio de janeiro, estranho seria se o Jacob Barata não tivesse um ministro do STF no bolso – e não falo aqui que seja o caso do Fux.

E quem tem cu tem medo:

Flavio Bolsonaro tem articulado para persuadir seus correligionários do Senado a não apoiar a proposta de CPI da Toga — seja porque tem consciência de que se trata de mera vingança contra o Judiciário, seja para evitar problemas com as excelências que podem julgá-lo ali na frente.” [O Globo]

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6. Maia Vs Moro

Eu tinha reparado mas esqueci de colocar aqui no relato de ontem. A nota do Moro em resposta ao Maia se encerra da seguinte forma:

Que Deus abençoe esta grande nação.

Se bobear nem na ditadura ministro da justiça conseguia essa proeza.

Essa frase do Reinaldo é lapidar:

Que Deus abençoe esta grande nação”, como disse o nosso Salvador. Podem entrar na fila da guilhotina.” [Folha]

Maia tava tão puto que colocou no grupo de trabalho sobre o pacote do Moro o Freixo e um petista.

O líder da Bancada da Bala, deputado Capitão Augusto, do PR de São Paulo, será o relator do grupo de trabalho que vai analisar o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Além dele, comporão também o GT os deputados Paulo Teixeira, do PT de São Paulo, Marcelo Freixo, do PSOL do Rio, e a deputada Carla Zambelli, do PSL de São Paulo.” [Época]

O Maia tentar equilibrar com nomes da oposição era até esperado, mas colocar o Freixo lá é provocação – mas lembrando que se tem alguém preparado pra tratar uma questão dessa é o Freixo.

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7. Os filhos do rei

A arrogância dos filhos do Bolsonaro é sem par, eles juram que Brasília é o reino dos Bolsonaros e eles podem fazer o que quiser. Mas há quem bata de frente, inclusive essa mulher maravilhosa, Bruna Furlan – o vídeo está no segundo tweet ,sei lá porque o primeiro aparece também:

No seu discurso de posse na comissão o Eduardo falou que ouviria todas as críticas respeitosamente, que seria democrático e outros bla bla blas. A verdade é que ele fica ironizando cada declaração que lhe desagrada:

Enquanto os outros deputados falavam, ele ficava olhando para o teto, dando risadinhas, coisas muito desrespeitosas. Agir com soberba não vai levar ele a lugar nenhum. Aqui não vai falar de cima para baixo com ninguém, essa postura tem incomodado muito

O cúmulo da maturidade institucional. Ainda no discurso de posse o Eduardo Bolsonaro falou que seria uma comissão democrática. Ele então achou de bom tom que os sete primeiros requerimentos da comissão fossem de sua autoria!

Ao receber a pauta de votações, o veterano Rubens Bueno (PPS-PR) estranhou os itens a serem apreciados. A maioria das matérias era de autoria do próprio presidente da Comissão, Eduardo Bolsonaro, ou do vice-presidente do colegiado, que também é do PSL, o “príncipe” Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP). “Eu estou vendo aqui sete requerimentos. Os sete PRIMEIROS requerimentos do presidente da comissão de Relações Exteriores. Na PRIMEIRA semana, no PRIMEIRO dia. Isto mostra que não há nem o espírito democrático e de respeito a essa bancada que está aqui”, disse Rubens Bueno.”

Que dupla, um Bolsonaro e um Orleans e Bragança.

Vamos agora ao outro filho do Rei, que fez uma merda monumental:

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Sim, uma postagem do vereador Tonho da Lua foi parar no perfil presidencial!

Um apelido nunca foi tão certeiro. A mensagem foi apagada rapidamente e postada em seguida no perfil correto do Tonho da Lua. [O Globo]

Das duas uma, e os Bolsonaros podem escolher: ou o Carlos tem sim a senha do pai (algo que ele nega) ou alguém no planalto está trabalhando com as redes sociais do Carlos. A que menos pega mal é a primeira.

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8.  Enquanto o MEC pega fogo

O Vélez é incapa de nomear o número 2 do MEC: foi obrigado a demitir um, tentou emplacar dois nomes e os dois caíram fora:

Indicada para o cargo de secretária-executiva do Ministério da Educação (MEC) no dia 14 de março, Iolene Lima afirmou, na madrugada dessa sexta, que foi desligada da pasta. Ela seria a terceira pessoa nomeada para o cargo. Após a demissão de Luiz Antonio Tozi, o ministro da educação, Ricardo Vélez Rodríguez, indicou Rubens Barreto da Silva, cuja nomeação nunca foi publicada no Diário Oficial da União, assim como a de Iolene.“[Valor]

Palavras da inacreditável Iolene:

Dentro de um quadro bastante confuso na pasta, mesmo sem convite prévio, aceitei a nova função dentro do ministério. Novamente me coloquei em prol para trabalhar em prol de melhorias para o setor. No entanto, hoje (quinta) após uma semana de espera, recebi a informação que não faço mais parte do grupo do MEC

Enquanto os malucos se digladiam, as escolas Brasil afora vivem o teatro do absurdo:

Em alguns colégios do país, o simples gesto de levantar a mão para pedir à professora para ir ao banheiro pode virar uma dor de cabeça. Numa escola de Rio Branco, no Acre, alunos e mestres têm que usar as instalações sanitárias de uma padaria e uma borracharia vizinhas. — Não temos rede de esgoto. Até instalaram um banheiro, mas ele não funciona e a obra está parada — diz a professora Fátima Albuquerque, que pede para o nome da escola não ser citado. — Não sofremos com insegurança, mas é inimaginável pensar que o portão precisa ficar aberto o tempo todo para os estudantes poderem usar o sanitário.

O drama se repete em milhares de escolas do país. De acordo com o Censo Escolar 2018, do Instituto Nacional Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), das 181,9 mil escolas da educação básica (ensino infantil, fundamental e médio), 16% não contam com banheiro dentro do prédio da escola; 49% não estão ligadas à rede de esgoto; 26% não possuem acesso a água encanada; e 21% não contam com coleta periódica de lixo.

ambém no Censo Escolar ficam bem evidentes as desigualdades regionais. No Rio de Janeiro, 99% das escolas contam com coleta de lixo, 90% estão ligadas à rede de água e 85% à rede de esgoto. Uma realidade bem diferente do Acre, por exemplo, um dos estados com os piores índices do país nesses quesitos. Apenas 23% das escolas do estado têm água potável jorrando das torneiras. A cada dez colégios, só um está ligado à rede de coleta de esgoto. Em relação à coleta de lixo, somente 37% das instituições escolares possuem o serviço de forma periódica.

A relação entre a falta de infraestrutura básica nos colégios e o baixo desempenho escolar é confirmada pelas estatísticas. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da capital do Acre, Rio Branco, para os anos iniciais do ensino fundamental, é de 6,4. O indicador considera três fatores na avaliação: a Prova Brasil, realizada pelos estudantes ao final de cada segmento, a qualificação técnica dos professores e a infraestrutura da escola.” [O Globo]

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9. Dramática Alves

Dramática Alves se reuniu com representantes quilombolas:

Lutei para que a Funai ficasse na minha pasta, e não no Ministério da Agricultura, porque índio não é gado. E nem no Ministério do Meio Ambiente, porque eles também não são plantas.”

E repare no amadorismo desse governo, sem precedentes.

O governo abriu esse espaço de diálogo com os quilombolas, mas não apresentou nenhum elemento concreto de como a política quilombola vai se desenvolver. A ministra, por exemplo, nem sabia o número de territórios titulados e nem a atual situação do Incra — critica Fernando Prioste, advogado da ONG Terra de Direitos. A ministra demonstrou surpresa ao ser comunicada pelos quilombolas sobre a realidade do órgão: — O que vocês estão me dizendo é que a situação financeira do Incra não está boa. Isso, para mim, é uma surpresa, mas só teremos recursos para eles no ano que vem.”

Sim, a pastora foi encontrar com os quilombolas e nem fez o dever de casa básico sobre números elementares da questão.

Ao fim da reunião, Damares sugeriu um encontro entre os quilombolas e o presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de “sanar as rusgas do passado”. Disse que o governo em exercício é “diferente” e que não permitirá que nenhum direito seja violado.”

Segundo Damares, se referir a quilombolas com expressão usadas para animais – procriar, arrobas -são rusgas, e não um racismo deslavado. E sim, esse governo é diferente, ninguém desse governo jamais louvou violação de direitos.

E esse governo é tão insano que o escrotíssimo Nabhan Garcia tá puto com a ministra e pedindo, publicamente, para os deputados mandarem um recado ao presidente:

O secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, ​Luiz Antônio Nabhan Garcia, expôs nesta quarta-feira (20) um desentendimento entre a pasta em que atua e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos por causa da demarcação de terras indígenas. Em audiência pública na comissão de Reforma Agrária do Senado, Nabhan disse estar passando por uma situação “até um pouco constrangedora” que gostaria de compartilhar com a Casa e pediu que os parlamentares presentes, a maioria integrante da bancada ruralista, fizessem “um esforço para sensibilizar o presidente da República”, Jair Bolsonaro. O secretário disse que um novo decreto com ajustes no organograma do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está sendo preparado, mas que há resistência da Funai (Fundação Nacional do Índio), órgão que disse prestar “um desserviço a esta nação” e que ficou vinculado à pasta dos Direitos Humanos.” [Folha]

Aquela beira de abismo em que você se vê obrigado a abraçar a Damares. Ou o secretário-executivo dela:

“Nabhan dirigiu suas críticas não à ministra Damares Alves, mas ao secretário-executivo da pasta, Sérgio Carazza. “Este cidadão está resistindo em alguns pontos, [o] que vai criar uma situação catastrófica nesta questão fundiária indígena. Vamos voltar à estaca zero”, disse o secretário do Ministério da Agricultura. O secretário disse que a Funai se recusa a passar para o Incra a operação dos sistemas de certificação de imóveis rurais e o georreferenciamento.”

Imagine, a pasta da pastora tá preocupada com esse assunto nas mãos do nahban, é muita doideira pra dar conta.

O secretário de Assuntos Fundiários também criticou a pretensão da Funai de realizar, segundo ele, 425 demarcações de terras indígenas. “Podemos arrumar nossas malas e voltar para Portugal, Espanha, para Itália. Isso precisa ter um fim”, afirmou.

Uma luz no fim do túnel – pode ser um trem.

Talvez por essa treta aí de cima o Bolsonaro deu um coice na Dramática Alves em sua mais recente live:

Qualquer decisão minha, eu ouço qualquer ministro da área. Não tomo sozinho, até porque eu posso errar. Tem que ter responsabilidade, é obvio. Até a Damares, por exemplo, que podem achar que é uma ministra com importância não muito grande, mas tem importância” [Estadão]

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10. O meio ambiente no governo Bolsonaro

Como todos esperavam, uma tragédia:

Constrangimentos e agressões marcaram ontem, quarta-feira (20), a primeira reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) presidida pelo ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, segundo depoimentos de participantes. Além de membros titulares e suplentes terem sido separados em salas distintas, vigiadas por seguranças armados, não houve espaço para discutir a reformulação do colegiado, que foi o tema determinado pelo ministro para a pauta da reunião.” [Direto da Ciência]

Seguranças armados!

Um conselheiro suplente, de governo estadual, foi agredido fisicamente, tendo óculos quebrados, braço torcido, crachá danificado e visivelmente abalado”, afirmou a bióloga Lisiane Becker na página da ONG Mira-Serra no Facebook. Em entrevista a Direto da Ciência, ela afirmou que na reunião de ontem os conselheiros suplentes foram impedidos de exercer seu direto de voz no Conama. Esse direito é assegurado pelo artigo 7º do regimento do órgão.”

Se bobear teve encontro ambiental na ditadura mais tranquilo que esse.

Enquanto o conselheiro agredido gritava por ajuda, imobilizado pelos seguranças, apesar de toda a cena ser presenciada pela plenária, o ministro não interrompeu sua fala nem interveio para acalmar os ânimos, demonstrando ignorar o depaupério e o constrangimento que estavam ocorrendo”, afirmou o ambientalista Carlos Bocuhy, representante do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

Separar membros titulares e suplentes foi não só um constrangimento, mas “um retrocesso de décadas de conquistas” no relacionamento entre o governo e a sociedade na elaboração de políticas públicas para o meio ambiente, disse Mauro Wilken, representante da Sociedade Ecológica de Santa Branca (Sesbra). Foram separados também em um terceira sala os assessores e especialistas convidados pelos conselheiros.

“O objetivo foi, de forma inequívoca, pautar a reformulação do Conama em detrimento de pautas importantes pendentes, como a resolução sobre durabilidade de catalisadores para motociclos, cujo retardamento favorece a indústria, que deveria investir em catalisadores mais eficientes”, disse Bocuhy. “São 51.000 mortes por ano em função da poluição atmosférica. Se a reunião fosse ordinária, este ponto pendente teria que entrar obrigatoriamente na pauta”, acrescentou.

E veja a arrogância do sujeito:

Como eu queria ver esse debate, o Trigueiro, estudioso do asunto, iria tratorar o mnistro.

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11. Cristiane Brasil e as negras do PSOL

Ontem eu publiquei aqui uma notinha sobre a Cristiane Brasil que não se reelegeu, fotografada à mesa de uma das comissões do parlamento. E o mais importante passou batido por mim mas não pelo Natan:

E eu só consigo pensar nos depoimentos recentes de Talíria Petrone, deputada federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, e Dani Monteiro, deputada estadual do Rio de Janeiro também pelo PSOL, ambas mulheres negras, relatando dificuldades, constrangimentos e acossos diários ao acessar as dependências das respectivas casas legislativas em que exercem o próprio mandato e para as quais foram eleitas segundo as regras convencionais da democracia representativa, apenas por integrarem uma expressiva franja da população brasileira histórica e majoritariamente alijada de todos os espaços decisórios relevantes desse arremedo de país, além de serem vítimas de ameaças explícitas à própria integridade física e do assédio virtual – Dani Monteiro, por exemplo, teve o carro, estacionado no próprio Palácio Tiradentes, pichado com diversas ameaças no dia da posse na ALERJ, e conta que já foram buscá-la no meio de uma sessão parlamentar repetindo que aquele lugar era reservado aos deputados eleitos, tomando por verdadeira sua palavra apenas quando um colega branco interveio para confirmá-la; Talíria afirma que ainda hoje sua entrada e permanência em alguns espaços da Câmara Federal são por vezes condicionadas à apresentação de crachá de identificação. Um dos exemplos mais ostensivos da falácia que é a política de respeitabilidade – a aceitação tácita dos códigos de conduta impostos pelo opressor e que seria responsável, em tese, por evitar que grupos minoritários sofressem violências; não é verdadeiro nem quando o jogo respeitado é o santíssimo playground da burguesia, o parlamento”[Facebook]

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12. Lambe-bolas do Netanyahu

Era o que faltava pra completar a lisergia externa desse governo:

O governo de Jair Bolsonaro abandona o apoio às autoridades palestinas na ONU e vota em apoio ao governo de Israel, pela primeira vez no Conselho de Direitos Humanos. Uma das resoluções rejeitadas pelo Brasil pedia justiça diante de supostas violações e crimes por parte de Israel em conflitos registrados em 2018 em Gaza. O governo de Jair Bolsonaro também votou contra uma resolução favorável aos sírios e que condena Israel por violações aos direitos humanos em sua ocupação das Colinas de Golã.” [UOL]

Bem, pra quem já elogiou grupo de extermínio na Cãmara, talvez não pegue bem pra Israel esse apoio. Ou não, né?

Repare: o Temer, a porra do Michel Miguel, votou da mesma forma que os governos petistas. Não é coisa da Lula e da Dilma ou do Foro de São Paulo, termo que Bolsonaro usou algumas vezes nos EUA e no Chile.

Desde 2006, 29 resoluções contra Israel foram colocadas à votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os diferentes governos do Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer – votaram a favor de todas elas. Faltando uma semana para a visita de Bolsonaro para Tel Aviv, o Itamaraty optou por votou contra uma resolução que estabelecia a necessidade de que violações cometidas pelo governo de Benjamin Netanyahu fossem levadas à Justiça.”

Ora, sabemos que a decisão do governo não versa sobre o lado comercial apenas, o desastrado anúncio da mudança da embaixada israelense é a prova cabal.

A resolução que condena Israel é resultado de uma investigação realizada por uma comissão internacional que concluiu que soldados de Tel Aviv atiraram sobre manifestantes desarmados, matando pelo menos 189 palestinos em 2018. Mais de 6 mil palestinos ainda ficaram feridos em confrontos com forças de Israel, entre março e dezembro de 2018. “As forças de segurança de Israel cometeram violações de direitos humanos e de direito humanitário”, apontou o informe. “Algumas das violações podem constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade”, alertaram os autores do documento de mais de 250 páginas.

Quando é o Chávez matando manifestantes desarmados é um escarcéu (com razão) mas como do lado de lá é Israel melhor deixar quieto. É o mesmo pessoal que volta e meia fala em enquadrar o Maduro em crimes contra a humanidade.

O Brasil votou a favor da criação da investigação internacional, ainda em maio de 2018 e sob o governo de Michel Temer. Mas, na gestão de Bolsonaro, decidiu votar contra. Apenas oito países votaram contra a resolução. O Brasil foi o único latino-americano a tomar tal atitude. Ao lado de Bolsonaro estavam tradicionais aliados dos EUA, como Ucrânia e Austrália, além do governo de extrema-direita de Viktor Orban, da Hungria.”

Sim, Chile, Paraguai, Peru, Argentina, todos com governo de direita no comando e NENHUM votou contra os israelenses. O Macri, por exemplo, se absteve.

A embaixadora sutil como um coice de cavalo está de volta:

Ao explicar sua oposição à resolução, o governo do Brasil reconheceu que houve uma maior flexibilidade por parte dos palestinos na redação do texto. O Itamaraty ainda insistiu em demonstrar “solidariedade” com as vítimas e lamentou a violência. Em seu discurso, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, pediu “moderação” por todos.

O Brasil reconhece que os palestinos avançaram na negociação mas ainda assim vão votar do outro lado! Crimes de guerra e contra a humanidade!

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12. Macri ladeira abajo

Se lembra quando o Macri era cantado em verso e prosa por aqui: O MBL cansou de fazer meme com o Macri de óculos escuro.

A Argentina liderou a lista de frustrações das expectativas de recuperação econômica da América Latina no ano passado. A economia argentina contraiu 2,5% no ano passado, em meio à pior crise econômica desde 2001. Dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos mostram contração do PIB de 1,2% no quarto trimestre em relação ao terceiro e queda de 6,2% sobre o último trimestre de 2017. No começo de 2018, a expectativa era de retomada das economias da região. Mas as duas maiores economias latino-americanas, Brasil e México, cresceram menos que o previsto, enquanto a Argentina contraiu, adiando a esperada recuperação para 2019.” [Valor]

E um panorama das economias latino-americanas:

“De modo geral, tivemos um desempenho bastante medíocre. Uma expansão média abaixo de 2%, com recessões profundas na Argentina e na Venezuela, desaceleração do México e crescimento pífio do Brasil”, afirma Alberto Ramos, do banco Goldman Sachs. Ele observou que algumas economias andinas foram das poucas a crescer acima de 2%, “o que não deixa de ser desapontador”.

Chile e Peru foram os destaques da região com um crescimento de 4% cada em 2018. A vitória de Sebastián Piñera, de direita, em 2017, destravou a demanda reprimida de consumo e investimentos, diz Casarin. No Peru, investimentos públicos começaram a fluir após a queda do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que não tinha apoio do Congresso. No caso da Colômbia, a alta do preço do petróleo ajudou o país a crescer 2,7%, mesmo em um ano eleitoral, em que o candidato esquerdista, Gustavo Petro, aparecia bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto.

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14. O shit show do Brexit

Inicialmente agendado para 29 de março, o Brexit agora ganhou dois novos prazos: caso May consiga convencer os parlamentares britânicos a aprovarem o acordo que ela negociou durante dois anos e meio com Bruxelas, o Reino Unido terá até o dia 22 de maio para finalizar o processo de saída da UE. Mas caso seu acordo seja mais uma vez rejeitado — a primeira-ministra já foi derrotada em duas votações — May terá até o dia 12 de abril para buscar uma solução e evitar que o Reino Unido saia da UE de maneira abrupta.

O principal obstáculo a um acordo final é a fórmula encontrada para evitar a reimposição de uma fronteira rígida entre a Irlanda do Norte (província britânica) e a Irlanda (independente e parte da UE). Pelo chamado backstop , o Reino Unido se manteria numa união aduaneira com a UE até que uma solução final fosse negociada. Partidários do Brexit temem que o arranjo mantenha o Reino Unido indefinidamente ligado à UE.” [O Globo]

Macron deu o papo reto:

Devemos ser claros com nós mesmos, nossos amigos britânicos e nosso povo — disse Macron ao chegar a Bruxelas. — No caso de outra rejeição no Reino Unido, estaremos caminhando para uma saída sem acordo. Todo mundo sabe disso.”

Mas tem gente tentando pacificar:

“Já a chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu “trabalhar até o último minuto” para evitar uma retirada desordenada, enquanto o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, pediu a líderes europeus que dessem “um pouco de folga” ao Reino Unido.”

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15. Um Trump Muito Louco

E o slogan Make America Great Again na prática:

“The United States is no longer driving the conversation on some of the biggest issues facing the world, both short- and long-term. Instead, foreign nations are making the decisions. America is losing its position as the global arbiter for international norms — from airline safety to online privacy to the response to climate change. It’s a trend that predates President Trump, but it’s accelerating now — and it makes Americans beholden to the decisions of foreigners. The Boeing 737 MAX wasn’t grounded last week because the U.S. took the lead. It was because the EU, China, and many other countries acted first, rattled by two plane crashes under similar circumstances.

o on some of most consequential issues that will shape the world this century, the U.S. is taking a back seat, like privacy, foreign investment, climate and finance. Our thought bubble, via a sentiment Axios World editor David Lawler says he’s hearing more often: When countries take action around the world, their first thought used to be, “What will Washington think?” China’s goal is to make them think about Beijing just as quickly, if not before.” [Axios]

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>>> Antes tarde do que nunca: “O presidente Jair Bolsonaro apagou duas publicações polêmicas que fez em seu perfil no Twitter durante o carnaval. Uma delas mostrava duas pessoas praticando o chamado “golden shower” no carnaval. A outra é que a perguntava sobre o assunto. Não se sabe ao certo o dia no qual as publicações foram deletadas, mas os dois homens que apareciam no vídeo postado pelo presidente ingressaram esta semana com um pedido de mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a exclusão das imagens da conta do presidente.” [O Globo]

>>> Joyce “Numa reunião hoje com vários deputados, em que estavam presentes, por exemplo, Marcos Pereira, presidente do PRB, e Rodrigo Maia, a líder do governo no Congresso contou que chegou a conversar com o presjdente do PSL sobre sua desfiliação. Joice acha que o PSL não está mostrando maturidade para ser governo.”

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