Dias 1.089 a 1.105 | Um governo de kamikazes | 15/12/21 a 09/01/22

Taí o primeiro episódio de 2022 do podcast, baseado nesse post do blog:

Texto de Pedro Daltro e edição de Cristiano Botafogo. Os episódios você ouve lá na Central3.

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E com assinatura ou não eu e o Cristiano queremos agradecer imensamente a todos os ouvintes, que são muito mais do que poderíamos imaginar. Cês são fodas : )

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1. A mais absoluta falta de empatia

E lá vamos nós para o quarto ano desse governo militar. Os civis, como de hábito, falhamos miseravelmente. Lá em 2019 eu tinha dúvidas se Bolsonaro completaria seus 4 anos e…

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E já avisamos, urge o enterro do impeachment, tem que tirar esse artigo da constituição, se não coube para Bolsonaro não caberá para mais ninguém, é impossível ser mais criminoso que Jair.

E vamos combinar uma coisa: haverá um lapso temporal ali de meados de dezembro até a primeira semana de janeiro, muita coisa vai de fora. Assim como ficou muita coisa fora no começo de dezembro, volta e meia dizemos que fomos atropelados pelo noticiário mas em Dezembro foi foda mesmo. Vai aí um mix de insanidade com o que aconteceu de mais importante de lá pra cá.

Estamos adentrando ano eleitoral e esse governo fardado age tal qual um kamikaze, mas ao contrário dos japoneses sem qualquer senso de honra pois este é um conceito desconhecido pelos malditos milicos. Quem louva torturador não sabe o que é honra. E nunca saberá. Pois bem, os kamikazes cheio de estrelas no peito resolveram virar o ano numa cruzada contra a vacinação infantil – e a adulta também, claro – ao mesmo tempo em que o presidente passava férias enquanto um estado submergia de forma dramática. Digamos que esse governo não se comove com pessoas morrendo afogadas. Seja na água ou seja no seco.

Enquanto a Bahia afundava o presidente passava férias, se divertia passeando por aí de jet ski , dançando funk em lancha ao som da música do MC Reaça – nem Mafaia, Feliciano e quetais conseguiram defender o presidente nessa – e dando cavalo de pau num hot wheel gigante em parque de diversão. Enquanto isso rios subiam 9 metros e submergiam o estado da Bahia, e Bolsonaro se divertindo

“Bolsonaro participou da apresentação chamada Hot Wheels – Epic Show, famosa pelas derrapagens. Vestido com o uniforme da Hot Wheels, o presidente também dirigiu um dos veículos, fez manobras de drift e acenou para o público. Nesse momento, ele estava sem capacete. Segundo assessoria do evento, os pilotos são obrigados a usar equipamentos de proteção, entre eles o capacete, devido às manobras serem perigosas e haver risco de acidentes. Bolsonaro ainda conversou com visitantes e almoçou no local. Após almoço no restaurante Hot Wheels, o presidente seguiu, sem máscara, para um passeio de trem, às 13h30, acompanhado de seguranças. Na saída, foi recebido por apoiadores, aglomerados e sem máscara. Durante o passeio de trem, na ferrovia Dino Magic, Bolsonaro assistiu a uma apresentação de cowboy e a um espetáculo com dinossauros..” [Folha]

É como se esse governo tivesse feito um concurso de idéias para esfregar na cara do brasileiro a absoluta falta de empatia do governo, e aí a gente viu esse deboche macabro. Até ajuda humanitária da Argentina Bolsonaro recusou, e ainda reclamou que era pouca ajuda!

Só isso já seria uma forma macabra de virar o ano, mas eles resolveram, ao mesmo tempo, empreender uma insana cruzada contra a vacinação infnantil no Brasil; Esse brasil aqui ó, vamos a uma notícia de 22 de dezembro do ano passado:

“Enquanto o governo federal debate a vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos contra a Covid-19, essa faixa etária segue em risco. No Brasil, 301 crianças morreram em decorrência da doença desde a chegada do coronavírus até o dia 6 de dezembro, o que, em 21 meses de pandemia, significa 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias.” [O Globo]

Uma morte a cada dois dias e nada abala Bolsonaro. Vamos a junho de 2021:

“Lorena viu a filha Maria, de 1 ano e 5 meses, morrer em seus braços. Com diagnóstico tardio, Lucas, de um ano, filho de Jéssika, enfrentou diversas complicações relacionadas à covid e morreu. José Rivera viu o filho Bernardo, de três anos, sucumbir à covid-19 uma semana depois de testar positivo. Eles não são exceções. Até meados de maio, 948 crianças de zero a nove anos morreram de covid no Brasil, segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) compilados pelo Estadão. Sem políticas de proteção à infância, sem controle da pandemia e com escolas fechadas, o Brasil fica em segundo lugar no triste ranking de crianças vítimas da covid, atrás apenas do Peru.” [Estadão]

Por é que Bolsonaro deve ouvir uma porra dessa e se sair com uma piada homofóbica e aquela risada escrota

“A cada um milhão de crianças de zero a nove anos existentes no País, 32 perderam a vida para a covid. No Peru, país com o maior número de mortes dentre os 11 analisados, foram 41 por milhão. As vizinhas Argentina e Colômbia tiveram 12 e 13 mortes por milhão, respectivamente.”

A argentina é uma aula MAGNA do que não se fazer economiamente com um país, eles tão numa crise econômica em looping há décadas, a pobreza aumenta e ainda assim o número de mortes de crianças pelas bandas de cá é o TRIPLO da taxa argentina! E isso não comove esse governo miliar, alguém viu algum general desse governo defendendo vacinação infantil?!

“Nos países europeus, o cenário foi completamente diferente. O Reino Unido e a França registraram apenas quatro mortes de crianças de zero a nove anos, o que dá uma taxa de 0,5 morte por milhão em cada um dos países. No continente, o maior número foi registrado na Espanha. Lá, a cada um milhão de crianças, três morreram por covid — um décimo do índice brasileiro.”

E nós temos 2,7% da população mundial e 12,4% dos óbitos. E detalhe: não há sistema de saúde público no Peru – até tem mas nem se compara ao SUS.

“Os bebês de até dois anos foram as principais vítimas, correspondendo a 32,7% das mortes analisadas.”

Lembrando que essa matéria é de junho de 2021, mas vamos repetis: 32.7% das crianças mortas eram bebês até 2 anos! E eis a desigualdade nossa de cada dia:

“De acordo com os dados do Sivep-Gripe, 57% das crianças mortas pela covid no Brasil eram negras (grupo que inclui pretos e pardos). As crianças brancas correspondem a 21,5% das vítimas, as amarelas (de origem asiática) 0,9% e 16% não tiveram a raça indicada. A morte entre indígenas também foi bastante expressiva. Apesar de representarem apenas 0,5% da população brasileira, 4,4% das crianças que perderam a vida para a covid no Brasil eram indígenas. Em números brutos, foram 42 mortes, a maioria no Mato Grosso (12) e no Amazonas (11). Fátima Marinho fala que, devido à desigualdade social, o índice de mortalidade entre as crianças negras já era maior antes da pandemia. A covid veio para ampliar essa desigualdade. “Muitas das crianças negras residem em moradias superlotadas, com adultos que precisam sair para trabalhar, que têm empregos mais expostos ao vírus, que pegam transporte público. Dessa forma, a carga viral que chega para a criança é muito grande”, diz. Os indígenas, por sua vez, são naturalmente mais suscetíveis ao vírus. “É uma forma clássica de exterminar indígenas no Brasil. Foi assim com o sarampo, a gripe, a influenza…”. Por serem mais suscetíveis, a epidemiologista acredita que eles deveriam estar muito mais protegidos. “Por que ainda não vacinamos todos os indígenas acima de 12 anos?”, questiona. Países como os Estados Unidos já autorizaram a vacinação de adolescentes acima de 12 anos com o imunizante da Pfizer, disponível no Brasil. A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), aponta o fim do Mais Médicos como um dos motivos para o alto índice de morte, principalmente entre as populações negra e indígena. Um dos objetivos do programa era garantir atendimento básico de saúde a comunidades mais afastadas, com estrutura precária. “Não houve uma substituição dos profissionais. Os locais de mais difícil acesso, com população carente, enfrentaram dificuldades no atendimento médico”.”

Que diabos quer o governo sabotando vacinação infantil?! Lá em Portugal, abre aspas, “”Todas as crianças internadas são não vacinadas.”, a notícia é da CNN de Portugal, do dia 7 de janeiro desse ano:

“Os médicos do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, receberam nos últimos dias cinco casos de crianças que desenvolveram o chamado Síndrome Inflamatóra Multissistémica, uma inflamação de todo o corpo provocada pelo SARS-CoV-2, conhecida como MIS-C. “Só tem MIS-C quem tem covid.”, afirma Maria João Brito, diretora do serviço de infeciologia; Desde o início da pandemia passaram pelo serviço 70 casos de MISC-C. Este síndrome multi-inflamatória, “é uma complicação”, como outros relacionadas com a covid-19 e nesse sentido, defende a médica, a vacina pode diminuir a sua incidência como diminui outras complicações. “A doença grave na idade pediátrica é rara, mas existe” por isso é importante vacinar, afirma, explicando: “A vacina não protege contra a covid, protege contra a doença grave e as complicações associadas à covid, como as pneumonias, a MISC-C ou a infeção do sistema nervoso central.” Neste momento, o número de internamentos de crianças aumentou em relação ao que havia antes desta variante. “É preocupante porque temos crianças com doença grave”, nota esta médica, sublinhando que ao contrário do que sucedia antes, agora são poucos os adolescentes hospitalizados e todos são não vacinados.” [CNN]

TODAS as crianças internadas não se vacinaram… E sim, por ser casos de internações de crianças vacinadas, mas essa é a exceção da regra, a chance duma criança não vacinada ser internada é MUITO MAIOR que a chance duma riança não vacinada. É estatística, e a cognição humana não funciona muito bem com estatísticas. Passemos aos EUA:

“Taxas cumulativas de hospitalização ao longo de novembro são cerca de oito vezes mais altas para adultos não vacinados e aproximadamente 10 vezes mais altas para crianças não vacinadas entre 12 e 17 anos, segundo os dados do CDC. Crianças são o grupo etário menos vacinado nos Estados Unidos, com cerca de 53% entre 12 e 17 anos totalmente vacinados” [CNN]

Eles agem como se o Brasil fosse um aquário, isolado do mundo. Tudo que dá certo lá fora eles acham que daria errado e sabotam de forma implacável. E imolam a si próprios e ao próprio governo! É por essas e outras que a gente se recusa a acreditar que o que estamos testemunhando é um elaborado e refinado plano do generalato brasileiro. Ou eles são kamikazes ou nada disso faz sentido>

Vão aí algumas aspas do Bolsonaro, no podcast tá tudo costuradinho bonito, aqui vai em off mesmo:

“Não entendo essa gana por vacinaNossa filha não tem quase nada a ganhar com a vacina… Um juiz decidir sobre [vacinação da] minha filha? Tá de brincadeira comigo” [Estadão]

É uma mórvida e grande coleção:

“Não vêm morrendo crianças que justifiquem uma vacina”, declarou o presidente em entrevista às emissoras CNN Brasil e SBT, após chegar a São Francisco do Sul, Santa Catarina, onde passará a festa de réveillon. “Minha filha não vai se vacinar, vou deixar bem claro” [Estadão]

Como se alguém tivesse dúvidas…

“A questão da vacina para crianças é uma coisa muito incipiente ainda. O mundo ainda tem muita dúvida”

Ele diz o mesmo sobre a vacinação adulta…

“ A Anvisa, lamentavelmente, aprovou a vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade. A minha opinião, quero dar para você aqui: a minha filha de 11 anos não será vacinada. E você tem que ler o que foi feito ontem no Ministério da Saúde, o encaminhamento disso daí, para você decidir se vai vacinar o seu filho de 5 a 11 anos ou não… O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina? É pela sua vida? É pela sua saúde? Se fosse, estariam preocupados com outras doenças no Brasil, que não estão.” [O Globo]

E Bolsoanro jura de nada saber, lembrando que o GSI é do mais senil dos generais, tá abastecendo o presidente de informações bem demais!

“Eu pergunto: você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho. Na minha frente tem umas 10 pessoas aqui, se alguém tem levante o braço. Ninguém levantou o braço na minha frente. Então, converse, vê se é o caso de você vacinar o teu filho ou não. É um direito teu vaciná-lo, está autorizada a vacinação e ela é voluntária.”

Dá pra piorar, acredite:

“Então eu peço, como se trata de crianças, não se deixe levar pela propaganda. Converse com os teus vizinhos. Quanto garoto contraiu Covid e não aconteceu absolutamente nada com ele? Quando morre um garoto que contraiu Covid, geralmente, que isso é quase, eu desconheço, mas existe com toda a certeza um moleque que morreu em função do Covid, mas é uma pessoa que tinha algum problema de saúde grave, ou era muito obeso, ou tinha alguma outra comorbidade qualquer.”

Queiroga consegue ser tão vil quanto seu chefe:

“Os óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais. Ou seja, isso favorece que o ministério possa tomar uma decisão baseada na evidência científica de qualidade, na questão da segurança, na questão da eficácia. Afinal de contas, nós queremos levar para os pais e para as mães uma palavra de conforto e de esperança e hoje nós estamos na época do Natal, é uma época propícia para isso ” [O Globo]

E sabe as estatíscas lá de cima?

“A faixa etária de 5 a 11 anos é onde se identifica menos óbitos em decorrência da Covid-19. Cada vida é importante. Nós lamentamos por todas as vidas. Agora, o Ministério da Saúde tem que tomar as suas decisões com base nas evidências científicas”

Queiroga tem 3 filhos e uma esposa, será que algum dos 4 se espanta com o ministro?! Direto eu me pego pensando nisso…

“O lugar para se discutir esses temas é aqui no Ministério da Saúde. A consulta pública visa ouvir a sociedade, isso não é uma eleição, isso não é para opinião de grupo de “zap”. Nós queremos ouvir a sociedade, inclusive ouvir os especialistas. Nós não podemos ouvir os especialistas nos canais de televisão. O ministério não se guia pelas opiniões que são exaradas nos canais de televisão, embora respeitemos a imprensa. O lugar de se debater isso com especialistas é em uma audiência pública no Ministério da Saúde. “

Na véspera da consulta Queiroga se reuniu com anti-vaxxs e as perguntas eram claramente calculdas pra sustentar a insanidade do governo, um grande constrangimento.

Ah, e a Bia Kicis ainda vazou os dados dos cientistas e médicos lúcidos presentes na consulta!

“Chefe da Saúde, Marcelo Queiroga passou as últimas semanas dando demonstrações públicas a Jair Bolsonaro de sua fidelidade no cargo. Além de travar a vacinação de crianças já liberada pela Anvisa, o auxiliar se apropriou de uma frase do presidente. “Melhor perder a vida do que a liberdade”, disse durante uma coletiva no Planalto. Nada disso, porém, serviu para convencer Bolsonaro a embarcar nos sonhos eleitorais do ministro da Saúde. Recentemente, Queiroga sondou Bolsonaro sobre as expectativas do chefe em relação ao seu futuro eleitoral pós-Saúde: “Isso é assunto seu”, disse o presidente. [Veja]

Que delícia!

“Fazer um encontro desse tipo para discutir se uma vacina aprovada pela Anvisa contra a covid-19 deve ser ou não aplicada em crianças de 5 a 11 anos é mais ou menos como montar um seminário para debater se os efeitos da lei da gravidade são reais ou não. Ou seja, é uma imbecilidade. Apesar disso, com toda a paciência, cientistas de alta qualidade aceitaram dividir seu tempo com profissionais negacionistas escolhidos a dedo pelo ministro Queiroga, pela deputada Bia Kicis (PSL-DF) e seu grupo bolsonarista. A Anvisa avisou que não iria se fazer representar, já que tudo o que tinha a informar está nas notas técnicas que aprovaram a vacina. O que se viu na audiência pública foram Roberto Zeballos (imunologista), Roberta Lacerda (infectologista) e Augusto Nasser (neurocirurgião), conhecidos defensores do delirante tratamento precoce, cumprirem o papel que cabe aos negacionistas: jogar dúvidas sobre a segurança da vacina e sobre a gravidade da pandemia. As falas dos cientistas sérios, como os representantes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Associação Médica Brasileira (AMB), entre outros, não deixaram dúvidas (se é que alguém sensato as tinha): é preciso vacinar as crianças o quanto antes. Dados de especialistas e entidades de renome internacional, além dos melhores profissionais brasileiros, indicam isso. Uma das principais participações foi a do infectologista Marco Aurélio Sáfadi, integrante da SBP, que chamou atenção para a alta taxa de letalidade entre as crianças infectadas pelo coronavírus, 7%. A taxa de mortalidade, destacou, é maior que a registrada em doenças como meningite, influenza ou distúrbios diarreicos. Em contrapartida, o acompanhamento de 8 milhões de meninos e meninas vacinadas nos Estados Unidos mostrou que a ocorrência de miocardite entre os imunizados é de 11 casos em 8 milhões, todos de evolução clínica favorável. Uma quantidade de casos de miocardite muito menor que os causados pela própria covid-19.” [UOL]

Do Celso Rocha de Barros:

“Nos últimos dias de 2021, um grupo de pesquisadores brasileiros, ligados à Fundação Oswaldo Cruz e ao Observatório Covid-19 Brasil, disponibilizou um artigo em pré-print —ainda não avaliado, portanto, pelos pareceristas da publicação científica— que dá uma nova contribuição à estimativa de quantos brasileiros Jair Bolsonaro matou durante a pandemia de Covid-19. O cruzamento entre dados de vacinação e óbitos por Covid-19 em 2021, ano em que a vacinação começou, não dá margem a qualquer dúvida. Observe o que acontece quando a vacinação vai progredindo. Conforme a vacinação cresce, o número de óbitos cai, e cai rápido. Com esses dados, os pesquisadores utilizaram técnicas estatísticas para verificar, com base no padrão observado em 2021, duas coisas. A primeira, a boa notícia, é que a vacinação salvou, no mínimo, 75 mil idosos brasileiros em 2021. Setenta e cinco mil pessoas são um Maracanã cheio. Imaginem o estádio cheio de pais e mães, avôs e avós. Há um botão que abre os portões e os deixa ir para casa festejar o Natal de 2021 com suas famílias, lhes dá mais tempo com seus filhos e netos, dá a seus filhos e netos mais tempo com eles. A vacina apertou esse botão. Todos saíram e passaram o Natal de 2021 com suas famílias. A segunda conclusão do estudo é a seguinte: se a vacinação tivesse seguido exatamente o mesmo ritmo, mas começado um mês antes, 25 mil idosos que morreram em 2021 não teriam morrido. Se tivessem começado dois meses antes, 48 mil idosos que morreram em 2021 não teriam morrido. Mas Jair Bolsonaro apertou o botão de não comprar vacina. Todos no estádio morreram se debatendo por oxigênio. Seus filhos e netos choraram de saudade no Natal de 2021, como vão chorar nos próximos. Enquanto isso, Bolsonaro dançava funk em uma lancha. O novo estudo parte do princípio de que as vacinas teriam sido aplicadas no ritmo e no volume em que foram, de fato, aplicadas no Brasil em 2021. Mas a CPI provou que, se Bolsonaro não tivesse recusado as ofertas de Pfizer, Butantã e metade da oferta do Covax Facility, teria havido muito mais vacina, muito mais cedo. Como já disse aqui na coluna, o epidemiologista Pedro Hallal fez a conta de quantas pessoas teriam sido salvas até o final de maio se as ofertas da Pfizer e do Butantã tivessem sido aceitas. O resultado foi 95 mil. Uma arena do Palmeiras e arena do Corinthians somados. Imaginem esses estádios lotados de pais e mães, avôs e avós. Eles queriam voltar para casa para festejar o Natal de 2021 com suas famílias. Ainda não temos estimativas de quantos estádios cheios de mães e pais, avós e avôs, filhos e filhas, irmãos e irmãs, teriam sido salvos depois do final de maio, ou se Bolsonaro tivesse aceitado a outra metade da oferta do consórcio Covax Facility, ou se não tivesse sabotado o trabalho dos governadores, ou se não tivesse combatido o uso de máscaras, ou se tivesse implementado a testagem em massa com rastreamento de contato. Se alguém no governo tem como contestar esses números, o debate está aberto.” [Folha]

Encerro com essa indignação presidencial:

“Qual país não morreu gente? Qual país não morreu gente? Qual país não morreu gente? Responda! Olha, não vim me aborrecer aqui, por favor.” [Antagonista]

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2. Bomba fecal ambulante

Sim, ele mesmo, o excrementíssimo senhor presidente da república. E vbocês já asabem do que aconteceu, aqui vai só uma coisa ou outra, como o Queiroga sendo servil e cretino

“Bolsonaro, graças a Deus, está bem. Tenho informações que ele teve dores abdominais por conta daquele atentado contra ele, em 2018, e ainda hoje ele tem consequências, mas graças a Deus, ele está bem.” [UOL]

E nessas horas Adelio sempre volta à tona – Bolsonaro não segue as recomendações médicas, come tudo que não pode e a culpa é da facada, tá ok?!

“Bolsonaristas usaram as redes sociais para cobrar apuração pelo STF de supostos ataques e ameaças contra Bolsonaro após internação para tratar de obstrução intestinal. Marco Feliciano (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) cobraram ação do STF. Ao Painel Feliciano citou como ameaça um post em que o ator Zé de Abreu diz desejar que Bolsonaro exploda. “Alguma investigação, diligência ou atitude parecida será tomada com os donos das contas das mídias sociais que ameaçam e desrespeitam o presidente?”, questionou Feliciano no Twitter.” [Folha]

O Zé de Abreu é indefensável, mas não pode nem mais um “que se exploda”, é?!

“Ao compartilhar a postagem do ator, o filho 02 de Bolsonaro marcou a página do STF na plataforma. Outro que comentou os ataques foi o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten. Ele afirmou que “qualquer incentivo/ameaça à vida” do presidente “deveria ser considerada promoção da instabilidade institucional e da ordem democrática”.”

Bolsonaro ja falou isso aqui da DIlma ,

“Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, ou de qualquer maneira”, dispara e completa: “O Brasil não pode continuar sofrendo com uma ‘incompetenta’, somos grandes demais para isso”

Bolsonaro já falou em fuzilar FHC e colocar Chico Lopes no pau de arara, eu lembro… É esse pessoal que vem falar em ódio:

“Os bolsonaristas classificaram nas redes como “ódio do bem” postagens como a do ator e de outras páginas em que pessoas desejam a morte do presidente ou questionam a internação após passar mal durante as férias em Santa Catarina. “Esse ódio do bem está dando muita raiva. Polarizar sobre política é uma coisa. Desejar a morte é outra completamente diferente”, disse Carla Zambelli (PSL-SP) ao comentar postagem de Carlos Bolsonaro.”

E lá vem um maldito general:

“O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, pediu nas redes sociais uma corrente de orações por Bolsonaro. “Conclamo os amigos para uma corrente de oração pelo presidente da República Jair Bolsonaro. Ele está internado, em São Paulo, com obstrução intestinal, ainda como sequela da facada. Com a força de Deus e das nossas orações, prontamente ele estará de volta ao trabalho, que este ano será ainda mais duro” O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a internação é consequência da facada. “O presidente pelo que eu tenho informação —ainda não tive boletim oficial— mas como vocês sabem, foi vítima de um atentado gravíssimo em 2018 e em função disso ele tem consequência; tem dores abdominais e achou por bem levar para o hospital lá em São Paulo, mas até onde eu sei o presidente está bem”, afirmou na manhã desta segunda.” [Folha]

E Bolsonaro confessou que ele engoliu um camarão sem mastigar!

A equipe médica suspeita que a obstrução intestinal, com retenção de líquido na cavidade intestinal, seja resultado de má alimentação, não por excesso ou falta de atividades físicas.

Ah, e Bolsonaro esperou por um dia e meio a volta de seu médico, que passava férias nas Bahamas, o que é muito esquisito, só ele podia desarmar a bomba feca ambulante. Não acho que a facada tenha sido fake, mas acho que pode haver algo na barriga do presidente que a gente não sabe, só isso explica a espera pelo médico. Que por sinal é mó fofoqueiro do caralho:

“O clínico do presidente, Ricardo Camarinha, me ligou para falar da situação e, então, me comuniquei com o presidente. O Bolsonaro me falou “estou morrendo, Macedo. A coisa está ruim”.” [O Globo]

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3. 2022

Essa é uma daquelas notícias de meados de dezmebro mas os números são bem simbólicos:

“O índice de brasileiros que nunca acreditam no que diz o presidente Jair Bolsonaro (PL) bateu numericamente o recorde em seu mandato, diz a mais recente pesquisa do Datafolha. São agora 60% dos 3.666 ouvidos com 16 anos ou mais em 191 cidades que não acreditam na falação do presidente. Já 26% confiam às vezes e 13%, sempre no que afirma o mandatário.” [Folha]

O governo do “CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”, VIADO! Na pesquisa anterior, de setembro, “57% de nunca confiam, 28% de às vezes confiam e 15%, de sempre confiam”. e como de hábito os bolsonaristas colocarão a culpa na comunicação do governo, e não na vasta coleção de mentiras presidenciais!

“Como ocorreu em sua avaliação geral e nas intenções de voto, seu desempenho é pior entre os mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos (66% de desconfiança), nordestinos (68%) e, claro, entre os que reprovam o governo (91%). Já sempre confiam mais em Bolsonaro os mais ricos (21% para quem ganha de 5 a 10 mínimos e entre os que recebem mais de 10) e com mais de 60 anos (19%). Os moradores do Norte/Centro-Oeste, região associada a melhores índices do presidente, também acreditam mais nele (16%).”

E dizem que pobre não sabe votar, então tá, né…

“O levantamento revela que 4 em cada 10 apoiadores do presidente há três anos desertaram. Num hipotético cenário de segundo turno novamente com o PT, desta vez representado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 63% dos que votaram em Bolsonaro contra Haddad na última eleição repetiriam a dose agora. Já Lula conquista 26% dos antigos apoiadores de Bolsonaro, enquanto 10% votariam nulo ou branco. Em outras palavras, 1 em cada 4 eleitores que rejeitaram o candidato do PT em 2018 estão dispostos a apoiar o nome do partido agora. No universo dos que votaram em Haddad no segundo turno da eleição passada, 95% dizem que agora vão de Lula. Apenas 2% dos que rejeitaram Bolsonaro dizem ter mudado de ideia e pretendem apoiar o presidente agora.” [Folha]

E esse dado sobre os votos do Moro são importantes:

Num cenário hoje improvável de segundo turno entre Lula e o ex-ministro Sergio Moro (Podemos), a maioria dos apoiadores de Bolsonaro em 2018 favoreceria o antigo titular da Lava Jato, em que pesem as hostilidades entre ele e o presidente. ​Moro receberia 54% dos votos dos bolsonaristas, exatamente o dobro dos destinados ao petista, 27%.”

A real é que a boa é que Moro saia presidente pra sangrar Bolsonaro, mas tudo indica que ele vai sair senador, sua candidatura é um grande shitshow.

“Interlocutores próximos de Moro afirmam que, se ele não chegar a 15% nas enquetes até fevereiro, vai abandonar a intenção de assumir o lugar de Jair Bolsonaro e abraçará a meta de ser senador em 2023. No entorno de Moro, a avaliação é de que o ex-magistrado precisará ter um mandato no próximo ano, seja ele qual for. A ideia teria se cristalizado depois que o ministro Bruno Dantas, do TCU (Tribunal de Contas da União), mandou a consultoria americana Alvarez & Marsal revelar os serviços prestados e os valores pagos a Moro. Em nota enviada à coluna pela assessoria de imprensa, Moro afirmou: “Sou pré-candidato à Presidência, não ao Senado”. Ele também esclareceu que sempre foi contra o foro privilegiado e que não precisa de mandato. E completou: “Não tenho receio de qualquer investigação, muito menos a de Ministro do TCU sobre fato inexistente”.” [UOL]

E imagine o desespero no Palácio com o que vai abaixo:

“Para se ter uma ideia do desafio que a chamada terceira via enfrenta, o petista é lembrado na intenção de voto espontânea (sem a apresentação do cartão com os candidatos) por mais de um terço dos brasileiros, pouco menos do que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) alcançava na pergunta estimulada em dezembro de 1997, ano anterior à sua reeleição em primeiro turno. O atual presidente, por sua vez, é citado espontaneamente por 18% dos entrevistados, taxa próxima à obtida por Aécio Neves (PSDB) na pergunta estimulada de pesquisa feita pelo Datafolha em novembro de 2013, cerca de um ano antes do tucano disputar um segundo turno acirrado com Dilma Rousseff (PT). Todos que concorreram a um novo mandato desde a redemocratização estavam na frente nas pesquisas de intenções de voto realizadas no final do ano anterior ao pleito. Em 1997, FHC liderava com mais de dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Lula. Em dezembro de 2005, o petista ficava oito pontos à frente de Geraldo Alckmin na simulação em que o ex-governador de São Paulo era o candidato do PSDB e, em 2013, mesmo depois dos protestos que tomaram as ruas a partir de junho daquele ano, Dilma abria até 28 pontos de vantagem sobre Marina Silva (Rede) e Aécio Neves, em diferentes situações. A única exceção foi a liderança de José Serra (PSDB) sobre Lula (PT) um ano antes da reeleição do petista. Serra acabou disputando a eleição no estado e Alckmin foi o tucano que concorreu à Presidência.” [Folha]

Sobre rejeição:

“Segundo cálculo do Datafolha, apenas 9% rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro. E entre eles, nenhum candidato consegue a maioria dos votos –Sergio Moro (Podemos) recebe 40%, Ciro Gomes (PDT) 26%, Doria (PSDB) 11% e os brancos e nulos batem a marca dos 22%. Moro é rejeitado por 36% do núcleo mais fiel do bolsonarismo, índice superior em seis pontos à taxa verificada no total da amostra.”

E a capacidade de gestão verde-oliva etá sendo reconhecida, isso ninguém pode negar!

“Dois terços dos brasileiros avaliam que o presidente Jair Bolsonaro (PL) cuida mal do país, segundo aponta pesquisa do instituto Datafolha. Essa é a opinião de 65% dos entrevistados, contra 30% que acham que Bolsonaro cuida bem do Brasil. Não souberam responder 5% dos pesquisados. A avaliação positiva neste quesito é feita por 54% dos empresários entrevistados, contra 44% dos que acham que Bolsonaro não trata bem do Brasil.” [Folha]

E ao Bolsonaro só resta se rasgar de inveja:

“Para 51% dos brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o melhor presidente que o país já teve, conforme pesquisa do Datafolha divulgada neste domingo. Jair Bolsonaro foi avaliado como o pior da História por 48% dos entrevistados. Na lista dos melhores presidente da história, segundo o Datafolha, aparecem empatados em terceiro lugar o tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54), mencionados por 4% dos entrevistados.Juscelino Kubitschek (1956-61) foi lembrado e apontado como o melhor por 1%. O mesmo percentual tiveram também José Sarney (1985-90), Itamar Franco (1992-94), João Baptista Figueiredo (1979-85), Dilma Rousseff (2011-16), Jânio Quadros (1961) e Tancredo Neves (1985).” [O Globo]

E entre os evangélicos também:

“Para 43% dos evangélicos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o melhor presidente que o Brasil já teve. Isso é mais do que o dobro do montante (19%) que prefere Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Datafolha feita entre 13 e 16 de dezembro.. Quando a pergunta se inverte, qual o pior presidente que já comandou o Brasil, Bolsonaro leva a pior: 35% dos evangélicos lhe dão esse título, e 25%, a Lula. A média geral é de 48% e 18%, respectivamente —também mencionados, Fernando Collor (8%), Dilma (7%), FHC (2%) e José Sarney (2%). Num cenário em que Lula e Bolsonaro duelam no segundo turno, o empate técnico detectado em sondagens anteriores continua: 46% dos adeptos da fé evangélica optam pelo ex-mandatário, e 44% querem ver o atual ser reeleito. O líder do Executivo não é bem avaliado por evangélicos em geral, embora o quinhão religioso lhe seja menos arisco do que a média. Enquanto 53% do total de entrevistados avaliam a gestão bolsonarista como ruim ou péssima, 39% dos fiéis dizem o mesmo —em setembro, quando o instituto de pesquisa fez a pergunta pela última vez, 41% rejeitavam o governo.  No começo do ano, a proporção dos eleitores evangélicos que avaliam mal sua administração era de 30%. Pois subiu para 39%. Na via inversa, os 40% que a aprovavam são hoje 32%. [Folha]

E era pra falar mais por aqui da chapa Lula & Alckmin – por mim o cabeça de chapa e o vice seriam outros nomes, mas dada a realidade acho uma saída inteligente pra dewsnortear o outro lado e afastar a inacrdeitável pecha de radical. Como disse Franciel Cruz, a nomeaçao de Alckmin seria a segunda carta aos brasileiros do Lula. E com um fascista no poder não sou eu quem vou criticar, farei com gosto no primeiro dia de 2023. Mas essa cena aqui no jantar que uniu Lula e Alckmin é inacreditável:

“A amigos que a questionaram a respeito da ausência no evento, Dilma confirmou ter sido excluída, e confessou ter ficado surpresa com a falta de convite. Para esses interlocutores, a ex-presidente afirmou ter entendido que se tornou um problema político para Lula. Procurada pela equipe da coluna, a assessoria de Dilma afirmou apenas que ela estava em Porto Alegre no final de semana e tem evitado viajar por causa da pandemia de Covid-19. Isso porque, no jantar promovido pelo grupo de advogados Prerrogativas, estavam apoiadores do impeachment – como os presidentes do MDB e do PSD, Baleia Rossi e Gilberto Kassab, além do próprio Alckmin e da ex-prefeita Marta Suplicy, que ficou sentada na mesma mesa com Lula. A equipe da coluna questionou o organizador do evento, Marco Aurélio Carvalho, sobre a razão de Dilma não ter sido convidada. O coordenador o grupo Prerrogativas afirmou que “jamais deixaria de convidá-la”, e disse ter pedido ao deputado federal Rui Falcão para fazê-lo. O deputado, porém, disse que nunca recebeu tal missão. Questionado novamente, Carvalho disse que José Eduardo Cardozo, ex-ministro de Dilma, também ficou responsável pelo convite. Procurado, Cardozo não atendeu as nossas ligações. ” [Folha]

Cardozo enfim falou e…

“Ela afirma que não foi convidada para o evento —e seus interlocutores circularam a versão de que Dilma acredita ter virado um problema político para Lula. Já o organizador do jantar, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, diz ter certeza absoluta de que seu convite chegou à ex-presidente, por meio do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Ele afirma que ela era aguardada por todos. “Temos muito carinho e respeito pela Dilma. Sua presença seria uma alegria para todos nós. Lamento pelo ruído de comunicação”, afirma. O convite físico da ex-presidente, que, como o de qualquer outro convidado, seria entregue a ela na porta, segue com ele _ bem como a pulseira que ela usaria para ter acesso ao espaço reservado a Lula. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo confirma que conversou com Dilma sobre o jantar, “por telefone”. Mas “muito superficialmente”, segundo escreveu em um grupo de WhatsApp. Cobrado por Marco Aurélio se ela iria ao evento, Cardozo diz que voltou a procurá-la —mas não conseguiu novo contato. E assumiu a responsabilidade pelo desencontro. “Pessoal, tem tido alguma especulação sobre a não ida da Dilma no jantar. Gostaria de esclarecer que, de fato, o Marco me pediu que falasse com ela na época, logo que o jantar foi marcado. Eu por telefone falei com ela na época, mas muito superficialmente, ficando de falar com ela mais tarde. Posteriormente, na semana do jantar, o Marco me cobrou se ela iria, eu tentei falar com ela, inclusive porque era aniversário dela, e não consegui falar. Imaginando que alguma outra pessoa tivesse falado com ela eu acabei não fazendo mais nada. Portanto, se houve alguma culpa nesse episódio, ela é desse humilde subscritor que assume a responsabilidade e se penitencia”, escreveu o ex-ministro da Justiça no grupo de advogados. [Folha]

Ma voltemos à carta aos brasileiros, nessa entrevista com Renato Pereira, marqueteiro carioca:

“Se a aliança se efetivar, do ponto de vista eleitoral, ela pode significar uma vitória no primeiro turno. Certamente significa um fortalecimento da posição do Lula como um candidato mais ao centro já na própria eleição. O Alckmin tem um valor que não é da matemática eleitoral. A pergunta não é quantos votos ele soma ao Lula, mas sim o quanto permite ao Lula dialogar com setores mais amplos do eleitorado brasileiro e ter mais votos. O potencial de voto Lula mais Alckmin é superior do que se ele se aliasse a um empresário, alguém com perfil mais moderado, mas que não tivesse sido de um campo diretamente adversário. Quando você vota em alguém, vota por acreditar que esse alguém representa alguma coisa. [O eleitor] Tem que se sentir de alguma forma conectado em quem você vai votar. A aliança com um adversário tem um sentido de generosidade, de aproximação entre contrários e união. Isso acontece num contexto em que o atual presidente representa disrupção, uma retórica mais truculenta. Para o Alckmin, de fato, representa voltar ao jogo nacional. Mas não é só isso. É voltar num contexto em que a gente tem a democracia ameaçada, um país que não consegue sair do lugar, em que os conflitos políticos não encontram uma resultante minimamente positiva. A união entre eles parece um gesto de generosidade. Cada um perde alguma coisa. O Alckmin deixa de ser o comandante de um estado como São Paulo, o principal do país. O Lula abre mão de ser o protagonista solitário da sua volta por cima. Ele abre mão de uma revanche. No contexto de desunião que o país vive, quanto mais forte for a representação da união, mais capacidade você tem de vencer. Acho que Alckmin soma exatamente aí, mostrando que não é um discurso do Lula. É a prática do Lula. Gestos valem mais que palavra. O Alckmin é a “Carta ao Povo Brasileiro” de 2022.”

E essa parte aqui é interessante:

“No cenário atual, há um estudo do [cientista político] Alberto Almeida em que ele analisa, ao longo de 2021, como Lula consegue evoluir entre os eleitores que avaliam o governo Bolsonaro como ruim e péssimo. Há uma evolução percentual do ex-presidente neste grupo. Isso antes do Alckmin. No extremo oposto, entre quem avalia o governo como bom ou ótimo, o Bolsonaro cresce a sua participação. O que Alberto demonstra é que, a não ser que a tendência se inverta, há pouco espaço para uma terceira via. Com Alckmin, ainda menos. Além disso, as pessoas tendem a falar do cenário político brasileiro como polarizado. Mas o que a gente vê hoje é um cenário centralizado. O que dificulta ainda mais para a terceira via. Todos estão disputando o eleitor de centro. O Lula caminha para o centro, e a aliança com o Alckmin é mais um movimento importante nessa direção. O presidente Bolsonaro também fez isso no fim de 2021. Fortaleceu sua aliança com o centrão e parou de fazer manifestações de rua. O [Sergio] Moro também faz a mesma coisa, tentando se apresentar como um candidato não tão autoritário assim. [João] Doria e Ciro [Gomes] também. Estamos vivendo uma eleição que já é um segundo turno com a precipitação de alianças políticas. Geralmente no primeiro turno se busca constituir suas identidades, as fortalezas, e depois ter uma convergência com as alianças. Isso acontece hoje.”

E o cara acha que o piso do Bolsonaro é em 20%:

“Acho que sim. Ele mantém isso ao saber articular um sentimento de desconforto, humilhação e deslocamento que um contingente importante da sociedade brasileira tem em relação ao que se chama de establishment. Vivemos numa sociedade em que muita gente se sente deslocada, irrelevante ou desconfortável com comportamentos que se tornaram aceitos, a regra do jogo. Bolsonaro sempre foi muito atento a esses sentimentos. A religiosidade entra um pouco nessa história também. Evangélicos têm enfrentado preconceito há algum tempo. Tanto os crentes como os pastores. Eles estão cansados de serem desprezados ou mesmo humilhados enquanto estão fazendo uma história que é quase revolucionária. Estão lutando para melhorar de vida, empreendendo, organizando a sua família e conseguindo viver numa situação que é de periferia, mas altivamente. Você dá a volta por cima e ainda tem gente que diz que você não vale nada. Não perceber que o bolsonarismo sai do ventre da sociedade politicamente correta me impressiona muito.”

Do Gaspari:

“Nos anos 80 do século passado, quando o governo do general João Figueiredo agonizava, o general Golbery do Couto e Silva, que se demitira da chefia do Gabinete Civil, saiu-se com esta: “Você pode ir para todos os guichês de uma rodoviária, pedindo desconto na passagem. Vão negar, mas se uma vendedora aceitar o pedido, fará uma pergunta e você deverá respondê-la: Para onde o senhor quer ir?” Figueiredo não sabia. Bolsonaro acha que sabe.” [O Globo]

Vamos ao maldito mercado:

“Sob condição de anonimato, a Folha ouviu três banqueiros, dois gestores de fundos de investimentos e representantes setoriais da indústria, do agronegócio e do comércio. Com algumas nuances, todos são unânimes ao prever um segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Para eles, a viabilidade de um candidato “do meio” está cada vez mais distante. Dois fatores corroboram essa avaliação. No final de setembro, os principais banqueiros do país ainda apostavam numa terceira via com o lançamento do governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB-RS) como presidenciável. No entanto, a confusão das prévias do PSDB no final de novembro afastou ainda mais essa expectativa de sucesso da chamada terceira via. Na disputa, marcada por problemas no aplicativo desenvolvido para a votação, o governador de São Paulo João Doria venceu Leite por 54% a 45% dos votos. O presidente de um dos bancos mais importante de investimento afirmou que causou uma péssima impressão no mercado a mudança de tom dos tucanos, que trocaram acusações em público —o que denotou falta de coesão partidária— e a falta de unidade na construção de um nome forte para fazer frente a Bolsonaro e Lula. Outro episódio que arrefeceu o ânimo desse grupo de banqueiros foi o anúncio precoce de Sérgio Moro para o pleito pelo Podemos. Eles creem que o ex-ministro de Bolsonaro se precipitou em lançar-se como presidenciável e que sua estratégia com esse movimento, na verdade, mira uma vaga no Senado. Para eles, Moro, que começou nas pesquisas de intenção de voto com cerca de 4%, tem um teto, que deverá ficar restrito a 10% e desistirá da Presidência para concorrer como senador. O problema, ainda na avaliação desses executivos, será o senador Álvaro Dias, que também pleiteia a reeleição na única vaga do Paraná que será aberta nas eleições. Se Moro persistir como presidenciável, apostam numa pulverização do eleitorado, algo que fortalece ainda mais a polarização no segundo turno. Apesar do descrédito, o comando das principais instituições financeiras do país ainda aguarda a virada do ano e a movimentação entre partidos, considerando possíveis fusões partidárias e a construção de novas chapas com a possibilidade de surgimento de uma alternativa. Mesmo assim, dão esse cenário como algo remoto. Frisam que, neste momento, o quadro aponta para uma decisão entre Lula e Bolsonaro, com o petista mais forte em termos de apoio, diante de uma avaliação de que ele estaria mais apto para construir um time no Ministério da Economia capaz de consertar os estragos que Bolsonaro realizou ao desacreditar seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Para eles, ao longo de três anos, Guedes apresentou boas promessas de cunho liberalista, mas Bolsonaro impediu que essas entregas fossem realizadas com uma agenda política marcada pelo populismo de olho na campanha pela reeleição.” [Folha]

Aham, ada de errado com Guedes…

“Os banqueiros também veem um Lula mais populista na sua volta ao cenário político, mas consideram que os ganhos financeiros futuros para o país e para os negócios serão maiores com o petista do que com Bolsonaro.”

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4. Malditos em 2022

“Temendo incidentes de violência na eleição de outubro ou depois do pleito, o Exército Brasileiro decidiu alterar o seu cronograma de trabalho em 2022.” [Folha]

Alguém aí pensou em remake da bomba do RioCentro?! É questão de tempo, nem fodendo eles vão passar a faixa pro Lula de boa.

“Já houve situações semelhantes na década de 1990, mas decorrentes de falta de dinheiro para manter todas as operações e o trabalho na eleição. Mudança por risco percebido é algo inédito.”

Um risco criado e alimentado pelo governo MILITAR, repleto de generais senis.!

“As conversas do Alto-Comando do Exército sempre giram em torno do tema da polarização, levando em conta o cenário atual das pesquisas eleitorais.”

Spiderman GIFs | Tenor

Inacreitável! Que polarização?! A ameaça de violência vem da extrema-direwita, porra!

“Ou seja, uma disputa em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sai com favoritismo, buscando ganhar no primeiro turno, e na qual o atual titular do Planalto, Jair Bolsonaro (PL), ainda ocupa a segunda posição, apesar da precariedade da curva de seus números. Generais e outros oficiais temem que a animosidade que consideram inevitável entre os dois grupos possa descambar para incidentes pontuais de violência ou contaminar discussões nas disputas estaduais —levando ao eventual pedido de socorro às Forças, que já estarão mobilizadas para o pleito deste ano.”

O que me leva ao Trump, o dia 6 de janeiro não deu certo para os Trumpistas porque faltou a esquerda na rua:

“Of course, Trump didn’t ultimately declare such an emergency. But a series of new revelations has now deepened our understanding of what happened — and, just as important, what didn’t happen — on Jan. 6, and thus shed a lot of light on just how close America came to a full-blown coup attempt. Nearly one year ago, there were a lot of loose threads about the events of Jan. 6 — and the violence that disrupted but didn’t prevent the official certification of Biden’s election victory — that didn’t seem to add up. Why was the Capitol so lightly defended, and why didn’t National Guard troops respond for hours as the building was overrun? Why didn’t the most militant groups, like the Oath Keepers, fight harder once the Capitol had been breached, and what was Trump himself doing as he watched the events unfold? Now we know that learning what was happening behind the scenes at the Pentagon, which has operational control over the National Guard in Washington, D.C., may be the critical link to understanding how Trump’s inner circle thought it could stop the certification of Biden, and why it ultimately could not. A tell came exactly one year ago on Jan. 3, 2021, with a stunning op-ed from all 10 living ex-Pentagon chiefs warning against a role for the military in the election. This came after Trump spent the weeks after Election Day replacing many Pentagon higher-ups with hard-core loyalists. But we now know the Joint Chiefs chair, Gen. Mark Milley, and the permanent military brass worked hard to make sure the National Guard didn’t get involved on Jan. 6 — thus blocking any chance troops would support a coup, yet also raising understandable questions why they didn’t quickly respond to violent pro-Trump insurrectionists. Trump wouldn’t invoke the Insurrection Act against his own people — but his team fully expected bloody clashes with left-wing counterprotesters whom POTUS 45 had been pumping up as a threat for weeks. We now know, from the House investigation, that Trump’s chief of staff Mark Meadows stated in an email on Jan. 5 that the Guard was expected to act to “protect” pro-Trump demonstrators. Likewise, hard-core armed members of the militarized Oath Keepers were making plans to wait in a staging area in an Arlington motel. What were Meadows, the Guard, Trump’s embedded allies in the Pentagon, and the Oath Keepers all waiting for? Presumably what they’d seen throughout 2020, peaking with mayhem in D.C. streets during a kind of trial run on Dec. 12, 2020 — violent clashes between Trumpists and left-wing counterprotesters. But leftists smartly stayed home on Jan. 6, egged on by a social media hashtag #DontTakeTheBait. Lacking the expected trigger for invoking the Insurrection Act and perhaps declaring a “national emergency,” both Trump and the Pentagon-led National Guard both were AWOL for hours.” [Inquirer]

Sim, o general mais graduado americano segurou a Guarda Nacional pois tinha medo que ela ficasse a favor dos trumpists, esse paradoxo aí é doideira!

Voltemos à matéria da Folha:

“Mais reservadamente ainda, esses chefes militares especulam sobre como os apoiadores de Bolsonaro, que veem como mais radicalizados neste momento, irão reagir se o líder perder a eleição ou nem se qualificar a um eventual segundo turno. É o famoso “cenário Capitólio”, embora haja dúvidas acerca do real risco de isso acontecer nos dois meses restantes deste mandato do capitão reformado do Exército, em que pese a incerteza acerca das mais bolsonaristas polícias militares. Há meses, políticos e militares discutem a hipótese, ante a desidratação da aprovação e da intenção de voto de Bolsonaro, que segundo o Datafolha tem os mesmos 22% nos dois quesitos. O ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública Raul Jungmann alertou em um artigo na Folha, em junho passado, para o que chamou de “pior cenário”. “Imaginemos o seguinte cenário: o atual presidente não se reelege e, como já vem fazendo, acusa o sistema eletrônico de votação de fraude, exigindo a anulação do pleito. Seguidores radicais seus, dentre eles militantes, policiais, caminhoneiros etc., entram em choque com manifestantes da oposição”, especulou. Nessa visão, o governador do estado em que o fato ocorre entra em pânico e pede uma GLO (Operação de Garantia da Lei e da Ordem) para conter a crise. Bolsonaro se recusa a mandar as Forças Armadas, o chefe estadual procura ajuda do Supremo e um gravíssimo impasse constitucional está colocado. No meio de tudo, estariam os militares. Segundo a reportagem ouviu de altos oficiais, não só do Exército mas também de outras Forças, tal hipótese é vista como bastante improvável.”

Assim como era improvável que os fardados protagonizariam o PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA!

“Eles citam o fato de que as manifestações golpistas do presidente no 7 de Setembro passado não descambaram para violência, apesar das ameaças de caminhoneiros presentes em Brasília.”

E não descambaram porque Bolsonaro peidou. E porque a esquerda não foi pra rua em Brasília. E eis o mais inacreditável dos parágrafos:

“Observadores da cena militar apontam, contudo, HABILIDADE POLÍTICA do atual comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira. Enquanto seu antecessor, Edson Pujol, fazia questão de estabelecer a risca entre serviço ativo e reserva, além de criticar a politização da Força, PS, como é conhecido, JOGA SOBRE O FIO DA NAVALHA.”

Habilidade política de general já é algo esquistíssimo, mas essa habilidade ser andar no fio da navalha, puta que pariu!

“A crítica a Lula se mantém, principalmente pelas acusações de corrupção em seus governos, embora os fardados mais graduados sempre citem anos do petista como um período de vacas gordas orçamentárias. Mas todo oficial-general da ativa diz que será prestada continência a qualquer pessoa eleita em outubro.”

Era só o que me faltava…

“O Exército é o ator majoritário por ser a Força terrestre por excelência e somar cerca de 60% dos 360 mil militares brasileiros.”

Hum, não sei porque mas acho que a gente tem que reduzir as forças armadas em 60%, hein! Deixa só Marinha e Aeronáutica, que é o que importa de fato pra gente, e o que gera tecnologia pra indústria.

Passemos ao general que supervisionará a eleição.

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“O general Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da defesa de Bolsonaro, ocupará a direção-geral do TSE durante a campanha presidencial de 2022. Isto é: quem vai decidir se a eleição valeu será um sujeito armado que até outro dia era funcionário de um dos candidatos.” [Folha]

Um general!

“Azevedo e Silva já desempenhou papel semelhante na eleição passada: por algum motivo até hoje inexplicado, foi assessor de Toffoli no STF durante a eleição de 2018.”

Se isso dói em mim imagine o Lula lendo isso – e lembrando que a indicação do petista não gosta de falar em ditadura, ele prefere “MOVIMENTO”

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“Naquela oportunidade, o STF decidiu que Lula, que tinha 38% nas pesquisas, não poderia concorrer contra Bolsonaro, que tinha 18%. Bolsonaro venceu e nomeou Azevedo para a Defesa. Se o leitor conhecer caso semelhante ocorrido em país de democracia estável, peço que envie carta para a Redação. Defensores da nomeação argumentam que um general no TSE apaziguará os defensores de Bolsonaro. O presidente da República já deixou claro que, em caso de derrota (e, portanto, prisão automática pelos crimes da pandemia), mentirá que houve fraude e tentará um golpe.”

Sabe um troço que provavelmente desestimulará uma aventura golpista em 2022?! O 6 de janeiro de 2021 em Wasington, e isso deveria virar tópico mas não vai, mas o parça do Giulliani tá prestes a caguetar Trump, ele tem uma carta incriminadora do Trump em mãos, e o inquérito lá sobre a invasão caminha, com muitas provas. E se aproxima o momento em que muitos parlamentares republicanos que apoiaram a invasão não poderão se candidatar, ou pelo menos é isso o que manda a lei. Vejamos no que dará.

“Não há, naturalmente, nenhuma apreensão honesta a ser apaziguada. Os defensores de Bolsonaro não acham, sinceramente, que as urnas eletrônicas são fraudadas. Eles estão, do primeiro ao último, mentindo. Se não houver essa desculpa para tentar um golpe, eles usarão outra. Os bolsonaristas devem ser desarmados, não refutados. E mesmo se fossem sinceros, a nomeação de Azevedo foge à regra. Em 2018, os eleitores de Lula contestavam a decisão judicial que tirou o ex-presidente da eleição. Ninguém nomeou Gleisi Hoffman para a direção do TSE como forma de tranquilizá-los. A diferença, é claro, é que os militantes do PT estavam desarmados. Supondo que a nomeação de Azevedo tranquilizará os golpistas, porque não deveria inquietar a imensa maioria do eleitorado, que, a crer nas pesquisas, pretende votar na oposição? Se Lula ou outro oposicionista vencer por grande vantagem, pode não fazer diferença: ninguém vai conseguir fraudar uma eleição que perdeu por 30 pontos percentuais. Mas e se a eleição for equilibrada? Se Bolsonaro vencer por pouco, se for para o segundo turno por pouco? Não deve haver militares no TSE em uma eleição em que um dos candidatos passou quatro anos tentando cooptar as forças armadas para um golpe de estado, sobretudo se o militar em questão foi ministro da defesa do referido candidato, sobretudo se o foi depois de ter supervisionado a eleição anterior sem ter qualquer direito de fazê-lo, e, sinceramente, eu tenho vergonha de ter que explicar isso.”

Celso é dos nossos!

“Segundo a revista Veja, a nomeação de Azevedo foi ideia dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Edson Fachin. Em democracias estáveis, ministros da Suprema Corte não precisam se preocupar em acalmar golpistas. Certamente não precisam fazê-lo com o mesmo general por duas eleições seguidas.”

Na mosca

“De qualquer forma, lanço um apelo àquela turma do comentariado brasileiro que sempre defendeu que Bolsonaro não representava risco à nossa democracia: lancem um manifesto contra a nomeação de Azevedo. Ela dá munição a alarmistas como eu: se a ameaça de Bolsonaro não é real, por que a nomeação do general foi necessária? Ela foi conduzida por ministros do STF sob aplauso generalizado do establishment político e econômico. Será que essa turma toda também foi enganada pelo livro do Levitsky?”

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5. Servidores e policiais

“Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) promete reajuste salarial a policiais federais, cerca de 1 milhão de servidores ativos, aposentados e pensionistas estão com a remuneração congelada há cinco anos. A última parcela de aumento para esse grupo foi concedida em 1º de janeiro de 2017. São servidores de órgãos como Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Funai (Fundação Nacional do Índio), Abin (Agência Brasileira de Inteligência), além de carreiras médicas e ligadas à Previdência. O dado foi levantado pelo Ministério da Economia a pedido da Folha. As categorias desse grupo tiveram um aumento médio de 10,8%, parcelado em dois anos (2016 e 2017). Outros 253 mil servidores tiveram o último reajuste aplicado em 1º de janeiro de 2019. Foi a quarta parcela de um aumento total médio de 27,9%. É nesse segundo grupo que estão a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Juntas, as duas corporações têm 45,3 mil servidores ativos e inativos, segundo dados do Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Economia. O relator-geral do Orçamento, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), ignorou o pedido do ministro Paulo Guedes (Economia) para reservar R$ 2,5 bilhões à concessão de reajuste para as corporações policiais. A solicitação atendia a uma determinação de Bolsonaro. Mesmo assim, o presidente segue determinado a conceder a benesse a essas categorias, que compõem sua base de apoio. Recentemente, os policiais vinham se queixando de não terem recebido benefícios durante o governo Bolsonaro, ao contrário dos militares. O tratamento diferenciado desperta a indignação das categorias preteridas, que também são as que estão na base da pirâmide dos salários. “É lamentável que queiram fazer essa seletividade. Não somos contra o reajuste, mas não é justo que façam isso para um setor e deixem os demais no limbo”, disse Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal). Ele destacou que, do início de 2017 até novembro de 2021, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) já subiu 27,22%. Enquanto isso, as categorias não tiveram nenhum tipo de reposição. “São as carreiras com menor salário da administração pública. É esse [grupo] que está sendo o mais penalizado”, afirmou Silva. Na PF, a remuneração de um agente vai de R$ 12.522,50 a R$ 18.651,79 por mês. Os delegados, por sua vez, ganham de R$ 23.692,74 a R$ 30.936,91. Na PRF, os vencimentos vão de R$ 9.899,88 a R$ 16.552,34 mensais. A pirâmide salarial do Executivo federal, porém, mostra que 4,72% dos servidores ativos recebem até R$ 3.000 mensais. Outros 23,54% ganham entre R$ 3.000 e R$ 6.000. Entre inativos, a proporção nessas faixas é ainda maior. Ao todo, quatro em cada dez aposentados do Executivo federal recebem até R$ 6.000 ao mês. Os agentes do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) são os únicos agraciados por Bolsonaro que estão no grupo com salários congelados há mais tempo, desde 2017. A remuneração da categoria hoje vai de R$ 5.572,23 a R$ 10.357,30. “Se o relator [do Orçamento] tiver de acatar, que seja para todos. Não de forma seletiva, como estão querendo fazer, segregando o funcionalismo”, disse o secretário da Condsef. A recusa de Leal em incluir a despesa com reajuste de policiais no Orçamento foi fundamentada em uma nota técnica de consultores do Congresso. O texto apontou como obstáculos a inexistência de um projeto de lei em tramitação, como exigido pela LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), e a necessidade de cancelar outras despesas para compensar o gasto extra. A questão do projeto de lei pode ser resolvida mais facilmente, na avaliação de técnicos da área econômica. A compensação é considerada mais difícil porque o Congresso destinou R$ 16,5 bilhões às chamadas emendas de relator e ampliou o fundão eleitoral a R$ 5,1 bilhões.” [Folha]

Passemos à Receita:

“A adesão ao movimento de auditores da Receita Federal de entrega de cargos de chefia após o Congresso prever no Orçamento de 2022 reajuste salarial para policiais federais cresceu nesta quinta-feira (23). A mobilização da categoria chegou ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). O órgão é responsável por julgar disputas tributárias entre a União e contribuintes. Segundo o Sindifisco (sindicato da categoria), 44 auditores deixaram os cargos de conselheiros. Com a medida, eles irão voltar para funções na Receita. Ao todo, 635 auditores já abriram mão de cargos comissionados. Também houve 17 exonerações na Copei (Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita), órgão de combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e aos crimes financeiros. O movimento é uma resposta à aprovação do Orçamento por deputados e senadores na terça (21) com um pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), de contemplar com aumento de salário os policiais, sua base política, em ano eleitoral. Nesta quinta, o Sindifisco afirmou que a entrega dos cargos de conselheiros do Cart têm potencial para já começar a afetar o julgamento de recursos no órgão. “A entrega de cargos envolve o compromisso de que ninguém irá ocupar o cargo que o outro entregou”, afirmou o sindicato, em nota. A entidade realizou uma assembleia nesta quinta-feira e aprovou indicativo de paralisação das atividades. Os auditores aprovaram cinco indicativos de maneira quase unânime – com o voto favorável de 97% dos 4.287 participantes.. A insatisfação dos servidores da Receita não é isolada. Após a debandada no órgão, funcionários públicos de outras áreas começaram a reclamar da benesse aos policiais. Também nesta quarta, a associação dos funcionários do Ipea divulgou uma nota se queixando da falta de reajuste salarial, mesmo após enviarem ofícios à Economia com pedido de reposição de perda inflacionária. O documento foi publicado após reunião com o presidente do órgão, Carlos Von Doellinger. “Diante dos encaminhamentos da reunião e sem mesa de negociação para a questão salarial, a postura do governo tem mostrado que será necessário um engajamento mais amplo do conjunto de servidores civis federais para reverter esse quadro”, disse a entidade, na nota. A ANMP (Associação Nacional de Médicos Peritos) chamou de humilhação e “uma das maiores atrocidades” do governo federal contra a carreira a ausência de recomposição salarial em 2022, diante do aumento da inflação. Não há ameaça de paralisação, porém, em nota, faltam em “medidas mais gravosas”. Já na terça, a insatisfação com o aumento dos policiais havia alcançado servidores do BC. Fábio Faiad, presidente do Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), disse que a medida traria uma assimetria injusta porque os salários iniciais de policial federal seriam maiores que os valores de final de carreira dos servidores do BC. [Folha]

E vai assim até o meio do ano:

“O presidente da Fonacate, associação que representa funcionários de diversas áreas do setor público, Rudinei Marques, diz que a briga por reajuste vai até o prazo final que o governo federal tem para conceder benefícios desse tipo, até seis meses antes da eleição. O Fonacate (Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado) reúne as associações de servidores de diversas carreiras federais, entre elas os próprios policiais, que somam cerca de 200 mil funcionários públicos. “O governo federal pode conceder reajuste até 6 meses antes da eleição, ou seja, temos até o final de março para assegurar alguma coisa”, disse Marques. Antes da aprovação, ele afirmou estranhar o aumento somente para as carreiras de segurança e afirmou que o reajuste iria “agradar 30 mil servidores para desagradar 1 milhão”.” [Folha]

Passo ao Elio Gaspari:

“Só um inimigo de Bolsonaro seria capaz de propor que, às vésperas do fim do ano, ele entrasse em campo para obter um reajuste salarial dos policiais federais, e só deles. Colheu a devolução de mais de 500 cargos de confiança da Receita Federal e uma ameaça de greve. O presidente que prometeu acabar com o ativismo, fabricou-o mobilizando contra o governo funcionários concursados, nada a ver com a cumbuca de nomeações dos políticos amigos. O que o Planalto pode dizer a um servidor cuja categoria tem um pleito funcional e chegou em casa tendo que explicar à família que ficou de fora da generosidade presidencial? O estilo Bolsonaro de gestão já encrencou com o Inep, o Iphan, o Inmetro e a Anvisa. Cada encrenca deixou cicatrizes, até que explodiu a crise da Receita. O doutor Paulo Guedes, parceiro da manobra, talvez possa contar ao capitão o que é o “efeito do túnel”, descrito pelo economista Albert Hirschman (1915-2012). Ele celebrizou-se explicando de maneira simples problemas que seus colegas expõem de forma complicada.. O “efeito do túnel” relaciona-se com a distribuição de renda. Se duas fileiras de carros estão engarrafadas num túnel e ambas se movem lentamente, os motoristas aceitam o contratempo. Se uma fileira começa a andar mais rápido, quem está parado acha que o jogo está trapaceado. Bolsonaro gosta de arriscar, mas mesmo sabendo-se que Hirschman talvez não seja flor do orquidário de Guedes, pouco custaria ao doutor pela universidade de Chicago explicá-lo ao capitão. Os servidores públicos, como todos os trabalhadores, perderam renda. Com o ativismo em favor dos policiais, Bolsonaro mobilizou a insatisfação. [O Globo]

Passo à Míriam Leitão:

“O governo criou a própria crise ao conceder reajuste somente para os policiais federais. Agora a elite do funcionalismo ameaça greve e está entregando cargos em comissão. Os servidores estão sem aumento desde o governo Temer, mas com a pandemia não tiveram redução nominal de salários como os empregados dos setor privado O governo sempre encontrou uma forma de beneficiar os setores que o presidente quer. No caso dos militares, o benefício veio na reforma da previdência. O soldo não é reajustado, mas com a reestruturação da carreira recebem acréscimos. Agora o presidente se mobilizou para que haja o reajuste da Polícia Federal, que não resolve o grande problema da corporação, que é a intervenção em determinados assuntos de forma grosseira. Trocando delegados e fazendo perseguição a quem investiga assuntos que envolvam o presidente e seus familiares. O cala-boca veio através do aumento de salário. Mas provocou a reação de outras áreas, até porque Bolsonaro havia falado antes em reajuste para todo o funcionalismo. Houve entrega de cargos em comissão da Receita Federal, e o movimento se espalhou para o Banco Central. A elite do funcionalismo está em pé de guerra porque o presidente fez uma escolha e detonou um processo de contágio. O presidente está em ano eleitoral e não demonstrou nenhuma aderência à pauta de controle de gastos públicos. Para os preferidos, não há lei. Então, o presidente vai acabar tendo que ceder, dando pelo menos algum tipo de ajuste. As categorias mais fortes e organizadas vão conseguir se importar, as mais fracas não terão vez.” [Folha]

E Guedes se debate coimo pode:

“Paulo Guedes enviou anteontem um texto a Jair Bolsonaro, colegas da Esplanada dos Ministérios e para integrantes de sua equipe econômica alertando para o risco que terá para a economia do Brasil se houver reajustes salariais em todas as categorias de servidores federais. Para Guedes, “quem pede aumento agora não quer pagar pela guerra contra o vírus” e “está dizendo: ‘já tomei minha vacina, agora quero reposição de salário, não vou pagar pela guerra ao vírus'”. E insiste que só após uma reforma administrativa, reajustes e reposições salariais poderiam ser dados: “Sem isso, reajuste geral para o funcionalismo é inflação subindo”. Alerta ainda que “estamos em economia de guerra contra a pandemia”. O contexto do recado do ministro é a porteira que foi aberta a partir dos reajustes, apoiados sobretudo por Bolsonaro, dos policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários. Está marcada para amanhã uma reunião de 30 categorias do serviço público para decidir se paralisam suas atividades como forma de pressionar pela extensão generalizada do reajuste. No texto enviado, Guedes prega como solução a reestruturação das carreiras federais, “melhor ainda se dentro de uma reforma administrativa”. Afirma que a reforma cortaria “R$ 30 bilhões por ano e, assim, poderia aumentar 10% dos salários do funcionalismo após a reforma”. Guedes comparou um eventual reajuste salarial neste momento à tragédia de Brumadinho: “Temos que ficar firmes. Sem isso, é Brumadinho: pequenos vazamentos sucessivos até explodir barragem e morrerem todos na lama”.” [O Globo]

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6. Se filho da puta voasse…

… não se veria a luz do sol!

“O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi categórico ao afirmar que a meta principal da autoridade monetária é combater a inflação e, por conta disso, o BC pretende continuar elevando os juros o quanto for necessário para ancorar as expectativas do mercado, adotando um ciclo mais contracionista. Apesar de negar prever recessão no país em 2022, o presidente do BC sinalizou que, se necessário, continuará elevando os juros, em detrimento da atividade, e admitiu que não sabe qual será a taxa básica de juros (Selic) no fim do ciclo de alta iniciado em março. “Os exemplos brasileiros mostram que você tem que colocar o país em recessão para recuperar a credibilidade”, afirmou Campos Neto, nesta quinta-feira (16/12), durante entrevista virtual com jornalistas sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Ele admitiu a necessidade de o BC continuar elevando os juros para conter as expectativas. “Tudo está muito relacionado em um país como o Brasil com herança inflacionária recente. E entendemos que, para assegurar a inflação no centro da meta, é muito bom avançar nesse processo de normalização e passar a mensagem de que vamos seguir a meta. O proce” [Correio Braziliense]

Alguém tinha era que emendar um tapa na cara desse cretino, porra, isso sim!

““Nós entendemos que a ancoragem da inflação é o elemento mais importante para estabilizar o crescimento de longo prazo, a parte fiscal. E nós entendemos que vamos de novo estar passando por um processo que, sim, você vai ter uma elevação de juros com um crescimento na margem que não é muito elevado. Mas, nós entendemos que , se isso for feito de forma a ter credibilidade e com transparência, esse é o melhor remédio para maximizar o que entendemos que são as condições ideais de crescimento futuro”, afirmou.”

Como é que vai crescer com recessão?!

“Ao ser questionado sobre os erros na condução da política monetária ao deixar a taxa básica de juros (Selic) em um patamar muito baixo, de 2% ao ano, por um período muito longo, Campos Neto justificou que, “naquela época”, os bancos centrais trabalhavam com um cenário de depressão econômica.  “Nós reajustamos as expectativas à medida que os dados foram surgindo”, afirmou.”

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7. Metas

O 171 do Ricardo Barros, líder do governo, apresentou à Folha um papel com as metas da gestão do governo, o que tá riscado ele considera “realizado”. Nada de reforma tributária, até X tem, e nada de administrativa, os dois principais objetivos do governo em 21. E nem Renda Brasil

“O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), tem sobre a mesa de seu gabinete uma lista de papel com as metas da gestão de Jair Bolsonaro (PL). O documento tem como título “Ministério da Economia”, mas conta 25 itens que envolvem temas da alçada de Paulo Guedes até a chamada pauta de costume do bolsonarismo. Entre os temas considerados cumpridos, estão a independência do Banco Central, o marco legal do gás natural e a privatização da Eletrobras. Na parte do que empacou, as reformas estruturantes do sistema tributário e administrativo, além de privatizações, que se resumiu à Eletrobras e aos Correios —essa última, travada pelo Senado. Do total de 25 itens da lista de Barros, cerca de metade deles deles ainda aparecem sem riscos, ou seja, metas ainda não atingidas. Doze constam como cumpridos. Barros diz considerar o desempenho excelente. Apesar de ainda ter um ano para o fim do mandato de Jair Bolsonaro, 2022 é mais curto por ser ano eleitoral. Ao menos um dos temas, a reforma tributária, aparece com um ‘x’, sendo uma indicação de que já não é contabilizada como objetivo alcançável. Considerada com chances remotas, a reforma administrativa ainda sobrevive nas anotações de Barros. Há dez dias, em conversa com empresários, Guedes foi cobrado e pediu ajuda para tentar aprovar o texto.” [Folha]

Eles queriam aprovar ainda mais liberação de armas e se foderam, assim como regularização fundiária, chupa, Nabhan Garcia! E ri largado com esse “pacto federativo” escrito a mão e que falhou miseravelmente, apesar do esforço do Fux.

E como eu não sei em qual tófica enfiar essa entrevista da Tebet vai aqui mesmo:

E olha essa da Tebet:

“Ninguém podia imaginar uma gestão tão ruim, nem que o presidente Bolsonaro pudesse entrar para a história como o pior presidente da história do Brasil. Ninguém imaginava que ele poderia namorar com o autoritarismo ou ameaçar as instituições democráticas e tentar mudar todo o pensamento de uma geração com o discurso de ódio contra as minorias.” [DN]

E ela prefere não revelar seu voto óbvio:

“Eu não costumo declarar voto, então não vou dizer em quem votei, nem em quem votaria no ano que vem se eu não for para a segunda volta. Acho que o voto é secreto, acredito que é uma escolha pessoal e como pré-candidata eu creio que tenho condições de estar na segunda volta contra um dos dois candidatos que hoje se apresenta nas pesquisas como maioritário.”

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8. Jovem Klan

JR Guzzo escrevia absurdos na Veja e agora escreve pra Jovem Pan, olha o naipe do título: “O que aconteceria se o governo mandasse o STF passear?“. Sim, e se o governo mandasse o STF tomar no cu! No sub-título o sujeito enfileirou as seguintes palavras: “Pode se dizer, com grande margem de segurança, que rigorosamente nada mudaria: todo mundo iria seguir trabalhando, os boletos bancários continuariam vencendo e os ônibus sairiam das rodoviárias”, eu juro!

“Imagine por um instante – só por curiosidade, certo? (Só por curiosidade; é claro que ninguém aqui está sugerindo nada, pelo amor de Deus, e muito menos qualquer tipo de ato antidemocrático.)” [Não vou lincar JP nem fodendo]

É daí pra baixo…

“Então: imagine por um instante o que aconteceria se um dia desses o presidente da República, ou alguém do seu governo, recebesse a milésima ordem do Supremo Tribunal Federal para explicar “em 48 horas”, ou “três dias”, ou coisa que o valha, por que fez isso ou por que deixou de fazer aquilo, e não desse resposta nenhuma. O que aconteceria, em outras palavras, se dissesse ao ministro Barroso, ou ao ministro Alexandre, ou à ministra Rosa, ou qualquer um dos onze: “Olha, ministro tal, vá para o diabo que o carregue”? Como nunca aconteceu até hoje, e como nunca o STF mandou o presidente da República explicar seja lá o que fosse em nenhum governo anterior ao atual, não dá para responder com certeza científica; falta, como se diz, a prova da experiência. Mas pela Lei das Probabilidades, que no fundo vale bem mais que muita lei aprovada por esse Congresso que está aí, pode se dizer com grande margem de segurança que não iria acontecer rigorosamente nada. Claro, claro: a mídia ia ficar enlouquecida, mais do que em qualquer momento do governo de Jair Bolsonaro, e o centro liberal-civilizado-moderno-intelectual-etc. entraria numa crise imediata de histeria.”

Eles adoram a palavra histeria, é impressionante…

“As instituições, iriam gritar todos, as instituições: o que esse homem fez com as nossas sagradas instituições, meu Deus do céu? A Constituição Cidadã está sendo rasgada. A democracia acaba de ser exterminada no Brasil. É golpe. É ditadura militar. Mas seria só uma crise de nervos no mundinho da elite, mais nada. Na prática, e nas coisas que realmente interessam, o governo poderia mandar o STF não encher mais a paciência, pronto – e não mudaria absolutamente coisa nenhuma. Os colégios chiques continuariam a aumentar as mensalidades, e a chamar seus alunos de alunes”

Miserável…

“A população, com certeza, estaria pouco se lixando para a indignação do STF, das gangues políticas, da elite meia-boca a bordo dos seus SUVs, das classes pensantes e dos banqueiros de investimento de esquerda;”

Sim, banqueiros de investimento de esquerda!

“Todo mundo iria continuar trabalhando. Os boletos bancários continuariam vencendo. Os ônibus continuariam saindo das rodoviárias. Os serviços de água encanada, energia elétrica e coleta de lixo, nos lugares em que existem, continuariam funcionando. Ninguém iria desmarcar uma consulta médica, nem faltar a um compromisso, nem fazer qualquer coisa diferente. Nenhum país iria romper relações com o Brasil. Os evangélicos iriam ouvir o pastor nas igrejas. Os portos continuariam a embarcar soja. Os colégios chiques continuariam a aumentar as mensalidades e a chamar seus alunos de alunes. A centésima-primeira variante do vírus iria aparecer num canto qualquer. É possível, até, que a Bolsa de Valores subisse. Enfim: a solidariedade, o respeito e o apreço dos brasileiros pelo STF e pelo resto das nossas “instituições democráticas” permaneceriam exatamente onde estão, ou seja, no zero absoluto. E, de mais a mais, o que os ministros do STF, o “Jornal Nacional” e todos os demais indignados poderiam fazer na prática? Chamar o Exército para prender o presidente da República? Chamar a PM de Brasília? Chamar a tropa da ONU? Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, esses que estão aí hoje, iriam fazer algum gesto heroico de “resistência”? Rolaria, enfim, o impeachment que não rolou até agora? Lula, o PT e a CUT iriam decretar uma greve geral por tempo indeterminado, até a queda do governo? A verdade é que não existe, na vida como ela é, nenhum meio realmente eficaz para se exigir obediência do Executivo se ele não quiser obedecer.”

É um pedido desesperado pra Bolsonaro trucar!

“Não só do Executivo, por sinal – do Legislativo também não. Ainda outro dia, por exemplo, aconteceu exatamente isso. Foi a primeira vez, mas aconteceu: a ministra Rosa, em mais um desses acessos de mania de grandeza que são a marca do STF de hoje, anulou uma lei aprovada pela Câmara – e a Câmara não tomou conhecimento da anulação. Tratava-se, no caso, de um projeto que afetava diretamente o bolso dos deputados, entregando a eles bilhões em “emendas parlamentares”. Aí não: a decisão foi ignorada, a lei continuou valendo e depois de muito fingimento de parte a parte, para disfarçar o naufrágio da decisão do STF, ficou tudo como estava. Não há nenhum sinal, entretanto, de que possa acontecer alguma coisa parecida com a atual Presidência da República. Poucas vezes na história deste país, ou nunca, se viu um governo tão banana quanto o que está hoje no Palácio do Planalto. Tem muita “laive”, passeata de motocicleta e implicância com a vacina, mas comandar que é bom, como determina a lei e como o eleitorado decidiu, muito pouco, ou nada. Para começar, o Executivo não controla nem a metade do orçamento federal; o resto poderia estar sendo gasto no Paraguai. O presidente não manda na máquina pública; não pode nomear nem o diretor da Polícia Federal. Também não pode demitir. Cada um faz mais ou menos o que bem entende, frequentemente em obediência ao PT e a grupos de esquerda. O governo dá ordens que são pura e simplesmente ignoradas. Decidiu que não poderia haver demissões de empregados que não tivessem tomado vacina; um tribunal qualquer, desses que se reproduzem como coelhos em Brasília, decidiu o contrário e ficou por isso mesmo. As secretarias estaduais de saúde dão ordens opostas às do Ministério da Saúde; o que fica valendo é a decisão das secretarias. O procurador-geral da República, nomeado pelo presidente Bolsonaro, dirige uma equipe que lhe faz oposição aberta e direta. Que raio de governo “autoritário” é esse, que não tem autoridade nenhuma? Um dos maiores aliados do governo, o ex-deputado e dirigente partidário Roberto Jefferson, está na cadeia há mais de quatro meses – é, por sinal, o único preso político do Brasil. Outro, o jornalista Allan dos Santos, teve de se refugiar nos Estados Unidos e está com a prisão solicitada à Interpol. Governadorezinhos e prefeitinhos de fim-do-mundo governam como bem entendem. Qualquer nulidade do Congresso ou da vida política, desde que tenha carteirinha de militante de “esquerda”, vive correndo ao STF para que o governo faça assim, ou não faça assado; é atendido sempre, como nos pedidos permanentes de “explicações”. Que raio de governo “autoritário” é esse, que não tem autoridade nenhuma? É muito interessante, assim, o ponto de vista do ministro Gilmar Mendes sobre essa anarquia cada vez mais grosseira. Segundo Gilmar, diante das realidades que estão aí na frente de todo mundo, o mais sensato para o Brasil seria a adoção do parlamentarismo. É, possivelmente, a única contribuição construtiva jamais dada para o atual debate político por um membro do STF. O que adianta ter presidente da República se a presidência da República não manda nada? Para que esse drama de eleição presidencial a cada quatro anos se o eleito, seja quem for, vai passar o tempo todo em crise? Eis aí um excelente recado: se não governa, pede para sair.”

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9. Malditos

Ao que parece o comandante do Exército estava em Marte mas desembarocu ontem no Brasil:

“O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, condicionou o retorno de militares ao trabalho presencial à vacinação contra a Covid-19, mas deixou em aberto a possibilidade de “casos omissos sobre cobertura vacinal” serem analisados pelo DGP (Departamento Geral do Pessoal) da Força.” [Folha]

O mesmo DGP que não viu nada de errado em GENERAL DA ATIVA participando de ato político ao lado do presidente?! Agora sim, hein!

“A orientação do comandante está num documento finalizado na última segunda-feira (3), com diretrizes para prevenção e combate à pandemia. O comandante listou 52 diretrizes a serem seguidas por órgãos de direção e comandos militares de área. A vacinação contra a Covid-19 é tratada numa única diretriz, a de número 22. A diretriz propõe “avaliar o retorno às atividades presenciais dos militares e dos servidores, desde que respeitado o período de 15 dias após imunização contra a Covid-19 (uma ou duas doses, dependendo do imunizante adotado)”. O comandante, porém, faz uma ressalva: “Os casos omissos sobre cobertura vacinal deverão ser submetidos à apreciação do DGP, para adoção de procedimentos específicos.””

A malandragem tá aqui ó:

“Não há um detalhamento sobre o que pode ser tratado como caso omisso ou sobre procedimentos a serem adotados.”

Que porra de diretriz é essa que não especifica porra nenhuma?!

“A Folha mostrou em reportagem publicada no último dia 24 que Exército, Aeronáutica e Marinha permitem que militares da ativa deixem de se vacinar contra a Covid-19, embora haja obrigatoriedade estabelecida para imunização contra febre amarela, tétano, hepatite B e outras doenças. A desobrigação se estende a missões militares dentro e fora do país e a inspeções de saúde. No Exército, o entendimento é que não há uma lei que obrigue a vacinação contra a Covid-19 e que existe incentivo à imunização por parte de comandantes de tropas. O responsável por materializar a dispensa da obrigação de vacinação contra a Covid-19 foi o general Fernando Azevedo e Silva, quando exercia o cargo de ministro da Defesa do governo Jair Bolsonaro (PL). O gabinete de Azevedo atualizou o calendário de vacinação militar em 4 de novembro de 2020.”

Sim, o mesmo general que agora é diretor-geral do TSE! Mas voltemos ao atual comandante:?

“Uso de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos devem ser mantidos, conforme a diretriz do comandante. Bolsonaro é contra máscaras e distanciamento. O comandante do Exército propõe ainda que se evite o uso de elevadores, “privilegiando as escadas”, e que portas e janelas sejam mantidas abertas no local de trabalho, quando possível. A nova diretriz proíbe que militares compartilhem notícias falsas sobre a pandemia de Covid-19 em redes sociais. O documento também diz que militares devem orientar familiares e pessoas de seu convívio sobre a conduta. O documento tem como objetivo “preservar a capacidade operativa da Força Terrestre” e a saúde dos integrantes do Exército.​”

Passo ao Marcelo Godoy:

“Em junho de 2019, o então comandante do Exército, general Edson Pujol, fez publicar uma portaria disciplinando o uso de redes sociais pelas organizações militares e pelos militares da ativa. Até então, uma miríade de oficiais estava se manifestando por meio de perfis em redes sociais com publicações de caráter político-partidário, principalmente, em apoio a Jair Bolsonaro, durante a campanha a eleitoral e, depois, ao seu governo. A medida fez muitos oficiais refluírem, mas foi preciso quase um ano para que a tropa se enquadrasse em vez de se comportar publicamente no Twitter e no Facebook como se estivesse no salão do Clube Militar, durante a década de 1920, quando tenentes afrontavam generais e ficava o dito pelo não dito. No dia 24 de junho de 1922, o tenente Gwaier de Azevedo ofendeu uma dezena de oficiais generais, chamando-os de peculatários, devassos e ignorantes com a conivência do então presidente do Clube, o marechal Hermes da Fonseca, que garantiu a tribuna ao jovem oficial.. O general Tasso Fragoso disse ao tenente: “Vossa Excelência veio aqui para dizer desaforos porque não conhece o regulamento do Clube”. Gwaier respondeu: “Em matéria de regulamentos sou como Vossa Excelência, não entendo coisa alguma”. A audiência gargalhou. Quando o general Andrade Neves disse que um dos caluniados, o general Aché, estava muito acima das “injúrias desse oficial energúmeno”, o tenente respondeu: “Antes ser energúmeno do que um devasso como Vossa Excelência, que já desviou fundos de subscrições públicas em proveito de suas numerosas concubinas”. A ata do clube registra a reação da audiência: “protesto”, “muito bem”. Em 2 de julho, o presidente da República, Epitácio Pessoa, mandou fechar o Clube Militar. No dia 5 de julho, os tenentes se rebelaram no Forte de Copacabana. Toda a agitação militar começara por causa de uma fake news: as cartas falsificadas atribuídas em 1921 ao candidato à Presidência Artur Bernardes, nas quais se atacavam Hermes e os militares que o apoiavam. Bernardes venceria a eleição contra o candidato dos tenentes, Nilo Peçanha. A Primeira República entraria em uma década de agitações que levaria ao seu fim, com a Revolução de 1930. Esse clima de Clube Militar dos anos 1920 renasceu em grupos de WhatsApp e em redes abertas, onde qualquer pessoa podia ter acesso às manifestações de oficiais da ativa criticando autoridades, como os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal e políticos de oposição a Bolsonaro, como o governador João Doria (PSDB). O ambiente levou o general da ativa Eduardo Pazuello a participar de um comício ao lado do presidente e um sargento de uma brigada do Paraná a participar de uma live de um major-deputado bolsonarista para criticar a política de promoções do Exército. A portaria do Exército sobre redes sociais e o que se passou depois com o governo Bolsonaro fez com que as Polícias Militares dos Estados começassem a trilhar o mesmo caminho da Força. Era preciso regular o uso das redes sociais pelos policiais militares. Em São Paulo, dois antecedentes deram o sinal amarelo: o caso do cabo Lemos e o do coronel Aleksander. O primeiro publicou uma foto em seu perfil de Instagram no dia 7 de junho de 2020, pouco antes de uma das primeiras manifestações populares contra Bolsonaro. Vestia uniforme e tinha um cassetete na mão. A legenda mostrava suas intenções: “Hoje tem manifestação no Largo da Batata, e os ANTIFAS (anti-fascistas) querem marcar presença. Eu quero cacetar a lomba dos baderneiros”. Lemos foi afastado no mesmo dia e punido. Depois foi a vez do coronel. Entre 1º e 20 de agosto de 2021, Aleksander Lacerda, então comandante do policiamento da região de Sorocaba, fez em sua conta aberta no Facebook 397 publicações de caráter político-partidário. Em 152 delas, ele reproduzia campanhas bolsonaristas, como a que defendia o voto impresso. Chamou o governador Doria de “cepa indiana”, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de “covarde” e anunciava que compareceria à manifestação do dia 7 de setembro, que Bolsonaro ia promover na Avenida Paulista. Foi afastado duas horas depois de o Estadão revelar o caso. O pau que bateu no cabo Lemos também atingiu a cabeça do coronel. O comandante da PM, coronel Fernando Alencar Medeiros, informou, na época, que a corporação estava se preparando para disciplinar o uso de redes sociais por seus integrantes. O resultado foi publicado no dia 27 pela PM e está em vigor desde sua publicação no Diário Oficial do Estado, na quarta-feira, 29. Mais do que garantir a disciplina e preservar os valores da polícia paulista, o documento manda um recado aos incautos que planejavam bagunçar o ano eleitoral de 2022, mobilizando a baderna fardada contra as leis da República. Os PMs terão 20 dias para excluir de suas redes sociais particulares todas as postagens que usem símbolos, imagens, áudios ou qualquer outra coisa que se refira direta ou indiretamente à Polícia Militar. Além de atacar o fenômeno dos policiais influencers e youtubers, que usam a imagem da polícia para auferir dinheiro em contas monetizadas, cursos, dicas para concursos e outras atividades, a portaria também quer disciplinar os que fazem da farda um trampolim para a política. Diz a diretriz que é vedado aos policiais fazer “considerações sobre atos de superiores, de caráter reivindicatório e de cunho político-partidário, ou depreciativos a outros órgãos públicos, autoridades e demais militares do Estado”. Até a foto de perfil na rede social é disciplinada, com a proibição de que ela “se relacione, direta ou indiretamente, com a condição de militar”. A portaria termina com um aviso importante nesse ano eleitoral: “O descumprimento das Condições de Execução elencadas (…), bem como de quaisquer valores e deveres policial-militares previstos em lei, deverá ser apurado à luz do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar, Código Penal e Código Penal Militar, conforme o caso”. Não é surpresa que o bolsonarismo mais uma vez, com Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à frente, tenha se voltado contra o documento. O movimento chefiado pelo presidente tem horror a tudo o que significa ordem e disciplina. Dizem que as ofensas contra Doria são fruto da liberdade de expressão, como se fosse permitido ao cabo achincalhar o capitão. O deputado estadual Conte Lopes disse, em vídeo: “Não se pode falar que os policiais militares amam o Bolsonaro e odeiam o Doria. Essa é a questão de tudo isso nesse ano eleitoral”. Há mecanismos no regulamento disciplinar que preveem a discordância leal dos subordinados e até a crítica em relação aos seus superiores. E entre eles não estão os posts públicos nas redes sociais que contribuem apenas para desprestígio da instituição militar. Parece difícil explicar ao bolsonarismo que comandar não é mesmo que ser síndico de prédio. Ou que as coisas nos quartéis não se resolvem em assembleias. A frase de Conte Lopes ajuda a entender a reação dos bolsonaristas. Eles esperavam contar com a capilaridade das redes sociais dos 130 mil policiais da ativa e da reserva para patrocinar suas campanhas eleitorais em 2022, com o objetivo de se apossarem do governo do Estado, elegendo Tarcísio Gomes de Freitas, pré-candidato do grupo. Sonham ainda manter as dez vagas da bancada da bala eleita na Assembleia Legislativa em 2018, tarefa cada vez mais distante, caso a míngua de votos para a segurança na eleição municipal de 2020 se mantiver em 2022. O jeito é patrocinar polêmicas. O filho 03 do presidente é contra as câmeras que os PMs passaram a carregar para gravar o turno de trabalho. Diz que elas não deixam o policial “trabalhar”. É ofensivo sugerir que o trabalho dos policiais seja a prática de crimes, que os PMs precisem desligar câmeras para apanhar propina ou assassinar suspeitos. Alguém precisa avisar o deputado que a PM de São Paulo não é um valhacouto de bandidos. E que as câmeras darão legitimidade às ações dos policiais honestos e, assim como a nova diretriz do comando afastará os oportunistas da tropa, as câmeras vão tolher os delinquentes. Críticos apartidários da portaria apontam para a extensão dela aos policiais da reserva como um item que pode gerar dúvidas e abusos. O comando deverá esclarecer esse ponto da norma e seu alcance. A tranquilidade e a paz social só podem ser garantidas se aqueles que têm a missão de manter a ordem pública preservarem a higidez de seus homens. O pêndulo estava lançado em direção à baderna. O comando o deslocou para o lado da ordem. E, assim, aos poucos, um novo equilíbrio será atingido. [Estadão]

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10. Orçamento secreto

O Globo foi atrás de quem recebeu orçamento secreto e o governo jurando que não dava pra saber onde o dinheiro foi…

“Os valores rastreados foram empenhados em 2020 e 2021 e chegam a R$ 3,2 bilhões, uma amostra dos R$ 36 bilhões que compuseram as emendas de relator no período. Dentre os políticos mais agraciados está o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que, em 2020, detinha o controle de boa parte da destinação da verba, porque presidia o Senado e mantinha uma relação de proximidade com o Planalto. Foi graças ao parlamentar que o Amapá recebeu a alocação de ao menos R$ 335,9 milhões, um feito inédito. O segundo reduto com maior aporte é a Bahia, com R$ 302,2 milhões — o deputado João Carlos Barcelar (PL-BA) lidera a lista de indicações. O Piauí, estado do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), mandachuva do Centrão, é o terceiro a receber mais recursos dentro da fatia de R$ 3 bilhões cujas indicações foi possível rastrear. O senador licenciado dividiu a maioria da sua cota entre prefeitos do seu partido para angariar apoio político, colocando os seus adversários em situação de desvantagem. A partir dos dados, foi possível constatar outros aliados de Bolsonaro beneficiados com o orçamento secreto. Um deles é o deputado Marcos Pereira (SP), presidente do Republicanos. O parlamentar é apontando como beneficiário de uma emenda de R$ 7,5 milhões destinada a Campinas e empenhada em dezembro de 2020. O valor é informado pelo próprio site da prefeitura. Ao GLOBO, Pereira confirmou a destinação do dinheiro para a pavimentação de uma estrada, que ainda está em fase inicial de licitação, e destacou ser favorável à divulgação das informações detalhadas sobre as verbas.” [O Globo]

E olha ela:

“Fiel escudeira de Bolsonaro no Congresso, a deputada Bia Kicis (DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, foi contemplada pelo orçamento secreto com ao menos R$ 7,8 milhões em duas emendas de relator destinadas a aquisições de máquinas e equipamentos para fortalecer a “capacidade produtiva” e o “desenvolvimento regional” do Distrito Federal, por onde ela pretende disputar o Senado no ano que vem. Em junho, ela fez um post junto com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, dizendo que entregou “cinco caminhões e câmaras frias a cooperativas de pequenos agricultores do DF adquiridos por emendas parlamentares de minha autoria”. Procurada, ela não respondeu aos contatos.”

E Zambi recbeeu muito menos, que satisfação!

A também deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) é apontada no levantamento como contemplada com ao menos três emendas no valor de R$ 500 mil cada. Duas delas foram empenhadas para Mirandópolis e Águas de São Pedro, interior de São Paulo. O primeiro município é comandado pelo prefeito Everton Sodário, do PSL, chamado de “Bolsonaro caipira”, enquanto o segundo é o local onde ela passou a infância. Procurada, Zambelli afirmou que “quando necessário, aponta as principais demandas à liderança, ao Executivo e ao relator do Orçamento””

O final d matéria é didático:

“Alguns parlamentares, porém, rechaçam a ideia da falta de transparência. O deputado José Carlos Bacelar (PL-BA), por exemplo, consta da lista dos mais agraciados pelo orçamento secreto, com ao menos R$ 70 milhões. Ele alega que é a sua função levar recursos para municípios do seu estado. Questionado se o mecanismo privilegia a base do governo em detrimento da oposição, ele foi sucinto: — Desde quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil é assim.”

E agora a edição vai ser frenética, vai de qualquer jeito:

“Enquanto partidos do Centrão, juntos, lideram o ranking de número de parlamentares contemplados e o volume de recursos liberados pelo orçamento secreto, o PT, dono da segunda maior bancada na Câmara, teve apenas quatro de um total de 53 deputados beneficiados, segundo o levantamento. Integrantes de legendas da oposição à esquerda, como Rede, PSOL, PCdoB e PV, ou à direita, caso do Novo, nem sequer constam da lista dos congressistas que receberam emendas do relator. A análise foi feita em um universo de R$ 3,2 bilhões, uma amostra dos R$ 36 bilhões empenhados por meio do mecanismo em 2020 e 2021.” [O Globo]

E lá vou eu parabenizar o… Novo, puta que pariu!

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“O Congresso derrubou nesta sexta-feira (17) o veto do presidente Jair Bolsonaro a um dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2022 que determina que o governo execute emendas ao Orçamento 2022 de acordo com a ordem de prioridade determinada pelos seus autores, isto é, os parlamentares. Segundo técnicos do Congresso, na prática o governo perde a discricionariedade (liberdade para decidir sobre os recursos) sobre as emendas de relator – de rubrica “RP-9”, que ficaram conhecidas como “orçamento secreto”. Esses recursos, de acordo com os especialistas, ficarão “mais parecidos” com as emendas impositivas, as individuais e de bancada, cuja execução é obrigatória. No caso das emendas de relator, não há obrigatoriedade de execução. O trecho que será promulgado com a derrubada do veto prevê, no entanto, que o governo não poderá repassar os recursos indicados pelo relator-geral a outros beneficiários. Para esses técnicos, o dispositivo dificulta o direcionamento de recursos com critérios claros de política pública – por exemplo, para municípios em situação de maior necessidade. O dispositivo prevê que “a execução das programações das emendas deverá observar as indicações de beneficiários e a ordem de prioridades feitas pelos respectivos autores”.”” [G1]

Enquanto isso…

“O município de Miracatu (SP), localizado no Vale do Ribeira, a 137 quilômetros da capital paulista, foi beneficiado com o empenho de R$ 35 milhões em verbas da União no apagar das luzes de 2021. A cidade, de 20 mil habitantes, tem como prefeito Vinícius Brandão (PL), cujo chefe de gabinete é Renato Bolsonaro, irmão do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). Um levantamento feito pelo GLOBO identificou que o montante foi empenhado (reservado para gasto) entre os dias 17 e 30 de dezembro por meio dos ministérios do Desenvolvimento Regional; Agricultura; Cidadania e Turismo.” [O Globo]

Rogéio Marinho, Tereza Cristina, João Roma e o sanfoneiro maldito.

“Segundo o Portal da Transparência, pelo menos R$ 10 milhões são provenientes de emendas de relator do chamado orçamento secreto — instrumento pelo qual um parlamentar destina recursos federais a uma determinada localidade sem que seu nome apareça publicamente. O GLOBO apurou que a atuação de Renato Bolsonaro foi determinante para que ao menos uma parte dos empenhos saísse. No Ministério da Cidadania, por exemplo, os recursos só foram reservados depois que o irmão do presidente tratou do assunto diretamente com o titular da pasta, ministro João Roma. Além dos R$ 35 milhões empenhados, no final do ano, a cidade foi agraciada com o efetivo pagamento de emendas parlamentares. Uma delas partiu de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e sobrinho do chefe de gabinete do prefeito. No dia 23 de dezembro, Renato postou um vídeo celebrando a chegada de uma retroescavadeira comprada por meio da destinação feita pelo sobrinho. — Estamos aqui acabando de receber uma PC, uma máquina zero bala, doada de emenda parlamentar do nosso amigo deputado Eduardo Bolsonaro. (…) Parceirão que deu essa oportunidade a Miracatu —disse ele. Já o prefeito, Vinicius Brandão, prestou os agradecimentos a Bolsonaro e Eduardo e anunciou que a máquina será usada para “auxiliar os agricultores” e “fazer um pocinho para criar tilápia”. Reduto da família Bolsonaro, Miracatu se tornou um ponto estratégico para as pretensões eleitorais do clã. O município é cercado de cidades governadas por prefeitos do PSDB, correligionários do governador de São Paulo, João Doria, pré-candidato à Presidência em 2022 contra Bolsonaro. Cinco dias antes de receber o trator, Renato fez outra publicação, ao lado do ministro da Educação, Milton Ribeiro. Na ocasião, ele anunciou dois “presentões”: a construção de uma escola e de um campus do Instituto Federal de São Paulo no local.”

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11. Boric

Mais uma trapalhada diplomática:

“Um dia após o Chile eleger Gabriel Boric, Jair Bolsonaro (PL) ainda não havia parabenizado o esquerdista até as 18h desta segunda (20). Aliados, por sua vez, lamentaram o resultado nas redes sociais. Entre os principais mandatários da América do Sul, só o presidente brasileiro não se pronunciou.” [Folha]

E não é questão de esquerda ou direita…

“O líder do Paraguai, Mario Abdo Benítez, por exemplo, felicitou Boric e disse que os países trabalharão juntos para seguir fortalecendo as relações entre os países. Em reserva, embaixadores relatam mal-estar com a demora do Brasil em se manifestar. O processo deve partir do presidente, e depois o Itamaraty divulga uma nota.”

E olha o desespero…

“O voto não é obrigatório no país, mas mais da metade da população compareceu às urnas (55,65%). Ainda assim, aliados de Bolsonaro destacaram o nível de abstenção e faziam relações com a disputa em 2022 no Brasil. “Bater no peito dizendo que não votou em político nenhum só fará a história [no Brasil] se repetir”, disse Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e filho do presidente. “Se não percebermos a estratégia da esquerda acabaremos governados por um deles.” Carlos Bolsonaro, outro filho do presidente e vereador do Rio, disse que, “enquanto isso, no Brasil”, cresce o possível voto na “terceira via”, que chamou de “LULO”, dando a entender que pode beneficiar Lula. O tom nas redes bolsonaristas, que levantaram a hashtag #JairOuJáEra, foi de alarmismo. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles afirmou que “o Chile caiu”, e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, publicou um mapa da América do Sul com o símbolo comunista da foice e do martelo. A imagem foi compartilhada por apoiadores do presidente. Como ainda tem gente que não entendeu, me pediram para desenhar! Não é de Bolsonaro que falo, é de esperança, é de democracia! A mais importante eleição do mundo no ano de 2022 acontecerá no Brasil!””

E na Colômbia o favorito também é de esquerda…

“Quatro dias após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Chile, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou uma nota em que cumprimenta Gabriel Boric pela vitória.” [G1]

Vai ver o emissário da mensagem foi a pé…

“”O governo brasileiro cumprimenta o senhor Gabriel Boric Font por sua eleição à Presidência da República do Chile e faz votos de êxito no desempenho de seu mandato”, diz a nota divulgada pelo Itamaraty na quinta (23).”

Mas não parece…

“”Ao reafirmar a solidez dos laços de amizade e cooperação, o Governo brasileiro assinala a disposição de trabalhar com as autoridades chilenas no fortalecimento das iniciativas bilaterais e regionais em prol dos objetivos de desenvolvimento econômico, de defesa da liberdade e da democracia e de respeito ao Estado de Direito”, finaliza a nota.”

Do Gaspari

“Bolsonaro levou 38 dias para cumprimentar Joe Biden pela sua eleição nos Estados Unidos. Donald Trump até hoje não reconhece o resultado. No Chile, José Antonio Kast reconheceu a derrota no domingo, e Bolsonaro mandou cumprimentar “o tal de Boric” na quinta..” [O Globo]

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Vietnã, Bangladesh e Nigéria: os amigos gringos de Carlos Bolsonaro nas redes sociais
“Responsável pela estratégia digital da campanha do pai à reeleição, montou, nas próprias redes sociais, um seleto grupo de aliados virtuais. Trata-se de cinco usuários do Facebook registrados em lugares como em Kon Tum, uma pequena província do Vietnã; Satkhira, um distrito no sudoeste de Bangladesh; e Port Harcout, capital de um estado da Nigéria. Eles são marcados frequentemente nos conteúdos de Carlos, por opção do próprio. Os contatos de Carluxo têm milhares de seguidores (entre 10 mil e 33 mil) e, quando adicionados às publicações do zero dois, o engajamento delas dispara. No início de dezembro, um post dele, com a inclusão dos perfis gringos, alcançou quase dez vezes mais curtidas do que um anterior sem o incremento.”

Forças Armadas exigem vacinas de militares, mas não contra a Covid-19
“As Forças Armadas permitem que militares da ativa deixem de se vacinar contra a Covid-19, embora haja obrigatoriedade estabelecida para imunização contra febre amarela, tétano, hepatite B e outras doenças. A dispensa de exigência na caserna se estende a inspeções de saúde em situações específicas e a missões militares dentro e fora do país. A Folha pediu ao Ministério da Defesa e às três Forças —Exército, Marinha e Aeronáutica— dados de vacinação e de rejeição à vacinação contra Covid-19 entre os militares brasileiros, além de explicações sobre obrigatoriedade de imunização. Não houve resposta por parte de nenhuma das instituições. Generais que comandam tropas no Exército afirmaram, sob a condição de anonimato, que não há obrigatoriedade de vacina contra Covid-19 porque não há uma lei que exija essa imunização nos quartéis. Assim, segundo esses militares, não faz sentido cobrar a vacinação nem mesmo nas inspeções de saúde feitas para a permanência na ativa. A escolha é feita pelo militar, sem a necessidade de assinatura de um termo de responsabilidade, conforme esses generais. Vacinas como a relacionada à febre amarela são exigidas para missões em áreas endêmicas, dentro e fora do Brasil. O mesmo não ocorre com o imunizante contra a Covid-19. Para missões internacionais, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, a imunização acaba ganhando caráter obrigatório em razão de exigências feitas nos países.”

Mais de 36 mil militares se recusaram a tomar a vacina
“Reportagem do site Metrópoles mostra que mais de 36 mil integrantes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a tomar a vacina contra a Covid. O número de militares que não se vacinaram é de 32,2 mil e de 4,3 mil nas respectivas Forças. Ainda segundo o site, cerca de 121,2 mil integrantes do Exército e 36,5 mil da Força Aérea Brasileira foram completamente imunizados. O número representa 56,3% e 54,9%, respectivamente, do total de militares das duas Forças. A Marinha se recusou a fornecer a informação. As Forças Armadas não tornaram a vacinação dos militares obrigatória. Aqueles que optaram por não se imunizar assinaram um termo de responsabilidade reconhecendo que foram orientados sobre a importância da vacina.”

Heleno autorizou exploração de diamantes em terra de reforma agrária na fronteira
“O general autorizou pesquisa de ouro em um trecho do rio Negro —tanto em ilhas quanto nas águas— que divide duas terras indígenas praticamente intocadas, onde vivem indígenas de 11 etnias. Outra área avança sobre território da União, colado ao Parque Nacional do Pico da Neblina. Para esta área, o ministro autorizou ainda a prospecção de nióbio e tântalo. A disposição de Heleno de permitir o avanço de garimpos na Amazônia inclui aval a exploração de área de projeto de assentamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Em 1º de julho de 2021, o ministro autorizou o empresário Antônio João Abdalla Filho a pesquisar diamantes na faixa de fronteira em Roraima, em área dos municípios de Bonfim e Cantá. O chamado assentimento prévio, referente a uma área de 9.999,63 hectares, baseou-se em processo da ANM (Agência Nacional de Mineração). Abdalla Filho atua em diferentes frentes. É sócio de empresas de mineração, cimento, imóveis, helicópteros e criação de gado, entre outras. Os documentos do GSI referentes à decisão de Heleno validando a pesquisa de diamantes mostram que o pedido de exploração do minério incluiu uma parcela do assentamento Jacamim. O assentamento tem uma área sobreposta com a terra indígena Malacacheta, conforme os mesmos documentos. Na terra vivem mais de mil indígenas wapichana. Os wapichana também estão na terra indígena Jacamim, na mesma região. No assentamento de mesmo nome, Jacamim, vivem 70 famílias, com capacidade para 79, segundo banco de dados do Incra. O projeto foi criado em 2002.”

Desoneração da folha de pagamento em 2022 fica sem recursos no Orçamento
“O relator da proposta do Orçamento de 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), deixou de prever recursos para prorrogar a desoneração da folha de pagamento de 17 setores. Só estão reservados valores para pagar o resquício da execução do programa em 2021. A desoneração acabaria no fim deste ano. Após pressão do empresariado, no entanto, o Congresso aprovou a prorrogação até 2023. A medida ainda não foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Em sua live semanal, Bolsonaro afirmou que vai sancionar o texto. “Isso vai ser sancionado, antes que comecem a circular notícias aí desencontradas”, disse. “Nós estamos em contato com o relator, [deputado] Hugo Leal [PSD], lá do Rio de Janeiro, obviamente favorável à proposta. Em contato com o presidente da Câmara, Arthur Lira [PP-AL], favorável à proposta também, para a gente, o mais rápido possível, sancionar então o projeto da desoneração da folha e da isenção de IPI [imposto sobre produtos industrializados] para taxistas.” Leal afirma que os recursos necessários para que a medida fosse prorrogada eram de ao menos R$ 8,5 bilhões (já considerando o montante destinado ao pagamento do rescaldo de 2021). Mas o relator só manteve R$ 3,2 bilhões referentes às sobras da execução do programa neste ano. Ou seja, faltam ao menos R$ 5,3 bilhões. Leal confirma que o valor ficou abaixo do indicado pelo governo, mas diz que o Poder Executivo poderá suplementar os recursos. “Quem controla o Orçamento da receita e da despesa é o Executivo”, disse à Folha. “O Executivo poderia encaminhar um PLN [projeto de lei do Congresso] com a inclusão dessa despesa no Orçamento e com o cancelamento de outras, como é um procedimento que pode ser feito durante o exercício de 2022″, afirma Leal. Procurado, o Ministério da Economia disse que a desoneração estava entre as prioridades do governo e que a lista com essas preferências foi enviada ao Congresso. A pasta não respondeu de forma imediata se vai fazer o remanejamento de recursos para o ano que vem.”

Depois de apontarem esvaziamento do Arquivo Nacional por decreto de Bolsonaro, chefes são exoneradas
“O diretor-geral do Arquivo Nacional, Ricardo Borda D’Água, exonerou duas servidoras consideradas peças-chave do órgão na gestão de documentos de repartições federais. A medida atingiu Dilma Cabral, destituída do cargo de supervisora da equipe do projeto Memória da Administração Pública Brasileira, e Cláudia Lacombe, supervisora de Gestão de Documentos Digitais e Não Digitais. As duas e mais três servidores foram realocados em outras áreas na instituição ou devolvidos aos órgãos de origem. As exonerações foram em 31 de dezembro, nove dias depois de uma reunião em que ambas disseram a Borda D’Água estarem preocupadas com o esvaziamento do Arquivo, em especial na gestão de documentos da administração federal. Dos quatro participantes do encontro, três sofreram retaliações: Alex Holanda, ex-supervisor da equipe de permanência digital, também foi remanejado. A Associação dos Servidores do Arquivo cobra explicações do diretor-geral, que foi procurado pelo GLOBO mas não respondeu aos questionamentos. Para um dos dirigentes da associação, Victor Madeira, a saída das duas representa mais um episódio no desmonte da política nacional de arquivos: — Perde-se em acúmulo de conhecimento, de experiência e de execução de propostas elaboradas após anos de trabalho.. Funcionário aposentado do Banco do Brasil, Borda D’Água foi nomeado no mês passado, medida que aprofundou a crise vivida há quase três anos na instituição. Ex-chefe de segurança do BB, ex-subsecretário de Segurança Pública do Distrito Federal, atirador esportivo e agraciado como “colaborador emérito” do Exército, é visto como um estranho no setor. Sua nomeação aumenta as desconfianças da classe sobre o destino de documentos públicos, especialmente os que tratam do período do regime militar (1964-1985). Há temor sobre o futuro do projeto Memórias Reveladas, lançado para produzir conhecimento com base nos arquivos do regime militar.

Bolsonaro sanciona projeto que obriga contratação de térmicas a carvão até 2040. Custo será de R$ 840 milhões por ano
“Combustível que está sendo abandonado em todo o planeta e que é considerado um dos principais poluidores da atmosfera, o carvão mineral ganhou uma sobrevida no Brasil por conta de um projeto aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro na noite desta quarta-feira. O texto garante a contratação da energia gerada por termelétricas movidas a carvão mineral em Santa Catarina. Isso se torna um incentivo, na prática, porque a tendência em todo o mundo é não contratar mais esse tipo de usina. A associação dos grandes consumidores de energia (Abrace) estima um custo anual de R$ 840 milhões para todos os clientes de eletricidade do país. A lei determina a prorrogação dos contratos do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, no Sul de Santa Catarina, até 2040. Portanto, até essa data, as usinas dessa região continuariam gerando energia para o sistema elétrico nacional.

Ministro do Supremo suspende reintegração de posse de prédio na Augusta com 35 crianças
“O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a pedido da Defensoria Pública de São Paulo e suspendeu nesta quinta-feira, 6, a ordem de reintegração de posse de um prédio situado na Rua Augusta, na capital paulista, ocupado por mais de 40 pessoas e ao menos 35 crianças em condições de vulnerabilidade. A Defensoria Pública de São Paulo questionou no STF decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que manteve a reintegração decretada pelo juízo de primeiro grau, recomendando que as famílias fossem encaminhadas ao abrigo que estivesse disponível no município, sob o argumento de que sua permanência no imóvel inacabado representaria riscos às suas vidas. Ao analisar a reclamação da Defensoria, o ministro lembrou que o Supremo estendeu até dia 31 de março os efeitos da decisão que decisão que suspendeu despejos e desocupações em imóveis urbanos e rurais, em razão da pandemia da covid-19. As informações foram divulgadas pela corte.”

Itamaraty nomeia braço direito de Ernesto para cargo nos EUA em manobra à la Weintraub
“O Itamaraty nomeou o braço direito do ex-chanceler Ernesto Araújo, Pedro Wollny, para o cargo de chefe do escritório financeiro em Nova York. Ele foi chefe de gabinete de Araújo e, com Carlos França, tornou-se secretário de gestão administrativa, um cargo importante na hierarquia da pasta e que deixou em setembro. A mudança de Wollny para os EUA, oficializada no Diário Oficial em 30 de dezembro, foi interpretada como saída similar à que o governo deu a Abraham Weintraub, que deixou o Ministério da Educação e ganhou cargo no Banco Mundial. Afastado do núcleo decisório, Wollny não terá mais influência no dia a dia do ministério, lidará com questões burocráticas e não deverá receber autoridades internacionais em Nova York. Um dos diplomatas ouvidos pela Folha ​descreveu a função como “prebenda de luxo”. A atuação de Wollny como chefe de gabinete foi bastante criticada por diplomatas e foi descrita como autoritária. Em dezembro de 2020, por exemplo, ele cobrou por meio de mensagens de WhatsApp a presença física de diplomatas no Ministério das Relações Exteriores durante a pandemia da Covid-19, como mostrou o jornal O Globo.”

Força do euro aos 20 anos faz com que ele deixe de ser tema de campanha
“A pandemia só reforçou as convicções pró-euro dos europeus. Hoje, gregos, portugueses e tantos outros estão plenamente conscientes de que seus respectivos governos jamais conseguiriam navegar os mares da pandemia munidos de suas moedas de outrora. Os dracmas, os escudos de nada serviriam para combater a inflação e estabilizar cadeias de abastecimento. O pesadelo da lira, a moeda turca que acabou de viver seu pior ano em duas décadas, provavelmente se repetiria em outros países europeus. As evidências a favor do euro são tão fortes que os populistas foram obrigados a dar a revolta por encerrada. Prestes a iniciar sua terceira campanha presidencial, Marine Le Pen se posicionará pela primeira vez a favor da manutenção da França na zona do euro. Seu rival na extrema direita Eric Zemmour, que defendeu publicamente o frexit durante toda a carreira de jornalista, também aposentou a bandeira. Tema estruturante do debate econômico europeu das duas últimas décadas, o euro simplesmente deixou de ser um assunto de campanha.”

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