Dias 151 e 152: em nome do Jair, do Messias e do Bolsonaro, amém | 01 e 02/06/19

Editorial ou coisa que o valha

Bolsonaro sempre foi uma pessoa ruim, má, vil até não poder mais. E nunca teve vergonha de anunciar isso com sua eloquência orgulhosa. Até a facada, e é aí que mora a desgraça.

Depois do atentado esse sujeito repulsivo virou crente, pode creditar à facada do Adélio metade da doideira que estamos testemunhando. Bolsonaro jura ser um milagre com a faixa presidencial no peito, um enviado – “um enviado hétero, tá ok? kkk” – de Deus em missão divina, entrou numa paranoia religiosa erradíssima e isso explica muito de sua loucura.

Bolsonaro, perdão pelo eufemismo, já tinha uma enorme dificuldade em racionalizar as coisas, agora que ele tem linha direta com Deus é que fodeu de vez. A burrice, antes orgulhosa, desde Juiz de Fora passou a ser sagrada. Nunca que o antigo Bolsonaro atacaria a laicidade do Estado como o hoje presidente ataca, com uma frequência suficiente para disparar todos os alarmes. Sim, Bolsonaro, como todo homem conservador, tinha lá a sua fé, mas nada perto dessa distopia que ele protagoniza.

Uma coisa é um inepto lutar em um cenário completamente adverso sabendo ser de carne e osso, outra completamente diferente é se entregar numa guerra santa jurando se tratar de uma luta divina. Isso quer dizer que o final vai ser feio, Bolsonaro há de ir até as últimas consequências, Deus, afinal, está ao seu lado. Ou atrás, tanto faz.

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1. MAM

Marco Aurélio Mello é o ÚNICO ministro da Suprema Corte a rebater o Bolsonaro publicamente. O único dessa corte de ministros que tanto gostam de dar entrevistas a torto e a direito. Justamente o ministro divergente, isso desgraça a minha cabeça, vai ver o gato comeu a língua do Celso de Melo

Não sabemos se alguém professa Evangelho. Temos católicos e dois judeus (Luiz Fux e Luís Roberto Barroso). Mas o importante é termos juízes que defendam a ordem jurídica e a Constituição. O Estado é laico. O Supremo é Estado” [Folha]

Essa alfinetada pra cima do Moro é digna de aplausos

Não se sabe se ele é evangélico, mas quem sabe? Talvez ele se converta agora

‘”Ao deixar o Palácio da Alvorada neste sábado para um almoço, Jair Bolsonaro perguntou a apoiadores se haviam gostado da possibilidade de ele nomear um evangélico para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

“Gostaram do evangélico no Supremo? Gostaram?”

“É uma bênção”, respondeu uma mulher.” [Antagonista]

Chegamos ao ponto em que o STF precisa enviar recados à presidência deixando claro que Bretas é o caralho:

Ministros do Supremo viram o aceno de Jair Bolsonaro à indicação de um evangélico para a corte como uma simples tentativa de agradar à plateia, mas decidiram usar a ocasião para também enviar recados. Um juiz de primeiro grau, diz um membro do STF, seria muito mal recebido –esta é a graduação, por exemplo, de Marcelo Bretas, do Rio. Esse mesmo integrante lembra que o AGU, André Luiz Mendonça, é presbiteriano, e que Humberto Martins, hoje no STJ, é adventista.”  [Folha]

Esse Humberto Martins é o tal corregedor que foi convidar o Bolsonaro para um evento – já se sabia que o presidente estaria em missão oficial fora do país na data em questão – e encontrou Flavinho Desmaio no gabinete presidencial, vai vendo. Isso tudo na véspera da sugestão presidencial de um presidente do STF evangélico.

Martins faz questão de incluir a religiosidade nas mensagens que envia diariamente a amigos. O ministro costuma fechar os votos de bom dia, bom trabalho e boa semana com a expressão “Deus no comando”.”

Imagine, o sujeito encerra os e-mails de trabalho com “DEUS NO COMANDO, viado!

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2. Declarações presidenciais

Bolsonaro tá sem filtro:

Em um almoço com caminhoneiros nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai insistir na estratégia de não “lotear” os cargos de primeiro escalão do governo e que a única possibilidade de haver mudança é caso o seu mandato seja cassado. Na volta de um compromisso em uma igreja evangélica em Goiânia, Bolsonaro parou no “Posto e Churrascaria Presidente – Um Amigo na Estrada”, na beira da estrada, em Anápolis (GO), onde ficou por cerca de 40 minutos.

Em tom bastante informal, o almoço foi repleto de perguntas de caminhoneiros, que estavam na mesma mesa que o presidente – a maioria das questões, no entanto, foi esclarecida pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Ao retrucar um comentário de um motorista, que afirmou que estava faltando “boa vontade” e citou o Supremo Tribunal Federal (STF) como um exemplo, Bolsonaro reforçou que a única chance de haver uma alteração é se ele for obrigado a deixar o cargo.

– Estou comendo o pão que o diabo amassou, tá. Não loteamos ministérios, bancos oficiais, estatais. Só muda se alguém cassar meu mandato – desabafou o presidente.” [O Globo]

Presidente falando em cassação de mandato no quinto mês de governo, parabéns aos envolvidos. Bolsonaro falou sobre armas, perguntou quantas pessoas apoiavam e poucas pessoas levantaram as mãos, folgo em saber.

No decreto, eu acabei com a comprovação da efetiva necessidade. Por enquanto, tá um pouco caro ainda, mas vamos diminuir isso daí. Mas já abriu as portas, dá entrada (no porte). Tem um tempo de dois ou três meses para conceder o porte. Eu coloquei lá como profissão de risco (caminhoneiros). Quanto mais arma, mais segurança. Se tiver arma de fogo, é para usar

Inacreditável, inacreditável essa porra. Presidente mandando caminhoneiro dar tiro à vontade.

Em outros acenos, Bolsonaro disse que já construiu um entendimento com o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) para o fim dos radares móveis, controlados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), e ressaltou que vai mandar ao Congresso, na semana que vem, um projeto de lei estendendo a validade da Carteira Nacional de Habilitação para dez anos. Em outros momentos, no entanto, a conversa tratou de assuntos mais amargos.”

Bolsonaro também falou sobre Flavinho Desmaio:

Se fez algo errado, tem que pagar. Mas tenho confiança de que ele não fez nada de errado. Por outro lado, Fabrício Queiroz, um ex-subtenente da Polícia Militar que eu conheço desde 1984. Foi um soldado da Brigada Paraquedista, meu soldado… Agora, por que interessa atacar meu filho? Me desgastar. Não há dúvidas de que me desgasta. Mas meu filho responde por seus atos e está pronto para dar explicações. Até hoje não foi convocado a fazer.” [Antagonista]

Qualquer semelhança com o discurso petista contra qualquer denúncia não é mera coincidência nem fodendo!

Passo para um ótimo texto sobre a obsessão fálica do Bolsonaro:

Em junho de 1961, Jânio Quadros decidiu regular peitos e bundas. O então presidente da República proibiu o uso de biquíni nas praias e piscinas do país. Mas, como ele renunciou apenas dois meses depois, a determinação teve vida curta. “O que ninguém sabe é que eu atendi a um abaixo-assinado de milhares de damas de São Paulo”, disse um Jânio exaltado ao programa Globo Repórter duas décadas depois. Jânio Quadros e Jair Bolsonaro se assemelham, entre outras coisas, na indignação contra o que veem como depravação sexual, mas uma diferença anatômica os separa. O presidente do “varre, varre, vassourinha” preocupou-se com seios e nádegas enquanto Bolsonaro parece mais atento ao pênis —em que pese a preferência por citações anais de seu ideólogo-mor, Olavo de Carvalho.

O episódio mais recente, revelador dessa inclinação presidencial, aconteceu no dia 15 de maio, quando Bolsonaro foi abordado por um estrangeiro de feições asiáticas no aeroporto de Manaus. Entre sorrisos e abraços, o homem disse apenas “Brasil” e “gostoso”. Ao ouvir o adjetivo, o presidente soltou um “opa!” e levantou os braços, sem quebrar o clima de descontração. Em seguida, aproximou o polegar do dedo indicador e perguntou ao rapaz: “Tudo pequenininho aí?”. Os assessores riram. Nove dias depois, o presidente voltou ao assunto ao comentar a reforma da Previdência. “Se for uma reforma de japonês, ele [o ministro Paulo Guedes] vai embora. Lá [no Japão], tudo é miniatura”, disse. Representantes da comunidade japonesa no Brasil reagiram de modos diferentes. Alguns trataram os casos como piada; outros se incomodaram.” [Folha]

E ainda tem o vídeo de dedo no cu e golden shower.

“O psicanalista e colunista da Folha Contardo Calligaris diz que “se Bolsonaro se sentiu abismado com aquela situação, é porque algo ressoa nele. Não que ele tenha a fantasia de fazer isso [o golden shower], mas a dimensão sexual possível daquilo lhe apareceu em algum lugar a ponto de ouriçá-lo”. Desde o início de sua carreira parlamentar de quase três décadas, não foram poucas as vezes em que Bolsonaro “se sentiu abismado” e fez referências discriminatórias contra a comunidade LGBT —ainda hoje insiste na piada insossa de convidar homens para “um abraço hétero”. “Não se pode entender uma posição repressora contra os outros, seja ela qual for, a não ser como um modo de a pessoa se reprimir, de lidar com as suas próprias dificuldades”, afirma Calligaris.

Estamos no universo do recalque, um dos conceitos fundamentais da psicanálise. Consiste em “afastar determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância”, escreveu Sigmund Freud. “O que a gente reprime no mundo exterior é o que a gente precisa reprimir dentro de nós. É quase uma lei do funcionamento psíquico”, afirma Maria Lúcia Homem, psicanalista e professora da Faap. Ela enfatiza, porém, que essas associações não podem ser feitas de maneira mecânica. Seria impreciso, portanto, dizer que quem não gosta de homossexuais é necessariamente gay enrustido. “Em alguma medida, todos somos [bissexuais], segundo Freud, porque a pulsão é acéfala”, explica a psicanalista. “Mas pode ser algo mais amplo, como uma defesa para preservar certa visão do macho alfa branco, que tem poder e autoridade.”

Essa parte aqui é bem interessante:

Nascido na Itália, Calligaris estudou em universidades da França e dos EUA, países onde também atendeu pacientes. Sua análise do conservadorismo moral no país leva em conta uma perspectiva global. “O Brasil é um país extremamente careta. Mesmo as pessoas que se presumem liberadas são caretas. Como temos as bundas no Carnaval, existe esse mito da sensualidade brasileira. Mas sexualidade é outra coisa. Tira a parte de cima do biquíni em Ipanema para ver o que acontece. A caretice, diz ele, é sinal de falta de cultura. “Não tem nada de natural no sexo entre os humanos. O sexo é totalmente cultural. No Brasil, faz falta o recurso cultural, que permite elaborar fetiches, fantasias. Não é à toa que Paris é a capital erótica do mundo.

O que me leva a esta notícia sobre o Duderte:

O presidente das Filipinas , Rodrigo Duterte , afirmou que já foi gay, mas se “curou” da homossexualidade. A declaração foi feita em um discurso na última quinta-feira, durante uma visita ao Japão . Segundo a Rappler, uma publicação de notícias filipina, Duterte zombou de seu adversário político, o senador Antonio Trillanes IV, afirmando que seus trejeitos mostram que ele é homossexual. Duterte, então, teria “confessado” que era gay antes de conhecer sua ex-mulher, Elizabeth Zimmerman.

— Trillanes e eu somos parecidos. Mas eu me curei — disse Duterte, segundo a Rappler. — Quando eu comecei um relacionamento com Zimmerman, eu disse, é isso. Eu me tornei um homem novamente.” [O Globo]

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3. Sobre o generalato

Eu acho é graça:

Um general do Alto Comando do Exército, grupo que mantém interlocução direta e constante com o presidente da República, transmitiu a Jair Bolsonaro nos últimos dias um pensamento que representa o estado de espírito atual de militares que estão perto do poder:

— Jair, serenidade. Você não precisa de radicais.

Na cabeça dos generais que ajudam a sustentar o governo Bolsonaro — incluindo aqueles, já na reserva, que ocupam cargos de primeiro e segundo escalões — o temor de uma radicalização caminha ao lado da preocupação de que a responsabilidade por tropeços do presidente recaia nos ombros e nas insígnias das Forças Armadas.

Arriscar o processo que fez as Forças Armadas saírem de um período repressivo, de grande desgaste na opinião pública, para a virada das últimas três décadas, quando retomou respeito e reconhecimento por parcela expressiva da população, é uma angústia crucial.” [O Globo]

Ah vá. E todos que externam essa preocupação agora votaram no Bolsonaro no primeiro turno, aposto.

Generais do alto comando contam que, em sua formação, foram “muito impactados por valores democráticos”, uma vez que passaram pelo processo de distensão e abertura na fase final da ditadura militar. Em geral, um militar leva de 30 a 40 anos para ascender até o último grau da hierarquia. A maioria dos principais generais do atual governo e dos que compõem o Alto Comando do Exército se formou nas turmas do fim da década de 1970 e do início da década de 1980 da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Sul Fluminense.

Os oficiais do círculo próximo a Bolsonaro abraçam uma tentativa de livrar o Exército de “estereótipos negativos”, em suas palavras. Um general do Alto Comando que conversou com O GLOBO em condição de anonimato, por exemplo, foi taxativo: avaliou que a ditadura cometeu “barbaridades” na repressão aos opositores:

— Pagamos um preço muito alto com a ditadura. É uma palhaçada falar em intervenção militar, como ouvimos em alguns protestos. Chega a ser ofensivo.

Os elogios presidenciais ao Ulstra devem cair muito bem.

As trocas de cargos no Ministério da Educação (MEC), que levaram à exoneração de diversos militares no seio do governo, não figuram sozinhos na lista de preocupações dos generais. Estão ombro a ombro com temores mais amplos, como a política armamentista do presidente — cabe ao Exército fiscalizar a venda de armas —, os riscos envolvendo a Amazônia, considerada uma reserva natural estratégica, e até a determinação de que os quartéis celebrassem os 55 anos do golpe militar.

Goldesn shower e Olavão juntinhos:

Dois assuntos neste primeiro semestre de governo incomodaram em cheio os militares de alta patente: o episódio do “golden shower”, quando Bolsonaro compartilhou em sua conta no Twitter uma prática sexual a céu aberto, gravada no carnaval de rua em São Paulo — algo impensável para um militar graduado —, e a dubiedade em relação ao ideólogo de direita Olavo de Carvalho, que atacou, com xingamentos, os militares do governo. O compromisso com a “arrumação da casa” de uma instituição que representa o Estado e voltou ao governo após seu período mais desgastante é prejudicado.”

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4. O mais louco dos ministros

O sujeito assume que errou com Vélez e coloca no lugar o Weintraub, tem que ser muito demente pra conseguir uma proeza dessa:

O MPF (Ministério Público Federal) deu dez dias para que o MEC (Ministério da Educação) cancele a nota oficial em que afirma que professores, servidores, funcionários, alunos e até mesmo pais e responsáveis “não são autorizados a divulgar e estimular protestos durante o horário escolar”.

O MPF recomenda que o ministro Weintraub “abstenha-se de cercear a liberdade dos professores, servidores, estudantes, pais e responsáveis, pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos ambientes universitários, de universidades públicas e privadas e Institutos Federais, incluindo análise, divulgação, discussão ou debate acerca de atos públicos”.” [Folha]

10 dias? Tinha que ser 10 horas e olhe lá.

A Folha questionou o MEC na noite desta sexta sobre a recomendação do MPF mas não obteve resposta.”

Daquelas ironias maravilhosas:

Vistas como secundárias pelo presidente Jair Bolsonaro, as disciplinas de filosofia e sociologia são consideradas essenciais no local onde ele próprio teve sua primeira formação ao escolher a carreira militar, a Aman (Academia Militar das Agulhas Negras). Dentro da sede da escola em Resende (a 167 km do Rio), as matérias de humanas entram no rol de conteúdos que todo oficial tem que saber para atingir a máxima estampada na parede –“Cadete! Ides comandar, aprendei a obedecer”.

“Se nós fôssemos uma indústria, não entregaríamos um carro ou um sabonete, e sim o que temos de mais caro: os recursos humanos. Então essa transmissão de conhecimento é para a vida toda”, resume o comandante da academia, o general Gustavo Henrique Dutra. Para o comandante da Aman, a comunicação do governo sobre o tema foi dúbia. “Não tem como uma pessoa dizer que vai acabar com determinado curso, foi só reajuste de verbas. E se ele teve essa ideia em algum momento, que eu acho que não teve, não foi aqui que ele aprendeu”, diz.” [Folha]

Isso aqui explica MUITA coisa:

Uma questão essencial na nossa formação é o trato com o subordinado, a questão da sociologia, entender como vão se comportar em grupo. É o motivo pelo qual estamos na Aman”, afirma o cadete Richard Yuri Ribas, que é aluno do último ano. Entre os autores estudados estão Gilberto Freyre (“Casa Grande e Senzala”), Sérgio Buarque de Holanda (“Raízes do Brasil”) e Max Weber (“Economia e Sociedade”).”

Ah, cabei de me dar conta que o sequelado que vos escreve ESQUECEU de falar das manifestações de 30 de maio, que fase a minha. Era tanta loucura e insanidade pra editar no relato de sexta que eu acabei esquecendo.

A manifestação aqui no Rio foi bem grande, não consigo comparar com a do dia 15 porque não fui na primeira mas tinha gente pra caralho na rua e isso é bonito de ver.

Eu tenho ZERO problemas com sindicatos e partidos nas manifestações, estranho seria se eles não estivessem presente, mas esse protagonismo visual com o tanto de bandeiras é um erro estratégico que me dá raiva, um tiro no pé que o outro lado agradece e não se cansa de usar a seu favor.

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5. Economia

Do Fernando Ferro:

Qualquer segundo anista em Economia sabe que reforma da previdência, em melhor das hipóteses, não vai trazer benefícios no curto prazo. E sabe também que o pib está parado nos últimos anos devido à falta de demanda.

PIB = C + I + G + X – M

Dilma, Temer e Bolsonaro têm se notabilizado por cortes nos investimentos públicos (que possuem alto multiplicador) em meio à conjuntura de incapacidade dos outros agentes econômicos realizar gastos, murchando a demanda.

Famílias, devido aos altos desemprego e endividamento, patinam em (C)onsumo.

Empresas, devido à alta capacidade ociosa e também alto endividamento, patinam em (I)nvestimento.

O Setor Externo (X – M) não teria força para puxar o PIB pra cima nem num cenário de alto crescimento global, devido à sua relativamente pequena participação na renda interna.

Enquanto os governos travarem (G)asto do Governo, apostando numa crise continuada que justifique reformas e privatizações draconianas, o buraco tende a ser cada vez mais fundo e difícil de sair.” [Facebook]

Demorou metade do ano pra esses dementes se darem conta da merda, e só agora as primeiras medidas  começam a ser esboçadas:

Anunciada por Paulo Guedes (Economia) como uma forma de reativar o consumo após a aprovação da reforma da Previdência, a operação para liberar recursos de contas inativas do FGTS já começou a ser desenhada pela Caixa. Estimativa otimista indica que os saques podem alcançar até R$ 30 bilhões em prazo relativamente curto: três meses. Se o calendário político se confirmar, e as novas regras de aposentadoria forem aprovadas em setembro, o dinheiro extra estaria na praça até o Natal.” [Folha]

Bem, se o prazo deles é até o natal já sabemos que lá pelo carnaval do ano que vem os saques estão liberados. O problema é que o FGTS serve pra financiar saneamento e moradia, por exemplo

Nomes que integraram a gestão Temer dizem que, para conseguir liberar R$ 30 bilhões, o governo terá que “raspar o tacho” do saldo do FGTS de trabalhadores que saíram do emprego a partir de 2016 e ainda avançar sobre as contas ativas. O montante almejado representa quase 0,5% do PIB. Como a demanda está fraca, esses técnicos acreditam que a liberação de uma pequena parcela das contas ativas do FGTS não levará à falta de recursos para financiar os setores imobiliário e de infraestrutura, que usam verbas do fundo.

Essa opinião aí é dos mesmos pilantras que juravam uma chuva de empregos após a reforma trabalhista, bom lembrar.

Cresce o número de especialistas que alertam que chegou a hora de a equipe econômica ampliar a cartela de planos para reaquecer a economia. Adriano Pires é categórico ao dizer que só a reforma da Previdência não vai tirar o país do atoleiro.  “O Brasil precisa de uma agenda que crie investimentos, empregos e competitividade, uma agenda capaz de reverter essa desilusão com o crescimento do PIB. O caminho é a infraestrutura. Mas, para isso, precisa de estabilidade regulatória e segurança jurídica, coisa que não está acontecendo”, diz Pires.

Essa matéria d’O Globo é desesperadora:

No início deste ano, a Atento, empresa de telemarketing e a maior empregadora privada do País, ofereceu 1,2 mil vagas no Mutirão do Emprego, promovido pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo. Com 600 interessados, só conseguiu contratar 7 operadores de telemarketing – menos de 1% do que precisava. No mesmo evento, o Grupo Pão de Açúcar abriu 2 mil postos, aprovou 700 candidatos, mas, até agora, apenas 32 estão trabalhando, segundo os organizadores do evento.

Diante da estagnação da economia, do desemprego em alta e do avanço da tecnologia, os casos acima são um retrato nítido da dificuldade que o trabalhador sem qualificação tem enfrentado para voltar ao mercado. Nos últimos dois anos, 60% das 11,8 mil vagas ofertadas nos mutirões do emprego, que reuniram grandes empresas, não foram preenchidas. Dificuldade de se expressar, de fazer contas, falta de conhecimentos básicos em informática e inglês e poucos anos de estudo são obstáculos às contratações.

De acordo com o presidente do Sindicato e da União Geral do Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, no último mutirão foram ofertadas cerca de 2 mil vagas para caixa de supermercado, com salário perto de R$ 1.100. Metade delas ficou em aberto por falta de qualificação dos candidatos. Operador de caixa e de telemarketing são geralmente a porta de entrada para o mercado de trabalho, especialmente para os mais jovens.”  [O Globo]

Os números, puta que pariu!

“Segundo empresas de recrutamento, a recolocação tende a ser mais difícil para quem tem até o ensino fundamental, menos de 20 e mais de 45 anos e está há mais de um ano fora do mercado. Entre os 13,4 milhões de desempregados no primeiro trimestre deste ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 635 mil são considerados de difícil recolocação pelos recrutadores, nas contas do economista Cosmo Donato, da LCA. É o dobro do registrado no mesmo período de 2014, antes da recessão.

O abismo entre a qualidade da mão de obra desempregada e o que as empresas procuram não deve se resolver nem mesmo com a retomada da economia, prevê o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes. Ele estima que dois, em cada dez desocupados, devem ficar fora do mercado na próxima década por falta de qualificação. Isso significa que a massa de trabalhadores sem chances de se recolocar pode saltar dos atuais 635 mil para 1,4 milhão, em dez anos.

De acordo com as estimativas de Bentes, se a economia crescer em média 2,5% ao ano até 2030, a procura por trabalhadores não deve ser suficiente para recuperar os 8,8 milhões de empregos destruídos pela maior recessão da história. As projeções foram feitas, a pedido do Estado, levando em conta dados da Pnad e projeções do Boletim Focus do Banco Central.”

Lembra da equação do começo do tópico?

A conhecida baixa produtividade do trabalhador brasileiro só vai ser resolvida, segundo Bentes, da CNC, com treinamento, o que depende de investimentos. No setor público, diante da pressão por cortes e contingenciamento de gastos, será difícil que o orçamento cresça nos próximos anos na velocidade necessária para suprir essa necessidade de qualificação dos trabalhadores. Por iniciativa própria, só uma parcela muito pequena deles consegue bancar os estudos. “A maioria vende o almoço para comprar o jantar”, afirma.

Segundo o economista, a iniciativa privada é a ponte principal para melhorar a produtividade. Ele adverte, no entanto, que existe um risco de o trabalhador desqualificado ser substituído por uma máquina. “Quando a economia voltar a crescer e o investimento retornar, o empresário vai se perguntar se faz sentido contratar, por exemplo, um caixa de supermercado com baixa produtividade ou se é mais barato comprar uma caixa registradora automática que faça esse serviço a um custo menor e sem encargos trabalhistas”, afirma.”

É a porra da tempestade perfeita.

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6. Liguem os pontos

Um policial militar que atuava como assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro (PSL) é acusado de lesão corporal ao cobrar uma suposta dívida de R$ 50 mil de um empresário do Rio de Janeiro. Esse mesmo PM é suspeito também de outras duas ocorrências (desvio de energia elétrica e delito ambiental). Esse ex-assessor de Flávio é o sargento Marcos de Freitas Domingos, 46. Ele é um dos 70 assessores e ex-assessores do gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que tiveram seus sigilos quebrados por ordem da Justiça do Rio. Domingos foi desligado do gabinete do hoje senador em 15 de outubro passado, mesmo dia da exoneração de Fabrício Queiroz, pivô dessa investigação da Promotoria e amigo do presidente.

A ocorrência de agressão contra o PM foi registrada em uma delegacia da Penha, na zona norte do Rio, região palco de conflitos entre milicianos e traficantes. Localizada pela Folha, a vítima da agressão, o comerciante do setor farmacêutico A., 42, afirma que tudo foi gravado em vídeo e que as imagens foram entregues à Polícia Civil e à Corregedoria da PM. A reportagem apurou que uma investigação conduzida pela PM concluiu que houve a agressão e recomendou a abertura de processo criminal e medidas administrativas contra Domingos. Também foi aberta uma sindicância na Assembleia do Rio, que resultou na devolução de Domingos para a PM.

Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro informou que Domingos foi funcionário no gabinete da Assembleia por dois anos e era qualificado para a função. Disse que os supostos atos cometidos por ele, fora do expediente, eram de responsabilidade dele e que somente Domingos pode responder por essas ações.” [Folha]

Depois de ligar os pontos, é só seguir o dinheiro. Isso se Flavinho Desmaio deixar a investigação andar, ainda que a passos de tartaruga.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou nove parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, no período em que foi deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) . A maioria deles vive em Resende, no Sul do estado do Rio e todos tiveram o sigilo fiscal e bancário quebrado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio. Nas últimas semanas, O GLOBO apurou que ao menos quatro deles têm dificuldades para comprovar que, de fato, assessoraram Flávio. Em Resende, o vendedor aposentado José Procópio Valle e Maria José de Siqueira e Silva, pai e tia de Ana Cristina, jamais tiveram crachá funcional da Alerj. Ele ficou lotado cinco anos e ela, nove..” [O Globo]

E Flavinho Desmaio jura não ter feito nada errado:

O senador disse que os parentes da ex-mulher do presidente foram nomeados em seu gabinete eram “qualificados para as funções que exerciam”.

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7. Reforma

O governo não sabe se quer os estados dentro ou fora da reforma, fascinante:

Governadores decidiram, neste sábado, se mobilizar para evitar que estados e municípios sejam excluídos da reforma da Previdência , o que estava sendo cogitado pelo relator da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), em acordo com o governo. Segundo Moreira, caberá aos líderes dos partidos na Câmara bater o martelo esta semana. Após reação negativa de governadores, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que prefere mantê-los no projeto , mas ponderou que a decisão é da Câmara e que ele não tem “nada a ver com isso”.

O plano do relator e da equipe econômica era facilitar a aprovação da reforma no Congresso. Apesar da severa crise fiscal dos estados, boa parte dos parlamentares, sobretudo do chamado “centrão”, resiste a mexer nas aposentadorias dos servidores públicos de seus estados. Moreira disse que levará o tema, “polêmico e grave”, aos líderes partidários antes de concluir seu texto. Mas ontem, alguns líderes de partidos ouvidos pelo GLOBO, como DEM e PR, apoiaram a exclusão de servidores estaduais e municipais.

Se forem retirados da reforma, estados e municípios precisariam tentar aprovar mudanças em suas assembleias legislativas e câmaras municipais. O governador paulista João Doria (PSDB) classificou de “temerária”, “egoísta” e “absolutamente deplorável” a possibilidade de exclusão : — Nós dissemos isso em Brasília e vamos reafirmar aqui: essa medida é temerária, desnecessária e cria problemas de grandes dimensões para governadores e prefeitos.” [O Globo]

Sabe quantos estados e municípios o Brasil tem? Pois é. Eu sou contra essa reforma, mas qualquer reforma previdenciária que deixe de fora estados e municípios já nasce natimorta.

A possibilidade de estados e municípios serem excluídos preocupa especialistas. — A situação dos estados é, em termos relativos, até pior que a da União, com o agravante de não poderem emitir moeda para se financiar. Assim, acabam sendo forçados a atrasar pagamentos. Esses atrasados acumulados já somam R$ 100 bilhões — explicou Raul Velloso. — Hoje, os estados não têm condição de aprovar quase nada em suas assembleias. É inviável politicamente. Logo, a medida tem que ser aprovada no plano federal. De acordo com Velloso, “há uma percepção equivocada de que a União consegue aprovar a reforma sem os governadores”. — Sem os governadores, não há reforma. Por isso, eles têm que se unir com os articuladores da União para conseguir apoio das bancadas de seus estados em prol da reforma — disse Velloso.”

A primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu ao marido que exclua da reforma da Previdência dispositivo que poderia reduzir os direitos de deficientes físicos e intelectuais (grau leve e moderado) a pensões do INSS. Jair Bolsonaro atendeu. Mandou seus auxiliares revisarem a medida, pois se trata de demanda irrecusável, vindo de quem vem” [Folha]

Excluir esse ponto da reforma é ótimo, o surreal é o presidente confessar que um pedido da esposa basta para mudar a reforma que o governo queria aprovar na íntegra.

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8. Onyx

O Onyx disse que Bolsonaro poderia sair do PSL e ir para o DEM, o que irritou o PSL…

Integrantes do PSL ficaram contrariados com o fato de o presidente ter dito à revista Veja que foi “pegando qualquer um” para disputar as eleições pelo partido em 2018. Alguns deputados se ofenderam, entre eles o líder da bancada na Câmara. O Delegado Waldir (PSL-GO) avaliou a expressão como “inadequada”. “Não acredito que ‘qualquer um’ teria voto. E ele precisa lembrar que os parlamentares já dependeram dele, mas isso passou. Quem depende do PSL agora é o governo, que não tem do que reclamar. É a sigla mais fiel, mais do que o DEM, que tem três ministérios.

… e o DEM, um gênio incompreendido esse imbecil:

A tentativa de Onyx Lorenzoni (Casa Civil) de fazer Jair Bolsonaro flertar com a ideia de migrar do PSL para o DEM fez setores da segunda sigla torcerem de imediato o nariz para a proposta. Um grupo que congrega nomes influentes do partido diz que a pauta de costumes pregada pelo presidente não se encaixa na história do Democratas.”  [Folha]

O mais fascinante é que não há método nessa loucura.

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9. Taí uma boa explicação

Eu me lembro bem quando li alguém dizendo que a Gilma parecia sofrer de síndrome de burn-out – deve ter sido lá por 2014, 2015. Dilma era uma até 2014, 2015, a partir daí a mudança ficou clara, a confusão mental, a dificuldade de escolher as palavras, as decisões erráticas, tudo batia com o texto.

O Merval, lembrando respostas recentes do Tonho da Lua e do Bolsonaro sobre a facada, escreveu um texto que me lembrou demais esse da Gilma:

Bolsonaro e o filho Carlos podem estar sofrendo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), que ocorre em pessoas que sofrem situações com risco de morrer, ou presenciam situações em que outros sofrem este risco ou mesmo morrem. A primeira em vez que o tema foi aventado foi no blog do Saboya, nos primeiros meses do governo, quando começaram as crises internas.

Há médicos que descrevem como decorrência do TEPT transtornos de ansiedade, de humor, anorexia nervosa, paranóia, narcisismo. Antonio Egidio Nardi, professor titular do Instituto de Psiquiatrias da UFRJ, diz que o TEPT é “um sofrimento psíquico muito comum em nossa sociedade violenta, e às vezes menosprezado ou desconhecido, o que retarda o tratamento e prejudica muito a qualidade de vida das pessoas que sofrem.

A meu pedido, o professor Nardi falou do transtorno de uma forma técnica, e não do caso especifico de Bolsonaro “que nem conheço e, portanto, nunca examinei”. Diz ele que nos Estados Unidos, a taxa ao longo da vida para TEPT é de 8,7%. Ocorre mais em veteranos de guerra e outras profissões que aumentem o risco de exposição (policiais, bombeiros, socorristas). Nardi diz que muito dos estudos de TEPT são realizados em veteranos de guerra, “mas hoje, com a violência urbana, os quadros clínicos são rotina nos consultórios de psiquiatras e psicólogos”.

O TEPT pode ocorrer em qualquer idade após a exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual. “A pessoa começa a vivenciar diretamente o evento traumático em situações diversas através de lembranças intrusivas angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático, que pode surgir em qualquer hora do dia e trazer grande sofrimento e desespero”.” [O Globo]

Taí um coquetel que explica o que estamos testemunhando: a vileza do Bolsonaro, estresse pós-traumático e paranóia religiosa, tudo isso bem batido num coquetel lisérgico. E o Merval deu uma boa sacaneada no final.

É bom ressaltar que o transtorno se reflete no campo psíquico, podendo ter efeitos físicos, mas não tem interferência no pensamento cognitivo e ideológico do paciente.

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10. A minha caneta é maior que a sua

“Antigo desejo de deputados e senadores, a restrição ao uso pelo presidente da República de medidas provisórias está no topo da lista de ações do parlamentarismo branco que o Congresso promove em meio à inicial desarticulação política do governo de Jair Bolsonaro (PSL). As MPs são fonte constante de críticas de congressistas porque não há limite ao seu uso pelo presidente, ocupam parte relevante da agenda do Congresso e, em alguns casos, não atendem aos critérios de relevância e urgência exigidos pela Constituição.” [Folha]

O parlamentar Bolsonaro ODIAVA quando os presidentes governavam via MP, odiava!

A tentativa de restringir o mecanismo conta com o aval de parte da cúpula da Câmara e do Senado e é tratada em duas frentes. A mais importante delas está no Senado. No início de abril foi apresentada uma proposta de emenda à Constituição (PEC 43/2019), de autoria dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Antonio Anastasia (PSDB-MG), que conta com a assinatura de 28 dos 81 integrantes da Casa. Ela está em análise pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que é o primeiro passo da tramitação, e estabelece regras duríssimas para o uso das medidas provisórias.

Só cinco poderiam ser editadas pelo presidente a cada ano, e não seria permitido que abordassem temas já tratados em projetos em tramitação no Congresso. Uma das intenções dos defensores da medida é forçar o Palácio do Planalto a conduzir suas propostas por meio de projetos de lei, que só passam a vigorar depois de cumprir toda a tramitação no Congresso e serem sancionadas pelo presidente, ou encampar propostas de parlamentares já em tramitação. Hoje não há limite para a edição de MPs. Só nos seus primeiros meses de mandato, Bolsonaro editou 14 medidas provisórias. O número é menor do que o de Michel Temer (MDB) em igual período de sua gestão (23), mas supera os de Dilma Rousseff (PT) nos cinco primeiros meses de seus dois mandatos –13 e 9, respectivamente.

Isso porque dia desses Bolsonaro pediu que parlamentares dessem idéias que seriam encampadas pelo presidente como MP.

11. O tamanho do estrago causado pelo Ricardo FUCKING Salles

Da Míriam Leitão:

Investidores de um país europeu procuraram uma autoridade brasileira da área econômica. A primeira pergunta não foi sobre a questão fiscal, mas sim sobre o meio ambiente. Queriam saber que garantias o Brasil daria de respeito às leis ambientais. Disseram que olham com extremo cuidado esse assunto, tanto que nunca investiram na Vale porque não sentiam confiança na governança da empresa nessa área e hoje sabem que acertaram. Contaram que os investidores de seus países querem saber exatamente que tipo de prática suas aplicações estão estimulando.

A reunião que houve na segunda-feira, 27, entre o ministro Ricardo Salles e os embaixadores da Noruega e da Alemanha foi constrangedora. Eles pediram dados concretos que justificassem as suspeitas levantadas pelo ministro sobre a direção do Fundo Amazônia, e ele respondeu com críticas genéricas. Eles não têm ingerência no dinheiro, mas a estrutura de governança foi amarrada no contrato. O ministro, ao desmontar o conselho, pode ter quebrado esse contrato. Há neste momento, segundo uma fonte que acompanha as conversas, perplexidade e pessimismo entre os noruegueses. Se os financiadores recuarem, os governos estaduais sentirão falta desse dinheiro instantaneamente. Há secretarias de meio ambiente, como as do Pará e do Acre, cuja maioria dos projetos é financiada pelo Fundo Amazônia.” [O Globo]

Flavinho Desmaio também se esmera no assunto:

O senador Flávio Bolsonaro apresentou um projeto tão estupidamente radical que seria cômico se não fosse grave. Quer acabar com toda a reserva legal nas fazendas. Só para se ter uma ideia: 80% da Mata Atlântica estão nas reservas legais. Cumprida à risca, isso acabaria com o que resta do bioma que protege a vida na região onde moram 70% dos brasileiros. Cento e dezesseis pesquisadores da Embrapa assinaram um documento mostrando os riscos à produção agrícola e à vida se essa proposta for aprovada. A primeira lei que criou a reserva legal é de 1934. O senador Flávio Bolsonaro quer um retrocesso de 85 anos. O passado que esse governo busca é bem pretérito.”

Até parte dos ruralistas já entendeu que suas vendas dependem de respeito ao meio ambiente, mas esse ajuntamento de dementes continua achando que meio ambiente é papo de globalista:

Quem é atualizado sabe que a proteção ambiental deixou de ser, há muito tempo, um assunto de nicho. Hoje o termo “ambientalista” vai muito além da sua concepção original. Gestores de dinheiro de investidores, como os citados no início dessa coluna, não perguntam sobre meio ambiente por ativismo. Os donos do dinheiro que administram não querem investir em países e negócios que significam risco ambiental. Há óbvio risco de barreiras às commodities brasileiras. Se o ruralismo não reagir a tempo e com visão estratégica o setor vai sentir o impacto. Mas vai além do agronegócio. Um país que se isola, e vira um pária na questão ambiental e climática, é uma economia vulnerável. Os investidores de qualquer área estão neste momento de olho em cada um dos movimentos do governo.

O documento dos pesquisadores da Embrapa explica pacientemente como a reserva legal eleva a produtividade das fazendas e diz que fizeram a nota pelas “numerosas discussões recentes no contexto das propriedades rurais”. Segundo eles, a relação entre polinização e controle biológico por insetos com a produção é direta: “Levando-se em conta os dados da produção de 2012, a polinização mediada por insetos foi responsável por 30% da produção de 44 culturas brasileiras.” O governo Bolsonaro brinca, por ignorância, com coisa séria. E enfrentará muito mais consequências do que consegue perceber na sua curta visão ideológica.”

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12. Grande dia!

O deputado Rodrigo Amorim (PSL) , o mais votado para a Alerj no ano passado, será investigado em um sindicância da prefeitura de Mesquita por suspeita de ter sido funcionário fantasma por quase um ano. Amorim, que ficou conhecido durante as eleições por exibir com orgulho uma placa quebrada da vereadora assassinada Marielle Franco, foi subsecretário de Governo e Planejamento de Mesquita entre 2015 e 2016. Nos mesmos anos, ele atuou também n a Câmara Municipal do Rio, no gabinete do então vereador Jimmy Pereira. A duplicidade de cargos públicos ocorreu ainda entre 2011 e 2012, quando o deputado esteve empregado em secretarias de Nova Iguaçu e Teresópolis . Procurado, Amorim nega irregularidades, e disse que as atividades não demandavam dedicação exclusiva.

No dia 10 de abril de 2015, Rodrigo Amorim foi nomeado para o cargo em comissão de Subsecretário Adjunto de Governo e Planejamento de Mesquita, gestão do prefeito Gelsinho Guerreiro (na época do PSC) — denunciado pelo MPRJ por organização criminosa — função que ocupou até o dia 28 de março de 2016, quando foi exonerado. Seu salário base era de R$2.880. Para o trabalho de subsecretário, há carga horária obrigatória de 40 horas semanais, mas, a partir do dia 1º de novembro de 2015, Amorim também ocupou um cargo como auxiliar de gabinete do então vereador Jimmy Pereira, na Câmara Municipal do Rio, onde ficou até 1º de março de 2016. Um trajeto de carro entre a prefeitura de Mesquita e a Câmara carioca dura cerca de uma hora.” [O Globo]

O parágrafo abaixo é maravilhoso:

No mesmo dia da nomeação de Amorim em Mesquita, também constava no Diário Oficial o nome de Paulo Vitor Coutinho para um cargo semelhante na mesma Secretaria de Governo e Planejamento. Entretanto, Coutinho afirmou ao GLOBO que nunca viu a presença do deputado, seja em atividades nas ruas ou no prédio da prefeitura, em todo o seu período na pasta. — Posso dizer que nunca tivemos a presença dele nas nossas atividades. Nunca o vi, nem no dia da nomeação, nem nas atividades da coordenadoria, ou circulando pelas ruas de Mesquita. Só descobri quem era Rodrigo Amorim no resultado das eleições — diz Coutinho, que tinha foco em atividades da juventude e de Direitos Humanos. Em sua biografia no site da Alerj, Amorim não cita seus trabalhos em Nova Iguaçu, em Teresópolis e na Câmara do Rio. Já no período que estaria em Mesquita, suas redes sociais mostram que, em muitas datas, ele estava em outras localidades distantes. Em postagens, há fotos em cidades diversas durante horário comercial, como Iguaba, Paraíba do Sul, Rio das Ostras, Duque de Caxias, São Paulo, Brasília, Queimados, Niterói, Teresópolis, a maioria em eventos políticos. Houve ainda uma viagem internacional registrada por ele no Facebook, para República Dominicana, no dia 29 de novembro de 2015, apenas sete meses após ter sido nomeado para o cargo de Mesquita.”

E esse é só um dos casos. E a ALERJ é demais:

No dia 28 de março, munido de informações sobre o trabalho na Câmara dos Vereadores, a reportagem do GLOBO requereu, via Lei de Acesso à Informação, detalhes sobre o cargo que Rodrigo Amorim ocupara no gabinete do vereador Jimmy Pereira, como remuneração e carga horária. Pela lei, o prazo inicial para resposta é de 30 dias. Mas, após esse período, a Câmara respondeu que ainda não havia detalhes para fornecer. Questionada sobre a obrigatoriedade de fornecer um novo prazo, a Câmara respondeu “Infelizmente não temos nova data para informar”.

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13. Um Trump Muito Louco

A ameaça de tarifas pra cima do México, fundamental pra indústria automobilística americana, é tão louco que até os republicanos mais trumpistas ficaram sem entender:

I support nearly every one of President Trump’s immigration policies, but this is not one of them,” Grassley, the chairman of the Senate Finance Committee, said. “I urge the president to consider other options.”

Fellow Iowa Republican Sen. Joni Ernst also urged Trump to “reconsider,” arguing the “livelihoods of Iowa farmers and producers are at stake” as well as passage of the revamped North American trade deal.

Senate Majority Leader Mitch McConnell, meanwhile, highlighted the “vital” nature of the US-Mexico trade relationship and stressed that “any proposal that impacts this relationship deserves serious examination.”

While the White House briefed some Republican lawmakers on the President’s tariff plans, the move landed with a thud, leaving top Republicans scratching their heads.” [CNN]

A resposta da Sarah Sanders é maravilhosa:

But White House press secretary Sarah Sanders rejected the notion that Republicans were blindsided by the move. “The President didn’t blindside his own party. If Republicans weren’t aware, then they haven’t been paying attention,” Sanders said on Friday. “Anybody int his country or frankly in the world that says that there surprised by this has been living under a rock and not paying attention. The President’s been crystal clear that we have to take action, we have to step up, we have to do more, and we have to secure our borders.

Quase toda a equipe da Casa branca era contrária:

Trump’s drastic tariff threat sent shockwaves through Washington, sparking concerns inside the White House and on Capitol Hill that a new trade offensive would scuttle efforts to ratify a replacement for the North American Free Trade Agreement — and drag down the US economy, which relies heavily on Mexican-produced cars, machines and foodstuffs, just as the 2020 campaign is taking off. But incensed by a spike in migrants crossing illegally into the US this week, the President ignored warnings from US Trade Representative Robert Lighthizer and Treasury Secretary Steven Mnuchin with his decision to move ahead Thursday with a vow to impose import duties on all goods from Mexico until steps are taken to curb the the flow of migrants.

Lighthizer, who has been working to build support for the US-Mexico-Canada Agreement in Congress, warned Trump the move would hamper ratification of the trade deal, while Mnuchin warned Trump the move would roil the stock market, multiple sources told CNN. And when the announcement came down Thursday, Vice President Mike Pence was on Air Force Two, returning from a trip to Canada to assure the prime minister the administration was all-in on the trade deal. The deliberations pitted Lighthizer and Mnuchin against a trio of influential presidential advisers: senior policy adviser Stephen Miller, trade adviser Peter Navarro and acting chief of staff Mick Mulvaney, who all supported Trump’s tariff gambit, the sources said.”

Tem gente na Casa Branca falando em tiro no pé, e é o único diagnóstico possível.

O que o Barr fez com o relatório do Mueller é criminoso, simples assim:

Attorney General William Barr contradicted himself in a significant way during an exclusive interview with CBS News, during which he revealed that the Department of Justice (DOJ) “didn’t agree with the legal analysis” the former special counsel Robert Mueller used in his obstruction-of-justice investigation into President Donald Trump.

The attorney general added during the CBS interview that Mueller’s analysis “did not reflect the views of the department” and instead represented “the views of a particular lawyer or lawyers.”

But on May 1, while testifying before the Senate Judiciary Committee, Barr said the department “accepted the special counsel’s legal framework for purposes of our analysis and evaluated the evidence as presented by the special counsel in reaching our conclusion” in the obstruction case.

During his CBS News interview, Barr told host Jan Crawford that DOJ officials “applied what we thought was the right law [in the obstruction case], but then we didn’t rely on that. We also looked at all the facts, tried to determine whether the government could establish all the elements, and as to each of those episodes, we felt that the evidence was deficient.”[Business Insider]

Doideira!

Mueller did not make a “traditional prosecutorial judgment” on whether Trump obstructed justice in the Russia probe. But prosecutors laid out an extensive roadmap of evidence — including 11 potential instances of obstruction — against Trump, many of which appear to meet the legal criteria needed to prove obstruction of justice.

Mueller cited a 1973 Office of Legal Counsel (OLC) memo — which says a sitting president cannot be indicted — as the primary reason he didn’t make a conclusion one way or another on whether Trump obstructed justice. Many legal experts have said that even if Mueller couldn’t indict Trump, he still could have stated that he believed there was enough evidence of criminal activity.

Pra fechar, Merkel foi paraninfa de uma turma em Harvard e desceu o pau no Trump sem mencioná-lo pelo nome.

Chancellor Angela Merkel of Germany, recalling how the Berlin Wall’s destruction 30 years ago taught her that anything was possible, exhorted Harvard’s 2019 graduating class on Thursday to reject isolationism and nationalism, embrace the fight against climate change, see the world through others’ eyes and never “describe lies as truth and truth as liesMs. Merkel also urged the graduates to “tear down walls of ignorance” that feed nationalism and isolationism, and to remember that democracy “is not something we can take for granted. Protectionism and trade conflicts jeopardize free international trade and thus the very foundations of our prosperity,” she said. “Wars and terrorism lead to displacement and forced migration. Climate change poses a threat to our planet’s natural resources.” [NYT]

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>>> Folgo em saber: “Segundo a pesquisa da Ideia Big Data, a maior parte dos eleitores que optaram por Bolsonaro e hoje rejeita o governo é formada por mulheres com idade entre 25 e 40 anos, integrantes das classes B e C, não evangélicas e que vivem em cidades com mais de 200 mil habitantes nas regiões Norte e Nordeste. Eles votaram no presidente apenas no segundo turno e representam cerca de 10 pontos porcentuais dos 18 que Bolsonaro perdeu desde a posse, conforme a série mensal de pesquisas do Ideia Big Data.” [Estadão]

>>> Que chato… “Conversas de Skype registradas pela transportadora de valores usada pela Odebrecht para efetuar pagamentos ilícitos em São Paulo indicam quatro entregas de dinheiro no valor total de R$ 1,8 milhão para o chefe de gabinete do deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força. Segundo as mensagens, os repasses foram feitos entre agosto e setembro de 2014 para Marcelo de Lima Cavalcanti na sede da Força Sindical, presidida por Paulinho até 2018. Os diálogos obtidos pelo Estado foram entregues à Polícia Federal por um ex-funcionário da Transnacional, empresa contratada pelo doleiro Álvaro José Novis para fazer entregas de dinheiro a serviço da Odebrecht. As mensagens apontam três pagamentos de R$ 500 mil com as senhas “ford”, “volkswagen” e “chevrolet” e um de R$ 300 mil com a palavra-chave “pandeiro” – todos destinados a Cavalcanti no 11.º andar da Rua Rocha Pombo, 94, prédio da Força Sindical, no bairro da Liberdade, centro da capital paulista.” [Estadão]

>>> Hell de Janeiro: “Oito jovens desapareceram na noite de domingo (26) na comunidade 5 bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio, de acordo com informações da polícia. A suspeita é de que eles tenham sido assassinados por bandidos de outra comunidade, mas as famílias alegam que eles são inocentes. A mãe de Rafael Magalhães Celestino, de 17 anos, está há cinco dias sem receber notícias do filho. Ela conta que ele trabalha como entregador de uma lanchonete e que é um menino muito bom e calmo. Oito jovens desapareceram na noite de domingo (26) na comunidade 5 bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio, de acordo com informações da polícia. A suspeita é de que eles tenham sido assassinados por bandidos de outra comunidade, mas as famílias alegam que eles são inocentes. A mãe de Rafael Magalhães Celestino, de 17 anos, está há cinco dias sem receber notícias do filho. Ela conta que ele trabalha como entregador de uma lanchonete e que é um menino muito bom e calmo.” [G1]

>>> Whitney disse que Crivella deveria ter um filtro entre o cérebro e a boca e a resposta do Crivella me fez gargalhar: “Agradeço o conselho do Witzel. Vou procurar o filtro em Harvard” [O Globo]

>>> Sobre a reitora da UFRJ e a incompetência desse governo acéfalo: “Segundo nota do Ancelmo Goes, Bolsonaro assinou hoje a nomeação da professora Denise como reitora da UFRJ. Eu acreditava que o governo estava preparando uma “lição “ para as universidades, desrespeitando a lista tríplice da minha universidade como primeiro passo de uma tentativa de reforma conservadora do ensino superior. Mas acontece que para o governo fazer isso precisaria ter combinado com grupos dentro da UFRJ que apoiariam uma indicação desse tipo, preparado pareceres e normas tecnicas (quando não uma lei) que dessem algum suporte a tal medida, entre outras coisas. Isso exigiria articulação e preparo. Já está mais do que claro que no Palácio do Planalto e no MEC temos qualquer coisa menos políticos com um mínimo de traquejo da máquina pública e capacidade de gestão (essa palavra maldita para parte da esquerda anti-tabagista). Que essa incompetência tenha pelo menos o efeito de, para alem do corte de verbas, deixar a professora Denise, os demais reitores e as instâncias internas das universidades trabalharem em paz. Pelo menos até o próximo vídeo postado no YouTube pelo nosso dublê de ministro e ator canastrão…” [Facebook]

>>> Ótima dica do André Motta sobre o paralelo entre Toshiba na década de 80 e a Huwaei de agora: “Toshiba ontem, a Huawei hoje! Há 30 anos, a japonesa Toshiba exportou instrumentos de precisão para a União Soviética. Os Estados Unidos impuseram as seguintes penalidades ao Grupo Toshiba: 1.) O Departamento de Polícia do Japão foi pressionado a prender Erhe Lin, presidente da Toshiba Machinery Foundry, e Hiroshima Tanamura, presidente da Machine Tool Business, e sentenciá-los a dez anos de prisão. 2.) A fábrica da Toshiba nos Estados Unidos foi fechada. 3.) Foi instituída uma tarifa de 100% sobre os produtos Toshiba vendidos para os Estados Unidos. 4.) Como uma punição alternativa à anterior, as exportações da Toshiba para os Estados Unidos ficaram proibidas por cinco anos. 5.) Uma enorme multa de 1 trilhão de ienes foi imposta à Toshiba, equivalente a 16 bilhões de dólares hoje.” [Revista Ópera]

>>> “The world’s second-largest Ebola outbreak on record is underway in the Democratic Republic of the Congo. The World Health Organization and aid groups are pouring resources into the region to try to contain it, but the longer this Ebola outbreak continues, the greater the likelihood it will spread to other highly populated areas within the country, move to neighboring countries or even internationally. The danger of this particular outbreak, which began Aug. 1, 2018, is that it’s what several experts call the “perfect storm” of a highly lethal and contagious virus in an area of the DRC that’s a hub for poverty and neglect, insurgent activities, distrust of government and international organizations, and a mobile population with many refugees.”[Axios]

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