Dias 1.078 a 1.088 | Dum passado distante | 12 a 22/1221

Podcast volta dia 10 mas fechamos o ano com uma trilogia pesada, os episódios você ouve lá na Central3 e nas plataformas de áudio por aí.

Ah, e agora o Medo e Delírio em Brasília tem um esquema de assinatura mensal, mas tenha sua calma. O Medo e Delírio continuará gratuito, se não quiser ou puder pagar tá de boa, você continuará ouvindo o podcast e lendo o blog como você sempre fez.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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Eu nem ia postar isso aqui, jogaria o post no lixo antes de publicar, mas mudei de idéia. Vão aí algumas notícias velhas, de meados de dezembro, e sem edição, editei de qualquer jeito só pra manter alguma linha temporal.

E daí em diante haverá um limbo de notícia, volto na segunda semana de janeiro. E o podcast também.

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1. Terrivelmente fodidos

E lá vamos nós, de novo, com “o ministro terrivelmente evangélico” – e no podcast tem um episódio só sobre esse culto aí do Mendonça com Malafaia, tá bem melhor que aqui : )

“Nada de pôr o título jurídico primeiro. “Aqui é pastor André Mendonça”, anuncia Silas Malafaia ao convocar para o púlpito o presbiteriano que chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) após forte lobby pastoral. Estamos no Culto da Vitória, na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a igreja de Malafaia. O convidado principal da noite desta quinta (9) permanece com o mote da conquista na cabeça: era hora de celebrar “uma grande vitória que Deus nos preparou”.” [Folha]

O que me pega é a indiscrição brutal dessa galera:

“Esse plano não pode ser frustrado, e não é por minha causa ou sua causa. É pela honra e glória [de Deus]”, pregou à plateia lotada, com o senador Romário (PL) e o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), na primeira fila. Seu triunfo, afirmou Malafaia, “era do plano de Deus, estava estabelecido por Deus, desde a fundação do mundo”. Dando ares messiânicos à sua entrada na mais alta corte do país, Mendonça contou que disse ao presidente Jair Bolsonaro (PL), “usando a linguagem” do capitão reformado: “O militar está preparado pra guerra. Agora, nós estamos preparados pra cruz. Quem tem medo da derrota não é digno da vitória”.”

Repare na coleção de absurdos:

“O futuro ministro, que será empossado na semana que vem, disse que esteve na quarta (8) com o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, que estava exultante com sua aprovação para o tribunal. “Ele fez uma pergunta interessante: como você manteve paz e serenidade durante todo o processo? Precisei explicar: o crente cristão é aquele que tem fé, fé e a certeza do que você ainda não vê”. Repetiu no púlpito o que disse mais cedo, em reunião com o governador do Rio. Ele lembrou de definições que ouviu na imprensa sobre sua longa espera para ser sabatinado: um “calvário” com “requintes de drama”. Uma “via-crúcis”.”

Sim, um culto com governador do RJ ali, um encontro com Viilla Bôas acolá.

“A sugestão do governador do Rio, um católico devoto que fez carreira na música religiosa, ganhou um complemento do pastor que chegou ao Supremo sob a premissa de ser um bom cristão. O selo de “genuinamente evangélico” também o agradava, disse Mendonça, indicado por Bolsonaro em julho e aprovado só no começo de dezembro. No Palácio das Laranjeiras, uma das sedes do Executivo fluminense, o governador Castro recebeu nesta quinta-feira o futuro titular da corte e o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), integrante da igreja de Malafaia que em 2022 comandará a bancada evangélica. O governador brincou que Bolsonaro havia tornado a vida de seu indicado mais difícil por causa da hermenêutica —prometer um “terrivelmente evangélico” para o Supremo empolgou pastores, mas irritou opositores e tornou árdua a caminhada de Mendonça até a corte.”

Sim, isso virou motivo de BRINCADEIRAS!

“O governador disse que, ante adversidades, valeria refletir sobre os planos de Deus: “Você vai desistir já? Não crê que sou o Deus do impossível?”. Ao que respondeu Mendonça: “Imagina se Cristo desistisse da cruz? Não ia ter cristianismo”. Mais tarde, antes do culto, Malafaia o recebeu numa mesa onde se sentaram Castro, o ex-ministro bolsonarista Fábio Wajngarten, o desembargador William Douglas, seu irmão Samuel Malafaia (deputado estadual pelo DEM-RJ) e Romário, que Mendonça afagou como “o senador mais habilidoso”, gracejo com sua carreira no futebol.” Já o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo ganhou do ministro do STF o seguinte agrado: “Pastor Silas, esse homem tem coragem”. Após a participação de Mendonça, o pastor que tanto batalhou por sua chegada no topo do Judiciário maldisse quem vê num ministro “terrivelmente evangélico” uma ameaça à laicidade do Estado. “O estúpido que disse isso tá dizendo que o STF só pode ser composto por ateus ou quem não professa religião”, praguejou Malafaia. “Vai ser estúpido lá na China.”. Mendonça ainda ouviria o colega de pastorado criticar quem vai contra o “núcleo familiar” (arranjos tradicionais de família, com homem e mulher) e “esquerdopatas” que tentariam importar o comunismo para o Brasil. “A ideologia de Marx está falida, a de Cristo está de vento em popa”, disse Malafaia.”

E olha o tipo de notícia que eu tenho que ler:

“Em conversas reservadas, o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tem dito que fará uma transição gradual na sua atuação religiosa. Pastor presbiteriano, Mendonça vai diminuir a presença nas pregações no púlpito e assumir mais trabalhos sociais da igreja.” [G1]

DIMINUIR a presença?! Ele não deveria subir NUNCA MAIS num púlpito, caralho! E isso inda é vendido como moderação:

A interlocutores, o novo ministro afirmou que os gestos mais recentes de manifestação pública da fé precisam ser vistos como agradecimento aos líderes religiosos e aos parlamentares da bancada evangélica.

Ele abraçou efusivamente Bolsonaro após sua vitória mas quem merece o obrigado mesmo são as lideranças evangélicas, Mendonça sabe disso.

“Mendonça, inclusive, atribui a aprovação de sua indicação pelo Senado ao empenho desse segmento. Dentro desse contexto, Mendonça fará um Culto de Ação de Graças pela posse de ministro do Supremo já na próxima quinta-feira em uma igreja na Asa Sul, em Brasília. O convite é da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira (Conamad). O novo ministro do STF tem plena consciência de que não apenas foi abandonado pela articulação política do governo, como foi informado que houve trabalho contrário ao seu nome.”

Inclusive de Flavinho Desmaio.

“Ele identificou uma forte atuação de governistas para derrubar sua indicação e colocar no lugar o nome do atual procurador-geral da República, Augusto Aras. De forma reservada, Mendonça também reconhece a importância da bancada do Podemos na sua eleição. Curiosamente, o Podemos é o partido do ex-ministro Sergio Moro, pré-candidato anunciado à eleição presidencial de 2022.”

E por falar nisso, os líderes evangélicos são vingativos, não tem essa de dar a outra face não:

“O procurador-geral da República, Augusto Aras, está na lista elaborada por lideranças evangélicas de pessoas que atrapalharam o processo de indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, o PGR é visto como alguém que trabalhou pela vaga até o último momento. Como mostrou o Painel, as lideranças querem mapear os nomes para inviabilizar planos futuros dos considerados traidores.” [Folha]

Encerro com Bernardo de Mello Franco:

“É preciso esperar para ver como o pastor André Mendonça vai se comportar no Supremo Tribunal Federal. Mas o responsável por sua escolha não esconde a euforia. Conta com um despachante que cumpra suas ordens na mais alta corte do país. Às vésperas da posse do novo ministro, o capitão resolveu antecipar sua decisão no julgamento do marco temporal. “Nós já sabemos que o André vai ser um voto para o nosso lado”, afirmou, em entrevista à Gazeta do Povo. O julgamento foi interrompido em setembro com o placar em 1 a 1. Edson Fachin votou contra a adoção do marco, que legaliza o roubo de terras indígenas até 1988. Kassio Nunes Marques votou a favor da tese, que beneficia grileiros e madeireiros. Bolsonaro disse ao jornal paranaense que Mendonça defendeu o marco quando atuava como ministro da Justiça e advogado-geral da União. Isso já seria suficiente para que o novo ministro se declarasse impedido de julgar o caso. Mas o histórico recente do Supremo sugere que a decisão caberá ao próprio pastor. Alguns juízes da Corte têm uma visão peculiar das regras de impedimento e suspeição. Dias Toffoli se sentiu livre para votar pela absolvição de José Dirceu, seu antigo chefe no governo Lula. Gilmar Mendes foi padrinho de casamento da filha de Jacob Barata e deu três habeas corpus para tirá-lo da cadeia. O rei dos ônibus não pode reclamar da sorte. Nesta terça, o Supremo arquivou denúncia que o acusava de evasão de divisas. Barata foi preso quando tentava embarcar com maços de euros, dólares e francos suíços, mas Gilmar disse ver “ausência de ofensividade da conduta do paciente”. O presidente não tem pudores ao dizer o que espera de seus indicados ao tribunal. Já descreveu Nunes Marques como “10% de mim dentro do Supremo”. Os votos e as manobras do ministro mostram que ele tem motivo para estar satisfeito. Na semana passada, Bolsonaro sugeriu que Nunes Marques e Mendonça farão uma dobradinha governista na Corte. “Tem dois ministros que representam, em tese, 20% daquilo que gostaríamos que fosse decidido e votado”, declarou. O capitão errou na conta (dois ministros somam 18% do tribunal), mas parece estar certo do que vem por aí.” [O Globo]

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2. O senil

Num dia o Intercept revela um bizarro vestibular para a força de elite do Exército – herdeira do DOi-CODI – envolvendo uma luta contra partidos de esquerda e movimentos pela reforma agrária. No outro Heleno diz o seguinte numa formatura na…. ABIN!

“O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, fez duros ataques ao Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (14/12) e disse que precisa tomar remédios psiquiátricos “na veia” diariamente para não levar Jair Bolsonaro a tomar “uma atitude mais drástica” contra o tribunal. A declaração foi feita na formatura do Curso de Aperfeiçoamento e Inteligência, para agentes já em atividade na Agência Brasileira de Inteligência (Abin)..” [Me3trópoles]

Se foi na ABIN não vazou, né? E é por demais inacreditável que os caras tenham que ouvir uma meerda dessa do sujeito que tem a ABIN sob sua alçada, né um velho senil qualquer falando merda não..

“No discurso, Heleno afirmou que rezará para que Jair Bolsonaro não sofra um atentado no ano que vem.”

Sim, o chefe do GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL diz que está REZANDO para que o presidente que desrepeita TODOS os protocolos de segurança seja assassinado! Vai explicar pra um gringo que o responsável pela segurança presidencial disse um troço desse…

“Temos um dos Poderes que resolveu assumir uma hegemonia que não lhe pertence, não é, não pode fazer isso, está tentando esticar a corda até arrebentar.”

O Executivo?!

“Nós estamos assistindo a isso diariamente, principalmente da parte de dois ou três ministros do STF”, disse Heleno, sem citar nomes.”

Barroso, Moraes e Rosa. É igual Bolsonaro dizendo “eu não falei o nome da CHina, falei?!”.

“E emendou: “Eu, particularmente, que sou o responsável, entre aspas, por manter o presidente informado, eu tenho que tomar dois Lexotan na veia por dia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica em relação às atitudes que são tomadas por esse STF que está aí”.”

Heleno fala em “medida drástica” e eu imagino ele quebrando a bacia, chorando no chão do banheiro.

“Procurado pela coluna para comentar suas declarações, Augusto Heleno respondeu: “O GSI deixa de se manifestar por tratar-se de demanda que aborda o assunto fora de contexto”.”

O sujeito falou sobre assuntos de segurança nacional para integrantes da ABIN mas tá fora do contexto, ok?!

Enquanto isso…

O presidente Jair Bolsonaro pressiona o Ministério da Economia a dar reajustes para os policiais, importante base de apoio do seu governo, a partir do ano que vem, quando concorre à reeleição. Segundo cálculos apresentados pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, o custo do agrado às carreiras seria de R$ 2,8 bilhões para os cofres públicos apenas em 2022. Em três anos, somaria R$ 11 bilhões. Em ofício apresentado ao ministro da Economia, Paulo Guedes, Torres pede adequação no Orçamento do próximo ano como forma de garantir os recursos para um plano de reestruturação das carreiras da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Penal e do Departamento Penitenciário Nacional.o.” [Estadão]

Olha como foi o anúncio:

“Não é bom falar antes das coisas acontecerem, né? Mas temos reunião hoje à tarde com a equipe econômica”

Sim, Boslonaro anunicou bene$$e$ antes de se reunir com a equipe econômica, e aaí ele cai chegar noi Guedes e falar “ó, resolve aí que eu já prometi publicamente”.

]”Torres afirmou que será preciso uma modificação na lei para posteriormente garantir o reajuste via medida provisória (MP), que passa a valer assim que é editada, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. Ao Estadão, o relator do Orçamento de 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), dise que não há espaço para reajustes ao funcionalismo no ano que vem e que será preciso cortes em despesas que não são obrigatórias.”

E aí, como é que faz?!

“Bolsonaro está empenhando no aumento para as categorias. Ele convidou publicamente três autoridades policiais a participar de reunião com a equipe econômica sobre a reestruturação das carreiras. Foram convidados o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Paulo Maiurino; o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques; e a presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Tania Fogaça. Os detalhes do reajuste não foram definidos e os representantes do Ministério da Economia pediram mais tempo para analisar a proposta. Os recursos para garantir o reajuste poderão ser obtidos por meio do espaço fiscal aberto pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Ao postergar o pagamento de dívidas da União e mexer no cálculo do teto de gastos, a medida – chamada de calote pela oposição – dá ao governo dinheiro para não só viabilizar o pagamento de R$ 400 do Auxílio Brasil em ano eleitoral, mas para viabilizar o reajuste a policiais, considerado uma prioridade para Bolsonaro. Na semana passada, o presidente voltou a prometer reajuste para todos os servidores em 2022, ano em que disputa a reeleição. “Reajuste seria de 3%, 4%, 5%, 2%, que seja de 1%”, disse entrevista à Gazeta do Povo.”

Olha a confusão, Guedes tá completamente perdido!

A Folha apurou que o Ministério da Economia vai enviar ao relator do Orçamento de 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), um ofício comunicando a intenção de conceder o reajuste, mas sem detalhar ainda as carreiras beneficiadas.”

Um pequeno detalhe!

O objetivo é reservar o espaço que será necessário para ampliar os salários. Das três corporações, a proposta que está mais encaminhada é a do Depen, que já teria sido construída com o Ministério da Economia nos últimos meses. Mas a ideia é que todas as três reestruturações –e reajustes– sejam anunciados conjuntamente. De acordo com relatos de quem acompanha as discussões, a ideia para os policiais federais é implementar um padrão de promoção escalonada de carreira, a cada cinco anos. O objetivo seria evitar a evasão na carreira. Já a PRF teria a mais radical mudança na estrutura da carreira, segundo o plano do ministério de Torres, também com impacto salarial. No caso do Depen, a ideia de transformar o cargo de agente federal de execução penal em policial penal federal, vinculado ao ministério, mudando inteiramente a carreira. Apesar de insatisfeitas com o congelamento de seus salários, as categorias policiais do governo federal estão entre os maiores salários da Esplanada. Na PF, a remuneração de um agente vai de R$ 12.522,50 a R$ 18.651,79 mensais, segundo o Painel Estatístico de Pessoal do governo federal. Os delegados ganham de R$ 23.692,74 a R$ 30.936,91. Na PRF, os vencimentos vão de R$ 9.899,88 a R$ 16.552,34 mensais. Agentes do Depen, por sua vez, têm remuneração entre R$ 5.572,23 e R$ 10.357,30, segundo os dados do painel.” [Folha]

E tinha policial federal se recusando a denunciar o aparelhamento da PF porque queria ganhar mais dinheiro. E agora que ganharam mais dinheiro vão continuar calados, claro!

E tudo isso aí é campanha do ministro a Justiça!

“Na véspera, Torres levou os diretores das corporações para reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar do reajuste salarial. Delegado, o ministro deve ser candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, e garantir o benefício às carreiras é uma importante pauta para ele na disputa no ano que vem. Nesta terça (14), o ministro da Justiça disse que os valores dos reajustes, impacto fiscal e outros detalhes seriam definidos junto com equipe econômica. “Tem de fazer a previsão orçamentária. Para no ano que vem apresentar uma medida provisória”, afirmou.”

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3. Bolsonaro & STF

Notícia velha mas vamos que vamos

“Acabou o armistício do presidente Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo integrantes do governo federal, o presidente prepara novos ataques à corte após decisão do ministro Luis Roberto Barroso, que determinou a obrigatoriedade do comprovante de vacinação para viajantes que chegarem ao país. Contrariado mais uma vez, porque defendeu exatamente o contrário e manteve um conflito absurdo com a Anvisa, Bolsonaro passou o último fim de semana desabafando com assessores sobre a nova decisão do STF. É o que informaram à coluna. Na semana passada, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, o presidente já havia reclamado do inquérito aberto por Alexandre de Moraes no qual passou a ser investigado por associar a vacina contra a Covid-19 à Aids. “É um abuso. Ele está no quintal de casa, será que ele vai entrar? Será que vai ter coragem de entrar? Não é um desafio para ele, quem está avançando é ele, não sou eu”, disse Bolsonaro. O problema de Bolsonaro sempre foi com Barroso e Moraes. O agravante nesta semana é a posse de André Mendonça na corte, marcada para o dia 17, com um número de convidados restritos por conta da pandemia. O STF deverá exigir a apresentação do passaporte de vacinação contra a Covid-19 ou do teste negativo da doença para os presentes na cerimônia. Bolsonaro é um desses convidados. A semana – que parecia ser calma com o fim dos trabalhos em Brasília antes do Natal e do Ano Novo – poderá esquentar. A postura beligerante de Bolsonaro contra a Corte estava controlada desde o acordo costurado pelo ex-presidente Michel Temer, após o feriado de 7 de setembro.” [Veja]

No fim das contas Boslonaro apresentou um teste PCR negativo, que eu duvido que seja dele, ele não deve nem se ter ao trabalho de ser testado.

“”O presidente da República, Jair Bolsonaro, confirmou presença na posse do Ministro André Mendonça, que será realizada nesta quinta-feira (16). A equipe médica da Presidência enviou nesta quarta (15) teste negativo para Covid-19, previsto na resolução 748/2021 do STF sobre as regras para ingresso nos prédios do STF a fim de conter a disseminação da Covid-19″, diz nota do Supremo.” [Folha]

Vejamos como será a posse amanhã, certamente Bolsonaro abraçar efusivamente um constrangido Mendonça e um apunhalado Aras.

E a volta do ataque ao STF tem uma razão:

“Pressionado a abandonar o discurso incendiário que adotou durante boa parte do ano, com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e atitudes negacionistas sobre a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro está perdendo audiência na internet. Um levantamento feito pelo GLOBO nas visualizações e engajamento de todas as suas transmissões semanais de Bolsonaro em 2021 indica que o alcance do presidente vem sendo menor desde o início de setembro, justamente no ápice da crise institucional com o Supremo. No início do ano, a média de visualizações no Youtube de seus vídeos ficava acima de 250 mil. Após os atos de 7 de setembro, apenas uma de suas transmissões alcançou essa marca, e agora o presidente tem dificuldade para chegar a 170 mil visualizações. A queda de audiência coincide com a diminuição dos ataques feitos ao STF. Em setembro, após fazer declarações de caráter golpista em São Paulo e em Brasília, o presidente se viu forçado a recuar e, em uma “declaração à nação”, disse que suas afirmações foram feitas no “calor do momento”. O levantamento feito pelo GLOBO indica que o radicalismo rende dividendos em audiência para Bolsonaro. A live mais assistida do ano foi exatamente a que Bolsonaro passou mais de 1 hora colocando em dúvida a segurança das urnas. O vídeo teve mais de 1 milhão de visualizações até o momento, mais que o dobro do segundo lugar. Já a transmissão que gerou mais reações, tanto positivas quanto negativas, foi a de 9 de setembro, mesmo dia em que o presidente voltou atrás em meio à pressão sofrida após os atos de 7 de setembro: foram 10 mil comentários. Essa também teve o segundo maior número de visualizações: 459 mil.” [O Globo]

E o que não vai faltar é motivo para Bolsonaro reclamar:

“A Polícia Federal intimou o presidente Jair Bolsonaro a depor no inquérito que investiga o vazamento de documentos sigilosos. Em 4 de agosto, Bolsonaro divulgou nas redes sociais a íntegra de um inquérito da Polícia Federal que apura suposto ataque ao sistema interno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018 – e que, conforme o próprio tribunal, não representou qualquer risco às eleições. À época, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito para investigar o vazamento das informações, que são sigilosas. A decisão atendeu a um pedido feito pelo próprio TSE. Moraes também determinou a remoção dos links disponibilizados por Bolsonaro com a íntegra da investigação e o afastamento do delegado da PF que era responsável por esse inquérito. [G1]

E qual defesa é possível diante do que vai abaixo:

Na transmissão que aconteceu em agosto, Bolsonaro e o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) divulgaram o conteúdo do inquérito da PF sobre o suposto ataque aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral. As informações da apuração foram distorcidas pelos dois e tratadas como definitivas, mesmo sem a conclusão do inquérito pela polícia. Em seguida, Jair Bolsonaro publicou em rede social a íntegra do inquérito, que até então estava em sigilo.

E tem mais STF enquadrando um Bolsonaro:

“A Polícia Federal intimou Jair Renan, filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro (PL), a prestar depoimento na investigação que apura suposto recebimento de vantagens de empresários. O inquérito foi aberto em março de 2021 para apurar se Jair Renan marcou reuniões entre empresários e o governo federal em troca de vantagens, o que configuraria tráfico de influência. A investigação envolvendo Jair Renan tramita na Superintendência da PF (Polícia Federal) no Distrito Federal. Ainda não há data para o depoimento. [Poder360]

E tudo envolvendo Renan é por demais escandaloso, o sujeito tem uma empresa de eventos cujos patrocinadores nção patrocinam eventos, mas a empresa de eventos.

“O filho do presidente foi presenteado com um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil por um grupo empresarial que atua nos setores de mineração e construção. Depois da doação, representantes da Gramazini Granitos e Mármores Thomazini, uma das empresas que integram o conglomerado, conseguiram uma reunião com o governo federal. Jair Renan participou do encontro. O caso foi revelado pelo jornal O Globo em março de 2021. Em 7 de dezembro, a PF pediu o compartilhamento de provas do inquérito das milícias digitais, aberto em julho no STF (Supremo Tribunal Federal), para aprofundar a investigação contra Jair Renan. A solicitação foi feita porque o inquérito das milícias digitais teria informações sobre o empresário Allan Gustavo Lucena, que seria próximo ao filho de Bolsonaro. “As diligências substanciadas indicam a associação estável entre os srs. Jair Renan Valle Bolsonaro [e Lucena] no recebimento de vantagens de empresários com interesses, vínculos e contratos com a Administração Pública Federal e Distrital”, diz trecho do pedido. O inquérito das milícias digitais foi aberto em julho por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A investigação mira núcleos de produção, publicação e financiamento de notícias falsas contra o Supremo e outras instituições.”

Voltemos ao escandaloso noticiário da época:

O presidente Jair Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o empresário Wellington Leite​, o mesmo que doou um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil para um projeto parceiro da empresa de Jair Renan, o filho 04 do presidente. O projeto MOB é de propriedade do ex-personal trainer de Renan, Allan Lucena. O MOB e a Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, de Jair Renan, inauguraram em outubro do ano passado o projeto Camarote 311, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Leite esteve na inauguração. Ele apareceu entre Renan e Allan em um vídeo do evento. O carro elétrico foi doado pelos grupos WK, de propriedade de Leite, e Gramazini Granitos e Mármores Thomazini. Ambos tiveram suas logomarcas impressas na decoração da parede de entrada do escritório de Renan, junto com outras empresas que apoiaram o empreendimento. Leite divulgou a foto do encontro com Bolsonaro em suas redes sociais no último dia 21 de março, data de aniversário do chefe do Executivo. “Parabéns meu querido presidente por completar mais um ano de vida, que Deus possa te abençoar poderosamente e lhe dê cada vez mais saúde, força e sabedoria para conduzir essa nação”, disse. A Secretaria de Comunicação da Presidência disse não ser possível informar a data do encontro nem o motivo da reunião no Palácio do Planalto. O encontro não aparece na agenda oficial de Bolsonaro. À Folha o empresário do Espírito Santo não informou a data. “Confesso que não me recordo”, disse. “Visitei o Palácio do Planalto e tive a sorte de tirar uma foto com o presidente. Foi tudo muito rápido”, afirmou, acrescentando também não se lembrar quem o levou ao encontro com Bolsonaro. “Tivemos apenas esse encontro.” A empresa de Jair Renan é investigada pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal, sob a suspeita de tráfico de influência junto ao governo. A Bolsonaro Jr tem como finalidade a organização, promoção e criação de conteúdo publicitário para feiras, leilões, congressos, conferências e exposições comerciais e profissionais. Representantes da Gramazini Granitos também conseguiram um encontro com uma autoridade do governo federal. Foram recebidos pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no dia 13 de novembro, em encontro agendado pelo secretário especial da Presidência Joel Fonseca. Na ocasião, foi apresentado ao ministro um projeto de casas populares desenvolvido em parceria com Leite, do Grupo WK. Renan foi ao Espírito Santo conhecer o projeto, assim como a sede do Grupo WK, em setembro. O encontro foi publicado nas redes sociais de Leite, com fotos de Renan e Allan. Em algumas das imagens, os dois apareceram ao lado da filha do empresário. Um dos vídeos divulgados da viagem registrou o momento da chegada da comitiva a uma construção, em que Leite afirmou, ao lado do filho 04 do presidente: “Quero registrar esse momento justamente em que estamos mostrando ao Renan esse projeto que estamos a caminho de desenvolver e já colocando Deus acima de tudo”. Em outra gravação, feita em um restaurante de Vitória, com Jair Renan e Lucena, Leite pergunta: “Allan, fala para mim aqui, o que você espera dessa parceria da sua empresa MOB, do Renan lá, a JB, juntamente com o Grupo WK?”. Allan responde: “Fala pessoal, sou Allan Lucena de Brasília e a gente tá aqui em Vitória, justamente para cumprir uma aliança, uma parceria com o Grupo WK, que vai ajudar inúmeras pessoas em Brasília, junto com o meu projeto social MOB Fit. Fica de olho aí que a gente vai trazer muita coisa para vocês ao longo dos próximos meses”, diz. Logo em seguida, o filho do presidente responde: “Fica de olho aí na gente, sou Renan Bolsonaro, sou carioca, tá vindo muita coisa boa por aí”. Em outro vídeo, Renan pergunta: “O que eu vim fazer aqui em Vitória, Wellington?”. Este responde: “Networking, parceria, aliança, Brasil”. [Folha]

Networking, parceria!

“Quem também participou do encontro com Rogério Marinho foi a arquiteta Tânia Fernandes, sócia da TF Arquitetura Inteligente, que prestou serviços ao Camarote 311. À Folha Tânia disse que chegou até Renan por ter sido cliente de seu ex-parceiro Allan, quando sofreu um acidente e precisou de seus serviços como personal trainer. Em uma foto da reunião no ministério, Tânia apareceu ao lado de Marinho, do secretário especial da Presidência Joel Fonseca e do filho do presidente. A empresa foi aberta pela arquiteta e pelo marido, Wesley Washington Lourenço, que é funcionário do Ministério da Economia. No mês passado, a defesa de Allan Lucena disse à Folha que os serviços da TF Arquitetura foram pagos por uma doação financeira do vice-presidente da Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar, Luis Felipe Belmonte. Belmonte negou a afirmação e disse que Allan requisitou uma ajuda financeira para a empresa, mas que não chegou a ser concretizada. Allan não informou quanto a TF cobrou pelo serviço prestado à empresa de Renan, tampouco apresentou notas e contratos relacionados. Tânia não quis revelar quanto cobrou pelo serviço prestado à Bolsonaro Jr alegando questões de confidencialidade com o cliente, nem quem fez o pagamento.”

E vamos ao novo articulador do STF ENCONTRAR OUTRO TÓPICO

“O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), tem se destacado por atuar nos bastidores como uma espécie de articulador político da corte em temas sensíveis que envolvem Poderes e esferas da Federação.” [Folha]

Por que choras, Gilmar?! E essa notícia é absurda com qualquer nome de ministro no meio…

“Nas negociações para liberação das emendas de relator, por exemplo, ele recebeu o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fora da agenda e foi um dos responsáveis por fazer a ponte entre tribunal e Legislativo nas conversas que ajudaram a destravar essa parte do Orçamento.”

Não pode, porra!

“A relatora do caso é a ministra Rosa Weber, mas Moraes manteve contato frequente com líderes do Congresso e foi figura central nas articulações sobre o tema. Além disso, em agosto, na votação da Câmara sobre o voto impresso, o ministro foi o principal articulador do movimento que levou importantes partidos a retirarem apoio à proposta defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Moraes se notabilizou pela condução de inquéritos que miram o chefe do Executivo e aliados e por dar decisões duras que costumam abalar a relação do Supremo com o governo federal. Apesar disso, ele mantém relação próxima com líderes do Congresso e também costuma ajudar chefes de Executivos estaduais que pedem socorro financeiro ao STF. Ao lado dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, o ministro está à frente, por exemplo, das negociações para que o tribunal recue e altere o resultado do julgamento que impediu a cobrança de alíquota diferenciada de ICMS para os setores de telecomunicação e energia elétrica. Após a decisão, governadores passaram a pressionar o Supremo sob o argumento de que a medida deve representar uma perda de receita anual de R$ 27 bilhões a estados e municípios. Uma ala da corte, então, com ajuda de Moraes, começou a articular uma saída para que o tribunal adie os efeitos da decisão só para 2024, evitando um rombo imediato nos cofres estaduais. A reportagem questionou o ministro sobre o papel que ele tem desempenhado em negociações com Congresso e governadores, mas não obteve resposta. A proximidade de Moraes com o mundo político, porém, já lhe rendeu desgastes. Em agosto, no auge da tensão com Bolsonaro, o ministro foi flagrado em um almoço em São Paulo com o deputado Rodrigo Maia (RJ) e o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB).”

O Brasil é uma piada.

“Na época, a foto viralizou na internet e foi usada pela militância bolsonarista como uma suposta prova de que o ministro atua de maneira política para desgastar Bolsonaro no STF. A reunião, fotografada e publicada em redes sociais, não foi a única realizada entre Moraes e Maia, que costumam se encontrar com certa frequência. Nessas conversas, também são discutidas maneiras de o Congresso ajudar o STF nos embates com Bolsonaro… Moraes é oriundo da política e fala uma linguagem mais próxima da classe política. Ele já ocupou cargos no primeiro escalão da Prefeitura de São Paulo, do Governo de SãMo Paulo e do Executivo federal. Na experiência municipal, foi uma espécie de supersecretário de Gilberto Kassab, à época no DEM. No âmbito estadual, integrou o secretariado de Geraldo Alckmin, então expoente do PSDB, partido ao qual foi filiado. Em 2016, antes de chegar ao Supremo, foi alçado ao posto de ministro da Justiça quando Michel Temer (MDB) chegou ao poder após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). À frente desses cargos, o atual ministro do STF estabeleceu relação próxima com atores da política, o que facilita o diálogo com o Congresso. Essa interlocução, aliás, também foi necessária para evitar uma derrota ao próprio ministro e ao Supremo no Congresso.”

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4. Bolsonaro & Moro

E Bolsonaro tá desnorteado com Moro fazendo confissões maravilhosas. Moro revela bastidores para complicar o presidente – e se complicar também, ele é incapaz de perceber isso – e Bolsonaro segue no mesmo caminho:

“O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez, em vídeo divulgado neste domingo (12), ataques ao ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, recém-filiado ao Podemos, o mesmo partido pelo qual o ex-juiz Sergio Moro deve concorrer à Presidência em 2022. Bolsonaro disse que rejeitou uma audiência com o então procurador em 2019, no momento de discussão sobre indicação a procurador-geral da República, por receio de “sair uma história pronta” do encontro. “Se eu tivesse audiência com ele, com toda certeza não ia indicar a PGR. Mas iria sair uma história pronta. Como faziam por ocasião de alguns depoimentos por ocasião da Lava Jato”, disse Bolsonaro. “Escrevia o depoimento, chamava o cara para assinar. E ia falar o quê? Que eu teria feito proposta indecorosa para ele. Salvar um amigo, parente”, afirmou ainda, em provocação que respinga em Moro e na atuação do ex-magistrado. Deltan, que deverá ser candidato a deputado federal pelo Paraná, negou, em uma rede social, que tenha feito ou aceitado convite para reunião.” [Folha]

Bolsoanro tá dizendo, no vídeo, que Moro queria a vaga ao STF e Deltan a vaga de PGR. Sabe como é, fizeram tanto por ele, mereciam uma premiação, né?

“Bolsonaro fez referência no vídeo a um episódio relacionado aos diálogos dos procuradores no aplicativo Telegram e que foi revelado neste ano após a defesa do ex-presidente Lula (PT) ter acesso às mensagens. No diálogo, de 2016, Deltan fala com um colega sobre atitude de uma delegada da PF: “Ela entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada…”. As acusações do presidente ocorrem dois dias depois de Deltan se filiar ao Podemos, em cerimônia com a presença de Moro, ex-juiz responsável pelos processos da Lava Jato e ex-ministro da Justiça na gestão Bolsonaro.”

E essa parte é fascinante porque Bolsonaro fala em algo bombástico mas é na antiga relação de Moro com Youssef, um pouquinho mais e ele defende a anulação das condenações do Lula.

“Em vídeo publicado neste domingo para negar um pedido de encontro com Bolsonaro, o ex-procurador fez um discurso político e disse que foi contatado por interlocutores do Palácio do Planalto para uma reunião em 2019. “Mas eu recusei, do mesmo modo que recusei o convite para ir ao Palácio do Jaburu encontrar o então presidente [Michel] Temer em 2016”, afirmou. Segundo ele, as reuniões levantariam questionamentos sobre o trabalho da Lava Jato. Sobre a acusação de Bolsonaro referente às delações, ele afirmou que “todos os acordos de colaboração foram negociados com as defesas e os fatos e as provas foram trazidos espontaneamente pelos colaboradores”. Deltan declarou ainda que deixou o Ministério Público após o “mundo político” acabar com a Lava Jato e anular as condenações. Por isso, relatou, decidiu entrar na política.”

Será que Bolsonaro percebe que ele tá batendo no pessoal que apanhava do Lula?!

Vão aí algumas aspas presidenciais:

“Você sabia que no segundo turno a maioria do pessoal da Lava-Jato votou no Haddad? Nada contra, direito deles. Mas não é o pessoal que estava combatendo a corrupção, do PT? E está lá na troca de mensagens. Hipocrisia, não. Isso aí é falta de caráter” [O Globo]

Aham…

Entretanto, trocas de mensagens entre procuradores da Lava-Jato publicadas em 2019 pelo site “The Intercept Brasil” indicam que os integrantes da operação manifestaram preocupação com o retorno do PT. Ex-coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, o procurador da República aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima disse em entrevista ao “Uol” que “houve procuradores que votaram em Haddad”, mas relatou ter votado em Bolsonaro no segundo turno.

Mais Bolsonaro:

“Sabe o que o Vladimir Aras e o Dallagnol queriam? Via minha esposa, colocar o nome na PGR, de interesses deles, da Lava-Jato. “

E o que Deltan tem de burro ele tem de petulante:

“Na filiação ao Podemos, na sexta-feira (10), o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol disse que vai trabalhar para eleger 200 deputados que assumam compromisso com o combate à corrupção, a democracia e o que ele chamou de “preparação política”.” [O Globo]

Miserável!

O que ele tem de buro le tem de petulante!

“A meta chamou a atenção dos colegas de legenda e também de outros partidos, não só porque o Podemos tem apenas 11 deputados, mas também porque o Congresso já tem uma frente parlamentar contra a corrupção, em que 221 deputados se inscreveram em 2019, no início da legislatura. A “Frente Parlamentar Mista Ética Contra a Corrupção” nem de longe tem a mesma influência que outras igualmente numerosas, como a bancada evangélica e a ruralista. E não foi capaz, por exemplo, de impedir as mudanças que flexibilizaram a lei de improbidade administrativa, aprovadas neste ano. Deltan, portanto, estaria querendo reinventar a roda. Além disso, mais do que se juntar a uma frente parlamentar, é preciso fazê-la funcionar. O ex-procurador, porém, diz que sua “bancada” será diferente da que atua hoje no Congresso. “Conheço essa frente. São pessoas com discurso contra a corrupção, e não com compromissos escritos, claros, em cláusulas”, diz ele. Seu plano é passar os meses de campanha se dividindo entre o Paraná, estado por onde ele vai disputar uma vaga para deputado federal, e viagens pelo Brasil, para recolher assinaturas de candidatos de vários partidos em uma carta de compromisso. A partir daí, os candidatos divulgariam a adesão ao movimento em suas campanhas. No caso da pauta anticorrupção, estariam expressos o apoio à prisão em segunda instância e a inclusão do enriquecimento ilícito na lei de improbidade administrativa. No trecho destinado à preparação política, estará o compromisso de fazer cursos e reciclagem para exercer o mandato de deputado. O próprio Deltan já assinou a carta, mas diz que não vai divulgar o documento agora porque aguarda a adesão de mais nomes, vários deles apoiadores da Lava Jato.”

Do Celso Rocha de Barros:

“Na coluna de 7 de novembro, escrevi que acho uma boa ideia a chapa Lula/Alckmin para a eleição presidencial de 2022. Na época, não tinha muita expectativa de que a aliança de fato acontecesse. Talvez eu tenha perdido a capacidade de reconhecer boas notícias, ou talvez tenha medo demais de um novo surto de estupidez antipolítica. De qualquer forma, a probabilidade de que a aliança aconteça subiu muito neste último mês. No momento, o principal obstáculo parece ser a escolha do candidato para o Governo de São Paulo. É algo perfeitamente negociável entre adultos. A receptividade à proposta na esquerda foi bem melhor do que eu esperava. Mas também houve gente respeitável e inteligente que me escreveu discordando. Os críticos da chapa no PT têm como argumento principal a liderança folgada de Lula nas pesquisas. Faltando tão pouco para a vitória no primeiro turno, por que fazer uma aliança difícil de vender dentro da esquerda? Além disso, perguntam: quantos votos tem Geraldo Alckmin? A primeira pergunta é boa, mas se baseia em uma premissa errada. Não faltam só 5 pontos percentuais para Lula vencer no primeiro turno, falta um ano. A ideia de que não haverá novos movimentos dos adversários nesse período, ou que esses movimentos serão facilmente neutralizados, é difícil de sustentar. Talvez o establishment aceite uma trégua com o PT após o desastre de Bolsonaro. Entretanto não o fará antes de tentar outras coisas. Bolsonaro vai gastar muito, muito dinheiro para tentar se reeleger. Os candidatos da “terceira via” certamente receberão muito apoio da mídia, do empresariado e de elites políticas locais. Haverá manobras feias e muito jogo sujo. Talvez nada disso seja suficiente para garantir-lhes a vitória. É inteiramente possível, entretanto, que seja suficiente para garantir a realização de um segundo turno. Chegando no segundo turno, vocês acham que a negociação de uma coalizão pró-Lula será mais fácil ou mais difícil se o vice de Lula for alguém como Geraldo Alckmin? Eu acho que será mais fácil. “Quantos votos tem Alckmin?” é a pergunta errada. A questão é saber quantas pessoas que resistem em votar no PT o fariam se o vice de Lula fosse alguém como Alckmin; não interessa se Alckmin seria o cabeça de chapa preferido dessas pessoas. Pensem na situação inversa. Se o governador Flávio Dino (PSB-MA) fosse candidato a presidente agora, teria poucos votos, mesmo sendo um excelente quadro. Por outro lado, se fosse vice, digamos, na chapa de Luciano Huck, certamente diminuiria a resistência contra Huck em parte da esquerda. A propósito, tenho amigos na esquerda que acham que: a) a centro-direita foi sórdida e montou uma farsa com a Lava Jato para tirar Lula da eleição em 2018; e b) em 2022 essas mesmas pessoas votarão em Lula contra Bolsonaro sem que a esquerda lhe ofereça qualquer concessão programática, porque são patriotas altruístas que reconhecem o desastre que foi Bolsonaro. Pelo menos uma das duas teses é falsa. A vitória de Lula, sozinha, não reverterá completamente as derrotas terríveis sofridas pelos progressistas brasileiros nos últimos anos. Acreditar no contrário não é radicalismo de esquerda, é messianismo. O diálogo com gente de fora da esquerda será necessário. Ter um vice como Alckmin, nessa situação, ajuda ou atrapalha? Eu acho que ajuda.” [Folha]

Boa parte das críticas ao Alckmin levam em conta a folga que Lula tem na corrida eleitoral, ams nem Lula deve achar que 2022 será um passeio. E essa vice aí seria uma carta aos brasileiros, e o raciocínio não é meu, é de alguém cujo tuíte passou por mim e eu não me lembro mais a autoria.

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5. Orçamento secreto

“Falta quase tudo em Mombaça, no sertão cearense. Com uma economia baseada na agricultura familiar, o município do semiárido enfrenta problemas de infraestrutura e de abastecimento de água. Mas não precisava ser assim: Mombaça está a apenas 79 km de Tauá, uma das campeãs nacionais das emendas de relator (código RP-9), verbas que estão na base do esquema do orçamento secreto revelado pelo Estadão. A União já empenhou R$ 151,4 milhões dessas verbas para Tauá, mas só R$ 2,9 milhões para Mombaça. É como se o governo destinasse R$ 2.606,14 para cada morador de Tauá, mas apenas R$ 67,12 para os vizinhos.” [Estadão]

Tem como dar certo? Não tem…

“Ao contrário do que disseram líderes do Congresso ao Supremo Tribunal Federal (STF), a distribuição do orçamento secreto não prioriza serviços essenciais, mas a conveniência política de alguns parlamentares. Cidades que são base eleitoral de aliados do Palácio do Planalto ou de parlamentares em posições influentes no Congresso recebem centenas de milhões de reais, enquanto municípios próximos ou vizinhos ficam à míngua. Juntas, as quatro cidades campeãs em verbas do orçamento secreto que não são capitais estaduais receberam empenhos de pouco mais de R$ 731 milhões em 2020 e 2021. É mais que os 2.261 municípios da base da pirâmide, somados. As cidades que não são capitais mais beneficiadas pelas emendas até agora foram Pouso Alegre (MG), com R$ 237,2 milhões empenhados; Petrolina (PE), R$ 195,6 milhões; Tauá (CE), R$ 151,5 milhões, e Santana (AP), R$ 146,6 milhões. Em comum, todas têm em suas proximidades lugares que receberam pouco ou mesmo nada das emendas de relator. São ainda redutos eleitorais do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE); do relator-geral do orçamento de 2020, Domingos Neto (PSD-CE); e do ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).  O princípio da igualdade, essência da Constituição, não é levado em conta na distribuição dos repasses.”

Um dos requisitos para o trato com a coisa pública é a IMPESSOALIDADE!

“A partir de terça-feira, o plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar decisão da ministra Rosa Weber que decidiu liberar os repasses do orçamento secreto. Ela aceitou a versão dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e de Pacheco, de que a suspensão dos recursos, que tinha sido aprovada por 8 a 2 pelo plenário em novembro, era um “potencial” risco aos serviços de Saúde e Educação. Não há garantia alguma de que esse dinheiro vá para áreas essenciais. A distribuição das emendas não atende critérios técnicos, muito pelo contrário. Ao liberar os repasses no dia 6, Rosa Weber citou dados levantados a pedido da cúpula do Congresso ao afirmar que as emendas de relator beneficiaram 86,9% dos municípios brasileiros – o que, para a ministra, seria suficiente para demonstrar o “equilíbrio” na distribuição das verbas.”

Caiu nessa, Rosa?!

“Não é bem assim. Na verdade, dos 5.570 municípios, mais da metade (2.564) receberam valores irrisórios, de menos de R$ 1 milhão. Juntos, esses 2,5 mil municípios da parte de baixo da tabela tiveram pouco mais de R$ 1 bilhão empenhados – os demais municípios ficaram com os R$ 29 bilhões restantes. Mombaça e Tauá diferem no recebimento das verbas, mas têm condições econômicas e sociais parecidas. Mombaça, de 43 mil habitantes, e Tauá, de 58 mil, têm Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio, uma com 0,604 e a outra com 0,633. Pouco mais da metade da população dos dois municípios ganha até meio salário mínimo. O prefeito de Mombaça, Orlando Filho (MDB), trabalha para desenvolver as cadeias produtivas do gado leiteiro e do mel. Ele diz que o trabalho poderia ser mais efetivo com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Regional e do Ministério da Agricultura. “Eu não gosto muito de falar de problemas e de dificuldades, porque aqui tem todas, tá entendendo? Tem falta de dinheiro, o povo é carente, a gente faz da tripa o coração para conseguir entregar a melhor estrutura para os produtores (rurais)”, disse. “Mas, obviamente, se tivesse uma máquina perfuratriz, por exemplo, ajudaria a solucionar o problema de falta de água.” Na política local do Sertão dos Inhamuns, onde estão Tauá e Mombaça, Orlando Filho faz parte do grupo político oposto ao do relator do Orçamento de 2020, o deputado federal Domingos Neto (PSD-CE). Além de ser a terra natal do relator, Tauá é governada pela mãe dele, Patrícia Aguiar (PSD). “Os problemas são todos os imagináveis. Temos que usar a inteligência para tentar superar um por um”, diz Orlando Filho. Dos R$ 2,9 milhões recebidos por Mombaça até agora, a maior parte (R$ 2,5 milhões) foi para a Saúde. Outros políticos com votos na região também reclamam de não conseguir resolver problemas em suas bases sem usar as emendas de relator. “No ano passado, os moradores de Canindé (CE) estavam reclamando de falta de água. Fui falar com o (então) presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o (coronel) Geovanne (Gomes da Silva). E ele me disse que não tinha como. Não tinha verba. E sugeriu que eu procurasse o relator-geral, Domingos Netto, que tinha R$ 100 milhões para obras”, diz o deputado Danilo Forte (PSDB-CE). Em Catarina (CE), a apenas 48 km da cidade de Patrícia Aguiar e Domingos Neto, as emendas RP-9 levaram R$ 562 mil desde 2020, cerca de 262 vezes menos do que em Tauá. É como se cada morador de Catarina recebesse R$ 29,99 da União, ante R$ 2,6 mil de Tauá. O município de 18 mil habitantes também tem indicadores econômicos e sociais piores que Mombaça, com um IDH de 0.580, considerado baixo. Casos como este não seguem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): no art. 86, ela determina que as transferências levem em conta os “indicadores socioeconômicos da população beneficiada”. Do outro lado do mapa do Brasil, Pouso Alegre (MG), de 154 mil habitantes e IDH alto, de 0774, é hoje a cidade brasileira com mais recursos empenhados (isto é, reservados) das emendas de relator, excetuando as capitais de Estados. São R$ 237 milhões reservados para a cidade do Sul de Minas, inclusive verbas da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Cidade vizinha a Pouso Alegre, Poços de Caldas (MG) também tem IDH Alto, de 0,775, e população equivalente, de 166 mil moradores, mas empenhos de apenas R$ 1,5 milhão de RP-9 até agora. A Pouso Alegre, estão reservados R$ 1.537 per capita, enquanto a Poços, a 80 km de distância, apenas R$ 9,26 per capita. Um dos principais defensores da continuidade do orçamento secreto é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele é aliado do prefeito de Pouso Alegre, Rafael Simões (DEM), e esteve na cidade no dia 19 de novembro para o lançamento da pedra fundamental do novo hospital oncológico, que terá mais de 11 mil metros quadrados de área construída e 100 novos leitos. Em 2018, Pacheco foi o candidato ao Senado mais votado em Pouso Alegre, com quase 30% dos votos. O prefeito Rafael Simões foi condenado pela 1.ª instância da Justiça Federal a 10 anos de prisão por peculato, isto é, desvio de bens públicos. Cabe recurso. Depois de Pouso Alegre, o segundo lugar no ranking de cidades com mais verba do RP-9 é de Petrolina (PE). A cidade é a terra natal e base política do senador Fernando Bezerra Coelho e tem por prefeito o filho dele, Miguel Coelho. Entre outras melhorias, o dinheiro do RP-9 foi usado na cidade para reformar o Centro de Convenções Nilo Coelho — o nome homenageia a memória do tio do líder governista, que governou Pernambuco de 1967 a 1971. Vizinhas a Petrolina, estão cidades bem menos afortunadas em termos de recursos da RP-9, como Afrânio (PE), com apenas 3,1 milhões empenhados; e Casa Nova (R$ 2,7 milhões). Fecha a lista dos municípios com mais verbas das emendas de relator a cidades de Santana (AP), com R$ 146,6 milhões empenhados em 2020 e 2021, respectivamente. O município é parte da zona metropolitana de Macapá (AP), reduto político do ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP), um dos congressistas que mais indicou verbas do orçamento secreto — em Macapá, os empenhos somam R$ 330,5 milhões, colocando-a à frente de outras capitais bem mais populosas, como Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Se o levantamento levasse em conta somente o ano de 2021, a cidade de Arapiraca (AL) também ficaria entre as campeãs, com R$ 69,9 milhões empenhados. A cidade é reduto eleitoral do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL). A reportagem do Estadão procurou Domingos Neto, Rodrigo Pacheco, Davi Alcolumbre e Fernando Bezerra Coelho para comentários, mas não obteve resposta de nenhum dos parlamentares citados até até a noite domingo.”

Mais uma matéria sobre o absurdo:

”Na saída do aeroporto de Maceió, divisa com a cidade de Rio Largo, uma placa presa em um viaduto não deixa margem para dúvidas. Nela, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), aparece ao lado do prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (PP), que o parabeniza. Na zona urbana da cidade, placas se replicam com novas congratulações a Lira. Foram R$ 41,6 milhões, número que supera cidades maiores como Arapiraca, que no mesmo ano recebeu R$ 1,4 milhão, e Maceió, que obteve R$ 14,7 milhões. Gilberto Gonçalves é um político de estilo bonachão que costuma percorrer as ruas da cidade vestindo um chapéu de palha e um colete preto no qual está escrito seu nome e as iniciais que funcionam como uma espécie de marca política. Nas peças de publicidade de prefeito, são destacadas obras “tamanho GG” que estão sendo feitas pela gestão municipal com recursos de emenda. Com esse discurso, reelegeu-se prefeito em 2020, mesmo após ser envolvido em uma série de suspeitas de corrupção e ter sido preso por três vezes ao longo dos últimos 15 anos. Gilberto Gonçalves é investigado na operação Taturana, que apura esquemas de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa de Alagoas e chegou a ser preso em 2007 no âmbito da operação. Em 2008, veio à tona uma gravação telefônica feita pela Polícia Federal que mostrava Gonçalves cobrando o recebimento de parcelas do suposto esquema criminoso: “Eu quero meu dinheiro. Eu quero meu dinheiro certo. Dinheiro de roubo, de corrupção”, disse no telefonema o hoje prefeito de Rio Largo. Dois anos depois, Gonçalves foi preso pela segunda vez sob acusação de ameaçar de morte um ex-funcionário que o havia denunciado na Justiça do Trabalho.” [Folha]

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“Em semana decisiva para o Palácio do Planalto no Congresso, o governo reagiu às pressas e prorrogou o prazo para liberação de emendas parlamentares após ser avisado da insatisfação de aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL). Um decreto publicado em maio trouxe regras para alguns gastos públicos e passou a travar, a partir desta semana, a destinação de emendas que ainda não tinham sido autorizadas. Alertado da insatisfação entre governistas, o Planalto correu para conseguir destravar o uso de mais de R$ 6 bilhões em emendas de relator, que têm sido usadas em negociações políticas entre o Executivo e o Legislativo. Esse é o valor que ainda falta ser liberado até o fim deste ano. A informação de que havia um entrave para a liberação de emendas de relator (prometidas em negociações prévias com congressistas) gerou críticas nos bastidores de líderes alinhados ao governo nesta segunda-feira (13). O Planalto identificou a insatisfação. Integrantes do governo dizem que, depois de essas emendas terem ficado semanas bloqueadas por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), um dia de entrave na liberação de emendas de relator atrapalharia toda a articulação política do governo. O STF chegou a bloquear o uso das emendas de relator, mas, após uma operação montada pelo Planalto e pela cúpula do Congresso, os recursos foram liberados.” [Folha]

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6. Covid-17

Mais provas para Haia:

“O governo decidiu adiar em uma semana a entrada em vigor das medidas de restrição para viajantes que chegam ao Brasil. Uma portaria que entraria passaria a valer neste sábado, 11, exigia a apresentação de comprovante de vacinação ou, em caso de não imunizados, o cumprimento de uma quarentena de cinco dias no local de destino. Agora, um novo texto será publicado ainda nesta sexta-feira, 10, postergando a obrigatoriedade.” [Estadão]

E aí veio o STF:

“A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou nesta segunda-feira, 13, a cobrança do passaporte da vacina nos aeroportos do Brasil após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, que prevê a obrigatoriedade do comprovante de vacinação contra covid-19 para entrar no País. O governo federal disse que prepara uma nova portaria para se adequar às novas determinações de Barroso, mas ainda não publicou a medida. O presidente Jair Bolsonaro é forte opositor da exigência do passaporte da vacina. “A Anvisa já notificou os seus colaboradores de fronteira, especialmente de aeroportos, no sentido de cumprimento imediato da decisão do STF”, diz o órgão em nota ao Estadão. Apesar da resistência da cúpula do governo federal, o passaporte é adotado em grande parte dos países e defendido por especialistas, sobretudo no cenário de avanço da variante Ômicron.” [Estadão]

É só ver os números mundo afora!

Barroso, do STF, determinou neste sábado, 11, que os viajantes apresentem comprovante de vacinação contra covid-19 para entrar no Brasil por voos internacionais ou fronteira terrestre. A decisão liminar ainda vai passar pelo crivo dos demais ministros no plenário virtual, entre quarta-feira, 15 e quinta-feira, 16. O Ministério da Casa Civil indicou que deveria publicar uma nova portaria, para “adequar” as regras à determinação do ministro, ainda nesta quarta, mas o texto ainda não foi divulgado. Pela regra anterior, os não imunizados que chegassem ao Brasil poderia fazer quarentena de cinco dias e poderiam ser liberados depois, após apresentação de teste negativo.

Enquanto isso…

“A Agência Nacional e Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou nesta terça-feira (14) que nem todos os passageiros que desembarcam nos aeroportos do Brasil estão sendo fiscalizados para checar se possuem o comprovante de vacinação (ou passaporte da vacina). A Anvisa diz que suas equipes nos aeroportos abordam passageiros de forma “amostral” para verificar o cumprimento da exigência e que ainda fazem “ações de inteligência” a partir dos dados declarados pelos viajantes. Segundo a agência, isso permite ações voltadas especificamente para os “voos e viajantes de maior preocupação”.” [G1]

E a Anvisa tá dando esporro no governo:

“O regramento para a entrada de viajantes no país deve ser cumprido por todos. A verificação por amostra não exime a responsabilidade de todos os passageiros em relação ao cumprimento das restrições estabelecidas no país”, afirmou a Anvisa. Em sua nota, a Anvisa esclareceu que a análise do comprovante é uma responsabilidade compartilhada com outros órgãos, inclusive a Polícia Federal, e que este trabalho deve ser intensificado e ampliado. Além disso, a Anvisa declarou que aguarda a “edição de portaria interministerial com maior detalhamento das regras para a entrada de viajantes no Brasil” para realizar as “adequações operacionais necessárias”.”

Passemos ao Pazuello sem farda:

“O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem demonstrado insatisfação com a atuação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, à frente da pasta, segundo auxiliares de Bolsonaro ouvidos pelo blog. O presidente defende uma posição mais radical do ministro. Como Bolsonaro não pode demitir Antonio Barra Torres da Anvisa, a avaliação é a de que caberia a Queiroga se contrapor ao chefe da agência, que vem divulgando notas técnicas para combater a pandemia do coronavírus. Mas nem mesmo a última declaração de Queiroga, que chocou até aliados do ministro na semana passada, foi suficiente para agradar Bolsonaro. Na terça-feira (7), ao anunciar medidas de quarentena para viajantes, Queiroga disse que era “melhor perder a vida do que a liberdade”” [G1]

Nem isso satisfaz Bolsonaro!

De acordo com interlocutores do presidente, Bolsonaro quer que o ministro da Saúde “saia de cima do muro” a respeito da defesa, por exemplo, da narrativa do tratamento precoce – discurso do presidente para sua base negacionista. Queiroga, segundo relato de uma fonte do Planalto, “nunca defendeu com ênfase” a ideia do presidente, pois, como médico, também quer agradar a comunidade científica. Apesar dos desgastes, auxiliares afirmam que não existe, ainda, nome a curto prazo para substituir o ministro – mas afirmam que o tema passou a ser tratado nos bastidores até porque Queiroga quer se candidatar em 2022, e precisará deixar o cargo em abril.

Ninguém defende Queiroga, é basicamente isso!

“Secretários estaduais de Saúde mais uma vez voltam a criticar duramente o ministro Marcelo Queiroga nos bastidores. Os gestores afirmam que o titular da Saúde do governo de Jair Bolsonaro abandonou os compromisso com a pasta para se dedicar a uma agenda própria eleitoral para uma futura candidatura. Eles dizem que os posicionamentos mais recentes do ministro são para agradar o mesmo eleitorado do presidente da República e não ajudam no combate à pandemia. Em evento no Palácio do Planalto na terça-feira (7), Queiroga seguiu Bolsonaro ao criticar a exigência de passaporte de vacina para estrangeiros que chegam ao Brasil. “Às vezes é melhor perder a vida do que perder a liberdade”, disse o responsável pela Saúde durante anúncio das mudanças de regras sobre fronteiras. De acordo com secretários, praticamente não há diálogo com o ministro. A relação, dizem eles, degringolou há algum tempo e nunca mais voltou ao normal. O presidente do conselho de gestores estaduais já chegou a dizer em entrevista à Folha que não havia condições para Queiroga permanecer no cargo.” [Folha]

Passo ao Elio Gaspari:

“Bolsonaro pintou-se para uma nova guerra: “Estamos trabalhando agora com a Anvisa, que quer fechar o espaço aéreo. De novo, porra? De novo vai começar esse negócio?” A Anvisa nunca sugeriu que se fechasse o espaço aéreo mas, diante do surgimento de uma nova variante do vírus, o presidente anteviu uma nova batalha. Ele não gosta da vacinação, preferia cloroquina e prefere viver no mundo da negação, supondo que com isso defende a economia. Há um ano, Bolsonaro dizia que a vacina CoronaVac não seria comprada. Comprou-a. Condenava o isolamento social e teve que aceitá-lo. De fato, pode ser que comece tudo de novo, porque o governador João Doria anunciou que instituirá o passaporte de imunização em São Paulo. Ele comprou a vacina chinesa e em janeiro começou a aplicá-la. A nova encrenca de Bolsonaro com a Anvisa foi um retrato da disfuncionalidade de seu governo. Com mais de 600 mil mortos, o governo federal ainda assim teria algo de que se orgulhar. O Brasil está chegando perto da marca de 300 milhões de doses aplicadas, com cerca de 65% da população imunizada. Apesar disso, Bolsonaro prefere procurar uma nova briga. Arrumou um ministro da Saúde capaz de dizer que prefere perder a vida à liberdade, como se esse dilema estivesse na mesa. Depois de ter fritado dois ministros que tomaram o partido da ciência e de ter amparado um general desastroso, o capitão sente-se confortável com o médico Marcelo Queiroga. É seu estilo, mas não precisava chamar a Agência de Vigilância Sanitária para a briga. Primeiro, porque a Anvisa é um órgão independente. Além disso, porque está atirando em um quadro de sua tropa, o médico e almirante Antonio Barra Torres, cujo pecado seria ter traçado uma linha no chão, além da qual não pisaria. Barra Torres pode ser visto como um exemplo do oficial que atendeu ao chamado do capitão. Militar e cavaleiro da Ordem de Malta, foi colocado na direção da Anvisa e em março de 2020, quando os mortos pela Covid eram cinco, acompanhou Bolsonaro numa manifestação que desafiava a pandemia e o Supremo Tribunal Federal. Ele não se entendia com o ministro Luiz Henrique Mandetta e tinha tudo para virar um daqueles aloprados que o general Pazuello levaria logo depois para o Ministério da Saúde. Sem estridência, Barra Nunes afastou-se do negacionismo. Recusou-se a patrocinar as virtudes da cloroquina e disse coisas desagradáveis, tais como: “Estamos trabalhando no mundo real, que é o mundo científico”, ou “Vamos deixar de bobagem e vamos vacinar”. Quando foi pressionado, o almirante deu um recado críptico: “Meu limite está muito longe ainda. Tenho 32 anos de treinamento militar”. Como tem mandato e dirige uma agência independente, não cabia na frigideira em que foi jogado o general Santos Cruz. O almirante preservou a credibilidade da Anvisa, evitou bate-bocas e provocações. Não se colocou como um ativo contraponto à disseminação de superstições. Barra Torres, ao contrário do general Pazuello e do “coronel” Queiroga, não é candidato a nada. É raro que oficiais da Marinha se metam em política eleitoral. Não se pode saber que rumo tomará a briga pela exigência do passaporte. Afinal, Bolsonaro e Queiroga produziram uma gambiarra. O governador João Doria venceu as batalhas da vacinação e da CoronaVac, e é candidato a presidente da República. Uma coisa é certa, Bolsonaro não precisava encrencar com a Anvisa. Até porque, no atacado, a agência tem razões para se orgulhar de sua conduta durante a pandemia.” [O Globo]

“A luz amarela acendeu no Ministério da Saúde com o baixo percentual de vacinação de alguns estados do Norte e do Nordeste. A pasta deve enviar equipes para alguns deles para tentar entender o que está acontecendo, e quais as soluções que poderiam ser adotadas para resolver o problema.” [Folha]

Sim, o ministério do presidente que se orgulha de não ter se vacinado está preocupado…

“Enquanto São Paulo, por exemplo, tem 76,7% da população totalmente imunizada, o Amapá, último colocado no ranking brasileiro de vacinação, registra apenas 38,8% de pessoas com o ciclo completo. Outros quatro estados registram menos da metade da população completamente imunizada: Roraima (39,6%), Pará (47,2%), Acre (45,7%) e Maranhão (48,6%). O ministro Marcelo Queiroga, da Saúde, conversou com gestores de saúde e ouviu deles a explicação de que o baixo percentual pode ser explicado por problemas na hora de informar os dados ao sistema nacional. O secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, que preside o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), explica que o fluxo de dados é, sim, parte do problema. “Não falta vacina”, diz ele. O problema seria que “os locais de vacinação têm dificuldade com internet. As fichas são manuais. Há uma grande demora no lançamento dos dados”. Ele calcula que, se o lançamento de informações no sistema fosse agilizado, o percentual de registro de vacinados nesses estados subiria “algo em torno de 10 a 20% de doses a mais”. “É uma realidade do Maranhão que se repete [em outras unidades da federação]”, diz ele. Há um outro problema, no entanto, a ser enfrentado, afirma Carlos Lula: “É muito mais difícil vacinar em grandes vazios do que em aglomerados urbanos. E, na atual fase, a vacina tem que ir atrás das pessoas. Elas já deixaram de ir atrás das vacinas”.”

E olha o que Bolsonaro falou:

“Um caso que está sendo estudado agora. O deputado Hélio Lopes, meu irmão, está baixado no hospital, com embolia. Parece ser efeito colateral da vacina. Vamos aguardar a conclusão. Um médico, na semana passada, estava abalado porque um irmã dele tomou e estava com trombose no pé. Tem acontecido efeito colateral. Vocês já leram a bula dessas vacinas? Na Pfizer está escrito: não nós responsabilizamos por efeitos colateirais” [O Globo]

Sim, “VAMOS AGUARDAR AS CONCLUSÕES”! Embolia e trombose

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7. Guedes

“No almoço de sexta-feira passada que a Esfera Brasil promoveu em São Paulo em torno de Paulo Guedes, o ministro usou parte de sua fala para bater em dois dos seus alvos prediletos: os colegas de ministério Rogério Marinho e Onyx Lorenzoni.” [O Globo]

Sim, Guedes tá dizendo que a culpa é do governo que ele faz parte,.

Tendo como plateia não só grandes empresários e banqueiros, mas também o chefe da Secom, André Costa, Guedes culpou Onyx e Marinho pelo fracasso da reforma administrativa. Disse que ela não andou não por causa de Rodrigo Pacheco ou Arthur Lira, mas pelos dois colegas de Esplanada, “que preferem não mexer em nada, não mudar o Brasil”.”

Calma que fica melhor:

(Atualização, às 7h02. Paulo Guedes entra em contato para afirmar que “não bati em ministros. Apenas digo a verdade quando perguntam porque reformas não andam: por que há quem aconselhe o Presidente que reformas tiram votos. Não é bater gratuitamente, é informar porque reforma administrativa parou”.)” 

Só rindo!

E Guedes temk um ponto aqui embaixo:

“Se vocês acham que a gente vive um período de Guerra Fria entre governo e Congresso, aguardem. Se o Moro vencer a eleição vai ser uma guerra nuclear. Ou eles botam o Moro pra fora ou o Moro fecha o Congresso.” [O Globo]

Como Moro acha que vai se relacionar com o congresso se eleito?! E o fascinante é que Guedes desenha um cenário que tinha que ser oferecido ao Bolsonaro, mas acharam melhor não colocar Bolsonaro “pra fora”.

E olha o tanto que Guedes tem que se explicar:

(Atualização, às 18h28. Paulo Guedes entrou em contato para afirmar que o “contexto em que a frase foi dita era o de um embate entre o Moro e o establishment político de Brasília, se ele fosse eleito. Não era uma afirmação nem para descredenciar o Moro e nem para dizer que a democracia brasileira corre riscos”). (Atualização, às 9h21 do dia 11. Paulo Guedes enviou há pouco uma nota sobre o tema. Ei-la: “O Ministro da Economia Paulo Guedes reafirmou ontem em reunião com empresários em SP a confiança de sempre no aperfeiçoamento das nossas instituições democráticas. Perguntado se conflitos políticos velados (“uma guerra fria entre poderes”) impedem o avanço de sua pauta econômica, relembrou que as resistências foram ainda maiores (“uma guerra nuclear”) às propostas apresentadas, à época em que estava no governo, pelo ex ministro e agora candidato Sérgio Moro. O ministro considera conflitos entre poderes independentes por demarcação de territórios naturais e orgânicos a este aperfeiçoamento institucional. Paulo Guedes repudia que as metáforas bélicas usadas por ele apenas como força de expressão tenham sido descontextualizadas na tentativa de criar descabidas previsões que desmereçam o profundo respeito que tem por seu ex colega de ministério Sergio Moro, o Congresso brasileiro e a robusta e testada democracia brasileira.”)

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8. O país do futuro

Que desgraça…

“Uma conjunção histórica de fatores tem feito com que muitos brasileiros achem mais verde a grama do vizinho. Em um fenômeno sem precedentes na história do país, este início de século registra o maior movimento de migração de cidadãos brasileiros rumo a outros países pelo mundo.” [DW]

Sim, o MAIOR!

Segundo um levantamento do Ministério das Relações Exteriores, o número de brasileiros vivendo no exterior saltou de 1.898.762 em 2012 para 4.215.800 hoje — os últimos dados foram consolidados a partir de informações coletadas pelos consulados em 2020. No período, portanto, o aumento foi de 122%. E, pela quantidade atual de expatriados, pode-se dizer que cerca de 2% dos brasileiros moram hoje em um país estrangeiro. “Esse movimento de saída de brasileiros nos últimos anos é inédito e, de fato, representa a maior diáspora da história brasileira”, analisa Pedro Brites, professor na Fundação Getúlio Vargas.”

Te lembra Venezuela?! Argentina?! Pois é.

Se o Brasil foi construído, desde a colonização portuguesa, por levas e levas de imigrantes — de várias partes do mundo, em ondas sucessivas — o atual momento indica uma virada de maré, como se o país que sempre recebeu agora tivesse se tornado um “exportador de gente”. “O Brasil passou a ser um lugar de onde as pessoas saem. Isso significa que a sociedade de afluência que aqui se formou está extinta”, comenta o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Agora o horizonte é sombrio, com a experiência do desemprego estrutural contemporâneo, associado aos males herdados: a desigualdade e a exclusão do passado”, completa o sociólogo. E o fenômeno tende a prosseguir. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em 2018 indicou que, se pudessem, 70 milhões de brasileiros maiores de 16 anos se mudariam para o exterior. No recorte por qualificação, essa era uma vontade de 56% dos adultos com curso superior.” 

Isso aí é prejuízo de décadas!

De acordo com levantamento publicado este ano pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, 47% dos brasileiros entre 15 e 29 anos gostaria de deixar o país, se possível. É um recorde histórico. Entre 2005 e 2010, este era o desejo de 26,7% dos jovens; de 2011 a 2014, anseio de 20,1%. “Em geral, todos movimentos migratórios são ocasionados por motivações religiosas, perseguições políticas, guerras ou questões econômicas. As crises econômicas pelas quais o Brasil tem passado nos últimos anos fez com que muitos decidissem emigrar buscando melhores condições de trabalho, quer sejam profissionais altamente qualificados, ou de baixa qualificação”, contextualiza a historiadora Renata Geraissati Castro de Almeida, pesquisadora de imigração na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade de Nova York, nos Estados Unidos. “No cenário atual, de aumento da inflação, afetando o preço do que consumimos no dia a dia, a alta do dólar, e com a ausência de perspectivas de melhorias, a situação tende a piorar”, acrescenta.”

E no recorte científico a desgraça é maio, é uma fuga de cérebros brutal, daqueles que coloca qualquer país de joelhos.

Brites enumera como sendo três as razões que motivam essa diáspora de brasileiros. Em primeiro lugar, “o mais relevante deles”, segundo o professor: a economia. “Ao longo dos últimos anos, o Brasil tem perdido postos de emprego em pontos-chave, com enfraquecimento de setores como a engenharia civil, baixo investimento em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento. Essa mão de obra qualificada tem procurado oportunidades fora”, exemplifica. “O Brasil atravessa um período de baixo crescimento econômico, estagnação relativa da economia. Isso efetivamente tira perspectivas de oportunidades de boa parte da população, que passa a procurar mecanismos para seguir sua vida”, afirma. O segundo fator é a instabilidade política, um cenário que se agravou com o movimento de impeachment da então presidente Dilma Rousseff e, em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro. “Essa turbulência acirrada afasta parte da população do nosso país”, reconhece o professor. “Por fim, há a questão da violência urbana, uma chaga social brasileira crônica que sempre tem de ser considerada. As pessoas buscam outras opções, nos Estados Unidos e na Europa, para tentar levar uma vida um pouco mais tranquila e segura”, diz o especialista. “A instabilidade econômica e política do país na última década, associada a um crescimento da violência, e das taxas de desemprego tem servido de gatilho para que muitos decidam buscar melhores oportunidades de emprego e qualidade de vida em outros países”, resume a historiadora Castro de Almeida. Para o sociólogo Mendes, “a saída de brasileiros é indício de algo mais grave do que o encerramento de um ciclo de desenvolvimento”. “É o processo civilizatório, de construção da nação imaginária, que sofre um abalo profundo”, pondera. “É fato que, do ponto de vista econômico, o Brasil moderno, com mercado interno forte sustentado no setor industrial e capaz de oferecer empregos de qualidade aos cidadãos, está quase que definitivamente sepultado”, prossegue o sociólogo. “Mas o principal é que os grupos no poder promoveram uma ruptura com a própria história e, portanto, como o povo, sem oferecer nenhum tipo de projeto alternativo de futuro. O país é apresentado aos viventes como um acampamento de estranhos, não uma sociedade política. Um certo discurso que junta agentes do mercado, governantes e líderes religiosos neopentecostais conduz à lógica do salve-se quem puder ou, em termo mais brandos, o mundo é dos eleitos. Isso explica a fuga do desastre.” Em outras palavras, as gerações atuais já não se iludem mais com o discurso de que o Brasil é o tal “país do futuro”. “Sem emprego, renda e assistência, em um cenário absolutamente hostil, sair passa a ser a solução”, diz Mendes. “O Brasil, terra do futuro, já não faz mais parte do imaginário de uma geração de brasileiros que vaga errante em busca daquilo que imagina ser uma boa vida: salário, segurança, educação, assistência. Ou seja: comunidade política organizada. É o paradoxo das ideias que conduziram ao poder o representante dos que negam o Estado e a própria política”, contextualiza.”

Isso te lembra Argentina, né? Pois é, por aqui os beócios resolveram se inspirar na debacle argentina e vão liberar conta em dólar!

“O Senado aprovou nesta quarta-feira (8) projeto de lei que promove uma série de modificações no mercado de câmbio brasileiro. A proposta também abre caminho para que pessoas físicas tenham contas bancárias em moedas estrangeiras, como o dólar ou o euro.” [Folha]

Por que diabos desestabilizar a moeda que mais se desvaloriza no mundo:!

O texto foi aprovado em votação simbólica. Como já havia tramitado pela Câmara dos Deputados, segue direto para a sanção do presidente Jair Bolsonaro (PL). A proposta foi encaminhada ao Congresso em 2019 pelo governo federal, sendo uma iniciativa do Banco Central e do presidente da instituição, Roberto Campos Neto. O objetivo seria modernizar o mercado de câmbio, mas as autoridades afirmaram que essa permissão para contas em moedas estrangeiras se daria de forma gradual, concomitantemente com outras reformas e ajustes macroeconômicos. A iniciativa aumenta a autonomia do Banco Central para regular o mercado de câmbio.

Entendeu alguma coisa? Pois é, nem eu!

“A atual legislação cambial está dispersa em mais de 40 leis e outros dispositivos e busca também adaptar o Brasil às recomendações da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). A versão que vai à sanção presidencial possibilita ao Banco Central editar regulamentações para que pessoas físicas possam abrir e manter contas em moeda estrangeira no Brasil. Atualmente, essa prática só é possível em algumas situações específicas, como no caso de embaixadas, consulados e corretoras de câmbio.”

Que incentivo a pessoa terá pra ter real?!

“”As operações no mercado de câmbio podem ser realizadas livremente, sem limitação de valor, observados a legislação, as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e o regulamento a ser editado pelo Banco Central do Brasil”, afirma o texto. A possibilidade de abertura de conta em moeda estrangeira no país é autorizada desde 1957. Como o projeto só dá poderes ao Banco Central para regular contas em moeda estrangeira, não há uma definição de como ficaria a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) nos depósitos do tipo.”

Sim, não há definição, viado!

“O projeto traz outras mudanças ao mercado de câmbio. Retira, por exemplo, a proibição de que bancos estrangeiros que possuam conta em reais no país façam pagamentos no exterior. Atualmente, a instituição só pode usar a conta para fazer pagamentos no Brasil. O texto também facilita que instituições internacionais —como bancos centrais estrangeiros e instituições domiciliadas no exterior— tenham contas em reais de depósito e de custódia. Também expande as previsões legais para que o real seja usado em negócios no exterior.”

Isso é, o dinheio vai voar pra fora. E olha o papo do o relator no Senado, Carlos Viana (PSD-MG):

“A possibilidade de que pessoas físicas e jurídicas detenham contas em moeda estrangeira no Brasil aproxima o país de algo comum em economias desenvolvidas, bem como nas principais economias emergentes. O uso de conta em moeda estrangeira pode aumentar a eficiência em algumas situações. Por exemplo, empresas que fornecem insumos a empresas exportadoras eventualmente poderiam ter contas em moeda estrangeira, o que permite a realização de um hedge natural para as empresas exportadoras que têm receitas em moeda estrangeira”, afirmou o relator em seu texto. “Isso reduz custos para as empresas no mercado brasileiro que pertencem à cadeia produtiva do mercado exportador ou importador, aumentando a eficiência cambial e, em última instância, beneficiando o consumidor. “

Como que a inevitável desvalorização da moeda nacional beneficiará os consumidores?!

E olha a frase final:

O custo dessa inovação financeira sem a devida inserção na economia global pode ser um aumento da procura pela moeda estrangeira mais estável diante de qualquer crise cambial”, completa.

Sim, numa crise o pessoal aqui dentro vai correr pro dólar! Não tem como não dar errado, vai dar errado!

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9. 2022

Vamos de pesquisas…

“Pesquisa Ipec, divulgada hoje pelo portal g1 e pela GloboNews, mostra que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ampla vantagem frente aos adversários e poderia vencer a eleição para a Presidência da República em primeiro turno. No principal cenário analisado, o ex-presidente aparece com 48% dos votos e todos os outros candidatos juntos somam 38%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. No segundo cenário analisado — com apenas 5 concorrentes ao Planalto — o petista aparece com 49% dos votos, enquanto os outros candidatos juntos novamente somam 38%.” [UOL]

Que surra! Pode-se riticar Lula à vontade, mas a verdade é que ele tá FLANANDO nas pesquisas!

“Levando em conta essa sistemática adotada pela regra eleitoral no Brasil, Lula tem 56% dos votos válidos nos dois cenários considerados pelo Ipec. Em ambos os cenários, somando-se intenções de votos brancos e nulos, o petista aparece com 27 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL). No primeiro cenário, com 12 candidatos, o ex-presidente tem 48% das intenções, ficando dez pontos à frente dos adversários somados. No segundo cenário, com apenas cinco nomes, Lula tem 49% das intenções de votos, enquanto seus adversários somados tem 38%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o petista poderia chegar a 51% em números absolutos.”

as

  • Lula (PT): 48%
  • Jair Bolsonaro (PL) : 21%
  • Sergio Moro (Podemos): 6%
  • Ciro Gomes (PDT): 5%
  • André Janones (Avante): 2%
  • João Doria (PSDB): 2%
  • Cabo Daciolo (PMN-Brasil 35): 1%
  • Simone Tebet (MDB): 1%
  • Alessandro Vieira (Cidadania): 0%
  • Felipe d’Ávila (Novo): 0%
  • Leonardo Péricles (UP): 0%
  • Rodrigo Pacheco (PSD): 0%
  • Brancos / Nulos: 9%
  • Não sabem / Não responderam: 5%

Cenário 2:

  • Lula (PT): 49%
  • Jair Bolsonaro (PL) : 22%
  • Sergio Moro (Podemos): 8%
  • Ciro Gomes (PDT): 5%
  • João Doria (PSDB): 3%
  • Brancos / Nulos: 9%
  • Não sabem / Não responderam: 5%

“De acordo com o Ipec, os votos para Lula são mais expressivos entre quem avalia o governo de Jair Bolsonaro como ruim ou péssimo (68%); quem mora no Nordeste (63%); quem mora nas periferias das capitais (55%); e entre católicos (54%). Além disso, a pesquisa mostra que as intenções de voto no petista são maiores quanto menor a renda familiar mensal dos entrevistados. De forma que o índice de intenção de votos é de 32% entre aqueles cuja renda é de cinco salários mínimos, e atinge 57% entre quem tem renda familiar de até um salário mínimo. Entre os entrevistados com nível superior, Lula tem 40% dos votos, e entre os com ensino fundamental o índice é de 55%. Já Bolsonaro é mais popular entre os que avaliam sua administração como ótimo ou boa (75%); quem mora nas regiões Norte/Centro-Oeste (29%) e Sul (27%); e entre os evangélicos (33%) —grupo no qual aparece tecnicamente empatado com Lula. De acordo com o Ipec, a escolha pelo atual presidente aumenta quanto maior a renda familiar mensal e escolaridade dos entrevistados. Passando de 14%, entre quem tem renda de até um salário mínimo, para 30%, entre aqueles que ganham acima de cinco salários. Além disso, Bolsonaro tem 18% das intenções entre os eleitores com ensino fundamental e chega a 25% entre os mais escolarizados. Já o ex-ministro Sergio Moro se destaca entre os eleitores residentes na região Sul (11%). O Ipec informou, ainda, que os outros candidatos mencionados têm intenções de voto distribuídas de maneira homogênea. No mesmo levantamento, a reprovação ao governo Bolsonaro alcançou 55%.”

Vamos à reprovação:

“A reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro chegou a 55% e a aprovação foi a 19%, apontou pesquisa do instituto Ipec divulgada nesta terça-feira pelo portal G1. A reprovação apresentou oscilação para cima, dentro da margem de erro, enquanto o índice de aprovação registrou queda. Na pesquisa anterior, a reprovação era de 53% e a aprovação, de 22%. No levantamento divulgado nesta terça-feira, 19% dos entrevistados avaliaram o governo como ótimo/bom; 25% como regular e 55% como ruim/péssimo, ao passo que 1% disse não saber ou não respondeu. Em setembro, a fatia que avaliava o governo como ótimo/bom era de 22%; 23% o consideravam regular e 53% como ruim/péssimo. O percentual dos que não sabiam ou não responderam também era de 1%.” [UOL]

E lá vamos nós pra outra notícia, e foda-se a costura!

“O presidente Jair Bolsonaro assiste a um derretimento da base eleitoral que o levou à Presidência em 2018, com mais da metade apresentando intenção de mudar de voto. Os principais beneficiários seriam o ex-presidente Lula (PT) e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), seus desafetos, de acordo com números da pesquisa Ipec divulgada ontem. Dentre os entrevistados que disseram ao Ipec ter votado no atual presidente na última eleição, 45% manifestam intenção de votar novamente em Bolsonaro em 2022, enquanto 55% citam outras opções. Segundo a pesquisa, 22% dizem hoje pretender votar em Lula, e 10% mostram preferência por Moro.. O levantamento mostra ainda que, entre os eleitores que dizem não se recordar ou não quiseram responder em quem votaram em 2018, amostra que corresponde a pouco menos de um décimo dos entrevistados, Lula é escolhido por 54%, e Bolsonaro fica com 9%. O ex-presidente também concentra a preferência atual de cerca de metade dos entrevistados que declaram voto branco ou nulo, ou que disseram não ter comparecido à votação. Os melhores números de Bolsonaro aparecem entre os evangélicmoroos, estrato em que o presidente tem 33% das intenções de voto, segundo o Ipec. Recentemente, em mais um aceno a este segmento, Bolsonaro indicou para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) o nome “terrivelmente evangélico”, em suas palavras, de André Mendonça, aprovado pelo Senado no último mês. Entre os evangélicos, Bolsonaro fica em situação de empate técnico com Lula, que é citado por 34%. O petista chega a 57% das intenções de voto entre eleitores com renda de até um salário mínimo, e marca 63% no Nordeste. Moro tem seus melhores desempenhos na região Sul, onde fica com 11%, e entre aqueles com renda familiar acima de cinco salários mínimos, segmento em que chega a 13% das intenções de voto. [O Globo]

É impressionante como NADA da campanha presidencial faz sentido:

“Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que “dois em cada três brasileiros (66%) têm medo de conviver diariamente com pessoas que não tomaram nenhuma das doses da vacina contra a Covid-19”. Bolsonaro é antivax, como sabemos. O mesmo levantamento mostra que, para 65% dos entrevistados, “os estabelecimentos comerciais e outros lugares devem exigir o comprovante de vacinação como condição para os clientes entrarem nos mesmos”. Bolsonaro é contra o passaporte de vacinas, como também sabemos.” [Veja]

E é muito louco como Bolsonaro rpecisava da economia rodando o quanto antes e a solução pra isso é justamente… a vacina!

“Aliás, esse movimento antivacina foi um dos tiros no pé de Bolsonaro. Se tivesse apostado na vacina antes, o comércio que ele tanto queria aberto teria recuperado a economia mais rápido. Para um político que venceu as últimas oito eleições, seja para o parlamento, seja para o Executivo, a estratégia de Bolsonaro não faz sentido. Parece até um kamikaze que busca o fim de sua trajetória pública.”

Do Reinaldo Azevedo:

“O ex-presidente Lula segue como franco favorito na disputa presidencial do ano que vem, mesmo falando o mínimo possível. Nem precisa. A logolatria de alguns de seus potenciais adversários, candidatos a autocratas, conspira a seu favor. E há o espetáculo do crescimento de delírios do paraíso, em meio a caminhões de ossos, de Paulo Guedes. Na mais recente pesquisa Genial-Quaest, o petista seria eleito no primeiro turno nos quatro cenários testados. Tem, de muito longe, o melhor saldo na conta intenção de voto/rejeição. Nada disso despertou a atenção do “centrão dos opinadores”, formado pelo batalhão que está convencido de que a salvação vem da fórmula “nem Lula nem Bolsonaro”. Até pode vir. Mas cumpre indagar: não sendo nem uma coisa nem outra, então é o quê? Esse “centrão” preferiu destacar, na referida pesquisa, uma suposta “consolidação” de Sergio Moro como alternativa da terceira via. Pode até acontecer. Os números autorizam a torcida, mas não a conclusão. Eu sempre torço para o Corinthians. Mesmo quando sei que vai perder. Torcer dispensa placar. Quando Lula fala, seu discurso é submetido a um escrutínio milimétrico. Qualquer suspeita de piscadela para Daniel Ortega, por exemplo, e esse “centrão” de que trato logo se solidariza com os democratas da Nicarágua e sugere que o ex-presidente gostaria de implementar um regime sandinista no Brasil, embora o PT tenha deixado pacificamente o poder e tente voltar por meio de eleições. Nota: talvez não tenha ocorrido na eleição passada em razão de uma condenação sem provas, decidida por um juiz incompetente e parcial. Sigamos. A propósito: também repudio a ditadura de Ortega, mas não estendo o tapete para um ex-juiz que propõe a criação de um tribunal de exceção no Brasil, que seria formado com a interferência de organismos multilaterais. Moro fala abertamente sobre o assunto a entrevistadores servis, que nem se encarregam de lembrar ao doutor que 1) qualquer coisa dessa natureza teria de ser aprovada pelo Congresso; 2) ainda que aprovada fosse, seria inconstitucional. Para tentar demonstrar a correção de sua atuação quando magistrado, o pré-candidato do Podemos apela ao assentimento do TRF-4 e do STJ à sentença que condenou Lula, mas chama de “erro judiciário” decisões do STF de que discorda. Em julgamentos distintos, o tribunal anulou as condenações do petista e declarou a suspeição do então juiz. No Conversa com Bial, Moro deixou entrever que caminhos percorreria se fosse presidente da República. Ao contestar o Supremo, afirmou: “O que existe, muitas vezes, é um apego excessivo a formalismo e tecnicismo e acaba confrontando o sentimento de justiça das pessoas”. O direito nada mais é do que a formalização “do sentimento de justiça das pessoas”. Sem ela, ficamos entregues ao arbítrio dos poderosos ou ao justiçamento das maiorias da hora. Se as regras do jogo são tratadas como “tecnicismo”, a pretensão punitiva do Estado, ou das hordas, se torna um imperativo. Tem-se a morte do direito de defesa. E, creiam!, há quem se diga “liberal e morista” a um só tempo. É mesmo? Como há os sedizentes “liberais e bolsonaristas”. Nesta quinta, o presidente expressou o cerne do seu entendimento de uma política pública de saúde. Participava de um evento oficial. Depois de desferir palavrões contra João Doria e de retomar os ataques ao Supremo, com especial atenção a Alexandre de Moraes, deixou claro por que é contrário à exigência do passaporte da vacina para a entrada de estrangeiros no país: ele próprio, lembrou aos berros, não se vacinou. Lula não é um candidato a autocrata. Bolsonaro não pensa em outra coisa. Embora não realize seu intento, empurra o país para o buraco. Moro, versado em autocracia distinta, mas combinada, é só a segunda via do bolsonarismo, na correta síntese do jornalista Guilherme Macalossi. Em vez de ser uma alternativa ao que chamam “polarização” — expressão que não acato —, o ex-juiz amarra o “nem-nem” a uma agenda que também é de extrema direita. Em lugar de Lula, eu também ficaria calado o máximo possível. Deixaria que os adversários e o povo falassem. Como vêm falando.” [Folha]

Mas tem pesquisa apontando queda na rejeição do presidente:

“A impopularidade de Jair Bolsonaro diminui um pouco, segundo a pesquisa Quaest para a Genial Investimentos feita na primeira semana de dezembro. A avaliação negativa caiu de 56% para 50% de novembro para este mês. Baixou mais em todas as regiões do país, menos no Nordeste, onde ficou na mesma (61% de negativo). A margem de erro dessa pesquisa é 2,2 pontos, para mais ou menos. A rejeição na urna continua quase na mesma e enorme: neste mês, 67% dos entrevistados diziam que não votariam em Bolsonaro; em novembro, 64%. Mas ele estancou a sangria, mesmo com tanta morte, fome e inflação. Uma pesquisa apenas ou uma andorinha não fazem um verão de melhoria de prestígio presidencial. Tentar explicar motivos de variação de voto já é difícil levando em conta períodos longos, que dirá de um mês para outro. Mas convém prestar atenção. Há alguma melhoria objetiva nas condições sociais e econômicas de vida? Nada que tenha mudado de modo relevante de novembro para dezembro, para melhor ou pior. A inflação continua rodando na casa de 10% ao ano, embora a carestia da comida tenha desacelerado um tico. Mas isso não é, em si, relevante, pois os preços continuam aumentando. O salário médio real está caindo. Para 70%, Bolsonaro lida de modo negativo com a inflação, na pesquisa Genial/Quaest; na “geração de novos empregos”, a avaliação é negativa para 51%. No “combate à Covid”, 47%. De um ano para cá, o número de pessoas com algum tipo de trabalho aumentou em 9,5 milhões. É relevante, mas vem de longe. Talvez a percepção mais persistente de que seja possível outra vez viver de trabalho tenha diminuído o mau humor. Ainda assim, o bico (trabalho “por conta própria”) é cada vez mais comum (era a ocupação de 22% do total de empregados nos anos ainda bons de 2012 e 2013; é de 27% agora). Desde meados de setembro, Bolsonaro passou a fazer e a dizer menos atrocidades em público, seguindo recomendação de seus amigos e cúmplices do centrão, os regentes de seu governo. Suspendeu os comícios golpistas. A vociferação de cretinices e insultos é menos frequente, assim como o noticiário mais gritantemente negativo. Pode ser um motivo. Tudo mais constante e pensando em perspectivas econômicas, insuficientes para tratar de política, 2022 é um problema. A inflação pode despiorar (cair do ritmo de 10% ao ano para 5%, no mês da eleição), mas o refresco será pequeno (levaria anos de bom crescimento para que os salários, ainda mais dos mais pobres, recuperasse o poder de compra perdido na inflação Bolsocaro). O número de pessoas ocupadas, com algum emprego, vai aumentar de novo em 2022, mas muito mais devagar, pois o ano será de estagnação do PIB, na melhor das hipóteses. O Auxílio Brasil vai pagar benefícios maiores (o dobro, na média) para quem estava no Bolsa Família (14,6 milhões) e para outros 2,4 milhões de novos beneficiários. Mas vai deixar na chuva cerca de 20 milhões de pessoas que recebiam o Auxílio Emergencial. Enfim, a soma dos dinheiros distribuídos por esses benefícios de assistência em 2021 será mais ou menos a mesma a ser paga pelo Auxílio Brasil em 2022. Difícil fazer a conta do saldo político-eleitoral, mas não deve ser grande coisa, pró ou contra o governo. O fato é que Bolsonaro estancou a sangria. Por vezes, dezembros melhoram a imagem dos governantes nas pesquisas; depois das festas, os humores dão uma piorada, mas está longe de ser regra. Apesar de rejeitado por dois terços do eleitorado, sob o risco de Sérgio Moro tirar-lhe mais uns pontos, sem ter o que mostrar de realizações em 2022, fora mais mentiras, o candidato Bolsonaro ainda respira.” [Folha]

E tão indo atrás do dinheiro, folgo em saber:

Canais bolsonaristas investigados por disseminar “fake news” e ataques ao sistema de votação do país tiveram R$ 1,2 milhão bloqueado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor seria repassado pelas redes sociais para canais, páginas e sites bolsonaristas alvos de uma investigação por propagarem “fake news” sobre as urnas eletrônicas. A campanha desses canais contra as urnas eletrônicas ocorreu em meio a ataques do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema de votação brasileiro. A verba bloqueada está depositada numa conta judicial até o fim das investigações. A TV Globo apurou que a PF trabalha para identificar os financiadores e quem está por trás da divulgação em massa de “fake news”. Para investigadores, quanto mais atacam as instituições e o sistema eleitoral, mais proveito econômico os envolvidos conseguem. Os valores envolvem a monetização (pagamentos feitos pelas redes sociais) e a arrecadação dos canais com propaganda. Ao menos 11 apoiadores do presidente Jair Bolsonaro foram afetados pela ordem. Entre os canais já identificados, está o de Allan dos Santos, blogueiro bolsonarista que já teve várias contas bloqueadas em redes sociais e é alvo de uma ordem de prisão e um pedido de extradição determinado pelo Supremo Tribunal Federal.” [G1]

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10. Bahia

Um verme:

“Questionado sobre a situação dos moradores que perderam suas posses em razão das fortes chuvas que atingiram o sul da Bahia nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro comparou a situação atual ao isolamento social promovido pelo governo estadual para diminuir o contágio por Covid-19 no ano passado. Acompanhado de quatro ministros, Bolsonaro sobrevoou na manhã deste domingo as áreas afetadas pelas enchentes e disse que estava no local para prestar solidariedade e auxiliar os governos locais. Questionado durante uma coletiva sobre as ações do governo federal em relação às vítimas, Bolsonaro lembrou as medidas restritivas contra o aumento de casos de coronavírus. — Também tivemos muitas catástrofes ano passado quando muitos governadores, o pessoal da Bahia fechou todo o comércio e obrigou o povo a ficar em casa. O povo em grande parte informais codnenados a morrer de fome dentro de casa. O governo federal atendeu a todos com auxílio emergencial — disse Bolsonaro.” [O Globo]

O sujeito carece de empatia:

“O governo é sensível a esse problema. A gente pede a colaboração de todos para que se supere esse problema e também não destruamos a economia em nome de seja lá o que for. Apesar de respeitarmos e entendermos a gravidade que esse vírus tenha proporcionado ao Brasil” [Folha]

É inacreditável, ele é incapaz de demonstrar empatia. E depois do candidato se vender em meio a tragédia…

“Durante a entrevista coletiva concedida após sobrevoar as áreas atingidas, o presidente quanto os ministros que o acompanharam, como João Roma, da Cidadania, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, destacaram que a visita à Bahia não tinha caráter político. Apesar disso, em alguns momentos, o governo estadual foi cutucado. — Agora mesmo em Itamaraju se ouviu da boca do prefeito a dificuldade de cooperação dos órgãos estaduais para ações humanitárias, ações que estamos fazendo sem olhar a quem. O que cabe nesse momento não é disputa partidária, ideológica ou o que seja. É união de forças porque quem precisa ser amparado quer a açao do estado e não quer saber de quem está vindo essa ação — disse o ministro João Roma.”

Sim, Bolsonaro ataca goernadores e prefeitos e seu ministro vem falar em “união de forças”. E essa é a melhor parte:

“A frase de Bolsonaro contra as medidas restritivas ocorreu logo após o ministro João Roma (Cidadania) pedir que a tragédia não fosse usada como meio de disputa política. “Esse não é o momento de disputa política e ideológica”.”

E Bolsoanro estava por demais solidário!

“Além do sobrevoo, Bolsonaro fez um desfile numa picape por Itamaraju, umas das cidades atingidas, e transmitiu o passeio em sua rede social. Apoiadores saudaram o presidente na entrada.”

E aí deu nisso aqui ó:

“Uma equipe da TV Bahia, afiliada da Globo, foi agredida neste domingo (12) em Itamaraju por seguranças e por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante a visita dele à região, atingida pelas chuvas no extremo sul baiano. A repórter Camila Marinho e o cinegrafista Cleriston Santana aguardavam o pouso do helicóptero do presidente no estádio municipal Juarez Barbosa. Ao descer do helicóptero, o presidente seguiu em direção à lateral do campo de futebol. Os repórteres da TV Bahia e da TV Aratu, afiliada do SBT, tentaram se aproximar para entrevistar Bolsonaro, mas a equipe de segurança, que formava uma espécie de “paredão”, agiu para impedir a aproximação das duas equipes. Um dos seguranças segurou a repórter Camila Marinho pelo pescoço, com a parte interna do antebraço, numa espécie de “mata-leão”. No tumulto, essa imagem não pôde registrada. O presidente avançou e subiu na caçamba de uma caminhonete, ainda dentro do estádio. Um segurança pessoal tentou impedir que os jornalistas erguessem os microfones em direção a Bolsonaro. E, quando os microfones esbarraram nele, disse que os repórteres estavam batendo nas costas dele. “Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim, não batam em mim”, disse. O secretário de Obras de Itamaraju, Antonio Charbel, que estava com apoiadores do presidente, puxou os microfones. O aparelho da TV Bahia teve a espuma rasgada. A pochete da repórter Camila Marinho também foi arrancada por outro apoiador e depois recuperada por um repórter. A equipe presidencial então seguiu para a sala de comando da operação, dentro de uma escola. As equipes de reportagem não acompanharam para evitar novas confusões. Os jornalistas da TV Aratu Xico Lopes e Dário Cerqueira também tinham sido agredidos. Só depois da confusão a assessoria de imprensa da Presidência chamou os repórteres dos dois veículos para dentro do local. Um dos integrantes da segurança pediu desculpas pelo que havia ocorrido do lado de fora.” [G1]

Eis os vídeos da agressão:

Repare como ATÉ Bolsonaro tenta conter seu segurança. Mas nem isso fez Bolsonaro uddar sua retórica, ontem, no cercadinho, ele disse que a jornalista da Globo ABGREDIU seu segurança!

E o segurança é um CORONEL DO EXÉRCITO! Imagine a tranquilidade do sujeito no meio duma guerra, ele não consegue nem lidar com jornalistas…

“O ataque de ontem do segurança e dos seguidores de Bolsonaro a jornalistas das TV Bahia e TV Aratu afiliadas da GLOBO e SBT é absolutamente inaceitável e embute um perigo enorme. Há uma cena que conseguiu ser gravada em que um segurança ao lado do presidente reage porque um fio do microfone tocou seu braço. Esse segurança está com uma arma ostensiva no coldre. Se é uma pessoa tão descontrolada e é segurança da presidência, com o salário pago pela sociedade brasileira. É um servidor público e um perigo para a sociedade. E se ele sacar a arma numa hora dessas? A cena é de uma pessoa descontrolada. E esse segurança ainda acha que o fio que encostou nele foi agressão e repete: –Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Esse segurança precisa ter seu nome identificado pela presidência, afastado das ruas e ser admoestado sobre isso. É um profissional e claramente para reagir assim está contra o trabalho dos profissionais.” [O Globo]

“Na cena que não conseguiu ser gravada, a reporter da TV Bahia, afiliada da Globo, recebe uma gravata de outro segurança. Repito: é um funcionário público e isso é inaceitável na democracia. A imprensa tinha o direito de estar lá. Em outra cena, se vê um seguidor atacar os jornalistas, e consegue rasgar parte da proteção do equipamento do TV Aratu, afiliada do SBT. O secretário de obras da cidade, Antonio Charbel, puxou os fios dos microfones dos jornalistas. Essa não é a primeira vez: teve recentemente aquele ataque na Itália, em que os seguranças da presidência agrediram os jornalistas. De onde nasce isso? O presidente da República estimula, incentiva, ataca verbalmente os jornalistas e já ameaçou dar um soco num repórter do jornal O GLOBO. Houve outro episódio com a CBN. O que mais as instituições esperam? Desde o começo dessa presidência a imprensa está sob ataque. Bolsonaro já atacou, difamou e injuriou alguns jornalistas em manifestações públicas e o fez principalmente contra mulheres. Ao fazer isso, ele está estimulando os seus seguidores para que o façam. E pior: os seguranças acham que o inimigo é o jornalista que faz a pergunta. Tem que haver mais do que notas das empresas e das associações de jornalistas repudiando os atos. É preciso ver que isso tem método e a imprensa é o alvo do presidente, é parte do seu projeto autoritário e tudo vai piorar no ano que vem. Temos pela frente uma campanha presidencial em que Bolsonaro está em desvantagem. Todo o cuidado é pouco para preservar a integridade dos jornalistas que estarão em campo cobrindo essa eleição. Bolsonaro ataca usando como armas os seguranças pagos pela sociedade, armados pela sociedade para proteger a presidência. E que se comportam com a truculência de bandidos. E mais: ele usará os recursos da presidência, pagos por nós, para fazer campanha eleitoral. O extremo perigo que isso significa ficou claro ontem mais uma vez.”

E se trata dum padrão:

“O Supremo Tribunal Federal foi acionado em novembro pela Rede Sustentabilidade para proibir o presidente Jair Bolsonaro de atacar ou incentivar ataques verbais ou físicos à imprensa e aos profissionais da área. O partido pede que o STF fixe o pagamento de multa de R$ 100 mil por ataque. A Rede também pede que o Supremo determine à Presidência da República que elabore e apresente um plano de segurança para garantir a segurança dos profissionais que acompanham a rotina do presidente. A ação foi apresentada após Bolsonaro tratar com hostilidade jornalistas brasileiros durante viagem a Roma, na Itália. Seguranças que estavam perto do presidente agrediram quem tentou fazer perguntas, entre eles o repórter Leonardo Monteiro, da TV Globo. Relator da ação, o ministro Dias Toffoli enviou a ação para ser julgada pelo plenário do STF. A Advocacia-Geral da União (AGU) já se manifestou no processo e defendeu a rejeição da ação por questões processuais. O governo afirma que não é possível atribuir a autoridades episódios de hostilidade ou intimidações contra a imprensa. O governo diz ainda que a postura crítica de Bolsonaro à imprensa não ultrapassa os limites da liberdade de expressão. O STF ainda aguarda o parecer da Procuradoria-Geral da República.”

E tudo piorou, Bolsonaro se divertiu enquanto a Bahia chorava, mas isso ficará no limbo de notícias de meados de dezembro até 10 de janeiro, que é quando este blog volta, espero eu ao normalç.

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11. Economia

“A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), alcançou a marca de 10,74% no acumulado de 12 meses até novembro, informou nesta sexta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Isso significa que o IPCA no governo Jair Bolsonaro (PL) superou a alta de preços registrada durante a gestão Dilma Rousseff (PT). No segundo mandato da petista, a inflação também disparou no Brasil, atingindo 10,71% em 12 meses até janeiro de 2016. Os 10,74% até novembro de 2021 representam o maior acumulado desde novembro de 2003, ano inicial do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). À época, o IPCA chegou a 11,02%.” [Folha]

E há um ano a Veja dizia que 2021 seria o ano da virada, com Guedes todo pimpão na capa.

Reportagem da Folha mostrou que, ao longo do século 21, o Brasil soma três períodos de inflação mais forte, com altas de dois dígitos no acumulado de 12 meses. Esses intervalos ocorreram justamente nos intervalos entre 2002 e 2003, 2015 e 2016 e agora em 2021. Conforme economistas, embora os períodos tenham diferenças, há pelo menos uma questão em comum: o registro de tensões ou indefinições na área política. Situações assim costumam pressionar a taxa de câmbio e, consequentemente, elevam os preços de produtos diversos atrelados ao dólar. Em 2021, a moeda americana mais alta tem pressionado itens como combustíveis. Segundo a divulgação feita pelo IBGE nesta sexta, o IPCA teve variação de 0,95% no último mês de novembro. Puxado pela gasolina, o resultado é o maior para o mês desde 2015 (1,01%). Apesar de ter ficado em um nível alto, a taxa do último mês de novembro (0,95%) veio abaixo das previsões do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 1,10% para o período. O dado de novembro sinaliza uma desaceleração —avanço menor— frente a outubro. Na ocasião, a alta do IPCA havia sido de 1,25%. Em 12 meses, o IPCA (10,74%) está distante do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). O teto é de 5,25% em 2021. O centro é de 3,75%. Conforme o IBGE, sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços em novembro. A maior variação (3,35%) e o principal impacto (0,72 ponto percentual) vieram dos transportes. O grupo foi influenciado pelos preços dos combustíveis, especialmente da gasolina (7,38%). O item, mais uma vez, teve o principal impacto individual no IPCA do mês (0,46 ponto percentual). Também houve alta nos preços do etanol (10,53%). O produto respondeu pelo segundo maior impacto no IPCA, de 0,10 ponto percentual. O óleo diesel, por sua vez, avançou 7,48%, e o gás veicular, 4,30%. Com o resultado de novembro, a gasolina acumula alta de 50,78% em 12 meses. O etanol registra disparada de 69,40% no acumulado. Já o diesel subiu 49,56%. “Há uma inflação de insumos básicos, como os combustíveis, e isso ajuda a espalhar a alta de preços pela economia. O óleo diesel, mesmo que não seja muito usado pelas famílias, aumenta o custo do frete de produtos”, aponta o economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).”

Mais números:

“Mesmo que a economia brasileira ganhe alguma tração, a recuperação do padrão de vida dos brasileiros será lenta nos próximos anos. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita — soma de riquezas produzidas pelo País dividida por seus habitantes — poderá levar, ao menos, mais sete anos para recuperar o nível registrado em 2013, o ano que antecedeu ao início da recessão do governo Dilma Rousseff.. Bruno Villas Boas, O Estado de S.Paulo 12 de dezembro de 2021 | 14h00 Mesmo que a economia brasileira ganhe alguma tração, a recuperação do padrão de vida dos brasileiros será lenta nos próximos anos. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita — soma de riquezas produzidas pelo País dividida por seus habitantes — poderá levar, ao menos, mais sete anos para recuperar o nível registrado em 2013, o ano que antecedeu ao início da recessão do governo Dilma Rousseff. Indústria PIB poderá voltar ao nível de 2013, próximo de R$ 40 mil, em 2028. Foto: Werther Santana/Estadão Projeção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o PIB per capita deve encerrar este ano em R$ 36.661, 3,8% acima do ano passado. Se o cálculo se confirmar, o indicador ainda está 1% abaixo do valor registrado em 2019 (R$ 36.969), logo antes da pandemia de covid-19. E também ficará 7,7% abaixo do pico histórico medido em 2013 (R$ 39.685). Silvia Mattos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre/FGV, acredita que o indicador poderá voltar ao nível de 2013, próximo de R$ 40 mil, em 2028 — 15 anos depois. Para isso, o PIB precisará crescer , em média, 2,1% ao ano no período de 2023 a 2028. Descontado o aumento da população, isso resultaria numa expansão de 1,5% do PIB per capita ao ano. É um cenário “bem otimista”. “O Brasil conseguiu crescer nesse ritmo nos anos 2000, então é algo possível, sim. Seria preciso, porém, de um choque externo favorável para a economia brasileira e, internamente, de um ciclo vigoroso de reformas para termos esse crescimento”, diz a coordenadora do Boletim Macro. “Sem esse ritmo mais acelerado, a recuperação das perdas dos últimos anos ficará para depois de 2030. Esse desejado ganho de tração, porém, não vai ser iniciado em 2022. Nas projeções do Ibre/FGV, o PIB do próximo ano deve crescer 0,7%, o mesmo ritmo do avanço populacional — o que significa estabilidade no PIB per capita. É cedo para descartar, inclusive, um retrocesso em 2022, diante do desajuste fiscal, inflação em alta e acentuada instabilidade política.” [Estadão]

O paradoxo:

“Se a riqueza gerada não cresce, o quadro se complica ainda mais diante do aumento da desigualdade social dos últimos anos, afirma Cosmo Donato, economista da LCA Consultores. “Estamos produzindo menos por habitante e o pouco que crescemos é apropriado por uma parcela cada vez menor da população. Quem está na base da pirâmide social é quem está mais sofrendo”, alerta Donato. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a desigualdade piorou em 2018 e 2019. O índice de Gini, medida da desigualdade de renda domiciliar, melhorou em 2020, mas as perspectivas não são animadoras. E mesmo com o auxilio emergencial, um em cada quatro brasileiros vive abaixo da linha da pobreza, o correspondente a 51 milhões de pessoas em 2020. O pesquisador Rogério Barbosa, professor adjunto do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), diz que o PIB per capita, combinado com indicadores de desigualdade, oferecem uma noção de bem-estar social do País. Se no campo da renda per capita a recuperação é lenta, na desigualdade as incertezas também se multiplicam. “Mesmo que continuemos sanando o desemprego aos pouquinhos, não vejo recuperação em massa do mercado de trabalho. Isso significa, na prática, concentração de renda. E falta política pública que resolva isso”, diz Barbosa. “O Auxílio Brasil vai ter mais orçamento do que o Bolsa Família, mas ancorado de forma frágil em atraso de pagamento de precatórios”, diz Barbosa.”

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12. Malditos milicos

Malditos!

“O general da reserva do Exército Fernando Azevedo, que comandou o Ministério da Defesa de Bolsonaro até março deste ano, vai assumir em fevereiro do ano que vem o posto de novo diretor-geral do TSE. O cargo é uma espécie de “gerente” da Corte Eleitoral, com a missão de cuidar de licitações e lidar com questões administrativas, além de ter sob o seu guarda-chuva a secretaria de tecnologia, responsável por desenvolver softwares utilizados pelo próprio tribunal. A chegada de Azevedo coincide com o início da gestão do ministro Edson Fachin, que vai presidir o TSE daqui a dois meses. O general vai seguir no cargo durante as eleições, quando a Corte será comandada pelo ministro Alexandre de Moraes — o nome foi acertado entre os dois magistrados. Moraes deverá ter na sua equipe um outro ex-ministro do governo Bolsonaro, o ex-advogado-geral da União José Levi, que se desentendeu com o presidente da República por conta de uma ação contra o toque de recolher imposto por Estados para frear o avanço da pandemia. Levi, no entanto, só assumirá a secretaria-geral do TSE com a chegada de Moraes na presidência, em agosto do ano que vem. Os dois já trabalharam juntos no Ministério da Justiça e Segurança Pública durante o governo Temer. Azevedo já foi assessor especial do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a gestão do presidente Dias Toffoli, que buscou na época estreitar as relações com as Forças Armadas em meio à onda bolsonarista que varreu o país nas eleições de 2018. Em agosto daquele ano, na condição de chefe do Estado Maior do Exército, o general Azevedo pregou “tolerância” e “conciliação” nas eleições que acabaram vencidas por Bolsonaro. Para o ex-ministro da Defesa, o voto é a arma “mais poderosa e legítima da democracia, para começar a superar a crise profunda em que estamos mergulhados”. Conforme mostrou VEJA, ministros do TSE e do STF já demonstram reservadamente uma séria preocupação com a temperatura política do país não apenas durante a campanha, mas com a reação de Bolsonaro ao resultado que pode sair das urnas. Magistrados estão apreensivos com o risco de o mandatário não reconhecer uma eventual derrota no voto popular. Um dos receios é de o chefe do Executivo retomar os ataques infundados às urnas eletrônicas e insuflar extremistas a invadir prédios públicos, como o Congresso Nacional e a sede do TSE, criando um cenário de caos e instabilidade institucional. Ao longo de 2022 o TSE vai ser presidido por três ministros diferentes: Luís Roberto Barroso deixa o tribunal em fevereiro, quando passa o bastão para Fachin, uma das vozes do Supremo mais enfáticas na defesa da democracia e preocupadas com os discursos beligerantes de Bolsonaro. Em agosto, é a vez de Alexandre de Moraes, magistrado considerado como desafeto pelos bolsonaristas, assumir a presidência e comandar o tribunal nas próximas eleições. Um dos objetivos da nomeação do general Fernando é esvaziar a narrativa de que o TSE conspira contra a reeleição do presidente.” [Veja]

Mourão é patético:

“Na entrevista com Andréia Sadi, Mourão admite que cogita se candidatar ao Senado em 2022 e diz que Sérgio Moro, seu ex-colega de governo, o avisou por mensagem que será candidato à Presidência da República. Ele fala ainda sobre a relação com o presidente Bolsonaro, Centrão, militares no governo e passaporte da vacina, entre outros assuntos.” [O Globo]

Olha o naipe do diálogo!

“— Mas porque o senhor não estará na chapa 2022?

— Porque algumas vezes ele já deu uma sinalização que ele gostaria de outra pessoa, mas até hoje ele não chegou pra mim e disse ‘não será você’.

 — Não falou, não teve conversa, papo reto?

— Não, até hoje, não.

— O senhor nunca perguntou também?

 — Também não. Quem pergunta quer resposta.

— O senhor não quer essa resposta?

 — A gente aguarda…”

Frouxo do caralho!

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Aliados de Bolsonaro apostam na eleição de líder do governo no Senado para vaga no TCU
“Interlocutores de Bolsonaro calculam que Fernando Bezerra teria entre 35 e 38 votos; Anastasia receberia cerca de 25 votos; e Kátia Abreu, cerca de 15 votos.”

Após perder vaga no TCU, Fernando Bezerra deixa liderança do governo
“Após perder ontem vaga no TCU (Tribunal de Contas da União) para o senador Antonio Anastasia (PSD-MG), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) deixou a função de líder do governo no Senado. A decisão foi divulgada em nota à imprensa na manhã de hoje (15). Segundo a assessoria de imprensa do parlamentar, o pedido de afastamento da liderança foi formalizado ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Com apenas sete votos, o então líder governista ficou atrás da senadora Kátia Abreu (PP-TO), que obteve 19, e do senador Anastasia, que consagrou a vitória com 52.”

Correios: Governo já descarta privatizar estatal em 2022 por falta de apoio no Congresso
“Mesmo que não fale publicamente sobre o assunto, o governo praticamente descartou a privatização dos Correios no próximo ano, diante da resistência do Senado em votar o projeto, já aprovado na Câmara. A avaliação no Executivo é que não há tempo hábil para realizar a operação em 2022, mesmo que o Congresso acabe dando aval para a desestatização da empresa nos próximos meses. O governo resolveu priorizar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios no Senado, para viabilizar o Auxílio Brasil de R$ 400, principal bandeira eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para o próximo ano. Com isso, o Executivo decidiu não brigar pela análise da privatização da estatal, responsável pela entrega de encomendas e correspondências.”

Senador Fabiano Contarato deixa Rede e se filia ao PT
“”Como já havia anunciado, comunico em definitivo o meu pedido de desfiliação do partido Rede Sustentabilidade. Agradeço imensamente pelo companheirismo e respeito que tive durante o período no qual pude representar o partido no Senado Federal, numa jornada em defesa de um país mais justo e igualitário e que defenda seu povo e preseve seus recursos naturais”, disse Contarato. O parlamentar justificou que os governos liderados pelo PT “devolveram ao país a credibilidade internacional”. Disse ainda que eles “permitiram aos pobres cursar universidade, expandiram a estrutura de ensino no país, abriram os porões da ditadura com a Comissão Nacional da Verdade”. Também afirmou que “geraram crescimento econômico alinhado com políticas sociais exitosas, devolveram aos brasileiros o orgulho nacional”.”

Senador que gritou com a ministra ficou pianinho diante de Ciro Nogueira e Rogério Marinho
“Na manhã do dia em que gritou, falou palavrões e ofendeu a ministra Flávia Arruda por causa de emendas parlamentares que, segundo ele, o Palácio do Planalto lhe prometera liberar, mas não fizera, o senador Eduardo Braga conversou com dois ministros de Jair Bolsonaro sobre o tema — Ciro Nogueira e Rogério Marinho. Por algum motivo insondável, diante dos dois ministros homens Braga cobrou, mas não gritou, não esperneou, não ofendeu e nem falou palavrões. Deixou para fazer o espetáculo pelo telefone para a ministra Flávia.”

Com oposição de evangélicos, deputados tentam levar ao plenário texto que legaliza jogos de azar
“A Câmara dos Deputados pode acelerar nesta segunda-feira a tramitação da proposta que legaliza os jogos de azar no Brasil. Foi incluído na pauta um requerimento de urgência que, se aprovado, deixa o texto pronto para ser votado em plenário a qualquer momento. A iniciativa já causou insatisfação na bancada evangélica, que é contra a ideia. Desde outubro, deputados mantêm encontros e reuniões fechadas para fazer passar na Câmara o projeto que permite a reabertura dos cassinos, a legalização dos bingos e outras modalidades como jogo do bicho. A proposta debatida por um grupo de trabalho (GT) criado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é de 1991 e cria o Marco Regulatório dos Jogos. Nas reuniões, os deputados tentaram criar estratégias para convencer a bancada evangélica e alas da esquerda, contrários aos jogos, a pelo menos não trabalharem contra a pauta. Nas últimas semanas, Lira andou fazendo uma rodada de conversa com as bancadas temáticas para saber quais projetos de lei elas queriam levar ao plenário o mais rápido possível. Dos deputados da Frente Parlamentar Evangélica, Lira ouviu que a prioridade era passar o projeto de lei que isenta de tributação imóveis e negócios que sejam ligados a instituições religiosas. Pouco se falou sobre a agenda de costumes e o pedido mais incisivo não foi para aprovar uma proposta, e sim para barrar uma: justamente a de legalização dos jogos de azar. Integrante da bancada evangélica, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) disse ao GLOBO que Lira descumpre o combinado ao pautar o requerimento de urgência. — Vamos trabalhar para derrubar (o requerimento de urgência) ou conscientizar o Arthur (Lira) para retirar (de pauta). Se não retirar, nós vamos fazer obstrução da pauta da Câmara. Ele descumpriu o que falou para gente, em reunião com 70 convidados. Ele falou que, se pautasse, seria em comum acordo — disse Sóstenes. Para os parlamentares evangélicos, os jogos de azar são vistos como uma “abominação” que pode trazer maldição à nação.”

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