Dias 1.073 a 1.076 | O inimigo de sempre do Exército brasileiro | 07 a 10/12/21

Logo menos sai o podcast, com texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de assinatura mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

Agora, se você gosta da gente e quer botar o dinheiro pra voar é nóis : ) Tem planos de 5, 10, 20, 50 reais e 100, esse último aí caso você seja o Bill Gates. Taí o link com o QR Code: [PicPay] E também criamos um Apoia-se, rola de pagar até com boleto, ATENÇÃO, PAULO GUEDES! [Apoia-se]

E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

__/\/\/\/\/\/\__

De longe o post mais perdido e confuso de novembro de 2018 pra cá, eu nem sei mais quais são os dias, um bando de notícia velha porcamente editada. Mas os dois primeiros tópicos foram bonitinhos para o podcast, escutem lá.

__/\/\/\/\/\/\__

1. Orçamento secreto

Rosa peitou mas não sustentou a trocação, eis a dura verdade:

“A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou nesta segunda-feira, 6, a execução das emendas de relator-geral do orçamento (RP-9) previstas para o ano de 2021. O dispositivo é a peça central do esquema do orçamento secreto, no qual parlamentares indicam a destinação de recursos para suas bases eleitorais, sem que sejam adotados critérios técnicos, em troca de votar a favor das propostas do governo.” [Estadão]

Gostaria de acreditar que é um recuo estratégico mas não consigo ser tão ingênuo. Num dia Pacheco cospe no STF, assinando nota conjunta com Lira desafando Rosa, no outro Rosa se encontra A SÓS com Pacheco, e no outro dia sai essa decisão.

Rosa atendeu em caráter provisório o pedido dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para suspender o trecho da decisão proferida anteriormente que impedia novas indicações neste ano.”

Se os dois tivessem agido de forma republicana (risos) eu até entenderia o recuo, mas não foi isso que aconteceu.

Os parlamentares argumentam que o fim dos repasses paralisaria setores essenciais da administração pública. A ministra, no entanto, destaca ser necessário dar continuidade às providências para alcançar a “ampla publicização dos documentos” utilizados na distribuição de recursos das emendas em 2020 e 2021.. “Por ora, entendo acolhível o requerimento formulado pelos Senhores Presidentes das Casas do Congresso Nacional apenas para afastar a suspensão da execução orçamentária do indicador RP (item “c” da decisão cautelar), considerado o potencial risco à continuidade dos serviços públicos essenciais à população, especialmente nas áreas voltadas à saúde e educação”, explicou a ministra na decisão. A ministra afirmou que as medidas adotadas pelo Congresso, no Ato Conjunto editado pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, “mostram-se suficientes, ao menos em exame estritamente delibatório, para justificar o afastamento dos efeitos da suspensão” determinado pelo Supremo “diante do risco de prejuízo que a paralisação da execução orçamentária traz à prestação de serviços essenciais à coletividade”. 

Não, Rosa, não!

‘Na última segunda-feira, 29, o Senado aprovou o projeto de resolução em parceria com a Câmara. O ato altera as regras das emendas RP-9 e obriga a identificação dos autores das indicações a partir de agora. “

A decisão não versava apenas do que está por vir, mas as emendas já pagas! E Lira e Pacheco mentiram ao dizer que era IMPOSSÍVEL listar os nomes, é tudo por demais espantoso. E foda-se que isso ia criar instabilidade, é sempre essa chantagem escrota, vamos pagar pra ver, caralho!

“A medida também foi para votação na Câmara, onde obteve sucesso na aprovação. Depois de ter o texto em vigor, Pacheco comunicou ao Supremo, no dia 3 de dezembro, que exigiu do relator do orçamento neste ano a adoção das “providências possíveis” e necessárias para detalhar – no prazo de 180 dias – a autoria dos pedidos de alocação de recursos. “Mostra-se prematuro aferir, neste momento, a idoneidade das medidas adotadas para satisfazerem os comandos emanados da decisão cautelar proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Sequer esgotado o prazo para todos os órgãos estatais incumbidos da execução das providências determinadas por esta Corte apresentarem as ações adotadas nas suas respectivas esferas de competência”, escreveu a ministra.”

Rosa deu o que eles mais queriam, tempo. Enquanto isso eles já sabem como distribuir emendas ano que vem também sem transparência, via CMO. E asim eles vão levando a completa destruição do que restou do Brasil.

Oficiados pelo Supremo, a Presidência da República e os Ministérios da Casa Civil e da Economia ainda não encaminharam as informações solicitadas. Desde que a decisão individual de Weber para suspender os repasses do orçamento secreto foi ratificada por 8 votos a 2 no plenário do Supremo, a ministra vinha tendo conversas recorrentes com os presidentes da Câmara e do Senado, que buscavam reformar o entendimento da corte. O recuo da magistrada arrefece a queda de braço entre a mais alta instância do Poder Judiciário e o Legislativo, que deflagrou uma crise institucional depois de ter o seu principal instrumento de cooptação política paralisado.”

Bem colocado.

““O que se mostra juridicamente relevante, no momento, para os fins a que se propõe esta decisão, é a posição ocupada, no complexo deontológico e político consubstanciado na Constituição, pela garantia de continuidade dos serviços públicos”, escreveu Rosa Weber.”

Caiu nessa, Rosa?!

A verdade é que Lira e Pacheco colocariam a culpa no STF na falta de dinheiro, esse foi o recado dado por Pacheco e Rosa não sustentou. E na decisão ela tentou não se mostrar rendida:

““A necessidade de proteger a continuidade dos serviços públicos prestados à comunidade em geral – como via permanente de acesso das pessoas aos seus direitos básicos e às condições de existência digna – tem orientado a jurisprudência desta Suprema Corte”… *A ministra destaca que a liberação da execução das emendas “de modo algum prejudica a análise a ser realizada no julgamento final de mérito”. O presidente do Supremo, Luiz Fux, aguarda a liberação do processo pela relatora para agendar o julgamento que vai dar a palavra final sobre o orçamento secreto. * Na decisão, a ministra ainda solicitou que a ação seja levada a julgamento em sessão extraordinária no plenário virtual da corte (plataforma em que os votos são apresentados remotamente) para que a decisão possa ser analisada pelos demais ministros. No despacho, a ministra também prorrogou por 90 dias o prazo para que o Congresso, a Presidência da República e os Ministério da Casa Civil e da Economia adotem as medidas necessárias para dar “ampla publicidade” às indicações feitas por parlamentares via RP-9 – outro trecho central da decisão em vigor.”

E enquanto o STF não sustenta…

“No Congresso, todo o esforço tem sido para conseguir recursos abundantes e livres de fiscalização ou de limites de qualquer natureza para o ano eleitoral — dos R$ 16 bilhões do orçamento secreto aos R$ 65 bilhões com a mudança nas regras do teto de gastos, passando pelos R$ 3,28 bilhões das emendas Pix, que pingam diretamente nas bases sem escala ou fiscalização. Mas é tudo para o bem, claro. Afinal, o Auxílio Brasil precisa de recursos, a Saúde e a Educação também. Remanejar despesas? Impossível. Falta de transparência? Intriga da extrema imprensa! Todos sabem quem está enviando dinheiro para onde, basta procurar nas redes sociais. Em paralelo, os parlamentares trabalham firme para flexibilizar a Lei de Improbidade Administrativa, sepultar a ideia da prisão em segunda instância e anistiar os partidos que incluíram em suas chapas candidatas laranjas para receber a cota do fundo eleitoral para mulheres.” [O Globo]

E se alguém tem dúvida sobre quem recai a responsabilidade do orçamento secreto:

“O presidente Jair Bolsonaro editou nesta quinta-feira, 9, um decreto com normas para dar publicidade aos pagamentos feitos por meio das chamadas emendas de relator, base do orçamento secreto, esquema revelado em maio pelo Estadão. O mecanismo tem sido usado pelo Palácio do Planalto para enviar bilhões de reais a um grupo de parlamentares em troca de apoio no Congresso. A medida do governo atende em parte a uma determinação do Supremo Tribunal Federal, que considerou ilegal a distribuição de recursos públicos por critérios políticos.” [Estadão]

Reparou que a mudança foi feito pelo Exectuvbio, e não pelo legislativo?! É porque o orçamento secreto é uma invenção do general Ramos.

“Pelo texto do decreto, os pedidos de verbas feitos pelos congressistas e recebidos pelo Executivo deverão ser tornados públicos na Plataforma +Brasil, que concentra as informações sobre transferências de recursos do governo.”

E por que diabos não havia transparência antes? Não é esse o governo do “conhcereis a verdade”?!

“Também poderão ser repassados ao público por meio de pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). A avaliação de especialistas é de que a medida representa um avanço, mas ainda permite ao governo e ao Congresso manter ocultos os nomes dos parlamentares beneficiados.”

Bem, do jeito que anda a LAI não vai ter é transparência alguma.

“Por se tratar de ato do Executivo, não há qualquer menção sobre como deve proceder o relator-geral do Orçamento, que é quem concentra as informações de pedidos de deputados e senadores para liberação de verbas das emendas de relator, identificadas pelo código RP9. “O decreto faz referência apenas ao autor da emenda, que formalmente será sempre o relator do Orçamento, e às solicitações que as justificaram, sem estabelecer o dever de divulgar a identificação do parlamentar que solicitou os recursos”, afirmou o cientista político Marcelo Issa, da Transparência Partidária. O decreto publicado nesta quinta-feira é assinado por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Em nota, a pasta afirma que a medida atende a ordem do Supremo, além de recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU), que também havia apontado irregularidades na distribuição de recursos a parlamentares por meio das emendas de relator. No mês passado, a ministra Rosa Weber, do Supremo, mandou suspender os pagamentos feitos pelo governo, mas recuou da decisão nesta semana após o Congresso aprovar projeto regulamentando as transferências. A ministra também havia ordenado que o governo desse “ampla publicidade” aos ofícios encaminhados por parlamentares em 2020 e 2021 para alocação dos recursos em seus redutos eleitorais. Para isso, ela exigiu a publicação de todos os pedidos “em plataforma centralizada de acesso público”. O texto publicado por Bolsonaro e Guedes, no entanto, prevê que cada ministério dê publicidade aos documentos relacionados às liberações, de forma descentralizada, e ainda permite a continuidade dos pagamentosmesmo antes da publicação das informações. “Essa me parece ser uma tentativa de dar um cumprimento formal à decisão (STF), mas burlando os valores centrais que o STF estava impondo ao governo. Não se trata apenas de ter os dados públicos, mas de ter transparência”, disse Rubens Glezer, professor de Direito Constitucional da FGV.”

__/\/\/\/\/\/\__

2. O inimigo de sempre do Exército brasileiro

Tud envolvendo o Exército é tão grotesco que é preciso refundar o Exército brasileiro:

“O Exército realizou em 2020 uma simulação em que candidatos a integrar a sua tropa de elite tiveram de combater uma “organização armada clandestina”. No texto que apresenta o exercício, a força explica que o inimigo fictício surgiu “de uma dissidência do Partido dos Operários”, o “PO”, que “recruta e treina militantes do MLT”, o “Movimento de Luta pela Terra”.” [Intercept]

Um país brutalmente desigual de dimensõs continentais NUNCA fez uma reforma agrária – veja aí quantos países que podemos tomar como modelo não fizeram uma reforma agrária.

E aqui, de novo, eu me valho so safatle:

“A história das Forças Armadas brasileiras é a história de uma guerra interna, de uma guerra civil não declarada que vai de Canudos e Contestado até o uso do Exército como “força de pacificação” nas comunidades do Rio de Janeiro. Ela foi a história do uso da força e do extermínio contra movimentos populares de toda ordem desde o Império. Ela foi ainda a história perpetua da “caça ao comunismo” desde o aparecimento do primeiro líder popular da república brasileira, Luís Carlos Prestes: um militar que escolheu o lado das lutas populares e que antecipou as táticas que seriam usadas, de maneira vitoriosa, na grande marcha chinesa. Esse fantasma da “caça ao comunismo” é a razão de existência das Forças Armadas brasileiras, e Bolsonaro sabe muito bem disso. É ele que lhe levou a dizer: “Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas”. “Comunismo” é o nome que as Forças Armadas brasileiras usam para se referir à figura de um povo insurreto.” [Racismo Ambiental]

Voltemos ao Intercept:

“Os documentos que descrevem o exercício foram entregues ao Intercept por uma fonte que pediu para não ser identificada por medo de retaliações. A Operação Mantiqueira foi realizada em novembro de 2020 em Piquete, cidade paulista de menos de 15 mil habitantes localizada no Vale do Paraíba e próxima à divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro. A locação não foi escolhida à toa: a cidade é sede de uma das mais antigas unidades da Imbel, a Indústria de Material Bélico do Brasil, uma estatal vinculada ao Exército. O teor do exercício a que os oficiais do Exército submetem candidatos às suas Forças Especiais deixa claro que, passados quase 40 anos desde a redemocratização, a maior das três Forças Armadas não apenas segue a enxergar movimentos sociais e políticos de esquerda como inimigos – ela também está sendo treinada para combatê-los.”

Os EUA demoraram a entender o perigo da extrema-direita e por aqui iremos pelo mesmo caminho, se há possibilidade de algo assim acontecer viria da direita, armada até os dentes com esse governo aí, mas pro exército esquerdista é terrorista e ponto final.

Participaram da Operação Mantiqueira sargentos de carreira e oficiais do Exército que eram alunos do Centro de Instrução de Operações Especiais, o CIOpEsp, localizado em Niterói, cidade da região metropolitana do estado do Rio. Ela foi a última atividade do curso que serve como vestibular para o ingresso nas Forças Especiais. Em 2020, segundo a fonte que entregou os documentos ao Intercept, de uma turma de quase 40 alunos, 17 foram aprovados para trabalhar no Batalhão de Forças Especiais, o BFEsp, sediado em Goiânia. Eu apresentei os documentos a dois pesquisadores que detêm amplo conhecimento do universo militar e a um alto oficial da reserva – este pediu para não ser identificado, também pelo temor de represálias. Os três os consideraram autênticos. Também submeti os papéis à assessoria de imprensa do Exército, questionando-a sobre a autenticidade deles e fazendo uma série de perguntas sobre a atividade. Minhas questões chegaram a ser encaminhadas ao Comando Militar do Planalto – a quem o BFEsp é subordinado – antes de voltarem ao Quartel General, em Brasília. De posse das questões por mais de três semanas, o Exército me disse na sexta-feira, 3 de dezembro, que não as responderia.”

Significa.

Em momento algum, porém, a força ou os oficiais da assessoria de imprensa – dois coronéis, um capitão e um tenente – com quem tratei sobre o pedido de informações desmentiram os documentos. O texto que apresenta o exercício aos alunos do CIOpEsp começa apresentando o “Exército de Libertação do Povo Brasaniano”, o ELPB, “criado a partir de um projeto de partido político de caráter marxista e com uma organização armada clandestina, nascido de uma dissidência do Partido dos Operários e que recruta e treina militantes do MLT” num país fictício chamado Brasânia. As referências, óbvias, são ao Exército de Libertação Nacional da Colômbia, ao Partido dos Trabalhadores e ao MST. Existe, também, um movimento que luta pela reforma agrária chamado Movimento de Luta pela Terra, fundado na década de 1990 na Bahia.”

Vivemos num país BRUTALMENTE desigual e a luta ligada á reforma agrária é tida por metade do país, e por todas as forças armadas, como um grupo terrorista.

““As cores do ELPB são defendidas em diversos tipos de protestos pelo país, logo o ELPB não é apenas um grupo criminal, mas um movimento que assume contornos de irregularidade com objetivos políticos”, prossegue o texto assinado pelo major Marcos Luís Firmino, oficial de inteligência do BPFesp – o negrito é do documento original. Busquei pelo nome de Firmino no Portal da Transparência do governo federal, mas não o encontrei. Alguns integrantes das Forças Especiais podem ter os nomes ocultados ali, como ocorre com delegados da Polícia Federal ou agentes da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência. “Nos últimos anos, o ELPB foi reestruturado, afastado dos grandes centros e interiorizado [para] investir em recrutamento e treinamento em áreas rurais, bem como formar novas alianças”. Aqui é óbvia a emulação da guerrilha do Araguaia, a última célula da resistência armada à ditadura militar, dizimada com requintes de crueldade pelo Exército após o extermínio da guerrilha urbana – retratada em “Marighella“, filme de Wagner Moura.”

Sim, a referência desses boçais é a guerrilha do Araguaia, e aí é preciso lembrar que Curió confessou assaassinato dedezenas de pessoas desarmadas e rendidas e foi recebido como herói no Palácio. Ah, e numa sessão do Congresso sobre a busca dosrestos mortais no Araguaia teve Bolsonaro falando “quem procura osso é cachorro.

“Do início dos anos 1970, a fantasia paranóica do major Firmino salta de repente às jornadas de 2013. “A primeira frente do EPLB se organizou em 2012, recrutada de diversos grupos de pressão insatisfeitos com a situação do país [e] infiltrando elementos violentos em diversos protestos. Esses grupos infiltrados em protestos causaram grande destruição em propriedades governamentais e privadas, estabelecendo um clima de desordem e ineficiência do aparato de segurança do estado”, afirma o texto.”

Não vou me alongar muito mas a Dilma teve presos políticos a partir de 2013 (ou 2014), tudo coordenado pela Força Nacional de Segurança, sob as ordens de seu ministro da Justiça Cardozo. E isso sempre foi algo que me destroçou, porque a história da Dilma na ditadura é linda demais, uma torturada virando presidente foi uma das coisas mais lindas desse país, mas no fim das contas tinham pessoas de esquerda presas por razões políticas, e seus processos nem estavam disponíveis para consulta de seus advogados.

““Cabe ressaltar que esses grupos têm utilizado canais da Deep Web e de mídias sociais para disseminar vídeos, imagens e outros produtos sobre as ações violentas executadas. Essa prática ficou conhecida como ‘Mídia Samurai’” – aqui a referência é à Mídia Ninja, que documentou os protestos contra reajustes nas tarifas do transporte público em São Paulo e outras capitais e depois se tornou um veículo de mídia popular na esquerda. Mas não são apenas as mídias de esquerda as citadas no documento: a imprensa como um todo apanha. “Uma ala mais tendenciosa da imprensa vem acompanhando o ELPB de forma velada, com notícias que buscam divulgar o caráter ‘democrático e de liberdade’ que o ELPB ‘defende’”, critica o texto. Também é difícil não notar a coincidência dos personagens fictícios com figuras reais. Pedro João Cavalero, criador das ELPB, e a deputada estadual Erica Ericsson, “expulsa do PO por portar-se de maneira extremada”, parecem menções óbvias a João Pedro Stédile, do MST, e Erica Malunguinho ou Erika Hilton, respectivamente a primeira mulher transexual eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo e primeira mulher trans eleita vereadora na capital paulista. Ambas são filiadas ao Psol. Para Juliano Cortinhas, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, a UnB, o uso de termos nos documentos do treinamento não é aleatório. “Dizer que o partido tem caráter marxista é totalmente inútil [para uma ação militar], só serve para doutrinação, para relacionar a esquerda a ameaças. Toda a nomenclatura indica a necessidade de doutrinação”, avaliou ele, que também coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Segurança Internacional. O professor, que já acompanhou diversos exercícios a convite do próprio Exército, avaliou a meu pedido os documentos sobre a simulação realizada em Piquete entregues ao Intercept. “É nitidamente um documento que faz um exercício de inteligência voltado para [combater] a esquerda, com referências temporais contemporâneas que marcariam hipotéticas ameaças”, fez coro João Roberto Martins Filho, professor titular sênior de Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos, a UFSCar, e um dos decanos dos estudos sobre militares no Brasil. Ele também leu os documentos. O CIOpEsp, em Niterói, e o BFEsp, em Goiânia, são subordinados ao Comando de Operações Especiais, que por sua vez é uma unidade do Comando Militar do Planalto, que abrange o Distrito Federal, Goiás, Tocantins, o Triângulo Mineiro e Brasília. Via Lei de Acesso à Informação, o Exército me informou que a Base Administrativa do Comando de Operações Especiais, que tem autonomia operacional e CNPJ próprio, administrou um orçamento de R$ 43 milhões em 2020, “destinados à toda vida administrativa e ao preparo e emprego das organizações militares operacionais e de apoio operacional e logístico do COpEsp”. Segundo o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho, as Forças Especiais são de alguma maneira descendentes do aparato montado pelo Exército para perseguir, torturar e assassinar inimigos políticos durante a ditadura, os DOI-Codi – sigla para Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna. A intenção, após o fim dos DOI-Codi, era “manter a capacidade de combate à subversão e à guerrilha”. São a “elite da tropa”, treinada para operações que exigem agilidade e precisão, como uma incursão a território inimigo. “Por exemplo: há uma ameaça de invasão do território brasileiro. Usam-se as forças especiais para atravessar a fronteira e buscar informações, fazer capturas de inteligência, para municiar o plano de reação”, explicou Cortinhas. “Num plano como esse, as Forças Especiais se infiltrariam nos grupos ou no território inimigo. São tropas extremamente bem treinadas, de preparo físico invejável, alta capacidade cognitiva”, ele me disse.

Para Cortinhas, exercícios só são úteis quando se referem a situações plausíveis, com que os militares podem eventualmente se deparar. Emular organizações de esquerda como inimigos, avaliou, “tem um peso na criação de uma mentalidade conservadora nas Forças Armadas”. “Desde o início da sua educação, os militares são alimentados de forma a verem como ameaças grupos de esquerda que brigam por direitos, como o uso social da terra”, analisou. O anticomunismo ferrenho é um dos valores fundamentais dos militares brasileiros desde 1935, quando eles combateram e derrotaram levantes em suas tropas lideradas pela Aliança Libertadora Nacional, de Luís Carlos Prestes, que posteriormente batizaram de “intentona comunista”. “A frustrada revolta comunista de novembro de 1935 foi um evento-chave que desencadeou um processo de institucionalização da ideologia anticomunista no interior das Forças Armadas”, escreveu o antropólogo Celso de Castro, outro dos principais pesquisadores da caserna, em “A Invenção do Exército Brasileiro“. Nos anos seguintes, o imaginário anticomunista se cristalizou: o comunismo era associado com o “mal, representado como uma enfermidade”. “Daí a metáfora, que teria vida longa, de uma ‘infiltração’ comunista, como se fosse uma doença/doutrina ‘exótica’ introduzida no Brasil por agentes estrangeiros ou por traidores da pátria”, diz o livro. Chamou a atenção dos pesquisadores o descolamento do tema do treinamento com o momento político brasileiro. “Não há nenhuma ameaça à democracia partindo de organizações de esquerda, mas sim das de direita, que têm ameaçado instituições democráticas e sendo investigadas em inquéritos do Supremo Tribunal Federal”, argumentou o professor da UFSCar. Ele se referia, por exemplo, aos protestos organizados em Brasília nos últimos dois anos por partidários de Jair Bolsonaro, como os 300 do Brasil, inclusive convocados pelo próprio presidente, como no último 7 de setembro. “É uma referência muito clara à situação dos anos 1960 e 70, porque todas essas formas de organização ficaram datadas de lá. Mas a esquerda não teve mais nenhum tipo de organização desse tipo depois”, criticou Martins Filho. Além disso, ainda que houvesse uma guerrilha política – de esquerda ou direita – atuando no país, combatê-la seria atribuição da Polícia Federal. “Uma operação como essa, de Forças Especiais, seria completamente ilegal. Não há nenhum respaldo legal ou constitucional [para uma ação como a simulada no exercício]. Ele está desconectado de qualquer respeito ao estado de direito brasileiro”, me disse o professor da UnB. “É presente entre os militares a ideia de que eles são solucionadores de quaisquer problemas [do país], o que gera situações como o que vivemos na atualidade, com militares da ativa e da reserva em todos os ambientes políticos e estratégicos do país”, afirmou. A ilegalidade para que o professor Cortinhas chamou a atenção é flagrante no próprio documento assinado pelo major Firmino. Em determinado trecho, ele diz que “as autoridades não percebem o ELPB como ameaça à democracia”. Ou seja: até mesmo na simulação, o Exército agiu por conta própria.”

E já que falamos em Curió vamos de Cristina Serra e a coluna intitulada “Curió, Heleno e Bolsonaro”:

“Quem é mais velho lembra, quem não lembra basta digitar “Serra Pelada” para encontrar imagens do que um dia foi o maior garimpo a céu aberto do mundo, nos anos 1980, no sul do Pará. Fotografias de Sebastião Salgado mostram homens cobertos de lama, arqueados sob o peso dos detritos que tiravam das entranhas da terra, na esperança de enriquecer. Pouquíssimos ficaram ricos com o ouro. A maioria morreu de doenças, tiro, faca ou foi soterrada. No lugar, restou uma imensa cratera e um lago de mercúrio. Esse inferno foi controlado com mão de ferro por um militar do Exército, o Major Curió, que participara da repressão à Guerrilha do Araguaia, nos anos 1970. Em denúncias do Ministério Público Federal, Curió é acusado de tortura e assassinato. Não por acaso, é amigo de quem? Sim, Bolsonaro. Lembrei de tudo isso ao ler a reportagem de Vinicius Sassine, nesta Folha, mostrando a rapidez do ministro da Segurança Institucional, general Augusto Heleno, o decrépito, em autorizar projetos de pesquisa de ouro, em São Gabriel da Cachoeira, no oeste da Amazônia. Alguns dos empresários beneficiados são infratores ambientais, com histórico de problemas com o Ibama. E é a primeira vez que empresas recebem autorizações para pesquisar ouro nessa região, bem preservada e com várias terras indígenas. O buraco que ficou em Serra Pelada é a metáfora perfeita do Brasil que une na mesma linha do tempo Curió, Bolsonaro e Heleno. Gente, terra, meio ambiente, Amazônia, tudo aniquilado para o proveito de poucos. Bolsonaro sabe que 2022 será seu último ano no poder, então vai correr para fazer (ou desfazer) tudo que não conseguiu até agora. Movimentos do Executivo e do Congresso andam juntos. A Câmara pode dar um “liberou geral” para as mineradoras se aprovar o novo Código de Mineração. Ficaria faltando o projeto que permite mineração em terras indígenas. Por enquanto, tal vilania encontrou resistência. A sensação é de que o Brasil só sai do lugar se for para dar um passo atrás.” [Folha]

__/\/\/\/\/\/\__

3. Anvisa

Que novela constrangedora, esse governo não perde uma mísera oportunidade pra mostrar o quão criminoso é:

“O presidente Bolsonaro (PL) tem demonstrado irritação com o protagonismo do diretor-geral da Anvisa, Barra Torres, que vem defendendo medidas técnicas para combater a pandemia do coronavírus. O mais novo foco de ira do presidente ocorreu nesta segunda-feira (6), quando o governo cancelou em cima da hora uma reunião que havia sido convocada para debater, com técnicos da Anvisa, a adoção da exigência de um passaporte da vacina para viajantes que desejem entrar no Brasil. O motivo oficial do cancelamento não foi informado. Mas, segundo auxiliares do presidente relataram ao blog, Bolsonaro mandou cancelar a reunião assim que soube que a agência comandada por Barra Torres “iria apresentar novas medidas de restrição”.” [G1]

É impressionante como mafiosos vivem cobrando lealdade:

“Bolsonaro tem criticado nos bastidores o diretor-geral da Anvisa. Na versão de auxiliares de Bolsonaro, Barra Torres foi indicado por Bolsonaro em 2020 como uma espécie de “prêmio de consolação” por não ter sido ministro da Saúde após a saída de Mandetta. A expectativa do presidente com Torres, que é militar, era de um diretor alinhado com as teses negacionistas do Planalto, como fez Eduardo Pazuello na Saúde – mas o que não aconteceu na Anvisa.”

Barra Torres é o ÚNICO milito que mostra ter alguma dignidade, mas talvez isso aconteça porque o cargo dele tá garantido:

“Apesar da irritação, afirmam aliados, o problema é que Bolsonaro não pode demitir o diretor – já que se trata de um cargo com mandato. Então, o presidente demonstra sua insatisfação com o trabalho da agência com decisões como a de ontem, cancelando o encontro com a agência. A Anvisa vem defendendo, nas últimas semanas, que o Brasil exija comprovante de vacinação ou “autoquarentena” obrigatória para os passageiros que cheguem ao país. O presidente Jair Bolsonaro diz ser contra a medida e o governo, até agora, não adotou nenhuma medida nesse sentido. A reunião de ontem estava marcada para o fim da tarde. Poucas horas antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso deu prazo de 48 horas para que o governo seja ouvido sobre a demora em adotar as recomendações sanitárias da Anvisa.”

Mais uma vez o STF empareda o governo.

“Aliados do chefe da Anvisa admitem que a relação entre Torres e Bolsonaro está difícil e tem sido “administrada” a cada dia que passa, mas pontuam que os dois possuem amizade e diálogo, com direito a trocas de informação em cafés da manhã no Palácio da Alvorada. O mais recente encontro, inclusive, foi para discutir restrições e o passaporte da vacina. No entanto, Barra Torres repete nos bastidores que “amizade é uma coisa” e o que ele precisa fazer na agência é outra.”

E o presidente é incapaz de pensar assim, e um dos requisitos para ser presidente é a IMPRESSOALIDADE!

E olha que beleza:

“Diferentemente do relacionamento com Bolsonaro, Torres não possui nenhuma troca com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.”

Vai bem o Brasil…

“Na Anvisa, há uma preocupação do corpo técnico com a politização por parte do Planalto de decisões tomadas pela agência. Para evitar confusão de diretrizes, a Anvisa tomou a seguinte decisão: passou a tornar públicas as notas técnicas com posicionamentos da agência. Antes, cabia a quem recebia, por exemplo, ministérios do governo Bolsonaro, fazer a divulgação, se quisessem. A Anvisa decidiu publicizar suas decisões exatamente para evitar qualquer confusão entre as posições da agência com as do Planalto, medida que, claro, irritou o governo Bolsonaro.”

Vamos às falas presidenciais, e eu já nem sei mais a cronologia de nada:

“Estamos pagando o preço da política do ‘fique em casa e a economia a gente vê depois’. Eu, talvez, tenha sido o único chefe de Estado do mundo a ser contra essa política. É uma guerra. Ninguém vai ganhar a guerra dentro da toca ou na trincheira. Quando falei ‘gripezinha’, falei que era para mim” [Carta Capital]

as

O número de pessoas que morrem por Covid abaixo de 20 anos tá o quê? 99,99%, Queiroga? Então por que vacina? Meu deus do céu, será que é um negócio que estamos vendo em jogo no Brasil e no mundo, que ninguém tem coragem de falar? Politicamente não é bom falar, você perde voto, perde simpatia, vão te chamar de negacionista”, prosseguiu. “Vivemos a hipocrisia, quase o mundo todo vive na hipocrisia”.

as

“O Brasil tem tudo… eu vejo o ministro Gilson Machado, que não está presente aqui, trabalhando com o turismo. Ninguém tem o que nós temos. Estamos trabalhando agora com a Anvisa, que quer fechar o espaço aéreo. De novo, porra? De novo vai começar esse negócio? “Ah, o ômicron”. É, vai ter um montão de vírus pela frente, um montão de variantes pela frente, talvez, peço a Deus que esteja errado, nós temos que enfrentar” [Veja]

O número de “porra” que Bolsonaro fala, e ele é o candidato dos reliigiosos, nada no Brasil faz sentido!

A Mariliz Pereira Jorge explicou o motivo da recusa:

“Então, a quem interessa que o Brasil não exija certificado de vacinação de viajantes? Ora, bolas, a Jair Bolsonaro, que compara a medida a uma coleira e gosta de alardear que não foi imunizado. Se concorda com um decreto dessa natureza, estará sujeito às regras. Agora, ao retornar de uma viagem internacional, ficará de castigo por cinco dias. De preferência com uma coleira e uma focinheira.” [Folha]

Voltemos ao Bolsonaro

Bolsonaro então citou o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para dizer que “ninguém vai ganhar guerra dentro da trincheira”. “Ninguém vai superar os problemas do Brasil dentro de casa. Chega do “fique em casa, a economia a gente vê depois”. Temos que enfrentar esse problema”, complementou. Na sequência, ele disse que é aconselhado a não tocar no assunto das vacinas, mas que “ousaria dizer” que os imunizantes foram comprados para quem quisesse e que hoje em dia já todo mundo já sabe que quem toma vacina pode contrair, transmitir o vírus e até morrer. “Vamos enfrentar o problema, cuidar dos mais idosos, cuidar de quem tem comorbidade, sempre falei isso. Temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Agora tem que ter coragem pra falar. Parece que eu fui o único chefe de Estado no mundo que teve uma posição diferente. Dizem que toda unanimidade… não é bem-vinda, né?”, concluiu.

Olha o papo desse beócio dois anos após o começo da pandemia:

“Pelo que tudo indica, tem a vacina que está aí, tem a imunidade de rebanho que está aí, estamos chegando ao final dessa pandemia. Peço a Deus que estamos todos certos nesse momento.” [O Globo]

Sim, IMUNIDADE DE REBANHO!

E Queiroga saiu em defesa dum chefe completamente absurdo e mórbido:

“Queiroga deixou isso claro nesta terça-feira, 7, ao dizer que é “melhor perder a vida do que a liberdade”, fazendo referência a uma fala de Bolsonaro contra a obrigatoriedade da imunização e ignorando recomendação da Anvisa para a exigência do passaporte da vacina. Ao descartar a recomendação da agência reguladora, o ministro afirmou que “não se pode discriminar as pessoas entre vacinadas e não vacinadas para a partir daí impor restrições”.” [Veja]

Queiroha lembrou, POSITIVAMENTE, até do jacaré!

“A declaração se soma a uma série de outras nas quais ele sintonizou o seu discurso com as ideias do presidente. Ao participar de uma live ao lado do chefe em setembro, Queiroga seguiu à risca a lista de assuntos que Bolsonaro adora abordar: fez piada com remédios para impotência, ironizou vacinas e criticou o uso obrigatório de máscaras. “O senhor sempre advertiu muito sobre a questão da segurança. Lembra da história do jacaré? O jacaré nada mais é que uma advertência acerca da segurança”, disse. Mais recentemente, Queiroga também se abraçou ao presidente ao afirmar, durante viagem a Itália para participar de encontros da cúpula do G-20, que iria passear com Bolsonaro em Haia — referência à cidade holandesa onde fica um tribunal internacional para crimes contra a humanidade. A declaração foi feita em novembro durante conversa com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, após o chefe do Executivo brasileiro desabafar. “Eu sou o único chefe de Estado do mundo que está sendo investigado, acusado de genocida. É a política, né?”, disse Bolsonaro. “Eu também. Vou com ele [Bolsonaro] para Haia. Vamos passear lá”, emendou Queiroga, arrancando gargalhadas do presidente.”

Depois desse shit show relatado aí acima o governo se rendeu ao STF e decretou ua quarentena tosca e inútil

“A partir de sábado (11), viajantes que entrarem no Brasil por via aérea precisarão fazer quarentena de 5 dias se não apresentarem comprovante de vacina. O teste negativo para Covid continuará sendo exigido. As regras (veja em detalhes mais abaixo) foram publicadas pela Casa Civil na edição desta quinta-feira (9) do Diário Oficial da União (DOU) e valem para brasileiros e estrangeiros. Até agora, todos os viajantes (brasileiros ou estrangeiros) que entrassem no país por via aérea precisavam apresentar apenas a Declaração de Saúde do Viajante (DSV), que pode ser preenchida no site da Anvisa, e um exame RT-PCR negativo realizado até 72 horas antes do embarque.” [G1]

E que verme é o Queiroga!

“Nesta quinta-feira (9), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, falou sobre a portaria ao chegar ao ministério, em Brasília. “As pessoas não podem ser discriminadas entre vacinadas e não vacinadas. É por isso que a portaria estabelece alternativas pra quem livremente optou por não aderir a uma política ou outra que é ofertada pelo SUS”, disse o ministro.”

Do Valdo Cruz:

“O presidente Jair Bolsonaro fez “muito barulho por quase nada” na polêmica criada por ele sobre a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para cobrança de passaporte da vacina na entrada de visitantes no Brasil, avaliam aliados do presidente da República no Centrão, grupo que dá sustentação política ao governo federal. Segundo esses aliados, Bolsonaro torna sua vida mais difícil na eleição do próximo ano, pois não é nada “fácil” apoiar um presidente que vive gerando crises que até podem fortalecer sua posição entre seus apoiadores, mas acabam desgastando sua imagem no restante do eleitorado. “Ele não vai se eleger com os votos apenas do seu eleitorado fiel”, diz um aliado do Centrão. Na avaliação desses interlocutores, no caso da Anvisa, a portaria divulgada pelo governo acaba atendendo praticamente tudo o que a agência recomendou. O Brasil vai cobrar o passaporte da vacina para que um visitante entre, sem restrições, no país. Só não vai proibir a entrada de quem não é vacinado, mas com a exigência de quarentena de cinco dias e teste negativo feito no país. Ou seja, segundo eles, o presidente polemizou, deu declarações distorcidas sobre a recomendação da Anvisa, mas no final a portaria do governo atendeu aos objetivos da agência de criar regras sanitárias na entrada de estrangeiros no Brasil.” [G1]

” Outro governador, aqui da região Sudeste, quer fazer o contrário. E ameaça: ‘ninguém vai entrar no meu estado…’. Teu estado é o cacete, porra.”

E ainda teve isso aqui ó:

2022 vai ser doideira!

__/\/\/\/\/\/\__

4. 2022

E vai tudo sem edição mesmo, foda-se!

É maravilhoso como Bolsonaro e Moro resolveram trocar acusações, um mira no outro mas no fim das contas apontam para as próprias cabeças:

“Para copiar o meu, ele botou “o povo acima de tudo”. Esse não aguenta 10 segundos de debate. O Lula falou que vai recolher as armas. O Moro também falou que ele podia ser mais rígido, me peitar mais durante a questão das portarias de armamento dele. Como que o cara aceita trabalhar comigo sabendo que eu sou armamentista? Tinha que ter caráter. Era só falar: ‘Não me interessa trabalhar porque sou de esquerda’” [O Globo]

Que Moro não aguenta debate ok, mas Bolsonaro é o FUJÃO dos debates!

“Em conversas reservadas, o presidente tem reconhecido que o seu ex-ministro da Justiça e Segurança Pública pode lhe tirar votos preciosos durante as eleições em 2022. Bolsonaro, segundo o relato de pessoas próximas, diz que prefere acreditar que a repercussão em volta da pré-candidatura do ex-juiz da Operação Lava-Jato é o efeito natural da novidade de sua entrada na política e ainda aposta no arrefecimento da pré-campanha de Moro, que deve ser alvo de ataques constantes do presidente.”

E olha como Bolsonaro se enforca com as próprias pavras:

“Mesmo com toda a liberdade, nunca mostrou serviço [à frente do Ministério da Justiça] a não ser desde o começo do mandato fazer intrigas” [Folha]

Ele diz “não errei uma, zero” mas nem cora em dizer que seu ministro da Justiça era inútil. E ele diz ter acertado todas na pandemia ao mesmo tempo que esculhamba o seu ex-ministro da Saúde, dizendo que ele fez tudo errado.

Mais sincerícidio:

“Teve um caso de um deputado federal, ex-ministro meu, que foi acusado de ter laranjas por ocasião das eleições. Polícia Federal começou a apurar. Essa matéria vazou. Pancada no respectivo ministro. Chamei o Moro. “Ô, Moro, já que está sendo divulgado pela imprensa, por que que a Polícia Federal está investigando esse ministro que foi candidato em um estado aí?”. “Ah, porque uma pessoa ligada a ele recebeu um valor que, dividido pelo número de votos, dava um fator 50″”, relatou. “Eu já sabia [que Moro falaria isso] e puxei para ele [os valores] de outros partidos do Brasil. Outros partidos, em especial de esquerda, o fator dá acima de 50. “Por que você não está investigando? É só para queimar o governo? Dizer que eu tenho um ministro corrupto no meu governo?” […] Deu uma dor de cabeça enorme para nós isso daí. Ou seja, ações que eram direcionadas. Eram selecionadas pelo ministro, investigações selecionadas”, completou Bolsonaro.” [Correio Braziliense]

E Bolsoanro confessa o medo de demitir Moro lá atrás!

“Isso daí desde o começo. Eu queria mandar ele embora lá atrás, mas como ele tinha um prestígio muito grande, ficava difícil justificar a demissão dele. Tanto é que na mídia social era comum, “Moro no Supremo, Dallagnol na PGR. Ou então não tem a reeleição.” Era um negócio terrível

Frouxo! E ressentido:

“Inclusive, quando vazou isso, eu já sabia dessa questão, eu peguei o Moro pela mão. Fomos no evento da Marinha aqui em Brasília, peguei ele pela mão também por ocasião do 7 de setembro, quebrando protocolo, o povo aplaudindo o Moro e eu. Jogo do Flamengo. Agora, não tem coração nenhum. Não tem gratidão nenhuma, zero. É o interesse seu, pessoal e mais nada além disso daí. Isso foi somando até que ele viu que ia sair e resolveu pedir demissãoVocê vê o caráter do Moro quando ele fala que poderia ser mais reativo contra portarias e decretos de armas. Pô, pelo amor de Deus. Vamos supor que somos solteiros, a gente está namorando, eu tenho um chulé terrível e você aceita casar comigo. Você não pode, depois de casado, reclamar de chulé. O meu chulé com o Moro, um dos chulés, era a questão de armas. Como ele aceitou ser meu ministro, sabendo que eu sou uma pessoa pró- armas? … Uu sempre dizia na reunião de ministros: ‘Eu não quero ser blindado por nenhum de vocês, entendeu, Sergio Moro? Eu não posso admitir é ser chantageado, entendeu Sergio Moro? Assim era comum acontecer. E esse cara não fez absolutamente nada para que Coaf, para que Receita, não só bisbilhotasse a minha vida, bem como a de milhares de brasileiros. Que isso nos atrapalha. Você pode investigar o filho do presidente? Pode. A mulher do presidente? Pode. Mas investiga legalmente, com uma acusação formal. O próprio presidente, eu posso ser investigado, sem problema nenhum, mas não dessa forma como eles fazem”

E Moro afeta uma ingenuidade constrangedora pra um adulto:

“Então, você vai percebendo que aquela promessa que ele [Bolsonaro] tinha feito para você, de que eu ia ter carta-branca para combater a corrupção e fazer meu trabalho, que ele não ia proteger ninguém, era mentira. Mas fui ficando [no ministério] porque acreditei que era possível fazer alguma coisa ainda. Até que chegou em um limite, que ele tomou aquela decisão de interferir na PF, aí eu falei: ‘agora não posso ficar mais’. Agora é escolher ser alvo de ataques do grupo dele ou ser cúmplice dele. Eu prefiro ser alvo.” [UOL]

Voltemos ao Bosloanro:

“Acertei com Valdemar muita coisa. Não está escolhido o vice. O vice quem vai escolher sou eu. Essas notas que está pregando na imprensa a gente sabe quem tá pregando, lamentavelmente, para tumultuar. É gente nossa, tá. Não foi invenção. Essa não foi invenção da imprensa, foi pregação de gente nossa” [Valor]

Sim, fogo amigo!

‘Agora, vice eu considero como casamento. Tem que ser uma pessoa que não te dê trabalho e que some. E, às vezes, mesmo pensando nisso o tiro sai pela culatra. Imagine deixar na mão de terceiros escolher.”

Disse o presidente no terceiro casamento!

“Após filiação de Jair Bolsonaro ao PL nesta terça-feira (30), uma ala de grupos evangélicos quer filiar a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, ao PP, para lancá-la como vice. A tentativa de filiar Damares ao PP vai ao encontro do desejo de Bolsonaro, que impôs a Valdemar Costa Neto uma chapa “puro sangue” do centrão, com o PP como vice, para disputar a reeleição em 2022. Damares já chegou a entrar no rol de preferidos de Bolsonaro para o posto, mas a ministra teria avisado que não teria intenção de entrar na política partidária. No entanto, a insistência de grupos evangélicos, que buscam aprofundar a pauta conservadora, enquanto recebem benesses do governo – como perdão de dívidas com a União e verbas publicitárias -, pode fazer a ministra mudar de ideia..” [Fórum]

Mudar de idéia? A notícia é plantaa pela Damares, porra!

A última proeza do sensibilíssimo presidente:

“A cúpula do Mercosul, que seria realizada presencialmente em Brasília na sexta-feira que vem, virou uma reunião virtual por ordem de Jair Bolsonaro. Que ninguém imagine que Bolsonaro resolveu trocar o presencial pelo virtual por questões sanitárias. Ele não chegaria a tanto. O motivo para a mudança foi… Lula. Ou melhor, o encontro que Lula terá com Alberto Fernández e Cristina Kirchner nos próximos dias. Lula embarca hoje à noite para Buenos Aires, onde fica até segunda-feira. Terá reuniões com sindicalistas e, possivelmente, também com políticos uruguaios. Bolsonaro ficou muito irritado quando soube da nova investida de Lula no exterior. E resolveu diminuir a visibilidade da cúpula e, consequentemente, de Fernández.” [O Globo]

Passemos al Alckmin:

“De saída do PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin disse a aliados que não quer ser um “peso” para nenhum partido e estuda, agora, a possibilidade de migrar para o Solidariedade, a fim de fazer dobradinha com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Alckmin ainda conversa com o PSB, mas as exigências feitas pela legenda para aceitar que ele seja vice na chapa de Lula ao Palácio do Planalto têm provocado mal-estar e desgaste antes mesmo do casamento de papel passado. A filiação ao Solidariedade surgiu como alternativa em uma conversa de avião e vem sendo tratada com sigilo. Dependendo do cenário, porém, pode acabar se concretizando. Após participar nesta quarta-feira, 8, do encerramento do 9º Congresso da Força Sindical – braço do Solidariedade –, Lula foi questionado por antigos companheiros de sindicalismo, a portas fechadas, se a aliança com Alckmin para 2022 era mesmo um desejo a ser perseguido. “Ele foi bom governador em São Paulo e compor chapa com ele será bom para o Brasil. Continuem articulando com ele. Eu quero”, afirmou o ex-presidente, de acordo com relatos de três participantes do encontro. Cinco dias antes, na sexta-feira, 3, Lula havia se reunido com Alckmin na casa do ex-secretário Gabriel Chalita, em São Paulo, com a presença do ex-prefeito Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo paulista. Em julho, o ex-presidente também tinha estado com o tucano, na casa de Chalita. O diagnóstico de Lula é de que o Brasil está “no fundo do poço”. O ex-presidente ataca o ministro da Economia, Paulo Guedes, acha que não se pode manter a lei do teto de gastos públicos e defende a emissão de moeda, sob o argumento de que isso é necessário para permitir a criação de empregos e investimentos. Apesar das críticas, porém, mostra muita simpatia pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Interlocutores de Lula e Alckmin garantem que o diálogo entre os dois tem avançado, mesmo quando ocorre por telefone, mas sempre esbarra numa questão: em qual partido o ex-governador vai entrar? Há um constrangimento por parte de Alckmin. Interessado em ser vice na chapa liderada por Lula, ele tem dito que o PSB jogou à mesa exigências difíceis de cumprir. Além disso, não quer se indispor com o amigo Márcio França, presidente do PSB em São Paulo. No grupo do quase ex-tucano, muitos o aconselham a desistir da dobradinha com o PT e disputar o Palácio dos Bandeirantes pelo PSD de Gilberto Kassab. No último dia 30, quando Lula afirmou à Rádio Gaúcha que estava em “processo de conversar” com Alckmin para montar uma frente de conciliação nacional contra Jair Bolsonaro, todas as imposições feitas pelo PSB ganharam os holofotes. Na lista das condicionantes para fechar o acordo, o PSB quer que o PT apoie candidaturas do partido aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Acre. “Eu me encontrei com o Paulinho da Força no voo de São Paulo para Brasília, naquele dia da entrevista do Lula, e falei para ele: ‘O Alckmin está procurando um partido. Por que você não o leva para o Solidariedade?”, contou o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) ao Estadão. “Ele achou a proposta boa.” Paulinho é presidente do Solidariedade e confirma as sondagens. Chegou até a falar com Lula sobre isso, nesta quarta-feira. “Reafirmei o convite para Alckmin entrar no Solidariedade, com o objetivo de ser candidato a vice do Lula. Se ele quiser, vou trabalhar para isso”, disse o deputado. No dia 29, dirigentes da Força Sindical, UGT, CTB e Nova Central já haviam se reunido com o ex-governador para discutir a parceria em 2022. A cúpula do PT já avisou o PSB que não aceita abrir mão da candidatura de Haddad em São Paulo. O ex-prefeito da capital paulista disputou o segundo turno da eleição de 2018 contra Bolsonaro e, na avaliação dos petistas, tem tudo para derrotar o PSDB do governador João Doria, hoje presidenciável, na corrida ao Bandeirantes. É importante para Lula ter um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. O publicitário baiano Raul Rabelo, que trabalhou com Haddad, é cotado para ser marqueteiro da campanha de Lula. Dirigentes do PT que participam das negociações eleitorais afirmam que Márcio França poderia ser vice na chapa de Haddad ou até candidato ao Senado. O PSB, porém, não aceita esse acordo, embora França diga que estende um “tapete vermelho” para o ex-governador se filiar a seu partido. A entrada de Alckmin como candidato a vice na chapa de Lula também está longe de ser unanimidade no próprio PT. “Para uma campanha aguerrida como a que será a de 2022, vamos ter um anestesista como vice?”, ironizou o deputado Rui Falcão (PT-SP), numa referência à profissão do ex-governador, que é médico anestesista. Convidado por Lula para integrar a coordenação da pré-campanha, Falcão fez questão de destacar que suas críticas não são de ordem pessoal, mas, sim, políticas. “O que Alckmin vai representar nessa malsinada aliança? O que ele agrega em termos de símbolo e de voto?” perguntou. Ex-presidente do PT, o deputado contestou interpretações de que o ex-governador daria um tom de moderação à chapa. Lembrou, ainda, que o atual cenário é muito diferente do verificado na campanha de 2002, quando o empresário José Alencar – à época filiado ao PL, hoje com Bolsonaro – fez dobradinha com Lula e acalmou o mercado. “Lula não precisa mais mostrar nem credibilidade nem experiência”, observou Falcão. “E se Alckmin for vice, ele agora vai ser contra as privatizações?” O secretário de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, também mostra resistências a uma chapa de centro-direita. “Não está dado que Alckmin será vice do Lula. Ele poderá ser candidato a governador de São Paulo, e não necessariamente pelo PSB”, previu. O confronto entre Bolsonaro e o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro (Podemos) pode favorecer Lula, na visão do comando petista. O raciocínio ali é de que os dois vão acabar “se matando” e a terceira via não tem chance nesse pugilato eleitoral. Há no PT, ainda, quem veja a possibilidade de Ciro Gomes (PDT), espremido por Moro e estagnado nas pesquisas de intenção de voto, desistir da disputa de 2022, o que abriria caminho para o partido apoiar candidatos do PDT em outros Estados, como no Maranhão. Ciro chama tais comentários assim de “fake news” e “presepada” e diz que seus adversários não têm ideia de como tirar o País do “atoleiro”. Do outro lado do tiroteio, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio (PSDB) afirma que Alckmin deveria pendurar as chuteiras. “Se esse pessoal todo do PSDB que lamenta a saída do Alckmin gosta tanto dele assim, por que o deixou ter 4% dos votos na eleição de 2018 e foi apoiar Bolsonaro?”, provocou Virgílio, derrotado nas prévias do PSDB. Coisas da política.” [Estadão]

__/\/\/\/\/\/\__

5. Bolsonaro

Sim, tá uma zona esse post e tem mais aspas presidenciais:

“Jair Bolsonaro criticou nesta terça-feira (7/12) o combate ao trabalho escravo pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Bolsonaro afirmou que as normas que buscam evitar acidentes de trabalho atrapalham a vida do empresariado. “Olha as normas regulamentadoras, como era difícil ser um grande empresário, empregador, com aquelas NRs. O Marinho (Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional) fez um limpa naquilo. A altura da pia, maciez do papel higiênico, tudo isso era motivo de multa. Ele (Marinho) acabou com milhares de itens que atrapalhavam a vida de vocês”, afirmou Bolsonaro a uma plateia de empresários e integrantes do governo em um evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em seguida, Bolsonaro atacou, sem dar detalhes, uma operação do MPT no Ceará. Segundo o presidente, ele recebeu um telefonema no Palácio do Planalto do fazendeiro multado por expor trabalhadores ao trabalho escravo. De acordo com Bolsonaro, os trabalhadores dessa fazenda não tinham dormitório, banheiro ou local adequado para comer. “Há pouco, um telefonema do interior do Ceará. Um cabra que ligou para alguém da Presidência, passou o telefone para mim: ‘Acabei de ser multado aqui, eu estava com meu pessoal colhendo folha de carnaúba. Chegou o MP do Trabalho e largou meia dúzia de multas em cima de mim”, relatou Bolsonaro, relembrando o diálogo com o infrator: “Multou por quê? Porque não tenho banheiro químico. Eu estou a 45 graus e obviamente não tenho banheiro químico. O cara vai deixar de colher a folha ali, andar 500 metros, fazer um xixi e voltar? Meteram a caneta no cara. Também uma mesinha feita de forma rústica, com madeira da região, para servir o almoço. Não estava adequada aquela mesa. Também a questão do dormitório, o pessoal dormia em uma barraca. Multa em cima dele”.” [Metrópoles]

E olha o que Bosloanro disse pra platéia de empresários:

“Aqui não tem ninguém com idade de ficar ouvindo conversinha quando tinha 14, 15 anos de idade quando estava apaixonado pela coleguinha da escola, ou pelo coleguinha da escola, né, quem for mulher. Se bem que hoje está um vale tudo terrível aí, né? Mas tudo bem”.”

O sujeito tá em campanha e tá defendendo patrão, tá completamente perdido!

“Como é duro ser patrão no Brasil, eu sei disso. O salário é pouco para quem recebe e muito para quem paga. O que nós procuramos fazer desde o início do governo, com nossos ministros? Facilitar a vida de vocês. Vocês não devem nenhum favor a nós. Nós é que somos devedores de favores a vocês, quem emprega são vocês. Quem cria a massa de empregados que gera riqueza no Brasil são vocês. Nossa obrigação é ajudar vocês e não atrapalhar” [Metrópoles]

E Bolsonaro tá esfregando na cara dos empresários tudo que fez por ele:

“Em sua fala, Bolsonaro ainda relembrou as nomeações ao Tribunal Superior do Trabalho (TST): “Alguém quer a volta do imposto sindical? Alguém quer um ativismo em cima da sua legislação trabalhista? Olha o perfil das pessoas que eu, em lista tríplice, encaminhei para o Tribunal Superior do Trabalho. Será que se fosse outra pessoa, de outro perfil, como estaria o TST? Propenso a que lado? Como é duro ser patrão no Brasil, eu sei disso”, refletiu o mandatário.”

E na terça teve mais desse papo esquisito:

” Lembra uns dois anos atrás, o pessoal da linguagem neutra, os gays. Não tenho nada contra nem a favor, cada um faz o que bem entender. O que faz a linguagem neutra dos gays? O que soma para a gente? Agora, estimula a molecada a se interessar por essa coisa… A linguagem é o de menos. Vai estragando a garotada”

Mais Boslonaro – que zona tá esse post, puta que pariu…

“Moraes determinou a abertura de uma nova investigação para apurar a conduta do chefe do Executivo por ter feito uma falsa relação, durante uma live, entre a Aids e a vacinação contra a Covid-19. Nesta quarta, Bolsonaro voltou a jogar dúvidas sobre a imunização e disse que um ministro seu passa mal por tomar a dose de reforço. “Isso é uma violência praticada por um ministro do Supremo que agora abriu mais um inquérito em função de uma live que eu fiz há poucos meses. É um abuso”, disse o presidente, sem citar o nome de Moraes, ao fazer referência à ordem de prisão do aliado caminhoneiro conhecido como Zé Trovão. “É o que eu disse: ele está no quintal de casa. Será que ele vai entrar? Será que ele vai ter coragem de entrar? Não é um desafio para ele. Quem tá avançando é ele, não sou eu”, completou.” [Folha]

Mais Bolsonaro:

Ou todos nós impomos limites para nós mesmos ou pode-se ter crise no Brasil. Apesar de a grande mídia me acusar de provocar, agredir, não tem agressão minha. Tô tomando sete tiros de 62 [calibre], quando dou um [tiro] de 62, tô provocando… Estamos assistindo a atos arbitrários pelo Brasil com constância. Isso não é crítica, ofensa a um Poder, isso é constatação. Tá escrito ali [no acordo de extradição] o que você pode pedir de extradição ou concedê-la. Aqui [no Brasil] se acha qualquer motivo, ‘me chamou de feio, narigudo, barrigudo, posso agora pedir a extradição dessa pessoa’. Não é assim que funciona.” [Folha]

E até que enfim Bolsonaro falou sobre o bombado abandonado na estrada:

“Doeu meu coração ver um colega preso, doeu. Mas o que fazer? Será que queriam que eu tomasse medidas extremadas? Como será que ficaria o país perante o mundo? Possíveis barreiras comerciais, problemas internos… “Temos aqui um parlamentar que ficou sete meses preso. Se coloque no lugar dessa pessoa. Muitas pessoas falam para eu não falar nada…”

E olha o que ele fala do Mendonça:

“Bolsonaro aproveitou ainda para repetir algo que tem dito em últimas declarações: que o presidente eleito em 2022 poderá indicar mais dois nomes ao Supremo Tribunal Federal em seu primeiro ano de mandato. Ele disse saber como o ministro André Mendonça votará no julgamento do marco temporal no STF para a demarcação de terras indígenas. “Tenho certeza qual é a posição do André no tocante ao novo marco temporal. Porque isso, como AGU, como ministro da Justiça, já trabalhou comigo contra essa questão que está no STF, que está em votação ainda, está 1 a 1 o placar”, afirmou. “Já sabemos que o André vai ser um voto para o nosso lado. Isso não é tráfico de influência, é que nós sabemos, dado o comportamento dele”, completou o presidente. Segundo Bolsonaro, sobre “pautas conservadores” ele nem precisa conversar com o ex-auxiliar. Nesta quarta-feira, o chefe do Executivo também disse que já está conversando com um possível vice para compor sua chapa para concorrer à reeleição no ano que vem. “Não pode ser um casamento de última hora”, afirmou. Segundo ele, poderia ser um general de quatro estrelas. Ainda que Bolsonaro não tenha citado, o nome do ministro Braga Netto (Defesa) passou a ser citado nos últimos dias. Segundo o presidente, há ministros que querem se cacifar, dois nomes circularam e já estão riscados. Ele não explicou quais nomes seriam esses —os nomes dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Fábio Faria (Comunicações) também circularam no meio político. Bolsonaro teme colocar um vice que agrade ao Parlamento, por medo de que possa ser alvo de pedido de impeachment. Na leitura de auxiliares palacianos, ele só não foi afastado do cargo porque os parlamentares não gostam de Hamilton Mourão, seu atual vice.”

__/\/\/\/\/\/\__

6. Damares

Damares há de completar 4 anos de governo – aliás, não fará isso porque sairá candidata, mas se quisesse completaria o mandato, o Brasil falhou miseravelmente:

“Um novo manual para orientar o tratamento das mensagens recebidas pelo Disque 100, principal canal de denúncias de violações dos direitos humanos do país, abriu a possibilidade para queixas sobre ‘ideologia de gênero’ como motivação de violações de direitos contra crianças. A classificação foi inserida no Manual de Taxonomia de Direitos Humanos da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, lançado em abril deste ano pelo Ministério Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), comandado por Damares Alves, e abre espaço para o acolhimento de denúncias como a que levou o diretor de uma escola em Resende, no Rio, a ser intimado a depor na polícia, há poucas semanas. Segundo texto da intimação, Paulo Henrique Nogueira, diretor da Escola municipal Getúlio Vargas, deveria dar explicações às autoridades sobre o fato de professores de sua institutição “promoverem o comunismo e a ideologia de gênero” nas aulas. — Esse manual é uma grande monstruosidade. Tinha que ser suspenso — defende Sônia Correa, uma das diretoras do Sexuality Policy Watch (SPW). O manual divide os tipos de violação em classes, subclasses e espécies, pelas quais os atendentes do Disque 100 classificam as denúncias recebidas. O documento também lista as motivações que levaram às violações de direitos. Entre elas, estão, por exemplo, razões como idade, etnia, orientação sexual e ideologia de gênero. Na avaliação de Marco Prado, pesquisador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG, o canal foi alterado para criar um fluxo de denúncias contra professores. — É um fluxo de criminalização de pessoas. Com isso, o ministério está constituindo uma ilegalidade, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que ideologia de gênero não existe — afirma. Segundo ele, o ministério utiliza um dispositivo genérico de uma lei de proteção à criança, que fala em “violência institucional”, para representar a suposta violação de direito da escola contra o estudante.” [O Globo]

Sei nem o que falar – mentira, eu não sei é como editar esse post de hoje, isso sim….

Em abril desse ano, o ministério chegou a promover o Fórum Nacional Sobre Violência Institucional Contra Crianças e Adolescentes. Participaram do encontro políticos de extrema-direita, como a deputada Chris Tonietto, que palestrou sobre “A desconstrução da identidade promovida pela ideologia de gênero”. — O encontro foi feito para explicar a violência institucional como uma prática da ideologia de gênero, que traria danos emocionais e, portanto, o estado teria que intervir criminalizando os professores — explica Prado. Fernanda Moura, pesquisadora da Frente Nacional Escola Sem Mordaça, ressalta um outro lado do problema que é a polícia acolher e levar adiante tais tipos de denúncia, mesmo sabendo que não há crime. — Ideologia de gênero não existe, mas foi incluída no manual. Isso possibilitou que essa denúncia fosse aceita e que, daqui para frente, várias outras possam ser recebidas e acatadas como se fosse um crime real — afirma a pesquisadora, que diz que o termo virou uma espécie de “espantalho para meter medo nas pessoas”. — Basicamente, eles podem dizer que qualquer coisa é ideologia de gênero: casamento homoafetivo, uso de banheiro por pessoas trans de acordo com o gênero com o qual se identificam, o debate sobre descriminalização do aborto, discussão sobre gênero e sexualidade na escola… O que importa é inventar uma suposta ameaça dos “comunistas” contra a família (no singular) e as crianças — explica. Outra categoria que chama atenção dos pesquisadores é o tipo de violação ao chamado “Livre Exercício do Poder Familiar”. De acordo com o texto do manual, é tarefa da família a “formação moral, educacional e religiosa de crianças e adolescentes” e “a mera tentativa de o Estado imiscuir-se em assuntos da órbita privada e familiar dos indivíduos já se configura em grave violação de direito”.”

É impressionante como todas as monstruosidades desse governo se dão em nome da LIBERDADE. Em que século estamos?!

“De acordo com o texto do manual, é tarefa da família a “formação moral, educacional e religiosa de crianças e adolescentes” e “a mera tentativa de o Estado imiscuir-se em assuntos da órbita privada e familiar dos indivíduos já se configura em grave violação de direito”.”

E é muita brutalidade pra dar conta:

“Junto com o manual, o ministério também refez as categorias do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, portal que reúne informações das denúncias realizadas através do Disque 100 e do Disque 180, canal específico para combater violência contra a mulher. Nele, é possível saber quantas denúncias foram feitas por cada motivação ou tipo de violação listada no documento. Desde janeiro desse ano, foram reportadas quase 28 mil denúncias em razão de condições físicas, sensoriais, intelectuais ou mentais. No entanto, as categorias em razão da orientação sexual e ideologia de gênero estão juntas, o que impede saber quantas foram feitas por cada uma dessas motivações. — No manual, tem a explicação do que é a motivação em razão de orientação sexual, que seria homofobia, mas não define o que é a motivação ideologia de gênero. Existir isso na taxonomia da denúncia é um completo absurdo. Estar junto de orientação sexual é outro absurdo completo — afirma Prado. Procurado, o MMFDH não respondeu aos questionamentos do GLOBO, nem explicou de que forma a denúncia contra a Escola municipal Getúlio Vargas, de Resende, foi registrada. A notificação afirma que o colégio “está expondo adolescentes aos conceitos comunistas, induzindo sua ideologia política. Além de também pregar ensinamentos de ideologias de gênero”. O texto também afirma que o “denunciante alega que a responsabilidade de direcionar a conduta dos jovens pertence unicamente aos pais e não a escola”. Procurada, a 89ª Delegacia de Polícia Civil do RJ (Resende) afirmou que a denúncia foi feita através do Disque 100 e que. logo após os esclarecimentos dados pelo diretor da escola, a apuração foi suspensa. Professor titular de Direito Constitucional da UERJ, Daniel Sarmento explica que não há crime a ser investigado pela polícia: —A liberdade de expressão se aplica às escolas. O supremo decidiu isso várias vezes, inclusive quando declarou o escola sem partido inconstitucional. É um problema muito grave, né? Temos o Enem com menos alunos, pandemia em que as crianças ficaram sem estudar por falta de aceso à internet, e a preocupação é essa? — critica.”

Samares ainda aprontou esse espanto aqui ó:

“O Governo Federal quer incluir garimpeiros e pecuaristas como povos tradicionais, como os indígenas e quilombolas, entre outros. ” [O Tempo]

Ah, và à merda!

“A legislação assegura a essas comunidades o direito a seus territórios e o acesso aos recursos naturais que tradicionalmente usam para sua reprodução física, cultural e econômica. A discussão para igualar garimpeiros e pecuaristas está registrada em atas de reuniões do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves. Garimpeiros e pecuaristas formam setores da sociedade que apoiam o governo de Jair Bolsonaro (PL). O presidente, inclusive, defende o garimpo em territórios indígenas e quilombolas, o que é proibido no Brasil.”

O mundo se espanta com esse governo verde-oliva e os fardados trucam loucamente.

“O Governo Federal reconheceu a existência formal das chamadas populações tradicionais em 2007, o que levou a ampliação do reconhecimento feito parcialmente na Constituição de 1988, que só atingia indígenas e quilombolas. Desde então, também são considerados povos tradicionais: caboclos, caiçaras, extrativistas, jangadeiros, pescadores, ribeirinhos e seringueiros.”

__/\/\/\/\/\/\__

7. Conhecereis a verdade…

Esse aqui vai ser curto mesmo:

No dia seguinte:

“Não procede informação que indicarei mais 2 evangélicos ao STF”

__/\/\/\/\/\/\__

8. O aparelhamento bolsonarista

Tá tudo devidamente dominado:

“Em depoimentos prestados à Polícia Federal, três funcionários do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) relataram pressões da cúpula do Ministério da Justiça durante o processo de extradição do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em 6 de outubro. A PF investiga se houve tentativa de obstruir o procedimento por parte do governo federal. Para a PF, o secretário nacional de Justiça, Vicente Santini, pode ter cometido o crime de “embaraço a investigação de infração penal que envolva organização criminosa”, com pena prevista de reclusão de três a oito anos, por sua tentativa de interferência no processo de extradição. Santini é amigo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e já se envolveu em outras polêmicas ao passar por diversos cargos no governo federal.” [O Globo]

Esse aí é o amigão da famiglia presidencial que viajou pra Índia em aviaõ da FAB, lembra?! E ainda é filho dum falecido GENERAL!

“Os relatos de interferência foram feitos pela ex-diretora do DRCI, a delegada de Polícia Federal Silvia Amélia Fonseca de Oliveira, pelo coordenador de extradição do DRCI, Rodrigo Sagastume, e pela diretora substituta do DRCI, Priscila Campelo. Silvia Amélia inclusive foi exonerada pelo ministério após ter encaminhado o processo de extradição. A PF afirma que sua exoneração ocorreu pelo fato de “não ter dado ciência” à cúpula do ministério sobre a extradição. Todos afirmam que o processo envolvendo Allan dos Santos foi a primeira vez em que a cúpula do Ministério da Justiça pediu informações, cópia do processo e tentou interferir no procedimento. O DRCI é subordinado ao ministério. Mas, quando isso ocorreu, o DRCI já tinha encaminhado o pedido de extradição para o Ministério das Relações Exteriores, que o despachou para os Estados Unidos.”

Só rindo mesmo…

“A”A ex-diretora Silvia Amélia relatou que recebeu telefonema do chefe de gabinete do ministro Anderson Torres, o BRIGADEIRO Antônio Ramirez Lorenzo, pedindo informações sobre o caso do blogueiro.”

Sim, um BRIGADEIRO!

“Como ela estava de férias, Silvia Amélia relata ter encaminhado o pleito para a diretora substituta Priscila Campelo. Campelo afirmou que “entrou em contato com o Chefe de Gabinete do MJSP, brigadeiro Lorenzo, o qual informou que o Ministro do MJSP gostaria de obter informações sobre o fluxo do processo de extradição ativa, bem como em que momentos tal processo passaria pelo MJSP e qual o papel do MJSP nas etapas do mencionado pedido de extradição”. Silvia Amélia disse ainda que o secretário nacional de Justiça, Vicente Santini, amigo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, chamou-a para uma reunião no dia 3 de novembro e reclamou sobre o processo do blogueiro. “o secretário Vicente mencionou que a ausência de informação sobre o caso do Allan dos Santos causou um desconforto para o próprio Secretário e para o MJSP”. Depois disso, Santini emitiu uma ordem para que todos processos de extradição passassem por ele. Já Rodrigo Sagastume afirmou que Santini convocou uma reunião na qual reclamou que “gostaria de ter sido avisado sobre o processo de extradição de Allan dos Santos”. “O depoente teve a percepção que a reunião da tarde foi esvaziada diante do fato de que o processo de extradição de Allan dos Santos já havia sido remetido ao MRE, restando apenas o alerta de que novos casos sensíveis fossem reportados ao secretário”, afirmou no depoimento. Sagastume disse ainda que, antes do caso do blogueiro, “nunca foi questionado por superiores hierárquicos” a respeito de um processo de extradição. Também ouvido pela PF, Vicente Santini negou ter tentando interferir no processo. Admitiu que solicitou à diretora substituta do DRCI detalhes sobre a extradição do blogueiro, mas afirmou que “sua motivação era dar cumprimento à decisão judicial”, e relatou ter conversado com o ministro Anderson Torres apenas para informá-lo sobre o andamento do processo. No seu depoimento, Santini criticou a ex-diretora do DRCI Silvia Amélia, dizendo que ela impediu seu acesso a documentos sem uma justificativa técnica, no caso do blogueiro. E afirmou ainda que conheceu Allan dos Santos em um evento público no início do governo Bolsonaro, mas não manteve contato com ele.”

E na receita também, pa delírio de Flavinho Desmaio e sua famiglia:

De todas as mudanças no Ministério da Economia, a realmente importante é a troca do secretário da Receita Federal. José Tostes Neto foi comunicado pelo ministro Paulo Guedes com uma frase seca: “o presidente quer o seu cargo”. Isso depois de o Palácio ter vetado o escolhido para a corregedoria da na Receita. – Isso é parte do aparelhamento do Estado, agora pegando a Receita – afirma uma fonte que tem acompanhado esse conflito de perto. Atrás de tudo o que acontece por lá está o dedo do senador Flávio Bolsonaro. – Depois da Polícia Federal, eles querem controlar a Receita e o Coaf – informa essa fonte. Flávio quer dominar a Receita para apagar os últimos vestígios da investigação contra ele, no caso das rachadinhas. E é mais um caso espantoso de interferência no Ministério da Economia que o ministro Paulo Guedes simplesmente aceita..” [O Globo]

E que papel cumpre Guedes, hein:

“José Tostes, que está deixando o cargo de diretor da Receita Federal depois de dois anos e dois meses, recebeu a notícia que sairia do cargo numa reunião a dois, que teve no gabinete de Paulo Guedes na quinta-feira passada. Guedes foi claro e direto, de acordo com relatos colhidos com pessoas a par da situação: Jair Bolsonaro queria sua substituição, conforme revelou ontem Míriam Leitão. Na mesma conversa, no entanto, Guedes ofereceu um prêmio de consolação. Seria criado o posto de adido da Receita na OCDE sob medida para abrigar Tostes. Tostes aceitou. Mas a alguns interlocutores disse nos últimos dias que poderia recuar do o.k. dado a Guedes. Chegou a redigir uma carta de demissão que até agora não foi entregue. Para substituir Tostes, foram tomados alguns cuidados pela família Bolsonaro. O nome do novo chefe da Receita, Julio Cesar Vieira Gomes, passou pelo crivo de Flávio Bolsonaro.” [O Globo]

E olha o que coube no tópico:

O presidente da organização de defesa dos direitos humanos na internet SaferNet Brasil, Thiago Tavares, comunicou nesta segunda-feira, 6, que vai se exilar na Alemanha após ter recebido ameaças de morte por sua atuação no Brasil. A decisão foi comunicada em nota oficial da instituição. Em outubro, Tavares participou de um painel sobre desinformação e campanhas de ódio durante o II Seminário Internacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sua fala no evento abordou temas como interferência eleitoral e neonazismo no País. Desde então, ele relata ter sofrido “seguidas ameaças, inclusive de morte”, em razão de sua atuação profissional e acadêmica no Brasil.” [Estadão]

E olha os detalhes:

“Segundo a nota, os ataques ganharam outra dimensão em novembro, quando um funcionário da organização foi abordado de forma violenta por quatro criminosos armados e sofreu um sequestro relâmpago. Os sequestradores roubaram seu celular e laptop, além de empregarem violência de teor LGBTfóbico. Segundo a SaferNet, Tavares estava a apenas 800 metros do local onde aconteceu a abordagem. Em dezembro, a organização coletou evidências de comprometimento do laptop de Thiago Tavares pelo malware Pegasus, utilizado mundo afora para espionar jornalistas e ativistas de direitos humanos de forma ilegal. “A proximidade dos fatos, somado às ameaças que já vinha recebendo, não deixou alternativa a Thiago Tavares a não ser deixar o país, temporariamente, até que as circunstâncias dos fatos sejam totalmente esclarecidas e sejam restabelecidas as condições de segurança pessoal para o desempenho de suas atividades profissionais e acadêmicas no Brasil, seja como defensor dos direitos humanos, seja como especialista em tecnologia”, diz a nota.”

__/\/\/\/\/\/\__

9. JusPorn Awards

Do Conrado Hubner Mendes:

“O JusPorn Awards chega à terceira edição ainda fascinado com a devassidão da magistocracia. Esse estrato mais privilegiado do Estado, nunca incomodado por reformas administrativas e sacrifícios fiscais, nunca responsabilizado por suas orgias e sacanagens, merecia prêmio que fizesse jus à sua lascívia. Essa classe de epiderme delicada e elevado senso de autoimportância esbanja mérito. Luiz Gama, advogado abolicionista, diria que o prêmio cumpre papel de “despertador moral”, como ele chamava alguns de seus textos.. Mas talvez os milico-machos que classificaram canções de Caetano como “desvirilizantes” o definissem como “desvirilizante moral”. Virilizante mesmo só enfrentar o corona sem máscara. “Coisa de viado”​, diz Bolsonaro. O JusPorn Awards Committee criou novas categorias para 2021 e aceita candidatos. Na categoria “ilarilarilariê”, dedicada ao xaxado público-privado da magistocracia, o encontro de praticamente todas as autoridades viris de Brasília em Lisboa, aos cuidados da empresa de ministro do STF, ao custo de pelo menos R$ 500 mil em dinheiro público, sob o rótulo de “congresso acadêmico”, já é tradição dessa res privada.” [Folha]

Esse aí nem precisa concorrer, pode criar um prêmio só pro Gilçmar e dar todo ano…

“Há também a subcategoria mais hedonística “relaxa, descansa e ainda cuida da saúde”, simbolizada pelo encontro do MP-MG em Araxá com sessão de axé no final. Um espetáculo da magistocracia desnuda usufruindo de águas termais e de chiclete com banana. Ao custo de pelo menos R$ 500 mil em dinheiro público. Na categoria “encontros sem decoro” dessa res-pouco-pública, despontam a reunião entre Fux e Lira para questionar decisão liminar de Rosa Weber que exigiu quebra de sigilo da compra do centrão (mas depois se rendeu às pressões indecorosas e voltou atrás). Também a cerimônia de entrega da cidadania piauiense ao presidente do STJ, Humberto Martins, na presença de Ciro Nogueira e Kassio Nunes. Na categoria “João Doria já foi a Dubai, você também?” aparece o desembargador fluminense Marcelo Buhatem, presidente da Associação Nacional de Desembargadores, que integrou a comitiva bolsonarista da Expo Dubai na companhia dos filhos do presidente, ministro do Turismo, secretário de Cultura, general Heleno etc. Na categoria “não posso mais nesse miserê”, nada parece bater esse obelisco da criatividade magistocrática chamado “programa de aposentadoria incentivada”, que dribla a Constituição e antecipa aposentadoria numa pedalada contábil. Também a retirada de pauta da PEC que reduz férias magistocráticas de 60 para 30 dias. Usam férias como negócio. Servem para vender, não dá para abrir mão. Ou o juiz alagoano, cuja empresa recebeu R$ 17 milhões de verba emergencial do Ministério do Turismo para a pandemia e construiu resort. Na categoria “esse livro já tá qualquer coisa”, livro de homenagem a Augusto Aras editado por outro astro na história das ideias, Dias Toffoli, já homenageado, contou com artigos de seis ministros do STF e de parte do ilarilariê de Lisboa. O que seria da magistocracia não houvesse advocacia que a corteje? Uma espécie de avacalhação do ritual acadêmico do “Festschrift”, livro que analisa obra de autor no auge da carreira. Confundiram com “festa escrita” e homenagearam autor sem obra, porém com a gaveta mais letal da República. Melhor não avaliar a correlação entre atuação da PGR e a tragédia da pandemia. Esta mereceria categoria própria, mas o comitê não quer cutucar com vara curta e permanece pornograficamente “a postes” para outras sugestões. Leitoras e leitores, podem enviar indicações por rede social, comentário de assinante ou pelas cartinhas juspornográficas que a magistocracia bolsonarista, sensível como dândis de pelica, tem preferido: mandado de intimação, inquérito policial, ação criminal e telefonema milicartista à chefia para alertar que “liberdade de expressão tem limites”. Pois limites a liberdade de expressão tem mesmo, só que em nenhum estágio da vida jurídica inteligente eles correspondem à autoestima do magistocrata. Nem à galhofa contra a covardia autoritária. Muito menos à crítica fundada em fatos e argumentos. Jogar fumaça nesses limites, convertê-los em buzina retórica e poupar o trabalho suado de parametrização jurídica são hábitos da preguiça intelectual incrustada no gene da magistocracia. O significado da liberdade de expressão varia conforme uma noite bem ou mal dormida, uma dor de dente, uma ressaca. Mandar prender e mandar soltar viram espasmos do livre arbítrio magistocrático. E “governo das leis” vira governo de Baco, um bacanal. Assim o autoritarismo vive, com muito dedo em riste, muita palavra de ordem e de ódio, pouca palavra de explicação e respeito, de atenção e cuidado. A magistocracia de pouco estudo vende a dignidade, mas não perde a solenidade. A solenidade de entrega do JusPorn Awards ocorrerá daqui duas semanas. E teremos categorias surpresa. Não deixe de votar.”

__/\/\/\/\/\/\__

10. PEC

Da Míriam Leitão:

“Essa novela rocambolesca tem mais uma surpreendente etapa. O que foi promulgado ontem entre tanta discussão no Senado foi apenas a manipulação do teto de gastos, porque o tema dos precatórios mesmo ficou “apensado” em outra PEC e será votada na semana que vem. Para quem quer entender esse novo capítulo: ontem foram promulgadas as partes comuns, que foram aprovadas na Câmara e no Senado. Nessa, portanto ficou a mudança de cálculo oportunista do teto de gastos, para pegar uma carona na inflação que inflacionou o teto. Isso dá ao governo para gastar mais R$ 62 bilhões, podendo ser mais se a inflação terminar acima de 10% como se calcula. Mas há outros R$ 46 bilhões resultado no calote de parte das dívidas judiciais. A proposta é de criar um subteto para o pagamento desses precatórios, e quando ficar acima disso será rolado. Nesse ponto houve mudanças no Senado. O tempo para uso desse expediente de pagamento de dívida diminuiu em dez anos, há uma hierarquia do pagamento desses precatórios que foram estabelecidos pelo Senado, inclusive lá se tirou a dívida do Fundef desse mecanismo de adiamento dos pagamentos. Como foi muito alterado será votado na semana que vem. Em resumo, tudo foi feito falando que era a PEC dos Precatórios e o que foi promulgado até agora nada tem em relação a isso. E sobra para explicar a briga entre a senadora Simone Tebet e o presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Alguns senadores, não apenas Simone, acusaram Pacheco de ter mudado a redação de um ponto que acabou promulgado. No Senado, eles tinham exigido que todo o dinheiro dessa manobra contábil fosse para pagar o Auxílio Brasil e para a seguridade social. Isso é que sumiu, dando mais liberdade ao governo para gastos em ano eleitoral. Não percam os próximos capítulos dessa novela mais enrolada do ano. [O Globo]

__/\/\/\/\/\/\__

11. Fome

Mais um relato brutal:

“”A última vez que comi carne já tem mais de um mês. Foi quando ajudei a tirar o couro de uma vaca”. Em Senador Elói de Souza, município do Rio Grande do Norte em estado de calamidade pública pela seca, Adailton Oliveira lembra, emocionado, que o animal agonizava de fraqueza, faminto, e foi abatido pelo dono. Os pedaços foram repartidos onde caíram. Adailton, 52, conta que ficou com “a mão”, uma das patas dianteiras. Com a mulher, Sebastiana, fez o pedaço render por 20 dias no fogão à lenha improvisado. Alimentos ali estão contados. Os R$ 170 do Bolsa Família “não dão para nada”, afirma, e o auxílio emergencial da pandemia é passado. “Ao invés de deixar a vaca para urubu e cachorro, a gente tem que comer”, diz o agricultor. “É isso porque não tem outro jeito. Sem chuva não se planta o que comer e se acabam os animais. Também não existe mais passarinho para desfrutar, e a gente não tem condição de pedir no mercado ‘bota 1 kg de carne com osso’. A gente tem que pegar os bichinhos para fazer a mistura.” Os relatos sobre a fome na região potiguar se somam aos de outros brasileiros pelo país. Neste ano, ganharam notoriedade imagens de ossos de boi serem disputados por moradores no Rio de Janeiro Janeiro e vendidos como um produto a mais em açougue em Santa Catarina. Em Fortaleza, ossos de carne de primeira e de segunda também foram incluídos na lista de itens de alguns açougues, quando antes eram doados. Duas casas adiante, Deojem Emanuel Gomes da Silva, 57, conta não ter nada na geladeira. O alimento disponível na cozinha é meio quilo de feijão espalhado numa caixa. A renda “é menor que o gás”. O botijão custa R$ 110. “Tudo subiu com a pandemia”, diz com tom de lamento. No almoço, comeu o feijão puro. Ele conta que não é possível recorrer nem aos pequenos répteis, animais que por décadas fizeram parte da dieta dos mais pobres afligidos pela seca no Nordeste. “A mistura, às vezes, é ovo. Às vezes, não tem. Nem calango, nem lagarto tijuaçu tem mais aqui. Eles migram atrás de água.” Há quem diga que os que ficam “são pequenos como lagartixas”. No assentamento onde vive, parte das famílias está “no extremo do extremo”, diz a presidente da associação de moradores, Áurea da Silva, 60. “Não têm nem o Bolsa Família e a renda é a agricultura, porém esse ano não teve nada, não teve chuva”. Cestas básicas da igreja são o que ajuda a salvar. O desemprego acentuado com a pandemia e a queda no poder de compra em 2021 agravaram a insegurança alimentar e a fome. Mais da metade (52%) dos municípios potiguares estão em “seca grave”. A área com esse diagnóstico aumentou, segundo a Ana (Agência Nacional de Águas), e o estado é, no Nordeste, o mais afetado pela estiagem. O governo lançou em outubro um plano estadual de convivência com o semiárido. Paralelo a isso, a Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social calcula que 370 mil famílias estejam na extrema pobreza, o maior patamar em uma década. O número de famílias em situação de pobreza também subiu e, frisa a secretaria, aumentou o número de pessoas que sofrem com a fome. São mais de 1 milhão de pessoas, quase 38% da população, na pobreza e na extrema pobreza. “Evidentemente a seca agrava o quadro”, diz a titular da pasta, Iris Oliveira. “Mas tem vários fatores, como a fila de espera no Bolsa Família —várias famílias, desde 2019, 2020, aguardam para entrar no programa e isso dificulta o direito à renda”. A eliminação de postos de trabalho na pandemia e o encarecimento da cesta básica pioram o cenário. “Vários municípios e comunidades tradicionais [quilombolas, indígenas] do estado estão com o mesmo problema da fome. O cenário é de privação de um direito humano essencial para a sobrevivência: o Direito Humano à Alimentação Adequada”, diz a professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pesquisadora na área de segurança alimentar e integrante do Conselho de Segurança Alimentar do estado, Nila Pequeno. “Essa aquisição de alimentos, da quantidade à qualidade nutricional inadequada, é socialmente inaceitável e rompe padrões de alimentação naturalmente estabelecidos”, afirma a professora, se referindo à busca de alternativas como “pássaros, lagartos e pebas, incomuns para a maior parte da população brasileira, mas há muito retratados nos episódios de seca e fome no sertão nordestino”. O Brasil, observa, saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, mas regride. “O cenário piora desde 2016 com o esvaziamento e desmonte de políticas públicas.”” Em um supermercado local, a crise é retratada pelo aumento na venda de salsicha, mortadela e ovos, mais baratos que a carne, e também pela crescente busca por carcaça de frango. Um funcionário, que pediu para não ser identificado, contou que muitos até brigam pelo “ossinho de sopa”, que custa R$ 6 o quilo. A procura por xaxado ou pelanca, a gordura da carne de primeira, também subiu. A loja oferece de graça. A maioria pede alegando ser para o cachorro, mas fica claro que são as pessoas que vão comer essas partes, diz o funcionário. José Vicente, 46, é um dos clientes que busca alternativas. Safra para subsistência da família, ele conta, está zerada e depende de sacolões doados. Desempregado, ele aponta o botijão de gás vazio. Fogo, só à lenha. Francisco Horácio, 60, lamenta ainda a perda de seus animais. “Peço a Deus que melhore porque, se não melhorar, ninguém resiste”, diz ele, se referindo à esperança de chuva, em meio à vegetação seca, onde 3 das 11 cabeças de gado que perdeu estão estendidas. O cheiro de uma delas, morta poucos dias antes, se espalha pelo ar, e a decomposição do bicho faz da carne um prato apenas para insetos, e outros animais. A família espera conseguir comprador para cinco animais que ainda resistem e levantar algum recurso para o sustento. Hoje, dependem de doações de parentes para comer. Sheila Silva, 37, e o marido, Carlos, contam que também travam lutas diárias para garantir comida. “Passo uma situação difícil”, diz em prantos. “Já cheguei a pensar ‘meu Deus, o que vou fazer para janta’, ter só arroz em casa e a enganar meus filhos com qualquer coisa: açúcar com farinha, ou só farinha mesmo.” [Folha]

__/\/\/\/\/\/\__

Aras diz ao STF que vê ‘ações concretas’ do governo contra fogo no Pantanal
“O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou, nesta terça-feira, 7, ao Supremo Tribunal Federal, manifestação contrária à ação que pede a elaboração de um plano do governo federal para impedir o desmatamento no Pantanal. Na avaliação do chefe do Ministério Público Federal, as atribuições relacionadas às políticas públicas de proteção ambiental são dos Poderes Executivo e Legislativo, que tem “representantes eleitos e pessoal técnico com expertise específica para lidar com a questão”. “O Judiciário há de pautar a aplicação dos princípios da prevenção, da precaução e da proibição do retrocesso ambiental de forma a velar pela preservação da esfera de tomada de decisão política e administrativa, atribuída constitucionalmente às instâncias democráticas e representativas”, argumenta Aras. O PGR diz ainda que “existem ações concretas do Poder Público voltadas a minimizar ou a frear os efeitos dos incêndios”. Segundo o Ministério Público Federal, a ponderação leva em consideração informações apresentadas pela Presidência da República, com dados do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade (ICMBio). “Substituir a atuação dos Poderes Legislativo e Executivo pelas ações pretendidas pelos requerentes representaria ingerência do Judiciário no mérito das ações adotadas, para impor determinado modo de agir em sobreposição aos órgãos competentes, providência incompatível com o objeto da ADPF e com a própria função jurisdicional”, sustenta Augusto Aras. Em setembro, uma coalizão de 32 entidades de defesa do meio ambiente chegou a pedir prioridade na tramitação do caso que era de relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou em julho. Em carta enviada aos ministros, o grupo acusou omissão do Planalto e dos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul diante dos riscos ao bioma. Agora o processo deve ser herdado por André Mendonça, ex-advogado-geral da União do governo Bolsonaro. A posse do novo ministro será realizada no dia 16 de dezembro”

Bolsonaro amplia acesso de alunos de escolas privadas ao Prouni
“O presidente Jair Bolsonaro (PL) editou medida provisória (MP) nesta segunda-feira (6) ampliando acesso de alunos egressos de escolas privadas no Prouni (Programa Universidade para todos). Hoje podem participar quem estudou em escola pública e quem fez ensino médio em escola particular com bolsa integral. A medida vai ampliar o acesso para estudantes pagantes ou que tiveram bolsa parcial em instituições privadas no ensino médio. O governo também tirou a previsão de bolsas de 25% nas instituições de ensino superior, permitindo apenas as integrais e de 50%. Essas novidades, contudo, passarão a valer apenas a partir de 1º de julho de 2022. As demais mudanças no texto, por se tratar de MP, tem caráter imediato. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, é egresso do sistema privado de ensino superior. Foi vice-reitor da Universidade Mackenzie, em São Paulo, no início dos anos 2000. Segundo o Planalto, o objetivo é “ampliar as políticas de inclusão na educação superior, diminuindo a ociosidade na ocupação de vagas antes disponibilizadas e promover o incremento de mecanismos de controle e integridade e a desburocratização.” Outra novidade é que a proibição de acumulação de bolsas de estudo do Prouni e a concessão delas a estudantes já matriculados. Quem tiver 75% do curso concluído também não poderá mais participar. Além disso, a medida provisória passa a dispensar o MEC (Ministério da Educação) de apresentação de documento que comprove renda familiar mensal bruta pelo estudante e comprovante de situação de pessoa com deficiência, quando essas informações já estiverem presentes em bancos de dados do governo.”

Haddad diz que mudanças no Prouni feitas por Bolsonaro são ‘um nojo’
“”Foram quase 3 milhões de jovens, pobres, pretos e periféricos beneficiados. O Arthur Lira [presidente da Câmara dos Deputados] deveria devolver para o Planalto esse lixo”, afirmou Haddad à coluna. Ele afirma também que Bolsonaro fez ainda pior: acabou com a regulamentação das entidades filantrópicas ao revogar o artigo 10 da lei que criou o Prouni. Ela estabelecia regras para o enquadramento de instituições que, sendo consideradas filantrópicas, têm isenção de impostos. Entre outras coisas, elas tinham que dar uma bolsa a cada nove estudantes pagantes e investir 20% de sua renda bruta em gratuidade. Agora, vão poder funcionar sem regras objetivas, diz o ex-ministro. “É a volta da ‘pilantropia’, termo que não era usado há décadas no Brasil”, afirma.”

Mais 34 pesquisadores ligados à Capes renunciam e total chega a 114
“Um novo grupo de pesquisadores renunciou às atividades relacionadas à Capes, o órgão do governo federal responsável pela pós-graduação no país. Ligado ao MEC (Ministério da Educação), a Capes sofre com renúncias desde o fim de novembro por descontentamento com as lideranças. Três coordenadores e 31 consultores da área de Engenharia divulgaram carta na noite desta terça-feira (7) anunciando o desligamento. Com isso, já são 114 os pesquisadores que se afastaram. A informação foi revelada pelo jornal O Globo. Esses profissionais trabalham nos processos de avaliação do sistema de pós-graduação do país, organizado por áreas de pesquisa. Os coordenadores são nomeados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) após indicação da comunidade científica para mandatos de quatro anos. Eles indicam outros dois coordenadores de cada área e os assessores. Eles não são servidores da Capes, mas têm importância central no processo de avaliação. Essa é a quarta área de avaliação atingida pela debandada. Nos últimos dias, pediram renúncia coletiva os coordenadores e consultores das áreas de astronomia/física, matemática/probabilidade e estatística e química. A engenharia é dividida em quatro subáreas e a renúncia desta terça refere-se a um agrupamento que abriga as engenharias aeroespacial, mecânica, naval e oceânica e de produção. Os pesquisadores criticam pressão para acelerar ações de abertura de novos cursos, para aprovar ofertas a distância e um suposto descaso das lideranças da Capes na retomada da avaliação dos programas. A avaliação quadrienal da pós-graduação foi interrompida por decisão judicial mas, na última quinta (2), a Justiça autorizou sua retomada. “Esta decisão decorre da convicção, por esta equipe, de que não há condições, neste momento, de se produzir uma avaliação dos programas de pós-graduação com a qualidade necessária para o cumprimento de seu papel de orientadora das políticas públicas para o desenvolvimento da pós-graduação brasileira”, diz carta da área de Engenharias III. Na carta, o grupo ataca sobretudo as indefinições que cercam o processo de avaliação, que compreende o período de 2017 a 2020. A decisão judicial permitiu a retomada dessas atividades, mas não a sua divulgação. “A falta de garantia de que o resultado da avaliação será tornado público fere os princípios da transparência e do respeito à comunidade acadêmica, que sempre nortearam os trabalhos desta Comissão”, diz o texto, que também aponta demora da Capes no recurso à decisão judicial que travou a avaliação e ausência do PNPG (Plano Nacional de Pós-Graduação) para o decênio 2021-2030. “A falta do PNPG coloca o Sistema Nacional de Pós-Graduação à deriva, sem condições que deem previsibilidade aos programas de pós-graduação quanto aos rumos a serem seguidos.” 1 12 Ministério da Educação com Milton Ribeiro”

Médica negacionista faz palestra antivacina no Clube Militar e diz que o ‘Ministério da Saúde precisa ser investigado’
“A médica otorrinolaringologista Maria Emília Gadelha Serra faz neste momento uma palestra antivacina no Clube Militar do Rio de Janeiro. O evento é intitulado Passaporte Sanitário: eventos adversos das vacinas contra Covid-19 e os riscos para a segurança nacional. A médica é presidente da Sociedade Brasileira de Ozonioterapia Médica (Sobom), que defende o tratamento precoce para pacientes de Covid-19. No Instagram do Clube Militar do Rio, 15 seguidores acompanham a palestra ao vivo. Entre as declarações negacionistas, ela já afirmou que “o Ministério da Saúde precisa ser investigado” por indicar as vacinas de Covid-19 à população. Ao longo da palestra, a médica apresenta dados de pessoas que tiveram reações após terem se imunizado com as vacinas disponíveis no País. Depois de considerar um absurdo o incentivo à vacinação no País “diante de situações adversas”, a médica disse que o Ministério da Saúde deveria se chamar ‘Ministério da Doença’’.”

Daniel Silveira apresenta projeto que cria entrave para vacinação de crianças e adolescentes
Enche o cu de anabolizante e remédio pra cavalo e vem questionar vacinação, porra?!

Governo Bolsonaro vacinou contra Covid apenas 44% dos indígenas
“Por muito tempo, as fake news fizeram Patkore Kayapó ter medo da vacina da Covid-19. Delia Benites temeu morrer, mesmo imunizada, após a filha adolescente carregar o vírus para casa. Já Edney Samias se preocupa com os parentes evangélicos não vacinados. Os três personagens ouvidos pela Repórter Brasil vivem em diferentes partes do Brasil, mas compartilham uma experiência comum: assistem diariamente ao fracasso do governo federal em imunizar os indígenas contra a Covid. Quase um ano após o início da campanha, o Ministério da Saúde ainda não completou a imunização nem da metade dos 755 mil que vivem em Terras Indígenas (TIs), mesmo eles sendo parte do grupo prioritário. Apenas 44% de quem vive em aldeias receberam as duas doses da vacina contra a Covid, segundo levantamento da reportagem com base no monitor de vacinação indígena e no informe epidemiológico da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), ambos do ministério. Não há dados sobre doses de reforço. O baixo ritmo de imunização dos indígenas deve-se às fake news, à influência de igrejas evangélicas nas TIs e ao discurso antivacina do presidente Jair Bolsonaro (PL), de acordo com lideranças, organizações indígenas e especialistas em saúde. Além disso, eles apontam a incapacidade do Ministério da Saúde em barrar essa onda negacionista e sua lentidão com a vacinação dos adolescentes indígenas, iniciada com atraso. A resistência de Patkore e de outros indígenas está relacionada aos discursos negacionistas atuais e ao contexto político. Isso porque, historicamente, a vacinação costuma ser bem aceita entre indígenas. A pesquisadora Ana Lúcia Pontes, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), lembra que, na campanha contra influenza em 2020, foram vacinados 94% dos indígenas acima de 6 meses em 90 dias.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s