Dia 746 | O pior ainda está por vir | 16/01/21

Logo menos sai o episódio de hoje, de longe o mais brutal de nossa lavra. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de asinaturas mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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Não sei se vocês que inventaram de ler esse blog…

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… repararam mas os últimos dias foram complicados pela falta de tempo, mas na real tempo não faltou, sobrou doideira e foi impossível dar conta de tudo, então foquei no principal e o resto foi do jeito que deu. Os posts tão mais enxutos mas continua sendo um diário do que aconteceu de mais importante nessa bad trip escrota do caralho. Beijo pra vocês!

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1. Medo e Delírio em Manaus

“A asfixia de seres humanos por falta de oxigênio é, provavelmente, a forma mais cruel, mais sofrível e mais macabra de se matar e de se morrer. Morre-se em desespero, debatendo-se em sofrimento e em pânico com o fim iminente e asfixiante. A falta de oxigênio representa a privação do elemento químico absolutamente essencial que o organismo humano não pode prescindir além de alguns segundos.A necropolítica conceituada por Achille Mbembe tem no Brasil seu maior laboratório do mundo. Não é nada acidental o vice-campeonato mundial brasileiro em número de mortes intencionais por COVID – intencionais, sim, porque a enorme maioria delas poderiam ter sido evitadas se tivesse uma atuação comprometida, séria e competente do governo. ” [Jeferson Miola]

Esse deve ter sido o parágrafo mais brutal de hoje:

“Uma médica do hospital 28 de agosto relatou, por exemplo, que pacientes estavam recebendo morfina para não sentirem a angústia do sufocamento.” [Folha]

Enquanto cenas como essa se desenrolavam em Manaus Bolsonaro e Pazuello arrumaram UMA HORA pra fazer… uma live! Começaram a live como se Manaus não existisse, e lá pelas tantas:

“O presidente Jair Bolsonaro se limitou a dizer que “a situação está complicada” sobre a falta de oxigênio e o colapso na saúde em Manaus.” [Correio Braziliense]

Complicada?! A pandemia já não tava no “finalzinho“?!

“A cada 10 intubados, sete morrem.”

O presidente lamenta, e daí, ele não é coveiro. Ele é capitão.

Eu lembro do Mandetta. Fique em casa, quando sentir falta de ar procure o hospital.”

Sim, ele está se referindo ao ministro do governo… Bolsonaro! A pandemia aqui começou em março, Mandetta só caiu em meados de abril, nas palavras do presidente o ministério da Saúde DELE estava entregue a um incompetenete, e obviamente a culpa é de todo mundo, menos do Bolsonaro.

Aí, você lembra a pressa para comprar respirador. Foi uma festa. Mas não vou acusar o Mandetta de ter mandado ficar em casa para o pessoal superfaturar”

Talvez a pressa tenha a ver com Manaus colapsando em abril de 2020. E é fascinante ver o sujeito cuja famiglia compra imóveis em dinheiro vivo falando em corrupção.

“Na Guerra do Pacífico, o pessoal chegava ferido e não tinha sangue, começaram a colocar água de coco e deu certo. Se tivesse esperado uma comprovação científica, quantas pessoas teriam morrido? É a mesma coisa o tratamento precoce da covid com hidroxicloroquina, ivermectina, anita, e não faz mal se mais na frente descobrirem que não faz efeito, o que não vai acontecer”, concluiu.”

Ele disse isso ao lado do Ministro da Saúde, que NADA falou. Dia desses a Sâmia Bonfim interpelou o ministério da Saúde, que só então lembrou de avisar que o ministério não recomenda Aniita porque não tem eficácia. E o Pazuello sabe disso. E aqui me lembro do Mourão defendendo o depoimento dos milicos ao STF: “quem alinha discurso é bandido”.

 “Manaus teve o pior momento da pandemia em abril do ano passado e foi revertido. Agora estamos novamente em situação grave. Considero que há um colapso em Manaus.”

Se há um colapso por boa parte do seus discurso de 51 muinutos em manaus versou sobre tratamento precoce?!

“A realidade da diminuição da oferta do oxigênio. Estamos priorizando o oxigênio para atender as UTIs. Manaus é uma conjunção de fatores. É uma ilha no meio da Amazônia. Qualquer coisa que você precise é só de avião ou dias embarcando em um barco. Nós estamos vivendo novamente já o segundo momento, o segundo ciclo sazonal. Já estamos no período chuvoso novamente no Amazonas. Não só no Amazonas, mas no norte do país e em parte do Nordeste já é o período chuvoso. E no período chuvoso, a umidade fica muito alta e você começa a ter complicações respiratórias.”

Qual é a novidade? Em algum momento não choveu muito em Manaus? Em algum momento Manaus não foi uma ilha no meio da Amazônia?! De quebra Manaus foi a primeira cidade brutalmente e desde agosto do ano passado a Fiocruz acende o alerta por lá.

“Então, este é um fator. Manaus não teve tratamento precoce. A infraestrutura hospitalar é bastante reduzida”

Sim, a culpa é que o povo de Manaus não encheu o cu de cloroquina. Você sjá pensaram pra pensar que rolou um choque global pandêmico e o único país do mundo a descobrir o tratamento precoce foi o Brasil de Jair Messias Bolsonaro! Nem os EUA do Trump embarcou nessa loucura, ele no começo falou em cloroquina e logo mudou de assunto, quando se infectou fez um tratamento caríssimo, o mais moderno pelas bandas de lá. Mas vai ver a voz da razão mundial é o capitão, tá ok?!

“Neste modelo, tem duas grandes faltas: recursos humanos e oxigênio, porque a produção de oxigênio da White Martins ela se mantém no limite, e a demanda, que é a procura pelo oxigênio na capital, por exemplo, subiu seis vezes. Então, já estamos aí em 75 mil metros cúbicos de demanda diária na capital e 15 mil metros cúbicos de demanda diária no interior.”

Ora, se a oferta da empresa não cresce por que diabos o governo não tratou de arrumar outras fontes de oferta? Por que não produziu oxigênio para distribuir aos estados conforme necessário, justamente para evitar essas cenas de terror? Imagine aí os americanos dizendo aos aliados que seria impossível produzir porta-aviões, aviões e tanques em massa por conta da capacidade de produção…

O que é que a gente precisa compreender? Há uma estratégia do governo federal com o SUS, que já foi desenhada há seis meses atrás. Nós estamos na cronologia correta dessa estratégia e nós vamos em janeiro iniciar essa vacinação.”

Passemos ao presidente:

“Alguns querem botar no meu colo, no do Pazuello, como nós somos os genocidas. E olhe o que nós fizemos para que não aumentasse o número de óbitos no Brasil. Alguns reclamam que o Brasil está atrasado, o governo está atrasando, o governo não tomou providência para a vacinação. Calma”

“Pra quê essa angústia?“, perguntaria o general.

“Até poucos meses, o Brasil estava um dos primeiros em mortes por milhões de habitantes. Agora, está em 23º, 24º. Por quê? Pelo tratamento precoce, não tem outra explicação. Graças ao voluntarismo de algumas dezenas de milhares de médicos que resolveram levar avante isso

E Pazuello concordando!

E o pior ainda está por vir, acredite:

“Eram 19 horas da quarta-feira quando o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, divulgou um alerta nas redes sociais, para órgãos do governo e até para a Câmara e o Senado. Manaus, segundo ele, tinha se tornado a “capital mundial da pandemia de covid-19”. No alerta, Orellana adverte: “O caos sanitário e humanitário em que a cidade mergulhou durante a segunda onda, traduzido pelo pico explosivo de mortalidade e de internações em leitos clínicos e de UTI no início de janeiro, não deixa qualquer dúvida sobre a extensão da tragédia anunciada.” Foi o 13.º alerta que ele divulgou desde agosto.” [Estadão]

Vamos à entrevista:

“Nós começamos a visualizar os primeiros sinais da segunda onda já na primeira quinzena de agosto de 2020, quando percebemos que ocorreu uma reversão da queda de casos. A curva epidêmica vinha com um padrão de queda, estabilizou e começou a subir. Foi o primeiro sinal, mas muitos ignoraram. Em setembro a situação piorou. Estávamos em contato com Ministério Público, Defensoria Pública, Secretaria de Saúde e recomendamos o lockdown. Fomos muito criticados, mas conseguimos convencer o ex-prefeito (Arthur Virgílio Neto, que propôs a medida ao governador Wilson Lima). Mas não durou 24 horas a decisão. Depois que (o presidente Jair) Bolsonaro classificou a medida como absurda, o governador a descartou totalmente.”

E a Dilma caiu por uma pedalada.

E tivemos um agravante sério de má ciência quando um grupo de pesquisadores publicou um artigo dizendo que Manaus tinha atingido a imunidade de rebanho. Fizemos um comentário técnico do artigo apontando os erros, mas ele nunca foi retratado. Isso circulou pelo meio político, nas mesas de bar. Hoje mais gente questiona o estudo. Mas a partir dali a população relaxou e o final da história é esse que vimos nesta manhã de completo colapso. Apesar de todo esse contexto de relaxamento da população em relação aos cuidados, acreditamos que esta nova cepa é a explicação mais plausível para um crescimento tão explosivo considerando o histórico de Manaus. Porque esse tipo de crescimento tão explosivo a gente normalmente aceita quando toda a população é considerada suscetível ao novo vírus. Mas essa disseminação que estamos vendo num contexto em que pelo menos 30% a 40% da população já tinha sido exposta ao coronavírus só pode ser porque essa nova cepa se propaga muito mais rapidamente que todas as 11 variantes que circularam antes na região. Ainda estamos investigando se de fato ela é mais contagiosa, mas as mutações que observamos são muito parecidas com as vistas no Reino Unido e na África do Sul em novas cepas que também mostraram mais fáceis de serem transmitidas. E a pior consequência – além das centenas de mortes que aconteceram nos últimos seis dias e as milhares que ainda devem acontecer nos próximos – é a possibilidade de disseminar essa nova cepa Brasil afora porque estamos mandando dezenas de pacientes daqui para outros Estados. Em outras palavras, estamos mandando o vírus para outros Estados. Isso ninguém está falando ainda, mas vamos ver a bomba estourar daqui uns 15 dias.”

As próximas semanas serão brutais se for isso mesmo. Mas não baixe a cabeça, é isso que esses escrotos querem.

E ter sobrevivido ao caos não quer dizer muita coisa:

“Já temos a confirmação de que aconteceram seis óbitos de uma só vez no Hospital Universitário Getúlio Vargas e outros na Fundação de Medicina Tropical e em outros serviços de pronto-atendimento, além de dezenas de pacientes que estavam sendo ambuzadas (ventilação mecânica). Pessoas que estavam 20 minutos seguidos em cima dos pacientes, fazendo ventilação manual… o que é outra fonte de contágio, porque é humanamente impossível colocar a mesma pessoa para fazer ventilação mecânica por horas seguidas. Tem de revezar com outros. Isso sem contar as pessoas que ficaram sem suprimento de oxigênio, mas não morreram… não temos ideia do que pode acontecer em termos de sequelas neurológicas com elas. Depois de algumas horas os hospitais que tiveram o problema foram provisoriamente supridos, mas como a transmissão comunitária está violenta, não sabemos como vai ser amanhã. Podemos ser surpreendidos com uma nova avalanche de internações. Estamos num contexto de fila para internações de leito clínico e de UTI, tanto de pacientes de Manaus quanto do interior do Amazonas. É um caos absoluto. O governo do Estado colocou polícia na frente de alguns hospitais para evitar manifestações de familiares. Imagine que dezenas de pessoas foram a óbito em menos de cinco horas em Manaus e muitos dos familiares ainda não sabem quem foram as pessoas que morreram. Pensa comigo: se você ficar 15 segundos sem respirar você consegue sobreviver? Imagine ficar sem respirar por uma hora. O que ocorreu é que literalmente os leitos se tornaram câmaras de asfixia. Isso não é uma imagem artística. Foi real. Essa é uma das maiores tragédias recentes da história da saúde pública mundial. De imediato, honestamente, não tem nada a ser feito além de pelo menos manter o suprimento de oxigênio. Essas mortes de hoje são resultado de infecções de pelo menos 15 dias atrás. Pelos próximos dias ainda as infecções das últimas semanas vão continuar aumentando a demanda dos hospitais. E vai precisar de muito oxigênio. Em abril e maio do ano passado, que tinha sido o pico dos casos em Manaus, tivemos um consumo X de oxigênio. Neste começo de janeiro foi duas a três vezes superior. Só isso já dá uma ideia do caos. Além disso, uma quantidade grande de pessoas ficou com um consumo irregular de oxigênio nesta manhã. Com isso elas evoluíram negativamente. Se consumiam 1 litro antes do colapso, agora vão precisar de 1,5. A situação delas piorou. As pessoas se asfixiaram no hospital, mas já estavam também morrendo em casa asfixiadas por falta de leito. Foi o recorde de mortes em domicílio nos últimos sete dias. Ambulâncias pegando corpos ou pessoas quase mortas em casa.”

Que essa brutalidade demencial não seja em vão.

“No HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas), onde pacientes morreram sem oxigênio na madrugada de quinta-feira (14) , os profissionais de saúde relatam que as doações de cilindros de oxigênio e as transferências de pacientes devem garantir que a situação fique sob controle para atender aos pacientes já internados pelo menos até o fim de semana. Mas, em algumas unidades da rede estadual de saúde, o estoque já chegava perto do nível crítico na manhã desta sexta (15), principalmente nas unidades que são referência para Covid-19 e que possuem pronto socorro, como o Hospital 28 de Agosto, os Serviços e Pronto Atendimento (SPAs) e maternidades, que recebem novos pacientes diariamente. “O HUGV não tem emergência. Nos hospitais de porta aberta, principalmente os SPAs e pronto-socorros, a situação está muito pior, porque você tem muitos pacientes em macas em corredores com uma assistência muito mais precária”, alertou o médico, que pediu anonimato. A enfermeira e presidente do Sindicato dos Profissionais da Saúde, Graciete Mouzinho, 54 anos, estava no plantão para uma inspeção na manhã de quinta-feira (14) dentro do Plantão Araújo quando disse ter percebido corre-corre e desespero dos profissionais por causa da falta de oxigênio para os pacientes. “No corredor lotado, as pessoas estavam tentando respirar e não conseguiram. Foi uma coisa horrível de se ver. Aqueles idosos pedindo socorro, levantando a mão, a família abanando e a gente não ter como ajudar. Sou enfermeira há 18 anos e nunca tinha sentido tanto medo na minha vida”, afirmou, por telefone. Ela disse que a cena se repetiu em outras unidades em Manaus e no interior do Amazonas. “Recebi muitos áudios aqui de técnicos em enfermagem. Estão muito abalados. Tem gente que não quer mais voltar [para o plantão nos hospitais] para não ter que ver essas pessoas morrerem.” O médico cardiologista Anfremon D’Amazonas, que esteve no HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas) no momento do caos da falta de oxigênio, publicou um vídeo em suas redes sociais no final do plantão . Ele disse que não fazia parte equipe da manhã, mas se juntou aos colegas no hospital quando soube da urgência. Os profissionais tiveram que racionar o oxigênio para que não faltasse para ninguém. O médico relata que, dos 27 pacientes da ala em que ele atendia, dois morreram: “Foi um momento desesperador. Muito desesperador. Muita gente chorando. Os pacientes morriam e a gente não tinha o que fazer”, afirmou.” [Folha]

No seu discurso em manaus Pazuello dava a entender que havia total harmonia com os poderes locais, que TODAs as solicitações foram atendidas. Menos de uma semana depois…

“Diante da crise na saúde no estado do Amazonas, diversos órgãos federais e locais apresentaram nesta quinta-feira (14) à Justiça Federal de Manaus uma ação civil pública. Na ação, afirmam que a responsabilidade é do governo federal e que cabe à União assegurar o fornecimento regular de oxigênio para os hospitais. A ação foi apresentada por Ministério Público Federal (MPF); Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM); Ministério Público do Trabalho (MPT); Ministério Público de Contas (MPC); Defensoria Pública da União (DPU); e Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).[G1]

Mais papel para Aras limpar a bunda, eis a trsite e mórbida verdade.

“Diante da falta de oxigênio em Manaus devido ao aumento de internações em razão da pandemia do novo coronavírus, 60 bebês prematuros, internados em UTIs neonatais, vão ser transferidos em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para outros estados de maneira preventiva. Na tarde desta sexta-feira (15), nove deles chegam ao aeroporto de Imperatriz, no Maranhão.” [Folha]

Se preventivo fosse eles já teriam sido transferidos ao longo de um intervalo de dias antes dae Manaus sufocar.

“Os prematuros não estão infectados pelo coronavírus. “São bebês que necessitam ficar numa UTI neonatal para ganhar peso, ficar mais fortes e, só depois, deixar o hospital”, destacou. A Folha apurou que o governo do Amazonas solicitou consultas junto a outros estados para saber quais deles teriam condições de receber a transferência de bebês internados em maternidades da rede estadual onde falta oxigênio. No início da tarde, a SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas) confirmou a transferência de bebês para outros estados. “A secretaria informa que os recém-nascidos serão transferidos a partir da autorização dos pais e serão acompanhados pelas mães. Técnicos da secretaria estão trabalhando no planejamento da logística de transferência e o quantitativo está sendo avaliado de acordo com as condições clínicas”, comunicou.”

E que shit show é o plano de vacinação dos verde-oliva:

“O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Anurag Srivastava, afirmou nesta quinta-feira (14) que “é muito cedo” para dar respostas sobre exportações das vacinas produzidas no país, já que a campanha nacional de imunização ainda está só começando. A declaração foi dada em resposta a questionamentos sobre a entrega ao Brasil de 2 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto Serum a partir da Universidade de Oxford e do Laboratório AstraZeneca. O porta-voz, no entanto, não deixou claro se a resposta vale para esse lote importado pelo Brasil. Um avião contratado pelo governo brasileiro decolou nesta tarde de Campinas rumo à Índia para buscar essas doses. A aeronave está em Recife e segue para Mumbai nesta sexta-feira. Na coletiva de imprensa, os jornalistas também perguntaram se o Brasil seria o primeiro país a receber o imunizante da Índia e se a entrega não comprometeria o plano indiano de vacinação. “Como você sabe, o processo de vacinação está apenas no começo na Índia. É muito cedo para dar uma resposta específica sobre o fornecimento a outros países, porque ainda estamos avaliando os prazos de produção e de entrega. Isso pode levar tempo”, disse Srivastava. A notícia foi publicada por veículos de imprensa tradicionais da Índia como o “Times of India”. Fontes ouvidas pelo jornal disseram que a exportação será adiada por alguns dias por “questões logísticas”.” [G1]

Meu hindi está meio enferrujado mas eis a resposta do Modi ao Bolsonaro: “Phak yoo”

“O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ligou na noite de quinta (14) para o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e fez novo apelo pela liberação de 2 milhões de vacinas que o Brasil quer comprar de um laboratório do país. De acordo com o Itamaraty, os indianos manifestaram “boa vontade” e disseram que a situação seria resolvida “nos próximos dias”. Não houve um compromisso com prazo.” [G1]

O indianos disseram ao Brasil que as vacinas serão enviadas no “dia D, na hora H“. E dado que a Índia é do outro lado do mundo os indianos não tão com pressa, do contrário deixariam o avião decolar.

“Segundo o jornal Hindustan Times publicou na quinta-feira, a Índia não começou seu programa de imunização contra a Covid-19 e, por isso, considera muito cedo para se comprometer em exportar doses do imunizante, inclusive para o Brasil.”

Bolsonaro quer que a Índia exporte vacinas antes de vacinar indianos, qual a a chance de dar certo?!

Encerro com a certeira Lygia Jobim:

“O tenente, que nunca escondeu quem é, que sempre disse que sua especialidade era matar, escolheu a dedo o Ministro da Saúde. Escolheu um general que é mais do que um especialista em logística, é um gênio em sua especialidade e tem os mesmos objetivos que seu chefe. Peça por peça, juntos montaram a estrutura da morte. Peça por peça, como num grande quebra cabeça, essa estrutura agora se mostra em todo seu horror e eficácia, com seringas que viajam de navio e pessoas que morrem asfixiadas. Que sejam malditos os que a conceberam. Que sejam malditos os que podem, por vias constitucionais, retirá-los do poder e não o fazem... Líderes nazistas reuniram-se em Berlim, no dia 20 de janeiro de 1942, para, naquela que ficou conhecida como a Conferência de Wannsee, discutir detalhes operacionais do extermínio dos judeus na Europa. Numa rápida reunião que durou talvez menos de duas horas, Reinhard Heydrich, diretor do Departamento Geral de Segurança do Reich, reuniu apenas catorze pessoas. Um número pequeno para um projeto tão monstruosamente grande. Se no projeto alemão a asfixia era levada a cabo em câmaras de gás, aqui, onde o tenente talvez tenha se reunido com meia dúzia ou uma dúzia, de fiéis integrantes de seu asqueroso grupelho homicida, ela se dá apenas com descaso e logística. Só conheceremos os detalhes quando, identificados um por um, assistirmos a seus julgamentos pelo eficiente trabalho de apenas deixar morrer.” [Carta Maior]

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2. Malditos Milicos

“Em meio ao agravamento da pandemia, com a falta de oxigênio em Manaus, e às vésperas da campanha de vacinação contra a Covid-19, o Brasil perdeu uma das suas parcas estrelas do combate logístico à crise sanitária. Trata-se de um avião de transporte Embraer KC-390 Millennium da FAB (Força Aérea Brasileira), um dos quatro em operação no país. É a aeronave com maior capacidade de carga em serviço, podendo levar até 26 toneladas. O avião chegou na terça (12) a Alexandria, Louisiana (EUA), e ficará até 5 de fevereiro participando de um treinamento militar conjunto com os americanos, chamado Culminating (culminando, em inglês). O modelo, cuja primeira unidade entrou em serviço em setembro de 2019 e a mais recente, em dezembro passado, está sendo usado intensamente em missões de apoio ao longo do ano. Na quarta (13), um deles levou 8 toneladas de equipamentos justamente para Manaus. A Folha questionou na noite de quinta a Força acerca da decisão de enviar o avião mesmo com a necessidade no Brasil e se havia a possibilidade de chamá-lo de volta. Ainda não obteve resposta. Um coronel aviador alega que a retirada de operação de uma aeronave em nada prejudicará as atividades contra a Covid-19. A Força tem nominalmente 20 modelos antigos Lockheed-Martin C-130 Hércules, que levam até 19 toneladas de carga, e 11 C-105 Amazonas, que leva 7 toneladas.” [Folha]

Imagine, estamos em guerra contra um vírus, pessoas morrendo afogadas por conta da incompetência do governo e os caras acham de boa abrir mão do avião de maior capacidade da FAB!

“Talvez sim, tanto que Hércules estão sendo usados para levar cilindros de oxigênio para Manaus —só na quinta (14), foram 18 toneladas em dois voos. Eles têm alcance algo maior do que os KC-390 plenamente carregados, mas o avião da brasileiro é bem mais rápido (870 km/h ante 600 km/h do modelo americano). Também na quinta, circulou por meio de um deputado amazonense a informação de que o Brasil poderia pedir ajuda dos EUA, que enviariam mais oxigênio num avião de transporte C-5 Galaxy, um velho gigante que leva até 127 toneladas. O argumento do militar é menos defensável quando se lembra que o governo federal quer começar a vacinar pessoas pelo Brasil a partir do dia 20, caso a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprove os dois imunizantes que analisa no domingo (17). Para isso, lembra o mesmo coronel, seria ideal ter toda a frota com o melhor equipamento disponível. Cada avião pode contar, isso sem mencionar a questão simbólica das prioridades. A FAB descreveu cada passo da ida do avião aos EUA em seu canal no YouTube. A decisão também ocorreu num momento em que já há questionamentos nas Forças Armadas acerca da presença do general da ativa Eduardo Pazuello à frente do Ministério da Saúde. Em dezembro, o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, afirmou que não deveria haver militares na política. O exercício militar em si é de enorme valor operacional para a FAB, e faz parte de uma aproximação entre Brasil e Estados Unidos iniciada em 2017, no governo de Michel Temer (MDB). A presença brasileira estava programada desde o ano passado. Diversas coisas saíram desse movimento, como a polêmica presença de oficiais brasileiros no Comando Sul dos EUA.”

O Culminating é, como o nome diz, um dos pontos culminantes da associação. O exercício de ataque aerotransportado começou em janeiro, com a presença de 203 homens da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército. Eles estão treinando com alguns dos melhores especialistas na área do mundo. O KC-390 se integrou ao grupo agora para seu primeiro exercício militar conjunto no exterior, não só com a Força Aérea americana, mas também com canadenses e italianos. O ponto alto será um treinamento em que o KC-390 voará com 9 gigantes Boeing C-17 Globemaster e 6 C-130J, a versão mais moderna do Hércules. Numa noite, o grupo terá de lançar 4.000 paraquedistas em pontos do “território inimigo” simulado em Louisiana. Do ponto de vista de emprego, será um marco para o avião, que entrou em operação pouco antes da pandemia e, nas palavras de um brigadeiro, não parou de cruzar os céus nem um minuto. Até aqui, ao menos. Isso não significa uso exclusivo. O KC-390 seguiu com sua campanha de testes de certificação final, lançando seus primeiros paraquedistas após ser incorporado à FAB em 9 de dezembro passado. Mas isso em território brasileiro. A Embraer começou a desenvolver o cargueiro multimissão a pedido da FAB em 2008, com investimento de R$ 5 bilhões retornáveis em forma de royalties de exportação ao longo dos anos. O Brasil encomendou 28 unidades por R$ 7,2 bilhões, em 2009. Dois outros países já fizeram pedidos, ambos da Otan (aliança militar ocidental): Portugal (5) e Hungria (2). Se a visita aos EUA visa capacitar os operadores e testar o avião em simulações de combate real, há um componente comercial: ele poderá chamar a atenção dos americanos, donos do maior mercado aeronáutico militar do mundo e que têm no horizonte a substituição de seus Hércules. No mercado internacional, o avião é vendido como C-390, e a versão KC indica que ele tem capacidade de reabastecimento aéreo (C é o código militar para transporte e K, de avião-tanque).”

E hoje as Forças Armadas montaram um hospital de campanha em Manaus, hoje!

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3. Famiglia e a milícia

Que as sirentes toquem o mais alto possível:

“O novo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Luciano Mattos, não garantiu manter o questionamento feito por seu antecessor no cargo, Eduardo Gussem, sobre o foro especial concedido ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).”

Flavinho Desmaio chorou de emoção depois dessa.

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O MP-RJ tem recurso no STF contra a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que concedeu foro a Flávio. O debate sobre o foro especial de Flávio é tema chave para a sobrevivência das investigações feitas contra o filho do presidente Jair Bolsonaro. O fato de as provas do caso terem sido colhidas com autorização de juiz de primeira instância pode levar à anulação das evidências, tema em debate no STJ (Superior Tribunal de Justiça) em recurso da defesa do senador. “Sobre as teses jurídicas, me reservo a me manifestar processualmente. Preciso me inteirar melhor”, disse Mattos.”

Até aí ok, mas dado que ele “diminui resistência” ao seu nome na família Bolsonaro eu estou com os dois pés atrás.

Flávio foi denunciado pelo MP-RJ no ano passado sob acusação de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa. Segundo os investigadores, o senador liderava uma quadrilha para recolher salários de ex-funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa para benefício pessoal. Desde fevereiro de 2019, quando Flávio deixou de ser deputado estadual para assumir o cargo no Senado, a investigação é conduzida por promotores de primeira instância. As quebras de sigilo bancário e fiscal, bem como buscas e apreensões, foram autorizadas pelo juiz Flávio Itabaiana. A 3ª Câmara Criminal decidiu, porém, que o senador tinha direito a manter o foro especial de deputado estadual, cargo ocupado na época dos supostos crimes.”

Lembrando que Serra, o senador, responde por crimes quando era deputado.

A decisão do colegiado, contudo, manteve a validade das provas, ponto alvo de recurso da defesa do senador ao STJ. O gabinete de Gussem fez uma reclamação ao STF, apontado que a decisão do TJ-RJ contrariava determinações anteriores do Supremo. Contudo, a tese nunca foi unânime dentro da própria instituição: a procurada natural do MP-RJ na 3ª Câmara defendeu a tese de que Flávio tinha direito ao foro na segunda instância. O debate do foro dentro do MP-RJ também provocou uma crise institucional. O órgão perdeu o prazo para recorrer da decisão do TJ-RJ, algo inusual, e agora depende da reclamação, via extraordinária de reversão da decisão que a PGR (Procuradoria-Geral da República) já disse ser contrária. Reservadamente, uma ala do Supremo demonstra simpatia à tese que pode beneficiar Flávio e lembra que o tribunal até já tomou decisão parecida com o pedido do parlamentar. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes. Mattos também não deixou claro se manterá os integrantes dos grupos especializados que atuam nas investigações sobre o gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes. “Não tenho definição sobre isso. Todos os grupos serão avaliados nessa formatação que a gente pretende fazer. Vamos fazer uma qualificação”, disse ele. O procurador-geral prometeu atuar com rigor na fiscalização de autoridades públicas e no combate à corrupção. Mas afirmou que está aberto ao diálogo. “Iremos dialogar. Não criminalizaremos a política. Temos que qualificar a política”, disse ele. Em seu discurso de posse, também defendeu a combinação de combatividade com moderação e diálogo. “A combatividade é uma característica indissociável do Ministério Público. Negá-la, é negar a nossa essência. Ser combativo, no entanto, não é o mesmo que ser irracional, refratário à realidade, perseguidor de indivíduos ou ideologias”, disse..” [Folha]

E o Brasil é delicioso:

“A posse de Mattos foi acompanhada por uma série de autoridade afetadas por investigações do órgão: o presidente da Assembleia, André Ceciliano (PT), o prefeito Eduardo Paes (DEM), e o governador interino Cláudio Castro (PSC).”

E olha o naipe do governo verde-oliva, os milicos tão interferindo em porto para delírio da milícia e dos contrabandistas:

“Responsável pelo significativo aumento de apreensões numa área de forte atuação de milícias, José Alex Nóbrega de Oliveira pediu demissão do cargo de delegado da alfândega do porto de Itaguaí (RJ). Em meados de 2019, no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, a Receita Federal foi pressionada a substituir Oliveira. A tentativa de interferência política partiu do Palácio do Planalto e gerou uma crise na época. O então número 2 da Receita, o ex-subsecretário-geral João Paulo Ramos Fachada, foi demitido por rejeitar as trocas na unidade do Rio de Janeiro e passar a imagem de que Bolsonaro tinha controle do órgão. Mesmo após a notoriedade do caso, Oliveira continuou sofrendo pressões no cargo, ameaças e chegou a ser escoltado. Até que, no ano passado, ele perdeu poderes sobre a fiscalização no porto. Em outubro e novembro, portarias da Receita tiraram parte de suas tarefas. Algumas atribuições, como decidir quais importações serão inspecionadas fisicamente, passaram a ser compartilhadas com a alfândega do porto de Vitória. Além disso, a equipe do fisco em Itaguaí ficou mais enxuta nos três anos em que Oliveira esteve à frente da delegacia do porto. O número de auditores fiscais, por exemplo, recuou um terço —de 21 para 14 entre o início de 2018 (quando ele assumiu a função) e hoje. Oliveira, então, pediu demissão —um ano antes do período previsto para o cargo. Oficialmente, a explicação para o pedido é breve: por motivos de saúde.” [Folha]

Aham…

“Com o quadro de funcionários reduzido, a alfândega de Itaguaí passou a avaliar que perdeu o controle da importação e exportação de mercadorias pelo porto. De 2015 para 2018 (primeiro ano da gestão de Oliveira), as apreensões no local subiram 6.712%, saltando de R$ 7,1 milhões para R$ 483,7 milhões. O porto era usado, por exemplo, como portal de entrada de produtos piratas e TV Box (aplicativos de reprodução ilegal de sinais de TV fechada e de filme) —mercados em que milícias costumam operar. Itaguaí está entre os dez portos com maior movimento de cargas no país. Como é impossível abrir todos os contêineres, os fiscais da aduana cumprem um protocolo: é o chamado gerenciamento de risco. Esse processo divide as mercadorias entre os canais verde (risco baixo), amarelo (conferência documental) e vermelho (conferência documental e física, inclusive com a abertura do contêiner). O gerenciamento de risco em Itaguaí passou a ser feito também em Vitória, após uma portaria da Receita publicada no ano passado. Oliveira pediu demissão ainda em 2020 e esperou a conclusão do processo seletivo interno da Receita para seu substituto. A saída dele foi publicada no Diário Oficial da União há cerca de dez dias. O porto na região metropolitana do Rio de Janeiro está na rota de navios da China e despertou interesse de contrabandistas. A Justiça Federal do Rio investiga um esquema de corrupção que envolveu auditores da Receita Federal. Numa tentativa de interferência na Receita, o governo Bolsonaro pediu a troca de Oliveira, em 2019, por um apadrinhado político. O indicado seria o auditor fiscal Gilson Rodrigues de Souza, que tem mais de 35 anos de experiência de fiscalização em Manaus, mas sem atuação na área de alfândega. Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre a articulação do presidente, em 2019, para fazer substituições em cargos no Rio de Janeiro.”

E Bolsonaro já disse por aí que “O Rio é meu estado” ao defender mexidas na PF:

“O presidente Jair Bolsonaro respondeu que “o Rio é meu estado”, ao ser questionado nesta terça-feira sobre o motivo de ter pedido ao ex-ministro Sergio Moro para trocar o superintendente da PF no estado. Ele citou, na sequência, a menção feita ao seu nome na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco. Bolsonaro foi citado pelo porteiro do condomínio onde mora como tendo sido o responsável por autorizar a entrada de um dos suspeitos no dia do assassinato. A gravação do sistema do condomínio, porém, mostra que quem autorizou a entrada foi outro suspeito do crime. Bolsonaro estava em Brasília e registrou presença no plenário da Câmara neste dia. – O Rio é o meu estado, o Rio é o meu estado. Vamos lá. O caso do porteiro. Eu fui acusado de tentar matar a Marielle, quer algo mais grave? Quem quer que seja, o presidente da República ser acusado de assassinato? A Polícia Federal tem que investigar, por que não investigou com profundidade? – disse o presidente.” [O Globo]

Mas voltemos à primeira matéria do tópico:

“No primeiro ano de governo, Bolsonaro também pressionava por trocas na Polícia Federal. Ao comentar o assunto, ele chegou a dizer que foi eleito justamente para tomar decisões e que não será um “banana”. “Houve uma explosão junto à mídia no Brasil, uma explosão. Está interferindo? Ora, eu fui [eleito] presidente para interferir mesmo, se é isso que eles querem. Se é para ser um banana ou um poste dentro da Presidência, tô fora”, afirmou em agosto de 2019. Sob pressão, Oliveira expôs a colegas, na época, o embate por posições estratégicas na região metropolitana do Rio de Janeiro e que já apresentou histórico de corrupção. Por meio de mensagens, disse que existiam “forças externas que não coadunam com os objetivos de fiscalização da RFB [Receita Federal do Brasil], pautados pelo interesse público e defesa dos interesses nacionais.” Ele havia sido informado pelo ex-superintendente da Receita no Rio de Janeiro, Mario Dehon, que havia uma indicação política para assumir a alfândega do porto. Dehon não aceitou e também teve o cargo ameaçado. ​Em reação à tentativa de interferência no órgão, auditores da Receita ameaçaram uma rebelião e uma demissão em massa dos postos de chefia. O governo exonerou Fachada, então o número 2 do fisco. Depois, a crise se conteve com a desistência do Planalto em impor as trocas. De 2019 para cá, Dehon acabou voltando a assumir a superintendência em Minas Gerais. A mudança foi pedida por ele mesmo. No lugar, assumiu Flávio José Passos Coelho, em janeiro do ano passado. Com o pedido de demissão de Oliveira, o auditor Élcio Ferretto da Silva, que atuava como inspetor-chefe da Receita em Quaraí (RS), município com menos de 25 mil habitantes na fronteira com o Uruguai, assumiu. A Receita Federal nega que as trocas nos cargos de Dehon e de Oliveira tenham sido motivadas por questões políticas. Porém, a insatisfação com as mudanças no porto de Itaguaí e a pressão sobre o cargo levaram à saída antecipada de Oliveira, que agora não deve mais assumir posto de chefia ou mesmo em alfândega.”

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E olha a última do mais senil e diminuto dos generais:

“Servidores sindicalizados da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) tiveram seus nomes expostos por uma falha no site do Sindsep-DF (Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal). A falha permitiu que alguns arquivos, que deveriam exigir senha para acesso, ficassem disponíveis publicamente. Um deles era uma lista com mais de 12.000 nomes de servidores de mais de 100 órgãos federais filiados ao sindicato.” [Poder360]

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“No documento, organizado por ordem ordem alfabética dos órgãos, estão em 1º lugar os nomes de 198 funcionários da Abin, cujo trabalho, em muitos casos, depende do sigilo. A direção executiva da Asbin (Associação de Servidores da Abin) confirmou que há servidores ativos e aposentados do órgão na lista. Os nomes dos servidores da Abin são sigilosos e protegidos pela Lei 9.883/99. Quando alguém é aprovado em um concurso da agência, por exemplo, o Diário Oficial da União publica seu número de matrícula, em vez do nome. A mesma coisa vale para nomeações e alterações de cargos dentro do órgão. O Poder360 optou por não divulgar o material, que foi enviado para a Abin na 6ª feira (8.jan.2021). Até as 21h de 12.jan.2021, era possível acessar o documento. Depois, o link não redirecionou mais para o arquivo, caindo direto no site do Sindsep-DF, com a mensagem de que a página não podia ser encontrada.”

E adivinhe:

“A Abin foi procurada, mas afirmou que não se manifestaria sobre o caso.”

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4. BB

Eu tõ pra colocar há uns dias por aqui a guerra entre Bolsonaro e o presidente do BB mas tá foda, então vai só essa matéria mesmo com o resultado, até aqui, da contenda:

“Após apelos da equipe econômica, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sinalizou a aliados que aceita manter André Brandão na presidência do Banco do Brasil, mesmo após ter se irritado com o plano de enxugamento anunciado pela instituição. O ministro Paulo Guedes (Economia) e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, atuam desde quarta-feira (13) para convencer Bolsonaro a não demitir o executivo. Segundo auxiliares, a pressão tem surtido resultado, mas interlocutores no Palácio do Planalto querem que o banco adie ao menos parte do plano de reestruturação.” [Folha]

Guedes e suas vitórias de Pirro.

“No Planalto, aliados afirmam que havia uma forte determinação de Bolsonaro pela demissão, pois o presidente está preocupado com as repercussões negativas sobre o desemprego. Membros do governo dizem que houve mal-estar com a divulgação de um programa de corte de funcionários em um momento em que o país ainda tem dúvidas sobre o desempenho da economia em 2021. Nas negociações pela manutenção de Brandão, interlocutores de Bolsonaro têm cobrado de Guedes que ao menos parte do plano seja postergado para depois das eleições para o comando da Câmara e do Senado (em fevereiro). O objetivo também é atender à insatisfação de parlamentares e prefeitos preocupados com o fechamento das agências em cidades do interior do país. Sob condição de anonimato, um deputado da base governista relatou à Folha ter recebido reclamações de prefeitos contra o encerramento de atividades de agências do BB em suas cidades. Esse tipo de queixa, relata, foi determinante para que o Planalto considerasse o anúncio do plano um erro.”

Qualquer coisa que ameace a populartidade do capitão é um erro.

“A equipe econômica também vem sendo alvo de cobranças do tipo. A ala política do governo, bem como aliados no Congresso, temem que o plano de enxugamento seja usado como argumento nas eleições para o comando do Legislativo. Até o momento, não há mudança oficial no plano apresentado pelo BB. O site interno do programa de demissão de funcionários continua disponível nos sistemas do banco. O plano é defendido fora do Planalto sob o argumento que se trata de um ato voluntário, para quem quiser sair. Além disso, são oferecidos benefícios ao funcionário —como uma verba rescisória e as multas trabalhistas. A maioria dos empregados que podem aderir já são aposentáveis e, portanto, contam com os recursos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e recursos da Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB). O funcionário tem acesso a todo o regulamento do programa para decidir sobre sua eventual adesão, bem como a um simulador sobre quanto receberia no processo. É comentado fora do Planalto que uma reação mais extrema ao plano apresentado pelo BB, defendido como um ato para se modernizar a empresa e enfrentar a concorrência, poderia gerar acusação de abuso de poder de controle. O banco é controlado pela União, mas 49,6% das ações estão na mão de investidores minoritários. Nesta quinta-feira (14), o BB afirmou em comunicado que “não recebeu no âmbito de seus órgãos de governança nenhuma comunicação formal por parte do acionista controlador sobre qualquer decisão a respeito” da eventual saída de Brandão.”

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5. Covid-17 pelo mundo

O Lacalle Pou bugou:

“De exemplo na região durante o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o Uruguai vive agora situação alarmante: aumento exponencial dos casos, transmissão comunitária do vírus, recorde de mais de mil contágios num dia e nenhum acordo concretizado para compra de vacinas. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de positividade aumentou de 9,49% para 13,66% —a mais alta desde o início da crise. Enquanto isso, o presidente Luis Lacalle Pou passa os fins de semana no balneário de elite de La Paloma, onde tem casa e tem sido visto com frequência nas últimas semanas praticando surfe. “Houve uma mudança muito grande entre os primeiros seis meses da pandemia e os dias de hoje. Tanto em termos de comportamento do vírus como das medidas sanitárias adotadas pelo governo”, diz à Folha o sociólogo Eduardo Botinelli, diretor do instituto de pesquisas Factum. Segundo ele, a estratégia inicial de localizar o vírus e isolar os infectados e seus contatos funcionou bem porque a maioria dos casos era importado do Brasil ou da Argentina. Além disso, era inverno, e parecia mais fácil para a população cumprir as orientações de isolamento sugeridas pelo governo. O presidente se envolveu pessoalmente na comunicação das medidas de precaução e ia à televisão para fazer pronunciamentos frequentes. Hoje, a situação é diferente. A transmissão do vírus já passou a ser comunitária —ou seja, ele circula pelo país sem que seja possível identificar a origem dos casos. Isso faz com que a implementação das “bolhas sanitárias”, como se conhece a estratégia de isolar contagiados e seus contatos, já não seja tão eficiente. “Além disso, chegou o verão, e há uma sensação dos uruguaios de que a pandemia está vencida. Em Montevidéu, onde está a maioria dos casos, as pessoas passaram a sair mais, ir a bares e restaurantes, já que a quarentena nunca foi obrigatória”, aponta Botinelli. Os profissionais de saúde se preocupam agora com a volta das pessoas que vivem na capital e foram passar férias no litoral, onde estiveram em aglomerações nas praias, bares e festas. Lacalle Pou também deixou de aparecer com frequência e de comunicar sobre a seriedade da pandemia. Para Botinelli, ele foi pego de surpresa, também confiante de que o vírus tinha sido vencido no país. O governo havia iniciado uma conversa com a Covax, consórcio da Organização Mundial de Saúde que acompanha estudos de potenciais vacinas, e o Ministério da Saúde chegou a anunciar que a vacinação começaria em abril. Quando vizinhos como Chile e Argentina começaram a aplicar as vacinas, no entanto, o governo uruguaio recebeu muitas críticas. “Houve pressão por parte da oposição e da sociedade. Agora o governo está apressando acordos com outros laboratórios, mas a verdade é que, por enquanto, não temos nada”, diz Bottinelli.

Enquanto o presidente aproveitava a praia no domingo, o país bateu o recorde de casos de infecção: foram 1.212 registros em 24 horas. “Estamos em negociações e avaliando as melhores vacinas que estão disponíveis. Nos próximos dias faremos anúncios muito importantes sobre isso”, disse ele já de volta ao gabinete na segunda-feira. Afirmou ainda que o Uruguai terá um plano de vacinação “ambicioso”, que pretende imunizar 600 mil pessoas por mês —a população do país é de 3,4 milhões. O aumento dos casos vinha sendo notado desde setembro, embora não nessa escala. Por conta disso, o Uruguai decidiu não abrir suas fronteiras para a temporada de verão, o que significa um duro golpe à economia, uma vez que os balneários atraem muitos visitantes da Argentina e do Brasil e o turismo responde por 3% do PIB. Em dezembro, o governo decidiu fechar as fronteiras do país inclusive para uruguaios que não tinham comprado uma passagem de volta. A medida valeria até 10 de janeiro, mas foi estendida até o fim do mês. O sistema de transporte em barcos que conectava Montevidéu e Buenos Aires, que vinha funcionando durante a pandemia, ainda que apenas para quem tinha dupla residência, foi suspenso. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, o país tem até agora 28.475 contagiados e acumula 275 mortes. A maioria dos casos se concentra em Montevidéu, mas, nas últimas semanas, houve aumento de contágios em Maldonado (onde fica Punta Del Este) e Rocha, que tem várias praias da moda. Apesar de não haver estrangeiros, a movimentação interna por conta das férias de verão e das festas de fim de ano colaborou para o aumento de casos nessas regiões turísticas. O secretário de Saúde de Maldonado, Leonardo Cipriani, pediu na segunda-feira (11) a quem estiver na praia com algum sintoma de coronavírus que não retorne a Montevidéu. O governo estuda pagar pela estadia dessas pessoas para que cumpram o isolamento no lugar em que estiverem. “Essa medida tem como foco principalmente os jovens, que estiveram em festas ou outro tipo de aglomeração. Queremos que eles entendam que, ao voltar para a cidade, podem contagiar seus pais, seus avós”, afirmou Cipriani. A preocupação é ainda mais compreensível quando se leva em conta que, no Uruguai, a população com mais de 65 anos é de 14% (segundo o censo mais recente) e há 500 pessoas com mais de 100 anos. Apesar de não ter recebido turistas do exterior, as praias uruguaias estiveram lotadas, e houve filas nas estradas. Os governos municipais colocaram placas pedindo que as pessoas ficassem em grupos pequenos. Há policiais vigiando o uso de máscara por parte dos vendedores nas praias. Nos restaurantes, toma-se a temperatura e, em alguns casos, pede-se o nome e o contato das pessoas. Para infectologistas, as estratégias usadas até aqui já não bastam, e é preciso introduzir novas medidas. “Uma vez que superamos esses recordes e estamos com transmissão comunitária, a estratégia de rastrear e isolar, apenas, não é eficiente para deter o vírus”, diz Marcelo Fiori, da Universidade da República. O mesmo afirma Blauco Rodríguez, do Colégio Médico do Uruguai. “Neste ritmo, nosso sistema de saúde caminha para a saturação, algo precisa ser feito. Não temos UTIs para uma contaminação em maior escala.” Para Lacalle Pou, porém, tomar medidas mais drásticas, como uma quarentena obrigatória ou um lockdown, seria uma decisão difícil. Ele afirmou, desde o início da pandemia, que por suas convicções ideológicas liberais, não tomaria essas decisões e optaria por recomendar aos cidadãos que tivessem cautela e ficassem em casa. “Vai ser um dilema ideológico para ele, se chegarmos ao ponto de precisar de uma medida de restrição dos uruguaios, ele entrará em contradição com seu discurso”, afirma Bottinelli.” [Folha]

E depois de oiro meses morreu alguém de Coid lá na China. E ei acredito? Não nego nem confirmo.

“A China anunciou nesta quinta-feira (noite de quarta, 13, no Brasil) a primeira morte por Covid-19 em oito meses, enquanto o país tenta frear novos surtos com ‘lockdowns’. Enquanto isso, o país asiático recebe especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para estudar a origem da pandemia. A Comissão Nacional da Saúde não deu detalhes sobre o falecimento desta nova vítima do coronavírus, exceto que ocorreu na província de Hebei, onde o governo confinou várias cidades. A última morte por coronavírus na China foi registrada em maio de 2020. De acordo com o balanço oficial, 4.635 pessoas morreram no país de Covid-19, vírus que já causou quase 2 milhões de mortes no mundo.” [G1]

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>>>> Depois do Mourão debochar do Macron (em francês!) foi a vez do presidente… “Pelo amor de Deus, seu Macron, “não compre soja do Brasil porque assim você não desmata a Amazônia, compre soja da França”. A França produz de soja 20% do que a cidade de Sorriso produz aqui em Mato Grosso. Fica falando besteira aí, ô, seu Macron, não conhece nem o seu país. Fica dando pitaco aqui no Brasil. Essa é a politicalha deles. Vá procurar um palmo de mata ciliar na França. Vá procurar uma floresta… Quanto de floresta tem a França? Porque eles falam tanto em reflorestamento, em dar dinheiro pra nós. Não tem que dar dinheiro pra nós, não, nós vamos dar mudas de árvores para você replantar, reflorestar aí. Quer reflorestar seu país? Estamos à disposição para colaborar nesse sentido, nós temos muda para isso daí, pô. Agora fica o tempo todo mentindo pra nós, mentindo, pregando contra o Brasil. Lamentavelmente se faz o tempo todo campanha contra o Brasil.” [O Globo] Todas as críticas feitas ao Macron cabem para Bolsonaro.

>>>> Saudaes dos anos que não teremos Merkel… “A política alemã entra neste sábado (16) em um dos períodos de maiores disputas e incertezas das últimas duas décadas. Numa votação online durante o final de semana, 1.001 delegados vão escolher o novo chefe do principal partido da Alemanha, a CDU (União Democrática Cristã), da atual chanceler, Angela Merkel. Mais que uma disputa interna, a decisão afeta os rumos do partido e da própria política da Alemanha. Após 16 anos no poder, Merkel já anunciou que não concorrerá a um novo mandato, o que deixa aberta a batalha por sua sucessão nas eleições parlamentares de setembro. Na disputa deste sábado estão três candidatos com visões políticas distintas: o centrista Armin Laschet, primeiro-ministro da Renânia do Norte-Vestfália, o relativamente progressista Norbert Röttgen, ex-ministro do Meio Ambiente, e o mais direitista Friedrich Merz, advogado corporativo. Mas nenhum deles chega nem perto da popularidade de Merkel, o que coloca mais uma dose de indefinição sobre a sucessão da premiê: a chance crescente de que outros dois políticos concorram a chanceler. Nessa raia paralela estão o atual ministro da Saúde, Jens Spahn, e o premiê da Baviera, Markus Söder. Spahn nega que pretenda concorrer e, na eleição de sábado, apoia Laschet, que pode se tornar o azarão da disputa. Em último lugar nas pesquisas, o jornalista é o mais próximo de Merkel e se apresenta como a garantia de continuidade do centrismo promovido por ela. Em debates, ele tem defendido que as pessoas não querem uma ruptura com a era de estabilidade conquistada pela chanceler. Nesta semana, recebeu o endosso de cinco líderes partidários do leste e oeste do país. Já Söder, atual líder da CSU (irmã menor da CDU na Baviera), observa de fora a disputa, torcendo por uma vitória de Röttgen —o que, segundo analistas, poderia lhe dar mais chances na indicação a candidato a chanceler, que acontecerá provavelmente em março. A seleção do candidato a chanceler é tomada em conjunto entre a CDU e a CSU, mas o partido de Merkel, muito maior que a CSU, costuma ter preferência. A irmã menor da Bavária perdeu a escolha nas duas vezes em que apontou um candidato. Söder, porém, pode mudar essa história. O político bávaro não confirmou seu interesse na vaga, mas é de longe o favorito dos alemães para esse posto, tanto entre os que declaram voto na CDU-CSU quanto entre os eleitores em geral. São 54% e 38%, respectivamente, os que dizem que, com ele para premiê, o partido de Merkel obteria mais facilmente a vitória nas eleições parlamentares. Na votação deste sábado, porém, é Merz quem lidera a preferência dos delegados da CDU, ao menos nas pesquisas. Sua eleição representaria uma guinada à direita e um primeiro passo para recuperar eleitores que deram fôlego à ultradireitista AfD nos últimos anos, descontentes com a política de imigração de Merkel.” [Folha]

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