Dia 912 | Mais que uma quadrilha, uma tropa | 01/07/21

Podcast de hoje saiu mais cedo:

Os episódios você ouve lá na Central3.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. Que dia!

Bolsonaro faz de tudo para seguir os passos do Collor. De Mussolini também, mas fiquemos na política brasileira. Passeios de Jet Ski, passeio de moto, convocação para as pessoas vestirem verde e amarelo, discursos irados com o olhar injetado de ódio. Os anti-Lula separados por quase 3 décadas, os mais imporváveis moralizadores da política brasileira..

O dia de ontem pela banda de cá versou sobre o desespero presidencial, e o que o governo fez na CPI é governo Collor na veia. Para ser mais preciso, a implosão do governo Collor. Voltemos a 1992, Operação Uruguai.

“Em julho de 1992, o motorista do então presidente, Eriberto França, deu uma entrevista à revista “Isto É” confirmando que o ex-tesoureiro do partido de Collor, o falecido Paulo César Farias (PC), pagava despesas pessoais do presidente com recursos de campanha. Pressionado, Collor foi à TV e afirmou que usava dinheiro da sobra de campanha administrado pelo secretário particular Cláudio Vieira.”  [Senado]

O Queiroz da época. O secretário da famiglia, até dinheiro pra primeira-dama teve.

Convocado por uma CPI do Congresso, Vieira contou que converteu as sobras de campanha (cerca de US$ 3,5 milhões) em barras de ouro, por meio do doleiro Najun Turner. Com o ouro, tomou um empréstimo no mesmo valor junto à agência de factoring Alfa Trading, de Montevidéu. Os fiadores da operação haviam sido o empresário da construção civil Paulo Octavio e o ex-senador Luiz Estevão, ambos de Brasília. Era tudo uma farsa. Na verdade a Operação Uruguai havia sido bolada nos escritórios do também falecido Alcides dos Santos Diniz, irmão do empresário acionista do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, para esconder o financiamento dos gastos presidenciais por empreiteiras.”

Eis a elite brasileira.

A verdade foi descoberta através de outro depoimento na CPI, o da secretária de Diniz, Sandra Fernandes de Oliveira, que declarou ter presenciado uma reunião nos escritórios do patrão, no bairro dos Jardins em São Paulo, onde tudo foi combinado. O depoimento da secretária, somado a perícia policial comprovando que o contrato apresentado por Vieira com a tal Alfa Trading tinha autenticações cartoriais falsificadas, desmoralizaram a história da Operação Uruguai.”

Corta pra 2021. Um policial militar de Minas, um POLICIAL DA ATIVA, deu uma entrevista por demais sincera pra Folha, caguetando um diretor do ministério da Saúde que teria oferecido propina a partir dum sobrepreço de 1 dólar por dose.. E assim como os imrãos Miranda a versão se manteve intacta, mas havia uma preocupação em isentar Élcio Franco

“Quando tivemos com o Élcio Franco, o que nos espantou [foi] uma proposta de 400 milhões de doses, e o coronel não ter conhecimento dessa proposta que tinha sido protocolada pelo Roberto Dias. Ele [Roberto] não tinha informado o ministério sobre a proposta. Ela foi normalmente validada, ele perguntou pessoalmente com quem eu havia deixado a proposta. Disse que o sr roberto dias, houve uma troca de olhares, ele baixou a cabeça, saiu, pediu para dois estagiários pegarem os nossos nomes. Ele recebeu e-mails pedindo essa proposta comercial para que houvesse avanço da aquisição das vacinas” [G1]

Élcio e o governo já sabiam muito bem o que Dias fazia no ministério, mas lá ele ficou até anteontem.

“Ao término da fala do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) inquiriu o policial acerca dos valores das transações.

— Se houvesse conseguido vender as 400 milhões de vacinas para o governo brasileiro, o senhor seria
remunerado como? — perguntou o senador.
— Um pró-labore da Davati — respondeu.
— Qual era?
— Por porcentagem.


A Davati paga para todos os envolvidos, o Cristiano e a parte técnica também, US$ 0,20 por dose. Então, eu acredito que receberia, em média, de US$ 0,03 a US$ 0,05 por dose. Isso é o que está no mercado — disse Dominguetti. No total, a transação poderia render de US$ 12 milhões a US$ 20 milhões a Dominghetti, segundo os valores apresentados à CPI. O policial também afirmou que não sabe por quanto a Davati, suposta intermediária da AstraZeneca, pagaria por dose ao laboratório.”  [O Globo]

Um policial militar da ATIVA que nem podia estar negociando vacina com o governo federal, dado que ele é policial militar da ATIVA!

E o mais espantoso de tudo é que sua revelação á Folha é uma confissão de prevaricação, e a Eliziane apontou bem demais, e o policial se saiu com essa:

“Analisar uma situação crítica de uma forma fria e simplesmente, dizer ‘por que não prendeu, por que não o fez’, é muito complicado para quem está passando por aquilo”, respondeu Dominguetti “Eu tinha um superior hierárquico, um coronel. Eu ia chamar o general para prendê-lo?

Malditos Milicos. E o que você acha que aconteceria se o polcial desse voz de prisão pra um coronel do exército, que trabalhava para um GENERAL DA ATIVA?!

E agora vem a parte boa, lá pelas tantas ele resolveu acusar o Luis Miranda:

“Eu tenho a informação de parlamentar tentou negociar a busca de vacina diretamente, eu tenho essa informação. A informação que eu sei é um, inclusive com áudio dele tentando negociar a vacina com o ministério… O que depôs aqui fazendo acusações contra o presidente da República. Procurou a Davatti, se não me engano [procurou] o Cristiano, inclusive tentando negociar a compra de vacina.”

Entendeu? O cara acusou o deputado e disse que “mermão” era uma referência ao irmão servidor do Saúde!

“Para comprovar a negociação, Dominghetti apresentou à CPI um áudio em que Miranda afirma ter um “potencial comprador e com potencial de pagamento instantâneo”. Em um dos trechos, na versão do policial, o deputado diz que as negociações anteriores frustradas haviam desgastado “seu irmão”, o que seria uma referência a Luis Ricardo Fernandes Miranda, chefe do setor de importação do Ministério da Saúde que denunciou suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin. No áudio, porém, a expressão “meu irmão” utilizada por Miranda soa como uma gíria que o deputado repete várias vezes ao longo da conversa. Na mensagem também não há menção a qual produto estava sendo negociado, nem para quem (ouça abaixo). “Eu não vou mais perder tempo com esse comprador, porque desgastou muito, meu irmão, nos últimos 60 dias. É muita conversa fiada no mercado e aí eu nem me sinto confortável”, diz o deputado na mensagem.” [Estadão]

E o áudio é de setembro de 2020″. O Luis Miranda foi até a CPI e disse que o áudio era de setembro de 2020, muito antes do episódio investigado pela CPI, e foi num cartório com seu telefone pra fazer uma ata notarial.

“Durante a confusão após a apresentação do áudio, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), reclamou: — Só para concluir, lá na nossa região, chapéu de otário é marreta e jabuti não sobe em árvore. O senhor está sob juramento. Está certo? Não venha achar que aqui todo mundo é otário. — Pateta — acrescentou Eliziane Gama (Cidadania-MA) — Nem pateta. Veja bem qual é o seu papel aqui. Veja qual é o seu papel aqui. Do nada, surge um áudio do deputado Luis Miranda, está certo? Chapéu. Do nada, surge um áudio do deputado Luis Miranda, tá certo? Chapéu de otário é marreta, irmão — continuou Omar.”

Obviamente o cara foi plantado lá.

“O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou a Dominguetti que ele estaria se prestando a um serviço de obstrução dos trabalhos da CPI, quer fosse involuntariamente ou, mesmo, de má-fé. Ao fim de suas perguntas, pediu ao vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que avaliasse a possibilidade de prender Dominguetti por falso testemunho.” [Poder360]

Mas no fim das contas não foi preso.

“O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirma que a base de apoio ao governo de Jair Bolsonaro plantou uma testemunha para desacreditar as informações que ele deu à CPI da Covid sobre irregularidades na compra de vacinas. Miranda levou a crise para dentro do Palácio do Planalto ao afirmar que avisou o presidente de irregularidades na compra da Covaxin. Com base nisso, senadores acusam Bolsonaro por prevaricação. O parlamentar se refere ao cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti, que apresentou um áudio à CPI da Covid nesta quinta (1) em que Miranda apareceria negociando vacinas. Ele diz que o áudio existe, mas que foi enviado a um empresário de Brasília em outubro de 2020, no meio de uma negociação que ele fazia para a compra de luvas cirúrgicas. “Nem existia vacina naquela época”, diz Miranda, que enviou um print da conversa que teve com um desses empresários, identificado em seu celular como “Rafael Alves Luvas”.” [Folha]

E a tentativa de armar pra cima do deputado foi clara, ams ele fazendo negócio com sua empresa americana é muito esquisito.

“Segundo o parlamentar, ele é sócio de uma empresa em Miami, a LX Holding, procurada por uma empresa para o fornecimento de luvas. Como não conseguiam encontrar o produto nos EUA, os sócios dele o acionaram para ver se Miranda encontrava algum fornecedor no Brasil. Ele então, segundo diz, começou a negociar com Dicesar Ribeiro Vianna Filho, da VBC Consultoria, e Cristiano Hossri Carvalho, da CHC Consultoria. Os dois prometeram vender a ele milhares de luvas e um contrato teria sido assinado em setembro do ano passado para concretizar o negócio. Os clientes da empresa de Miranda nos EUA, no entanto, exigiam “prova de vida”, que segundo ele seria uma filmagem do estoque de luvas para provar que eles realmente poderiam disponibilizar o produto. “E eles não mandavam a prova”, diz o parlamentar. Ele enviou à coluna, por WhatsApp, uma cópia do contrato que diz ter assinado [veja abaixo]. Miranda diz que ficou “louco” com o depoimento de Dominguetti e chegou a tentar invadir a CPI para provar que ele está mentindo.”

E o governo já pode pedir música no Fantástico:

“Na busca de blindar Jair Bolsonaro, o governo divulgou nesta terça-feira (29) uma terceira versão sobre providências supostamente adotadas depois de os irmãos Miranda terem afirmado que relataram ao presidente pressões para autorização de um pagamento antecipado — não previsto em contrato — pela compra da vacina Covaxin. A primeira reação do Palácio do Planalto foi tentar desqualificar as acusações do chefe de importação do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda. Apontou-se adulteração do documento que previa o pagamento antecipado de US$ 45 milhões para uma empresa sediada em Cingapura, um paraíso fiscal. Depois, ficou provado que o documento estava no sistema do Ministério da Saúde e que não havia sido fraudado. Diante dessa constatação, o governo divulgou uma segunda versão para o caso — a de que o presidente da República encaminhou as acusações para serem checadas pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Só que a versão, segundo senadores da CPI da Covid, era muito frágil. Afinal, o encontro entre Bolsonaro, o deputado Luís Cláudio Miranda e o irmão dele, o servidor Luís Ricardo Miranda, aconteceu no sábado, 20 de março. E, na terça-feira seguinte, 23 de março, Pazuello foi exonerado. Considerada essa versão, o ex-ministro teve somente a segunda-feira (22) para checar as informações. Agora, o governo divulga uma terceira versão. A de que Pazuello repassou as acusações para o secretário-executivo do ministério, Élcio Franco, apurar. Ele teria feito uma checagem “criteriosa” sem encontrar irregularidade. No caso de Élcio Franco, ele teve supostamente mais tempo que Pazuello para fazer a checagem (quatro dias) porque foi exonerado na sexta-feira, 26 de março. A nova versão foi apresentada nesta terça-feira (29) pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), durante sessão da CPI da Covid. Ele disse que depois do encontro com o deputado Luís Miranda, Bolsonaro entrou em contato com Pazuello em 22 de março, segunda-feira. Pazuello teria então acionado o secretário-executivo Élcio Franco. Segundo o líder do governo, Franco fez uma “checagem criteriosa” e não encontrou nenhuma irregularidade. Para o senador Humberto Costa (PT-PE), integrante da CPI, é mais provável que a nova versão seja “uma mentira” criada para “tentar justificar a omissão do presidente em não tomar a iniciativa de mandar investigar as acusações” O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), lembra ainda que o caminho legal para apurar as acusações dos irmãos Miranda não seria repassar as informações para o Ministério da Saúde, alvo da investigação, mas para a Polícia Federal. “Foi isso, inclusive, que o presidente prometeu aos irmãos Miranda, segundo o relato deles à comissão na sessão da última sexta-feira”, afirmou Randolfe Rodrigues, acrescentando que isso não foi feito.” [G1]

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2. Malditos

Da Malu Gaspar:

“Foi o general Augusto Heleno quem aplicou ao Centrão a trilha sonora celebrizada pelo Exporta Samba na convenção que escolheu Jair Bolsonaro candidato a presidente da República pelo PSL. “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”, cantou o general, todo animadinho, ao microfone. A plateia veio abaixo. Eu estava lá para fazer uma reportagem e vi, mas não seria preciso ter testemunhado para citar a cena de memória. Está no YouTube para quem quiser conferir.”

Como é burro o general heleno, ele realmente achou que governaria por bancadas temáticas, que os ouros governo fizeram coalisões pois sadomasoquistas!

É uma lembrança do tempo em que os bolsonaristas se sentiam no direito de gritar “eu vim de graça” num centro de convenções lotado, promovendo a arauto da verdade e da ética um grupo de militares que louvava a ditadura e hostilizava a imprensa, as minorias e os adversários. No meio do povo, muitos dos que entrevistei se diziam arrependidos de ter votado em Lula e Dilma, sentindo-se traídos pelos escândalos de corrupção dos governos petistas. Achavam, então, que votando em Bolsonaro acertariam a mão. Esses arrependidos estavam entre os que mais aplaudiam Heleno quando ele disse: “O Centrão é a materialização da impunidade. O primeiro ato do presidente que for eleito carimbado de Centrão vai ser uma anistia ampla, geral e irrestrita”. E eis que chegamos a 2021 no seguinte cenário: o maior líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), é presidente da Câmara dos Deputados com o apoio empenhado de Bolsonaro, que liberou bilhões em emendas parlamentares para elegê-lo. Há poucos dias, Lira comandou na Câmara a votação de mudanças que restringem o alcance da Lei de Improbidade Administrativa ao ponto de ela ter sido apelidada de “lei da impunidade”. Outro chefe desse conglomerado político-fisiológico, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) — que já apoiou Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff, foi ministro de Michel Temer e agora é líder de Jair Bolsonaro — está enredado até o último fio de cabelo nas denúncias de cobrança e oferta de propina nas negociações para compra de vacina pelo governo. Jair Bolsonaro foi avisado há três meses da pressão mais do que suspeita que os apadrinhados de Barros e os coronéis do Ministério da Saúde faziam sobre o servidor público Luis Ricardo Miranda. Quem estourou tudo não foi nenhum oposicionista, e sim o bolsonarista inveterado, irmão do servidor e também deputado Luis Miranda (DEM-DF). E o presidente que combateria a corrupção? Mandou apurar o caso? Chamou Ricardo Barros à fala? Demitiu seus apadrinhados? Nada disso. Mesmo deixando claro que sabia que aquilo tudo era “rolo” de seu líder na Câmara, Bolsonaro o presenteou com um mimo: a nomeação da mulher, Cida Borghetti, para um cargo no conselho de Itaipu. “Eu sei me defender”, diz Ricardo Barros Mas não acabou aí. Nesta semana, vieram à tona novas denúncias. Nelas, fica ainda mais claro que o grupo de Barros na Saúde não era composto apenas de seus apadrinhados, como o diretor de logística Roberto Dias, mas também de vários militares, fardados e ex-fardados, como Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro. Segundo um intermediário que ofereceu ao governo 400 milhões de doses de AstraZeneca contou à repórter Constança Rezende, da Folha de S.Paulo, no mesmo encontro em que Dias cobrou propina de US$ 1 por vacina estava um tenente-coronel chamado Marcelo Blanco, anotando números e fazendo contas. Os Mirandas já haviam comprometido em seus relatos outro tenente-coronel, Alex Lial Marinho, também nomeado por Pazuello para o ministério. Elcio Franco, ex-secretário executivo, se apressou a negar que houvesse qualquer irregularidade e a jogar a sujeira para debaixo do tapete. Quanto mais a CPI avança, mais fica claro que o Centrão formou um consórcio com os militares na Saúde, agindo como se não houvesse amanhã enquanto milhares de pessoas sucumbiam à Covid-19 em hospitais Brasil afora.” [O Globo]

Sim, mil vezes sim!

“O general Heleno é hoje ministro no Palácio do Planalto. O que será que pensa disso tudo? No fim de maio, ele desdisse na Câmara dos Deputados tudo o que falara lá atrás sobre o Centrão: “Naquela época era uma situação. A evolução de opinião faz parte da vida do ser humano. Isso aí faz parte do show, do show político”. No show político de Jair Bolsonaro, é normal aceitar cheque de acusado de rachadinha, acobertar ministro investigado por autorizar exportação de madeira ilegal, fechar os olhos para denúncias de corrupção em compra de vacinas, preocupar-se mais em perseguir quem aponta o malfeito do que quem o pratica. No show político do governo Bolsonaro, a morte de quase 520 mil brasileiros é mero efeito colateral. No show político de Jair Bolsonaro, nenhuma trilha sonora cai tão bem quanto a do general Heleno de 2018. Não fica um, meu irmão.”

Show político!

E isso aqui é MUITO esquisito!

“Entrará em vigor na próxima quinta-feira (1º) um decreto do governo sobre a participação dos militares em cargos civis, mesmo debaixo de muitas críticas. O decreto transforma em cargos de natureza militar postos que atualmente são ocupados por militares da ativa em órgãos como o Supremo Tribunal Federal e os tribunais superiores; ministérios da Defesa e de Minas e Energia; Advocacia Geral da União; e diversas empresas que prestam serviços para as três forças.” [G1]

Como é que vai ter cargo de natureza militar no STF, caralho?! Na AGU?!

“O presidente Jair Bolsonaro também modificou o estatuto dos militares, autorizando que integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não tenham que passar para a reserva após dois anos em cargos civis. Passa a ser permitido exercer a função por tempo indeterminado.

Caralho, é inacreditável!

O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann criticou o decreto, por facilitar que militares participem de cargos de natureza civil. “Esse decreto é um crime contra a profissionalização e a carreira de estado dos militares”, afirmou. “Militares têm carreira de Estado. Eles defendem a nação, governo e oposição. Jamais poderiam estar sendo confundidos com outras carreiras que são de dedicação a governos e não ao Estado”, acrescentou. Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que a presença de militares em cargos civis mais que dobrou no governo Bolsonaro. Em 2018, eram 2.765 militares em postos civis. No ano passado, esse número chegou a 6.157. Um aumento de 122%. O ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello é um deles. Ele deixou o Ministério da Saúde e hoje atua na Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O decreto entra em vigor ao mesmo tempo em que a Câmara dos Deputados começa a discutir uma proposta de emenda à Constituição que vai no sentido oposto. A PEC quer limitar o número de militares da ativa em cargos civis no governo. A proposta da deputada Perpétua Almeida (PCdoB) estabelece que militares com menos de dez anos de carreira têm que pedir afastamento para assumir cargos públicos. Quem tiver mais de dez anos, irá automaticamente para a reserva. “Quando a política, a politização, entra por uma porta dos quartéis, a disciplina e a hierarquia saem pelas outras. […] Eu não estou querendo impedir que os militares sejam aproveitados no Estado brasileiro. Pelo contrário, nós temos áreas que precisamos dos militares. Agora, nós não podemos é permitir o que está acontecendo. Os militares enchem o governo, falam em nome do governo e aí começa haver uma confusão entre onde termina o governo e começa uma força”, declarou a deputada. Para começar a ser discutida, a PEC precisa da assinatura de pelo menos 171 deputados, e 151 já assinaram. Para o cientista político Claudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a distinção entre cargos militares e civis é importante para a democracia. “Essas funções que eles desempenham no governo em áreas civis não têm a ver com o trabalho militar, que é um trabalho na área de defesa, um trabalho na área de proteção das nossas fronteiras”, afirmou. “Você elimina completamente a fronteira que há entre cargos de natureza civil e cargos de natureza militar, atividades de natureza civil e atividades de natureza militar, você militariza coisas que não têm a ver com isso”, completou.” 

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3. STF

O Brasil é por demais surreal:

“O ministro Marco Aurélio afirmou que o advogado-geral da União, André Mendonça, e o procurador-geral da República, Augusto Aras, são bons nomes para sucedê-lo no STF (Supremo Tribunal Federal).” [Folha]

A afirmação do magistrado foi dada nesta quinta-feira (1) na sessão realizada para homenageá-lo pelos 31 anos como ministro do Supremo. Marco Aurélio irá se aposentar compulsoriamente em 12 de julho, quando completará 75 anos. A sessão desta quinta, porém, foi a última do semestre e, na próxima semana, inicia o recesso do tribunal. Marco Aurélio, porém, deve seguir tomando decisões nas ações sob sua relatoria até o dia que deixará a corte. No discurso, inicialmente, o magistrado citou apenas o chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) e disse que torcia para que ele fosse o escolhido. “E a presença, hoje, com palavras muito amáveis, do doutor André Mendonça, que tem a minha torcida para substituir-me no Supremo”, disse. Depois de discursar, porém, ele pediu a palavra novamente e se desculpou por não ter mencionado o procurador-geral. “O que disse em relação ao doutor André, falo quanto ao doutor Augusto Aras. Seria uma honra para mim muito grande vê-lo ocupando a cadeira que deixo no Supremo”, afirmou.

Nem com uma arma na nuca uma declaração dessa faria sentido.

“O ministro classificou o presidente do Brasil na ditadura militar Ernesto Geisel como “exemplo de homem público” e lembrou que foi nomeado para o TST (Tribunal Superior do Trabalho) por João Figueiredo, outro presidente do regime militar.”

“Marco Aurélio aproveitou para agradecer aos colegas pela convivência. O agradecimento também foi direcionado a Gilmar Mendes, de quem se tornou inimigo ao longo dos anos e que já chegou, em 2019, a se declarar impedido de julgar recurso contra decisão do colega por ter com ele “relação de inimizade”. “O Supremo é a composição atual, e aí devo agradecer a convivência com vossa excelência, presidente, ministro Luiz Fux. Com a convivência judicante com o ministro Gilmar Mendes – e apenas judicante”, afirmou. Já Toffoli afirmou que o STF é a corte constitucional que mais julga processos no mundo e que Marco Aurélio foi o integrante do tribunal que tomou mais decisões na história. Assim, Toffoli o classificou como o juiz de corte constitucional que mais processos julgou na história de todo o mundo. “Ministro que mais julgou processos da história desta Corte, Marco Aurélio proferiu 268.077 decisões, sendo 93.755 monocráticas e 29.676 colegiadas, apenas em processos de sua relatoria”.”

E que novela essa indicação…

“A resistência no Senado ao advogado-geral da União, André Mendonça, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) já faz o presidente Jair Bolsonaro refazer os cálculos para sua indicação. Sem garantia de que Mendonça será aprovado pelos senadores, Bolsonaro avalia apresentar apenas em agosto o nome para substituir o decano Marco Aurélio de Mello, que se aposenta em 12 de julho, quando completa 75 anos. O adiamento permitira a Bolsonaro ganhar tempo até ter segurança de que seu escolhido, sejam que for, não correrá risco de rejeição no Senado — o que seria uma derrota de grande proporção ao governo. A dilação de prazo servirá para Mendonça seguir tentando quebrar barreiras no Congresso, mas, sobretudo, para que o presidente tente encontrar uma alternativa que seja “terrivelmente evangélica” e conte com a simpatia da classe política e a confiança do presidente.” [O Globo]

E olha que delícia:

“Diante da equação, integrantes do Planalto passaram a defender que Bolsonaro reconsidere a promessa de fazer um evangélico o próximo ministro da Corte. Essa possibilidade, porém, ameaça sua relação — e os votos – que tem com lideranças religiosas, uma de suas bases mais fieis.”

“O mapeamento de novos candidatos começou a ser feito após Bolsonaro fazer uma projeção de votos que Mendonça teria no Senado. Mesmo no cálculo mais otimista do governo, ainda ficaram faltando dois apoios dos 41 necessários para a aprovação do atual AGU. O fato de a votação ser secreta torna a possibilidade de rejeição ainda maior, pois impede o Palácio do Planalto de ter clareza sobre com quem poderá contar. Interlocutores do governo avaliam que Mendonça não conseguiu convencer senadores de que, uma vez empossado no STF, manteria pontes sólidas com a classe política, tampouco adotaria uma postura garantista (com tendência pró-réu), como sonham os parlamentares, vários deles alvo de processos em curso na Corte. Há reclamações também de que o advogado-geral da União é muito reservado e que tem pouco traquejo político. Observam ainda que o ministro nunca buscou uma aproximação com o Senado, até agora, quando passou a precisar de votos na Casa. O outro nome que competia com Mendonça era o do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins. A avaliação é que Martins seria facilmente aprovado na sabatina no Senado, mas seu nome foi praticamente descartado por conta do vínculo de amizade de mais de 40 anos com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que se tornou o inimigo público número um do governo por conta do trabalho à frente da relatoria da CPI da Covid no Senado.”

“Oficialmente, Bolsonaro não desistiu de Mendonça nem do “terrivelmente evangélico.” Interlocutores do presidente chegaram a brincar com o ministro do Superior Tribunal de Justiça Luis Felipe Salomão, que não é evangélico, perguntando se ele não tinha interesse em “dar um pulo no Rio Jordão para se batizar”.”

E os caras vão inventar JORGINHO de novo!

“Com a resistência ao AGU, o nome do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira voltou a ser defendido tanto no governo quanto no Senado.”

Próximo à família Bolsonaro, ele tem demonstrado habilidade entre políticos e membros do STF. Ele tem bom relacionamento com o ex-presidente do Senado Davi Acolumbre (DEM-AP), um dos mais resistentes à indicação de Mendonça. Ex-ministro da Secretária-geral da Presidência, Oliveira assumiu a vaga no TCU no final de 2020. A pessoas próximas, ele diz que não tem interesse na vaga e que apoia Mendonça.”

Jorginho conta com… Flavinho!

“Decisivo nas indicações do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro não tem trabalhado para aplacar as resistências a André Mendonça, principal cotado para ocupar a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Senadores próximos ao governo e interlocutores da família afirmam que Flávio não tem confiança em Mendonça e acredita que ele pode adotar uma linha mais dura contra a classe política ao vestir a toga. Eles chegaram a estar juntos recentemente, mas Flávio não se comprometeu a ajudar Mendonça. A opinião de Flávio é compartilhada por boa parte dos integrantes das Casa, o que explica a resistência que o hoje advogado-geral da União vem enfrentando.” O Globo]

E vai, Moraes!

“ O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o inquérito aberto para investigar atos antidemocráticos ocorridos no primeiro semestre do ano passado e decidiu abrir uma nova investigação, esta para verificar a existência de uma “organização criminosa” digital montada “com a nítida finalidade de atentar contra a democracia e o Estado de Direito”. A nova investigação foi determinada a partir das provas colhidas pela Polícia Federal no caso, que detectou articulações entre blogueiros bolsonaristas e parlamentares para ataques às instituições democráticas. O ministro determinou que o novo inquérito vai analisar “a presença de fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhante àqueles identificados no Inquérito 4.781”. Esse inquérito citado por Moraes é o das fake news, que apura ataques aos ministros da corte. Na sua decisão, Moraes cita informações obtidas pela PF sobre a existência de um grupo de divulgação de ideias antidemocráticas. Seria composto por “agentes políticos, servidores públicos e autodenominados comunicadores”. Dentre eles, estão na mira da nova investigação integrantes do chamado “gabinete do ódio”, assessores do Palácio do Planalto que administram páginas suspeitas de ataques à democracia. A decisão também cita assessores do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-DF), filhos do presidente, como responsáveis pela divulgação desses ataques. No mês passado, a Procuradoria-Geral da República havia solicitado o arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos contra políticos com foro privilegiado, apontando que a PF não obteve provas contra os parlamentares investigados. A PGR também havia solicitado que novos fatos encontrados na investigação fossem enviados para apuração na primeira instância. O ministro atendeu ao arquivamento, mas entendeu que foram encontrados elementos para abertura de nova linha de apuração dentro do próprio STF, porque houve a citação de parlamentares nas provas colhidas pela PF. Na sua decisão, Moraes aponta que essa possível organização criminosa “defende a necessidade de exclusão dos Poderes Legislativo e Judiciário na tríade do sistema de freios e contrapesos da Constituição Federal, ora atacando seus integrantes, especialmente, no caso do Congresso Nacional, dos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, ora pregando a própria desnecessidade de tais instituições estruturais da democracia brasileira”. O caso ficará com a delegada Denisse Dias Ribeiro, a mesma que era responsável pelos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos. O prazo inicial da investigação é de 90 dias, podendo ser prorrogada por mais tempo.” [O Globo]

O governo tenta tirar a delegada do caso e vai o Moraes e mantém a mulher lá…

“A nova investigação também vai apurar indícios de que o empresário Otávio Fakhoury fez pagamentos a gráficas destinadas à impressão de material de campanha de Jair Bolsonaro em 2018, sem declaração à Justiça Eleitoral. O caso, revelado pelo GLOBO, aponta suspeita de caixa dois na campanha. Em sua decisão, o ministro aponta que Fakhoury recebeu repasses da Petrobras e que é necessário apurar se há relação desses pagamentos com os gastos para a campanha de Bolsonaro. “Há necessidade de se apurar se o mecanismo foi utilizado, de alguma forma, como meio para o financiamento de campanha eleitoral ou mesmo da construção e manutenção de estrutura para a produção e divulgação de notícias falsas ou com a finalidade específica de atacar as instituições democráticas”, escreveu.”

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4. Impeachment

Do Thiago Amparo:

““A Pessoa do Imperador é inviolável, e sagrada: Ele não está sujeito à responsabilidade alguma”. Trata-se do artigo 99 da Constituição do Império do Brasil, de 1824. O que diferencia um presidente de um imperador é que aquele, diferente deste, é punível, seja por crime comum em função de seu cargo, seja por crime de responsabilidade. A Constituição de 1988 é clara ao mencionar os dois tipos de crimes. Impeachment, nos ensina Rafael Mafei em seu delicioso livro “Como Remover um Presidente”, “é um mecanismo essencialmente republicano”. Foi uma das grandes inovações institucionais que separou o regime político dos EUA da monarquia britânica; que separou uma nascente democracia (com escravos) do absolutismo. Pense historicamente: à época, ser removido por impeachment soava imensamente melhor do que ser decapitado, como fora o rei da Inglaterra Charles 1º em 1649. Ainda não houve impeachment por uma única razão: dismorfia institucional; nos olhamos no espelho e fingimos sermos uma democracia capaz de processar 516 mil mortes e seus responsáveis, mas não somos. Arthur Lira concentra poder ao ignorar 120 pedidos de impeachment, vejamos se será capaz de desprezar o último superpedido. Rodrigo Pacheco concentrava poder ao ignorar a CPI da Covid, que só existe porque o STF leu a Constituição. Augusto Aras concentra poder ao aplicar a Constituição do Império, e não a de 1988. O mesmo princípio que inventou o impeachment ilumina as atuais deformidades da nossa democracia: sobra concentração de poder, falta porosidade. Lembro aqui de Shakespeare em Rei Lear, convenientemente uma peça sobre um tirano enlouquecido: “Crês que o dever deve calar quando o poder se curva à adulação? Se um rei cai na loucura, é uma honra ser franco”. A franqueza, hoje, exige retirar o presidente, e investigar se vendeu 500 mil vidas por 5 reais cada uma. A diferença entre Lear e Bolsonaro é que um era insano; o outro sabe muito bem o que faz.” [Folha]

E tem quem diga que impeachment é traumático…

“Partidos políticos, parlamentares, movimentos sociais e entidades da sociedade civil protocolaram nesta quarta-feira (30) na Câmara o chamado “superpedido” de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O “superpedido” tem 46 signatários e consolida argumentos apresentados nos outros 123 pedidos de impeachment já apresentados à Câmara. Entre esses argumentos, está o mais recente — o que aponta prevaricação do presidente no caso da suspeita de corrupção no contrato de compra da vacina indiana Covaxin. O texto foi elaborado por um grupo de juristas e atribui a Bolsonaro 23 crimes de responsabilidade divididos em sete categorias:

  • crimes contra a existência da União;
  • crimes contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos poderes constitucionais dos estados;
  • crimes contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
  • crimes contra a segurança interna;
  • crimes contra a probidade na administração;
  • crimes contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos;
  • crimes contra o cumprimento de decisões judiciárias.

Entre os signatários do pedido estão ex-aliados do presidente, como os deputados Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joyce Hasselman (PSL-SP). Os partidos subscritores são todos do chamado campo da esquerda ou da centro-esquerda – PT, PCdoB, PSB, PDT, PSOL, Cidadania, Rede, PCO, UP, PSTU e PCB, estes quatro últimos sem representação no Congresso. “É muito importante que esses mais de 100 pedidos de impeachment sejam concentrados numa grande denúncia”, disse o líder da Minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB-RJ). “Não pode o Congresso ficar de mãos atadas para tantos crimes cometidos por um presidente. Não se trata de achar o governo bom, ruim, regular. Se trata de não permitir que um governo cometa crimes”, afirmou. Entre os signatários, também estão representantes da Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia (ABJD), da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e do 342 Artes.” [G1]

E Lira tá valorizando seu passe:

“O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), disse ao Blog que um processo de impeachment “exige materialidade”. Questionado pelo Blog sobre o chamado “superpedido” de impeachment do presidente Jair Bolsonaro protocolado nesta quarta-feira (30), Lira disse que é preciso aguardar os acontecimentos. “Até onde acompanhei na imprensa, o documento que foi protocolado hoje é uma reunião de outros pedidos de impeachment com o agregado dos depoimentos da CPI. Se esta é a novidade, o ideal é esperar o avanço da CPI que acontece na outra Casa para ver se há algo de verdade e contundente além dos depoimentos. Vamos aguardar os acontecimentos”, declarou. A abertura de um processo de impeachment depende do presidente da Câmara. Ele é que tem atribuição de admitir algum dos 124 pedidos apresentados à Câmara até esta quarta-feira. Segundo Arthur Lira, aliado do governo, um processo de impeachment exige “materialidade”. “Aqui seguimos a pauta do Brasil, das reformas e dos avanços. Respeito a manifestação democrática da minoria. Mas um processo de impedimento exige mais que palavras. Exige materialidade”, afirmou.” [G1]

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5. Está tudo normal

Mais uma ameaça:

“O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que o Brasil terá problemas no ano que vem se não houver “eleição limpa”. Bolsonaro conversou com apoiadores na manhã desta 5ª feira (1º.jul.2021) em frente ao Palácio da Alvorada. “Tem uma articulação de 3 ministros do Supremo para não ter o voto auditável”, disse ele. “Se não tiver, eles vão ter que apresentar uma maneira de termos uma eleição limpa, com a contagem pública de votos. Caso contrário, vamos ter problemas ano que vem no Brasil”, continuou. Como já mostrou o Poder360, o voto impresso acumula derrotas desde a primeira vez que foi sancionado, em 2002. Críticos afirmam que a medida colocaria em risco o sigilo do voto. No STF (Supremo Tribunal Federal), 10 dos 11 ministros da Corte já se manifestaram contra o voto impresso. Nas últimas semanas ao menos 2 ministros se posicionaram abertamente contra a impressão do comprovante de voto. O atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Roberto Barroso, e o futuro presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Bolsonaro voltou a afirmar que o sistema eleitoral é fraudulento. “A fraude está escancarada. E não vai ser só para presidente, vai ser para governador, para senador. Fraude”, disse. Mas, novamente, o presidente não apresentou nenhuma prova de irregularidades no sistema eleitoral brasileiro. O presidente também voltou a atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como em outras ocasiões nas últimas semanas, Bolsonaro afirmou que o petista saiu da prisão para se tornar presidente do Brasil. “Porque tiraram o Lula da cadeia, tornaram elegível, para ele ser presidente na fraude. Isso não vai acontecer”, disse ele. Bolsonaro também não explicou como seria a suposta fraude.” [Folha]

E ra Bolsoanro tudo se resume a comprar impressoras, é fascinante!

“”Dinheiro tem, já está arranjado dinheiro para as eleições, para comprar impressoras”” [Estadão]

Aham…

No último fim de semana, presidentes de 11 partidos se reuniram e fecharam posicionamento contra o voto impresso nas eleições de 2022. Os caciques das legendas, incluindo os da base do presidente Bolsonaro no Congresso, decidiram derrubar a proposta discutida na Câmara e patrocinada pelo chefe do Planalto. Conforme o Estadão/Broadcast Político apurou, os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atuaram para demover os partidos da ideia de aprovar o voto impresso. Moraes assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no período das eleições presidenciais e Barroso é o atual chefe da Corte eleitoral. A reviravolta ocorre no momento em que Bolsonaro é alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera pesquisas de intenção de voto para o próximo ano. O Estadão revelou no início do mês passado que a PEC tinha votos suficientes para avançar na comissão especial da Câmara. A articulação, porém, enfrentou resistência e agora os partidos prometem se movimentar pela rejeição da PEC com os deputados, ou até mesmo engavetá-la. Os 11 partidos que mobilizaram o encontro virtual representam 326 deputados entre os 513 integrantes da Câmara, número suficiente para derrubar a medida.

E Bolosnaro tá tão desesperado que foi a uma missa ao lado de parlamentares bolsonaristas, como a Carla Zambelli.

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Com respaldo de Bolsonaro, Tarcísio quer de Guedes mais R$ 2 bi para obras
“Com respaldo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) quer que o Ministério da Economia libere mais de R$ 2 bilhões em recursos ainda neste ano. Do total, pouco mais de R$ 1 bilhão precisaria chegar nos próximos dias com a justificativa de evitar a interrupção de obras em rodovias. O valor em negociação representa um impulso para o Ministério da Infraestrutura de mais de 30% nas despesas discricionárias (as não obrigatórias). A pasta tem uma verba prevista de R$ 6,4 bilhões em 2021. Guedes afirmou que vai arrumar os recursos solicitados, após ter sido cobrado por Bolsonaro na semana passada. O ministro, porém, disse que outros colegas de Esplanada vão reclamar, já que verão seus recursos diminuir. “O presidente outro dia nos chamou e falou assim, há dois ou três dias: ‘Olha, tira o dinheiro de onde for’. Aí, deu um número, e eu prefiro não dizer qual é agora, mas falou: ‘Olha, eu quero um tanto de dinheiro para o Tarcísio nos próximos três ou quatro dias, tem que ter esse dinheiro porque senão a degradação das estradas brasileiras…'”, relatou Guedes na sexta-feira (25) em comissão do Congresso. “Nós vamos arrumar o dinheiro, mas aí é aquele negócio: como nós estamos ainda debaixo do teto [de gastos], dois minutos depois um outro ministro vai dar um pulo num outro lugar e falar: ‘Tiraram meu dinheiro daqui’. Aí, tenho que dizer: ‘É a política, é a política'”, disse Guedes.”

Chefe da CIA realiza visita a Brasília e se reúne com governo Bolsonaro
“As agendas dos ministros Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) e Augusto Heleno (Segurança Institucional) informam que haverá um jantar com o diretor na noite desta quinta, em local não informado. O comboio com Burns e o embaixador americano no país, Todd Chapman, chegou ao Palácio do Planalto no meio da tarde. Não há na agenda de Bolsonaro informação sobre reunião com a autoridade americana.”

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