Dia 114: a autofagia dos Bolsonaros | 25/04/19

1. Economia ladeira abaixo e não adianta pisar no freio

Em meio ao circo é importante não perder de vista o mais importante:

Nunca foi tão difícil para o brasileiro conseguir recuperar a renda após um período de recessão econômica —e o psintoniarocesso ainda corre o risco de se prolongar. O padrão de vida medido pela chamada rbancoenda per capita, que divide o PIB (Produto Interno Bruto) pelo número de habitantes, estagnou ao redor de R$ 32 mil no Brasil. O valor está 9% abaixo do pico, alcançado banco do brasno primeiro trimestre de 2014 —ou seja, há 19 trimestres. Observando a série histórica, a lentidão atual supera aquela que seria a pior até então, registrada após a recessão de 1989, segundo estudo feito pela consultoria AC Pastore, do ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore. Naquele momento, a renda por habitante se situava 6,5% abaixo do teto após um período de 19 trimestres.” [Folha]

Nesse ritmo de crescimento de 1% do PIB e da população, não voltaremos ao pico da nossa renda per capita nunca”, diz Marcelo Gazzano, economista da AC Pastore. O processo lento de reação da renda por habitante, diz o economista, também compromete a capacidade de consumo. Diante do baixo nível da renda per capita, não há como manter qualquer otimismo com relação à recuperação do consumo das famílias— componente que, ao representar mais de 60% do PIB, é crucial para a retomada. Um dado adicional preocupante é que a renda per capita pode experimentar mais um ano de estagnação. Logo, se o crescimento econômico em 2019 corroborar a expectativa de um grupo cada vez maior de economistas e ficar próximo de 1%, é provável que o PIB per capita encerre mais um período sem reação, já que a população brasileira também cresce perto de 1%.

Tinha que ser muito trouxa pra acreditar que o Brasil cresceria 3% esse ano, como meio mundo tava prevendo.  Desde a transição eu falo isso, lá atrás eu apostei em 1,5% de PIB e estou me sentindo ridiculamente otimista

Como outras forças capazes de elevar o crescimento também não estão operando (entre elas o investimento), a consultoria projeta uma taxa de crescimento do PIB entre 1% e 1,5%, com chances maiores de que o PIB fique no limite inferior do intervalo —num círculo vicioso perverso. Em reais, o PIB per capita está hoje ao redor de R$$ 32 mil, ou seja, se a renda fosse igualmente distribuída por toda a população, cada brasileiro teria pouco mais de R$ 2.500 por mês. Só para dar uma ideia de grandeza, se o ritmo de recuperação fosse igual ao registrado em 1989, a renda per capita no fim de 2018 seria de R$ 33 mil —R$ 1.000 a mais no ano e R$ 80 a mais ao mês. Mesmo após o período recessivo, diz Gazzano, em termos absolutos o PIB per capita hoje, de R$ 32 mil, é maior do que o de 1989, de R$ 24 mil em valores atuais. “No longo prazo, teve evolução. Mas o ponto é que, após a recessão mais recente, a reação não veio. Só algo pequeno no primeiro trimestre de 2017, em razão do avanço do setor agrícola. Depois disso, o PIB cresceu exatamente o que cresceu a população”, diz.

Você pode pegar qualquer parâmetro e nenhum deles será positivo:

Desde outubro do ano passado, o número de empregos com carteira assinada cresce em torno de 1,4% ao ano. Nesse ritmo, apenas em março de 2022 o país voltaria a ter empregos formais na mesma quantidade de março de 2015. Não é uma previsão, claro, mas uma medida do tamanho do atraso e do estrago. Desde outubro do ano passado, o valor da receita de impostos do governo federal cresce cada vez mais devagar. A arrecadação do primeiro trimestre foi apenas 1,1% maior que a do início do ano passado (em termos reais: descontada a inflação). É outro indício de economia devagar, quase parando.

O emprego com carteira anda mal por causa da indústria, entre os grandes setores da economia. As fábricas até pareciam se animar um pouco em abril e maio do ano passado. A partir de outubro, o caldo entornou, e a panela de empregos novos ficou vazia. Desde então, o número de pessoas empregadas com carteira assinada é praticamente o mesmo (na comparação com o mesmo mês do ano anterior). A construção civil, o grande setor que proporcionalmente perdeu mais empregos no país, ainda se recupera, mas de modo quase imperceptível, para não dizer irrelevante. Os focos de crise são, pois, praticamente os mesmos desde o início desta recuperação, que, na verdade, falhou. O país está em uma espécie qualquer de depressão.” [Folha]

O otimismo do governo ao justificar a perda de postos de trabalho é constrangedor:

Na leitura do governo, o fechamento de vagas em março foi fruto do dado acima do esperado em fevereiro. Segundo o secretário do Trabalho, Bruno Silva Dalcolmo, setores que normalmente contratavam em março anteciparam as contratações para fevereiro, enquanto os que demitiam decidiram concentrar as dispensas de funcionários no mês passado. Ele diz que também viu impactos relacionados à confiança: “Provavelmente, a demanda no início do ano foi aquecida o suficiente para que os empresários mantivessem os trabalhadores contratados e atrasassem as demissões de fevereiro para março”.” [Folha]

Essa provocação aqui é um soco no queixo:

Nesse Fórum Jurídico em Lisboa, o economista José Roberto Afonso traçou um quadro sombrio com o fato de que só 40% dos trabalhadores brasileiros têm emprego formal e previdência contratados. Da maioria informal, 65% preferem continuar como empreendedores, só 48% contribuem para INSS, 16% se preparam para se aposentar de outra forma e 12% têm previdência privada. “No futuro, viverão de quê? Bolsa família?”.” [O Globo]

Encerro com Gustavo Gindre:

Hoje eu fiz um post sobre a fábrica de carros autônomos do Google e como essa mudança tende a acabar com profissões como motorista de ônibus, táxi e Uber e caminhoneiro. Há poucos meses o Google começou o lançamento de sua tecnologia full duplex, voltada para a automação do atendimento de telemarketing. Isso tudo faz parte da revolução que fará com os serviços o que já foi feito com a indústria, desaparecendo com milhões de postos de serviços. Em especial serão afetados os trabalhadores do setor de serviços com menor qualificação. E advinha qual foi o setor que mais gerou empregos no Brasil desde os anos 90??????” [Facebook]

Todo e qualquer otimismo é em vão.

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2. Que dia, senhoras e senhores, que dia!

Eu imaginei de tudo, mas confesso que o dia de ontem me deixou boquiaberto. Tonho da Lua brigou até com o pai e AFANOU o twitter presidencial, o principal meio de comunicação do presidente.

Carlos Bolsonaro não está mais passando para o pai, Jair Bolsonaro, a senha de acesso do presidente ao Twitter dele, Bolsonaro. É por isso que, há três dias, Bolsonaro não consegue postar nada. O último tuíte que Jair Bolsonaro publicou foi no domingo, sobre a Páscoa. Carlos está fazendo isso em retaliação ao pai por causa da discussão que os dois tiveram no domingo. Foi Carlos que postou, no perfil do pai no Youtube, um vídeo de Olavo de Carvalho atacando o vice Hamilton Mourão. Carlos está fazendo isso em retaliação ao pai por causa da discussão que os dois tiveram no domingo. O clima na família Bolsonaro neste momento é péssimo. Ninguém consegue contato com Carlos.” [Época]

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Até consigo imaginar o diálogo no gabinete presidencial:

Jair, qual a senha?
– Não sei, o Carlos mudou.
– Fala com ele, porra.
– Ele não me atende
– …
– …
– Secretária, liga pro GSI!

E o que fez Tonho da Lua 54 minutos após à publicação da matéria?

Sim, ele ASSINOU Jair Bolsonaro no tweet do Jair Bolsonaro com um vídeo do Jair Bolsonaro!

Em seguida Tonho da Lua, ainda na conta presidencial, postou o seguinte AVC de letrinhas:

Carlos deslogou da conta presidencial e entrou na própria conta:

A Míriam Leitão fez um bom resumo:

O último surto dos filhos do presidente mostra, uma vez mais, a situação bizarra em que o Brasil se encontra. Um vereador do Rio fica dando ordens de bom comportamento ao vice-presidente da República. A família do governante se comporta como se o país tivesse escolhido, nas urnas, o clã inteiro para governar. O presidente não consegue ter a mínima autoridade em sua própria casa e aparece como um joguete na mão dos filhos. Quando era perguntado sobre por que demonstrava pensamentos diferentes dos do então presidente João Figueiredo, Aureliano Chaves costumava responder: “não sou demissível ad nutum”. Esse é o ponto que inquieta os filhos do presidente. O vice-presidente, Hamilton Mourão, foi eleito, tanto quanto Bolsonaro, e tem suas próprias ideias. Não há razão alguma para que não possa tê-las, até porque na democracia a diversidade sempre foi melhor que a ordem unida.” [O Globo]

Tonho da Lua também postou esse vídeo:

Nesta quarta, Carlos Bolsonaro postou mais um vídeo de terceiros contra Hamilton Mourão. A coisa sobe alguns tons. O locutor da peça constrangedora chama o vice de traidor. Cheio de sabedoria, diz o sujeito, com o endosso de Carlos: “Não queremos que Mourão saia porque daí teremos um vice que vai ser o Maia (Rodrigo, presidente da Câmara)”. Obviamente, o fino pensador não diz de que modo Mourão poderia ser apeado do poder. A exemplo de tudo o que vem da família ou que conta com seu apoio, o narrador é grosseiro. Referindo-se ao general, afirma que ele tem de se resumir “à função de poste”. E pede que “fique quieto”. Aproveitou para citar duas características que, dado o contexto, considera negativas em Mourão: “Representante da maçonaria e de parte do Exército”. Nota: por incrível que pareça, há uma sugestão homofóbica até no vídeo que ataca o general. A imagem que abre a peça é a do vice sendo maquiado para conceder uma entrevista, procedimento corriqueiro. O autor da diatribe diz que Mourão parece “Cauby Peixoto”. Por que essa gente é tão obcecada pelo assunto? Bem, aí é preciso o concurso de especialistas em comportamento. Sei o que todos sabem sobre homofóbicos no geral, já constatado pelos profissionais da área em consultórios: é gente que mora no armário junto com o seu ódio.”

Entre um coice e outro no Mourão cai bem uma cusparada no Maia, né?

Olavo também brigou com Jair, já escrevi aqui e volto a repetir: estou preocupadíssimo com a auto-estima presidencial.

Obrigado, sr. presidente, pela chance que o senhor me deu de ser o seu boi-de-piranha, levando nas minhas costas pelo menos metade das pancadas que lhe eram dirigidas e em seguida sendo acusado de ter o comportamento divisionista que de fato é o do seu querido vice-presidente” [O Globo]

E a reação do Carlos bate com palavras do Bolsonaro em um vôo com políticos dias antes:

O fogo amigo continua alto no Palácio do Planalto. Embora o presidente Jair Bolsonaro peça mais sintonia e menos ruído na equipe, nos bastidores ele também critica o vice Hamilton Mourão. Pouco antes de a nova ofensiva contra Mourão vir à tona, o próprio presidente fez reparos à atuação do general, durante um voo de Brasília para o Rio, em conversa com senadores e um deputado. A impressão de passageiros daquela comitiva foi a de que, para Bolsonaro, Mourão se movimenta como uma espécie de presidente paralelo, mais interessado em holofotes. A viagem ocorreu no último dia 11, após a cerimônia para comemorar cem dias de governo. O Estado ouviu três parlamentares que estavam no voo e, sob a condição de anonimato, todos confirmaram o incômodo do presidente com o vice. Naquele dia, Bolsonaro foi ao Rio para assistir a uma palestra do pastor John Hagee e participar de um almoço do Conselho de Ministros Evangélicos do Brasil.

Descontraído, acima das nuvens, Bolsonaro apresentou ali vários problemas com o vice que, nove dias depois, apareceram nas redes sociais do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Ele não gostou, por exemplo, de Mourão ter aceitado fazer palestra no Wilson Center, nos EUA, no dia 9, após receber um convite dizendo que os primeiros cem dias do governo foram marcados por uma “paralisia política”. A convocação também elogiava o vice, tratado como “uma voz de razão e moderação, capaz de orientar a direção em assuntos nacionais e internacionais”.” [Estadão]

Sobrou até para o Bebianno:

No “voo da queimação”, como ficou conhecida aquela viagem entre os passageiros, Bolsonaro lembrou que havia convidado o general em cima da hora para ser seu vice, no ano passado, porque tinha certeza de que o então presidente do PSL, Gustavo Bebianno, queria a vaga. A convicção vinha do fato de que todo político chamado na campanha para fazer dobradinha com ele era “fuzilado” no outro dia pelos jornais. Bolsonaro concluiu, então, que Bebianno detonava todos os candidatos a vice e agia como um “traidor” para ocupar o posto.

Não duvido nada que isso tenha de fato acontecido.

No bate-papo durante a viagem de pouco mais de uma hora ao Rio, após deixar a cerimônia na qual Mourão estava a seu lado, Bolsonaro disse ter certeza de que muitos no governo agem para afastá-lo de seus filhos. Assegurou, no entanto, que ninguém conseguirá separá-lo de Carlos, do deputado Eduardo (PSL-SP) e do senador Flávio (PSL-RJ).

E Bolsonaro fala uma porra dessa na frente de vários políticos, é duma ingenuidade…

E que tal general pedindo licença pra capitão? Imagine uma porra dessa, chance nenhuma de dar certo.

Hamilton Mourão embarca hoje rumo ao Piauí, onde, entre outros compromissos, vai reunir com o governador Wellington Dias, do PT. Para evitar novos ruídos com o chefe, Mourão perguntou se Bolsonaro se opunha à missão. De volta, ouviu que poderia ir. Alguns cuidados, porém, serão tomados: nada de fotos com Wellington Dias e nem declarações à imprensa sobre temas espinhosos.” [O Globo]

Alguma dúvida que em caso de resposta negativa Mourão ligaria o foda-se?

O Reinaldo Azevedo fez um bom texto sobre a simbiose esquisita entre Bolsonaro e os militares:

Não esperem que isso vá parar. Não vai. É preciso que se entenda que a natureza do bolsonarismo dispensa as chamadas mediações institucionais. E assim são vistos também os militares —, além de Poder Judiciário, Congresso e imprensa. A tensão que aí está entre o chamado “núcleo ideológico” do governo e os militares é só a emergência de um conflito que estava contratado quando o estamento militar aderiu à candidatura do barulhento capitão. Este apostou que poderia se escorar nas Forças Armadas para ganhar densidade e ossatura, colocando-se, então, como o único entrave possível à volta do PT ao poder. E o fez sempre de forma muito reverente, apresentando-se como um fiel servidor da causa. O alto oficialato resistiu porque ainda tinha memória do mau soldado. Mas o repúdio ao petismo — se os militares foram ingratos ou não, fica para outra hora — levou à adesão à candidatura do “capitão”. E por certo, havia muito do que se pode chamar de má consciência nesse casamento. E dos dois lados.

Os generais apostavam que vigoraria no governo a hierarquia da caserna e que o capitão bateria continência para os seus superiores. Desse modo, Bolsonaro exerceria o poder sob tutela. Como se pode notar, não tardou para que percebessem que assim não é. O presidente da República dispõe de um poder imenso. Mas isso ainda é o de menos. Bolsonaro é parte de uma equação que busca nas Forças Armadas nada além da credibilidade que lhe falta. Quer também a sua disciplina apartidária para não ser obrigado a negociar no Congresso. A força que levou o dito “Mito” ao poder, com efeito, vem do contato direto com os eleitores por meio das redes sociais. No seu projeto, militar executa e não apita. Os generais agora veem que o seu suposto boneco de mamulengo tem vínculos ideológicos que os excluem da equação do poder, a não ser como coadjuvantes servis. E Bolsonaro não se conforma que seu vice tenha conseguido uma voz própria, que não se submete a seus caprichos e desígnios. E, para sua surpresa e, convenham, a de quase todos os analistas, Mourão passou a falar como um político eleito, que percebe o peso das instituições, não como um general em guerra contra os inimigos — até porque, se estes existissem, seriam uma parte considerável dos brasileiros.” [UOL]

Daquelas ironias que faz o sorriso ir de orelha a orelha:

Bolsonaro também usou Mourão como peão na crise que culminaria no impeachment de Dilma. Quando o general defendeu a derrubada da petista, o então deputado disse que a presidente e seus ministros poderiam exonerá-lo, “mas não podem demiti-lo”. Agora, é ele quem está diante de uma figura indemissível.” [Folha]

Isso tudo foi ontem, hoje Bolsonaro e Mourão participaram de um café da manhã com os jornalistas, é a primeira vez que Mourão participa, veja que coincidência danada. Palavras do Bolsonaro:

Estamos dormindo juntinhos a noite toda. Durante o dia, brigamos sobre quem lava a louça” [Folha]

Sobre as críticas do Tonho da Lua:

Algumas são justas, outras nem tanto. O navio dele [Carlos] está indo para um bom caminho.” [Antagonista]

E o cada vez mais diminuto General Heleno se sentiu no direito de dar esporro na imprensa, que estaria fabricando uma crise entre militares e olavistas, aquele papo de fake news sem soar tão cretino.

Encerro com o futuro presidente Luiz Antônio Simas – ministro da Cultura ou Educação já tá valendo, Brasil!

Dizer que o governo é a casa da mãe Joana, como andei lendo, é sacanagem com Joana I, Rainha de Nápoles, que organizou no séc. XIV os bordéis de Avignon. A área do randevu, Câmara Cascudo já nos ensinou, ficou conhecida em português como Paço da Mãe Joana. No Brasil, o paço virou casa. A coisa era boa, com sarau de poesia, música de câmara e os cacetes. A Mãe Joana não era mole. Teve uma vida que daria enredo de escola de samba. Fugiu de Nápoles acusada de conspiração no assassinato do marido, virou dona de puteiro na França e acabou assassinada por um sobrinho. Mas o paço com os lupanares que ela criou era organizadíssimo. Era autoritária pacas, mas cuidava, reza a tradição, das funcionárias do paço com carinho maternal. Não procede qualquer comparação com os nossos dias.” [Facebook]

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3. Mais humilhação presidencial

Bem, vai ver o Maia tá puto por conta do vídeo do Tonho da Lua dando a entender que ninguém quer impeachment do Mourão porque aí seria Maia na vice-presidência, o que seria muito pior:

Qual é a agenda do governo? Qual é a agenda do governo para a Educação? Eu não conheço. Qual é a agenda do governo nas relações internacionais? É um desastre. A gente não sabe ainda qual é a agenda do governo para dizer se faz parte ou não.” [O Globo]

É só porrada:

Perguntado se sua relação com o presidente da República seria melhor do que já foi “como deputado”, Maia afirmou que, “pessoalmente, é pior”. No mês passado, Maia e Bolsonaro trocaram farpas. Embora o presidente da Câmara tenha indicado que o entendimento ainda é difícil, ressaltou que isso “não é relevante”, porque o que importa é “acordar cedo” para tocar a agenda econômica.”

Sobre a guerra entre olavistas e militares (uma espécie de olavistas mais light):

Há um conflito dentro desse governo, que o Parlamento não quer participar

E veja que situação miserável, estou torcendo pelo filho do César Maia!

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), disse a um grupo de parlamentares e líderes indígenas que não concorda com a transferência do poder de demarcação de terras indígenas da Funai para o Ministério da Agricultura e que a alteração “divide” o país e não promove “a segurança” dos povos indígenas. Ele sinalizou que vai trabalhar para desaprovar esses pontos da Medida Provisória número 870, que deverá ser analisada nas próximas semanas pelo Congresso. No encontro, Maia foi informado de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também manifestou intenção de barrar esses pontos da medida provisória, durante uma reunião ocorrida mais cedo no Senado com parlamentares federais.” [Folha]

Por falar em humilhação presidencial, esse texto do Veríssimo é maravilhoso:

“‘Nosso futuro está escrito nas estrelas” disse Shakespeare, ou Brutus pela mão de Shakespeare. Também disse o contrário: que nosso destino vem, não do alto, mas das nossas entranhas, e quem somos nós para exigir que, além de ser Shakespeare, Shakespeare seja coerente? No Brasil de Bolsonaro podemos escolher não só quem ou o que nos guiará, mas os detalhes da sua natureza. Para orientar-se e orientar a nação neste começo de governo, Bolsonaro escolheu as estrelas. Para assegurar-se de uma relação direta com as estrelas escolheu, para começar, um astrólogo famoso. Se os astros falharem… não faltará um suprimento de estrelas saudosas de outra natureza, prontas para intervir.

O Paulo Guedes não usa estrelas nos ombros, nem — que se saiba — metafóricas, mas seus sonhos americanistas e seus delírios de mercado aberto, custe socialmente o que custar, devem fazer dele talvez o mais perigoso dos nossos guias. Comenta-se em Brasília que na volta dos Estados Unidos, onde ouviu a notícia de que a Petrobras não aumentaria o diesel, Guedes foi ao escritório de Bolsonaro, que trancou a porta. Durante duas horas só se ouviu uma voz de dentro do escritório. Na saída, Bolsonaro suava e parecia trêmulo. Durante as duas horas, ele só ouvira reprimendas e ameaças. Acabara tendo de ouvir a pergunta humilhante: o senhor não sabe, seu Jair, no que nós nos metemos? Em que briga de cachorro grande?

A situação é essa. Estrelas graduadas, metidas com estrelas metafísicas, metidas com estrelas liberais, numa constelação em choque, ou várias constelações engalfinhadas num pega sideral, até que se definam. Quem vencerá? Não se sabe nem quem está na frente. Os militares tem as armas e o hábito, embora se digam regenerados e teimem em representar essa nova normalidade. O Olavo de Carvalho representa uma excentricidade de um só, o que não deixa de ser uma credencial politica. Não sei se anda armado.” [O Globo]

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4. Sobre a reforma

Bolsonaro resolveu passar vergonha em cadeia nacional de rádio e televisão em um discurso celebrando a aprovação da reforma na CCJ- talvez já antevendo isso se limitou a 1 minuto e 26 segundos, se for pra perder que seja de pouco:

Inacreditável, certo? Calma que piora:

O presidente Jair Bolsonaro solicitou à sua equipe de comunicação improvisar no pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na noite desta quarta-feira , no qual agradeceu ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pelo “comprometimento” na aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O presidente não gosta de fazer leitura no teleprompter, equipamento que exibe texto para ser lido diante das câmeras, e não lhe agrada o resultado quando não fala espontaneamente.” [O Globo]

“Para ajudar o presidente, a equipe de televisão decidiu fazer uma alteração no teleprompter. O texto escrito todo em letras maiúsculas foi substituído por iniciais maiúsculas e as demais minúsculas para facilitar a compreensão das palavras. Bolsonaro aprovou a mudança e auxilares avaliaram que o presidente conseguiu se sair melhor na leitura do discurso

O que só torna esse tweet ainda mais delicioso.

Qualquer pessoa minimamente alfabetizada aprender a ler a porra dum teleprompter, isso aí é uma burrice monumental, olímpica, o Brasil elegeu um dos brasileiros mais burros e lhe entregou a faixa de presidente aos gritos de mito.

Bolsonaro se recusou a encontrar com Maia ou pelo menos ligar para o presidente da Câmara. A única forma do Bolsonaro fazer um gesto em direção ao Maia que não seja o dedo do meio erguido é lendo um teleprompter, com o Maia bem longe dali, foi pra isso que serviu esse constrangedor discurso presidencial. Perto do Bolsonaro a retórica da Gilma é encantadora.

E a PGR pediu explicações sobre o sigilo imposto aos números da reforma:

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão vinculado à PGR (Procuradoria-Geral da República), enviou nesta quarta-feira feira (24) um ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, cobrando dele explicações sobre o sigilo imposto a pareceres e estudos técnicos que embasam a reforma da Previdência. A Procuradoria solicita ao ministro que confirme a proibição de acesso e lhe envie os pareceres jurídicos que a fundamentam.

Como mostrou a Folha nesta terça (23), a Controladoria-Geral da União (CGU) entendeu em 2017 que pareceres e estudos da reforma apresentada pelo então presidente Michel Temer eram públicos. Ao avaliar pedido de acesso feito por um cidadão, o órgão entendeu que o sigilo só poderia valer até o envio, ao Congresso, da proposta com as mudanças no regime de aposentadorias e pensões.” [Folha]

Segundo Joyce, a reforma passa pela comissão especial da Câmara antes do recesso de meio de ano. Bem, então a aprovação deve sair lá por setembro.

Os cálculos do mercado:

O mercado financeiro está “ajustando” seu tom em relação à reforma da Previdência. Na lista montada e divulgada ontem pela Bloomberg, mostrando as previsões de nada menos que 30 instituições financeiras de peso – tanto nacionais quanto internacionais –, nota-se certo consenso em relação à data de votação da PL: pouco antes e pouco depois do terceiro trimestre de 2019.

Também em relação à economia que será feita nos próximos dez anos, as apostas coincidem entre R$ 500 bilhões e R$ 800 bilhões. Só o Bradesco estica este espectro para até R$ 900 bilhões. Em outras palavras, se o governo Bolsonaro conseguir um corte de custos maior que a média das projeções, algo como R$ 600 milhões, os preços das ações cotadas na B3 e também la fora vão… subir. Mas se a reforma aprovada pelo Congresso limitar a economia de gastos abaixo do R$ 500 bilhões, aí… a coisa se complica. Paulo Guedes briga por um ajuste de R$ 1 trilhão.” [Estadão]

Os cálculos do Guedes confirmam a minha impressão: a reforma entregue economizaria bem mais que 1 trilhão, só assim pra esse imbecil falar em economia de 1,2 trilhões mesmo depois da reforma ser desidratada na CCJ:

A economia prevista pelo governo com a reforma da Previdência pode chegar a R$ 1,236 trilhão, em 10 anos. O novo número foi divulgado hoje (25) pelo Ministério da Economia, ao apresentar o impacto detalhado da proposta de reforma. O impacto de mudanças na aposentadoria rural será de R$ 92,4 bilhões e a urbana, R$ 743,9 bilhões, em 10 anos. As mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BCP) são de R$ 34,8 bilhões, e no abono salarial, de R$ 169,4 bilhões.” [Agência Brasil]

E pra mostrar sintonia Bolsonaro sumiu com 400 bilhões do número do Guedes, que ficaria em 800 bilhões.

É a previsão mínima, né? Da reforma da Previdência” [Folha]

Se deixa ruma tartaruga manca aos cuidados desse ajuntamento de retardados a porra da tartaruga foge em slow motion.

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5. Sobre o quebra-pau da reforma

O clima tá SUAVE!

Deputados bateram boca e trocaram empurrões no plenário da Câmara sobre a liberação de emendas para aprovação da reforma da Previdência na Casa. Segundo a Folha de S. Paulo, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) liberará R$ 40 milhões em emendas para os deputados favoráveis às alterações na aposentadoria. O deputado José Medeiros (Pode-MT) acertou o microfone de Aliel Machado (PSB-PR) e ambos se empurraram. Os microfones foram cortados até os parlamentares se acalmarem.” [UOL]

Parabéns a quem colocou a trilha de Rocky de fundo.

Durante a sessão no plenário, o deputado João Daniel (PT-SE) disse que os R$ 40 milhões seriam o preço que “Bolsonaro está impondo para esta Casa, para aprovar um projeto contra o povo trabalhador”. Enquanto o petista fazia as declarações, deputados da base gritavam por respeito e diziam que as acusações deveriam ser provadas. O clima esquentou de vez quando o deputado Daniel Freitas (PSL-SC) disse que as declarações eram ofensivas e que o deputado petista teria que provar o que acusava. “O senhor vai ser levado ao Conselho de Ética. Porque não é aceitável que esteja acostumado com um governo corrupto”, disse Freitas ao microfone. Em seguida, Aliel Machado respondeu que “o governo ofertou R$ 40 milhões para comprar votos” e disse que essa “conversa” aconteceu em reunião na “casa do presidente” e acusou os parlamentares de estarem “se vendendo”.”

O mais louco é que a acusação não parte só da oposição, vem do próprio PSL, mais precisamente do Major Olímpio:

Deputados teriam ouvido de Onyx a proposta de R$ 40 milhões de emendas em quatro anos. Eu fiquei estarrecido e fiz um pronunciamento no Senado. Em primeiro lugar, ninguém, em nenhuma circunstância, vai ouvir esse tipo de proposta indecorosa e criminosa do presidente Jair Bolsonaro.” [UOL]

E por falar em Major Olímpio:

O senador Major Olímpio (PSL-SP), que fez carreira na Polícia Militar paulista, nomeou como assessor parlamentar um ex-soldado que foi condenado por tortura, cumpriu pena e acabou expulso da corporação. O político, aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirma que o cargo é também uma maneira de compensar uma “grande injustiça” que, para ele, foi feita contra o ex-PM. Carlos Alberto Ires de Jesus foi condenado em 2002, após ser acusado de ter torturado duas pessoas em uma base comunitária da PM no Jardim Ranieri, zona sul da capital paulista. Soldado à época, sua pena foi de oito anos e cinco meses de prisão. Ele perdeu o cargo devido ao crime de tortura qualificada e lesões corporais gravíssimas.” [Folha]

O Brasil ficou impossível de ser explicado aos gringos, não há imaginação que dê conta duma lisergia desse naipe.

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6. Medo e Delírio no Meio Ambiente

Muita injustiça associar um governo repleto de militares aos militares, dizem os generais:

Imagine, o Ibama pegando fogo e o Salles vem agradecer a dedicação e empenho das pessoas que ele demitiu ou que se demitiram em protesto ás suas loucuras.

Ouse dar o play no vídeo:

Gostaria de anunciar o brigadeiro e a tenente na secretaria de biodiversidade aqui do MMA, um importante tema confiado a quem conhece

Eita porra, a aeronáutica brasileira tá demais, até de biodiversidade os caras entendem.

E esse ministro deveria ser preso, simples assim:

Há cerca de um mês “desapareceram” do site do Ministério do Meio Ambiente (MMA) os dados das Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade. Nos últimos anos, lideranças empresariais têm atuado para reverter decretos e outras normas federais sobre esse instrumento de política pública, que dá suporte técnico para criação de unidades de conservação, licenciamento de atividades potencialmente poluidoras, fiscalização e outras ações de gestão ambiental.

Sob condição de anonimato para evitar represálias, funcionários do MMA informaram que a ordem para remoção completa dos mapas e demais informações das Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação foi dada por Ana Maria Pellini, secretária-executiva do ministério. Foram removidas também reportagens produzidas pela comunicação do MMA. Questionado por meio de sua assessoria de imprensa sobre essa suposta ordem, o gabinete da pasta não respondeu.” [Direto da Ciência]

Essa matéria da Pública, sobre um encontro no pará entre ruralistas e Tereza Cristina e Nabhan Garcia, é de uns dias atrás mas vale a leitura:

O Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgãos encarregados por lei de fazer fiscalização ambiental, foram alvos de duras críticas e xingamentos. Era alguém tocar no nome deles e o burburinho começava. Aos poucos, palavras de ordem eram gritadas e aplausos efusivos demonstravam o apoio da plateia a quem tomava coragem de gritar no meio da multidão. Nas manifestações anônimas, feitas durante as falas, os órgãos foram acusados de praticar “terrorismo de Estado”, alguns disseram que o governo “tem que acabar” com eles, a despeito da obrigação do Estado em mantê-los, e os chamaram de “câncer”. Produtores falaram em “desfazer essas porcarias de Unidades de Conservação” (UCs) – termos similares aos usados por eles para se referir a outras áreas protegidas pela União, como terras indígenas e assentamentos de reforma agrária.

Nas falas feitas em um púlpito do auditório por produtores rurais e autoridades não ligadas ao governo federal, o tom não foi muito diferente. Para ficar em um exemplo, a representante da Associação dos Produtores dos Campos do Araguaia (Aprocampo), Genny Silva, chamou o Ibama, em fala pública, de “instituto brasileiro de assalto à mão armada”. O radicalismo das demandas foi tamanho que levou os representantes do governo Bolsonaro à não usual posição de pedir ponderação, cautela e apego à institucionalidade aos presentes. Se o descrédito demonstrado por Bolsonaro pelos órgãos ambientais, como na ocasião em que o presidente disse que a festa do ICMBio e do Ibama “ia acabar”, gela a espinha dos ambientalistas, para os ruralistas paraenses parece ser pouco. Eles querem a nova era de Bolsonaro para já e, nela, não querem ter que receber fiscais do Ibama em suas porteiras.” [A Pública]

Sim, Nabhan Garcia teve que pedir CALMA! A porra do Nabhan, viado, calcule a doideira!

O Brasil está numa hemorragia generalizada e o governo vem com band-aid pra querer estancar a hemorragia. Não vai conseguir! Nós não podemos querer reformar órgãos inúteis que não têm mais função a não ser consumir dinheiro público e perpetuar a corrupção”, afirmou Paulo César Quartiero, que ocupava o posto de vice-governador em Roraima até janeiro do ano passado pelo DEM. “Quer que eu cito (sic)? Ibama, ICMBio, quantos mais? Vou citar o Incra também? Vou. Que mais?”, questionou à plateia. Alguns fazendeiros falaram na Fundação Nacional do Índio (Funai). “A Funai a gente deixa à parte porque ela não obedece ao governo brasileiro, ela obedece às monarquias europeias”, disse, arrancando risos, referindo-se ao fato de a fundação ter firmado parcerias para desenvolvimento de projetos com recursos do Fundo Amazônia, que tem a Noruega como principal doadora.

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7. Shhhhhh

O Comando Militar do Leste mantém silêncio há 17 dias em relação aos desdobramentos da investigação da morte de duas pessoas cometidas por militares do Exército. As vítimas foram o músico Evaldo Santos Rosa e o catador Luciano Macedo.” [Folha]

O Ministério Público Militar já ouviu seis testemunhas; os três ocupantes do carro maiores de idade, dois moradores da região, e o homem que teve o carro roubado minutos antes dos disparos contra o veículo de Evaldo. Os nove militares presos preventivamente no caso disseram ter visto um assalto minutos antes. Segundo eles, os bandidos estavam num carro branco e dispararam contra a patrulha. Eles declararam ter revidado à “injusta agressão”.”

Já mudaram a versão, antes o ataque teria se dado horas antes

Não está claro, contudo, o espaço de tempo entre o assalto e os disparos feitos pelos militares, bem como o motivo para os tiros que atingiram o carro de Evaldo.”

Tá explicado porque o Exército não quer falar, né? Tão muito ocupados fabricando uma versão falsa para o acontecido.

O advogado Paulo Henrique Pinto de Mello afirmou que todos os militares mantêm a versão de que “agiram sob o estrito dever legal”. “Eles presenciaram um assalto e reagiram à injusta agressão”, disse ele.”

Chama o Moro pra testemunhar a favor dos militares, ué.

Ei, Michel Miguel, vai tomar no cu!

A apuração do caso está sob responsabilidade do Exército, em razão de uma lei sancionada pelo ex-presidente Michel Temer em 2017 que transferiu para a Justiça Militar a competência sobre crimes dolosos contra a vida cometidos por militares contra civis.

Se você não considera isso uma excrescência tem algo muito errado com a sua pessoa, falo com tranquilidade.

Desde então, ao menos dois casos que envolveriam militares foram arquivados. O mais conhecido é o da chacina do Salgueiro, em novembro de 2017, quando sete pessoas foram encontradas mortas durante operação conjunta do Exército e da Polícia Civil na favela da zona norte do Rio —uma oitava morreu no hospital semanas depois. De acordo com testemunhas, homens fardados dispararam de uma mata usando mira laser e balaclava —espécie de máscara para esconder o rosto. Policiais e militares, contudo, negaram ter entrado em confronto naquele dia. O MPM afirma que as perícias nas armas dos membros do Exército na ação indicaram que não houve disparos naquele dia. Os projéteis retirados dos corpos das vítimas também não apresentaram marcas compatíveis com as armas dos militares na ação. O arquivo também foi o destino da apuração sobre a morte de Diego Ferreira, 25, ocorrida após ele furar uma blitz do Exército em Magalhães Bastos. Nesse caso, contudo, a Justiça entendeu que o tiro disparado teve justificativa.”

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8. Bolsonaro e a diversidade

A pequeneza e a maldade desse governo necessitam de medidas astronômicas. É tudo tão absurdo que a nota do Lauro jardim vai na íntegra:

O Palácio do Planalto derrubou uma campanha publicitária do Banco do Brasil estrelada por atores e atrizes negros e jovens tatuados usando anéis e cabelos cumpridos. O comercial é marcadamente dirigido à população jovem, um dos públicos que manifestamente o BB quer atrair.

A diversidade, porém, incomodou quem manda. Sabe-se lá porquê, Jair Bolsonaro se envolveu pessoalmente no caso e procurou Rubem Novaes, o presidente do banco, para se queixar da peça.

Prova de que a crise não é pequena, um executivo de alto escalão pagou por ela. O diretor de Comunicação e Marketing do BB, Delano Valentim, caiu da cadeira. Rubem Novaes admite que Bolsonaro não gostou do resultado da campanha, mas encampa a posição do chefe. Não especifica, porém, o que, exatamente, ele e o capitão reprovaram. Diz Novaes: — O presidente Bolsonaro e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido. A saída do diretor é uma decisão de consenso, inclusive com aceitação do próprio.” [O Globo]

Eis o anúncio suspenso:

Esse governo é indefensável, se isso não é racismo eu não sei mais de nada.

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9. Um Moro Muito Louco

Vivemos um momento em que o ministro da Justiça do Brasil vai a Portugal e ofende o país inteiro sem nem se dar conta do absurdo:

Não debato com criminosos”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em entrevista a uma emissora de televisão portuguesa nesta quarta-feira (24/4). A declaração foi uma resposta à afirmação do ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que tinha dito que o Brasil vive uma tragédia institucional e classificado Moro como “ativista político”.

Tudo começou quando Moro criticou o sistema jurídico português durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa. Em sua exposição, o ministro afirmou ter identificado uma “dificuldade institucional” em Portugal para fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates, tal como acontece no Brasil.” [Conjur]

Sim, o ministro da justiça demonstrou toda sua sensatez e não só cuspiu no judiciário português como condenou uma pessoa que ainda não foi condenada pela justiça portuguesa. O Ministro da Justiça do brasil, caralho!

O ministro da Justiça brasileiro também foi criticado pelo jornalista português Manuel Carvalho, do portal Público. Carvalho defendeu que chamar de “criminoso” um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso, que revela a verdadeira natureza de Sergio Moro. Que José Sócrates seja um espinho cravado na ética republicana, que acumule suspeitas capazes de legitimar o estatuto de político que todos amam odiar, que se tenha transformado no ícone maior dos vícios do regime, é uma coisa; que seja apelidado de “criminoso” na praça pública sem que a sua sentença tenha transitado em julgado (sem que se saiba até se vai haver julgamento), é outra coisa completamente diferente”, disse o jornalista. Para Manuel, caso o juiz Sergio Moro tenha esquecido, num Estado de direito existe a presunção de inocência. “A menos que Sergio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da operação “laja jato”  legitima junto de muitos observadores”, provocou o jornalista.”

Que vergonha do caralho, eu só não fico com dó porque eu não vou ter dó de colonizador. Quando não é o chanceler que toma sorvete pela testa ou um dos Bolsonaros, vem o Moro e destrói ainda mais o que resta da imagem do Brasil lá fora.

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10. Que porra é essa?!

Nem o Trump atende aos caprichos do Ergodan, mas o Brasil…

A Turquia pediu a extradição de um turco naturalizado brasileiro, acusando-o de ser membro do Hizmet —organização do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, desafeto do presidente Recep Tayyip Erdogan e considerado terrorista por seu governo.  Ali Sipahi, 31, está preso preventivamente desde 6 de abril, enquanto o pedido de extradição é analisado pelo Supremo Tribunal Federal.

Ele é dono de um restaurante em São Paulo, vive no Brasil desde 2007 e tem um filho nascido no país. Se for condenado na Turquia, pode receber uma pena de 7,5 anos a 15 anos de detenção. Sua prisão despertou temor entre imigrantes turcos, que veem o pedido de extradição como parte de uma campanha de perseguição conduzida por Erdogan contra opositores. Alguns decidiram deixar o Brasil, com medo de serem o próximo alvo. Desde 2016, Erdogan empreende um expurgo contra simpatizantes do Hizmet, que inclui, segundo a ONU e ONGs internacionais, a demissão ou prisão de centenas de milhares de juízes, professores e outros funcionários públicos, sob a acusações de terrorismo.“ [Folha]

O naipe da acusação:

Sipahi é acusado pela procuradoria de Ancara de ser membro da organização do clérigo por ter conduzido atividades no Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT) e na Câmara de Comércio e Indústria Turco-Brasileira (CCITB). Segundo a defesa de Sipahi, seu caso é o primeiro do tipo no Brasil. Ancara cita como suposta evidência um depósito feito por ele, entre 2013 e 2014, de 1.721,31 liras turcas (cerca de R$ 1.168) no banco Asya, que Erdogan fechou em 2015 por ser ligado a gulenistas. Em 2018, a Justiça turca decidiu que correntistas desse banco podem ser considerados membros do Hizmet e, portanto, terroristas. A defesa de Sipahi alega que se tratava de um banco convencional —o Asya chegou a ter 6 milhões de clientes.

A lei brasileira permite extraditar um cidadão naturalizado, desde que ele seja acusado por um crime comum (que não seja político ou de opinião) cometido antes da naturalização. Sipahi se naturalizou em 2016. “Centenas de turcos naturalizados, com residência permanente ou refugiados que vivem no Brasil temem enfrentar o mesmo problema”, diz o turco Kamil Ergin, que era correspondente no Brasil do jornal Zaman. Ligado ao Hizmet e com circulação de 650 mil exemplares na época, o Zaman foi fechado em 2016.

Estima-se que existam de 200 a 250 simpatizantes e membros do Hizmet no Brasil. Grande parte veio para o país fugindo da perseguição do governo turco. “Estamos no Brasil porque é um país democrático. Confiamos na Justiça, porque não cometemos nenhum crime”, diz Ergin. Mas o cerco vem se fechando, e muitos deixaram o país. É o caso do ex-diretor do CCBT Yusuf Eleman, que mora há um ano no Canadá com a mulher e a filha, brasileiras. Segundo ele, funcionários do Consulado da Turquia passaram a procurar universidades como a USP e a PUC, onde ocorriam os cursos do CCBT, pressionando pelo cancelamento dos eventos.

A nossa política externa é uma grande passarela onde desfilam absurdos, e eu achava que já estava me acostumando, mas essa notícia aí é por demais absurda: Brasil servindo de polícia do Ergodan, puta que pariu.

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11. Hora de afetar surpresa

Dia desses eu posei aqui sobre o número de armas nas mão de caçadores, atiradores e colecionadores e seu crescimento vertiginoso. Pois bem, hora de afetar surpresa:

Um esquema de desvio de armas do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 1ª Região Militar do Exército levou à prisão o ex-chefe da unidade, o tenente-coronel Alexandre de Almeida. O militar era a mais importante autoridade do setor no controle de armas que circulam no Rio de Janeiro e Espírito Santo. O tenente-coronel, preso nesta terça-feira, tinha como atribuições fiscalizar: a importação e o comércio de armas, os clubes de tiro, o comércio de explosivos, a blindagem de veículos, além das atividades de caçadores, atiradores e colecionadores, estes últimos são conhecidos pela sigla CACs.” [O Globo]

Segundo o governo, esse pessoal CACs sofre demais pra conseguir armas, coitados:

O governo estuda, para os próximos dias, facilitar a aquisição de armas pelos CACs, por meio de um decreto que o presidente Jair Bolsonaro pretende assinar, aumentando o tempo de validação dos registros. A investigação do Exército ocorre também no momento em que o arsenal e a concessão de registros para caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo dá um salto nos últimos cinco anos, como o GLOBO revelou na última segunda-feira. As novas autorizações para a categoria passaram de 8.988, em 2014, para 87.989, em 2018, ou seja, um aumento de 879%. Atualmente, há 255.402 licenças ativas no Brasil. Já o número de armas nas mãos dos CACs foi de 227.242 para 350.683 unidades.

De acordo com o inquérito policial-militar instaurado pelo Exército, armas desviadas pelo tenente-coronel Alexandre de Almeida eram repassadas ao Guerreiros Escola de Tiro e Comércio de Armas, na cidade de Serra, no Espírito Santo, por intermédio do irmão do oficial, Rafael Felipe de Almeida. O fio da meada foi o desvio de uma pistola calibre 9mm, da marca Taurus, entregue por um coronel ao Serviço de Produtos Controlados, assim que este oficial passou à reserva. Ao se informar em dezembro do ano passado sobre o destino da arma, o oficial descobriu que a pistola tinha sido repassada ilegalmente para o CAC Rafael de Almeida, que repassou para o clube capixaba.

Após busca e apreensão no clube de tiro, o Exército constatou a existência de um esquema regular de desvio de armas do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 1ª Região Militar para o mercado negro. O dono do clube, Marcos Antônio Loureiro de Souza, admitiu que a unidade havia recebido 110 “armas antigas”, que foram recolhidas por ele na própria casa do tenente-coronel e levadas para Vila Velha. Pelo lote, Marco Antônio disse que havia acertado o pagamento de R$ 90 mil, em 12 prestações, das quais já havia pago três, no ano passado, imaginando que o dinheiro iria para o filho do falecido dono da coleção de 110 armas.

O dono do clube capixaba contou ainda que, após ouvir do tenente-coronel que a sua geladeira estava velha, comprou um aparelho doméstico novo para Almeida. O eletrodoméstico foi entregue na residência do oficial do Exército, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Marco Antônio também entregou ao Exército registro de conversas mantidas com o tenente-coronel pelo aplicativo Whatsapp. Nelas, Almeida orienta o empresário a afirmar aos investigadores que a pistola 9mm, que motivou o início do inquérito policial-militar, “nunca esteve na empresa”.”

Ainda tem obstrução de justiça no meio, é o combo completo.

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12. O que será da nossa política externa pós-Bolsonaro?

Última coluna do  excelente Matias Spektor na Folha:

Esses anos assistiram à expansão do debate público sobre temas internacionais. Hoje, dezenas de profissionais expressam opiniões sobre o assunto no Twitter e no Facebook. Isso é muito positivo. A velha redoma que limitava a conversa a um punhado de embaixadores aposentados se estraçalhou, aumentando a diversidade e a densidade do debate. Acontece que essa transformação também trouxe coisas negativas. Nas redes sociais, a competição por “likes” premiou argumentos de apelo fácil, muitas vezes inverídicos ou incapazes de resistir ao mínimo escrutínio. O debate ficou menos qualificado.

Isso é um problema sério porque ocorre ao mesmo tempo em que colapsa o que havia de consenso na política externa da Nova República. Quem termina ocupando o espaço é a turma que hoje comanda a agenda internacional do governo Bolsonaro. Eu admito a minha parcela de culpa: como tantos outros acadêmicos, não percebi que um dos efeitos da vitória de Donald Trump seria o nascimento do antiglobalismo messiânico à brasileira. O resultado é nefasto porque a direita populista que hoje dá as cartas é perigosa. Não se trata de um bando tresloucado: em suas decisões, há método e projeto. A direção do que vem por aí é péssima para o país.

É por isso que chegou a minha hora de parar. A partir de agora, vou trabalhar para promover o pensamento e o debate sobre o futuro da política externa de outras formas. Trata-se de uma tarefa urgente porque o grupo que se encontra no poder um dia será posto para fora pela força do voto popular. Eles deixarão um rastro de destruição, e cabe à sociedade começar a imaginar a reconstrução. Seria um erro grotesco acreditar que isso ocorrerá por força da natureza. Afinal, nem direita, nem esquerda têm alternativas decentes para pôr no lugar.” [Folha]

Toda sorte do mundo ao Matias

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13. Bolsonaro e Marielle

Bolsonaro, então candidato a presidente, nada falou sobre a execução da Marielle.Sempre que ele fala dela ele mete o Adéclio no meio, e hoje não foi diferente:

No café da manhã com jornalistas, com a presença da Crusoé, Jair Bolsonaro disse esperar que a Polícia Federal chegue a uma conclusão sobre as motivações do atentado que ele sofreu em Juiz de Fora. “Ele não é maluco, não”, emendou o presidente, referindo-se a Adélio Bispo. O presidente afirmou também que o inquérito sobre o atentado está “muito mais fácil que o da Marielle”.” [Antagonista]

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14. Sobre a Nova Rouanet:

Uma boa análise sobre a nova lei:

Finalmente, após muitas notícias nem sempre verdadeiras, foi publicada a nova Instrução Normativa que traz alterações às regras de acesso e uso da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Várias das mudanças melhoram o fluxo da prestação de contas, simplificam os processos de análise e aprovação das contas, implantam uso de sistema online e inteligente, bem como incluem previsões mais detalhadas para respaldo das decisões técnicas. É um avanço importante.

Por outro lado, com o objetivo de acertar musicais e artistas famosos, as mudanças impactarão gravemente as artes cênicas em geral, dificultando a execução de projetos pelos produtores independentes, que são um dos grandes empreendedores das artes. Fato é que excluindo-se os monólogos ou as produções experimentais, o limite de R$ 1 milhão não permite a produção de espetáculo de teatro que envolva mais de 20 profissionais (6 no palco) com temporada de 3 meses. E os recursos de bilheteria não poderão socorrer! Para além dos 50% já comprometidos com distribuição democrática, divulgação, patrocinadores, e vale cultura, os espetáculos teatrais precisam pagar o teatro (não menos que 25% da bilheteria), direitos autorais (entre 10 e 20%), além de participação de atores e impostos. Parece que falta ajuste para a realidade desse segmento. O limite de R$6 milhões seria mais adequado para ele.” [O Globo]

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15. 25 minutos de Iraque

Mais um vídeo fantástico do Gzero:

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>>> Como tentar mudar de forma cretina a narrativa do dia? “O presidente Jair Bolsonaro almoçou nesta quinta-feira (25) no bandejão do Palácio do Planalto ao lado de dois de seus ministros, o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e o almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia). Ele levou sua equipe de comunicação para o registro de imagens que serão divulgadas pelo governo. Do trajeto da mesa até a saída, Bolsonaro foi abordado diversas vezes para fazer selfies. Ele deixou o local sem pagar, mas disse que ressarcirá o auxiliar que custeou o almoço. “Quem pagou foi aquele cara lá. Lá em cima eu dou dinheiro para ele”, disse.” [Folha] Esse governo é patético.

>>> Medo e delírio no Congresso: “Cuidado, senhor presidente, que ele vai agredi-lo! Abaixe o dedo, Papai Smurf! Chame um médico! Chame um médico para o deputado Ivan Valente! (PSOL-SP)”, disse um deputado não identificado. “Puxa vida! Está na favela, é? É baixaria mesmo!”, completou Pastor Eurico (Patriota-PE). Os diálogos acima, e outros como “chame um médico para a Maria do Rosário (PT-RS), que ela está abalada”, estão registrados nas notas taquigráficas da Câmara sobre a votação da reforma na CCJ, na terça (23).” [Folha]

>>> Bolsonaro deu sinal vede: “Jair Bolsonaro disse hoje, durante café da manhã com jornalistas, ter autorizado estudos para a privatização dos Correios, tema que divide os ministros do governo. “Dei sinal verde para estudar a privatização dos Correios. Tem que rememorar para o povo o fundo de pensão, que a empresa foi o foco de corrupção com o mensalão.”  [Antagonista]

>>> WTF?!?! ! “A Polícia Federal abriu inscrições para que jornalistas acompanhem a entrevista que Lula concederá à Folha e ao El País nesta sexta. Os profissionais dos outros veículos não terão direito de fazer perguntas. A defesa do ex-presidente protestou. “A decisão viola primeiro a decisão do Supremo, já que as entrevistas devem acontecer com anuência do ex-presidente, e também os jornalistas, a prática e a ética jornalística ao permitir que profissionais de outros veículos assistam entrevistas exclusivas para outras publicações e publiquem antes uma entrevista pela qual os outros veículos lutaram na justiça por meses.” [Antagonista]

>>> Mias uma bizarroice pra coleção: “A defesa de Lula ficou sabendo que o recurso levado ao STJ seria julgado anteontem faltando menos de 24 horas para a sessão, segundo fontes próximas ao ex-presidente. Os advogados compraram passagem em cima da hora e chegaram ao tribunal minutos antes. Tinham pedido prazo de 72 horas.” [Estadão]

>>> Alô, Serra! “Um ex-gerente da empreiteira Delta declarou à Justiça ter destinado cerca de R$ 24 milhões em propina ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, em razão das obras de ampliação da marginal Tietê em 2009. Os repasses, segundo ele, ocorreram tanto antes da licitação como durante a execução da obra em São Paulo a cargo do governo José Serra (PSDB). O delator disse que chegou a levar caixas de dinheiro na sede da Dersa, estatal paulista que foi uma das responsáveis pela construção.” [Folha]

>>> Só consigo entender isso como indireta do Suéter Humano ao Bolsonaro: “O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), entrou na última terça-feira (23) com um processo criminal contra o senador por Goiás Jorge Kajuru (PSB). Em entrevista a VEJA no início do mês, Kajuru disse que não nasceu para ser como o político paulista. “Ele é a escória da escória“, afirmou. “Trabalhei com ele na RedeTV!. Você acha que aqueles entrevistados dele eram gratuitos? Nada mais a falar. Doria é metido a intelectual, mas é vazio e inculto. É chumbrega — que não é o mesmo que brega: no dicionário Michaelis, significa desprezível. Mais um processo contra mim.“ Na ação, a defesa de Doria rebate que as alegações de Kajuru atacam frontalmente a honra, bom nome e imagem que o governador construiu ao longo de sua trajetória. Diz também que a imunidade parlamentar a que tem direito só deve ser utilizada no exercício da atividade legislativa.” [Veja]

>>> “Funcionários relatam que o Ministério da Educação, comandado por Abraham Weintraub, proibiu o acesso de servidores externos ao restaurante que fica no bloco L da Esplanada. O público era composto na maioria por militares que ocupam os prédios vizinhos.” [Folha]

>>> “Depois de informar que deixaria o cargo de vice-líder do governo na Câmara, o deputado Capitão Augusto (PR-SP) foi procurado por integrantes da Casa Civil que queriam entender a decisão. Ele criticou a articulação do Planalto e voltou a pregar a troca do time que faz o meio de campo no Congresso. “[A votação da Previdência na CCJ] foi uma derrota. Você abriu mão [de pontos da proposta] em uma votação de admissibilidade. Não é possível que o governo ache que é uma vitória”, diz Augusto. “Já deixou parte do projeto ali. Imagina o quanto vai sangrar.”” [Folha]

>>>> O pai das pedaladas: “O plenário do Tribunal de Contas da União condenou Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, a seis anos de inabilitação para cargos públicos, além de multa no valor de R$ 50 mil. A sanção resulta de análise da participação dele nas chamadas “pedaladas fiscais”, que motivaram o impeachment de Dilma Rousseff.”  [Folha]”

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