Dias 920 a 923 | Ninguém mente como o Exército brasileiro | 08 a 12/07/21

Podcast tá de volta amanhã. os episódios você ouve lá na Central3.

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1. Malditos Milicos

Começo com Ruy Castro:

“Os militares se julgam diferentes de nós, os paisanos. E são mesmo. A farda lhes dá imunidades e privilégios com que nem sonhamos. Eles têm, por exemplo, seus próprios e generosos planos de carreira, saúde e previdência e até a capacidade de se administrar leniente Justiça. Sua autossuficiência só não é total porque dependem de nós, os paisanos, para sustentá-los com nossos impostos.”

Dave Chappelle Reaction GIF

Por se verem tão acima de si mesmos, os militares não deveriam rebaixar-se a privar com determinados políticos, negociantes, contrabandistas, atravessadores, reverendos, cabos da polícia e outros espécimes típicos do governo Bolsonaro, muito menos em negócios envolvendo milhões de dólares e vidas. Se privam, deixam de ser diferentes e arriscam-se a serem tratados por nós com a mesma sem-cerimônia com que nos referimos aos nossos velhacos.” [Folha]

Passo ao Camilo Vannchi lembrando uma ironia maravilhosa: a primeira das 200 transgressões do código militar é “faltar à verdade.”

“Arrisco dizer que as Forças Armadas nunca tiveram tão atoladas em evidências de corrupção, descaso, incompetência e mentiras quanto agora, sob o atual governo. Mentira é afirmar, sob juramento, que um encontro agendado aconteceu por acaso. Mentira é agir deliberadamente contra a saúde pública, é usar a dor de meio milhão de famílias para faturar algum, é desviar dinheiro às custas de tantas mortes. Mentira é poupar o general Pazuello, mentiroso contumaz conforme apontaram agências de checagem. É proteger os parças, os brothers, os manos. É ameaçar, é usar o coturno, a farda e as quatro estrelas para colocar os interesses pessoais e o corporativismo acima dos interesses do país.” [UOL]

E é esse pessoal que precisa se sacrificar pelo país.

A mentira das Forças Armadas é notória. Militares mentiram ao matar e sumir com os corpos de centenas de desaparecidos políticos. Mentiram ao eliminar Zuzu Angel, a corajosa estilista que, cinquenta anos atrás, denunciou incansavelmente o assassinato de seu filho, Stuart Angel, pelos agentes da repressão. Mentiram no atentado do Riocentro, que culminou na morte do sargento Guilherme Pereira do Rosário, há quarenta anos. Mentiram novamente, muito recentemente, em janeiro deste ano, ao adulterarem digitalmente as fotografias feitas num treinamento do Exército para que máscaras – rabiscadas toscamente no Paint Brush – fossem aplicadas sobre os rostos dos participantes. Naquela ocasião, seria muito bem-vinda uma nota pública, assinada pelo senhor (e qui o Vannuchi se refereao Braga Netto) ou por um de seus colegas, lamentando o ocorrido e prometendo apurar internamente os responsáveis por colocar cidadãos em risco, contribuir para o contágio de Covid-19 e mentir à população. Uma pena que ninguém se dispôs a escrever uma nota sobre isso. Foram todos duplamente irresponsáveis, ao dispensar a proteção das máscaras e ao mentir, alterando uma foto para dizer que não fizeram o que fizeram. Ora, general, a mim o senhor não engana. Conheço o modus operandi. Para quem adulterou a fotografia da chacina praticada pelo Exército contra os dirigentes do PCdoB reunidos na casa da Lapa, em 1976, para incluir uma arma ao lado do corpo de Pedro Pomar, qual a gravidade de adicionar máscaras inofensivas a uma fotografia divulgada nas redes sociais? O senhor deveria se envergonhar. Não da declaração de Omar Aziz, mas do desserviço prestado à democracia e às liberdades individuais e políticas. Deveria se envergonhar das verdades sistematicamente negadas por sua turma. Os militares que recorrem ao Paint Brush para omitir um deslize são os mesmos que estufam o peito para dizer que não torturaram, que não sabem onde estão os corpos, que não há documentos com informações inéditas, que a ditadura foi a coisa mais fofa que existiu na face da Terra, pelo menos desde os tempos da escravidão. A mentira, general, não é apenas estrutural, mas estratégica nas Forças Armadas. Faz parte da ética dos militares esconder, confundir, ocultar. O despiste é um resquício da arte da guerra e, sobretudo, da ditadura. A ética dos sistemas e das instituições autoritárias, como o atual governo do Brasil, é a ética de encobrir os feitos das autoridades e escancarar os dos cidadãos. Para o rei, a privacidade; para a população, a transparência. Sistema de informação, espiões, agentes infiltrados, polícia secreta, polícia política, telefones grampeados, veraneios fazendo a ronda, vale tudo na hora de investigar a vida dos outros. Quanto aos atos das autoridades, carimbo de sigilo e classificação como segredo de Estado. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.”

E por fala em mentiras, uma mentira clássica do exército é que eles nasceram na guerra de Guararapes, até o Randolfe repetiu essa estultice. O texto abaixo é um fio do Fernando Horta:

“Por favor, parem de dizer que “o exército brasileiro foi formado na Batalha dos Guararapes”. Isso é de uma imbecilidade de quem NUNCA estudou história do Brasil minimamente. Que milico burro acredite nisso é ruim, mas ver gente nossa defendendo este absurdo é inaceitável. O exército brasileiro foi formado para a Guerra do Paraguai, também conhecido como genocídio do povo paraguaio. Foi formado com batalhões de negros cuja promessa era que se eles sobrevivessem seriam libertados. Eram, portanto, escravos. Seus comandantes eram TODOS agraciados com títulos de nobreza para que ficassem sob tutela de encantamento do imperador.”

Por qe você acham que os monarquistas colaram com Bolsonaro?! E olha a doideir:

O único estado que cumpriu a promessa de libertar os negros foi o RS e isso depois da traição do Massacre de Porongos. As forças armadas, em pleno século XX, ainda aplicavam “castigos físicos” contra negros.”

Caralho, o Rio Grande do Sul na vanguarda, isso era o tanto que o Brasil era profundamente racista. E ainda é.

Como mostra a Revolta da Chibata de 1910. Foram essas forças armadas que se colocaram contra os tenentes que buscavam a mudança do regime aristocrata do “café-com-leite” na década de 20. Atacaram seus próprios quadros jovens para defender a aristocracia rica cafeeira e depois até 1945 se prestaram a defender a ditadura do Estado Novo. Isso enquanto expulsavam de seus quadros os oficiais de esquerda como o grande Prestes. Prestes cuja memória foi apagada da instituição do exército (como também Lamarca) sendo que só no início do século XX sua nota final na academia militar conseguiu ser superada. Enquanto idolatram generais genocidas, escondem as violências contra seus integrantes não alinhados. Em 1945 dão um golpe em Vargas para atender aos interesses norte-americanos. Eurico Gaspar Dutra (general) é eleito e faz o governo mais alinhado com os EUA até a dobradinha Bolsonaro-Trump. Ali se atacou diretamente o controle do país sobre seu subsolo. Especialmente o petróleo. Entreguistas e subservientes foram cooptados por medalinhas e divisas com a formação da “Escola das Américas”. Batiam palmas por receberem o equipamento obsoleto que os EUA usaram na segunda guerra mundial e se contentavam em serem os “feitores” dos EUA na América do Sul. Não suportaram ver Juscelino, Jango e Brizola que longe de serem “comunistas” na época, faziam uma política com um mínimo de nacionalismo e distribuição de renda no país. O projeto de desenvolvimento do país irritou os americanos que colocaram seus serviçais verde oliva no golpe. De 64 a 85 foi o absurdo que todos conhecemos. Corrupção em tudo. Só a construção de Itaipu teve uma “empresa” própria para gestão da obra que se aponta custou mais que o dobro do preço real para o país. Malas de dólares entregues a oficiais e foi neste período que surgiu Maluf. Aqui também criaram o conceito de “inimigo interno” para poderem prender, torturar, sequestrar e matar cidadãos brasileiros. Foi sempre um exército que atacou o povo. Gente falsa que chora pela bandeira e espanca cidadão nas ruas a mando das elites ricas ou dos EUA. Agora, os mesmos doentes que eram tenentes e capitães entre 64 a 85 voltam com a idiotia do “anticomunismo”. Eram esses que hoje são generais os encarregados das ordens sujas no regime de 64. Não é à toa que figuras como Heleno ou Mourão sejam tão despreparados. Ou contamos a história de violência e submissão desta instituição ou vamos ficar tomando golpes em looping o resto de nossa existência. Eles se acham fundadores do país (através do golpe de 1891) e uma espécie de “poder moderador”. Em realidade são capatazes das elites. Deodoro da Fonseca, o marechal do golpe contra o império era monarquista e só apoiou o golpe por interesses pessoais. Floriano Peixoto (o marechal de ferro) manteve o regime com violência e degola. “ [Twitter]

E olha como tinha militar minimamente decente:

O Duque de Caxias, quando se recusou a matar paraguaios indo até Assunción foi retirado do comendo pelo imperador e passou a fazer oposição. Dizia que soldado não era assassino. E suas lições nunca foram seguidas por uma tropa de traidores do povo. Cândido Rondon tinha uma visão paternalista sobre a região norte. E isso, para a época, era algo revolucionário. Defendia a obrigação do exército para com as populações indígenas e a região para além da simples manutenção das fronteiras. Hoje o exército apoia garimpos e desmata. Henrique Teixeira Lott evita uma ruptura institucional que tentava não permitir Juscelino assumir. Evita um golpe contra a democracia e se coloca como figura legalista na década de 50. O General Machado Lopes evita o golpe militar em 1961. Outra figura constitucionalista. Os diversos oficiais que foram torturados e tiveram suas famílias mortas pelo regime de 64 são escondidos pela instituição que nunca escolhe os bons exemplos de seus oficiais. Prefere render homenagens a torturadores, assassinos, genocidas e golpistas. A instituição é doente. Hoje, vivem do dinheiro do estado com todas as benesses possíveis (os oficiais, claro). Têm justiça própria, escolas próprias, hospitais próprios, condomínios próprios, hotéis próprios e consomem cerveja, picanha e leite condensado enquanto o povo passa fome. Sentem-se superiores ao mundo civil mas quem conhece qualquer quartel sabe que não resistem a uma auditoria minimamente atenta. #VoltemProQuartel e deixem o povo resolver os problemas que vocês criaram.” 

Thiago Krause seguiu pela mesma linha:

“As forças militares que bateram os neerlandeses (termo mais correto que holandeses, já que Holanda é apenas a maior província dos Países Baixos, não o país) em Guararapes não tem nada a ver com um exército profissional. Era composto basicamente por senhores de engenho que funcionavam como oficiais e outros moradores da região. Os contingentes indígenas e negros também não eram tropas profissionais, embora alguns já estivessem lutando desde a década de 1630 (há bem mais tempo que a maioria dos brancos, portanto, que tinham se rebelado em 1645). Esse pessoal não se constituiu como um exército profissional posteriormente: o que havia de profissional aqui era o exército luso. As Forças Armadas brasileiras só começam mesmo a se constituir durante a Guerra da Cisplatina (1825-8), após o uso de mercenários na independência. Também não havia qualquer identidade brasileira em 1648. Os motivos da revolta contra os neerlandeses eram fundamentalmente econômicos (líderes como João Fernandes Vieira deviam muito dinheiro aos neerlandeses) – não à toa a senha da rebelião era “açúcar”. A religião católica também teve certa importância – neerlandeses eram calvinistas e não conseguiram converter quase ninguém. Já os negros queriam garantir a sua liberdade e os índios suas terras (e havia nativos dos dois lados do conflito, por sinal). Quem quiser saber mais pode ler os trabalhos do Bruno Miranda , Evaldo Cabral de Mello e Zé Antônio Gonsalves de Mello. Ah, só pra lembrar: não havia qualquer harmonia entre brancos, negros e índios. Os comandantes destes últimos reclamaram da discriminação (especialmente por parte do mestre de campo português, Francisco Barreto) e todo o reconhecimento de seu valor estava permeado de racismo. Do índio Camarão costumavam reclamar que bebia demais e do negro Henrique Dias o elogiavam dizendo que havia vertido tanto “sangue infecto” pelo Rei (não pelo Brasil, note-se) que havia como que se purificado. Dias, coitado, que nunca virou cavaleiro por causa do racismo.” [Twitter]

Se você se lembrou do Mourão ponto pra você:

“E o nosso Brasil? Já citei nosso porte estratégico. Mas tem uma dificuldade para transformar isso em poder. Ainda existe o famoso ‘complexo de vira-lata’ aqui no nosso país, infelizmente. Nós temos que superar isso. Está aí essa crise política, econômica e psicossocial. Temos uma herança cultural, uma herança em que tem muita gente que gosta do privilégio. Mas existe uma tendência do camarada querer aquele privilégio para ele. Não pode ser assim. Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa, nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”

Qual a diferença entre Mourão e o português Francisco Barreto?!

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E aí a gente vai da água pro vinho, do Mourão para Luiz Antônio Simas e sua genialidade:

“É uma coisa que eu escrevo há anos: isso aqui é um projeto bem-sucedido de país, um projeto colonial, fundado na ideia de exploração da terra, na exploração dos corpos, no genocídio do indígena, na escravização do negro. Isso tudo foi projeto. Acho que a gente tem que começar a encarar a necessidade de fazer o Brasil dar errado, nessa perspectiva. Porque a gente precisa encarar essa realidade que é dura, mas é com ela que a gente tem que trabalhar, que o país foi projetado para ser o que é, foi projetado para ser excludente, concentrador de renda, heteropatriarcal, branco. E até agora tem sido. Então, a nossa tarefa, na verdade, é transgredir esse projeto bem-sucedido de horror, e começar a fazer o Brasil dar errado, nessa perspectiva que a gente tem. Eu poderia responder com aquela sinceridade absoluta dizendo que não tenho a menor ideia. Mas acho que é necessário a gente saber que é um jogo. E algumas vezes a lógica do jogo é a gente não ser aniquilado em um certo momento. Se a gente imaginar que isso aqui é uma espécie de jogo de capoeira, é preciso reconhecer que, da mesma forma que o ataque é fundamental, também é fundamental a arte da esquiva, a arte da ginga, a arte do drible. É fundamental construir formas de vida que permitam que a brasilidade consiga sobreviver. A gente está em um momento em que devemos ter estratégia de sobrevivência, que não deve ser meramente reativa. Por isso, nem sou muito adepto da palavra resistência, assim isolada, porque resistir é você se colocar na posição de ser pautado pelo outro. Acho que a resistência deve ser acompanhada da palavra invenção. Nós temos que inventar a vida também.”

O Simas não menciona essa expressão na entrevista, mas como ele sempre diz é a “festa na fresta”.

“O futebol inglês tinha a bola alçada na área, o futebol escocês tinha o passe, o futebol brasileiro acabou sendo o esporte do drible. Não tínhamos como alçar boa na área porque nossos jogadores são mais baixos. É a estratégia que eu chamo de “garrinchamento” do mundo: se você tem um marcador na sua frente, é preciso ver que a arte do drible, que constroi a vida, é você ir para o vazio. Acho que incessantemente temos que buscar isso. Me apego muito na reconstrução da vida cotidianamente. Porque nas miudezas, num certo amiudamento dos fazeres, na prática da rua, na prática das comunidades, a gente pode começar a reconstruir uma ideia mais generosa de país. Mas é um processo longo, não há dúvida.”

Sim, o problema tá longe de ser Bolsonaro.

“Eu sou profundamente impressionado com uma frase que o Paulo Freire falou pouco antes de morrer. Em um livro de estudos sobre a mídia, disse que estava com a impressão de que a gente está vivendo um tempo com muito comunicado e pouca comunicação, muito comunicado e pouca comunidade. Então a gente vive uma era de comunicados. Não consigo pensar uma política que não seja acompanhada da poética e nem consigo entender uma poética que seja desprovida do sentido político. Sobretudo na circunstância que a gente vive, no país que a gente vive, com uma desigualdade brutal. Com todos os problemas que a gente tem. Mas sinceramente, esses fazeres vão ser construídos na experiência cotidiana. Não estou mais acreditando naquelas grandes soluções que passam por uma certa tradição do messianismo brasileiro, cada vez mais acredito em uma política cotidiana que é poética e que se faz sobretudo a partir da prática. Não acho que seja inconciliável com a luta institucional.”

Ah, a avó do Simas tinha um terreiro bem importante e ele cresceu nesse mundo:

“A cultura de terreiro consegue se reconstruir constantemente a partir da experiência do precário. Falo na posição de branco de classe média que conseguiu estudar no Brasil: nós que temos uma vida mais confortável, a gente fica apavorado e sem rumo porque de alguma maneira nós não vivenciamos a experiência do precário que marcou a maior parte do povo brasileiro ao longo da nossa história. O Milton Santos, o grande geógrafo, falava da sabedoria da escassez. Como é que em algumas situações de escassez você constroi formas de vida que, ao superar a escassez, inventam novos sentidos para o mundo. Isso não é romantizar o precário, porque o precário não tem que ser romantizado, é um horror. Mas ter a dimensão que incessantemente a vida aqui foi o tempo todo reconstruída a partir do precário, nas brechas da violência. Uma coisa que escrevi em um livro meu e gosto de ressaltar: esse é o país em que a chibata de bater no corpo foi transgredida em baqueta de bater no coro do tambor, para reconstruir o mundo a partir do samba. Eu sinceramente não acredito em nada do que venha de uma certa burguesia brasileira que tem tudo muito fácil, que é muito acomodada na posição que tem. Eu realmente acredito numa sabedoria que é engendrada pela escassez, nas ruas, que o tempo todo vai recriando sentidos de mundo. E que está presente no samba, nas rodas de rima, no rap, no baile, nos corpos que dançam, que celebram, que transgridem, portanto, essa certa normatividade que nos acomete o tempo todo.”

Simas para presidente, porra. Ou ministro. Ou conselheiro do presidente, qualquer pessoa que ouse presidir o Brasil tinha que passar duas semanas bebendo com o Simas.

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2. La Paz, aí vamos nós

A Folha saiu com um artigo intitulado “Polícias podem apoiar aventura golpista de Bolsonaro?” e a resposta é deveras óbvia:

““PMs eram tratados quase que em regime análogo à escravidão. Uma das repressões disciplinares comuns aos soldados era dar um turno extra de trabalho. Isso levou às greves e às candidaturas de policiais”, diz José Vicente da Silva, coronel reformado da PM de São Paulo, que foi secretário nacional de Segurança Pública no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “As condições de trabalho são precárias, a qualidade das viaturas é ruim, o salário é baixo, e policiais não engravatados costumam ser vistos como categoria profissional inferior”, aponta, apesar dos crescentes gastos de diversos estados com a segurança pública. “Isso vai afetando o ânimo. E polícia desmotivada pode ser fatal para a sociedade”, avalia. “Por lei, policial não pode fazer greve. E o que fica abafado acaba explodindo de alguma forma. Policiais em situações de vulnerabilidade ficam mais suscetíveis à política, e Bolsonaro foi o primeiro presidente a valorizar reiteradamente a polícia.” Entre cortejos e promessas de melhores salários e de um dispositivo para livrar agentes de responsabilidades legais diante de mortes —o chamado excludente de ilicitude—, Bolsonaro não entregou quase nada até agora. Mesmo assim, muitos seguem seu caminho.” [Folha]

E quem melhor entendeu como a esquerda deve abordar a questão policial é o Freixo, não asta denunciar os crimes policiais, mas a própria estrutura e a situação dos policiais. Ah, e vem aí financiamento de imóveis para policiais. E o pior é que nada disso precisa sair, bata Bolsonaro prometer um bando de coisas e dizer que foi impedido pelo sistema.

“Entre 2010 a 2018, a quantidade de policiais e de militares eleitos deputados federais aumentou exponencialmente (950%), segundo levantamento do Instituto Sou da Paz. Nesse mesmo período, 8 em cada 10 policiais candidatos estavam vinculados a partidos de direita e de centro-direita, segundo pesquisa do sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). O pico dessa tendência conservadora foi em 2018, quando 9 em cada 10 policiais foram candidatos à direita. Outro fator de politização das forças de segurança está relacionado ao modelo de participação política disponível para seus integrantes. Ao contrário de outras carreiras do serviço público, como a de promotores e juízes, das quais é preciso abrir mão para se lançar na política, policiais com mais de dez anos de funcionalismo podem retomar os cargos nas corporações caso percam a disputa eleitoral, em uma porta giratória entre política e polícia.”

Tá errado, MUITO errado!

“Na eleição de 2020, parte dos 8.296 agentes de segurança que disputaram cargos e não se elegeram retornaram a delegacias e batalhões. Duas questões se impõem: quão contaminados por disputas políticas eles voltam? E de que maneira agora se comportam em relação a aliados políticos e a seus opositores?”

“Essas respostas vão ditar o quanto tais agentes serão capazes de minar a institucionalidades das polícias por dentro, a partir de pautas políticas próprias, dissociadas dos eleitores. “É preciso investir de fato nas polícias como um todo para diminuir suas suscetibilidades, criar mecanismos institucionais que acolham suas demandas trabalhistas e regulamentar melhor a participação de agentes na política institucional para evitar a porta giratória”, aponta a diretora-executiva do Sou da Paz, Carolina Ricardo. A politização de instituições que, em uma democracia, detêm o monopólio do uso da força, inclusive da força letal, não é algo trivial e sem consequência. O próprio motim cearense a que Mourão se referiu foi exaltado por policiais militares que trocaram a farda pelo palanque. Seu maior expoente local é o deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE), que liderou duas rebeliões policiais em 2011 e 2012 antes de iniciar carreira política meteórica rumo à capital federal, onde apoia o presidente e integra a famigerada bancada da bala. Ele e outros policiais políticos do Ceará apoiaram o motim contra o governador Camilo Santana (PT) na crise que deixou 51 pessoas mortas nas primeiras 48 horas de paralisação e culminou em uma das cenas mais insólitas do concorrido acervo da política brasileira recente. Nela, o senador Cid Gomes (PDT) pilota uma retroescavadora em direção à barricada erguida e defendida por dezenas de policiais encapuzados, amotinados em frente a um batalhão da PM —e leva dois tiros. No atual cenário de polarização política, a greve do Ceará foi o evento emblemático inaugural de uma onda de abusos de poder e do uso da força cometidos por policiais em contextos altamente politizados. Recentemente, em Goiás, um PM evocou a Lei de Segurança Nacional (LSN), herança da ditadura militar, para prender um professor que se recusou a retirar do capô do carro um adesivo com “Fora Bolsonaro genocida” escrito. Nos dois anos de governo Bolsonaro, a LSN foi usada como base para 77 inquéritos, parte deles ligados à imagem do presidente. O número supera a soma dos quatro anos anteriores. No Tocantins, outro professor foi investigado pela Polícia Federal, a pedido do ministro da Justiça, André Mendonça, em razão de outdoors pró-impeachment, um dos quais trazia a imagem de Bolsonaro com a frase “Não vale um pequi roído”. Na Bahia, um policial em surto, armado, atirou contra os próprios colegas depois de horas de negociação e acabou alvejado por eles. Sua trágica morte foi tratada como tema de palanque político, e o deputado estadual Soldado Prisco (PSC) tentou, sem sucesso, provocar um levante de policiais em Salvador. Em Alagoas, o subcomandante do policiamento da capital foi exonerado do cargo depois de uma série de manifestações nas redes sociais em que declarava apoio a Bolsonaro e atacava o governador do estado, Renan Filho (MDB), e seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). No Rio de Janeiro, a Polícia Civil desobedeceu a determinação do Supremo Tribunal Federal, que restringiu incursões policiais em comunidades durante a pandemia de Covid-19, e deflagrou, no bairro do Jacarezinho, a operação mais letal da história, com 28 mortos. Episódios análogos ocorreram em Recife (PE) e no Distrito Federal.”

E lá no Sul uma mulher foi presa por bater panela!

““O bolsonarismo é avassalador dentro das polícias, especialmente da Polícia Militar”, afirma o coronel da reserva Glauco Carvalho, ex-comandante da PM da capital paulista e doutor em ciência política pela USP. “Existe um bolsonarismo democrático, ainda que reacionário, mas também há um bolsonarismo de extrema direita, para o qual a democracia não é solução para o Brasil.” Estudo do FBSP que monitorou perfis públicos de policiais em redes sociais identificou que 12% dos PMs endossavam comportamentos e discursos antidemocráticos do presidente. Outra pesquisa, da Atlas, apontou que 21% dos policiais são a favor de uma nova ditadura militar. “As polícias à direita vêm se tornando um problema no mundo inteiro. Se piscar, você perde o controle”, avalia a socióloga Silvia Ramos, do Centro de Estudos em Segurança e Cidadania (CESeC).”

Sim, no mundo inteiro e isso é algo importante. Bolsonaro não é uma jabuticaba brasileira, ele se elegeu pós-Trump e Brexit, e essa polícia de extrema-direita também não é exclusividade nossa.

“Na Alemanha, nos últimos três anos, foram identificados 370 policiais que mantinham laços com a extrema direita, e no mês passado uma unidade especial da polícia foi dissolvida por ter se tornado um grupo extremista dentro da corporação, compartilhando conteúdo nazista e incitando a violência. Na França e nos EUA, observam-se tendências semelhantes.”

E na Alemanha tem uma infiltração da extrema-direita também nas fileiras do Exército brutal, os caras lá tão com o cu na mão.

“A surreal invasão do Congresso americano, em janeiro, no coração da democracia global, teve a participação de policiais em folga, identificados na turba. O episódio tornou mais aguda a apreensão quanto às aspirações antidemocráticas de Bolsonaro, que tem promovido um verdadeiro derrame de armas por meio de decretos presidenciais. Em 2018, eram 46 armas registradas por dia no país. Em 2021, são 387. “Bolsonaro está formando uma estrutura hobbesiana, dizendo que arma é liberdade e ampliando o conceito de excludente de ilicitude. É aí que acaba o Estado democrático de Direito”, diz Melina Risso, diretora de programas do Instituto Igarapé. “Bolsonaro é o cara da lei e da ordem, linha-dura, mas a lógica dele é desmontar o regramento, construindo o caos. Hoje, há cada vez mais grupos radicais armados”, afirma. “Ainda assim, o maior problema é a autonomia que impera nas instituições policiais”, alerta. Entre visões mais ou menos aterrorizantes que emergiram no debate público, predomina, entre cientistas políticos e estudiosos da segurança pública, a ideia de que hoje não existiria articulação nacional para uma insurreição orquestrada pelas polícias. Ainda.”

E o que vai abaixo é um COMPLETO absurdo:

“Em março, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), um dos parlamentares mais próximos de Bolsonaro, apresentou projeto de lei sobre mobilização nacional, um instituto de gestão de crise que permitiria ao presidente assumir o controle das polícias militares estaduais no contexto da pandemia. Ele pediu tramitação em regime de urgência, mas o projeto foi rejeitado.”

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Somos atropelados de tal forma pelo noticiário que esquecemos duns absurdos grotescos, essa do Major Vitor Hugo deve ser das notícias mais absurdas e eu havia completamente apagado de minha confusa mente.

“Antes, proposta de lei orgânica dava mais autonomia para as polícias. As polícias militares e civis são estaduais, sob o comando de governadores. Na prática, no entanto, poucos deles exercem cotidianamente esse controle, em um jogo de acomodações e intimidações que já favorece uma autonomização excessiva das forças de segurança. “Bolsonaro é uma ameaça à institucionalidade, não porque seja forte, mas por saber explorar como poucos a omissão e o temor de outros poderes e instâncias”, analisa Lima, do FBSP. “Os riscos de instabilidade acabam se tornando mais generalizados nos estados governados pela oposição ou por figuras que romperam com o bolsonarismo radical. O que pode acontecer nesses estados se a polícia resolver ser do contra?” “Todo o mundo fica com medo, vendo golpe em tudo quanto é lugar. Quanto mais medo você tiver, menor é a sua capacidade de mobilização e de coesão”, argumenta Jacqueline Muniz, professora do Departamento de Segurança Pública da UFF (Universidade Federal Fluminense). “O governador é responsável por decidir ou por se omitir. Quando a polícia atira, todo o mundo atira atrás dela, a começar pelo governante —e, no final, seu eleitor”, diz. “Se o governador, que é o comandante em chefe das polícias, não der a elas sua missão, alguém dará a missão no seu lugar, e a decisão passará a ser na política da esquina: cada cabeça, uma sentença, com seu moralismo, sua moralidade e sua ideologia. O mandato policial vira um cheque em branco que cada um pode preencher como quiser.” Muniz batizou a consequência desse laissez-faire dos Poderes com relação às polícias de autonomização predatória. Sem os controles que, na prática, não são plenamente exercidos por corregedorias, governadores ou Ministérios Públicos estaduais, o poder da arma na mão que as polícias têm acaba se tornando mercadoria política, usada para negociações com os Poderes constituídos e para acuar a sociedade. “No extremo, gera uma coisa chamada autarquia sem tutela, cujo nome na esquina é milícia. É usar o poder de polícia para fins particulares e propósitos pessoais”, explica. Segundo o jornalista e cientista político Bruno Paes Manso, autor de “República das Milícias: dos Esquadrões da Morte à Era Bolsonaro” (Todavia), uma das sementes da milícia foi justamente a tolerância da sociedade e das instituições à violência policial e a métodos ilegais de resolução de conflitos. “Ficaram ricos com esse poder de tirar a vida. Eles podem matar e ninguém os prende. E, com isso, desequilibram o mercado do crime e nele vão se empoderando.”

E justamente no Palácio tem um miliciano, alguém que já louvou grupos de exttermínio em pleno congresso nacional e não foi preso.

O elo entre a família Bolsonaro e essa banda podre das polícias se evidencia, entre outras, na figura de Fabrício Queiroz, policial militar aposentado e amigo pessoal do presidente, que foi preso na casa do advogado da família presidencial, acusado de operar um esquema de rachadinhas no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). “Os Bolsonaro se tornaram porta-vozes e representantes dessa ideologia miliciana, que enxerga a lei como algo que atrapalha a polícia e seu trabalho. Eles têm mentalidade anti-Constituição de 1988, de se impor a partir de gente armada contra o Estado democrático de Direito”, avalia. Para Paes Manso, Bolsonaro tende a testar a institucionalidade das polícias se seu projeto político for ameaçado. “Em algum momento, ele deve dar o truco. Mas até que ponto ele teria uma liderança capaz de articular todos os armados do Brasil? Eu acho que ele não tem, que existe uma institucionalidade.” Mesmo que forças de segurança não embarquem como um todo em uma aventura disruptiva, episódios isolados de insubordinação podem ocorrer e provocar tumultos, confusão e mortes. Poderiam até mesmo convulsionar a próxima eleição, cujo sistema eletrônico de votação há tempos é alvo de suspeições vazias de fraude levantadas pelo presidente. Bolsonaro vem subindo o tom das acusações contra a urna eletrônica, sempre sem apresentar as provas que diz ter. “Vamos ter problemas no ano que vem. Como está aí, a fraude está escancarada”, disse na última semana. Nesta quinta-feira (8), voltou a disparar: “Ou fazemos eleições limpas ou não temos eleições”. Nesta sexta (9), retomou as ameaças e xingou o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A persistência desse discurso sem lastro é como água mole em pedra dura e tem efeitos na opinião pública. Levantamento do Instituto Ideia feito com 150 policiais de cinco estados da Federação ao longo de três anos acompanhou a evolução da desconfiança em relação ao voto eletrônico à medida que avançava a narrativa bolsonarista de fraude. Em outubro de 2018, 30% dos policiais declaravam confiar muito no sistema eleitoral. Em maio de 2021, eram apenas 15%. “O golpe não precisa ser no modelo tradicional de ruptura nem no modelo húngaro, que é progressivo. Essa história do voto impresso é a senha, e o roteiro é simplíssimo”, pondera o antropólogo Luiz Eduardo Soares, autor de diversos livros sobre as polícias —“Dentro da Noite Feroz: o Fascismo no Brasil” (Boitempo) é o mais recente. “Em uma cidade qualquer, alguém grita fraude e diz que o voto impresso é diferente daquele digitado na urna eletrônica, e a urna é suspensa. Isso pode ocorrer simultaneamente pelo Brasil, inviabilizando o processo eleitoral. Se o presidente gritar fraude, os policiais serão os primeiros a agir em seu nome.” Para Soares, a história das corporações policiais no Brasil, criadas como guardas armadas a serviço das elites escravocratas e adeptas da violência, da tortura e do racismo desde sempre, fez de policiais verdadeiros “bolsonaristas ‘avant la lettre’”, ou seja, bolsonaristas antes mesmo de existir o bolsonarismo.

A chave para compreender a persistência dessas características, segundo ele, é a transição democrática representada pela Constituição de 1988 —ou, no caso da segurança pública, a ausência dessa transição. “Nós tivemos uma negociação com características bem brasileiras: sem rupturas e com acordos entre as elites”, aponta. “Os militares impuseram um cerco e produziram de fato um enclave institucional quando exigiram a preservação das estruturas organizacionais da ditadura, inclusive o modelo policial.” Sem mexer nessas instituições, nem do ponto de vista da Justiça nem de uma transição cultural para a Nova República, a Constituinte arrastou para dentro do regime democrático práticas baseadas em violação de direitos e operações feitas ao arrepio da lei, além de uma lógica baseada, não em cidadania e transparência, mas em sigilo e no combate a inimigos internos. A cristalização dessa história está nos intocados artigos 142 e 144 da Constituição Federal, que até hoje aguardam regulamentação. “No fundo, nós nunca tivemos coragem de fazer as reformas necessárias para democratizar as forças policiais e militares”, provoca Renato Sérgio de Lima. “Na prática, a PM faz o que bem entende e define seus próprios mecanismos internos de controle. São instituições que decidem na ponta, o que é da natureza das polícias. Só que ninguém fiscaliza.” A tolerância social e institucional com a corrupção, a tortura, a morte e sua impunidade sustentou o modelo antidemocrático de segurança dentro de um arcabouço formal de democracia. Para Jacqueline Muniz, a polícia é a dimensão mais tangível e visível do exercício de Justiça e de acesso a direitos ou sua exclusão, e o bolsonarismo é sintoma e não causa da agitação política e da instabilidade atuais entre polícias do país. “É possível a governantes e instituições apertar alguns parafusos para despolitizar essas forças”, afirma. De acordo com a cientista política da UFF, que dá cursos para policiais há mais de 20 anos, é preciso comando civil das forças de combate e de segurança. “FHC criou o Ministério da Defesa para isso, mas ele foi reaparelhado”, diz, referindo-se aos dois últimos ministros militares. Também seria preciso evitar o monopólio, afastando a possibilidade de unificação das polícias, além de regulamentar o mandato policial e a política de uso da força para que todos saibam onde começa e onde termina a atuação policial —e como ela deve acontecer. “No Brasil, até o jogo do bicho tem regras escritas, mas os protocolos das polícias e de seu uso da força são ocultos. Não pode funcionar assim em uma democracia”, diz. “É a sociedade que define o poder da sua polícia. Brincar de rebelião dá demissão sumária. O governador tem tinta na caneta para exercer o comando sobre suas forças.””

E poucas coisas resumem tão bem a polícia brasileira que essa notícia:

“No primeiro mês de ampliação do programa de câmeras portáteis da Polícia Militar, que registram intervenções policiais em áudio e vídeo por meio de equipamentos acoplados ao uniforme, o estado de São Paulo atingiu o menor índice de letalidade policial em oito anos. De acordo com dados inéditos obtidos pela Folha, caiu para 22 o número de mortes decorrentes a intervenção policial no mês de junho, menor índice da PM desde maio de 2013, quando ocorreram 17 registros. Essa marca alcançada no mês passado é, ainda, bem inferior à média de 50 óbitos dos primeiros cinco meses de 2021 —que já estavam em queda (veja quadro) Parte dessa redução se deve ao resultado obtido nos 18 batalhões integrantes do programa Olho Vivo, que zeraram as mortes em confrontos. Nenhuma morte foi registrada nessas unidades. Quinze deles passaram a usar as câmeras no mês passado, incluindo os batalhões da Rota e Baeps (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), com histórico de alto índice de letalidade —só a Rota tem 386 mortes acumuladas em confrontos desde 2016. Também não houve, nesse período, nenhuma lesão corporal contra suspeitos provocada por disparos de arma de fogo. As seis que aconteceram se deram por outros motivos, como luta corporal. Os equipamentos utilizados nesses 15 batalhões adicionados agora ao programa possuem uma tecnologia inédita no mundo que grava o turno de serviço em sua totalidade (grava tudo), não sendo necessário o acionamento manual por parte do PM. Um dos problemas do sistema anterior, que se repete em várias instituições policiais do mundo, é quando o agente deixa de ligar o equipamento em momentos cruciais e, assim, perde prova importante da ocorrência. No sistema atual não ocorre mais perdas acidentais. Por ser apenas o primeiro mês de ampliação do programa de câmeras e, também, por existir outras medidas de redução de letalidade em andamento na corporação (como uso de armas menos letais, como as de choque), o comando da PM não atribui essa redução exclusivamente ao uso das câmeras no uniforme. Até porque, por exemplo, não é a primeira vez que a Rota passa um mês sem um confronto letal, como aconteceu em novembro de 2018, quando esteve empregada no interior do estado para evitar o resgate de presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Por outro lado, em abril de 2019, o batalhão registrou 19 mortes em confrontos —11 delas foram na operação de Guararema contra uma quadrilha de furtadores de caixas eletrônicos.” [Folha]

E há quem diga que a câmera constrange não os policiais mas as pessoas por eles abordados, é mole uma porra essa?!

“Ainda segundo a PM, o reflexo das câmeras no policiamento está sendo estudado por um grupo de acadêmicos da USP (Universidade de São Paulo) e da FGV (Fundação Getulio Vargas) para entender as movimentações dos números, incluindo de produtividade. “É muito injusto dizer: ‘Olha, a polícia passou a usar câmera, diminuiu o uso da força, porque o policial é mau policial’. Não. Todos os policiais são maus policiais? Como ficaria se a gente analisasse esses 18 batalhões, com uma queda significativa de uso da força, e a gente pensasse que esses 6.000 policiais são maus profissionais? Não é isso. As pessoas precisam entender esse fenômeno [de queda]”, diz o coronel Robson Cabanas Duque, gerente do programa Olho Vivo e um dos principais especialistas do país em câmeras corporais. Ainda segundo o coronel da PM, que estuda o uso de câmeras pelas polícias do mundo desde 2010, as análises apontam que não só o policial muda seu comportamento nas abordagens quando sabe que está sendo filmado, mas, também, a própria população. “As pessoas tendem a se comportar de uma maneira mais pacífica. O uso da força pela polícia só ocorre quando há uma desobediência. O policial dá uma ordem, e a pessoa desobedece. Ele conversa, a pessoa desobedece, até um momento que ele precisa usar a força”, diz. Essa mudança de comportamento, segundo Cabanas, não se refere apenas a policiais que comentem abusos, mas, também, a agentes que não seguem as normas internas e acabam se colocando em situação de confronto desnecessariamente, como na prisão de criminoso armado. “Porque existem muitas coisas que o policial faz que não são criminosas, estão dentro das excludentes de antijuridicidade, mas tecnicamente é inaceitável.”

E aí eu retomo o Simas a polícia brasileira deu muito certo, ela tem é que dar errado!

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3. Ah vá!

A ficha gigante está caindo?!

“O povo brasileiro não tem a melhor impressão de seu presidente. Ao contrário: para a maioria da população, Jair Bolsonaro é desonesto, falso, incompetente, despreparado, indeciso, autoritário, favorece os ricos e mostra pouca inteligência. ” [Folha]

O mais desesperador é que precisou duma pandemia pra gigantesca ficha começar, e esse verbo aí de trás é importante, a cair. Não fosse a mais desastrosa condução global da pandemia Bolsonaro estaria reeleito com tranquilidade.

A tendência negativa se cristalizou ao longo do governo, e é majoritária em todos os itens questionados. Em junho de 2020, 48% o viam como honesto e 38%, como desonesto. Agora, houve uma inversão, com 52% vendo desonestidade no mandatário e 40%, probidade. O derretimento da apreciação da imagem presidencial é visto em todos os indicadores. No começo do mandato, em abril de 2019, 59% o viam como sincero. O número caiu para 48% em junho de 2020 e chegou agora a 39%. Na via contrária, os 35% que consideravam Bolsonaro falso em 2019 subiram a 46% no ano passado e agora são 55%. Esse é outro golpe para a estratégia eleitoral do presidente. Em 2018, as pesquisas qualitativas usadas por sua campanha sempre apontavam uma imagem de “sincero” na figura do então candidato, reforçada por suas tiradas politicamente incorretas. A sua competência também é questionada. A avaliação de que o presidente é um incompetente subiu de 52% para 58% da pesquisa de 2020 para cá —a pergunta não havia sido feita em 2019. Já aqueles que o contrário passaram de 44% para 36%. Na mesma linha, o desenrolar do governo inverteu a percepção sobre seu preparo para liderar o país. Bolsonaro é um despreparado para 62% (44% em abril de 2019, 58% em junho de 2020), ante 34% que o veem como preparado (52% em 2019, 38% em 2020).”

Imagine, Bolsonaro preparado! Essa necessidade duma mão forte faz qualquer um que fale grosso ser visto como preparado.

“Um dos mais estridentes traços de Bolsonaro, para a população, é seu autoritarismo, demonstrado novamente nesta quinta (8) com mais uma ameaça à ordem democrática. Ele é assim visto por 66% da população —já eram expressivos 57% no começo do mandato e 64% em 2020. Só o associam a um democrata 28%, queda em relação aos 37% de 2019 e outra estabilidade ante os 30% do ano passado, demonstrando o preço pago pelo comportamento durante o agravamento da crise no primeiro semestre de 2020. Ele também é uma pessoa indecisa para 57% (42% em 2019, 53% em 2020), ante um governante decidido para 41% (56% em 2019, 46% em 2020). Num universo em que 57% da amostra da pesquisa é composta por pessoas que ganham no máximo 2 salários mínimos, Bolsonaro é visto como um amigo dos ricos. Ele favorece os que têm mais posses para 66% dos ouvidos (57% em 2019, 58% em 2020), e só pensa nos mais pobres para 17% (24% no começo do mandato, 18% no ano passado). Por fim, a inteligência do presidente não é apreciada como uma qualidade.”

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Para 57%, ele é pouco inteligente, índice semelhante ao de 2020 (54%) e bem maior do que o de 2019 (39%). Já 58% o achavam muito inteligente no começo do governo, número que caiu para 40% no ano passado e está estável e 39% agora. De forma geral, as avaliações críticas seguem o padrão da popularidade do mandatário entre os diversos estratos da pesquisa. Nordestinos, que mais o reprovam, também são os que o avaliam como mais desonesto (61%) e falso (65%). Há avaliações que refletem os grupos questionados: ele é visto como pouco inteligente mais por aqueles que cursaram faculdade (64%) e mais jovens (65%). Já as fortalezas bolsonaristas do Sul e do Norte/Centro-Oeste são mais simpáticas, como na avaliação geral, ao presidente. Lá, 43% e 47%, respectivamente, o veem como uma pessoa honesta. O índice vai a 54% entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos. Da mesma forma, os evangélicos (24% da amostra) são, sem trocadilho, mais fiéis a Bolsonaro. No grupo, todas as avaliações são melhores, ainda que nem todas sejam majoritárias. Mas há inversões claras: 51% deles o acham honesto, ante 39% que pensam o contrário, índice semelhante ao do quesito sinceridade (51% sincero, 41% falso).”

E a maior rejeição é do capitão:

“O presidente Jair Bolsonaro é o líder em rejeição eleitoral segundo a mais recente pesquisa do Datafolha sobre a corrida ao Palácio do Planalto de 2022. De acordo com a pesquisa, 59% dos eleitores dizem que não votam de jeito nenhum no atual presidente —esse índice era de 54% no levantamento anterior, feito em 11 e 12 de maio. O ranking de rejeição eleitoral tem em seguida o ex-presidente Lula (PT) e o governador paulista, João Doria (PSDB), empatados em 37%. Ciro Gomes, do PDT, com 31%, e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, do DEM, com 23%, aparecem na sequência. O ex-presidente Lula ampliou sua vantagem sobre Bolsonaro em citações espontâneas registradas pelo Instituto Datafolha. Lula também lidera nos dois cenários apresentados para o eleitor e em todas as simulações de disputa de segundo turno —naquela em que enfrenta o presidente, ganha por 58% a 31%.” [Folha]

Que surra!

“Tem sido árdua a tarefa do entorno de Jair Bolsonaro de tentar acalmar o presidente nos últimos dias. Árdua e, reconhecem os envolvidos, infrutífera..” [O Globo]

Agora é uma espiral louca até o fim.

“O presidente Jair Bolsonaro deu bronca em ministros e mostrou uma irritação acima do normal em reunião nesta semana que discutiu, entre outros temas, a CPI da Covid. A informação foi relatada ao blog por interlocutores presidenciais. Ao ser exonerado sem maiores explicações, Roberto Dias se sentiu “abandonado” pelo governo – por isso, teria elaborado o dossiê. Presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirma ter a informação de que Dias entregou o dossiê a dois parentes, incluindo um que mora na Espanha. A avaliação de assessores presidenciais é de que o governo errou em simplesmente exonerar Roberto Dias – sem lhe dar oportunidade de se defender – apenas com base na acusação do revendedor de vacinas Luiz Paulo Dominghetti. Dominghetti, que é policial militar em Minas Gerais, Declarou que o então assessor da Saúde teria pedido propina para fechar contrato de compra de imunizantes. Dentro do governo, uma ala já vinha defendendo a demissão de Roberto Dias antes mesmo de surgir a acusação de Dominghetti. O assessor não se dava bem com o ex-ministro Eduardo Pazuello e com o ex-secretário executivo Élcio Franco, mas contava com o apoio de parlamentares da base aliada. Agora, o governo conta exatamente com os padrinhos políticos para tentar acalmar o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. Segundo senadores da CPI, ao deixar vazar a informação sobre o tal dossiê, Dias passou o recado para o governo: se ele cair, vai levar mais gente junto. Daí, o temor do Planalto.” [G1]

E não é só Bolsonaro que tá irrtado não, o mafioso resolveu ameaçar a Juliana Dal Piva, que está revelando mais detalhes da rachadinha:

“Queria te entrevistar. Voce e socialista ?? Comunista ???? Soldada da esquerda brava ??? E daquelas comunistas gauchas guerreira ??? Voce acredita mesmo que este sistema politico e bom para a sociedade e as pessoas ???? Por que voce nao vai realizar seu sonho comunista em Cuba, Venezuela , Argentina ou Coreia do Norte ??? Por que nao se muda para a grande China comunista e va tentar exercer sua profissao por la ???? Faca la o que voce faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema politico que voce tanto ama faria com voce . La na China voce desapareceria e nao iriam nem encontrar o seu corpo. O mesmo ocorre na Venezuela , Cuba e outros paraisos comunistas. Entao pergunto a voce, por que faz o que faz com quem tenta livrar o Brasil da maldita esquerda ??? Voce teve este mesmo empenho e obsessao com aqueles da esquerda que desviaram BILHOES DE DOLARES atravez de mil esquemas fraudulentos ??? A parte de seu amor pelo comunismo, voce vai continuar atendendo os pedidos de sua parceira/chefa para me atacar sem parar . Ela te paga ??? Ou e so muito amor por ela ??? Voces estao namorando ???? Se eu financiar todos os custos de viagem para Caracas na Venezuela , voce iria para la fazer umas materias sobre o que esta acontecendo la ??? Se eu te comprar um belo imovel por la, voce moraria la para realizar seu sonho comunista ???? Por que nao experimenta primeiro na sua pele o que e a esquerda, para depois lutar tanto para atingir o Presidente de seu Pais e trazer o comunismo para o meu amado Brasil. Voce e inimiga da patria e do Brasil. Voce sabia que apos o fim da 2 guerra mundial o mundo foi dividido em 2 blocos??? Esquerda e direita ?? Capitalismo e Comunismo ??? Luz e trevas ???? Voce sabia que a maldita esquerda falhou em metade do planeta terra ??? Em todos oa paises e culturas em que se instalou ??? E que ao contrario do comunismo, o capitalismo deu certo em todos os paises e siatemas ??? Entao por que voce luta fanaticamente com suas materias direcionadas e distorcidas da verdade para induzir em erro o publico ??? A esquerda te paga ??? Voce esta feliz e realizada por atacar e tentar destruir o Presidente do Brasil, sua familia e seu advogado ?????” [UOL]

Wassef consegue ser um personagem mais louco que o Giuiliani, o advogado do Trump.

E olha o Mourão aquecendo…

“Na reunião ministerial da semana passada, ocorreram dois fatos surpreendentes em relação a Hamilton Mourão. Primeiro, a própria presença do vice, uma vez que ele não vinha mais sendo convidado para esses encontros. E depois pelo que Mourão falou ali. Num discurso que levou pronto, defendeu Jair Bolsonaro..” O Globo]

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E o rato de Brasília Kassab entende do riscado.

“Kassab faz a ressalva de que a pesquisa é fotografia do momento, mas é categórico na avaliação. “Cenário de falta de chance absoluta de se reeleger. Não há analista político que possa ver hoje na candidatura do presidente uma viabilidade”, afirma o ex-prefeito de São Paulo. “Realmente, a gente já tem quase 30 anos de experiência de vida pública, várias eleições, acho muito difícil a reversão desse quadro”, completa. Apesar da situação pior a cada levantamento do Datafolha, o presidente do PSD diverge de Gleisi e não vê aumento nas chances de impeachment. ACM Neto também afirma que a pesquisa não altera o cenário. “Não vai dar impeachment na semana que vem, mas a batata começa a assar. Está com uma rejeição acima de 50% em uma crise como a que nós temos e com aumento no nível de denúncias, sem que ele faça nada para mudar a situação”, diz a presidente do PT. Assim como Gleisi, Kassab avalia que Bolsonaro governa pensando apenas nas urnas, o que atrapalha sua gestão, mas afirma que não vê fato concreto para o impeachment, instrumento que não pode ser banalizado. “Minha impressão, ou certeza, é que esse governo está totalmente focado nas urnas”, diz Kassab. “As pessoas querem ser protegidas, ver o governo atuando, ver manifestações positivas. Isso não tem acontecido”, completa.” [Folha]

Mas se depender do Lira..

“Um dia depois de os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, reagirem às ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou não ter compromisso com intentos antidemocráticos e criticou manifestações políticas de comandantes militares. “Importante dizer que a presidência [da Câmara] tem compromisso com a democracia, com as pautas que desenvolvam o país, com as reformas, tem compromisso com a harmonia, governabilidade, mas não tem compromisso algum com nenhum tipo de ruptura política, institucional democrática, com qualquer insurgência de boatos, com qualquer manifestação desapropriada”, disse o deputado, em entrevista a CNN Brasil. “Nenhum ministro, principalmente desses três ministérios [Forças], Exército, Aeronáutica e Marinha, tem que estar exprimindo sentimento político com relação a essa ou aquele posicionamento. Eu acho que deveremos ter várias matérias legislativas que deverão ser encaminhadas ao plenário do Congresso Nacional que delimite essas situações”, acrescentou.” [Folha]

Imagine, Lira consegue falar mais grosso com os milicos que o Pacheco e ainda assim tá colado com esse governo verde-oliva.

“Na manhã deste sábado, Lira havia rompido o silêncio, em suas redes sociais, mas tinha evitado criticar diretamente a postura do aliado ou de integrantes do governo. “Nossas instituições são fortalezas que não se abalarão com declarações públicas e OPORTUNISMO. Enfrentamos o pior desafio da história com milhares de mortes, milhões de desempregados e muito trabalho a ser feito”, escreveu Lira em uma rede social neste sábado (10), destacando a palavra “oportunismo”. Embora não tenha afirmado diretamente, Lira indica que pode apoiar medidas como a proposta que visa proibir a participação de militares da ativa em cargos políticos do governo. A proposta deve ser protocolada pela oposição nos próximos dias. Na entrevista à CNN, o presidente da Câmara afirmou também defende a discussão do semipresidencialismo no país, para vigorar a partir de 2026, embora tenha ressaltado não ter certeza se a ideia irá prosperar. A proposta é defendida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, e por políticos como o ex-presidente Michel Temer. “Eu não estou defendendo o semipresidencialismo, estou dizendo e afirmando que se for o caso é muito menos danoso que um primeiro-ministro que é eleito pelo congresso e tem que ter base de sustentação em ordem caia do que caia o presidente todo mandato”, afirmou Lira. Ele acrescentou que vai sugerir aos líderes partidários a inclusão do tema na tramitação da reforma eleitoral, mas com eventual validade apenas para 2026. “A gente está discutindo reformas eleitorais, então que a gente já possa prever que em 2026 a gente muda definitivamente esse sistema de presidencialismo para o semipresidencialismo ou talvez para o parlamentarismo. Porque essas instabilidades causam uma ruptura política grande no país.””

O primeiro líder do Centrão incapaz de fazer cálculos políticos, que quadra da história!

O ex-marqueteiro do Bolsonaro, que certamente reservou seu lugar ao lado do capeta, falou algumas cosias interessantes:

“O presidente Jair Bolsonaro não entregou nada do que prometeu na campanha. Depois que virou presidente, está fazendo essa gestão que estamos vendo, sem qualquer realização. Inaugurando caixa d’água, ponte pronta, e outras obras insignificantes. Foi incapaz de comprar uma vacina que foi oferecida a ele mil vezes, incapaz de tocar as reformas. Nem na área de segurança, que era uma de suas maiores promessas, algo foi feito.” A avaliação é de Marcos Carvalho, principal marqueteiro da campanha de Jair Bolsonaro para presidente, em 2018, marcada pelo uso das redes sociais. O candidato apelou para o elogio da ditadura, além do discurso racista e homofóbico. Carvalho afastou-se de Bolsonaro logo após a eleição, antes mesmo de tomar posse como coordenador de comunicação do novo governo, após ser atacado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois. Para o marqueteiro, a última perna que ainda mantinha Bolsonaro conectado às expectativas dos eleitores era seu discurso em defesa da honestidade na política. “As suspeitas de corrupção que estão vindo à tona na CPI colocam por terra a última razão para o grosso do seu eleitorado continuar acreditando nas promessas de campanha”, me disse Carvalho, durante uma conversa por telefone, na manhã de quinta-feira, dia 8. Na campanha, Carvalho fez vários levantamentos para entender a cabeça do eleitor de Bolsonaro e o que ele esperava do novo presidente da República. Sua conclusão é de que a maioria de seus eleitores não era bolsonarista. Eram pessoas que, em algum momento de suas vidas, votaram em Fernando Henrique Cardoso, em Luiz Inácio Lula da Silva e até em Dilma Rousseff. Um eleitor que poderia ter votado em 2018 em João Amoêdo (Novo), Alckmin (PSDB) ou Ciro Gomes (PDT). “Quem o elegeu não foram os bolsonaristas. A grande maioria que votou em Bolsonaro poderia ter votado em outros candidatos no primeiro turno e só não o fez pelo sentimento antipetista. Pela sensação de que Bolsonaro era o único com condições de derrotar Lula e, depois, Fernando Haddad”, disse. O eleitor fiel de Bolsonaro, os bolsonaristas, na avaliação do marqueteiro, são os 15% que ele tinha e continua mantendo. “Essa é a base dele. Que ele já tinha antes mesmo de a campanha começar para valer”, afirma. Carvalho detalhou por que, em sua avaliação, pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018 não repetirão a dose em 2022. “Uma eleição é feita de atributos funcionais e emocionais. Primeiro você escolhe o seu candidato e depois os motivos pelos quais você escolheu votar nele. Eles votaram em atributos absolutamente emocionais. A candidatura de Bolsonaro não tinha uma proposta, só conceitos e valores. A maioria dos eleitores estava convencida de que ele era o caminho para tirar o PT”, explicou. Na reeleição, avalia, esse atributo emocional desaparece porque o eleitor já conheceu o trabalho do presidente. E só voltaria a votar nele se ele apresentasse bons resultados. Na eleição de 2022, diz Carvalho, para esse eleitor comum, que nunca foi um bolsonarista, o atributo emocional desaparece. “Esse eleitor não repete o voto porque Bolsonaro não tem nenhum compromisso que precisa ser finalizado. Não tem uma obra a ser terminada. Não há nada a ser dado em continuidade”, explicou. O eleitor pode até continuar admirando o presidente, pode até pensar que o presidente tentou fazer algo – mas entende que, ao final, não conseguiu e se corrompeu. “Não existe no processo de reeleição um voto que priorize os atributos emocionais em detrimento dos atributos funcionais.”” [Piauí]

Essa parte é interessante:

‘”Na opinião de Carvalho, outro elemento importante para garantir o voto é não só manter a coerência e a centralidade junto à sua base, mas ampliar o espectro de eleitores. Todas as vezes em que Bolsonaro tentou fazer isso, de acordo com Carvalho, ele se sentiu muito fragilizado, em razão das profundas reclamações de sua base. “

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“Como exemplo da dificuldade de Bolsonaro de ampliar seu universo de apoio, cita o discurso na sessão de abertura da reunião da ONU, este ano. “Pressionado pelo agronegócio mais moderno, que se sente ameaçado em razão do desastroso comportamento do governo em relação à questão ambiental, Bolsonaro tentou fazer um discurso garantindo a defesa do meio ambiente, assumindo, inclusive, alguns compromissos para melhorar o combate ao desmatamento”, ressaltou Carvalho. O resultado foi que, ao voltar para a sua base, ele sofreu um tremendo ataque de seus apoiadores nas redes sociais. “Ele apanhou tanto que, no dia seguinte, no cercadinho do Alvorada, em conversa com os bolsonaristas, retrocedeu em seu discurso na ONU.” O que restou para Bolsonaro, garante Carvalho, foi o bolsonarista convicto, que sente que ganhou poder. “É o eleitor que ainda acredita no discurso de Bolsonaro e dos filhos, cheio de arrogância de que tomaram o poder. De que o Brasil os elegeu. Mas ele não foi eleito por esse público, e sim pelo eleitor normal, não extremado.” “

Sobre a terceira via:

“Carvalho sequer acredita na terceira via, um candidato capaz de quebrar a polarização entre Lula e Bolsonaro. A disputa hoje, diz ele, é pelo voto do próprio Bolsonaro – e diz que essa é a maior ameaça à campanha do PT. Lula, em sua opinião, corre o risco de viver o mesmo problema de Bolsonaro. “Bolsonaro foi eleito na esteira da rejeição ao PT e a Lula. Hoje, Lula e sua candidatura se alimentam da mesma lógica. A estratégia da campanha de Lula tem que ser muito bem pensada, porque ele não pode se resumir ao antibolsonarismo”, afirma. E segue: “Quando olhamos todo o processo pós-democratização no Brasil, você não tem candidato de terceira via. Não adianta procurar candidato da terceira via. Esse espaço passa a existir em função do declínio de Bolsonaro. Essa terceira via seria, na verdade, apenas uma segunda força de oposição e não uma terceira, porque Bolsonaro certamente estará fora do jogo eleitoral”, acredita.”

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4. A putrefação presidencial

É você, Deus?!

“O presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar nesta sexta-feira (9) de um soluço persistente. A apoiadores, na área externa do Palácio da Alvorada, ele disse que iria poupar a voz em função do problema. “Estou há sete dias soluçando e tenho dois discursos hoje e um amanhã, portanto não vou falar muito. Estou poupando aqui falar. Ontem, quinta-feira (8), o presidente iniciou a sua live semanal pedindo desculpas pelos soluços terminou a sua fala antes que o habitual após apresentar dificuldades para falar e cansaço. Ele disse que os soluços começaram após um procedimento odontológico no último sábado. Questionado, o Palácio do Planalto ainda não esclareceu se o presidente irá fazer exames para investigar as causas do soluço persistente. De acordo com a equipe de gastroenterologistas do Hospital Santa Paula, quando o soluço é persistente, durando mais de 24 horas, a recomendação é buscar orientação médica: “Já que o soluço é um sintoma associado a desde doenças simples, como o refluxo, até tumores, doenças neurológicas e traumas, como algum acidente que tenha afetado o diafragma”.”” [R7]

O presidente está morrendo na nossa frente em slow motion, é tipo um Tancredo invertido, ele tá ´PUTREFANDO de soluço em soluço. Ou então o diabo tá tentando sair do corpo presidencial mas falhando miseravelmente, sempre vencido pelas entranhas do capitão..

“O presidente Jair Bolsonaro ficou pouco tempo no jantar promovido pela Vinícola Miolo na noite desta sexta-feira, 9 de julho, em Bento Gonçalves. Ele teve um mal-estar e deixou o local rapidamente, sendo levado direto para o Hotel de Trânsito, no 6° Batalhão de Comunicações. De acordo com informações preliminares, desde que chegou em Caxias do Sul, durante a tarde, Bolsonaro estava soluçando bastante e apresentava dificuldade para falar algumas vezes. Ao chegar para o jantar, o presidente conversou com algumas autoridades e lideranças empresariais. Porém, por volta das 20h, o mal-estar aumentou e o presidente pediu desculpas e se retirou rapidamente do local, sendo levado para o Hotel de Trânsito. O problema já vinha se manifestando nos últimos dias. Ainda na quinta-feira (8), enquanto fazia sua habitual transmissão ao vivo pelas redes sociais, o presidente mencionou que o soluço durava dias. Segundo ele, os espasmos teriam começado após um procedimento odontológico, ao qual fora submetido no dia 3 de julho.” [NB Notícias]

E apesar de falar como alguém que luta contra um espírito preso em suas entranhas Bolsonaro falou bastante e desfilou todo seu racismo

“O presidente Bolsonaro disse nesta sexta (9) que, em uma reunião com pesquisadores, uma chamou a sua atenção pela ‘fisionomia’. Ela era de Angola. “A viagem que fiz ao Mackenzie, uma coisa me assustou. Positivamente, poderia dizer”, disse, na 1ª Feira do Grafeno, em Caxias do Sul (RS). “Fui apresentado a um seleto grupo de pesquisadores. Talvez uns trinta. E o que percebi entre eles é que a grande maioria, quase a totalidade, não eram brasileiros. Daí vi também, entre eles, uma pessoa que me chamou a atenção – dada, obviamente, a sua fisionomia. E perguntei se ela era brasileira. Ela respondeu: ‘não, sou angolana’. Bem, Angola em pesquisa (sic) ou alguém ou outro povo que está cada vez mais se apresentando nesse país mandou essa pessoa para cá?”.” [Não lincamos Antagonista]

E um dia antes Bolsonaro tinha classificado o black power de um apoiador como “ninho de barata”.

“Já tá certo quem vai ser presidente o ano que vem.”‘

Isso que é pato manco, o resto é perfumaria.

A gente vai deixar entregar isso? Queremos transparência.”

Disse o sujeito com sigilo de CEM anos no cartão de vacinação.

“Acho que, a cada dia que passa, vocês estão se conscientizando mais. O que está em jogo… Como é que justifica um país que tem tudo, viver grande parte da população na miséria? Viverem 20 milhões de pessoas com programas sociais. Não se justifica. Então, nós temos que conscientizar quem está do nosso lado. Se as eleições, essa eletrônica, fossem honestas, por causa da tecnologia, por que o mundo não adota isso aí? Será que somos os melhores da tecnologia? Está na cara que aqui, (isso é para) voltar a quadrilha de sempre ao poder” [Correio Brasiliense]

É por demais fascinante ver um sujeito que sempre criticou as urnas eletrônicas ser eleito pelas urnas eletrônicas e denunciar essas mesmas urnas. E no primeiro ano de governo não era assim, assim que Bolsonaro se elegeu ele passou centenas e centenas de dias sem falar na fraude das urnas.

Ah, ele já havia chamado Barroso de imbecil, idiota e agora otário.

“A fraude está no TSE, para não ter dúvida. Isso foi feito em 2014. Então isso é fraude, é fraude, é roubalheira. Vocês acham que o Renan Calheiros, por exemplo, se pudesse fraudar a votação ele fraudaria pelo caráter que ele tem? A única forma de bandidos com Renan Calheiros se perpetuarem na política, entre outros que estão do lado dele, o nove dedos, é na fraude. Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma [atual], corremos o risco de não termos eleição no ano que vem” [Folha]

Bolsonaro não entregaria faixa nem que ele contasse pessoalmente cada um dos votos, porra!

“Ministros e auxiliares de Bolsonaro afirmam à coluna que ele tinha certeza de que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso seria aprovada no Congresso. A reunião de 11 partidos contra a medida, incluindo legendas da base do governo, porém, “desorientou” o presidente, que passou a questionar com mais frequência e sem provas a segurança da urna eletrônica.” [O Globo]

E essa do Gilmar numa entrevista pro Datena?

“A prova inequívoca de que não houve fraude foi a eleição de Jair Bolsonaro, ele não era o candidato do establishment” [Estadão]

A frase é boa, mas por que diabos ministro do STF dá entrevista em programa policialesco?!

Teve até fala sobre 142.

“Você viu gente presa por atos antidemocráticos? Vai pra… Que que é o cara quando levanta o artigo 142. Ué, se o artigo é ditatorial, tira da Constituição. Se está lá, é pra respeitar. Inclusive, o senhor Alexandre de Moraes tem que respeitar o artigo 142. ‘O cara levanta AI-5’. Que que é AI-5? Não existe AI-5. E alguns acham que quero dar o golpe. Falar para esse otário que eu já estou no poder. Importante refletir, pessoal. A liberdade não tem preço”

Quem falou em 142 também foi o sumido Queiroz:

“Um recado de Fabrício Queiroz diante de novas revelações sobre o esquema de “rachadinha” em gabinetes da família Bolsonaro foi publicado online na quarta-feira, em forma de ameaça, pelo ex-assessor parlamentar. Em sua conta no Instagram, restrita a amigos, ele compartilhou um vídeo de três minutos que contém uma fala antiga de Hamilton Mourão sobre a possibilidade de intervenção militar no país, dita quando o general ainda não era vice-presidente. Durante uma palestra em Brasília, em setembro de 2017, Mourão disse que o Alto Comando do Exército considerava intervir nos Poderes caso eles não solucionassem “o problema político”. À época, Michel Temer havia acabado de ser denunciado por Rodrigo Janot ao Supremo por organização criminosa e obstrução de Justiça. A crise foi abafada quando a Câmara, pela segunda vez, livrou o então presidente de investigação durante o mandato. Ao compartilhar o discurso, Queiroz escreveu uma mensagem breve: “Aviso foi dado”. Disse Mourão, há quatro anos, agora parafraseado: — Na minha visão, que coincide com a de meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos naquilo que poderíamos lembrar da tábua de logaritmo. Aproximações sucessivas. Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos. Ou, então, nós teremos que impor isso. (…) Os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil, ela trará problemas. Podem ter certeza disso aí.” [O Globo]

E hoje teve mais confissão de derrota:

“Os problemas fazem parte. Sabia que ia ser difícil, mas esperava contar com mais gente importante do meu lado. Lamentavelmente, muita gente importante aí boicota” [Folha]

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“Acreditar em pesquisa Datafolha? Se bem que o Datafolha, eu acho que recebeu pouca grana desta vez. Diz que, no segundo turno, o Lula tem 60%. Então, tem que botar mais um dinheirinho no Datafolha para passar para 70, 80 [%]. Quem sabe, né, a gente confia no Datafolha e nem vai votar. Já está eleito mesmo”

Não demora muito e ele tá incentivando seus eleitores a não irem voltar.

E olha que coincidência terrível:

“As mensagens encontradas no celular do policial militar Luiz Paulo Dominghetti mostram que, além de 400 milhões de vacinas, ele dizia ter até nióbio para vender. “Me apareceu 25 mil toneladas de nióbio. Tem demanda?”, disse a um contato salvo como Alfredo Atas. O PM não tem relação com as duas únicas empresas que exploram o minério do país. O Brasil tem a maior reserva de nióbio do mundo e o presidente Jair Bolsonaro é um defensor dos investimentos na exploração. Na live desta quinta-feira (8), o presidente falou sobre o minério com o ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovação).” [Folha]

Nióbio?! Hummm

“O que saiu até agora do celular do PM Luiz Paulo Dominguetti não representa 10% do conteúdo sob poder da CPI. O operador que sonhava com jaguar e mansão em Brasília deixou todos os passos registrados no WhatsApp.” [Veja]

Imagine se aparecesse no telefone do policial da ativa umaq mensagem envolvendo algu´m da famigia presidencial…

“Numa conversa registrada em 3 de março, Dominguetti conversa com um interlocutor identificado como Rafael Compra Deskartpak sobre a operação em curso, naqueles dias, para que o grupo chegasse até Bolsonaro no Planalto. Como a CPI já descobriu, o reverendo Amilton Gomes de Paulo atuou para aproximar os supostos vendedores de vacina do gabinete presidencial. Ele entrou na empreitada por ser próximo da primeira família. Nas novas mensagens, Dominguetti comenta assustado sobre os avanços do reverendo. “Michele (sic) está no circuito agora. Junto ao reverendo. Misericórdia”, escreve. O interlocutor se mostra incrédulo diante do nome da primeira-dama. “Quem é? Michele Bolsonaro?” E Dominguetti retorna: “Esposa sim”. O interlocutor orienta o policial a ligar para Cristiano Carvalho, CEO da Davati no Brasil, que pilotava a operação: “Pouts. (sic) Avisa o Cris”. Não fica claro, quando Dominguetti diz que “Michelle está no circuito”, que tipo de participação a primeira-dama pode ter no caso. Os integrantes da CPI devem avançar sobre esse ponto para entender se a primeira-dama foi usada para que os supostos vendedores de vacinas chegassem a Bolsonaro.” [Veja]

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5. Malditos, parte 2

Sigamos com os malditos, ecomeçamos com o CRIMINOSO comandante da Aeronáutica, e não dá nem pra dizer que no Uruguai ele seria preso depois da entrevista porque no Uruguai ele teria sido preso na véspera da antrevista por ter autografado aquela nota espantosa do Ministério da Defesa.

“É importante a gente ter em mente que o brigadeiro é o mais explicitamente bolsonarista dos comandantes militares. E ele tem cruzado a linha de não manifestação política dos militares constantemente nas redes sociais. Disse que votou em Bia Kicis, uma das mais radicais deste grupo político e que já fez ataques diretos ao STF. Faz tuítes e retuíta posts com conteúdo político a favor do governo e criticando a oposição. Como comandante da Aeronáutica ele não pode se preocupar se fica esse governo ou volta a oposição, porque as Forças Armadas são instituições do Estado brasileiro e não deste ou daquele governo. O brigadeiro deu a entender ainda que não pode se investigar nem Eduardo Pazuello nem Elcio Franco. Diz implicitamente que Aziz tem feito ilações contra o ex-ministro da Saúde. Considera que o presidente da CPI está julgando Pazuello prematuramente. “Um general da ativa, isso é muito desagradável e não podemos aceitar”” [O Globo]

E NADA aconteceu! Mas vamos ao Braga Netto, que consegue a proeza de estar em TODAS as cenas do crime:

“Quem esteve com Braga Netto diz que ele estava cuspindo marimbondos. O perfil do ministro da Defesa é muito diferente do de seu antecessor, Fernando Azevedo e Silva, demitido por não sair em defesa de Jair Bolsonaro.” [Estadão]

E Pacheco fez aquele discuros medrado porque ouviu um esporro homérico, pelo visto:

“Ainda na noite de quarta-feira, 7, Braga Netto fez esses marimbondos chegarem até Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Mas, na ligação do dia seguinte, agradeceu as declarações públicas “ponderadas” do presidente do Senado, porém, muito criticadas pelos pares dele. Como se sabe, as Forças Armadas são um bloco monolítico e a declaração não agradou a todos. Militares da reserva que já ocuparam altos cargos acharam a nota fora de tom, só de interesse do presidente. O texto acabou por arrastar as Forças até a CPI…”

aO que me leva a isso aqui ó:

“O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o PSD, presidido por Gilberto Kassab, estão próximos de anunciar a filiação do senador visando sua candidatura ao Planalto em 2022. Segundo apurou o Poder360, a ida do mineiro para o partido é quase certa e o anúncio pode vir ainda nesta semana. Em nota, o senador disse que não discutirá eleições ainda. “Não discutirei agora o processo eleitoral de 2022. Meu compromisso é com a estabilidade do país, e isso exige foco nos muitos problemas que ainda temos em 2021”, declarou Pacheco. Pacheco ainda aguarda últimas definições e acertos com o partido para anunciar sua filiação. A filiação do senador é um desejo antigo de Kassab, que o trata como favorito para liderar uma 3ª via presidencial como alternativa à polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A cúpula da sigla já vinha dizendo que terá candidato próprio e avaliava que Pacheco é da política tradicional, mas representa uma renovação. O partido confiava que “na hora certa”, o senador embarcaria no projeto.” [Poder 360]

Eu tava achando que era só Kassab se cacifando pra hora das negociações, e de certta forma é isso mesmo, mas visando segundo turno:

“Antes mesmo de Gilberto Kassab (PSD) propor em entrevista ao Estadão o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), como o homem capaz do centro capaz de disputar com Lula e Bolsonaro as eleições de 2022, militares ligados ao vice-presidente, Hamilton Mourão, já viam no senador por Minas Gerais um excelente nome para essa tarefa. Um dos generais ouvidos pela coluna acrescentava ainda na semana passada o sonho de ter o ex-juiz Sergio Moro como vice na chapa.” [Estadão]

Obediente ele é, né? Nnguém sair menor da semana que se passou que Pacheco, e lá vão os milicos fazer outro all-in equivocadíssimo.

“vA defesa de Pacheco passa pelo reconhecimento de que seria difícil atrair parte da direita para outras candidaturas que se apresentam pelo centro, como Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).”

Imagine, os caras tão comparando Ciro com Doria!

“Resistência menor teria entre os militares o nome do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Muitos dos generais o conheceram ainda em Pelotas, sede da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército. A questão que nenhum deles ainda respondeu é: como sobreviver na política sem Bolsonaro? O certo é que nem todos os militares eleitos para o Congresso devem acompanhar Jair Bolsonaro em seu novo partido. Há quem deseja permanecer no PSL e ali ajudar outras candidaturas. Essa turma acredita ainda não haver condições para o impeachment de Bolsonaro, mesmo que isso pudesse esvaziar a candidatura de Lula. Para esses generais, interessa a Lula manter Bolsonaro na disputa e a Bolsonaro ter Lula como adversário em 2022. Os mesmo generais acreditam que Mourão não irá se mover – ele não é o Michel Temer, nem tem o que oferecer aos parlamentares em troca do impeachment – a favor da deposição do presidente; nem pretende enfrentá-lo como adversário na eleição de 2022. Nutrem a esperança de uma reforma política que trate de temas como as candidaturas avulsas e o semipresidencialismo. Diante da degradação do governo, esses generais responsabilizam Bolsonaro pelo fracasso da política ambiental e questionam suas seguidas declarações destemperadas e ameaças às eleições. Sonha-se com um presidente que permaneça calado em meio ao fim da pandemia. Seria preciso Bolsonaro nascer de novo. Enfim, não só os civis nutriram ilusões desse tipo na história da República. Em um País em que os chefes militares resolvem redigir uma nota a quatro mãos contra o presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) que toda a civilização e mesmo as suas hierarquias se ergueram em torno da posse e do uso da palavra. Ensina o filósofo Luciano Canfora: “Platão trata disso em vários dos seus Diálogos. Dizer as ‘coisas oportunas’ é, por si só, a atividade política, considerada antes de tudo como ‘palavra’.” Mesmo que o objetivo dos comandantes fosse o de admoestar o senador, suas palavras não eram acompanhadas por um manual para explicar as intenções aos leitores. Um estrangeiro que chegasse ao País no dia seguinte à nota encontraria em Brasília a certeza entre os civis de que se prepara um golpe; o golpe de Bolsonaro, conforme exposto em sua chantagem ao Congresso e à Justiça. O presidente diz que não aceitará sua derrota na eleição. Manda exibir no palácio do Planalto aos comandantes das Forças um vídeo que procura vincular as manifestações da oposição aos comunistas, como se meia dúzia de militantes na multidão da Avenida Paulista pudesse representar os 51% dos brasileiros que consideram Bolsonaro ruim ou péssimo. Bolsonaro precisa da guerra fria para justificar o golpe, para impor um estado de exceção. Gostaria de tornar realidade sua promessa de expulsar do Brasil quem dele discorda. Mas o Brasil não é o Haiti. Ele não precisa de um François Duvalier. Nem Papa Doc nem Baby Doc. No domingo, dia 11, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, criticou a nota feita pelos comandantes das Forças. “Não pode haver essa manifestação institucional. Quando ela acontece, acarreta mais desgaste ainda. O que estamos vivendo é um contexto, manifestações, que não contribuem em nada. Trazem só instabilidade, trazem só alarmismo.””

Alô, Santos Cruz!

“Mesmo que o objetivo dos comandantes fosse o de admoestar o senador, suas palavras não eram acompanhadas por um manual para explicar as intenções aos leitores. Um estrangeiro que chegasse ao País no dia seguinte à nota encontraria em Brasília a certeza entre os civis de que se prepara um golpe; o golpe de Bolsonaro, conforme exposto em sua chantagem ao Congresso e à Justiça. O presidente diz que não aceitará sua derrota na eleição. Manda exibir no palácio do Planalto aos comandantes das Forças um vídeo que procura vincular as manifestações da oposição aos comunistas, como se meia dúzia de militantes na multidão da Avenida Paulista pudesse representar os 51% dos brasileiros que consideram Bolsonaro ruim ou péssimo. Bolsonaro precisa da guerra fria para justificar o golpe, para impor um estado de exceção. Gostaria de tornar realidade sua promessa de expulsar do Brasil quem dele discorda. Mas o Brasil não é o Haiti. Ele não precisa de um François Duvalier. Nem Papa Doc nem Baby Doc. No domingo, dia 11, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, criticou a nota feita pelos comandantes das Forças. “Não pode haver essa manifestação institucional. Quando ela acontece, acarreta mais desgaste ainda. O que estamos vivendo é um contexto, manifestações, que não contribuem em nada. Trazem só instabilidade, trazem só alarmismo.””

segurar piroca dele até o final

“O general defendeu uma “reação forte” da sociedade e das instituições contra a ameaça feita pelo chefe do Executivo e cobrou o Judiciário e o Congresso. “Algumas ameaças são absurdas, como a de o presidente da República dizer que talvez não tenha eleição.” E completou: “Tem de haver reação forte das pessoas e das instituições. Temos algumas instituições muito fracas, seja no Judiciário, seja no Congresso Nacional, que, na minha opinião, tem de ser mais forte.” Faltou o general explicar se essa força passa pelo semipresidencialismo ou pelo impeachment de Bolsonaro. É possível que os colegas do general convertidos à terceira via não consigam entender a razão da crise política que toma o País. Pode-se pensar em desarmar os espíritos, mas isso será possível diante de Bolsonaro? Qualquer declaração que cheire a dissociação de seus planos golpistas poderá ser vista como afronta. O discurso de Santos Cruz coincide com a reação do presidente do Senado, que chamou de inimigo da Nação quem pretende retrocesso no Estado democrático de direito. O nome de Pacheco ainda é pronunciado com cuidado. Já é mais do que uma conjectura? Kassab é um político conhecido por saber aonde o vento costuma soprar. Mas nem ele sabe quantos votos terão os generais sem o presidente Bolsonaro.”

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6. Malditos, parte 3

Resta saber quem será nosso Márcio Moreira alvez e Randfole é forte candidato, hein:

“Acho que é importante deliberar o quanto antes sobre a reconvocação do coronel Élcio Franco. Acho que já achamos o candidato Adolf Eichmann brasileiro” [Metrópoles]

O mais louco é que o Exército silenciou, isso que dá queimar fichas com o Aziz.

Vieira complementou:

“Ele assumiu papel central na compra de vacinas e definição políticas públicas de saúde, sem nenhum conhecimento para tanto, atendendo diretamente comandos político-ideológico do presidente da República sem dar ouvidos aos técnicos. Essa mistura de arrogância e ignorância causou esse resultado em grande e larga escala”

E o que não falta é coronel metido em labança…

“O governo Jair Bolsonaro vai pagar dois dólares mais caro – ou 20% mais – que governos estaduais pela vacina Sputnik V por ter escolhido fazer o negócio usando a União Química como intermediária. A farmacêutica com sede no Distrito Federal pertence a um empresário que já doou dinheiro a um partido do Centrão, o PSD; tem um ex-deputado do Centrão como diretor; e conta com o lobby do líder de Bolsonaro na Câmara e ex-ministro da saúde, o deputado federal do Centrão Ricardo Barros, do PP do Paraná. Cada uma das 10 milhões de doses contratadas pelo Ministério da Saúde custará o equivalente a 11,95 dólares. Já os governos estaduais irão pagar 9,95 dólares a dose. O prejuízo monumental só ainda não se concretizou graças à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, que levantou dúvidas razoáveis sobre a segurança da Sputnik V. O contrato para a compra de 10 milhões de doses da Sputnik V por R$ 693,6 milhões foi assinado entre o então diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, e a União Química em 12 de março. Naquela sexta-feira, o general da ativa do Exército Eduardo Pazuello ainda comandava a pasta – na segunda-feira seguinte, Marcelo Queiroga seria anunciado no cargo. Feito o câmbio de dólar para real, o negócio sairá R$ 120 milhões mais caro do que se o governo tivesse imitado os estados, que trataram diretamente com a empresa russa que representa o Instituto Gamaleya, desenvolvedor da Sputnik. Uma lei sancionada pelo próprio Bolsonaro em 10 de março – ou seja, dois dias antes do martelo ser batido com a União Química – permite a importação direta de vacinas contra a covid-19. Graças a ela, os governos de Bahia e Mato Grosso encomendaram vacinas diretamente do Fundo Russo de Investimento Direto. Fazendo isso, irão pagar 9,95 dólares a dose, segundo os contratos sigilosos recebidos pela CPI da Covid e analisados pelo Intercept. Pelo câmbio de 31 de março, data da assinatura do contrato pelo governo matogrossense, cada dose sairia a R$ 56,02. O contrato entre o governo Bolsonaro e a União Química estabelece o preço de R$ 69,36 por dose – a partir do custo de 11,95 dólares a dose e com a moeda cotada em R$ 5,80, segundo a própria farmacêutica. Questionada a respeito da discrepância de valores, a empresa nos respondeu que “o preço ofertado, [de] cerca de 11,95 dólares por dose, incluiu o risco de variação cambial por parte da União Química, frete sob condição de refrigeração até o Brasil, despesas de importação, custos de carta de crédito em favor do Fundo Russo, etiquetagem em português e farmacovigilância”. Diz, ainda, que a comparação com o valor pago pelos governos estaduais “não é válida” e que “o preço de 9,95 dólares por dose é o padrão da vacina Sputnik V, considerando que a venda se dá na Rússia e todos os custos de transporte, seguro, importação, carta de crédito, farmacovigilância serão absorvidos pelos estados”. “Com todos os custos envolvidos, a margem [de lucro] da União Química está em torno de 5%, [com a empresa] ficando com todos os riscos que envolvem o transporte de um produto biológico a 18 graus negativos”, argumenta ainda a farmacêutica, quase que se lamentando por ter feito o negócio.” [Intercept]

Mas…

“Não é bem assim. Recebemos de uma fonte orçamentos para transporte das 1,15 milhão de doses da vacina Spunitk V da Rússia para o Brasil – trata-se da quantidade cuja importação pelo consórcio de estados do Nordeste foi autorizada pela Anvisa. O mais barato deles cobra 53 centavos de euro por dose – ou 0,63 dólares. O mais caro, 89 centavos de euro – ou 1,05 dólares. Importante: os preços por dose ficam mais baixos quanto maior for o número de vacinas a serem transportadas. Com uma encomenda de 10 milhões de doses, é provável que a União Química conseguisse valores ainda menores. Um outro orçamento, de uma empresa estatal, trata dos serviços de farmacoviligância e atendimento telefônico a quem tomar as vacinas Spunitk compradas pelo consórcio Nordeste. Os dois serviços custam, juntos, R$ 0,18. A mesma empresa diz ser capaz de cobrar R$ 63 mil para dar conta do processo regulatório para nacionalização e liberação do uso e desenvolvimento técnico de bulas e material informativo em português. Os preços se referem às mesmas 1,15 milhão de doses de Sputnik. Considerando os valores dos orçamentos, todos esses serviços não acrescentam um dólar ao custo final de cada dose da Sputnik V comprada por 9,95 dólares. Falta a União Química e o governo Bolsonaro explicarem a razão do outro dólar adicional do negócio fechado entre eles a 11,95 dólares por dose de vacina. Caberá à CPI da Covid, que tem em mãos os contratos do Ministério da Saúde e dos estados para a compra da Sputnik V, apurar se as justificativas apresentadas pela União Química para cobrar 20% a mais por dose num contrato de venda de 10 milhões de unidades são razoáveis.”

O responsável pelas negociações ? Élcio Franco! sse aqui ó:

“Com o aval do coronel da reserva Elcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello, as Forças Armadas usaram mais de 110 milhões de reais do dinheiro destinado à vacinação contra a Covid-19 para comprar combustível e peças de aeronaves. Dados do Tesouro Nacional aos quais a piauí teve acesso mostram que até a última quarta-feira, quando Elcio Franco passou a ser um dos principais alvos da investigação da CPI da Pandemia, havia um total de 94,3 milhões de reais já comprometidos e parcialmente pagos para a manutenção de aeronaves, além de 19 milhões de reais destinados à compra de combustível de aviação – tudo com recursos extraordinários aprovados pelo Congresso Nacional para a vacinação. A transferência de recursos de enfrentamento à pandemia do Ministério da Saúde para o Ministério da Defesa foi feita por meio de Termo de Execução Descentralizada assinado por Franco em janeiro, quando o governo dispunha de número insuficiente de vacinas. O documento abriu caminho para contratos milionários de manutenção de aeronaves e veículos, gastos com alimentação, operação de inteligência e até serviços de lavanderia de militares. Esses gastos se somaram aos 552 milhões de reais autorizados pelo Congresso Nacional diretamente para o Ministério da Defesa desde o início da pandemia. O Termo de Execução Descentralizada assinado por Elcio Franco em 19 de janeiro, pouco mais de dois meses antes de deixar o Ministério da Saúde com a demissão de Eduardo Pazuello, determina que o Ministério da Defesa teria 95 milhões de reais para o apoio das Forças Armadas ao Plano Nacional de Imunização. Nessa data, o Ministério da Saúde só havia comprado as primeiras 46 milhões de doses da CoronaVac do Instituto Butantan e outras 2 milhões de doses da AstraZeneca, importadas do laboratório indiano Serum, para o início do programa de imunização.

A entrega de doses da AstraZeneca contratadas anteriormente estava atrasada e só começaria em março. O documento assinado por Franco diz que o dinheiro deveria contribuir para “eliminar ou erradicar a Covid-19 no território nacional”. A contribuição das Forças Armadas se daria por meio da logística de transportes para locais de difícil acesso e segurança das tropas, em apoio à vacinação. Em apenas um dos créditos extraordinários que destinam verbas federais para o programa de imunização, a Medida Provisória 1.032, editada em 24 de fevereiro, a transferência de recursos da Saúde para o Ministério da Defesa já ultrapassou o valor previsto no Termo de Execução Descentralizada, mostra pesquisa nos registros do sistema do Tesouro Nacional. A uma única empresa instalada em Portugal e contratada pela Comissão da Aeronáutica em Washington foram reservados, no Orçamento da União, 53,4 milhões de reais – recursos sempre oriundos do dinheiro da vacinação contra a Covid-19. Trata-se da OGMA, Indústria Aeronáutica de Portugal, que tem participação acionária da Embraer. Documentos lançados no sistema do Tesouro Nacional registram como destino da verba a manutenção de aviões Hércules C-130. Reparos em aeronaves lideram os gastos da Defesa com dinheiro da vacinação. A empresa espanhola Construcciones Aeronauticas foi contratada pela comissão da Aeronáutica na Europa para a manutenção de aeronaves C-105 Amazonas, ao custo de 8,2 milhões de reais. Com o dinheiro destinado especificamente para a aquisição de vacinas, por meio da Medida Provisória 1.015, a comissão do Exército em Washington contratou a compra de 2,6 milhões em suprimentos de aviação da americana Airbus Helicopters num único dia, 14 de abril. O Termo de Execução Descentralizada prevê o gasto de 3,8 milhões com o pagamento de passagens e diárias de militares. Os registros do Tesouro Nacional mostram gastos de caráter sigiloso do Centro de Inteligência do Exército e a contratação de serviços de lavanderia na 4a Brigada de Infantaria Leve, em Juiz de Fora, com o dinheiro das vacinas. De acordo com o Ministério da Defesa, a maior parte dos custos bancados com recursos do Termo de Execução Descentralizada foi usada “na manutenção de viaturas, aeronaves e equipamentos, horas de voo, combustível e alimentação das tropas, dentre outras, para as atividades de apoio à vacinação e à distribuição de vacinas”. Até o final da tarde desta quinta-feira, o ministério não havia atualizado o total realizado de horas de voo. Procurados pela piauí, os ministérios da Defesa e da Saúde não informaram sobre a prestação de contas dos recursos da vacinação transferidos para as Forças Armadas. Com a demissão de Pazuello, Elcio Franco foi transferido do Ministério da Saúde para o Palácio do Planalto, onde trabalha como assessor especial da Casa Civil da Presidência. Franco depôs na CPI em junho. Na última quarta-feira, Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, afirmou à CPI que era Franco quem coordenava a negociação da vacina indiana Covaxin com o governo brasileiro.” [Piauí]

E Elcio não deve ter dormido nas últimas noites:

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7. CPI

Vai vendo…

“A história a seguir se divide em quatro atos e é considerada pela cúpula da CPI da Pandemia um caminho promissor para a investigação de suposto favorecimento por parte do governo à Precisa Medicamentos, empresa que intermediou a venda de 20 milhões de doses da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. Primeiro ato: em 23 de dezembro do ano passado, onze técnicos dos ministérios da Saúde, da Economia, das Relações Exteriores e da Casa Civil se reuniram para discutir se deveria ser fixada em lei a criação de um seguro para eventuais efeitos adversos provocados por vacinas contra o novo coronavírus. O seguro havia sido exigido pela Pfizer e pela Janssen, que não aceitavam ter de assumir possíveis indenizações a pacientes em caso de danos colaterais provocados pelos seus imunizantes. Após muito debate, os onze técnicos — entre eles, o então secretário-executivo da Saúde, Elcio Franco — elaboraram a minuta de uma medida provisória (MP) que previa expressamente o seguro e, assim, tinha potencial para destravar as negociações com as duas farmacêuticas, acusadas pelo presidente Jair Bolsonaro de tentar impor cláusulas leoninas. Naquele dia, o Brasil já tinha ultrapassado 190 000 mortes em decorrência do vírus. Segundo ato: em 3 de janeiro, um voo fretado decolou do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, rumo a Nova Délhi, na Índia. A bordo, entre outros passageiros, dois cônsules e o empresário Francisco Emerson Maximiano, dono da Precisa Medicamentos. Após uma escala em Doha, no Catar, o grupo desembarcou na capital indiana, para aquela que seria a primeira de duas reuniões em que Maximiano atuaria in loco para viabilizar o contrato de importação da Covaxin, que só seria formalizado em 25 de fevereiro. Terceiro ato: em 6 de janeiro, a MP foi publicada e — ao contrário do que ficara acordado entre os técnicos dos quatro ministérios que se reuniram em dezembro — o trecho que previa o seguro para indenizações contra danos adversos havia sumido sem maiores explicações. Uma surpresa ruim para a Pfizer e a Janssen, mas excelente para o dono da Precisa.” [Veja]

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E tudo isso com a participação de vários MALDITOS MILICO, incluindo a Aeronáutica, um policial da ativa e um reverendo!

No mesmo dia, Maximiano e sua comitiva, ainda na Índia, reuniram-se com o embaixador do Brasil no país, André Aranha Corrêa do Lago, e expuseram seus planos, registrados posteriormente em telegramas diplomáticos. Max, como é conhecido o empresário, disse ao embaixador que atuava em prol da importação de doses da Covaxin e afirmou que cerca de 90% do mercado de vacinação privada no Brasil era abastecido por apenas três companhias: GSK, Sanofi e Pfizer. Acrescentou ainda que a sua missão à Índia e a parceria com o laboratório Bharat Biotech, o fabricante da Covaxin, ajudariam a “romper esse oligopólio”. No seu relato, ele omitiu que o caminho para seus negócios havia se tornado mais favorável com a exclusão do seguro na medida provisória e, portanto, com a retirada, mesmo que temporária, da Pfizer e da Janssen da lista de potenciais fornecedoras de vacinas para o mercado brasileiro. O quarto ato lhe deu razão. No dia seguinte, 7 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta, por mala diplomática, ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, demonstrando o interesse do Brasil na AstraZeneca e na Covaxin. Essa cronologia foi relatada em minúcias a um grupo seleto de senadores que integram a CPI da Pandemia por uma pessoa cuja identidade é mantida em sigilo.”

Quem será?!

Desde o início de seus trabalhos, a comissão já recrutou cinco informantes, que buscam uma espécie de delação premiada informal — contarem seus segredos em troca de não serem importunados pela apuração parlamentar. Dois dos informantes abasteceram a CPI com informações sobre as transações de Max, encaminharam detalhes da reunião sobre a cláusula do seguro que permitiria a venda de vacinas pela Pfizer e pela Janssen (venda que só foi possível meses depois graças a uma lei de iniciativa do Congresso) e apontaram a artilharia para personagens graúdos do Planalto. Ainda sem apresentar provas, os informantes insinuaram que as ordens para privilegiar a Covaxin em detrimento de outros imunizantes envolviam o então chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, atual ministro da Defesa, e seu sucessor no posto, o também general Luiz Eduardo Ramos, ambos da estrita confiança de Bolsonaro.”

Ora, bastam os depoimentos tomados até aqui pra ver que a Casa Civil do Braga Netto sempre esteve envolvida, as reuniões sempre eram na Casa Civil comandada por um fucking general.

Numa reunião informal entre integrantes da cúpula da CPI, cogitou-se a convocação dos dois ministros, mas a iniciativa foi rechaçada. O terreno, no entanto, está sendo pavimentado. “Os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia. Fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”, disse o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), referindo-se a coronéis que ocuparam cargos na Saúde. A reação foi imediata. Em nota, Braga Netto e os comandantes das forças militares negaram irregularidades e disseram que a afirmação é “uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”. A refrega, ao que parece, está só começando. Um dos informantes da comissão contou que, na gestão de Eduardo Pazuello, questões estratégicas sobre vacinas eram debatidas diretamente entre Braga Netto e o grupo do então secretário-executivo Elcio Franco.”

Tem ofício deixando isso claro, porra, disso não resta dúvidas.

As ordens, disse, eram repassadas como na hierarquia militar, do general para o coronel da reserva sem maiores questionamentos. O processo teria continuado sem percalços quando Ramos substituiu Braga Netto na Casa Civil. O informante não fala expressamente que tenha havido corrupção dos militares no caso da Covaxin, mas insinua que apaniguados de políticos no Ministério da Saúde, feudo de parlamentares do Centrão, tinham carta branca para tudo.”

Isso é, no melhor e mais improvável dos cenários os milicos são testas de ferro do Centrão, o que não faz o menor sentido, eles nunca seriam testa de ferros de civis, é briga de gangue mesmo.

Um desses apaniguados, Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, prestou depoimento na quarta-feira 7 à CPI. Ele recebeu ordem de prisão do presidente da comissão, Omar Aziz, por supostamente mentir ao contar sua versão sobre a acusação de que cobrou propina de um atravessador que dizia negociar em nome da AstraZeneca. Antes disso, no entanto, Ferreira Dias atribuiu a Elcio Franco a coordenação de todo o processo de compra de vacinas, inclusive da Covaxin. Soou, assim, como música aos ouvidos dos adversários do governo. “O senhor Elcio Franco entra agora como foco das questões da CPI”, disse o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Os cinco informantes já forneceram documentos, cópias de contratos sigilosos e fotografias de personagens implicados em compras suspeitas de vacinas para a Covid. Três deles, funcionários terceirizados do Ministério da Saúde, temem ter a identidade exposta e sofrer represálias. Um quarto informante, funcionário de carreira, ainda não concordou em prestar informações publicamente, como fez Luis Ricardo Miranda, o servidor responsável pelo setor de importações do Ministério da Saúde que disse ter sido alvo de pressões indevidas para favorecer a compra da Covaxin. A CPI quer passar essa história a limpo. A partir da análise dos dados colhidos com a quebra de sigilos de Maximiniano e da Precisa, a comissão já está escrevendo o quinto ato da história. O objetivo é claro: no capítulo final, responsabilizar Bolsonaro ou, pelo menos, seus ministros mais próximos.” 

E parece que a gravação do Luis Miranda tem CINQUENTA minutos, imagine o que dois pilantras desse naipe não falaram por quase uma hora!

“Jair Bolsonaro, em sua conversa com Luis Miranda, além de citar Ricardo Barros, acusando-o de comandar o esquema da Covaxin, citou também outros dois chefes do Centrão. Um palpiteiro mais cauteloso do que eu ocultaria seus nomes, a fim de evitar o risco de ser desmentido, mas a cautela nunca foi um de meus atributos – e sem esses nomes o caso perde seu verdadeiro alcance. Jair Bolsonaro, segundo minha fonte, em quem eu confio inteiramente, citou Arthur Lira e Ciro Nogueira. O sociopata sabe que sua conversa com Luis Miranda foi gravada. Ele sabe igualmente que, se o áudio da conversa for divulgado, seu mandato vai para a cucuia.” [Não lincamos Antagonista]

Imagine, ele colocou todo mundo no meio de bobeira, é tudo por demais fascinante. E seu silêncio é ensurdecedor!

“O silêncio prolongado do presidente Jair Bolsonaro sobre a conversa com os irmãos Miranda no Palácio da Alvorada já causa saia-justa para a chamada tropa de choque do governo na CPI da Covid. Senadores governistas não escondem o desconforto com as várias versões sobre o episódio, além da ausência de uma fala contundente do próprio Bolsonaro para pautar a defesa política dele na CPI. Antes do depoimento dos irmãos Miranda, Bolsonaro disse que se reuniu com eles, mas que não foi avisado sobre as suspeitas. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, porém, diz que foi acionado por Bolsonaro e que a pasta não encontrou irregularidades.” [G1]

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Como que ele não sabia e tomou providências?!

“O mal-estar entre os senadores governistas aumentou nesta quinta-feira. Isso porque a cúpula da CPI enviou uma carta a Bolsonaro (vídeo acima) pedindo a ele que se manifeste sobre o depoimento de Luis Miranda. A correspondência é assinada por Omar Aziz (PSD-MA), presidente da CPI; Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice; e Renan Calheiros (MDB-AL), relator.”

Segundo Bolsonaro, “CAGUEI!”

Renan não perdoou:

“Eu nunca vi uma palavra só que sintetizasse um governo quanto esta. Aliás, se o governo estava com dificuldades para encontrar um slogan, definitivamente o encontrou”

Bolsonaro ainda disse ““Não tenho obrigação de responder, ainda mais carta para bandido, 3 bandidos. Eu vou responder para ladrões, bandidos? Não vou responder” e Renan pisou de novo:

E Bolsonaro tenta se explicar e falha miseravlemnte

“Eu não posso simplesmente…chegar qualquer coisa para mim e ter que tomar providência imediatamente, tá certo? Tomei providência nesse caso. Eu não respondo sobre reunião. Eu tenho reunião com 100 pessoas por mês, os assuntos mais variados possíveis. Eu não posso simplesmente…chegar qualquer coisa para mim e ter que tomar providência imediatamente, tá certo? Tomei providência nesse caso.” [Folha]

A incrível providencia que não foi formalizarem NENHUM documento!

Não tem cabimento [as suspeitas], é uma coisa absurda, uma história fantasiosa. Só serve a Renan Calheiros. Só serve ao Omar Aziz ou aquele deputado Randolfe [Rodrigues, da Rede] lá do estado dele. Mais nada” [Folha]

E o depoimento do Onyx há de ser épico, algum senador tem que perguntar se Onyx tinha o hábito de gravar reuniões….

“A cúpula da CPI da Covid reclamou durante a sessão desta sexta-feira (9) de que o governo não envia para a comissão documentos sobre a negociação da vacina indiana Covaxin. Diante da “obstrução de informações”, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), defendeu a convocação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni. A Covaxin foi a vacina mais cara contratada pelo governo federal. Diante das denúncias de irregularidades, a aquisição está sob investigação do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e da Polícia Federal. No fim de junho, o governo suspendeu o contrato. A previsão era de pagamento de R$ 1,6 bilhão por 20 milhões de doses. Renan deu a declaração em um momento em que a CPI tentava comparar a invoice (nota fiscal internacional) da Covaxin apresentada pelo depoente desta sexta, o técnico da Saúde William Santana, com a invoice apresentada por Onyx em uma coletiva de imprensa, há duas semanas.” [G1]

Não à toa Tebet explanou uma falsificação grotesca, por isso o desespero do governo.

“O relator tenta provar que Onyx apresentou uma invoice que não existiu no processo de compra da Covaxin. Na ocasião da coletiva, Onyx quis desqualificar as denúncias de que havia irregularidade nas negociações com a Covaxin. “Peço a imediata convocação do Onyx para que venha depor sobre o crime de falsidade, ao expor à nação um documento que sequer existe, falso. Portanto, a sua presença nessa comissão é importantíssima”, disse Renan. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a convocação de Onyx será votada na semana que vem. Randolfe criticou o fato de o governo não enviar à CPI os documentos solicitados. “Essa CPI tem sido vítima de uma reiterada obstrução de informações. Até hoje [o governo] não entregou o processo inteiro relativo à Precisa [empresa brasileira do contrato da Covaxin]. Mesmo requisitado, a Casa Civil, embora o ministro Onyx tenha apresentado em coletiva, não apresentou a essa CPI. Não sei porque procede dessa forma. Só posso imaginar que ele talvez esteja querendo esconder alguma informação”, afirmou Randolfe. Diante das reclamações sobre a demora do envio das documentações, o senador Izalci (PSDB-DF) perguntou quais medidas poderiam ser tomadas pela CPI. Randolfe Rodrigues ressaltou que há previsão legal para que a comissão requisite os documentos por determinação judicial ou, “em último caso”, a busca e apreensão do material. O vice-presidente da CPI ressaltou que ainda pode enquadrar o governo em crimes de desobediência e de obstrução de investigação. “Não queremos chegar a tanto, por isso insisto e reitero que entreguem os documentos, o que já foi objeto de requerimentos aprovados por essa comissão”, afirmou Rodrigues.”

Por falar em nyx:

“O ministro Onyx Lorenzoni disse a interlocutores que o governo não deveria ter demitido o servidor assim que saiu a notícia do suposto pedido de propina. Passou recibo.” [Estadão]

Tem mas Onyx, tenha sa calma:

“Sobrou para Onyx Lorenzoni, ministro da Secretaria-Geral da Presidência e responsável pela coletiva de defesa do governo sobre a Covaxin. Senadores governistas e do centrão mandaram avisar o Planalto que não defenderão Onyx na CPI da Pandemia, caso o ministro tenha que depor na comissão – algo em discussão. O ministro não tem muitos aliados no Congresso e no próprio governo. A desastrosa coletiva da Covaxin só piorou a situação. Na base, a percepção de que Onyx só atrapalha o governo aumentou consideravelmente. Ao centrão, interessa queimar Onyx – ou deixar que ele seja queimado. É mais um corpo político entre esse grupo e o escândalo das vacinas. A mera mensagem ao Planalto de que Onyx não será protegido indica que o ministro sofrerá grande desgaste no decorrer da CPI.” [O Bastidor]

E sempre é bom ver CIro Nogueira se fodendo:

“Sem alarde, a CPI da Pandemia aproxima-se do senador Ciro Nogueira, presidente do PP e um dos principais chefes do centrão. Dois dos expoentes das suspeitas que recaem sob os negócios no Ministério da Saúde avisaram que, se a comissão avançar sobre eles, sobrará chumbo para Ciro. Ao menos um dos investigados já forneceu informações alegadamente comprometedoras sobre Ciro e um de seus apadrinhados na pasta. Envolvem empresários com longo histórico de contratos no governo. A expectativa dos investigados que ainda não colaboraram é impedir que a CPI avance, em virtude das pretensas ilegalidades relacionadas a Ciro. A cúpula da comissão sabe que, caso o nome do senador entre no jogo, sobem os riscos para as investigações. Tanto o governo e centrão podem se unir para inviabilizar o restante dos trabalhos – ou, a depender das circunstâncias, a relação entre governo e centrão pode implodir. Tem gente na CPI que quer pagar para ver.” [O Bastidor]

E é impressionante como aquele deputado amazonense quebrou a harmonia entre Aziz e Braga:

“Grupo composto por senadores independentes e de oposição ao governo que atuam na CPI da Covid, o chamado “G7” perdeu um integrante. Ainda assim, essa ala, que costuma dar dores de cabeça ao Palácio do Planalto, mantém a maioria na comissão, que tem 11 titulares. Integrantes do agora “G6” estão convencidos de que o senador Eduardo Braga (MDB-AM) abandonou o bloco após sofrer assédio por parte do governo e, também, por ter se desentendido com seu conterrâneo Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, durante uma das sessões. A briga ocorreu após Aziz defender a aprovação de requerimentos que envolviam questões do Amazonas e poderiam expor aliados de Braga. Sem acordo no próprio grupo, Aziz cancelou, na segunda-feira, as votações de todos os requerimentos que estavam previstos para serem apreciados no dia seguinte.” [O Globo]

E tem X-9!

“Antes mesmo da desavença entre os amazonense, alguns dos componentes do grupo já viam com desconfiança a participação de Braga nas reuniões. Parte deles atribuiu a Eduardo Braga o vazamento para o governo de uma estratégia que buscava obter informações da gestão Bolsonaro por meio de um antigo aliado do Palácio do Planalto. O plano havia sido traçado na casa de Aziz durante uma reunião e chegou ao conhecimento dos governistas dias depois. Na última quinta-feira, durante uma live, Bolsonaro chegou a afirmar que o “G7” tinha se transformado em “G6”.  Relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), no entanto, ainda tenta fazer com que Braga permaneça unido aos que vêm torpedeando o governo. Além de eles serem correligionários, Renan é grato ao colega de partido pelo fato de Braga tê-lo apoiado para ocupar a relatoria da comissão. O posto de destaque vem garantindo a Renan uma exposição que ele jamais havia tido, como o próprio Renan costuma reconhecer.”

Encerro com a Tebet:

“Os subsídios existem. Você tem no impeachment sempre dois elementos que precisam ser analisados: é um instrumento jurídico e político. Os fatos existiram. Ali há indícios muito fortes de crime de responsabilidade. De autoridades. Nesse aspecto jurídico, nós temos elementos, sim. A primeira etapa está clara. Tem elementos jurídicos. Vamos, agora, para o segundo passo. Houve perda da popularidade do presidente da República? Como está a economia? Nenhuma CPI, nenhum impeachment, andou sem estar a economia abalada e sem a perda de apoio popular. Os dois (elementos) estão presentes. A questão é que, ainda, não chegou ao ponto, a meu ver, de o presidente perder apoio parlamentar, dentro da Câmara dos Deputados. Eu não acredito que se tenha, ainda, números para a instauração. É preciso aguardar esses trinta dias da CPI. Eu acho que, no quesito de regularidade de contratos, muita coisa vai vir à tona. Nós teremos, a partir daí, provavelmente, novos elementos que possam reforçar a perda da base parlamentar do presidente da República. Eu acho que, daqui a trinta dias, nós teremos condições de estar apoiando um processo de impeachment do presidente da República na Câmara dos Deputados.” [Folha]

Antes muito tarde do que nunca:

“A prevaricação no governo, em relação ao contrato da Covaxin, existiu. Agora, quem prevaricou? A pergunta que se faz é: quem é que vai assumir essa responsabilidade em nome do presidente da República? Houve a conversa (na qual Luis Miranda e seu irmão, servidor da Saúde, alertaram Bolsonaro sobre as irregularidades) no dia 20 de março. O governo não nega. O governo não nega que mandou para o ministro Pazuello investigar. O ministro Pazuello sai do ministério dois dias depois. Mas, antes disso, disso que passou para o Élcio, que é o número dois dele, que é o (ex) secretário executivo (da Saúde). O secretário executivo, que saiu um dia depois do ministério, disse: “Apurei e não vi nada”. Em um primeiro momento, a prevaricação recai sobre o coronel Élcio Franco. A pergunta é: cadê o documento que o Pazuello mandou para o Élcio, mandando investigar? Cadê o e-mail, o ofício, a sindicância administrativa, o “WhatsApp”, do Élcio para os subalternos, para investigar? Todo mundo fala que investigou. No mundo do direito público, não existe ato sem materialidade, sem documento. Não basta a palavra: “mandei investigar”. Mandou? Quem você mandou? Quem foi acionado?”

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8. MPF

A bala tá comendo no STF:

“O vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, foi intimado ontem pela Justiça Federal do Distrito Federal para apresentar esclarecimentos em 72 horas sobre um despacho secreto que paralisou pedido de apuração contra o procurador-geral, Augusto Aras, seu aliado. Como revelou O GLOBO, o caso gerou uma guerra interna dentro da Procuradoria-Geral da República (PGR). Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal tentam dar prosseguimento a um pedido de investigação feito pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Fabiano Contarato (Rede-ES) contra Aras, acusado de omissões na fiscalização do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. O subprocurador José Bonifácio, vice-presidente do conselho, havia determinado que o caso tivesse prosseguimento para que posteriormente fosse colocado em julgamento. Mas funcionários do conselho enviaram o processo diretamente para Humberto Jacques, em vez de distribui-lo aleatoriamente a um conselheiro. Jacques proferiu um despacho secreto, mesmo sem existência de sigilo no processo, e, depois disso, o caso ficou parado.” [O Globo]

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“Com isso, Bonifácio apresentou um mandado de segurança na Justiça Federal pedindo que Jacques seja obrigado a divulgar o despacho e que ele seja anulado. Na última terça-feira, o juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4a Vara Federal Cível do Distrito Federal, mandou intimar o aliado de Aras a dar explicações sobre sua decisão, como mostrou a colunista Bela Megale. Após a resposta, o juiz decidirá sobre o pedido. A discussão sobre a investigação só poderá ser destravada depois disso. Os senadores apontavam que Aras abria mão das atribuições funcionais “ao pretender indevidamente transferir a pretensão de responsabilização dos agentes políticos de cúpula ao Poder Legislativo”. Atualmente, Aras tem minoria no Conselho Superior, por isso sua estratégia tem sido impedir discussões no colegiado. O conselho tem dez cadeiras. A formação atual é composta por Aras e apenas dois aliados, enquanto os demais adotam postura crítica à sua gestão. O órgão tem atribuição de discutir temas da gestão administrativa do Ministério Público Federal e investigar a conduta dos membros da instituição. Procurado, Humberto Jacques não quis se manifestar sobre o caso. A briga interna ocorre num momento em que Aras tem sofrido derrotas em suas posições no STF, principalmente em investigações contra bolsonaristonas. A ministra Rosa Weber fez duras cobranças à PGR na semana passada em um pedido de investigação apresentado por senadores contra Bolsonaro. A PGR havia pedido para aguardar a conclusão da CPI, mas a ministra afirmou que a apuração da comissão não impede a atuação de Aras. Para a ministra, ao considerar que seria precoce se manifestar, a PGR “desincumbiu-se de seu papel constitucional”.”

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9. Guedes

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“A SPE (Secretaria de Política Econômica), do Ministério da Economia, apostou no recuo da pandemia em 2021 sem trocar informações com o Ministério da Saúde. A afirmação consta de ofício enviado à CPI da Covid no Senado. O ministro Paulo Guedes (Economia) respondeu a um requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente do colegiado. A CPI apura ações e omissões do governo Jair Bolsonaro (sem partido) na pandemia. Randolfe quis saber por que Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica, afirmou, em 17 de novembro, que o país caminhava para a “imunidade de rebanho”. Segundo ele, era “baixíssima a probabilidade de segunda onda”.” [Folha]

Esse Sashida era outro pilantra adorado pelo merca…

“Na época, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertava para mais ondas de contaminação. Além disso, outros países começavam a ver novas escaladas nos números. O secretário, tempos depois, chegou a pedir desculpas pela declaração e disse que não deveria ter comentado um assunto que não era de sua área. Mesmo assim, Randolfe cobrou esclarecimentos do time de Guedes. No requerimento, o senador pediu “todas as comunicações, e documentos recebidos, do Ministério da Saúde sobre projeções, previsões e planejamento para a pandemia no ano de 2021”. No ofício, Guedes apresentou em anexo um despacho assinado por Sachsida como resposta. Segundo o secretário, “não houve qualquer comunicação e/ou troca de documentos do Ministério da Saúde (MS) com a SPE”. “Eu estou assustado [com a resposta]”, disse Randolfe à Folha. “É um dos documentos mais reveladores da CPI”, afirmou o senador. Segundo o congressista, o despacho da SPE “é uma prova material da omissão do governo, da falta de política de enfrentamento da pandemia”. Para ele, a resposta mostra que “não tinha uma coordenação” No despacho, Sachsida afirmou que, em novembro, havia se baseado, na verdade, em “uma série de informações levantadas pela equipe técnica da SPE acerca da evolução da pandemia”. Entre os indicadores estavam “altas prevalências [subnotificação de casos], limiares de imunidade coletiva revisados, indicação de queda e distância da chegada do inverno (no hemisfério sul), ausência de fatos novos relevantes como nova cepas de maior transmissibilidade e expectativa positiva do início da vacinação”. A demora na compra das vacinas pelo governo Bolsonaro é justamente um dos principais focos de investigação na CPI. Sachsida ressaltou ainda que “a SPE não utiliza nenhum modelo preditivo da pandemia e continua baseando suas projeções em análises econômicas com o mínimo de inferências de natureza epidemiológica”..”

Sm, ele tá confessando que tirou a previsão da bunda!

“Para o vice-presidente da CPI da Covid, a resposta da Economia explica “por que o governo não planejou a continuidade do auxílio emergencial na virada do ano”. André Luiz Marques, coordenador-executivo do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper, afirmou que é papel do ministério traçar cenários para tomar decisões —mas que a análise deve se basear em dados de qualidade. Para ele, o posicionamento da SPE mostra que havia descrença por parte do governo na pandemia e falta de coordenação no planejamento das políticas públicas. Isso, disse Marques, afetou a execução de medidas como o auxílio emergencial. “Se não tem segunda onda, não preciso de auxílio. Aí as pessoas voltam à rua para ter seu sustento, e mais gente propaga o vírus. Não tinha como dar outro resultado”, disse ele, sobre os números da pandemia ao longo dos meses seguintes. “Se você tem alguma coordenação entre as pastas e os elaboradores da política pública, a tendência é ter decisões mais embasadas. Quando fica cada um olhando para o seu pequeno quadrado, as ações ficam descoordenadas e os gastos são executados de maneira ineficiente. E quem paga o preço da descoordenação é a população”, afirmou Marques.”

É impressionante, Guedes apresentou duas reformas e seus eleitores odairam as duas:

“Isso não é uma reforma. É um arrocho tributário e gerado por mentes meramente fiscalistas, que vai agravar esse ciclo vicioso que estamos vivendo. Vai forçar mais e mais esses contribuintes a pular a cerca. Você tira a competitividade da economia. Isso só vai gerar arrecadação. O aumento da carga tributária está vindo sobre uma das bases mais sobrecarregadas. Então, o aumento de carga é um tiro em cada pé. O governo está sobrecarregando os formais e, lá na frente, o período de arrecadação vai cair. Além disso, vai expulsar os investidores. O Brasil já é um dos maiores exportadores de fortunas e esse êxodo de dinheiro brasileiro vai aumentar ainda mais. ” [Estadão]

Chupa que é de uva!

“O projeto do governo que altera o IR de pessoas físicas e jurídicas será muito, mas muito modificado. É consenso. Tem diversos erros de calibragem nas alíquotas, bitributação e outros problemas que foram detectados por especialistas assim que o texto veio a público. Paulo Guedes é o primeiro a admitir os equívocos. E em geral tem lançado a culpa na turma da Receita Federal, a quem coube fazer cálculos que embasaram o projeto. No Palácio do Planalto, porém, a culpa é lançada não na Receita, mas no próprio Guedes. Diz um ministro: — A Receita é a culpada? Mas quem é o chefe da Receita?” [O Globo]

E essa ingenuidade que não pega bem pra crianças que não tem nem dois dígitos de idade?!

“Em conversas privadas, Paulo Guedes tem se queixado de empresas e empresários que aparecem fazendo boas ações, mas se recusam a aceitar a taxação dos dividendos: — De que adianta dar milhares de cestas básicas aos pobres se o cara não paga os impostos.” [O Globo]

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1. Duas letras

as

“A diretoria-geral da Polícia Federal concluiu no final de semana a última etapa do processo de desmonte da equipe de investigação de crimes ambientais que tocou os inquéritos sobre o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Depois de exonerar os delegados responsáveis pelos dois inquéritos que acusam Salles de favorecer madeireiras clandestinas que atuam na Amazônia, o diretor-geral Paulo Maiurino decidiu tirar do cargo o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Dmaph), Rubens Lopes da Silva. Na chefia da divisão, Lopes deu sustentação aos inquéritos contra Salles, que nem chegaram a passar pelo crivo de Maiurino. Foi ele quem fez o contato com os investigadores americanos que constataram problemas de documentação no desembarque da madeira contrabandeada em um porto dos Estados Unidos. Ele é um dos mais experientes delegados da área de repressão aos crimes ambientais e fez parte da primeira leva de chefes de delegacias especializadas nesse tipo de delito. Além de exonerar Lopes, a direção-geral da PF vai tirar a divisão de meio ambiente da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária, que investiga crimes financeiros, e subordiná-la à área de repressão a crimes contra direitos humanos e cidadania, que lida mais com questões indígenas na Amazônia. Embora ambas sejam ligadas à diretoria de investigação e combate ao Crime Organizado, a reordenação indica uma mudança de viés nas investigações de crimes ambientais, de crime econômico para crime humanitário. Na estrutura da Polícia Federal, isso representa um rebaixamento, uma vez que a coordenação de direitos humanos tem menos recursos e uma equipe menor. A direção da Polícia Federal, no entanto, afirma que a alteração tem como objetivo aumentar a eficiência das investigações. Segundo a nota, a “mudança da Divisão de Meio Ambiente para a Coordenação de Repressão a Crimes contra os Direito Humanos, que cuida dos crimes contra as comunidades indígenas, conflitos agrários e trabalhos forçados visa evitar a sobreposição de esforços e a promoção de uma maior sinergia entre áreas da PF que cuidam do mesmo tema, uma vez que grande parte dos crimes ambientais são cometidos em Terras Indígenas, da mesma forma que áreas degradadas são objeto de conflitos agrários, sem falar no fato da maioria dos trabalhadores forçados serem resgatados em garimpos ilegais e em terras ocupadas irregularmente (objeto de grilagem)”. O primeiro delegado a ser exonerado antes de Lopes foi Alexandre Saraiva, que apresentou uma notícia-crime contra Ricardo Salles ao Supremo Tribunal Federal pelos crimes de organização criminosa, advocacia administrativa e obstrução de fiscalização. Outro que teve a cabeça cortada depois de investigar Ricardo Salles foi o delegado Franco Perazoni, que em maio comandou a Operação Akuanduba. A investigação apurou o envolvimento de Salles e da cúpula do Ibama com um esquema de propina para facilitar o contrabando de madeira ilegal. Só nesse inquérito, o delegado Perazzoni elencou nove crimes que teriam sido cometidos pelo grupo: corrupção passiva e ativa, contrabando e facilitação de contrabando, prevaricação, advocacia administrativa, crimes contra a administração ambiental, lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e obstrução de justiça. A ministra do Supremo Cármen Lúcia acatou as denúncias dos delegados, transformando Salles em réu após o ministro Alexandre de Moraes autorizar a quebra do seu sigilo bancário e fiscal. Em junho, dois meses depois, ele deixou o governo. ” [O Globo]

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1. Ministro terrivelmente evangélico

E nos resta torcer pelo Alcolumbre, Brasil!

“Auxiliares do governo seguem pessimistas a respeito da postura de Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, mesmo após Bolsonaro confirmar em reunião ministerial a indicação de André Mendonça (AGU) para a vaga de Marco Aurélio no STF. O senador rejeitou receber Mendonça até o momento, fez pouco caso de suas ligações. Conversou com o AGU uma vez rapidamente após intermediação de um ministro, mas sem tocar no tema do STF. Ficou de procurar depois, mas nenhum movimento ocorreu até agora.” [Folha]

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Um país mal desenhado
“Desde Montesquieu e os “founding fathers” americanos sabemos que o bom funcionamento do Estado depende da repartição dos Poderes e do ajuste fino dos freios e contrapesos que os limitam. O fenômeno Bolsonaro mostra que temos muito a evoluir.”

Ícone da Lava Jato vira estrela da Bolsa em 2021
“Com analistas de bancos como o Safra destacando o aumento da diferença entre o preço entre a matéria-prima usada e o produto vendido pela empresa, bem como do BTG Pactual apontando seus resultados acima do esperado, dá para dizer que a Lava Jato parece já ser página virada para investidores da Braskem. No fim das contas, um ícone da operação foi a estrela da Bolsa no primeiro semestre.”

Cai diplomata que comandava órgão olavista no Itamaraty
“O comandante-em chefe de um bastião do olavismo caiu hoje no Itamaraty. O diplomata Roberto Goidanich foi exonerado da presidência da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), órgão destinado a promover estudos e debates no Ministério das Relações Exteriores. A embaixadora Marcia Loureiro, hoje no consulado do Brasil em Los Angeles, irá para o seu lugar, por determinação do chanceler Carlos França. Goidanich estava no comando da Funag desde o início da gestão Ernesto Araújo. Transformou o órgão num parque de diversões dos delírios olavistas. Passou a convidar para palestras blogueiros, militantes governistas, fundamentalistas religiosos e teóricos da conspiração tão barulhentos quanto desprovidos de ligações com a política internacional ou a diplomacia.”

Governo Bolsonaro cita Deus para barrar apoio a festival de jazz antifascista na Bahia
“O parecer desfavorável ao Festival de Jazz do Capão, que está em sua nona edição, começa com a frase “o objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da glória de Deus e a renovação da alma”, atribuída a Johann Sebastian Bach. “Localizamos uma postagem do dia 1º de junho de 2020, com uma imagem, contendo um ‘slogan’ para ‘divulgação’, com a denominação de Festival Jazz do Capão, na plataforma Facebook, a qual complementou os fundamentos para emissão deste parecer técnico”, afirma o parecer.”

Hitler no metrô
“Para evitar uma amnésia conveniente, discutia-se semanalmente a participação e a responsabilidade alemãs na mais sangrenta guerra da história e na “solução final”, o genocídio friamente planejado e executado de 6 milhões de judeus. Essa lavagem de roupa suja de sangue em escala nacional acontecia em escolas, universidades, cinema, televisão, teatro, revistas e jornais, expondo feridas para tentar curá-las. Carl Gustav Jung definiu o arquétipo da sombra como o lado sombrio da personalidade. Ninguém escapa, não somos tão bons como pensamos ser. Vale para o indivíduo, vale para nações inteiras. Algumas, como a Alemanha, procuram tornar consciente seu passado e encarar sua sombra. Outras jogam para debaixo do tapete suas mazelas, suprimindo a sombra nacional para valorizar apenas o discurso patriótico de um destino iluminado.”

Um comentário em “Dias 920 a 923 | Ninguém mente como o Exército brasileiro | 08 a 12/07/21

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